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quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Saúde da mulher: As consequências psicológicas da Menopausa

Estudiosos no assunto apontam histórico de saúde mental, meio social e características individuais como fatores moldadores das consequências psicológicas na menopausa 


Na vida da mulher, a menopausa é uma fase natural de transição marcada por alterações hormonais e físicas. Essas alterações, muitas vezes, vêm somadas a fatores que causam desconfortos emocionais e estresses que acabam afetando diretamente o bem-estar psicológico de quem está enfrentando esse momento.

O estresse pode ser desencadeado por inúmeros fatores relacionados à menopausa, como mudanças na imagem corporal, baixa libido e noites mal dormidas, por exemplo.  Esses fatores estressores podem influenciar os sistemas neuroendócrino e imunológico desencadeando respostas físicas e emocionais negativas.

Como as mulheres vivem e passam a lidar com essa fase é determinante para o nível de estresse e saúde mental e emocional. O histórico de saúde mental, o meio social e inúmeras características individuais vão ditar como cada mulher, de maneira singular, vai reagir a essa fase. Ou seja: As consequências emocionais e psicológicas são variáveis de acordo com a realidade de cada uma.  

Para Dr. Beatriz Tupinambá,(@drabeatriztupinama) médica Ginecologista especialista em Menopausa, com conhecimento e assistência profissional adequada, a menopausa pode sim ser a melhor fase da mulher vida da mulher. Em suas publicações, cursos e lives nas redes sociais que somam mais de 400 mil seguidores, cita vantagens como o fim dos ciclos menstruais, TPM, preocupação com período fértil, maior tempo de autocuidado, maturidade e homônimos administrados como algumas das vantagens. 

“A gente precisa trabalhar também o psicológico. Olhar a menopausa por outro ângulo e perceber que sim, a menopausa pode ser a melhor fase que podemos viver. A gente entra na menopausa na metade da nossa vida, e não precisamos nos manter na segunda metade dela indispostas, com calores, ressecamentos, queda de libido, entre outros, porque simplesmente deixamos de alimentar nossas células de hormônios por 50 anos.”

Além de acompanhamento médico e psicológico especializado, é importante a prática de exercícios físicos, alimentação saudável, atividades de relaxamento, apoio social e familiar para que essa fase seja vivida da forma mais confortável possível. Em muitos casos, por conta de toda a mudança a que são submetidas, muitas mulheres recorrem ao consumo excessivo de álcool, nicotina e adotam o isolamento social, provocando assim, maiores e mais evidentes consequências psicológicas negativas durante esse período.

Mesmo com alternativas que possibilitem enfrentar essa fase da maneira mais saudável possível, é necessário ter a sensibilidade que a menopausa e seus sintomas não são estáticos e evoluem ao longo do tempo e de acordo com os estímulos. À medida que  as  mulheres ajustam suas rotinas e métodos pra viver a menopausa os resultados mudam positiva ou negativamente.  

 

Oncogeriatria: a importância do atendimento especializado ao idoso com câncer

Diagnóstico e avaliações específicas contribuem para a segurança e qualidade de vida do paciente com mais de 60 anos

 

O envelhecimento populacional é um fenômeno global. Em 2030, estima-se que o Brasil terá a quinta população mais idosa do mundo, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Em paralelo, a incidência de câncer em pessoas acima de 60 anos também apresenta crescimento em ritmo acelerado. Um dos principais motivos é que o envelhecimento faz com que as células se recuperem mais devagar, tornando o corpo idoso mais suscetível a tumores.  

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), 70% de todos os cânceres acontecem na população acima de 60 anos. Somente no Brasil, a cada cem mil pessoas acima de 60 anos, 97 desenvolvem algum tipo de tumor. Além disso, os dados levantam a perspectiva de crescimento nos próximos quinze anos. Em 2040, a população idosa brasileira com câncer terá um aumento expressivo de 98%.

Diante do aumento na expectativa de vida da população brasileira, é preciso voltar os cuidados com a prevalência dos diferentes tipos de câncer, o que requer avaliações mais específicas e monitoramento constante do tratamento. “As pessoas acima de 60 anos possuem condições diferentes, por isso, a importância do atendimento personalizado, com equipes multiprofissionais e que direcionem o tipo de tratamento para cada pessoa”, explica Dra. Lucíola Pontes, oncogeriatra e líder médica do Centro de Cuidado em Oncologia e Hematologia do Hcor.

Ainda de acordo com Dra. Lucíola, a oncogeriatria tem um foco maior nas particularidades que o idoso apresenta em vez de somente tratar o câncer. Durante a avaliação de pacientes acima de 60 anos, são analisados os aspectos nutricionais, cognição (problemas de memória), alterações de humor, polifarmácia (quais remédios o idoso utiliza e os riscos de interação), teste de equilíbrio (avaliação de riscos de queda), comorbidades e funcionalidade (atividades da vida diária como cuidados pessoais e realização de atividades sem o auxílio de familiares).

A partir desta avaliação, o idoso vai receber o tratamento adequado para a sua condição. “O acompanhamento com um oncogeriatra é extremamente importante para que o idoso conheça as opções que ele possui. Por isso, temos uma equipe focada no combate à dor e cuidados paliativos, que contempla os preceitos básicos de um atendimento humanizado nas diferentes fases do tratamento.”, afirma a especialista.


Hcor


Como cuidar da sua saúde íntima?

Especialista no assunto, fisioterapeuta Siane Santarosa Pascote fala sobre as mudanças no corpo da mulher com o passar dos anos e os cuidados necessários com a região íntima  



Com o passar dos anos, é natural que o corpo passe por mudanças, no entanto, muitas mulheres não se atentam aos impactos do envelhecimento na sua saúde íntima. Embora muitas vezes negligenciado, os cuidados com essa região são de extrema importância para o bem-estar de todas as mulheres. Ressecamento, flacidez, escurecimento da pele e falta de lubrificação são alguns dos sinais que podem surgir e é fundamental estar atenta e buscar maneiras de cuidar dessa região para envelhecer com mais qualidade e prazer.

O envelhecimento é um processo inevitável e, com ele, surgem diversas mudanças no corpo. Quando se trata da saúde íntima, essas mudanças podem incluir o ressecamento vaginal, que pode causar desconforto e até mesmo dor durante a relação sexual. Além disso, a flacidez dos músculos do assoalho pélvico pode levar à perda de sustentação dos órgãos internos, o que pode resultar em incontinência urinária.

Não são apenas os efeitos do envelhecimento físico que afetam a saúde íntima. Momentos como climatério, menopausa, aleitamento, pós-parto, após um tratamento de câncer, por exemplo, podem contribuir para a intensificação desses e de outros sinais. E nesses períodos a atenção com a saúde íntima se torna ainda mais crucial.

Especialista em saúde e bem-estar da mulher, a fisioterapeuta Siane Santarosa Pascote afirma que não se trata apenas de estar atenta aos sinais do corpo, mas, principalmente, de se cuidar. “São mudanças naturais, mas que merecem atenção. Hoje estamos vivendo cada vez mais e a mulher precisa estar vigilante para decidir como quer passar os próximos 30, 40 anos de vida e cuidar da saúde íntima é um passo fundamental para viver bem a melhor fase da vida”, afirma.

Siane enfatiza que a saúde íntima não se limita apenas ao corpo, mas também está intrinsecamente ligada à mente. “Quando a saúde íntima está bem, a mulher está ainda mais preparada para se relacionar melhor com quem está ao seu redor e lidar com as situações do dia a dia”, completa.


Como cuidar da saúde íntima?

Embora muitas mulheres pensem que apenas medicamentos são a solução para o problema, é importante dizer que existem outros tratamentos disponíveis para melhorar a saúde íntima, proporcionando a recuperação da lubrificação na região - entre outros benefícios - e, também, o fortalecimento da região pélvica, se tornando uma solução eficaz contra a incontinência urinária.

Entre os novos tratamentos existentes no mercado está o laser Athena, uma tecnologia inovadora que tem como foco a saúde da mulher. O laser é capaz de tratar o ressecamento vaginal, a flacidez e outros problemas relacionados à saúde íntima de forma eficaz. É um procedimento seguro e confortável, que traz resultados bastante significativos.

“O laser oferece resultados incríveis, contribuindo não somente para a saúde da região íntima, mas para o bem-estar da mulher. O ressecamento vaginal, por exemplo, pode causar, entre outras coisas, dores durante a relação sexual, comprometendo este momento que deveria ser de prazer. Ao tratar o ressecamento com o laser, a mulher recupera, também, a sua saúde sexual”, afirma.

Em tempos nos quais a atenção à saúde íntima está em alta, Siane destaca a importância de buscar suporte e orientação para cuidar de si. “Chegou o momento de nos cuidarmos, de estarmos atentas aos sinais do nosso corpo e de agir de forma proativa para preservar a nossa saúde íntima. Não é apenas uma questão de bem-estar físico, mas também de qualidade de vida e autoestima”, finaliza.


COVID longa está ligada a dano duradouro na mitocôndria, a ‘fábrica’ de energia das células

As análises indicam que a produção de ATP pela mitocôndria
 pode permanecer prejudicada mesmo após a eliminação do vírus
(
imagem: Darryl Leja/NHGRI/Wikimedia Commons)

A infecção pelo SARS-CoV-2 pode suprimir em diversos tecidos do organismo a expressão de genes mitocondriais envolvidos com a produção de ATP, a molécula que serve de combustível celular. Descoberta abre caminho para a busca de estratégias capazes de reverter o quadro

Estudo internacional publicado em Science Translational Medicine revela que o vírus da COVID-19 pode prejudicar em diversos tecidos do organismo a função da mitocôndria – a “usina” de energia das células –, criando um efeito global e prolongado em todos os órgãos do infectado.

A descoberta de um efeito sistêmico relacionado com a inibição da função mitocondrial abre caminho para a busca de novos tratamentos tanto para casos graves da doença quanto para pacientes com COVID longa.

“A disfunção mitocondrial provocada pelo SARS-CoV-2 se mantém conservada, mesmo quando o vírus é eliminado. Isso configura mais um efeito sistêmico da doença. Neste trabalho, verificamos que o processo ocorre em vários tecidos do organismo, não só nas células do sistema imune [monócitos] ou apenas no pulmão, como se imaginava inicialmente. A disfunção mitocondrial pode ocorrer em todo o organismo e, entre as consequências, está o aumento da resposta inflamatória em pacientes graves”, explica Pedro Moraes-Vieira, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp).

A investigação que deu origem ao artigo foi desenvolvida no âmbito do consórcio COVID-19 International Research Team, que reúne pesquisadores de diferentes centros dos Estados Unidos, Coreia do Sul, Dinamarca, Paraguai e Brasil. Os trabalhos são financiados sobretudo pelo National Institutes of Health (NIH, dos Estados Unidos). Este estudo em específico é a continuação de uma investigação iniciada no ano de 2020, com apoio da FAPESP, na qual a equipe da Unicamp, liderada por Moraes-Vieira, descobriu que a COVID-19 poderia gerar disfunções na mitocôndria. Contudo, ainda não estava comprovado que se tratava de um problema generalizado (leia mais em: agencia.fapesp.br/33237/).

Energia roubada

No artigo mais recente, os pesquisadores analisaram a infecção pelo vírus causador da COVID-19 em dois modelos animais (hamsters e camundongos). Além disso, examinaram dados referentes a mais de 700 amostras nasofaríngeas (de pessoas saudáveis e de pacientes com infecção pelo SARS-CoV-2 em estágio inicial) e 35 amostras de tecidos obtidas por meio de autópsia (de indivíduos com infecção em estágio avançado) – todas coletadas durante a pandemia na cidade de Nova York.

As análises revelaram que o vírus suprime a expressão de certos genes mitocondriais (vale lembrar que essa organela possui material genético próprio, o DNA mitocondrial). Esse processo afeta vias bioquímicas, a produção de energia celular e a ativação da resposta imune. Isso faz com que a célula comece a usar uma via alternativa para produção de energia, a chamada glicólise, que consiste na quebra da molécula de glicose em duas moléculas de ácido pirúvico, que passam a servir como fonte de energia para o vírus. Dessa forma, ele consegue se replicar mais, desencadeando uma resposta inflamatória mais exacerbada, ou seja, a forma grave da COVID-19.

Mas o efeito sistêmico de inibir a função mitocondrial não para por aí. “Observamos que, mesmo quando o vírus era eliminado do organismo e a inibição dos genes mitocondriais no pulmão havia cessado, a expressão desses genes mitocondriais no coração, rim, fígado ou nos gânglios linfáticos permanecia prejudicada, levando potencialmente à patologia grave da COVID-19. Acreditamos também que essa inibição dos genes mitocondriais possa estar relacionada com a chamada COVID longa quando não há mais vírus. O paciente está curado da doença, mas alguns sintomas e sequelas persistem”, comenta Moraes-Vieira, que também é pesquisador do Experimental Medicine Research Cluster (EMRC) e do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP na Unicamp.

Como lembra o pesquisador, os experimentos feitos em monócitos infectados pelo grupo da Unicamp, em 2020, mostraram que a supressão dos genes mitocondriais quase inativou o processo de fosforilação oxidativa, que utiliza a energia liberada pela oxidação de nutrientes para produzir a molécula conhecida como trifosfato de adenosina, ou ATP, que serve de “combustível” para as células.

“Isso cria a necessidade de buscar novas formas de produzir energia, o que, em relação aos sintomas da doença, pode se manifestar na forma de falta de ar e cansaço, por exemplo”, diz. Esse dado foi publicado em 2020 pelo grupo de Moraes-Vieira.

Já as amostras nasofaríngeas e de tecidos analisadas no estudo agora publicado mostraram que a supressão de genes e da função mitocondrial estava ocorrendo em diferentes órgãos, como coração, fígado, rins e gânglios linfáticos.

“Mesmo após a eliminação do vírus, a inibição de genes relacionados à fosforilação oxidativa permanecia. Parece ser um quadro irreversível se pensarmos em casos de COVID longa. Isso abre caminho para buscar novos tratamentos que envolvam a restauração da função mitocondrial. E é justamente nesse ponto que vamos focar nos próximos estudos”, comenta.

O estudo Core mitochondrial genes are down-regulated during SARS-CoV-2 infection of rodent and human hosts pode ser lido em: www.science.org/doi/10.1126/scitranslmed.abq1533#con45.

 

Maria Fernanda Ziegler
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/covid-longa-esta-ligada-a-dano-duradouro-na-mitocondria-a-fabrica-de-energia-das-celulas/50267


Cebola e alho: Inimigos invisíveis do hálito

Descubra os vilões da alimentação e como manter-se fresco e saudável

 

Quando se trata de bom hálito, muitas pessoas acreditam erroneamente que basta escovar os dentes três vezes ao dia e usar algum enxaguante bucal. No entanto, existem diversas formas de manter a condição de uma saúde bucal perfeita.

Um dos primeiros cuidados essenciais para evitar as alterações bucais é a troca regular da escova de dentes. A Dra. Cláudia Gobor, ex-presidente da Associação Brasileira de Halitose, recomenda a substituição da escova a cada três meses, ou assim que as cerdas começarem a ‘abrir’, pois cerdas desgastadas podem prejudicar a eficácia da limpeza bucal.

“Também é fundamental prestar atenção à dieta, já que certos alimentos podem causar mau hálito sistêmico, como cebola, alho e pratos condimentados que podem conter compostos voláteis e afetar negativamente o hálito. Nesse sentido, evitar o consumo desses alimentos odoríficos, escovar os dentes e fazer uso de enxaguante bucal após ingeri-los pode ajudar a minimizar a situação”, comenta a especialista.

A Dra. Cláudia Gobor ressalta que a hidratação adequada também é um fator crucial para um hálito fresco. A boca seca pode contribuir para o mau hálito, pois a redução na produção de saliva dificulta a eliminação de partículas de alimentos e bactérias. Portanto, beber líquidos regularmente não apenas quando se está com sede, mas ao longo do dia, é fundamental para manter a boca hidratada e limpa.

Seguir as orientações do dentista é outra prática importante para garantir o bom hálito e a saúde bucal geral. Além da escovação regular, o uso do fio dental e de enxaguantes bucais recomendados pelo profissional pode auxiliar na prevenção desse problema.

Portanto, ao desfrutar de encontros e momentos especiais, é essencial estar atento à higiene bucal e adotar medidas que promovam um hálito agradável. Mantendo-se hidratado, evitando certos alimentos e seguindo as orientações do dentista, é possível desfrutar da confiança proporcionada por um hálito fresco e de uma saúde bucal perfeita.

Sobre a Dra. Cláudia Gobor
Cláudia Gobor é uma cirurgiã dentista altamente qualificada e especialista pelo MEC no tratamento da halitose, também conhecida como mau hálito. Com vasta experiência e conhecimento na área, Dra. Cláudia tornou-se uma referência no tratamento desta condição, auxiliando seus pacientes a recuperarem a autoestima e confiança por meio de um hálito fresco e saudável. Já exerceu o cargo de presidente e atualmente é a diretora executiva da Associação Brasileira de Halitose (ABHA), contribuindo para o avanço da pesquisa e conscientização sobre esse tema.

 

Dra. Cláudia C. Gobor - Cirurgiã Dentista especialista pelo MEC no tratamento da Halitose
Ex-Presidente e atual Diretora Executiva da Associação Brasileira de Halitose
https://www.bomhalitocuritiba.com.br/
Instagram: @bomhalitocuritiba
Facebook: @bomhalitocuritiba


Câncer Infantojuvenil: ginecologistas alertam para a semelhança dos sintomas comuns da infância e adolescência

  Aproximadamente 8,5 mil novos casos são estimados anualmente

 

Em 23 de novembro, lembra-se o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantojuvenil, a data foi criada com o intuito de reforçar a importância do diagnóstico precoce nos casos de câncer que acometem crianças e adolescentes. Estima-se que anualmente ocorram aproximadamente 8,5 mil novos casos, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Conforme o Instituto OncoGuia, os cânceres mais comuns em crianças incluem Leucemia, Tumores cerebrais e do sistema nervoso central (SNC), Neuroblastoma, Tumor de Wilms e Linfomas. 

A ginecologista Erika Krogh, integrante da comissão de ginecologia infanto-puberal da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia(FEBRASGO), esclarece que os sintomas do câncer na população infantojuvenil frequentemente se assemelham aos sintomas de doenças comuns da infância e adolescência, como viroses. 

“Isso torna o diagnóstico precoce desafiador. No entanto, alguns sinais de alerta que os pais e cuidadores devem observar incluem febre persistente, perda de peso inexplicada, dores ósseas prolongadas, hematomas pelo corpo sem histórico de quedas, sangramento, sangramento gengival, anemia sem causa aparente, anemia persistente, sintomas inespecíficos como dor de cabeça, tontura, falta de equilíbrio, distúrbios visuais, edemas nos olhos, alterações na coloração da pupila, presença de caroços pelo corpo, especialmente nos linfonodos nas axilas e virilha, com consistência mais rígida e aderida aos planos profundos. Tosse persistente, falta de ar, febre noturna com sudorese, fadiga fácil e dores nas pernas e braços também são sintomas que merecem atenção para um diagnóstico adequado”, alerta a especialista. 

O processo de diagnóstico do câncer em crianças e adolescentes não é tão simples quanto no adulto, pois os sintomas que manifestam são inespecíficos e muitas vezes se assemelham aos de viroses e outras infecções. É uma questão de observação constante para identificar a persistência desses sintomas e, a partir disso, iniciar uma investigação. O diagnóstico precoce desempenha um papel crucial no aumento das chances de cura entre os mais jovens. É essencial contar com orientações específicas para cada tipo de câncer, uma vez que eles podem apresentar sintomas distintos, e o diagnóstico será realizado com base na manifestação de cada sintoma observado. 

A diferença no tratamento entre câncer infantojuvenil e câncer em adultos reside, em grande parte, na questão das doses, que são ajustadas conforme a toxicidade. Frequentemente, a mesma medicação pode ser utilizada, dependendo da tolerância individual. Para cada tipo de câncer, entretanto, há uma abordagem medicamentosa específica, embora não seja possível mencionar todas. 

“Ao lidar com crianças, é essencial tornar o tratamento o mais acolhedor possível. Muitas vezes, esses pacientes passam longos períodos internados em hospitais, tornando crucial a criação de um ambiente mais acolhedor e lúdico. Isso pode envolver a implementação de salas de recreação, realização de palestras informativas direcionadas às crianças, tornando o processo mais leve. Permitir visitas de colegas, evitando procedimentos desnecessários e dolorosos, é também parte integrante do cuidado destinado às crianças em tratamento ", pontua a médica. 

As opções de tratamento variam de acordo com o tipo de câncer diagnosticado na criança, sendo preferível adotar abordagens menos invasivas sempre que possível. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza locais específicos para o atendimento desses pacientes, incluindo Centros de Alta Complexidade na maioria dos Estados. Esses centros hospitalares possuem recursos humanos e tecnológicos adequados para oferecer assistência de alta complexidade, desde o diagnóstico até o tratamento e o acompanhamento posterior do paciente. 

“Para os pais e cuidadores, é fundamental que as crianças realizem consultas periódicas com pediatras. Além disso, eles devem ser orientados a observar sinais e sintomas persistentes e, caso notem algo diferente durante a rotina, devem buscar atendimento médico. Os serviços de saúde proporcionam a oportunidade de consultas regulares, permitindo um acompanhamento contínuo com pediatras na atenção básica. A atuação efetiva da vigilância e promoção de saúde nesse contexto visa disseminar informações tanto para os profissionais de saúde quanto para as famílias, promovendo a prevenção e o diagnóstico precoce ", conclui a Dra. Erika.

 

Doença Diverticular de Cólon: Fatores de Risco, Sintomas e Tratamento

Descubra Por Que A Doença Diverticular De Cólon Está Se Tornando Mais Comum Em Mulheres E Como A Idade, A Dieta E Outros Fatores Desempenham Um Papel Fundamental. Saiba O Que Você Precisa Saber Para Prevenir E Tratar Essa Condição Gastrointestinal.


A doença diverticular de cólon, também conhecida como diverticulose ou moléstia diverticular do cólon, é uma condição do trato gastrointestinal que afeta principalmente o cólon sigmóide, a parte final do intestino grosso. Esta condição envolve a formação de pequenas bolsas, chamadas divertículos, na parede do cólon. Vamos abordar alguns aspectos importantes sobre a doença diverticular de cólon:

A doença diverticular de cólon é mais prevalente em pessoas de meia-idade e idosas. Ela se torna mais comum à medida que envelhecemos, sendo rara em pessoas com menos de 40 anos. A idade média de diagnóstico geralmente está na faixa dos 60 anos. Acredita-se que o enfraquecimento da parede do cólon com o tempo seja um fator contribuinte para o desenvolvimento da diverticulose – Revela o Dr. Ernesto Alarcon, médico cirurgião, especialista em videolaparoscopia.

Historicamente, acredita-se que a doença diverticular era mais comum em homens do que em mulheres. No entanto, as últimas décadas mostraram uma mudança nesse padrão, com uma maior incidência em mulheres, especialmente na faixa etária mais avançada. As razões por trás dessa mudança não são totalmente claras, mas podem estar relacionadas a fatores como dieta, estilo de vida e genética.

As causas exatas da doença diverticular de cólon não são completamente compreendidas, mas vários fatores de risco foram identificados. Estes incluem:

  1. Envelhecimento: Como mencionado, o risco aumenta com a idade devido ao enfraquecimento natural da parede do cólon.
  2. Dieta: Uma dieta pobre em fibras e rica em alimentos processados pode aumentar o risco de desenvolver divertículos. A falta de fibras pode levar a fezes duras, o que aumenta a pressão dentro do cólon.
  3. Genética: A predisposição genética desempenha um papel em alguns casos.
  4. Estilo de Vida: Fatores como o sedentarismo e o tabagismo também podem aumentar o risco.

A maioria das pessoas com diverticulose não apresenta sintomas. No entanto, em alguns casos, os divertículos podem inflamar-se, resultando em uma condição chamada diverticulite. Os sintomas típicos da diverticulite incluem dor abdominal, febre, náuseas e mudanças nos hábitos intestinais – Complementa o Dr. Ernesto Alarcon.

Os fatores de risco incluem o envelhecimento, dieta pobre em fibras, genética e estilo de vida. É importante que qualquer pessoa que suspeite de problemas no cólon consulte um profissional de saúde para um diagnóstico adequado e orientação de tratamento.

O tratamento da doença diverticular depende da gravidade dos sintomas. Em casos leves, ajustes na dieta, como o aumento da ingestão de fibras, e o uso de analgésicos podem aliviar o desconforto. Em casos mais graves, pode ser necessário tratamento com antibióticos e, em alguns casos, procedimentos cirúrgicos. Em resumo, a doença diverticular de cólon é mais prevalente em pessoas de meia-idade e idosas, sendo agora mais comum em mulheres do que em homens. A compreensão desses fatores pode ajudar na prevenção e no tratamento eficaz dessa condição – Alerta o Dr. Ernesto Alarcon. 

 

Dr. Ernesto Alarcon - Cirurgião Geral especialista em videolaparoscopia em SP- Cirurgias de hérnias, vesículas,vasectomia, entre outros.
https://drernestoalarcon.com.br
@drernestoalarcon

 

Testes genéticos para câncer de próstata: quais os benefícios?

Aproximadamente 12% dos homens com casos metastáticos e 6% dos que têm a doença localizada na próstata, de alto risco, têm uma predisposição genética identificada 

 

O Novembro Azul é o mês de conscientização do câncer de próstata e da saúde do homem. Na maioria das vezes, esse tumor se desenvolve de forma esporádica, porém, o histórico pessoal ou familiar de alguns tipos de câncer pode aumentar o risco. Aproximadamente 12% dos homens com casos metastáticos e 6% dos que têm a doença localizada na próstata, de alto risco, têm uma predisposição genética identificada. Por isso, os testes genéticos são grandes aliados na prevenção, diagnóstico e, também, no tratamento.

“A detecção precoce melhora as medidas de prevenção individuais e coletivas. No diagnóstico, a precisão nos permite individualizar as estratégias de tratamento. E por fim, podemos usar terapia-alvo, diminuir os efeitos colaterais e conquistar melhores desfechos”, explica o Dr. Stênio de Cássio Zequi, líder do Centro de Referência em Tumores Urológicos do A.C.Camargo Cancer Center.

Conforme o Observatório do Câncer — um registro inédito que reúne dados minuciosos dos pacientes de câncer tratados no A.C.Camargo Cancer Center entre os anos 2000 e 2020 — o câncer de próstata é o segundo mais incidente entre os homens tratados na instituição, ficando atrás apenas do pele não-melanoma. Ao todo, durante o período, foram registrados 8.854 casos da doença, e no último quinquênio tivemos aumento das taxas de sobrevida em comparação ao início dos anos 2000.


Câncer de próstata hereditário

O câncer de próstata é definido como hereditário quando três ou mais parentes de primeiro grau tiveram câncer, ou dois parentes também de primeiro grau foram diagnosticados antes dos 55 anos de idade, ou quando casos forem identificados em três gerações consecutivas (avô, pai e filho). [1] Caso haja algum desses indicadores, o risco de desenvolver o tumor é de 50%, do que na população sem casos de câncer de próstata na família. Nas situações em que o paciente tem um parente de primeiro grau afetado, o risco dobra. E se o parente tiver menos de 60 anos, as chances de desenvolvimento do tumor aumentam ainda mais.

“Os estudos nos mostram que pode existir uma associação com o câncer de mama em famílias histórico de câncer de próstata hereditário. Isto é, caso haja mulheres na família que tiveram o tumor antes dos 36 anos, o homem pode ter risco aumentado para desenvolver câncer de próstata”, completa Zequi.

Quanto às mutações genéticas, o especialista explica que os genes mais frequentemente envolvidos são o BRCA 1 e BRCA 2. Porém, outras alterações genéticas, como a Síndrome de Lynch e mutações nos genes ATM, CHEK2 e PALB2, também podem ter associação com o câncer de próstata. Além disso, a ancestralidade pode influenciar no risco. Os descendentes de judeus asquenazes, por exemplo, apresentam maior frequência de mutações nos genes BRCA 1 e BRCA 2.

“Os homens portadores de mutação BRCA 1 têm um risco três vezes maior de desenvolver câncer de próstata do que os não portadores; para BRCA 2, este risco é ainda mais elevado, chegando a ser até oito vezes maior quando comparado a não portadores”, finaliza Dr. Stênio de Cássio Zequi.


Quando fazer o teste?

O exame é indicado para aqueles pacientes homens com história pessoal de câncer de próstata metastático (nesses pacientes pode-se fazer o teste somático, que é no material da próstata ou das metástases, buscando por mutações presentes apenas nas células do tumor ou das metástases).

Para o Câncer de próstata localizado de alto risco ou doença localizada com histologia intraductal, também é recomendado o teste germinativo (feito no sangue ou na saliva), para identificar mutações herdadas de um dos seus pais e presentes na carga genética de todas as células do organismo).

O teste germinativo também é recomendado quando há como uma história familiar de mutações germinativas de alto risco – como BRCA 1 e BRCA 2, história familiar de Síndrome de de Lynch, ou Síndromes de Câncer mama e ovário, principalmente em parentes mais jovens, e naqueles ascendência judaica asquenaze – e um forte histórico familiar de câncer.


Recomendação de testes genéticos germinativos

Durante a Conferência de Consenso sobre o Câncer de Próstata da Filadélfia, em 2019, especialistas incluindo públicos de interesse, organizações nacionais e líderes, se reuniram para responder aos desafios da implementação dos testes genéticos germinativos.[2]

O consenso foi que os painéis germinativos grandes e testes somáticos devem ser recomendados para os casos de câncer de próstata metastático. Nos casos de doença metastática ou história familiar de câncer de próstata hereditário, o teste também deve ser recomendado.

Os genes prioritários para testagem considerados foram o BRCA2, BRCA1 e genes de reparo de incompatibilidade

Já os testes de reflexo— os iniciais de genes prioritários seguidos de testes expandidos – foram sugeridos para diferentes casos.

 

A.C.Camargo Cancer Center


[1] Perfil do câncer de próstata no Estado de São Paulo: estudo epidemiológico: setembro de 2004 a setembro de 2005 / [textos] Aguinaldo César Nardi... [et al.]. -- São Paulo: SBU-Sociedade Brasileira de Urologia – Secção São Paulo, 2005.
[2] Implementation of Germline Testing for Prostate Cancer: Philadelphia Prostate Cancer Consensus Conference 2019 – Disponível em: Link

 

É possível ter um nariz mais bonito e que respira melhor?

Sim, esse é o propósito da rinosseptoplastia, cirurgia que, além de remodelar o formato do nariz, garante a correção de falhas na sua estrutura interna; médico do Hospital Paulista explica como funciona essa intervenção 

 

É possível, sim, ter um nariz mais bonito e que funciona bem! Ou seja, um nariz mais harmônico ao formato do rosto e, sobretudo, livre das obstruções frequentes causadas por más formações, como desvios de septo nasal.

A rinosseptoplastia é a solução mais assertiva a quem deseja corrigir problemas estéticos e funcionais relacionados à estrutura naso-facial. De forma minimamente invasiva, o procedimento garante a remodelação do formato do nariz com intuito estético, além de reparar a estrutura funcional dele – isto é, corrigir as obstruções que são muito comuns a quem têm um mau posicionamento das cartilagens que ficam no interior do nariz.

"Geralmente, são essas as principais razões para os problemas de obstrução. Os pacientes que já sofrem com essas más-formações estruturais e também têm queixas com a parte estética podem resolver essas duas questões em um único procedimento, de forma bastante simples e com breve recuperação", explica o Dr. Arnaldo Tamiso, otorrinolaringologista do Hospital Paulista e especialista nesse tipo de cirurgia.



Menos invasiva

Embora afete uma região muito sensível do nosso corpo, o médico garante que a intervenção, hoje em dia, é bem menos invasiva do que em décadas anteriores, e o período de recuperação também é menor.

"O paciente fica com pouco, ou quase nenhum, roxo no rosto após a cirurgia, e o pós-operatório não é muito doloroso, nem incomoda tanto, como antigamente. Quanto menos mudanças forem feitas, mais tranquilo é esse período", enfatiza o especialista, acrescentando que, atualmente, a técnica utilizada para esse tipo de cirurgia não requer cortes externos no nariz.



Expectativas realistas

De toda maneira, o médico pondera que nem sempre os pacientes estão aptos a realizar uma rinosseptoplastia.

"É necessário ter boa saúde e, principalmente, expectativas realísticas como pré-requisitos básicos. Antes de mais nada, é importante lembrar que não existe um nariz ideal. O que se procura nesse procedimento é a harmonia entre as linhas faciais e o nariz. Então, é preciso considerar alguns fatores previamente com o cirurgião, como tipo de pele, etnia e idade, assim como sempre se faz em toda cirurgia plástica na face", finaliza.


Hospital Paulista de Otorrinolaringologia


Mitos e Verdades sobre a nutrição em prematuros

A nutrição parenteral exerce papel fundamental na garantia da saúde do bebê prematuro

 

O nascimento de bebês prematuros foi declarado como uma emergência global pela Organização Mundial da Saúde (OMS), após apresentação do relatório da entidade em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), publicado este ano[i]. Na última década foram registrados 152 milhões de partos de bebês prematuros e o Brasil é o decimo país com mais bebês nascidos nessa situação, cerca de 340 mil nascimentos por ano[ii] . 

Novembro é considerado o mês internacional de conscientização e sensibilização da prematuridade, temas ligados à esta condição e desconhecidos da maioria da população ganham relevância. Um deles é a importância da alimentação e nutrição nos primeiros dias de vida do bebê prematuro. Conforme Dr Danilo Klein, médico nutrólogo pela Universidade Federal Fluminense e gerente médico da Baxter, como o bebê não teve tempo suficiente para acumular os nutrientes necessários para seu desenvolvimento via placenta antes de nascer, poderá estar mais exposto a doenças. 

Para esclarecer as dúvidas mais importantes sobre a nutrição em prematuros, a Dra Renata Lorenzetti de Castro, pediatra neonatal e coordenadora adjunta do Programa de Reanimação Neonatal Regional de Goiás, listou alguns mitos e verdades que envolvem a prematuridade.


1. O bebê só é considerado prematuro quando nasce antes das 37 semanas de gestação.

Verdade.  A Organização Mundial da Saúde classifica que todo bebê que nasce com menos de 37 semanas de gestação (até 36 semanas e 6 dias) é considerado prematuro. Os bebês prematuros podem ser classificados de acordo com a idade gestacional ao nascer. Os bebês prematuros extremos são os que nascem antes das 28 semanas, os muito prematuros entre 28 semanas e 31 semanas e 6 dias e os moderados ou tardios são os que nascem entre 32 semanas e 36 semanas e 6 dias de gestação.


2. A nutrição é tão importante quanto a oxigenação para um prematuro.

Verdade. A nutrição é tão importante quanto a oxigenação e qualquer outro cuidado que a gente tem com o bebê prematuro dentro da UTI. É um cuidado integral que envolve desde a nutrição e a oxigenação, até protocolos de neuroproteção e cuidados centrados na família. A nutrição desempenha um papel essencial para o desenvolvimento do recém-nascido, é através dela que o bebê irá obter os nutrientes necessários para o seu desenvolvimento.


3. O bebê prematuro não pode ser amamentado.

Mito. O bebê prematuro não só pode como deve ser amamentado sempre que possível e desde que não se tenha situações específicas que contraindiquem o aleitamento materno. Quanto mais prematuro, mais tarde ele vai mamar no seio materno, porém durante a sua internação é realizado a extração do leite materno e a colostroterapia, desde as primeiras horas de vida. O leite materno é fundamental e é durante a internação que o prematuro passa pelo processo de desenvolvimento, amadurecimento e crescimento. É através dele que o bebê prematuro irá adquirir propriedades imunoprotetoras, que são importantíssimas para o desenvolvimento de sua imunidade.


4. O leite materno é a melhor forma de alimentação e apenas ele é suficiente para nutrir um bebê prematuro.

Mito. Os recém-nascidos prematuros apresentam um alto risco de déficit de crescimento pós-natal e nesse contexto, a terapia nutricional é um aspecto importante dentro da UTI Neonatal. Nos primeiros dias de vida, o prematuro passa por algumas fases de adaptação onde a nutrição parenteral – terapia nutricional inserida no bebê diretamente pela veia (via endovenosa), pode ser necessária e exercer papel fundamental para garantia da saúde, visto que o seu intestino ainda não está preparado para absorver o volume grande de nutrientes.

A nutrição enteral (através de sonda orogástrica) deve ser iniciada o mais precocemente possível, a depender da condição clínica do bebê. O leite materno é o alimento de escolha, e sempre que possível deve ser oferecido para o bebê. Dependendo da necessidade nutricional desse prematuro, para o adequado crescimento, pode ser necessário colocar um aditivo do leite materno, aumentado a quantidade de proteína, caloria, cálcio e fosforo. Na ausência ou impossibilidade de oferecer o leite materno, as fórmulas para prematuros podem ser utilizadas.


5. O bebê prematuro é mais vulnerável as doenças.

Verdade. A parte imunológica do prematuro ainda é muito imatura, por isso ele tem mais risco de desenvolver infecções bacterianas, fúngicas e virais durante a internação na UTI neonatal. Após a alta hospitalar uma das principais causas de reinternação são problemas respiratórios, geralmente por causas virais. Por isso destaco a importância dos cuidados da equipe multidisciplinar durante toda a internação e dos cuidados gerais de toda a família, além da importância da vacinação dos bebês durante a internação e no pós alta, seguindo o calendário vacinal do prematuro (PNI, SBP e SBIM). Também é importante a vacinação dos contactantes desses bebês, com destaque para as vacinas contra gripe e coqueluche. 



[i] Borntoosoonaction org (n.d.). Born too soon. [online] Available at: Link
[ii] World Health Organization (2023). Preterm birth. [online] Preterm Birth. Available at: Link

 

Coceira no ouvido? Nada de cotonete!

Especialista do Hospital CEMA esclarece o que fazer quando o ouvido começa a coçar  



A situação é comum: de repente a orelha começa a coçar. Daí, ao olhar para o lado, tem um cotonete pedindo para ser usado ou mesmo uma tampa de caneta daquelas bem fininhas que vai ajudar e muito no alívio da coceira. Quem se identificou com isso? Você já coçou a orelha com objetos que não deveriam estar na orelha? Embora comum, essa é uma prática não recomendada pelos especialistas. “A utilização de objetos não adequados no conduto auditivo externo pode causar lesões graves na pele que protege o ouvido ou até perfurações timpânicas graves”, explica o otorrinolaringologista do Hospital CEMA, Cícero Matsuyama. Vale lembrar que a perfuração do tímpano pode causar perda de audição, então todo cuidado é pouco.

Para saber como lidar com essa coceira desagradável é importante verificar, primeiramente, a causa. As alergias costumam estar por trás de boa parte desses casos. “O processo alérgico é uma das principais causas desse prurido no ouvido, e se caracteriza pela descamação da pele e, em alguns casos, até saída de líquido que extravasa pelo ouvido. O excesso de cera e a alergia que acometem a cavidade nasal e garganta, por terem uma íntima relação anatômica, também podem ocasionar crises alérgicas e sensação intensa de coceira nos ouvidos e olhos”, detalha o especialista.

Mas, então, o que fazer quando o ouvido começar a coçar? Primeiramente é essencial investigar a causa. Coceiras que não passam precisam ser investigadas por um otorrinolaringologista. A principal dica é: não introduzir nenhum objeto ou substância no conduto auditivo para aliviar a coceira. “É importante não deixar entrar água nos ouvidos durante o banho também. Para isso proteja-o com algodão embebido em óleo de hidratação de bebês, quando entrar no chuveiro. O óleo de hidratação impermeabiliza o conduto auditivo externo e ajuda a hidratar a pele, diminuindo a descamação e a coceira no ouvido”, esclarece Matsuyama. O óleo, nesse caso, pode ser excelente para minimizar o ressecamento da pele e o excesso de cera, dois dos principais responsáveis pelo prurido. Então na hora da coceira prefira esse item à tampa de caneta, que foi criada com outra finalidade, vale lembrar.


Férias chegando: comuns, traumas na região bucal precisam ser tratados com especialista

 Bucomaxilo do Vera Cruz Hospital orienta sobre os primeiros procedimentos em casos de quedas, trombadas e outros acidentes domésticos e ao ar livre


Crianças são cheias de energia e vigor, principalmente no período de férias, já muito próximo. Basta um minuto de descuido e o som do choro dá o alerta: algo aconteceu. Pode ser uma queda, uma trombada ou um descuido com algum brinquedo. Seja o que for, mães, pais e responsáveis sempre acabam tendo que colocar em prática seu lado “médico”. Um joelho ralado, um arranhão no braço e outras situações menos complexas já estão na rotina. Mas o que fazer quando o trauma envolve a região bucal? A primeira coisa é não se desesperar. 

“Em casos de traumatismo facial grave (com hematoma, dor ou sangramento) ou até mesmo de média intensidade que causem ou indiquem qualquer alteração, é importante levar a criança prontamente a um hospital. O especialista de cirurgia e traumatologia vai avaliar o quadro e definir qual será a conduta mais adequada”, salienta Ygor Telles Zuqui da Costa, cirurgião-dentista e traumatologista bucomaxilofacial do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP). 

Até a chegada à unidade de saúde, porém, é necessário adotar algumas medidas imediatas para amenizar as possíveis complicações decorrentes do traumatismo facial. “É importante limpar suavemente o local ferido com água corrente e fazer a compressão com uma toalha ou outro tecido limpo. Isso ajudará a conter o sangramento e amenizará os efeitos do trauma. Em seguida, até a chegada ao pronto atendimento, a orientação é ter uma compressa fria/gelada no local, que pode ser feita com pedras de gelo envoltas em uma toalha, bolsa de gelo ou algo do gênero. Isso ajudará a diminuir o inchaço e possíveis hematomas”, pontua. 

Em caso de avulsão dental, ou seja, se o dente inteiro ou parte dele cair, deve ser colocado em um recipiente limpo, com leite, e levado junto ao atendimento emergencial. Se não for possível transportar em leite, pode ser em soro fisiológico. “É importante lembrar que não se deve lavar o dente perdido nem armazenar em água, pois diminui as chances de sucesso em um possível reimplante dental. No local de atendimento, o cirurgião bucomaxilofacial ou cirurgião-dentista avaliará a possibilidade de o dente ser reimplantado ou, em casos de fragmentos, estes serem restaurados”, esclarece. 

Outro ponto de atenção são as situações em que o dente entorta, seja para dentro ou para fora. Nesses casos, a orientação é não mexer para não causar um dano maior e procurar um especialista.

 

Fases x traumas

De modo geral, segundo o especialista, os atendimentos mais corriqueiros de traumatismo facial têm relação com queda da própria altura, tanto na infância quanto na adolescência. No entanto, o que varia é a intensidade e as situações em que ocorrem. “Em bebês de zero a três anos, são quedas ou colisões com móveis e objetos espalhados nos ambientes, pois, nesta fase, estão aprendendo a andar, se descobrindo, e é comum a perda de equilíbrio e a diminuição da percepção de espaço, levando a traumas faciais, principalmente escoriações e edemas”. 

Em crianças com idade entre quatro e oito anos, a causa mais comum está relacionada a lutas, brincadeiras com as mãos e demais do gênero, que levam à queda. “Nesses casos, os traumas podem evoluir para cortes, escoriações mais importantes e até mesmo fraturas, que ocorrem principalmente em parques, escolas, durante os momentos de lazer, sendo mais comuns nos finais de semana ou durante atividades externas”. 

Dos nove aos 12 anos, atividades mais intensas tendem a gerar traumatismos mais importantes, relacionados a atividades como andar de bicicleta, patins, skate e subir e descer de brinquedos mais altos, podendo levar a fraturas faciais, cortes, escoriações e hematomas. 

Segundo Zuqui da Costa, adolescentes tendem a ser mais conscientes dos riscos. “Nesta fase, são mais comuns os traumatismos faciais em meninos do que em meninas devido à tendência a atividades mais intensas, principalmente atividades desportivas de contato e prática de atividades e esportes radicais, que costumam causar fraturas faciais, edemas, cortes e escoriações”.

 

Tratamento

O tratamento mais apropriado varia conforme a intensidade do traumatismo. “Os casos mais comuns são aqueles com baixa ou média intensidade, que geralmente levam a tratamentos conservadores (medicação e observação) ou pequenas suturas (pontos). Já os casos mais graves podem necessitar de uma intervenção cirúrgica”, explica.

 

Consequências

Em caso de trauma ou pancada na região bucal, o importante é investigar para descartar qualquer gravidade. “Esses traumas podem causar, além do dano estético, danos funcionais que, se não tratados de forma imediata e correta, podem levar a complicações no desenvolvimento facial e à necessidade de intervenções cirúrgicas mais complexas no futuro. Algumas sequelas podem gerar dificuldade respiratória, de abertura e fechamento de boca, de mastigação e deglutição, alterações de desenvolvimento facial e até mesmo danos neurológicos e visuais”, alerta. 

A boa notícia é que a maioria das complicações decorrentes do traumatismo facial, quando diagnosticada e tratada de forma precoce, tende a apresentar um prognóstico extremamente favorável. Por via de regra, o principal é procurar atendimento especializado, geralmente um pronto-socorro, para que o paciente seja avaliado o mais precocemente possível e, no máximo, ficar com uma pequena cicatriz de infância.

 

Dr. Ygor Telles Zuqui da Costa (CBO 2232-68) - cirurgião-dentista e traumatologista bucomaxilofacial, cirurgião oral e maxilofacial e odontólogo do Vera Cruz Hospital.

 

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