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| Estudos recentes têm apontado uma possível relação entre esequilíbrios persistentes da microbiota vaginal com a infertilidade Jcomp on Magnific |
O Junho Laranja, Mês
Mundial da Conscientização sobre a Infertilidade, coloca em evidência uma
condição que afeta cerca de 17,5% da população adulta global, segundo uma estimativa
da Organização Mundial da Saúde (OMS). Enquanto especialistas reforçam a
importância do diagnóstico precoce e do acesso aos tratamentos, a ciência tem
ampliado o olhar para fatores que ultrapassam as causas tradicionalmente
investigadas, incluindo o papel do microbioma vaginal na saúde reprodutiva
feminina.
Nesse cenário, uma nova geração de exames moleculares começa a substituir os tradicionais painéis voltados exclusivamente para a detecção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Um exemplo é o Femoflor Screen, que analisa não apenas a presença de microrganismos, mas também a quantidade de cada um deles e o equilíbrio da microbiota vaginal, oferecendo uma visão mais abrangente da saúde íntima da mulher.
Para Cláudia Oliveira, biomédica, pós-graduada em Citologia Clínica e consultora de Inovação Diagnóstica da Biomédica, o diferencial reside justamente na análise qualitativa e quantitativa da microbiota. “Nós conseguimos identificar quais microrganismos estão presentes, em que proporção e como se comportam dentro daquele ambiente, permitindo uma avaliação individualizada do ecossistema vaginal”, explica.
A abordagem pode ser especialmente relevante para mulheres que convivem com sintomas recorrentes, como corrimento, odor vaginal, candidíase e vaginose, mesmo após tratamentos. De acordo com a especialista, a análise aprofundada do microbioma permite identificar quais microrganismos estão predominando e direcionar terapias mais assertivas, aumentando as chances de sucesso clínico e reduzindo a recorrência dos quadros.
Além dos sintomas ginecológicos, estudos recentes têm apontado uma possível relação entre desequilíbrios persistentes da microbiota vaginal, infertilidade, persistência do HPV e maior risco de lesões precursoras do câncer do colo do útero. “Pacientes com alterações recorrentes do microbioma apresentam condições que podem favorecer o desenvolvimento e a permanência do HPV, vírus diretamente relacionado ao surgimento dessas lesões”, afirma Cláudia.
O tema figurou entre os destaques do mais recente congresso promovido pela Federação Internacional de Prevenção do Câncer e Colposcopia (IFCPC), que aconteceu entre os dias 04 e 06 de junho, na Grécia. Na ocasião, os debates abordaram os avanços na análise molecular do microbioma feminino, incluindo versões mais completas dos testes, capazes de diferenciar espécies de lactobacilos, ampliar a identificação de famílias bacterianas e detectar, em uma única amostra, tipos de HPV de alto risco associados ao câncer cervical.
Para Cláudia Oliveira,
a evolução dessas ferramentas reflete uma transformação na própria prática
ginecológica. “Nós estamos avançando para uma Medicina cada vez mais preventiva
e personalizada. Com informações detalhadas sobre o microbioma vaginal, é
possível não apenas tratar doenças de forma mais eficaz, mas também prevenir
desequilíbrios e promover uma saúde feminina mais duradoura”, conclui.
Biomédica - Inteligência Diagnóstica

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