Com o início da Copa do Mundo da Fifa, o governo dos Estados Unidos passou a reforçar o alerta a influenciadores estrangeiros que pretendem entrar no país com visto de turista e monetizar conteúdo produzido em território americano. A orientação das autoridades é de que qualquer atividade com geração de receita configura trabalho e exige o visto apropriado, ampliando a vigilância sobre uma área que mistura turismo, produção digital e publicidade.
A posição foi formalizada em nota da Alfândega e Proteção de
Fronteiras (CBP) e do Departamento de Segurança Interna, enviada ao jornal
espanhol “El País”. No documento, o governo afirma que entrar no país “com o
único propósito de criar conteúdo (como influenciador) e, assim, gerar renda”
caracteriza atividade laboral incompatível com o visto de turismo (B-2), que é
restrito a lazer, visitas familiares e tratamentos médicos.
Na prática, a medida mira um grupo que cresceu de forma acelerada
nos últimos anos: criadores de conteúdo que viajam para coberturas de eventos,
ativações de marca e campanhas digitais, muitas vezes combinando turismo com
monetização em plataformas sociais. O movimento ocorre em paralelo à
expectativa de grande circulação internacional durante a Copa, o que tende a
ampliar esse tipo de atuação no país.
Segundo uma fonte do governo americano, a administração Trump pretende intensificar a fiscalização em aeroportos e pontos de entrada, com foco em identificar influenciadores que utilizem o visto de turista para gerar renda. O argumento oficial é de proteção ao mercado de trabalho local, em um contexto em que a economia de creators já disputa espaço com modelos tradicionais de produção de mídia e publicidade.
Nesse cenário, especialistas apontam que a própria arquitetura do sistema de vistos já prevê alternativas para esse tipo de atividade. “O visto adequado para esse perfil é o O-1, voltado a pessoas com habilidades extraordinárias, que hoje já inclui criadores de conteúdo e influenciadores digitais. Ele permite atuação remunerada nos Estados Unidos, incluindo campanhas, parcerias com marcas e produção de conteúdo comercial, desde que comprovado reconhecimento na área”, explica Fabiano Rocha, CEO e fundador da Jumpstart.
A distinção entre os tipos de visto se torna central porque define não apenas a entrada no país, mas o próprio modelo de atuação econômica permitido durante a estadia. O visto O-1, nesse sentido, opera como uma espécie de formalização da creator economy dentro do sistema migratório americano, enquanto o B-2 permanece restrito a atividades não remuneradas.
O endurecimento da interpretação ocorre em um ambiente mais amplo
de maior rigor migratório durante o período pré-Copa, que já tem gerado
incerteza entre torcedores e profissionais estrangeiros. Mais do que uma
disputa pontual sobre regras de entrada, o movimento expõe a tentativa dos EUA
de enquadrar a economia de influência digital dentro de categorias legais
tradicionais, criadas antes da consolidação das redes sociais como atividade
econômica.
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