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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Pessoas trans recorrem à fonoaudiologia para adequação vocal

Milhares de pessoas lotaram a Avenida Paulista, em São Paulo, no aniversário dos 30 anos da Parada LGBTQIAPN+ no último dia 8 de junho. Durante a festa, houve protestos por mais direitos, segurança e respeito às diferenças. Apesar das conquistas e dos avanços já alcançados nas últimas décadas, o Brasil ainda é um dos países que mais mata homossexuais e pessoas trans. Agressões motivadas por mero preconceito. 

Entre as múltiplas formas de discriminação, um aspecto muitas vezes abordado é a relação com a voz, reconhecida como importante marcador social de gênero, ainda que não haja um único modo "correto" de expressar gênero. No entanto, para algumas pessoas trans, a maneira como a voz é percebida pode interferir na afirmação de sua identidade. Para resolver essa questão, muitas recorrem à ajuda de especialistas. 

De acordo com o fonoaudiólogo Ronielio Ribeiro (CRFa 2-15727-1), conselheiro do Conselho Regional de Fonoaudiologia 2ª Região, há como contribuir para que a terapia vocal esteja alinhada à identidade de gênero. "A terapia vocal afirmativa de gênero envolve técnicas não invasivas e seguras para adequação vocal. Intervém-se de forma global em múltiplos parâmetros da voz e da fala, como a frequência fundamental (o tom da voz), ressonância, articulação, prosódia, respiração, projeção e expressividade, sempre respeitando o desejo e os objetivos de cada indivíduo", explica o fonoaudiólogo. 

De acordo com o especialista, a incongruência entre a voz e a identidade, quando percebida como sofrimento, afeta profundamente a qualidade de vida. "A importância desse cuidado transcende a acústica, pois a inadequação vocal é um fator crítico de disforia de gênero, gerando intenso sofrimento psicológico, isolamento e vulnerabilidade à transfobia. A literatura científica comprova que a terapia fonoaudiológica está diretamente correlacionada a uma melhora significativa na autopercepção e na integração social. Por isso, o processo deve ser centrado na autonomia da própria pessoa, de forma individualizada, segura e sem impor padrões normativos", conclui.


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