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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Protocolo da FIFA que ajudou a prevenir mortes súbitas completa 20 anos e reforça importância dos exames cardíacos

Criada para identificar doenças cardíacas silenciosas em atletas, avaliação adotada pela FIFA há duas décadas reforça a necessidade da prevenção cardiovascular também entre não atletas 

 

Há 20 anos, a FIFA implementava uma medida que mudaria a forma como a saúde cardiovascular dos atletas é acompanhada no futebol profissional. Durante a Copa do Mundo de 2006, realizada na Alemanha, a entidade passou a adotar uma avaliação médica padronizada voltada à identificação de doenças cardíacas capazes de provocar morte súbita durante a prática esportiva. 

O protocolo, que posteriormente se tornou obrigatório em todas as competições organizadas pela entidade, ajudou a ampliar o conhecimento sobre condições cardiovasculares silenciosas e fortaleceu as estratégias de prevenção dentro do esporte de alto rendimento. Duas décadas depois, especialistas destacam que os aprendizados obtidos com essas avaliações vão muito além dos gramados e trazem importantes lições para toda a população. 

Para a cardiologista Fernanda Douradinho, o fato de atletas de elite serem submetidos regularmente a exames cardíacos mostra que a boa forma física, por si só, não é garantia de ausência de doenças cardiovasculares. 

“A boa condição física reduz diversos fatores de risco cardiovasculares, mas não elimina a possibilidade de doenças cardíacas, especialmente aquelas de origem genética ou estrutural. Existem condições que podem permanecer assintomáticas por muitos anos e só serem identificadas por meio de exames específicos”, explica. 

Segundo a especialista, justamente por isso o acompanhamento médico periódico faz parte da rotina dos atletas, mesmo daqueles que apresentam excelente desempenho físico e não possuem sintomas aparentes. 

“A prática esportiva de alta intensidade pode inclusive funcionar como um teste de estresse para o coração, tornando fundamental o acompanhamento cardiológico adequado”, afirma. 

Entre as doenças que podem passar despercebidas por anos estão a cardiomiopatia hipertrófica, algumas arritmias hereditárias, alterações congênitas do coração, doenças das válvulas cardíacas e até quadros iniciais de hipertensão arterial. Em muitos casos, essas condições são descobertas apenas durante exames preventivos, antes que provoquem manifestações clínicas. 

Fernanda destaca que esse cenário não se restringe aos atletas profissionais. Muitas pessoas procuram atendimento cardiológico apenas quando surgem sintomas, o que pode atrasar diagnósticos importantes. 

“A prevenção é uma das ferramentas mais eficazes da cardiologia moderna. Muitas doenças cardiovasculares se desenvolvem de forma silenciosa e, quando os sintomas aparecem, podem já estar em estágios mais avançados. O acompanhamento periódico permite identificar fatores de risco como hipertensão, colesterol elevado, diabetes e alterações cardíacas precoces, possibilitando intervenções antes que ocorram eventos graves como infarto, insuficiência cardíaca ou AVC”, ressalta. 

Além da realização de exames, a médica acredita que alguns hábitos adotados pelos atletas podem servir de exemplo para a população em geral. Entre eles estão a prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, controle do peso corporal, sono de qualidade, hidratação adequada e acompanhamento médico periódico. 

“Outro ponto importante é não negligenciar os exames preventivos. Assim como os atletas realizam avaliações frequentes para monitorar sua saúde cardiovascular, a população também deve entender que prevenção é um investimento em qualidade de vida e longevidade”, destaca. 

Ao completar duas décadas, o protocolo criado pela FIFA continua sendo um símbolo da importância do diagnóstico precoce e do monitoramento da saúde cardiovascular. Para Fernanda Douradinho, a principal mensagem deixada por essa experiência é que o cuidado com o coração deve fazer parte da rotina de todos, independentemente da idade ou do condicionamento físico. 

“Se até atletas de alto rendimento, que representam o máximo da capacidade física humana, precisam de acompanhamento cardiológico regular, isso mostra que ninguém está completamente livre de doenças cardiovasculares. Cuidar do coração não deve começar apenas quando surgem sintomas, mas sim fazer parte da rotina de saúde de todas as pessoas”, conclui.  

 

Fernanda Douradinho da Rocha Silva é médica cardiologista, formada em 2007 pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos (Centro Universitário Lusíadas). Realizou residência em Clínica Médica (2008–2010) e Cardiologia (2010–2012) no Hospital Ana Costa, em Santos. Possui título de especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia desde 2013. Atualmente, atua como médica diarista nas Unidades de Terapia Intensiva de Cardiologia do Hospital Guilherme Álvaro, e também coordenadora da UTI cardiológica do Hospital Guilherme Álvaro, professora da disciplina de Urgência e Emergência da Faculdade de Medicina da UNAERP e mantém seu consultório de cardiologia na Av. Ana Costa, em Santos.


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