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terça-feira, 16 de junho de 2026

Enxaqueca ou problema na mandíbula? Quando a avaliação integrada faz a diferença no tratamento da dor

Pacientes passam anos tratando crises de dor de cabeça sem notar que a origem do problema pode estar na articulação temporomandibular; especialistas mostram como a odontologia e a neurologia atuam juntas na cura.

 

Dor de cabeça frequente, dor na face, sensação de tensão na mandíbula, estalos ao abrir a boca e desconforto ao mastigar. Embora esses sintomas possam parecer problemas isolados, muitas vezes eles coexistem e exigem uma avaliação mais ampla para que o tratamento seja realmente eficaz.

A enxaqueca é uma doença neurológica que afeta milhões de brasileiros e está entre as principais causas de incapacidade no mundo. Caracterizada por crises de dor de cabeça associadas a sintomas como náuseas, sensibilidade à luz, aos sons e aos odores, a condição pode impactar significativamente a qualidade de vida, o desempenho profissional e as relações pessoais. 

Ao mesmo tempo, a Disfunção Temporomandibular (DTM), condição que acomete a articulação responsável pelos movimentos da mandíbula e a musculatura da mastigação, também pode causar dor facial, desconforto muscular e sintomas que frequentemente se sobrepõem aos observados em pacientes com enxaqueca. 

Segundo a neurologista Dra. Helena Providelli, especialista em cefaleias, uma das principais dificuldades é que essas condições frequentemente coexistem.

"Não é raro encontrarmos pacientes com enxaqueca que também apresentam Disfunção Temporomandibular. São doenças diferentes, mas que podem influenciar uma à outra e contribuir para a manutenção da dor. Por isso, uma avaliação cuidadosa é fundamental ", afirma..

A literatura científica demonstra que pacientes com enxaqueca apresentam maior prevalência de DTM quando comparados à população geral. Isso não significa que a DTM seja a causa da enxaqueca, mas sim que ambas as condições podem compartilhar mecanismos relacionados à sensibilização da dor e ao funcionamento do sistema nervoso. 

Nesses casos, tratar apenas uma das condições pode não ser suficiente para alcançar o melhor resultado possível. A integração entre neurologia e odontologia especializada em dor orofacial permite identificar fatores que podem estar agravando o quadro clínico e construir um plano terapêutico mais completo e individualizado. 

"A enxaqueca continua sendo uma doença neurológica que precisa ser reconhecida e tratada adequadamente. Ao mesmo tempo, quando existe uma DTM associada, abordar também essa condição pode contribuir para a redução da sobrecarga dolorosa e para uma melhora global da qualidade de vida do paciente", explica a especialista. 

Sinais como dor ou fadiga na mandíbula, estalos ao abrir a boca, apertamento ou ranger dos dentes, dor facial recorrente e dores de cabeça frequentes merecem investigação profissional. Quanto mais preciso for o diagnóstico, maiores são as chances de desenvolver estratégias terapêuticas eficazes e evitar anos de sofrimento desnecessário.

A mensagem principal, segundo os especialistas, é que a dor raramente deve ser analisada de forma isolada. Compreender o paciente de maneira integral e identificar todas as condições que participam do quadro doloroso é o caminho para tratamentos mais assertivos e melhores resultados a longo prazo.  



Fonte: Dra. Helena Providelli – Neurologista especialista em cefaleias e Diretora Técnica do Instituto Providelli.

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