Pesquisar no Blog

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Guia das doenças de inverno: os erros mais comuns no autocuidado e o impacto das novas vacinas

Infectologista do Hospital e Maternidade Pro Matre Paulista alerta para os riscos da automedicação, da pneumonia silenciosa e reforça o impacto das novas estratégias de prevenção no período mais frio do ano 

 

Com a chegada do inverno, a queda nas temperaturas e, em muitas regiões, a redução da umidade do ar, cresce a circulação de vírus e bactérias responsáveis por infecções respiratórias. O ar seco e frio resseca as mucosas das vias aéreas, o que compromete parte das defesas naturais do organismo. Ao mesmo tempo, a permanência em ambientes fechados e pouco ventilados favorece a transmissão de doenças, que podem ser graves especialmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com condições crônicas.

Nesse cenário, o infectologista do Hospital e Maternidade Pro Matre Paulista, Dr. Lívio Dias, reforça que a prevenção deve combinar vacinação, atenção aos sintomas e hábitos adequados de autocuidado: “É importante combinar a proteção com imunizantes disponíveis associada a medidas preventivas rigorosas, acompanhamento clínico e tratamento específico. O cuidado ganha ainda mais relevância diante de quadros que podem evoluir de forma discreta, como a chamada pneumonia silenciosa, e do risco associado à automedicação”, diz.

A antecipação é uma importante medida para garantir a eficácia das vacinas. Atualizar os imunizantes contra Influenza e outras doenças antes do pico de circulação desses agentes permite que o organismo desenvolva anticorpos a tempo de enfrentar o período de maior risco. Outra preocupação importante é a coqueluche, infecção bacteriana grave em bebês pequenos que exige atenção redobrada ao calendário vacinal de crianças e gestantes.

Embora um resfriado comum costume causar coriza, indisposição leve e febre baixa, quadros mais graves podem se manifestar com febre persistente, piora do estado geral, cansaço intenso, chiado no peito ou falta de ar. Esses sinais exigem avaliação médica e, em alguns casos, ida imediata ao pronto-socorro.

“No geral, as vacinas precisam de um tempo para estimular o organismo e produzir uma defesa efetiva contra as doenças. Dessa forma, idealmente, devem ser feitas antes do pico de ocorrência dessas doenças, garantindo proteção adequada nos períodos de maior circulação desses vírus. Além disso, hoje vivemos uma verdadeira revolução nas estratégias de prevenção contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), conhecido por causar bronquiolite e pneumonia em bebês, e que também pode ser relevante em idosos. Temos desde a vacina para gestantes até o anticorpo monoclonal incorporado ao SUS para grupos específicos de bebês de maior risco, incluindo prematuros, além de vacinas aprovadas para idosos”, destaca Dr. Lívio.

O especialista também chama a atenção para quadros de pneumonia com sintomas pouco típicos, popularmente chamados de pneumonia silenciosa, quadro que pode não apresentar, no início, os sinais clássicos esperados, como febre alta ou sintomas respiratórios intensos. Em alguns pacientes, especialmente idosos, a doença pode surgir com manifestações mais sutis, como prostração, confusão mental, queda do apetite, cansaço fora do habitual ou piora gradual da respiração. Por isso, atrasar a busca por atendimento ou recorrer a medicamentos sem orientação pode agravar rapidamente a evolução do quadro.

A automedicação, incluindo o uso inadequado de antibióticos, xaropes, anti-inflamatórios e receitas caseiras, também representa um risco. Além de mascarar sintomas importantes, pode retardar o diagnóstico correto e favorecer complicações, principalmente em pessoas mais vulneráveis.

 

Hábitos de autocuidado e etiqueta respiratória 

Para as doenças que ainda não contam com vacinas específicas ou como complemento à proteção dos imunizantes, medidas simples de autocuidado e etiqueta respiratória continuam fundamentais: 

Hidratação constante: beber água com frequência ajuda a manter as mucosas hidratadas e favorece a fluidificação das secreções. 

Qualidade do ar: o uso correto de umidificadores pode ajudar a reduzir o ressecamento do ambiente, desde que haja limpeza adequada do equipamento e controle do excesso de umidade. 

Ventilação: manter janelas abertas por alguns períodos do dia, mesmo no frio, favorece a renovação do ar e reduz o risco de transmissão de doenças em ambientes fechados. 

Higiene das mãos: Higienizar as mãos com frequência seja com álcool em gel ou água e sabão, ajuda a diminuir a transmissão de vírus e bactérias. 

Etiqueta respiratória: cobrir boca e nariz com o antebraço ao tossir ou espirrar, além de evitar contato próximo quando houver sintomas, protege familiares, colegas de trabalho e a comunidade. 

A combinação entre calendário vacinal atualizado, atenção aos sinais de alerta e adoção de medidas preventivas pode reduzir complicações e internações durante o inverno. Mais do que um cuidado individual, a prevenção respiratória contribui para diminuir a circulação de patógenos e aliviar a pressão sobre os serviços de saúde nos meses de maior demanda.

 

Pro Matre Paulista
www.promatre.com.br


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados