Segundo o Painel de Impacto Social da VR, a estimativa anual de ganhos econômicos para as empresas-clientes supera R$ 1 bilhão, puxada pela redução de turnover e de processos trabalhistas
No Dia Mundial do Trabalho (1º de maio), a VR, empresa de
soluções para trabalhadores e empregadores, divulga um retrato do mercado
formal de trabalho brasileiro. Os dados são provenientes do Painel de Impacto
Social da VR, ferramenta proprietária que monitora indicadores internos e
externos com base em informações de mais de 4 milhões de trabalhadores e mais
de 100 mil empresas-clientes dos serviços de RH digital, benefícios,
mobilidade, serviços financeiros, entre outros. O levantamento permite uma
leitura das condições e dos desafios enfrentados no mercado, tanto para quem
emprega quanto para quem é empregado. O estudo abrange quatro frentes: jornada
e escala, gestão de riscos, saúde mental e desigualdade de gênero.
Jornada e escala como variáveis estratégicas
Antes de tudo, é preciso diferenciar uma questão que pode
estar confundindo o debate. A jornada reflete a quantidade de horas trabalhadas
e as respectivas pausas associadas ao período. Já a escala define a estrutura e
como essas horas estão distribuídas. A partir dessa diferenciação, os dados
indicam que uma parcela relevante da força de trabalho está inserida em modelos
mais intensos, composta predominantemente por homens (74%), jovens entre 25 e
39 anos (47%) e pertencentes à classe C (64%).
Entre os usuários dos serviços de marcação de ponto e
gestão de escala da VR, 4 em cada 10 atuam no modelo 6x1. Os setores com maior
concentração desse regime são Comércio (49%), Bares e Restaurantes (16%) e
Saúde (8%), evidenciando uma variedade de segmentos da economia. Mesmo dentro
desse modelo, há diferenças: 23,3% estão em faixa de excesso moderado, enquanto
5,3% cumprem jornadas em nível considerado de excesso mais significativo. Em
comparação com a escala 5x2, 13,2% estão na faixa de excesso moderado e 0,6% em
níveis mais elevados.
Os dados também mostram um contingente de trabalhadores
com vale-transporte acima de R$ 700 por mês, o que pode indicar deslocamentos
mais longos. Dessa forma, o formato de escala, isoladamente, não explica os
impactos observados, que dependem também de fatores como organização das pausas,
carga de horas, dimensionamento das equipes e distância entre casa e trabalho.
Gestão e Riscos
A relação entre modelo de escala e impacto no desempenho,
seja individual ou no negócio, não é diretamente proporcional. Empresas que
adotam o mesmo modelo podem apresentar resultados distintos. Nesse contexto, o
modelo de escala, isoladamente, não é suficiente para explicar os impactos
observados, sendo necessário considerar a forma como o trabalho é configurado
no dia a dia.
Os dados do Painel de Impacto Social da VR apontam que
empresas que adotaram monitoramento estruturado e gestão preventiva de riscos
operacionais e de saúde conseguiram reduzir os processos trabalhistas em até
34,7%. Somando turnover, processos trabalhistas e outras frentes do ecossistema,
o impacto econômico anual estimado para as empresas-clientes supera R$ 1
bilhão.
Saúde mental em alerta
Os transtornos mentais passaram a ocupar uma posição
importante no ambiente de trabalho e revelam um quadro de adoecimento mais
frequente e, por vezes, mais complexo. Entre 2023 e 2025, os transtornos de
ansiedade seguiram como o principal grupo de afastamentos por saúde mental,
variando pouco no triênio, entre 54% dos diagnósticos em 2023, 52% em 2024 e
49% em 2025.
No mesmo período, os transtornos depressivos também
ficaram relativamente estáveis, na faixa de 29% a 31% dos diagnósticos. Já os
transtornos mistos ansioso-depressivos apresentaram uma leve subida, saindo de
14% em 2023 para 19% em 2024 e 18% em 2025. Essas combinações de CIDs (Código
Internacional de Doenças) foram registradas nos mesmos atestados médicos
apresentados pelos trabalhadores, grande parte diretamente pelo SuperApp VR
para justificar a ausência.
Também chama atenção o avanço dos quadros ligados ao
trabalho, como burnout, estresse e fadiga, que passaram da faixa de 1,5%–2,5%
em 2023 para 6%–8% em 2025. Os afastamentos por saúde mental registram uma
ausência média de 11 a 14 dias por ocorrência. Nos recortes de jornada
analisados, trabalhadores em escala 6x1 apresentam cerca de 2% a mais de
afastamentos do que os que estão em 5x2, mas esse dado, isoladamente, não
explica o adoecimento.
Desigualdade de gênero no ambiente corporativo
A desigualdade de gênero aparece em diferentes dimensões
nos dados analisados. No primeiro trimestre de 2026, 7 em cada 10 afastamentos
por depressão ocorreram entre mulheres, que ainda lidam com a sobrecarga no
cuidado familiar: 68% dos atestados médicos para acompanhar filhos ou outros
familiares em consultas e tratamentos foram registrados por mulheres,
evidenciando o acúmulo de responsabilidades dentro e fora do ambiente de
trabalho. Esse cenário indica que a sobreposição entre carreira e cuidado,
impacta diretamente a trajetória profissional feminina e reforça uma
vulnerabilidade estrutural do mercado
Ao mesmo tempo, os dados mostram que mulheres
empreendedoras também contratam mais mulheres: a participação feminina nas
contratações sobe de 44,8% para 53,8% quando a liderança do negócio é uma
mulher.
Há, porém, uma dimensão mais grave dessa desigualdade.
Entre 2024 e 2026, os afastamentos relacionados à violência contra a mulher
cresceram 152%, sendo 85% dos casos associados a agressões físicas. Os dados
reforçam que a violência, muitas vezes tratada como um problema restrito ao
ambiente doméstico, também impacta diretamente o mundo do trabalho.





