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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Estudo do Einstein reforça necessidade de manutenção da aspirina após angioplastia coronária independentemente da complexidade do procedimento


Desdobramento do NEO-MINDSET mostrou que reduzir sangramentos após procedimento nem sempre significa maior proteção cardiovascular para o paciente 

 

Retirar precocemente a aspirina após angioplastias cardíacas complexas pode reduzir sangramentos, mas não necessariamente melhorar os desfechos gerais dos pacientes. É o que mostra uma análise inédita derivada do estudo NEO-MINDSET, conduzida por pesquisadores do Einstein Hospital Israelita, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), do Ministério da Saúde. Os resultados reforçam que a modificação do tratamento antiplaquetário padrão – para evitar a formação de coágulos – após infarto ainda exige cautela e avaliação individualizada. 

O trabalho avaliou pacientes submetidos à intervenção coronária percutânea (angioplastia com implante de stent) considerados de maior complexidade anatômica — incluindo casos com múltiplos vasos tratados, múltiplos stents, lesões extensas ou obstruções coronárias mais desafiadoras. A pesquisa comparou o uso de monoterapia com inibidor potente de P2Y12 – classe de medicamentos usada para evitar a formação de coágulos – sem aspirina, versus a terapia antiplaquetária dupla convencional (DAPT), baseada na combinação de aspirina e outro antiplaquetário. 

Os resultados mostraram que a retirada precoce da aspirina se associou à redução de sangramentos relevantes, em todos os grupos avaliados. No entanto, essa estratégia não demonstrou benefícios gerais claros em relação ao tratamento convencional quando também foram considerados riscos como infarto, trombose e outros eventos cardiovasculares independentemente da complexidade do procedimento. 

A nova análise, publicada na EuroIntervention – revista científica internacional dedicada à cardiologia intervencionista – e apresentada no EuroPCR 2026 – um dos principais congressos internacionais da área –, constitui um desdobramento do estudo original NEO-MINDSET, previamente apresentado no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC 2025). Os achados recentes tiveram como foco específico pacientes submetidos a angioplastias complexas, um dos cenários mais desafiadores da cardiologia intervencionista contemporânea. Entre os 3.408 pacientes avaliados, 791 foram classificados como casos complexos. 

“O NEO-MINDSET nasceu de uma discussão muito relevante da cardiologia contemporânea: como reduzir complicações hemorrágicas sem comprometer a proteção cardiovascular após o infarto. Os resultados mostraram que a retirada precoce da aspirina pode diminuir sangramentos, mas também reforçaram que essa estratégia exige cautela”, afirma o Dr. Pedro Alves Lemos, diretor de Cardiologia do Einstein Hospital Israelita e um dos investigadores principais do estudo original, que já havia chamado atenção internacionalmente ao investigar os efeitos da retirada precoce da aspirina após angioplastia em pacientes com síndrome coronariana aguda. 

“Ao analisarmos os pacientes submetidos à angioplastia de acordo com a complexidade do procedimento, observamos que a complexidade anatômica não modificou de forma significativa o efeito das diferentes estratégias antiplaquetárias avaliadas. Ainda assim, os resultados reforçam a importância de individualizar as decisões terapêuticas”, afirma um dos autores do novo estudo, o cardiologista intervencionista do Einstein Hospital Israelita, Dr. Guy Fernando de Almeida Prado Junior. 

Segundo os pesquisadores, os achados contribuem para o debate internacional sobre segurança e personalização do tratamento antiplaquetário após infarto e angioplastia. O estudo destaca que estratégias de retirada precoce da aspirina não devem ser universalmente adotadas sem avaliação individualizada dos riscos de sangramento e de novos eventos cardíacos. 


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