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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

O que a ciência já sabe sobre a Doença de Creutzfeldt-Jakob

 Condição neurológica rara, diagnosticada no Lito Sousa, está relacionada aos príons e pode apresentar evolução rápida e progressiva

 

A Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) é uma enfermidade neurológica rara, grave e de evolução rápida. O diagnóstico recentemente divulgado pelo piloto e influenciador, Lito Sousa, chamou a atenção para uma condição ainda pouco conhecida pela população e que representa um importante desafio para a neurologia. A doença faz parte do grupo das chamadas doenças priônicas, relacionadas a alterações anormais em proteínas que podem provocar danos progressivos às células do sistema nervoso. 

“Os príons são proteínas que sofrem uma alteração em sua estrutura e passam a induzir outras proteínas a adquirir a mesma conformação anormal. Esse processo provoca danos progressivos às células do sistema nervoso, comprometendo o funcionamento do cérebro”, explica a Dra. Alice Del Colletto, professora e coordenadora do curso de Biomedicina da Estácio. 

Segundo a especialista, na maioria dos casos, a doença ocorre de forma esporádica, sem que seja possível identificar uma causa específica. Também existem formas hereditárias, relacionadas a alterações genéticas, e formas adquiridas, que são extremamente raras. A doença clássica não é transmitida pelo contato cotidiano entre as pessoas. 

Os primeiros sinais podem variar, mas geralmente incluem alterações cognitivas de progressão rápida, como perda de memória, dificuldade de raciocínio e mudanças de comportamento. Também podem surgir problemas de equilíbrio e coordenação, alterações da visão e movimentos involuntários, conhecidos como mioclonias. Com a evolução do quadro, o paciente pode apresentar dificuldades para caminhar, falar, engolir e realizar atividades que antes faziam parte da rotina. 

“O diagnóstico exige uma investigação neurológica cuidadosa, porque os sintomas podem inicialmente se confundir com os de outras doenças. São utilizados exames de ressonância magnética do cérebro, eletroencefalograma e análise do líquido cefalorraquidiano. Atualmente, testes mais específicos, como o RT-QuIC, podem auxiliar na identificação de alterações relacionadas aos príons e aumentar a precisão diagnóstica”, afirma Alice. 

Até o momento, não existe cura ou tratamento capaz de interromper a progressão da DCJ. “A assistência é voltada principalmente ao controle dos sintomas, ao conforto e aos cuidados paliativos, além do suporte ao paciente e aos familiares. Estamos diante de uma doença rara, mas que nos ensina muito sobre o funcionamento do sistema nervoso. Uma alteração na estrutura de uma proteína pode desencadear uma sequência de eventos capazes de provocar uma neurodegeneração extremamente rápida. A ausência de um tratamento que consiga modificar a evolução da doença mostra o quanto ainda precisamos avançar na pesquisa científica”, conclui a biomédica.

 

Estácio
estacio.br

Homens se cuidam menos? Saiba três razões pelas quais o diagnóstico precoce é decisivo para a longevidade masculina

Com mais de 17 mil mortes registradas por doenças cardiovasculares entre janeiro e maio de 2026, dados reforçam a importância de exames preventivos divididos por faixa etária.


Culturalmente, a população masculina tende a negligenciar consultas e exames preventivos, um hábito que reflete diretamente na menor expectativa de vida em relação às mulheres. Para conscientizar sobre o tema, especialistas explicam o impacto desse comportamento e apresentam como a medicina preventiva pode reverter esse cenário.

Três razões pelas quais os homens se cuidam menos e os riscos envolvidos:

  • 1. Distanciamento da medicina preventiva: Dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) revelam que 46% dos homens só procuram ajuda médica quando já apresentam sintomas. Além disso, apenas 32% dos homens acima de 40 anos afirmam estar realmente atentos ao próprio bem-estar.
     
  • 2. Impacto direto na expectativa de vida: Segundo a Tábua de Mortalidade 2022 do IBGE, os homens vivem, em média, sete anos a menos do que as mulheres (72 anos para eles contra 79 anos para elas).
     
  • 3. Alta mortalidade por eventos vasculares: Números do Datasus apontam que, de janeiro a maio de 2026, mais de 17 mil homens faleceram em decorrência de AVCs, infartos e insuficiência cardíaca — um volume 11,8% superior ao registrado entre as mulheres no mesmo período.

"Com homens procurando menos os serviços de saúde para diagnóstico precoce, é muito provável que esses pacientes, quando finalmente chegarem ao ambiente hospitalar, já estejam em estágio crítico", analisa Márcio Nunes, coordenador técnico do São Marcos Saúde e Medicina, marca Dasa em Minas Gerais.


Avanços diagnósticos e mapeamento genético

A prevenção vai além de consultas básicas. O cardiologista Alex Félix, da clínica CDPI (Dasa/RJ), ressalta que exames como teste ergométrico, escore de cálcio coronariano, angiotomografia de artérias coronárias, Doppler de carótidas e ecocardiograma permitem identificar a aterosclerose e disfunções cardíacas de forma silenciosa e precoce.

Para os casos de infarto precoce sem fatores de risco tradicionais, a genética desempenha papel fundamental. "Muitas pessoas não se enquadram nos critérios tradicionais de risco e, por isso, não são investigadas. Quando existe uma carga genética importante, o primeiro sinal pode ser justamente um evento grave", explica Marcelo Bittencourt, cardiologista da Dasa Genômica.

O Escore de Risco Poligênico surge como ferramenta complementar para analisar milhares de variantes genéticas e antecipar o risco coronariano.


Guia de prevenção: check-up por faixa etária

A endocrinologista Maria Helane Gurgel, diretora médica dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, destaca que a rotina contínua de exames deve acompanhar as diferentes fases da vida:

  • De 20 a 30 anos: Avaliações laboratoriais básicas (hemograma completo, perfil lipídico, glicemia de jejum, hemoglobina glicada, TSH, função hepática e renal, dosagem de lipoproteína (a)), aferição da pressão arterial (MAPA, se necessário) e medição de composição corporal via IMC e densitometria de corpo total (DEXA).
  • De 35 a 40 anos: Rastreio cardiológico aprofundado para pacientes com histórico familiar ou fatores de risco (tabagismo, sedentarismo, diabetes, hipertensão, obesidade), incluindo teste ergométrico, teste cardiopulmonar, ecocardiograma, Doppler de carótidas e tomografias coronarianas.
  • De 45 a 50 anos: Foco na investigação oncológica com dosagem de PSA total e livre, exame de toque retal e ultrassonografia de próstata (quando indicados), além de colonoscopia para detecção de câncer de cólon e reto e ultrassom de abdômen total.

Esclerose múltipla: reconhecer os primeiros sinais pode mudar uma vida

 No Dia Nacional de Conscientização sobre a doença (30), neurologista alerta para sintomas que muitas vezes são confundidos com cansaço ou problemas passageiros


Uma pessoa jovem começa a enxergar embaçado de repente. Outra sente formigamento ou dormência em uma parte do corpo. Há quem perceba uma fraqueza em um braço ou uma perna, dificuldade para caminhar, perda de equilíbrio ou um cansaço muito forte que não melhora mesmo depois de descansar. 

Para muitas famílias, esses sinais podem parecer passageiros. É justamente aí que está um dos desafios da esclerose múltipla (EM): nem sempre os primeiros sintomas são facilmente reconhecidos. 

A doença é neurológica, crônica e autoimune. Em palavras simples, é uma situação em que o próprio sistema de defesa do organismo passa a atacar estruturas do sistema nervoso, podendo prejudicar a comunicação entre o cérebro e as diferentes partes do corpo. No Brasil, estima-se que cerca de 40 mil pessoas convivam com a doença. 

Para a neurologista Dra. Carla Renata Aparecida Vieira Stella, especialista em neurologia e com atuação na área de neuroimunologia, informação é uma das principais ferramentas para que a doença seja identificada mais cedo. “É importante que a família não ignore mudanças que aparecem de forma diferente do habitual, principalmente quando são sintomas neurológicos. Procurar atendimento médico é o primeiro passo para entender o que está acontecendo”, orienta a especialista.
 

Formigamento, visão embaçada e dificuldade para andar merecem atenção

Os sinais da esclerose múltipla podem variar bastante de uma pessoa para outra. Entre eles estão alterações na visão, dormência ou formigamento, fraqueza muscular, dificuldade de equilíbrio e coordenação, fadiga intensa e alterações cognitivas ou emocionais. 

Um ponto importante é que ter um desses sintomas não significa necessariamente ter esclerose múltipla. Muitas outras doenças podem provocar manifestações semelhantes. Por isso, a recomendação não é tentar descobrir o diagnóstico sozinho, mas procurar atendimento de saúde. 

“Não é preciso saber o nome da doença para procurar ajuda. Se alguma coisa mudou no corpo e essa mudança não parece normal, converse com um profissional de saúde”, reforça Dra. Carla.
 

O primeiro caminho pode ser o serviço público de saúde

Para famílias que não têm condições de pagar uma consulta particular, a orientação é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou outro serviço público de saúde disponível em sua cidade. A partir da avaliação inicial, o paciente pode ser encaminhado para atendimento especializado quando houver necessidade. 

O diagnóstico e o acompanhamento precoces são importantes porque existem tratamentos capazes de controlar a atividade da doença e reduzir o risco de novos episódios, sempre de acordo com a avaliação médica individual. O Ministério da Saúde destaca justamente a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.
 

Ciência e cuidado caminham juntos

A Dra. Carla Stella tem participação em estudos científicos relacionados às doenças neurológicas e à neuroimunologia. Em 2016, foi coautora de estudo publicado internacionalmente que analisou casos de dengue em pessoas com esclerose múltipla em tratamento com medicamentos específicos. 

Mais recentemente, participou de estudo publicado em 2023 sobre um caso de esclerose múltipla progressiva com início na infância, desenvolvido por pesquisadores ligados à Divisão de Neuroimunologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
 

Na ACESA Capuava, o olhar para o paciente vai além da doença

A médica também tem uma atuação próxima da comunidade. A Dra. Carla Stella é Diretora Clínica da ACESA Capuava, organização que desenvolve atendimento multidisciplinar e ações voltadas às pessoas com deficiência e suas famílias. 

“Quando falamos de uma doença crônica, não estamos falando apenas de um diagnóstico. Estamos falando de uma pessoa, de uma família e de uma rotina que pode mudar. O cuidador precisa olhar para todos esses aspectos”, destaca a neurologista.
 

Um alerta para as famílias

Neste “Agosto Laranja”, mês dedicado à conscientização sobre a esclerose múltipla, a principal mensagem é simples: não ignore os sinais. 

Se alguém da família apresentar uma alteração neurológica que não tinha antes, como perda de visão, dormência, formigamento, fraqueza, dificuldade para caminhar ou problemas de equilíbrio, procure uma unidade de saúde.

Não é preciso ter dinheiro para começar a investigar. É possível procurar o serviço público de saúde e pedir orientação. Reconhecer um sinal, procurar ajuda e chegar ao diagnóstico pode ser o primeiro passo para que uma pessoa tenha acesso ao tratamento e possa seguir sua vida com mais qualidade.


No Agosto Branco, médico reforça que a maior parte dos casos de câncer de pulmão pode ser prevenida

Dr. Daniel Knupp, líder médico na Alice, lista cinco atitudes que reduzem o risco da doença e explica por que parar de fumar vale a pena em qualquer idade 

 

Existe uma ideia comum entre quem fuma há muitos anos: a de que o dano já está feito e que parar, a essa altura, não muda mais nada. Os números mostram o contrário. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a mortalidade por câncer de pulmão entre fumantes é cerca de 15 vezes maior do que entre pessoas que nunca fumaram, enquanto entre ex-fumantes é cerca de quatro vezes maior. Parar de fumar move a pessoa, com o tempo, para outra categoria de risco. Ainda segundo o instituto, em cerca de 85% dos casos diagnosticados o câncer de pulmão está associado ao consumo de derivados de tabaco — o que significa que a maior parte deles tem uma causa conhecida e evitável. 

No Agosto Branco, campanha de conscientização sobre o câncer de pulmão, vale olhar para o consumo de tabaco no país. O consumo de cigarro tradicional recuou de forma consistente nas últimas duas décadas. Segundo o Vigitel 2024, do Ministério da Saúde, publicado em 2025, 11,5% dos adultos nas capitais e no Distrito Federal são fumantes — 13,9% entre os homens e 9,5% entre as mulheres. No primeiro ano da série histórica, em 2006, o índice era de 15,7%.  

O cigarro convencional, porém, não é a única forma de exposição à nicotina. Segundo o Vigitel, o uso de cigarro eletrônico entre adultos nas capitais e no Distrito Federal se concentra nos mais jovens: em 2023, 6,1% das pessoas de 18 a 24 anos relataram uso diário ou ocasional, a maior prevalência entre todas as faixas etárias.  

Para Daniel Knupp, líder médico na Alice, plano de saúde para empresas que tem por missão tornar o mundo mais saudável, a mensagem central da campanha é sobre prevenção, não sobre estatística. "O câncer de pulmão é um dos tumores mais frequentes e mais letais que existem, e também um dos mais evitáveis. Quando 85% dos casos estão associados ao tabaco, a conversa deixa de ser só sobre tratamento e passa a ser sobre o que dá para fazer antes", afirma.

 

Cinco atitudes que reduzem o risco de câncer de pulmão: 

1.   Parar de fumar, em qualquer idade: não existe momento tarde demais. Os benefícios começam nas primeiras horas e seguem se acumulando ao longo dos anos, inclusive para quem fuma há décadas.

2.   Não tratar o cigarro eletrônico como alternativa segura: vapes, narguilé, cigarro de palha e charuto também expõem o organismo a substâncias tóxicas e mantêm a dependência de nicotina. Além disso, estudos já têm mostrado que o cigarro eletrônico, na verdade, é potencialmente mais perigoso para a saúde do que os cigarros comuns

3.   Proteger quem está por perto: a exposição passiva à fumaça também é fator de risco. Manter a casa e o carro livres de fumo protege quem não fuma, especialmente crianças. O Vigitel 2023 registrou 6,4% de fumantes passivos no domicílio e 7,0% no ambiente de trabalho.

4.   Conhecer o próprio risco: tempo de tabagismo, idade, histórico familiar e exposição ocupacional a agentes como amianto e sílica mudam o cálculo. Quem está no grupo de risco deve conversar com um profissional sobre a indicação de rastreamento.

5.   Não normalizar sintomas persistentes: tosse que não passa, falta de ar, rouquidão, dor no peito, sangue no escarro ou perda de peso sem explicação merecem avaliação. O diagnóstico precoce é muito importante para o sucesso no tratamento do câncer de pulmão.  

Knupp destaca que a decisão de parar raramente acontece sozinha. "Parar de fumar é difícil, é uma dependência química, e a maior parte das pessoas precisa de mais de uma tentativa. Por isso faz tanta diferença ter um profissional de referência acompanhando: alguém que conhece seu histórico, ajuda a escolher a estratégia certa e continua ali quando a primeira tentativa não dá certo", conclui.

 

Estudos comprovam que espiritualidade ajuda na saúde dos pacientes

Tiago Simões Leite une fé e ciência numa prática que o mundo acadêmico valida

 

Tiago Simões Leite, pediatra e mestre em Saúde da Criança e Adolescente pela UFMG, sempre tratou de pacientes olhando além do diagnóstico. No podcast "Comunique seu propósito", disponível no YouTube, ele fala de religiosidade, fé e medicina com a naturalidade de quem se propõe a tratar a pessoa na sua integralidade. Questão que o mundo acadêmico valida com estudos clínicos.  

A Diretriz de Prevenção Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), publicada em 2019, foi pioneira no mundo ao incluir um capítulo sobre espiritualidade. Relacionou-a com menores índices de tabagismo, sedentarismo e melhor adesão à prevenção cardiovascular em geral. Depois da publicação brasileira, diretrizes da Europa e dos Estados Unidos também fizeram suas referências ao tema. 

“A espiritualidade deve ser incorporada aos cuidados tanto para doenças graves quanto para a saúde em geral”, de acordo com um estudo liderado por pesquisadores da Escola de Saúde Pública TH Chan de Harvard e do Hospital Brigham and Women's. Foi publicado em 2022, como um dos mais abrangentes estudos sobre o tema. 

No ano passado, a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial  propôs espiritualidade e religiosidade como medidas preventivas e de manejo não farmacológico da doença. Recomenda que profissionais de saúde sejam treinados para mencionar esses aspectos, com respeito às crenças pessoais dos pacientes.

 

Medicina humanizada é o conceito da prática de Tiago Simões Leite

“Minha espiritualidade vai a campo junto com os meus ensinamentos científicos aprendidos na faculdade de medicina, na especialização em Pediatria, no mestrado em Saúde Pública, nas experiências humanitárias na África e nas periferias do Brasil. Essa combinação que me fez um gestor melhor, também é capaz de promover mais cuidado para os pacientes”, garante o médico.  

A medicina humanizada, conceito que Tiago defende, coloca o ser humano no centro do cuidado. “O corpo, a emoção, o contexto social, a dimensão espiritual, tudo isso importa na cura. A medicina está se conscientizando de que esse conceito não é abstrato e que pode se converter em ferramenta clínica eficiente”, avalia Tiago Simões Leite. Segundo ele, esse cuidado integral que deve estar no centro da prática médica, referendado pelos gestores de saúde, é a tradução prática do que as diretrizes cardiológicas começaram a formalizar.

 

Estudos médicos relacionados a fé começaram em 1960

Espiritualidade aplicada à medicina é tema de artigos e pesquisas desde os anos 1960. Estudos epidemiológicos identificam associações consistentes entre espiritualidade, religiosidade e bem-estar físico e mental. Menos estresse. Mais autocuidado. Melhor enfrentamento de enfermidades incuráveis, como as doenças cardiovasculares, que seguem como principal causa de morte no Brasil. Tudo baseado em pesquisas consistentes, sem misticismo. 

A SBC define espiritualidade como um conjunto de valores morais, mentais e emocionais que guiam as atitudes do indivíduo, sem se restringir a uma religião específica. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece oficialmente a espiritualidade como uma dimensão fundamental da saúde multidimensional e da qualidade de vida. Nessa perspectiva, o Conselho Federal de Medicina (CFM) criou no ano passado a Comissão de Saúde e Espiritualidade.

 

Tipos de dor de cabeça: entenda as diferenças e quando é preciso investigar


Difícil encontrar alguém que nunca tenha sentido dor de cabeça. O sintoma é tão comum que, muitas vezes, acaba sendo tratado como algo corriqueiro. Mas intensidade, localização, duração, frequência e sintomas associados podem indicar que se trata de diferentes tipos de cefaleia e reconhecer essas características é importante para chegar ao diagnóstico correto. 

A classificação internacional da International Headache Society (IHS) reúne mais de uma centena de diagnósticos e subtipos de cefaléia. De forma geral, as dores de cabeça são divididas em primárias, quando a própria cefaleia é a condição, e secundárias, quando a dor é consequência de outra doença ou alteração. Entre as formas primárias mais conhecidas estão a enxaqueca, a cefaléia tensional e a cefaléia em salvas.
 

Enxaqueca: quando a dor vem acompanhada de outros sintomas 

A enxaqueca costuma provocar uma dor pulsante ou latejante, de intensidade moderada a forte, que pode durar de quatro horas a até três dias quando não tratada. Geralmente, a dor é unilateral, embora também possa ocorrer dos dois lados da cabeça. 

Sensibilidade à luz e aos sons, náuseas e vômitos estão entre os sintomas que podem acompanhar as crises. Em algumas pessoas, a enxaqueca é precedida pela chamada aura, um conjunto de sintomas neurológicos transitórios. Alterações visuais, como pontos brilhantes, linhas em zigue-zague ou áreas de perda visual, são manifestações frequentes, mas também podem ocorrer formigamentos e alterações da fala. 

Estresse, alterações hormonais, privação de sono, determinados alimentos e mudanças climáticas podem atuar como gatilhos em algumas pessoas. Por isso, identificar os fatores associados às crises também faz parte da avaliação médica.
 

Dor de cabeça tensional: a sensação de aperto

A cefaleia tensional é uma das formas mais comuns de dor de cabeça e costuma ser descrita como uma pressão ou sensação de aperto na cabeça, em vez de uma dor pulsante. 

Geralmente, é bilateral e apresenta intensidade leve a moderada. Pode surgir após períodos de estresse ou fadiga e estar associada à tensão dos músculos do pescoço e dos ombros. 

Diferentemente da enxaqueca, a cefaleia tensional normalmente não provoca náuseas ou vômitos. Algumas pessoas, porém, podem apresentar sensibilidade à luz ou aos sons.
 

Cefaleia em salvas: uma das dores mais intensas

Menos frequente, a cefaleia em salvas se caracteriza por uma dor extremamente intensa, geralmente de um único lado e localizada ao redor ou atrás de um dos olhos. 

As crises costumam durar entre 15 minutos e três horas e podem ocorrer várias vezes ao dia durante determinados períodos, chamados de “salvas”, que podem durar semanas ou meses. Depois, podem existir períodos de remissão sem crises. 

Durante a dor, podem aparecer sintomas do mesmo lado, como olho vermelho ou lacrimejamento, congestão nasal, coriza, queda da pálpebra, contração da pupila e sudorese facial. A pessoa também pode apresentar inquietação ou agitação durante a crise.
 

Cefaleia crônica: quando a frequência das crises chama atenção

Cefaleia crônica não é necessariamente um tipo específico de dor, mas uma classificação relacionada à frequência. De acordo com os critérios internacionais, diferentes formas de cefaléia podem apresentar padrão crônico. 

No caso da enxaqueca crônica, o quadro é caracterizado por dor de cabeça em pelo menos 15 dias por mês, durante mais de três meses, sendo que em pelo menos oito desses dias a dor apresenta características de enxaqueca ou responde aos critérios para enxaqueca. 

Outro ponto importante é o uso frequente de medicamentos para controlar as crises. O consumo excessivo de analgésicos ou medicamentos específicos para enxaqueca pode estar associado ao aumento da frequência das dores e à chamada cefaleia por uso excessivo de medicamentos.
 

Dor na nuca ou na testa: a localização dá pistas, mas não fecha o diagnóstico

A região em que a cabeça dói pode ajudar na avaliação, mas não é suficiente, sozinha, para determinar a causa. E a dor na nuca, por exemplo, pode estar relacionada à tensão muscular, postura, fadiga ou cefaléia tensional. Também pode estar associada a alterações da região cervical e a outros tipos de cefaléia. 

Já a dor na testa pode ocorrer em quadros de cefaléia tensional. Outras causas também são possíveis, especialmente quando existem sintomas associados, como congestão nasal, secreção ou alterações visuais Por isso, tentar identificar a causa apenas pela localização da dor pode levar a interpretações equivocadas. O médico considera o conjunto de características do quadro.
 

Quando uma dor de cabeça pode ser sinal de alerta?

Nem toda dor de cabeça indica um problema grave. Na maioria dos casos, as cefaleias primárias não estão relacionadas a uma doença estrutural do cérebro. Porém, uma dor nova, muito intensa ou que muda de padrão precisa ser avaliada.
 

Entre os principais sinais de alerta estão:

  • dor que começa de forma súbita e extremamente intensa;
  • dor que piora progressivamente ao longo do tempo;
  • dor acompanhada de febre e rigidez na nuca;
  • alterações visuais súbitas;
  • fraqueza em um lado do corpo;
  • dificuldade para falar ou outros sintomas neurológicos;
  • dor desencadeada ou agravada por tosse ou esforço;
  • dor associada a alterações importantes de posição;
  • início de uma nova dor de cabeça após os 50 anos;
  • nova cefaleia em pessoas com histórico de câncer ou alterações do sistema imunológico.

Nessas situações, principalmente quando os sintomas surgem de maneira abrupta ou estão associados a alterações neurológicas, é importante procurar atendimento médico.
 

Dor de cabeça constante precisa de exame? 

Não necessariamente. Para muitas cefaleias primárias típicas, como enxaqueca sem sinais de alerta e cefaleia tensional, o diagnóstico é essencialmente clínico. A história do paciente e o exame neurológico são fundamentais e, quando não existem sinais de alerta, exames de imagem podem não ser necessários. Quando há suspeita de uma causa secundária, entretanto, o médico pode solicitar exames complementares. A escolha depende dos sintomas e da hipótese diagnóstica. 

Entre os exames que podem ser utilizados estão:

Ressonância magnética do crânio: permite uma avaliação detalhada das estruturas do cérebro e pode ser indicada para investigar diferentes alterações neurológicas.

Tomografia computadorizada do crânio: é especialmente importante em determinadas situações de emergência, como na investigação de uma possível hemorragia intracraniana.

Exames de sangue: podem auxiliar na investigação de infecções, processos inflamatórios e outras condições sistêmicas.

Punção lombar: em situações específicas, pode ser necessária para analisar o líquido cefalorraquidiano e investigar infecções ou outras condições. 

A decisão sobre qual exame realizar deve ser individualizada pelo médico a partir da história clínica e do exame físico e neurológico. Segundo o Dr. Nelson Fortes, neurorradiologista do Alta Diagnósticos, a indicação de exames de imagem deve estar relacionada à avaliação clínica. “Nem toda pessoa que apresenta dor de cabeça precisa fazer uma ressonância ou uma tomografia. Quando existem sinais de alerta ou uma mudança importante no padrão da dor, os exames podem ser fundamentais para investigar possíveis causas secundárias.”
 

Qual médico procurar?

O neurologista é o especialista indicado para avaliar dores de cabeça frequentes, intensas, recorrentes, associadas a outros sintomas ou que não respondem ao tratamento inicial.E a consulta deve investigar características como localização, intensidade, duração, frequência, tipo da dor, fatores que desencadeiam ou aliviam as crises e sintomas associados. Manter um registro das crises também pode ajudar o médico a identificar padrões. 

“Uma das informações mais importantes para o diagnóstico é entender o padrão da dor. A localização é apenas uma parte da avaliação. Precisamos saber quando ela começa, quanto tempo dura, com que frequência acontece, qual é a intensidade e quais sintomas aparecem junto”, explica Diogo Haddad Neurologista Alta Diagnósticos e do Hospital Nove de Julho e coordenador do Núcleo de Memória do Alta Diagnósticos 

Mais do que tentar descobrir a causa apenas pela região em que a cabeça dói, observar o padrão das crises e os sintomas associados é fundamental para chegar ao diagnóstico adequado e definir a melhor estratégia de tratamento.
  
 

Texto referência blog do Alta Diangósticos: Link


Referências científicas

HEADACHE CLASSIFICATION COMMITTEE OF THE INTERNATIONAL HEADACHE SOCIETY (IHS). The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition. Cephalalgia, v. 38, n. 1, p. 1-211, 2018. DOI: 10.1177/0333102417738202.

KOWACS, F. et al. Consensus of the Brazilian Headache Society on the treatment of chronic migraine. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, v. 77, n. 7, p. 509-520, 2019.

DIENER, H. C. et al. Management of medication overuse (MO) and medication overuse headache (MOH) S1 guideline. Neurological Research and Practice, v. 4, article 37, 2022. DOI: 10.1186/s42466-022-00200-0.



Envelhecimento do assoalho pélvico: perdas urinárias e prolapsos não precisam fazer parte da idade

Alterações do assoalho pélvico tornam-se mais frequentes com o passar dos anos, mas prevenção, fisioterapia especializada e acompanhamento médico podem preservar função, autonomia e qualidade de vida

 

Tossir, espirrar, rir ou praticar atividade física e perceber uma pequena perda de urina. Sentir uma urgência tão intensa que fica difícil chegar ao banheiro a tempo. Ou começar a notar uma sensação de peso e pressão na região pélvica. 

Embora ainda sejam frequentemente aceitos como consequências naturais do envelhecimento, esses sintomas podem indicar alterações do assoalho pélvico, conjunto de músculos e tecidos responsável pela sustentação de órgãos como bexiga, útero e reto e diretamente envolvido no controle urinário e intestinal. 

Com o aumento da longevidade feminina, preservar a função do assoalho pélvico passa a ocupar um papel cada vez mais relevante dentro de uma visão moderna de saúde da mulher. 

“Envelhecer bem não significa apenas viver mais. Significa preservar autonomia, mobilidade, sexualidade e liberdade para realizar as atividades do dia a dia. A função do assoalho pélvico faz parte dessa equação”, afirma o ginecologista e mastologista Dr. Rodrigo Freitas, da Clínica Elsimar Coutinho, em São Paulo. 

Ao longo da vida, diferentes fatores podem aumentar a sobrecarga sobre essa musculatura, entre eles gestações e partos, menopausa, excesso de peso, constipação intestinal crônica, tosse persistente e determinadas atividades que elevam repetidamente a pressão abdominal.

 

A perda urinária pode ser o primeiro sinal 

A incontinência urinária não se manifesta de uma única maneira. Na chamada forma de esforço, a perda ocorre durante situações que aumentam a pressão abdominal, como tossir, espirrar, rir, correr ou levantar peso. 

Já na incontinência de urgência, a mulher apresenta uma vontade súbita e difícil de controlar de urinar. Algumas pacientes podem apresentar os dois mecanismos simultaneamente. 

Mais importante do que o volume perdido é observar o impacto que o sintoma passa a exercer sobre a vida cotidiana. 

“Às vezes tudo começa com algumas gotas de urina, mas aos poucos a mulher deixa de correr, evita determinadas roupas, planeja viagens em função da localização dos banheiros ou começa a restringir sua vida social. Quando um sintoma passa a determinar escolhas, ele já merece atenção”, explica Dr. Freitas. 

Segundo o especialista, reconhecer precocemente essas alterações amplia as possibilidades de tratamento e pode evitar que a mulher passe anos adaptando sua rotina a um problema que poderia ser abordado.

 

Prolapsos também podem comprometer a qualidade de vida 

Outra consequência possível do enfraquecimento das estruturas de sustentação é o prolapso dos órgãos pélvicos, situação em que estruturas como bexiga, útero ou reto se deslocam em direção ao canal vaginal. 

Os sintomas variam de acordo com o grau da alteração e podem incluir sensação de peso ou pressão pélvica, desconforto ao permanecer muito tempo em pé, alterações urinárias ou intestinais e nos casos mais avançados, percepção de um abaulamento na vagina. 

“Existem diferentes graus de prolapso e, portanto, diferentes estratégias de tratamento. Nem toda paciente precisará de cirurgia. Há situações em que fisioterapia pélvica, mudanças comportamentais e outras medidas conservadoras apresentam excelentes resultados. O fundamental é individualizar a abordagem”, afirma o médico.

 

Fisioterapia pélvica ganhou papel central na prevenção e no tratamento 

A fisioterapia do assoalho pélvico é atualmente uma das principais ferramentas não cirúrgicas utilizadas no cuidado dessas disfunções. 

O tratamento pode envolver fortalecimento muscular, melhora da percepção corporal, treinamento da coordenação entre contração e relaxamento e estratégias específicas de acordo com o tipo de alteração apresentada por cada paciente. 

Os conhecidos exercícios de Kegel fazem parte desse universo, mas não devem ser realizados de maneira indiscriminada. 

“Não se trata simplesmente de orientar toda mulher fazer contrações do períneo. É preciso avaliar como aquela musculatura funciona. Algumas pacientes precisam de fortalecimento; outras precisam melhorar coordenação, consciência corporal ou até aprender a relaxar determinados músculos. O tratamento deve partir da mulher, e não de um protocolo pronto”, ressalta Dr. Freitas. 

Além da fisioterapia, atividade física regular, manutenção de peso adequado e tratamento de condições como constipação intestinal e tosse crônica contribuem para reduzir a sobrecarga sobre o assoalho pélvico.

 

Menopausa exige um olhar mais amplo 

A transição para a menopausa também merece atenção especial. 

A redução dos níveis de estrogênio provoca mudanças nos tecidos da vagina, vulva, uretra e bexiga, podendo estar relacionada a sintomas como ressecamento, ardência, dor nas relações sexuais, aumento da frequência urinária, urgência e infecções urinárias recorrentes. 

Por isso, alterações urinárias nessa fase não devem ser avaliadas de maneira isolada. 

“A mulher na menopausa precisa ser enxergada de forma integral. Sintomas urinários, vaginais, sexuais e relacionados ao assoalho pélvico muitas vezes fazem parte de um mesmo contexto. Quanto mais individualizada for essa avaliação, maior a possibilidade de recuperar função e qualidade de vida”, afirma o ginecologista.

 

Quando procurar avaliação médica? 

Perdas urinárias recorrentes, urgência para urinar, sensação de peso ou pressão na pelve, abaulamento vaginal, dificuldade para esvaziar a bexiga ou o intestino, dor pélvica e qualquer alteração que passe a interferir na atividade física, no sono, na sexualidade ou na rotina justificam uma avaliação especializada. 

Para Dr. Rodrigo Freitas, existe uma mudança importante de paradigma na maneira de abordar essas queixas. 

“Durante muito tempo, muitas mulheres aprenderam a adaptar a própria vida aos sintomas do envelhecimento. Hoje, o objetivo deve ser justamente o contrário: oferecer recursos para que ela preserve sua autonomia e continue vivendo da maneira que deseja. Envelhecer não precisa significar abrir mão de liberdade, continência ou qualidade de vida.”

 

Dr. Rodrigo Freitas - ginecologista e mastologista da Clínica Elsimar Coutinho, em São Paulo, com atuação voltada à saúde da mulher, menopausa, longevidade e qualidade de vida. O especialista acompanha pacientes em diferentes fases da vida, contribuindo para estratégias de prevenção, diagnóstico e promoção da saúde integral. Também realiza cirurgias mamárias e ginecológicas minimamente invasivas, incluindo procedimentos por videolaparoscopia e cirurgia robótica.

 

Alta miopia pode favorecer doenças oculares graves e aumentar o risco de perda permanente da visão

Descolamento de retina, glaucoma e catarata precoce estão entre as alterações associadas aos graus elevados, que exigem monitoramento contínuo, alerta oftalmologista

 

Quem usa óculos para enxergar melhor placas de trânsito, assistir televisão ou reconhecer pessoas à distância costuma associar a miopia apenas à dificuldade para ver de longe. No entanto, quando o grau é elevado, o problema exige atenção redobrada. Conhecida como alta miopia, essa condição pode favorecer o desenvolvimento de doenças oculares graves e, em alguns casos, levar à perda permanente da visão se não houver diagnóstico precoce e acompanhamento especializado. 

A miopia é um erro de refração que faz com que as imagens se formem antes da retina, dificultando a visão para objetos distantes. De acordo com o Dr. Rafael Arruda, médico oftalmologista do HOPE - Hospital de Olhos de Pernambuco, o quadro é classificado conforme o grau apresentado pelo paciente. "De forma geral, consideramos miopia baixa até três graus, moderada entre três e seis graus e alta acima de seis graus. Existem ainda os casos de miopia patológica, normalmente acima de dez graus, em que o aumento do grau pode continuar ao longo da vida. Nesses pacientes, o globo ocular é mais alongado do que o normal, e esse crescimento torna as estruturas internas do olho mais frágeis", explica. 

Segundo o especialista, é justamente esse alongamento que faz da alta miopia um fator de risco para outras alterações oftalmológicas. "O problema deixa de ser apenas a necessidade de usar óculos. O olho mais comprido favorece o afinamento da retina e de outras camadas oculares, aumentando a chance de complicações que podem comprometer a visão", comenta. 

A evolução da miopia costuma ser influenciada por fatores genéticos, mas hábitos do dia a dia também desempenham um papel importante, principalmente durante a infância. Crianças que desenvolvem miopia muito cedo têm maior probabilidade de apresentar graus elevados na vida adulta, especialmente quando há histórico familiar da condição. 

"O componente genético é um dos principais fatores de risco, mas o ambiente também interfere. Passar muito tempo em atividades de perto, como celular, computador e leitura, principalmente mantendo os objetos muito próximos do rosto, pode favorecer a progressão da miopia. Por outro lado, estimular brincadeiras e atividades ao ar livre por duas ou três horas diariamente ajuda a reduzir esse avanço", orienta o oftalmologista. 

O médico destaca que, atualmente, existem estratégias capazes de retardar a progressão da doença, sobretudo entre crianças e adolescentes. "Hoje contamos com lentes de óculos desenvolvidas especificamente para controlar a progressão da miopia, lentes de contato especiais e colírios à base de atropina, indicados em situações específicas. O tratamento deve ser individualizado e sempre acompanhado pelo médico oftalmologista, com consultas periódicas para avaliar a evolução de cada paciente", afirma. 

Entre as complicações mais frequentes da alta miopia está o descolamento de retina, considerado uma emergência oftalmológica. Além dele, pessoas com graus elevados apresentam maior risco de desenvolver glaucoma, catarata precoce e alterações na mácula — região responsável pela visão central e pelos detalhes das imagens. 

"Como a retina fica mais fina e mais vulnerável, pequenos rasgos podem surgir e evoluir para um descolamento. Além disso, o risco de glaucoma, catarata em idade mais precoce e doenças da mácula também é maior. Por isso, pacientes com alta miopia precisam de acompanhamento constante, mesmo quando enxergam bem com os óculos", ressalta. 

O especialista alerta que alguns sintomas exigem atendimento imediato. "O aparecimento repentino de muitas manchas escuras na visão, conhecidas como moscas volantes, acompanhado por flashes de luz, já merece avaliação urgente. Outro sinal importante é a sensação de uma cortina escurecendo parte do campo de visão ou uma perda súbita da capacidade de enxergar. Esses sinais podem indicar descolamento de retina e, quanto mais cedo a cirurgia for realizada, maiores são as chances de preservar a visão", diz. 

Durante a infância e a adolescência, os cuidados devem ser ainda mais rigorosos, já que é nesse período que o grau costuma evoluir com maior rapidez. Além das consultas regulares, o especialista recomenda limitar o tempo excessivo de telas, evitar aproximar demais livros e celulares do rosto e incentivar momentos ao ar livre sempre que possível. 

"O acompanhamento frequente faz toda a diferença. Dependendo da evolução da miopia, o ideal é realizar consultas a cada seis meses. Mesmo nos casos mais estáveis, o intervalo não deve ultrapassar um ano. Nessas avaliações, além de medir o grau, é importante verificar a pressão ocular, realizar o mapeamento da retina e outros exames capazes de identificar alterações antes mesmo do surgimento dos sintomas", explica. 

Para o Dr. Rafael Arruda, a principal mensagem é que a miopia não deve ser encarada apenas como um problema de grau. "A alta miopia pode aumentar significativamente o risco de doenças que ameaçam a visão, mas muitas dessas complicações podem ser prevenidas ou tratadas quando identificadas precocemente. O diagnóstico precoce, o acompanhamento regular e a atenção aos sinais de alerta são as melhores formas de preservar a saúde dos olhos ao longo da vida", finaliza.


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