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terça-feira, 16 de junho de 2026

Cistos ovarianos silenciosos: quando a ausência de sintomas pode atrasar o diagnóstico?

Relativamente comuns durante a vida reprodutiva, os cistos ovarianos podem passar despercebidos e reforçam a importância do acompanhamento ginecológico regular

 

Nem toda alteração ginecológica apresenta sintomas claros. Em muitos casos, a ausência de sinais evidentes pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento. Por isso, os exames de rotina continuam sendo uma das principais ferramentas para a prevenção e o cuidado com a saúde da mulher. 

Os cistos ovarianos estão entre as alterações ginecológicas mais frequentes. Segundo o ginecologista e obstetra da clínica Ginelife, Dr. Marcos Tcherniakovsky, a descoberta de um cisto não deve ser motivo de alarme, mas de investigação. “Os cistos são formações cheias de líquido que se desenvolvem dentro ou sobre o ovário, como pequenas bolsas. Por não apresentarem sintomas evidentes em muitos casos, diversas mulheres convivem com eles sem perceber”, explica. 

Os cistos podem surgir e desaparecer naturalmente ao longo do ciclo reprodutivo e apresentar características benignas ou malignas. Alguns casos podem regredir espontaneamente ou com o uso de anticoncepcionais. Quando isso não acontece, a videolaparoscopia pode ser indicada. 

A técnica utiliza uma micro câmara introduzida por pequenas incisões, permitindo a retirada dos cistos com preservação dos ovários sempre que possível. Além de menos invasiva, costuma proporcionar recuperação mais rápida e menor desconforto pós-operatório. O método também pode ser empregado no diagnóstico e tratamento da endometriose. 

Para avaliar a relevância clínica de um cisto, é necessário considerar fatores como o momento em que ele surge, seu tamanho, características observadas nos exames e sua persistência ao longo do tempo. Embora muitos casos sejam assintomáticos, alguns sinais merecem atenção, como aumento do fluxo menstrual, desconforto abdominal ou pélvico, cólicas mais intensas, irregularidade menstrual e episódios de dor aguda. 

Outro aspecto importante é investigar a relação do cisto com condições como a endometriose ou a Síndrome do Ovário Policístico (SOP), recentemente renomeada por especialistas como Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina, uma tentativa de ampliar a compreensão sobre os impactos hormonais e metabólicos da doença. Estima-se que até 70% das mulheres afetadas permanecem sem diagnóstico. 

Além disso, a investigação adequada é fundamental para descartar doenças mais graves, como o câncer de ovário, uma das principais neoplasias ginecológicas que acometem as brasileiras. “Nem todo cisto representa um problema grave, mas a avaliação médica é indispensável para diferenciar alterações benignas de condições que exigem acompanhamento ou tratamento específico. A consulta ginecológica periódica continua sendo a melhor estratégia para um diagnóstico precoce e mais segurança para a saúde da mulher”, finaliza o especialista.


Dr. Marcos Tcherniakovsky – Ginecologista e Obstetra – Especialista em Endometriose e Vídeo-endoscopia Ginecológica (Histeroscopia e Laparoscopia). É Diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose. Médico Responsável pelo Setor de Vídeo-endoscopia Ginecológica e Endometriose da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC. Membro da comissão de especialidades na área de Endometriose pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Médico Responsável da Clínica Ginelife. Instagram: dr.marcostcher

 

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