Dor nas pernas, inchaço constante, hematomas frequentes e dificuldade para emagrecer determinadas regiões do corpo podem ser sinais de lipedema. Especialistas explicam como identificar a condição e quais tratamentos ajudam a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida
Muito além de uma questão estética, o lipedema é
uma condição crônica, ou seja, não tem cura,
mas existe um tratamento para controle. É uma doença progressiva que provoca o acúmulo anormal de gordura,
principalmente nas pernas, quadris e braços, acompanhado de dor, inchaço e
sensibilidade. Apesar de afetar milhões de mulheres em todo o mundo, o problema
ainda é pouco conhecido e frequentemente confundido com obesidade ou retenção
de líquido, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequado.
Dr. Rodolfo Gusmão, médico integrativo do Instituto Aeon,
explica que o lipedema envolve alterações inflamatórias e hormonais que
impactam diretamente a saúde e a qualidade de vida das pacientes. “Muitas
mulheres convivem durante anos com dor, sensação de peso nas pernas e
dificuldade para emagrecer determinadas regiões do corpo sem saber que possuem
lipedema. É uma condição que precisa ser vista além da estética, porque afeta o
metabolismo, a circulação e o bem-estar físico e emocional”, afirma o
especialista.
Dra Paula Góes, médica especialista em dermatologia, destaca que
um dos principais desafios é justamente a identificação precoce da doença. “O lipedema
costuma causar aumento desproporcional dos membros inferiores, além de dor ao
toque, hematomas frequentes e sensação constante de inchaço. Muitas pacientes
acreditam que é apenas gordura localizada ou dificuldade para emagrecer, quando
na verdade existe um quadro inflamatório associado”, explica a especialista em
dermatologista.
Os sinais que merecem atenção
Entre os sintomas mais comuns do lipedema estão dor nas pernas,
sensação de peso, inchaço ao longo do dia, facilidade para desenvolver
hematomas e acúmulo de gordura resistente à dieta e ao exercício físico. Em
muitos casos, os pés permanecem preservados, característica importante que
ajuda no diagnóstico diferencial.
Segundo Dra Paula Góes, o aspecto da pele também pode mudar ao
longo do tempo. “Em fases mais avançadas, a pele pode apresentar
irregularidades, maior flacidez e aspecto nodular devido ao acúmulo de gordura
de forma desorganizada e ao processo inflamatório contínuo”, comenta.
Inflamação e hábitos de vida influenciam diretamente
Embora o lipedema tenha forte influência genética e hormonal,
fatores ligados ao estilo de vida podem agravar os sintomas. Alimentação
inflamatória, sedentarismo, alterações hormonais e estresse estão entre os
principais gatilhos para piora do quadro.
Dr. Rodolfo Gusmão explica que uma abordagem integrativa pode
ajudar significativamente no controle da condição. “O tratamento envolve
redução do processo inflamatório através da alimentação, melhora da circulação,
atividade física orientada e estratégias para restaurar a saúde metabólica.
Quando o organismo funciona melhor, a paciente sente menos dor, menos inchaço e
mais disposição”, afirma o médico integrativo.
Alimentos ricos em antioxidantes, vegetais, proteínas magras e
boa hidratação fazem parte das recomendações mais comuns. Além disso, evitar
excesso de ultraprocessados, açúcar e alimentos inflamatórios pode contribuir
para o controle dos sintomas.
O médico revela que existem novas abordagens no tratamento:
“Estudos recentes vêm mostrando que o tratamento do lipedema com microdoses de
tirzepatida pode ser um grande aliado no combate ao processo inflamatório
causado pela doença”.
Tratamentos ajudam a controlar os sintomas e melhorar a
qualidade de vida
O tratamento do lipedema varia de acordo com o estágio da
condição e as necessidades individuais de cada paciente. Drenagem linfática,
uso de meias compressivas, exercícios físicos de baixo impacto e tecnologias
dermatológicas estão entre os recursos utilizados para melhorar circulação,
reduzir o inchaço e aliviar dores.
Dra Paula Góes ressalta que tecnologias como radiofrequência,
ultrassom e bioestimuladores também podem auxiliar na firmeza da pele e no
conforto da paciente. “Além do controle inflamatório, muitas mulheres procuram
melhorar a textura da pele e a sensação de peso nas pernas. Hoje existem
protocolos que ajudam tanto na parte funcional quanto na estética”, explica.
A prática de atividades físicas regulares também é considerada
uma grande aliada no tratamento. Caminhadas, musculação, pilates e
hidroginástica ajudam a estimular a circulação e preservar a massa muscular sem
gerar impacto excessivo nas articulações.
Saúde emocional também precisa de atenção
Além dos sintomas físicos, o lipedema pode impactar
diretamente a autoestima e a saúde emocional das pacientes. A dificuldade em
obter resultados estéticos mesmo com dieta e exercício frequentemente gera
frustração e sofrimento psicológico.
“Muitas mulheres passaram anos ouvindo que faltava esforço ou
disciplina, quando na verdade conviviam com uma condição médica real. O
acolhimento e o diagnóstico correto fazem toda diferença para que a paciente
entenda seu corpo e consiga tratar o problema de maneira saudável”, destaca Dr.
Rodolfo Gusmão.
A importância do acompanhamento profissional
Os especialistas reforçam que o diagnóstico e o tratamento devem
ser feitos de forma individualizada, com acompanhamento multidisciplinar.
Dermatologistas, nutrólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e educadores
físicos podem atuar em conjunto para controlar os sintomas e promover mais
qualidade de vida.
“O mais importante é entender que o lipedema tem tratamento e
controle. Quanto antes a paciente buscar orientação profissional, maiores são
as chances de melhorar os sintomas e evitar a progressão da condição”, finaliza
Dr. Rodolfo Gusmão.
Instituto Aeon
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