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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Câncer não precisa significar o fim do sonho da maternidade: preservação da fertilidade ganha respaldo da Justiça e se torna aliada no tratamento oncológico

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Prof. Dr. José Carlos Sadalla, da Clínica Andrade & Sadalla, explica como diferentes tipos de câncer impactam a fertilidade e por que a preservação deve ser discutida antes do início do tratamento

 

Receber um diagnóstico de câncer é, por si só, um dos momentos mais difíceis na vida de qualquer pessoa. Mas para muitos pacientes em idade reprodutiva, esse momento carrega uma segunda perda silenciosa: a possibilidade de ter filhos no futuro. Quimioterapia e radioterapia, embora essenciais para salvar vidas, podem comprometer de forma definitiva a fertilidade. A boa notícia é que, com planejamento e agilidade, essa perda pode ser evitada e a Justiça brasileira tem reforçado esse direito. 

Decisões recentes do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios determinaram que planos de saúde devem custear integralmente o congelamento de óvulos para pacientes oncológicas, reconhecendo o procedimento como etapa acessória do tratamento do câncer. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também tem reconhecido decisões favoráveis às pacientes nesse sentido, ampliando o acesso a um procedimento que, até pouco tempo, era visto como privilégio de poucos.
 

Cada câncer, um impacto diferente na fertilidade 

Para o Prof. Dr. José Carlos Sadalla, médico oncoginecologista e cofundador da Clínica Andrade & Sadalla, entender como cada tipo de câncer afeta a fertilidade é o primeiro passo para que o paciente possa tomar decisões informadas — e rápidas. 

"O tempo é o maior inimigo nessa equação. Cada tipo de câncer tem suas particularidades, e cada tratamento tem um impacto diferente sobre os órgãos reprodutivos. Por isso, a discussão sobre preservação da fertilidade precisa acontecer antes do início do tratamento oncológico, idealmente já na primeira consulta após o diagnóstico", explica o especialista. 

No câncer de mama, um dos mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva, a quimioterapia pode reduzir drasticamente a reserva ovariana, e tratamentos hormonais prolongados — que podem durar de 5 a 10 anos — postergam significativamente o momento ideal para engravidar. No câncer de colo do útero, dependendo do estádio, cirurgias podem comprometer diretamente o útero, tornando a preservação da fertilidade uma decisão urgente antes de qualquer intervenção. 

Já no câncer de ovário, a situação é particularmente delicada: o próprio órgão responsável pela fertilidade pode precisar ser removido, unilateral ou bilateralmente, dependendo da extensão da doença — o que exige avaliação rápida e individualizada sobre a viabilidade da preservação. 

Nos linfomas e leucemias, comuns também em pacientes jovens, a quimioterapia de alta intensidade e, em alguns casos, o transplante de medula óssea, têm efeito direto sobre a função ovariana, tornando a preservação da fertilidade uma etapa frequentemente recomendada antes do início do protocolo.

 

As opções disponíveis 

Entre as técnicas de preservação da fertilidade estão o congelamento de óvulos, de embriões, ou de fragmentos de tecido ovariano. As taxas de sucesso variam: o congelamento de embriões, por serem técnicas mais consolidadas, apresentam os melhores resultados, enquanto o congelamento de óvulos tem demonstrado taxas de gravidez ao redor de 30%.

"Não existe uma resposta única. A escolha da técnica depende do tipo de câncer, da urgência em iniciar o tratamento, da idade da paciente e até do estado civil. Mulheres solteiras, por exemplo, geralmente optam pelo congelamento de óvulos, enquanto casais podem considerar o congelamento de embriões. O papel do médico é apresentar essas opções com clareza, sem gerar falsas expectativas, mas também sem negar essa possibilidade a quem deseja preservá-la", completa o Dr. Sadalla.
 

Uma conversa que precisa acontecer 

Para o especialista, o maior obstáculo ainda não é técnico, mas de comunicação. Muitos pacientes não sabem que essa opção existe, e muitos oncologistas, focados na urgência do tratamento contra o câncer, podem não abordar o tema no tempo adequado. 

"A preservação da fertilidade não compete com o tratamento do câncer — ela faz parte dele. Em geral, é possível realizar a estimulação ovariana e o congelamento de óvulos em um intervalo de 10 a 14 dias, sem atrasar de forma significativa o início da quimioterapia. O que defendemos é que essa conversa aconteça sempre, para que o paciente decida com informação completa. Ninguém deveria descobrir, anos depois de vencer o câncer, que perdeu também a chance de ser pai ou mãe sem nunca ter sido informado sobre essa possibilidade", afirma.
  
 

Clínica Andrade & Sadalla
Av. Ibirapuera, 2.907, conjunto 720 — Moema, São Paulo.
Instagram: @clinicaandradesadalla



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