Demais vacinas para prevenção de
doenças que impactam a saúde individual e coletiva seguem disponíveis nas
Unidades Básicas de Saúde. Sociedade Brasileira de Medicina de Família e
Comunidade reforça a importância da imunização durante o outono e o inverno
Diante da recente suspensão da vacinação contra a dengue pelo
Ministério da Saúde para investigação de eventos adversos graves, a Sociedade
Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) reforça que a população
deve manter o calendário vacinal em dia e continuar procurando as Unidades
Básicas de Saúde (UBS) para receber as vacinas recomendadas para cada faixa
etária e condição de saúde.
A interrupção temporária da vacina contra a dengue não altera a
importância das demais vacinas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS),
especialmente neste período do ano, quando aumentam os casos de doenças
respiratórias e outras infecções que podem ser prevenidas por imunização.
Vacinas como as da influenza e outras indicadas para grupos
específicos seguem disponíveis nas UBS e são fundamentais para reduzir o risco
de adoecimento, complicações, internações e óbitos, principalmente entre
crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.
“Até o momento, sabemos que os eventos ocorreram após a vacinação.
Isso preenche um dos critérios para se discutir causalidade: a temporalidade.
No caso atual, temos um sinal importante que merece investigação. Mas vários
desses critérios ainda não estão esclarecidos. Por isso existe a farmacovigilância.
Os estudos clínicos são fundamentais, mas não conseguem detectar todos os
eventos extremamente raros. Quando uma vacina passa a ser utilizada em centenas
de milhares ou milhões de pessoas, situações inesperadas podem surgir e
precisam ser analisadas com rigor”, explica Euclides Colaço, médico de família
e comunidade, vice-presidente da Associação Mineira de Medicina de Família e
Comunidade e membro da SBMFC.
Além das vacinas de rotina, pessoas com doenças crônicas, como
diabetes, hipertensão arterial, doenças cardíacas e doença pulmonar obstrutiva
crônica (DPOC), podem ter indicação para vacinação contra o pneumococo pelo
SUS. Tradicionalmente, essa proteção foi oferecida por meio da vacina
Pneumocócica 23-valente (Pneumo 23), que continua disponível para grupos
específicos. No entanto, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) vem ampliando
gradativamente o uso de vacinas pneumocócicas conjugadas mais modernas, como a
Pneumo 20, conforme critérios clínicos e disponibilidade nos serviços de referência.
Essas vacinas ajudam a prevenir pneumonias, meningites e outras infecções
graves causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae.
A vacina é indicada para pessoas com 60 anos ou mais
institucionalizadas e para indivíduos com condições clínicas especiais, como
doenças cardíacas e pulmonares crônicas, diabetes, imunodeficiências, ausência
ou disfunção do baço, pessoas transplantadas, imunossuprimidas e pessoas
vivendo com HIV, conforme os critérios estabelecidos pelo SUS.
Outro diferencial da Atenção Primária à Saúde é a realização da
busca ativa, estratégia utilizada pelas equipes de Saúde da Família para
identificar pessoas com vacinas em atraso ou que necessitam de acompanhamento.
Essa ação é baseada no conhecimento do território e no vínculo construído entre
profissionais de saúde e a comunidade.
Médicos(as) de família e comunidade, enfermeiros(as), técnicos(as)
de enfermagem e agentes comunitários(as) de saúde atuam de forma integrada para
identificar necessidades, orientar a população e facilitar o acesso aos
cuidados preventivos.
“A lógica é simples: se eles não vêm até a gente, nós vamos até
eles. Ao longo do acompanhamento, os profissionais das UBS passam a conhecer as
características, necessidades, modo de vida e contexto familiar das pessoas.
Esses fatores influenciam diretamente na saúde e também na adesão aos cuidados
recomendados. A partir desse vínculo, conseguimos promover um acompanhamento
mais efetivo, com foco na prevenção, na vacinação e nos tratamentos
necessários, contribuindo para melhores resultados em saúde”, reforça Colaço,
mestre em Bioética pela Universidade do Vale do Sapucaí (Univás).
A SBMFC destaca que as vacinas continuam sendo uma das estratégias
mais seguras e eficazes para a prevenção de doenças e a proteção da saúde
coletiva. Em caso de dúvidas sobre indicações, esquemas vacinais ou atualização
da caderneta, a orientação é procurar a equipe de saúde da Unidade Básica de
Saúde de referência.
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