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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Calendário de imunização deve ser mantido mesmo após suspensão da vacina contra a dengue

Demais vacinas para prevenção de doenças que impactam a saúde individual e coletiva seguem disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde. Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade reforça a importância da imunização durante o outono e o inverno
 

Diante da recente suspensão da vacinação contra a dengue pelo Ministério da Saúde para investigação de eventos adversos graves, a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) reforça que a população deve manter o calendário vacinal em dia e continuar procurando as Unidades Básicas de Saúde (UBS) para receber as vacinas recomendadas para cada faixa etária e condição de saúde. 

A interrupção temporária da vacina contra a dengue não altera a importância das demais vacinas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente neste período do ano, quando aumentam os casos de doenças respiratórias e outras infecções que podem ser prevenidas por imunização. 

Vacinas como as da influenza e outras indicadas para grupos específicos seguem disponíveis nas UBS e são fundamentais para reduzir o risco de adoecimento, complicações, internações e óbitos, principalmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas. 

“Até o momento, sabemos que os eventos ocorreram após a vacinação. Isso preenche um dos critérios para se discutir causalidade: a temporalidade. No caso atual, temos um sinal importante que merece investigação. Mas vários desses critérios ainda não estão esclarecidos. Por isso existe a farmacovigilância. Os estudos clínicos são fundamentais, mas não conseguem detectar todos os eventos extremamente raros. Quando uma vacina passa a ser utilizada em centenas de milhares ou milhões de pessoas, situações inesperadas podem surgir e precisam ser analisadas com rigor”, explica Euclides Colaço, médico de família e comunidade, vice-presidente da Associação Mineira de Medicina de Família e Comunidade e membro da SBMFC. 

Além das vacinas de rotina, pessoas com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão arterial, doenças cardíacas e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), podem ter indicação para vacinação contra o pneumococo pelo SUS. Tradicionalmente, essa proteção foi oferecida por meio da vacina Pneumocócica 23-valente (Pneumo 23), que continua disponível para grupos específicos. No entanto, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) vem ampliando gradativamente o uso de vacinas pneumocócicas conjugadas mais modernas, como a Pneumo 20, conforme critérios clínicos e disponibilidade nos serviços de referência. Essas vacinas ajudam a prevenir pneumonias, meningites e outras infecções graves causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae. 

A vacina é indicada para pessoas com 60 anos ou mais institucionalizadas e para indivíduos com condições clínicas especiais, como doenças cardíacas e pulmonares crônicas, diabetes, imunodeficiências, ausência ou disfunção do baço, pessoas transplantadas, imunossuprimidas e pessoas vivendo com HIV, conforme os critérios estabelecidos pelo SUS.

Outro diferencial da Atenção Primária à Saúde é a realização da busca ativa, estratégia utilizada pelas equipes de Saúde da Família para identificar pessoas com vacinas em atraso ou que necessitam de acompanhamento. Essa ação é baseada no conhecimento do território e no vínculo construído entre profissionais de saúde e a comunidade. 

Médicos(as) de família e comunidade, enfermeiros(as), técnicos(as) de enfermagem e agentes comunitários(as) de saúde atuam de forma integrada para identificar necessidades, orientar a população e facilitar o acesso aos cuidados preventivos. 

“A lógica é simples: se eles não vêm até a gente, nós vamos até eles. Ao longo do acompanhamento, os profissionais das UBS passam a conhecer as características, necessidades, modo de vida e contexto familiar das pessoas. Esses fatores influenciam diretamente na saúde e também na adesão aos cuidados recomendados. A partir desse vínculo, conseguimos promover um acompanhamento mais efetivo, com foco na prevenção, na vacinação e nos tratamentos necessários, contribuindo para melhores resultados em saúde”, reforça Colaço, mestre em Bioética pela Universidade do Vale do Sapucaí (Univás). 

A SBMFC destaca que as vacinas continuam sendo uma das estratégias mais seguras e eficazes para a prevenção de doenças e a proteção da saúde coletiva. Em caso de dúvidas sobre indicações, esquemas vacinais ou atualização da caderneta, a orientação é procurar a equipe de saúde da Unidade Básica de Saúde de referência.

 

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