Segundo
coordenador da Inspirali Pós Medicina, a garantia de um bom descanso é ter um
bom dia de vida
Dias agitados e excesso de informações têm afetado muito o sono da população. Mas noites mal dormidas podem afetar diretamente a saúde? Segundo o Coordenador da área de Medicina do Sono da Inspirali Pós Medicina, Dr Renan Iegoroff – CRM 214250, a resposta é sim.
“Uma boa noite de sono não é medida apenas durante o
dormir, mas sim um reflexo de como é o nosso dia. Carregamos para cama as
lembranças, medos, memórias e ocorridos durante todo o dia. Ao iniciarmos o
processo de dormir, nosso comportamento já fala sobre como será nossa noite, e
durante o dormir muita coisa pode vir à tona”, declara Renan.
Confira abaixo as respostas do Dr. Renan para as
principais dúvidas sobre o tema:
- Do que exatamente a medicina do sono trata?
R: A atuação do especialista em medicina do sono abrange
diversos pilares como Distúrbios Respiratórios: Tratamento de ronco, apneia
obstrutiva/central do sono e hipopneias; síndromes de hipoventilação /
Transtornos do Ritmo Circadiano: Alterações do ritmo do relógio biológico,
impacto mais sentido diretamente no Trabalhador de Turno / Insônia: Talvez o
principal distúrbio do sono / Movimentos Anormais e Parassonias: Tratamento
para síndrome das pernas inquietas, bruxismo, terror noturno, sonambulismo e
distúrbios de comportamento durante o sono REM.
- Quais as principais doenças que um sono não
saudável pode causar?
R: Hoje sabemos o sono está relacionado a diversos
problemas de saúde, desde doenças cardiovasculares, uma vez que apneia
obstrutiva do sono aumenta o risco de infarto agudo do miocárdio; passando
pelas doenças cerebrovasculares, doenças neurodegenerativas (Parkinson e
Alzhemier). Porém, se além disso, olharmos para a prevalência de distúrbios
respiratórios do sono em comorbidade ao diagnóstico de Déficit de Atenção e
Hiperatividade, percebemos que olhar o sono sempre é fundamental, além disso,
já sabemos que depressão e dor têm relação bidirecional com distúrbios do sono.
Estudos em populações específicas como homens com alteração hormonal, por
exemplo, demonstram que a baixa testosterona está relacionada a distúrbios do
sono, já que esse hormônio é fase dependente do sono.
- Quais os principais tratamentos
relacionados ao sono?
R: Quando falamos em tratamento, pensamos logo em
remédios, comprimidos. É verdade que na medicina do sono há uma importância
para o tratamento medicamentoso, mas, em insônia, a principal evidência
científica de maior nível de indicação é da Terapia Cognitivo Comportamental
(TCC) focada em insônia (TCCi) com papel importante para o Psicólogo do Sono.
Quando falamos de distúrbios respiratórios do sono, a apneia do sono vem em
mente e logo a terapia de pressão positiva com o CPAP. Aliado a isso, o
trabalho do Odontologista do Sono com indicação de aparelhos de avanço
mandibular ou mesmo de cirurgias ortognáticas, e do Fonoaudiólogo para Terapia
Miofuncional Orofacial com melhor adaptação e exercícios que resolvem quadros
de apneia do sono. Além disso, a terapia focada na ergonomia do sono aplicada
por fisioterapeutas respiratórios, por exemplo, tem papel fundamental no
tratamento do sono.
- Por que o sono é importante para a saúde?
R: Passamos 33% em média do nosso tempo total de vida
dormindo, logo, 2/3 da nossa vida é para um processo ativo de cuidado em saúde.
Hormônios dependem do sono; memória depende do sono, não conseguimos viver o
dia sem dormir bem e a ciência avança a cada dia mostrando a correlação
bidirecional, ou até mesmo direta, com vários processos fisiológicos.
- O que é considerado um sono saudável?
R: O sono saudável deve estar aliado às preferências
biológicas do indivíduo (cronotipo) uma vez que cada indivíduo é programado
biologicamente para funcionar melhor, cognitivamente e fisicamente, pela manhã
(matutinos), ou mais no período do final do dia (vespertino), ou ter a
capacidade de flutuar entre esses pontos (indiferentes). Além disso, é saudável
adormecer dentro de um tempo adequado sem sofrimento e dormir um tempo total de
sono adequado para sua faixa etária, sem impactos diurnos de mudança de
comportamento, cognitivos e sonolência. Assim, é possível apresentar uma noite
e um dia sem sofrimento.
- Como saber se o meu sono pode estar
prejudicando a minha saúde?
R: Existem correlações diretas de serem percebidas. Hoje,
sabemos que a principal causa de hipertensão arterial refratária na população
brasileira é a Apneia Obstrutiva do Sono. Porém, se o seu caso não for esse, a
apresentação de sintomas diurnos de presenteísmo, absenteísmo, irritabilidade,
ou mesmo má relação com a noite (medo de ir dormir, angústia pela noite,
pesadelos) também são sinais para se avaliar o sono.
- Qual o tempo de sono ideal? Há diferença
para mulheres, homens, crianças e idosos?
R: Existe diferença sim entre faixas etárias. Nossos
bebês precisam de mais tempo de sono, nossos adolescentes tendem naturalmente a
ter atraso de fase de sono, ou seja, sentir sono mais tarde (tendem
naturalmente à vespertinidade) e idosos apresentam sono mais superficial (com
maior número de despertares) e mais curto (redução do tempo total de sono) e
tendem naturalmente ao avanço de fase de sono.
- O que acontece com o nosso corpo durante o
sono?
R: Nosso corpo passa progressivamente de um processo
ativo cognitivamente e neurofisiologicamente associado a um estado ativo
muscular para um processo de alentecimento cognitivo, mas que mantem função
neurofisiológica com atonia muscular. Com isso, nossas áreas cerebrais
trabalham pela limpeza cerebral e organização de memórias.
- Trocar o dia pela noite pode ser prejudicial
para a saúde? Por quê?
R: Sim, somos seres biologicamente programados para
dormir no período noturno e ser ativos em período de vigília. A inversão do
ciclo no trabalho de turno, apesar de algumas funções serem essenciais (como médico,
segurança pública, bombeiros, etc) traz prejuízos que muitas vezes, mesmo a
pessoa saindo do turno, o turno não sairá dela, pois há aumento do risco para
diabetes, hipertensão arterial, maior associação com depressão e risco de até
5x de câncer.
- Quais dicas você daria para se ter uma boa
noite de sono?
R: Entender que o quarto é o nosso templo do sono. Nossa
cama é algo importante, logo, nossa rotina deve caminhar sempre para esse
objetivo. Reduzir atividades durante a noite, retirar tempo de tela no período
noturno, associado a redução de cafeína, álcool e tabaco.
Nenhum comentário:
Postar um comentário