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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Menopausa sem hormônios: quando a fitoterapia pode ser uma aliada no controle dos sintomas

Para mulheres que não podem ou não desejam fazer reposição hormonal, ativos naturais associados à alimentação adequada podem ajudar no controle de sintomas como insônia, alterações de humor, baixa libido e ganho de peso. 

 

Ondas de calor, dificuldade para dormir, mudanças de humor, queda da libido e ganho de peso estão entre as principais queixas de mulheres que atravessam a menopausa. Embora a terapia de reposição hormonal seja considerada uma opção eficaz para muitas pacientes, ela não é indicada para todos os casos. Mulheres com contraindicações clínicas ou que optam por não utilizar hormônios têm buscado alternativas mais naturais, e ainda sim capazes de amenizar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Nesse contexto, a fitoterapia, quando associada a uma alimentação equilibrada e acompanhada por profissionais de saúde, pode ser uma importante aliada.

O interesse por compostos naturais tem crescido justamente porque algumas plantas apresentam fitoestrógenos, substâncias de origem vegetal que interagem com receptores hormonais e podem contribuir para o alívio de sintomas do climatério. Estudos apontam que ativos presentes na soja (Glycine max), no trevo-vermelho (Trifolium pratense) e na cimicífuga (Cimicifuga racemosa), por exemplo, vêm sendo estudados como alternativas para mulheres que não utilizam terapia hormonal, com resultados promissores para o controle dos fogachos e de outros desconfortos da menopausa.

Segundo a nutricionista funcional Ana Paula Matos, no entanto, não existe uma solução única para todas as mulheres. “A fitoterapia pode oferecer benefícios importantes, mas precisa ser individualizada. Antes de indicar qualquer ativo, é fundamental avaliar sintomas, histórico de saúde, exames laboratoriais e hábitos de vida. O uso indiscriminado de suplementos naturais também pode trazer riscos”, explica.

A especialista destaca que a alimentação exerce papel central nesse processo. Uma dieta rica em fibras, proteínas de qualidade, gorduras boas e alimentos antioxidantes contribui para reduzir processos inflamatórios, preservar a massa muscular e minimizar alterações metabólicas comuns durante a menopausa.

“Quando associamos uma estratégia nutricional adequada a fitoterápicos bem indicados, conseguimos potencializar resultados no controle da insônia, das alterações de humor e até da baixa energia. Mas isso não substitui uma abordagem completa, que inclui atividade física, manejo do estresse e acompanhamento profissional”, afirma Ana Paula.

Entre os sintomas que mais impactam a rotina feminina está o ganho de peso, consequência não apenas da queda hormonal, mas também da redução natural do metabolismo e das mudanças na composição corporal. Para a nutricionista, recorrer apenas a dietas restritivas costuma ser um erro.

“Muitas mulheres entram em um ciclo de restrição alimentar que acaba piorando o quadro. O foco deve ser preservar massa magra, controlar a inflamação e fornecer nutrientes que favoreçam o equilíbrio hormonal. É um trabalho que vai muito além da contagem de calorias”, ressalta.

Embora os fitoterápicos despertem cada vez mais interesse, especialistas reforçam que eles não são isentos de contraindicações e interações medicamentosas. A escolha do tratamento deve ser feita de forma personalizada e sempre com orientação profissional, especialmente para mulheres com histórico de câncer hormônio-dependente, doenças hepáticas ou outras condições clínicas específicas.

Para Ana Paula Matos, o mais importante é compreender que a menopausa não precisa ser enfrentada com sofrimento. “Hoje existem diferentes estratégias para promover qualidade de vida nessa fase. A fitoterapia é uma delas, mas faz parte de um cuidado integrado, que respeita a individualidade de cada mulher e busca restaurar seu bem-estar de forma segura e sustentável.”

 

Fonte: Ana Paula Matos – nutricionista funcional.


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