Para
mulheres que não podem ou não desejam fazer reposição hormonal, ativos naturais
associados à alimentação adequada podem ajudar no controle de sintomas como insônia,
alterações de humor, baixa libido e ganho de peso.
Ondas de calor, dificuldade para dormir, mudanças de humor,
queda da libido e ganho de peso estão entre as principais queixas de mulheres
que atravessam a menopausa. Embora a terapia de reposição hormonal seja
considerada uma opção eficaz para muitas pacientes, ela não é indicada para
todos os casos. Mulheres com contraindicações clínicas ou que optam por não utilizar
hormônios têm buscado alternativas mais naturais, e ainda sim capazes de
amenizar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Nesse contexto, a
fitoterapia, quando associada a uma alimentação equilibrada e acompanhada por
profissionais de saúde, pode ser uma importante aliada.
O interesse por compostos naturais tem crescido justamente
porque algumas plantas apresentam fitoestrógenos, substâncias de origem vegetal
que interagem com receptores hormonais e podem contribuir para o alívio de
sintomas do climatério. Estudos apontam que ativos presentes na soja (Glycine
max), no trevo-vermelho (Trifolium pratense) e na cimicífuga (Cimicifuga
racemosa), por exemplo, vêm sendo estudados como alternativas para mulheres
que não utilizam terapia hormonal, com resultados promissores para o controle
dos fogachos e de outros desconfortos da menopausa.
Segundo a nutricionista funcional Ana Paula Matos, no
entanto, não existe uma solução única para todas as mulheres. “A fitoterapia
pode oferecer benefícios importantes, mas precisa ser individualizada. Antes de
indicar qualquer ativo, é fundamental avaliar sintomas, histórico de saúde,
exames laboratoriais e hábitos de vida. O uso indiscriminado de suplementos
naturais também pode trazer riscos”, explica.
A especialista destaca que a alimentação exerce papel
central nesse processo. Uma dieta rica em fibras, proteínas de qualidade,
gorduras boas e alimentos antioxidantes contribui para reduzir processos
inflamatórios, preservar a massa muscular e minimizar alterações metabólicas
comuns durante a menopausa.
“Quando associamos uma estratégia nutricional adequada a
fitoterápicos bem indicados, conseguimos potencializar resultados no controle
da insônia, das alterações de humor e até da baixa energia. Mas isso não
substitui uma abordagem completa, que inclui atividade física, manejo do
estresse e acompanhamento profissional”, afirma Ana Paula.
Entre os sintomas que mais impactam a rotina feminina está o
ganho de peso, consequência não apenas da queda hormonal, mas também da redução
natural do metabolismo e das mudanças na composição corporal. Para a nutricionista,
recorrer apenas a dietas restritivas costuma ser um erro.
“Muitas mulheres entram em um ciclo de restrição alimentar
que acaba piorando o quadro. O foco deve ser preservar massa magra, controlar a
inflamação e fornecer nutrientes que favoreçam o equilíbrio hormonal. É um
trabalho que vai muito além da contagem de calorias”, ressalta.
Embora os fitoterápicos despertem cada vez mais interesse,
especialistas reforçam que eles não são isentos de contraindicações e
interações medicamentosas. A escolha do tratamento deve ser feita de forma
personalizada e sempre com orientação profissional, especialmente para mulheres
com histórico de câncer hormônio-dependente, doenças hepáticas ou outras
condições clínicas específicas.
Para Ana Paula Matos, o mais importante é compreender que a
menopausa não precisa ser enfrentada com sofrimento. “Hoje existem diferentes
estratégias para promover qualidade de vida nessa fase. A fitoterapia é uma
delas, mas faz parte de um cuidado integrado, que respeita a individualidade de
cada mulher e busca restaurar seu bem-estar de forma segura e sustentável.”
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