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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Abuso no uso de anabolizantes: cardiologista do Hospital HSANP fala sobre as consequências para o coração

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Substâncias utilizadas para fins estéticos e de performance podem causar danos irreversíveis, como infarto em pessoas jovens e previamente saudáveis

 

A forte presença de influenciadores fitness nas redes sociais consolidou um padrão estético baseado em corpos com alta densidade muscular e baixo percentual de gordura. Esse ideal, muitas vezes difícil ou até impossível de ser alcançado naturalmente, tem impulsionado o uso de esteroides anabolizantes e, consequentemente, ampliado os riscos associados a essas substâncias.  

Casos de mortes por problemas cardíacos entre fisiculturistas e praticantes de “bodybuilding” têm se tornado mais frequentes. Isso ocorre porque o coração também é um músculo e pode sofrer aumento de tamanho com o uso de esteroides, assim como a musculatura esquelética. 

Segundo o cardiologista Irapuan Magalhães Penteado, do Hospital HSANP, o abuso dessas substâncias pode provocar danos rápidos e graves. “A hipertrofia cardíaca pode ocorrer em poucas semanas de uso de anabolizantes e, em muitos casos, é irreversível. Enquanto um coração saudável pesa entre 250 g e 350 g, o de uma pessoa que faz uso abusivo de esteroides pode ultrapassar 500 g”, explica o especialista. 

A hipertrofia do miocárdio compromete a capacidade de contração do coração, além de estar associada ao aumento da pressão arterial, dores no peito e falta de ar. Também pode desencadear problemas como trombose, colesterol elevado e arritmias cardíacas. 

“Essas condições eram mais comuns em pessoas mais velhas, mas, com o aumento do uso de anabolizantes, temos observado um crescimento significativo de casos de infarto agudo do miocárdio em indivíduos entre 20 e 30 anos”, acrescenta. 

Para quem utiliza essas substâncias, o acompanhamento médico pode reduzir parte dos riscos, mas não elimina os danos. “O cenário é preocupante. Mesmo com monitoramento especializado, a hipertrofia cardíaca pode ocorrer e deixar sequelas permanentes”, finaliza o cardiologista.

 

Hospital HSANP
 


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