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A forte presença de influenciadores fitness nas redes sociais consolidou um padrão estético baseado em corpos com alta densidade muscular e baixo percentual de gordura. Esse ideal, muitas vezes difícil ou até impossível de ser alcançado naturalmente, tem impulsionado o uso de esteroides anabolizantes e, consequentemente, ampliado os riscos associados a essas substâncias.
Casos de mortes por problemas cardíacos entre fisiculturistas e
praticantes de “bodybuilding” têm se tornado mais frequentes. Isso ocorre
porque o coração também é um músculo e pode sofrer aumento de tamanho com o uso
de esteroides, assim como a musculatura esquelética.
Segundo o cardiologista Irapuan Magalhães Penteado, do Hospital
HSANP, o abuso dessas substâncias pode provocar danos rápidos e graves. “A
hipertrofia cardíaca pode ocorrer em poucas semanas de uso de anabolizantes e,
em muitos casos, é irreversível. Enquanto um coração saudável pesa entre 250 g
e 350 g, o de uma pessoa que faz uso abusivo de esteroides pode ultrapassar 500
g”, explica o especialista.
A hipertrofia do miocárdio compromete a capacidade de contração do
coração, além de estar associada ao aumento da pressão arterial, dores no peito
e falta de ar. Também pode desencadear problemas como trombose, colesterol
elevado e arritmias cardíacas.
“Essas condições eram mais comuns em pessoas mais velhas, mas, com
o aumento do uso de anabolizantes, temos observado um crescimento significativo
de casos de infarto agudo do miocárdio em indivíduos entre 20 e 30 anos”,
acrescenta.
Para quem utiliza essas substâncias, o acompanhamento médico pode
reduzir parte dos riscos, mas não elimina os danos. “O cenário é preocupante.
Mesmo com monitoramento especializado, a hipertrofia cardíaca pode ocorrer e
deixar sequelas permanentes”, finaliza o cardiologista.
Hospital HSANP

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