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terça-feira, 16 de junho de 2026

Copa do Mundo: especialistas orientam sobre cuidados com o coração e exames antes de jogar futebol

Forte emoção em jogos decisivos e retorno à prática do futebol amador sem avaliação prévia exigem atenção; os check-ups laboratorial e cardiológico garantem diversão segura dentro e fora de campo

 

O clima da Copa do Mundo mexe com a rotina e as emoções dos brasileiros. No entanto, para aproveitar a festa do futebol com segurança, médicos reforçam a importância de manter a saúde em dia. No Brasil, as doenças cardiovasculares respondem por cerca de 30% dos óbitos, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), um índice impulsionado por fatores como sedentarismo e obesidade e pela ausência de um acompanhamento médico preventivo regular. Em momentos de grande intensidade emocional – como em decisões por pênaltis, por exemplo –, a forte descarga de adrenalina pode sobrecarregar o sistema circulatório de quem já possui alguma vulnerabilidade. 

A cardiologista Fernanda Erthal, do laboratório Bronstein e da clínica CDPI, explica que momentos de intensa emoção, como partidas decisivas da Copa do Mundo, podem representar um desafio adicional para o sistema cardiovascular, especialmente em pessoas que já apresentam fatores de risco ou doenças cardíacas ainda não diagnosticadas. 

“Embora a maioria das pessoas atravesse essas situações sem nenhum problema, a descarga de adrenalina provocada pelo estresse e pela excitação pode aumentar temporariamente a frequência cardíaca e a pressão arterial. Em indivíduos predispostos, o aumento da demanda cardíaca pode favorecer o surgimento de sintomas ou até desencadear eventos cardiovasculares agudos”, afirma a especialista. 

Segundo a médica, desconforto ou dor no peito continua sendo o sinal de alerta mais conhecido, geralmente descrito como uma sensação de aperto, peso ou queimação, que pode irradiar para o braço esquerdo, as costas, o pescoço ou a mandíbula. “Outros sintomas que merecem atenção incluem falta de ar desproporcional ao esforço, palpitações persistentes, tonturas ou episódios de desmaio. Diante desses sinais, é importante procurar avaliação médica.” 

Fernanda ressalta que a melhor estratégia continua sendo a prevenção. “Muitas doenças cardiovasculares evoluem silenciosamente durante anos. Por isso, além do controle dos fatores de risco tradicionais, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade e tabagismo, a realização periódica de avaliações cardiológicas permite identificar precocemente alterações que poderiam passar despercebidas. Em alguns casos, exames complementares, incluindo métodos de imagem cardiovascular, ajudam a refinar a estratificação de risco e a orientar medidas preventivas de forma mais individualizada.”
 

Investigação preventiva 

Os fatores de risco para o coração muitas vezes estão associados a condições metabólicas assintomáticas. A endocrinologista Rosita Fontes, do laboratório Sérgio Franco, lembra que o diabetes e o colesterol alto danificam progressivamente os vasos sanguíneos sem manifestar sintomas imediatos. 

“Muitas pessoas descobrem alterações na pressão ou na glicose apenas depois de passarem por uma forte emoção ou ao realizarem um check-up tardio”, afirma a especialista. Segundo ela, a prevenção eficaz começa com análises laboratoriais simples. “Monitorar as taxas de glicemia de jejum e hemoglobina glicada é fundamental para avaliar o risco de diabetes. Da mesma forma, o perfil lipídico completo – com a dosagem de colesterol LDL e HDL e de triglicerídeos – ajuda a detectar o acúmulo de gordura nas artérias. Manter essas consultas e exames em dia assegura que o organismo esteja preparado para os momentos de grande torcida.”
 

Cuidados necessários antes de entrar em campo 

Além da torcida, o período do mundial costuma motivar muitas pessoas a voltarem a praticar o futebol, seja na tradicional “pelada” de fim de semana, seja no futebol society. Por ser um esporte intermitente e de alta intensidade, que combina corridas rápidas, acelerações e mudanças bruscas de direção, a modalidade exige bastante do sistema cardiovascular, demandando cuidado especial de quem estava sedentário ou já passou dos 35, 40 anos. 

O cardiologista Breno Giestal, do Alta Diagnósticos, no Rio de Janeiro, destaca que a avaliação médica deve fazer parte do planejamento de quem deseja retornar aos gramados. 

“A base para uma prática esportiva segura começa no consultório, por meio da anamnese – que avalia o histórico familiar e sintomas como falta de ar desproporcional ou palpitações –, do exame físico e do eletrocardiograma”, orienta Giestal. 

De acordo com a idade do paciente, o histórico e a intensidade do futebol pretendido, exames adicionais podem ser indicados. “Com base nessa avaliação inicial, o médico pode solicitar testes complementares, como o teste ergométrico, a ergoespirometria ou o ecocardiograma, entre outros.” 

O especialista ressalta que as orientações não têm o objetivo de restringir o esporte, mas, sim, de viabilizá-lo de forma saudável. “O intuito é oferecer segurança e direcionamento adequado para o início da atividade física ou seu retorno. Quando bem praticado, o futebol traz excelentes benefícios para o condicionamento, o controle de peso e a redução do estresse diário. Preparar o coração antes de exigir o máximo do corpo é a melhor estratégia para jogar com segurança”, conclui o Dr. Breno.

 

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