Forte emoção em jogos decisivos e retorno à prática do futebol amador sem avaliação prévia exigem atenção; os check-ups laboratorial e cardiológico garantem diversão segura dentro e fora de campo
O
clima da Copa do Mundo mexe com a rotina e as emoções dos brasileiros. No
entanto, para aproveitar a festa do futebol com segurança, médicos reforçam a
importância de manter a saúde em dia. No Brasil, as doenças cardiovasculares
respondem por cerca de 30% dos óbitos, segundo dados da Sociedade Brasileira de
Cardiologia (SBC), um índice impulsionado por fatores como sedentarismo e
obesidade e pela ausência de um acompanhamento médico preventivo regular. Em
momentos de grande intensidade emocional – como em decisões por pênaltis, por
exemplo –, a forte descarga de adrenalina pode sobrecarregar o sistema
circulatório de quem já possui alguma vulnerabilidade.
A
cardiologista Fernanda Erthal, do laboratório Bronstein e da clínica CDPI,
explica que momentos de intensa emoção, como partidas decisivas da Copa do
Mundo, podem representar um desafio adicional para o sistema cardiovascular,
especialmente em pessoas que já apresentam fatores de risco ou doenças
cardíacas ainda não diagnosticadas.
“Embora
a maioria das pessoas atravesse essas situações sem nenhum problema, a descarga
de adrenalina provocada pelo estresse e pela excitação pode aumentar temporariamente
a frequência cardíaca e a pressão arterial. Em indivíduos predispostos, o
aumento da demanda cardíaca pode favorecer o surgimento de sintomas ou até
desencadear eventos cardiovasculares agudos”, afirma a especialista.
Segundo
a médica, desconforto ou dor no peito continua sendo o sinal de alerta mais
conhecido, geralmente descrito como uma sensação de aperto, peso ou queimação,
que pode irradiar para o braço esquerdo, as costas, o pescoço ou a mandíbula.
“Outros sintomas que merecem atenção incluem falta de ar desproporcional ao
esforço, palpitações persistentes, tonturas ou episódios de desmaio. Diante desses
sinais, é importante procurar avaliação médica.”
Fernanda
ressalta que a melhor estratégia continua sendo a prevenção. “Muitas doenças
cardiovasculares evoluem silenciosamente durante anos. Por isso, além do
controle dos fatores de risco tradicionais, como hipertensão, diabetes,
colesterol elevado, obesidade e tabagismo, a realização periódica de avaliações
cardiológicas permite identificar precocemente alterações que poderiam passar
despercebidas. Em alguns casos, exames complementares, incluindo métodos de
imagem cardiovascular, ajudam a refinar a estratificação de risco e a orientar
medidas preventivas de forma mais individualizada.”
Investigação preventiva
Os
fatores de risco para o coração muitas vezes estão associados a condições
metabólicas assintomáticas. A endocrinologista Rosita Fontes, do laboratório
Sérgio Franco, lembra que o diabetes e o colesterol alto danificam progressivamente
os vasos sanguíneos sem manifestar sintomas imediatos.
“Muitas
pessoas descobrem alterações na pressão ou na glicose apenas depois de passarem
por uma forte emoção ou ao realizarem um check-up tardio”, afirma a
especialista. Segundo ela, a prevenção eficaz começa com análises laboratoriais
simples. “Monitorar as taxas de glicemia de jejum e hemoglobina glicada é
fundamental para avaliar o risco de diabetes. Da mesma forma, o perfil lipídico
completo – com a dosagem de colesterol LDL e HDL e de triglicerídeos – ajuda a
detectar o acúmulo de gordura nas artérias. Manter essas consultas e exames em
dia assegura que o organismo esteja preparado para os momentos de grande
torcida.”
Cuidados necessários antes de entrar em campo
Além
da torcida, o período do mundial costuma motivar muitas pessoas a voltarem a
praticar o futebol, seja na tradicional “pelada” de fim de semana, seja no
futebol society. Por ser um esporte intermitente e de alta intensidade,
que combina corridas rápidas, acelerações e mudanças bruscas de direção, a
modalidade exige bastante do sistema cardiovascular, demandando cuidado
especial de quem estava sedentário ou já passou dos 35, 40 anos.
O
cardiologista Breno Giestal, do Alta Diagnósticos, no Rio de Janeiro, destaca
que a avaliação médica deve fazer parte do planejamento de quem deseja retornar
aos gramados.
“A
base para uma prática esportiva segura começa no consultório, por meio da
anamnese – que avalia o histórico familiar e sintomas como falta de ar desproporcional
ou palpitações –, do exame físico e do eletrocardiograma”, orienta Giestal.
De
acordo com a idade do paciente, o histórico e a intensidade do futebol
pretendido, exames adicionais podem ser indicados. “Com base nessa avaliação
inicial, o médico pode solicitar testes complementares, como o teste
ergométrico, a ergoespirometria ou o ecocardiograma, entre outros.”
O
especialista ressalta que as orientações não têm o objetivo de restringir o
esporte, mas, sim, de viabilizá-lo de forma saudável. “O intuito é oferecer
segurança e direcionamento adequado para o início da atividade física ou seu
retorno. Quando bem praticado, o futebol traz excelentes benefícios para o
condicionamento, o controle de peso e a redução do estresse diário. Preparar o
coração antes de exigir o máximo do corpo é a melhor estratégia para jogar com
segurança”, conclui o Dr. Breno.
Nenhum comentário:
Postar um comentário