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terça-feira, 16 de junho de 2026

Condição silenciosa que pode colocar em risco gêmeos idênticos exige diagnóstico especializado e acompanhamento rigoroso

 Sequência Anemia-Policitemia (TAPS) entre gêmeos pode evoluir sem sinais aparentes, traz risco de morte aos bebês e desafia especialistas em medicina fetal em todo o mundo

 

A gestação de gêmeos idênticos que compartilham a mesma placenta, conhecida como gravidez monocoriônica, apresenta desafios únicos para médicos e pacientes. Entre as complicações mais complexas e menos conhecidas está a TAPS (Twin Anemia Polycythemia Sequence) ou Sequência Anemia-Policitemia entre Gêmeos, uma condição rara e potencialmente grave que pode comprometer a saúde dos fetos mesmo na ausência dos sinais clássicos observados em outras complicações gemelares.

A doença ocorre quando pequenos vasos sanguíneos microscópicos presentes na placenta permitem uma transferência lenta, contínua e desigual de sangue entre os fetos. Como resultado, um dos gêmeos torna-se progressivamente anêmico por perder sangue para o irmão, enquanto o outro desenvolve policitemia, caracterizada pelo excesso de glóbulos vermelhos, tornando o sangue mais espesso e dificultando sua circulação.

De acordo com o Prof. Dr. Rodrigo Ruano, uma das maiores referências em Medicina Fetal e Cirurgia Fetal no Brasil e no exterior, especialmente nos Estados Unidos, onde desenvolveu parte significativa de sua carreira acadêmica e assistencial, a TAPS representa um dos maiores desafios diagnósticos das gestações monocoriônicas.

“O grande problema da TAPS é que ela costuma evoluir de forma silenciosa. Diferentemente da Síndrome da Transfusão Feto-Fetal clássica, não existe uma alteração evidente da quantidade de líquido amniótico que chame a atenção durante os exames de rotina. Isso faz com que o diagnóstico dependa de uma vigilância especializada e de exames Doppler realizados por equipes experientes em medicina fetal”, explica o especialista.

Reconhecido internacionalmente por sua contribuição ao desenvolvimento e à introdução de diversas técnicas avançadas de cirurgia fetal minimamente invasiva, o Dr. Rodrigo Ruano destaca que a identificação precoce da condição pode ser determinante para o prognóstico dos bebês.

A TAPS é considerada uma variante da Síndrome da Transfusão Feto-Fetal (TTTS), mas apresenta características muito distintas. Enquanto a TTTS geralmente surge entre a 16ª e a 26ª semana de gestação e provoca diferenças marcantes no volume de líquido amniótico dos fetos, a TAPS frequentemente aparece mais tardiamente, muitas vezes no terceiro trimestre, sem alterações visíveis no líquido amniótico.

Além dos casos espontâneos, a literatura médica demonstra que a condição também pode surgir após procedimentos de laser fetoscópico realizados para tratar a própria Síndrome da Transfusão Feto-Fetal. Estudos internacionais apontam incidência variando entre 2% e 16% após essas intervenções.

O diagnóstico da TAPS é realizado por meio da avaliação Doppler da Artéria Cerebral Média (ACM), um exame ultrassonográfico especializado que mede a velocidade do fluxo sanguíneo cerebral fetal. Quando um dos fetos apresenta anemia, o sangue circula mais rapidamente, enquanto no feto policitêmico o fluxo torna-se mais lento devido ao aumento da viscosidade sanguínea.

Pesquisas publicadas em importantes periódicos científicos internacionais, como Ultrasound in Obstetrics & Gynecology, American Journal of Obstetrics and Gynecology e Prenatal Diagnosis, demonstram que a avaliação da Velocidade Sistólica Máxima da Artéria Cerebral Média tornou-se o método mais eficaz para a identificação precoce da doença, permitindo intervenções antes que ocorram danos permanentes.

Sem tratamento adequado, a TAPS pode provocar anemia fetal grave, insuficiência cardíaca, restrição de crescimento intrauterino, sofrimento fetal, alterações neurológicas, prematuridade e até óbito fetal. Estudos conduzidos por pesquisadores da Universidade de Leiden, na Holanda, considerada um dos principais centros mundiais de pesquisa sobre a doença, mostram que o diagnóstico precoce e o tratamento oportuno reduzem significativamente os riscos de sequelas neurológicas e aumentam as taxas de sobrevivência dos bebês.

Segundo o Prof. Dr. Rodrigo Ruano, o tratamento deve ser individualizado e definido de acordo com a idade gestacional, a gravidade do quadro e as condições clínicas dos fetos.

“Cada caso exige uma análise cuidadosa. Em algumas situações, o monitoramento intensivo e a antecipação do parto podem ser a melhor estratégia. Em outras, podemos lançar mão de procedimentos altamente especializados, como a cirurgia fetoscópica a laser para interromper as conexões vasculares placentárias responsáveis pela transferência desigual de sangue ou, ainda, realizar transfusões sanguíneas intrauterinas para corrigir a anemia do feto doador”, afirma.

Nas últimas décadas, os avanços tecnológicos e o aperfeiçoamento das técnicas de cirurgia fetal revolucionaram o manejo dessas complicações. O próprio Dr. Rodrigo Ruano participou ativamente desse processo, sendo responsável pela introdução e disseminação de importantes procedimentos fetais minimamente invasivos em centros de excelência no Brasil e no exterior.

Para o especialista, o principal desafio continua sendo garantir que toda gestação monocoriônica (gestação gemelar em que os bebês compartilham a mesma placenta) receba acompanhamento adequado desde o início da gravidez.

“A TAPS é uma doença rara, mas suas consequências podem ser extremamente graves quando não diagnosticada. Por isso, toda gestação de gêmeos que compartilham a mesma placenta deve ser acompanhada por profissionais capacitados em medicina fetal. O diagnóstico precoce continua sendo nossa melhor ferramenta para preservar a saúde, o desenvolvimento e a qualidade de vida desses bebês”, conclui o Prof. Dr. Rodrigo Ruano.

Com o avanço das técnicas diagnósticas e terapêuticas, a Medicina Fetal vem ampliando cada vez mais sua capacidade de intervir antes do nascimento, oferecendo novas perspectivas para gestações consideradas de alto risco e reforçando a importância do acompanhamento especializado em centros com experiência no tratamento de doenças fetais complexas. 

 

Prof. Dr. Rodrigo Ruano - obstetra de alto risco, médico, professor e cirurgião materno-fetal com mais de 20 anos de experiência e reconhecimento internacional. É considerado uma das maiores referências mundiais em procedimentos complexos de medicina materno-fetal, tendo atuado em diferentes países da América Latina, Europa e Estados Unidos. É reconhecido como um dos maiores especialistas pioneiros no Brasil no tratamento intrauterino para TAPS e em técnicas como a oclusão traqueal fetal para hérnia diafragmática congênita, além de procedimentos minimamente invasivos para o tratamento de tumores e malformações fetais. Também contribuiu para o avanço da cirurgia endoscópica aplicada a condições graves, como a espinha bífida, e desenvolveu abordagens inovadoras em terapias fetais regenerativas. Sua trajetória o coloca em posição de destaque na medicina fetal global, unindo expertise técnica, pioneirismo e compromisso em ampliar as fronteiras da cirurgia fetal em benefício de mães e bebês.

 

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