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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Andar e parar: o sintoma na panturrilha que as pessoas confundem com cansaço, mas indica artéria entupida

Sentir uma forte cãibra que obriga a interromper a caminhada e passa após alguns minutos de repouso é o principal sinal de alerta da Doença Arterial Periférica; cirurgião explica quando a dor vira caso cirúrgico para evitar a perda do membro. 

 

A cena é comum: durante uma caminhada, a pessoa sente uma dor intensa ou uma espécie de cãibra na panturrilha, precisa parar por alguns minutos e, assim que descansa, consegue seguir o percurso normalmente. O que muitos atribuem apenas ao cansaço ou à falta de condicionamento físico pode, na verdade, ser um dos sinais mais característicos da Doença Arterial Periférica (DAP), condição provocada pelo estreitamento ou obstrução das artérias que levam sangue às pernas.

Estudos brasileiros mostram que a doença é frequentemente subdiagnosticada e pode permanecer silenciosa por anos, aumentando o risco de amputações e de eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC. Em pacientes com diabetes tipo 2, por exemplo, uma pesquisa nacional identificou prevalência de 14,6% da doença, sendo que 75% dos casos não apresentavam sintomas evidentes, o que reforça a importância do diagnóstico precoce.

Segundo o cirurgião vascular e endovascular Dr. Josualdo Euzébio, a chamada claudicação intermitente é um alerta clássico. “O paciente anda alguns metros, sente uma dor forte na panturrilha ou na coxa, precisa parar, espera um pouco e a dor desaparece. Quando volta a caminhar, o sintoma retorna praticamente na mesma distância. Esse padrão é muito sugestivo de um problema na circulação arterial e merece investigação”, explica.

A doença acontece porque placas de gordura vão se acumulando nas paredes das artérias, reduzindo o fluxo sanguíneo para os músculos. Durante o repouso, a necessidade de oxigênio diminui e a dor melhora. Porém, ao retomar a caminhada, o músculo volta a exigir sangue que não consegue chegar em quantidade suficiente.

Entre os principais fatores de risco estão tabagismo, diabetes, hipertensão arterial, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo e histórico familiar de doenças cardiovasculares. O envelhecimento também aumenta significativamente a probabilidade de desenvolver o problema.

“O maior erro é normalizar esse sintoma e achar que faz parte da idade ou do esforço físico. A dor repetitiva durante a caminhada é um mecanismo de defesa do organismo avisando que aquele músculo está sofrendo por falta de irrigação”, destaca o especialista.

Quando identificada nas fases iniciais, a Doença Arterial Periférica pode ser controlada com mudanças no estilo de vida, prática supervisionada de exercícios físicos, interrupção do tabagismo e medicamentos específicos para reduzir o risco cardiovascular. No entanto, quando o estreitamento das artérias evolui, a situação pode exigir intervenção.

“A indicação cirúrgica acontece quando a limitação para caminhar compromete a qualidade de vida ou quando surgem sinais de isquemia crítica, como dor mesmo em repouso, feridas que não cicatrizam ou áreas de necrose. Nesses casos, é preciso restabelecer rapidamente o fluxo sanguíneo para evitar a perda do membro”, afirma Dr. Josualdo.

Os procedimentos podem ser realizados por técnicas minimamente invasivas, como angioplastia com balão e implante de stent, ou por cirurgias de revascularização, dependendo do grau e da localização da obstrução.

O especialista reforça que nenhuma dor recorrente na panturrilha durante a caminhada deve ser ignorada. “Muitas pessoas convivem meses ou anos com esse sintoma acreditando que é apenas uma questão muscular. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de preservar a circulação, evitar complicações graves e manter a qualidade de vida.”

 

Fonte: Dr. Josualdo Euzébio — Cirurgião Vascular e Endovascular.
@dr.josualdo

 

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