Sentir
uma forte cãibra que obriga a interromper a caminhada e passa após alguns
minutos de repouso é o principal sinal de alerta da Doença Arterial Periférica;
cirurgião explica quando a dor vira caso cirúrgico para evitar a perda do
membro.
A cena é comum: durante uma caminhada, a pessoa sente uma
dor intensa ou uma espécie de cãibra na panturrilha, precisa parar por alguns
minutos e, assim que descansa, consegue seguir o percurso normalmente. O que
muitos atribuem apenas ao cansaço ou à falta de condicionamento físico pode, na
verdade, ser um dos sinais mais característicos da Doença Arterial Periférica
(DAP), condição provocada pelo estreitamento ou obstrução das artérias que
levam sangue às pernas.
Estudos brasileiros mostram que a doença é frequentemente
subdiagnosticada e pode permanecer silenciosa por anos, aumentando o risco de
amputações e de eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC. Em
pacientes com diabetes tipo 2, por exemplo, uma pesquisa nacional identificou
prevalência de 14,6% da doença, sendo que 75% dos casos não apresentavam
sintomas evidentes, o que reforça a importância do diagnóstico precoce.
Segundo o cirurgião vascular e endovascular Dr. Josualdo
Euzébio, a chamada claudicação intermitente é um alerta clássico. “O paciente
anda alguns metros, sente uma dor forte na panturrilha ou na coxa, precisa
parar, espera um pouco e a dor desaparece. Quando volta a caminhar, o sintoma
retorna praticamente na mesma distância. Esse padrão é muito sugestivo de um
problema na circulação arterial e merece investigação”, explica.
A doença acontece porque placas de gordura vão se acumulando
nas paredes das artérias, reduzindo o fluxo sanguíneo para os músculos. Durante
o repouso, a necessidade de oxigênio diminui e a dor melhora. Porém, ao retomar
a caminhada, o músculo volta a exigir sangue que não consegue chegar em
quantidade suficiente.
Entre os principais fatores de risco estão tabagismo,
diabetes, hipertensão arterial, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo e
histórico familiar de doenças cardiovasculares. O envelhecimento também aumenta
significativamente a probabilidade de desenvolver o problema.
“O maior erro é normalizar esse sintoma e achar que faz
parte da idade ou do esforço físico. A dor repetitiva durante a caminhada é um
mecanismo de defesa do organismo avisando que aquele músculo está sofrendo por
falta de irrigação”, destaca o especialista.
Quando identificada nas fases iniciais, a Doença Arterial
Periférica pode ser controlada com mudanças no estilo de vida, prática
supervisionada de exercícios físicos, interrupção do tabagismo e medicamentos
específicos para reduzir o risco cardiovascular. No entanto, quando o
estreitamento das artérias evolui, a situação pode exigir intervenção.
“A indicação cirúrgica acontece quando a limitação para
caminhar compromete a qualidade de vida ou quando surgem sinais de isquemia
crítica, como dor mesmo em repouso, feridas que não cicatrizam ou áreas de
necrose. Nesses casos, é preciso restabelecer rapidamente o fluxo sanguíneo
para evitar a perda do membro”, afirma Dr. Josualdo.
Os procedimentos podem ser realizados por técnicas
minimamente invasivas, como angioplastia com balão e implante de stent, ou por
cirurgias de revascularização, dependendo do grau e da localização da
obstrução.
O especialista reforça que nenhuma dor recorrente na
panturrilha durante a caminhada deve ser ignorada. “Muitas pessoas convivem
meses ou anos com esse sintoma acreditando que é apenas uma questão muscular.
Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de preservar a circulação,
evitar complicações graves e manter a qualidade de vida.”
@dr.josualdo
Nenhum comentário:
Postar um comentário