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As brasileiras recorrem cada vez mais ao congelamento de óvulos
para garantir maiores chances de engravidar na idade em que se sentirem prontas
para ter filhos, sem depender do relógio biológico. Dados da Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa) revelam crescimento de 136,7% no congelamento de
óvulos nos últimos cinco anos no país.
Em 2020, foram realizados 7.872 ciclos, que consistem na
estimulação dos ovários para produção de múltiplos óvulos, seguida pela coleta
e criopreservação dessas células para uso futuro. Já em 2025, o registro é de
18.631 ciclos. “Isso mostra uma mudança cultural: a fertilidade começa a deixar
de ser uma preocupação apenas de quem está tentando engravidar no momento e
passa a fazer parte do planejamento de vida de mulheres que desejam manter
aberta a possibilidade de ter filhos no futuro, com mais independência em
relação à idade”, comenta Dr. Edward Carrilho, gestor médico da Clínica
Fertility/Fertgroup.
Durante o Junho Laranja, campanha de
conscientização sobre infertilidade, o especialista destaca três informações
essenciais para a saúde reprodutiva das mulheres:
1. Planejamento reprodutivo não significa decidir
imediatamente quando se terá filhos
A decisão de quando ser mãe depende de fatores que mudam ao longo
da vida, como relacionamentos, carreira, estabilidade financeira e projetos
pessoais. No entanto, a avaliação da fertilidade não precisa esperar essa
definição.“O planejamento reprodutivo não envolve necessariamente decidir
quando se terá filhos. Trata-se de conhecer a condição reprodutiva atual e usar
as estratégias mais adequadas para cuidar da saúde e preservar possibilidades
para o futuro”, ressalta Carrilho.
Com consultas anuais ao ginecologista, é possível, por exemplo,
identificar precocemente fatores que possam comprometer a fertilidade, como
endometriose e síndrome dos ovários policísticos. Quanto mais cedo essas
alterações são identificadas, mais amplas são as possibilidades de tratamento.
2. É essencial realizar exames para avaliação da reserva
ovariana
A dosagem do hormônio antimülleriano (AMH) no sangue e a ultrassonografia transvaginal permitem avaliar se a reserva ovariana, que corresponde ao estoque de óvulos existente nos ovários, está compatível com a idade. “Com os resultados, o ginecologista pode definir, juntamente com a paciente, estratégias de planejamento reprodutivo, como antecipar a tentativa de gravidez, intensificar o acompanhamento médico ou considerar a preservação da fertilidade por meio do congelamento de óvulos”, diz Carrilho. O médico ressalta que essas avaliações ajudam a estimar a quantidade de óvulos, mas não são capazes de medir diretamente sua qualidade, que está fortemente relacionada à idade.
3. Quanto mais cedo for realizado o congelamento de óvulos, melhor
A mulher nasce com todos os óvulos que terá ao longo da vida, e
essas células envelhecem junto com ela. Com o avanço da idade, aumentam as
alterações cromossômicas nos óvulos, reduzindo as chances de formação de
embriões saudáveis. “Quando o congelamento é realizado em idades mais jovens,
preferencialmente antes dos 35 anos, os óvulos preservados tendem a apresentar
melhor potencial reprodutivo. Além disso, geralmente é possível obter um número
maior de óvulos viáveis em menos ciclos de estimulação e coleta”, explica
Carrilho.

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