Procedimento é um dos principais tratamentos para a obesidade severa ou mórbida
A cirurgia bariátrica deixou de ser encarada apenas como um
recurso para redução de peso e passou a ser reconhecida como uma ferramenta
relevante no tratamento da obesidade e das comorbidades relacionadas ao excesso
de peso. Além da diminuição do peso corporal, o procedimento contribui
diretamente para o controle de condições como diabetes tipo 2, hipertensão arterial,
apneia obstrutiva do sono, dislipidemia e problemas articulares, melhorando
significativamente a qualidade de vida do paciente.
Mas, afinal, o que é a cirurgia bariátrica, quem
pode fazer e quais técnicas estão disponíveis? Para esclarecer essas questões,
o Dr. Sansiro de Brito, gastroenterologista do dr.consulta, explica o conceito,
os preparos necessários e os principais tipos. Confira:
O que é a cirurgia bariátrica?
A cirurgia bariátrica consiste em procedimentos realizados
no sistema digestivo para auxiliar no tratamento da obesidade e doenças
metabólicas. Dependendo da técnica utilizada, ela pode reduzir a capacidade do
estômago, diminuir de forma controlada a absorção de calorias ou combinar os
dois mecanismos. O objetivo vai além da perda de peso: a cirurgia também atua
no controle metabólico e hormonal, ajudando na melhora de doenças associadas e
na redução do risco cardiovascular.
Por isso, a bariátrica deve ser entendida como
parte de um tratamento contínuo, que envolve acompanhamento médico,
nutricional, psicológico e mudanças permanentes no estilo de vida.
Quando a cirurgia bariátrica é indicada?
Segundo as diretrizes internacionais atualizadas da
Sociedade Americana de Cirurgia Metabólica e Bariátrica (ASMBS) e da Federação
Internacional para Cirurgia da Obesidade e Distúrbios Metabólicos (IFSO), a
cirurgia pode ser indicada para pessoas com:
- IMC entre 30 e 34,9 kg/m² com doenças metabólicas, especialmente diabetes tipo 2;
- IMC entre 35 e 39,9 kg/m², com doenças associadas;
- IMC ≥40 kg/m², com ou sem
doenças associadas;
- Dificuldade persistente de perder peso com o tratamento clínico convencional.
- IMC=peso (kg)/ altura (m) ²
Entre as principais doenças relacionadas à obesidade que podem
justificar a indicação cirúrgica estão:
- Diabetes tipo 2;
- Hipertensão arterial;
- Apneia obstrutiva do sono;
- Esteatose hepática (gordura no fígado);
- Síndrome metabólica;
- Colesterol elevado;
- Dores articulares importantes, como artrose nos joelhos e
quadril e hérnia de disco.
Também é necessário que o paciente esteja apto para o procedimento e comprometido com as mudanças exigidas no pós-operatório.
Quando a cirurgia não é recomendada?
Existem situações em que a bariátrica pode não ser
indicada ou exigir uma avaliação mais criteriosa, tais como:
- Dependência ativa de álcool ou drogas;
- Doença cardíaca grave descompensada;
- Cirrose avançada com hipertensão portal;
- Câncer ativo;
- Doenças pulmonares graves;
- Transtornos psiquiátricos sem controle adequado;
- Gravidez ou intenção de engravidar em curto prazo.
Por isso, todo candidato ao procedimento passa por uma avaliação médica completa e acompanhamento transdisciplinar.
Como funciona o preparo e a realização da cirurgia?
Antes do procedimento, o paciente passa por uma
avaliação transdisciplinar que visa compreender seu estado de saúde geral,
identificar riscos e preparar o corpo e a mente para as mudanças
pós-cirúrgicas. Essa etapa costuma incluir consultas com:
- Cirurgião bariátrico
- Endocrinologista
- Nutricionista
- Psicólogo ou psiquiatra
- Cardiologista
Também são solicitados exames fundamentais para garantir a segurança do processo, como exames laboratoriais, endoscopia digestiva, ultrassom abdominal, avaliação cardíaca, investigação de apneia do sono e outros.
Principais tipos de cirurgia bariátrica
Atualmente, os procedimentos mais realizados no
mundo são o sleeve gástrico (gastrectomia vertical) e o bypass
gástrico em Y de Roux. Ambos são feitos de forma minimamente invasiva por
videolaparoscopia e apresentam excelentes resultados na perda de peso e na melhora
metabólica. A escolha da melhor técnica depende de fatores individuais, como o
histórico clínico do paciente, presença de refluxo gastroesofágico, diabetes
tipo 2, hábitos alimentares, risco cirúrgico e a avaliação detalhada da equipe
transdisciplinar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário