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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Bariátrica: entenda quando ela é indicada e como é realizada

Procedimento é um dos principais tratamentos para a obesidade severa ou mórbida 

A cirurgia bariátrica deixou de ser encarada apenas como um recurso para redução de peso e passou a ser reconhecida como uma ferramenta relevante no tratamento da obesidade e das comorbidades relacionadas ao excesso de peso. Além da diminuição do peso corporal, o procedimento contribui diretamente para o controle de condições como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, apneia obstrutiva do sono, dislipidemia e problemas articulares, melhorando significativamente a qualidade de vida do paciente.

Mas, afinal, o que é a cirurgia bariátrica, quem pode fazer e quais técnicas estão disponíveis? Para esclarecer essas questões, o Dr. Sansiro de Brito, gastroenterologista do dr.consulta, explica o conceito, os preparos necessários e os principais tipos. Confira:



O que é a cirurgia bariátrica?

A cirurgia bariátrica consiste em procedimentos realizados no sistema digestivo para auxiliar no tratamento da obesidade e doenças metabólicas. Dependendo da técnica utilizada, ela pode reduzir a capacidade do estômago, diminuir de forma controlada a absorção de calorias ou combinar os dois mecanismos. O objetivo vai além da perda de peso: a cirurgia também atua no controle metabólico e hormonal, ajudando na melhora de doenças associadas e na redução do risco cardiovascular.

Por isso, a bariátrica deve ser entendida como parte de um tratamento contínuo, que envolve acompanhamento médico, nutricional, psicológico e mudanças permanentes no estilo de vida.



Quando a cirurgia bariátrica é indicada?

Segundo as diretrizes internacionais atualizadas da Sociedade Americana de Cirurgia Metabólica e Bariátrica (ASMBS) e da Federação Internacional para Cirurgia da Obesidade e Distúrbios Metabólicos (IFSO), a cirurgia pode ser indicada para pessoas com:

  • IMC entre 30 e 34,9 kg/m² com doenças metabólicas, especialmente diabetes tipo 2;
  • IMC entre 35 e 39,9 kg/m², com doenças associadas;
  • IMC ≥40 kg/m², com ou sem doenças associadas;
  • Dificuldade persistente de perder peso com o tratamento clínico convencional.
  • IMC=peso (kg)/ altura (m) ²

Entre as principais doenças relacionadas à obesidade que podem justificar a indicação cirúrgica estão:

  • Diabetes tipo 2;
  • Hipertensão arterial;
  • Apneia obstrutiva do sono;
  • Esteatose hepática (gordura no fígado);
  • Síndrome metabólica;
  • Colesterol elevado;
  • Dores articulares importantes, como artrose nos joelhos e quadril e hérnia de disco.

Também é necessário que o paciente esteja apto para o procedimento e comprometido com as mudanças exigidas no pós-operatório.



Quando a cirurgia não é recomendada?

Existem situações em que a bariátrica pode não ser indicada ou exigir uma avaliação mais criteriosa, tais como:

  • Dependência ativa de álcool ou drogas;
  • Doença cardíaca grave descompensada;
  • Cirrose avançada com hipertensão portal;
  • Câncer ativo;
  • Doenças pulmonares graves;
  • Transtornos psiquiátricos sem controle adequado;
  • Gravidez ou intenção de engravidar em curto prazo.

Por isso, todo candidato ao procedimento passa por uma avaliação médica completa e acompanhamento transdisciplinar.



Como funciona o preparo e a realização da cirurgia?

Antes do procedimento, o paciente passa por uma avaliação transdisciplinar que visa compreender seu estado de saúde geral, identificar riscos e preparar o corpo e a mente para as mudanças pós-cirúrgicas. Essa etapa costuma incluir consultas com:

  • Cirurgião bariátrico
  • Endocrinologista
  • Nutricionista
  • Psicólogo ou psiquiatra
  • Cardiologista

Também são solicitados exames fundamentais para garantir a segurança do processo, como exames laboratoriais, endoscopia digestiva, ultrassom abdominal, avaliação cardíaca, investigação de apneia do sono e outros.



Principais tipos de cirurgia bariátrica

Atualmente, os procedimentos mais realizados no mundo são o sleeve gástrico (gastrectomia vertical) e o bypass gástrico em Y de Roux. Ambos são feitos de forma minimamente invasiva por videolaparoscopia e apresentam excelentes resultados na perda de peso e na melhora metabólica. A escolha da melhor técnica depende de fatores individuais, como o histórico clínico do paciente, presença de refluxo gastroesofágico, diabetes tipo 2, hábitos alimentares, risco cirúrgico e a avaliação detalhada da equipe transdisciplinar.


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