Condições estão associadas a risco aumentado de
demência, depressão e declínio funcional, especialmente em idosos
A perda auditiva e o zumbido afetam milhões de brasileiros e representam um importante desafio para a saúde pública. A prevalência global do zumbido, por exemplo, é de 14,4% entre os adultos, afetando mais de 740 de pessoas em todo o mundo. Já o zumbido grave afeta 2,3% dos adultos, o que representa mais de 120 milhões de pessoas. Os dados são do periódico científico JAMA Neurology, publicados em 2022.
De acordo com o otorrinolaringologista, Dr. Francis Gutierrez, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) e professor do Instituto de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da UNICAMP (IOU-UNICAMP), as causas da perda auditiva variam conforme a idade. No caso das crianças, ele explica que as principais causas são as infecções de ouvido, fatores genéticos e algumas infecções adquiridas durante a gestação. Já nos jovens e adultos, o grande vilão, atualmente, é o ruído, especialmente pela exposição excessiva a fones de ouvido em volume alto e ambientes de trabalho barulhentos. “Nos idosos, o principal fator é o envelhecimento natural do sistema auditivo, agravado por doenças como diabetes e hipertensão, e por toda uma vida de exposição ao ruído”, revela o médico, que foi o fundador do primeiro Ambulatório de Otorrinogeriatria universitário do Brasil.
Embora a perda
auditiva possa ocorrer em qualquer fase da vida, ela se torna mais frequente
após os 60 anos, tornando-se um problema de saúde pública cada vez mais
relevante diante do envelhecimento da população brasileira. Entre os sinais de
alerta, Dr. Gutierrez cita a dificuldade para entender conversas, a necessidade
frequente de pedir repetição, o aumento excessivo do volume da televisão e os
problemas para compreender as ligações telefônicas. “Com os idosos, os
familiares costumam perceber o problema antes do próprio paciente.”
Muito além da
audição
A perda auditiva não tratada pode provocar isolamento social, ansiedade, depressão e prejuízos profissionais. Na população 60+, o quadro pode ser ainda mais preocupante, pois existe uma associação bem estabelecida entre perda auditiva não tratada e maior risco de desenvolver demência, incluindo a doença de Alzheimer. “Além disso, a perda auditiva contribui para quedas e para o declínio funcional, comprometendo a autonomia da pessoa idosa”, diz.
Já o zumbido,
caracterizado pela percepção de sons sem uma fonte externa, como apitos,
chiados ou sons semelhantes a cigarra, é um sintoma frequentemente associado a
alterações auditivas. O professor explica que ele surge quando há algum dano
nas células auditivas do ouvido interno, fazendo com que o sistema nervoso gere
uma atividade que o cérebro interpreta como som. “Além do desconforto auditivo,
o problema pode causar insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração,
ansiedade e depressão. Em situações mais graves, pode se tornar incapacitante.”
Prevenção e
tratamento
A principal
recomendação para prevenir tanto a perda auditiva quanto o zumbido é evitar a
exposição excessiva ao ruído. O uso consciente de fones de ouvido, a proteção
auricular em ambientes barulhentos e o tratamento adequado de infecções de ouvido
são medidas fundamentais. De acordo com o otorrinolaringologista, apesar de nem
todos os casos terem cura, há tratamentos eficazes, como o uso do AASI
(Aparelho de Amplificação Sonora Individual) para pacientes 60+. “`Perda
auditiva e zumbido têm tratamento. Quanto mais cedo a pessoa busca avaliação
especializada, melhores são os resultados”, conclui o especialista.
Associação
Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial - ABORL-CCF
Nenhum comentário:
Postar um comentário