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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Dor crônica no sexo é confundida com fim da libido na maturidade

 Falta de informação faz mulheres aceitarem o isolamento afetivo como parte do envelhecimento, ignorando disfunções físicas tratáveis em consultório.

 

A diminuição do desejo sexual após os 40 anos é uma queixa frequente entre as mulheres, mas nem sempre a libido é a verdadeira responsável pelo afastamento da vida íntima. Em muitos casos, o que leva ao desinteresse é a dor durante a relação sexual, um sintoma que costuma surgir com a chegada da menopausa e do climatério e que, por desconhecimento, acaba sendo encarado como uma consequência inevitável do envelhecimento.

Segundo estimativas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), cerca de metade das mulheres na pós-menopausa apresenta sintomas relacionados à síndrome geniturinária da menopausa, que inclui ressecamento vaginal, perda de elasticidade dos tecidos, irritação, sensação de queimação e dor durante o sexo. Apesar do impacto direto na qualidade de vida e nos relacionamentos, muitas deixam de buscar ajuda por vergonha ou por acreditar que “é normal da idade”.

Para a ginecologista e pós-doutora Alessandra Clarizia, sócia da Clarizia Saúde da Mulher e especialista em ginecologia regenerativa, esse pensamento contribui para um ciclo silencioso de sofrimento. “Muitas pacientes chegam ao consultório dizendo que perderam a libido, mas, na verdade, desenvolveram um mecanismo de defesa para evitar a dor. Quando a relação passa a ser associada ao desconforto, o cérebro naturalmente reduz o interesse sexual como forma de proteção”, explica.

Além das alterações hormonais, fatores como enfraquecimento da musculatura do assoalho pélvico, cicatrizes, tensão muscular e disfunções ginecológicas podem contribuir para o surgimento da dor. Felizmente, boa parte desses quadros possui tratamento, que pode envolver fisioterapia pélvica, terapias regenerativas, ajustes hormonais quando indicados e mudanças no estilo de vida.

“A mulher não precisa aceitar a dor como parte do envelhecimento. Hoje contamos com recursos que promovem melhora da lubrificação, recuperação da saúde íntima e fortalecimento da musculatura pélvica, permitindo que ela volte a viver sua sexualidade com conforto e confiança”, destaca Dra. Alessandra.

Outro problema frequente é o impacto emocional causado pelo afastamento da vida sexual. Muitas mulheres passam a evitar momentos de intimidade, sentem culpa, insegurança ou acreditam que perderam definitivamente sua feminilidade. Isso pode afetar a autoestima, os relacionamentos e até favorecer quadros de ansiedade e depressão.

Segundo a especialista, romper esse tabu é fundamental para que mais pacientes procurem atendimento. “O sofrimento silencioso é muito comum porque ainda existe a ideia de que falar sobre sexualidade na maturidade é um assunto proibido. Mas a saúde íntima faz parte da qualidade de vida e merece a mesma atenção que qualquer outra área da saúde.”

Ela reforça que a prevenção também desempenha papel importante. Consultas ginecológicas regulares permitem identificar alterações precocemente e iniciar tratamentos antes que a dor se torne um fator limitante para a vida afetiva e sexual.

“Envelhecer não significa abrir mão do prazer ou da intimidade. A menopausa marca uma nova fase da vida, mas não precisa ser acompanhada de dor ou isolamento. Com informação e tratamento adequado, é possível recuperar o bem-estar e resgatar uma vivência saudável da sexualidade”, conclui. 


Fonte: Dra. Alessandra Clarizia - Ginecologista e pós-doutora, expert em ginecologia regenerativa e sócia da Clarizia Saúde da Mulher.

 

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