Especialista
alerta que a ausência de cuidado bucal pode agravar quadros clínicos, prolongar
internações e aumentar a pressão sobre o sistema de saúde
A falta de cuidado com a saúde bucal durante
internações hospitalares ainda representa um risco subestimado dentro da
assistência à saúde, apesar de protocolos clínicos já reconhecerem sua relação
com a prevenção de infecções respiratórias graves, como a pneumonia associada à
ventilação mecânica. Antes com 11,3% em 2012, as pessoas com 60 anos ou mais
agora já representam 16,6% da população brasileira em 2025, segundo dados do
IBGE divulgados em 2026, avanço que reforça a necessidade de cuidados contínuos
e de uma assistência mais integrada para pacientes com maior fragilidade
clínica.
Para a cirurgiã dentista Dra. Cristiane
Vasconcellos, mestre em Clínica Odontológica Integrada e
diretora da Odontolar, clínica com atuação em odontogeriatria, home care
e odontologia hospitalar em Vitória, a negligência com a saúde bucal dentro de
hospitais ainda representa uma falha estrutural na assistência. Informações
institucionais da especialista constam no material de referência fornecido . “A
boca é porta de entrada para bactérias. Quando não existe acompanhamento
adequado, especialmente em pacientes fragilizados, o risco clínico aumenta de
forma importante e pode impactar diretamente a recuperação”, afirma.
Pacientes idosos, acamados, pessoas com deficiência
e indivíduos em unidades de terapia intensiva estão entre os mais vulneráveis.
A redução da salivação, a dificuldade de higienização, o uso contínuo de
medicamentos e a própria condição clínica favorecem a proliferação bacteriana
na cavidade oral, elevando o risco de complicações sistêmicas.
“Quando a saúde bucal é ignorada, a equipe pode
estar deixando de atuar sobre um foco infeccioso importante. Isso pode
prolongar internações, favorecer infecções respiratórias, agravar doenças de
base e aumentar o risco de complicações clínicas que exigem cuidados
intensivos, especialmente entre idosos e pacientes acamados”, afirma Cristiane.
O custo clínico de ignorar a
saúde bucal
A discussão ultrapassa a odontologia e alcança a
gestão hospitalar. Além do impacto direto sobre a recuperação do paciente,
complicações infecciosas associadas à falta de cuidado bucal podem prolongar o
tempo de internação, aumentar a necessidade de antibióticos, intensificar a
demanda por suporte intensivo e elevar custos assistenciais que poderiam ser
reduzidos com medidas preventivas incorporadas à rotina hospitalar.
Para a especialista, a odontologia hospitalar ainda
enfrenta barreiras de integração em muitas instituições e planos de saúde,
apesar da evolução do debate técnico. “Ainda existe uma percepção equivocada de
que o cuidado odontológico é complementar. Em muitos casos, ele é parte da
prevenção clínica. A saúde bucal precisa estar integrada ao plano terapêutico
sistêmico, não ser lembrada apenas quando surge uma intercorrência.”
O avanço da longevidade reforça essa necessidade. O
hospital recebe hoje pacientes mais idosos, com múltiplas comorbidades e maior
vulnerabilidade clínica, o que exige uma atuação multiprofissional mais
estruturada. “A mudança demográfica já alterou o perfil assistencial. Quando
falamos de pacientes mais frágeis, qualquer foco infeccioso negligenciado pode
ter impacto relevante na evolução clínica”, afirma Cristiane.
Cristiane Vasconcellos - cirurgiã-dentista, mestre em Clínica Odontológica Integrada e diretora clínica da Odontolar, em Vitória (ES). Atua há mais de duas décadas no atendimento odontológico voltado à idosos, pessoas com deficiência e pacientes com mobilidade reduzida, com foco em atendimentos hospitalares, em instituições geriátricas e atendimento domiciliares. Ao longo da carreira, consolidou sua atuação no Espírito Santo levando estrutura clínica e tecnologia até a casa de pacientes que não conseguem se deslocar até os consultórios odontológicos.Especialista em Geriatria e Gerontologia, Odontogeriatria, Odontologia Hospitalar, Laserterapia, Prótese Dentária e Saúde Coletiva, dedica sua prática à integração entre saúde bucal, qualidade de vida e cuidado humanizado nesse tipo de pacientes.
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Fontes utilizadas:
IBGE (PNAD Contínua e envelhecimento populacional 2025)
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/17270-pnad-continua.html
Agência Brasil com dados consolidados do IBGE sobre envelhecimento populacional https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-04/populacao-no-brasil-cresce-em-ritmo-menor-e-esta-envelhecendo
Anvisa — Protocolo de prevenção de pneumonia associada à ventilação mecânica
https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/publicacoes/protocolo-de-prevencao-de-pneumonia-associada-a-ventilacao-mecanica.pdf
FIOCRUZ — infecções relacionadas à assistência à saúde e segurança do paciente
https://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/manuais/seguranca%20e%20saude%20no%20trabalho/SAUDE%20DO%20PACIENTE.pdf
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