Pesquisar no Blog

terça-feira, 16 de junho de 2026

Copa do Mundo e enxaqueca: entenda por que grandes eventos podem desencadear crises

Especialista alerta para a soma de gatilhos emocionais, comportamentais e ambientais em períodos de grandes competições esportivas


Às vésperas da maior competição de futebol do mundo, vários fatores comuns aos grandes eventos podem funcionar como gatilhos para enxaqueca em pessoas suscetíveis. O estresse emocional causado pela ansiedade antes dos jogos, a tensão durante as partidas e até mesmo a “queda” da euforia após o apito final, podem desencadear crises em pessoas que não estão com a doença controlada. 

Alterações na rotina, especialmente nos padrões de sono, ocasionadas por ficar acordado até tarde para assistir aos jogos, o consumo de bebidas alcoólicas, frequentemente associado a celebrações, e de alimentos potencialmente estimulantes, como embutidos, produtos ultraprocessados e itens que contêm determinados aditivos alimentares, também podem favorecer as crises de enxaqueca. 

Além disso, o barulho intenso da torcida, a exposição prolongada a telas e os estímulos visuais produzidos pelas luzes brilhantes e piscantes dos telões aumentam a sensibilidade de pessoas que já têm o cérebro hiperexcitado, característico da enxaqueca. 

Pular refeições ou se alimentar em horários irregulares, um hábito comum quando a atenção está voltada para os jogos, também pode favorecer o desencadeamento de crises. Outro fator importante é a desidratação, que pode ocorrer tanto pela ingestão insuficiente de água quanto pelo consumo de bebidas alcoólicas, frequentemente presentes em encontros e celebrações relacionados às partidas. 

A neurologista Thais Villa, especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, explica que essas situações podem ser particularmente problemáticas para quem sofre com a doença, mesmo quando cada fator, isoladamente, não costuma ser suficiente para desencadear sintomas. 

A médica destaca ainda um fenômeno conhecido como “dor de cabeça de fim de estresse” (let-down headache), em que as crises não surgem durante o período de maior tensão emocional, mas logo depois, quando ocorre uma queda dos níveis de excitação e alerta do organismo. 

“É importante lembrar que os gatilhos variam bastante entre os indivíduos. O que desencadeia crises em uma pessoa pode não ter efeito em outra”, ressalta. 

A enxaqueca é uma condição neurológica complexa, incapacitante e muitas vezes invisível. Para milhões de pessoas no mundo, grandes eventos sempre foram sinônimo de risco, afastamento e limitação porque elas passaram a vida toda sem o diagnóstico e tratamento adequados. A enxaqueca não tem cura mas, controlada, possibilita ao paciente viver sem dores de cabeça e outros sintomas associados, ampliando, de forma significativa, a qualidade de vida. 

Para o controle eficaz da doença, Thais recomenda uma abordagem multidisciplinar e integrada, que combina acompanhamento médico especializado com mudanças consistentes na rotina e no estilo de vida do paciente. 

“O Tratamento 360º, que respeita as particularidades de cada paciente e utiliza recursos modernos como a toxina botulínica, é o que há de mais moderno no manejo da enxaqueca. A aplicação do botox nos nervos envolvidos bloqueia a liberação de mediadores químicos responsáveis pela transmissão da dor e da inflamação, reduzindo a excitabilidade cerebral. Outro recurso são os anti-CGRP, medicamentos injetáveis com anticorpos monoclonais que têm se mostrado altamente eficazes no controle da doença”, detalha a médica.  



Dra Thaís Villa (CRM 110217) - Médica neurologista especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca. Fundadora do Headache Center Brasil, clínica multiprofissional pioneira e única no país no diagnóstico e tratamento integrado das dores de cabeça e da enxaqueca. Neurologista com Doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Pós-Doutorado pela Universidade da Califórnia (UCLA) nos Estados Unidos. Professora de Neurologia e Chefe do Setor de Cefaleias na UNIFESP (2015 a 2022). Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia. Membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Membro do Conselho Consultivo do Comitê de Cefaleias na Infância e Adolescência da International Headache Society. Atua exclusivamente na pesquisa e atendimento de pacientes com dor de cabeça, no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, enxaqueca crônica, cefaleia em salvas e outras cefaleias. Palestrante convidada em congressos nacionais e internacionais.


Headache Center Brasil
www.headachecenterbrasil.com.br
Instagram: headache_center_brasil



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados