Estudo internacional aponta que uma nova terapia pode reduzir em mais de 60% do risco de recorrência do câncer espinocelular de pele
Responsável por cerca de 30% de todos
os tumores malignos registrados no país, o câncer de pele não melanoma deverá
registrar aproximadamente 263 mil novos casos por ano no Brasil entre 2026 e
2028, segundo
estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA)¹. O Dia Global de Conscientização
sobre o Câncer de Pele Não Melanoma, que foi celebrado em 13 de junho, reforça
a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e dos avanços terapêuticos
para enfrentar a doença mais incidente entre os brasileiros.
No cenário científico do Carcinoma Espinocelular
Cutâneo (CEC), também conhecido como carcinoma epidermóide, segundo tipo de
câncer de pele mais comum, passou por uma importante transformação nos últimos
anos. Antes marcada pela escassez de evidências clínicas, a área agora dispõe de
três grandes estudos prospectivos com um número significativo de pacientes,
fortalecendo o conhecimento sobre a doença e abrindo caminho para novas
abordagens de tratamento.
Entre os avanços mais relevantes está o estudo
pivotal de fase III C-POST, que avaliou pacientes com
carcinoma espinocelular cutâneo de alto risco após cirurgia e radioterapia. Os
resultados reforçam o potencial da imunoterapia no tratamento da doença em
estágios mais precoces. O estudo investigou o uso adjuvante de Libtayo² (cemiplimabe), medicamento aprovado
pela Anvisa em janeiro de 2026³. No Brasil, o tratamento é
comercializado pela farmacêutica Adium, companhia com atuação em mais de 18 países
da América Latina e presença crescente na área de oncologia.
Os resultados demonstraram que o uso adjuvante de cemiplimabe
reduziu em 68% o risco de recorrência da doença ou morte quando
comparado ao placebo (HR: 0,32; IC95%: 0,20–0,51; pNew England
Journal of Medicine⁴ e apresentados durante o congresso anual da American
Society of Clinical Oncology (ASCO) em 2025.
"A resposta do estudo C-POST representa um marco
importante para os pacientes. Estamos falando de uma redução expressiva do
risco de recorrência, reforçando o papel crescente da imunoterapia também em
estágios mais precoces", destaca o Dr. Rodrigo Munhoz, oncologista clínico e
presidente do Grupo Brasileiro de Melanoma.
Segundo o especialista, a doença exige atenção, já
que o atraso no tratamento pode resultar em mutilações e impactar
significativamente a qualidade de vida dos pacientes. "O câncer de pele
não melanoma apresenta altas chances de cura quando diagnosticado precocemente.
A informação, a prevenção e o acesso às novas opções terapêuticas são pilares
fundamentais para melhorar os resultados dos pacientes", afirma o médico.
Confira abaixo cinco dicas do Dr. Rodrigo Munhoz para
prevenir o câncer de pele:
1. Utilize protetor solar diariamente
A aplicação deve ser feita mesmo em dias nublados,
com reaplicação ao longo do dia, especialmente durante atividades ao ar livre.
2. Evite exposição solar nos horários de maior intensidade
Entre 10h e 16h, a radiação ultravioleta atinge
níveis mais elevados, aumentando os danos à pele.
3. Adote barreiras físicas de proteção
Chapéus de abas largas, roupas com proteção UV,
óculos escuros e guarda-sóis complementam a proteção solar.
4. Observe sinais e alterações na pele
Feridas que não cicatrizam, manchas que crescem ou
lesões que mudam de aspecto devem ser avaliadas por um dermatologista.
5. Realize acompanhamento médico regular
Pessoas com histórico de exposição solar intensa, pele
clara, idade avançada ou antecedentes de câncer de pele devem realizar
avaliações periódicas.
Referências:
1.BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional
do Câncer (INCA). Câncer de pele representa 30% de todos os tumores malignos
registrados no país. Brasília, DF, 2025. Disponível em: Link. Acesso em: 06/06/2026.
2.ADIUM BRASIL. Bula do Libtayo® (cemiplimabe). São Paulo, 2024. Disponível em: Link. Acesso em: 06/01/2026
3.BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução RE nº 5.268, de 30 de dezembro de 2025. Aprova petições relacionadas à Gerência-Geral de Produtos Biológicos, Radiofármacos, Sangue, Tecidos, Células, Órgãos e Produtos de Terapias Avançadas – 77A. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 5 jan. 2026, p. 46. Disponível em: Link. Acesso em: 06/06/2026.
4.RISCHIN, D.; PORCEDDU, S.; DAY, F.; et al.
Adjuvant cemiplimab or placebo in high-risk cutaneous squamous-cell carcinoma.
The New England Journal of Medicine, v. 393, n. 8, p. 774–785, 21 Aug. 2025.
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