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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Proposta inédita busca viabilizar Wegovy no SUS para pacientes com obesidade e alto risco cardiovascular

Nova submissão à CONITEC prioriza pacientes de maior gravidade e combina evidência clínica com proposta econômica voltada à sustentabilidade do sistema público 

 

A Novo Nordisk protocolou junto à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) uma nova proposta para a incorporação de Wegovy (semaglutida biológica original injetável). O pleito inclui um desconto de 59% para o governo e uma análise econômica alinhada aos critérios de custo-efetividade do Ministério da Saúde, buscando viabilizar o acesso sustentável ao tratamento no SUS. 

Diferente da submissão anterior, a iniciativa prioriza pacientes com obesidade que já sofreram infarto, focando na prevenção de novos eventos cardiovasculares graves. A abordagem busca direcionar o tratamento para uma população de maior risco clínico e maior impacto potencial para o sistema de saúde. 

O embasamento científico inclui dados do estudo clínico SELECT¹, que demonstraram uma redução de 20% no risco de morte cardiovascular, infarto e AVC, em pacientes com sobrepeso ou obesidade, sem diabetes, mas com doença cardiovascular estabelecida. 

“Trata-se de uma iniciativa voltada a pacientes de alto risco, com potencial de reduzir a recorrência de eventos graves e a necessidade de cuidados intensivos. Estamos propondo mais uma solução para a saúde pública, com potencial de ampliar o acesso, gerar eficiência e contribuir para a sustentabilidade do sistema. Essa intervenção médica é crucial para evitar que o paciente infartado volte a ocupar um leito de UTI”, explica Leonardo Bia, Vice-Presidente de Assuntos Corporativos da Novo Nordisk no Brasil. “Nosso objetivo é oferecer um caminho que seja clinicamente relevante e financeiramente viável para o SUS”.

divulgação
Novo Nordisk

Foco em prevenção e redução de filas 


A população elegível inclui adultos a partir de 45 anos, com IMC entre 30 e 40, sem diabetes, mas com histórico comprovado de infarto. A estratégia considera que a prevenção secundária nesse grupo pode reduzir internações de alta complexidade e a pressão sobre o sistema público de saúde. 

Atualmente, a obesidade atinge 60 milhões de brasileiros. “Tratar o paciente de alto risco cardiovascular é uma estratégia de saúde pública para reduzir mortalidade e melhorar a qualidade de vida, além de gerar economia a longo prazo para o Estado”, reforça João Salles, médico endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).


Experiência prática no SUS 

Para embasar o modelo de cuidado, gerar evidências e promover a ampliação do tratamento, a companhia já mantém projetos-piloto de acesso equitativo em parceria com o SUS, como a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro-RJ e o Grupo Hospitalar Conceição, hospital público federal situado em Porto Alegre (RS). Essas iniciativas geram dados reais sobre como a gestão integrada da obesidade e fatores de risco associados pode melhorar os indicadores de saúde populacional e otimizar os recursos públicos.


Caminhos para ampliar o acesso ao tratamento da obesidade

Segundo dados do Atlas Mundial da Obesidade², mais de 30% da população adulta brasileira vive com obesidade, e as projeções indicam crescimento desse percentual nos próximos anos. Para Fabio Trujillo, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), o cenário reforça a necessidade de discutir políticas públicas voltadas ao cuidado da obesidade. “A doença impõe desafios crescentes ao sistema de saúde e exige estratégias baseadas em evidências, com foco em prevenção, tratamento e redução de complicações”, afirma. 

No mercado privado, a Novo Nordisk também tem avançado em iniciativas para facilitar o acesso aos tratamentos, combinando uma nova dinâmica de preços para medicamentos à base de semaglutida com parcerias estratégicas. 

Entre as ações recentes, estão condições diferenciadas para Wegovy (semaglutida biológica original injetável) e Rybelsus® (semaglutida oral), que buscam reduzir o custo de entrada e dar maior previsibilidade à jornada do paciente.

 

Sobre o estudo SELECT¹

SELECT¹ (Efeitos da Semaglutida nos Desfechos Cardiovasculares em Pessoas com Sobrepeso ou Obesidade) foi um estudo multicêntrico, randomizado, duplo-cego, controlado por placebo e dirigido por eventos, desenhado para avaliar a eficácia da semaglutida 2,4 mg em comparação ao placebo como um complemento ao tratamento padrão cardiovascular para reduzir o risco de eventos cardiovasculares adversos maiores em pessoas com DCV estabelecida e com sobrepeso ou obesidade, sem histórico prévio de diabetes. O estudo, iniciado em 2018, recrutou 17.604 adultos e foi conduzido em 41 países, em mais de 800 centros de investigação. 



Novo Nordisk
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Referências:

  1. Lincoff AM, et al. Semaglutide and Cardiovascular Outcomes in Obesity without Diabetes. N Engl J Med. 2023 Dec 14;389(24):2221–32.
  2. Atlas mundial obesidade. Disponível em world-obesity-atlas-2025-v7.pdf. Acessado em junho de 2026.

 

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