A saúde mental, antes tratada como um diferencial, passou a ocupar papel central na estratégia corporativa, com impacto direto em produtividade, clima organizacional e retenção de talentos.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS)apontam que transtornos como ansiedade e depressão geram a perda de cerca de 12 bilhões de dias de trabalho por ano no mundo, refletindo diretamente em queda de desempenho e aumento de custos para as empresas. No Brasil, o cenário acompanha essa tendência, com crescimento expressivo de afastamentos relacionados à saúde emocional.
Segundo a psicóloga Cristiane Belmonte, da Clínica Belmonte Saúde, o tema deixou de ser uma ação pontual de bem-estar e passou a exigir estrutura, personalização e continuidade. Com atuação dentro de empresas desde 1999, a especialista afirma que já é possível observar, na prática, os impactos positivos de programas bem estruturados.
“Quando o cuidado com a saúde emocional é implementado de forma consistente, há uma redução significativa no uso dos convênios médicos. Isso impacta diretamente os custos das empresas, especialmente na renovação de contratos com operadoras de saúde, já que há diminuição da sinistralidade. Muitas vezes, uma única internação decorrente de quadros relacionados ao estresse pode gerar um custo muito mais alto do que o investimento em programas de qualidade de vida”, explica.
Além do impacto financeiro, Cristiane destaca mudanças importantes na percepção dos colaboradores. “Há uma valorização maior da empresa quando o funcionário percebe uma preocupação genuína com sua saúde. Isso fortalece o vínculo, melhora o clima organizacional e contribui diretamente para retenção de talentos”, afirma.
Outro ponto observado ao longo dos anos é a redução no adoecimento dos colaboradores. “O colaborador adoece menos, o que não beneficia apenas a empresa, mas também melhora a qualidade de vida dele e da sua família. É um impacto que vai além do ambiente corporativo”, completa.
A especialista reforça que não existe solução única. Programas eficazes precisam ser personalizados de acordo com o perfil de cada empresa. “Esse tipo de trabalho serve para pequenas, médias e grandes organizações, mas precisa ser adaptado à realidade de cada uma. Não trabalhamos com pacotes fechados, porque enxergamos o colaborador de forma integral, considerando diferentes aspectos da sua saúde”, explica.
Além dos ganhos estratégicos, o tema também passa a ter peso regulatório. A partir de 26 de maio, a atualização da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1) passa a exigir que fatores de riscos psicossociais sejam avaliados e que as empresas implementem ações preventivas. Organizações que não se adequarem podem estar sujeitas a penalidades.
Para Cristiane Belmonte, o movimento é irreversível. “Hoje, o cuidado com os colaboradores deixa de ser opcional e passa a ser obrigatório, tanto do ponto de vista humano quanto estratégico. Empresas que não acompanharem essa mudança tendem a enfrentar mais custos, maior rotatividade e queda de desempenho no médio e longo prazo”, conclui.
Cristiane Belmonte Ribeiro - psicóloga clínica (CRP 06/46937-0) e fundadora da Clínica Belmonte Saúde, em São Paulo. Com mais de 30 anos de atuação nas áreas clínica e corporativa, é especialista em saúde mental no trabalho, gestão de riscos psicossociais (NR-1) e qualidade de vida nas empresas. Atua desde 1999 em projetos dentro de organizações, acompanhando de forma prática os impactos de programas estruturados na saúde dos colaboradores e nos indicadores corporativos. Também é referência para pautas sobre ansiedade, estresse, comportamento e bem-estar.
@belmontesaude
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