Com mais de 32 milhões de pessoas acima
dos 60 anos no país, especialista alerta para a relação entre infecções bucais
e agravamento de doenças crônicas
O Brasil vive um processo acelerado de envelhecimento
populacional. Atualmente, mais de 32 milhões de brasileiros têm 60 anos ou
mais, o que amplia os desafios relacionados à prevenção de doenças e à promoção
da qualidade de vida na terceira idade. Entre os fatores que ainda recebem
pouca atenção está a saúde bucal, que pode influenciar diretamente o surgimento
e o agravamento de problemas de saúde capazes de levar à hospitalização.
Segundo especialistas, infecções bucais, doenças periodontais e a
perda dentária não afetam apenas a mastigação ou a estética. Esses problemas
podem desencadear processos inflamatórios que impactam diversos órgãos e
sistemas do corpo, especialmente em idosos que já convivem com doenças
crônicas.
Para o cirurgião-dentista Dr. Davi Cunha, a saúde bucal precisa
ser vista como parte integrante do cuidado com a saúde geral.
"Muitas pessoas ainda associam a odontologia apenas aos
dentes, mas a boca está conectada ao organismo inteiro. Infecções periodontais
podem liberar bactérias e substâncias inflamatórias na corrente sanguínea,
contribuindo para o agravamento de doenças como diabetes, hipertensão e
problemas cardiovasculares", explica.
O especialista destaca que um dos riscos mais preocupantes envolve
a pneumonia por aspiração, condição comum entre idosos com dificuldades para
mastigar ou engolir alimentos.
"Pacientes acamados, com doenças neurológicas ou limitações
motoras podem aspirar saliva contaminada por bactérias presentes na cavidade
oral. Quando esses microrganismos chegam aos pulmões, podem desencadear
infecções graves que frequentemente exigem internação hospitalar", afirma.
Além das infecções, a perda dentária também pode comprometer a
alimentação. A dificuldade para mastigar faz com que muitos idosos deixem de
consumir alimentos importantes, como frutas, vegetais e proteínas, aumentando o
risco de deficiências nutricionais e fragilidade física.
"A mastigação é uma etapa fundamental do processo digestivo.
Quando ela é comprometida, todo o organismo sofre as consequências. Muitos
idosos passam a ter uma alimentação mais restrita, o que pode impactar
diretamente a imunidade e a recuperação de outras doenças", ressalta Dr.
Davi Cunha.
Sinais de alerta
Entre os sintomas que merecem atenção estão:
·
Sangramento frequente
na gengiva;
·
Mau hálito
persistente;
·
Dor ao mastigar;
·
Mobilidade dentária;
·
Feridas que não
cicatrizam;
·
Dificuldade para se
alimentar;
·
Inflamações
recorrentes na boca.
Segundo o especialista, a identificação
precoce desses sinais pode evitar complicações futuras e tratamentos mais
complexos.
Prevenção é o
melhor caminho
Consultas odontológicas periódicas, higiene
bucal adequada e acompanhamento profissional regular continuam sendo as
principais medidas para prevenir problemas que podem impactar a saúde
sistêmica.
"Controlar o biofilme bucal, tratar
inflamações precocemente e manter uma rotina de acompanhamento odontológico são
atitudes simples, mas que podem fazer uma grande diferença na qualidade de vida
dos idosos. Cuidar da saúde bucal é também cuidar do coração, do controle do
diabetes, da alimentação e do bem-estar geral", conclui.
Com o avanço do envelhecimento populacional no Brasil, especialistas defendem uma integração cada vez maior entre odontologia e atenção à saúde do idoso, reforçando que a prevenção pode contribuir para reduzir complicações, hospitalizações e custos para o sistema de saúde.
Nenhum comentário:
Postar um comentário