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domingo, 26 de abril de 2026

Chernobyl, 40 anos: entenda o maior desastre nuclear da história e seus reflexos até hoje

Tragédia sem precedentes, causada por falhas humanas, expôs milhões de pessoas à radiação e contribuiu para a dissolução da União Soviética


O próximo domingo, dia 26 de abril, marca o Dia Internacional em Memória do Desastre de Chernobyl, instituído pela ONU em 2016 para relembrar o maior desastre nuclear da história da humanidade, além de reforçar a conscientização sobre a segurança nuclear. Nessa data, em 1986, precisamente às 1h23min do horário local, explodiu o reator 4 da Central Nuclear Vladimir Ilyich Lenin, localizada a 3 km da cidade de Pripyat, na Ucrânia, parte da então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) – liberando uma quantidade de radiação estimada em 400 vezes a da bomba atômica lançada sobre Hiroshima em 1945.
 

Reprodução.


Estima-se que duas pessoas morreram imediatamente na noite do acidente e cerca de 28 trabalhadores e bombeiros faleceram nas semanas seguintes. Ao longo das décadas, organismos internacionais projetaram milhares de mortes adicionais relacionadas à exposição. No total, cerca de 8,4 milhões de pessoas foram expostas à radiação em diferentes níveis, principalmente na Ucrânia, Belarus e Rússia, enquanto uma área de aproximadamente 150 mil km² foi contaminada diretamente pela radiação.

 

O QUE É A RADIAÇÃO E PORQUE É PERIGOSA?
 

Segundo o professor de física do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP), Renato Shiotuqui, a radiação pode ser entendida, neste caso, como uma “energia invisível”, sob a forma de partículas ou ondas eletromagnéticas, que se desloca pelo espaço. Ela pode ocorrer naturalmente — como a radiação solar, em níveis baixos, à qual estamos expostos diariamente — ou ser gerada por processos artificiais, como em reatores nucleares e durante exames médicos de raio-x. 

O problema ocorre quando há exposição a radiação por períodos prolongados ou em doses elevadas, como no acidente de Chernobyl. Quando essa energia atravessa o organismo, ela pode danificar o DNA, que é como um “manual de instruções” das células. Se esse manual é alterado, a célula pode parar de funcionar corretamente, morrer ou até se multiplicar de forma desordenada. “A radiação ionizante tem impacto microscópico nas células do corpo, atingindo estruturas fundamentais para o funcionamento do organismo”, explica Shiotuqui. 

Durante um exame de radiografia comum, o corpo é exposto a uma dose muito baixa e controlada de radiação ionizante (0,1 mSv/milisievert), equivalente a alguns dias de exposição à radiação natural média, suficiente apenas para atravessar os tecidos e gerar a imagem médica. Nessa situação, o organismo consegue lidar bem com os possíveis danos celulares, ativando mecanismos naturais de reparo do DNA. “É uma exposição rápida e em níveis seguros, em que eventuais alterações nas células são corrigidas pelo próprio corpo, sem causar efeitos perceptíveis”, explica o professor do BIS. 

Já com os primeiros bombeiros que atuaram no incêndio de Chernobyl, o cenário foi completamente diferente. Eles foram expostos a níveis altos de radiação (estimativas apontam de 4.000 a 16.000 mSv) em um curto intervalo de tempo, níveis extremamente elevados e potencialmente letais, sem proteção adequada, o que causou danos imediatos e severos ao organismo. “Nesse caso, a radiação foi tão intensa que destruiu rapidamente células essenciais, especialmente da medula óssea e do sistema digestivo, impedindo o corpo de se regenerar”, afirma o professor. Nesse cenário, as vítimas apresentaram a síndrome aguda da radiação em poucas horas, com náuseas, queimaduras e fraqueza extrema, evoluindo para falência múltipla de órgãos nos dias seguintes ao acidente. 

Já em exposições prolongadas ou em doses menores, os efeitos podem surgir anos depois. O aumento do risco de câncer, especialmente de tireoide, é uma das consequências mais conhecidas, além de possíveis alterações genéticas. Por isso, acidentes nucleares têm impactos que podem ultrapassar gerações. “Mesmo quando a exposição não causa sintomas imediatos, o risco tende a aumentar com a dose acumulada ao longo do tempo, o que torna a radiação particularmente perigosa do ponto de vista da saúde pública”, acrescenta o professor.
 

COMO FUNCIONA UM REATOR NUCLEAR RBMK? 

O reator que explodiu em Chernobyl era do tipo RBMK, um modelo desenvolvido na então União Soviética e utilizado tanto para geração de energia quanto, em alguns casos, para produção de material nuclear. A usina nuclear de Chernobyl possuía um conjunto de quatro reatores, e um deles explodiu durante o acidente. Segundo o professor de física do Colégio BIS, para entender o desastre, é importante imaginar o reator RBMK como uma enorme “máquina térmica” dentro de um prédio industrial. 

No centro dessa estrutura há um grande cilindro de grafite, material sólido moderador de nêutrons, que ajuda a controlar a velocidade da reação nuclear - processo em que o núcleo de um átomo sofre uma transformação, se dividindo ou se unindo a outro núcleo, liberando assim uma grande quantidade de energia. Dentro do cilindro existem centenas de canais onde ficam as barras de combustível de urânio - elemento químico encontrado naturalmente na crosta terrestre, contendo átomos instáveis que se dividem durante a fissão nuclear, liberando energia. 

Quando o reator está em operação, os átomos de urânio se dividem no processo de fissão, liberando calor de forma contínua. Esse calor aquece a água que circula pelos canais, transformando-a em vapor. O vapor, por sua vez, gira turbinas conectadas a geradores, produzindo eletricidade. “É como uma usina termelétrica, mas, em vez de queimar carvão ou gás, o calor vem da divisão de átomos”, explica Shiotuqui. 

O controle dessa reação é feito por meio de barras de controle, geralmente compostas de materiais que absorvem nêutrons - partículas subatômicas localizadas no núcleo dos átomos, com carga elétrica neutra. Elas funcionam como um “freio”: quando inseridas no reator, diminuem a velocidade da reação; quando retiradas, permitem que ela se intensifique. No RBMK, esse controle exigia ajustes constantes e precisos por parte dos operadores. Além disso, a água, com atuação refrigerante e moderadora, tinha um papel duplo: ao mesmo tempo em que resfriava o sistema, também influenciava diretamente o comportamento da reação nuclear. “O problema é que esse tipo de reator podia se tornar instável em certas condições, especialmente quando operava em baixa potência, exigindo um controle muito cuidadoso”, acrescenta Shiotuqui. 

Nos reatores nucleares modernos, o princípio básico continua sendo o mesmo, a fissão nuclear para gerar calor e produzir eletricidade, mas com sistemas de segurança muito mais avançados e automatizados, incluindo estruturas de contenção em aço e concreto, e sistemas passivos que funcionam mesmo sem energia elétrica ou intervenção humana. É um “coeficiente de radioatividade negativo”, ou seja, a própria física do sistema faz com que a reação diminua automaticamente em caso de anomalia. “Hoje em dia, os reatores são projetados para que, diante de qualquer falha, entrem automaticamente em um estado seguro, reduzindo a reação nuclear sem depender da ação de operadores, o que reduz muito o risco de acidentes como o de Chernobyl”, explica o professor Shiotuqui.
 

COMO ACONTECEU O ACIDENTE? 

O acidente em Chernobyl ocorreu durante um teste de segurança que buscava verificar se, em caso de queda de energia, as turbinas ainda conseguiriam gerar eletricidade suficiente para manter os sistemas essenciais funcionando por alguns minutos. Para isso, na madrugada de 26 de abril de 1986, operadores do reator 4 reduziram a potência do equipamento a níveis muito baixos e desligaram diversos sistemas automáticos de segurança — uma decisão que contrariava os protocolos operacionais. 

O professor de física da Escola Internacional de Alphaville – EIA, de Barueri (SP), Caio Salute, explica que essa redução de potência, combinada com as características do reator, tornou o sistema instável. Na tentativa de recuperar o nível de energia, os operadores retiraram grande parte das barras de controle, o que acelerou a reação nuclear de forma incontrolável. “O reator entrou em uma condição extremamente sensível, em que pequenas mudanças provocavam grandes aumentos de potência, algo difícil de controlar manualmente.” 

Somado à instabilidade do sistema, a própria construção da usina apresentava vulnerabilidades críticas. Os materiais do reator não possuíam padrões de segurança elevados, destoando de outras tecnologias nucleares já existentes no mundo àquela época. Essa utilização de componentes de baixa qualidade e um design inerentemente perigoso, como o uso de moderadores de grafite inflamáveis, criaram um cenário onde as margens de erro eram praticamente inexistentes. 

Além das falhas estruturais, o fator humano foi determinante para a catástrofe. O treinamento dos operadores era extremamente precário, especialmente se comparado aos padrões rigorosos da indústria atual. Hoje, no Brasil, um profissional leva cerca de 10 anos de experiência prática e teórica dentro da usina até estar apto a operar uma sala de controle. Em Chernobyl, esse treinamento ocorria em apenas alguns meses. 

Essa formação acelerada tornava as equipes incapazes de solucionar problemas complexos ou de realizar tomadas de decisão rápidas sob pressão, resultando em uma sequência de erros fatais diante de um sistema que eles não compreendiam em sua totalidade. 

Em poucos segundos, houve um aumento abrupto e descontrolado da potência — estimativas indicam que o nível chegou a ser dezenas de vezes superior ao normal. Esse pico fez com que a água de resfriamento se transformasse rapidamente em vapor, gerando uma enorme pressão interna. “Foi uma combinação de erro humano com falhas de projeto: o sistema não apenas saiu do controle, como não tinha barreiras suficientes para conter o desastre”, afirma o professor. 

O resultado foram duas explosões que destruíram o reator e expuseram o núcleo à atmosfera. A primeira explosão foi causada pelo acúmulo de vapor dentro do reator. Com o aumento abrupto da potência, a água de resfriamento se transformou rapidamente em vapor, gerando uma pressão extrema nos canais internos. Essa pressão provocou uma explosão mecânica, rompendo a estrutura do reator e deslocando a tampa de concreto e aço, que pesava centenas de toneladas. “Foi uma explosão causada pela pressão interna, que destruiu a integridade do reator e abriu caminho para o que viria em seguida”, explica Salute. 

Já a segunda explosão, que aconteceu logo depois, é associada a reações químicas e à liberação de hidrogênio e outros gases inflamáveis, possivelmente combinadas com a exposição do grafite a altas temperaturas. Essa explosão química ampliou a destruição e lançou grandes quantidades de material radioativo, como fragmentos de combustível nuclear e grafite, espalhando-se no ar com os ventos, diretamente na atmosfera. Como consequência, o núcleo do reator ficou exposto e começou a queimar a céu aberto, liberando radiação de forma contínua por dias, contaminando regiões a milhares de quilômetros de distância. “Essa segunda explosão foi decisiva para transformar um acidente grave em uma catástrofe ambiental de escala global”, acrescenta o professor da EIA. 

A nuvem radioativa atravessou fronteiras, contaminou solos, rios e alimentos na Ucrânia, Belarus e Rússia, e foi detectada em diversos países da Europa. As autoridades soviéticas mobilizaram uma operação emergencial para tentar conter a liberação de radiação: helicópteros sobrevoaram o reator destruído despejando toneladas de materiais como areia, chumbo, argila e boro — este último usado para tentar absorver nêutrons e reduzir a reação nuclear. 

Ao mesmo tempo, em uma corrida contra o tempo, equipes conhecidas como “liquidadores”, formadas por bombeiros, soldados e trabalhadores, atuaram diretamente no local para apagar incêndios, remover destroços altamente radioativos e evitar que o material nuclear atingisse o lençol freático – muitos deles sem serem alertados sobre o real perigo que corriam ao serem expostos à radiação durante os turnos de trabalho. 

Nos meses seguintes, foi construída às pressas uma estrutura de concreto e aço conhecida como “sarcófago”, projetada para isolar o reator destruído e conter a radiação. Essa estrutura, no entanto, era provisória e apresentava falhas com o passar do tempo. Décadas depois, já no século XXI, foi erguida uma nova cobertura chamada Novo Confinamento Seguro — um gigantesco arco metálico de 110 metros de altura e 36 mil toneladas, que recobre o antigo sarcófago e foi projetado para conter a radiação por pelo menos 100 anos. 

Mesmo com essas estruturas de contenção, a radiação não desapareceu completamente e ainda exige monitoramento constante na chamada zona de exclusão, que se estende por um raio de 30 km. “Isso acontece porque alguns elementos radioativos, resultado da fissão nuclear do urânio, permanecem ativos por muito tempo. O iodo-131, por exemplo, perde força em poucos dias, mas o césio-137 e o estrôncio-90 podem permanecer no ambiente por décadas, enquanto o plutônio pode levar milhares de anos para deixar de representar risco. Na prática, isso significa que solo, água e vegetação ainda podem estar contaminados, especialmente em áreas mais próximas ao reator”, acrescenta Salute. 

Na opinião do professor da Escola Internacional de Alphaville, a combinação explosiva entre a falta de treinamento especializado, a ausência de protocolos de segurança rígidos e a demora das autoridades soviéticas em assumirem a gravidade do acidente, priorizando o segredo de Estado em detrimento da saúde pública, resultou no maior desastre nuclear da história, com impactos ambientais e humanos que ecoam até os dias de hoje.
 

O MUNDO PÓS-CHERNOBYL 

O professor de história do colégio Progresso Bilíngue, de Campinas (SP), Leonardo Meliani Velloso, lembra que o acidente em Chernobyl ocorreu em um momento de forte tensão global, em meio à Guerra Fria, período marcado pela rivalidade política, ideológica e militar entre a União Soviética e os Estados Unidos. 

Nos primeiros dias após a explosão, o governo soviético demorou a reconhecer a gravidade do acidente, e o mundo só tomou conhecimento da dimensão do desastre quando níveis anormais de radiação foram detectados em outros países distantes geograficamente do local do acidente. “Além de adotar medidas emergenciais, como restrições ao consumo de alimentos contaminados e monitoramento ambiental, os governos europeus da época também pressionaram politicamente por mais transparência, algo incomum naquele contexto de disputa entre blocos”, afirma Velloso. “Chernobyl teve um efeito simbólico muito forte: mostrou que nem mesmo uma superpotência conseguia controlar totalmente os riscos de sua própria tecnologia”, acrescenta. 

O episódio expôs fragilidades do modelo soviético justamente em um momento em que o país já enfrentava dificuldades econômicas e buscava implementar duas políticas do governo de Mikhail Gorbachev: a política “Glasnost”, com objetivo de modernizar o regime soviético tornando-o mais transparente e democrático, permitindo maior liberdade de expressão e reduzindo a censura; e a política “Perestroika”, que visava a abertura econômica para o mercado e capital estrangeiro, reduzindo o controle do estado. 

Nos anos seguintes, o desgaste político e social se aprofundou, contribuindo para a dissolução da União Soviética em 1991. O bloco, criado em 1922, era formado por 15 nações independentes, governadas por um partido único, sob forte controle econômico e social do estado. Com a dissolução da URSS, o território soviético foi redividido. “Ao mesmo tempo, o acidente deixou um legado duradouro. Além das marcas ambientais e humanas, ajudou a redefinir o debate internacional sobre energia nuclear e cooperação entre países, alterando a dinâmica geopolítica e reforçando a necessidade de colaboração internacional em temas que ultrapassam fronteiras”, conclui o professor. 

No período pós-soviético, a gestão das consequências de Chernobyl passou a ser compartilhada entre Ucrânia, Bielorrússia e Rússia, cada nação responsável por monitoramento ambiental, descontaminação local e assistência às populações afetadas dentro de seu território. A Ucrânia, onde está localizada a usina, assumiu a responsabilidade direta pela área, com apoio financeiro e técnico de instituições globais. Estima-se que, desde 1986, o custo total para contenção, monitoramento e apoio às vítimas ultrapasse US$ 235 bilhões, com despesas anuais entre US$ 2 e 3 bilhões por ano para manutenção da segurança, controle radiológico e programas de mitigação ambiental.
  
 

Caio de Oliveira Salutte - professor de Física e mestre em Física Nuclear. É apaixonado por ciência, educação e jogos de tabuleiro. Busca tornar o ensino de Física mais acessível, envolvente e próximo da realidade dos alunos. Acredita que a curiosidade é fundamental para a aprendizagem e utiliza métodos que estimulam o pensamento crítico e a participação ativa em sala de aula. Comprometido com a formação de estudantes curiosos e criativos, valoriza o intercâmbio de ideias e o prazer de aprender.

Leonardo Meliani Velloso - bacharel, licenciado e mestre em História pela Universidade Estadual de Campinas. Sua dissertação de Mestrado, intitulada Um Maravilhoso Imaginário, foi publicada como livro em 2017. Atua com ensino de História e preparação para vestibulares há mais de dez anos. É parte da equipe do colégio Progresso Bilíngue desde 2019.


Renato Shiotuqui - licenciado em matemática pela Faculdade de Guarulhos. Atua como professor de física e matemática, acumulando mais de 29 anos de experiência lecionando em escolas da rede privada e cursos pré-vestibulares.


ISP – International Schools Partnership
Para mais informações, acesse o site.

sábado, 25 de abril de 2026

Otoplastia vai além da estética e pode ajudar na autoestima de crianças e adultos

Procedimento pode ser realizado a partir dos 5 anos e ajuda a prevenir efeitos emocionais ligados ao bullying e à insegurança 

 

Não é só uma questão de aparência. As orelhas em abano, condição que afeta cerca de 5% da população, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, podem ter um impacto profundo na autoestima, especialmente durante a infância e adolescência, fases marcadas pela construção da identidade e pela busca de pertencimento.

Apelidos, comentários e situações de constrangimento no ambiente escolar ainda são frequentes e ajudam a explicar por que muitos pais buscam orientação médica cedo. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, questões relacionadas à aparência estão entre os fatores que podem contribuir para insegurança emocional e episódios de bullying entre crianças e adolescentes.

Segundo o cirurgião plástico Dr. Raphael Alcalde, da Visage Clinique e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a otoplastia é um procedimento que pode trazer benefícios que vão além do espelho. “Corrigir a projeção das orelhas não é apenas uma questão estética. Muitas vezes, estamos falando de devolver autoconfiança e qualidade de vida, principalmente em idades mais jovens”, explica.

A cirurgia pode ser realizada a partir dos 5 ou 6 anos, quando a orelha já está praticamente formada. Nessa fase, a intervenção pode evitar impactos emocionais mais duradouros. “É um procedimento seguro, com recuperação rápida e resultados bastante naturais quando bem indicado”, afirma o especialista.

Mas não são apenas as crianças que procuram a cirurgia. Cada vez mais adultos têm buscado a otoplastia como forma de resolver um incômodo antigo. “Muitos pacientes dizem que passaram a vida escondendo as orelhas com o cabelo ou evitando certos penteados. A cirurgia representa, para eles, uma libertação”, comenta Dr. Raphael Alcalde.

Procedimento seguro

A técnica consiste em remodelar a cartilagem da orelha, aproximando-a da cabeça e criando um contorno mais harmônico. O procedimento costuma ser feito com anestesia local e sedação, e o retorno às atividades acontece em poucos dias. Ainda assim, a avaliação individual é indispensável.

Cada rosto tem suas particularidades, e o planejamento deve considerar não apenas a anatomia, mas também as expectativas do paciente. Por isso, a recomendação é sempre procurar um especialista membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

“No fim, não se trata apenas de corrigir o formato das orelhas, mas de transformar a forma como a pessoa se vê e se sente”, conclui o médico.

  

Dr. Raphael Alcalde - Cirurgião plástico com mais de quinze anos de experiência, especialista e membro da Visage Clinique e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Atua com foco em contorno corporal e cirurgia reparadora, com MBA em Gestão Hospitalar e sólida experiência em urgência e emergência. É reconhecido pela precisão cirúrgica e pela abordagem ética e humanizada em seus atendimentos.

 

Estamos transformando prevenção em dependência estética?

Cresce o uso precoce de botox entre jovens e especialista alerta para riscos de banalização

 

O avanço do uso da toxina botulínica entre pacientes cada vez mais jovens acende um alerta no meio médico. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) indicam que o procedimento já é o mais realizado entre pessoas de 18 a 30 anos, com crescimento de 300% nos últimos três anos. Impulsionada por redes sociais e padrões estéticos irreais, a chamada “prevenção” tem levado até adolescentes a buscarem aplicações sem indicação clínica, levantando questionamentos sobre os limites entre cuidado e excesso. 

Para a dermatologista Dra. Débora Cardial, da Clínica Terra Cardial, esse movimento revela uma mudança preocupante na relação com o envelhecimento. Segundo ela, há uma ansiedade estética precoce, em que jovens procuram o procedimento pela ideia de que é preciso começar cedo, o que distorce o conceito de prevenção. Do ponto de vista científico, embora a toxina atue na redução da contração muscular, fator ligado às rugas dinâmicas, não existe consenso sobre a idade ideal para início, e ainda faltam evidências de longo prazo sobre o uso precoce sem indicação adequada. 

A médica reforça que o botox é seguro e eficaz quando bem indicado e aplicado por profissionais qualificados, mas alerta que o uso indiscriminado pode gerar impactos que vão além da estética. “A naturalização dessas intervenções desde cedo pode alterar a forma como o indivíduo se enxerga, criando uma relação de dependência psicológica e insatisfação constante com a própria imagem. Além disso, aplicações frequentes ao longo dos anos podem trazer desafios clínicos, como a redução de resposta à toxina em alguns casos, especialmente quando realizada de forma inadequada”, destaca a dermatologista. 

Embora não haja comprovação científica de que o botox cause dependência, a repetição do procedimento costuma estar associada à satisfação com os resultados, o que pode reforçar sua continuidade. Estudos indicam que o uso prolongado pode contribuir para um envelhecimento mais lento da pele, e que a duração da toxina seja por volta de 4 meses. 

Nesse cenário, o debate não deve ser sobre condenar o procedimento, mas sobre seu uso responsável. “Mais do que buscar interromper o envelhecimento, o desafio está em equilibrar expectativa, necessidade e saúde, evitando que a prevenção se transforme, de forma silenciosa, em uma dependência estética precoce e em uma negação do envelhecimento natural”, conclui.



Clínica Terra Cardial


Dra. Márcia - médica formada pela Faculdade de Medicina do ABC, doutora em Tocoginecologia, professora associada e chefe do setor de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia, além de presidente da Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia (ABPTGIC).

Dr. Caetano - também graduado pela Faculdade de Medicina do ABC, é mestre em Ginecologia, cirurgião oncológico e mastologista, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica.

Dra. Débora Cardial - dermatologista formada pela Faculdade de Medicina do ABC, com residência em Clínica Médica e Dermatologia, título de especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, além de ser membro da Sociedade Europeia de Dermatologia e Venereologia e da Sociedade Brasileira de Laser.

 

Triângulo da juventude vira tendência para quem busca rejuvenescimento natural

 

Especialista explica por que a preservação da estrutura do rosto é o segredo por trás do visual natural de grandes celebridades 

 

A busca pelo rejuvenescimento facial passou por uma transformação profunda nos últimos anos. Se antes o foco estava em preencher rugas e linhas de expressão de forma isolada, hoje a ciência estética volta os olhos para a estrutura. O conceito central dessa abordagem é o “triângulo da juventude”, um modelo que ajuda a explicar como o rosto perde sustentação com o tempo e como é possível envelhecer com naturalidade.
 

De acordo com a Dra. Carolina Prata, especialista em harmonização orofacial da SorriaMed, o rosto jovem é visualmente comparado a um triângulo invertido, onde o maior volume se concentra nas maçãs do rosto e o ápice, mais fino, aponta para o queixo. Com o passar dos anos, esse desenho sofre uma inversão natural.

“O envelhecimento facial é um processo complexo que envolve a reabsorção óssea, a perda de compartimentos de gordura e a queda na produção de colágeno. Isso faz com que os tecidos ‘desçam’, alargando a base do rosto e criando o aspecto de flacidez na mandíbula”, explica a Dra. Carolina.
 

Essa mudança estrutural é o que muitas vezes causa o incômodo conhecido como “efeito bulldog” ou o aprofundamento do “bigode chinês”. No entanto, a especialista alerta que tratar apenas a ruga não devolve a jovialidade. A tendência atual, seguida por nomes como Taís Araujo e Grazi Massafera, é o foco no suporte. Ambas são exemplos de como a manutenção das estruturas de sustentação permite que a pessoa chegue aos 40 ou 50 anos preservando exatamente os mesmos traços de quando iniciaram a carreira.
 

“O objetivo da harmonização contemporânea é o equilíbrio. Quando observamos celebridades que parecem não envelhecer, o que vemos é a preservação do triângulo da juventude. Não se trata de mudar o rosto, mas de reposicionar o que o tempo deslocou”, afirma a doutora.

A preferência por tratamentos que não exigem cirurgia cresceu 40% nos últimos quatro anos, segundo dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS). Esse movimento reflete um comportamento de consultório onde o paciente busca resultados que respeitem sua identidade. Dra. Carolina Prata ressalta que essa lógica também é aplicada na maquiagem profissional, que utiliza luz e sombra para tentar recriar visualmente essa estrutura de triângulo invertido.
 

“No mercado de saúde estética atual, a técnica serve ao paciente e não o contrário. É preciso entender a anatomia individual para oferecer um resultado de longo prazo que seja, acima de tudo, saudável e harmônico. Hoje o protagonismo é do paciente e não do produto. Na SorriaMed, nossa premissa é a escuta técnica para entender onde a estrutura facial precisa de suporte, garantindo que o paciente envelheça com equilíbrio e sem perder a própria essência”, finaliza a especialista.


SorriaMed

 

Além dos fios: o que é mito e o que é verdade sobre o couro cabeludo

Freepik

 Keune Master Talent, John Castaño, responde às principais dúvidas e revela segredos sobre o couro cabeludo

 

Se antes o foco da rotina capilar estava apenas no comprimento, hoje o couro cabeludo têm ganhado cada vez mais espaço nas buscas online. Esse movimento reflete uma mudança mais ampla de comportamento, na qual as pessoas passam a observá-lo com mais atenção, reconhecendo seu papel fundamental na saúde dos fios. Dados do WSGC Trend Curve 2025/26, por exemplo, mostram que somente no Tiktok as buscas por “#Scalp Detox” aumentaram 111%.

Em meio a tantas informações circulando no mundo digital, nem sempre é fácil distinguir o que é mito e o que realmente funciona quando o assunto é cuidar da região. Pensando nisso, o cabeleireiro e Keune Master Talent, John Castaño, esclarece algumas das dúvidas mais comuns sobre o tema. Confira!

 

  1. Lavar o cabelo diariamente estimula o couro cabeludo a produzir mais oleosidade?

Mito - Está liberado lavar as madeixas todos os dias! Segundo o especialista, esse processo não interfere diretamente na saúde do couro cabeludo.

“Muitas pessoas precisam realizar esse ritual diariamente por conta de treinos na academia ou pelo uso de muitos cosméticos de finalização, e isso não é um problema. A produção de sebo está muito mais relacionada a alterações do folículo capilar do que com à frequência de lavagem”, afirma John.
 

2. Dormir com o cabelo molhado pode favorecer a proliferação de fungos no couro cabeludo?

Verdade- Ambientes úmidos criam as condições ideais para o desenvolvimento de fungos, como a Malassezia, que está relacionada à caspa. Pode também gerar odor, favorecer dermatite seborreica e quebra dos fios. Por isso, dormir com os fios molhados não é recomendado.


3. Pessoas com couro cabeludo oleoso podem fazer umectação ou usar óleos capilares?

Verdade- Não só podem como devem! A umectação é uma estratégia poderosa de nutrir os fios e repor os seus lipídios essenciais. “O cabelo precisa dessas gorduras naturais, para se manter sedoso e saudável. A nutrição capilar acontece justamente por meio disso”, comenta John.

A dica é aplicar o óleo a aproximadamente um palmo de distância da raiz e observar como o seu cabelo reage: dependendo da necessidade dos fios, a umectação pode ser feita algumas horas antes da lavagem, inclusive no horário de dormir. “Geralmente o aumento da sebácea nas madeixas ocorre pela maneira incorreta de aplicação”, completa John, reforçando a importância de ajustar a técnica e evitar excessos.


4. Shampoos anticaspa ou antirresíduos podem ressecar o fio e o couro cabeludo se usados com frequência?

Depende - Tudo vai depender do estado atual do couro e dos fios. Esses tipos de shampoo costumam promover uma limpeza mais profunda e ajudam a remover o excesso de oleosidade. “Se a região já estiver ressecada ou com descamação, o uso muito frequente pode intensificar esse ressecamento. O mesmo vale as madeixas mais porosas ou sensibilizadas por química”, explica o especialista.

Vale destacar que já existem opções com fórmulas específicas, desenvolvidas para tratar sem causar ressecamento excessivo, sendo uma boa alternativa para quem precisa desse tipo de cuidado com frequência.

Mas, atenção: após usar shampoos anti caspa ou anti resíduos, é importante utilizar condicionadores que ajudam a estabilizar o pH e, idealmente, investir também em uma máscara de tratamento.


5. Aplicar condicionador ou leave-in na raiz pode ser prejudicial para o fio e couro cabeludo?

Verdade- O condicionador foi tradicionalmente desenvolvido para o comprimento e as pontas. “Quando aplicado diretamente na raiz, pode ocorrer o aumento da oleosidade e até contribuir para condições como caspa ou seborreia. A única exceção são fórmulas desenvolvidas especificamente para a região, já que possuem tecnologia mais adequada”, diz John.


6. Estresse e alimentação inadequada podem causar sensibilidade, queda, inflamação e coceira no couro cabeludo? 

Verdade - O couro cabeludo também sente quando o corpo está desequilibrado.

“O estresse pode alterar o funcionamento do organismo e estimular a produção de substâncias que afetam esse equilíbrio, causando problemas nesta área, na pele e até em outros sistemas do corpo”, ressalta o Keune Master Talent. Somado a isso, uma má alimentação pode contribuir para o surgimento de diversas doenças.


7. Caspa e dermatite seborreica são a mesma coisa?

Mito- Apesar de serem confundidas, elas se tratam de manifestações diferentes.

“A caspa é uma descamação mais leve. Já a dermatite seborreica é uma inflamação mais intensa, que pode causar vermelhidão, placas, excesso de oleosidade e maior desconforto”, esclarece o especialista.


8. O uso constante de bonés, chapéus ou capacetes pode causar calvície?
Mito- Pode ficar tranquilo que usar boné não vai deixar ninguém careca! “É muito comum ouvir por aí essa dúvida, mas em quase 100% dos casos, a calvície tem origem genética. Bonés, chapéus e capacetes não causam queda capilar”, afirma John.

No entanto, seu uso frequente desses acessórios pode favorecer outras condições, como aumento da oleosidade, caspa e até foliculite, especialmente quando há suor excessivo e pouca ventilação do couro cabeludo. “Para evitar esses problemas é importante não utilizá-los por longos períodos com a raiz úmida ou suada, mantê-los sempre limpos, optar por modelos mais respiráveis e confortáveis e lavar o cabelo regularmente”, complementa.


9. Prender o cabelo com muita tração, como coques apertados, rabos altos ou alongamentos, pode causar queda capilar irreversível?
Verdade- E aqui vale o alerta! A tensão excessiva e frequente pode prejudicar a saúde capilar. “A tração pode machucar o folículo e, em alguns casos, pode ser permanente, causando alopecia por tração”, alerta o cabeleireiro. Por isso, o ideal é variar os penteados e evitar prender os fios com muita força por longos períodos.


‘Skincare minimalista’ funciona? Dermatologista orienta passo a passo para uma rotina eficaz nos cuidados com a pele

Segundo o médico dermatologista e referência em medicina estética no Brasil, Octávio Guarçoni, os cuidados com a pele ‘minimalistas’ estão divididos em quatro etapas essenciais: limpeza, hidratação, ativos individualizados e fotoproteção.


Com as rotinas cada vez mais apertadas, seguir o protocolo coreano de ‘skincare’, o K-Beauty, parece mais uma continuação de Missão Impossível: é hidratante, tônico, sérum, essência, limpador, máscara, creme, protetor… a lista parece não ter fim.  

No entanto, para quem tem uma rotina acelerada ou até mesmo deseja o processo rápido nos cuidados com a pele, o skincare minimalista vem ocupando a moda do mercado estético. Apelidada de ‘skinimalism’ ou skin streaming, o fenômeno tem conquistado os jovens com uma receita simples, unir ativos mais eficazes e garantir menor risco de irritação da pele 

A tendência acompanha um movimento internacional apontado pela NielsenIQ. Os dados recentes do estudo “Meet the Generations of Global Beauty Buyers”, da NIQ, mostram que 39% da GenZ buscam produtos de beleza com maior qualidade para o dia a dia.  

Esse fenômeno é explicado pelo dermatologista e referência em medicina estética no Brasil, Doutor Octávio Guarçoni. Segundo o profissional, investir em uma rotina minimalista de cuidados com a pele é apostar em um filtro dos ativos que a derme realmente necessita. “Muita gente chega na Guarçoni com rotinas muito complexas, produtos sobrepostos que nem sempre têm indicação clara. Isso pode até piorar a tolerância da pele, principalmente em tecidos mais sensíveis”, explica.

À frente da Guarçoni Health Center, o Doutor reorganiza os cuidados com a pele em quatro etapas essenciais: limpeza, hidratação, ativos individualizados e fotoproteção para uma pele renovada. “O que passa disso, segundo o protocolo minimalista, são ferramentas que atuam em diferentes objetivos, como o combate à acne, manchas, envelhecimento e sensibilidade”, elucida. 
 

Nesse cenário, o médico afirma que o skinimalism funciona em ocasiões específicas e depende da gravidade do quadro do paciente. Em casos gerais, o Doutor indica começar pelo passo chave: a limpeza. “O primeiro passo é a higienização. Deve ser feita uma ou duas vezes ao dia, com produto adequado ao tipo de pele. Em linhas gerais, um sabonete ou gel de limpeza facial suave. O objetivo não é ‘esfregar a pele limpa’, mas remover impurezas sem agredir a barreira cutânea”, diz.

Em seguida, entra a hidratação, considerada obrigatória segundo o médico. “Toda pele precisa de hidratação, inclusive a oleosa. O que deve ser usado aqui é um hidratante facial leve, com textura compatível com o tipo de pele. Assim, mantemos a barreira cutânea equilibrada e reduz sensibilidade e inflamação”, afirma.

O terceiro ponto envolve os ‘tratamentos ativos’, que devem ser escolhidos de forma individualizada e não combinados em excesso. Para essa etapa, Guarçoni destaca o uso de ativos como vitamina C, ácidos ou substâncias clareadoras, mas sempre de forma direcionada e não simultânea. O ideal é um único ativo principal, conforme o objetivo da pele, de forma a garantir tolerância e resultado. 

Finalizando o protocolo de cuidados com a pele rápida, mas eficaz, o médico reforça a fotoproteção como etapa indispensável. “O protetor solar facial deve ser usado diariamente, inclusive em dias nublados. Ele não é opcional, visto que ele sustenta qualquer resultado de tratamento, seja para acne, manchas ou envelhecimento”, conclui o especialista.



Cirurgias estéticas em tendência: o que você precisa saber antes de aderir

As cirurgias estéticas ganharam espaço significativo na mídia e, principalmente, nas redes sociais.  

Alguns procedimentos que prometem resultados rápidos e impactantes frequentemente viralizam, impulsionados por influenciadores e celebridades. 

Apesar da popularidade, aderir a essas tendências pode representar um risco considerável, especialmente quando as decisões são tomadas sem critérios ou orientação médica adequada. 

Ao optar por um procedimento estético, é fundamental entender que ele não é apenas uma solução rápida para uma mudança de aparência.  

As tendências estéticas, como lipoaspiração de alta definição, bichectomias e preenchimentos marcantes, podem ser visualmente atraentes, mas nem sempre são a melhor escolha para todos os pacientes: é importante lembrar que cada caso é um caso.  

Cada corpo é único e exige uma abordagem personalizada, respeitando proporções naturais e limitações físicas. 

 

Por que os modismos são perigosos? 

Modismos podem ser arriscados, porque, muitas vezes, desconsideram a individualidade dos pacientes e os impactos de longo prazo.  

Um exemplo é a busca por características faciais extremamente delineadas, que podem não ser adequadas para determinados formatos de rosto, resultando em desarmonia. 

 Além disso, procedimentos mal realizados, especialmente em locais que não seguem normas de segurança, podem levar a sequelas graves, como infecções ou cicatrizes permanentes. 

 

A importância de uma avaliação detalhada 

Antes de qualquer cirurgia é indispensável passar por uma avaliação clínica minuciosa. Um cirurgião qualificado analisará fatores como saúde geral, expectativas e condições específicas do paciente.  

Muitas vezes, o procedimento em alta pode não ser o mais indicado para que seja alcançado o resultado desejado, e o médico pode sugerir alternativas mais seguras e eficazes e que irão fazer sentido. 

 

Os impactos psicológicos de seguir tendências 

Seguir tendências estéticas pode afetar o psicológico. Resultados que não atendem às expectativas geram frustração e insatisfação, prejudicando a autoestima e resultando em uma experiência negativa (da qual a solução pode levar um bom tempo para ser encontrada). 

Por isso, é importante que os pacientes tenham clareza sobre suas motivações e que busquem mudanças por razões próprias, e não para se encaixar em padrões impostos pelas redes sociais. 

 

Como escolher um profissional capacitado? 

Um dos maiores riscos está na escolha do profissional. O fato de os procedimentos serem realizados por pessoas não qualificadas ou em locais que não atendem às normas de segurança aumenta significativamente as chances de complicações.  

Pensando nisso, é muito importante verificar se o médico é devidamente registrado em órgãos como Conselho Regional de Medicina (CRM) e se possui experiência comprovada no procedimento desejado. 

 

Decisões fundamentadas em informações são essenciais 

Cirurgias estéticas podem oferecer resultados incríveis, mas é essencial que a decisão seja baseada em critérios sólidos, não em tendências passageiras.  

Fazer uma avaliação cuidadosa com base nas suas necessidades, consultar profissionais qualificados e entender os impactos do procedimento são passos indispensáveis para garantir segurança e satisfação.

  

Fonte: Dr. Alexandre Kataoka, Cirurgião Plástico. Perito concursado da Secretaria da Justiça de São Paulo – Instituto de Medicina Social e Criminologia do Estado de São Paulo. Membro Efetivo da Câmara Técnica em cirurgia plástica – CFM. Conselheiro Responsável da Câmara Técnica do Cremesp. Coordenador da Comunicação do Cremesp.


Perda de peso com as canetas emagrecedoras impacta diretamente na qualidade da pele

 

Dermaticista aponta alternativas para recuperar firmeza e viço 

 

O uso crescente das chamadas “canetas emagrecedoras”, medicamentos injetáveis indicados para controle de peso, tem provocado uma transformação não apenas no corpo, mas também na aparência da pele, especialmente do rosto. Com o emagrecimento acelerado, efeitos como flacidez, aspecto murcho, perda de viço e redução da elasticidade são características que resultam em uma aparência mais envelhecida.

A rápida diminuição da gordura corporal impacta diretamente estruturas importantes da pele. A gordura facial, por exemplo, desempenha papel essencial na sustentação e no contorno do rosto. Quando há perda abrupta desse volume, a pele pode não acompanhar o novo formato com a mesma velocidade, favorecendo a flacidez e a redução da produção de colágeno.

De acordo com a dermaticista, cosmetóloga e esteticista Patrícia Elias, que possui quase 8 milhões de inscritos em seu canal no YouTube, esse processo é comum, mas pode ser tratado de forma eficaz com protocolos adequados. “Quando o emagrecimento acontece de forma muito rápida, há uma redução importante do tecido adiposo que sustentava a pele. Sem esse suporte, é comum observar flacidez e perda de viço, principalmente na região do rosto”, explica.

Para a dermaticista, uma rotina de cuidados em casa faz toda a diferença. O uso de cremes firmadores, séruns ricos em ativos regeneradores e máscaras hidratantes ajudam a devolver mais viço à pele."O cuidado diário com a pele é parte fundamental do processo de emagrecimento. Fórmulas com ácido hialurônico, vitamina C, retinol, peptídeos e niacinamida, atuam na hidratação, na luminosidade, na renovação celular e na melhora da firmeza. Máscaras faciais com colágeno, produtos à base de aloe vera e cosméticos com elastina são aliados importantes na recuperação da qualidade da pele”, destaca.

Patrícia também enfatiza que hoje tecnologias e protocolos cosméticos avançados atuam diretamente na produção de colágeno e elastina, com técnicas que promovem uma melhora visível na textura e na sustentação da pele. “Utilizando uma combinação de protocolos cosméticos avançados, como criofrequência, LED, radiofrequência, peelings e ativos de uso diário, conseguimos resultados eficazes que melhoram a firmeza e devolvem o aspecto saudável da pele sem a necessidade de intervenções invasivas. Consulte sempre um profissional para uma aparência saudável e equilibrada”, conclui a especialista.

  

Patrícia Elias - bacharel em Estética e Cosmetologia e pós-graduada em Dermaticista pela Faculdade IBECO. Especialista em tratamento de Melasma, hipercromias, flacidez cutânea e saúde da pele em geral, Patrícia é sócia fundadora da Clínica de Estética e comanda o maior canal do YouTube brasileiro para este ramo com 7,74 milhões de inscritos. O sucesso na internet aconteceu pelo desejo que ela tinha de levar as informações verdadeiras e seguras para as pessoas que procuram por cuidados da pele.


Treino de força na terceira idade não é sugestão: é necessidade


Sim, eu sei que ler esse título pode soar um pouco duro. Pode parecer até uma ordem, algo que muitos idosos naturalmente rejeitam. Mas a verdade é que o treino de força não é um luxo, nem apenas uma recomendação genérica de médicos ou profissionais de saúde. Ele é um dos pilares fundamentais para manter a autonomia, a saúde e a qualidade de vida ao longo do envelhecimento.

O ideal seria que todos chegassem à terceira idade já acostumados a se exercitar. Um corpo que foi movimentado ao longo da vida tende a envelhecer melhor e com mais vigor, equilíbrio e mobilidade. Mas a realidade é outra para muitas pessoas. A correria do trabalho, as responsabilidades da vida adulta e a falta de orientação fazem com que o movimento vá sendo deixado de lado.

Ainda assim, há uma boa notícia: enquanto há vida, nunca é tarde para começar ou recomeçar.

O tempo já passou, é verdade. Mas ele continuará passando de qualquer maneira. Então a pergunta que fica é simples: que tal usar o tempo que ainda vem pela frente para construir um corpo mais forte e uma vida mais independente?

Quando somos crianças, o movimento é natural. Brincamos, corremos, subimos em árvores, pulamos, nos abaixamos e levantamos sem sequer pensar nisso. O corpo funciona com liberdade e espontaneidade. Com o passar dos anos, porém, muitas pessoas vão se tornando cada vez mais sedentárias.

Sem perceber, deixam de se movimentar como deveriam. Perdem força muscular, mobilidade e consciência corporal, que é aquela capacidade simples de andar bem, sentar corretamente, agachar ou levantar com segurança.

Essa perda progressiva de força e massa muscular tem até nome: sarcopenia. De acordo com informações divulgadas pela Cleveland Clinic, ela pode começar ainda entre os 30 e 40 anos e tende a se intensificar com o envelhecimento, podendo chegar em alguns casos a até 8% de perda de massa muscular por década. Esse enfraquecimento é um dos principais fatores que comprometem a qualidade de vida na velhice. É ele que muitas vezes transforma tarefas simples, como caminhar, subir escadas ou levantar de uma cadeira, em grandíssimas dificuldades. Mas isso não precisa ser o destino inevitável do envelhecimento.

E a ciência é bastante consistente ao apontar qual tipo de exercício faz mais diferença nesse contexto: o treino de força. Revisões sistemáticas publicadas em periódicos como o Age and Ageing (Oxford Academic) e outros estudos na área de geriatria mostram que o treinamento resistido melhora força, equilíbrio e capacidade funcional em idosos, além de contribuir para a redução do risco de quedas – uma das principais causas de hospitalização nessa faixa etária.

Modalidades como musculação, Pilates e treinamento funcional (quando bem orientadas e com foco em força muscular), são as que apresentam os melhores resultados para preservar autonomia ao longo do envelhecimento. Não basta apenas se movimentar: é preciso treinar com propósito.

Com o treino de força adequado, orientado e adaptado para cada condição, o corpo pode evoluir em qualquer idade. Mesmo que o progresso seja gradual, ele acontece. Um idoso que começa a treinar pode recuperar mobilidade, melhorar o equilíbrio, fortalecer a musculatura e reduzir significativamente o risco de quedas. E, mais importante, pode recuperar algo extremamente valioso: a independência.

Conseguir caminhar sem ajuda, levantar da cama com autonomia, brincar com os netos ou simplesmente realizar atividades do dia a dia sem depender de outras pessoas são conquistas que fazem toda a diferença na autoestima e na qualidade de vida.

Cuidar do próprio corpo também é uma forma de cuidar daqueles que amamos. Afinal, manter-se ativo não significa apenas viver mais, significa viver melhor, com dignidade, autonomia e presença.

Por isso, o treino de força na terceira idade não deve ser visto como um esforço exagerado ou um sacrifício desnecessário. Ele é, na verdade, um investimento direto na liberdade de continuar vivendo plenamente.

Começar pode parecer difícil. Mas cada passo conta. E, muitas vezes, tudo o que o corpo precisa é justamente isso: começar a se mover novamente – com intenção, orientação e força. A hora é agora. 

 

Rairtoni Pereira - personal trainer há mais de 10 anos, ajudando pessoas a desenvolverem hábitos saudáveis e uma relação positiva com o próprio corpo. É autor do livro “5 Atitudes para criar o hábito de se exercitar todos os dias”.

 

Personalização em alta: mudança de comportamento redefine o futuro do emagrecimento

Avanço da obesidade e novas demandas do consumidor transformam o cuidado com o corpo 

 

Em um momento em que cada vez mais brasileiros enfrentam dificuldades para emagrecer, o avanço da obesidade acende um alerta e muda a forma como o cuidado com o corpo é conduzido. A obesidade no Brasil cresceu 118% entre 2006 e 2024, segundo dados do Ministério da Saúde, divulgados pelo Vigitel (2024). Atualmente, 25,7% dos adultos vivem com a doença, o equivalente a cerca de 1 em cada 4 pessoas. Quando considerado o sobrepeso, o índice atinge 62,6% da população, evidenciando a dimensão do problema e a necessidade de abordagens mais eficazes.

Na prática, essa transformação já pode ser percebida no dia a dia e começa a influenciar a forma como o próprio setor se organiza. Redes especializadas ganham espaço ao acompanhar um consumidor mais atento à saúde e à qualidade de vida. É o caso do Emagrecentro, referência em emagrecimento saudável e estética corporal, que projeta crescimento de 20% em 2026, após realizar mais de 5 milhões de atendimentos ao longo da sua trajetória. Fundada em 1986, a marca soma cerca de 450 unidades no Brasil e no exterior e prevê a abertura de 60 novas clínicas, com foco em cidades médias e estratégia que combina atendimento presencial e acompanhamento contínuo.


Mudança de comportamento redefine o cuidado com o corpo

Segundo o médico Dr. Edson Ramuth, fundador e CEO da rede, a transformação vai além da estética e está diretamente ligada a um desafio estrutural de saúde pública. “A obesidade é considerada o mal do século, ela interfere diretamente na qualidade de vida e está associada a diversas doenças. Por isso, precisa ser tratada de forma séria, contínua e com acompanhamento adequado”, afirma. 

Na ponta do atendimento, a personalização se consolida como um dos principais diferenciais, sustentada pelo acompanhamento ao longo da jornada do paciente. Informações como histórico de peso, hábitos, frequência no tratamento e resposta individual ajudam a orientar decisões e permitem ajustes mais precisos. “Isso significa que o tratamento deixa de seguir um modelo único e passa a se adaptar à rotina de cada pessoa, considerando horários, hábitos alimentares, nível de atividade física e até dificuldades ao longo do processo”, explica.

Esse acompanhamento também permite identificar padrões de comportamento e antecipar possíveis desafios, tornando o cuidado mais próximo e efetivo. Com isso, o plano deixa de ser fixo e passa a evoluir conforme a resposta individual, o que torna o processo mais viável no dia a dia. “Não existe um único caminho para emagrecer, cada paciente responde de uma forma, e o acompanhamento precisa considerar isso. Quando adaptamos o atendimento à realidade de cada pessoa, aumentamos a aderência e os resultados aparecem de forma mais consistente”, conclui o médico Dr. Edson Ramuth.



Emagrecentro


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