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segunda-feira, 1 de junho de 2026

O caso AJX, o pedido de bloqueio de R$ 50 milhões e o desafio da proteção dos investidores no Brasil

Não se trata apenas de investimentos malsucedidos ou de promessas não cumpridas de rentabilidade. O que está em jogo são economias construídas ao longo de décadas, aposentadorias colocadas em risco, famílias inteiras tentando compreender como recursos acumulados durante uma vida desapareceram em estruturas que aparentavam legitimidade, segurança e profissionalismo.

O caso AJX recoloca no centro do debate uma pergunta que há muito acompanha o mercado financeiro brasileiro: quem está efetivamente protegendo o investidor? 

O Instituto Social de Proteção e Garantia do Equilíbrio nas Relações de Consumo (IPGE) ajuizou ação coletiva com pedido de bloqueio patrimonial de R$ 50 milhões contra a AJX e demais envolvidos, buscando a proteção de consumidores e investidores supostamente lesados em um contexto que, segundo os elementos apresentados ao Judiciário, ultrapassa a esfera privada e assume evidente relevância social. 

Os levantamentos reunidos na atuação coletiva apontam para mais de cem vítimas já identificadas, prejuízos milionários e um fluxo contínuo de pessoas buscando orientação jurídica. Entretanto, talvez o dado mais preocupante esteja na dimensão potencial do caso. Informações citadas em investigações correlatas indicam a possibilidade de mais de dez mil investidores afetados. 

Segundo os fatos narrados na ação, a estrutura investigada teria se apoiado em captação irregular de poupança popular por meio de Cédulas de Crédito Bancário, acompanhada da promessa de rentabilidades extraordinárias e da alegação de existência de lastro vinculado a ações físicas do antigo BESC, ativos cuja consistência econômica vem sendo questionada em documentos e precedentes mencionados na própria investigação. 

Os elementos reunidos na ação civil pública também apontam para uma estratégia baseada em forte presença digital, publicidade intensiva, contato ativo com potenciais investidores e uma narrativa empresarial construída para transmitir segurança e credibilidade ao público. 

O impacto humano desse tipo de engrenagem não pode ser medido apenas em números. Ele se traduz em sofrimento financeiro, insegurança, litígios espalhados por diferentes regiões do país e investidores que acreditavam estar protegendo o patrimônio familiar, e não assumindo riscos incompatíveis com sua realidade econômica. 

É exatamente nesse ponto que a atuação coletiva assume papel relevante. A medida proposta pelo IPGE não pretende apenas discutir eventual responsabilização futura, mas enfrentar uma das maiores dificuldades relacionadas às grandes fraudes financeiras: o desaparecimento patrimonial antes da efetiva resposta judicial. 

Por essa razão, a ação requer medidas urgentes como bloqueio de ativos, rastreamento patrimonial, investigação financeira, bloqueio de criptoativos, quebra de sigilos, suspensão de atividades e comunicação a órgãos como Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários, Receita Federal e Ministério Público. 

O episódio também impõe uma reflexão mais ampla sobre o funcionamento do mercado de investimentos no Brasil. Vivemos um ambiente marcado por operações cada vez mais sofisticadas, linguagem técnica complexa, publicidade digital agressiva e crescente assimetria de informação entre quem oferece produtos financeiros e quem investe. 

Nesse cenário, a prevenção não pode ser substituída por reações tardias. Surge então uma questão inevitável: os mecanismos de fiscalização conseguem acompanhar a velocidade e a complexidade dos riscos contemporâneos? 

Agir apenas depois do colapso revela-se insuficiente, sobretudo quando famílias já perderam reservas financeiras, quando investidores passam anos enfrentando disputas judiciais e quando a reconstrução patrimonial vem acompanhada da difícil tarefa de recuperar confiança. 

Casos dessa magnitude exigem mais do que indignação retrospectiva. Exigem instituições vigilantes, mecanismos efetivos de fiscalização, transparência e respostas jurídicas capazes de equilibrar uma relação frequentemente desigual entre investidores dispersos e estruturas empresariais complexas. 

Patrimônio perdido não representa apenas dinheiro. Representa tempo de vida, trabalho, planejamento e confiança. E nenhuma sociedade economicamente madura deveria naturalizar a perda de algo tão valioso.

 

Mayra Vieira Dias - advogada especialista na defesa de vítimas de fraudes financeiras e sócia do escritório Calazans & Vieira Dias

 

Google inicia piloto de Message Ads no Brasil

Campanha visa transformar buscas em jornadas conversacionais de alta conversão


O Google iniciou, no Brasil, os testes de uma nova tecnologia que pode transformar a forma como empresas geram leads e convertem clientes: o Message Ads, integração entre Google Ads e RCS (Rich Communication Services). Em vez de direcionar o usuário para formulários ou landing pages tradicionais, o anúncio leva diretamente para uma conversa contextualizada e interativa com a marca — reduzindo fricção e acelerando a jornada de conversão. 

Diante dessa novidade, a Pontaltech, um dos principais parceiros do Google para RCS no Brasil e referência no desenvolvimento de jornadas conversacionais voltadas à aquisição, conversão e retenção de clientes, está buscando clientes estratégicos e os apoiando na execução do projeto piloto. 

Carlos Feist, Diretor de Growth Platforms da Pontaltech, explica que o movimento representa uma mudança estrutural nos modelos tradicionais de aquisição digital. “Estamos falando de uma nova camada de performance para marketing digital. Pela primeira vez, a intenção capturada na busca do Google pode ser convertida instantaneamente em uma conversa rica, contextualizada e interativa. Isso reduz etapas, aumenta a qualificação dos leads e melhora indicadores críticos como CPC, taxa de conversão e ROAS”, afirma. 

A proposta do Message Ads é transformar a conversa em parte central da estratégia de aquisição. Ao eliminar etapas intermediárias da jornada — como formulários extensos e páginas de conversão pouco eficientes — o modelo tende a reduzir abandono e aumentar o engajamento já no primeiro contato. 

A interação acontece no momento de maior intenção do consumidor, permitindo qualificação em tempo real, personalização da experiência e aceleração do processo de decisão de compra. 

Para áreas de marketing, growth e aquisição, o impacto potencial vai além da experiência do usuário. A expectativa é aumentar a eficiência de mídia e melhorar métricas associadas à geração de demanda e conversão, tornando a jornada mais fluida e orientada a resultado. 

O Brasil foi escolhido para os testes iniciais por ser um dos mercados mais avançados do mundo em messaging e canais conversacionais, consolidando o protagonismo do país na evolução das experiências digitais de relacionamento entre marcas e consumidores. 

Mais do que habilitar o canal, a Pontaltech atua na construção estratégica das jornadas conversacionais que sustentam essa nova experiência, combinando automação, inteligência conversacional, integração com CRM e desenho de fluxos focados em conversão. 

A empresa é, hoje, uma das principais referências em RCS e messaging no país, acumulando experiência na implementação de experiências conversacionais para grandes marcas em setores como financeiro, educação, varejo, mobilidade e turismo. 

Diversos segmentos com alta demanda de geração de leads tendem a capturar valor imediato desse novo modelo. Mas, segundo Feist, o potencial da tecnologia depende diretamente da capacidade das empresas de desenharem jornadas conversacionais eficientes. “Não basta apenas ativar o canal. O ganho real acontece quando a conversa é desenhada para conversão. Isso envolve estratégia, UX conversacional, integração de dados, automação e otimização contínua da jornada”, complementa. 

Para o diretor, o avanço do Message Ads sinaliza uma transformação mais ampla no mercado digital: a migração de experiências baseadas em clique para experiências baseadas em conversa. “O futuro da aquisição será cada vez mais conversacional. As empresas que entenderem isso primeiro terão vantagem competitiva relevante nos próximos anos. Estamos orgulhosos de participar desse movimento ao lado do Google e ajudar marcas brasileiras a explorarem todo o potencial dessa nova geração de experiências”, finaliza Feist. 

 

Pontaltech



CEO x Conselho: como um desalinhamento entre eles pode comprometer as empresas?

 

A relação entre o CEO e o Conselho está entre as mais estratégicas para a sustentabilidade de uma empresa — e, ao mesmo tempo, as mais delicadas de administrar. Por mais que uma divergência de pensamentos e visões entre eles seja algo natural (e saudável) de existir, qualquer desalinhamento mais profundo nessa relação é capaz de romper com a governança interna, prejudicando a capacidade de tomadas de decisões com consistência, velocidade e estratégia. A grande questão, então, é como evitar que a situação chegue a esse nível? 

Por mais que muitos ainda olhem para as divergências entre eles como uma falha, é crucial mudar essa percepção para um sinal de maturidade interna. Afinal, os conselhos existem, justamente, para desafiar premissas, ampliar perspectivas, provocar reflexões e elevar a qualidade das decisões estabelecidas. Quando todos concordam com tudo que é dito ou feito, os riscos de que os debates estratégicos se tornem superficiais se elevam, além de abrir espaço para que este grupo atue de forma passiva em uma posição tão importante para o destaque corporativo. 

Segundo uma pesquisa publicada no Harvard Law School Forum on Corporate Governance, 60% desses conflitos entre CEO e Conselho têm origem em falhas de comunicação e expectativas de desempenho mal estabelecidas desde o início da relação - o que torna o esclarecimento a respeito dos papéis, deveres e limites de cada lado algo primordial para evitar essa falta de alinhamento. 

Enquanto é dever do Conselho direcionar a companhia estrategicamente, supervisionar o que é feito, acompanhar eventuais riscos, avaliar o CEO e pensar na perpetuidade da empresa, o C-Level deve executar as estratégias que forem alinhadas, liderar as operações, desenvolver as pessoas e entregar os resultados esperados. Nesse sentido, os problemas podem aparecer quando o conselho começa a operar empresa, ou quando a diretoria deixa de ter transparência e alinhamento com o board, por exemplo.  

Uma relação saudável entre as partes envolve transparência, fluxo constante de informações, clareza sobre responsabilidades, alinhamento estratégico a longo prazo e, acima de tudo, comunicação frequente entre eles. Não precisam concordar com tudo, mas atuar como parceiros estratégicos alinhados à perpetuidade e sustentabilidade do negócio. 

Conselhos maduros desafiam as premissas, questionam riscos, ampliam o repertório e intencionam discussões estratégicas que amadureçam a performance corporativa, construindo a perpetuidade sustentável das operações. Ao mesmo tempo, bons CEOs prezam por um conselho que agregue e desafie sua visão, com amplo repertório, experiência e capacidade de antecipar o futuro – reduzindo vieses nas decisões e medidas impulsivas ou concentradas nos executivos em si. 

O grande ponto a este respeito é que divergências, em si, não necessariamente são um problema, apenas quando deixam de ser institucionais e passam a se tornar relacionais ou políticas - derivadas por disputas internas por poder, agendas paralelas entre eles, vaidade ou, justamente, a falta de clareza entre cada um dos seus papéis - o que costuma ocorrer em empresas que estão em um contexto de crescimento acelerado, em processo de sucessão familiar, ou que mantiveram estruturas antigas ou arcaicas que não fazem mais sentido no mercado atual. 

Uma boa governança transforma essas divergências em oportunidades de qualificar as tomadas de decisões, estabelecendo uma visão forte a longo prazo que traga resultados que gerem valor ao negócio. Não é sobre evitar tensão, mas usá-la de forma positiva como inteligência coletiva, gerando debates saudáveis com respeito institucional que sempre se comprometam com o melhor interesse para a empresa em si. 

Essa é uma jornada eterna, que não existe regra de bolo que sirva para toda empresa. Apesar disso, boas práticas podem ser inspiradas como pilar central em cada negócio, de forma que essas diferenças sejam encaradas como algo positivo a favor de fortalecer a governança e tomadas de decisões, fortalecendo cada vez mais as operações como um todo.  



Jordano Rischter - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.



Wide
https://wide.works/


4 experiências para viver Corumbau, o paraíso do sul da Bahia

 

DepositPhotos
Destino combina preservação ambiental e vivências fora do turismo convencional


Entre extensas faixas de areia, mar cristalino e vegetação nativa, Corumbau se destaca no sul da Bahia pelo turismo de experiência. Cercada por áreas de Mata Atlântica e formações marinhas, a antiga vila de pescadores reúne diferentes formas de contato com a natureza, que vão de trilhas à beira-mar e mergulho a birdwatching e observação de baleias. 


Riqueza de aves na região

A paisagem natural e a biodiversidade local ajudam a definir a experiência no destino. Manguezais, vegetação costeira e áreas de mata nativa favorecem a presença de diferentes espécies de aves, atraindo observadores e fotógrafos interessados em birdwatching.


Mergulho em águas cristalinas

Em dias de mar calmo, a costa revela um cenário quase translúcido. Recifes e formações marinhas surgem próximos à faixa de areia, convidando a atividades como flutuação e mergulho livre, em que o tempo parece desacelerar junto com a maré.


Percursos pela costa de Corumbau

Além das atividades ligadas à biodiversidade marinha, a contemplação da paisagem também faz parte da experiência em Corumbau. As caminhadas à beira-mar estão entre as vivências procuradas por visitantes que buscam um ritmo mais desacelerado durante a viagem, especialmente em trajetos em direção à Ponta do Corumbau, conhecida pela extensa faixa de areia que avança sobre o mar.


Observação de baleias-jubarte

Entre julho e outubro, o litoral de Corumbau também se transforma em ponto de observação de baleias-jubarte. Nesse período, os passeios de barco passam a integrar as experiências oferecidas na região, conduzindo visitantes a áreas de avistamento em mar aberto, em roteiros voltados à contemplação da paisagem e da fauna marinha. 

Segundo Sandra Catelan, presidente da AMA Corumbau (Associação de Moradores e Amigos de Corumbau), o diferencial da região está na forma como a atividade turística se integra à paisagem e à comunidade. “O destino mantém características que passaram a ser cada vez mais valorizadas no turismo, como contato com a natureza, tranquilidade e uma relação mais próxima com a cultura local”, afirma. 

Em meio à procura por lugares menos massificados e mais associados ao bem-estar e à desaceleração, Corumbau consolida sua relevância no turismo ao reunir preservação ambiental, contemplação da paisagem e vivências relacionadas ao território. 

 

Por que os adolescentes precisam conhecer a Amazônia?



Na década de 1970, um anúncio de carro, veiculado na TV, retratava um pequeno automóvel percorrendo um trecho da BR 230, uma cicatriz aberta no meio da floresta pela rodovia Transamazônica. Em outra cena, enormes tratores de esteira derrubavam árvores gigantescas para a abertura da dita “estrada da integração nacional”. O slogan da campanha era: “desbravando o inferno verde”.

Passados 50 anos, infelizmente ainda há muito reflexo deste ideal de ocupação da Amazônia, baseado em conhecimentos exóticos, de total desconhecimento e desrespeito às realidades amazônicas, principalmente nos meios políticos e empresariais. Isso porque é mais fácil destruir que conhecer, é mais fácil matar o desconhecido, do que aceitar novas perspectivas e novas formas de convívio com o ambiente natural.

Os jovens que não vivem na Amazônia e, também muitos dos que estão nas grandes e médias cidades amazônicas, pouco ou nenhum conhecimento têm sobre este extenso e rico território. Os currículos escolares pouco retratam a geografia e a história de ocupação da Amazônia, o que deixa um vácuo na formação de nossos jovens, que conhecem mais sobre os parques temáticos dos Estados Unidos e da Europa, do que sobre as maravilhas observadas, ao navegar os rios e igarapés amazônicos.

Embora, muitos devam trazer a Amazônia em seu imaginário, pois, invariavelmente, o noticiário relata acontecimentos infelizes, como garimpo em terras indígenas, tráfico de drogas e de animais silvestres, desmatamentos por atividades irregulares, perseguição e morte de lideranças comunitárias, de servidores públicos e de ambientalistas.

Por outro lado, o contato com a ambiente amazônico e o convívio com comunidades ribeirinhas e com os saberes tradicionais, provocam um choque cultural em quem tem esta oportunidade. Na Amazônia o ritmo é outro, e quem tem o privilégio de vivenciar tais experiências, se sente revivido e muda o modo de pensar e de agir.

É preciso perceber as belezas do ambiente amazônico, além de seus problemas e sua realidade da degradação ambiental, para saber discernir sobre que futuro queremos para a Amazônia e, por que não dizer, para o nosso planeta.



Paulo Spínola - biólogo, analista ambiental e autor do livro “O Mistério do Povo Mamoé”, uma obra para adolescentes que atravessa a história de ocupação e a geografia da Amazônia.

 

Estudantes da 3ª série do Ensino Médio têm até o dia 5 de junho para confirmar participação no Enem

Neste ano, estudantes da rede estadual têm inscrições automáticas e basta confirmar idioma estrangeiro de preferência para as provas 

 

Estudantes matriculados na 3ª série do Ensino Médio têm até o próximo dia 5 de julho, terça-feira, para confirmarem a inscrição no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2026.  

 

Neste ano, o cadastro para estudantes da rede pública é automático. Para confirmar participação na prova, cada aluno precisa acessar o sistema do Enem e, na Página do Participante, escolher o município onde deseja realizar as provas, escolher a língua estrangeira (entre língua inglesa e espanhola) e, se necessário, solicitar recursos de acessibilidade e tratamento pelo nome social.

 

As provas do Enem 2026 estão marcadas para os dias 8 e 15 de novembro. 

 

Provão Paulista

Além do Enem, estudantes da rede pública têm no Provão Paulista Seriado mais uma oportunidade de ingresso no ensino superior. Em três edições, o vestibular do Governo do Estado de São Paulo abriu mais de 46 mil vagas na USP (Universidade de São Paulo), Unesp (Universidade Estadual Paulista), Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Fatecs (Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo) e Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo).

 

Prepara SP

A plataforma Prepara SP é uma iniciativa da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) focada na preparação gratuita de alunos do Ensino Médio para o Provão Paulista, Enem e outros vestibulares. A ferramenta oferece simulados, trilhas personalizadas, tutor virtual e correções.  


No Prepara SP, estão disponíveis aulas com didática exclusiva, com duração entre sete e 15 minutos cada uma. Os conteúdos da plataforma incluem também resumos e cards e disponibilizados digitalmente, a fim de auxiliar o estudante na assimilação e recapitulação do que foi visto em aula. O uso da ferramenta não é obrigatório, mas complementa as aulas do currículo oficial e apoia estudantes na preparação para as provas que dão acesso ao ensino superior.


Docência: uma profissão enferma e inviabilizada

Os dados não deixam dúvidas: os professores estão doentes e submetidos a todo tipo de violência. Em 2025, por exemplo, o estado de São Paulo registrou a média de 95 afastamentos diários de docentes por problemas relacionados à saúde mental, segundo o Centro do Professorado Paulista. Pesquisa recente do Centro de Estatística Aplicada do Instituto de Matemática da USP, em conjunto com o Sindicato dos Professores e Funcionários Municipais de São Paulo, apontou que 63,5% dos educadores da rede municipal afastaram-se por problemas de saúde ao longo de doze meses, enquanto 84% declararam sofrer algum tipo de transtorno mental. Nacionalmente, a pesquisa “Saúde Mental dos Educadores 2022”, realizada pela Nova Escola, em parceria com o Instituto Ame Sua Mente, demonstrou que 21,5% dos educadores consideram a sua saúde mental “ruim” ou “muito ruim”.

Além disso, as escolas brasileiras são notoriamente violentas e inseguras. Nesse sentido, a mesma pesquisa da USP constatou que 62,5% dos professores entrevistados relataram ter sido vítimas de algum tipo de violência em seu ambiente de trabalho. De acordo com a FAPESP, os casos de violência escolar triplicaram em dez anos no país. Outrossim, de acordo com o 4º boletim técnico “Escola que Protege” (MEC/MDHC), entre 2001 e 2025, foram identificados 47 ataques de violência extrema, com 177 vítimas  56 fatais e 121 feridas.

O caminho para se chegar a esse estado de coisas foi construído ao longo de décadas, especialmente por políticos oportunistas, acadêmicos fanatizados e burocratas sedentos de cargos. Primeiro, providenciou-se a completa precarização das escolas e da carreira docente, materializada por prédios caindo aos pedaços, falta de material básico, diminuição progressiva da equipe de funcionários, baixos salários, etc.

Paralelamente, ideais antiensino e anti-intelectuais espalharam-se pelos cursos de formação e começaram a guiar as políticas públicas, atacando a importância dos conhecimentos escolares – base do desenvolvimento de qualquer tipo de competência , da memorização, do ensino explícito e dos métodos comprovadamente eficazes de alfabetização, trocando-os por uma barafunda de ideias pseudocientíficas e desastrosas, consubstanciadas na BNCC e na Reforma do Ensino Médio.

A cada resultado educacional ruim, a burocracia estatal respondia com mais controle, mais papelada, mais sobrecarga e, nos últimos anos, mais ameaças e punições. Por outro lado, anulou-se a autoridade do professor, desacreditado diante das famílias e dos próprios alunos.

Não bastava, porém, depredar a educação; era preciso encontrar um culpado para tamanho fracasso. O bode expiatório, é claro, foi o professor, tachado de despreparado, ineficiente, retrógrado, preguiçoso, elitista, tirânico e doutrinador. Assim, mesmo sem condições mínimas de trabalho e segurança, ele passou a ser tratado como a “Geni” do setor escolar, um rematado incompetente, mas que, paradoxalmente, recebe cada vez mais as incumbências negligenciadas pelo restante da sociedade. Como é bom, para os poderosos e omissos, culpar a vítima.

A educação brasileira está na lona e o apagão docente já se anuncia no horizonte. Para reverter essa trajetória, será preciso devolver racionalidade ao sistema educacional, pautando as reformas pelas evidências científicas e experiências bem-sucedidas, além de aprimorar o investimento, repensar maneiras de lidar com a violência dentro das escolas e devolver o comando das salas de aula a quem de direito: o professor. Do contrário, a docência continuará sendo sinônimo de adoecimento, e toda a sociedade brasileira continuará padecendo da enfermidade do analfabetismo e da ignorância.

 

Arthur V. F. Furtado - professor, coordenador pedagógico, doutor em Educação Escolar e autor do livro “Queimem todos os professores”

 

Google inicia piloto de Message Ads no Brasil

Campanha visa transformar buscas em jornadas conversacionais de alta conversão


O Google iniciou, no Brasil, os testes de uma nova tecnologia que pode transformar a forma como empresas geram leads e convertem clientes: o Message Ads, integração entre Google Ads e RCS (Rich Communication Services). Em vez de direcionar o usuário para formulários ou landing pages tradicionais, o anúncio leva diretamente para uma conversa contextualizada e interativa com a marca — reduzindo fricção e acelerando a jornada de conversão. 

Diante dessa novidade, a Pontaltech, um dos principais parceiros do Google para RCS no Brasil e referência no desenvolvimento de jornadas conversacionais voltadas à aquisição, conversão e retenção de clientes, está buscando clientes estratégicos e os apoiando na execução do projeto piloto. 

Carlos Feist, Diretor de Growth Platforms da Pontaltech, explica que o movimento representa uma mudança estrutural nos modelos tradicionais de aquisição digital. “Estamos falando de uma nova camada de performance para marketing digital. Pela primeira vez, a intenção capturada na busca do Google pode ser convertida instantaneamente em uma conversa rica, contextualizada e interativa. Isso reduz etapas, aumenta a qualificação dos leads e melhora indicadores críticos como CPC, taxa de conversão e ROAS”, afirma. 

A proposta do Message Ads é transformar a conversa em parte central da estratégia de aquisição. Ao eliminar etapas intermediárias da jornada — como formulários extensos e páginas de conversão pouco eficientes — o modelo tende a reduzir abandono e aumentar o engajamento já no primeiro contato. 

A interação acontece no momento de maior intenção do consumidor, permitindo qualificação em tempo real, personalização da experiência e aceleração do processo de decisão de compra. 

Para áreas de marketing, growth e aquisição, o impacto potencial vai além da experiência do usuário. A expectativa é aumentar a eficiência de mídia e melhorar métricas associadas à geração de demanda e conversão, tornando a jornada mais fluida e orientada a resultado. 

O Brasil foi escolhido para os testes iniciais por ser um dos mercados mais avançados do mundo em messaging e canais conversacionais, consolidando o protagonismo do país na evolução das experiências digitais de relacionamento entre marcas e consumidores. 

Mais do que habilitar o canal, a Pontaltech atua na construção estratégica das jornadas conversacionais que sustentam essa nova experiência, combinando automação, inteligência conversacional, integração com CRM e desenho de fluxos focados em conversão. 

A empresa é, hoje, uma das principais referências em RCS e messaging no país, acumulando experiência na implementação de experiências conversacionais para grandes marcas em setores como financeiro, educação, varejo, mobilidade e turismo. 

Diversos segmentos com alta demanda de geração de leads tendem a capturar valor imediato desse novo modelo. Mas, segundo Feist, o potencial da tecnologia depende diretamente da capacidade das empresas de desenharem jornadas conversacionais eficientes. “Não basta apenas ativar o canal. O ganho real acontece quando a conversa é desenhada para conversão. Isso envolve estratégia, UX conversacional, integração de dados, automação e otimização contínua da jornada”, complementa. 

Para o diretor, o avanço do Message Ads sinaliza uma transformação mais ampla no mercado digital: a migração de experiências baseadas em clique para experiências baseadas em conversa. “O futuro da aquisição será cada vez mais conversacional. As empresas que entenderem isso primeiro terão vantagem competitiva relevante nos próximos anos. Estamos orgulhosos de participar desse movimento ao lado do Google e ajudar marcas brasileiras a explorarem todo o potencial dessa nova geração de experiências”, finaliza Feist. 

 

Pontaltech


 

Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) Mar Sem Lixo já destinou mais de R$ 1,2 milhão a pescadores artesanais que atuam na limpeza de manguezais e áreas costeiras


A Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), já retirou mais de 164 toneladas de resíduos do ambiente marinho no litoral paulista por meio do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) Mar Sem Lixo, desde 2023.

Somente entre fevereiro e abril deste ano, durante o período do defeso do camarão, foram recolhidas mais de 43 toneladas de lixo dos manguezais em seis municípios costeiros do Estado.

O volume recolhido entre fevereiro e abril de 2026 representa cerca de 27% de todo o material já retirado pelo programa e um crescimento de 231% em relação ao início dos mutirões. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o aumento foi de 12,9%.

Atualmente, o PSA Mar Sem Lixo conta com 344 pescadores artesanais cadastrados — aumento de 164% desde a criação da iniciativa. Ao longo do programa, mais de R$ 1,2 milhão já foram destinados aos participantes pelo serviço ambiental prestado nos manguezais e no ambiente marinho.

Presente nos municípios de Ubatuba, São Sebastião, Cananeia, Guarujá, Bertioga e Itanhaém, o programa já retirou mais de 123 toneladas de resíduos exclusivamente de áreas de manguezal, o equivalente a 75% de todo o lixo recolhido pela iniciativa.

A quantidade retirada dos manguezais apenas durante o defeso deste ano equivale a cerca de 430 mil garrafas plásticas descartadas incorretamente no meio ambiente. Dados do programa apontam que 97% dos resíduos encontrados nos manguezais são compostos por plástico e que aproximadamente 70% correspondem a itens descartáveis ou de uso único.

As embalagens de alimentos industrializados lideram entre os resíduos identificados, representando 43,1% do total analisado. Copos descartáveis aparecem em seguida, com 16,7%, além de resíduos relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas, responsáveis por 12,7% do material encontrado.

“O programa demonstra que conservação ambiental e desenvolvimento social caminham juntos. Os pescadores artesanais conhecem profundamente esses territórios e se tornaram protagonistas na proteção dos manguezais e do ambiente marinho”, destaca Rodrigo Levkovicz.

“O lixo que chega aos manguezais muitas vezes começa com o descarte irregular nas cidades. Quando esses resíduos chegam fragmentados ao ambiente marinho, o impacto para a fauna e para os ecossistemas costeiros é ainda maior”, explica Sandra Leite, oordenadora do PSA Mar Sem Lixo.

Os manguezais desempenham papel fundamental para a biodiversidade marinha, funcionando como berçário natural de diversas espécies de peixes e crustáceos. Também ajudam na filtragem de poluentes, na proteção da linha de costa contra erosão e no armazenamento de carbono azul, contribuindo diretamente para o enfrentamento das mudanças climáticas.

Durante o defeso, os pescadores cadastrados participaram dos mutirões de limpeza nos manguezais e receberam pelo serviço ambiental prestado. Ao longo do restante do ano, o programa também remunera resíduos recolhidos durante a atividade pesqueira de arrasto de camarão.

A Fundação Florestal reforça que o combate à poluição marinha também depende da colaboração da população, com descarte correto de resíduos e redução do consumo de plásticos de uso único.

 

CEO x Conselho: como um desalinhamento entre eles pode comprometer as empresas?


A relação entre o CEO e o Conselho está entre as mais estratégicas para a sustentabilidade de uma empresa — e, ao mesmo tempo, as mais delicadas de administrar. Por mais que uma divergência de pensamentos e visões entre eles seja algo natural (e saudável) de existir, qualquer desalinhamento mais profundo nessa relação é capaz de romper com a governança interna, prejudicando a capacidade de tomadas de decisões com consistência, velocidade e estratégia. A grande questão, então, é como evitar que a situação chegue a esse nível? 

Por mais que muitos ainda olhem para as divergências entre eles como uma falha, é crucial mudar essa percepção para um sinal de maturidade interna. Afinal, os conselhos existem, justamente, para desafiar premissas, ampliar perspectivas, provocar reflexões e elevar a qualidade das decisões estabelecidas. Quando todos concordam com tudo que é dito ou feito, os riscos de que os debates estratégicos se tornem superficiais se elevam, além de abrir espaço para que este grupo atue de forma passiva em uma posição tão importante para o destaque corporativo. 

Segundo uma pesquisa publicada no Harvard Law School Forum on Corporate Governance, 60% desses conflitos entre CEO e Conselho têm origem em falhas de comunicação e expectativas de desempenho mal estabelecidas desde o início da relação - o que torna o esclarecimento a respeito dos papéis, deveres e limites de cada lado algo primordial para evitar essa falta de alinhamento. 

Enquanto é dever do Conselho direcionar a companhia estrategicamente, supervisionar o que é feito, acompanhar eventuais riscos, avaliar o CEO e pensar na perpetuidade da empresa, o C-Level deve executar as estratégias que forem alinhadas, liderar as operações, desenvolver as pessoas e entregar os resultados esperados. Nesse sentido, os problemas podem aparecer quando o conselho começa a operar empresa, ou quando a diretoria deixa de ter transparência e alinhamento com o board, por exemplo.  

Uma relação saudável entre as partes envolve transparência, fluxo constante de informações, clareza sobre responsabilidades, alinhamento estratégico a longo prazo e, acima de tudo, comunicação frequente entre eles. Não precisam concordar com tudo, mas atuar como parceiros estratégicos alinhados à perpetuidade e sustentabilidade do negócio. 

Conselhos maduros desafiam as premissas, questionam riscos, ampliam o repertório e intencionam discussões estratégicas que amadureçam a performance corporativa, construindo a perpetuidade sustentável das operações. Ao mesmo tempo, bons CEOs prezam por um conselho que agregue e desafie sua visão, com amplo repertório, experiência e capacidade de antecipar o futuro – reduzindo vieses nas decisões e medidas impulsivas ou concentradas nos executivos em si. 

O grande ponto a este respeito é que divergências, em si, não necessariamente são um problema, apenas quando deixam de ser institucionais e passam a se tornar relacionais ou políticas - derivadas por disputas internas por poder, agendas paralelas entre eles, vaidade ou, justamente, a falta de clareza entre cada um dos seus papéis - o que costuma ocorrer em empresas que estão em um contexto de crescimento acelerado, em processo de sucessão familiar, ou que mantiveram estruturas antigas ou arcaicas que não fazem mais sentido no mercado atual. 

Uma boa governança transforma essas divergências em oportunidades de qualificar as tomadas de decisões, estabelecendo uma visão forte a longo prazo que traga resultados que gerem valor ao negócio. Não é sobre evitar tensão, mas usá-la de forma positiva como inteligência coletiva, gerando debates saudáveis com respeito institucional que sempre se comprometam com o melhor interesse para a empresa em si. 

Essa é uma jornada eterna, que não existe regra de bolo que sirva para toda empresa. Apesar disso, boas práticas podem ser inspiradas como pilar central em cada negócio, de forma que essas diferenças sejam encaradas como algo positivo a favor de fortalecer a governança e tomadas de decisões, fortalecendo cada vez mais as operações como um todo.   



Jordano Rischter - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.

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Reajuste da ANS vale para apenas 14,5% dos usuários de planos de saúde; maioria dos brasileiros segue sem teto de aumento

Grupo AllCross, maior rede de corretores de planos de saúde do Brasil, alerta que reajuste de 5,11% anunciado pela ANS se aplica apenas aos contratos individuais e familiares; especialista explica quem realmente será impactado e por que milhões de consumidores continuam expostos a aumentos sem limite definido pela agência reguladora

 

A decisão da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) de autorizar reajuste máximo de 5,11% para os planos de saúde individuais e familiares entre maio de 2026 e abril de 2027 trouxe alívio para parte dos consumidores brasileiros. O índice é o menor aprovado pela agência nos últimos anos e abaixo dos percentuais registrados recentemente pelo setor.

O que pouca gente sabe, porém, é que a regra vale para uma parcela relativamente pequena dos beneficiários da saúde suplementar no país. Segundo dados da própria ANS, o reajuste atinge cerca de 7,7 milhões de pessoas, o equivalente a apenas 14,5% dos mais de 52 milhões de usuários de planos de saúde no Brasil. Isso significa que mais de 85% dos consumidores estão vinculados a contratos coletivos, empresariais ou por adesão, que não seguem o teto definido pela agência reguladora.

Para o gerente de negócios do Grupo AllCross, Rogério Moreira, a divulgação anual do índice costuma gerar uma falsa percepção de que todos os consumidores serão impactados da mesma maneira.

“Quando a ANS divulga o reajuste, muitas pessoas acreditam que aquele percentual vale para todos os planos de saúde. Mas a realidade é diferente. A maior parte dos beneficiários está em contratos coletivos, que seguem critérios próprios de reajuste previstos contratualmente”, explica.

O especialista ressalta que a própria ANS não possui prerrogativa legal para estabelecer um limite de reajuste para os contratos coletivos, modalidade que atualmente concentra a maior parte dos usuários da saúde suplementar no país.

“Existe uma percepção de proteção maior do que realmente existe. Muita gente só descobre que está em um contrato coletivo quando recebe o boleto reajustado”, afirma Moreira.

Reajuste não entra em vigor ao mesmo tempo para todos os contratos

Outro ponto que costuma gerar dúvidas entre os consumidores é o momento em que o novo percentual começa a ser aplicado. Segundo a regulamentação da ANS, o reajuste só pode ser cobrado no mês de aniversário de cada contrato.

Na prática, isso significa que nem todos os beneficiários sentirão o impacto imediatamente após o anúncio da agência. Em alguns casos, principalmente para contratos com aniversário nos meses de maio e junho, a cobrança poderá ocorrer posteriormente, inclusive com previsão de retroatividade autorizada pela regulamentação.

“Muitas pessoas acreditam que o reajuste começa a valer imediatamente após o anúncio da ANS, mas isso depende da data de contratação do plano. É importante que o consumidor acompanhe o contrato e confira se a cobrança está sendo feita dentro das regras previstas”, orienta Moreira.


Mercado vive desaceleração dos reajustes após anos de alta

O índice de 5,11% também chama atenção por representar uma desaceleração gradual dos reajustes autorizados nos últimos anos. Em 2022, o percentual aprovado pela ANS chegou a 15,5%. Depois, passou para 9,63%, 6,91%, 6,06% e agora 5,11%.

Para especialistas do setor, o movimento reflete uma acomodação dos custos após o período de maior pressão registrado nos anos posteriores à pandemia, quando houve aumento expressivo da utilização de serviços médicos e hospitalares.

“O índice atual mostra uma redução da pressão sobre os custos assistenciais em comparação aos últimos anos. Mas isso não significa, necessariamente, que todos os consumidores terão aumentos menores, principalmente nos contratos coletivos”, analisa o gerente de negócios do Grupo AllCross.


Reajuste não acompanha apenas a inflação

Diferentemente de outros serviços, o reajuste dos planos de saúde não considera apenas a inflação oficial do país. A metodologia utilizada pela ANS leva em conta fatores como frequência de utilização dos serviços médicos, exames, internações, procedimentos e despesas assistenciais das operadoras.

“Muita gente compara o reajuste apenas com a inflação tradicional, mas a dinâmica da saúde suplementar é diferente. O setor depende diretamente do comportamento dos custos médicos e da utilização dos serviços pelos beneficiários”, explica Moreira.


Consumidor precisa entender qual contrato possui

Segundo o Grupo AllCross, um dos maiores problemas enfrentados hoje pelos consumidores é o desconhecimento sobre o próprio tipo de contratação. A falta de informação faz com que muitos usuários não saibam quais regras realmente se aplicam ao seu plano de saúde.

“Antes de avaliar se o aumento foi alto ou baixo, o consumidor precisa entender qual modalidade possui. Essa é uma informação básica, mas que ainda gera muita confusão no mercado”, afirma o especialista.

Além do reajuste anual, Moreira lembra que muitos contratos também sofrem alterações relacionadas à mudança de faixa etária, o que pode elevar significativamente o valor da mensalidade ao longo dos anos.

 bfg


Saúde suplementar vive transformação no Brasil

O mercado brasileiro de saúde suplementar atende atualmente mais de 52 milhões de beneficiários e atravessa um período de transformação impulsionado pelo envelhecimento da população, aumento dos custos hospitalares e mudanças no perfil de consumo dos usuários.

Para Rogério Moreira, o debate sobre reajustes precisa avançar além da simples divulgação dos percentuais anuais.

“O anúncio do reajuste da ANS gera repercussão nacional todos os anos, mas a principal dúvida continua sendo a mesma: quem realmente será impactado por esse índice? A maior parte dos consumidores descobre apenas na hora de receber o boleto que está em uma modalidade completamente diferente da que imaginava”, conclui. 



Grupo AllCross
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Sete erros clássicos na gestão industrial


Muito se fala sobre Indústria 4.0, automação e inteligência artificial nas linhas de produção. No entanto, o verdadeiro coração de uma gestão industrial eficiente não está nas ferramentas de prateleira que a empresa compra, mas em como as pessoas, a previsibilidade de demanda e a rotina de manutenção se conectam. 

O grande desafio atual é a falta de sintonia entre o planejamento e a execução. O que vemos é que, embora vivamos uma era marcada pelo avanço da transformação digital, uma grande parte das organizações, em vez de estar evoluindo a gestão, está dedicando seu tempo a corrigir erros e falhas que impactam diretamente o crescimento da empresa. Como prova disso, de acordo com uma pesquisa realizada pela ABB, mais de dois terços das empresas do segmento industrial sofrem paradas não planejadas pelo menos uma vez por mês, custando para a maioria das companhias cerca de R$ 712.500,00 por hora. 

Na correria para apagar os incêndios do cotidiano, muitos gestores acabam caindo em armadilhas invisíveis que corroem o OEE e a rentabilidade da operação. Abaixo, listo os sete erros clássicos na gestão industrial: 

#1 Dependência de planilhas auxiliares: por mais que o Excel seja uma ferramenta de fácil acesso, ela não foi projetada para rodar o PCP ou o estoque de uma fábrica em tempo real. Nesse caso, o uso de planilhas paralelas gera retrabalho, erros de digitação e obsolescência. Na prática, gerenciar a produção com esse método significa tomar decisões cruciais hoje com base nos dados frios de ontem. 

#2 Tratar os sintomas e ignorar a causa raiz: diante de uma máquina parada ou de um atraso na entrega, o erro mais comum é aplicar uma solução temporária para retomar a operação o mais rápido possível. Por sua vez, quando não se utilizam metodologias para investigar a verdadeira raiz do problema, a falha vai se repetir. Ou seja, corrigir apenas o efeito imediato sabota a previsibilidade e encarece o custo de manutenção a longo prazo. 

#3 Resistência em investir em sistemas especialistas de apoio: muitas indústrias operam no limite porque enxergam a tecnologia de gestão como custo, e não como investimento. Deixar de adotar um sistema robusto que auxilie no planejamento, sequenciamento e controle de chão de fábrica sobrecarrega a equipe, limita a capacidade de crescimento da planta e reduz o OEE (Overall Equipment Effectiveness). 

#4 Falta de comunicação entre setores: esse é o clássico "apagão" entre a engenharia, o comercial, o PCP e o chão de fábrica. Quando os departamentos operam como ilhas isoladas, surgem as metas conflitantes e os gargalos. 

#5 Tomada de decisão baseada em dados fragmentados: tomar decisões industriais sem informações centralizadas é um tiro no escuro. Afinal, quando os dados estão espalhados, as lideranças não conseguem ter um direcionamento correto da atual realidade da organização. Uma gestão madura exige decisões integradas, sustentadas por indicadores confiáveis e extraídos em tempo real, eliminando os palpites e o "achismo" das reuniões de resultado. 

#6 Uso de sistemas que não se conversam: muitas empresas compram o software "X" para uma função e o software "Y" para outra, caindo na armadilha dos sistemas isolados. Cada ferramenta resolve uma dor específica, mas elas não são integradas entre si. O resultado é uma colcha de retalhos tecnológica que gera duplicidade de dados, inconsistências e exige um esforço enorme da equipe para consolidar as informações. 

#7 Centralização e não compartilhamento do conhecimento: quando o conhecimento sobre o funcionamento de uma máquina ou sobre as regras de um processo fica guardado apenas para alguns colaboradores ou operadores antigos, a fábrica corre um risco altíssimo. A falta de padronização e de documentação dos processos gera dependência interna e impede que a operação se torne escalável e eficiente. 

Todos os erros têm em comum o fato de que eles acontecem quando o básico deixa de ser feito. Isto é, de nada adianta ter soluções robustas sem que os processos e a operação estejam em dia. Além disso, a gestão de pessoas também é um ponto importante a ser considerado, visto que, por mais que a tecnologia avance, a mão de obra humana continuará sendo um elo importante a ser trabalhado. 

Nesse contexto, a empresa precisa equilibrar o investimento em recursos juntamente com estratégias e ações que contribuam para o crescimento dos colaboradores e, consequentemente, para o desempenho da organização. 

Quando falamos do meio industrial, existe uma gama de soluções, como ERPs, WMS, APS e MES. Entretanto, é importante buscar uma ferramenta que tenha esses módulos prontos ou facilidade de integração com outros sistemas. Além disso, ter o apoio de uma consultoria é uma estratégia eficaz para direcionar não apenas em como utilizar a ferramenta, mas guiar a empresa rumo às melhores práticas para garantir melhores resultados. 

Hoje, diante da velocidade do mercado, eficiência e agilidade são elementos cruciais, mas para que a indústria evolua, é essencial que, antes de qualquer mudança, sejam feitos apontamentos para sanar os erros e garantir a fluidez dos processos. Afinal, a verdadeira transformação digital só acontece quando a tecnologia serve para potencializar processos que já são saudáveis, e não para automatizar ineficiências.  



André Ferreira - engenheiro de produção e consultor industrial na ABC71.
ABC71


A cidade que expulsa seus idosos expulsa a si mesma

 

A cidade de São Paulo volta a revelar suas entranhas. Toda vez que um grupo de moradores decide quem pode, e quem não pode, existir no quarteirão ao lado, os preconceitos mais intestinos à sociedade aparecem. A pressão de moradores da Lapa para expulsar cerca de 40 casas de repouso para pessoas idosas é um desses episódios. 

Na verdade, essa postura trágica de insensibilidade urbana é chaga de um país que teme a velhice e, diante dela, ergue muros invisíveis disfarçados de "zoneamento estritamente residencial". 

Sejamos francos: o argumento do zoneamento é uma folha de parreira para encobrir um fenômeno antigo e recorrente - o NIMBY, Not In My Backyard (Não no meu jardim). Um NIMBY, que nasce do privilégio e cresce no preconceito estrutural: idosos, sim, desde que longe da minha calçada. 

O Brasil envelhece em velocidade acelerada - o IBGE projeta que, em 2030, idosos representarão 18,6% da população brasileira, chegando a 25% em 2060 - e as cidades vão reagindo como quem rejeita o próprio destino. Mas a lei não rejeita. E a Constituição, muito menos. 

Uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) é, juridicamente, residência. Pessoas moram ali. Dormem, convivem, criam laços, constroem pertencimento. Não se trata de comércio, nem de fluxo rotativo. Trata-se de moradia - exatamente aquilo que uma zona residencial deveria proteger. 

O art. 230 da Constituição Democrática do Brasil determina ao Estado, à sociedade e à família o dever de amparar as pessoas idosas e assegurar sua participação na comunidade. O Estatuto da Pessoa Idosa reforça o direito à convivência comunitária, à moradia digna e à proteção contra discriminação. A Política Nacional do Idoso determina a integração plena à vida urbana. Negar espaço a uma ILPI é violação constitucional embrulhada em tecnicalidade burocrática. 

Como justificar, diante disso, a expulsão dessas casas sob o pretexto de que não são compatíveis com área residencial? Qual é o sentido de um zoneamento que admite hospedagens rotativas, reformas barulhentas e bares discretos em garagens, mas considera "incompatível" a presença de idosos em suas próprias residências coletivas? Quando a norma serve para excluir e não para organizar, ela se mostra como mecanismo político de segregação. 

É preciso dizer com todas as letras: esse movimento revela um país ainda tomado pelo preconceito etário - às vezes silencioso, às vezes bem-articulado, sempre cruel. A velhice, quando institucionalizada, vira ameaça. A fragilidade, um incômodo. A presença do cuidado, uma "desvalorização do bairro". 

Há um nome para isso: idadismo - a discriminação sistemática baseada na idade, tão estrutural quanto o racismo e o capacitismo, e ainda menos nomeada. Uma sociedade que trata o envelhecimento como problema urbano acaba tratando o idoso como problema social. 

Os dados desmentem os preconceitos. Jane Jacobs, em Morte e Vida de Grandes Cidades Americanas, demonstrou que a diversidade de usos e populações é condição de vitalidade urbana. O urbanista Jan Gehl, em décadas de pesquisa sobre cidades humanas, documentou que bairros com maior diversidade geracional são mais seguros, mais ativos e mais resilientes. 

No Brasil, o IPEA confirma que a segregação urbana - a concentração de grupos homogêneos em territórios fechados - está associada a maiores índices de violência, menor coesão social e menor qualidade de vida coletiva. Diversidade gera vitalidade urbana. ILPIs não produzem trânsito, não geram ruído, não atraem massa. Elas atraem Humanidade. 

Há outro ponto a ser enfrentado: a profunda irresponsabilidade administrativa. São Paulo atravessa uma transição demográfica sem precedentes. Segundo o IBGE, a capital paulista já tem mais de 1,8 milhão de habitantes com mais de 60 anos - e esse número crescerá 40% até 2040. O déficit de vagas em ILPIs no município é estimado em mais de 30 mil unidades, segundo levantamento da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS, 2022). 

Em vez de expandir oferta, fortalecer modelos comunitários e criar alternativas de moradia assistida, parcelas da gestão municipal cedem à pressão de grupos privilegiados para perseguir residências coletivas que já cumprem função social essencial. É uma escolha política que aprofunda a crise do cuidado numa cidade que não pode se dar ao luxo de ignorá-la. 

Expulsar uma ILPI significa desalojar pessoas, romper vínculos afetivos, gerar desorientação, aumentar risco de depressão e quedas, destruir redes de cuidado que levam anos para serem construídas. Significa deslocar trabalhadores que dedicam suas vidas ao cuidado. É violência institucional. 

Esse padrão tem história em São Paulo. A cidade já usou o zoneamento - e seus equivalentes - para remover cortiços do centro no início do século XX, para empurrar populações periféricas para além dos limites do asfalto, para higienizar espaços públicos às custas dos mais vulneráveis. O que acontece na Lapa não é novidade: é a repetição de um script que a cidade conhece de cor e que insiste em encenar sempre que o conforto dos privilegiados se sente ameaçado pela presença de quem não foi convidado. 

O zoneamento deveria ser ferramenta de convivência, não de higienização social. Deveria organizar a cidade para acolher, não para excluir. Uma cidade que teme conviver com seus próprios idosos teme sua própria humanidade. E uma gestão que cede ao clamor excludente de vizinhos privilegiados - em detrimento do direito constitucional de idosos - abdica de sua função pública. 

Mas além da gestão e do direito, há uma questão mais fundamental. A velhice não é ruído, decadência ou transtorno. A velhice é destino. Todos nós envelhecemos - ou não temos essa sorte. E o modo como tratamos nossos velhos revela que tipo de sociedade queremos ser. 

Que a Lapa, e São Paulo como um todo, escolham o futuro que não expulsa, mas integra. Cidade que expulsa seus idosos está sempre, também, expulsando a si mesma.

 

André Naves - Defensor Público Federal especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social, Mestre em Economia Política, Comendador Cultural, escritor e professor. Saiba mais em www.andrenaves.com ou em suas redes sociais @andrenaves.def.

 

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