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domingo, 5 de julho de 2026

Brasil tem 30 milhões de animais abandonados e férias de julho acendem alerta para aumento dos casos


Especialista em Direito Animal destaca que abandono é crime e explica como a prática afeta não apenas os pets, mas também a saúde pública

 

Com a chegada das férias escolares, um problema recorrente volta a preocupar protetores, ONGs e autoridades: o aumento dos casos de abandono de animais. Historicamente, os meses de julho e dezembro registram os maiores picos desse tipo de ocorrência no Brasil, justamente em períodos marcados por viagens, mudanças e deslocamentos familiares. O tema ganha ainda mais relevância com a chegada do Julho Dourado, campanha nacional voltada à conscientização sobre saúde animal, prevenção de zoonoses e combate aos maus-tratos.

A dimensão do problema é alarmante. Segundo estimativas divulgadas pela Agência Brasil, o país possui cerca de 30 milhões de animais abandonados, sendo aproximadamente 20 milhões de cães e 10 milhões de gatos. Os números mostram ainda que, para cada animal adotado, outros dois são abandonados. Enquanto isso, abrigos de proteção enfrentam superlotação e registram aumento de até 92% na entrada de novos animais em períodos considerados críticos.

Para o advogado especialista em Direito Animal, Leandro Petraglia, o período de férias acaba expondo dificuldades que muitas famílias encontram ao tentar viajar com seus animais de estimação. Entre os fatores que contribuem para esse cenário estão as restrições impostas pelo transporte aéreo.

“Percebemos um aumento dos casos de abandono justamente nos períodos de férias, principalmente pelas dificuldades criadas para o transporte aéreo adequado dos animais. As restrições impostas pelas companhias acabam inviabilizando que grande parte dos pets viaje com suas famílias. Em muitos casos, esse período coincide também com mudanças de residência e deslocamentos definitivos, o que acaba expondo uma situação que nunca deveria acontecer: o abandono dos animais”, explica.

Apesar das dificuldades enfrentadas por alguns tutores, o especialista ressalta que não existe justificativa legal para o abandono. A prática é considerada crime e pode gerar consequências severas para os responsáveis.

“O abandono é caracterizado como maus-tratos, previsto no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais. A legislação prevê pena de detenção e, quando o crime é praticado contra cães e gatos, a punição pode chegar a cinco anos de reclusão”, afirma Petraglia.

Além do sofrimento causado aos animais, o abandono produz reflexos diretos para toda a sociedade. Segundo o advogado, a questão vai muito além da proteção individual dos pets e está diretamente relacionada à saúde pública.

“Quando um animal é abandonado, ele passa a enfrentar riscos relacionados à alimentação, abrigo e saúde. Mas o problema não termina nele. O aumento da população de animais nas ruas favorece a proliferação de doenças, especialmente porque muitos desses animais não são castrados. Por isso, o combate ao abandono também é uma questão de saúde coletiva e prevenção de zoonoses”, destaca.

Diante de situações de abandono ou maus-tratos, a denúncia da população é fundamental para garantir a responsabilização dos envolvidos. Petraglia orienta que, em casos flagrantes, a Polícia Militar deve ser acionada imediatamente pelo telefone 190.

“Se o crime estiver acontecendo naquele momento, o ideal é acionar a polícia para interromper a prática. Já quando se trata de uma situação anterior ou continuada, a denúncia pode ser realizada junto às delegacias especializadas ou canais eletrônicos de proteção animal. É muito importante reunir provas, como fotos, vídeos e testemunhos. Quando possível, um laudo veterinário também pode ser decisivo para comprovar os maus-tratos”, explica.

Embora campanhas de conscientização como o Julho Dourado sejam importantes, o especialista defende que o enfrentamento do problema exige medidas permanentes e integradas entre poder público e sociedade.

Entre as ações apontadas estão a ampliação dos programas de castração, incentivo à microchipagem para identificação dos animais, fortalecimento dos hospitais veterinários públicos, expansão do atendimento jurídico especializado para famílias de baixa renda e investimentos em delegacias de proteção animal.

“A conscientização é essencial, mas sozinha não resolve. Precisamos de políticas públicas estruturadas, fiscalização eficiente e instrumentos que facilitem tanto a proteção dos animais quanto a responsabilização de quem descumpre a lei. O combate ao abandono depende de um esforço conjunto entre governo, instituições de proteção e sociedade”, conclui.

 

Furno Petraglia e Pérez Advocacia

 

Como ajudar o pet a superar os barulhos de fogos e comemorações durante a Copa do Mundo?

Com jogos, encontros em casa, festas nas ruas e comemorações com fogos, tutores devem se preparar com antecedência para reduzir medo e ansiedade em cães

 

A Copa do Mundo de 2026 promete mobilizar torcedores em diferentes momentos do dia, com reuniões em casa, festas nas ruas e comemorações que, muitas vezes, vêm acompanhadas de fogos de artifício, buzinas, gritos e outros estímulos sonoros intensos. Para os humanos, esse clima costuma ser sinônimo de alegria e celebração. Para muitos pets, no entanto, o período pode representar medo, estresse e alterações importantes de comportamento.

Os cães têm uma audição mais sensível, por isso, podem reagir de forma intensa a barulhos repentinos e estridentes. Tremores, tentativa de fuga, salivação excessiva, vocalização, busca por esconderijos, falta de apetite e agitação são alguns dos sinais que podem aparecer em situações de estresse acústico. Em casos mais graves, o animal pode se machucar ao tentar escapar ou desenvolver respostas de medo cada vez mais frequentes.

“O medo dos cães diante de barulhos estridentes, como fogos de artifício, é um dos problemas comportamentais mais relatados pelos tutores. Ele interfere não apenas no bem-estar animal, mas também na rotina de toda a família, que muitas vezes não sabe como agir nesses momentos”, relata Marina Tiba, médica-veterinária e gerente de produtos da Avert Biolab Saúde Animal.

Segundo a especialista, a preparação deve começar antes dos jogos e das datas de maior movimentação. A ideia é criar uma verdadeira força-tarefa para tornar o ambiente mais previsível, seguro e confortável para o pet. Essa estratégia pode envolver manejo ambiental, rotina adequada, acompanhamento do tutor e, quando indicado, o uso de suplementos específicos.

“Suplementos com ativos como Passiflora, Valeriana e Triptofano podem auxiliar na prevenção de respostas comportamentais ao estresse decorrente de estímulos perturbadores. Mas é importante lembrar que o uso deve seguir a recomendação do médico-veterinário e respeitar o período indicado pelo fabricante. Em geral, esse tipo de cuidado precisa começar com antecedência para oferecer o efeito esperado”, explica Marina.

Diferentemente de fármacos psicoativos, que podem ser indicados em situações específicas para animais com medo intenso, os suplementos fazem parte de uma estratégia de suporte ao bem-estar. Ainda assim, a médica-veterinária reforça que nenhum produto deve substituir a avaliação profissional, especialmente em cães idosos, com doenças pré-existentes, em uso de medicamentos ou com histórico de ansiedade severa.

“A suplementação é apenas um dos pilares. O mais importante é entender que o pet precisa de previsibilidade, segurança e acolhimento. O tutor deve se antecipar aos momentos de maior barulho e preparar a casa para reduzir os estímulos que podem assustar o animal”, afirma.

Confira algumas medidas que podem ajudar os cães durante os jogos e comemorações da Copa:


Segurança vem em primeiro lugar

Em dias de jogos importantes, mantenha portas, portões e janelas bem fechados. Muitas fugas acontecem justamente quando o cão se assusta com fogos, buzinas ou gritos repentinos. Todos da casa devem estar atentos ao entrar ou sair. O uso de plaquinha de identificação atualizada é indispensável.


Mantenha o pet em um ambiente familiar

Para cães que têm medo de barulho, o melhor lugar costuma ser dentro de casa, em um espaço conhecido e protegido. Fechar janelas, cortinas e persianas ajuda a reduzir tanto os sons externos quanto os estímulos visuais, como clarões de fogos ou movimentação intensa na rua. 

 

Crie um cantinho seguro

Escolha um cômodo mais silencioso da casa e coloque ali a caminha, cobertas, brinquedos e objetos familiares do pet. Se o cão já estiver acostumado com a caixa de transporte, ela também pode ser usada como refúgio. O ideal é permitir que o animal escolha ficar nesse espaço, sem forçá-lo.


Esteja por perto

A presença do tutor pode fazer diferença. Fale com o pet em tom calmo, evite broncas e não force interações. Alguns cães preferem contato físico, enquanto outros querem apenas se esconder. Respeitar esse comportamento é fundamental.

Abafe os ruídos externos

Música ambiente, televisão ou ruído branco podem ajudar a mascarar sons vindos da rua. Em alguns casos, protetores auriculares próprios para cães ou algodão podem ser utilizados, desde que o animal já esteja acostumado e aceite esse tipo de manejo sem desconforto.

Gaste energia antes dos jogos

Quando possível, leve o cão para passear antes do início das partidas e das comemorações. Atividades físicas e brincadeiras ajudam a reduzir a energia acumulada e podem favorecer um comportamento mais tranquilo depois. O passeio, porém, deve acontecer em horários seguros, antes do aumento do barulho nas ruas.


Use a alimentação como aliada

Petiscos, sachês, brinquedos recheáveis e mordedores podem ajudar a distrair o pet durante momentos de barulho. Se o cão não quiser comer, não force. A recusa pode ser apenas uma resposta ao medo, e o alimento pode ser oferecido novamente em outro momento.


Invista em distrações positivas

Brinquedos, comandos simples e brincadeiras conhecidas podem ajudar alguns cães a desviar o foco dos sons externos. O tutor deve agir com naturalidade e tranquilidade, sem demonstrar ansiedade diante dos fogos ou da reação do animal.


Acolha o pet quando ele não quiser brincar ou comer

Em situações de medo intenso, alguns cães não respondem a petiscos nem a brinquedos. Nesses casos, massagens suaves, proximidade física ou simplesmente permanecer no mesmo ambiente podem ajudar, desde que o contato seja algo que o animal já aprecie.


Evite deixar o cão sozinho

Se houver previsão de fogos ou comemorações intensas, o ideal é que o pet não fique sozinho em casa. Caso a família precise sair, é importante avaliar alternativas seguras, como a companhia de alguém de confiança ou a permanência do animal em um ambiente preparado previamente.

Para Marina, o cuidado com os pets durante a Copa deve fazer parte do planejamento das famílias, assim como a organização para assistir aos jogos. “Durante períodos de maior agitação, a combinação de orientação veterinária, manejo ambiental e acolhimento pode contribuir para o bem-estar do pet e de toda a família. Quanto antes o tutor se prepara, maiores são as chances de atravessar esses momentos com mais tranquilidade”, finaliza.

 

Avert Biolab Saúde Animal
www.avertsaudeanimal.com.br
www.vidamaisromrom.com.br


Barulho de fogos em festividades podem agravar doenças crônicas e causar acidentes com pets

Audição sensível transforma comemorações em momentos de pânico para os animais; estratégia que une ambiente seguro e suporte nutricional minimiza os impactos fisiológicos


Grandes eventos esportivos e festividades tradicionais trazem um desafio frequente para os tutores de animais de estimação. O barulho de fogos de artifício, buzinas e comemorações ruidosas altera a rotina dos lares e impacta de forma direta o comportamento e a saúde de cães e gatos, exigindo atenção com o manejo preventivo dentro de casa.

A reação de pânico que muitos pets apresentam diante dos estampidos possui uma explicação fisiológica. Cães e gatos têm uma capacidade auditiva superior à humana, conseguindo captar sons em frequências mais amplas e volumes intensos.

"Os estampidos dos fogos de artifício, associados às vibrações, flashes luminosos e à imprevisibilidade do ambiente, são interpretados pelo animal como uma ameaça. Eles não conseguem identificar a origem desse som, o que aumenta a sensação de insegurança e desencadeia a reação imediata de querer fugir e procurar um local seguro", explica a médica-veterinária e gerente Nacional de Serviços Técnicos da Biogénesis Bagó Pet, Jessica Moreira.


Riscos do estresse agudo

As consequências do medo englobam fatores comportamentais e físicos. Diante de uma situação compreendida como perigo iminente, o organismo reage instintivamente. "Quando o animal se sente estressado e acuado, ele passa a apresentar tremores, fica ofegante e com salivação intensa, podendo desencadear posteriormente taquicardia e aumento da pressão arterial. Isso pode se agravar de forma severa, principalmente se ele já possui alguma doença crônica, como cardiopatias, ou no caso de animais idosos", alerta a especialista.

O desespero também provoca tentativas de fuga intempestivas. Esse comportamento frequentemente resulta em acidentes domésticos, traumas físicos e desaparecimento, comprometendo gravemente a qualidade de vida do animal.


Manejo do ambiente e suporte nutricional podem reduzir o impacto

Amenizar o sofrimento exige um planejamento estruturado. No dia dos eventos ruidosos, a recomendação técnica é manter portas e janelas trancadas, usar cortinas grossas e deixar a televisão ligada ou utilizar aparelhos de ruído branco para camuflar o som externo.

"O responsável pelo pet deve disponibilizar brinquedos e petiscos próprios para distração, evitar punições ou reforçar comportamentos de medo e permanecer próximo ao pet. É preciso respeitar o espaço dele, mas mantê-lo sempre sob supervisão", orienta Jessica.

Para melhores resultados no controle da ansiedade, o cuidado preventivo deve começar antes das comemorações. A rotina precisa incluir gastos de energia com atividades físicas e enriquecimento ambiental constante.

"O ideal é realizar o cuidado prévio antes de eventos previsíveis. Técnicas de dessensibilização, condicionamento positivo e a utilização de suplementos nutricionais que contribuam para o bem-estar emocional do pet apresentam melhores resultados quando iniciados com no mínimo três dias de antecedência", destaca a gerente.

Como parte dessa estratégia de suporte, o portfólio da Biogénesis Bagó Pet conta com o Nutrisana Pet Akalme, um suplemento alimentar com fórmula que apresenta triptofano, aminoácidos essenciais, vitaminas e o probiótico Saccharomyces boulardii.  Desenvolvida em tabletes mastigáveis altamente palatáveis, a solução é formulada com nutrientes que contribuem para a manutenção do metabolismo e o bem-estar em todos os momentos.

A companhia também dispõe da versão em seringa, formulação exclusiva com Triptofano, prebióticos MOS e FOS, além de vitaminas B3 e B6 e Betaglucana. O Triptofano e os aminoácidos essenciais, juntos, são nutrientes que participam da síntese de neurotransmissores.

"Com a combinação desses ativos, contribuímos para um ambiente favorável ao metabolismo de nutrientes importantes para o organismo, podendo ser utilizado tanto em situações pontuais quanto para o manejo de animais intensamente ansiosos", finaliza Jessica.

 


Biogénesis Bagó

Cinco plantas inesperadamente perigosas que merecem atenção em jardins com pets e crianças


O projeto Jardim do Bicho, idealizado pela paisagista Simone Arthur Nascimento, elenca esses cinco riscos não tão óbvios para diversos tipos de jardins e indica substitutos menos nocivos:

 

1. Cycas revoluta

Identificação 

Nome científico: Cycas revoluta Thunb

Família: Cycadaceae

Nomes populares: cica, sagu-de-jardim, palmeira-sagu.

Uso ornamental: planta escultural muito normalizada em jardins residenciais, condomínios, entradas de edifícios e áreas externas.


Por que é perigosa?

Embora seja relativamente conhecida em bases veterinárias, para o público leigo ainda costuma ser percebida apenas como uma planta ornamental resistente, parecida com uma pequena palmeira – mas não é exatamente inofensiva.

 

Parte mais preocupante:

Sementes, especialmente pela concentração de substâncias tóxicas e pela possibilidade de ingestão por cães. Folhas e demais partes também não devem ser consideradas seguras.


Efeitos nocivos:

A planta contém substâncias capazes de provocar lesão grave no fígado e também compostos relacionados a efeitos sobre o sistema nervoso. O maior risco está nas sementes, mas folhas e outras partes da planta também podem ser perigosas.


Risco principal

Risco de intoxicação grave, com possibilidade de:

  • lesão no fígado;
  • falência hepática;
  • alteração na coagulação, com risco de sangramentos;
  • sinais neurológicos;
  • risco de morte. 

Sinais possíveis em cães, gatos ou crianças

  • vômitos;
  • diarreia;
  • dor abdominal;
  • apatia;
  • fraqueza;
  • pele ou olhos amarelados;
  • sangramentos;
  • tremores;
  • convulsões;
  • piora rápida do estado geral. 


Classificação de perigo sugerida pelo Jardim do Bicho:

Potencialmente fatal.

 

Substituição com menor potencial tóxico:

Agave attenuata, quando o objetivo for efeito escultural em área ensolarada, sempre avaliando insolação, porte, circulação e risco mecânico.


2. Cyclamen hederifolium

Identificação

Nome científico: Cyclamen hederifolium Aiton

Família: Primulaceae

Nome popular: ciclame

Uso ornamental: planta  valorizada pelas flores, comum em vasos e canteiros. 

 

Por que é perigosa?

O ciclame é frequentemente lembrado pela flor, mas o ponto mais importante para segurança em jardins é o tubérculo, que fica escondido no solo. Isso é bastante relevante porque cães podem escavar vasos e canteiros.


Parte mais preocupante:

Tubérculo. Folhas e flores também podem causar irritação, mas a maior preocupação toxicológica está na estrutura subterrânea, já que o tubérculo concentra substâncias que podem irritar a boca, o estômago e o intestino. Em ingestões maiores, o quadro pode ser mais grave.


Risco principal

Irritação da boca e do trato digestivo, com possibilidade de sinais mais importantes em ingestões maiores, especialmente do tubérculo.


Sinais possíveis em cães, gatos ou crianças

  • salivação;
  • irritação na boca;
  • enjoo;
  • vômito;
  • dor abdominal;
  • diarreia;
  • diarreia intensa ou com sangue em ingestões maiores;
  • fraqueza;
  • alteração do estado geral;
  • em situações graves, tremores, convulsões ou alterações cardíacas.


Classificação de perigo sugerida pelo Jardim do Bicho:

Intenso, especialmente para cães, pela possibilidade de escavação e ingestão do tubérculo.

 

Substituição com menor potencial tóxico:

Substituir por Begonia semperflorens ou Impatiens walleriana, conforme luminosidade do local. A begônia funciona melhor como substituição ornamental compacta para vasos e bordaduras; a impatiens é interessante para meia-sombra e canteiros floridos. A escolha deve considerar insolação, umidade, manutenção e acesso dos animais ao vaso ou canteiro.


3. Brunfelsia uniflora

Identificação

Nome científico: Brunfelsia uniflora (Pohl) D.Don

Família: Solanaceae

Nomes populares: manacá-de-cheiro, manacá-de-jardim, ontem-hoje-e-amanhã

Uso ornamental: arbusto ornamental de floração atrativa, bela e perfume marcante

Por que é perigosa?

É uma planta bonita, perfumada e bastante ornamental, mas com potencial toxicológico menos conhecido pelo público. Merece atenção especial por poder provocar sinais relacionados ao sistema nervoso após ingestão. A planta contém diferentes substâncias bioativas. Estudos indicam que frações obtidas das folhas podem provocar sinais neurológicos em animais de laboratório, como tremores e convulsões.

 

Partes de interesse

  • folhas;
  • flores;
  • partes aéreas em geral;
  • raízes, em estudos químicos da planta.

Risco principal

Risco de irritação gastrointestinal e sinais neurológicos.


Sinais possíveis em cães, gatos ou crianças

  • enjoo;
  • vômito;
  • diarreia;
  • agitação;
  • ansiedade;
  • tremores;
  • andar cambaleante;
  • perda de coordenação;
  • sensibilidade exagerada a estímulos;
  • movimentos involuntários dos olhos;
  • urinar em excesso;
  • convulsões.


Classificação de perigo sugerida pelo Jardim do Bicho:

Intenso, especialmente pelo potencial de sinais neurológicos.

 

Substituição com menor potencial tóxico:

Para substituir o manacá-de-cheiro (Brunfelsia uniflora), pode-se utilizar a camélia (Camellia japonica), arbusto ornamental de porte médio, floração vistosa e boa presença paisagística. A escolha é interessante quando se busca manter o efeito de arbusto florido, mas com menor preocupação toxicológica conhecida em comparação à Brunfelsia. Deve-se apenas observar que a camélia prefere meia-sombra, solo levemente ácido, boa drenagem e manutenção compatível com seu desenvolvimento.


4. Allamanda cathartica



Identificação

Nome científico: Allamanda cathartica L.

Família: Apocynaceae.

Nomes populares: alamanda, alamanda-amarela.

Uso ornamental: trepadeira ou arbusto comum em jardins tropicais, cercas, muros e pérgolas.


Por que é perigosa?

A alamanda é muito comum e visualmente associada a jardins tropicais. Apesar disso, não costuma ser lembrada pelo público como planta de risco. O próprio nome científico, “cathartica”, remete ao efeito purgativo. A planta também libera seiva ou látex quando folhas e ramos são rompidos, o que pode causar irritação por contato.


Partes de interesse

  • folhas;
  • flores;
  • ramos;
  • seiva/látex;
  • sementes, conforme estudos químicos da planta.


Risco principal

Irritação gastrointestinal, efeito purgativo e possível irritação por contato com seiva ou látex, quando folhas e ramos são rompidos, o que pode causar irritação por contato.


Sinais possíveis em cães, gatos ou crianças

  • irritação na boca;
  • enjoo;
  • cólicas;
  • vômito;
  • diarreia;
  • desidratação;
  • irritação na pele;
  • irritação nos olhos ou mucosas após contato com a seiva;
  • desconforto após mastigação de folhas, flores ou ramos.


Classificação sugerida pelo Jardim do Bicho:

Moderado para crianças; intenso para cães e gatos, especialmente pela possibilidade de mastigação de folhas, flores ou ramos.

  

Substituição com menor potencial tóxico:

Para substituir a alamanda (Allamanda cathartica), pode-se utilizar a Thunbergia alata, conhecida como amarelinha ou suzana-dos-olhos-negros. É uma trepadeira ornamental de floração abundante, boa adaptação ao sol pleno ou meia-sombra clara e uso adequado em cercas, treliças, pérgolas leves e vasos com suporte. A escolha é interessante quando se busca manter o efeito de planta florida e conduzida verticalmente, mas com menor preocupação toxicológica conhecida em comparação à alamanda.



5. Lantana camara

Identificação

Nome científico: Lantana camara L.

Família: Verbenaceae.

Nomes populares: lantana, cambará, chumbinho.


Uso ornamental: muito usada em canteiros, bordaduras, jardins ensolarados e áreas de baixa manutenção; também atrai polinizadores. É um bom exemplo de planta paisagística aparentemente “inocente”, por ser rústica e florida, mas que merece cuidado quando folhas e frutos ficam acessíveis.

 

Por que é perigosa?

É uma planta rústica, colorida e comum no paisagismo, mas muitas pessoas não associam a espécie a risco toxicológico. O problema é mais relevante em ambientes onde crianças pequenas ou animais possam ingerir folhas ou frutos.


Partes mais preocupantes

  • folhas;
  • frutos;
  • partes aéreas.

 

Risco principal

Risco de lesão hepática, especialmente em ingestões relevantes de folhas ou frutos.


Sinais possíveis em cães, gatos ou crianças

  • vômito;
  • diarreia;
  • dor abdominal;
  • apatia;
  • perda de apetite;
  • fraqueza;
  • pele ou olhos amarelados;
  • alterações no fígado;
  • piora progressiva do estado geral.


Classificação de risco sugerida pelo Jardim do Bicho:

Intenso.

 

Substituição com menor potencial tóxico:

Para substituir a lantana (Lantana camara), pode-se utilizar a pentas (Pentas lanceolata), planta ornamental de floração abundante, com boa adaptação ao sol pleno e muito atrativa para polinizadores.

É importante frisar que essas plantas não foram selecionadas porque são necessariamente “as cinco mais tóxicas”, mas porque representam um grupo de espécies ornamentais que podem passar despercebidas em listas genéricas e, ainda assim, oferecer riscos relevantes em jardins com pets e crianças.


Fatores que aumentam o risco

  • presença de sementes, frutos ou tubérculos acessíveis;
  • cães com hábito de mastigar plantas;
  • cães que escavam canteiros ou vasos;
  • filhotes e animais curiosos;
  • crianças pequenas;
  • áreas de uso coletivo;
  • plantas em vasos baixos;
  • plantas próximas a playgrounds, pet places, escolas e áreas de circulação.


Orientação geral em caso de acidente

  • não induzir vômito sem orientação profissional;
  • não oferecer leite, óleo, água com sal ou receitas caseiras;
  • retirar restos vegetais da boca apenas se for seguro;
  • em caso de contato com seiva irritante, lavar a área com água em abundância;
  • fotografar a planta;
  • guardar amostra de folha, flor, fruto ou semente, se possível;
  • procurar atendimento veterinário ou médico imediatamente;
  • informar horário aproximado e quantidade estimada ingerida. 

O Jardim do Bicho defende que um jardim seguro não precisa ser um jardim sem plantas. O ponto é escolher espécies com critério, considerando beleza, função paisagística, manutenção, toxicidade, presença de pets e crianças, comportamento dos animais e acesso às partes perigosas da planta.

 


Simone Arthur - Paisagista, pesquisadora independente e advogada. Sócia da DSN Paisagismo e Consultoria, dedica-se ao estudo da toxicidade de plantas ornamentais e à produção de conteúdo técnico acessível. É a idealizadora do projeto autoral Jardim do Bicho, focado em critérios de segurança para ambientes com animais e crianças.


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