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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Anchieta, o padre que viu destinos de um Brasil menino

Forte de São João, em Bertioga, onde Anchieta se hospedou, no século XVI
(foto: Elias Gomes
Setur-SP


Na semana de celebração do Dia Nacional de Anchieta, a Setur-SP traça o mapa da cartografia a pé que o Apóstolo do Brasil andou, esquadrinhou e escreveu em detalhes 

 

Em maio de 1560, o padre jesuíta José de Anchieta escreveu um relatório chamado “Carta de São Vicente”, em que descreveu o que viu da Mata Atlântica, da geografia física e humana, da fauna e da flora presentes na então Capitania de São Vicente. Mas ele fez muito mais. Anchieta e a história do Brasil estão praticamente interligados. Nesta terça-feira (9), o jesuíta é homenageado em Dia Nacional, uma data que marca o seu falecimento, em 1597. Anchieta foi canonizado em 2014.

 

Para prestar essa homenagem e relembrar os passos do jesuíta, a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) registrou alguns dos destinos por onde ele esteve, lugares esses que se tornaram turísticos e que lembram a passagem de Anchieta pelo território e pela história paulista.


 

Itanhaém

 

A segunda cidade mais antiga do Brasil abriga os Caminhos de Anchieta, um roteiro de seis atrações que celebram a passagem dele, entre 1563 e 1595: a Cama de Anchieta (uma formação rochosa onde ele descansava e compunha poemas), a Passarela de Anchieta (um passadiço suspenso de 220 metros, com vista para o mar), o Pocinho de Anchieta (uma estrutura de pedras construída por indígenas), os Painéis de Anchieta (mosaicos em pastilhas de vidro), o Monumento a Anchieta (uma estátua na Praça Narciso de Andrade) e a Igreja Matriz de Sant’Anna (que abriga a imagem da Virgem de Anchieta). Itanhaém está a 116 km da capital.


 

Ubatuba

 

Nas areias de Iperoig (atual Praia do Cruzeiro), onde hoje é Ubatuba, Anchieta compôs um poema dedicado à Virgem Maria, com mais de 5.700 versos. Como não tinha papel, ele memorizava os versos e os riscava com um cajado na areia. Anchieta esteve em Ubatuba em 1563. A Praia do Cruzeiro é uma extensa faixa de areia, com calçadão, com local para esportes e passeios, pista de skate, feirinha de artesanato e restaurantes. A ilha Anchieta, também em Ubatuba, tem esse nome em homenagem ao jesuíta. É a segunda maior ilha do litoral paulista, tem praias paradisíacas, rica vida marinha, trilhas, ruínas de um antigo presídio e praias (do Presídio e a Praia do Sul). Ubatuba fica a 220 km da capital paulista.


 

Itu

 

Anchieta esteve na aldeia de Maniçoba, às margens do Tietê, na atual Itu, para catequizar indígenas, aprender a língua dos nativos e conhecer o território. Itu homenageia o padre no Largo do Bom Jesus (hoje a Praça Padre Anchieta). Nessa praça, ficava a antiga capela de Nossa Senhora da Candelária, que deu origem ao município, em 1610, e à Igreja Matriz, que contém o maior patrimônio do barroco paulista, com altar e órgão magníficos. A Matriz é o coração histórico de Itu e, próximos a ela, estão o Semáforo Gigante, o Orelhão Gigante e lojinhas de souvenirs exagerados, além do Museu Republicano, da USP. Itu está a 96 km de São Paulo.


 

São Paulo

 

A capital tem muitas marcas da presença de Anchieta. Marco Zero de São Paulo, o Pateo do Collegio foi fundado em 1554 pelo Padre Manoel da Nóbrega, provincial jesuíta e seus auxiliares, entre eles, Anchieta. A Igreja São José de Anchieta, localizada no Pateo do Collegio, contém relíquias do santo e arquitetura do barroco paulista. O Monumento a Anchieta, em bronze, é uma escultura de 1954, para comemorar o quarto centenário da cidade e fica na Praça da Sé, em frente à Catedral. Ainda no Pateo do Collegio, o Museu Anchieta preserva objetos históricos e conta com uma maquete da Vila de São Paulo de Piratininga, no século XVI.


 

Outras passagens de Anchieta

 

Anchieta esteve em locais que hoje são estâncias turísticas, como São Vicente, por onde chegou à Capitania, em 1553. Na vila, ele aprendeu o tupi e escreveu a primeira gramática indígena da História. No Guarujá, o jesuíta rezou missas e catequizou indígenas na Ermida de Santo Antônio do Guaibê, que é uma das primeiras igrejas do Brasil, toda feita de pedras de sambaquis com óleo de baleia e conchas. Em Bertioga, Anchieta abrigou-se no Forte de São João, outro ponto turístico da cidade, antes de seguir para missões em Ubatuba, no litoral norte.


 

O espanhol cristão-novo que gerou São Paulo

 

Nascido em 1534 na ilha de Tenerife, nas Canárias (Espanha), José de Anchieta tinha ascendência judaica sefardita (da Península Ibérica) e pertencia a uma família de cristãos-novos (judeus convertidos à força ao catolicismo). Devido às óbvias restrições espanholas para que o rapaz entrasse em seminário católico, Anchieta foi enviado a Portugal, onde estudou na Universidade de Coimbra. Aos 17 anos, ingressou na Companhia de Jesus e, em julho de 1553, após dois meses de viagem, chegou ao Brasil, desembarcando em Salvador. Em outubro do mesmo ano, seguiu para a Capitania de São Vicente, participando da fundação de São Paulo, em janeiro de 1554. O padre jesuíta José de Anchieta morreu em 1597, no Espírito Santo.



Além do "prompt": o abismo na formação docente diante da IA


A Inteligência Artificial chegou às salas de aula sem pedir licença, mas encontrou um sistema de defesa fragilizado. O problema não reside na tecnologia, mas em um gargalo histórico que agora cobra seu preço: a formação de professores no Brasil. Enquanto discutimos o que o estudante deve ou não fazer com a ferramenta, ignoramos que o corpo docente, em sua maioria, foi formado em uma "pedagogia da resposta", num modelo que pouco prioriza a construção da autonomia e do pensamento crítico, exatamente as competências que a IA agora torna vitais.

É preciso reconhecer que as matrizes curriculares das licenciaturas ainda operam em um inevitável descompasso em relação à velocidade estonteante das transformações tecnológicas. Nossos cursos de Pedagogia, em sua maioria, foram estruturados para um mundo analógico, em que o professor era a fonte primária da informação. Mais do que apontar falhas isoladas, é urgente que as instituições de ensino superior liderem uma revisão profunda de suas bases, integrando a lógica da investigação e a ética da IA como pilares centrais. Ou reformamos a formação de quem ensina, ou continuaremos preparando profissionais para salas de aula que já não existem mais.

Ensinar um estudante a “fazer boas perguntas” para uma IA não é um exercício trivial; é uma técnica que exige domínio de lógica, síntese e, acima de tudo, um vasto repertório cultural. No entanto, como exigir que o professor medie essa arquitetura do pensamento se ele mesmo não foi instrumentalizado para tal? O que vemos é um abismo entre a realidade tecnológica das escolas e currículos que raramente abordam como ensinar e desenvolver estudantes autônomos e críticos.

Se não houver uma modificação profunda e urgente na formação docente, a exclusão educacional no país mudará de face. O risco não é mais o “analfabetismo digital”, mas o “analfabetismo funcional cognitivo”. Teremos uma elite educada para ser arquiteta de sistemas, que sabe usar a IA para potencializar seu intelecto, e uma massa de estudantes que apenas consome passivamente o que o algoritmo entrega, sem capacidade de crítica ou validação.

A formação de professores precisa migrar da entrega de conteúdo para a gestão da investigação. Isso exige currículos que abordem a ética dos dados, a lógica da argumentação e a mediação de processos de aprendizagem. O professor não será substituído pela IA se ele for o mentor que ensina o estudante a navegar no mar de dados com bússola própria. A exclusão aumentará drasticamente se continuarmos ignorando que a base do sistema precisa de uma nova gramática pedagógica.

  

Miriã Salles - diretora do Colégio Santo Ivo.

 

Reforma tributária: passagens aéreas domésticas podem subir até 23% com IVA Dual, projeta IATA

 

Novo IVA Dual preocupa setor aéreo e advogado tributarista alerta para risco de queda de 30% na demanda por voos no Brasil 

 

A Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA) acendeu o sinal de alerta: a reforma tributária brasileira pode encarecer as passagens domésticas em até 23% e os bilhetes internacionais em até 26%. O IVA Dual, composto pelo IBS e pela CBS, com alíquotas totais estimadas entre 26% e 27%, é apontado como o principal responsável pelo impacto — e, segundo o advogado tributarista Daniel Guimarães, o consumidor pessoa física deve arcar com o custo integral da mudança.

De acordo com os cálculos apresentados pela IATA, uma passagem doméstica que hoje custa em média R$ 650 pode chegar a R$ 800 por trecho. Nos voos internacionais, a alta projetada é de 26,3%, elevando o valor médio de US$ 740 para aproximadamente US$ 935 — cerca de R$ 4.660. A entidade estima ainda uma retração de até 30% na demanda por transporte aéreo no Brasil. “A reforma representa a maior mudança estrutural no sistema fiscal brasileiro em décadas. Para o setor aéreo, que operava com regimes específicos de tributação, o impacto é especialmente severo”, afirma Guimarães.

O novo modelo tributário, estruturado com base na Lei Complementar 214, unifica tributos sobre o consumo em dois pilares: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de âmbito federal, que substitui PIS e Cofins; e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de estados e municípios, que toma o lugar do ICMS e do ISS. A cobrança será gradual a partir de 2027, com transição completa prevista para 2033.

Para o setor aéreo, a mudança representa uma ruptura significativa. Com a unificação, as companhias passam a ser tributadas pela alíquota padrão do IVA Dual — com exceção da aviação regional, que prevê redução de 40%. O CEO da Latam, Jerome Cadier, afirmou que a reforma vai triplicar os tributos sobre as vendas de bilhetes e provocará retração na oferta de voos, especialmente em rotas menos rentáveis.

O governo federal contesta as projeções. O ex-secretário extraordinário da reforma tributária, Bernard Appy, argumenta que a ampliação dos créditos tributários pode compensar, ao menos parcialmente, o aumento da carga na ponta. Guimarães discorda. “Os créditos disponíveis são absolutamente insuficientes. Para a pessoa jurídica que compra passagens corporativas, há alguma possibilidade de compensação parcial. Mas para o passageiro pessoa física, a conta cai integralmente. O aumento de 23% projetado pela IATA não é uma estimativa pessimista — é uma consequência matemática da nova alíquota aplicada sobre um setor que, até hoje, pagava bem menos”, explica o advogado.

O impacto tende a ser ainda mais agudo nas regiões com maior dependência do transporte aéreo. O volume de processos judiciais movidos por passageiros contra companhias aéreas agrava ainda mais o cenário: segundo a IATA, há um processo para cada 227 passageiros no Brasil — contra um para cada 1,2 milhão nos Estados Unidos. Esse custo já eleva os preços das passagens entre 3% e 5%, gerando despesa superior a R$ 1 bilhão por ano com advogados e tribunais.

“O Brasil tem um paradoxo histórico: é um país continental que ainda trata o transporte aéreo como luxo tributário. Quando a IATA projeta queda de 30% na demanda, não está falando apenas de números de voos. Está dizendo que milhões de brasileiros vão deixar de voar — e isso atinge desproporcionalmente Norte, Nordeste e Centro-Oeste”, observa Guimarães.

Para o tributarista, a saída passa por uma revisão política do modelo. “Outros países já reconheceram que tributar o transporte aéreo como se fosse um serviço qualquer é um erro econômico. A aviação regional já ganhou redução de 40% na alíquota — o que mostra que o legislador reconhece o problema. Agora é preciso ampliar esse raciocínio para todo o setor, sob pena de penalizar o consumidor e freiar o crescimento da conectividade do país.”


Violência contra pessoas idosas vai muito além da agressão física e exige cultura de cuidado, alertam especialistas

Campanha nacional da SBGG quer ampliar debate sobre autonomia, respeito, proteção e envelhecimento digno no Brasil

 

No Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, lembrado em 15 de junho, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) lança a Campanha de Enfrentamento à Violência Contra a Pessoa Idosa. A iniciativa nacional pretende ampliar o debate sobre cuidado, respeito, proteção e valorização do envelhecimento. 

Desenvolvida por um grupo de trabalho multidisciplinar da SBGG, formado por especialistas de diferentes áreas da geriatria e da gerontologia, a campanha reunirá ações educativas promovidas pelas seccionais da entidade em diferentes regiões do país, incluindo lives, podcasts, cursos, caminhadas e outras atividades de conscientização sobre situações de violência e violação de direitos no envelhecimento.
 

Violência vai muito além da agressão física e muitas vezes é invisível 

Embora a agressão física seja a forma mais facilmente reconhecida pela população, especialistas alertam que a violência contra pessoas idosas se manifesta de diferentes maneiras e muitas vezes permanece invisível. Entre as formas mais frequentes estão negligência, abandono, violência psicológica, controle financeiro, exclusão social, infantilização e desrespeito à autonomia. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), violência contra a pessoa idosa é definida como “qualquer ação ou omissão, única ou repetida, ocorrida em uma relação de confiança e que provoque dano, sofrimento ou angústia”. Na prática, significa que a violência pode ocorrer não apenas de forma física, mas também psicológica, patrimonial, institucional ou por negligência, o que contribui para sua subnotificação e naturalização. 

“Falar sobre violência contra a pessoa idosa também é falar sobre cuidado. Muitas vezes, a violência aparece justamente quando deixamos de reconhecer a autonomia, a história e o direito dessa pessoa de participar das próprias decisões”, afirma Maria Angélica Sanchez, assistente social, especialista em Gerontologia, membro do Conselho Consultivo Pleno da SBGG e uma das coordenadoras da campanha. 

Segundo a especialista, muitos comportamentos violentos ainda são naturalizados nas relações familiares e de cuidado, o que dificulta sua identificação. “Quando falamos em violência contra a pessoa idosa, muitas pessoas pensam apenas em agressões físicas. Mas ela também está presente na negligência, no abandono, no isolamento social, no controle financeiro e em situações em que a autonomia e a dignidade são desrespeitadas. Precisamos ampliar esse entendimento na sociedade”, destaca.
 

Violência estrutural, etarismo e o desafio de garantir direitos 

Outro aspecto que preocupa especialistas é a violência estrutural, caracterizada por mecanismos sociais, econômicos, políticos e institucionais que dificultam o acesso da população idosa a direitos, serviços e oportunidades. A discriminação por idade, a burocratização de direitos e a exclusão social também são formas de violência que comprometem a qualidade de vida e a cidadania dessa população. 

Para Vania Beatriz Herédia, professora, pesquisadora, socióloga, doutora em História, membro da Comissão de Normas da SBGG e também coordenadora da campanha, um dos principais desafios é o reconhecimento dessas violências. 

“Ainda é difícil identificar e discutir a violência contra pessoas idosas porque muitos preconceitos relacionados ao envelhecimento continuam profundamente presentes na nossa cultura. Precisamos superar a ideia de que determinadas situações são naturais do envelhecimento. Combater a violência também significa enfrentar o etarismo e valorizar a autonomia, a dignidade e os direitos da população idosa”, afirma. 

A campanha também chama atenção para o envelhecimento acelerado da população brasileira e para a necessidade de fortalecer redes de apoio, proteção e convivência intergeracional. 

“O enfrentamento da violência exige uma mudança cultural. Precisamos fortalecer redes de proteção social, qualificar profissionais, apoiar famílias e construir uma sociedade que enxergue o envelhecimento com mais respeito e responsabilidade coletiva. O cuidado com a pessoa idosa é uma responsabilidade de todos”, conclui Vania.
  
 

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG


Efeito Copa do Mundo: busca por antenistas dispara 65% na corrida contra o "delay"

Levantamento mostra corrida pela TV aberta; plataforma conta com cerca de 1.500 antenistas cadastrados em todo o país

 

A poucos dias da estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026, muitos brasileiros estão se preparando para acompanhar os jogos sem correr o risco de descobrir um gol pelo grito do vizinho antes de vê-lo na tela. Segundo levantamento da GetNinjas, maior plataforma de contratação de serviços da América Latina, a busca por antenistas cresceu 65,7% nos primeiros oito dias de junho, em comparação com a média registrada em maio. 

O movimento revela uma tendência curiosa em meio ao avanço das plataformas digitais: durante grandes eventos esportivos transmitidos ao vivo, a TV aberta segue sendo a escolha de muitos consumidores que buscam evitar os atrasos de transmissão, conhecidos como "delay", comuns em serviços de streaming e TV por internet. 

A alta na procura indica uma corrida para instalação, manutenção e ajustes de antenas digitais, tanto externas quanto internas, reforçando a importância da transmissão terrestre em momentos de grande mobilização nacional. 

Embora o consumo de conteúdo sob demanda tenha transformado os hábitos dos brasileiros nos últimos anos, eventos ao vivo continuam exigindo uma experiência diferente. Quando cada segundo importa, a estabilidade do sinal e a transmissão em tempo real tornam-se fatores decisivos para os torcedores. 

Para atender à demanda crescente, a GetNinjas conta atualmente com cerca de 1.500 antenistas cadastrados e ativos em todo o Brasil, conectando consumidores a profissionais qualificados de forma rápida e prática. 

"Durante grandes eventos esportivos, muitos consumidores percebem que a tecnologia mais moderna nem sempre entrega a transmissão mais rápida. O aumento na procura por antenistas mostra que a TV aberta continua sendo a principal alternativa para quem quer acompanhar cada lance em tempo real, sem atrasos. É um comportamento que une tecnologia, hábito de consumo e paixão pelo futebol", afirma Pedro Nazareth, CEO da GetNinjas. 

Além de refletir a preparação dos torcedores para a Copa do Mundo, o crescimento da categoria evidencia como grandes eventos esportivos movimentam diretamente o mercado de serviços e geram oportunidades para profissionais autônomos em todo o país.


C-Level unido, empresa forte: o desafio da liderança colaborativa

 

Toda empresa fala sobre colaboração entre os times, mas poucas conseguem aplicá-la de forma efetiva nos níveis mais altos da organização. Mesmo que tenham os melhores talentos do mercado em sua alta liderança, ainda assim, é muito comum que enfrentem dificuldades para crescer de forma sustentável - o que vem dependendo cada vez menos do desempenho individual dos executivos, e mais da capacidade do C-Level de atuar de forma integrada, compartilhando objetivos, responsabilidades e decisões em prol de um propósito maior comum. 

Em um ambiente de negócios cada vez mais complexo, quando cada executivo atua em função de suas próprias metas, prioridades ou interesses, a organização perde velocidade, eficiência e competitividade. Não há espaço para lideranças que operam de forma isolada, afinal, desafios complexos exigem respostas construídas coletivamente, e não soluções fragmentadas com base nas visões de cada um. 

Um exemplo clássico dessa lógica está no histórico da seleção brasileira masculina de vôlei comandada por Bernardinho. Ao longo dos anos, ele liderou equipes repletas de atletas talentosos, muitos deles considerados os melhores do mundo em suas posições. Ainda assim, o diferencial não estava apenas na qualidade individual de cada jogador, mas na capacidade de todos colocarem um objetivo coletivo acima de seus interesses pessoais: vencer como equipe. 

No mundo corporativo, o princípio é o mesmo. Quando o C-Level deixa que metas individuais prevaleçam sobre os objetivos estratégicos da organização como um todo, o resultado é a perda de alinhamento, a fragmentação das decisões e o enfraquecimento dos projetos. Afinal, assim como no esporte, nenhuma empresa conquista resultados excelentes quando cada um joga para si, mas sim quando todos trabalham para ganhar juntos. 

Uma pesquisa global da plataforma Mural, divulgada em 2025, comprova isso: apesar de 85% dos profissionais afirmarem que suas equipes colaboram bem, os mesmos admitem existir desalinhamentos frequentes nas metas e prioridades. Além disso, cerca de 90% afirmaram que a falta de colaboração impacta a retenção de clientes, conversões e lançamentos de produtos. 

O grande mérito de um bom gestor não é só atrair boas pessoas, mas engajá-las de forma que remem no mesmo sentido. Garantir o comprometimento do C-Level com a mesma visão e que concordem com o caminho a ser seguido não é algo simples, mas fundamental para assegurar a prosperidade corporativa – ao mesmo tempo que, no menor sinal de falta de harmonia entre esses pontos, cabe ao gestor trocar esses executivos, ou revisar o que é esperado pela empresa e por cada um ali dentro. 

Não há como ter a utopia de que divergências nunca acontecerão, especialmente quando falamos de executivos experientes, com visões fortes, histórico de resultados e, naturalmente, doses de ego e vaidade que fazem parte do ser humano. Por isso, cabe ao líder monitorar, constantemente, esses sinais que possam indicar um desalinhamento mais profundo, como a falta de boa vontade para colaborar, a redução da participação nas discussões, a ausência de energia para enfrentar desafios coletivos, ou comportamentos sutis como olhares de reprovação e resistência às decisões do grupo. 

O caminho é promover conversas abertas, transparentes e francas para compreender o que está por trás daquela atitude e, principalmente, encontrar formas de resgatar o comprometimento com o objetivo comum, antes que os interesses individuais passem a comprometer o desempenho de toda a organização. 

No final, criar um C-Level que jogue junto não é sobre eliminar diferenças, mas sobre construir alinhamento em torno de um propósito maior do que qualquer agenda individual. Empresas fortes são aquelas que conseguem transformar talentos distintos em um time coeso, capaz de debater, discordar e até mesmo confrontar ideias sem perder de vista o objetivo maior em comum. Em um mercado cada vez mais complexo e dinâmico, a vantagem competitiva não está apenas na qualidade dos executivos que ocupam o board, mas na capacidade de fazer com que atuem como uma verdadeira equipe. 

 


Ricardo Haag - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.

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Copa do Mundo não suspende a lei do silêncio: especialista alerta para limites da comemoração em condomínios

Barulho excessivo, fogos, buzinas e festas prolongadas podem gerar multas e conflitos entre moradores durante os jogos da Seleção Brasileira 

 

A cada Copa do Mundo a emoção dos torcedores brasileiros toma conta das ruas, bares e também dos condomínios. Mas em meio à expectativa pelos jogos da Seleção Brasileira, especialistas alertam que a paixão pelo futebol não suspende as regras de convivência previstas na legislação e nos regulamentos internos dos condomínios.  

Segundo o advogado especialista em Direito Condominial, Eduardo Rachid, a Copa não cria uma autorização automática para excessos sonoros ou comportamentos que prejudiquem os demais moradores.

 

"É natural que as pessoas comemorem um gol ou uma vitória do Brasil. Um grito de alegria faz parte do contexto do evento. O problema surge quando a comemoração se transforma em barulho contínuo, som alto, buzinas, vuvuzelas, fogos ou festas que se estendem pela noite, comprometendo o direito ao sossego dos demais moradores", explica.

 

De acordo com o especialista, o Código Civil garante aos condôminos o direito ao uso pacífico de suas unidades e das áreas comuns, enquanto as convenções e regimentos internos costumam estabelecer limites de horário e regras para utilização dos espaços coletivos.


 

Planejamento evita conflitos

 

Para evitar problemas durante os dias de jogo, Rachid recomenda que síndicos e administradoras promovam um alinhamento prévio com os moradores.

 

"O ideal é definir antecipadamente as regras para uso do salão de festas, áreas gourmet ou espaços de convivência. Também é importante estabelecer horários para encerramento das confraternizações, controle do volume do som e regras para convidados", orienta.

 

A comunicação antecipada ajuda a reduzir reclamações e evita que situações de euforia se transformem em conflitos entre vizinhos.

 

Fogos são desaconselhados e podem gerar responsabilização

 

Outro ponto de atenção são os fogos de artifício. Além do incômodo causado pelo ruído, seu uso pode representar riscos à segurança dos moradores, especialmente crianças, idosos, pessoas com sensibilidade auditiva e animais de estimação.

 

"Os fogos de artifício são altamente desaconselháveis em ambientes condominiais. Dependendo da situação, o uso pode até gerar responsabilização por danos causados a terceiros ou ao patrimônio do condomínio", alerta o advogado.


 

Bom senso é o principal aliado

 

Para o especialista, o equilíbrio entre a celebração e o respeito às regras de convivência é o melhor caminho para que todos possam aproveitar o clima da Copa.

 

"A Copa do Mundo é um momento de confraternização e alegria. É perfeitamente possível torcer, reunir amigos e celebrar os jogos sem desrespeitar os vizinhos. O bom senso continua sendo a principal regra para evitar multas, advertências e desgastes na convivência", conclui. 



Rachid Advocacia
https://rachidadvocacia.com.br/


Dois em cada três brasileiros ainda vestem a camisa do Brasil mesmo diante de incertezas sobre o país

Pesquisa nacional revela que sentimento de pertencimento permanece forte mesmo diante do cansaço emocional, da insegurança financeira e da descrença nas instituições

 

Os brasileiros estão cansados, preocupados com o futuro e desconfiados das instituições. Ainda assim, dois em cada três afirmam ter orgulho de ser brasileiros. O dado, revelado pela pesquisa O Brasil de Agora, realizada pelo Instituto de Pesquisa Aerah House com 2 mil entrevistados em todas as regiões do país, ajuda a compreender uma das principais características do Brasil contemporâneo: a capacidade de preservar o sentimento de pertencimento mesmo em meio a um cenário marcado por incertezas e insatisfação. 


O levantamento mostra que apenas 24% dos brasileiros acreditam que o país está seguindo na direção certa. Ao mesmo tempo, 70% afirmam ter pouca confiança de que o governo ajuda a população como deveria. Apesar disso, 66% dizem ter orgulho de ser brasileiros, indicando que a identidade nacional permanece mais forte do que a avaliação sobre o momento vivido pelo país.

 

Para Fernanda Faria, sócia-fundadora do Instituto de Pesquisa Aerah House, os resultados revelam uma distinção importante feita pelos próprios brasileiros. “Os dados mostram que o orgulho nacional não está sendo sustentado pela avaliação do momento atual. Os brasileiros conseguem reconhecer os problemas e as incertezas do presente sem que isso enfraqueça o sentimento de pertencimento. É possível estar insatisfeito com os rumos do país e, ao mesmo tempo, continuar se reconhecendo como parte dele”, analisa.

 

Segundo a pesquisa, esse orgulho parece estar menos relacionado ao desempenho das instituições e mais conectado à experiência de viver o Brasil. Aspectos como cultura, relações sociais, história compartilhada e identidade coletiva continuam exercendo um papel importante na forma como os brasileiros enxergam a si mesmos e ao país.

 

O estudo também retrata uma população sob forte pressão emocional. Quatro em cada dez brasileiros relatam cansaço emocional frequente, enquanto 47% afirmam sentir que têm pouco controle sobre a própria vida. Além disso, 59% dizem que precisam se dar conta de tudo mesmo quando estão exaustos, refletindo uma rotina marcada por sobrecarga e preocupações constantes.

 

Apesar desse cenário, a esperança segue presente. A pesquisa aponta que 82% dos brasileiros demonstram algum grau de confiança no futuro. Desse total, 36% enxergam oportunidades claras para melhorar de vida e 46% acreditam que, apesar das dificuldades, ainda é possível avançar.

 

“Existe uma convivência entre preocupação e esperança. As dificuldades não eliminam a expectativa de progresso. O orgulho de ser brasileiro pode funcionar como uma referência positiva em meio às incertezas, reforçando um sentimento de continuidade e pertencimento mesmo em períodos mais desafiadores”, afirma Fernanda.

 

E com a chegada da Copa do Mundo, o levantamento também ajuda a explicar por que símbolos nacionais continuam despertando emoções e mobilizando milhões de pessoas. Em uma sociedade cada vez mais concentrada nos desafios individuais e familiares, momentos coletivos ganham relevância por criarem experiências compartilhadas capazes de aproximar pessoas com diferentes realidades, opiniões e trajetórias.

 

Para Fernanda, a Copa continua sendo um dos principais espaços de conexão coletiva do país. “Durante algumas semanas, milhões de brasileiros acompanham os mesmos acontecimentos, compartilham emoções semelhantes e voltam a se perceber como parte de algo maior do que suas rotinas e desafios individuais. A Copa não elimina as diferenças, mas cria um espaço simbólico comum onde a identidade nacional se torna mais visível”, explica.

 

O estudo mostra ainda que símbolos como a camisa da Seleção Brasileira continuam carregando forte significado cultural. Embora seu sentido tenha se tornado mais plural ao longo dos anos, ela permanece como uma das principais representações da identidade nacional e do sentimento de pertencimento compartilhado por grande parte da população.

 

Os resultados da pesquisa sugerem que o Brasil chega à Copa de 2026 carregando contradições. Há desconfiança, preocupação e insatisfação com os rumos do país. Mas há também orgulho, esperança e um vínculo emocional que resiste às dificuldades. Em meio a um cenário de polarização e fragmentação social, dois em cada três brasileiros mostram que a identidade nacional continua sendo um dos poucos pontos de convergência capazes de unir o país.

 

Sobre a pesquisa


A pesquisa “O Brasil de Agora - A Vida Sob Novas Condições” foi realizada pela Aerah House com 2.000 brasileiros acima de 18 anos em todas as regiões do país.

Com mais de 25 perguntas de diversas frentes, a coleta foi realizada em abril de 2026, com amostra representativa da população brasileira por região, sexo, faixa etária e classe social. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.


 

Aerah House 


Tempo na roça vale aposentadoria

Milhares de trabalhadores podem usar anos de atividade rural para antecipar o benefício ou aumentar o valor recebido do INSS

 

Muitos brasileiros que hoje vivem nas cidades carregam uma história comum no interior do Paraná e de diversas regiões do país: a infância e a juventude dedicadas ao trabalho no campo. O que poucos sabem é que esse período pode fazer diferença significativa na aposentadoria. Em muitos casos, os anos trabalhados na agricultura familiar podem ser reconhecidos pelo INSS e incorporados ao histórico previdenciário, permitindo a antecipação da aposentadoria ou o aumento do valor do benefício.

O Paraná possui uma das maiores populações rurais do Brasil. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), milhares de famílias ainda vivem da agricultura familiar, atividade que historicamente contou com a participação de filhos e demais integrantes da família nas tarefas diárias da propriedade. Esse trabalho, realizado antes de novembro de 1991, pode ser computado como tempo de contribuição mesmo sem recolhimentos previdenciários na época.

De acordo com o advogado previdenciarista Humberto Tommasi, muitas pessoas deixam de exercer esse direito por desconhecimento. "Recebemos frequentemente trabalhadores que passaram anos ajudando os pais na lavoura e acreditam que esse período não tem qualquer valor para a aposentadoria. Na realidade, dependendo do caso, esse tempo pode representar cinco, sete ou até dez anos de diferença no planejamento previdenciário."

O reconhecimento do chamado tempo rural exige a apresentação de documentos que comprovem a atividade agrícola da família. Certidões de nascimento ou casamento com a profissão dos pais registrada como agricultor, históricos escolares de escolas rurais, documentos de sindicatos rurais, contratos de arrendamento e registros de propriedades são alguns dos documentos que podem servir como prova perante o INSS.

Além da aposentadoria por tempo de contribuição, existe ainda a chamada aposentadoria híbrida, modalidade que permite somar períodos trabalhados no campo e na cidade. A alternativa tem beneficiado milhares de trabalhadores que migraram para centros urbanos ao longo da vida profissional e não possuem tempo suficiente em apenas uma das atividades.

Segundo Tommasi, um dos principais erros ocorre quando o segurado deixa para buscar a documentação apenas no momento de solicitar a aposentadoria. "Muitos documentos são antigos e nem sempre fáceis de localizar. O ideal é fazer uma análise previdenciária com antecedência, identificar as provas disponíveis e realizar a averbação antes do pedido. Isso evita atrasos e aumenta as chances de uma concessão mais rápida e vantajosa."

Outro benefício da análise prévia é a correção de informações no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), documento que reúne todo o histórico previdenciário do trabalhador. Inconsistências cadastrais, vínculos ausentes ou períodos não reconhecidos podem comprometer o cálculo final do benefício.

"O trabalho rural fez parte da construção econômica de milhares de famílias brasileiras e não pode ser ignorado no momento da aposentadoria. Cada período reconhecido representa o reconhecimento de uma história de trabalho e pode fazer uma diferença significativa na renda que o segurado receberá durante o restante da vida", afirma Humberto Tommasi.

  

Ozon & Tommasi Advogados
Dr. Humberto Tommasi
@ozonetommasiprev
contato@aot.adv.br
www.aot.adv.br
Av. Iguaçu, 1106 – Rebouças, Curitiba/PR

 

Às vésperas da estreia do Brasil, vendas de produtos da seleção crescem mais de 20 vezes no e-commerce

Número de pedidos aumenta quase seis vezes e ticket médio sobe 12% com torcedores antecipando compras para acompanhar a competição, mostra levantamento da Nuvemshop 


Com a principal competição internacional de futebol em andamento e a estreia da seleção brasileira marcada para este sábado, a torcida já está movimentando o comércio eletrônico. Levantamento da Nuvemshop, maior plataforma de e-commerce do Brasil e da América Latina, mostra que as vendas de produtos relacionados ao torneio cresceram mais de 20 vezes em maio de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado, sinalizando uma forte corrida dos consumidores para se preparar para os jogos do Brasil. 

O avanço acontece justamente no período que antecede o primeiro compromisso da seleção e revela um movimento de antecipação das compras por parte dos torcedores. Camisas oficiais, itens temáticos, produtos personalizados e artigos para acompanhar as partidas já impulsionam as vendas de milhares de lojistas que apostam no aumento da demanda conforme a competição avança. 

Os dados também mostram que mais empresas entraram na disputa pela atenção dos torcedores. O número de lojistas que registraram vendas de produtos ligados ao torneio cresceu quase seis vezes em relação a maio de 2025, evidenciando que marcas e empreendedores de todos os portes estão aproveitando a proximidade da estreia brasileira para ampliar suas ofertas e capturar uma das datas mais relevantes do calendário esportivo.

Além de comprar mais, os consumidores também gastaram mais. O ticket médio dos pedidos relacionados ao torneio alcançou R$ 189 em maio deste ano, alta de aproximadamente 12% sobre os R$ 169 registrados no mesmo mês de 2025. 

As camisas seguem como principal motor das vendas. A categoria de vestuário — que inclui modelos da seleção para a temporada 2026/27, versões torcedor e jogador e camisas retrô — respondeu por 73,8% do faturamento gerado pelos produtos ligados ao torneio. Na sequência aparecem outros itens temáticos da competição (13,8%), álbuns e figurinhas (6,8%), insumos e produtos para impressão 3D (3,4%), artigos de decoração e torcida (2,1%) e bolas (0,2%).

O levantamento também aponta uma diversificação do consumo associado ao evento. Além das tradicionais camisas, consumidores buscaram itens personalizados e de nicho, como kits de filamento para impressão 3D temáticos e produtos voltados ao público infantil, incluindo bodies comemorativos para bebês. 

“Com a estreia do Brasil se aproximando, vemos a mobilização dos torcedores se refletir diretamente nas vendas online. Eventos como este concentram um pico de consumo em poucas semanas e quem tem loja própria consegue responder rapidamente à demanda. Os dados mostram marcas e negócios de todos os tamanhos preparados para transformar o interesse gerado pela competição em vendas”, afirma Alejandro Vázquez, presidente da Nuvemshop.


São Paulo terá a primeira usina do país para capturar e armazenar carbono do etanol de cana


O Estado de São Paulo é o maior produtor de etanol e de açúcar do país
foto: Léo Ramos Chaves/Pesquisa FAPESP
Iniciativa com investimento estimado de R$ 30 milhões reúne FAPESP, USP, Secretaria de Estado do Meio Ambiente e setor produtivo

 

O Estado de São Paulo vai construir a primeira usina brasileira para captura e armazenamento de carbono emitido pela produção de etanol de cana-de-açúcar. O anúncio foi feito pelo governador Tarcísio de Freitas durante evento realizado ontem (10/06), em comemoração à Semana do Meio Ambiente. Na ocasião, foi assinado o termo de criação do Centro de Tecnologias para Captura e Armazenamento de Carbono Biogênico (CTCCSBio).

Trata-se de um novo Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD), financiado pela FAPESP, sediado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e implementado em parceria com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Semil), a Petrobras, o Grupo São Martinho e o escritório Rolim Goulart Cardoso Advogados. A missão da equipe será estudar a viabilidade e planejar a implantação da nova usina.

O Estado de São Paulo é o maior produtor de etanol e de açúcar do país, e a tecnologia conhecida como BECCS (sigla em inglês para Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono) permite, em tese, que esse etanol paulista venha a se tornar um combustível “carbono negativo” – ou seja, que mais retira do que adiciona carbono da atmosfera. Isso porque o processo de captura do CO liberado na produção do etanol e seu armazenamento no subsolo reverteria o balanço de emissões de gases do efeito estufa.

“A produção de etanol a partir da cana-de-açúcar já é considerada uma alternativa mais sustentável em relação aos combustíveis fósseis por emitir menos gás carbônico. Portanto, ao capturar esse gás e injetá-lo no subsolo, estamos removendo ativamente o carbono que já circulava no ciclo de vida da planta. Atualmente, o etanol ainda tem uma pegada de carbono positiva, mas, com a remoção, pode-se chegar a uma pegada de carbono negativa. Algo extremamente interessante para o setor sucroenergético e para o país”, avalia Bruno Souza Carmo, professor da Poli-USP e diretor do CTCCSBio.


Monetização

Segundo Carmo, a tecnologia para fazer essa captura e armazenamento de carbono já existe e, portanto, o maior desafio do novo centro será torná-la viável no contexto paulista e do setor sucroenergético. “O armazenamento de carbono não gera receita direta. Vamos estudar mecanismos de monetização, como mercado de carbono, compensações ambientais e políticas de incentivo”, afirma.

O centro terá atuação multidisciplinar, reunindo especialistas em engenharia, geologia, economia, direito e psicologia. Entre as principais frentes estão a avaliação da viabilidade econômica e a análise do arcabouço regulatório para viabilizar créditos de carbono. Nessa etapa, os pesquisadores também vão identificar por meio de estudos geológicos os locais mais adequados para instalar a usina e armazenar o CO capturado. Segundo Carmo, a planta precisa estar próxima de reservatórios salinos profundos, formações a mais de mil metros de profundidade e compostas por rochas porosas preenchidas por água altamente salina, ou seja, sem utilidade para o abastecimento humano.


Desenvolvimento em duas fases

O projeto terá duração de cinco anos, investimento total estimado de R$ 30 milhões e será implementado em duas fases. Na primeira, com duração de dois anos, a equipe vai prospectar locais para a instalação da usina e analisar o potencial de São Paulo para o uso da tecnologia. Para isso, serão considerados fatores como geologia, proximidade com usinas, infraestrutura, custos, impacto ambiental e percepção social. Na segunda fase, o projeto deve avançar para a implantação e funcionamento da nova usina.

Atualmente, o Brasil possui apenas uma planta de captura e armazenamento de carbono no Estado do Mato Grosso, que é voltada para o etanol de milho. A usina paulista será a primeira dedicada ao etanol de cana.

No lançamento do novo centro, o governador Tarcísio de Freitas destacou a relevância da FAPESP no avanço científico do Estado. “Foi criado um instrumento poderoso, que fomenta a pesquisa, o desenvolvimento, a ciência. É um instrumento que funciona, que vai continuar funcionando", disse o governador. “São Paulo é um Estado que cresceu em produtividade, cresceu no agro, mas também cresceu em sustentabilidade", completou.

A secretária da Semil, Natália Resende, afirmou em comunicado divulgado pela pasta que o projeto está alinhado ao Plano de Ação Climática 2050 e ao Plano Estadual de Energia. “O BECCS é essencial para descarbonizar o setor agroindustrial paulista e manter sua competitividade internacional diante das crescentes exigências ambientais globais”, diz o texto.



Maria Fernanda Ziegler

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/sao-paulo-tera-a-primeira-usina-do-pais-para-capturar-e-armazenar-carbono-do-etanol-de-cana/58364

 

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