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segunda-feira, 6 de julho de 2026

A psicologia por trás da Copa: doutora explica por que o torneio gera 'contágio emocional' e como lidar com o luto da derrota

Psicóloga da Unifran detalha como o sentimento de pertencimento une até quem não gosta de futebol e analisa os impactos da perda de expectativas no bem-estar mental.

 

A Copa do Mundo é muito mais do que um torneio esportivo: ela funciona como um poderoso catalisador social capaz de alterar o humor, a rotina e a saúde mental de nações inteiras. Mas como a psicologia explica essa capacidade única de contagiar até mesmo aqueles que não acompanham futebol no dia a dia?

Para entender a mente do torcedor e o impacto desse fenômeno em nosso bem-estar, a Profa. Dra. Ana Paula Barbosa, coordenadora do curso de Psicologia da Universidade de Franca (Unifran), analisa os fatores emocionais e sociais que ocorrem no comportamento coletivo durante a competição.
 

Contágio emocional e o sentimento de pertencimento

Segundo a especialista, o primeiro fator-chave para a "euforia coletiva" é o chamado contágio emocional, um conceito amplamente estudado pela psicologia do comportamento. 

"Quando uma pessoa que não acompanha futebol entra em um ambiente onde todos estão vibrando, tensos ou comemorando, ela começa a se contagiar de forma quase inconsciente. Ela passa a sentir a dopamina e a adrenalina do grupo, o que automaticamente gera um profundo senso de pertencimento", explica a docente. 

Esse fenômeno vai além da sensação de simpatia. A psicóloga aponta que pesquisas na interface entre a psicologia e a biologia comprovam que assistir a eventos com forte carga emocional em grupo altera o nosso funcionamento de forma real. 

"Estudos de neurociência hoje mostram que as pessoas que assistem juntas a um evento forte, com carga emocional, entram em uma sincronia neural. Isso é algo extremamente positivo, pois fortalece os laços sociais e o bem-estar coletivo", destaca. 

Além disso, por ocorrer apenas a cada quatro anos, a Copa do Mundo ativa memórias afetivas e históricas na vida das pessoas, promovendo um período de "afeto coletivo" onde as conexões humanas são priorizadas e as rotinas diárias são pausadas em prol da união.
 

O outro lado da moeda: o 'luto coletivo' e a dor da perda

Se a vitória gera entusiasmo e união, a eliminação ou a derrota da seleção pode provocar o efeito oposto, mergulhando ruas e redes sociais em um verdadeiro luto coletivo. De acordo com a especialista, essa reação negativa é um fenômeno psicológico muito real e que precisa ser compreendido. 

A frustração da derrota está diretamente ligada a sentimentos de rejeição e perda de status. 

"A rejeição e a perda de status decorrentes de uma derrota esportiva são sentimentos profundos, que a ciência mostra que podem, inclusive, ativar áreas cerebrais ligadas à dor física. Há também uma quebra abrupta de expectativa. No Brasil, país que ama o futebol, mesmo quem não acompanha o esporte rotineiramente se conecta nesse momento, gerando uma grande projeção de futuro", pontua a coordenadora da Unifran. 

Muitas vezes, a tristeza pós-jogo não se deve apenas ao resultado do placar em si, mas sim à perda do "futuro projetado" que o torcedor construiu em sua mente. 

"Às vezes, o luto não é só pelo jogo em si, mas pela perda do futuro projetado: a festa que não vai mais acontecer, a alegria que foi bruscamente interrompida e os planos de celebração que foram desfeitos", complementa a psicóloga.
 

Como gerenciar as expectativas e proteger a saúde mental

Para que a experiência da Copa do Mundo seja saudável e enriquecedora, independentemente dos resultados em campo, a Dra. Ana Paula sugere que os torcedores busquem ressignificar o papel do torneio em suas vidas, focando no que ele traz de melhor: as relações humanas. 

"Para finalizar, o mais importante é que esse período seja um momento incrível de conexão, de reunião e de aproveitarmos a presença uns dos outros e essa energia boa. Se o resultado esperado não vier, que nós possamos ter a maturidade de guardar a camisa, recolher as bandeiras e compreender que o valor real desse momento não está apenas na vitória ou na derrota, mas sim na nossa capacidade de conexão e união coletiva", conclui. 



Unifran


Gestão de Redes Sociais: como transformar presença digital em resultados?



A gestão de redes sociais deixou de ser apenas uma atividade operacional para ocupar um papel estratégico dentro das empresas. Isso porque, em um cenário cada vez mais digital, marcas que as utilizam apenas como canal de postagem acabam perdendo oportunidades relevantes de crescimento, relacionamento e geração de negócios.

Hoje, plataformas como Instagram, LinkedIn, Facebook e TikTok influenciam, diretamente, a percepção de marca e a decisão de compra dos consumidores. Muito mais do que expandir a visibilidade corporativa, passaram a funcionar como canais de construção de autoridade, geração de demanda e fortalecimento do posicionamento digital.

Especialistas apontam que existe uma diferença significativa entre apenas publicar conteúdos e desenvolver uma estratégia estruturada de redes sociais. Enquanto postagens sem direcionamento tendem a gerar apenas movimentação superficial, uma gestão estratégica considera objetivos de negócio, público-alvo, posicionamento e jornada do cliente. Nesse contexto, as redes sociais deixam de atuar apenas na comunicação e passam a contribuir, efetivamente, para o crescimento e geração de oportunidades comerciais.

Outro fator importante é suas atuações em diferentes etapas do funil de vendas. No topo, ajudam as empresas a ampliarem alcance e atrair atenção do público. No meio, fortalecem relacionamento e confiança. Já no fundo do funil, favorecem para a decisão de compra e validação da marca.

Mesmo quando a conversão acontece por outros canais, a presença digital influencia a percepção de valor do consumidor. Perfis ativos, conteúdos consistentes e posicionamento bem definido aumentam a credibilidade e reforçam a autoridade da empresa no mercado.

Comprovando esse impacto, dados da Sprout Social revelam que, quando os consumidores constroem uma conexão com uma marca nas redes sociais, 76% deles dão preferência a ela em vez de comprar de um concorrente. Somado a isso, mais da metade dos usuários de internet já utilizam essas plataformas como o principal canal de pesquisa sobre produtos. Ou seja, a decisão de compra começa a ser desenhada muito antes do cliente chegar ao site.

Por isso, uma gestão profissional de redes sociais envolve muito mais do que criação de posts. O trabalho inclui planejamento estratégico, definição de linhas editoriais, análise de métricas, produção de conteúdo e otimização contínua das ações. Do contrário, sem esse planejamento, a comunicação tende a ficar dispersa e desconectada dos objetivos da empresa.

Estratégicas bem construídas, na prática, conseguem alinhar branding, relacionamento e performance de forma integrada – tendo na produção de conteúdo um dos principais pilares desse processo. Textos educativos, informativos e relevantes ajudam as empresas a construírem relacionamento com seu público-alvo e, assim, aumentar o engajamento de forma mais consistente.

Além disso, a análise de dados passou a ser indispensável para a evolução dessas estratégias. Métricas como alcance, engajamento, retenção e conversão ajudam a identificar oportunidades de melhoria e a orientar decisões com mais precisão.

Outro ponto importante é a integração das redes sociais com outras estratégias digitais, como SEO, tráfego pago, CRM e automação de marketing. Empresas que trabalham essas frentes de forma integrada tendem a potencializar resultados e criar operações mais previsíveis.

Para que as empresas consigam colher todos esses benefícios, é importante se atentarem a alguns erros comuns na gestão de redes sociais. Entre os principais, estão o foco excessivo apenas na estética, ausência de consistência nas postagens, falta de análise de métricas e de estratégia clara.

Embora conteúdos visualmente atrativos sejam importantes, eles não sustentam o crescimento sozinhos. Sem objetivos bem definidos e acompanhamento de resultados, as redes sociais acabam funcionando apenas como um canal de comunicação — e não como uma ferramenta estratégica de negócio. Mas, quando utilizadas de forma estratégica, conseguem atrair potenciais clientes através de conteúdos educativos, distribuição de valor e campanhas segmentadas.

Quando combinadas ao tráfego pago, as plataformas digitais podem ampliar ainda mais o alcance e aumentar a previsibilidade na geração de demanda, permitindo que escalem resultados de forma mais eficiente.

À medida que o ambiente digital se torna mais competitivo, cresce a importância de estratégias orientadas por dados, testes e otimizações constantes. Empresas que conseguem unir conteúdo, branding e performance tendem a construir presença digital mais forte e sustentável. Mais do que manter perfis ativos, o desafio atual das marcas é transformar as redes sociais em canais reais de relacionamento, autoridade e crescimento.

 


Renan Cardarello - Fundador e Diretor da iOBEE - Agência de marketing digital e Growth.


iOBEE
https://iobee.com.br/


Feriado de 9 de julho em São Paulo: buscas por passagens de ônibus sobem 79%, segundo ClickBus

 Rio de Janeiro e Foz do Iguaçu lideram em crescimento na preferência dos passageiros paulistas

 

O feriado da Revolução Constitucionalista, celebrado no estado de São Paulo nesta quinta-feira (9), deve intensificar o movimento no turismo rodoviário. Diferente de 2025, quando a data caiu em uma quarta-feira, o calendário deste ano propicia um feriado prolongado.

Segundo levantamento da ClickBus, maior plataforma de soluções para viajantes e viações do setor rodoviário no Brasil, o volume total de buscas por viagens com embarques programados entre os dias 8 e 9 de julho registrou alta de 79% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O indicador sinaliza a escolha pelo modal rodoviário para viagens de média e longa distância, impulsionada pela busca por economia e pela conveniência da compra digital.


Destinos mais procurados

O Rio de Janeiro manteve a liderança no ranking de destinos em 2026, registrando quase o dobro de buscas em relação ao ano passado (+189,9%). No entanto, o maior crescimento proporcional entre as principais cidades foi de Foz do Iguaçu (PR), que mais que triplicou a procura por passagens (+218,8%), subindo da 6ª para a 5ª posição.

Cidades como Brasília (+144,3%), Goiânia (+136,7%), Belo Horizonte (+119,6%) e Curitiba (+101,1%) também registraram crescimento de três dígitos na comparação anual. No top 10 deste ano, Uberlândia (MG) estreou entre as mais desejadas, ocupando a vaga que em 2025 foi de Guarulhos (SP).


Ranking de preferência (2025 vs. 2026):

  • Em 2026: Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG), Foz do Iguaçu (PR), Goiânia (GO), Campinas (SP), Brasília (DF), Florianópolis (SC) e Uberlândia (MG).
  • Em 2025: Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG), Campinas (SP), Foz do Iguaçu (PR), Goiânia (GO), Florianópolis (SC), Brasília (DF) e Guarulhos (SP).


Planejamento e antecipação

A forte movimentação demonstr

a que o passageiro do estado de São Paulo quer aproveitar a folga prolongada para viajar pelo país e utiliza cada vez mais a internet para garantir suas poltronas com antecedência, evitando as tradicionais filas nas rodoviárias.

Para a ClickBus, a venda digital ajuda a organizar o grande volume de passageiros no feriado prolongado. Com a compra antecipada, as viações parceiras conseguem adequar a oferta de ônibus para diversos destinos, o que garante um embarque rápido e seguro para quem vai viajar.


Assédio moral no trabalho, psiquiatra ensina a reconhecer

Práticas abusivas continuam sendo confundidas com um modelo de gestão exigente

 

Com a inclusão dos riscos psicossociais na atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), as empresas passaram a ser cobradas não apenas pela prevenção de acidentes físicos, mas também pela identificação e redução de fatores que favorecem o sofrimento emocional, como ambientes hostis, pressão excessiva, violência psicológica e culturas organizacionais baseadas no medo. 

Para o psiquiatra corporativo Dr. Daniel Sócrates, doutor pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e especialista em saúde mental relacionada ao trabalho, o

assédio começa quando a cobrança passa a utilizar humilhação, intimidação, constrangimento, ameaças ou exposição como ferramenta de gestão. “O medo nunca pode ser um instrumento de liderança", afirma o especialista que alerta para o problema vai muito além dos episódios explícitos de agressão verbal. 

"Muitas formas de assédio são silenciosas. Ignorar sistematicamente um profissional, excluí-lo de reuniões importantes, desqualificar constantemente suas ideias, ridicularizá-lo diante da equipe ou retirar sua autonomia de maneira repetitiva também provocam sofrimento psicológico e podem comprometer seriamente sua saúde mental."

 

O assédio nem sempre grita 

Na prática clínica, Daniel Sócrates observa que muitos pacientes chegam ao consultório acreditando que estão apenas "cansados" ou "estressados", quando, na realidade, vivem há meses — ou anos — submetidos a um ambiente de violência psicológica. 

Entre os sinais mais frequentes estão:

  • ansiedade constante antes de ir ao trabalho;
  • insônia;
  • sensação permanente de incompetência;
  • medo de cometer erros;
  • queda de autoestima;
  • crises de choro;
  • irritabilidade;
  • dificuldade de concentração;
  • sintomas físicos, como dores de cabeça, alterações gastrointestinais e tensão muscular 

"Quando a pessoa começa a duvidar da própria capacidade, perde a confiança nas próprias decisões e vive em estado permanente de alerta, muitas vezes estamos diante de um ambiente psicologicamente adoecido, e não de uma fragilidade individual." 

O psiquiatra destaca que, em muitos casos, o problema não está apenas na postura de um gestor, mas na própria cultura organizacional. Empresas que estimulam competição excessiva, metas inalcançáveis, disponibilidade permanente, comparação pública entre funcionários e valorização do medo como estratégia de desempenho acabam criando um ambiente propício para o surgimento do assédio moral institucional. 

"Quando humilhar, expor ou pressionar continuamente passa a ser considerado uma forma aceitável de obter resultados, o problema deixa de ser individual e passa a fazer parte da cultura da organização."

Outro ponto frequentemente observado é a reprodução de modelos antigos de liderança. 

"Muitos gestores não percebem que estão assediando porque repetem exatamente o modelo sob o qual foram formados. Eles acreditam que 'sempre foi assim'. Mas práticas que antes eram naturalizadas hoje são reconhecidas como fatores importantes de adoecimento."

 

Metas impossíveis também adoecem 

Segundo Dr. Daniel, existe uma diferença importante entre metas desafiadoras e objetivos construídos para serem inalcançáveis. 

"Desafios estimulam crescimento. Já metas impossíveis produzem uma sensação permanente de fracasso, aumentam a autocobrança e favorecem ansiedade, exaustão emocional e burnout. O trabalhador passa a acreditar que nunca será suficiente, independentemente do quanto se dedique." 

O especialista também chama atenção para situações em que profissionais recebem orientações contraditórias, são responsabilizados por problemas que não controlam ou nunca conseguem atender às expectativas da liderança. 

"Quando qualquer decisão parece errada e toda entrega é motivo de crítica, instala-se um ambiente de insegurança psicológica extremamente nocivo."

 

Alta performance não depende do medo 

Embora muitas empresas ainda associem pressão intensa à produtividade, as evidências mostram o contrário. "A inovação, a colaboração e a alta performance sustentáveis acontecem em ambientes onde existe segurança psicológica. Pessoas que trabalham sob medo gastam energia tentando se proteger. Pessoas que trabalham com confiança conseguem concentrar seus esforços em criar, resolver problemas e gerar resultados." 

Para o psiquiatra, reconhecer o assédio moral deixou de ser apenas uma obrigação legal e tornou-se uma estratégia de saúde pública e de gestão.

"O custo do assédio não aparece apenas nos processos trabalhistas. Ele está no aumento dos afastamentos, do presenteísmo, do turnover, da perda de talentos e do adoecimento coletivo. Cuidar da saúde mental nas organizações deixou de ser uma ação de bem-estar; hoje é uma necessidade para proteger pessoas e garantir a sustentabilidade das empresas."  



Dr. Daniel Sócrates - Médico psiquiatra, doutor pela UNIFESP, com mais de duas décadas de atuação clínica. Dedica-se ao cuidado de profissionais que enfrentam altos níveis de exigência e responsabilidade, com abordagem focada em performance sustentável, saúde mental e qualidade de vida.
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Como superar a escassez de profissionais qualificados em SAP?


A escassez de profissionais qualificados em TI, infelizmente, é uma realidade triste, mas que já vem há um bom tempo fazendo parte deste mercado. No entanto, em se tratando do ecossistema SAP, estamos falando de um verdadeiro apagão de talentos especializados nessa esfera corporativa. As razões para isso? São várias, desde acessos restritos até a resistência em investir em qualificações.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), o Brasil forma pouco mais de 53 mil profissionais de TI por ano, mediante projeções que apontam a necessidade de 150 mil. Ainda de acordo com o estudo, caso o descompasso permaneça, esse déficit pode ultrapassar meio milhão de especialistas até 2029.

Mas não é preciso esperar os próximos anos para identificar os impactos desse desafio estrutural. De acordo com a pesquisa de Escassez de Talentos 2026 da ManpowerGroup, o país registra um índice de 80% de dificuldade na contratação de profissionais qualificados, superando a média global — sendo esse um obstáculo para o crescimento das organizações, especialmente no setor de tecnologia.

A fim de driblar esse cenário, as empresas vêm investindo no desenvolvimento interno da equipe para suprir essa lacuna. Considerando o exemplo do ecossistema SAP, essa é uma importante abordagem, tendo em vista que a multinacional alemã segue anunciando diversas mudanças nos processos, o que reforça a necessidade de constante atualização por parte dos colaboradores para uma aplicação efetiva no dia a dia operacional.

Por sua vez, embora essa pareça a solução para todos os problemas, na prática não é bem assim que acontece. Não é incomum presenciarmos profissionais, considerados seniores, que têm resistência em investir e aceitar passar por um processo de atualização, deixando de lado coisas novas que precisam ser aplicadas. Esse aspecto também é um importante fator que contribui com a escassez de profissionais qualificados neste mercado.

Da mesma forma, existe um problema externo. E não estamos falando apenas dos dados da Brasscom, mas também do acesso restrito ao ecossistema SAP, no qual as consultorias dificilmente dão espaço para alocar profissionais juniores. Ainda, a multinacional alemã é conhecida por disponibilizar vasto conteúdo teórico, enquanto suas provas de certificação são práticas. Sem um ambiente democrático para exercitar o aprendizado, romper a barreira da formação torna-se o ponto mais crítico e urgente para a nova geração de talentos.

No mercado, existem pessoas diversas que abrangem desde iniciantes até aquelas que estão migrando de carreira, e esse público também precisa de oportunidades. Ao invés de abordar apenas a escassez de profissionais como um obstáculo, é preciso ir além e encontrar formas de superar esse desafio.

Investir na capacitação, sem dúvidas, é o principal caminho. Quando falamos isso, abrimos a porta para mais um assunto “polêmico”: a retenção de talentos. Afinal, como garantir que o profissional que receberá treinamentos permanecerá na empresa? Quanto a isso, é crucial destacar que não há como assegurar essa permanência, já que se trata de uma realidade do mercado. Mas, antes de avaliar o custo de “perder”, é essencial pensar no custo de sobrecarregar a equipe e não ter colaboradores devidamente qualificados, treinados e atualizados acerca das instruções de um universo que está em constante mudança.

Para aqueles que querem ingressar nessa carreira, um importante diferencial é buscar por qualificações que unam o teórico e o prático. Ou seja, da mesma forma que é essencial saber colocar o conhecimento em ação, antes de tudo é necessário conhecer a fundo o assunto, principalmente considerando a atual era da IA que vem exigindo, cada vez mais, a utilização de skills estratégicas para potencializar o seu uso.

Atualmente, o mercado vem vivenciando uma grande demanda de projetos SAP impulsionados, principalmente, pela crescente onda de migrações. Ao olhar para esse cenário, ter profissionais qualificados é essencial para suprir a demanda. Quanto a isso, é fundamental que tanto as consultorias quanto parceiros atuem na criação de pontes que proporcionem a entrada e a qualificação de novos talentos. Afinal, o futuro do ecossistema será construído pela coragem de formar as mentes que vão liderar a próxima onda de inovação.




Danilo Oliveira Co-founder da Moovi.

Moovi Education
https://moovi.education/

Ter um plano B deixou de ser exceção e virou estratégia de carreira, afirma especialista do Infojobs

Movimento conhecido como career cushioning cresce entre profissionais que buscam aumentar a segurança diante das incertezas do mercado de trabalho

 

Atualizar o currículo sem estar procurando emprego, investir em cursos de capacitação, ampliar o networking e acompanhar vagas abertas se tornaram hábitos cada vez mais comuns entre profissionais empregados. 

O comportamento ganhou um nome no mercado internacional: career cushioning. Em tradução livre, o conceito representa a construção de uma rede de proteção profissional para enfrentar possíveis mudanças no emprego ou no cenário econômico. 

A tendência ganhou força nos últimos anos em meio às transformações aceleradas do mercado de trabalho, impulsionadas pela digitalização, pelas novas formas de contratação e pelo avanço da inteligência artificial. 

Para Monize Oliveira, Gerente Sênior de Marketing e Comunicação da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs, o movimento não deve ser interpretado como falta de comprometimento dos profissionais com as empresas onde trabalham atualmente. 

“O que observamos é uma postura mais estratégica em relação à própria carreira. Os profissionais entenderam que a empregabilidade precisa ser construída continuamente e não apenas quando surge uma necessidade urgente de recolocação”, afirma. 

Segundo a executiva do Infojobs, o conceito de estabilidade passou por uma transformação importante nos últimos anos. Em vez de associar segurança à permanência em uma única empresa, muitos trabalhadores passaram a relacioná-la à capacidade de gerar novas oportunidades. 

Essa mudança explica o aumento da procura por cursos de especialização, certificações, eventos profissionais e iniciativas de networking. O objetivo é manter a competitividade em um mercado cada vez mais dinâmico. 

Esse cenário também reflete uma exigência crescente das próprias empresas, que cobram dos profissionais reinvenção constante diante das transformações do mercado. Como consequência, os trabalhadores têm ampliado sua visão sobre as possibilidades profissionais, enxergando oportunidades que vão além do emprego atual. 

“Quem investe constantemente em aprendizado, relacionamento e atualização profissional tende a responder melhor às mudanças do mercado. O plano B deixou de ser uma alternativa emergencial e passou a fazer parte da gestão da carreira”, diz. 

A tendência indica uma mudança cultural relevante. “Em vez de reagir apenas quando enfrentam um problema profissional, os trabalhadores estão adotando uma postura preventiva, construindo caminhos alternativos antes mesmo de precisarem deles”, conclui Monize.


Da digitalização à cognição: Como amplificar a inteligência humana com IA vira vantagem competitiva

 

Por muito tempo, o desafio das organizações foi tornar a informação acessível. Hoje, o desafio é outro: transformar informação em capacidade de decisão. Essa mudança de foco está inaugurando uma nova etapa da evolução empresarial, na qual a Inteligência Artificial (IA) deixa de ser apenas uma ferramenta de automação para se tornar parte da inteligência operacional das organizações. É o início da era das organizações cognitivas. 

A transformação é mais profunda do que parece. Nas últimas décadas, empresas investiram bilhões na digitalização de processos, integração de sistemas e modernização de operações. O resultado foi a criação de organizações mais conectadas, eficientes e orientadas por dados. Ainda assim, a inteligência permanecia concentrada nas pessoas, responsáveis por interpretar informações e tomar decisões. Com o avanço da IA Generativa e dos agentes autônomos, essa lógica começa a mudar. A capacidade de analisar cenários, identificar padrões, aprender continuamente e recomendar ações passa a fazer parte da própria estrutura organizacional. 

Os números mostram que essa mudança já está em curso. Segundo uma pesquisa, 88% das organizações já utilizam IA em pelo menos uma função de negócios, enquanto 62% afirmam estar testando ou implementando agentes inteligentes. Ao mesmo tempo, a maior parte das empresas ainda enfrenta dificuldades para escalar essas iniciativas de forma consistente, demonstrando que a transformação organizacional necessária para capturar valor continua sendo um desafio tão relevante quanto a própria tecnologia. 

Os primeiros sinais dessa nova era costumam surgir em setores marcados por elevada complexidade operacional. Telecomunicações é um dos exemplos mais evidentes. Operadoras administram milhões de interações simultâneas, redes críticas e operações com baixíssima tolerância a falhas, o que faz do setor um ambiente propício para a adoção de agentes inteligentes em monitoramento, manutenção preditiva, atendimento e gestão de infraestrutura. 

Não por acaso, um relatório da NVIDIA aponta que 48% das organizações do setor já possuem iniciativas ativas de IA Agêntica, colocando o Telecom entre os segmentos mais avançados na adoção desse modelo. Mais do que um indicador setorial, o dado funciona como um sinal do que tende a ocorrer em outras indústrias. Historicamente, tendências que surgem primeiro em telecom acabam se espalhando para setores como energia, manufatura, saúde, serviços financeiros e administração pública. 

Essa expansão já pode ser observada em diferentes segmentos da economia. Na manufatura, agentes inteligentes ajudam a prever falhas antes que interrompam linhas de produção. No setor de energia, contribuem para antecipar riscos operacionais e reduzir indisponibilidades. Em saúde, apoiam pesquisas, diagnósticos e jornadas assistenciais cada vez mais complexas. Em comum, todas essas aplicações apontam para uma mesma transformação: a inteligência deixa de ser um recurso concentrado em áreas específicas e passa a funcionar como uma capacidade distribuída por toda a organização. 

Talvez um dos maiores equívocos das discussões atuais seja tratar a IA apenas como um tema de tecnologia. Os desafios mais relevantes já não estão nos modelos ou nas plataformas, mas na capacidade das organizações de preparar sua cultura, revisar processos, estabelecer governança e promover a adoção efetiva pelas áreas de negócio. O verdadeiro diferencial não será quem implementar IA primeiro, mas quem estiver preparado para capturar valor com ela. 

Não por acaso, levantamentos recentes apontam que mais de 40% dos projetos de IA poderão ser revisados, redimensionados ou até questionados nos próximos anos em razão de custos elevados, governança insuficiente, baixa adoção e dificuldades em demonstrar retorno efetivo sobre os investimentos realizados. A constatação reforça uma realidade crescente: o sucesso da IA depende menos da tecnologia em si e mais do nível de maturidade organizacional para absorvê-la, governá-la e transformá-la em resultado de negócio. 

O motivo é simples: agentes inteligentes potencializam a realidade que encontram. Quando inseridos em processos fragmentados, ampliam ineficiências. Quando operam sobre dados inconsistentes, multiplicam problemas. Mas, quando encontram objetivos claros, governança estruturada e lideranças preparadas, tornam-se aceleradores poderosos de inovação, produtividade e adaptação. Nesse contexto, a próxima vantagem competitiva dificilmente será determinada pelo acesso à IA, uma vez que a tecnologia tende a se democratizar. O diferencial estará na capacidade de construir organizações aptas a aprender continuamente e transformar dados em decisões de qualidade. 

É justamente por isso que a discussão mais importante sobre IA deixou de ser tecnológica e passou a ser humana. O Fórum Econômico Mundial aponta que competências como pensamento analítico, criatividade, liderança, aprendizagem contínua e tomada de decisão complexa estarão entre as mais valorizadas do mercado até o fim da década. A IA será cada vez mais capaz de executar tarefas, identificar padrões e recomendar caminhos. Mas propósito, responsabilidade, confiança, contexto e visão de longo prazo continuarão sendo atributos essencialmente humanos. 

O futuro não pertence à IA isoladamente, mas sim às organizações capazes de combinar inteligência humana e artificial para construir negócios mais resilientes, adaptáveis e preparados para um ambiente de transformação permanente. 


Andrea Feres - Business Director no Brasil da GFT Technologies


Diretrizes para leilão de armazenamento aquecem mercado e TTS Energia mira parcerias com investidores para projetos de engenharia

Companhia se prepara para atender empresas vencedoras do certame e aposta na expertise em construção e operação de empreendimentos fotovoltaicos com sistemas de armazenamento

 

A publicação das diretrizes para o primeiro Leilão de Reserva de Capacidade voltado exclusivamente a sistemas de armazenamento de energia em baterias (LRCAP 2026 – Armazenamento) deve acelerar investimentos em projetos de Battery Energy Storage Systems (BESS) e a TTS Energia, empresa de engenharia e construção de usinas solares e ativos de energia renovável, se prepara apoiar os vencedores no desenvolvimento de e implantação de projetos híbridos de geração solar combinada com bancos de baterias. 
 
Com regras definidas pelo Ministério de Minas e Energia (MME), no início de junho, o mercado passa a contar com maior previsibilidade regulatória para a implantação de empreendimentos de armazenamento em larga escala. Atenta a esse novo cenário, a TTS Energia tem ampliado a atuação no segmento de armazenamento e aposta na formação de parcerias estratégicas com desenvolvedores, investidores e empresas que participarão do leilão previsto para dezembro deste ano.
 
Segundo Jacques Hulshof, CEO da TTS Energia, a publicação da portaria transforma uma expectativa de mercado em uma oportunidade concreta de negócios. “A definição das regras representa um marco para o armazenamento de energia no Brasil. Agora existe um ambiente regulatório que permite estruturar investimentos e desenvolver projetos com maior segurança. Nossa estratégia é atuar como parceiro tecnológico e de engenharia das empresas que disputarão esse mercado”, afirma.
 
A portaria publicada pelo MME estabelece dois certames distintos, um destinado a projetos com conteúdo nacional e outro, aberto a todos os sistemas de armazenamento, além de prever contratos com prazo de 15 anos e requisitos técnicos que consolidam o armazenamento como um ativo estratégico para aumentar a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), reduzir restrições operativas e ampliar a integração das fontes renováveis.
 
Também ficam definidos critérios como autonomia mínima de quatro horas, eficiência operacional e potência mínima instalada. “Esses parâmetros tendem a impulsionar toda a cadeia de fornecedores, engenharia e implantação de projetos”, diz Hulshof.
 
Para o executivo, o novo ambiente regulatório cria uma demanda crescente por empresas capazes de entregar soluções completas de engenharia, suprimentos, construção e operação de sistemas BESS. “Nossa expectativa é que o mercado evolua rapidamente nos próximos anos. Os empreendedores precisarão de parceiros com experiência em integração de sistemas, engenharia elétrica, implantação e operação de ativos de geração. É exatamente esse papel que queremos desempenhar”, explica o CEO da TTS Energia.
 
A empresa já estruturou uma frente dedicada ao desenvolvimento de projetos com armazenamento, oferecendo soluções que abrangem estudos de viabilidade, engenharia, EPC (Engineering, Procurement and Construction), integração dos sistemas e operação e manutenção (O&M).
 
Além da atuação em projetos para o leilão, a companhia também identifica oportunidades em sistemas híbridos que combinem geração solar e armazenamento para consumidores industriais, empreendimentos do agronegócio e projetos de geração distribuída de maior porte.
 
Como parte dessa experiência, a TTS Energia desenvolveu recentemente uma microrrede off-grid composta por uma usina fotovoltaica de 3 MWp, gerador de 2,6 MVA e sistema BESS de 630 kVA / 1,26 MWh, equipado com sistema inteligente de gerenciamento de energia (EMS), responsável por controlar automaticamente geração, armazenamento e consumo.
 
A companhia também implantou, no último mês de junho, um sistema de armazenamento por baterias no centro de distribuição da CorSolar, distribuidora de equipamentos fotovoltaicos e pertencente ao Grupo Melo Cordeiro, que reúne companhias nas áreas de fabricação fios e cabos, serviços de logística, trade internacional e distribuição de resinas termoplásticas. O banco de baterias possui uma capacidade de 125 quilowatts (kW) de potência e 260 quilowatts-hora (kWh) de armazenamento.
 
“Acreditamos que o armazenamento será um dos principais vetores da próxima expansão do setor elétrico brasileiro. As baterias são muito mais do que uma tecnologia complementar e começam a se consolidar como solução central para estabilidade das redes, redução do curtailment e expansão sustentável das fontes renováveis. Participamos desse movimento desde o início”, conclui o executivo.

 

TTS Energia
https://ttsenergia.com.br/


Recomeçar depois dos 60 exige coragem para abrir novas portas


Tive a oportunidade de observar durante a vida que existe uma crença silenciosa que nos envolve ainda muito novos e diz que há uma idade para começar e outra para encerrar sonhos. Imobilizante, ela nos conta que ao cruzarmos determinadas idades, é esperado que nosso ritmo diminua, que nossos sonhos se reduzam e que as expectativas sejam deixadas de lado para a comodidade. Para mim, o tempo ensinou algo diferente.

Agora, após os 60 anos, todo ato de recomeçar se torna uma escolha de maturidade, e não apenas um privilégio exclusivo da juventude. Nos anos que passaram, tive a oportunidade de construir uma carreira como empresária, profissional, mãe e mulher, da mesma forma que vivi todos os desafios que cada uma dessas partes exigiu de mim, desde a educação dos filhos, a administração das responsabilidades, as perdas, mudanças e transformações.

Muito antes de aprender a escutar a mim mesma e compreender com profundidade o que meu espírito pedia, eu já atendia todas essas demandas do mundo externo, como nós mulheres sempre somos ensinadas a fazer. Talvez seja por isso, então, que a liberdade me venha com tanta facilidade nesta idade, porque o sentimento de ter me doado em todas essas frentes impulsiona a minha coragem de recomeçar, mesmo em uma idade que muitas pessoas optam por pouparem esforços em frente ao medo de tentar de novo.

Estes recomeços não apagam toda a história da minha vida, tampouco deixam de lado os momentos importantes que me formaram. São justamente eles, na realidade, usados como base para traçar novos caminhos, porque se eu não tivesse a maturidade que adquiri em vida, tendo me dedicado em cada momento dela, eu não teria a coragem para dar um novo passo, mesmo sentindo medo.

Nesta altura da humanidade, nós já vivemos mais do que nossas gerações anteriores, temos mais saúde, mais acesso a tecnologias que auxiliam no dia a dia, mais autonomia mesmo depois de determinada idade e, principalmente, mais ferramentas para encontrarmos quem realmente somos no mundo. Temos todos os meios para nos descobrirmos, aprender coisas novas e reencontrar versões de nós mesmos que ficaram para trás. Ainda assim, muitas pessoas permanecem aprisionadas pela ideia de que já passou o tempo de mudar de profissão, aprender algo novo, iniciar um relacionamento, empreender ou desenvolver um talento adormecido.

É por isso que, para mim, faz sentido acreditar que posso aprender mais. Que posso voltar a estudar, descobrir um novo propósito, abrir um negócio, viajar sozinha ou com amigas, ler um livro, plantar um jardim ou simplesmente me permitir experimentar algo que eu jamais considerei antes. A idade não me limita, ela não proíbe os meus recomeços, mas ela me permite compreender que eu ainda estou em construção, mesmo depois dos sessenta anos. 

Durante minha caminhada, descobri que existe uma diferença importante entre envelhecer e amadurecer. O envelhecer é inevitável, esse processo humano que muitas vezes é rigoroso conosco, mas que também pode ser muito belo quando aceitamos as marcas do tempo e tudo que elas significam para nós. Já amadurecer é uma escolha consciente de continuar aprendendo, crescendo e se transformando, e talvez seja por isso que eu me defina como uma aprendiz da vida. 

Recomeçar não exige juventude, mas exige muita coragem. E, muitas vezes, é justamente nesta maturidade, depois de uma vida inteira de experiências, que encontramos o impulso de coragem de tentar novamente. 


Isolda Risso - empresária, cronista, coach de vida e terapeuta. Mulher 60+, mãe de um lindo casal de filhos, é graduada em Gastronomia, entusiasta da arteterapia e apaixonada por fotografia e arranjos florais. Curiosa de nascença, define-se como uma aprendiz da vida e um ser a caminho da evolução.



El Niño deve testar cooperação e avanços na gestão do fogo feitos desde 2024, alertam pesquisadores

Em evento na Semana do Clima da Amazônia, atores envolvidos no combate às queimadas no Brasil destacaram avanços na integração como chave para o enfrentamento da temporada de fogo de 2026. 

 

Com a previsão de um forte El Niño, que pode provocar secas e temperaturas recordes na Amazônia, cientistas destacam a importância de uma gestão integrada do fogo, capaz de coordenar ações e fortalecer o apoio técnico entre todas as esferas de governo. O tema foi debatido no painel “Incêndios florestais e mudanças climáticas na Amazônia: políticas públicas e ações de prevenção, controle e capacidade de resposta", organizado pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) durante a II Semana do Clima da Amazônia, realizada em Belém, em 1º de julho. O encontro reuniu cientistas, representantes da sociedade civil, bombeiros e gestores públicos para discutir os desafios do combate aos incêndios florestais e os avanços técnicos na área. 

"A política de fogo no Brasil, historicamente, foi muito reativa, agindo quando ocorriam grandes queimadas. Mas ter políticas preventivas para o fogo é fundamental porque é um tema que envolve muitos setores e afeta diretamente a vida de todos nós. É um assunto ligado à própria história da humanidade, mas sem a devida atenção, a vida de milhões de pessoas está em risco e é só entendendo de onde vem o fogo e trabalhando junto com várias organizações que conseguiremos mitigar seus riscos”, destaca Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM. 

Apesar da redução significativa da área queimada em 2025, 58% menor do que a registrada no ano anterior, o Brasil ainda registrou mais de 12 milhões de hectares queimados ao longo do ano. Em 2024, quando os efeitos do fenômeno climático foram mais intensos, mais de 30 milhões de hectares foram atingidos pelo fogo, cobrindo cidades amazônicas com fumaça tóxica, ameaçando comunidades tradicionais e populações do interior e afetando, sobretudo, áreas nativas e conservadas da floresta. 

"Eventos como esse são muito importantes porque conseguem unir boa parte dos atores envolvidos na gestão do fogo para discutir os vários aspectos desse tema complexo", afirma Jarlene Gomes, pesquisadora e coordenadora técnica do IPAM. 

Nesse contexto, a Lei do Manejo Integrado do Fogo (MIF), aprovada em 2024 após a temporada histórica de incêndios, estabelece diretrizes para o uso planejado e controlado do fogo como ferramenta de manejo e prevenção. Além de prever a realização de queimas prescritas para reduzir o acúmulo de material combustível, a legislação fortalece a coordenação entre órgãos públicos e incorpora conhecimentos e práticas tradicionais às políticas de gestão do fogo. 

"O foco agora deve ser na parte da integração do MIF. Cada grupo tem sua contribuição, seja no combate efetivo, na pesquisa, nas políticas públicas, e só conseguiremos fazer funcionar se todos estivermos empenhados e trocando informações. Não tem como a política de MIF funcionar se não estivermos integrados e cooperando", pontua Lawrence Nóbrega, coordenador de Monitoramento e Combate aos Incêndios Florestais do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
 

Linha de frente 

Segundo o diagnóstico Gestão do Fogo na Amazônia, que mapeou a estrutura de governança, os recursos disponíveis e as estratégias de manejo do fogo nos nove estados da Amazônia Legal, a resposta aos incêndios deve priorizar a integração entre diferentes níveis de governo e setores da sociedade. As pesquisadoras responsáveis pelo estudo também destacaram a necessidade de ampliar o efetivo de brigadistas e bombeiros militares na região, além de investir em equipamentos e infraestrutura para que áreas cada vez maiores possam ser monitoradas e protegidas. 

"Temos criado sistemas que forneçam equipamentos para todos os níveis de governo. Essa coordenação de atividades em diferentes esferas regionais é muito difícil, mas muito importante. Porque se conseguimos combater esse fogo efetivamente em todas as frentes, quem tem mais a ganhar é a sociedade", explica Jusciery Marques, tenente-coronel do Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Bombeiros Militares e especialista em operações de combate ao fogo. 

Na Amazônia, os Corpos de Bombeiros Militares utilizam sistemas de monitoramento e gestão para detectar focos de calor, acompanhar o risco de incêndios e coordenar as operações em campo. Essas ferramentas integram imagens de satélite, dados meteorológicos e informações geográficas, mas sua efetividade depende da integração com bases de dados produzidas por outros órgãos e instituições. Para os especialistas, fortalecer essa articulação e ampliar os investimentos em equipamentos, aeronaves, veículos e tecnologias adaptadas às grandes distâncias da Amazônia é fundamental para tornar as ações de combate mais rápidas e eficientes. 

"Um exemplo de como a integração tem mudado a gestão do fogo é que temos aumentado o número de ações interestaduais de combate às queimadas. Quando um Estado não tem capacidade para lidar com uma situação, agora temos mecanismos que aceleram a capacidade de outras regiões atuarem conjuntamente nesse combate com mais velocidade", completa Marques.
 

Cooperação entre Estados 

Também participaram do painel representantes do Consórcio da Amazônia Legal, organização que reúne os nove estados da Amazônia Legal para promover ações conjuntas de desenvolvimento sustentável, conservação ambiental e enfrentamento das mudanças climáticas. O grupo tem atuado na elaboração dos planos estaduais de Manejo Integrado do Fogo, articulando a captação de recursos e a cooperação técnica entre secretarias estaduais e organizações da sociedade civil, como o IPAM. 

Para Beatriz Casado, assessora técnica da Coordenação de Parcerias e Câmaras Setoriais do Consórcio da Amazônia Legal, a construção de espaços interestaduais de cooperação é fundamental para lidar com as diferentes capacidades institucionais e necessidades de manejo de cada estado. 

"Ouvir essa variedade de pessoas e territórios é sempre muito rico porque ventila nossas ideias e permite a troca de informações e que a gente conheça as dificuldades e forças de cada região, conseguindo ajustar da melhor forma as ações de gestão do fogo", ressalta Casado. 

A discussão ganha ainda mais relevância diante das previsões de um novo episódio de El Niño entre o fim de 2026 e o início de 2027. Menos de três anos após o último evento, o fenômeno, potencializado pelo aquecimento dos oceanos, pode provocar secas prolongadas e temperaturas recordes na Amazônia, reduzindo a umidade da floresta e aumentando o risco de incêndios de grandes proporções. 

“A gente tem oficializado caminhos para que todos os atores envolvidos com a gestão do fogo possam enviar informações diretamente para o Governo Federal. Isso faz com que a resposta nesses momentos de crise seja ainda mais rápida e pode agir de forma mais acertiva”, completa João Paulo Sotero, analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

 

Meta lança AI Mode: quais os impactos ao marketing corporativo?

A forma como as pessoas encontram informações na internet está passando por uma nova transformação. Depois de décadas em que os mecanismos de busca tradicionais dominaram a descoberta de conteúdo, a inteligência artificial começa a ocupar um espaço cada vez mais relevante nessa jornada – ainda mais agora, com um novo capítulo inaugurado pelo lançamento do AI Mode pela Meta, recurso que incorpora respostas geradas pela IA à experiência de busca dentro de suas plataformas.  

Mais do que uma novidade tecnológica, a iniciativa reforça uma mudança mais ampla no comportamento dos usuários e na forma como marcas serão encontradas no ambiente digital. Afinal, a evolução das ferramentas de IA mostra que as pessoas estão cada vez mais interessadas em obter respostas prontas, contextualizadas e conversacionais, sem a necessidade de navegar por múltiplos links para encontrar uma informação.  

Dados divulgados no “Relatório de Difusão da IA 2025” comprovam essa realidade: cerca de uma em cada seis pessoas no mundo já utiliza a IA generativa regularmente, seja para aprender, trabalhar ou resolver problemas. Apenas o ChatGPT, como exemplo, já processa, aproximadamente, 2,5 bilhões de prompts por dia, segundo um levantamento da Ahrefs, volume que representa cerca de 18% das buscas realizadas diariamente no Google. 

As informações ajudam a demonstrar que a inteligência artificial está deixando de ser apenas uma ferramenta complementar, para se tornar um importante canal de descoberta de conteúdo, produtos e serviços presente nas mais diferentes plataformas, tendendo a impactar, diretamente, as estratégias de marketing digital nos próximos anos. 

Nesse cenário, a disputa pela atenção dos usuários se torna ainda mais acirrada. Se antes, o objetivo era conquistar posições nos mecanismos de busca, agora, as empresas também precisam pensar em como se tornar referências para sistemas de inteligência artificial que selecionam, interpretam e apresentam informações aos usuários. 

Isso não significa o fim do SEO tradicional. Pelo contrário. A construção de autoridade digital continua sendo um dos principais fatores que influenciam a visibilidade de marcas tanto nos buscadores quanto nas plataformas baseadas em IA. Conteúdos relevantes, consistência editorial e credibilidade permanecem como elementos fundamentais para aumentar a presença digital. O que muda é a forma como essas informações são consumidas.  

Em vez de acessar diversos sites para encontrar respostas, o usuário passa a confiar cada vez mais em interfaces que sintetizam conteúdos e entregam recomendações prontas, como está sendo viabilizado nesta mais recente novidade da Meta. Isso amplia a importância de estratégias focadas em autoridade, branding e produção de conteúdo de qualidade. 

A tendência também reforça a necessidade de uma presença digital integrada. Marcas que conseguem construir relevância em diferentes canais, como sites, blogs, redes sociais e plataformas profissionais, aumentam suas chances de serem reconhecidas e referenciadas por sistemas de inteligência artificial. 

O lançamento do AI Mode pela Meta é mais um sinal de que a busca digital está evoluindo para um modelo cada vez mais conversacional. Para as empresas, o desafio não será apenas aparecer nos resultados de pesquisa, mas conquistar espaço nas respostas geradas pelas tecnologias que estão redefinindo a forma como as pessoas descobrem informações. 

Mais do que uma mudança tecnológica, trata-se de uma transformação no comportamento digital. E, como aconteceu em outras grandes mudanças da internet, as empresas que compreenderem esse movimento mais cedo tendem a conquistar vantagens competitivas importantes nos próximos anos. 

 

Renato Sobrinho é Sócio da iOBEE - Agência de marketing digital e Growth.


iOBEE
https://iobee.com.br/


Flexível, orientado por IA e com múltiplas fontes de renda: o novo modelo de carreira da geração Z

Eliott Reyna
Unsplash
- 33% dos profissionais da geração Z já têm ou estão considerando adotar uma atividade paralela para aumentar a segurança financeira (48%) 

- 65% afirmam que enfrentar longos deslocamentos diários tornaria menos atrativa a busca por empreendedorismo ou por múltiplas fontes de renda 

- 43% mudaram de atividade duas ou três vezes nos últimos três anos, com 30% citando a busca por um salário mais alto como principal motivação

- 55% acreditam que a IA irá remodelar as suas carreiras, acelerando a transição para trajetórias profissionais mais diversificadas

 

Uma nova pesquisa do International Workplace Group (IWG)*, a maior plataforma global especializada em espaços de trabalho flexíveis, mostra que os profissionais da geração Z estão repensando as suas carreiras e adotando trajetórias flexíveis, orientadas por IA e com múltiplas fontes de renda, com o objetivo de ampliar o potencial de renda no longo prazo.

 

A IA não representa apenas mais um avanço tecnológico, ela faz parte de uma das transformações mais profundas na forma como vivemos e trabalhamos nas últimas décadas. O ritmo dessa transformação é extraordinário, com atividades inteiras sendo reformuladas em tempo real e novas ocupações surgindo na mesma velocidade. Como resultado, os profissionais mais jovens estão cada vez mais se afastando de carreiras lineares tradicionais em favor das chamadas “carreiras portfólio”, mais ágeis e diversificadas, que combinam múltiplas funções, atividades paralelas e iniciativas empreendedoras.

 

A pesquisa do IWG sugere que um novo modelo de carreira está emergindo, em que o sucesso depende cada vez menos apenas de habilidades técnicas e cada vez mais de adaptabilidade, visão empreendedora e da capacidade de acompanhar tecnologias em rápida evolução.

 

Realizado com profissionais da geração Z no Reino Unido, o estudo mostra que 33% já possuem ou consideram adotar uma atividade paralela, enquanto quase metade afirma ser motivada pela necessidade de gerar renda extra e conquistar maior segurança financeira diante do aumento do custo de vida, da inflação e das dívidas estudantis.

 

A ascensão das carreiras portfólio


Em vez de depender de um único empregador ou atividade, a geração Z está cada vez mais construindo “carreiras portfólio”, combinando múltiplas fontes de renda para se preparar para um cenário econômico e tecnológico incerto. Essa mudança está diretamente ligada à crescente influência da IA, com 55% acreditando que ela irá remodelar as suas carreiras. Em resposta, jovens profissionais estão desenvolvendo proativamente novas habilidades e diversificando as suas fontes de renda para se manterem preparados para as constantes mudanças no mercado de trabalho.

 

Essa tendência também reflete uma mudança mais ampla no futuro do trabalho: com a IA assumindo cada vez mais tarefas técnicas e repetitivas, capacidades humanas como criatividade, colaboração, adaptabilidade e liderança tornam-se ainda mais valiosas. Nesse contexto, 90% dos líderes de RH afirmam que não priorizar capacidades humanas representa um risco para a inovação, enquanto 65% dizem que a IA não consegue replicar a empatia humana e 53% afirmam que a liderança continua sendo algo exclusivamente humano.**

 

Mobilidade profissional guiada pelo potencial de renda


O potencial de renda continua sendo um fator central na mobilidade profissional. Entre aqueles que mudaram de atividade nos últimos três anos, 30% dizem que a principal motivação foi garantir um salário maior e 43% mudaram duas ou três vezes nesse período. No entanto, a geração Z não está apenas buscando crescimento dentro de estruturas de carreira tradicionais. Em vez disso, muitos estão adotando o conceito de “career lily pads”, “saltos estratégicos de carreira” em tradução livre, que envolve transitar estrategicamente entre atividades, setores e projetos para aumentar o potencial de ganhos e se preparar melhor para compromissos financeiros como aluguel, contas e pagamento de empréstimos estudantis.

 

A geração Z não aceita mais longos deslocamentos diários


Entre os trabalhadores mais jovens, a rotina de longos deslocamentos já é vista, cada vez mais, como algo ultrapassado. Muitos querem trabalhar mais perto de casa, em espaços profissionais, com o apoio de tecnologias que permitam colaborar, fazer networking e desenvolver as suas carreiras sem passar horas em deslocamento todos os dias. 65% dos profissionais da geração Z afirmam que a necessidade de enfrentar longos deslocamentos diários reduziria o interesse em empreender ou buscar fontes adicionais de renda.

 

O trabalho híbrido e flexível está permitindo essa mudança ao oferecer maior controle sobre o próprio tempo. 24% afirmam que o trabalho híbrido reduz o tempo gasto em deslocamentos, liberando horas que podem ser direcionadas a projetos pessoais ou à geração de renda extra. Outros 20% dizem que o modelo híbrido permite testar novos caminhos profissionais sem abandonar a sua atividade principal, enquanto 21% afirmam que ele possibilita colaborar com profissionais fora do seu setor principal de atuação.

 

A tendência de abandonar os longos deslocamentos diários também ganha força com a próxima geração que ingressará no mercado de trabalho. Uma pesquisa adicional do IWG mostra que três quartos (75%) da geração alfa (com idades entre 11 e 17 anos) afirmam que eliminar o tempo desperdiçado em deslocamentos será um fator fundamental na forma como irão organizar a sua rotina de trabalho no futuro.***

 

A busca por trabalhar mais perto de casa vem impulsionando o crescimento acelerado de espaços profissionais localizados fora dos grandes centros corporativos. O IWG adicionou mais de 1.100 unidades em 2025 e registrou a maior receita da sua história, acompanhando o crescimento da demanda por espaços de trabalho flexíveis em regiões residenciais e cidades menores.

 

“A geração Z está entrando no mercado de trabalho num momento de transformações profundas. Com a IA transformando rapidamente setores e atividades profissionais, esses jovens estão se adaptando por meio do desenvolvimento de novas habilidades, da diversificação de fontes de renda e da criação de carreiras portfólio, que ampliam o seu valor no mercado. Trata-se de uma geração ambiciosa e trabalhadora e formas mais flexíveis de trabalho estão ajudando esses profissionais a alcançar um potencial ainda maior. Ao reduzir longos deslocamentos diários e permitir que as pessoas trabalhem mais perto de casa, essa flexibilidade oferece aos jovens profissionais a possibilidade de se qualificar, colaborar e acessar novas oportunidades”, afirma Tiago Alves, CEO do IWG no Brasil.

 

Os resultados também dialogam diretamente com mercados como o Brasil. A pesquisa Gen Z & Millennial 2026, da Deloitte no Brasil, mostra que os profissionais mais jovens estão priorizando estabilidade financeira e bem-estar, ao mesmo tempo em que reconhecem cada vez mais a necessidade de se adaptar às transformações tecnológicas e incorporar ferramentas como a IA nas suas rotinas profissionais.

 


International Workplace Group - IWG



*Pesquisa realizada com 1.000 profissionais da geração Z no Reino Unido em fevereiro de 2026 pela Censuswide Research. A Censuswide é credenciada pela Market Research Society (MRS) e a pesquisa seguiu as diretrizes da MRS.

**Pesquisa realizada com 510 profissionais responsáveis por RH e contratação nos Estados Unidos em abril de 2026.

***Pesquisa realizada para o IWG pela Beano Brain, agência especializada em insights sobre crianças e famílias, com 1.000 crianças de 11 a 17 anos e 1.000 pais de crianças de 11 a 17 anos no Reino Unido e nos Estados Unidos (500 por mercado).


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