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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Agosto Dourado chama atenção para benefícios da amamentação e importância da rede de apoio

Além de contribuir para o desenvolvimento e a proteção do bebê, aleitamento materno traz benefícios à saúde da mulher; orientação profissional pode ajudar a superar dificuldades

 

Símbolo do padrão ouro de qualidade do leite materno, o Agosto Dourado amplia a discussão sobre a importância da amamentação e também sobre os desafios enfrentados pelas mulheres durante esse processo. Apesar dos benefícios já conhecidos, dúvidas sobre dor, pega do bebê e quantidade de leite estão entre as dificuldades que podem surgir principalmente nas primeiras semanas.

De acordo com Bruna Tamboril, enfermeira obstetra, mestre em Saúde Coletiva e professora da Universidade Christus, o leite materno é um alimento completo, especialmente nos primeiros seis meses de vida, período em que fornece nutrientes importantes para o crescimento e o desenvolvimento da criança.

“Além de nutrir, o leite materno oferece proteção imunológica, ajudando a reduzir a ocorrência de infecções, principalmente diarréias e infecções respiratórias. A amamentação também favorece o desenvolvimento da musculatura da face e da cavidade oral e fortalece o vínculo entre mãe e bebê”, explica.

Os benefícios também se estendem à saúde materna. Segundo a especialista, a amamentação contribui para a recuperação no período pós-parto e está associada à redução do risco de doenças como câncer de mama e de ovário.


Dor e fissuras não devem ser naturalizadas

Entre as queixas mais frequentes no início da amamentação estão dor durante as mamadas, fissuras nos mamilos, dificuldades na pega e no posicionamento do bebê e a percepção de baixa produção de leite. Bruna alerta que alguns desses sinais não devem ser encarados como uma etapa inevitável do processo.

“A dor persistente e as fissuras não devem ser consideradas normais na amamentação. Muitas vezes, esses problemas estão associados à pega ou ao posicionamento inadequado e podem ser corrigidos com orientação profissional”, afirma.

Outro receio comum é a sensação de que o leite produzido não é suficiente. Segundo a enfermeira obstetra, essa percepção nem sempre corresponde a uma baixa produção de fato. A produção do leite é estimulada principalmente pela sucção do bebê e pelo esvaziamento frequente das mamas.

Por isso, diante da dúvida, a recomendação é buscar avaliação antes de recorrer, por conta própria, à introdução de fórmulas ou outros complementos. A observação da mamada por um profissional pode ajudar a identificar se há alguma dificuldade e indicar a conduta mais adequada para cada situação.


Quando procurar ajuda?

A orientação profissional pode ser buscada sempre que surgirem dúvidas, mas alguns sinais exigem atenção especial. Dor intensa ou persistente, fissuras que não melhoram, mamas muito endurecidas, vermelhas ou dolorosas, dificuldade do bebê para pegar ou permanecer na mama e preocupação com ganho de peso ou ingestão adequada de leite estão entre eles.

O acompanhamento, no entanto, não precisa acontecer somente depois que um problema aparece. “Uma avaliação da pega, do posicionamento e da dinâmica da mamada pode evitar que pequenas dificuldades evoluam. O acompanhamento profissional também tem um papel preventivo”, destaca Bruna.

Para a especialista, o Agosto Dourado também é uma oportunidade para ampliar a discussão sobre a responsabilidade compartilhada em torno da amamentação. Mais do que informar sobre as vantagens do leite materno, é necessário criar condições para que a mulher se sinta amparada durante o processo.

“Amamentar é um aprendizado para a mãe e para o bebê. Informação, acolhimento e uma rede de apoio fazem toda a diferença. Amamentar não deve ser uma responsabilidade solitária. Proteger a amamentação também significa cuidar da mãe, do bebê e de toda a família”, conclui.

 

Muito além do pulmão: cigarro está relacionado a 10 tipos de câncer

Com o primeiro aumento na prevalência de fumantes adultos no Brasil desde 2007 e o avanço dos cigarros eletrônicos entre jovens, cresce a necessidade de rastreamento de danos e de desmistificação dos vapes como alternativa "inofensiva"


Neste ano, o Dia Nacional de Combate ao Fumo (29/8) acende um alerta urgente no país. Após mais de uma década de queda contínua, a prevalência de fumantes adultos no Brasil voltou a crescer, passando de 9,3% (2023) para 11,6% (2024), segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde. Para piorar, o consumo de cigarros eletrônicos avança rápido e já atinge quase 30% dos adolescentes, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE/IBGE).
 

"O problema atual não está apenas nos números crescentes, mas também em um equívoco perigoso: a ideia de que fumar causa ‘apenas’ tumores pulmonares. A exposição ao tabaco envolve inúmeras substâncias químicas que provocam danos celulares e alterações no DNA de forma sistêmica, contribuindo para o desenvolvimento de diferentes tumores", explica a Dra. Pamela Leite, oncologista do Hcor. 

O tabagismo é fator de risco comprovado para cânceres de boca, faringe, laringe, esôfago, bexiga, pâncreas, fígado e colo do útero, entre outros. Estima-se que o uso de derivados do tabaco seja responsável por mais de 160 mil mortes anuais no país, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). 

Para o grupo de risco, é recomendado o rastreamento da doença, com a realização de consulta de exames periódicos. “Fazem parte as pessoas de 50 a 80 anos, fumantes atuais ou ex-fumantes que deixaram o hábito há menos de 15 anos e com carga tabágica de pelo menos 20 maços-ano. Além do perfil de risco, sintomas como tosse ou rouquidão persistentes, sangue no escarro, falta de ar, dor no peito, perda de peso sem causa aparente e cansaço devem ser avaliados por um profissional de saúde”, completa.

 

O perigo do "uso duplo" e a ilusão do vape

A iniciação cada vez mais precoce à nicotina tem gerado forte apreensão nos especialistas. Muitos jovens e adultos enxergam o cigarro eletrônico (vape) como uma alternativa inofensiva ou uma ferramenta de transição. 

"Isso não é verdade. Os dispositivos eletrônicos expõem o organismo a altas doses de nicotina e a outras substâncias potencialmente tóxicas. O que mais vemos hoje são usuários que não abandonam o cigarro convencional e passam a utilizar os dois produtos, o chamado uso duplo. Trocar ou associar produtos de nicotina não significa eliminar os riscos relacionados ao tabagismo", alerta a oncologista do Hcor.

 

Benefícios da cessação: nunca é tarde para parar

Prevenir o câncer não significa apenas descobrir a doença cedo. Significa também evitar que ela aconteça. O Dia Nacional de Combate ao Fumo é o momento ideal para procurar o médico, discutir o rastreamento e tomar a decisão de parar. 

"Para quem fuma, parar não é apenas uma escolha de estilo de vida, é cuidado urgente. Parar de fumar reduz complicações relacionadas ao tratamento do câncer, melhora a capacidade funcional do paciente, a tolerância às terapias e diminui drasticamente o risco de desenvolvimento de tumores secundários. A dependência de nicotina é uma condição médica e tem tratamento. Ninguém precisa fazer isso sozinho", ressalta a Dra. Pamela.

 

Hcor


Dor ao movimentar os olhos e alteração nas cores são alerta de neuropatia óptica

 

Magnific


Os danos ao nervo óptico podem ser causados por diferentes condições de saúde; estrutura transmite os sinais visuais da retina ao cérebro para formação das imagens


Você já parou para pensar em como enxergamos o mundo ao nosso redor? O processo da visão é complexo e depende de um trabalho conjunto entre os olhos e o cérebro. No centro desse sistema está o nervo óptico, estrutura que funciona como um cabo de transmissão: é ele quem leva a mensagem captada pela retina para que o cérebro possa interpretá-la. Se esse cabo sofre alguma lesão, a imagem não chega ao destino corretamente. 

Dra. Clarissa Pereira, oftalmologista do H.Olhos, explica que “o nervo óptico tem início na retina — camada localizada no fundo do olho — e se estende até o cérebro. Para entender a sua função, vale pensar no olho como uma antiga máquina fotográfica: a retina atua como o filme e o cérebro é o responsável por revelar essa foto”. 

A médica diz que as neuropatias ópticas, causas de comprometimento do nervo óptico, são variadas e mudam conforme a idade do paciente:

  • Em jovens: São mais frequentes os quadros inflamatórios (conhecidos como neurites ópticas) e infecciosos (neurorretinites).
  • Acima dos 50 anos: A causa mais prevalente de neuropatia óptica adquirida é a Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior (NOIA), além do próprio glaucoma, que também é um tipo de lesão progressiva no nervo óptico.

Embora a maioria dos quadros tenha causas inflamatórias, isquêmicas ou glaucomatosas, existem condições de origem genética. De acordo com a oftalmologista, “a mais conhecida é a Neuropatia Óptica Hereditária de Leber (LHON), uma doença rara provocada por uma mutação no DNA (geralmente no DNA mitocondrial), que altera o funcionamento celular, levando à degeneração e atrofia do nervo óptico”. 

Dra. Clarissa Pereira cita as principais características da doença ocular:

  • Público mais afetado: Acomete com mais frequência homens jovens, entre os 10 e 30 anos (2ª e 3ª décadas de vida).
  • Sintomas específicos: Diferente das neurites ópticas, a LHON provoca uma perda visual indolor e subaguda. O quadro costuma afetar inicialmente um olho com perda importante do centro da visão e, após algumas semanas ou meses, atinge o outro olho da mesma forma.
  • Diagnóstico: Como não há inflamação nem dor ocular, o diagnóstico exige atenção para não ser confundido com outros quadros no início.


Sinais de alerta: quando procurar um médico? 

A lesão no nervo óptico pode causar perda de visão irreversível, a depender da causa, da intensidade do dano e do tempo levado para iniciar o tratamento. Ao notar qualquer alteração na visão, a busca por atendimento médico deve ser imediata. 

A recomendação da médica do H.Olhos é ficar atento aos seguintes sintomas:

  • Baixa visão ou surgimento de manchas no campo visual;
  • Dor ocular (especialmente ao movimentar os olhos);
  • Apagamentos temporários ou transitórios da visão;
  • Dificuldade para enxergar e distinguir cores.

Assim como em grande parte do organismo, a saúde dos olhos se beneficia diretamente de hábitos de vida saudáveis. A prática regular de exercícios físicos, a alimentação equilibrada e a redução ou evitação do consumo de álcool e tabaco ajudam a proteger a visão contra condições como o glaucoma. 

Além disso, manter consultas de rotina e avaliações regulares com um médico oftalmologista de confiança é o passo mais seguro para detectar e tratar qualquer alteração visual precocemente.


Dia Nacional de Combate ao Fumo alerta para os riscos do cigarro tradicional e dos cigarros eletrônicos no aumento dos casos de câncer de pulmão

 Especialista reforça que abandonar o tabagismo continua sendo a medida mais eficaz para prevenir a doença e alerta que os cigarros eletrônicos também oferecem riscos importantes à saúde

 

No dia 29 de agosto, o Brasil celebra o Dia Nacional de Combate ao Fumo, data criada para conscientizar a população sobre os danos provocados pelo tabaco e incentivar a cessação do tabagismo. Embora o número de fumantes tenha diminuído nas últimas décadas, especialistas alertam para um novo desafio: o crescimento do uso de cigarros eletrônicos, especialmente entre jovens, alimentando uma falsa percepção de que esses dispositivos seriam alternativas mais seguras ao cigarro convencional.

O impacto do tabagismo continua expressivo. Segundo a Estimativa 2026: Incidência de Câncer no Brasil, do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pulmão permanece entre os tumores mais frequentes e letais do país. A estimativa é de 33.310 novos casos por ano no triênio 2026-2028, sendo 18.020 em homens e 15.290 em mulheres. Além disso, a doença segue como a principal causa de morte por câncer no mundo.

Mais de 80% dos casos de câncer de pulmão estão relacionados ao consumo de produtos derivados do tabaco. Além do cigarro convencional, charutos, cachimbos, narguilé e, mais recentemente, os cigarros eletrônicos (vapes), também expõem o organismo a substâncias tóxicas capazes de provocar inflamação pulmonar, dependência química e aumentar o risco de diversas doenças.

A falsa sensação de segurança e o apelo visual desses dispositivos escondem riscos reais. A exposição precoce à nicotina não só aumenta a dependência como pode causar danos irreversíveis ao sistema respiratório. "O cigarro eletrônico não é uma alternativa segura. Apesar de muitas pessoas acreditarem que ele oferece menos riscos, esses dispositivos contêm nicotina em altas concentrações e diversas substâncias químicas potencialmente tóxicas. Além da dependência, podem causar danos ao sistema respiratório e cardiovascular e aumentar o risco de desenvolvimento de doenças pulmonares inclusive em jovens", explica a oncologista clínica do IOP - Instituto de Oncologia do Paraná, Dra. Thais Abreu de Almeida.

Estudos nacionais mostram que o uso de cigarros eletrônicos cresce principalmente entre adolescentes e adultos jovens. Uma revisão científica publicada pelo próprio INCA identificou aumento da utilização desses dispositivos nessas faixas etárias, além de evidências de prejuízos respiratórios, cardiovasculares e bucais associados ao seu consumo.

Embora o Brasil seja reconhecido internacionalmente por suas políticas de controle do tabaco e tenha reduzido significativamente a prevalência de fumantes nas últimas décadas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 1,2 bilhão de pessoas ainda utilizam produtos derivados do tabaco em todo o mundo. O tabagismo continua sendo responsável por mais de 8 milhões de mortes anuais, incluindo cerca de 1,2 milhão entre pessoas expostas ao fumo passivo.

Além das consequências para a saúde, o tabagismo representa um enorme impacto econômico. Estudo divulgado pelo INCA em 2025 aponta que o Brasil gasta R$ 153,5 bilhões por ano com doenças relacionadas ao tabaco e perdas de produtividade. No mesmo levantamento, estima-se que 145 mil mortes anuais poderiam ser evitadas se não houvesse consumo de produtos derivados do tabaco.

Segundo a Dra. Thais, um dos maiores desafios ainda é o diagnóstico tardio do câncer de pulmão. "Nas fases iniciais, o câncer de pulmão pode não causar sintomas ou apresentar sinais inespecíficos, como tosse persistente, falta de ar, dor no peito, rouquidão ou perda de peso. Por isso, quem fuma ou fumou por muitos anos deve manter acompanhamento médico e não ignorar alterações persistentes. Quanto mais cedo identificamos a doença, maiores são as possibilidades de tratamento e melhores os resultados", destaca.

Embora o câncer de pulmão seja a doença mais conhecida associada ao tabagismo, os danos provocados pelo cigarro vão muito além. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o consumo de produtos derivados do tabaco está relacionado ao desenvolvimento de pelo menos 16 tipos de câncer, entre eles os de boca, língua, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga, colo do útero, cólon e reto, além da leucemia mieloide aguda. Isso ocorre porque a fumaça do tabaco contém mais de 7 mil substâncias químicas, sendo cerca de 70 comprovadamente cancerígenas, que atingem diversos órgãos do organismo, não apenas os pulmões.

"Muitas pessoas ainda associam o cigarro apenas ao câncer de pulmão, mas o tabagismo é um importante fator de risco para diversos outros tumores. As substâncias tóxicas presentes na fumaça circulam por todo o organismo e podem provocar alterações celulares em diferentes órgãos. Por isso, parar de fumar representa um benefício para a saúde como um todo, reduzindo o risco de inúmeras doenças oncológicas e cardiovasculares", explica a oncologista clínica do IOP, Dra. Thais Abreu de Almeida.

A especialista lembra que abandonar o cigarro traz benefícios em qualquer fase da vida. Poucas horas após parar de fumar, o organismo já começa a apresentar melhorias na circulação e na oxigenação. Com o passar dos anos, o risco de desenvolver câncer de pulmão, doenças cardiovasculares e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) diminui progressivamente. "O cigarro ainda é o principal fator de risco evitável para o câncer de pulmão. A boa notícia é que nunca é tarde para parar de fumar. O organismo responde positivamente à interrupção do tabagismo, independentemente da idade, e isso representa um ganho importante em expectativa e qualidade de vida", conclui a oncologista.

Além da conscientização sobre os riscos do cigarro tradicional, especialistas reforçam que a prevenção também passa pela informação sobre os cigarros eletrônicos. A ausência da fumaça produzida pela queima do tabaco não significa ausência de risco. Pelo contrário, os vapes mantêm a dependência da nicotina e expõem os usuários a substâncias potencialmente nocivas, motivo pelo qual seu comércio, importação e propaganda permanecem proibidos no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 



Med4U
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Agosto Dourado: especialistas reforçam que a amamentação vai muito além da nutrição

Crédito: Ayla Meinberg
Unsplash
Segundo especialistas, o aleitamento materno também influencia a saúde física emocional de mãe e filho

 

Mais do que alimentar o bebê, a amamentação representa um dos primeiros investimentos na saúde física e emocional de mãe e filho. Além de fornecer todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento infantil, o leite materno fortalece o sistema imunológico, contribui para o desenvolvimento cerebral, favorece a construção do vínculo afetivo e ainda reduz o risco de diversas doenças para a mulher.

Os benefícios da amamentação também alcançam o desenvolvimento emocional da criança. Segundo a psicóloga Vladya Lira, professora do curso de Medicina da Afya Jaboatão, “o contato pele a pele, o olhar, a voz, o cheiro e a forma como a mãe responde às necessidades do bebê ajudam a construir uma relação de segurança e confiança. Ao perceber que suas necessidades são acolhidas de maneira consistente, a criança desenvolve uma base emocional segura, fundamental para seu crescimento e desenvolvimento.”

A psicóloga ressalta, porém, que o vínculo afetivo não depende exclusivamente da amamentação. “Muitas mulheres enfrentam dificuldades como dor, problemas na pega, baixa produção de leite ou questões de saúde que podem impedir ou interromper o aleitamento. Nessas situações, o afeto continua sendo construído por meio da presença, do acolhimento e da qualidade das interações cotidianas. Até mesmo a alimentação por mamadeira pode representar um momento de contato, intimidade e conexão entre mãe e bebê.”

Outro aspecto essencial é a saúde mental materna, quadros de ansiedade, depressão pós-parto, privação de sono, excesso de cobranças e falta de apoio podem tornar esse período mais desafiador. Por isso, a participação da família é considerada fundamental. Dividir tarefas, oferecer acolhimento emocional, respeitar o tempo da mãe e evitar julgamentos contribuem para um ambiente mais saudável e fortalecem o cuidado com o bebê.

A pediatra Eveline Magalhães, professora da Afya Garanhuns, incentiva o aleitamento materno como promoção de um cuidado integral que reúne nutrição, saúde física, desenvolvimento emocional e apoio familiar. “Mais do que um alimento, a amamentação representa uma estratégia de promoção da saúde, capaz de gerar benefícios duradouros para mães, crianças e toda a sociedade.”

A pediatra reforça que a amamentação faz parte da chamada programação metabólica, conceito que mostra como os estímulos recebidos nos primeiros mil dias de vida (da gestação aos dois anos de idade) influenciam a saúde e o risco de doenças ao longo da vida.

“O leite materno é um alimento vivo e biologicamente ativo, capaz de se adaptar às necessidades do bebê em cada fase do desenvolvimento. Além dos nutrientes, ele contém anticorpos, hormônios, enzimas, células de defesa e compostos bioativos que fortalecem o sistema imunológico, favorecem o desenvolvimento cerebral e a maturação intestinal. Entre seus componentes estão proteínas de alta qualidade, vitaminas, minerais e os oligossacarídeos do leite humano, que ajudam a formar uma microbiota intestinal saudável e protegem a criança contra infecções. Nos primeiros dias após o parto, o colostro se destaca pela alta concentração de fatores imunológicos, sendo conhecido como a primeira vacina do bebê”, destaca Eveline.



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Automedicação: hábito presente na rotina dos brasileiros pode esconder perigos para a saúde

Pesquisas apontam que a automedicação é um hábito frequente entre os brasileiros; médico alerta para intoxicações, interações medicamentosas e risco de mascarar doenças


Tomar um medicamento por conta própria para aliviar uma dor de cabeça, febre, desconforto muscular ou sintomas de gripe ainda é um hábito comum no Brasil. Pesquisas sobre o uso de medicamentos no país mostram que a automedicação está presente na rotina de grande parte da população.

Apesar de muitas vezes ser vista como uma solução rápida para sintomas considerados simples, a prática pode provocar efeitos adversos, intoxicações, interações medicamentosas e ainda mascarar sinais de doenças que precisam de diagnóstico e tratamento adequados. Segundo o médico clínico geral da Hapvida, Arilton Fontenele Lima, a familiaridade com determinados remédios pode criar uma falsa sensação de segurança.

"É muito comum a pessoa pensar que, porque já tomou determinado medicamento antes ou porque ele é facilmente encontrado, não haverá riscos. Mas todo medicamento precisa ser usado com cuidado. Uma dose inadequada, o uso por tempo prolongado ou a combinação com outros remédios pode causar efeitos adversos e até intoxicações", explica.


Alívio do sintoma pode mascarar a causa

Um dos perigos da automedicação está justamente na melhora aparente. Ao tomar um medicamento para dor ou febre, por exemplo, o sintoma pode desaparecer temporariamente enquanto a condição que o provocou continua evoluindo. 

Dor de cabeça recorrente, febre persistente, dores abdominais e outros desconfortos podem estar associados a diferentes problemas de saúde e precisam ser investigados quando persistem ou aparecem com frequência.

"Às vezes, o medicamento consegue aliviar a dor ou baixar a febre, mas isso não significa que a causa do problema tenha sido tratada. Quando um sintoma persiste, piora ou se repete com frequência, é importante procurar atendimento. A automedicação pode mascarar sinais importantes e atrasar o diagnóstico conclusivo", alerta Arilton.
 

Misturar medicamentos também oferece riscos

Outro comportamento que exige atenção é utilizar diferentes medicamentos simultaneamente sem orientação. Algumas substâncias podem interferir umas nas outras, potencializar efeitos ou aumentar o risco de reações adversas. 

O cuidado deve ser ainda maior entre idosos e pessoas que fazem uso contínuo de medicamentos para condições como hipertensão e diabetes. 

"É fundamental informar ao profissional de saúde todos os medicamentos que estão sendo utilizados, inclusive aqueles que a pessoa toma apenas eventualmente. Isso permite avaliar possíveis interações e definir uma conduta mais segura para cada paciente", orienta o especialista. 

Também é preciso ter cautela com indicações feitas por amigos e familiares ou encontradas nas redes sociais. O fato de um medicamento ter funcionado para outra pessoa não significa que ele seja adequado para quem apresenta sintomas semelhantes.
 

Quando procurar atendimento?

Para Arilton Fontenele Lima, a persistência ou piora dos sintomas é um dos principais sinais de que a avaliação profissional não deve ser adiada. Febre prolongada, dor intensa ou recorrente, falta de ar, desmaios, alterações importantes no estado geral ou sintomas que não apresentam melhora precisam ser investigados. 

"Medicamento não deve ser tratado como um produto comum. É preciso saber para que ele é indicado, qual a dose adequada, por quanto tempo pode ser utilizado e quais são suas contraindicações. Buscar orientação profissional é sempre a maneira mais segura de cuidar da saúde", conclui o clínico geral da Hapvida.


Vêneto inicia em setembro busca por enfermeiros no Brasi

 


Com pronto-socorros sob pressão em agosto, região italiana prepara apoio com visto, documentação, moradia e integração profissional. 

 

Agosto de 2026 voltou a expor a dimensão da falta de profissionais da saúde na Itália. 

Nas semanas centrais do mês, o déficit nos pronto-socorros chegou perto de 7 mil médicos, justamente quando as unidades enfrentam aumento de atendimentos provocado pelo calor, pelo turismo e pela redução de outros serviços durante as férias. 

De acordo com dados da Sociedade Italiana de Medicina de Emergência e Urgência, a Simeu, divulgados pela ANSA, principal agência de notícias da Itália, apenas 31% das estruturas estavam com equipes adequadas. Em cerca de 70% dos pronto-socorros, a falta de médicos variava entre 25% e 70% do quadro previsto. Na enfermagem, o problema tem sido compensado com jornadas dobradas, adiamento de férias e supressão de períodos de descanso. 

Outro levantamento, divulgado pela rede formada pela Associação de Médicos de Origem Estrangeira na Itália, União Médica Euromediterrânea e movimento Uniti per Unire, estimou que 80% dos ambulatórios, centros diurnos e serviços territoriais estavam fechados ou funcionando de forma drasticamente reduzida durante o Ferragosto, feriado de 15 de agosto que marca o auge das férias de verão na Itália. A pesquisa associativa projetou aumento de 20% na procura pelos pronto-socorros e indicou que 83% dos profissionais da saúde de origem estrangeira consultados não tirariam férias, ajudando a manter aproximadamente um terço dos serviços de saúde e assistência. 

É nesse cenário que o Vêneto prepara um projeto-piloto para recrutar, formar e integrar enfermeiros estrangeiros, com atenção especial ao Sul do Brasil e à Argentina. 

“Os números de agosto mostram que a falta de profissionais não é uma hipótese distante. É uma necessidade concreta, que afeta pronto-socorros, hospitais e serviços territoriais. Ao mesmo tempo, o projeto do Vêneto abre uma perspectiva promissora para enfermeiros brasileiros, porque propõe um caminho organizado de contratação, preparação e integração”, afirma a advogada Ana Carolina Campara Brittes, CEO da Campara Cidadania, Vistos & Viagens, especialista em Direito Migratório e integrante da Comissão de Cidadania Italiana da Associação Brasileira de Advogados, a ABA.

 

Déficit de enfermeiros continua estrutural

O Relatório OASI, Observatório sobre Empresas e o Sistema de Saúde Italiano, da Universidade Bocconi, mostra que a Itália possui 6,5 enfermeiros para cada mil habitantes, abaixo da média de 8,4 da União Europeia. 

Para o ano acadêmico de 2026/2027, as regiões italianas estimaram a necessidade de formar 25.479 enfermeiros em todo o país. A projeção, porém, é de que apenas 14.500 concluam a graduação em 2027, o que deixaria um déficit de quase 11 mil profissionais. Essa lacuna ajuda a explicar por que regiões como o Vêneto passaram a buscar enfermeiros no exterior, inclusive no Brasil. 

“Quando um país vai buscar enfermeiros do outro lado do Atlântico, a mensagem é clara: essa profissão se tornou estratégica para a sustentação do sistema de saúde. Para os brasileiros, é a chance de transformar qualificação em uma carreira internacional”, afirma a Dra. Ana.

 

Vêneto tem carência estimada em 3,5 mil profissionais

Segundo números publicados pelo Corriere del Veneto, o sistema de saúde do Vêneto necessita atualmente de cerca de 27 mil enfermeiros, mas enfrenta uma carência estimada em 3,5 mil profissionais. A demanda total poderá chegar a 36 mil enfermeiros em 2035. 

Considerando aposentadorias, desligamentos e a entrada insuficiente de novos trabalhadores, projeção da União Italiana do Trabalho, a UIL, citada pela publicação, indica que o déficit poderá alcançar 20 mil profissionais até 2035. Aproximadamente 25% das vagas do curso de Enfermagem da Universidade de Pádua também permanecem sem preenchimento.

Na ULSS 1 Dolomiti, empresa pública responsável pelos serviços de saúde da província de Belluno e escolhida para iniciar a experiência, o saldo de renovação do quadro é negativo em 9%. 

“Belluno reúne necessidade real de trabalhadores, participação universitária, apoio habitacional e uma rede comunitária preparada para receber os profissionais. Para o brasileiro, não é apenas a possibilidade de encontrar trabalho, mas de ingressar em um projeto preocupado com adaptação e permanência”, destaca a advogada.

 

Cronologia da iniciativa

  • Agosto de 2024: o governo regional aprovou o Plano de Combate à Carência de Pessoal do Serviço Sociossanitário do Vêneto. O documento identificou problemas como aposentadorias, dificuldade para reter trabalhadores e perda de atratividade da formação em enfermagem.
  • Abril de 2026: foram aprovados os critérios experimentais para recrutamento, inserção, integração e formação de enfermeiros com qualificação obtida no exterior.
  • Fim de julho e início de agosto de 2026: a proposta foi anunciada e apresentada oficialmente em Belluno pelo assessor regional da Saúde, Gino Gerosa, com os aspectos técnicos conduzidos pela Diretoria de Recursos Humanos do sistema sanitário regional.
  • Agosto de 2026: a Região do Vêneto e a ULSS 1 Dolomiti divulgaram a estrutura do projeto. A ANSA, o Corriere del Veneto e o Mondo Sanità repercutiram a iniciativa. Também foi informado um investimento inicial de 200 mil euros e a intenção de começar com algumas dezenas de enfermeiros. 

Participam da construção do modelo a Região do Vêneto, a ULSS 1 Dolomiti, a Universidade de Pádua, a Ordem das Profissões de Enfermagem, instituições locais ligadas à moradia e a Associação Bellunesi nel Mondo. Se a experiência funcionar, o modelo poderá ser levado a outras unidades de saúde do Vêneto e, posteriormente, a outras categorias profissionais.

 

Quem avaliará e selecionará os candidatos

Pelo desenho apresentado, a ULSS 1 Dolomiti, como empresa sanitária e futura empregadora, deverá ocupar papel central no recrutamento e na escolha dos profissionais, em coordenação com a Região do Vêneto e sua área de Recursos Humanos. 

A avaliação deverá verificar a autenticidade e a coerência dos diplomas e históricos acadêmicos, além da experiência profissional, das competências clínicas e do conhecimento da língua italiana. A Universidade de Pádua participará principalmente dos aspectos acadêmicos e formativos, enquanto a Ordem das Profissões de Enfermagem e as equipes técnicas contribuirão para o acompanhamento profissional, linguístico e clínico. 

O documento final deverá estabelecer o número da primeira turma, os critérios de classificação, as entrevistas e o canal de inscrição. A previsão divulgada pela ULSS 1 Dolomiti é de que os primeiros profissionais possam chegar em 2027. 

Enquanto a seleção específica é estruturada, o Vêneto já mantém, por meio da Azienda Zero, uma manifestação de interesse mais ampla para enfermeiros e operadores sociossanitários formados no exterior. O novo protocolo deverá esclarecer se os candidatos do Brasil serão direcionados a esse cadastro ou a um procedimento próprio. 

“Quem tiver interesse deve acompanhar exclusivamente os canais oficiais. A seleção deverá partir do empregador e das instituições participantes, com análise de documentos, currículo, experiência, competências e idioma. Não existe espaço para promessa de vaga garantida feita por intermediários”, ressalta a Dra. Ana.

 

Por que o Sul do Brasil foi escolhido

A escolha está diretamente ligada à presença histórica e organizada de comunidades venetas e bellunesas nos estados do Sul. A região italiana também considerou a existência de redes associativas e institucionais capazes de aproximar os profissionais e facilitar sua integração em Belluno. 

A Associação Bellunesi nel Mondo, participante do projeto, mantém contatos com famílias, comunidades e instituições no Sul do Brasil e na Argentina. De acordo com a série histórica Brasil: 500 anos de povoamento, do IBGE, o Vêneto foi a principal região de origem dos italianos que emigraram para o Brasil entre 1876 e 1920: foram 365.710 pessoas, cerca de 30% do total apurado no período. 

“Existe uma ligação histórica profunda entre o Sul do Brasil e o Vêneto. Para muitos profissionais, os vínculos familiares e culturais podem facilitar a adaptação. Essa prioridade geográfica, porém, não significa que enfermeiros de outras regiões do país estejam excluídos, já que o próprio projeto esclarece que o recorte inicial não é definitivo nem exclusivo. O Sul é o ponto de partida, não um limite para a oportunidade”, observa a Dra. Ana. 

Apesar da ligação com as comunidades de descendentes, a cidadania italiana não é um requisito previsto na proposta divulgada até agora. O projeto prevê apoio para obtenção do visto e da autorização de trabalho, permitindo a participação de enfermeiros sem passaporte italiano, desde que atendam aos critérios profissionais, documentais e linguísticos.

 

Dois caminhos para chegar ao sistema de saúde italiano

O projeto foi estruturado em dois canais complementares:

  • Canal profissional: destinado a enfermeiros já formados no exterior e interessados em ingressar no Serviço Sanitário Regional. O caminho prevê conferência dos documentos, avaliação das competências profissionais e linguísticas, preparação complementar, contratação e acompanhamento inicial por tutores.
  • Canal universitário-formativo: destinado a estudantes que já iniciaram Enfermagem no país de origem. A Universidade de Pádua deverá avaliar, juntamente com instituições estrangeiras, a criação de percursos integrados para continuação dos estudos e eventual dupla titulação.


Para os profissionais selecionados, o território prevê:

  • auxílio na documentação necessária para visto, autorização de trabalho e análise do diploma;
  • solução inicial de moradia;
  • formação em língua italiana;
  • treinamento sobre o funcionamento clínico e organizacional do sistema;
  • acompanhamento por tutor nos primeiros meses;
  • informações transparentes sobre remuneração, jornada e perspectivas de permanência;
  • possibilidade de medidas de apoio para a família;
  • acompanhamento da integração social na comunidade de Belluno. 

“Esse conjunto de medidas é um dos pontos mais positivos. O candidato não está sendo visto apenas como alguém que preencherá uma escala hospitalar. O projeto considera língua, moradia, família, formação e integração, fatores essenciais para uma experiência internacional segura e duradoura”, avalia a especialista.

 

O que organizar até setembro

Embora a relação oficial de exigências dependa do protocolo, os interessados já podem reunir:

  • passaporte válido e documentos civis atualizados;
  • diploma de Enfermagem;
  • histórico acadêmico completo;
  • ementas e carga horária do curso;
  • comprovantes de estágios e atividades práticas;
  • registro no Conselho Regional de Enfermagem;
  • certidão de regularidade profissional;
  • documentos que comprovem experiência de trabalho;
  • certificados de especialização;
  • currículo atualizado em português e italiano;
  • certidões que possam precisar de apostilamento;
  • documentos que eventualmente exijam tradução para o italiano;

·         comprovantes de conhecimento da língua italiana, quando disponíveis. 

“A preparação documental leva tempo e precisa ser conduzida com atenção. Buscar uma assessoria especializada pode ajudar o candidato a organizar o processo conforme as exigências oficiais, evitar erros e estar mais bem preparado quando a seleção começar”, conclui a Dra. Ana Carolina Campara Brittes.

 


Ana Carolina Campara Brittes - CEO e sócia-fundadora da Campara Cidadania, Vistos & Viagens; Membro da Comissão de Cidadania Italiana da Associação Brasileira de Advogados (ABA); Membro da ABRINTER (Associação Brasileira de Advogados Internacionalistas); Membro do  IBDESC (Instituto Brasileiro de Direito Estrangeiro e Comparado);  Advogada no Brasil e em Portugal;  Pós-graduada em Direito Público pela FMP (Fundação Escola Superior do Ministério Público – RS);  MBA em Direito Migratório pela EBPÓS;  MBA em Instrumentos Internacionais de Planejamento Patrimonial e Sucessório pela EBPÓS (em andamento).  


Comer menos não significa comer melhor — nutricionista lista 5 alertas para quem usa GLP-1

 

Com a popularização dos medicamentos para emagrecimento, nutricionista alerta para a importância de proteínas, fibras, hidratação e preservação da massa muscular durante o tratamento

 

As chamadas canetas emagrecedoras mudaram a conversa sobre perda de peso. Medicamentos que atuam sobre o GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, passaram a fazer parte da rotina de um número crescente de pessoas e também das discussões nas redes sociais.

De acordo com a Anvisa somente no segundo semestre de 2025, foram importados mais de 100 quilos de insumos que poderiam ser utilizados na preparação de aproximadamente 20 milhões de doses de medicamentos injetáveis da classe dos agonistas de GLP-1.

Mas, em meio ao entusiasmo com a possibilidade de perder peso com mais facilidade, existe uma pergunta que merece ganhar espaço: se a pessoa está comendo menos, ela está necessariamente comendo melhor? A resposta é não.

É justamente nesse ponto que o acompanhamento nutricional ganha ainda mais relevância. Ao reduzir a fome e aumentar a sensação de saciedade, os medicamentos podem levar a uma diminuição significativa da quantidade de alimentos consumidos. E, quando o volume da alimentação diminui, a qualidade nutricional das escolhas passa a ser ainda mais importante.

Para Vanessa Rocha, nutricionista do Mundo Verde, o momento exige justamente o contrário de uma alimentação cada vez mais restritiva: é preciso olhar para o que está sendo consumido, e não apenas para quanto. “Quando a fome diminui, existe o risco de a pessoa simplesmente reduzir muito a quantidade de comida e acreditar que isso, por si só, é suficiente para emagrecer com saúde. Mas comer menos não significa necessariamente comer melhor. Se o volume alimentar caiu, precisamos garantir que aquilo que permanece na alimentação tenha qualidade e forneça os nutrientes necessários”, explica.

A nutricionista aponta cinco cuidados que merecem atenção durante o tratamento com medicamentos à base de GLP-1:

1. Menos fome, mais atenção ao que vai para o prato- com a redução do apetite, algumas pessoas passam a fazer refeições muito menores, pular refeições ou até perder o interesse por determinados alimentos. Embora a menor ingestão energética possa fazer parte do processo de emagrecimento, a restrição excessiva pode dificultar o consumo adequado de nutrientes. Por isso, o trabalho do nutricionista vai muito além de montar uma dieta. O profissional avalia as necessidades individuais e adapta a alimentação à rotina, aos objetivos, à composição corporal, ao nível de atividade física e à tolerância de cada paciente ao tratamento. “Uma das principais preocupações é garantir que, mesmo comendo menos, a pessoa continue recebendo proteínas, fibras, vitaminas, minerais e líquidos em quantidade adequada. A estratégia não deve ser simplesmente reduzir o prato, mas tornar as refeições menores mais nutritivas”, afirma Vanessa.

2. Proteínas, fibras, hidratação e densidade nutricional: o quarteto que merece atenção- com a perda de peso, preservar a massa muscular é um dos principais cuidados. A ingestão adequada de proteínas, distribuída ao longo do dia de acordo com as necessidades individuais, pode contribuir para esse objetivo. A alimentação deve ser associada à prática de exercícios, especialmente os resistidos, conforme orientação profissional. As fibras também merecem atenção. Frutas, verduras, legumes, sementes e farelos são importantes fontes do nutriente e podem contribuir para o funcionamento intestinal. Como alterações gastrointestinais podem ocorrer durante o tratamento, a alimentação precisa ser ajustada individualmente, considerando a tolerância de cada pessoa. A hidratação é outro ponto importante. Náuseas, vômitos e diarreia, quando presentes, podem aumentar o risco de desidratação. Mesmo com menor ingestão de alimentos, a atenção ao consumo de líquidos deve permanecer. Já quando o volume das refeições diminui, a densidade nutricional ganha ainda mais importância. Ou seja: cada escolha pesa. Alimentos nutritivos devem ocupar espaço na rotina, enquanto o excesso de produtos ultraprocessados e opções com baixa densidade nutricional pode comprometer a qualidade da alimentação.

3. O perigo de transformar a caneta em uma solução mágica- outro comportamento que merece atenção é a ideia de que o medicamento “faz todo o trabalho”. Embora os análogos de GLP-1 sejam ferramentas importantes no tratamento da obesidade, eles não substituem alimentação equilibrada, atividade física e mudanças de comportamento. “O medicamento pode ajudar no controle da fome, mas não ensina sozinho a pessoa a se alimentar. O acompanhamento nutricional pode aproveitar esse momento de maior controle do apetite para trabalhar escolhas, rotina, qualidade da alimentação e comportamentos que possam ser mantidos no longo prazo”, destaca. Isso também ajuda a entender uma preocupação frequente entre quem emagrece: o chamado efeito sanfona. Mais do que buscar uma dieta extremamente restritiva durante o uso da medicação, é importante desenvolver estratégias alimentares sustentáveis para que os hábitos construídos possam continuar fazendo parte da vida do paciente.

4. O que filtrar em meio ao excesso de informação? se as canetas ganharam espaço nos consultórios, também conquistaram as redes sociais. Vídeos com “dietas para quem usa Ozempic”, listas de alimentos proibidos, estratégias para potencializar o emagrecimento e recomendações de suplementos se multiplicam diariamente. O problema é que uma estratégia que funciona para uma pessoa não necessariamente funciona para outra e algumas orientações podem até ser inadequadas. “Estamos vivendo uma avalanche de informações sobre emagrecimento. É importante entender que não existe uma alimentação padrão para quem utiliza GLP-1. Cada pessoa tem necessidades, objetivos, rotina, composição corporal e tolerância diferentes. Por isso, a orientação individualizada é tão importante”, ressalta Vanessa.

5. O objetivo vai além da balança- no fim das contas, a discussão sobre as canetas emagrecedoras não deveria se resumir ao número que aparece na balança. A perda de peso pode ser parte do tratamento, mas a qualidade da alimentação, a preservação da massa muscular, a hidratação e a construção de hábitos sustentáveis também fazem parte desse processo. “Emagrecer pode ser o começo de uma mudança, e não o ponto final. O mais importante é que o paciente consiga construir uma forma de se alimentar e cuidar da saúde que faça sentido para a sua vida e que possa ser mantida no futuro. O medicamento é uma das estratégias de tratamento, mas os hábitos construídos ao longo do acompanhamento são fundamentais”, conclui a nutricionista.


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