Negócios com 10 a 20 anos de
atividade lideram os valores em atraso por tempo de fundação, somando R$ 11,6
bilhões entre empresas e sócios simultaneamente inadimplentes
Nova edição do Panorama PME, produzido pela Serasa Experian, cruza a situação
financeira de PMEs e sócios principais e mostra os volumes em atraso das
empresas nas modalidades de crédito de cartão e capital de giro.
Um estudo da
Serasa Experian, primeira e maior datatech do país, revela que, embora empresas
e seus sócios principais simultaneamente inadimplentes representem apenas 5,5%
das PMEs analisadas, esse grupo concentra mais de R$ 80,6 bilhões em dívidas.
Dentro desse grupo, o levantamento classifica as pendências em diferentes
categorias de atraso — como cartão de crédito, capital de giro e a combinação
de ambos. Nessa última, de atraso simultâneo no cartão de crédito e no capital
de giro, concentram-se R$ 40,3 bilhões em pendências financeiras, o maior
montante entre as categorias analisadas.
Ainda
considerando as empresas e sócios simultaneamente inadimplentes, os atrasos
observados exclusivamente no cartão de crédito totalizam R$ 25,3 bilhões,
enquanto aqueles registrados apenas em operações de capital de giro alcançam R$
15 bilhões. Juntas, as três categorias analisadas pelo levantamento somam R$
80,6 bilhões em pendências financeiras, evidenciando que os maiores volumes em
atraso estão concentrados em empresas que acumulam dificuldades em mais de uma
modalidade de crédito.
O estudo faz
parte da sétima edição do Panorama PME, boletim trimestral elaborado a partir
de dados proprietários da datatech sobre o segmento de micro, pequenas e médias
empresas, e analisa a relação financeira entre PMEs e seus sócios principais,
trazendo também os montantes associados às operações em atraso. A análise
contemplou 24,8 milhões de empresas com vínculo societário compatível,
permitindo uma visão ampla sobre a interação entre a saúde financeira dos
negócios e de seus empreendedores. Foram consideradas empresas ativas com
faturamento anual estimado de até R$ 300 milhões e a inadimplência foi definida
a partir de atrasos iguais ou superiores a 30 dias nas modalidades de cartão e
capital de giro.
Outro cenário
contemplado são as empresas inadimplentes cujos sócios permanecem sem dívidas
em atraso. Estes correspondem a 2,2% da base analisada e acumulam R$ 43,9
bilhões em pendências financeiras. Desse total, R$ 21,9 bilhões estão
concentrados em empresas com atraso tanto no cartão quanto no capital de giro,
R$ 12,4 bilhões em operações de cartão e R$ 9,6 bilhões em capital de giro.
A maior parte da base analisada (92,2%) é composta por
empresas sem inadimplência nas categorias analisadas. Nesse grupo, 52,2% mantêm
tanto a empresa quanto o sócio em situação regular, enquanto 40,0% possuem
sócios inadimplentes apesar da empresa permanecer sem dívidas em atraso.
“Embora
representem uma parcela relativamente pequena das PMEs analisadas, os casos em
que empresa e sócio principal estão simultaneamente inadimplentes concentram
volumes expressivos de dívidas. Os resultados reforçam que a saúde financeira
do negócio e a do empreendedor caminham juntas e podem se influenciar
mutuamente ao longo do tempo”, afirma Cleber Genero, vice-presidente de
Pequenas e Médias Empresas da Serasa Experian.
Empresas
mais maduras concentram os maiores valores de crédito e inadimplência
Ao aprofundar a
análise das empresas e sócios simultaneamente inadimplentes, o levantamento
mostra que os maiores montantes estão concentrados em negócios mais maduros.
Empresas com 10 a 20 anos de atividade acumulam R$ 26,7 bilhões em crédito
tomado e R$ 11,6 bilhões em atrasos, considerando conjuntamente as modalidades
de cartão e capital de giro. Já entre os negócios com 5 a 10 anos, os valores
alcançam R$ 26,1 bilhões em crédito tomado e R$ 13,5 bilhões em atrasos nas
mesmas modalidades.
Embora empresas
de 1 a 5 anos representem a maior parcela desse grupo (38,6%), elas concentram
R$ 16,3 bilhões em crédito tomado e R$ 9,7 bilhões em atrasos, valores
inferiores aos observados entre empresas com mais tempo de mercado. O resultado
indica que, apesar da maior frequência de ocorrências entre negócios mais
jovens, as maiores exposições financeiras estão concentradas em empresas já
estabelecidas.
A análise
setorial revela comportamento semelhante. Embora o segmento de Serviços
concentre a maior parte das ocorrências observadas (48,8%), o Comércio lidera
os dados financeiros. O setor acumula R$ 35,3 bilhões em crédito tomado e R$
16,1 bilhões em atrasos, considerando conjuntamente as modalidades de cartão e
capital de giro. Já os Serviços somam R$ 31,5 bilhões em crédito tomado e R$
16,0 bilhões em pendências financeiras. Juntos, os dois segmentos concentram a
maior parte da exposição ao crédito e dos valores em atraso observados entre
empresas e sócios simultaneamente inadimplentes.
“Os resultados
reforçam que as finanças do empreendedor e da empresa caminham lado a lado.
Observar conjuntamente a exposição ao crédito e os volumes em atraso permite
uma compreensão mais ampla dos desafios financeiros enfrentados pelas PMEs”,
finaliza Genero.
7ª
Edição do Panorama PME
Esse estudo
especial faz parte da sétima edição do boletim trimestral elaborado com base em
dados proprietários da Serasa Experian e de mercado sobre perfil e impactos
conjunturais sobre o segmento de micro, pequenas e médias empresas. O material
se divide em categorias e traz, além do estudo: dados demográficos e
segmentação, dados de atividade econômica (emprego, demanda, oferta e acesso ao
crédito) e inadimplência e insolvência. Para ter acesso ao material completo, acesse o portal de conteúdo da datatech.
Metodologia
O estudo
contemplou 24,8 milhões de empresas com vínculo societário compatível,
considerando empresas ativas com faturamento anual estimado de até R$ 300
milhões - em linha com a referência de classificação por porte econômico
utilizada pelo BNDES. A inadimplência foi definida a partir de atrasos iguais
ou superiores a 30 dias nas modalidades. No perfil de pessoa física, foram
consideradas dívidas relacionadas a cartão de crédito e/ou empréstimos (crédito
pessoal, crédito consignado, microcrédito e outras modalidades). Já no perfil
de pessoa jurídica, foram consideradas dívidas de cartão de crédito e/ou
operações de capital de giro.
Experian
experianplc.com