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sábado, 19 de setembro de 2026

O mesmo treino e resultados diferentes: por que isso acontece?

Fábio Aquino, especialista em Fisiologia do Exercício e CEO da Fisiotrainers, explica por que genética, sono, alimentação e recuperação podem fazer com que cada corpo responda de uma maneira ao treinamento

 

Você treina ao lado de uma amiga, faz exercícios parecidos, frequenta a academia com a mesma regularidade e, ainda assim, depois de alguns meses, percebe que o corpo dela mudou muito mais do que o seu. A situação é comum e costuma levantar uma pergunta: afinal, por que o mesmo treino funciona de forma tão diferente para cada pessoa? 

Para Fábio Aquino, especialista em Fisiologia do Exercício e CEO da Fisiotrainers, a resposta está longe de ser simples. O treino é apenas uma parte de uma equação que também envolve genética, alimentação, sono, recuperação e a maneira como cada organismo responde ao estímulo. 

“Pessoas submetidas a programas semelhantes podem apresentar ganhos diferentes de força e massa muscular. O corpo humano não funciona como uma fórmula matemática. Podemos aplicar estímulos muito semelhantes em duas pessoas e obter respostas completamente diferentes. O treino pode até ser igual no papel, mas o organismo que recebe esse treino nunca é igual”, afirma. 

O treinador afirma que a genética tem influência, mas não explica tudo. Ele destaca que existem características individuais que interferem na capacidade de adaptação ao exercício e pesquisas investigam diferenças relacionadas à síntese proteica muscular, células satélites e outros mecanismos envolvidos na hipertrofia. 

Ainda assim, Aquino acredita que colocar todos os resultados na conta da genética seria simplificar demais a questão. “A genética pode estabelecer algumas vantagens e limitações, mas não deve virar desculpa. Existem inúmeras variáveis que conseguimos modificar. Treinamento, alimentação, recuperação, sono e consistência estão entre elas”, explica. 

É aí que entra um detalhe que nem sempre aparece quando duas pessoas se comparam diante do espelho: o que acontece fora da academia. Uma hora de treino pode ser parecida, mas as outras 23 horas do dia dificilmente são. 

“Uma dorme sete ou oito horas. A outra dorme cinco. Uma possui alimentação adequada às suas necessidades. A outra consome pouca proteína ou energia insuficiente. Uma chega recuperada para o próximo treinamento. A outra acumula estresse, noites ruins e fadiga”, diz. 

O especialista enfatiza que o exercício é apenas o começo do processo. “O músculo não cresce durante o exercício. O treinamento gera estímulo. Depois, o organismo precisa de nutrientes e recuperação para responder a esse estímulo. Por isso, analisar apenas aquilo que acontece dentro da academia é enxergar somente uma parte do processo”, afirma. 

Aquino afirma que até mesmo quando duas pessoas fazem o mesmo exercício, isso não significa que o corpo esteja recebendo exatamente o mesmo estímulo. A técnica, a amplitude do movimento, a velocidade de execução, o esforço e o tempo de descanso entre as séries podem mudar bastante. 

"Dois alunos podem fazer três séries de dez repetições no mesmo aparelho. Um termina sem grande dificuldade, enquanto o outro chega perto do próprio limite. Não basta olhar uma ficha e dizer que duas pessoas estão fazendo o mesmo treino. Precisamos observar como cada uma executa aquele treino e, principalmente, como cada organismo responde a ele”, destaca. 

O treinador avalia que a vontade de acelerar os resultados também pode levar a outro erro: acreditar que mais treino é sempre melhor. Quem percebe que está evoluindo menos do que outra pessoa muitas vezes aumenta o número de exercícios, séries ou dias de academia. 

O volume precisa respeitar a capacidade de recuperação de cada organismo. O erro é acreditar que, se dez séries funcionaram para uma pessoa, vinte obrigatoriamente funcionarão melhor para outra. Em treinamento, mais não significa necessariamente melhor. O que precisamos encontrar é a dose adequada para aquele indivíduo”, explica. 

Para ele, essa é uma das diferenças entre simplesmente seguir uma ficha e ter um programa de treinamento acompanhado. Carga, volume, frequência, execução e recuperação precisam ser observados ao longo do processo. Se o corpo não está respondendo como esperado, é preciso entender o que pode ser ajustado. 

“Eu não acredito em treino individualizado apenas no primeiro dia. Individualizar é observar a resposta e fazer ajustes durante todo o processo. O melhor programa não é aquele que parece perfeito no papel. É aquele que consegue evoluir junto com a pessoa”, afirma. 

Em tempos de redes sociais, a comparação ganhou ainda mais espaço. É fácil encontrar o treino de uma atleta, influenciadora ou celebridade e imaginar que reproduzir aquela rotina será suficiente para conquistar o mesmo corpo. Mas não é assim que funciona. 

“O treinamento precisa considerar idade, experiência, objetivos, condição física, histórico de lesões, disponibilidade para recuperação e resposta individual ao estímulo”, ressalta. 

No fim, talvez a pergunta mais importante não seja qual treino funcionou para outra pessoa, mas qual treinamento está funcionando para você. “Não existe o melhor treino para todo mundo. Existe o melhor treino para aquela pessoa, naquele momento. Treinar bem é estimular, avaliar a resposta, ajustar e evoluir. É isso que transforma exercício em treinamento”, resume. 

"Duas pessoas podem até treinar lado a lado e seguir uma rotina parecida. Mas nenhum organismo responde exatamente da mesma forma — e entender isso pode ser um bom começo para trocar a comparação por resultados mais consistentes", completa.


Do treino ao dia a dia: como o avanço da atividade física está transformando a moda fitness

Com mais brasileiros incorporando exercícios à rotina, roupas esportivas ganham novas ocasiões de uso e passam a combinar desempenho, conforto e estilo 

 

A atividade física vem ganhando espaço na rotina dos brasileiros e, junto a esse movimento, também muda a relação com a moda. Antes restritas à academia ou a modalidades específicas, as roupas esportivas passam a acompanhar diferentes momentos do dia, uma prática que já tem nome, é a athleisure, tendência que aproxima esse tipo vestuário do cotidiano e valoriza peças que combinam conforto, funcionalidade e estética. Segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica, realizado em 2026, 56% dos brasileiros praticam atividade física regularmente. Já outro dado mostra que o mercado de vestuário esportivo movimentou US$ 4,8 bilhões em 2025, de acordo com a IMARC, que projeta chegar a US$ 6,8 bilhões até 2034.

Para Camila Hathy, cofundadora e diretora de comunicação da Baunny, confecção especializada em moda fitness premium e produção em modelo White Label, essa mudança de comportamento e o potencial do mercado já influenciam na forma como os produtos são pensados. Com a atividade física mais presente no cotidiano, a empresa observa uma demanda por peças que não atendam apenas às necessidades de uma modalidade, mas também acompanhe diferentes perfis de consumidores e ocasiões de uso. 

“O crescimento da prática de atividades físicas mostra que o consumidor está incorporando o movimento à rotina de uma forma mais natural e diversa. Isso também muda a relação com a roupa, a peça precisa acompanhar o treino, mas pode estar presente em outros momentos do dia. Para as marcas, o desafio passa a ser desenvolver produtos que equilibrem conforto, funcionalidade, tecnologia e estética, sem deixar de lado a identidade de cada coleção”, afirma Camila. 

A diversificação das modalidades reforça essa transformação. Corrida, caminhada, ciclismo, funcional, pilates e atividades ao ar livre apresentam necessidades diferentes em relação a modelagem, tecido e desempenho. Ao mesmo tempo, a popularização de treinos fora das academias amplia as situações em que a roupa esportiva é utilizada e aproxima ainda mais a moda fitness do lifestyle.

Esse movimento também influencia as características buscadas nas peças. Tecidos respiráveis, modelagens que favorecem a mobilidade, proteção UV, conforto térmico e versatilidade ganham relevância à medida que os consumidores passam a transitar entre diferentes atividades e ambientes. Para as marcas, entender essas necessidades se torna parte importante do desenvolvimento de novas coleções.

O cenário encontra respaldo na própria evolução da indústria. Estudo do IEMI lançado em 2026 que acompanha a evolução da oferta e da demanda de moda esportiva e fitness no Brasil, aponta um mercado influenciado por fatores como inovação em materiais e modelagens. O instituto também destaca que o Brasil ocupa a segunda posição mundial em número de academias, atrás apenas dos Estados Unidos, mantendo uma demanda relevante por vestuário de performance.

Mais do que acompanhar o crescimento do número de pessoas fisicamente ativas, a moda fitness passa, portanto, a acompanhar uma mudança de estilo de vida. Para empresas do setor, a oportunidade está em entender que o consumidor não busca apenas uma roupa para praticar determinada atividade, mas peças capazes de combinar desempenho e estética e se encaixar em uma rotina cada vez mais dinâmica.

 

Baunny


Quando a seringa encontra o limite

 Bioestimulador, preenchimento ou cirurgia? Dr. Aldo Grisi explica por que a escolha depende do que acontece com a pele, o volume e as estruturas de cada região

 

Dá para resolver sem cirurgia?” A pergunta costuma chegar ao consultório antes mesmo de o paciente compreender a origem do que vê no espelho. O desejo de evitar uma operação é legítimo, mas não deve definir sozinho o caminho. Uma queixa resumida como flacidez, por exemplo, pode envolver perda de colágeno, redução de volume, deslocamento dos tecidos ou excesso de pele. Cada situação pede uma resposta.

Para o Dr. Aldo Grisi, médico com atuação em harmonização corporal, com 14 anos de experiência e integrante do Grupo CULT, o ponto de partida está menos no nome da técnica e mais na leitura da anatomia, do histórico e da expectativa de quem procura atendimento. 

Há pacientes que chegam com o procedimento escolhido porque viram um resultado nas redes sociais ou receberam uma indicação. Na consulta, eu volto alguns passos. Preciso entender o que incomoda, qual estrutura está produzindo aquela alteração e até onde podemos chegar sem criar uma promessa que o recurso não consegue cumprir. A técnica vem depois dessa conversa”, explica.


O bioestimulador acompanha o tempo do corpo

O bioestimulador atua sobre a produção de colágeno e pode entrar no planejamento quando o objetivo envolve firmeza, sustentação e qualidade da pele. A mudança acontece de forma progressiva, conforme a resposta do organismo. Seu papel, porém, não é retirar tecido excedente nem reproduzir o reposicionamento alcançado por uma operação.

O bioestimulador não redesenha uma região de uma hora para outra. Ele trabalha com o processo biológico do paciente. Pode ajudar quando existe perda de qualidade da pele, mas encontra um limite diante de uma flacidez mais acentuada. Reconhecer esse teto evita frustração e impede que a pessoa seja submetida a aplicações sucessivas em busca de um efeito que depende de outra abordagem”, afirma Grisi.

Essa distinção também ajuda a afastar a ideia de que todo sinal de envelhecimento ou mudança corporal será resolvido com estímulo de colágeno. Estado da pele, variações de peso, idade, estrutura muscular e tratamentos anteriores interferem no plano.


Volume tem função e também tem limite

O preenchimento ocupa outro lugar. Ele pode repor volume, suavizar depressões, corrigir assimetrias e trabalhar pontos do contorno facial ou corporal. O problema aparece quando se tenta usar mais produto para compensar uma sobra de pele ou um deslocamento de tecidos.

Preencher faz sentido quando a falta de volume participa da queixa. Se a questão principal estiver na queda ou no excesso de tecido, acrescentar produto pode pesar naquela área sem resolver a origem do incômodo. Em estética, quantidade não substitui indicação. Às vezes, o melhor resultado surge justamente da decisão de colocar menos”, comenta o médico.

O planejamento precisa considerar ainda o que já foi aplicado naquela região. Procedimentos anteriores, materiais de longa permanência e alterações provocadas pelo tempo podem mudar a conduta. Por isso, omitir informações durante a consulta compromete a avaliação e amplia riscos.


A cirurgia começa onde os injetáveis já não alcançam

A indicação cirúrgica pode surgir quando é necessário retirar pele, reposicionar tecidos ou corrigir uma alteração estrutural. Ela envolve anestesia, cicatriz e recuperação, fatores que precisam ser discutidos com o profissional responsável. Ainda assim, adiar essa possibilidade a qualquer custo nem sempre representa uma escolha mais conservadora.

Existe uma resistência compreensível à cirurgia, como se recorrer a ela significasse que os outros tratamentos falharam. Não vejo dessa forma. Cada recurso tem um campo de atuação. Quando a anatomia pede reposicionamento ou retirada de tecido, insistir em injetáveis pode apenas prolongar o caminho e acumular intervenções que não responderão à queixa”, observa Aldo Grisi.

As possibilidades também não precisam disputar espaço. Dependendo do caso, um procedimento pode preparar a pele, outro recuperar um ponto de volume e a cirurgia tratar o componente estrutural. Em outras situações, uma única intervenção será suficiente. Há ainda momentos em que a orientação pode ser não realizar nada.

Personalizar não é montar uma lista maior de procedimentos. É retirar do plano tudo o que não serve para aquela pessoa. Em algumas consultas, combino caminhos. Em outras, indico somente um. E, quando a expectativa está distante do que a medicina pode entregar, dizer ‘não’ também faz parte do cuidado”, acrescenta.


Minimamente invasivo ainda exige responsabilidade

A ausência de cortes não transforma um injetável em prática sem risco. A escolha deve incluir produto registrado na Anvisa, respeito às regiões previstas nas indicações de uso, conhecimento de anatomia e acompanhamento. O paciente também precisa receber informações sobre possíveis complicações e saber qual substância foi utilizada.

Minimamente invasivo descreve a forma de acesso ao tecido, não o tamanho da responsabilidade. Origem do produto, indicação, técnica e seguimento importam do início ao fim. O paciente precisa entender o que será aplicado, por qual motivo, o resultado possível e como a equipe agirá se o organismo responder de maneira diferente”, ressalta Grisi.


Emagrecimento rápido pode afetar a saúde da pele e dos cabelos

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As canetas emagrecedoras transformaram a relação de milhões de pessoas com a balança. Elas ganharam espaço no tratamento do sobrepeso e da obesidade e, com a rápida redução de peso, também trouxeram uma nova questão para os consultórios dermatológicos: o que acontece com a pele e os cabelos quando o corpo emagrece em ritmo acelerado?

 

Segundo o dermatologista Antonio Lui, do Hospital Santa Casa de Mauá, a caneta não prejudica a pele e não provoca diretamente a queda dos fios. Esses problemas ocorrem pela maneira como o organismo reage a uma perda importante de peso. “Quando há uma redução rápida de gordura corporal, a pele perde parte do suporte e do volume que ajudavam a mantê-la esticada. Ao mesmo tempo, mudanças na alimentação podem diminuir a ingestão de proteínas, vitaminas e outros nutrientes importantes para a manutenção dos cabelos”, explica. 

Essas consequências não devem ser colocadas simplesmente na conta da caneta. O principal fator é a velocidade com que o organismo está perdendo peso. Quando existe uma mudança corporal muito rápida, o cabelo pode entrar em uma espécie de modo de economia e aumentar a queda, enquanto a pele precisa lidar com a redução do volume que antes dava sustentação aos tecidos. 

No cabelo, esse fenômeno pode aparecer como eflúvio telógeno, uma alteração temporária do ciclo capilar. O aumento da queda geralmente não acontece imediatamente e pode surgir algumas semanas ou meses depois do período de maior perda de peso. É uma resposta conhecida do organismo a situações de estresse físico.  

“A literatura médica também associa o quadro a dietas muito restritivas e à deficiência de determinados nutrientes. O cabelo não é uma estrutura prioritária para o organismo. Em uma situação de grande mudança metabólica, o corpo direciona seus recursos para funções essenciais. Se, além da perda de peso, a pessoa passa a consumir pouca proteína ou apresenta alguma deficiência nutricional, o ciclo do cabelo pode ser ainda mais afetado”, explica Antonio Lui. 

A mesma transformação pode ser percebida no contorno corporal. Com a redução do tecido adiposo, regiões que antes tinham maior volume podem apresentar sobras de pele, perda de sustentação e flacidez. No rosto, a diminuição do tecido adiposo pode deixar as feições menos preenchidas, evidenciando sulcos, rugas e um aspecto mais envelhecido. 

“É como se o corpo tivesse emagrecido em uma velocidade maior do que a capacidade de adaptação dos tecidos. A gordura diminui, mas a pele não desaparece na mesma proporção. Por isso, algumas pessoas percebem que determinadas áreas parecem ter ‘despencado’. Não significa que o medicamento tenha destruído a pele, mas que houve uma mudança de volume expressiva em pouco tempo”, compara o dermatologista. 

O impacto também pode ser diferente de uma pessoa para outra. Idade, genética, quantidade de peso eliminada, tempo em que a pessoa permaneceu acima do peso, qualidade da alimentação e quantidade de massa muscular influenciam a capacidade de acomodação da pele. Além disso, a própria perda de massa muscular pode contribuir para uma aparência corporal menos firme. 

Para Antonio Lui, é preciso entender que emagrecer não significa apenas ver um número menor na balança. “Quando o peso muda rapidamente, todo o organismo precisa se reorganizar. A pele, o cabelo, os músculos e até os contornos do rosto fazem parte dessa transformação. Por isso, o resultado estético do emagrecimento não deve ser avaliado apenas pelo peso perdido, mas pela qualidade dessa mudança corporal”, afirma. 



Hospital Santa Casa de Mauá
Avenida Dom José Gaspar, nº 1.374, Vila Assis, Mauá.
Telefone (11) 2198-8300
https://santacasamaua.org.br/

 

A nova pressão estética é parecer que você não fez nada?

  Depois da era das harmonizações evidentes, cresce a busca por resultados cada vez mais discretos. Dermatologista alerta que o desejo de “naturalidade” também pode se transformar em mais uma cobrança sobre a aparência feminina

 

Por alguns anos, rostos muito preenchidos, contornos marcados e mudanças facilmente perceptíveis dominaram parte do imaginário da estética. Agora, o movimento parece seguir na direção oposta. Muitas mulheres chegam aos consultórios dizendo que querem melhorar a aparência, parecer mais descansadas ou preservar características que gostam, mas fazem uma ressalva: ninguém pode perceber que houve uma intervenção.

 

Para a dermatologista Paula Sian, essa mudança merece uma reflexão que vai além das técnicas disponíveis. Se antes a pressão estava em transformar o rosto, agora ela pode estar migrando para uma exigência aparentemente mais sutil: envelhecer, mas continuar com aparência jovem; cuidar-se, mas sem demonstrar esforço; realizar procedimentos, mas sem que eles sejam percebidos. “Existe uma diferença importante entre querer se cuidar e sentir que é preciso corrigir constantemente alguma coisa. Muitas pacientes chegam dizendo que querem ficar naturais, que não querem mudar o rosto e que ninguém pode perceber o que foi feito. A questão é entender de onde vem esse desejo e até que ponto ele realmente pertence àquela mulher”, explica.

 

Quando a naturalidade vira um novo padrão


A valorização de resultados discretos pode representar um avanço em relação aos exageros estéticos, principalmente quando o objetivo é preservar as características individuais. O problema surge quando a ideia de naturalidade deixa de significar liberdade de escolha e passa a estabelecer um novo modelo a ser perseguido.

 

Segundo Paula, não é incomum encontrar mulheres bonitas e saudáveis que chegam ao consultório com uma extensa lista de pontos que gostariam de modificar. Durante a conversa, porém, algumas percebem que determinadas insatisfações começaram após o contato repetido com imagens de influenciadoras, celebridades, filtros e conteúdos sobre procedimentos.

 

“Hoje recebemos uma quantidade enorme de referências sobre como deveríamos envelhecer, como deveria ser o contorno do rosto, a qualidade da pele ou até a posição de determinadas estruturas. Quando todo mundo começa a perseguir as mesmas características, corremos o risco de perder justamente aquilo que torna cada rosto individual”, afirma.

 

Para a médica, o discurso da beleza natural também pode carregar uma contradição. A mulher pode se sentir pressionada a parecer mais jovem e descansada, mas, ao mesmo tempo, não deve demonstrar que investiu tempo, dinheiro ou procedimentos para alcançar aquele resultado.

“É quase como se existisse uma obrigação de envelhecer perfeitamente e sem esforço. Só que envelhecer é um processo natural e cada pessoa vai passar por ele de maneira diferente. Não existe um único jeito correto de chegar aos 40, 50 ou 60 anos”, ressalta.

 

Nem toda consulta precisa terminar em procedimento


Na avaliação da dermatologista, uma das responsabilidades do profissional está justamente em não transformar toda queixa estética em uma indicação de tratamento. Antes de propor qualquer intervenção, Paula procura compreender o que incomoda a paciente, há quanto tempo aquela percepção existe, quais são suas expectativas e quais referências estão influenciando sua decisão.

 

“Às vezes, a melhor conduta é fazer menos. Em outros casos, é não fazer nada naquele momento. O médico também precisa ter liberdade para dizer que determinado procedimento não é necessário ou que não vai entregar aquilo que a paciente está imaginando”, diz.

Ela defende que o planejamento estético seja construído de maneira individualizada. Para algumas mulheres, cuidar da qualidade da pele, manter proteção solar e uma rotina adequada de skincare pode ser suficiente. Para outras, tecnologias, injetáveis ou diferentes tratamentos podem fazer sentido. A indicação, porém, não deveria partir de uma lista de procedimentos considerados obrigatórios para determinada idade. 

“Não existe uma receita que diga o que uma mulher precisa fazer aos 30, aos 40 ou aos 50 anos. Quando a estética começa a funcionar dessa maneira, ela deixa de atender a pessoa e passa a atender a um padrão”, pontua.

 

Autocuidado ou insatisfação permanente?


A dermatologista também chama atenção para a diferença entre utilizar a estética como ferramenta de autocuidado e entrar em um processo contínuo de busca por defeitos. Para ela, uma pergunta importante antes de qualquer procedimento é simples: o que exatamente a pessoa espera sentir depois daquela mudança? “É legítimo querer se sentir bonita, cuidar da pele ou melhorar alguma característica que incomoda. O alerta aparece quando o resultado nunca é suficiente. Faz um procedimento, encontra outro problema; melhora uma região, passa a rejeitar outra. Nesse cenário, talvez a questão já não esteja apenas no rosto”, explica.

 

Paula acredita que um bom resultado estético não deveria apagar características individuais nem criar dependência de intervenções sucessivas. “Naturalidade, para mim, não significa necessariamente não fazer procedimentos. Significa continuar se reconhecendo. A estética deveria ser uma possibilidade de cuidado, e não mais uma obrigação que a mulher precisa cumprir para se sentir adequada.”

 

De acordo com a dermatologista, em uma época em que até a aparência de quem “não fez nada” pode envolver uma extensa rotina de cuidados, talvez a discussão mais importante não seja qual procedimento entrega o resultado mais natural, “mas quem está determinando o que significa parecer natural, e por que tantas mulheres ainda sentem que precisam corresponder a essa expectativa”, finaliza.




Dra. Paula Sian (Dermatologista) CRM: 111963-SP RQE Nº: 38348 - Dermatologista desde 2007, Paula Sian Lopes é formada pela Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP), onde também fez residência em Clínica Médica e Dermatologia. Especializou-se em Farmacodermia e Dermatoses Imuno Ambientais na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e em Medicina Chinesa e Acupuntura na Associação Médica Brasileira de Acupuntura (AMBA). Desde 2011, Paula atende em seu consultório próprio com o viés em Dermatologia clínica, estética e cirúrgica, tanto para adultos como para crianças. Além disso, a especialista realizou serviços voluntários no ambulatório de alergias da UNIFESP, de 2013 a 2017. A médica também é escritora e acaba de lançar o “Um burnout para chamar de seu”, um livro que relata, pelo ponto de vista do paciente, como é conviver com o burnout.
https://www.instagram.com/pelecomalma/


Câncer de pele exige atenção aos primeiros sinais e diagnóstico precoce amplia possibilidades de tratamento


Oncodermatologia será um dos destaques da 33ª Jornada Sul-Brasileira de Dermatologia, com discussões sobre melanoma, dermatoscopia, abordagem cirúrgica e novas ferramentas aplicadas à prática médica

Uma pinta que muda de formato ou cor, uma ferida que não cicatriza ou uma lesão que cresce e sangra merece atenção. Esses sinais podem indicar câncer de pele e devem ser avaliados por um médico dermatologista. O tema estará entre os destaques da 33ª Jornada Sul-Brasileira de Dermatologia, promovida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do Rio Grande do Sul (SBD-RS).

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pele não melanoma segue como o tipo mais frequente no Brasil. Os principais são o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular. Já o melanoma é menos comum, mas apresenta maior risco de disseminação.

O diagnóstico pode envolver avaliação clínica e dermatoscopia, recurso que permite observar características não visíveis a olho nu. A definição do tratamento depende do tipo de tumor, da localização e da extensão da doença.

“A evolução dos recursos diagnósticos e do conhecimento sobre os tumores permite identificar alterações cada vez mais cedo e definir a melhor estratégia para cada paciente”, destaca a secretária científica da SBD-RS, Dra. Renata Heck.


Da oncodermatologia à prática diária

A programação da Jornada terá, em 16/10, das 8h às 10h, o bloco “Da Oncodermatologia ao Consultório: decisões que impactam a prática”, coordenado pela secretária científica da SBD-RS, Dra. Renata Heck, e pelo dermatologista Geraldo Magela Magalhães.

Entre os temas estão os primeiros achados dermatoscópicos dos melanomas finos, apresentados por Carlos Baptista Barcaui, e a dermatoscopia de lesões pigmentadas que podem simular melanoma, com Renato Marchiori Bakos. Carlos Baptista Barcaui também abordará a cirurgia do melanoma cutâneo primário e as indicações da biópsia do linfonodo sentinela.

O bloco ainda contará com a participação de Ariane Silva Bastos Geller, que falará sobre indicação cirúrgica na hidradenite supurativa, Fabíola Welter Ribeiro, com uma apresentação sobre inteligência artificial aplicada ao consultório, e Danielle Bertagnoli, que tratará dos impactos da reforma tributária nos consultórios médicos.

A 51ª Jornada Gaúcha de Dermatologia será realizada de 15/10 a 17/10, no Centro de Convenções BarraShoppingSul, em Porto Alegre. O evento ocorrerá de forma integrada à 33ª Jornada Sul-Brasileira de Dermatologia e ao VII Simpósio de Dermatologia Pediátrica, reunindo especialistas em uma programação voltada à atualização científica, à troca de experiências e à discussão de temas atuais da especialidade. A programação completa e as informações sobre inscrições podem ser consultadas em https://bit.ly/45zzS6p

Em casos de suspeita de câncer de pele ou outras alterações dermatológicas, procure um médico dermatologista. Os profissionais habilitados podem ser conferidos no site http://www.sbdrs.org.br/

 



Marcelo Matusiak

Marcas que desaparecem pela manhã podem, com o passar dos anos, se tornar mais persistentes, mas posição de dormir está longe de ser a única responsável pelo envelhecimento facial

 

Acordar com linhas marcadas na bochecha ou perto dos olhos justamente do lado em que passou a noite dormindo. Algumas desaparecem rapidamente, outras demoram um pouco mais. Segundo a enfermeira estética e biomédica estética Daiany Rodrigues Freire, a pressão e a compressão repetidas do rosto contra o travesseiro podem contribuir para a formação das chamadas “rugas do sono”, especialmente ao longo dos anos.

“Quando dormimos de lado ou de bruços, algumas regiões do rosto ficam pressionadas contra o travesseiro durante horas. A pele é dobrada e comprimida repetidamente. Quando somos mais jovens, ela tende a retornar rapidamente à posição original, mas, conforme há perda de colágeno e elasticidade, essas marcas podem demorar mais para desaparecer e se tornar mais evidentes”, explica.

Nem toda linha do rosto surge pelo mesmo mecanismo. As rugas de expressão estão relacionadas principalmente à movimentação repetitiva da musculatura facial — como acontece ao sorrir, franzir a testa ou apertar os olhos.

Já as rugas do sono estão associadas à compressão e às dobras da pele durante períodos prolongados em determinadas posições. Por isso, podem aparecer em regiões como bochechas, lateral dos olhos, testa e colo.

“Uma pista é observar a direção e o local dessas marcas. Nem sempre elas acompanham exatamente os movimentos que fazemos quando sorrimos ou franzimos o rosto”, explica Daiany.
 

O jeito de dormir evita o envelhecimento?

Não é tão simples. Embora dormir com o rosto sem pressioná-lo contra o travesseiro reduza a compressão da pele, a posição escolhida para dormir está longe de ser o principal fator responsável pelo envelhecimento facial.

Exposição solar acumulada, genética, tabagismo, perda de colágeno, alterações hormonais, mudanças na estrutura óssea e nos compartimentos de gordura, oscilações importantes de peso e o próprio passar dos anos têm impacto muito maior na aparência do rosto.

“Não adianta perder qualidade de sono tentando permanecer a noite inteira em uma posição desconfortável apenas por medo de rugas. Dormir bem também é importante para a saúde e para a própria qualidade da pele”, ressalta.

Aquela marca que aos 20 anos desaparecia poucos minutos depois de levantar pode permanecer por mais tempo conforme a pele envelhece.

Segundo Daiany, isso acontece porque o envelhecimento não ocorre apenas na superfície. Ao longo dos anos, há alterações na produção de colágeno e elastina, na hidratação e espessura da pele e também em estruturas mais profundas do rosto.

“É por isso que não podemos olhar para uma ruga isoladamente. Muitas vezes, a linha que incomoda é apenas uma manifestação visível de um processo que está acontecendo em diferentes camadas”, afirma.

Fronhas e travesseiros que prometem evitar rugas se popularizaram nas redes sociais, mas Daiany recomenda cautela com promessas de efeito antienvelhecimento.

Diminuir o atrito e evitar compressão excessiva pode contribuir para o conforto da pele, mas nenhuma fronha é capaz de impedir as mudanças naturais que acontecem com o passar dos anos.

“Não existe um único hábito, produto ou procedimento responsável por envelhecer ou rejuvenescer o rosto. O resultado mais natural vem justamente de compreender como cada pessoa está envelhecendo e quais estruturas realmente precisam de atenção”, explica.

Para a especialista, cuidados básicos continuam tendo grande importância: proteção solar, sono adequado, evitar o tabagismo, manter hábitos saudáveis e cuidar da pele de maneira consistente. Quando já existem alterações que incomodam, uma avaliação individualizada permite entender se a questão está predominantemente na superfície da pele, na perda de colágeno, na flacidez, na redução de volume ou na combinação desses fatores.

“Antes de culpar o lado do travesseiro, precisamos lembrar que envelhecer é um processo muito mais complexo. A estética atual não deveria tentar apagar cada linha, mas compreender o rosto como um todo e preservar suas características”, conclui Daiany Rodrigues Freire. 



Daiany Rodrigues Freire - enfermeira estética e biomédica. Conselho Regional de Enfermagem (Coren) nº 72548. Conselho Regional de Biomedicina (CRBM nº 64.089. Enfermeira e biomédica com pós-graduação em Enfermagem Estética.
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Celulite aos 13? Médica explica por que os furinhos podem surgir ainda na puberdade

 

Créditos: @clinicaleger | CO ASSESSORIA

Na adolescência, o corpo muda rápido e é importante entender o que faz parte desse processo antes de pensar em tratar”, afirma Dra. Danuza Alves

 

A celulite pode aparecer ainda na puberdade e isso, por si só, não significa excesso de peso, sedentarismo ou algum problema no corpo. As mudanças hormonais dessa fase, a forma como a gordura se distribui e características da própria pele ajudam a explicar por que os “furinhos” podem surgir cedo, inclusive em meninas magras e fisicamente ativas. Mas se a celulite pode fazer parte dessa fase, em que momento ela deixa de ser apenas uma característica comum e passa a merecer avaliação ou tratamento? 

Existe uma hora certa para começar a tratar a celulite? A médica Danuza Alves, da Clínica Leger Porto Alegre, explica que a resposta passa primeiro por entender em que fase o corpo está. “A mulher atravessa diferentes momentos hormonais ao longo da vida, e cada um deles pode interferir na forma como a celulite aparece. Na adolescência, isso precisa ser levado em consideração antes de qualquer decisão”, explica. 

A celulite também pode mudar de aspecto com o passar dos anos. Em algumas fases, pode ficar mais evidente; em outras, menos. Por isso, observar o contexto de cada paciente é mais importante do que tratar apenas a aparência da pele de forma isolada, principalmente quando o corpo ainda está em desenvolvimento. 

Para Danuza, não existe uma idade única que determine quando a celulite deve ser tratada. O mais importante é avaliar o estágio de desenvolvimento corporal, o grau de incômodo e se existe uma indicação real naquele momento. “Na adolescência, muitas vezes o primeiro passo é observar e entender o que faz parte daquela fase. Se houver um incômodo importante, a avaliação precisa ser individual e responsável. A hora certa depende menos do número da idade e mais do que aquele corpo está vivendo”, conclui.


Cresce a procura masculina por cirurgia facial e rejuvenescimento discreto

Blefaroplastia avançou cerca de 24% entre os homens em um ano e ajuda a revelar um público que busca suavizar sinais do tempo sem descaracterizar o rosto 

 

A procura masculina por cirurgia facial ganhou novo fôlego. Dados divulgados em 2026 pela American Academy of Facial Plastic and Reconstructive Surgery (AAFPRS) mostram que 95% dos cirurgiões plásticos faciais entrevistados atenderam homens em 2025, ante 92% no ano anterior. Rinoplastia e blefaroplastia aparecem entre as cirurgias mais procuradas por esse público, que, segundo a entidade, tem priorizado resultados naturais, capazes de suavizar sinais do envelhecimento sem deixar mudanças evidentes no rosto.

Para Danielle Gondim, cirurgiã plástica especializada em face, formada pelo Instituto Ivo Pitanguy, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e especialista em cirurgia plástica facial, o rejuvenescimento facial masculino exige atenção especial às características individuais. A médica, que tem suas técnicas publicadas em periódicos internacionais, defende resultados que preservem os traços e evitem a padronização estética.

“Cada face precisa ser avaliada de forma única. O objetivo do rejuvenescimento não é criar outro rosto, mas restaurar estruturas respeitando aquilo que identifica aquela pessoa. No homem, essa preservação é especialmente importante porque alterações pequenas em determinadas regiões podem modificar bastante a percepção da expressão e dos traços”, afirma Danielle.

O movimento ocorre enquanto o Brasil ocupa a liderança mundial em número de cirurgias estéticas. Segundo a ISAPS, foram estimados 2,35 milhões de procedimentos cirúrgicos no país em 2024. As operações de face e cabeça somaram aproximadamente 910,8 mil intervenções, incluindo 231,2 mil blefaroplastias, 121,4 mil liftings faciais e 98,7 mil cirurgias de pescoço.


O que muda no planejamento do rosto masculino

Embora homens e mulheres possam apresentar flacidez, excesso de pele, bolsas nas pálpebras e alterações no contorno facial ao longo do tempo, o planejamento não deve seguir um padrão único. Formato e posição das sobrancelhas, projeção do queixo, linha mandibular, distribuição de gordura, barba e proporções entre as diferentes áreas do rosto precisam ser considerados antes da indicação.

Entre empresários, executivos e profissionais com maior exposição pública, a busca costuma estar associada à vontade de suavizar uma aparência cansada ou envelhecida sem provocar uma transformação evidente. Nesse contexto, procedimentos na região dos olhos, mandíbula e pescoço estão entre as possibilidades avaliadas conforme as características de cada paciente.

Na blefaroplastia, por exemplo, a cirurgia pode tratar excesso de pele e bolsas de gordura nas pálpebras, mantendo o formato original dos olhos. Em alguns casos, alterações na posição das sobrancelhas também precisam ser consideradas. Já quando há flacidez mais ampla ou perda de definição do contorno da face e do pescoço, a avaliação pode envolver técnicas cirúrgicas direcionadas a planos mais profundos.

Danielle trabalha com o conceito de cirurgia facial singular, no qual a indicação parte das particularidades anatômicas do paciente. Criadora da técnica Singular Restore®, a especialista combina diferentes abordagens de acordo com as necessidades identificadas na avaliação, entre elas deep plane facelift, cirurgia do pescoço, blefaroplastia e enxerto de gordura.

“A naturalidade não depende apenas de fazer uma intervenção pequena. Ela depende de compreender o que aconteceu com aquela face e tratar cada região sem apagar características individuais. O resultado precisa continuar pertencendo ao paciente”, explica.


Cirurgia e procedimentos têm funções diferentes

A escolha entre procedimentos minimamente invasivos e cirurgia depende das características de cada paciente e do que se pretende tratar. Toxina botulínica, preenchedores e tecnologias voltadas à qualidade da pele têm indicações diferentes das intervenções cirúrgicas, que podem ser consideradas quando existem alterações estruturais, excesso de pele ou flacidez mais acentuada. A definição da abordagem adequada deve partir de avaliação médica individualizada.

Os números da ISAPS mostram que o interesse masculino não está restrito à cirurgia das pálpebras. Entre 2023 e 2024, o número de facelifts realizados em homens passou de 102.616 para 123.776, crescimento de aproximadamente 20,6%. Já os enxertos de gordura facial avançaram de 127.769 para 173.940 procedimentos, alta próxima de 36%.

A tendência também acompanha a expansão global das intervenções faciais. Em 2024, procedimentos cirúrgicos de face e cabeça superaram 7,4 milhões no mundo e cresceram 4,3% em relação ao ano anterior. A blefaroplastia ultrapassou 2,1 milhões de cirurgias e assumiu a primeira posição entre as operações estéticas mais realizadas globalmente.

Para a cirurgiã, independentemente do gênero ou da idade, a indicação precisa partir de uma análise individual, com atenção à anatomia, às condições de saúde e às expectativas do paciente.

“Não existe um rosto que deva servir de modelo para todos. O planejamento precisa preservar identidade, proporção e expressão. A cirurgia bem indicada busca rejuvenescimento sem transformar a pessoa em uma versão padronizada de beleza”, conclui.

 



Danielle Gondim - cirurgiã plástica especializada em face, com reconhecimento internacional. Desde a infância interessada pelas artes, formou-se no Instituto Ivo Pitanguy, onde também atuou como docente por quase cinco anos. Ao longo da carreira, realizou fellowships nos principais serviços de cirurgia plástica do mundo, incluindo centros liderados por Dr. Nayak e Ben Talei, nos Estados Unidos, e por Dr. Francisco Bravo, em Madri. Membro das associações Internacional, Americana e Brasileira de Cirurgia Plástica, é frequentemente convidada a palestrar em congressos relevantes da especialidade no Brasil e no exterior. Em 2025, foi premiada por seu trabalho no Congresso Mundial de Cirurgia Plástica da ISAPS, realizado em Singapura, reconhecimento concedido a um grupo restrito de especialistas. Criadora da técnica Singular Restore®, alia ciência e arte para alcançar resultados naturais, nos quais a jovialidade se destaca sem evidência de intervenção cirúrgica. Seu trabalho é pautado pela individualidade facial e pela preservação da identidade de cada paciente. Procurada por pacientes de diferentes países, também recebe semanalmente médicos do Brasil e do exterior interessados em conhecer sua abordagem técnica.
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Fonte de pesquisa

Adeus, loiro frio? Os tons de cabelo que chegam com força na primavera

Reprodução Internet 
 CNN Brasil
Castanhos iluminados, caramelo e loiros quentes aparecem entre as apostas da nova estação; especialista explica quais cores valorizam o visual sem comprometer a saúde dos fios

 

Se a primavera é conhecida por trazer leveza e luminosidade para o visual, nos cabelos não seria diferente. A nova estação chega acompanhada de uma mudança nas cartelas de coloração, com tons mais quentes, naturais e iluminados ganhando espaço entre as principais apostas para os próximos meses. 

Entre as tendências estão os castanhos iluminados, caramelo, loiros dourados e mechas mais delicadas, que criam pontos de luz ao longo dos fios sem necessariamente apostar em uma transformação radical. A ideia é justamente conseguir um cabelo com mais dimensão e luminosidade, mas mantendo um aspecto natural. 

A busca por resultados menos marcados também muda a forma de pensar a coloração. Em vez de simplesmente reproduzir uma cor vista nas redes sociais, a escolha pode levar em consideração o tom de pele, a cor natural dos fios, o corte, a textura e até a rotina de cada pessoa. 

“Uma cor bonita não é necessariamente aquela que está em alta, mas aquela que conversa com a pessoa. A tendência pode ser uma inspiração, mas precisa ser adaptada para que faça sentido naquele cabelo e naquela identidade”, explica a visagista e terapeuta capilar Mari Borges. 

Mas antes de correr para o salão com uma referência salva no celular, existe um detalhe importante: nem todo cabelo está preparado para receber qualquer coloração. Clareamentos e descolorações, principalmente quando associados a outros procedimentos químicos, exigem avaliação da fibra para evitar danos. 

Segundo Mari, o histórico do cabelo deve ser considerado antes da transformação. Fios que já passaram por descoloração, alisamento ou excesso de procedimentos podem precisar de preparação e tratamento antes de receber uma nova cor. 

Hidratação, nutrição e reconstrução também entram no cuidado antes e depois da coloração. Além de ajudar na resistência dos fios, uma rotina adequada contribui para que a cor permaneça bonita por mais tempo. 

“A melhor transformação é aquela que respeita a identidade da pessoa e a saúde do cabelo. Tendência pode servir como inspiração, mas não precisa ser seguida exatamente como aparece nas redes sociais”, finaliza.

 

O efeito sanfona pode acontecer mesmo quando você faz tudo certo

Alterações internas após a queda na balança ajudam a entender por que preservar o resultado exige uma estratégia própria


Um estudo publicado em agosto de 2026 no European Journal of Clinical Nutrition acompanhou 294 adultos com sobrepeso ou obesidade atendidos em um programa de controle de peso na China e mostrou que 52% recuperaram pelo menos 25% dos quilos perdidos ao longo de cerca de três anos. Os participantes haviam seguido uma dieta com restrição de carboidratos, e os pesquisadores analisaram dados clínicos e informações sobre hábitos de vida para identificar o que favorecia o reganho. Histórico familiar de obesidade elevou esse risco, enquanto dormir entre seis e oito horas por noite apareceu como fator de proteção, reforçando que sustentar o emagrecimento envolve aspectos que vão além da alimentação e da disciplina.

Bruna Makluf, nutricionista e especialista em saúde metabólica, é diretora de Nutrição da WeFit, healthtech brasileira especializada em saúde personalizada e nutrição de precisão. Para ela, atribuir o retorno dos quilos apenas ao comportamento ignora respostas do próprio corpo. “O efeito sanfona envolve mecanismos que não dependem somente de força de vontade. Depois da perda de peso, podem ocorrer aumento da fome, mudanças na saciedade e redução do gasto energético. Por isso, chegar ao objetivo e permanecer nele exigem estratégias diferentes”, afirma a nutricionista.

Parte dessa dificuldade está nas adaptações fisiológicas provocadas pela redução corporal. Uma meta análise publicada no International Journal of Obesity, que reuniu 127 estudos, identificou aumento da grelina total, hormônio relacionado à fome, após a perda de peso. Parte dos trabalhos também encontrou redução de sinais associados à saciedade, como PYY e GLP 1 ativo.

Na prática, essas respostas ajudam a explicar por que repetir por meses a mesma estratégia utilizada durante a fase de perda nem sempre funciona para manter os resultados. Composição corporal, massa muscular, atividade física, qualidade do sono, alimentação e comportamento passam a ter peso nessa etapa.

A genética também começa a ampliar a compreensão sobre as diferenças individuais. Um estudo publicado em 2026 na revista Obesity analisou dados de mulheres após a menopausa e encontrou associação entre maior predisposição genética à obesidade e recuperação mais rápida dos quilos eliminados em parte das participantes. Os pesquisadores ressaltam que esse tipo de informação não permite prever, isoladamente, quem voltará a engordar.

“Genética não determina o resultado, mas pode revelar características que merecem atenção. Quando essa informação é analisada junto com sono, fome, metabolismo e hábitos, conseguimos compreender melhor porque duas pessoas podem responder de maneiras diferentes ao mesmo método”, explica a especialista em saúde metabólica.


Manter o peso exige outra estratégia

Para Bruna, existe uma importância de não tratar a manutenção como uma etapa secundária. Mudanças no sono, aumento da fome, redução de massa muscular, alterações na rotina e dificuldade para conservar hábitos podem indicar que a conduta precisa ser revista antes que o ganho se consolide.

Na WeFit, o acompanhamento nutricional combina informações sobre genética, microbiota intestinal, exames e hábitos de vida para orientar protocolos individualizados. A healthtech também utiliza recursos digitais para acompanhar a evolução dos pacientes e permitir ajustes ao longo da jornada.

“Para reduzir o risco de efeito sanfona, a manutenção precisa ser pensada desde o início. Não basta descobrir como aquela pessoa perde peso. É preciso entender o que ela consegue sustentar na própria rotina e quais fatores podem interferir nesse processo ao longo do tempo”, ressalta Bruna, ao defender que o período posterior à redução na balança faça parte do planejamento nutricional.

  

 



Bruna Makluf - nutricionista, diretora de Nutrição da WeFit e especialista em emagrecimento, saúde metabólica, composição corporal, saúde intestinal, doenças crônicas e longevidade. Graduada em Nutrição pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal) em 2008, possui especializações em Nutrição Clínica, Fitoterapia e Nutrição Comportamental, formação em Saúde Intestinal e mestrado em Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Com mais de 15 anos de experiência, atuou por nove anos na saúde pública, onde participou da implantação de equipes e políticas públicas voltadas à assistência nutricional. Posteriormente, integrou por seis anos a Clínica Seven, exercendo as funções de nutricionista e gestora da equipe de nutrição. Atualmente, lidera a área de Nutrição da WeFit, sendo responsável pelo desenvolvimento dos protocolos nutricionais personalizados da empresa. Sua atuação é baseada na individualização do cuidado, integrando evidências científicas, genética, saúde intestinal, exames laboratoriais e hábitos de vida para construir estratégias nutricionais adaptadas às necessidades de cada paciente. É fonte para temas relacionados ao emagrecimento, saúde intestinal, prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares, saúde metabólica e longevidade.
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Fontes de Pesquisa

Nature / European Journal of Clinical Nutrition
https://www.nature.com/articles/s41430-026-01815-1

Nature / International Journal of Obesity
https://www.nature.com/articles/s41366-025-01726-4

PubMed
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41792585/

PubMed
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41938838/


Afinamento capilar na menopausa: por que ele acontece e como cuidar dos fios ?

Da influência hormonal aos cuidados diários, Christian Fagundes, técnico em terapia capilar e Keune Talent, esclarece o que muda no cabelo e quais hábitos podem ajudar a fortalecer a saúde capilar

 

A menopausa marca uma nova fase na vida da mulher e traz mudanças que vão além dos sintomas mais conhecidos, como as ondas de calor e alterações no sono. As transformações hormonais desse período também podem se refletir nos cabelos, que tendem a ficar mais finos, perder densidade e apresentar mudanças de textura. 

Estudos estimam que até 50% das mulheres podem apresentar alterações capilares durante a transição menopausal, incluindo a redução do volume dos fios. O assunto também vem ganhando espaço nas conversas públicas, com celebridades como Claudia Raia, Fernanda Lima, Eliana e Angélica compartilhando suas experiências e ajudando a ampliar o debate sobre as modificações que acompanham essa fase. 

Para mulheres que notam essas diferenças nas madeixas durante a menopausa, entender o que acontece com os fios e buscar orientação especializada são passos importantes. A seguir, o técnico em terapia capilar e Keune Talent, Christian Fagundes explica os principais pontos sobre o afinamento capilar nessa fase.

 

Por que o cabelo muda depois dos 40? 

A partir dos 40 anos, durante o climatério e a menopausa, muitas mulheres percebem oscilações na qualidade da fibra, como afinamento, ressecamento e diminuição do brilho. 

Grande parte disso está relacionada à baixa do estrogênio, hormônio que participa da regulação do ciclo de desenvolvimento do folículo capilar. Com esse declínio, sua fase de crescimento tende a ficar mais curta e pode passar a produzir estruturas mais finas e menos resistentes. 

Mas as alterações hormonais não explicam tudo. O envelhecimento natural do couro cabeludo também faz parte desse processo e pode ser potencializado por fatores acumulados ao longo da vida. 

"Com o passar dos anos, a renovação celular da raiz se torna mais lenta e os folículos passam a funcionar de forma menos eficiente. Este fator cria um ambiente menos favorável à formação de fios fortes, tornando-os mais suscetíveis ao afinamento, especialmente quando somados à predisposição genética, estresse, procedimentos químicos e falta de cuidado", comenta o Keune Talent. 

Por isso, o profissional reforça que o bem estar do local deve ser encarado como uma prática contínua, e não apenas como uma resposta quando os indícios iniciais de menor espessura aparecem. 

“É aí que o conceito de longevidade capilar surge como prevenção, não só como tratamento após os primeiros sinais de afinamento e perda de densidade surgem. Essa é uma tendência crescente, que foca no cuidado da região

cutânea e da fibra de forma contínua. O envelhecimento é um processo natural, mas a qualidade do cabelo ao longo dos anos também é influenciada pelo histórico de cuidados. Por isso, quanto antes adotamos uma rotina adequada, melhores são as condições para preservar a vitalidade e sua qualidade no futuro”, complementa.

 

O que realmente faz diferença nos cuidados diários 

Quando o assunto é a diminuição da espessura, a constância costuma ser mais importante do que soluções pontuais. Pequenas atitudes adotadas no dia a dia ajudam a criar condições mais favoráveis para a vitalidade dos fios. Higienizar com frequência adequada, massagear delicadamente a raiz ao longo da lavagem, evitar água muito quente e prevenir o acúmulo de resíduos de finalizadores estão entre as melhores escolhas.

"Hoje sabemos que um couro cabeludo saudável é a base para madeixas mais fortes. Quando essa região apresenta excesso de oleosidade, inflamação, descamação ou produto, todo o ciclo pode ser prejudicado. Cuidar dessa área deve fazer parte da rotina tanto quanto hidratar o comprimento”, explica o especialista. 

A decisão dos produtos também faz diferença. "Para cabelos que perderam densidade, costumo indicar o investimento em fórmulas fortalecedoras. O uso de séruns e de leave-ins também é essencial, principalmente aqueles que proporcionam uma sensação de maior corpo. Outra dica é reduzir a frequência de procedimentos químicos e ter cuidado com o uso de ferramentas térmicas", recomenda.

 

Como a cosmetologia acompanha as novas necessidades dos fios 

À medida que a compreensão sobre o envelhecimento capilar evoluiu, os cuidados também passaram a olhar além da superfície. Hoje, pesquisadores têm ampliado seus estudos para o espaço em que a raiz se desenvolve, buscando

tecnologias que complementam a jornada do tratamento. Entre essas inovações estão os peptídeos biomiméticos, pequenas cadeias de aminoácidos desenvolvidas para reproduzir sinais biológicos naturalmente presentes no organismo.

Diferentemente de ingredientes focados apenas para a aparência da fibra, esses ativos são estudados por sua interação com a base e seu potencial de auxiliar no fortalecimento do ecossistema do ciclo de crescimento. 

"Os peptídeos biomiméticos reproduzem sinais semelhantes aos encontrados naturalmente no corpo. Eles atuam como mensageiros, ajudando a criar um ambiente propício para a longevidade dos folículos", esclarece Christian. 

Esse ativo já é encontrado em tônicos e séruns voltados à aplicação no couro cabeludo. O especialista ressalta, no entanto, que eles fazem parte de uma estratégia mais ampla. "Fórmulas com peptídeos biomiméticos representam um avanço importante na cosmetologia, mas possuem melhor desempenho quando associados a uma rotina consistente e acompanhamento especializado", finaliza.


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