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Foto: Falcão Junior Joaquín Torres García - Rua e café, 1929. Coleção Airton Queiroz, Fortaleza, CE |
Mostra aproxima
modernismo latino-americano de artistas do acervo, como Athos Bulcão, Rubem
Valentim, Burle Marx e Dionísio del Santo
Ao trazer a mostra Joaquín Torres García - 150 anos
para a capital federal, o Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB Brasília),
viabiliza novas perspectivas para a Coleção de Arte Banco do Brasil, em
exposição permanente neste centro cultural. A relação entre as obras do artista
uruguaio e o acervo evidencia aproximações estéticas e conceituais marcadas
pela geometria, pelo modernismo latino-americano e pela valorização de matrizes
culturais do sul global.
Nas obras de Torres García, o uso de formas
geométricas buscava uma linguagem reconhecível a todos, ultrapassando fronteiras
culturais. Athos Bulcão, um dos artistas presentes na Coleção de Arte Banco do
Brasil, também explora a geometria como elemento estruturante, especialmente em
seus famosos painéis de azulejos que integram a arquitetura de Brasília, além
do uso de signos universais, como o pássaro e a estrela em seus grandiosos
mosaicos. A conexão entre os artistas também se realiza pelo contraste entre
eles no uso e função da estética geométrica: enquanto Torres García constrói um
sistema de pensamento, Bulcão cria experiências visuais no espaço.
Outro artista integrante da coleção de arte Banco
do Brasil é Roberto Burle Marx. Em suas pinturas traça uma ligação com a
“África de Torres García”, no que tange ao retorno ao “primitivo”, como
potência e não atraso. O artista uruguaio cria uma relação entre arte e território
com símbolos ligados ao continente, já Burle Marx trabalha com a matéria do
espaço físico, como a terra, as plantas e as cores. Para os dois, o “primitivo”
se torna base para uma construção moderna. Rubem Valentim também integra o
conjunto de obras conectadas com a mostra no eixo “africanidade” pela presença
dos signos e símbolos ancestrais africanos, reconfigurados pela estética
moderna.
Dionísio del Santo, pintor, gravador e serígrafo
capixaba, também é colocado à luz neste diálogo provocado pela mostra,
revelando sua riqueza plástica, geométrica abstrata, sintetizando elementos,
criando formas mínimas e ainda sim, reconhecíveis, como propunha Torres García,
no exercício entre a razão e a emoção.
A ideia de unir a mostra Joaquín Torres García - 150
anos com a Coleção de Arte Banco do Brasil coloca em evidência a importância da
valorização da cultura latino-americana, tão bem representada pela “América
invertida”. Um último exemplo é a linguagem coletiva e cheia de referências
culturais, presentes nos murais de Djanira da Motta e Silva, e o quanto
dialogam com as composições de Torres García, ao articular formas
simplificadas, estruturadas e simbólicas, criando uma estética que valoriza
tanto o cotidiano quanto elementos universais, aproximando suas obras da busca
por uma arte moderna enraizada no sul.
“Ao estabelecer um diálogo próprio com a Coleção de
Arte do Banco do Brasil e lançar um olhar sobre o tempo presente, a exposição
convida o público a reconhecer o valor da produção latino-americana a partir da
obra de Torres García, ampliando as leituras possíveis do nosso acervo
permanente”, afirma Camila Val, gerente-geral (em exercício) do
CCBB Brasília.
Já o idealizador e curador da exposição, Saulo di
Tarso, enfatiza a importância desse diálogo. “Essa mostra estabelece
conexões entre a produção de Torres García e o acervo do Banco do Brasil,
evidenciando afinidades que vão além da forma e alcançam ideias e contextos. Ao
aproximar esses trabalhos, o visitante é levado a perceber como diferentes trajetórias
artísticas se cruzam e ajudam a compreender a potência criativa da América
Latina”, afirma.
Selecionada no Edital CCBB 2023-2025 e viabilizada
por meio da Lei Rouanet, a exposição é patrocinada pela BB Asset, organizada e
produzida pela Cy Museum. A classificação indicativa é livre, e os ingressos
podem ser retirados na bilheteria ou pelo site bb.com.br/cultura.
Acessibilidade
A ação “Vem pro CCBB” conta com uma van que leva o
público, gratuitamente, para o CCBB Brasília, de quinta-feira a domingo. A
iniciativa reforça o compromisso com a democratização do acesso e a experiência
cultural dos visitantes. A van fica estacionada próxima ao ponto de ônibus da
Biblioteca Nacional.
O acesso é gratuito, mediante retirada de ingresso
no site, na bilheteria do CCBB ou ainda pelo QR Code da van. Lembrando que o
ingresso garante o lugar na van, que está sujeita à lotação, mas a ausência de
ingresso não impede sua utilização. Uma pesquisa de satisfação do usuário pode
ser respondida pelo QR Code que consta no vídeo de divulgação exibido no
interior do veículo. Mais informações em: Serviços Oferecidos | CCBB Brasília
Horário da van – De quinta-feira a domingo:
Biblioteca Nacional – CCBB: 13h, 14h, 15h,
16h, 17h, 18h, 19h e 20h.
CCBB – Biblioteca Nacional: 13h30, 14h30, 15h30,
16h30, 17h30, 18h30, 19h30, 20h30 e 21h30.
CY Museum
Empresa Organizadora da exposição no Brasil.
Especializada em projetos expositivos nacionais e internacionais. Prêmio APCA
2023 pela mostra de Marc Chagall: sonho de amor. Dirigida pela museóloga e
historiadora da arte Cynthia Taboada, PhD em Museologia.
Saulo di Tarso
Saulo di Tarso é curador, pesquisador e produtor
cultural, reconhecido por articular exposições que conectam tradição e inovação
na arte latino-americana. Idealizador e curador da mostra Joaquín Torres García
– 150 anos, em colaboração com o Museu Torres García, ele também foi
responsável pela museografia e produção multimídia da premiada exposição Marc
Chagall: sonho de amor (APCA 2023) e traduziu a obra poética completa de
Chagall para o português. Sua trajetória inclui curadorias em instituições como
Casa do Olhar Luis Sacilotto, Casa das Rosas, Paço das Artes, Paço Imperial,
Museu Afro Brasil, Galeria da Unicamp e Galeria Olido, além da criação da
Trienal Internacional de Grafias pelo Memorial da América Latina. Com
experiência em arte-educação, produção digital e pesquisa em arte
contemporânea, atuou em projetos ao lado de nomes como Emanoel Araújo,
Alexandre Wollner e Hans-Joachim Koellreutter, e participou de iniciativas
culturais e políticas, incluindo a coordenação de cultura na campanha
presidencial de Eduardo Campos e Marina Silva. Fundador da Tangram Museologia e
filiado ao ICOM-CIMAM, vive entre Brasil e Itália.
Ficha técnica
Realização: Ministério da Cultura
Patrocínio: BB Asset
Organização e Produção: Cy Museum
Curadoria: Saulo di Tarso com a colaboração do
Museo Torres García
Apoio Institucional: Museo Torres García
Coordenação Geral: Cynthia Taboada
Coordenação Editorial e Pesquisa: Helena Eilers,
Andrea Sousa e Xênia Bergman.
Projeto expográfico: Stella Tennenbaum
Serviço
Joaquín Torres García - 150
anos
Local: CCBB Brasília
Endereço: SCES Trecho 02, Lote 22, Edifício Tancredo Neves - Setor de Clubes Sul
– Galeria 5 e Pavilhão de Vidro
Data: até´ 21 de junho
Horário: Terça a domingo, das 9h às 21h (entrada até às 20h40)
Classificação: livre
Ingressos em www.bb.com.br/cultura
e na bilheteria do CCBB Brasília
Transporte gratuito de quinta a domingo, saindo da
Biblioteca Nacional
Gratuito
Itinerância
CCBB Brasília (31 de março a 21 de junho de
2026)
CCBB BH (15 de julho a 12 de outubro de 2026)