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terça-feira, 23 de junho de 2026

Norton revela os principais golpes que se interpõem entre você e férias livres de fraudes

De fraudes de falsificação de identidade impulsionadas por IA ao sequestro de reservas, a Norton identifica os golpes com maior tendência. 

 

A Norton, líder global em cibersegurança para o consumidor e parte da Gen (NASDAQ: GEN), lançou o "Scam Free Summer" para ajudar as pessoas a identificar e evitar os golpes que aumentam drasticamente durante as férias de meio de ano. O levantamento revela os períodos em que os golpistas costumam atuar com maior intensidade.

A Previsão de Golpes 2026 da Norton apresenta os principais tipos de fraudes que devem estar mais ativos durante a temporada de férias, com base na análise de milhões de tentativas de golpe bloqueadas pela Norton em 2024 e 2025, complementada pelos padrões de ameaças emergentes observados no início de 2026.

 

Por que as férias são um período de alta para alguns golpes?

“Os golpistas seguem o calendário”, afirma Leyla Bilge, Diretora Global de Pesquisa sobre Golpes na Norton. “É compreensível que as pessoas estejam distraídas, gastando mais com viagens e passagens e clicando em links de confirmação sem pensar duas vezes. O ‘Scam Free Summer’ oferece orientações para que os consumidores aproveitem as férias de meio de ano sem encher os bolsos dos golpistas”.

Os dados de ameaças da Gen no Brasil revelam as principais tendências:

  • Os golpes financeiros (incluindo fraudes com criptomoedas e investimentos) registraram um aumento de 199,7% em relação à média anual.
  • As fraudes de apostas dispararam 96,1% durante as férias de meio de ano, em comparação com a média do restante do ano.
  • As fraudes de extorsão (incluindo as fraudes de sextorsão) registraram um aumento de 60,1%, no mesmo período.
  • Os golpes de suporte técnico tiveram um incremento de 16,4%, durante a temporada de férias. 

Novidades em 2026: a IA está tornando o trabalho dos golpistas ainda mais sofisticado. A clonagem de voz tornou mais difíceis de detectar os golpes telefônicos de falsificação de identidade, e a tecnologia de deepfake tornou mais convincentes as fraudes românticas e os golpes de investimento. Vazamentos de dados estão contribuindo para o aumento dos golpes de sequestro de reservas, enquanto sites falsificados, projetados para imitar plataformas reais de reservas, casas de apostas esportivas e venda de ingressos, estão aparecendo por meio de anúncios pagos em mecanismos de busca, sendo muitas vezes indistinguíveis dos sites legítimos.

 

A previsão para férias sem fraudes

A equipe de inteligência de ameaças da Norton está monitorando as fraudes que estão circulando neste momento. As fraudes em tendência incluem:

  • Golpes de sequestro de reservas que utilizam o nome real do hotel, datas reais e um número de confirmação autêntico para redirecionar o pagamento para uma página falsa.
  • Sites falsos de venda de ingressos para shows, festivais ou eventos esportivos com ingressos esgotados, como o Mundial, que aparecem acima dos vendedores legítimos nos resultados de busca.
  • Golpes românticos impulsionados por IA, nos quais as videochamadas parecem reais (porque são, apenas não correspondem à pessoa do outro lado da linha).
  • Sites de apostas criados especificamente para grandes eventos esportivos, projetados para desaparecer em setembro antes que alguém perceba.

O relatório detalha um total de 10 golpes, cada um com dados de ameaças que explicam o aumento sazonal e passos específicos para evitá-los. O relatório completo “2026 Summer Scam Forecast” já está disponível (em inglês) em https://us.norton.com/blog/research/summer-scams.

 

Como se manter seguro

Para os consumidores que desejam proteção em tempo real contra essas ameaças, o Norton Genie oferece suporte. Integrado diretamente aos produtos da Norton Cyber Safety, o Genie analisa mensagens de texto, e-mails e sites em busca de padrões ocultos de golpes e identifica táticas sofisticadas que até mesmo o usuário mais atento pode deixar passar. Recursos-chave como Safe SMS, Safe Web e Safe Email sinalizam proativamente conteúdos suspeitos antes que possam causar danos, enquanto o Safe Call bloqueia automaticamente chamadas fraudulentas. Para quem acabar sendo vítima, o Norton 360 com LifeLock Ultimate Plus também inclui o Scam Support and Reimbursement (suporte e reembolso contra golpes) para ajudar na recuperação de valores perdidos. Também é possível usar o Genie no aplicativo da Norton no ChatGPT.

A Norton deseja a todos uma temporada de férias livre de golpes e compartilhará informações adicionais sobre inteligência de ameaças, comentários de especialistas e orientações ao consumidor ao longo de toda a temporada. 



Norton
https://br.norton.com.

 

Quem vai perder espaço para a IA não é quem tem menos estudo, é quem parou de estudar, afirmam especialistas

Educação executiva contínua emerge como estratégia de carreira e profissionais globais com repertório internacional estão um passo à frente.

 

A discussão sobre inteligência artificial e automação não é mais sobre substituição de empregos — é sobre quem consegue adicionar valor em contextos de decisão e resolução de problemas complexos. E a conclusão tem um ponto em comum: quem para de aprender tende a perder espaço, independentemente de formação acadêmica tradicional. 

“Não é falta de estudo formal que vai tirar oportunidades de alguém; é falta de aprendizado contínuo que o mercado vai penalizar”, afirma Luísa Vilela, CEO & co-founder da Laiob. 

Programas de educação executiva internacional — como os desenvolvidos em parceria com a Ohio University (EUA) e com a The University of Akron — combinam teoria, prática e networking com executivos do mundo todo.  

Segundo dados de alianças acadêmicas, mais de 7.000 profissionais já foram impactados por programas Laiob, distribuídos em diversas frentes — gestão, inovação, marketing, finanças e liderança estratégica.  

Esse tipo de repertório prepara líderes para ambientes onde as decisões rápidas, dados e contexto cultural global são tão críticos quanto conhecimento técnico básico. 

Luísa destaca que experiências internacionais de curta duração, como a imersão em Lisboa ou em Milão, amplificam esse repertório de forma acelerada: “A convivência com líderes de outras realidades, a discussão de cases globais e a exposição a práticas diferentes elevam as capacidades do participante.” 

Organizações em mercados competitivos apontam que líderes que investem em educação contínua tendem a se ajustar melhor a mudanças estruturais — desde inovações tecnológicas até transformação organizacional profunda. 

A educação executiva deixa de ser um parêntese na carreira e passa a ser um componente recorrente, ajustando repertório ao ritmo das transformações. 

Esse movimento é especialmente relevante para profissionais que atuam na interseção entre negócios e tecnologia — setores onde aprendizado constante não apenas agrega, mas sustenta a carreira ao longo do tempo. 

De acordo com Luísa, planejamento de carreira não pode mais ser linear: “É um ciclo contínuo de atualizações, experiências e construção de redes que sustentam o crescimento.”


Crédito do Trabalhador: valor médio das operações de consignado privado cai 73% um ano após a criação do novo modelo no Brasil, mostra Serasa Experian

Em meio à expansão do novo modelo, 8 em cada 10 trabalhadores que contrataram a modalidade comprometem mais de 81% da renda com dívidas

 

Um ano após a criação do Crédito do Trabalhador, o mercado de consignado privado passou por uma mudança significativa no perfil das operações realizadas no país. Dados proprietários da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil, mostram que apesar da forte expansão da modalidade, as instituições financeiras passaram a operar com contratos menores e prazos de pagamento mais curtos. Como resultado, o número de novos contratos saltou de cerca de 11 mil para mais de 25 mil no período analisado, enquanto o valor médio dos empréstimos caiu 73%, passando de R$ 8,6 mil para R$ 2,3 mil.

 

Segundo dados do Banco Central, o volume mensal liberado em consignado privado passou de R$ 1,5 bilhão para quase R$ 11 bilhões após a implementação do Crédito do Trabalhador. No mesmo período, a modalidade apresentou crescimento superior ao registrado em outras linhas de crédito, impulsionada pela ampliação do acesso ao consignado para trabalhadores CLT fora dos modelos tradicionais de convênio entre empresas e instituições financeiras.

 

Além disso, é possível identificar que a expansão do novo consignado foi acompanhada por uma mudança relevante na estrutura das operações. De acordo com o estudo inédito da Serasa Experian, o prazo médio dos contratos caiu 48% após a criação do programa, enquanto o número médio de instituições financeiras ofertando crédito por empresa foi de 4 para 21, indicando mais concorrência e a pulverização das concessões entre bancos.

 

“O Crédito do Trabalhador levou bancos e empresas a reorganizarem a lógica de concessão diante de um novo perfil operacional do mercado. O primeiro ano do programa mostrou que existia uma demanda reprimida entre trabalhadores CLT, ao mesmo tempo em que exigiu das instituições financeiras uma adaptação para ofertar crédito em um ambiente mais amplo e competitivo”, afirma Délber Lage, CEO da SalaryFits, empresa da Serasa Experian.


 

8 em cada 10 trabalhadores comprometem mais de 81% da renda com dívidas


O levantamento aponta ainda que 78% dos trabalhadores que contrataram o novo consignado possuem mais de 81% da renda comprometida com dívidas de empréstimos e outras obrigações financeiras.

 

Por fim, o estudo também indica que a adesão ao novo consignado foi mais intensa entre perfis com menor histórico de acesso ao crédito. Segundo a análise da datatech, 86% dos empréstimos foram contratados por trabalhadores posicionados nas faixas mais baixas do score de crédito, enquanto apenas 21% dos tomadores tinham pontuação acima de 600.

 

“É fundamental ressaltar que, à medida que o consignado passa a fazer parte da rotina financeira de mais trabalhadores, cresce também a importância de planejamento e educação financeira para garantir decisões mais conscientes na contratação do crédito”, conclui Délber.

 

Metodologia 


O estudo da Serasa Experian analisou 191.798 contratos de empréstimo consignado privado vinculados a 88 empresas. Foram consideradas operações realizadas até abril de 2026, envolvendo 61 instituições financeiras.

 

Experian

experianplc.com



Copa do Mundo: 5 frases em inglês para interagir com os gringos dentro e fora das redes sociais

A Copa do Mundo de 2026 promete ser a maior da história. Pela primeira vez, o torneio conta com 48 seleções e disputado em três países: Estados Unidos, Canadá e México. Entre as cidades-sede mais procuradas está a região de Nova York e Nova Jersey, que receberá a grande final da competição e deve atrair mais de 1,2 milhão de turistas e torcedores ao longo do evento.


Segundo estimativas do Comitê Organizador Local, a Copa deve gerar um impacto econômico de US$ 3,3 bilhões na região.Com turistas e torcedores vindos de diversas partes do mundo, o inglês se torna uma ferramenta importante não apenas para quem está nos Estados Unidos, mas também para aqueles que desejam participar das discussões online, comentar jogos e interagir com pessoas de diferentes nacionalidades.

Segundo André Belz, CEO da Rockfeller Language Center, dominar algumas expressões simples em inglês já é suficiente para que os brasileiros participem ativamente desse movimento global."A Copa do Mundo deixou de ser apenas um evento esportivo para se tornar uma grande conversa global. Hoje, torcedores comentam jogos em tempo real, criam memes, compartilham opiniões e interagem com pessoas de diferentes países pelas redes sociais. Conhecer algumas expressões em inglês permite que o brasileiro participe dessas conversas de forma mais natural e aproveite uma das experiências mais marcantes do torneio: a troca cultural.

Confira cinco expressões úteis que o especialista indica e que podem ajudar brasileiros a se comunicar durante a Copa, seja para fazer amigos nos estádios, pedir informações ou participar dos memes e debates que tomam conta das redes sociais.

1. "Who are you rooting for?"(Para qual time você está torcendo?)- O futebol costuma quebrar qualquer barreira cultural. Essa é uma das formas mais naturais de iniciar uma conversa com outros torcedores em bares, filas ou nas áreas de convivência dos estádios.

2. "Is there a good place nearby to watch the game?"(Tem algum lugar bom aqui perto para assistir ao jogo?)- Nem todos os jogos serão disputados na mesma cidade. Saber pedir indicações de bares, fan fests e espaços de transmissão pode ajudar o turista a encontrar ótimos programas durante a viagem.

3. "Can I get a burger and a soda, please?" (Posso pedir um hambúrguer e um refrigerante, por favor?) - Uma das frases mais úteis para quem deseja fazer um pedido rápido em lanchonetes, food trucks ou restaurantes próximos aos estádios.

4. “What's your prediction for the final?"(Qual é o seu palpite para a final?)- A Copa também é feita de apostas, expectativas e discussões sobre favoritos. Essa pergunta pode render boas conversas com estrangeiros e gerar engajamento nas redes sociais.

5. "Where is the nearest subway station?"(Onde fica a estação de metrô mais próxima?)- O transporte público é uma das formas mais práticas de circular por Nova York. Saber pedir orientações pode evitar atrasos e facilitar o deslocamento entre atrações turísticas e locais de jogos.Belz reforça ainda que eventos globais como a Copa representam uma oportunidade única para praticar o idioma em situações reais e espontâneas.

"O futebol cria conexões instantâneas entre pessoas que muitas vezes não compartilham a mesma cultura ou nacionalidade. Quando o brasileiro consegue se comunicar, mesmo que com frases simples, ele amplia sua experiência, cria novas relações e aproveita o evento de uma forma muito mais completa", finaliza.

 

Do atraso na entrega ao INCC: os principais abusos enfrentados para comprar um imóvel

Decisões recentes reforçam a proteção ao consumidor em disputas envolvendo construtoras, desde atrasos na entrega até cobranças indevidas e falhas estruturais

 

Comprar um imóvel na planta continua sendo um dos maiores investimentos financeiros para a maioria das famílias brasileiras, mas também uma das principais fontes de conflitos no mercado imobiliário. Atrasos na entrega, falhas construtivas, promessas não cumpridas e cobranças indevidas estão entre os problemas que mais levam compradores à Justiça.

Nos últimos anos, decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) vêm consolidando entendimentos que ampliam a proteção aos consumidores e reforçam a responsabilidade de construtoras e incorporadoras.

Segundo o advogado especialista em Direito Imobiliário Daniel Vicentini, embora o Código de Defesa do Consumidor já seja amplamente aplicado ao setor, muitos compradores ainda desconhecem a extensão de seus direitos. “Muitos consumidores acreditam que, depois de assinar o contrato, ficam totalmente sujeitos às condições impostas pela construtora. Mas diversas cláusulas podem ser questionadas quando geram desequilíbrio ou desvantagem excessiva”, afirma.

Além dos atrasos, cobranças indevidas também estão entre as principais reclamações. Um dos pontos que exige atenção é a aplicação do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), utilizado para corrigir contratos de imóveis na planta.

Segundo Vicentini, muitos consumidores acabam pagando valores além do devido por desconhecerem as regras contratuais e legais. “Em alguns casos, o comprador pode estar pagando INCC, juros de obra ou outras cobranças indevidas sem perceber. Dependendo da situação, esses valores podem ser discutidos judicialmente”, explica.

Outro foco recorrente de litígio está na entrega do imóvel em condições diferentes das prometidas. Divergências de metragem, acabamento inferior ao contratado, infiltrações, rachaduras e problemas elétricos estão entre as reclamações mais comuns.

Além disso, materiais publicitários e promessas feitas durante a venda também possuem relevância jurídica. “O que foi prometido ao consumidor durante a comercialização integra a relação de consumo. Se houver descumprimento, o comprador pode exigir reparação ou indenização”, diz o especialista.

Apesar do avanço no entendimento dos tribunais, o especialista avalia que a judicialização ainda está abaixo do volume real de problemas enfrentados pelos compradores. “Muitas práticas continuam acontecendo porque boa parte dos consumidores ainda não busca seus direitos”, afirma.

Para reduzir riscos, especialistas recomendam que compradores mantenham organizados contratos, materiais publicitários, registros de negociação, comprovantes de pagamento e documentos de vistoria.

 


Fonte:

Daniel Vicentini - advogado especialista em Direito Imobiliário, sócio do escritório Vicentini Advogados, com atuação em revisão de contratos imobiliários, defesa do consumidor e litígios contra incorporadoras e construtoras.


O ativo mais valioso da sua empresa não está no balanço patrimonial

Quando empresários falam sobre crescimento, normalmente a conversa gira em torno de vendas.

Quando investidores falam sobre crescimento, a conversa costuma ser diferente.

Eles observam ativos.

Ativos que geram valor continuamente.

Ativos que reduzem dependências.

Ativos que aumentam a capacidade de crescimento da empresa ao longo do tempo.

É por isso que algumas organizações conseguem crescer mesmo em cenários adversos, enquanto outras entram em modo de sobrevivência ao primeiro sinal de turbulência.

A diferença raramente está apenas no faturamento.

Ela está nos ativos construídos ao longo da jornada.

Marca.

Comunidade.

Relacionamento.

Distribuição.

Tecnologia.

Influência.

Confiança.

Esses são ativos que não aparecem integralmente em uma planilha financeira, mas que impactam diretamente a capacidade de uma empresa crescer, atrair talentos, conquistar clientes e abrir novos mercados.

Muitas empresas investem anos tentando otimizar campanhas.

Poucas investem anos construindo ativos.

E existe uma diferença enorme entre essas duas estratégias.

Campanhas geram resultado.

Ativos geram vantagem competitiva.

Campanhas precisam ser renovadas.

Ativos acumulam valor.

Campanhas podem ser copiadas.

Ativos são muito mais difíceis de replicar.

Talvez a pergunta mais importante para um CEO hoje não seja:

"Como podemos crescer mais?"

Mas sim:

"Quais ativos estamos construindo que tornarão nosso crescimento inevitável nos próximos anos?"

As empresas que dominarão a próxima década não serão necessariamente aquelas que venderem mais hoje.

Serão aquelas que estiverem construindo os ativos certos enquanto seus concorrentes ainda estão olhando apenas para os números do próximo trimestre.

 


Neto Angel - PR Digital - SEO - Marketing
Growth Architect Estratégia, Expansão e Novos Motores de Crescimento


Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/o-ativo-mais-valioso-da-sua-empresa-n%C3%A3o-est%C3%A1-balan%C3%A7o-neto-angel-wd5if/


Depois da Fictor no Palmeiras, a EQR Capital estampa a camisa do Santos sem pagar investidores

A EQR Capital fechou contrato de patrocínio master com o Santos Futebol Clube prometendo aos investidores rentabilidade de até 30% ao ano. A garantia, segundo seus próprios diretores, seria única no mercado: imóveis reais por trás de cada aplicação. 

O acordo, firmado por R$ 5 milhões, colocou o nome da empresa na camisa de um dos clubes mais tradicionais do futebol brasileiro justamente quando as primeiras reclamações de investidores começavam a ganhar visibilidade. Hoje, os controladores da EQR são alvo de duas investigações distintas: uma conduzida pela Polícia Civil por suspeita de estelionato e outra na esfera federal, aberta a pedido do Ministério Público Federal, para apurar possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional. 

O episódio está longe de ser uma novidade no futebol brasileiro. Antes da EQR, a Fictor ocupou espaço semelhante ao estampar a camisa do Palmeiras enquanto oferecia investimentos com promessas de elevada rentabilidade por meio de Sociedades em Conta de Participação, modelo que não se submete à regulação da Comissão de Valores Mobiliários. O resultado é conhecido. A empresa acumula atualmente mais de R$ 4 bilhões em dívidas e cerca de 13 mil credores, depois de utilizar a credibilidade associada à marca do clube para transmitir uma sensação de segurança que os fatos posteriores demonstraram inexistente. 

Mas o caso mais emblemático talvez não esteja em outro clube. Está na própria história do Santos. 

Em fevereiro de 2000, o clube firmou contrato de patrocínio com o Alpha Club, empresa de marketing multinível que prometia descontos em produtos de luxo mediante adesão equivalente a 28 salários mínimos da época. Naquele momento, o Ministério Público e as Polícias Civis de São Paulo e do Rio de Janeiro já investigavam a empresa por suspeitas de pirâmide financeira. Ainda assim, após uma reunião que durou mais de três horas, a diretoria santista decidiu manter o contrato.

Na ocasião, o diretor jurídico do clube minimizou publicamente as denúncias, argumentando que o número de reclamações era insignificante diante da quantidade de associados da empresa. Poucos meses depois, em maio daquele ano, a Justiça determinou a suspensão das atividades do Alpha Club. O Santos já havia lançado seu uniforme oficial com a marca da empresa estampada no peito. 

Passados vinte e seis anos, o roteiro parece se repetir com pequenas adaptações. As reclamações públicas envolvendo a EQR seguem o padrão clássico observado em diversas fraudes financeiras estruturadas. Os rendimentos prometidos costumam ser pagos inicialmente, fortalecendo a confiança dos investidores e estimulando novas captações. O problema surge quando chega o momento da devolução do principal investido. 

Há relatos de investidores que receberam regularmente os rendimentos mensais, mas jamais conseguiram reaver o valor originalmente aplicado. Outros afirmam que as garantias imobiliárias prometidas em contrato simplesmente não existiam quando verificadas junto aos cartórios competentes. 

A própria estrutura societária da empresa desperta questionamentos. Embora a EQR mantenha fundos regularmente registrados na CVM, documentos da autarquia indicam que esses veículos não concentram o volume de investidores que a companhia afirma possuir publicamente. A captação, segundo os elementos disponíveis, ocorre principalmente por meio de instrumentos como contratos de mútuo, debêntures e cotas de consórcio. 

Também chama atenção o crescimento acelerado do capital social da holding controladora, que saltou de R$ 40 mil para mais de R$ 100 milhões em menos de dois anos. Pouco antes de uma nova emissão de dívida, o controle societário foi transferido para uma offshore sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. 

Questionado sobre os critérios de compliance adotados para a celebração da parceria, o Santos optou pelo silêncio. A postura remete ao episódio de 2000, quando as preocupações existentes não impediram a manutenção do contrato nem geraram esclarecimentos públicos sobre os riscos envolvidos. 

Até o momento, não há sinais de que o clube tenha submetido a EQR a uma análise rigorosa antes da assinatura do acordo. Um programa de compliance minimamente eficiente não precisa de uma investigação aprofundada para identificar sinais de alerta em uma empresa que promete garantias supostamente únicas no mercado, capta recursos fora dos ambientes tradicionalmente supervisionados pelo Banco Central e pela CVM e já acumulava reclamações públicas de investidores. 

Na análise que realizamos da operação, utilizando critérios técnicos empregados na identificação de fraudes financeiras estruturadas, a empresa reprova nos principais filtros de avaliação. 

Há dúvidas relevantes sob o aspecto regulatório, uma vez que o modelo de captação adotado suscita questionamentos sobre a necessidade das autorizações normalmente exigidas para ofertas públicas de investimento. A sustentabilidade econômica também merece atenção, pois os relatos disponíveis e os indícios observados sugerem uma estrutura cuja continuidade aparenta depender da entrada constante de novos recursos para honrar compromissos assumidos anteriormente. 

As garantias apresentadas tampouco resistem a uma análise mais cuidadosa. Em diversos casos examinados, os imóveis apontados como lastro não demonstraram correspondência adequada, seja em valor, seja em titularidade, com as informações constantes dos registros públicos. 

Quando uma instituição centenária empresta sua camisa a uma operação que não supera verificações tão elementares, ela faz mais do que vender um espaço publicitário. Transfere para aquela empresa um ativo muito mais valioso do que qualquer contrato de patrocínio: a confiança do torcedor. E, quando essa confiança é utilizada para conferir aparência de legitimidade a negócios cercados de dúvidas, a conta costuma chegar muito depois dos aplausos da apresentação oficial.

 


Jorge Calazans - advogado especializado na defesa de investidores vítimas de fraudes financeiras, sócio do escritório Calazans & Vieira Dias Advogados e autor do livro “Arquitetura da Fraude”.


Dia do Imigrante: acolher quem chega não é escolha, é dever

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O Dia do Imigrante (25/6) é uma oportunidade para refletirmos sobre os deslocamentos humanos para além das fronteiras geográficas. Migrar envolve expectativas e projetos de vida, mas também revela contradições de uma realidade marcada por desigualdades e pela fragilidade das redes de proteção. 

O Brasil foi historicamente constituído por diferentes fluxos migratórios. Hoje, milhares de pessoas chegam ao país em busca de melhores oportunidades, muitas vezes fugindo de conflitos, crises econômicas ou situações de extrema vulnerabilidade. 

Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o país abriga pouco mais de 2 milhões de pessoas de outras nacionalidades, entre residentes, temporários, refugiados e solicitantes de reconhecimento da condição de refugiado, de aproximadamente 200 países. Entretanto, apenas cerca de 414 mil estão inseridas formalmente no mercado de trabalho. 

A urgência pela sobrevivência, as barreiras linguísticas e culturais, o desconhecimento da legislação e as dificuldades de acesso às redes de apoio deixam muitos estrangeiros expostos à exploração, à informalidade e a vínculos ocupacionais marcados por baixos salários e ausência de garantias sociais e trabalhistas. 

Esse cenário está relacionado a um processo mais amplo de enfraquecimento da proteção social. A chamada desertificação dos direitos sociais, associada à perda de garantias trabalhistas, favorece a expansão da informalidade, que hoje alcança cerca de 40 milhões de brasileiros, e cria condições para diferentes formas de escravização contemporânea. A precarização, nesse sentido, deixa de ser exceção e passa a ser naturalizada como parte das relações de trabalho. 

Por isso, acolher quem atravessa fronteiras significa reafirmar que direitos não podem depender da origem ou nacionalidade. Uma sociedade democrática precisa garantir mecanismos de integração e combater práticas que submetem pessoas a processos exploratórios e/ou de exclusão.  

Esse compromisso exige políticas públicas específicas para a população migrante, com ações nas áreas de assistência social, saúde, educação, regularização documental, moradia e inserção profissional, além do fortalecimento da fiscalização contra violações que atingem trabalhadores brasileiros e estrangeiros. 

Garantir que aqueles que chegam ao país possam reconstruir suas trajetórias é parte da construção de uma democracia que não transforme a vulnerabilidade em destino. 

  


Reginaldo Ghiraldelli - doutor em Serviço Social e organizador da obra Trabalho e (Des)Proteção Social no Brasil (Cortez Editora).


A Inteligência Artificial na implementação e avanços em ESG


Num primeiro momento, é possível que muitos não percebam bem a relação e se perguntem o que a Inteligência Artificial tem a ver com ESG. Quando pensamos na infinidade de dados gerados por qualquer operação, sabemos que o trabalho de análise desses dados pode perfeitamente ser feito por uma pessoa. Porém, o recurso humano também pode ser perfeitamente mais bem aproveitado para desenhar estratégias a partir das análises feitas pela IA, que, diga-se de passagem, faria isso em muito menos tempo. Portanto, a questão aqui é muito mais de otimização de recursos.

Como acontece com tudo na vida, existem prós e contras no uso da IA, claro. E não é de hoje que os grandes empresários, os mais inovadores e, principalmente, os que permanecem por mais tempo num mercado altamente volátil, já se deram conta de que não vale a pena nem resistir às mudanças nem focar no lado negativo, nas ameaças. Conhecê-las é uma questão de sobrevivência, mas colocar atenção em criar oportunidades é ainda mais vital.

Trazendo essa visão para os negócios de impacto, o cenário não é diferente. Para ser sustentável de maneira abrangente, e não apenas para o próprio negócio, uma empresa precisa ter disponíveis as informações mais precisas possíveis sobre cada área que afeta o seu resultado. Em especial, os indicadores que mostram, de maneira objetiva, o seu impacto positivo em cada letra da sigla ESG.

Para o Meio Ambiente, a IA pode trazer benefícios para o monitoramento ambiental. Isto é, a tecnologia pode ser usada para acompanhar, em tempo real, a qualidade do ar, da água e do solo, permitindo que as empresas identifiquem e solucionem problemas de forma mais rápida e eficiente. Na gestão de recursos, a IA pode otimizar o uso de eletricidade e água, por exemplo, reduzindo o consumo e as emissões de gases de efeito estufa. E também pode ser um importante aliado para desenvolver e aprimorar tecnologias de energia renovável, agricultura sustentável e outros campos relacionados ao meio ambiente.

No que diz respeito ao âmbito Social, a IA pode contribuir para a gestão da cadeia de suprimentos, ajudando as empresas a identificar e eliminar violações de direitos humanos e práticas trabalhistas abusivas em suas cadeias de suprimentos. Além disso, pode ser usada para promover a diversidade e a inclusão no local de trabalho, por exemplo, através de ferramentas de recrutamento e seleção imparciais, assim como para identificar e prevenir riscos à saúde e segurança dos trabalhadores.

Para a Governança, a tecnologia pode auxiliar as organizações a identificar e gerenciar riscos climáticos, regulatórios e de corrupção. Também pode fornecer insights para auxiliar na tomada de decisões estratégicas relacionadas aos critérios ESG. Por meio da IA, é possível melhorar a comunicação, e promover e aumentar a transparência das empresas em relação ao seu desempenho em todas as áreas, por exemplo, através da geração de relatórios automatizados.

Agora pensando na cadeia de alimentos e em como reduzir o desperdício, a Inteligência Artificial pode: ajudar a criar e monitorar uma efetiva estratégia ESG que contemple, entre outros pontos, dar maior visibilidade de onde surgem as perdas e o desperdício, para que seja possível eliminar essas fontes ou, ao menos, reduzi-las; fornecer a informação necessária para a geração de treinamentos específicos para os colaboradores direta e indiretamente envolvidos no fluxo das perdas e do desperdício; e mapear os impactos ambientais dos excedentes antes e depois de serem transformados em alimento bom para ser doado.

Tudo isso tem o potencial de gerar cada vez mais inovação de maneira realmente sustentável. Por isso, nunca é demais lembrar que é muito importante que a matriz de materialidade das empresas de toda a cadeia de produção alimentícia, considere seus excedentes como alimentos, e não como resíduos. Afinal, esses artigos que, por qualquer motivo, deixam de poder ser comercializados não têm mais vida econômica, mas ainda têm uma vida social.

 

Alcione Pereira - Com formação em Engenharia de Alimentos, Mestrado em Sustentabilidade e MBA em Gestão Empresarial, Alcione Pereira é Fundadora e CEO da Connecting Food – uma foodtech de impacto socioambiental que trabalha na gestão inteligente de doações de alimentos excedentes. Além disso, ela é co-idealizadora do Movimento Todos à Mesa, primeira coalizão de empresas brasileiras unidas para a redução do desperdício de alimentos e combate à fome, e cofundadora do Pacto Contra a Fome, um movimento suprapartidário e multissetorial que tem como propósito contribuir para o combate à fome e para a redução do desperdício de alimentos no Brasil. Também atua como consultora técnica em projetos relacionados à cadeia de suprimentos humanitária, incluindo a redistribuição de alimentos oriundos do desperdício, para a FAO/ONU e Ministério da Cidadania.


Connecting Food
Saiba mais sobre a empresa clicando aqui.


Confira a lista de obras obrigatórias da Fuvest 2027 para iniciar os estudos

Magnific
O professor de Português do Sistema Anglo de Ensino, Maurício Soares da Silva Filho, destaca que a leitura antecipada das obras permite aos estudantes iniciarem a preparação com mais tranquilidade, organização e aprofundamento

 

A Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), principal porta de entrada para a Universidade de São Paulo (USP), divulga anualmente uma lista de obras obrigatórias que devem ser lidas pelos candidatos. Com títulos que abordam diferentes questões sociais e culturais, pelo segundo ano consecutivo a seleção é composta exclusivamente por obras escritas por mulheres.

 

Para Mauricio Soares da Silva Filho, professor de Português do Sistema Anglo de Ensino, o contato com a literatura exigida pela Fuvest deve começar ainda nos primeiros anos do Ensino Médio. Além de proporcionar o conhecimento necessário para a prova, o hábito da leitura contribui para a compreensão de textos e enunciados em outras disciplinas.

 

“Ler não deve ser visto como algo penoso ou apenas como uma obrigação escolar. Trata-se de um processo enriquecedor, com obras variadas e de qualidade, capazes de dialogar com diferentes perfis de leitores. A questão da mulher, em distintas épocas e visões de mundo, atravessa toda a lista e amplia a formação cultural dos estudantes”, afirma o educador.

 

O professor também destaca que a escolha de um conjunto formado exclusivamente por autoras representa uma importante valorização de escritoras que, historicamente, receberam menos atenção nos currículos escolares e acadêmicos. 

 

“Após décadas de silenciamento, estudar obras escritas por mulheres contribui para que o aluno compreenda a importância de ampliar vozes e perspectivas. Essa valorização impacta sua formação como leitor e como cidadão”, pontua.

 

Reunindo autoras de diferentes épocas e países de língua portuguesa, a lista da Fuvest 2027 contempla obras que dialogam com questões históricas, sociais, políticas e existenciais. Para auxiliar os estudantes na preparação, Maurício destaca os principais temas e características de leitura presentes em cada um dos títulos exigidos. Confira!

 

Opúsculo Humanitário – Nísia Floresta

Publicado em 1853, Opúsculo Humanitário reúne 62 artigos, alguns deles anteriormente divulgados em periódicos como O Diário do Rio de Janeiro e O Liberal. 

Os textos abordam temas como a opressão feminina e a importância da educação para as mulheres. Ao retratar a realidade da época, a autora critica as limitadas perspectivas oferecidas ao público feminino, cuja formação era frequentemente direcionada apenas às atividades domésticas.

Ao longo da obra, Nísia Floresta apresenta um panorama da atuação das mulheres em diferentes culturas e períodos históricos, defendendo a educação como instrumento de cidadania e transformação social.

 

Nebulosas – Narcisa Amália

Publicado em 1872, Nebulosas é um livro de poemas representativo do Romantismo brasileiro. Na obra, Narcisa Amália dialoga com importantes autores do período, como Castro Alves.

Entre os diversos temas abordados, destacam-se a melancolia e a poesia afetiva, marcas do estilo da autora. Os poemas também apresentam características das três gerações românticas, reunindo elementos como nacionalismo, subjetividade e críticas sociais.

Segundo o professor, a linguagem utilizada pode representar um desafio para os vestibulandos. “O livro apresenta uma linguagem bastante erudita e versos que exigem atenção do leitor, o que pode tornar a leitura mais desafiadora para alguns estudantes”, explica.

 

Memórias de Martha – Júlia Lopes de Almeida

Escrito por Júlia Lopes de Almeida, uma das romancistas mais importantes e lidas da Primeira República, Memórias de Martha foi publicado em 1899.

A obra narra a trajetória de Martha, jovem que vê a mãe assumir sozinha a responsabilidade financeira da família após a morte injusta do pai, acusado de roubo. Ao se mudar para um cortiço no Rio de Janeiro, ela passa a conviver com problemas sociais que permanecem atuais, como a pobreza e a desigualdade.

A educação surge como elemento central em sua trajetória, tornando-se uma ferramenta de ascensão e transformação. Ao longo da narrativa, a autora evidencia como as desigualdades sociais e os privilégios influenciam o destino dos indivíduos. “Martha narra sua história aos 32 anos, revisitando a própria infância e refletindo sobre sua relação com a mãe, seu processo de autoconhecimento e as estratégias de sobrevivência em uma sociedade marcada pelo machismo”, analisa o especialista.

 

Caminho de Pedras – Rachel de Queiroz

Publicado em 1937, Caminho de Pedras retrata a formação do Partido Comunista no Ceará em um período de intensa mobilização política no Brasil. “É uma narrativa marcada por uma forte dimensão social, que aborda as demandas dos trabalhadores e a luta por melhores condições de vida e trabalho. Ao mesmo tempo, a trama também desenvolve uma história de amor permeada por questões políticas”, comenta o professor.

A autora articula o contexto político por meio do triângulo amoroso entre Roberto, Noemi e João Jacques. A participação de Noemi nas atividades políticas rompe com os padrões sociais da época, que restringiam o papel feminino ao casamento e à maternidade.

 

A Paixão Segundo G.H. – Clarice Lispector

Publicado em 1964, A Paixão Segundo G.H. acompanha a experiência transformadora vivida por uma mulher ao se deparar com uma barata no quarto de sua empregada doméstica.

O encontro desencadeia uma profunda reflexão existencial e conduz a personagem a um intenso processo de autoconhecimento. “É um livro intimista e reflexivo, marcado pelo fluxo de consciência. Trata-se de uma obra impactante, que proporciona uma experiência de leitura desafiadora e fundamental para a formação do leitor”, destaca Maurício. 

A obra também suscita reflexões sobre questões raciais e sociais, especialmente ao evidenciar a invisibilidade da empregada doméstica na percepção da protagonista.

 

Geografia – Sophia de Mello Breyner Andresen

Em Geografia, a poeta portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen reúne poemas que exploram diferentes espaços físicos e simbólicos, reorganizando a percepção do lugar e da relação do ser humano com o mundo.

Com forte musicalidade e frequentes referências à natureza, a autora constrói uma poesia lírica marcada pela contemplação e pela reflexão. O professor destaca que um dos poemas aborda Brasília, criando um interessante diálogo entre a autora portuguesa e a realidade brasileira por meio da arquitetura e da construção da cidade.

 

Balada de Amor ao Vento – Paulina Chiziane 

Considerada uma das principais vozes da literatura moçambicana, Paulina Chiziane foi a primeira mulher a publicar um romance em Moçambique e tornou-se a primeira mulher negra a receber o Prêmio Camões.

Em Balada de Amor ao Vento, a narradora Sarnau revisita suas memórias para contar ao leitor sobre a juventude, o primeiro amor e as desilusões afetivas que marcaram sua trajetória. “A obra amplia a formação cultural do estudante ao apresentar aspectos da sociedade moçambicana e discutir temas como a poligamia, prática ainda presente em algumas regiões do país. Além disso, traz reflexões sobre a relação linguística e cultural entre Moçambique e Portugal”, explica Maurício.

 

Canção para Ninar Menino Grande – Conceição Evaristo

Publicado em 2018, o romance apresenta a história de Fio Jasmin, homem negro constantemente cercado por mulheres, apesar de ser casado. Ao longo da narrativa, a autora mostra como experiências traumáticas da infância influenciaram sua construção afetiva e seus relacionamentos na vida adulta. Para o professor, a obra propõe uma reflexão sobre a masculinidade negra sob a perspectiva de uma autora e narradora mulheres. “O livro questiona estereótipos associados à virilidade masculina e oferece uma leitura crítica sobre a construção social da identidade masculina negra”, observa.

 

A Visão das Plantas – Djaimilia Pereira de Almeida

A escritora luso-angolana Djaimilia Pereira de Almeida apresenta a história de Celestino, ex-traficante de escravos que retorna a Portugal e passa a viver isolado, marcado pela rejeição social e pelo peso de seu passado. 


Enquanto cultiva flores e tenta reconstruir a própria vida, o personagem é constantemente confrontado com as consequências de seus atos. Segundo Maurício, a narrativa funciona como uma alegoria do Império Português e promove reflexões sobre memória, responsabilidade histórica e reparação. “É uma leitura exigente, que demanda do leitor repertório histórico para compreender plenamente as camadas simbólicas presentes na obra”, conclui. 

 

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