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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Avião Solidário da LATAM conecta instituições em ação para preservar macacos-aranha ameaçados de extinçã

Voo direto da LATAM reduziu em cerca de 10 horas
o deslocamento em relação ao transporte terrestre.
Divulgação
LATAM
Operação gratuita do Avião Solidário levou os animais de Sorocaba (SP) a Cascavel (PR), onde integrarão projeto coordenado pela AZAB, ICMBio e Ministério do Meio Ambiente


 

O Avião Solidário da LATAM transportou gratuitamente duas fêmeas de macaco-aranha-de-testa-branca (Ateles marginatus), espécie ameaçada de extinção, para uma nova etapa do programa nacional de conservação da fauna brasileira. A operação foi realizada em voo direto entre Guarulhos (SP) e Foz do Iguaçu (PR), reduzindo em cerca de 10 horas o tempo de deslocamento em comparação ao transporte terrestre.
 

Os animais, mãe e filha, nasceram no Parque Zoológico Municipal "Quinzinho de Barros", em Sorocaba (SP), e seguiram para o Zoológico Municipal de Cascavel (PR), instituição integrante do Projeto de Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção, desenvolvido no âmbito do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB), o ICMBio e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
 

"O Avião Solidário existe para colocar a estrutura e a conectividade da LATAM a serviço de iniciativas que geram benefícios para a sociedade. É muito importante para nós seguir apoiando o transporte de animais destinados a programas de conservação que contribuem com a preservação da fauna brasileira", afirma Raquel Argentino, gerente de Sustentabilidade e Impacto Social da LATAM Airlines Brasil.
 

“As duas fêmeas passarão por um período de quarentena, durante o qual serão acompanhadas por equipes técnicas para adaptação ao novo ambiente, monitoramento clínico, ajustes na alimentação e integração gradual ao manejo da instituição. Concluída essa etapa e após liberação veterinária, elas passarão a compartilhar o recinto com outra fêmea da mesma espécie já mantida pelo zoológico”, explica a Bióloga do Zoológico de Cascavel, Vanilce Pereira. 


PARCERIA PELA CONSERVAÇÃO 

O macaco-aranha-de-testa-branca é uma espécie endêmica da Amazônia brasileira e está classificada como ameaçada de extinção, principalmente em razão da perda de habitat e da fragmentação das florestas. 

A transferência das duas fêmeas faz parte de uma estratégia nacional de conservação voltada ao manejo integrado da espécie sob cuidados humanos, contribuindo para o fortalecimento da diversidade genética das populações mantidas em instituições participantes do programa.
 

Para o Zoológico Municipal de Cascavel, receber os animais representa mais um passo no compromisso da instituição com a conservação da fauna brasileira, colaborando diretamente com uma iniciativa coordenada em âmbito nacional para a preservação de espécies ameaçadas.
 

AVIÃO SOLIDÁRIO: CONECTIVIDADE A SERVIÇO DO BRASIL
 

Há 14 anos, o Avião Solidário utiliza a conectividade e a capacidade logística da LATAM para apoiar iniciativas sociais, ambientais e humanitárias em diferentes regiões do Brasil.

 

Desde a criação do programa, a companhia já transportou gratuitamente 868 toneladas de cargas, 4,6 mil animais em ações de conservação e 282 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19. 

Somente em 2025, o Avião Solidário transportou 48 toneladas de doações e 835 voluntários envolvidos em ações sociais e ambientais realizadas em diferentes regiões do país. 

Atualmente, o programa mantém parcerias com organizações como Amigos do Bem, Movimento União BR, Gastromotiva, SOS Mata Atlântica e AZAB, entre outras instituições que desenvolvem projetos de interesse público. 

Ao aproximar regiões, organizações e profissionais, o Avião Solidário amplia o alcance de iniciativas voltadas à conservação da biodiversidade, à assistência humanitária e ao desenvolvimento social, colocando a conectividade da LATAM a serviço da sociedade brasileira.



GRUPO LATAM
ir.latam.com
www.latam.com


Pessoas em situação de rua ganham possibilidade de recomeço com cursos de qualificação na área de serviços

 As formações, oferecidas pelo Sefras, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, terão aula inaugural no próximo dia 17

 

No próximo dia 17 (segunda-feira), pessoas em situação de rua da região central do Rio de Janeiro terão uma nova oportunidade de transformar suas vidas. O Sefras – Ação Social Franciscana, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, dará início aos seus cursos de qualificação na área de serviços, no âmbito do projeto Trilhas da Autonomia – Das Ruas para a Cidadania. Os 10 participantes da primeira turma, 8 homens e 2 mulheres na faixa de 30 a 45 anos, aprenderão sobre o ofício de garçom, além de aulas sobre habilidades socioemocionais, trabalho decente e educação financeira, em uma jornada que terá duração de 10 dias. A aula inaugural será ministrada pela psicopedagoga Daniela Matos, especialista em Neurociência da Aprendizagem e responsável pelo desenvolvimento do conteúdo pedagógico de todos os cursos do projeto.

Para Daniela Matos, a metodologia do projeto rompe com modelos tradicionais de ensino e se inspira na educação popular de Paulo Freire, sendo esse seu grande diferencial. “Pode parecer que o tempo de aula que propusemos é pouco tempo, mas tudo foi pensado para nos adequarmos a esse público”, comenta. A psicopedagoga também ressalta a importância da preparação dos instrutores que atuarão nos cursos: “Teremos uma ambientação pedagógica para os profissionais, antes do início das aulas, além de apresentações sobre o projeto Trilhas da Autonomia e o Sefras e outra sobre especificidades dos participantes dos cursos. Criar vínculos faz parte do acolhimento e ajuda no processo pedagógico”, finaliza.

Situado no Centro do Rio de Janeiro, o Trilhas da Autonomia tem como objetivo promover acolhimento, qualificação profissional, inclusão produtiva e acesso a direitos para pessoas em situação de rua, ampliando as oportunidades de acesso ao mercado formal de trabalho. O projeto prevê ainda a sensibilização e articulação com empresas para ampliar a contratação desse público, além de acompanhamento psicossocial dos participantes durante o processo de inserção no mercado de trabalho. Até janeiro de 2029, o Trilhas da Autonomia espera alcançar cerca de 2000 pessoas. Estão previstas 14 turmas para cada uma das formações oferecidas pelo projeto, entre elas técnicas básicas de cozinha, panificação básica e técnicas de limpeza e governança (camareiras).

 

Dados reforçam a importância do projeto

O lançamento do Trilhas da Autonomia ocorre em um contexto de crescimento da população em situação de rua na cidade. Segundo o censo mais recente da Prefeitura do Rio de Janeiro, divulgado em 2025, houve aumento de 4,2% em relação ao levantamento anterior, que já contabilizava mais de 8 mil pessoas sem moradia. O Centro da Cidade, principal foco de atuação do projeto, concentra o maior contingente, com 1.330 pessoas abordadas, seguido por bairros da Zona Sul, como Botafogo (495) e Copacabana (359).


Sobre o projeto Trilhas da Autonomia
O Trilhas da Autonomia – Das Ruas para a Cidadania é uma iniciativa do Sefras – Ação Social Franciscana voltada à inclusão social e produtiva de pessoas em situação de rua no centro do Rio de Janeiro. Executado pela Casa Franciscana, o projeto desenvolve suas ações no próprio espaço, em parceria com as Irmãs Missionárias da Caridade, na Lapa, promovendo acolhimento, fortalecimento de vínculos, acesso a direitos, qualificação profissional e apoio à inserção no mercado de trabalho. A iniciativa é realizada em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
 



Sobre a Casa Franciscana

Com funcionamento diário, das 8h às 17h, em sede própria na região da Central do Brasil, a Casa Franciscana oferece cerca de 400 refeições à população em situação de rua do seu entorno, além de disponibilizar serviços de banho, corte de cabelo, barba e lavanderia, e atividades socioeducativas, culturais e de fortalecimento de vínculos, como rodas de conversa e oficinas. Há ainda atendimento psicossocial feito por assistentes sociais e psicólogos.A Casa integra o Sefras – Ação Social Franciscana e conta com uma equipe multidisciplinar de aproximadamente 30 profissionais, entre assistentes sociais, psicólogos, educadores e oficineiros. A Casa Franciscana é responsável pela execução do projeto Trilhas da Autonomia – das Ruas para a Cidadania.


Sobre o Sefras

O Sefras – Ação Social Franciscana é uma organização da sociedade civil que, há mais de 25 anos, executa ações de Assistência Social, de defesa de direitos e inclusão de pessoas em situação de vulnerabilidade. Com sede em São Paulo, mantém 13 casas de atendimento — nove no estado de São Paulo e quatro no estado do Rio de Janeiro — dedicadas ao acompanhamento, cuidado e defesa de pessoas idosas, imigrantes e refugiados, crianças e adolescentes, população em situação de rua e pessoas afetadas pela hanseníase.
Além da atuação direta nos territórios, o Sefras integra redes nacionais voltadas à proteção de defensores de direitos socioambientais na Amazônia brasileira.


Shopping Penha realiza fim de semana de adoção de cães e gatos

Desenvolvido por IA

 Ação acontece nos dias 15 e 16 de agosto destacando ainda o Dia Internacional do Animal Abandonado e visitantes também podem contribuir com doações de ração 

 

O Shopping Penha, na Zona Leste de São Paulo, realiza nos dias 15 e 16 de agosto, uma ação especial de adoção responsável de cães e gatos, em parceria com a ONG Cão Sem Dono, no Espaço Pet do empreendimento. A iniciativa acontece no fim de semana do Dia Internacional do Animal Abandonado, celebrado anualmente no terceiro sábado de agosto, e busca incentivar a adoção e ampliar a conscientização sobre o abandono de animais.

No sábado, 15 de agosto, das 12h às 18h, é realizado o evento de adoção de cães. Já no domingo, 16 de agosto, também das 12h às 18h, será a vez dos felinos encontrarem suas novas famílias. A data também alerta sobre os impactos do abandono e reforça conceitos de adotar, cuidar e de atenção aos pets que ainda vivem em situação de rua. 

A programação do Shopping Penha oferece aos visitantes a oportunidade de conhecer os animais que aguardam por um novo lar e, para quem estiver preparado para assumir esse compromisso, dar início a uma nova história de cuidado e companheirismo. A adoção, no entanto, deve ser uma decisão consciente, considerando a responsabilidade e os cuidados necessários ao longo de toda a vida do animal.

Quem não puder adotar também pode ajudar. Durante a ação, os visitantes são convidados a contribuir com doações de ração, que serão destinadas aos animais assistidos pela instituição. 

“Um evento de adoção é também uma oportunidade de conscientizar, pois nem todo mundo pode adotar um animal neste momento, mas todos podem contribuir de alguma maneira, seja compartilhando a iniciativa, ajudando com ração ou, principalmente, refletindo sobre a importância da guarda responsável”, afirma Rodrigo Rufino, gerente de marketing do Shopping Penha.

 

Serviço


Evento de adoção de cães e gatos no Shopping Penha 

www.shoppingpenha.com.br
Datas:
15 e 16 de agosto de 2026 - sábado, evento de adoção de cães e domingo, evento de adoção de gatos
Horário: das 12h às 18h
Local: Espaço Pet – piso térreo, próximo à loja Americanas


Weasy convoca tutores de Golden Retrievers para promover o maior encontro da raça na América

 

Latina

 

Evento gratuito em Embu das Artes (SP), pretende reunir centenas de cães e famílias em uma grande celebração da comunidade Golden no Brasil 

 

O Brasil quer entrar para a história dos grandes encontros de Golden Retrievers. No próximo 16 de agosto, a partir das 10h, o Parque Francisco Rizzo, em Embu das Artes (SP), será palco de uma grande mobilização de tutores e cães da raça, em um evento que pretende reunir a comunidade Golden brasileira e dar o primeiro passo para que o país supere a marca registrada na Argentina.

Em dezembro de 2025, Buenos Aires reuniu 2.397 Golden Retrievers em um único encontro, criando uma impressionante “onda dourada” e colocando a América Latina no mapa dos grandes eventos da raça. Agora, a proposta brasileira é começar a construir uma mobilização capaz de reunir ainda mais cães e transformar o encontro em uma tradição nacional.

Promovido pela Weasy, em parceria com Influencers Dourados, Goldentrip e Ossel, o evento terá entrada gratuita e foi pensado para reunir tutores, famílias e seus Goldens em um dia de convivência, diversão e celebração da paixão pela raça.

“Queremos mostrar a força da comunidade Golden no Brasil e começar a construir um movimento que possa nos levar a superar a marca argentina. Mais do que um evento, queremos criar uma grande celebração para os tutores e seus cães e mostrar que o Brasil tem uma comunidade apaixonada, engajada e pronta para fazer história”, afirma Ghislaine Melo, gerente de eventos da Weasy.


Uma onda dourada brasileira

A inspiração vem da chamada Golden Wave, movimento que ganhou destaque na Argentina ao reunir milhares de cães em Buenos Aires. A imagem de centenas de Golden Retrievers juntos criou uma verdadeira “onda dourada” e despertou o interesse de comunidades da raça em outros países.

No Brasil, a ideia é transformar a mobilização em um movimento crescente. A expectativa é que o encontro de agosto seja o ponto de partida para reunir cada vez mais tutores nas próximas edições e, futuramente, buscar uma marca superior à registrada pelos argentinos.

Além da concentração de Golden Retrievers, o evento terá espaço para fotos, atividades de integração, ações de marcas parceiras e momentos de convivência para toda a família. A programação também busca estimular a socialização dos animais e reforçar a importância da guarda responsável.

Para a Weasy, que atua na criação de soluções e experiências voltadas ao universo pet, apoiar iniciativas que aproximam tutores e animais também faz parte de uma estratégia de fortalecer a cultura pet no Brasil.


Muito além de um encontro

Conhecidos pelo temperamento dócil, inteligência e forte vínculo com seus tutores, os Golden Retrievers conquistaram um dos maiores públicos entre as raças de cães de companhia. A popularidade também ajudou a formar uma comunidade ativa de tutores que compartilham experiências, informações, viagens, encontros e atividades com seus animais.

O encontro em Embu das Artes pretende celebrar essa comunidade e criar uma experiência que vá além da quantidade de cães reunidos. A proposta é transformar o parque em um grande ponto de encontro para quem entende que ter um Golden é também fazer parte de uma rede de afeto, convivência e novas amizades.

“Cada Golden conta. Cada tutor conta. Para fazer história, precisamos de uma grande mobilização. Por isso, o convite é simples: venha com seu Golden, reúna sua família e seus amigos e faça parte dessa onda dourada brasileira”, reforça Ghislaine.

 

Maior Encontro da Raça Golden Retriever do Brasil

Data: 16 de agosto de 2026 (domingo)

Horário: a partir das 10h

Local: Parque Francisco Rizzo

Endereço: Rua Alberto Giosa, 320 – Quinhaú, Embu das Artes (SP)

Entrada: gratuita

 


Weasy
www.weasy.com.br
www.instagram.com/weasy.br


Galeria Estação reúne sete artistas para ampliar os limites entre arte e linguagem na exposição Uma língua nova

 Ranchinho_Id 0065 _ 0838_31x44cm ©JoãoLiberato
 

Com curadoria de José Augusto Ribeiro e colaboração do Museu de Imagens do Inconsciente, coletiva reúne 60 obras e propõe um novo olhar sobre a produção de artistas historicamente associados ao campo da saúde mental, recusando leituras baseadas em diagnósticos e afirmando a potência singular de cada um deles

 

Com abertura em 25 de agosto e visitação até 26 de setembro de 2026, a Galeria Estação apresenta a exposição coletiva Uma língua nova. A mostra, que tem curadoria de José Augusto Ribeiro, reúne um conjunto de 60 obras de Arnold Schmidt, Aurelino dos Santos, Clovis Aparecido dos Santos, Enio Sérgio, Esther Morgannah, Josef Hofer e Ranchinho, propondo reflexões sobre linguagem e alteridade a partir de uma série de trabalhos produzidos por artistas diagnosticados com transtornos mentais e deficiência intelectual, convidando o público a vivenciar uma gramática própria e uma forma singular de construir imagens, narrativas e modos de existir. O vernissage, com início às 18h, incluirá, às 20h, um bate-papo entre o curador, o psiquiatra Dr. José Gallucci Neto e Eurípedes Junior, músico, pesquisador, museólogo e idealizador do Museu de Imagens do Inconsciente, ao lado da Dra. Nise da Silveira, que assinam textos do catálogo de Uma língua nova. 

O título da mostra foi inspirado no conto No Quadrado de Joana, de Maura Lopes Cançado, escritora que ocupa lugar central na reflexão sobre literatura, sofrimento psíquico e luta antimanicomial. Para Ribeiro, a expressão "uma língua nova" sintetiza a experiência compartilhada pelos artistas reunidos na exposição ao projetar a invenção de linguagens que não se subordinam aos códigos estabelecidos pela história da arte, pela medicina ou pela cultura, afirmando modos particulares de percepção e criação. 

"Nosso interesse era reunir artistas muito diferentes entre si, produzindo em contextos igualmente distintos. Essa diversidade impede interpretações homogêneas sobre esse conjunto de obras, justamente porque ele não constitui um tipo unívoco de produção", afirma o curador. "Cada artista parece desenvolver uma linguagem própria que escapa aos repertórios artísticos mais conhecidos e validados no circuito da arte. O título descreve, justamente, essa situação de liberdade na criação de imagens e objetos." 

Embora dialogue com uma tradição que valorizou a produção artística como expressão legítima, Uma língua nova não pretende reafirmar a categoria da chamada "arte da loucura". Ao contrário, parte do princípio de que essas obras devem ser vistas antes de qualquer enquadramento clínico ou biográfico, reconhecendo sua força estética, inventividade formal e autonomia poética. A idealização da exposição também está intimamente ligada à trajetória da própria Galeria Estação. Ao longo das últimas duas décadas a instituição reuniu em seu acervo trabalhos de artistas que produziram à margem dos circuitos tradicionais da arte. 

"Todas as mostras que fazemos são muito importantes para nós. Esta tem algo mais: uma emoção singular. Nela reunimos sete artistas que têm em comum alguma condição cognitiva e durante toda a vida exerceram e exercem o talento e a criatividade como a linguagem através da qual se revelam. Dos sete conheci pessoalmente apenas o Ranchinho e o Clovis. No caso dos outros minha relação foi diretamente com as obras.

O curador convidado, José Augusto Ribeiro, pesquisou e conviveu com as obras até ter certeza de que a seleção é a que agora mostramos. Além dele, temos o privilégio de publicar textos de outras duas pessoas muito especiais. O convite ao Eurípedes Junior e ao Dr. José Gallucci Neto se deve ao fato de que ambos convivem, cada um em sua especialidade, com pessoas com algum transtorno mental. Esperamos que Uma língua nova seja uma exposição que, além de chamar atenção para questões que talvez preferíssemos evitar, também emocione o público", afirma Vilma Eid, sócia-fundadora da Galeria Estação, no texto de apresentação da exposição.

 

Linguagens singulares 

Longe de constituírem um grupo homogêneo, os sete artistas reunidos na mostra apresentam trajetórias, contextos e processos criativos profundamente distintos. Há autores que passaram por longos períodos de institucionalização psiquiátrica e outros cuja produção se desenvolveu em ambientes familiares; artistas autodidatas e criadores que estabeleceram relações consistentes com museus, ateliês e centros de pesquisa; brasileiros e europeus; desenhistas, pintores e escultores cujas obras nasceram de experiências absolutamente particulares. 

Essa diversidade constitui um dos fundamentos da curadoria. Em vez de buscar semelhanças biográficas, Ribeiro aproxima produções que compartilham outra característica: a capacidade de instaurar sistemas próprios de representação, independentes de convenções acadêmicas ou expectativas do circuito artístico. 

Nesse percurso, o visitante encontrará o universo simbólico das pinturas e esculturas de Clovis Aparecido dos Santos, as construções visuais de Arnold Schmidt, a produção intensa de Ranchinho – presente na mostra com 14 pinturas –, a pesquisa formal de Josef Hofer, as esculturas de influência asteca e inspiração marítima de Esther Morgannah e as abstrações multicoloridas das obras de Enio Sérgio, compondo um panorama que evidencia não uma identidade comum, mas a riqueza de diferentes modos de imaginar, organizar e reinventar o mundo. 

Ao reunir essas produções em um mesmo espaço, Uma língua nova também dialoga com um capítulo decisivo da história da psiquiatria brasileira. Sem transformar esse contexto em tema central da exposição, a curadoria destaca o legado de pesquisadores como Osório César e Nise da Silveira, pioneiros ao compreender a produção artística como forma legítima de expressão, rompendo com leituras exclusivamente patologizantes da experiência psíquica. Essa perspectiva ganha fôlego no texto de catálogo do psiquiatra Dr. José Gallucci Neto, que propõe um deslocamento fundamental: em vez de buscar nas obras a confirmação de um diagnóstico, convida o espectador a reconhecer nelas a singularidade de uma experiência estética. Segundo ele, a criação artística não pode ser reduzida a sintoma, tampouco compreendida como consequência do sofrimento mental. Cada obra estabelece uma relação própria com a linguagem, produzindo sentidos que ultrapassam enquadramentos clínicos. 

Nesse contexto interpretativo, a exposição também se aproxima da trajetória do Museu de Imagens do Inconsciente (MII), cuja contribuição para a preservação e o estudo dessas produções permanece incontornável. A interlocução com a instituição foi decisiva para a mostra, permitindo incorporar obras de Esther Morgannah e Enio Sérgio, que têm trabalhos apresentados pela primeira vez em São Paulo, e ampliar o horizonte inicialmente formado pelo acervo da Galeria Estação. 

Como observa Eurípedes Junior, músico, museólogo, curador e pesquisador que atuou por 30 anos no MII, autor de Do Asilo ao Museu: Nise da Silveira e as coleções da loucura (Editora Holos, 2024), esse patrimônio não representa apenas um capítulo da história da psiquiatria, mas um conjunto de obras que conquistou reconhecimento artístico próprio, exigindo novas formas de preservação, pesquisa e difusão. Ao longo das últimas décadas, esse acervo deixou de ocupar exclusivamente o campo da saúde mental para integrar o debate sobre arte brasileira e produção contemporânea. 

Essa mudança de perspectiva também atravessa a própria concepção curatorial. Ao comentar o processo de pesquisa, Ribeiro ressalta que a exposição não pretende construir um panorama sobre doença mental, mas criar uma situação em que cada artista pudesse ser reconhecido por sua potência inventiva. 

É justamente nesse ponto que o diálogo com Maura Lopes Cançado revela convergência. A expressão "uma língua nova" não funciona como metáfora da loucura, mas como símbolo de resistência às classificações. Assim como a escritora construiu uma obra que tensiona os limites entre literatura, experiência e linguagem, os artistas que compõem a exposição elaboram universos visuais que nascem de regras próprias, indiferentes às convenções estéticas ou aos sistemas tradicionais de interpretação.

Ao reunir artistas de origens, gerações e percursos tão distintos, a Galeria Estação reafirma uma vocação que acompanha sua trajetória desde a fundação em 2004: ampliar o campo da arte brasileira a partir de produções que desafiam fronteiras culturais, sociais e estéticas. Em Uma Língua Nova, esse compromisso encontra uma de suas expressões mais contundentes.

 

SERVIÇO

Exposição Uma língua nova

Curadoria de José Augusto Ribeiro

Período: de 25 de agosto a 26 de setembro de 2026

Abertura: 25 de agosto de 2026, às 18h. Bate-papo com José Augusto Ribeiro, Dr. José Gallucci Neto e Eurípedes Junior, às 20h.

Espaço expositivo: 2º andar e mezanino

 

Galeria Estação

Endereço: Rua Ferreira Araújo, 625 - Pinheiros, São Paulo.

Horários de funcionamento: segunda a sexta, das 11h às 19h; sábados, das 11h às 15h; não abre aos domingos.

Telefone: (11) 3813-7253

Email: contato@galeriaestacao.com.br

Site: www.galeriaestacao.com.br/

Instagram: galeriaestacao


Nova exposição propõe reflexão entre universo têxtil e processos migratórios no Museu da Imigração



Dividida em cinco módulos, a mostra temporária Reatar revela como os fios entrelaçam memórias, protegem corpos migrantes e mantêm vivos os vínculos com o lar de origem

 

O Museu da Imigração (MI), instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, inaugura, em 31 de julho, às 11h, a exposição Reatar. A temporária propõe uma reflexão sobre o têxtil e como esse universo emerge em transformação junto às pessoas e às suas conexões com processos migratórios, trabalho, identidade e criação.

 

Com curadoria da equipe de Pesquisa do MI, a mostra reúne mais de 40 objetos expostos, entre eles artefatos, indumentárias, fotos, vídeos, registros oficiais e ferramentas de costura, que evidenciam como sujeitos e comunidades migrantes, sejam nacionais, sejam internacionais, constroem novos territórios e narrativas por meio da experimentação e do fazer manual. Entre os artistas com trabalhos expostos que compõem a exposição estão Alexandre Herchcovitch, Amir Slama, Joana Jade, Kantupac, Keila Okubo, Mama Diop, Macarena Rozic, Marilena Fajersztajn, Nduduzo Siba e Wanderson Vieira.

 

Organizada em cinco módulos, a Reatar aborda desde a diversidade de fibras até os resíduos que transformam o guarda-roupa contemporâneo, provando que a migração continua viva a cada etapa da composição da moda urbana. A instalação abre com a evolução da fibra ao fio, contando mais sobre suas características e classificações. O público é convidado logo no início a refletir sobre a dor das rupturas, a manutenção dos vínculos e a força das pessoas migrantes ao tecerem novos mundos a partir da despedida.

 

Na sequência, é possível acompanhar a transformação do fio em tecido e, finalmente, em vestimenta, em que se entrelaçam história, economia e identidade. A mostra aborda os mais de dois séculos de fluxos migratórios em São Paulo, mais especificamente a concentração histórica de indústrias no Brás e na Mooca, bairros que abrigam o prédio da Hospedaria de Imigrantes do Brás – local que acolhe hoje o MI – e representam um ponto de referência de diversas comunidades que trouxeram conhecimentos para a produção têxtil regional. Por meio de uma linha do tempo, a Reatar articula e conecta a industrialização dos séculos XIX e XX à expansão das oficinas contemporâneas, sem deixar de ressaltar as contínuas mobilizações do setor contra a exploração laboral.

 

Já os dois últimos módulos abordam a vestimenta como extensão de corpos e territórios que os constituem e o ato de vestir para além do consumo. Diante do excesso, a mostra propõe uma última reflexão sobre a lógica da novidade constante: artistas transformam resíduos têxteis e peças de roupa usadas em novas composições, não apenas com o intuito de prolongar a vida de um material, mas também reconfigurar seu destino.

 

A exposição ocupará a sala de exposições temporárias até 3 de janeiro de 2027.



Serviço

 

Museu da Imigração

Rua Visconde de Parnaíba, 1.316 – Mooca – São Paulo/SP

Tel.: (11) 2692-1866

Ingressos: R$ 16 (inteira) | R$ 8 (meia-entrada)

Bilheteria: de terça a sábado, das 9h às 17h; e aos domingos, das 10h às 17h

Acessibilidade no local – Bicicletário na calçada da instituição | Metrô Bresser-Mooca


Exposição sobre a Caatinga no Museu Biológico do Instituto Butantan ganha nova mostra

Crédito: Rodrigo Negri/ESIB


Em cartaz até 4 de outubro de 2026, a exposição “Caatinga: bioma do Brasil” destaca a riqueza biológica e cultural do único bioma exclusivamente brasileiro e conta, agora, com novo espaço interativo

 

O Museu Biológico do Instituto Butantan, órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde (SES) de São Paulo, segue com a exposição “Caatinga: bioma do Brasil” com uma nova mostra: um espaço que comunica parte do trabalho do Núcleo Educativo do Museu Biológico junto ao público. A mostra principal segue apresentando ao público a diversidade biológica e cultural do bioma exclusivamente brasileiro e reforça o compromisso da instituição com a divulgação científica e a conservação da biodiversidade.

"A nova mostra expressa parte do trabalho e do compromisso educativo do Museu Biológico e do Centro de Desenvolvimento Cultural do Instituto Butantan em integrar o público na construção coletiva da experiência museal, trazendo a expressividade do visitante como protagonista da exposição", explica Adriana Chagas, Supervisora Cultural do Museu Biológico. 
 

A exposição fica em cartaz até 4 de outubro de 2026, nas dependências do museu, localizado no Parque da Ciência Butantan. Nela, os visitantes poderão conhecer mais sobre a Caatinga, um dos biomas mais ameaçados do Brasil, e explorar sua complexidade, diversidade de espécies e manifestações culturais. A exposição traz ao público a possibilidade de compreender a importância da conservação deste bioma frente ao cenário dos impactos causados pela ação humana, além de evidenciar o papel de pesquisadores, universidades e instituições na proteção da biodiversidade brasileira.

A exposição geral reúne ainda espécimes taxidermizados, ilustrações, fotografias e vídeos sobre os animais, plantas e a riqueza cultural da Caatinga. O público também poderá conferir imagens da região e materiais dos Museus de Arqueologia e Etnologia e de Zoologia, ambos da Universidade de São Paulo (USP), além de painéis interativos e recintos com animais vivos emblemáticos do bioma. Já a nova mostra expõe isogravuras (artes de releitura das xilogravuras) feitas pelos visitantes na oficina "Carimbos da Caatinga" e registros dos processos das oficinas sobre a temática da Caatinga que decorreram desde o lançamento da exposição, em 1º de abril até o momento. 

“Na sala, além da exposição das obras produzidas pelo público, também há um mapa do Brasil destacando os biomas brasileiros. Nele, os visitantes podem interagir e colar adesivos indicando o local em que moram, o que permite reconhecer o bioma em que vivem. É uma forma de manter a exposição viva e um lembrete de que também somos parte dos biomas” conta Lua Bissoli, líder educacional do Museu Biológico do Instituto Butantan. 

A exposição é uma parceria entre o Museu Biológico do Instituto Butantan, o Guedes Lab, da Universidade Estadual Paulista (Unesp/Rio Claro), e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pelo Plano de Ação Nacional para a Conservação da Herpetofauna do Nordeste (PAN Herpetofauna do Nordeste). Além do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE), do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP), e do Instituto Ekos Brasil.
 

Serviço

Exposição “Caatinga: biomas do Brasil”
Data: até 4 de outubro de 2026
Horário: de terça a domingo, das 9h às 16h45
Local: Museu Biológico do Instituto Butantan, no Parque da Ciência Butantan



Janaina Torres Galeria inaugura coletiva de 10 anos, É Tempo Ainda, e destaca o encontro de diferentes gerações como força motriz para a arte contemporânea brasileira

Créditos: Artista_Pedro Moraleida_Obra_Ecce Homo,
 Ecce Homo, Crucifigeum (série Homens Verdes),
 s.d._Acrílica e colagem sobre tecido_148 x 105 cm
Foto Guilherme Horta

 

Obras de 26 artistas como Antônio Oloxedê, Deborah Paiva, Manuela Navas, Marga Ledora, Pedro Moraleida, Sandra Mazzini, Antônio Obá, Efrain Almeida e Regina Silveira e outros, compõem a exposição que reúne diferentes linguagens, técnicas e materiais

 

“É preciso coragem para propor diálogos artísticos improváveis, que conversem com o mercado sempre, mas que não sejam ditados apenas por ele. Acredito que esse balanço entre ousadia, sensibilidade e humanidade é o que traz vigor aos nossos projetos, na medida em que convida o público à reflexão” Janaina Torres.

 

Para celebrar os 10 anos em atividade no circuito de arte contemporânea, a Janaina Torres Galeria apresenta, a partir do dia 15 de agosto, a coletiva É Tempo Ainda. Com curadoria de Heloisa Amaral Peixoto, a exposição reflete a identidade construída pela galeria em sua primeira década de atuação. 

A curadoria faz referências à história da arte brasileira e celebra o encontro de vinte e seis artistas de diferentes gerações, entre representados pela galeria nestes dez anos e artistas convidados. 

Obras como as pinturas de Pedro Moraleida (in memoriam), Deborah Paiva (in memoriam) e esculturas de Antônio Oloxedê (integrantes da recém-apresentada exposição Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira) convivem no ambiente expositivo com artistas convidados, como Antônio Obá, Efrain Almeida e Regina Silveira, levantando a questão de reconfigurações de sentido da arte ao longo do tempo e à luz da contemporaneidade. “Estamos muito felizes em apresentar uma exposição que espelha esse encontro de gerações e temporalidades como ambiente profícuo para o fortalecimento e constante florescimento da arte no Brasil”, pontua Janaina Torres.   

A coletiva traduz o programa curatorial construído ao longo da trajetória da galeria, refletindo um contexto cultural amplo, em que a experiência estética se alinha a questões geográficas, políticas e sociais. 

Artistas de diferentes trajetórias e egressos das cinco regiões do Brasil - e residentes em diversos lugares do mundo - apresentam, assim, poéticas, pesquisas e narrativas diversas, retratando a pluralidade presente na arte contemporânea brasileira, sendo essa uma das principais marcas da identidade da galeria. 

Propomos a ideia de um ‘passeio’ breve, mas representativo, ao reunir obras de artistas cuja produção e pesquisa versam sobre variadas inclinações da história da arte brasileira, como o figurativismo, a abstração geométrica e concreta, o lírico, o retrato social, o pop, o colorismo, a paisagem, a perspectiva arquitetônica e espacial, a gestualidade, o experimentalismo e a performance. A intenção é, no marco dos 10 anos de atividade da Janaina Torres Galeria, homenagear um espectro importante da linguagem visual brasileira, de sua tradição e da bagagem cultural que acumula: um patrimônio que se perpetua e se reforça, que se atualiza e se alarga em sua expressão criativa, refletindo anseios e testemunhando uma busca contínua de formação de identidade.”, complementa a curadora Heloisa Amaral Peixoto. 

É Tempo Ainda reflete o comprometimento da Janaina Torres Galeria na inserção de seus artistas tanto em grandes acervos públicos e privados já estabelecidos como na formação de novas coleções. 

“Olhando para o que fizemos até aqui e mirando o futuro, vejo o fortalecimento cada vez maior de uma rede de artistas e profissionais de diferentes competências, envolvidos em uma busca contínua de liberdade e excelência. Esse fluxo em torno da galeria é o que nos move para a próxima década de vida”, complementa Janaina Torres.

 

Artistas participantes

Andrey Guaianá Zignnatto

Antônio Obá

Antonio Oloxedê

Caio Pacela

Daniel Jablonski

Deborah Paiva

Dee Lazzerini

Efrain Almeida

Feco Hamburger

Helena Martins-Costa

Heleno Bernardi

Jeane Terra

Kika Levy

Kitty Paranaguá

Laíza Ferreira

Liene Bosquê

Luciana Magno

Manuela Navas

Marina Godoy

Marga Ledora

Osvaldo Carvalho

Pedro David

Pedro Moraleida

Regina Silveira

Sandra Mazzini

Vivi Rosa

  

Serviço

Exposição É Tempo Ainda – coletiva de 10 anos Janaina Torres Galeria

Vernissage: 15 de agosto, das 14h às 18h

Período de visitação: de 15 de agosto a 17 de outubro.

Dias e horários de visitação: Terça a sexta, das 10h às 18h e sábados, das 10h às 16h.

Local: Janaina Torres Galeria

Endereço: R. Vitorino Carmilo, 427 - Barra Funda, São Paulo - SP, 01153-000

Grátis

Faixa etária: livre

Possui acessibilidade para cadeirantes


Sala Petrobras — Janela para Pequim: Portinari na China chega ao Museu Histórico Nacional

 



Espaço imersivo criado pelo Projeto Portinari, com patrocínio da Petrobras, traz ao público brasileiro os bastidores da histórica exposição de Candido Portinari em Pequim e completa, no Rio de Janeiro, o encontro entre Brasil e China celebrado no Ano Cultural 2026.

 

Ao lado da mostra chinesa “Sabores da Tradição”, a nova sala transforma o Museu Histórico Nacional em um dos epicentros do intercâmbio cultural entre os dois países.

O Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, inaugura no dia 12 de agosto de 2026 a Sala Petrobras — Janela para Pequim: Portinari na China, espaço expositivo criado pelo Projeto Portinari como contrapartida cultural da histórica mostra “O Brasil de Portinari”, em cartaz no Museu Nacional da China, em Pequim.

 

Patrocinada pela Petrobras, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a sala integra o Ano Cultural Brasil-China 2026 — que também marca os 50 anos de relações diplomáticas entre os dois países — e propõe ao público brasileiro uma experiência imersiva sobre o diálogo cultural entre as duas nações a partir da trajetória e da obra de Candido Portinari.

 

Um encontro de mão dupla

 

A abertura da sala dá forma, no Rio de Janeiro, a um intercâmbio de mão dupla. Enquanto o Brasil leva a arte de Portinari a Pequim, a China apresenta ao público brasileiro, no mesmo Museu Histórico Nacional, a exposição “Sabores da Tradição: história da alimentação na China antiga” — mostra que reúne mais de 120 objetos do acervo do Museu Nacional da China e percorre cerca de 10 mil anos de civilização chinesa. Com as duas exposições sob o mesmo teto, o MHN se converte em um dos principais pontos de encontro do Ano Cultural Brasil-China 2026.

 

Pela primeira vez na história, um artista brasileiro realiza uma exposição individual no Museu Nacional da China, um dos museus mais visitados do mundo. Com a mostra “O Brasil de Portinari”, em cartaz desde 9 de junho, cerca de 4 milhões de pessoas terão acesso a 56 obras originais do pintor ao longo de quatro meses.

 

A Sala Petrobras — Janela para Pequim: Portinari na China nasce como o caminho de volta desse encontro. Em um espaço de cerca de 20 metros quadrados dentro do Museu Histórico Nacional, o visitante poderá acompanhar, aqui do Brasil, registros da exposição chinesa, além de objetos originais ligados ao universo de Portinari e elementos culturais vindos de Pequim.

 

A experiência imersiva

 

A experiência se estrutura a partir de três elementos centrais — uma mesa, um globo terrestre e um cavalete — que articulam diferentes dimensões da narrativa proposta pela mostra.

 

Na mesa, grãos de café recebem projeções audiovisuais inspiradas na cronologia visual da exposição “O Brasil de Portinari” na China. O grão de café surge como símbolo da origem do artista em Brodowski e da circulação internacional de sua obra, transformando-se simultaneamente em território, matéria e tela para contar a trajetória do pintor.

 

O globo terrestre conduz o visitante à segunda dimensão da experiência, contextualizando a China contemporânea e suas transformações históricas, da Revolução de 1949 aos avanços arquitetônicos e tecnológicos atuais. O conteúdo foi desenvolvido a partir de materiais audiovisuais fornecidos pelo governo chinês e de depoimentos colhidos junto ao público da exposição em Pequim, estabelecendo um horizonte compartilhado entre as duas culturas.

 

Já o cavalete apresenta animações produzidas com inteligência artificial, nas quais obras emblemáticas de Portinari ganham movimento e profundidade, revelando ao visitante o gesto criativo por trás das pinturas e aproximando o público do processo artístico do pintor.

 

“Mesa, globo e cavalete compõem uma pequena constelação narrativa que conecta Brasil e China a partir da arte de Portinari. Assim como o café atravessou oceanos e se tornou parte da história brasileira no mundo, a obra do artista também ultrapassa fronteiras e encontra novos públicos para dialogar”, destaca Marcello Dantas, curador da mostra.

 

Educação e acessibilidade

 

O projeto também contempla ações educativas e de acessibilidade. Mais do que um espaço de contemplação, a Sala Petrobras foi desenhada para ser um território de aprendizado ativo. O programa educativo provoca uma reflexão sobre as raízes que unem os dois povos e as distâncias que a arte encurta. Por meio da mediação, o público é convidado a explorar o processo de criação de Portinari como ferramenta de leitura do mundo contemporâneo, refletindo sobre a identidade brasileira e sua inserção no cenário global.

 

“Esta sala é o fechamento de um ciclo de intercâmbio histórico. O que realizamos em Pequim e agora trazemos para o público brasileiro é um convite à reflexão sobre as pontes que a cultura é capaz de construir. Ver o legado de Portinari dialogar tão profundamente com o público chinês — e agora ver essa energia retornar ao Rio de Janeiro — demonstra que a arte não conhece fronteiras geográficas. É uma honra podermos oferecer ao Brasil um recorte dessa experiência, evidenciando nossa identidade e nosso lugar no cenário global”, comenta João Candido Portinari, fundador e diretor-geral do Projeto Portinari e cocurador da Sala Petrobras.

 

Sobre o Projeto Portinari

 

Fundado em 1979, dentro da área científica da PUC-Rio, o Projeto Portinari tem como objetivo, além do resgate documental abrangente e rigoroso da vida e obra de Candido Portinari, democratizar o acesso ao seu legado artístico, ético e humanista. A iniciativa busca reforçar valores como a não violência, a justiça social, a fraternidade entre os povos e o respeito à dignidade da vida, além de contribuir para uma melhor compreensão do processo histórico-cultural brasileiro.

 

Já foram catalogados mais de 5.300 pinturas, desenhos e gravuras; mais de 25 mil documentos sobre sua obra e vida; mais de 6 mil cartas; fotografias, filmes e recortes; mais de 10 mil publicações; além de mais de 70 depoimentos gravados de artistas, intelectuais e personalidades de seu tempo, como Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado, Oscar Niemeyer e Luiz Carlos Prestes.

 

Todo o conteúdo é disponibilizado gratuitamente no site www.portinari.org.br.

 

FICHA TÉCNICA

 

Sala Petrobras — Janela Para Pequim: Portinari na China

Museu Histórico Nacional — Rio de Janeiro

Inauguração: 11 de agosto de 2026

Visitação: de 12 de agosto de 2026 a 11 de outubro de 2026

Exposição internacional relacionada:

• “O Brasil de Portinari” Museu Nacional da China — Pequim · 9 de junho a 10 de outubro de 2026

• Exposição correlata no MHN: “Sabores da Tradição: história da alimentação na China antiga” — em cartaz até 11 de outubro de 2026

Realização: Projeto Portinari (ACCP)

Patrocínio master: Petrobras, via Lei Federal de Incentivo à Cultura

Parceria: Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e Museu Nacional da China

Coordenação museológica: Expomus

Arquitetura: Estúdio Preto e Branco

Apoio: Veirano Advogados

Contexto institucional: Ano Cultural Brasil-China 2026 e celebração dos 50 anos de relações diplomáticas entre Brasil e China

 

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