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sexta-feira, 20 de março de 2026

Maior pesquisa global sobre felicidade revela: adolescentes brasileiros estão entre os mais expostos ao uso intensivo de redes sociais

World Happiness Report 2026 documenta que América Latina lidera percentual de adolescentes com uso intensivo entre todas as regiões estudadas — e que o risco de depressão aumenta 13% a cada hora adicional de uso diário


 

O World Happiness Report 2026, produzido pela Universidade de Oxford e publicado com a chancela das Nações Unidas, é a maior pesquisa global sobre bem-estar humano. A edição deste ano investigou a relação entre redes sociais e saúde mental de adolescentes em 47 países. Os dados colocam o Brasil em posição de atenção.
 

A América Latina tem o maior percentual de adolescentes que usam redes sociais por 7 horas ou mais por dia entre todas as regiões estudadas — 12,1%, mais que o dobro da Europa Ocidental, que registra 4,9%. O Brasil integra a amostra da América Latina, que totalizou mais de 32.000 adolescentes analisados. Entre as meninas latino-americanas, as que não usam redes sociais são 65% mais propensas a reportar satisfação completa com a vida do que aquelas que usam 7 horas ou mais por dia. 

"O Brasil sobe consistentemente no ranking global de felicidade — fomos do 49º lugar em 2023 para o 32º em 2026. Mas esse avanço convive com uma vulnerabilidade crescente entre os jovens. Alta exposição às redes sociais combinada com a desigualdade estrutural do país cria um cenário que exige atenção imediata", afirma Rodrigo de Aquino, comunicólogo e especialista em felicidade e bem-estar. 

O relatório reúne sete linhas independentes de evidência científica. Os dados são inequívocos: adolescentes que usam redes sociais por 5 horas ou mais por dia têm o dobro de probabilidade de atender aos critérios clínicos de depressão em comparação com quem usa menos de 1 hora diária. O risco aumenta 13% a cada hora adicional de uso. Entre meninas de 15 e 16 anos em países de língua inglesa, aquelas que usam mais de 7 horas por dia têm 63% mais probabilidade de reportar baixa satisfação com a vida do que quem usa menos de 1 hora. 

Um estudo interno da própria Meta — que incluía o Brasil na amostra — revelou que 1 em cada 3 meninas adolescentes disse que o Instagram piorou seus problemas com a própria imagem corporal. Uma meta-análise de 32 experimentos controlados com 5.544 participantes mostrou que reduzir o uso para 1 hora diária durante apenas 3 semanas produziu melhoras significativas em depressão, ansiedade e qualidade do sono. 

"A ciência não deixa margem para ambiguidade. Estamos diante de evidências convergentes de que o uso intensivo de redes sociais causa danos reais e mensuráveis na saúde mental de adolescentes — e que reverter esse uso produz melhoras concretas em semanas. Isso já é suficiente para justificar ação", avalia Aquino. 

"A ciência do bem-estar confirma o que já sabemos sobre o ser humano: não existe saúde mental sustentável sem vínculo real. A juventude brasileira precisa de outras redes sociais — as que oferecem presença genuína, afetos autênticos e a experiência concreta de ser visto por outro ser humano. Nenhum algoritmo entrega isso", conclui Aquino.

 

Rodrigo de Aquino - comunicólogo, especialista em felicidade e bem-estar e apresentador de TV (Canal WhE Play – SamsungTV e LGTV). Está disponível para entrevistas, participações em programas de rádio, televisão e mídia digital.

 


Revisão justa de cargos e salários é ferramenta de enfrentamento à violência contra a mulher

Ao promover equidade e ampliar a autonomia financeira, empresas podem contribuir para reduzir vulnerabilidades que sustentam ciclos de violência e dependência

 

A desigualdade salarial entre homens e mulheres no Brasil continua sendo um desafio estrutural e seus impactos vão além do campo econômico. Em um cenário em que elas recebem, em média, 21% menos do que os homens no setor privado, segundo o Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, a disparidade de renda também pode significar menor autonomia financeira, maior instabilidade e dificuldade para romper situações de violência.

Um estudo da Universidade de Brasília (UnB), por exemplo, reforça essa relação: 61% das mulheres apontam a dependência financeira como principal fator que impede a denúncia de agressões. Ou seja, discutir equiparação salarial não é apenas tratar de uma pauta trabalhista, mas também falar sobre proteção, segurança e garantia de direitos. Nesse contexto, as empresas passam a ocupar papel estratégico como aliadas no enfrentamento à violência contra a mulher.

 

Como empresas podem atuar


Entre as formas de violência previstas na Lei Maria da Penha está a violência patrimonial, que ocorre quando a parte economicamente mais forte da relação controla bens e recursos, gerando situação de opressão. Diante disso, políticas de equidade salarial passam a ter papel estratégico.


Para Damaris Dias, gerente de Pessoas e Cultura da GT7, Unidade de Negócios do Grupo TODOS Internacional, a responsabilidade das empresas é objetiva. “A desigualdade salarial não é apenas um tema social, é um tema de governança, sustentabilidade e competitividade, o que torna a responsabilidade das empresas intransferível”.


Dias destaca ainda que a equidade requer critérios técnicos e revisão constante das práticas internas. “É de responsabilidade das empresas garantir que critérios de remuneração estejam baseados em função, performance e senioridade e nunca em gênero. O que exige implantação e revisão periódica de cargos e salários, transparência nos critérios de promoção e compromisso real da liderança com decisões imparciais”. Na prática, ela avalia que um plano estruturado deve incluir:

 

  • Descrição de cargos: detalhar responsabilidades, atribuições e competências técnicas evita sobreposição de funções e impede que pessoas que exercem atividades equivalentes recebam salários diferentes. 
  • Faixas salariais por nível: estabelecer intervalos de remuneração definidos para cada cargo ou nível hierárquico cria um parâmetro objetivo de pagamento, reduzindo decisões subjetivas. 
  • Critérios objetivos de promoção: definir requisitos claros para progressão de carreira — como tempo mínimo na função, metas atingidas e qualificação técnica — garante que oportunidades de avanço não sejam influenciadas por vieses ou preferências pessoais. 
  • Avaliação de desempenho com indicadores definidos: utilizar métricas mensuráveis e previamente estabelecidas torna o processo mais transparente e baseado em resultados concretos. 
  • Política de reconhecimento vinculada a resultados e competências: assegurando que a valorização profissional esteja alinhada a critérios técnicos e não a fatores subjetivos. 

Além da remuneração justa, outras políticas estruturais contribuem para ampliar a segurança das colaboradoras. Entre elas, Dias cita canal de denúncias confidencial; política contra assédio moral e sexual; treinamento para lideranças; flexibilidade de jornada; reembolso-creche ou apoio à primeira infância; e políticas de combate à discriminação.


A relevância dessas medidas se confirma diante dos dados da pesquisa Trabalho Sem Assédio 2025, conduzida pela Think Eva em parceria com o LinkedIn. O levantamento indica que 48,5% dos profissionais que sofreram assédio moral não denunciam por medo de retaliação ou demissão. Mais de um terço das mulheres já sofreu assédio sexual no trabalho, mas apenas 10% recorreram aos canais formais.

 

Representatividade importa


Para Mariana Rangel, liderança feminina à frente da diretoria de Marketing do Cartão de TODOS, a representatividade nas empresas é uma forma de criar um ambiente seguro e que impulsiona o protagonismo feminino. “A presença de mulheres em cargos de liderança transmite equidade de possibilidades. Quando uma colaboradora olha para a estrutura da empresa e enxerga mulheres em posições estratégicas, ela entende que existe abertura e espaço para crescer”.


Mais do que representatividade simbólica, Rangel defende que a equidade precisa ser incorporada à estratégia organizacional. “As empresas devem parar de tratar equidade como pauta exclusiva de RH e passar a tratar como estratégia de negócio. A diversidade de gênero muda o jogo: amplia repertório decisório e melhora resultado”. 


Nesse sentido, ela avalia que a inclusão de mulheres em cargos de liderança não deve ocorrer apenas como medida afirmativa, mas sim de forma que a colaboradora seja, de fato, reconhecida como potência em sua área. “Eu acredito que representatividade importa quando acompanhada de competência e resultado. Se a minha presença impacta positivamente, espero que seja pelo exemplo de consistência, preparo e entrega, e não apenas pelo gênero”, reforça.

 

Políticas de inclusão


Dias explica, por exemplo, que as empresas podem desenvolver políticas internas ou aderir a programas federais, como o Emprega + Mulheres, que foca na inserção e manutenção das mulheres no mercado de trabalho. Segundo ela, “esse programa impulsiona uma revisão estrutural das práticas internas, garantindo alinhamento à legislação e às melhores práticas de mercado".


Entre as ações implementadas ou já em andamento na empresa, ela traz como exemplos: 

 

  • Implantação do plano de cargos e salários;
  • Análise de eventuais diferenças remuneratórias;
  • Políticas de apoio à parentalidade, incluindo reembolso-creche;
  • Possibilidade de flexibilização de jornada;
  • Fortalecimento do canal de denúncias;
  • Revisão de processos de promoção.

Ao revisar cargos e salários com critérios claros e promover políticas que ampliem a autonomia feminina, empresas contribuem não apenas para reduzir desigualdades internas, mas também para enfrentar uma das bases que sustentam ciclos de violência: a dependência econômica.

 

6 leis que toda mulher precisa conhecer para se proteger e proteger outras mulheres


Além de rever políticas internas, as empresas também podem atuar como disseminadoras de informação qualificada. Promover campanhas educativas e orientar colaboradoras sobre direitos previstos em lei fortalece a autonomia e amplia a rede de proteção dentro e fora do ambiente corporativo. Conheça algumas legislações fundamentais:

 

1) Lei da Igualdade Salarial (Lei nº 14.611/2023)

Garante remuneração igual para trabalho de igual valor, proibindo distinção salarial por gênero. Empresas com 100 ou mais empregados devem divulgar relatórios de transparência. Caso sejam identificadas diferenças injustificadas, é obrigatória a correção e a implementação de plano de ação. As trabalhadoras têm direito de acessar essas informações, solicitar esclarecimentos e buscar a regularização tanto pela via administrativa quanto judicial.

 

2) Lei Carolina Dieckmann (Lei nº 12.737/2012)

Criminaliza a invasão de dispositivos eletrônicos e a divulgação de dados, imagens ou informações pessoais sem consentimento, incluindo vazamento de conteúdos íntimos e exposição digital indevida.

 

3) Lei do Minuto Seguinte (Lei nº 12.845/2013)

Assegura atendimento imediato e integral pelo SUS às vítimas de violência sexual, sem necessidade de boletim de ocorrência ou autorização judicial.

 

4) Lei do Stalking (Lei nº 14.132/2021)

Tipifica como crime a perseguição reiterada, presencial ou digital, quando há ameaça à integridade física ou psicológica ou invasão de privacidade. A pena é agravada quando o crime é cometido contra mulher por razão de gênero.

 

5) Crimes contra a honra (Arts. 138 a 140 do Código Penal)

Os chamados crimes contra a honra têm como objetivo resguardar a reputação, a imagem e a dignidade das pessoas. 

  • Calúnia (art. 138): ocorre quando alguém acusa outra pessoa, de forma falsa, da prática de um crime. 
  • Difamação (art. 139): consiste em atribuir a alguém um fato que atinge sua reputação, ainda que esse fato seja verdadeiro. 
  • Injúria (art. 140): caracteriza-se por ofensas diretas à dignidade ou ao decoro, incluindo xingamentos e ataques à honra subjetiva.

 

6) Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104/2015)

Classifica como homicídio qualificado o assassinato de mulheres por razão de gênero. É considerado crime hediondo, com penas mais severas, reconhecendo que se trata de manifestação de violência estrutural.


Rangel encoraja que as mulheres deem o primeiro passo para romper com situações de violência. “Caso você não tenha alguém próximo, há muitas instituições que estão preparadas para acolher mulheres em qualquer situação de violência. Você não está sozinha, e sua vida, sua segurança e sua independência valem qualquer recomeço”.


Promover equidade salarial é, portanto, mais do que cumprir uma obrigação legal, é contribuir para que mais mulheres tenham autonomia. “Quando existe independência financeira, o medo diminui e a capacidade de decisão aumenta. A segurança financeira não resolve tudo, mas amplia significativamente o poder de escolha”, finaliza Rangel.

 

 

Cartão de TODOS

 

FEI estuda uso de resíduos como borra de café e PET para remover poluentes da água

Tecnologia baseada em processos de adsorção pode ajudar no tratamento de efluentes e no desenvolvimento de soluções mais sustentáveis


A escassez de água e o aumento da contaminação de rios, lagos e efluentes industriais estão entre os principais desafios ambientais da atualidade. Neste contexto, a FEI, centro universitário referência em engenharia há 85 anos, desenvolve estudos que investigam o uso de materiais produzidos a partir de resíduos, como borra de café, cascas vegetais e até garrafas PET, para remover poluentes da água por meio de processos de adsorção - em que contaminantes presentes na água são capturados por materiais sólidos altamente porosos -, contribuindo para o desenvolvimento de alternativas mais sustentáveis para o tratamento de efluentes.

No Brasil, o cenário evidencia a importância de soluções para o tratamento da água e de efluentes. Cerca de 33 milhões de brasileiros ainda vivem sem acesso à água potável, segundo levantamento do Instituto Trata Brasil (2024), com base em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) de 2022. Além disso, apenas 55,2% da população possui acesso à coleta de esgoto e, aproximadamente, 51,8% do volume gerado recebe tratamento, de acordo com o SNIS (2023).

A professora Dra. Andréia Morandim-Giannetti, de Engenharia Química da FEI, explica que a pesquisa se baseia no fenômeno de adsorção. “O processo se baseia principalmente no fenômeno de adsorção, em que moléculas de contaminantes presentes na água se fixam na superfície de um material sólido altamente poroso”, afirma. Segundo a pesquisadora, resíduos como borra de café, cascas vegetais e garrafas PET podem passar por processos de carbonização e ativação, resultando em materiais com elevada área superficial e grande quantidade de microporos capazes de reter poluentes dissolvidos na água.

De acordo com a professora, os materiais adsorventes avaliados nos estudos apresentam potencial para remover diferentes classes de contaminantes presentes em efluentes. Entre eles estão fármacos, corantes, compostos fenólicos, pesticidas e metais pesados, substâncias frequentemente associadas à poluição de recursos hídricos. A eficiência da remoção depende de fatores como o pH do meio, a área superficial do material adsorvente e as características químicas de sua superfície.

Além do potencial para remover poluentes da água, a abordagem também contribui para o aproveitamento de resíduos que normalmente seriam descartados. Segundo a pesquisadora, o uso de materiais agroindustriais ou plásticos no desenvolvimento de adsorventes permite transformar resíduos em soluções ambientais. “A principal vantagem está na sustentabilidade do processo, uma vez que o uso de resíduos permite valorizar materiais que normalmente seriam descartados, reduzir custos de produção e diminuir o impacto ambiental associado ao descarte desses materiais”, observa. Para ela, esse tipo de solução também contribui para o avanço de práticas alinhadas à economia circular e à produção mais sustentável.

Andréia Morandim-Giannetti destaca que o uso de adsorventes produzidos a partir de resíduos apresenta potencial para aplicação em sistemas de tratamento de efluentes industriais e municipais. Estudos já demonstram a viabilidade técnica dessa abordagem em escala piloto, embora ainda sejam necessários avanços em aspectos como padronização da produção dos materiais, regeneração e reutilização do adsorvente e avaliação de custo-benefício. Para a professora de Engenharia Química, o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis para o tratamento de efluentes é cada vez mais relevante diante de desafios globais como a escassez de água potável, o aumento da presença de contaminantes nos recursos hídricos e a necessidade de reduzir impactos ambientais associados às atividades industriais.

 

FEI - Fundação Educacional Inaciana Pe. Sabóia de Medeiros



Tem programa de fidelidade? Pesquisa mostra que, no dia a dia do brasileiro, tem sim

Dados da ABEMF mostram que fidelização está mais distribuída por diferentes momentos da jornada de consumo 

 

Os programas de fidelidade continuam relevantes em contextos já tradicionais, como viagens e grandes resgates, mas dados do setor apontam que eles também avançam em situações mais simples, recorrentes e próximas da vida real do consumidor. Os números da última Pesquisa Panorama da Fidelização no Brasil ajudam a mostrar essa transformação. Quando os consumidores foram perguntados sobre em quais segmentos de mercado estão os programas de fidelidade dos quais participam, os programas de coalizão — que reúnem várias marcas em um mesmo ecossistema — apareceram em primeiro lugar, com 61,4%. 

Na sequência vieram companhias aéreas (48,6%), postos de combustíveis (34,9%), instituições financeiras (33,9%) e supermercados (30,4%). Também se destacam farmácias (27,6%), serviços por aplicativos (21%), hotéis e agências de turismo (17,3%), farmacêuticas, com descontos em medicamentos (16,3%), e telefonia (14,9%). 

“Esse retrato mostra que a fidelização está cada vez mais distribuída por diferentes momentos da jornada de consumo. Não ocupando apenas espaços aspiracionais, mas se consolidando também em categorias de uso frequente, nas quais o consumidor percebe utilidade mais imediata e concreta”, explica Paulo Curro, diretor executivo da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização (ABEMF), responsável pela pesquisa em parceria com a Valuenet. 

Nesse contexto, o desempenho dos programas de coalizão chama atenção porque traduz bem essa lógica de uso ampliado. Ao reunir diferentes marcas em um mesmo ambiente, esse modelo permite que o consumidor acumule e utilize benefícios em mais ocasiões, conectando varejo, serviços, mobilidade e consumo. Paulo Curro afirma que “não se trata apenas de oferecer pontos ou milhas, mas de ampliar as possibilidades de uso dos benefícios e criar um ecossistema mais presente na jornada cotidiana”. Segundo o executivo, não por acaso, esse foi o segmento que registrou o avanço mais expressivo do levantamento, com crescimento de 8,8 pontos percentuais em relação a 2023. 

As farmácias também reforçam essa expansão da fidelização no consumo recorrente. Com crescimento de 6,3% frente à edição anterior, o setor mostra como programas de fidelidade vêm ganhando espaço em uma categoria essencial, marcada por frequência, conveniência e necessidade concreta. O mesmo vale para os supermercados, que avançaram 1,6%, para os serviços por aplicativos, com alta de 0,9%, e para a telefonia, que cresceu 5,5%. Juntos, esses dados indicam que a fidelização avança justamente em espaços nos quais o consumidor encontra valor mais imediato, seja pela flexibilidade de uso, seja pela proximidade com despesas do dia a dia.

Esse movimento conversa ainda com mudanças mais amplas no comportamento do consumidor. No estudo Consumidor do Futuro 2027: Emoções, da WGSN, um dos perfis identificados é o da “Desvontade”, que aponta para uma valorização crescente de jornadas sem atrito, recompensas acessíveis e benefícios que facilitem o cotidiano. Essa leitura ajuda a entender por que programas mais integrados à rotina ganham relevância, pois respondem a uma demanda por simplicidade, conveniência e valor percebido no uso real.


Ao mesmo tempo, essa transformação dialoga com uma discussão mais ampla do mercado de fidelização. Programas mais relevantes não são apenas os que oferecem benefícios, mas os que conseguem fazer esses benefícios ocuparem um lugar concreto na jornada do consumidor. “Mais do que acumular pontos/milhas, o que fortalece a relação com a marca é a percepção de valor no uso, no resgate e na relevância da experiência oferecida”, afirma Curro. 

O que os dados mostram é um setor mais amplo, plural e integrado a diferentes momentos de consumo. Companhias aéreas, postos de combustíveis, instituições financeiras, supermercados, farmácias, aplicativos, telefonia e coalizões convivem em um ecossistema cada vez mais diverso, em que a fidelização ganha força justamente por estar presente em várias frentes da vida do consumidor.


 

ABEMF - Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização

 

Por que a inteligência artificial virou uma peça central nas viagens corporativas

 

O setor de viagens corporativas voltou a crescer no Brasil. Segundo o Levantamento de Viagens Corporativas realizado pela Fecomercio em parceria com a Alagev, o segmento movimentou R$ 135,4 bilhões até novembro de 2025, um recorde que confirma a retomada do turismo de negócios e a reativação da economia. 

O que chama menos atenção, no entanto, é a forma como grande parte desse volume ainda é administrada dentro das empresas.

Há um descompasso evidente entre crescimento financeiro e maturidade de gestão. Enquanto o setor avança em faturamento, muitas organizações continuam operando com processos fragmentados, controles posteriores ao gasto e baixa integração entre sistemas. A despesa nasce digital, mas o controle segue analógico, dependente de planilhas paralelas, conferência manual de recibos e cruzamentos feitos depois que o dinheiro já saiu do caixa.

Em um cenário de custos pressionados, como mostra a alta de até 12,7% nas passagens aéreas nos últimos meses de 2025, segundo o IBGE, essa lógica deixa de ser apenas ineficiente e passa a ser arriscada. A falta de visibilidade em tempo real compromete a previsibilidade orçamentária, reduz o poder de negociação e transforma a gestão em um exercício de correção, não de antecipação.

Além disso, existe ainda um custo menos mensurável, mas igualmente relevante, que é o tempo das equipes. Profissionais qualificados seguem dedicando horas a tarefas operacionais porque os sistemas não conversam entre si. Conferem recibos, ajustam inconsistências, revisam aprovações sequenciais, quando poderiam estar analisando dados, negociando contratos ou revisando políticas com base em evidências concretas.

É nesse ponto que a inteligência artificial (IA) deixa de ser tendência e se torna infraestrutura. Chatbots e copilotos de IA conseguem orientar colaboradores sobre políticas de viagem, sugerir rotas mais econômicas, comparar fornecedores e até automatizar processos de aprovação em tempo real. Ferramentas como o Joule, assistente de IA da SAP, começam a mostrar como a interação conversacional pode simplificar tarefas que antes exigiam múltiplos sistemas e etapas manuais.

Quando integrada à gestão de viagens, a IA altera a lógica do processo ao capturar o dado na origem, validar automaticamente políticas internas, identificar padrões de consumo e sinalizar desvios antes que se transformem em problema. O controle deixa de ser retrospectivo e passa a ser preventivo, o que muda completamente a dinâmica da área financeira.

Com informações consolidadas e analisadas em tempo real, a empresa ganha capacidade de simular cenários, ajustar parâmetros de gastos, entender comportamento por área ou projeto e renegociar fornecedores com base em dados estruturados. A tecnologia não substitui o julgamento humano, mas amplia sua capacidade analítica e libera energia para decisões estratégicas.

O impacto também aparece na experiência de quem viaja. Sistemas inteligentes reconhecem padrões, preenchem automaticamente informações recorrentes, reduzem fricção no processo de prestação de contas e encurtam fluxos de aprovação. O colaborador ganha tempo e clareza, enquanto a organização ganha governança e transparência.

Observo diariamente que as empresas que já adotaram modelos integrados conseguem uma redução relevante nas despesas relacionadas a viagens, mas o benefício mais consistente é a previsibilidade. Saber onde se gasta, por que se gasta e como ajustar antes que o custo comprometa margens cria uma nova camada de maturidade operacional.

O desafio maior não está na tecnologia disponível, mas na mudança de mentalidade. Durante anos, viagens corporativas foram tratadas como item administrativo, com foco na autorização do deslocamento e na conferência posterior dos gastos. A inteligência entrava no fechamento do mês, quando as decisões já não podiam mais ser alteradas.

Em um ambiente de maior rigor orçamentário e pressão por eficiência, essa abordagem se mostra insuficiente. A inteligência artificial permite que a gestão deixe de ser um processo burocrático e se torne uma ferramenta estratégica, conectando dados, comportamento e decisão em um fluxo contínuo.

O crescimento do setor é um sinal positivo da economia, mas crescimento sem inteligência integrada amplia complexidade e exposição a riscos. A questão central não é apenas quanto a empresa investe em viagens, mas como ela transforma esse investimento em informação qualificada, capacidade preditiva e vantagem competitiva.

No fim, maturidade na gestão de viagens corporativas não será medida pelo volume de deslocamentos, mas pela qualidade da inteligência aplicada a cada decisão. E cada vez mais essa inteligência será artificial, ampliando o potencial humano dentro das organizações em vez de substituí-lo.

 

Silvio Abade Jr. - CEO da KSE Brasil

 

Tampa reforça sua posição como um dos principais destinos de arte e cultura da Flórida

 

Henry B. Plant Museum
 Divulgação Visit Tampa Bay

De museus de padrão internacional e arte urbana vibrante a uma nova feira internacional prevista para 2026, Tampa segue ampliando sua relevância no cenário criativo.

 

Tampa Bay vem consolidando sua reputação como um dos polos artísticos emergentes dos Estados Unidos. A cidade combina museus renomados, arte pública vibrante e bairros históricos, onde artistas e galerias independentes ajudam a moldar um cenário cultural dinâmico e em constante evolução. 

No coração do centro da cidade, o Tampa Museum of Art se destaca como uma das principais instituições culturais, com exposições contemporâneas e programas educativos que conectam artistas locais e internacionais ao público. Nas proximidades, o University of South Florida Contemporary Art Museum abriga uma coleção com mais de 5 mil obras e desempenha um papel importante na promoção da experimentação artística contemporânea. 

Outro destaque é o Henry B. Plant Museum, localizado no histórico Plant Hall, no campus da University of Tampa. O museu ocupa parte do antigo Tampa Bay Hotel, um luxuoso resort inaugurado em 1891 que impulsionou o desenvolvimento inicial do turismo na Flórida. Hoje, os visitantes podem explorar mobiliário original, esculturas e objetos decorativos reunidos pelo empreendedor ferroviário Henry B. Plant durante suas viagens pela Europa e Ásia. O edifício — reconhecido por sua arquitetura em estilo Moorish Revival e seus marcantes minaretes — é um Patrimônio Histórico Nacional e chegou a servir como quartel-general durante a Guerra Hispano-Americana. 

Para além das instituições tradicionais, grande parte da criatividade de Tampa se revela ao ar livre. Murais coloridos e esculturas públicas estão espalhados pela cidade, especialmente em Downtown Tampa e Ybor City, onde instalações contemporâneas se integram à paisagem à beira-mar e convidam os visitantes a vivenciar a arte de forma acessível. Centenas de obras de street art refletem a diversidade cultural e a energia criativa da região. 

Um dos exemplos mais icônicos de arte pública é “Phoebe the Flamingo”, uma escultura de cerca de 6 metros de altura instalada no Aeroporto Internacional de Tampa. Criada pelo artista Matthew Mazzotta, a peça hiper-realista se tornou rapidamente um símbolo contemporâneo da cidade e uma das atrações mais fotografadas por visitantes que chegam ao destino. 

Os distritos históricos também desempenham um papel essencial na identidade artística local. Em bairros como Ybor City e West Tampa, antigos edifícios industriais foram transformados em estúdios criativos e espaços culturais. Um exemplo é o Santaella Studios for the Arts, instalado em uma antiga fábrica de charutos e hoje ocupado por dezenas de artistas que trabalham com pintura, fotografia e gravura.
 

Nova feira internacional de arte fortalece o posicionamento cultural de Tampa

O calendário cultural da cidade ganhará ainda mais destaque com o lançamento da Art Fair Tampa, programada para acontecer entre 15 e 18 de outubro de 2026, no Tampa Convention Center. A edição inaugural deve reunir cerca de 300 artistas de diferentes partes do mundo, criando uma plataforma de conexão entre criadores, colecionadores, curadores e entusiastas da arte. 

O evento será realizado em ambiente indoor e contará com exposições, instalações imersivas e uma programação cultural pensada para posicionar Tampa como um ponto de encontro internacional do mercado de arte contemporânea. Os organizadores acreditam que a feira tem potencial para se tornar uma das maiores convenções de arte em espaços fechados dos Estados Unidos. 

Com a combinação de museus de alto nível, arte urbana vibrante e novos eventos culturais de grande porte, Tampa segue se consolidando como um destino atrativo para viajantes em busca de criatividade, história e inovação artística.


VISIT TAMPA BAY
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Como as mulheres estão transformando o networking empresarial

 

As mulheres já representam uma presença significativa no universo empreendedor brasileiro. Dados do Sebrae mostram que o país já conta com mais de 10 milhões de mulheres empreendedoras, o que corresponde a cerca de 34% do total de donos de negócios no Brasil, um recorde histórico que reflete a crescente participação feminina no mercado de trabalho independente. Além disso, a participação feminina entre os empreendedores iniciantes, aqueles com negócios de até 3,5 anos, voltou a crescer e se aproxima de 47%, segundo o Global Entrepreneurship Monitor (GEM) mais recente.

 

Mesmo com esse avanço, estudos indicam que ainda persistem desafios estruturais no acesso a recursos, crédito, mercados e redes de relacionamento, o que impacta diretamente a performance e a escalabilidade dos negócios liderados por mulheres.

 

E é justamente nesse ponto que entra um dos fatores mais decisivos, e menos discutidos , para o sucesso de qualquer empreendimento: o networking.

 

Fazer contatos, conhecer as pessoas certas e construir relações de confiança sempre foi essencial para quem empreende. No entanto, os ambientes tradicionais de negócios e relacionamento ainda são majoritariamente masculinos, o que gera barreiras sutis, mas reais, para a participação feminina. Muitas vezes, não se trata de falta de competência, mas de falta de acesso aos espaços onde as decisões e oportunidades circulam.

 

Esse desafio se soma a outro: a sobrecarga. Muitas empreendedoras acumulam jornadas múltiplas, entre empresa, casa e filhos, o que reduz drasticamente o tempo disponível para participar de eventos sociais, encontros informais e ambientes de relacionamento que historicamente sustentaram o networking empresarial.

 

Diante desse cenário, um movimento silencioso vem transformando a forma como as mulheres se conectam profissionalmente. Mais do que frequentar os mesmos espaços, elas têm modificado a lógica desses ambientes. O networking deixa de ser baseado apenas em trocas superficiais e passa a se apoiar em confiança, colaboração, escuta ativa e construção genuína de vínculos.

 

Esse novo modelo de relacionamento profissional valoriza menos a autopromoção e mais a construção de reputação por meio da consistência, da entrega e da reciprocidade. Em vez de disputar espaço, as mulheres tendem a criar ambientes onde mais pessoas cabem, e isso gera redes mais fortes, mais diversas e, consequentemente, mais produtivas.

 

Quando essas características passam a fazer parte da cultura dos grupos de relacionamento, o impacto não é apenas para as mulheres, mas para todo o ecossistema empreendedor. Ambientes mais colaborativos geram negócios mais sustentáveis, parcerias mais duradouras e decisões mais inteligentes.

 

Em 2026, o que se observa não é apenas um aumento no número de mulheres empreendendo, mas uma mudança concreta na forma como o networking é feito no Brasil. E essa transformação, silenciosa e consistente, pode ser um dos fatores mais relevantes para explicar o fortalecimento do empreendedorismo feminino nos próximos anos.


 

Mara Leme Martins - PhD. Vice-Presidente do BNI Brasil - Business Network International - a maior e mais bem-sucedida organização de networking de negócios do mundo.



Você sabe o que faz um deputado? Curso gratuito explica como funciona o poder que decide leis e bilhões do orçamento

 

Com mais de 5 milhões de alunos, a Kultivi lança série de cursos com o objetivo de contribuir para o fortalecimento da democracia brasileira 

 

Apesar de influenciarem diretamente decisões que impactam a vida da população, as funções de deputados federais e estaduais ainda são pouco compreendidas por grande parte dos brasileiros. Saber exatamente qual é o papel desses representantes, como eles atuam no processo legislativo e de que forma participam da destinação de recursos públicos é fundamental para acompanhar a política de maneira mais consciente.

 Para ajudar a ampliar esse entendimento, a Kultivi, a maior plataforma de ensino gratuito do Brasil, disponibiliza gratuitamente o curso Direito Eleitoral Descomplicado, que explica de forma prática e acessível como funciona o sistema eleitoral brasileiro. Sem juridiquês, o aluno aprenderá como acontecem as eleições no Brasil, desde o alistamento eleitoral até a diplomação dos candidatos eleitos, além de abordar a atuação dos partidos políticos, campanhas eleitorais e regras que garantem a legitimidade do processo democrático. 

Entre os temas abordados estão direitos políticos, funcionamento dos partidos, regras de elegibilidade e inelegibilidade, propaganda eleitoral, cotas de gênero, abusos de poder e soberania popular. Com carga horária de 6 horas, o conteúdo utiliza exemplos e situações do cotidiano para facilitar a compreensão de temas complexos. O curso é indicado para estudantes de Direito, candidatos à OAB, concurseiros e também para qualquer pessoa interessada em entender melhor como funcionam as eleições e a democracia brasileira. 

Segundo Claudio Matos, advogado e fundador da Kultivi, compreender o funcionamento do sistema político é um passo essencial para fortalecer a participação cidadã. “Quando as pessoas entendem como funcionam as instituições e quais são as responsabilidades dos representantes eleitos, elas passam a acompanhar a política de forma mais crítica e consciente. Nosso objetivo é mostrar que o Direito Eleitoral pode ser aprendido de forma clara e acessível”, afirma. 

Mas o que faz um deputado na prática? No Brasil, deputados exercem um papel central no funcionamento do Poder Legislativo. Entre suas principais responsabilidades estão: 

  • Elaborar leis - Deputados podem propor projetos de lei ou emendas à Constituição. As propostas passam por comissões temáticas e, depois de debatidas, são votadas no plenário;
  • Fiscalizar o governo - Outra função importante é o controle das ações do Poder Executivo. Parlamentares podem solicitar informações a ministérios, convocar autoridades para prestar esclarecimentos e participar de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs);
  • Representar a população - Os deputados também atuam como representantes dos interesses da sociedade, levando ao Congresso demandas de diferentes regiões e grupos sociais;
  • Destinar recursos por meio de emendas parlamentares - Os parlamentares podem indicar a aplicação de parte do orçamento público por meio das chamadas emendas parlamentares, direcionando recursos para projetos, obras e serviços em diferentes áreas. 

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Apesar da queda de 15% do roubo de cargas no Sudeste em 2025, RJ segue liderando; Nordeste consolida avanço

Relatório da nstech aponta mudança no mapa do crime, avanço dos roubos de alimentos e medicamentos e maior concentração das ocorrências no horário comercial

 

 

  • Mudança no mapa do crime: participação do Sudeste caiu 15,1 pontos percentuais, enquanto o Nordeste se consolidou como segunda região mais impactada e o Norte entrou no radar;

 

  • Novo foco das quadrilhas: avanço dos roubos de alimentos, medicamentos e eletrônicos indica transição para cargas essenciais e de maior valor agregado;

 

  • Risco ao longo de todo o dia: crescimento das ocorrências no horário comercial reduz a diferença entre períodos e elimina a noção de “horário seguro”;

 

Ao longo de 2025, houve uma mudança geográfica na distribuição dos prejuízos com roubo de carga no Brasil: a região Sudeste, que concentrava a maioria dos prejuízos (83,2%) durante 2024, viu sua participação cair para 68,1% em 2025. Apesar da queda de 15,1 pontos percentuais, ela segue como a região mais crítica.

Além disso, o Nordeste manteve participação praticamente estável (12,2% em 2024 para 12,8% em 2025), consolidando-se como a segunda região mais impactada pelo roubo de cargas e sinalizando que o risco estrutural permanece ativo.

Os dados, portanto, indicam um deslocamento geográfico do crime e demandam uma atenção imediata em rotas e operações antes consideradas de menor risco, uma vez que o Norte saltou de 0,9% para 11,2%, entre 2024 e 2025, entrando no terceiro lugar no ranking das regiões. 

Os números são do relatório “Report nstech de Roubo de Cargas”, elaborado pela nstech, maior empresa de software para supply chain da América Latina e uma das 5 maiores SaaS do Brasil. O estudo é baseado nas informações apuradas pelas gerenciadoras de risco BRK, Buonny e Opentech, que integram o ecossistema da companhia.


Perfil dos roubos nas regiões mais afetadas

No Sudeste, as cargas fracionadas (47,4%) e alimentícias (27,1%) foram os principais alvos em 2025. E os estados de São Paulo e Rio de Janeiro dominam o cenário de risco, com 44,2% e 37% dos prejuízos na região, respectivamente, evidenciando que o problema está fortemente concentrado nos dois maiores hubs logísticos, industriais e consumidores do país.

Já no Nordeste, onde a criminalidade passou de pontual para estrutural, BA (28,4%), MA (24,7%) e PE (23,8%) somaram mais de 75% dos prejuízos regionais, indicando concentração em estados com forte circulação logística, grandes extensões rodoviárias e papel relevante no abastecimento inter-regional.

Por fim, no Norte, Pará (62,9% do total sinistrado) e Tocantins (37,1%) concentraram o prejuízo. Diferente de outras regiões, o risco no Norte é focado em cargas de altíssimo valor agregado. O segmento de eletrônicos representou 25,8% das perdas, higiene e limpeza (7,7%), e fracionados 7,4% dos prejuízos.


Transição para ações mais direcionadas

A carga fracionada segue liderando o prejuízo total em 2025, porém apresentou leve queda na comparação com 2024, passando de 52,4% para 50,1%. Os dados sugerem uma possível transição do roubo de cargas mais genéricas e diversificadas para ações mais direcionadas. 

Em segundo lugar, o segmento de alimentos ampliou sua participação de 20,1% para 26,5% (subindo 6,4 pontos). Em 2025, as cargas de maior valor agregado também tiveram participação relevante nos prejuízos. Eletrônicos cresceram de 6,7% para 7,2%, consolidando-se na terceira posição.

Outros segmentos como medicamentos, que mais que dobraram sua participação (indo de 1,8% para 3,9%), e o setor siderúrgico, com um aumento de 1,1% para 2,4%, também tiveram forte presença ao longo de 2025.

“A mudança de alvo em 2025 representa um ponto de atenção para o próximo ano. Segmentos tradicionais perderam espaço, possivelmente devido ao aumento da complexidade operacional e à maior adoção de tecnologias de rastreamento e bloqueio nessas áreas. Categorias historicamente visadas, como combustível, pneus e eletrodomésticos, apresentaram retração no mapa de prejuízos em 2025, dando abertura para o crescimento de outras como bens essenciais e cargas de alto valor”, analisa Maurício Ferreira, VP de Inteligência de Mercado da nstech.


Estudo também detalha períodos mais perigosos, além de rotas e rodovias críticas

A noite continua sendo o período de maior risco (30,7%) para o transporte de cargas, com uma leve alta em relação a 2024. Além disso, em 2025, na distribuição dos prejuízos por período do dia, a redução mais significativa ocorreu na madrugada, que caiu de 28,4% para 24,1%. Na contramão, houve um aumento da criminalidade no período da manhã, no qual os prejuízos subiram de 19,7% para 22,4%.

“Esses números indicam uma mudança estratégica dos criminosos, que passaram a agir mais em horário comercial, quando o fluxo de veículos de carga se intensifica, em vez de se exporem apenas durante a noite. Em uma análise geral, o risco se tornou mais bem distribuído ao longo das 24 horas do dia. A diferença entre o período mais arriscado (noite, com 30,7%) e o menos arriscado (manhã, 22,4%) diminuiu. Isso sugere que não há mais um "horário seguro", o que obriga as empresas a reforçarem seu estado de alerta durante toda a operação”, completa o especialista.

Outra mudança drástica observada em 2025 foi a queda do risco na segunda-feira, que despencou de 19,6% para 7,9%, deixando de ser o dia mais perigoso. Em seu lugar, a quinta-feira se consolidou como uma data crítica, saltando de 17,1% para 21,6%. Isso mostra uma reorganização completa da atuação dos criminosos, que agora focam em dias úteis (quartas e quintas-feiras).

Seguindo a linha de alerta durante toda a operação, o domingo registrou um aumento significativo de risco, passando de 9,6% para 13,4%. Isso quebra o paradigma de que os fins de semana são períodos de menor atividade criminosa e indica que as quadrilhas estão explorando as janelas de menor fiscalização e tráfego para agir.

Outro indicativo analisado foram o dos trechos urbanos, que mantiveram a liderança nos prejuízos por roubo de cargas em 2025, com destaque para RJ X RJ (23,9%), SP X SP (22,4%) e SP X RJ (17,2%) concentrando mais de 63% do total.

Em 2025, a BR-101 ultrapassou a BR-116, que foi a rodovia com maior concentração de prejuízos do país em 2024. Ainda que a liderança tenha se invertido, as duas rodovias se mantiveram como a principal zona de risco rodoviário do Brasil.

Novas rotas críticas interestaduais também chamam atenção no estudo: a BR-010 saltou de 1,1% para 5,2%, e a BR-153 mais do que dobrou sua relevância na distribuição dos prejuízos, passando de 3,4% para 7,3%. Isso acende o alerta para a atuação de criminosos em corredores logísticos estratégicos para o agronegócio e o abastecimento regional.

Os resultados do grupo acompanham a análise: a nstech apresentou uma taxa de sinistros evitados/recuperados superior a 70%, um recorde estabelecido em 2023 e sustentado desde então. Além disso, a taxa de sinistralidade (prejuízo final vs. valor gerenciado) atingiu o seu menor índice histórico com uma redução de 17% na comparação com 2024.

“Esses resultados são fruto de investimentos massivos em pessoas, processos e, principalmente, em tecnologia, dados e IA, agora consolidadas em nossa robusta rede integrada, a TNS. Nosso report revela como a inteligência de dados está redefinindo a segurança no transporte e como a prevenção eficaz exige inteligência contínua, leitura territorial refinada e capacidade de adaptação rápida”, finaliza o VP.

 

 

nstech



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