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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Uniube e Hemocentro de Uberaba promovem ação de cadastro para doação de medula óssea


A Uniube em parceria com o Hemocentro Regional de Uberaba, realizou nesta terça-feira (7), no Campus Aeroporto, uma ação de conscientização e cadastro para doação de medula óssea. Ao todo, foram 62 cadastros feitos por alunos e colaboradores. 

A iniciativa foi promovida pelo projeto de extensão Amizade Compatível.

Durante a ação, os voluntários realizaram a coleta de uma amostra de sangue de 5 ml para inclusão no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME), banco de dados que reúne informações de possíveis doadores compatíveis em todo o país.

 

A coordenadora do projeto Amizade Compatível, Maria Theresa Cerávolo, afirma que a ação contribui para ampliar o acesso à informação e incentivar a adesão à causa. “Muitas pessoas ainda não têm conhecimento sobre o que é a doação de medula óssea ou não dispõem de tempo para ir até o Hemocentro. Ao levar essa oportunidade para o campus, facilitamos o cadastro e incentivamos a participação. A atividade tem sido um sucesso, especialmente por alcançar o público jovem, entre 18 e 35 anos, que corresponde à maioria dos estudantes da Universidade”, afirma.

 

O médico hematologista do Hemocentro, Ricardo Olivo, ressalta o impacto da iniciativa para ampliar as chances de tratamento de pacientes. “A parceria entre o Hemocentro e a Uniube é extremamente importante para ampliar o número de possíveis doadores de medula óssea. Ainda há muitos pacientes que dependem do transplante para o tratamento, e encontrar um doador compatível não é um processo simples. Por isso, quanto maior o número de pessoas cadastradas, maiores são as chances de identificar compatibilidade e salvar vidas. Esse é o principal objetivo da ação”, afirma.


A aluna de Medicina e integrante do projeto Amizade Compatível, Raissa Santos, também destaca a relevância da ação. “Na doação, são retirados cerca de 10% da medula, sem riscos para o doador. Em aproximadamente duas semanas, esse volume é totalmente recomposto. Para quem recebe, essa doação representa uma nova chance de vida. Esses 10% podem significar 100% de esperança para quem precisa”, pontua.

 

Outono acende alerta para doenças respiratórias e reforça importância da vacinação

Especialista do Ceunsp orienta cuidados para reduzir o risco de complicações durante o período 
 

Com a chegada do outono, é comum observar um aumento nos casos de doenças respiratórias. De acordo com a professora Daiana Zupirolli, do curso de Medicina do Centro Universitário do CEUNSP, as mudanças climáticas típicas da estação impactam diretamente o organismo, especialmente o sistema respiratório.
 

Durante o outono, as temperaturas começam a cair, o ar fica mais seco e há uma tendência maior de permanência em ambientes fechados, o que favorece a circulação de vírus e bactérias. Esse cenário contribui para o aumento da transmissão de doenças. Tosse persistente, coriza, crises de asma e até pneumonias tornam-se mais frequentes nessa época do ano, exigindo maior atenção com a saúde.
 

“As vias aéreas — como nariz, garganta e pulmões — funcionam como uma barreira de defesa do organismo. Quando o ar está mais seco, essas estruturas ficam ressecadas, o que facilita a entrada de agentes infecciosos”, explica a docente.
 

Além disso, as mudanças bruscas de temperatura podem interferir no funcionamento do sistema imunológico, tornando o organismo mais suscetível a infecções ao longo da estação.
 

Diante desse contexto, a vacinação se torna uma das principais estratégias de prevenção. “A vacina contra a gripe é altamente recomendada nesse período, especialmente para grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas”, orienta a docente.
 

Também é importante manter atualizadas outras vacinas, como a pneumocócica e os reforços contra a Covid-19, conforme recomendação médica. Além da imunização, hábitos simples no dia a dia podem contribuir para a proteção da saúde, como manter uma boa hidratação, ter uma alimentação equilibrada, dormir bem, evitar ambientes fechados e mal ventilados e higienizar as mãos com frequência.
 

Para a docente, a prática de atividades físicas, a exposição ao sol e o uso de máscaras em caso de sintomas ajudam a reduzir o risco de transmissão de doenças, além de fortalecer o organismo. Grupos como idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas exigem atenção redobrada, já que apresentam maior risco de complicações.
 

Entre os sinais de alerta estão falta de ar, febre persistente, cansaço intenso, confusão mental ou piora rápida do estado geral. “Esses sintomas indicam a necessidade de avaliação médica e não devem ser ignorados”, reforça.
 

Mesmo com o aumento de casos, especialistas destacam que a prevenção é o principal caminho para atravessar a estação com mais segurança. O outono não precisa ser sinônimo de doença, mas sim de cuidado. Com medidas adequadas, é possível manter a saúde e a qualidade de vida.


 

Ceunsp

www.ceunsp.edu.br

Dia 11 de abril é o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson, segundo o médico Dr. Fernando Gomes, neurocirurgião, neurocientista e professor livre-docente da USP, a data acende alerta para diagnóstico errado, já que pode ser confundido com uma demência tratável que tem cura.

“Nem todo caso que parece Parkinson é realmente Parkinson. Muitos pacientes que apresentam sintomas como dificuldade para caminhar, incontinência urinária e lapsos de memória podem, na verdade, estar enfrentando um quadro de Hidrocefalia de Pressão Normal (HPN) — uma condição menos conhecida, mas uma das poucas formas de demência com tratamento eficaz disponível”, afirma o médico.

Ele conta que os sinais da HPN são sutis e frequentemente confundidos com envelhecimento natural ou com doenças como o Parkinson. “Por isso, muitas vezes o paciente deixa de receber o tratamento adequado, simplesmente por desconhecimento”, explica o Dr. Fernando Gomes que complementa: “A HPN é uma condição neurológica que ocorre quando há acúmulo de líquido cefalorraquidiano nos ventrículos do cérebro, provocando pressão anormal, mas sem aumento da pressão intracraniana detectável”, diz.

Entre os principais sintomas, o neuro destaca que a dificuldade para andar, com passos curtos e desequilíbrio, incontinência urinária, inicialmente com urgência e depois perda involuntária e perda de memória e outros sintomas cognitivos são os que mais merecem atenção.

Segundo o Dr. Fernando, esses sinais costumam surgir a partir dos 65 anos e são muitas vezes ignorados pela própria família, que atribui ao envelhecimento ou à progressão de doenças neurodegenerativas.

A boa notícia é que a HPN pode ser identificada por exames de imagem como tomografia de crânio e ressonância magnética de encéfalo, que revelam o aumento dos ventrículos cerebrais. Com o diagnóstico correto, o tratamento — geralmente feito com a colocação de uma válvula de derivação para drenar o excesso de líquido — pode reverter significativamente os sintomas.

“Quanto mais cedo o tratamento for iniciado, maiores são as chances de melhorar a qualidade de vida do paciente e retardar a progressão da doença”, reforça o neurocirurgião.
 

Cirurgia para Parkinson: quando ela é indicada?

No Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson (11.04), especialista explica em quais casos o procedimento é recomendado e quais são os critérios de indicação

 

A Doença de Parkinson, condição neurológica degenerativa que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, deve crescer de forma expressiva nas próximas décadas. Um estudo recente publicado no British Medical Journal (BMJ) aponta que o número de pessoas vivendo com a doença pode mais que dobrar até 2050, alcançando 25,2 milhões de casos. Mesmo sendo a segunda doença neurodegenerativa mais comum, atrás apenas do Alzheimer, o Parkinson ainda é cercado de dúvidas, especialmente em relação às possibilidades de tratamento. 

Inicialmente, a abordagem mais comum é baseada em medicamentos, sendo a cirurgia uma alternativa em momentos específicos da evolução da doença. “A cirurgia na Doença de Parkinson nunca é o primeiro e nem o último recurso. Em linhas gerais, ela deve ser considerada quando o remédio ainda funciona, mas já não consegue controlar bem o dia a dia do paciente”, explica Dr. Normando Guedes, médico neurocirurgião e professor na pós-graduação da Afya Goiânia. 


Nessas situações, sinais como flutuações motoras importantes, quando há oscilações na resposta aos medicamentos ao longo do dia; tremores incapacitantes que não respondem adequadamente ao tratamento clínico e a presença de discinesias (movimentos involuntários provocados pela própria medicação) podem indicar a necessidade de avaliação cirúrgica. “Pacientes que apresentam grandes variações no controle dos sintomas ou efeitos colaterais relevantes do tratamento medicamentoso podem ser candidatos à cirurgia”, destaca o especialista.


Entre os procedimentos disponíveis, a estimulação cerebral profunda (DBS) é uma das principais opções, atuando diretamente em áreas do cérebro responsáveis pelo controle dos movimentos. A indicação, no entanto, é sempre individualizada. “Os melhores candidatos são aqueles que ainda respondem à levodopa (medicamento usado no tratamento da doença que se transforma em dopamina no cérebro, ajudando a reduzir tremores, rigidez e lentidão dos movimentos.), mas já enfrentam dificuldades no controle dos sintomas ao longo do dia. Avaliamos fatores como idade, tempo de evolução da doença, presença de comorbidades e o perfil dos sintomas predominantes”, afirma Dr. Normando.


De modo geral, pacientes mais jovens, sem comprometimento cognitivo significativo e com predominância de sintomas motores tendem a apresentar melhores resultados. Por outro lado, a presença de demência ou doenças clínicas graves pode limitar a indicação cirúrgica. “Um dos maiores erros é acreditar que a cirurgia é um último recurso. Na verdade, ela tem indicações precisas e uma janela de tempo ideal para ser considerada”, reforça o médico da Afya.


Embora não seja curativa, a cirurgia pode proporcionar melhora significativa na qualidade de vida, reduzindo tremores, rigidez e a dependência de medicamentos. Por isso, o acompanhamento com uma equipe multidisciplinar é essencial para identificar o momento adequado de indicar o procedimento e garantir ao paciente acesso a todas as opções terapêuticas ao longo da evolução da doença.


Afya
www.afya.com.br
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Amanda Meirelles alerta para riscos da desinformação em saúde nas redes sociais

 Médica chama atenção para a importância de buscar informações com base técnica e reforça responsabilidade na comunicação digital

 

A forma como as pessoas consomem informações sobre saúde mudou nos últimos anos. Antes mesmo de procurar atendimento médico, muitos recorrem às redes sociais em busca de respostas, orientações e experiências compartilhadas. 

Para a médica Amanda Meirelles, esse movimento exige atenção. Em sua atuação como comunicadora, ela tem abordado a importância de acompanhar conteúdos produzidos por profissionais qualificados e de questionar informações que circulam sem base técnica. 

“Hoje, muita gente se baseia em informações que viu na internet. Nem sempre isso vem de uma fonte confiável. O problema não é buscar informação, mas em quem você escolhe confiar”, afirma. 

Segundo Amanda, a circulação de conteúdos sem respaldo pode gerar interpretações equivocadas e impactar diretamente decisões relacionadas à saúde, como automedicação, atraso na busca por atendimento adequado, uso de tratamentos sem eficácia comprovada e até o agravamento de quadros clínicos. “Existe uma diferença entre experiência pessoal e conhecimento técnico. Quando a gente fala de saúde, isso precisa ser levado a sério, porque pode ter consequência na vida das pessoas”, diz. 

Ao mesmo tempo, ela aponta que as redes sociais também abriram espaço para que médicos consigam dialogar de forma mais direta com o público, traduzindo temas complexos e facilitando o acesso à informação. 

“Estar nas redes sociais como médica é uma responsabilidade que eu levo muito a sério. Quando penso em um conteúdo, a minha intenção é informar de forma clara e o mais simples possível, sem criar atalhos que não existem. Eu sempre considero até onde aquela informação pode impactar e onde começa a necessidade de uma avaliação individual. Nem tudo pode ser generalizado, e isso precisa ficar claro para quem está assistindo”, explica.
 

Confiança em especialistas segue alta, mas desinformação avança 

Para quem acompanha conteúdos de saúde, Amanda reforça a importância de observar a formação de quem está falando e evitar soluções rápidas ou promessas simplificadas. Dados recentes do Edelman Trust Barometer 2025 mostram que especialistas técnicos, como médicos, seguem entre as fontes mais confiáveis, com índices que passam de 70% globalmente. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com a circulação de informações sem base, especialmente na área da saúde. 

“As redes são uma ferramenta importante, mas não substituem consulta, diagnóstico ou acompanhamento médico. Informação de qualidade ajuda, mas precisa vir de quem tem preparo para isso”, finaliza. 



Amanda Meirelles - médica, comunicadora e criadora de conteúdo. Ficou conhecida nacionalmente após participar e vencer o Big Brother Brasil 23 e, desde então, utiliza suas plataformas digitais para abordar temas relacionados à saúde, bem-estar e qualidade de vida de forma acessível. Em seus conteúdos e entrevistas, fala sobre rotina, saúde mental, autocuidado e hábitos que impactam o dia a dia das pessoas, além de participar de debates e projetos voltados à ampliação do acesso à informação em saúde.
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Aché e Biosintética Prescrição realizam iniciativas que ampliam o apoio ao diagnóstico e à segurança de pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA)

 

Conteúdos de educação médica continuada e um guia baseado em evidências para apoiar o diagnóstico precoce e a segurança de crianças e adolescentes com TEA são algumas das ações


O Dia Mundial de Conscientização do Autismo (2 de abril) reforça a necessidade de ampliar o debate e o acesso à informação sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). No Brasil, cerca de 2,4 milhões de pessoas têm o diagnóstico, o equivalente a 1,2% da população, segundo o Censo Demográfico 2022 do IBGE. Nesse contexto, ganha força o apoio não só a pacientes, cuidadores e familiares, mas também a profissionais de saúde, diante dos desafios do diagnóstico precoce e preciso. Com esse objetivo, o Aché Laboratórios Farmacêuticos e a Biosintética Prescrição desenvolveram um hub de serviço (Link) voltado à jornada do paciente com autismo. A plataforma reúne prestações de serviços com conteúdos informativos, combate a estigmas e apoia as famílias e pessoas autistas. 

Outro foco da iniciativa é a segurança. Para facilitar a identificação e o manejo de pessoas autistas, especialmente aquelas não verbais, em situações de risco, foi criado um acessório multimodal, disponível em formato de pulseira ou QR Code. O recurso pode ser aplicado em roupas e mochilas, respeitando a sensibilidade sensorial.

“Nosso compromisso é aproximar a ciência da prática clínica, oferecendo suporte qualificado aos profissionais de saúde e ampliando o acesso a ferramentas que façam diferença na jornada dos familiares e dos pacientes com autismo. Ao integrar educação médica, tecnologia e soluções de identificação, buscamos contribuir para diagnósticos precoces, além de promover mais segurança e qualidade de vida para pessoas com TEA, seus cuidadores e suas famílias”, explica o médico psiquiatra Dr. Stevin Zung, Diretor Médico-Científico do Aché Laboratórios. 

No projeto-piloto, os acessórios foram doados à AMA (Associação de Amigos do Autista), enquanto a plataforma Cuidados Pela Vida (CPV) ficou responsável pelo cadastro dos interessados. A ferramenta permite registrar informações como alergias, medicamentos, contatos e características comportamentais. Em emergências, o acesso rápido a esses dados pode agilizar o atendimento e o acolhimento adequado destes pacientes. 

No campo científico, a iniciativa inclui o “Guia Prático — Transtorno do Espectro Autista”, elaborado por equipe multidisciplinar e chancelado pela Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI). Lançado no Congresso Brasileiro de Neurologia Infantil, o material organiza o raciocínio clínico e apoia o diagnóstico precoce, ainda desafiador devido à ausência de marcadores biológicos. O conteúdo aborda desde aspectos clínicos e diagnósticos até tratamento, prognóstico e comorbidades, com a inclusão de casos práticos e fluxogramas que auxiliam na tomada de decisão.

 

Mês de Conscientização

Em celebração ao mês de conscientização do autismo, em 9 de abril será realizado um encontro presencial com os autores do Guia Prático – Transtorno do Espectro Autista. O evento também contará com transmissão online com especialistas da área. A ação tem como objetivo aprofundar a discussão sobre o tema e ampliar conhecimento médico para um diagnóstico e tratamento precoce. 

Participarão do encontro a Dra. Stephanie Toscano e a presidente da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil, Dra. Simone Amorim, além dos coautores da obra, como Dra. Rosa Magaly C.B. de Morais, médica pediatra e psiquiatra; Dr. Erasmo Casella, membro do Departamento Científico de Transtornos do Neurodesenvolvimento da SBNI, editor do guia e médico assistente e coordenador do Ambulatório de Transtornos do Neurodesenvolvimento do Instituto da Criança e do Adolescente (ICr) do HCFMUSP; Dra. Adélia Henriques Souza; Dra. Beatriz Borba Casella e a Dra. Eliete Chiconelli Faria. 

O evento é voltado para médicos de diferentes especialidades. Os interessados em participar da transmissão ao vivo podem se cadastrar por meio do link. “Nosso objetivo é apoiar o diagnóstico precoce do TEA e qualificar o cuidado ao paciente, integrando educação médica, acesso a conteúdos baseados em evidências e soluções que ampliem a segurança no dia a dia. Com essas frentes, buscamos contribuir para intervenções mais oportunas e para a melhoria da qualidade de vida de pessoas com autismo, seus cuidadores e familiares”, afirma Erick Matheus Francischelli Machado, diretor da Unidade de Negócio da Biosintética Prescrição.

 

14ª Caminhada de Conscientização sobre o Autismo de Guarulhos

Ainda em alusão ao mês de conscientização, a Biosintética Prescrição patrocina a 14ª Caminhada de Conscientização sobre o Autismo. O evento será realizado no dia 11 de abril (sábado), em Guarulhos, na Praça Getúlio Vargas (região central), e deve reunir cerca de mil participantes. 

Biosintética Prescrição -empresa do Grupo Aché e atua com marcas próprias em diversos segmentos do mercado farmacêutico.


O que muda na saúde com a nova lei federal que amplia papel das empresas na prevenção em saúde com foco em vacinação e diagnóstico precoce

A prevenção em saúde passou a ocupar, oficialmente, mais espaço dentro das empresas. Publicada no início de abril, a Lei 15.377/26 determina que empregadores disponibilizem a seus funcionários informações sobre campanhas oficiais de vacinação, sobre o papilomavírus humano (HPV) e sobre os cânceres de mama, colo do útero e próstata, além de orientações sobre acesso a exames e serviços de diagnóstico1. Na prática, a mudança altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e reforça uma percepção cada vez mais urgente na medicina: cuidar da saúde não pode seguir sendo uma decisão adiada para “quando der tempo”.  

“Na prática, a nova regra aproxima a prevenção da rotina e ajuda a enfrentar um dos principais obstáculos do cuidado no Brasil: o adiamento. Quando o acesso é incentivado, aumentam as chances de diagnóstico precoce e de adesão a medidas preventivas que fazem diferença real na saúde, especialmente em doenças que têm alta incidência na população brasileira e apresentam melhores desfechos quando identificadas precocemente”, afirma a Dra. Maria Isabel de Moraes-Pinto, infectologista e consultora de vacinas na Dasa. 

Em boa parte das doenças citadas pela nova legislação, o tempo muda o desfecho. Quando descobertos em fases iniciais, cânceres como os de mama, colo do útero e próstata costumam apresentar taxas de sobrevida muito superiores às observadas em estágios avançados, o que transforma rastreamento, acesso e informação em ferramentas decisivas.  

Os números ajudam a dimensionar esse impacto. No câncer de mama, por exemplo, a sobrevida relativa em cinco anos supera 99% quando o tumor é localizado, caindo de forma importante à medida que a doença avança2. No tumor do colo do útero, a sobrevida em cinco anos chega a cerca de 91% quando o diagnóstico ocorre em estágio localizado3. Já no câncer de próstata, a sobrevida em cinco anos também é superior a 99% nos casos localizados, reforçando o quanto a detecção em tempo oportuno pode mudar a trajetória clínica4 

No caso do câncer de colo do útero, a discussão ganha um peso adicional porque a doença está diretamente associada, na maior parte dos casos, à infecção persistente pelo HPV, um vírus extremamente comum e, muitas vezes, silencioso. Isso faz da prevenção um campo ainda mais robusto: além do rastreamento, há hoje a possibilidade concreta de evitar a infecção pelos tipos virais mais associados ao câncer.  

“A vacinação contra o HPV pode prevenir mais de 90% dos cânceres causados pelo vírus. E esse benefício vai muito além do colo do útero: a imunização também protege contra cânceres de ânus, pênis, vulva, vagina e está associada à prevenção de parte dos tumores de orofaringe”, ressalta a infectologista.  

É justamente por isso que ampliar o acesso à informação e ao rastreamento faz tanta diferença. Quando alterações relacionadas ao HPV são identificadas cedo, há uma janela maior para acompanhamento e tratamento antes da progressão da doença. E esse cuidado passou, nos últimos anos, a contar também com soluções mais aderentes à vida real, como o teste de autocoleta para HPV, que amplia as possibilidades de rastreamento ao permitir que a própria mulher realize a coleta da amostra — uma estratégia que tende a reduzir barreiras de acesso, vergonha, logística e adiamento. 

“Quando falamos em câncer de colo do útero, estamos falando de uma doença que, em grande parte dos casos, pode ser evitada ou identificada precocemente. O HPV tem papel central nesse processo, e por isso a informação, a vacinação e o rastreamento adequado fazem tanta diferença”, diz a médica.
 

Gripe, influenza e outras síndromes respiratórias

A nova lei também chega em um momento oportuno para reforçar outra frente importante da prevenção: a proteção contra doenças respiratórias, especialmente em períodos de maior circulação viral. Com a retomada mais ampla do trabalho presencial e a sazonalidade de infecções respiratórias, a vacinação contra gripe volta a ganhar relevância dentro e fora do ambiente corporativo — sobretudo entre idosos e pessoas com maior vulnerabilidade clínica. 

Nesse contexto, a Efluelda, vacina de alta dose contra a gripe indicada para pessoas idosas, entra como exemplo de estratégia voltada à proteção de grupos com maior risco de complicações. Mas, como reforçam especialistas, a prevenção não se resume a uma aplicação. Ela é construída pela combinação de medidas que ajudam a reduzir exposição, transmissão e agravamento de doenças.

“Quando falamos em prevenção, não estamos falando de uma ação isolada, mas de um cuidado contínuo. A vacina é central, mas ela se soma a hábitos e decisões que ajudam a reduzir exposição, transmissão e complicações, especialmente entre quem já tem uma vulnerabilidade maior”, explica a Dra. Maria Isabel de Moraes-Pinto.

Além da proteção contra a gripe e suas complicações respiratórias, a vacinação contra influenza tem sido associada, em diferentes estudos observacionais e metanálises, a menor risco de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares em alguns grupos, especialmente entre pessoas mais velhas e com doenças crônicas. Há evidências de redução de eventos como infarto e AVC após a vacinação, além de estudos recentes que apontam associação com menor risco de demência incidente, incluindo doença de Alzheimer e demência vascular. Embora essas associações não mudem a principal indicação da vacina — a prevenção da gripe e de suas complicações —, elas ampliam a compreensão sobre o impacto sistêmico da imunização na saúde ao longo do envelhecimento 5-8.

Essa lógica se conecta a um movimento mais amplo da saúde, que vem tentando aproximar o cuidado da rotina real das pessoas. Exames, rastreamento, acompanhamento e até alguns modelos de tratamento têm avançado em direção a formatos mais acessíveis, incluindo o atendimento domiciliar e, em alguns contextos, modalidades de infusão em casa, o que amplia a possibilidade de adesão ao cuidado e reduz a chance de abandono ou postergação.

Entre as principais estratégias da prevenção continuam estando medidas simples, mas decisivas: vacinação, rastreamento adequado, higienização frequente das mãos, atenção aos sintomas, etiqueta respiratória, além da manutenção do acompanhamento médico regular, especialmente entre pessoas com doenças crônicas, idosos e grupos mais vulneráveis.

Ao colocar vacinação, HPV, câncer e exames preventivos na mesma conversa, a nova legislação reforça uma mudança importante: a prevenção deixou de ser apenas uma recomendação de consultório e passou a ser, também, uma agenda de rotina, acesso e cultura. E, em saúde, quase sempre é isso que separa o cuidado em tempo certo do cuidado tardio.

 

Referências 

1. BRASIL. Câmara dos Deputados. Lei determina que empresas divulguem campanhas de conscientização sobre vacinas, HPV e câncer. Brasília, DF, 6 abr. 2026. Disponível em: Link. Acesso em: 8 abr. 2026. 

2. AMERICAN CANCER SOCIETY. Breast cancer survival rates. Atlanta, 2024. Disponível em: Link. Acesso em: 8 abr. 2026.

3. AMERICAN CANCER SOCIETY. Survival rates for cervical cancer. Atlanta, 2024. Disponível em: Link. Acesso em: 8 abr. 2026.

4. AMERICAN CANCER SOCIETY. Survival rates for prostate cancer. Atlanta, 2024. Disponível em: Link. Acesso em: 8 abr. 2026.

5. VIRANI, Salim S. et al. Heart disease and stroke statistics—2021 update: a report from the American Heart Association. Circulation, Dallas, v. 143, n. 8, 2021. DOI: https://doi.org/10.1161/CIR.0000000000001009.

6. JAMA Network Open, Chicago, 2022. Disponível em: Link. Acesso em: 8 abr. 2026.

7. European Respiratory Journal, Sheffield, v. 51, n. 3, 2018. Disponível em: Link. Acesso em: 8 abr. 2026.

8. NPJ Vaccines, [s.l.], 2024. Disponível em: Link. Acesso em: 8 abr. 2026.

 


Medicamentos em supermercados: especialistas alertam para riscos da automedicação e esclarecem o que muda na prática

Nova proposta amplia debate sobre acesso e segurança; especialistas da Universidade Positivo reforçam que remédios não poderão ficar em gôndolas comuns e exigem controle sanitário rigoroso

 

A possibilidade de venda de medicamentos em supermercados reacendeu um debate importante no país: ampliar o acesso sem comprometer a segurança da população. O tema, que vem ganhando espaço no cenário nacional, exige esclarecimentos sobre o que, de fato, muda na prática e quais são os riscos para o consumidor. 

Especialistas da Universidade Positivo (UP) explicam que a medida não representa liberação irrestrita de medicamentos em prateleiras comuns, ao lado de produtos de conveniência, como alimentos e itens de higiene. 

Segundo Gabriel Schulman, docente da Graduação e do Mestrado em Direito da instituição, o modelo previsto exige a instalação de uma farmácia dentro do supermercado, com estrutura e normas específicas. 

“Não se trata de colocar medicamentos em gôndolas comuns. A legislação exige um espaço delimitado, controle sanitário rigoroso e presença obrigatória de farmacêutico durante todo o horário de funcionamento”, explica. 

O especialista destaca que a discussão não está apenas no local de venda, mas no padrão técnico de dispensação. 

“O ponto central não é onde se vende, mas como se vende. O medicamento não pode ser tratado como produto de conveniência, e sim como tecnologia de saúde que exige orientação e responsabilidade.”

 

Risco de automedicação preocupa - Para Felipe Lukacievicz Barbosa, farmacêutico clínico, doutor em Farmacologia e coordenador do curso de Farmácia da UP, a ampliação do acesso pode ter benefícios, mas exige cautela. 

“O aumento do acesso pode facilitar o tratamento, mas também eleva o risco de automedicação inadequada, uso incorreto de doses, interações medicamentosas e atraso de diagnósticos importantes.” 

Entre as maiores preocupações estão idosos, crianças e pacientes que já utilizam múltiplos medicamentos. 

“O grande risco é a banalização do medicamento como item de consumo. Sem orientação adequada, ele pode mascarar sintomas e agravar problemas de saúde.”

 

O papel do farmacêutico ganha ainda mais relevância - Os especialistas reforçam que a presença física do farmacêutico, embora obrigatória, não é suficiente por si só. 

“É necessária uma atuação clínica ativa, com orientação individualizada, análise de interações e esclarecimento sobre contraindicações”, afirma Barbosa. 

Para Gabriel Schulman, a nova legislação também pode redefinir o papel social do farmacêutico. 

“O impacto dependerá de como esse profissional será inserido nesse novo contexto: como agente de cuidado ou apenas operador de dispensação.” 


Ovário policístico e miomas ainda cercam milhões de brasileiras de dúvidas

Com alta prevalência no país, condições ginecológicas comuns seguem cercadas por mitos sobre fertilidade, câncer, sintomas e tratamento; especialista do Hospital e Maternidade Santa Joana esclarece o que é verdade

 

A síndrome dos ovários policísticos e os miomas uterinos estão entre as condições ginecológicas mais comuns entre as mulheres brasileiras, mas ainda cercadas por desinformação. Segundo o Ministério da Saúde, a síndrome dos ovários policísticos acomete de 6% a 10% das mulheres em idade fértil. Já documentos da Conitec, entidade ligada ao Ministério da Saúde, indicam que os miomas atingem cerca de 60% das mulheres em idade reprodutiva. Na prática, isso significa que milhões de brasileiras convivem com essas condições, muitas vezes sem diagnóstico precoce ou com informações incompletas sobre sintomas, fertilidade e tratamento. 

Para a Dra. Helga Marquesini, ginecologista da Pro Matre Paulista, o problema é que tanto o ovário policístico quanto os miomas costumam ser tratados de forma simplificada demais. “São condições frequentes, mas que ainda geram muita dúvida. Muitas mulheres ou normalizam sintomas importantes, como irregularidade menstrual, dor e sangramento excessivo, ou chegam ao consultório muito assustadas por mitos que circulam sem contexto. Informação correta é essencial para diagnóstico e tratamento adequados”, afirma. 

A seguir, a especialista esclarece os principais mitos e verdades sobre o tema:

 

1. Quem tem ovário policístico não pode engravidar

Mito. A síndrome dos ovários policísticos pode dificultar a ovulação e tornar a gravidez mais desafiadora em alguns casos, mas não significa infertilidade definitiva. Com acompanhamento médico, muitas pacientes conseguem engravidar. “A SOP não deve ser encarada como uma sentença de infertilidade. Ela pode exigir investigação, controle hormonal e, em alguns casos, indução de ovulação, mas há tratamento e acompanhamento”, diz Dra. Helga.

 

2. Menstruação irregular pode ser um sinal importante de ovário policístico

Verdade. O Ministério da Saúde aponta a irregularidade menstrual como um dos sinais centrais da SOP, junto com manifestações como acne, excesso de pelos e alterações vistas no ultrassom. “Quando o ciclo menstrual muda de forma persistente, isso merece atenção. Nem sempre será SOP, mas não deve ser tratado como algo sem importância”, explica a médica.

 

3. Ovário policístico afeta só a parte reprodutiva

Mito. A síndrome também pode estar associada a alterações metabólicas, como resistência à insulina, obesidade, diabetes e síndrome metabólica. “É uma condição que vai além da fertilidade. Muitas vezes é preciso olhar para peso, metabolismo, estilo de vida e fatores de risco futuros”, afirma Dra. Helga Marquesini.

 

4. Mioma pode virar câncer

Mito. Os miomas uterinos, também chamados de leiomiomas, são tumores benignos. Quando realizado o ultrassom ou ressonância e as imagens forem sugestivas de miomas que surgem com o que chamamos de características suspeitas ou que apresentam crescimento muito rápido podem necessitar de intervenção precoce, para descartar que sejam outro tipo de tumor. “A palavra tumor assusta, mas no caso do mioma estamos falando de uma lesão benigna. O que deve ser avaliado é o impacto na saúde e na qualidade de vida da mulher”, esclarece a ginecologista.

 

5. Nem todo mioma causa sintomas

Verdade. Muitos miomas são descobertos em exames de rotina, sem que a paciente tenha sintomas. Mas, em alguns casos, eles podem provocar sangramento intenso, cólicas, dor pélvica, anemia, aumento da frequência urinária e até dificuldade para engravidar. “A conduta depende muito do tamanho, da localização e dos sintomas. Há casos que só precisam de acompanhamento e outros que exigem tratamento”, diz Dra. Helga.

 

6. Toda mulher com mioma precisa retirar o útero

Mito. O tratamento dos miomas não é igual para todas as pacientes. Existem opções medicamentosas e cirúrgicas, e em muitos casos é possível preservar o útero, especialmente quando há desejo reprodutivo. “A decisão terapêutica é individualizada. Nem toda paciente vai precisar de cirurgia, e nem toda cirurgia significa histerectomia”, afirma a especialista.

A Dra. Aline reforça que sinais como sangramento menstrual muito intenso, dor pélvica persistente, ciclos muito irregulares, acne importante, aumento de pelos e dificuldade para engravidar devem ser investigados. “O mais importante é não normalizar sintomas que afetam o corpo, qualidade de vida e a rotina da mulher. Quanto mais cedo houver avaliação e diagnóstico, maiores são as chances de controlar os sintomas e escolher o tratamento mais adequado”, conclui.

 

Hospital e Maternidade Santa Joana
Site: www.santajoana.com.br


Tratamento contra câncer de mama pode deixar sequelas no coração anos depois

Freepik

Pesquisa liderada pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) mostra que alterações no sistema nervoso e nos vasos sanguíneos persistem mesmo com exames cardíacos normais

 

O avanço dos tratamentos contra o câncer de mama tem ampliado a sobrevida das pacientes, mas um novo estudo publicado no Journal of the American Heart Association revela um efeito silencioso e duradouro: mulheres tratadas com certas terapias podem desenvolver alterações cardiovasculares anos após o fim do tratamento, mesmo quando os exames indicam um coração saudável. 

A pesquisa foi conduzida por cientistas do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), em parceria com o Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InCor), além de instituições no Brasil e nos Estados Unidos. 

O estudo buscou entender por que pacientes tratadas com medicamentos como a doxorrubicina e o trastuzumabe apresentam maior risco de doenças cardiovasculares no longo prazo. 

Foram avaliadas 23 mulheres cerca de oito anos após o término do tratamento, em comparação com um grupo saudável. Utilizando técnicas avançadas, os pesquisadores identificaram uma hiperatividade do sistema nervoso, com níveis 31% superiores aos do grupo controle, um estado de alerta constante que impacta diretamente o organismo. 

Essa alteração está associada a uma redução de 26% na capacidade de realizar exercícios físicos. Além disso, as pacientes apresentaram vasos sanguíneos mais rígidos, dificultando a circulação do sangue durante o esforço. 

Mesmo com a função de bombeamento do coração preservada, o estudo detectou sinais de desgaste no organismo, como aumento do estresse oxidativo e alterações no sangue, mudanças que não aparecem nos exames cardíacos convencionais. 

Segundo Allan Kluser Sales, pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) explica “O que observamos é que, mesmo quando o coração parece normal, há uma disfunção importante no sistema que controla a circulação. Isso ajuda a explicar por que muitas pacientes relatam cansaço persistente anos após o tratamento”, afirma Allan. 

Na prática, os achados ajudam a explicar sintomas como fadiga e intolerância ao exercício, muitas vezes atribuídos apenas ao sedentarismo, mas que podem ter origem em alterações fisiológicas duradouras. 

Os resultados reforçam a necessidade de acompanhamento cardiovascular contínuo em pacientes que tiveram câncer de mama, especialmente aquelas expostas a terapias com potencial cardiotóxico.


CONITEC abre consulta pública para incorporação de Alhemo® (concizumabe) no SUS para pacientes com hemofilia B com inibidores

 

  • O uso profilático de Alhemo® (concizumabe) demonstrou reduzir em 86% os episódios de sangramento1
  • Alhemo® (concizumabe) representa um passo importante no cuidado da hemofilia ao reduzir a necessidade de infusões intravenosas frequentes1
  • A possível inclusão de Alhemo® (concizumabe) no SUS pode ampliar o acesso a uma terapia inovadora para pacientes com o tratamento
  • A consulta pública de Alhemo® marca um avanço importante para a equidade do cuidado em hemofilia ao expandir o acesso à profilaxia para Hemofilia B com inibidor, oferecendo opções além das já disponíveis para o tratamento da hemofilia A 


A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC) abriu consulta pública para avaliar a incorporação de Alhemo® (concizumabe) ao Sistema Único de Saúde (SUS) como tratamento para pessoas com hemofilia B com inibidores. No Brasil, o tratamento da hemofilia é oferecido exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o que torna o processo de avaliação e eventual incorporação de novas tecnologias ainda mais relevante para garantir acesso equitativo a terapias inovadoras em todo o território nacional. Nesse contexto, a consulta pública de Alhemo® marca um avanço na equidade do cuidado em hemofilia, ao colocar em pauta a ampliação do acesso à profilaxia para pessoas com hemofilia B com inibidores, ampliando a disponibilidade de opções de tratamento para além daquelas já estabelecidas para a hemofilia A. 

A hemofilia é uma doença genética rara caracterizada pela deficiência de fatores de coagulação. Tanto no tipo A quanto no B, os pacientes podem apresentar sangramentos espontâneos ou prolongados. 

Um dos principais desafios clínicos da hemofilia é o desenvolvimento de inibidores, anticorpos que neutralizam os fatores de coagulação utilizados no tratamento convencional, dificultando o controle dos sangramentos e tornando a condução da doença mais complexa. 

Diferentemente das terapias tradicionais, que substituem as proteínas de coagulação ausentes, como o fator VIII ou o fator IX, o Alhemo® atua em uma etapa inicial da coagulação por um mecanismo alternativo. Isso proporciona ao medicamento a sua eficácia mesmo em pacientes que desenvolveram inibidores, ampliando, dessa maneira, as possibilidades de controle da doença.1 

O medicamento é administrado por meio de caneta pré-preenchida de uso diário, representando uma inovação na experiência terapêutica para pacientes com 12 anos ou mais que vivem com hemofilia A ou B com inibidores.2 

Nos resultados do estudo clínico EXPLORER71, foi demonstrada uma redução significativa dos episódios de sangramento tratados, com redução de 86% no número anual de sangramentos nos pacientes que utilizaram o medicamento diariamente em comparação ao grupo sem profilaxia (tratamento sob demanda). Além disso, entre os pacientes que receberam a medicação de forma preventiva, 63,6% não apresentaram episódios de sangramento nas primeiras 24 semanas. No estudo, não foram observados eventos tromboembólicos, reforçando o perfil de segurança favorável do medicamento.1  

“A hemofilia impõe desafios diários a milhares de brasileiros e suas famílias. Inovações terapêuticas como essa ampliam as possibilidades de controle da doença, reduzem o risco de sangramentos e contribuem para uma rotina mais estável e previsível. Nosso compromisso é apoiar soluções que promovam mais qualidade de vida, autonomia e bem-estar para as cerca de 14 mil pessoas que vivem com algum tipo de hemofilia no país”, destaca Priscilla Mattar, vice-presidente médica da Novo Nordisk no Brasil.

 

Consulta pública

 A avaliação da CONITEC considera as evidências de eficácia e segurança do tratamento para a população. Assim, a consulta pública é uma etapa fundamental do processo de incorporação de tecnologias no SUS, garantindo transparência e participação social nas decisões relacionadas ao acesso a tratamentos inovadores. 

“A consulta pública é um momento essencial para que pacientes, profissionais de saúde, associações e toda a sociedade civil contribuam com suas experiências e perspectivas. A participação ativa nesse processo fortalece decisões mais transparentes, técnicas e alinhadas às necessidades reais das pessoas que convivem com a hemofilia no Brasil” finaliza Leonardo Bia, vice-presidente de assuntos corporativos e sustentabilidade da Novo Nordisk no Brasil. 

Para participar, os interessados devem acessar o portal da CONITEC até 27 de abril e registrar sua contribuição. Consulta Pública nº 23/2026.

 

Sobre o estudo EXPLORER71

O EXPLORER71 é um ensaio clínico que estabeleceu a eficácia e segurança do Alhemo® para pacientes adultos e pediátricos com 12 anos ou mais que vivem com hemofilia A ou B com inibidores. No EXPLORER7, 52 homens foram aleatoriamente designados na proporção de 1:2 para não receber profilaxia (braço 1, n=19) ou profilaxia com Alhemo® (braço 2, n=33), e 81 homens foram designados não aleatoriamente para receber profilaxia com Alhemo® (braços 3 e 4)1. A dose inicial de Alhemo® foi de 1 mg por quilograma de peso corporal, seguida de 0,2 mg por quilograma diariamente, e potencialmente individualizada com base na concentração plasmática de concizumabe-mtci, medida na semana 4. A análise primária foi realizada quando todos os pacientes nos braços 1 e 2 completaram pelo menos 24 ou 32 semanas, respectivamente, e comparou o número de episódios hemorrágicos espontâneos e traumáticos tratados, medido como ABR, entre os braços um e dois. Desfechos secundários de apoio, como a porcentagem de pacientes sem episódios hemorrágicos, foram relatados apenas como resultados descritivos.

 

Sobre a injeção de Alhemo® (concizumabe-mtci)

Alhemo® é um antagonista do inibidor da via do fator tecidual (TFPI), uma proteína no corpo que ajuda a impedir a coagulação sanguínea. Ao inibir o TFPI, Alhemo® melhora a produção do fator Xa (FXa) durante a fase inicial da coagulação, levando à melhora da geração de trombina e formação de coágulos em pacientes com hemofilia A ou B com inibidores. O efeito de Alhemo® não é influenciado pela presença de anticorpos inibidores do FVIII ou FIX, e Alhemo® não induz ou aumenta o desenvolvimento de inibidores diretos ao FVIII ou FIX. Alhemo® é aprovado como profilaxia diária para prevenir ou reduzir a frequência de episódios hemorrágicos em adultos e pacientes pediátricos com 12 anos ou mais com hemofilia A ou B com inibidores nos EUA.

 

Novo Nordisk
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Referências:

  1. Matsushita et al. Phase 3 Trial of Concizumab in Hemophilia with Inhibitors. The New England Journal of Medicine, v. 389, n. 9, p. 783-794, 31 ago. 2023. DOI: 10.1056/NEJMoa2216455.
  2. Bula de Alhemo® (concizumabe), aprovada pela ANVISA em 14/04/2025. Última atualização em: 14/05/2025 Alhemo (concizumabe): novo registro — Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa.
  3. Passo a passo completo | Como contribuir na consulta pública de concizumabe para o tratamento de hemofilia B com inibidores: Tratamento para hemofilia B com inibidores no SUS

4.    Tratamento da hemofilia B com inibidores Consulta Pública avalia disponibilização de concizumabe no SUS: Consulta Pública nº 23/2026 - Concizumabe para tratamento profilático de longa duração contra sangramentos em pacientes com hemofilia B moderada a grave com inibidores com idade a partir de 12 anos - CP nº 23/2026 - Consultas Públicas Conitec/SECTICS - Brasil Participativo


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