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quinta-feira, 19 de março de 2026

Estação Itaquaquecetuba da CPTM recebe ação de incentivo à leitura nesta sexta-feira (20)


Divulgação
CPTM
A iniciativa distribuirá, entre 08h30 e 12h30, 300 livros de literatura gratuitamente aos passageiros 


A Estação Itaquaquecetuba recebe nesta sexta-feira (20), das 08h30 às 12h30, a ação Bancada Literária, iniciativa realizada em parceria com a Secretaria Municipal da Cultura que vai distribuir gratuitamente 300 livros de literatura aos passageiros que estiverem pela estação.
 

A ação tem como objetivo incentivar o hábito da leitura e ampliar o acesso da população aos livros, aproximando a literatura do cotidiano das pessoas que utilizam o transporte público diariamente. Durante a atividade, serão distribuídos títulos variados de literatura, permitindo que os passageiros tenham contato com diferentes gêneros e autores.

 

Serviço

Bancada Literária
Local: Estação Itaquaquecetuba (Linha 12-Safira)
Data: 20/03
Horário: 8h30 às 12h30


Leilão profissional: usar outra proposta para ganhar aumento é estratégia ou risco?


Reter talentos nunca foi tão desafiador. A competitividade do mercado e a escassez de profissionais qualificados em determinadas áreas acirram a disputa pela atração e fidelização de bons times – ao mesmo tempo que fazem com que muitos se abram a novas oportunidades quando não se sentem reconhecidos ou devidamente recompensados, financeiramente, pelo seu desempenho interno. E, na dúvida entre o ficar ou sair, usar a oferta como argumento para negociar melhores condições na empresa atual se tornou uma prática frequente, mas, nem sempre, benéfica. 

A decisão de participar de um processo seletivo, para aqueles que já estão empregados, precisa levantar alguns questionamentos importantes do porquê está buscando uma outra oportunidade. Por que está insatisfeito? Desejando uma vaga mais aderente aos seus objetivos de carreira? Ou, talvez, um cargo maior com uma remuneração mais adequada? 

Via de regra, quando uma pessoa é provocada nesse sentido, é natural que haja uma expectativa de incremento salarial – o que, de fato, acaba ocorrendo na maioria das vezes, junto a uma ampliação de seu escopo de trabalho. O problema não está em buscar por essas condições melhores, mas nos casos em que falta transparência pela forma na qual orquestra esse processo entre a empresa atual e a nova contratante. 

É aqui que vemos o leilão, quando o profissional apresenta a proposta a seu gestor, abrindo espaço para uma contraproposta, mas, nem sempre, tem os entregáveis necessários para argumentar seu desejo de um aumento salarial. O resultado dessa falta de visão é esperado: em cenários de reestruturações, pode ser a primeira pessoa a ser desligada da empresa. Ou, em momentos de promoções, não seria a primeira cogitada a subir. 

Prova disso está em um levantamento da Gitnux, que identificou que cerca de 52% dos profissionais que aceitam uma contraproposta acabam saindo da empresa dentro de seis meses. A falta de ética e transparência nesse processo, se utilizando de uma oferta de outra empresa para alavancar o salário atual, sem que tenha o necessário para justificar o aumento, pode acabar prejudicando não apenas a continuidade na organização como, acima de tudo, sua imagem e reputação no mercado. 

Negociar condições salariais nesse contexto não é uma boa estratégia, uma vez que acaba abrindo muita chance de que percam oportunidades reais de crescimento e desenvolvimento em suas carreiras. A recomendação é que, antes de iniciar qualquer processo seletivo, cada profissional pense o que faria caso fosse aprovado, se estaria disposto a sair do emprego atual e sob quais condições - sempre se lembrando que os prejuízos podem ser muito maiores do que qualquer benefício aparentemente positivo em uma primeira visão. 

Qualquer atalho movido pela pressa em busca de uma melhor oportunidade pode custar bem caro no final. Mesmo que o aumento salarial seja merecido, este processo precisa ser conduzido de forma ética e correta, para que nenhuma das partes seja prejudicada. Afinal, quando um profissional coloca sua reputação em xeque, o que realmente está em jogo? 




Thiago Gaudencio - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.


Wide
https://wide.works/


Confira o ranking das 10 maiores queixas dos consumidores

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Frete e preços altos e medo de golpe estão entre as principais preocipações, aponta estudo da Octadesk

 

 O CX Trends 2026, pesquisa elaborada pela plataforma de atendimento da LWSA, a  Octadesk, em parceria com o Opinion Box revela o ranking das dez maiores queixas e preocupações que levam consumidores a desistirem da compra . Enrre os motivos, estão frete e precos altos, medo de golpe, avaliação ruim da loja e do produtoe problemas com o atendimento.

De acordo com o estudo, o abandono de carrinho continua alto, com 67% afirmando ter desistido de uma compra uma ou mais vezes no último ano. “Esse volume de abandono mostra que o problema não é só oferta, é experiência. Quando o consumidor percebe que o frete pesa demais, desconfia da loja ou compara e conclui que o preço não vale, ele simplesmente não termina a compra. A concretização da venda online depende de transparência no custo total, sinais claros de confiança e uma jornada de checkout rápida, sem surpresas”, explica. Paola Dias, diretora de Negócios da Octadesk.

Veja o ranking de queixas

  1. Frete muito alto (65%)
  2. Desconfiança da loja/medo de golpe (56%)
  3. Preço alto (56%)
  4. Entrega demorando demais (41%)
  5. Avaliações ruins do produto (39%)
  6. Avaliações ruins da loja (39%)
  7. Atendimento despreparado (33%)
  8. Dificuldade para falar com um atendente (32%)
  9. Poucas opções de pagamento (31%)
  10. Site lento (27%)

De acordo com o estudo, os  marketplaces lideram como o canal de compra mais utilizado, com 76% dos consumidores preferindo o canal. Na sequência, loja online,  73%,  e lojas físicas, com 69%, também seguem em alta, reforçando um consumidor que transita entre canais e escolhe o que resolve com menos esforço. O estudo também mostrou que 54% realizam compras à noite e de madrugada.

“Vimos no estudo que os marketplaces são os preferidos dos consumidores por transmitirem variedade e confiança. Outro dado interessante é que 88% o consideram um meio seguro para compras, reflexo de um consumidor cada vez mais híbrido e exigente”, afirma Paola Dias, diretora de Negócios da Octadesk.

Entre os itens mais buscados pelos consumidores no período, conforme diagnóstico das paltaformas de e-commerce Tray e Bling, estão eletro eletrônicos, como smartphones e acessórios, moda e beleza, calçados e acessórios. Em março de 2025, as vendas do período cresceram 14% e chegaram a R$6,208 bilhões, somando operações em lojas próprias e marketplaces transacionadas em plataformas de e-commerce do ecossistema LWSA, que inclui marcas como Bling, Tray e Bagy.

Segundo Thiago Mazeto, diretor da Tray, a data é uma oportunidade de retomada, desde que a oferta venha acompanhada de execução. “Março costuma ser um ponto de virada depois de semanas mais lentas. Quem combina estratégia comercial e marketing com uma experiência de compra sem atrito consegue capturar volume e elevar ticket médio”, afirma. Para o executivo, ações de conversão ganham força quando atacam o que mais pesa para o consumidor na comparação. “Kits de produtos, cashback e benefícios que melhorem custo total da compra o ajudam a decidir comprar. E quando a jornada é fluida, esse consumidor tende a voltar a comprar com o lojista”, diz.

Para Marcelo Navarini, diretor do Bling, o varejo tem como desafio aumentar as vendas em um cenário em que o consumidor está cada vez mais híbrido e multicanal. “O brasileiro responde bem a promoções de desconto direto à mecânicas como ‘compre e ganhe’ e compra cada vez mais influenciado por canais como Instagram e TikTok Shop. Isso exige atuação multicanal com gestão centralizada, para o lojista não perder controle de pedidos, estoque, financeiro e entrega”, afirma. Navarini destaca que, em períodos de maior volume, recursos de automação são essenciais para o bom desempenho do lojista. 

 



LWSA
Para mais informações, acesse.

 

Vulnerabilidades e riscos IoT podem expor pedágio free flow no Brasil


Em novembro passado, a rodovia Presidente Dutra (BR-116/SP) tornou-se o primeiro trecho brasileiro a operar com cobrança proporcional por quilômetro rodado, marcando a consolidação do modelo de pedágio eletrônico sem cancela – o chamado free flow. A primeira experiência nacional foi implantada ainda em 2023, na BR-101/RJ (Rio-Santos).  

 

Amparado por regulamentações recentes, o modelo avança como uma solução para aumentar a fluidez do trânsito e tornar a cobrança mais justa. No entanto, essa modernização traz consigo novos riscos: por trás da comodidade de não parar em praças de pedágio, está uma complexa infraestrutura digital crítica, que depende de câmeras, sensores e redes conectadas e que já foi alvo de ciberataques em outros países. 

 

Em 2017, na Austrália, 55 câmeras de trânsito foram infectadas pelo ransomware WannaCry, que criptografou os sistemas e desativou parte da operação. Dois anos depois, nos Estados Unidos, hackers invadiram uma empresa que operava tecnologia de pedágio e vazaram 105 mil imagens de placas e rostos de motoristas. No Brasil, criminosos vêm explorando dados reais de veículos e condutores obtidos de vazamentos externos para montar sites falsos que simulam a cobrança do pedágio free flow. Embora esses golpes não tenham comprometido diretamente os sistemas de pedágio, eles evidenciam como vulnerabilidades em ecossistemas adjacentes podem impactar operadoras e fornecedores e servir como vetor para fraudes associadas à nova operação. 

 

A principal diferença entre o free flow e o pedágio tradicional está no seu grau de dependência tecnológica. A identificação e a cobrança dos veículos ocorrem exclusivamente por meios digitais o que significa que cada componente da cadeia passa a ser uma potencial superfície de ataque. Equipamentos de campo, sistemas de processamento e redes de comunicação precisam operar em total sintonia e segurança para garantir a continuidade do serviço e a integridade das cobranças. 

 

IoT e OCR: os pontos mais expostos 

As câmeras OCR (Reconhecimento Óptico de Caracteres) que leem as placas são um dos alicerces do sistema e também um alvo em potencial. Estudos recentes revelaram vulnerabilidades graves em câmeras de leitura automática de placas: um boletim da agência de segurança cibernética dos EUA (CISA) detalhou sete falhas em modelos populares de câmeras ALPR, incluindo ausência de criptografia de dados e credenciais de acesso expostas.  

 

Em um caso, descobriu-se que todas as câmeras de certa fabricante vinham com uma rede Wi-Fi ativada por padrão e senha igual e fixa em todos os aparelhos, permitindo que qualquer pessoa com acesso a essa senha pudesse se conectar ao dispositivo.  

 

Outro ponto crítico são as redes de comunicação que interligam todos os componentes do free flow. A troca de informações entre pórticos de cobrança, centrais regionais e sistemas de retaguarda ocorre em tempo real, geralmente sobre infraestruturas de fibra óptica, enlaces de rádio de longa distância ou redes móveis seguras.  

 

A resiliência dessas redes é, portanto, tão importante quanto sua segurança: deve-se prever redundância de rotas, failover de conexões e sistemas locais de armazenamento temporário (buffer) para reter dados de passagens caso haja perda momentânea de link.  


 

Dados pessoais sob vigilância 


A segurança da informação no free flow não se limita à proteção operacional ou financeira: ela envolve também a privacidade dos motoristas. Cada passagem sob um pórtico gera registros com placa, data, hora, local e, frequentemente, imagens do veículo e do condutor. Com diversos pontos de leitura ao longo das rodovias, é possível mapear com precisão os deslocamentos de um veículo e, por consequência, traçar padrões de comportamento e rotina. 

 

Esses dados, por sua natureza, são enquadrados como pessoais pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o que impõe obrigações legais a concessionárias e órgãos públicos quanto ao seu tratamento. Como a coleta dessas informações ocorre de forma automática, sem ação direta do motorista, torna-se ainda mais importante adotar práticas como minimização de dados, criptografia, anonimização sempre que possível e políticas claras de retenção e descarte seguro das informações. 


 

Segurança por design: da arquitetura à operação 


Para enfrentar esses desafios, o ponto de partida deve ser a adoção de uma arquitetura de segurança por design. Ou seja: prever mecanismos de proteção desde a concepção do projeto, em vez de tentar adicioná-los depois de o sistema estar em operação. Isso inclui a adoção de boas práticas como modelagem de ameaças (threat modeling), selecionar plataformas com certificações reconhecidas, adotar criptografia de ponta a ponta para dados em trânsito e em repouso, e implementar controles de acesso fortes a todos os módulos tanto físicos quanto digitais. 

 

No plano da aplicação, o desenvolvimento seguro é indispensável. Interfaces web e mobile que permitem aos usuários consultar extratos e efetuar pagamentos precisam estar protegidas contra ataques comuns como SQL injection, cross-site scripting (XSS) e falsificação de requisições (CSRF). Já no campo, é necessário aplicar hardening aos dispositivos: desativar serviços desnecessários, atualizar firmwares, usar autenticação multifator para acessos de manutenção e, quando viável, substituir senhas por certificados digitais. 

 

Mesmo com esses cuidados, nenhuma defesa é absoluta. Por isso, o monitoramento contínuo de segurança, testes de penetração (pentests) e auditorias recorrentes devem ser práticas obrigatórias. Antes da inauguração de um novo sistema e de forma periódica, as concessionárias devem contratar especialistas para simular cenários de ataque tentando explorar falhas nas redes, comprometer sensores ou interceptar APIs de integração com sistemas externos. 

 

Além disso, é fundamental a prática de auditorias técnicas independentes para avaliar não apenas as defesas tecnológicas, mas também as políticas de segurança da informação, o treinamento das equipes, e testes reais dos procedimentos em caso de incidente, conhecidos como Plano de Contingência de Negócios ou (PCN), além da contínua verificação de conformidade com marcos legais e regulatórios. A adoção de um Sistema de Gestão de Segurança da Informação certificado pela norma ISO 27001, por exemplo, vem se tornando um diferencial competitivo relevante para operadores de infraestrutura crítica. 

 

Proteger o sistema contra ataques e falhas não é excesso de zelo, mas condição básica para seu sucesso a longo prazo. Afinal, a confiança do usuário e a sustentabilidade do modelo dependem de garantirmos que, por trás das convenientes passagens livres, existe uma fortaleza tecnológica preparada para resistir a ameaças digitais. Ao impulsionar a mobilidade, é preciso também impulsionar a cibersegurança duas faces indissociáveis de uma mesma moeda na era das rodovias inteligentes. 

 



Eduardo Gomes -, Gerente de Cibersegurança na TÜV Rheinland


TÜV Rheinland
www.tuv.com


Antecipação do 13º do INSS: quem recebe e quando será pago?

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Especialista explica regras do pagamento, proporcionalidade e impacto econômico da antecipação


O 13º salário para aposentados e pensionistas do INSS deverá ser antecipado para o primeiro semestre do ano, entre os meses de abril e maio. A medida, que ainda depende de decreto do Governo Federal, injetará cerca de R$ 78 bilhões na economia, beneficiando 35 milhões de pessoas.

 

Tradicionalmente, o 13º é pago em duas parcelas, em agosto e novembro, mas vem sendo pago antecipadamente nos últimos anos. Para muitos beneficiários, a mudança serve para reorganizar o orçamento, custear despesas médicas ou reduzir dívidas, mas seu efeito positivo depende diretamente do planejamento. 

"A antecipação do 13º pelo INSS representa não apenas uma medida de gestão orçamentária, mas um instrumento de proteção social, pois reforça a renda dos beneficiários em momento estratégico e amplia a segurança financeira de aposentados e pensionistas", comenta Thaís Bertuol Xavier, advogada e consultora jurídica do Previdenciarista, lawtech especializada em cálculos e petições previdenciárias. 

Veja, a seguir, as respostas para as principais dúvidas relacionadas ao benefício.

 

Como fica o cronograma do 13º do INSS em 2026?

A previsão é que o 13º seja depositado em duas parcelas: a primeira em abril e a segunda em maio, obedecendo ao cronograma do pagamento de benefícios (entre o final de um mês e o início do seguinte). O calendário de antecipação do 13º do INSS também varia conforme o valor recebido.

 

Como saber se tenho direito ao benefício?

Têm direito ao abono anual os segurados que recebem benefícios previdenciários, como:

  • Aposentadorias;
  • Pensões por morte;
  • Auxílio por incapacidade temporária;
  • Auxílio-acidente;
  • Auxílio-reclusão;
  • Salário-maternidade


Não têm direito ao benefício:

  • beneficiários do BPC/Loas, já que se trata de um benefício assistencial, e não previdenciário.


Quem começou a receber em 2026 recebe valor integral?

Não necessariamente. Dependerá de quanto tempo durará o benefício. Quem receber o benefício ao longo de 2026 terá direito ao 13º proporcional, calculado com base nos meses em que houve pagamento no ano. 

Cada mês recebido corresponde a 1/12 do valor total do abono. Por exemplo: se o benefício começou em julho, o segurado terá direito a 6/12 do valor, ou seja, metade do 13º.

 

Descontos no 13º do INSS

A incidência de descontos depende da parcela. A primeira parcela costuma ser paga sem descontos. Já na segunda podem incidir:

  • Imposto de Renda, para quem está na faixa de tributação;
  • pensão alimentícia, quando há determinação judicial;
  • desconto de contribuição previdenciária, quando for o caso.


Como consultar o valor

A consulta deve ser feita pelos canais oficiais do INSS. O segurado pode acessar o site ou aplicativo Meu INSS, fazer login com CPF e senha Gov.br e selecionar a opção “Extrato de Pagamento”. Também é possível obter informações pelo telefone 135. 

A recomendação é evitar links enviados por mensagens ou redes sociais e utilizar exclusivamente os canais oficiais para proteger dados pessoais. 

Caso a antecipação seja confirmada, o pagamento deve seguir modelo dos anos anteriores, sem necessidade de solicitação por parte dos beneficiários. Até a publicação do decreto, a recomendação é acompanhar exclusivamente os canais oficiais do INSS para confirmar datas e valores, além de evitar desinformação ou golpes, comuns em períodos de liberação de benefícios.

 

Previdenciarista


Ficar dias sem água não é normal e pode gerar indenização


Nos últimos meses, um problema tem deixado de ser pontual para se tornar recorrente em diversas regiões do país e da Grande São Paulo: torneiras secas por dias seguidos. Famílias inteiras têm sido obrigadas a improvisar, comprando galões, pedindo ajuda a vizinhos ou simplesmente deixando de realizar atividades básicas como tomar banho, cozinhar ou limpar a casa. 

Essa realidade, no entanto, não pode ser naturalizada. Ficar dias sem água não é normal. 

A ausência prolongada de abastecimento não configura mero transtorno cotidiano. Trata-se de falha grave na prestação de um serviço público essencial, com impacto direto na saúde, na higiene e, sobretudo, na dignidade da pessoa humana. Água não é um luxo . É condição mínima para uma vida digna. 

Sob o ponto de vista jurídico, o fornecimento de água potável está sujeito a regras claras. O ordenamento brasileiro impõe às concessionárias o dever de prestar serviços de forma contínua, eficiente e adequada. A interrupção reiterada ou prolongada, especialmente sem solução rápida ou justificativa plausível, caracteriza defeito na prestação do serviço. 

Nesse contexto, o Código de Defesa do Consumidor é expresso ao estabelecer que os serviços públicos essenciais devem ser prestados de forma contínua, eficiente e segura. A descontinuidade injustificada, sobretudo quando reiterada ou prolongada, configura falha na prestação do serviço e enseja o dever de reparação. Trata-se de uma obrigação legal que não admite relativizações quando estão em jogo condições mínimas de dignidade. 

Além disso, a responsabilidade da concessionária é objetiva. Isso significa que, uma vez comprovados a falha no serviço e o dano sofrido pelo consumidor, surge o dever de indenizar, independentemente da comprovação de culpa. Esse entendimento não apenas decorre do próprio regime consumerista, como também encontra respaldo direto na Constituição Federal, que estabelece a responsabilidade das pessoas jurídicas prestadoras de serviço público pelos danos que seus agentes causarem a terceiros. 

Em termos jurídicos, aplica-se a chamada teoria do risco administrativo, amplamente reconhecida pela doutrina e pela jurisprudência, segundo a qual quem presta serviço público deve suportar os riscos inerentes à sua atividade, respondendo pelos prejuízos causados aos usuários. 

A jurisprudência tem evoluído de forma consistente nesse sentido. Os tribunais, inclusive o Tribunal de Justiça de São Paulo, vêm reconhecendo que a falta de água por vários dias ultrapassa o chamado “mero aborrecimento”. Trata-se de violação grave, que enseja indenização por dano moral, muitas vezes considerada presumida, diante da própria natureza do prejuízo. 

Não se pode ignorar, ainda, os efeitos práticos dessa situação. Quantas horas são desperdiçadas tentando resolver o problema? Quantos compromissos são alterados? Quantos gastos extras são assumidos para suprir a ausência de um serviço básico? Esse tempo perdido e esse desgaste vêm sendo reconhecidos pela doutrina como “desvio produtivo do consumidor”, também passível de reparação. 

Mais preocupante é quando esses episódios deixam de ser isolados e passam a se repetir em determinadas regiões. O aumento expressivo de reclamações pode indicar falhas estruturais na prestação do serviço, afastando justificativas baseadas em eventos excepcionais ou imprevisíveis. 

Diante desse cenário, é fundamental o fortalecimento da fiscalização e a atuação efetiva dos órgãos reguladores. Mas há também um papel essencial do cidadão: não aceitar a precarização do que é básico. 

Buscar seus direitos não é exagero. É exercício legítimo de cidadania. Quanto mais consumidores se posicionam, maior é a pressão por melhorias e maior a chance de se evitar que situações como essa se repitam. 

A população não pode se acostumar com a falta do essencial. Água é um direito. E, quando esse direito é violado, a Justiça existe para ser acionada. 

 


Ricardo Menegatto - advogado especializado em direito do consumidor e sócio do escritório

 

Aplicativos estão redefinindo a gestão no dia a dia do varejo


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Durante muito tempo, administrar uma loja significava estar fisicamente presente nela o tempo todo, já que o controle do estoque era feito olhando prateleiras, as vendas eram acompanhadas por relatórios fechados no fim do dia e decisões importantes dependiam de planilhas ou da experiência acumulada do lojista. Esse modelo ainda existe em muitos lugares, mas a realidade do varejo está mudando rapidamente e boa parte dessa transformação cabe hoje na palma da mão.


A gestão em tempo real muda a tomada de decisão

Os aplicativos conectados ao ERP, sistema de software de gestão integrada que centraliza as principais atividades de um negócio, trouxeram um novo nível de visibilidade para a gestão do varejo. O lojista consegue acompanhar praticamente tudo em tempo real, como o que entrou em estoque, o que saiu, quais produtos estão vendendo mais, quais estão encalhados e qual é o desempenho da loja ao longo do dia. Não se trata apenas de mobilidade, mas de acesso imediato à informação que antes demorava horas ou até mesmo dias para aparecer.

Essa mudança altera profundamente a forma como as decisões são tomadas, porque quando o gestor consegue enxergar o que está acontecendo em tempo real, a gestão deixa de ser reativa e passa a ser estratégica. Se um produto começa a vender muito, é possível reforçar o estoque rapidamente. Se determinada categoria perde desempenho, uma promoção pode ser criada na mesma hora. O varejo sempre foi um setor de agilidade, mas agora essa agilidade ganhou ferramentas muito mais sofisticadas.


Um ecossistema de aplicativos dentro da loja

Outro ponto interessante dessa evolução é que os aplicativos não se limitam ao dono da loja. Hoje, existe um ecossistema completo de soluções móveis voltadas para diferentes funções dentro do varejo, como aplicativos específicos para gestão, onde o lojista acompanha indicadores e operações; aplicativos voltados aos vendedores, que permitem visualizar suas vendas, acompanhar metas e até verificar seu posicionamento em rankings de desempenho; e também aplicativos de checkout móvel, que transformam o celular em um ponto de venda capaz de concluir a compra ali mesmo, sem a necessidade de um caixa tradicional.

Na prática, isso muda muito a dinâmica da loja, já que o vendedor deixa de ser apenas alguém que apresenta produtos e passa a ter mais autonomia no processo de venda. Ele consegue consultar informações, registrar pedidos e finalizar a compra diretamente no celular. Para o cliente, isso significa menos filas e uma experiência muito mais fluida. Para o varejista, significa ganho de eficiência e mais oportunidades de conversão, além de melhorar a gestão das equipes.


A loja sob controle, mesmo à distância

Muitos lojistas ainda associam controle à presença física constante na loja, mas a tecnologia tem mostrado que isso não precisa mais ser assim. Hoje, é perfeitamente possível acompanhar vendas, verificar relatórios, ajustar preços ou ativar promoções mesmo estando fora da loja, seja em uma reunião, viagem ou até em férias.

Esse tipo de flexibilidade não significa perda de controle, pelo contrário, muitas vezes representa um controle ainda maior, porque quando os dados estão disponíveis em tempo real e organizados de forma clara no celular, o gestor passa a ter uma visão mais ampla do negócio. Ele consegue enxergar tendências, identificar problemas mais rapidamente e agir antes que pequenas falhas se transformem em grandes prejuízos.


Tecnologia como aliada da gestão

É claro que tecnologia sozinha não resolve todos os desafios do varejo, a operação continua dependendo de boas estratégias, de equipes bem preparadas e de uma gestão atenta ao comportamento do consumidor. Mas os aplicativos têm desempenhado um papel fundamental ao tornar a informação mais acessível, reduzir barreiras operacionais e ampliar a capacidade de gestão.

No fim das contas, o que estamos vendo é uma mudança de paradigma, onde a loja física continua sendo um espaço essencial de relacionamento com o cliente, mas sua gestão não precisa mais estar presa ao balcão ou ao escritório nos fundos da loja. Atualmente, grande parte das decisões pode ser tomada em qualquer lugar, a qualquer momento, e quando a gestão cabe na palma da mão, o varejo ganha algo que sempre foi decisivo para o seu sucesso, que é velocidade para agir e inteligência para decidir.

   


Alex Marques - diretor comercial da Data System, com mais de 20 anos de atuação no varejo de calçados e roupas. Com formação pela Veris – IBTA, construiu sua trajetória na empresa passando pelas áreas técnica, de suporte e implantação até assumir a liderança comercial e a expansão do negócio, sempre com foco em transformar a gestão dos lojistas por meio da tecnologia.

 

Nova lei pressiona Big Techs por verificação de idade e muda funcionamento de apps

Especialista em Tecnologia do CEUB explica que novas regras já provocam bloqueios e exigem adaptações rápidas, sobretudo em softwares de código aberto

 

Com a entrada em vigor do ECA Digital, o impacto vai além do campo jurídico: a nova lei já começa a transformar funcionalidades, sistemas de verificação e até a disponibilidade de plataformas no Brasil, impondo corrida tecnológica por adaptação. Henrique Evaristo, professor de Tecnologia da Informação do Centro Universitário de Brasília (CEUB), explica que as mudanças já afetam o funcionamento de serviços digitais, sobretudo na forma como empresas lidam com identificação de usuários e controle de acesso. 

Para o docente do CEUB, a legislação exige soluções mais robustas para proteger crianças e adolescentes. “As plataformas terão que adotar mecanismos mais sofisticados, como verificação por documentos ou até biometria. Isso aumenta a segurança, mas também abre discussões importantes sobre coleta e proteção de dados pessoais”, afirma. 

Na prática, essas exigências impactam a arquitetura dos serviços digitais, que passam a incorporar camadas adicionais de autenticação, validação etária e monitoramento de conteúdo, o que pode alterar a experiência do usuário e elevar custos operacionais. O cenário também traz desafios para projetos de tecnologia aberta. “Com a vigência da lei, algumas plataformas optaram por restringir ou até bloquear downloads no Brasil até conseguirem se adequar”, explica o especialista. 

Entre os exemplos estão distribuições como o Arch Linux e empresas como a Rockstar, conhecida pela franquia GTA, que teriam adotado medidas preventivas diante das novas exigências. Evaristo afirma que o desafio é ainda maior para softwares de código aberto, que nem sempre contam com estrutura centralizada para implementar mecanismos de verificação complexos. “Esses projetos precisarão desenvolver soluções que atendam à legislação sem comprometer seus princípios de abertura e descentralização”, conclui.


GUIA RÁPIDO: o que muda com o ECA Digital

 

Para quem usa apps e internet no dia a dia:

  • Usuários podem enfrentar mais etapas para acessar serviços.
  • Pode ser necessário comprovar a idade com documento ou reconhecimento facial.
  • Perfis de menores podem ter restrições automáticas em chats, lives e compras.
  • Plataformas devem ajustar conteúdos para proteger crianças e adolescentes.


Para pais e responsáveis:

  • O acompanhamento do uso da internet passa a ser ainda mais importante.
  • Ferramentas de controle e supervisão tendem a ficar comuns nos aplicativos.


Para empresas e plataformas:

  • Será preciso investir em novas tecnologias de verificação e segurança.
  • Algumas plataformas podem limitar funções ou suspender serviços no Brasil até se adequarem.

 

Visto H-1B 2026: novas regras já em vigor exigem planejamento estratégico de empresas e candidatos

Imagem: Criada por IA
Mudanças no processo de seleção e registro elevam a importância do preparo adequado para as novas aplicações

 

Com a abertura do período de inscrições para o visto H-1B em 7 de março e encerramento em 24 de março, profissionais estrangeiros e empregadores nos Estados Unidos ainda têm tempo para iniciar o processo. O registro eletrônico para a loteria do H-1B ocorre anualmente no mês de março e permanece disponível por um período limitado, o que exige organização prévia de empresas e candidatos para evitar a perda do prazo.

 

Para este novo ciclo, as mudanças anunciadas pelo USCIS (Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA) já estão em vigor e indicam uma reestruturação no modelo de avaliação e seleção dos registros. Entre as medidas adotadas estão mecanismos mais rigorosos para impedir inscrições duplicadas, critérios de elegibilidade mais definidos e ajustes operacionais voltados a ampliar a transparência do sorteio eletrônico.

 

Uma das mudanças mais relevantes já implementada para este ciclo envolve o novo modelo de seleção da loteria, que prevê um sistema que poderia conceder mais chances de seleção para candidatos com salários mais elevados, refletindo o nível de especialização e a demanda do mercado de trabalho. Nesse formato, profissionais recebem entre uma e quatro entradas na loteria, dependendo da faixa salarial oferecida pela empresa patrocinadora. A ideia é priorizar trabalhadores altamente qualificados e reduzir incentivos para registros especulativos ou múltiplos patrocinadores tentando aumentar artificialmente as chances de seleção.

 

O H-1B continua sendo um excelente caminho para trabalhadores qualificados estrangeiros atuarem legalmente em empresas americanas nas áreas de tecnologia, saúde, finanças, engenharia e outras profissões especializadas. No entanto, como o número de vagas permanece limitado, a loteria anual ainda define quem poderá avançar no processo de solicitação.

 

Para Murtaz Navsariwala, advogado especializado em imigração empresarial e fundador de um escritório com atuação consolidada nos Estados Unidos, as mudanças representam uma tentativa legítima de tornar o sistema mais vantajoso para os Estados Unidos e também para evitar fraudes e abusos. “O H-1B nunca foi simples e agora, ele está mais sensível a falhas de estratégia e no processo. É essencial que as empresas compreendam as implicações das novas regras, especialmente aquelas que dependem de talentos internacionais para crescer. Um registro incompleto ou duplicado pode eliminar a chance de um ano inteiro. Por isso, nossa orientação é que a aplicação seja feita com suporte especializado”, afirma o advogado.

 

Com o novo cenário, candidatos e empregadores devem estar alinhados não apenas quanto a prazos e documentação, mas também quanto ao nível de compliance exigido. A participação na loteria eletrônica exige registro prévio no sistema do USCIS e, caso o nome do candidato seja selecionado, a empresa deve apresentar a petição completa em curto prazo, com todos os dados e comprovações exigidas.


 

O que é a loteria do visto H-1B?


A chamada “loteria do H-1B” é um sorteio eletrônico conduzido pelo USCIS sempre que o número de registros supera o total de vistos disponíveis — algo que ocorre todos os anos. Atualmente, são disponibilizados 65.000 vistos para profissionais com diploma de bacharel ou equivalente, e mais 20.000 destinados exclusivamente a quem possui mestrado ou grau superior obtido nos EUA. Quando o número de candidatos excede esse total (85 mil), o governo realiza uma seleção aleatória entre os registros válidos.

 

Essa loteria é característica do visto H-1B. Outros tipos de visto de trabalho, como o L-1 (transferência intraempresa), O-1 (habilidades extraordinárias), TN (para cidadãos do México e Canadá) e E-2 (investidores), não passam por sorteio, embora tenham critérios igualmente rigorosos.

 

Diante desse cenário, Murtaz reforça que a preparação antecipada se tornou essencial. Empresas e profissionais que ainda desejam participar ainda deste ciclo precisam agir rapidamente, enquanto aqueles que pretendem usar o H1-B no ano que vem já podem iniciar desde agora o planejamento estratégico para a próxima abertura da loteria, prevista para março de 2027.

  

Murtaz Navsariwala e o Murtaz Law
Advogado especializado em imigração para os Estados Unidos, Murtaz Navsariwala combina formação em Economia e História pela Northwestern University com doutorado em Direito pela Indiana University Bloomington. Com mais de uma década de atuação na área, e uma taxa de aprovação de 99,5%, Murtaz lidera o Murtaz Law, escritório sediado em Illinois (EUA) e reconhecido por sua excelência em vistos de trabalho, com destaque para o EB-2 NIW. Sua formação multidisciplinar, que combina Direito, Economia e História, contribui para uma abordagem sistêmica e estratégica dos temas migratórios, oferecendo interpretações claras e fundamentadas mesmo diante de assuntos complexos ou controversos.

 

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