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segunda-feira, 30 de março de 2026

Como falar sobre mudanças climáticas com crianças de forma leve, educativa e transformador



Com livros já publicados e novos recursos lançados em 2026, iniciativas educativas ajudam mães e educadores a abordar o tema com linguagem acessível e engajadora

A educação ambiental na infância se tornou uma das principais ferramentas para preparar as novas gerações diante dos desafios do planeta. Em 2026, mães, pais e educadores já não discutem mais se o tema deve ser abordado, mas sim como fazê-lo de forma sensível, didática e conectada à realidade das crianças.

Nesse cenário, projetos que unem literatura, ciência e entretenimento têm ganhado espaço ao oferecer caminhos mais acessíveis para tratar a crise climática. Um exemplo é a trilogia infantojuvenil “Proteus e a mudança climática”, protagonizada por uma salamandra das cavernas que conduz crianças por aventuras repletas de humor, ação e aprendizado.

Criada pelo escritor e sociólogo Gustavo Gumiero, a obra ganhou força com os lançamentos ao longo de 2025 e início de 2026. A trilogia é composta por Proteus — O Grande Problema e Proteus — O Ouro Negro, publicados em 2025, e pelo volume final, Proteus — A Última Árvore, lançado em janeiro de 2026. Juntos, os títulos abordam diferentes aspectos da crise climática, conectando ciência, narrativa e questões sociais.

“Eu queria criar um personagem que falasse diretamente com as crianças, apresentando a crise climática de forma acessível, sem minimizar o problema. Nosso herói é curioso, bem-humorado e, acima de tudo, um grande professor”, destaca o autor.


Histórias que ensinam e desenvolvem o pensamento crítico

Ao longo dos livros, Proteus não apenas explica conceitos científicos, mas também incentiva a reflexão. Os enredos trazem situações que fazem parte do cotidiano das crianças, abordando temas como fake news, consumo consciente, exploração de recursos naturais e preservação dos biomas brasileiros.

O protagonista também carrega simbolismos importantes: é um personagem que representa diversidade, adaptação e pertencimento, ajudando a ampliar o debate para além da questão ambiental. Sua capacidade de “enxergar emoções” e se transformar reforça a ideia de que mudanças — individuais e coletivas — são possíveis.

Esse tipo de abordagem tem se mostrado especialmente eficaz para o público infantil, que aprende melhor quando está emocionalmente envolvido com a narrativa. Para mães e educadores, os livros se tornam, assim, um ponto de partida para conversas mais profundas dentro de casa e na escola.

“O personagem desafia rótulos e mostra que a adaptação é essencial para enfrentar os desafios do mundo. Mais do que um herói, ele é um símbolo de transformação”, explica Gumiero.


Novo guia amplia o uso pedagógico em 2026

Dando continuidade ao projeto, 2026 marca o lançamento do Guia Pedagógico “Aprendendo com Proteus sobre a Mudança Climática”, desenvolvido especialmente para apoiar pais, tutores e educadores no aprofundamento dos temas apresentados na trilogia.

Voltado a crianças a partir de 10 anos, o material propõe uma abordagem que vai além da teoria, conectando informação, emoção e prática. Entre os assuntos abordados estão aquecimento global, desinformação ambiental, preservação dos biomas e responsabilidade coletiva.

“O futuro depende de nossas ações no presente. Proteus não é um herói comum — sua fragilidade é sua força. Assim somos todos nós: pequenos, mas capazes de grandes mudanças quando agimos juntos”, afirma o autor.

O guia também incentiva o protagonismo infantil, mostrando que atitudes cotidianas podem gerar impactos positivos e que a ação coletiva é fundamental para enfrentar os desafios ambientais.


Conteúdo multimídia e presença digital aproximam ainda mais as crianças

Outro destaque do projeto é sua expansão para além dos livros. Já disponíveis na internet, os vídeo-livros ampliam o acesso ao conteúdo e oferecem novas formas de aprendizagem, especialmente para crianças que se conectam mais facilmente com recursos audiovisuais.

A iniciativa também avança para o universo digital com a proposta de transformar Proteus em um influenciador, aproximando ainda mais o personagem do público infantil. A ideia é utilizar a linguagem das redes para reforçar mensagens educativas e estimular o engajamento das crianças com o tema ambiental no dia a dia.

Ao integrar diferentes formatos — literatura, vídeo e experiências digitais —, o projeto acompanha a forma como as novas gerações consomem conteúdo, tornando o aprendizado mais dinâmico e efetivo.

Para mães e educadores, a mensagem é clara: a educação ambiental pode — e deve — ser parte da rotina das crianças. Com as ferramentas certas, é possível transformar um tema complexo em uma jornada de descobertas, consciência e ação.


Carreira feminina: pesquisa do Infojobs revela o que ainda dificulta o avanço das mulheres no trabalh

Novo levantamento com mais de 1.000 mulheres reforça desafios de empregabilidade e acirra debate sobre desigualdade de gênero nas carreiras 

 

O mês das mulheres chega com o holofote em um dado assustador: 54% das mulheres brasileiras não estão trabalhando atualmente. O desemprego é ainda mais intenso entre as profissionais com 45 anos ou mais, faixa que representa 37% da amostra e na qual 60% estão fora do mercado, conforme a Pesquisa Panorama da Mulher no Trabalho 2026, realizada pelo Infojobs com 1.022 respondentes. 

Para muitas mulheres, esses números refletem situações vividas no dia a dia da carreira. Seja na busca por uma oportunidade, na tentativa de crescer dentro da empresa ou no desafio de equilibrar diferentes fases da vida profissional, a jornada no mercado de trabalho ainda apresenta obstáculos que nem sempre são visíveis à primeira vista.

A pesquisa também evidencia que a representação feminina em cargos de liderança continua restrita: apenas 3% das respondentes ocupam posições de diretoria ou liderança sênior, e 5% atuam em cargos de coordenação ou gestão. A maioria está no início da carreira (21%) ou em funções de especialista/analista (17%). 

Segundo Ana Paula Prado, CEO do Redarbor Brasil, detentora do Infojobs, os dados mostram que o acesso a posições estratégicas ainda enfrentam obstáculos. “Os dados mostram que ampliar a presença feminina, inclusive na liderança, não depende apenas de abrir vagas. É necessário criar condições estruturais para que as mulheres avancem, permaneçam e se desenvolvam nessas posições ao longo da carreira”, afirma Prado. 

A pesquisa ainda aponta que apenas 45% das entrevistadas percebem igualdade de gênero em cargos de liderança dentro de suas empresas, enquanto 27% afirmam que a desigualdade é explícita e 19% identificam diferenças mais sutis. “Muitas organizações acreditam promover igualdade, mas a prática diária revela barreiras invisíveis que limitam a ascensão feminina”, completa a executiva. 

O estudo evidencia um teto de crescimento, especialmente na transição do nível técnico para gestão, sentido por 49% das mulheres, e na chegada à diretoria/C-Level, relatado por 20%. Prado alerta: “Não é coincidência que essas etapas coincidam com maior visibilidade e responsabilidade. As mulheres sentem que errar tem um custo maior, enquanto o ambiente ainda não oferece a mesma margem de aprendizado que existe para os homens.” 

A análise também destaca que grupos minorizados — mulheres pretas, LGBTQIAPN+ e pessoas com deficiência — enfrentam oportunidades ainda mais limitadas, com 62% relatando que a ascensão não é igualitária. “A inclusão precisa ser interseccional. Políticas que consideram apenas gênero não resolvem barreiras estruturais que afetam mulheres maduras ou de grupos minoritários”, observa Prado. 

Além do desemprego e da desigualdade estrutural, a pesquisa evidencia autocensura e insegurança psicológica. Apenas 33% das mulheres sentem-se à vontade para se posicionar, errar ou negociar novos desafios, enquanto 45% dizem precisar de cautela e 22% sentem que o ambiente não favorece discordâncias ou erros. “O erro faz parte do desenvolvimento profissional, mas para muitas mulheres ele ainda carrega um peso maior muitas vezes relacionado ao risco reputacional. Isso impacta diretamente a visibilidade e o acesso a projetos estratégicos”, afirma Prado. 

Por fim, Prado reforça que a solução não é apenas criar vagas ou programas de capacitação: “É preciso repensar o ambiente corporativo, garantindo que erros sejam vistos como aprendizado para todos, e que o talento feminino possa se converter em liderança real, em qualquer idade ou contexto.”

 

5 dicas para não cair em golpes ao solicitar o visto americano

 

O recente caso investigado pelo Ministério Público Federal em Goiás, em que uma organização criminosa oferecia “pacotes completos” para obtenção de visto americano, expõe como candidatos podem ser alvo de fraudes sofisticadas. O grupo cobrava até R$ 10 mil por serviços que incluíam a falsificação de documentos e preenchimento de formulários, e a líder já fugiu para os Estados Unidos, podendo ser incluída na lista de procurados da Interpol. Movimentações financeiras de mais de R$ 5 milhões indicam a complexidade do esquema. 

Embora casos como esse pareçam isolados, golpes nesse setor são mais comuns do que se imagina, e podem causar prejuízos financeiros e até problemas legais aos viajantes. Para reduzir riscos, seguem cinco medidas estratégicas:
 

1. Utilize apenas canais oficiais

O preenchimento do formulário DS-160 e o agendamento da entrevista devem ser feitos exclusivamente por meio dos sites oficiais do Departamento de Estado dos EUA. Aplicativos ou sites de terceiros podem não só cobrar taxas indevidas, mas também coletar dados sensíveis de forma irregular.

 

2. Verifique a reputação da consultoria

Empresas de assessoria para vistos existem e podem ajudar, mas é fundamental checar histórico, avaliações de clientes e registros formais. “Fraudes prejudicam o mercado e a confiança no processo. Investimos em acompanhamento rigoroso para proteger os clientes”, afirma Fabiano Rocha, CEO da JumpStart.
 

3. Cuidado com promessas “milagrosas”

Nenhum serviço legítimo pode garantir aprovação de visto ou green card dentro de um prazo específico. Promessas de sucesso certo, preenchimento de formulários com informações falsas ou simulação de vínculos empregatícios são sinais claros de golpe. O caso recente em Goiás evidencia os riscos: pacotes completos como esses envolvem crimes de falsificação e até coação de testemunhas.
 

4. Analise os custos com atenção

Valores muito acima das taxas oficiais do consulado (US$ 160 para a maioria dos vistos de não-imigrante) são um sinal de alerta. Cobranças adicionais por “documentos extras” ou “estratégias para aprovação” devem ser questionadas e, se necessário, denunciadas.

 

5. Denuncie irregularidades

Se houver suspeita de golpe, é fundamental informar autoridades locais e o próprio consulado. O Ministério Público Federal e a Polícia Federal recebem denúncias, e o compartilhamento de informações ajuda a evitar que outros candidatos sejam lesados. 

“Recebemos muitos clientes que já foram vítimas de golpes ao tentar tirar o visto americano. Por isso, nosso foco é orientar sobre qual tipo de visto é mais adequado para cada caso e oferecer segurança: ou conseguimos a aprovação, ou devolvemos o valor investido. Transparência e proteção do cliente são nossa prioridade”, destaca Fabiano.

 

Jumpstart


Crédito, confiança e risco: o que o caso do Banco Master revela sobre o sistema financeiro

OPINIÃO

 

O funcionamento do sistema financeiro depende de um ativo invisível, mas essencial: a confiança. Sem ela, não há crédito, e sem crédito, a economia perde dinamismo. Episódios recentes envolvendo o Banco Master trouxeram à tona discussões importantes sobre os limites da expansão do crédito, a gestão de riscos e o papel das instituições financeiras em um ambiente cada vez mais complexo.
 
O crescimento acelerado de operações estruturadas e de produtos financeiros mais sofisticados, muitas vezes voltados a nichos específicos, tem ampliado o acesso ao crédito no Brasil. Isso é positivo sob a ótica da inclusão financeira e do fomento à atividade econômica. No entanto, também impõe um desafio adicional: garantir que esse crescimento seja sustentado por fundamentos sólidos de governança, transparência e avaliação de risco.
 
O caso recente evidencia justamente essa tensão. De um lado, há a busca por rentabilidade em um mercado altamente competitivo, pressionado por margens mais estreitas e pela inovação constante. De outro, a necessidade de preservar a solidez do sistema, evitando excessos que possam gerar distorções ou, no limite, crises de confiança.
 
É nesse ponto que a estrutura jurídica das operações de crédito ganha protagonismo. Contratos bem elaborados, garantias adequadas e mecanismos eficazes de recuperação são elementos que deixam de ser meramente técnicos e passam a ser estratégicos. Em um cenário de maior sofisticação financeira, o direito não apenas acompanha o mercado — ele se torna peça central na sua sustentação.
 
Outro aspecto relevante é a percepção de risco por parte dos investidores e do próprio mercado. Casos como esse tendem a provocar uma reavaliação generalizada, ainda que pontual, elevando o nível de exigência em relação à transparência das instituições. Isso pode resultar, no curto prazo, em maior seletividade na concessão de crédito e em custos mais elevados para determinadas operações.
 
Por outro lado, há um efeito positivo de médio e longo prazo: o fortalecimento das boas práticas. Momentos de tensão costumam funcionar como catalisadores para aprimoramentos regulatórios e institucionais, além de reforçarem a importância de uma atuação preventiva — tanto por parte das instituições financeiras quanto das empresas que recorrem ao crédito.
 
Para os tomadores, a lição é clara: não basta buscar acesso a recursos financeiros; é fundamental compreender a estrutura das operações, seus riscos e implicações jurídicas. Já para as instituições, o desafio está em equilibrar inovação e prudência, crescimento e segurança.
 
O sistema financeiro brasileiro é historicamente resiliente, mas não está imune a episódios que testam seus limites. O importante é que essas situações sirvam como aprendizado coletivo. Afinal, em um ambiente onde o crédito é motor da economia, preservar a confiança não é apenas desejável — é indispensável.




José Maria Franco de Godoi Neto - advogado, mestre em Direito pela USP, mestre em Gestão de Risco pela FEA/USP, com especialização em Finanças pela FGV/SP. Sócio do Franco de Godoi Advogados e membro fundador da STRUCTURA Investments.


Portal Trampolim oferece mais de 2,5 mil vagas para cursos gratuitos em 60 municípios do estado de São Paulo

  São 35 opções em diferentes áreas; inscrições vão até 12 e 13 de abril, conforme a programação, e devem ser feitas pelo site 

 

O Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), está com inscrições abertas para 2.519 vagas em cursos profissionalizantes gratuitos do Trampolim, ofertados nas modalidades presencial e on-line. As oportunidades estão distribuídas em 60 municípios em todo o estado. As inscrições podem ser realizadas até 12 ou 13 de abril, a depender do curso, pelo site www.trampolim.sp.gov.br 

As formações atendem quem busca o primeiro emprego, quer mudar de área ou dar um upgrade no currículo. Ao todo, são 35 opções que vão de áreas como logística, gestão e administração, até tecnologia, com cursos de programação web, computação em nuvem e cibersegurança. Também há oportunidades em serviços e economia criativa, como barbearia, manicure, panificação, confeitaria e até produção de velas artesanais.  

As aulas serão realizadas em diferentes turnos (manhã, tarde e noite) e serão ministradas por professores do Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SEST/SENAT), Fundação de Apoio à Tecnologia (FAT) e do Centro Paula Souza (CPS). Os endereços das atividades presenciais estarão disponíveis na plataforma no ato da inscrição, assim como as orientações de acesso para as turmas remotas. 

 

Entre as opções disponíveis, estão:  

  • Almoxarife (190 vagas); 
  • Aplicação de Banco de Dados (30 vagas); 
  • Arquitetura de Sistemas (30 vagas); 
  • Assistente Administrativo (30 vagas); 
  • Assistente Administrativo com Inclusão Digital (15 vagas); 
  • Assistente de Logística (15 vagas); 
  • Assistente de Recursos Humanos (15 vagas); 
  • Atendimento e Recepção (15 vagas); 
  • Atendimento em Lanchonete (15 vagas); 
  • Auxiliar Administrativo (450 vagas); 
  • Auxiliar de Segurança do Trabalho (15 vagas); 
  • Barbearia (30 vagas); 
  • Bartender (15 vagas); 
  • Camareiro (15 vagas); 
  • Computação em Nuvem (30 vagas); 
  • Confeitaria (45 vagas); 
  • Cuidados de Idosos (20 vagas)  
  • Cuidador de Idosos com Inclusão Digital (15 vagas); 
  • Design de Sobrancelhas (15 vagas); 
  • Excel para Empresas (15 vagas); 
  • Gestão de Pessoas (220 vagas); 
  • Gestão de Projetos (20 vagas); 
  • Gestão de Projetos de TI (30 vagas); 
  • Gestão Financeira (120 vagas); 
  • Informática Básica com Inclusão Digital (15 vagas); 
  • Inglês (95 vagas); 
  • Introdução à Cibersegurança (30 vagas); 
  • Logística (490 vagas); 
  • Manicure e Pedicure (30 vagas); 
  • Pacote de Informática (329 vagas); 
  • Panificação (30 vagas); 
  • Precificação de Produtos e Serviços Turísticos (15 vagas); 
  • Programação WEB (30 vagas); 
  • Rotinas Básicas de Garçom (15 vagas); 
  • Técnicas de Vendas (15 vagas); 
  • Velas Aromáticas e Decorativas (15 vagas). 

 

Os cursos são ofertados nas modalidades Novo Emprego, voltada a jovens e adultos entre 25 e 59 anos que desejam se qualificar em uma nova área ou iniciar uma nova carreira, e Meu Primeiro Emprego, direcionada a jovens de 16 a 24 anos que buscam a primeira oportunidade no mercado de trabalho.  

A definição dos cursos considera as demandas regionais por qualificação profissional, com foco na conexão entre formação e empregabilidade. 

 

Como se inscrever  

Para participar, basta acessar o site www.trampolim.sp.gov.br, fazer login com a conta gov.br e escolher o curso desejado.  

Podem se inscrever candidatos alfabetizados, domiciliados no estado de São Paulo e com idade compatível com a modalidade escolhida.  

Caso o número de inscritos ultrapasse o número de vagas, terão prioridade pessoas com deficiência, jovens, desempregados e candidatos de baixa renda.  

Os candidatos selecionados receberão por e-mail as informações sobre a turma, incluindo o local das aulas presenciais ou orientações de acesso para os cursos on-line. Nos cursos ofertados pelo SEST/SENAT, será necessária a confirmação da matrícula diretamente na unidade.  

As aulas têm início previsto para 27 de abril. Para receber o certificado, o aluno deve ter frequência mínima de 75% nas atividades. 

 

Serviço: 

Inscrições para cursos profissionalizantes do Trampolim 

Formato: presencial e on-line (conforme o curso) 

Inscrições: até 12 e 13 de abril, a depender do curso 

Início das aulas: 27 de abril 

Site: www.trampolim.sp.gov.br 


Secretaria de Desenvolvimento Econômico - SDE


Soberania respiratória: Por que a produção local é uma questão de segurança nacional

A história recente das cadeias globais de suprimentos nos ensinou uma lição dura, mas necessária: a dependência externa em setores críticos é uma vulnerabilidade que um país com as dimensões do Brasil não pode se dar ao luxo de ignorar. No centro dessa discussão, emerge a indústria de Equipamentos de Proteção Respiratória (EPR). Manter a Air Safety como a única fabricante de máscaras respiratórias de alta tecnologia em toda a América Latina não é apenas um marco de pioneirismo empresarial, mas um pilar fundamental da nossa soberania nacional. 

Na verdade, a escassez traz lições, quando as fronteiras se fecharam e a demanda global por proteção disparou, o mundo assistiu a uma "corrida do ouro" por máscaras e filtros. Países que dependiam exclusivamente de importações ficaram à mercê de decisões geopolíticas e flutuações logísticas. Nesse cenário, ter uma produção verticalizada em solo brasileiro deixa de ser uma questão comercial para se tornar uma questão de segurança de Estado. A produção local garante que, independentemente do cenário internacional, nossos profissionais de saúde, bombeiros e trabalhadores da indústria não fiquem desassistidos. 

Temos que pensar que além do produto produzimos tecnologia e independência. A importância de fabricar localmente vai além da entrega física do produto. Envolve o domínio do ciclo tecnológico — desde a engenharia de materiais até a certificação rigorosa. Ao produzirmos filtros e máscaras em nossa planta, retemos capital intelectual, geramos empregos qualificados e fomentamos um ecossistema de inovação que não pode ser replicado por simples revendedores de produtos estrangeiros. Ser o único fabricante na América Latina nos coloca em uma posição de liderança regional, transformando o Brasil em um polo exportador de segurança para nossos vizinhos. 

Quando pensamos no papel do Estado e a indústria nacional lembramos que medidas recentes, como o realinhamento tarifário da Camex para bens de capital e informática, mostram que o país começa a entender a necessidade de proteger quem investe e produz aqui. No entanto, para a indústria de segurança respiratória, o apoio deve ser contínuo. Incentivar a produção local é garantir que o erário público e o setor privado invistam em soluções que permanecem no país, fortalecendo a nossa balança comercial e, acima de tudo, salvaguardando vidas brasileiras com tecnologia brasileira. 

Como conclusão, sabemos que não podemos aceitar passivamente a desindustrialização de setores estratégicos. A existência da Air Safety é a prova de que temos competência técnica para competir globalmente. Zelar pela produção local de máscaras de proteção respiratória e respiradores é assegurar que o Brasil tenha pulmões próprios para respirar em tempos de crise e força industrial para crescer em tempos de paz. A soberania nacional não se faz apenas com fronteiras vigiadas, mas com fábricas operando e tecnologia protegida. 

 

J. A. Puppio - empresário e autor do livro “Impossível é o que não se tentou”

 

1/4, Dia da Mentira: saiba como agir se o seu filho mente muito

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Educadora explica porque mentir faz parte do desenvolvimento infantil e orienta como os adultos devem lidar com a situação



No Dia da Mentira, celebrado em 1º de abril, o tema costuma aparecer em tom de brincadeira. No cotidiano das famílias, porém, quando uma criança começa a negar fatos evidentes ou inventar histórias para escapar de uma bronca, o assunto pode gerar preocupação. Qual pai, mãe ou responsável nunca ouviu de uma criança frases como “não fui eu”, “eu já fiz a lição” ou “o cachorro comeu o chocolate”? Mas afinal, mentir é um sinal de problema no comportamento infantil? 

De acordo com Jacqueline Cappellano, coordenadora pedagógica da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri (SP), as primeiras mentiras costumam aparecer por volta dos três ou quatro anos de idade, fase em que o indivíduo começa a desenvolver habilidades como imaginação, linguagem e compreensão das regras sociais, e percebe que pode manipular informações para evitar punições ou obter algum benefício. 

“Esse é um passo importante no amadurecimento cognitivo”, explica. “Na maioria das vezes, a mentira infantil não está ligada à malícia ou à intenção de enganar de forma grave. Muitas vezes, ela surge por medo de punição, para agradar aos adultos ou simplesmente como extensão do universo imaginativo da criança.” A criança muitas vezes mente por receio de perder o amor do adulto, pois não sabe como será sua reação ao contar a verdade sobre algo “errado” que fez. 

Segundo a especialista, nessa etapa o “faz de conta” é um recurso importante para o desenvolvimento emocional e criativo. Por isso, nem sempre o que os adultos interpretam como mentira é uma tentativa deliberada de enganar: a criança não faz para manipular, até porque nem teria condições cognitivas para isso. Em determinadas situações, a mentira aparece como forma de autoproteção: a criança pode negar que quebrou um objeto ou que não fez a tarefa de casa por receio da reação dos adultos. 

“É importante lembrar que a criança ainda está aprendendo a lidar com regras sociais e emoções. Mentir pode ser uma tentativa de resolver um problema imediato, sem que ela compreenda totalmente as consequências”, destaca Capellano.
 

Como os adultos devem reagir? 

Diante de uma mentira, a reação dos adultos influencia diretamente a frequência do comportamento. Castigos severos ou humilhações, por exemplo, tendem a produzir o efeito contrário ao desejado. “Quando a mentira é descoberta, o ideal é manter a calma e conversar com a criança. Reações muito duras podem aumentar o medo e fazer com que ela minta ainda mais para evitar punições”, orienta a docente. 

Em vez de focar apenas no erro, a recomendação é transformar o episódio em um momento de aprendizado. Algumas estratégias incluem: explicar por que a verdade é importante nas relações; reforçar que todos podem cometer erros; e valorizar quando a criança fala a verdade, mesmo em situações difíceis. 

Em uma situação hipotética em que uma criança diga que foi à Disney no feriado, por exemplo, ao ouvir a história, o adulto não deve reagir com repreensão imediata ou constrangimento. O mais adequado é acolher o relato e ajudar a criança a diferenciar imaginação e realidade. Pode-se dizer à criança algo como: “A Disney parece um lugar muito divertido mesmo, que muita gente sonha em conhecer. Mas o que você fez mesmo no final de semana?”. 

Essa abordagem ajuda a criança a refletir sobre o que disse sem se sentir envergonhada e transforma a situação em aprendizado, mostrando que fantasias podem fazer parte das brincadeiras, mas que, nas conversas do dia a dia, a honestidade é fundamental. 

Outro ponto importante é dar o exemplo dentro de casa, como em episódios em que o adulto mente que não está em casa para não receber uma visita indesejada. “As crianças observam o comportamento dos adultos o tempo todo. Quando veem pais ou responsáveis mentindo em situações cotidianas, podem entender que isso é aceitável”, afirma Capellano. 

A educadora aponta a necessidade de a família refletir sobre o clima da casa, a forma como os conflitos são resolvidos e a abertura para o diálogo – aspectos que influenciam diretamente o comportamento das crianças. Ambientes em que os pequenos se sentem seguros para falar, errar e aprender tendem a reduzir a necessidade de recorrer à mentira como mecanismo de defesa. 

Para os pais, o episódio de uma mentira pode ser também um convite à reflexão sobre como anda a dinâmica da família e quais oportunidades existem para fortalecer vínculos, confiança e escuta dentro de casa. “A criança precisa sentir que pode dizer a verdade sem medo de humilhação ou punições desproporcionais. Quando o ambiente familiar é acolhedor, o diálogo acontece com mais naturalidade e os valores, como a honestidade, são construídos no cotidiano”, afirma Jacqueline Capellano.
 

Quando é preciso ficar atento? 

Embora a mentira faça parte do desenvolvimento infantil, existem situações que exigem mais atenção dos responsáveis. Quando o comportamento se torna frequente e compulsivo, se prejudica a criança ou um terceiro envolvido, ou envolve histórias muito elaboradas e distantes da realidade, pode ser um sinal de alerta. 

Em casos extremos, o comportamento pode estar associado a dificuldades emocionais ou algum outro problema mais sério. “Se a criança mente de forma persistente, mesmo sem motivo aparente, ou usa a mentira como principal forma de lidar com conflitos, é importante buscar orientação de profissional especializado como um terapeuta infantil que possa orientar a família”, finaliza Cappellano.


 

Jacqueline Cappellano - pedagoga, pós-graduada em Bilinguismo e Psicopedagogia coordenadora da Educação Infantil da Escola Internacional de Alphaville. É uma grande entusiasta da Educação Bilíngue e fascinada pelo universo da educação infantil. Enxerga no intercâmbio entre ideias e culturas, um caminho para a paz entre os povos.
  
 

Bem-Estar dos times: quais práticas o RH deve promover?


Durante muito tempo, o bem-estar dos times era associado à oferta de uma série de benefícios pontuais – como plano de saúde, plataformas de saúde e bem-estar, ações de endomarketing ou iniciativas isoladas de qualidade de vida, por exemplo. Hoje, esse conceito evoluiu, deixando claro que não se trata de uma oferta específica, mas uma condição que permita que os profissionais trabalhem de forma saudável, sustentável e coerente com suas capacidades físicas, mentais e emocionais – o que é determinante para que qualquer empresa alcance resultados notáveis para seu crescimento e prosperidade. 

Cuidar da saúde física e mental dos funcionários se tornou crucial e pauta prioritária dentro do planejamento estratégico corporativo. Não à toa, 70% dos CEOs consideram o bem-estar dos colaboradores essencial para o sucesso financeiro das companhias, segundo a pesquisa “ROI do Bem-Estar 2025”. 

Na prática, contudo, por mais que uma empresa até ofereça diversos benefícios nesse sentido, apenas alcançará resultados consistentes quando o seu funcionamento diário não gera sobrecarga, ansiedade ou desgaste contínuo. Isso é o que chamamos de “bem-funcionar”, que diz respeito a como a empresa se organiza para que o trabalho faça sentido, flua e não adoeça - envolvendo clareza de papéis, processos bem definidos, metas realistas, autonomia, segurança psicológica e relações de confiança.    

Embora cada pessoa tenha sua história e vulnerabilidades, o ambiente organizacional é um fator determinante para desencadear uma série de sintomas e problemas decorrentes dessa falta de cuidado, indo da ansiedade e estresse, à sobrecarga, cansaço extremo e muitos outros. Eles são respostas físicas e mentais a gatilhos identificáveis, acumulados ou percebidos como ameaças e, a partir do momento em que se tornem recorrentes, coletivos ou crônicos, é um sinal claro de que há falhas estruturais graves a serem identificadas e corrigidas imediatamente. 

Sejam decorrentes de metas desalinhadas, excesso de demandas, comunicação confusa, liderança pouco preparada ou culturas que valorizam alta performance sem olhar para os limites e capacidades individuais, esses são alguns dos cenários capazes de despertar diversos gatilhos emocionais. De toda forma, a gestão de pessoas precisa atuar de forma sistêmica, e não apenas reativa. 

Quando o bem-estar é tratado apenas como benefício, ele ocupa um espaço periférico na estratégia. Está presente no discurso, mas não necessariamente nas decisões estruturais. A mudança real acontece quando a empresa entende que a saúde organizacional impacta, diretamente, a produtividade, inovação, retenção de talentos e sustentabilidade do negócio - passando a influenciar as metas, desenho organizacional, modelos de trabalho e critérios de avaliação de liderança. 

Cuidar desses pontos de forma antecipada é uma decisão estratégica para fortalecer a cultura antes que o desgaste se torne crônico.  Do ponto de vista do negócio, isso se traduz em menor turnover, redução de custos relacionados a afastamentos e maior estabilidade nas equipes. Há, ainda, um impacto direto na reputação corporativa, assim como na capacidade de atrair e reter talentos que, hoje, avaliam a cultura e ambiente tanto quanto o salário e benefícios oferecidos. 

Do outro lado, times emocionalmente equilibrados tomam decisões melhores, colaboram com mais fluidez e inovam com mais segurança - além de terem um maior senso de pertencimento, confiança e clareza de expectativas. Trabalhar em um ambiente que valoriza equilíbrio e diálogo também fortalece a autonomia e reduz a sensação de insegurança constante. E, à longo prazo, constrói carreiras mais sustentáveis e relações profissionais mais saudáveis.   

Uma abordagem consistente nesse sentido precisa combinar estrutura, cultura e apoio individual. Estruturalmente, é essencial revisar metas, redistribuir demandas de forma equilibrada e garantir processos claros. Culturalmente, é necessário fortalecer práticas de feedback contínuo, comunicação transparente e reconhecimento frequente. No âmbito individual, benefícios como apoio psicológico, programas de desenvolvimento, políticas de flexibilidade e incentivo à saúde física continuam sendo importantes, mas devem estar alinhados a uma estratégia maior.   

Quanto a avaliar o bem-estar e funcionamento organizacional, além de ser imprescindível o monitoramento contínuo e múltiplas fontes de informação, como pesquisas de clima e de pulso, indicadores de turnover, absenteísmo, conversas de desenvolvimento e rituais de feedback, é crucial saber como agir a partir desses dados, transformando o diagnóstico em ações concretas. 

Não se trata de eliminar pressão ou desafios, mas de garantir que eles sejam proporcionais previsíveis e sustentáveis. Empresas que conseguem integrar essas dimensões constroem ambientes mais maduros e resilientes, capazes de atravessar ciclos de crescimento sem comprometer a saúde das pessoas.  

 

Lorraine Corrêa - Head de Gente e Gestão da Pontaltech. 

 Pontaltech 


Pesquisa mostra como os jovens se sentem e agem diante das mudanças climáticas

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Levantamento do grupo International Schools Partnership (ISP) revela descompasso entre percepção e ação: maioria vê urgência no tema, mas poucos adotam práticas sustentáveis ou acreditam que podem mudar o cenário

 

A primeira Pesquisa Global de Ansiedade Climática K–12 da International Schools Partnership (ISP), que envolveu mais de 5 mil estudantes de 10 a 18 anos em 25 países, incluindo o Brasil, aponta que a maioria dos alunos do ensino básico reconhece a urgência e se preocupa com a crise climática; mas poucos adotam práticas sustentáveis de forma consistente, e menos da metade acredita que impacto de suas próprias atitudes pode fazer a diferença para frear as mudanças no clima.
 

Os resultados oferecem uma visão inédita sobre o que os jovens ao redor do mundo pensam e sentem em relação ao tema, e evidenciam uma clara lacuna entre a consciência sobre o problema e atitudes práticas:

  • 83,8% dos estudantes reconhecem a urgência das mudanças climáticas;
  • 75,1% relatam preocupação com suas consequências;
  • Menos da metade (47,7%) acredita que suas ações podem fazer diferença;
  • Apenas 21,4% adotam comportamentos sustentáveis de forma consistente.

Escola influencia positivamente no engajamento ambiental
 

O levantamento da ISP também evidencia o papel decisivo das escolas na transformação da consciência ambiental dos jovens. Os resultados apontam que 42% dos estudantes acreditam que suas instituições de ensino fazem o suficiente para enfrentar as mudanças climáticas; índice que sobe para 61% entre os alunos que participam ativamente de projetos ambientais e educativos sobre o assunto, e cai para 38% entre os que não participam de atividades de letramento sobre o tema - uma diferença que evidencia o impacto direto da vivência prática na percepção dos estudantes.
 

Os dados indicam que o contato com iniciativas concretas fortalece não apenas a visão sobre o papel da escola, mas também a confiança dos jovens em sua própria capacidade de gerar impacto. “Estudantes engajados tendem a apresentar maior senso de responsabilidade coletiva, e mais otimismo e confiança em relação ao futuro”, opina Santuza Bicalho, managing director da ISP no Brasil.
 

Segundo Santuza, a participação em atividades estruturadas ajuda a transformar preocupação em ação, promovendo protagonismo estudantil. “O resultado reforça que a conscientização, por si só, não é suficiente para gerar mudanças, é a experiência prática que impulsiona comportamentos mais sustentáveis e duradouros”.
 

Os dados da pesquisa, que deverá ser reaplicada anualmente pela ISP, vão orientar diretamente a melhoria dos processos de aprendizagem nas escolas da rede. A partir dos insights obtidos, o grupo internacional pretende aprimorar o desenho curricular, ampliar a formação de professores e expandir programas de aprendizagem baseados em ação, conectando o conteúdo acadêmico a experiências práticas em sustentabilidade; garantindo que, além da conscientização, as iniciativas implementadas gerem impacto concreto.
 

A ISP promove o letramento climático por meio de uma abordagem integrada que combina currículo, prática e protagonismo estudantil. Os alunos são incentivados a participar de projetos reais de sustentabilidade dentro e fora da escola, enquanto programas globais e parcerias ampliam o aprendizado para além da sala de aula. O objetivo é transformar conhecimento em ação, desenvolvendo competências e fortalecendo o engajamento dos estudantes diante dos desafios climáticos.
 

“Nosso papel como educadores não é apenas explicar o mundo que os estudantes estão herdando, mas capacitá-los com confiança e protagonismo para transformá-lo”, afirma Rachel Mitchell, head de ESG do grupo. “Quando a sustentabilidade é vivenciada por meio da ação, e não apenas ensinada na teoria, ela fortalece o bem-estar, a aprendizagem e as competências de longo prazo.”
 

 



International Schools Partnership - ISP

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Quando a avó doa e o credor paga a conta: a legitimidade do credor para se opor à doação inoficiosa realizada por ascendente de seu devedor

Imagine o seguinte cenário: uma avó, dona de um único imóvel, decide doá-lo diretamente ao neto adolescente — "pulando" seu filho, que é o herdeiro natural e que, não por coincidência, deve dinheiro a credores. O filho assina a escritura como representante legal do menor, concordando com tudo. Algum tempo depois, o neto é emancipado, vende o imóvel e o dinheiro desaparece. O credor, que tentava executar a dívida do filho, fica a ver navios. 

O caso é real — com nomes omitidos — e ilustra uma prática que, no meio jurídico, alguns chamam de "doação em salto". A expressão é autoexplicativa: o patrimônio salta uma geração, escapando do alcance de quem tem créditos a receber do herdeiro intermediário. O problema é que, quando o credor tenta reagir judicialmente, encontra uma barreira inesperada: há decisões judiciais que lhe negam legitimidade para questionar a doação[1]. 

Para entender por que isso é um problema, é preciso conhecer uma regra básica do Direito Civil brasileiro. Quem tem herdeiros necessários — filhos, netos, cônjuge — não pode doar mais do que metade do seu patrimônio (essa é a parte “disponível”). A outra metade é a chamada "legítima", uma reserva que a lei impõe para proteger esses herdeiros. Quando o doador ultrapassa esse limite, a doação é considerada "inoficiosa", e o Código Civil, em seu artigo 549, a declara nula na parte que excedeu o que o doador poderia doar. No caso descrito, a avó doou cem por cento do que possuía. A nulidade é inequívoca. Mas quem pode pedir ao Judiciário que a reconheça? 

A resposta mais intuitiva seria: o herdeiro prejudicado — no caso, o filho. Ocorre que esse filho é justamente o devedor insolvente. Ele não tem o menor interesse em questionar a doação, porque o resultado prático seria trazer de volta ao seu patrimônio um bem que os credores poderiam alcançar. A inércia, nesse contexto, é estratégica. 

Então o grande ponto é saber se o credor pode agir no lugar do herdeiro omisso que é seu devedor. 

O ordenamento brasileiro já possui todas as ferramentas para responder afirmativamente. O Código de Processo Civil estabelece que o devedor responde com todos os seus bens, presentes e futuros, pelo cumprimento de suas obrigações (CPC, art. 789)[2]. O direito de questionar uma doação inoficiosa — direito que pertence ao herdeiro prejudicado — tem conteúdo patrimonial evidente: se exercido, resulta no retorno de bens ao patrimônio do devedor. Por isso, esse direito, como qualquer outro com conteúdo patrimonial, pode ser penhorado. E, uma vez penhorado, o credor se sub-roga nele — isto é, assume a posição processual do herdeiro para exercê-lo judicialmente. Não se trata de tese revolucionária, mas da aplicação direta de mecanismos consolidados no processo civil, como a penhora de direitos e a sub-rogação previstos nos artigos 835 e 857 do CPC. 

O Superior Tribunal de Justiça tem dado sinais claros nessa direção. Em fevereiro de 2025, duas decisões marcantes reforçaram a tendência. No REsp 2.107.070/SC, a Corte consolidou que a doação inoficiosa configura nulidade absoluta — o que significa, nos termos do artigo 168 do Código Civil, que "qualquer interessado" pode alegá-la, e não apenas os herdeiros. No mesmo mês, nos EREsp 1.896.456/SP, a 2ª Seção inaugurou nova fase na repressão à blindagem patrimonial familiar ilícita, dispensando até mesmo o registro prévio de penhora para reconhecer fraude em doações entre familiares. Negócios entre família não são ilícitos por definição, mas certas operações, em certos contextos, passaram a estar sob suspeita de uma forma mais rigorosa. 

As decisões estaduais que negam legitimidade ao credor merecem, nesse cenário, uma releitura[3]. Os acórdãos conhecidos sobre o tema fundamentam a restrição em doutrina relativa à colação — instituto que, de fato, é privativo dos herdeiros no inventário. Ocorre que colação e redução de doação inoficiosa são conceitos jurídicos distintos. A colação é uma operação contábil entre herdeiros; a redução é uma ação fundada em nulidade de ordem pública. Equiparar as duas é como confundir uma conferência de saldo entre sócios com a anulação de um contrato ilegal. 

Revelador, aliás, é que o próprio doutrinador citado por esses acórdãos para sustentar a exclusão dos credores — o professor Arnaldo Rizzardo — defende expressamente, em outra passagem da mesma obra, o oposto do que as decisões judiciais concluíram, pois o doutrinador em questão sustenta que a ação de redução pode sim ser proposta "pelos credores do herdeiro lesado"[4]. Quando se distingue adequadamente entre os dois institutos, o argumento restritivo perde sustentação. 

Do ponto de vista sistêmico, negar essa possibilidade gera um paradoxo insuperável: o credor pode penhorar os direitos hereditários de seu devedor — possibilidade pacificamente admitida —, mas não poderia protegê-los contra um ato nulo que os esvazia. É reconhecer o direito de ter acesso a algo e, ao mesmo tempo, proibir que se impeça a destruição dessa mesma coisa. 

Não se trata, é bom que se diga, de criminalizar o planejamento sucessório. Organizar a transmissão patrimonial em vida é legítimo e, muitas vezes, recomendável. O que o sistema não pode tolerar é que a engenharia da doação "em salto" se converta em porto seguro para devedores insolventes — transformando um gesto que deveria ser positivo e desinteressado em um esquema de fraude a execuções e cobranças de dívidas civis. 

O recado, portanto, é duplo. Para famílias e seus assessores: planejamento patrimonial sério não se confunde com blindagem patrimonial ilícita. Respeitar a legítima e desenhar a sucessão com transparência reduz riscos e evita que um ato aparentemente protetivo se transforme em anos de litígio e ainda prejudique até a pessoa que se pretendia beneficiar, no exemplo ora trazido, o neto, que foi beneficiado por uma doação feita pela avó diretamente a ele, só que pulando o pai de forma fraudulenta. Para credores e operadores do sistema de execução: o Direito brasileiro dispõe de um arsenal normativo coerente — responsabilidade patrimonial universal, sub-rogação processual, nulidade absoluta, vedação à renúncia fraudulenta de herança — cujas peças, devidamente articuladas, oferecem resposta sólida a possíveis tentativas de blindagem patrimonial familiar ilícitas como essa. A agenda, agora, é aplicá-las com técnica e atenção ao contexto. Afinal, a proteção jurídica da família — valor que ninguém questiona — não pode servir de instrumento para esvaziar o direito alheio. 

 



Dr. Rommel Andriotti - advogado e professor de Direito Civil na Universidade Presbiteriana Mackenzie e na Escola Paulista de Direito (EPD). Mestre em Direito Civil pela PUC/SP e em Direito Processual Civil pela FADISP. Membro fundador do Instituto Brasileiro de Direito Contratual (IBDCont).



[1] Contra a possibilidade de o credor do herdeiro ajuizar a ação de redução: TJ/SP, 2ª Câmara de Direito Privado, Apelação 9190240-46.2007.8.26.0000, Rel. Des. Boris Kauffmann, j. 19.10.2010; TJ/SP, 12ª Câmara de Direito Privado, AI 9001881-78.2008.8.26.0000, Rel. Des. Rebello Pinho, j. 30.07.2008; TJ/SP, 3ª Câmara de Direito Privado, AI 0278790-05.2009.8.26.0000, Rel. Des. Egidio Giacoia, j. 11.05.2010; TJ/SP, 6ª Câmara de Direito Privado, Apelação 0100935-36.2009.8.26.0001, Rel. Des. Eduardo Sá Pinto Sandeville, j. 19.03.2015.

[2] CPC, art. 789: “O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o cumprimento de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei.”

[3] Já listadas em nota de rodapé anterior.

[4] RIZZARDO, Arnaldo. Direito das Sucessões. 11. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2019, p. 446.

 

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