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sexta-feira, 17 de julho de 2026

Reforma tributária: notas fiscais sem IBS e CBS serão rejeitadas pela Receita a partir de 3 de agosto


Empresas precisam se adaptar o quanto antes para evitar paralisia operacional e já devem ficar de olho nas mudanças para 2027, afirma especialista tributária do Grupo IRKO

 

O período de adaptação para a reforma tributária ganha um novo capítulo em 3 de agosto. A partir desta data, notas fiscais sem o preenchimento dos campos relacionados aos novos impostos IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) passarão a ser rejeitadas pelo sistema do Fisco. Portanto, as companhias que ainda não se adequaram ao novo modelo precisam fazê-lo o quanto antes para o bloqueio de suas operações comerciais. 

“Neste momento, a indicação do IBS e da CBS nas notas fiscais possui caráter estritamente informativo, servindo como ambiente de testes para os contribuintes e para as administrações tributárias. Contudo, a ausência desses dados gerará erro de validação a partir de 3 de agosto, impedindo a emissão do documento e, consequentemente, travando o faturamento e a circulação de mercadorias”, explica Lilian Romano, especialista tributária do Grupo IRKO.

A regra vale para as companhias optantes pelos regimes de Lucro Presumido e Lucro Real. Nesta etapa, os contribuintes deverão preencher os campos com a alíquota teste de 1% – sendo 0,9% de IBS e 0,1% de CBS. Para isso, é necessário atualizar e parametrizar ERPs (softwares de gestão empresarial), além do treinamento das equipes de compliance fiscal.

Os detalhes sobre a nova etapa foram publicados em nota técnica divulgada em maio, que adaptou os documentos fiscais eletrônicos à nova legislação. A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS já postergaram duas vezes o início dos bloqueios da emissão de notas fiscais – inicialmente previsto para janeiro e, posteriormente, para abril.

“Os contribuintes não devem contar com novos adiamentos. A alteração de sistemas e matrizes tributárias é complexa, exige validação rigorosa e suporte profissional especializado para garantir que as obrigações acessórias reflitam exatamente a norma legal, mitigando riscos de passivos fiscais”, alerta Romano.


Mudanças em 2027

O planejamento de médio prazo das empresas também deve levar em consideração as mudanças que entrarão em vigor em 2027. A principal delas, segundo a especialista, é o split payment, mecanismo que separa automaticamente o valor do IBS e da CBS no momento do pagamento. Atualmente, a empresa recebe a quantia e recolhe os impostos mensalmente, por meio de uma guia unificada. Com o novo modelo, o tributo irá direto para os cofres públicos a cada pagamento via PIX, cartão ou boleto.

“Será uma mudança sistêmica orgânica e complexa, integrando indústria, varejo, instituições financeiras e entes arrecadadores. Embora o arcabouço normativo esteja desenhado, o Fisco e o comitê gestor ainda precisam regulamentar os detalhes operacionais finos do mecanismo”, avalia Romano.

Enquanto aguardam pelas definições finais, os gestores devem projetar o impacto da alteração em seus orçamentos, visto que a novidade pode ter reflexos no caixa da companhia. Hoje, os tributos são recolhidos em até 50 dias após o pagamento pelo cliente – enquanto isso, a quantia fica em caixa. Com a retenção na fonte pelo split payment, o negócio receberá apenas o valor líquido da venda.

“A fase de testes exige acompanhamento dos anúncios feitos pelo Fisco, idealmente com o apoio de assessoria jurídica e contábil. Medidas de transição adotadas hoje impactam diretamente a saúde financeira e a estratégia de longo prazo da organização”, afirma Lilian Romano, do Grupo IRKO.

Outra mudança próxima é para as micro, pequenas e médias empresas optantes pelo Simples Nacional, que têm até setembro para definir como recolherão os novos tributos a partir de 2027. Elas deverão escolher entre continuar no regime unificado ou aderir ao modelo regular – com apuração separada de IBS e CBS, sem cumulatividade.

 

Grupo IRKO 


Alta dos aluguéis supera a inflação e reforça pressão sobre quem busca imóvel

Daniel Claudino, especialista em mercado imobiliário, explica por que os preços dos aluguéis continuam avançando acima da inflação e quais os impactos para inquilinos e investidores.


Alugar um imóvel ficou mais caro para os brasileiros em 2026. Dados do Índice FipeZAP mostram que os preços das locações residenciais acumularam alta de 4,40% nos cinco primeiros meses do ano, superando a inflação oficial medida pelo IPCA (3,20%) e também o IGP-M (3,79%), indicador tradicionalmente utilizado para reajustar contratos de aluguel. Em maio, o aluguel residencial avançou 0,85%, acima da valorização dos imóveis para venda no mesmo período.  

O cenário evidencia que o mercado de locação permanece aquecido e continua pressionando o orçamento de quem mora de aluguel ou pretende fechar um novo contrato.

Para o especialista em mercado imobiliário Daniel Claudino, a alta dos aluguéis é resultado da combinação entre demanda elevada, oferta limitada e uma recuperação gradual do setor imobiliário.

“Existe hoje uma procura maior por imóveis para locação, principalmente nos grandes centros urbanos. Ao mesmo tempo, a oferta não cresceu na mesma velocidade, criando um desequilíbrio que acaba pressionando os preços para cima”, explica.

Segundo o especialista, outro fator importante é que o financiamento imobiliário ainda enfrenta restrições, fazendo com que muitas famílias adiem a compra da casa própria e permaneçam mais tempo no mercado de locação.

“Mesmo com um cenário de redução gradual da Selic, o crédito imobiliário continua bastante criterioso. Muitas pessoas que pretendiam comprar um imóvel acabam permanecendo no aluguel por mais tempo, aumentando a demanda por locação”, afirma.

O comportamento dos aluguéis também mostra um mercado diferente daquele observado na compra e venda de imóveis. Enquanto os preços dos imóveis continuam apresentando valorização moderada, as locações seguem em ritmo mais acelerado, impulsionadas pela menor disponibilidade de unidades e pelo aumento da procura.  

Para Daniel Claudino, proprietários também passaram a enxergar a locação como uma alternativa mais rentável diante da valorização patrimonial dos imóveis e da estabilidade dos contratos.

“O aluguel voltou a ser um investimento bastante atrativo. Com uma demanda consistente e baixa vacância em diversas regiões, muitos proprietários conseguem reajustar os contratos dentro da realidade do mercado sem dificuldade para encontrar novos inquilinos”, destaca.

Diante desse cenário, o especialista recomenda que quem pretende alugar um imóvel faça um planejamento financeiro antes de fechar negócio.

“O ideal é pesquisar bastante, comparar imóveis semelhantes e negociar as condições do contrato. Muitas vezes é possível conseguir melhores condições antes da assinatura do que tentar renegociar depois. Também é importante que o aluguel não comprometa uma parcela excessiva da renda familiar”, orienta.

A expectativa do mercado é que os preços das locações continuem avançando ao longo dos próximos meses, ainda que em ritmo menos acelerado. Para Claudino, enquanto a demanda permanecer elevada e a oferta restrita em diversas cidades, a tendência é de que os aluguéis continuem registrando aumentos acima da inflação.

“Não esperamos uma explosão nos preços, mas o mercado deve continuar valorizado. A tendência é de crescimento moderado, sustentado principalmente pelo aquecimento da demanda e pela recuperação gradual da economia”, conclui.


Eleições: 5 perguntas para entender propostas de segurança pública

Divulgação
Com a aproximação das campanhas eleitorais, especialista defende que compreender os principais temas ligados à segurança é essencial para tomar decisões mais informadas nas urnas 


Temas como violência, sistema prisional e políticas de prevenção voltam a ocupar espaço nos debates públicos com a chegada do período eleitoral. A nova pesquisa Genial/Quaest mostra que 38% dos brasileiros apontam a violência como o principal problema do país atualmente, reforçando a relevância do assunto.  

Segundo a 16ª edição da pesquisa Observatório Febraban, realizada pelo IPESPE, 41% dos brasileiros afirmam que as propostas dos candidatos são o principal fator para a decisão de voto. Ao mesmo tempo, 73% dizem estar preocupados com a circulação de fake news durante o período eleitoral. Considerando esse cenário, o advogado criminalista, professor de Direitos Humanos e autor de Entre o abuso e o abandono, Gabriel Cardoso Cândido, reuniu cinco perguntas que podem ajudar o eleitor a avaliar os planos de governo com consciência durante a campanha. 

  1. A proposta explica como pretende reduzir a violência?

Prometer o combate às ações criminosas é diferente de apresentar um plano para alcançá-la. Vale observar se o candidato detalha quais medidas pretende adotar, como prevenção, investigação, inteligência, integração entre forças de segurança ou fortalecimento das instituições. 

  1. As medidas podem ser colocadas em prática?

Toda iniciativa precisa indicar como será executada. Entender quais competências cabem ao governo federal, de que forma os recursos serão utilizados e quais órgãos participarão da implementação ajuda a avaliar se as promessas são viáveis. 

  1. O debate vai além do policiamento?

Segurança pública envolve diversos fatores além da atuação das polícias, como sistema prisional, investigação criminal, prevenção da violência e políticas públicas. Observar se esses aspectos também aparecem nas propostas amplia a compreensão sobre o tema. 

  1. Como os resultados poderão ser acompanhados?

Boas políticas públicas costumam prever metas e indicadores que permitam avaliar sua efetividade ao longo do tempo. Saber como os resultados serão medidos é uma forma de acompanhar se os compromissos assumidos estão sendo cumpridos. 

  1. Comoo plano de governoequilibra segurança e garantias previstas na Constituição? 

A Constituição estabelece que a segurança pública deve proteger a sociedade respeitando os direitos e garantias fundamentais. Entender como os candidatos pretendem conciliar esses dois aspectos ajuda a analisar as propostas de forma mais completa. 

 

No Brasil, as mulheres são maioria na população e minoria na política

A democracia não foi muito amiga das mulheres ao longo da história. Estivemos à margem da vida democrática brasileira por muito tempo. Até 1932 quando conquistamos o direito ao voto fomos excluídas dos espaços de decisão política. Isso significa que não podíamos interferir nos rumos da nação, pois além de não votar não podíamos ser eleitas. E tudo que nos sobrava era fé, militância e participação em movimentos sociais. Nízia Floresta, por exemplo, foi uma feminista e fundou a federação brasileira para o progresso feminista. Mas até o século xx estávamos de fora.

As mulheres conquistaram o direito ao voto apenas em 1932, muito depois dos homens. A política frequentemente funciona por relações construídas ao longo de décadas, tradicionalmente dominadas por homens.

Atualmente, elas representam cerca de 53% do eleitorado brasileiro, e continuam sendo minoria nos cargos políticos. Em 2026, as mulheres ocupam apenas 18% das vagas no Congresso Nacional, colocando o Brasil na 139° posição global em representatividade feminina.

Com a proximidade das eleições este ano, o cenário político se concentra principalmente no papel das mulheres não apenas como eleitoras majoritárias, mas como as principais defensoras da democracia. O debate nacional insere a igualdade de gênero no centro da gestão pública, buscando transformar a presença feminina de estática para critério decisivo de poder.

A base legal está no artigo 10, § 3º, da Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições), que determina que cada partido ou federação deve preencher o mínimo de 30% e o máximo de 70% de candidaturas de cada sexo nas eleições proporcionais.

Isso quer dizer em tese que nenhum sexo pode ter menos de 30% das candidaturas apresentadas pelo partido. Mas isso não garante absolutamente nada! A lei reserva 30% das candidaturas.

Por isso, um partido pode lançar 30% de mulheres candidatas e, ainda assim, eleger um número muito menor de mulheres. Em suma, o Brasil adotou cota de entrada (candidaturas), mas não cota de resultado (cadeiras).

Mesmo sendo maioria da população e do eleitorado, as mulheres permanecem sub-representadas nos cargos legislativos. Metaforicamente convidaram a mulher brasileira para um baile democrático, mas a maioria das cadeiras ela não conseguirá ocupar. De qualquer forma celebramos. São conquistas importantes, que transformaram a posição feminina na sociedade e ampliaram sua voz nas instituições.

Hoje podemos votar. Parece um gesto simples, mas é o resultado de décadas de luta de mulheres que acreditaram que democracia também significa participação. A força da mulher está na liberdade de escolher; essa sim é a essência da democracia.

 

Maria Inês Vasconcelos - advogada e escritora 


Férias escolares: saiba quando a autorização de viagem é obrigatória para menores de idade

As férias escolares chegaram e, com elas, o planejamento das viagens em família. Mas nem sempre pai e mãe conseguem acompanhar os filhos durante esse período. É comum que crianças e adolescentes viajem apenas com um dos responsáveis, com avós, tios, padrinhos, amigos da família ou até mesmo desacompanhados. Nesses casos, é fundamental verificar se será necessária uma autorização de viagem. 

Além da autorização em papel, reconhecida em cartório, também é possível emitir o documento de forma totalmente digital por meio da Autorização Eletrônica de Viagem (AEV), que vem ganhando cada vez mais adesão dos brasileiros. 

A procura pela AEV tem apresentado crescimento nos últimos anos. No primeiro semestre de 2022 foram registradas 1.217 solicitações em todo o país. O número passou para 3.995 no mesmo período de 2023 e chegou a 6.945 entre janeiro e junho de 2024, demonstrando a consolidação da modalidade eletrônica. 

"Temos a Autorização Eletrônica de Viagem (AEV) e a autorização física. Desde a pandemia, a versão eletrônica passou a ser a mais procurada, principalmente porque muitas vezes os pais estão em cidades, estados ou até países diferentes. A ferramenta pode ser acessada por meio da plataforma e-Notariado. A autorização física continua válida e pode ser utilizada normalmente. Nesse caso, existe um modelo disponibilizado pela Polícia Federal, que deve ser preenchido com os dados da criança, dos responsáveis e das informações da viagem. O documento precisa indicar quem acompanhará o menor, ter prazo de validade e contar com reconhecimento de firma em cartório", explica João Paulo Castro, escrevente do 15º Ofício de Notas do Rio de Janeiro. 

Segundo ele, a modalidade eletrônica tem sido a mais procurada justamente pela praticidade. 

"A AEV permite que o responsável faça todo o procedimento de forma remota, por videoconferência. Para isso, é necessário possuir um certificado digital notarizado, emitido pelo e-Notariado, ou um certificado ICP-Brasil. Quem ainda não possui o certificado notarizado pode solicitá-lo diretamente na própria plataforma." 

O procedimento é simples. Após acessar o e-Notariado, o responsável preenche os dados da criança, dos pais ou responsáveis legais, informa se o menor viajará acompanhado ou desacompanhado, define o prazo de validade da autorização e indica o cartório que realizará o atendimento. 

João Paulo esclarece: "O cartório recebe a solicitação, faz a conferência das informações e agenda a videoconferência, que costuma durar cerca de cinco minutos. Durante esse atendimento, o escrevente confirma todos os dados e valida a assinatura eletrônica. Ao final, a autorização é disponibilizada em PDF, com QR Code, permitindo a conferência da autenticidade durante o embarque". 

Recentemente, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reforçou que a autorização eletrônica de viagem deve ser emitida por meio da plataforma e-Notariado, com validação realizada por um tabelião de notas. Assinaturas eletrônicas feitas apenas por plataformas digitais comuns ou pela conta Gov.br não substituem o procedimento exigido para esse tipo de autorização. 

Já a autorização física continua sendo uma alternativa para as famílias. Nesse caso, o documento deve ter reconhecimento de firma em cartório. Se a criança viajar apenas com um dos responsáveis, o reconhecimento de firma deverá ser feito pelo responsável que não acompanhará a viagem. Caso o menor viaje desacompanhado dos pais, ambos deverão autorizar. 

Os valores para emissão da autorização e dos reconhecimentos de firma são tabelados por lei estadual e podem ser consultados diretamente no cartório.

Embora as solicitações ocorram durante todo o ano, a demanda costuma aumentar significativamente nos períodos de férias escolares.

"A autorização física pode ser emitida rapidamente, desde que o documento esteja corretamente preenchido. Já a AEV costuma ficar pronta em poucas horas, dependendo do envio da solicitação e da realização da videoconferência. Muitas famílias deixam esse procedimento para os últimos dias antes da viagem, por isso a recomendação é providenciar a autorização com antecedência para evitar imprevistos", orienta Castro.


Planejamento e consenso: o verdadeiro desafio da guarda compartilhada nas férias escolares

 

O período de férias escolares costuma ser sinônimo de descanso e lazer para os filhos, mas, para pais divorciados, o recesso frequentemente se transforma em um teste de fogo para a gestão da coparentalidade. Quando a rotina muda, a necessidade de um planejamento estratégico entre os ex-cônjuges torna-se ainda mais latente. Para mitigar conflitos, o primeiro passo é compreender uma distinção fundamental no Direito de Família: a diferença entre guarda e convivência. 

Enquanto a guarda está diretamente atrelada ao exercício do poder familiar, ou seja, à responsabilidade compartilhada na tomada de decisões estruturais sobre a vida, educação e formação dos filhos, a convivência diz respeito ao direito físico de estar com a criança, assegurando a proximidade afetiva com ambos os núcleos familiares. 

No cenário brasileiro, embora a guarda compartilhada seja a regra, modelo em que os pais deliberam cooperativamente sobre o futuro dos filhos, diferentemente da guarda unilateral, ela não dita uma divisão matemática do tempo diário. É na gestão da convivência que o diálogo precisa prevalecer, especialmente diante de situações que envolvem rupturas da rotina, como as férias.

 

A Engenharia da Convivência no recesso escolar

Via de regra, sentenças e acordos homologados judicialmente já trazem uma previsão padrão para as férias: a divisão proporcional de 50% do período para cada genitor. Se o recesso compreende duas semanas, por exemplo, cada um assume uma. 

Contudo, a prática exige flexibilidade. A dinâmica corporativa ou a indisponibilidade de tempo de um dos pais para um período ininterrupto, bem como o planejamento de viagens mais longas, demandam soluções customizadas. Cada família possui uma engrenagem própria. 

Diante de tais necessidades o ordenamento jurídico oferece caminhos estratégicos para a resolução de impasses: 

·         Mediação Familiar: Ferramenta altamente recomendada para que as partes, com o auxílio de um mediador especializado, encontrem um denominador comum. O consenso alcançado é materializado em um acordo e submetido à parecer do Ministério Público e homologação judicial.

·         Ação de Regulamentação de Convivência: Diante do litígio e da ausência de diálogo, o Judiciário é provocado a intervir, definindo o cronograma de férias com base nas especificidades do caso concreto.

Em qualquer uma das vias, o vetor determinante será sempre o princípio do melhor interesse da criança e do adolescente, e não a conveniência como um ato voltado a atender apenas os interesses e vontades dos adultos.

 

Impactos Financeiros e Segurança Jurídica


Uma dúvida recorrente e de forte impacto prático envolve a pensão alimentícia durante esse período de transição. De forma geral, o dever de pagar alimentos não sofre alteração automática durante as férias escolares. Presume-se a manutenção do mesmo custeio do período letivo.

 

No entanto, o Direito de Família é dinâmico. Caso haja uma alteração substancial no binômio necessidade-possibilidade durante esses meses, ou se as partes identificarem que o formato de gastos muda drasticamente, é possível negociar um novo formato via acordo ou pleitear judicialmente a revisão do valor (para mais ou para menos), desde que devidamente comprovada a nova realidade financeira.

 


O risco do descumprimento


Por fim, vale o alerta institucional: uma vez fixada a regra de convivência por decisão judicial, qualquer alteração unilateral é vedada. Modificações válidas exigem um novo acordo homologado ou uma nova decisão do Juízo.

 

O descumprimento injustificado do calendário de férias ultrapassa a esfera do desgaste familiar e gera consequências jurídicas severas, tais como: 

1.   Cumprimento forçado da obrigação: Por meio de procedimentos de execução específicos.

2.   Sanções financeiras: Aplicação de multas diárias (astreintes) por descumprimento, caso previamente estipuladas ou requeridas.

Gerenciar a guarda compartilhada nas férias exige dos pais maturidade e, acima de tudo, assessoria estratégica para que o recesso dos filhos cumpra seu papel principal: ser um período de leveza, afeto e segurança.

 


 Thaís Marques - advogada de família do escritório Martins Cardozo Advogados Associados

 

6 destinos internacionais para curtir as férias em família sem "perrengues"na hora de se comunicar



De parques temáticos à neve da Patagônia, existem uma série de roteiros fora do Brasil com atrações para crianças e adultos como: nos Estados Unidos, Reino Unido, França, Portugal, México e Argentina. Mas como aproveitar ao máximo as experiências em família em viagens internacionais? Entenda.

 

Escolher o destino, arrumar as malas e embarcar com a família estão entre os momentos mais aguardados das férias ou feriados prolongados. Mas basta chegar ao aeroporto, pedir uma refeição ou tentar compreender uma orientação para perceber como algumas palavras em outro idioma farão a diferença no roteiro escolhido. Mesmo sem fluência, pais e filhos que conhecem pelo menos as expressões básicas ganham mais autonomia para se comunicar, enfrentar imprevistos e aproveitar melhor cada passeio. 

Para Reginaldo Kaeneêne, CEO e fundador da KNN Idiomas, uma das maiores redes de escolas de idiomas do país, uma viagem internacional ajuda crianças e adultos a compreenderem a importância de aprender outro idioma para lidar com situações cotidianas com mais autonomia. “Quando a família precisa perguntar onde fica uma atração, compreender uma orientação ou fazer um pedido em um restaurante, percebe, na prática, o valor desse conhecimento. Não é preciso falar tudo perfeitamente. Conseguir se comunicar de forma básica já ajuda, torna a experiência mais tranquila e amplia a independência durante a viagem”, afirma. 

Seis destinos buscados pelos alunos da KNN Idiomas para curtir as férias e praticar um segundo idioma:


Estados Unidos – Orlando

Parques temáticos fazem de Orlando um dos destinos mais procurados por famílias. Além de atrações como Walt Disney World, Universal Orlando e SeaWorld, a cidade reúne aquários, centros de ciência, experiências interativas e atividades ao ar livre. No dia a dia da viagem, o inglês aparece em mapas, aplicativos, filas, cardápios e orientações dos funcionários. 


Reino Unido – Londres

A capital britânica reúne alguns dos pontos turísticos mais conhecidos do mundo, como o Palácio de Buckingham, a London Eye e a Torre de Londres. Para famílias com crianças e adolescentes, o Warner Bros. Studio Tour London – The Making of Harry Potter permite conhecer cenários, figurinos e objetos originais usados nos filmes da saga. O uso do transporte público e o contato com atendentes e guias também aproximam pais e filhos do inglês britânico e de diferentes formas de pronúncia. 


França – Paris

Além da Torre Eiffel e do Museu do Louvre, Paris oferece atrações para diferentes idades, como os passeios de barco pelo Rio Sena e a Cité des Sciences et de l’Industrie, que possui espaços interativos voltados às crianças. Nos arredores da capital, a Disneyland Paris completa o roteiro com brinquedos, espetáculos e encontros com personagens da Disney, Pixar, Marvel e Star Wars. Durante os passeios, expressões básicas em francês ajudam a família a pedir informações, comprar ingressos e compreender orientações. 


Portugal – Lisboa

Mesmo com o português como idioma oficial, Lisboa permite que os brasileiros conheçam turistas de outros países, diferenças de pronúncia, vocabulário e expressões. O roteiro em família pode incluir o Oceanário de Lisboa, com milhares de animais marinhos, e o Pavilhão do Conhecimento, centro de ciência com exposições interativas. O Castelo de São Jorge, a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos e um passeio nos tradicionais elétricos completam a experiência pela história e pela cultura da capital portuguesa.


México – Cancún e Riviera Maya

Praias, sítios arqueológicos e piscinas naturais formadas em cavidades de rocha e abastecidas por águas subterrâneas estão entre os principais atrativos de Cancún e da Riviera Maya. O roteiro também pode incluir o Xcaret, parque que combina natureza e cultura mexicana, com rios subterrâneos, aquário de recifes, aviário, borboletário e atividades para crianças. Durante os passeios, o espanhol aparece em destaque, em cardápios, orientações, compras e conversas com moradores. 


Argentina – Bariloche

Para as famílias que preferem o frio, Bariloche oferece esqui, snowboard, caminhadas com raquetes de neve e passeios pelas montanhas. O Cerro Catedral possui pistas para diferentes níveis, enquanto a cidade completa o roteiro com lojas de chocolate, gastronomia patagônica e contato constante com o espanhol. A temporada de neve costuma se estender de julho a outubro.

Entre os idiomas desses destinos, a KNN oferece cursos de inglês, espanhol e francês para diferentes faixas etárias, incluindo modalidades intensivas. A rede também mantém cursos de alemão e italiano, com metodologia desenvolvida para falantes de português e foco na conversação. 



KNN Idiomas
www.knnidiomas.com.br

 

5 dicas infalíveis para ter atitudes que encantam no mercado de trabalho

Mara Leme Martins, VP do BNI Brasil, compartilha estratégias para criar conexões genuínas, fortalecer networking e se destacar no mercado de trabalho


No ambiente corporativo atual, não basta apenas ter competência técnica ou conhecimento acadêmico. O sucesso depende cada vez mais da capacidade de construir relações autênticas, estabelecer confiança e se tornar memorável no dia a dia profissional.

Para ela, o segredo está em desenvolver habilidades relacionais. “Como já defendia Dale Carnegie, autor do clássico Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, a chave para prosperar profissionalmente está nas relações humanas: saber ouvir, se interessarem genuinamente pelo outro e criar empatia. Essas habilidades, embora muitas vezes subestimadas, são decisivas para quem deseja não apenas ser reconhecido, mas também construir uma rede de contatos sólida e colaborativa.” afirma Mara Leme Martins, VP BNI Brasil - Business Network International.

Baseada em sua experiência de mais de duas décadas no BNI Brasil, a maior organização de networking de negócios do mundo, Mara Leme Martins compartilha cinco estratégias práticas para ajudar profissionais a se destacarem e encantar no mercado, mesmo que estejam começando ou lidando com dificuldades na hora de se comunicar.

1. Invista em networking intencional: “Participar de grupos estruturados e focados em troca genuína ajuda a criar conexões reais. Esses ambientes proporcionam segurança, constância e oportunidades de praticar comunicação com liberdade e confiança, sem pressão para impressionar”, explica Mara.

2. Saia da zona de conforto gradualmente: “O medo de se expor a novas situações é um dos maiores desafios de quem é tímido. Dedicar-se a pequenas interações, oferecer ajuda e se mostrar aberto a ouvir permite desenvolver confiança e reduzir a ansiedade”, pontua. 

3. Cultive empatia e atenção ao outro: “Ouvir mais do que falar é essencial. A verdadeira interação produtiva acontece quando compreendemos o outro, criando um ambiente confortável e colaborativo. Isso fortalece relações e aumenta a percepção de valor que você oferece no trabalho”, enfatiza.

4. Explore repertório diversificado: “Conversar com pessoas de diferentes áreas, mercados ou culturas, inclusive internacionalmente, amplia o olhar e traz insights que enriquecem decisões estratégicas. A diversidade de rede protege contra viés e estimula inovação”, conclui.

5. Transforme pequenos gestos em hábitos consistentes: “Sorrir, cumprimentar, agradecer e reconhecer esforços são atos simples que causam grande impacto. A repetição consistente dessas atitudes constrói reputação positiva, confiança e relacionamentos duradouros”, finaliza. 

Seguindo essas orientações, profissionais de todos os níveis podem encantar no mercado de trabalho, mesmo sem experiência extensa ou natural facilidade social. Mais do que criar contatos superficiais, o objetivo é construir uma rede sólida, colaborativa e capaz de gerar oportunidades reais de crescimento.
 


BNI - organização de networking de negócios do mundo.


Gasto Brasil: despesas públicas aceleram em 2026 e chegam a R$ 3 trilhões

 

IMAGEM: Kiko/DC
Montante foi alcançado cerca de 20 dias antes na comparação com igual período de 2025, aponta a CACB

 

O consumo de recursos públicos está mais veloz em 2026. De acordo com dados da plataforma Gasto Brasil, apurados às 11h15 desta quarta-feira, 15/07, a despesa pública chegou a R$ 3 trilhões desde 1º de janeiro deste ano. De acordo com a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), o valor foi alcançado cerca de 20 dias antes do esperado, tomando por base 2025, mostrando que o governo está gastando de forma mais acelerada.

O especialista da CACB e coordenador da plataforma, Cláudio Queiroz, explica que a antecipação está relacionada principalmente ao aumento das despesas primárias do governo. Segundo ele, no primeiro trimestre de 2026, esses gastos cresceram cerca de 16% na comparação com o mesmo período de 2025. Na avaliação dele, embora o governo aponte tendência de queda da inflação, os gastos públicos continuam crescendo em ritmo elevado.

Entre as despesas que mais avançaram estão aposentadorias, pensões e benefícios previdenciários. De acordo com Queiroz, somente essa rubrica registrou aumento de aproximadamente 11%, enquanto despesas relacionadas à assistência social, pessoal, seguro-desemprego e abono salarial apresentaram crescimento próximo de 14%. Juntas, essas despesas representam cerca de 74% dos gastos primários do governo. “Isso implica uma má gestão de recursos pelo governo”, diz o especialista.

O líder nacional do associativismo e presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto, afirma que o monitoramento contínuo do gasto público é uma missão para toda a sociedade, que também deve exigir mecanismos de eficiência pública. “O país precisa avançar com a reforma administrativa, no fortalecimento do planejamento com eficiência da gestão pública, no controle fiscal e no estabelecimento de critérios claros para investimentos”, afirma Cotait, que também preside a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).


Esferas de gestão

De acordo com levantamento com base nos dados do Gasto Brasil, desde o início deste ano, o governo federal gastou R$ 1,39 trilhão, o que corresponde a 46% do total. Já os municípios consumiram R$ 829 bilhões, acima das despesas dos estados, que fecharam em R$ 811,9 bilhões.  

Ainda de acordo com dados da plataforma, os gastos com Previdência, nas três esferas de gestão, alcançaram o valor de R$ 858,5 bilhões, ou 28,6% do total.

Na comparação com o Impostômetro, que registra a arrecadação em tempo real e chegou a R$ 2,19 trilhões em igual período, as informações do atual levantamento mostram que as despesas públicas ultrapassaram em aproximadamente R$ 800 bilhões a arrecadação de tributos.


Monitoramento

Criada em 2025 pela CACB, em parceria com a ACSP, a plataforma Gasto Brasil contém informações das despesas com pessoal, previdência, encargos sociais e investimentos, como obras, inversões financeiras em aquisição de imóveis, entre outros gastos.

De acordo com a CACB, o objetivo da iniciativa é oferecer informações sobre as despesas públicas da União, dos estados e dos municípios, de forma acessível e integrada. E, com isso, facilitar a análise de dados e a tomada de decisões. Para a instituição, a plataforma contribui para o fortalecimento da transparência, da gestão fiscal e da tomada de decisões baseada em dados.

"A ferramenta não tem caráter fiscalizador. Ela oferece informações para que a sociedade possa acompanhar a eficiência da gestão pública e cobrar resultados", explica Cláudio Queiroz.


Novos indicadores

Queiroz informou, ainda, que a plataforma deverá incorporar novos indicadores nos próximos meses, incluindo um índice para avaliar a qualidade das informações prestadas por estados e municípios aos órgãos de controle. A proposta é verificar aspectos como regularidade, consistência e pontualidade na prestação de dados fiscais, permitindo uma análise mais precisa da gestão pública em cada ente federativo.


Lançamento na Câmara dos Deputados

A CACB e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) farão o lançamento oficial da plataforma na Câmara dos Deputados, no dia 11 de agosto, às 15h30. Durante o evento, a ferramenta será apresentada aos parlamentares com o objetivo de ampliar a divulgação do Gasto Brasil, estimulando o acompanhamento das despesas públicas. 



Ubirajara Rodrigues, de Brasília
https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/gasto-brasil-despesas-publicas-aceleram-em-2026-e-chegam-a-r-3-trilhoes

 

Quando a imprudência mata, não é “acidente”.


Há exatos 30 anos, perdi meu filho Ricardo Viveiros de Paula Filho e minha neta Mariana, de apenas sete meses, vítimas de um motorista que avançou um sinal vermelho na região central de São Paulo. O responsável fugiu sem prestar socorro. Testemunhas afirmaram que estava alcoolizado. Meu filho tinha 26 anos, era ilustrador, cartunista, marido e pai de três crianças.

Passei quase duas décadas buscando Justiça. Quando finalmente veio a condenação, ela chegou tardia e insuficiente. O réu recorreu, reduziu sua pena e permaneceu em liberdade. Desde então, uma pergunta me acompanha: qual é, na prática, a diferença entre matar alguém conscientemente pelo uso de uma arma e assumir o volante após beber, sabendo que isso pode resultar em morte?

A discussão sobre crimes de trânsito continua cercada por uma palavra que suaviza tragédias: “acidente”. Acidente sugere fatalidade, algo inevitável. Mas o que há de inevitável quando alguém decide dirigir alcoolizado, exceder a velocidade ou ignorar um semáforo vermelho? Essas são escolhas. E escolhas têm consequências previsíveis.

Os números reforçam essa reflexão. Segundo levantamento do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), o Brasil registrou, em 2024, 13.075 mortes em ocorrências de trânsito relacionadas ao consumo de álcool, um aumento de 6,2% em relação ao ano anterior. A taxa de mortalidade chegou a 6,2 óbitos por 100 mil habitantes, a maior desde 2016. Mesmo com mais fiscalização e mais operações da Lei Seca, o problema persiste.

A Lei Seca, que completou 18 anos, salvou incontáveis vidas e tornou-se referência internacional. No entanto, a realidade demonstra que a legislação, sozinha, não basta. Falta transformar a consciência coletiva. Ainda existe tolerância social com quem bebe e dirige. Ainda há quem enxergue a infração como um deslize, e não como uma ameaça concreta à vida.

Especialistas alertam que o álcool reduz reflexos, compromete a percepção de risco e estimula comportamentos mais agressivos e imprudentes. Em outras palavras, quem dirige alcoolizado sabe – ou deveria saber – que aumenta significativamente a possibilidade de matar alguém.

Por isso, é necessário enfrentar um debate desconfortável: em determinadas circunstâncias, mortes causadas por motoristas embriagados não deveriam ser tratadas apenas como resultado de culpa, mas como consequência de uma conduta que assume conscientemente o risco de produzir vítimas. Não se trata de vingança, mas de responsabilidade.

Nenhuma sentença devolverá meu filho ou minha neta. Nenhuma decisão judicial apagará a dor de milhares de famílias que, todos os anos, recebem a notícia de que um ente querido morreu porque alguém resolveu misturar álcool e direção. Mas a sociedade precisa decidir se continuará chamando essas mortes de acidentes ou se passará a reconhecê-las pelo que muitas vezes são: tragédias anunciadas, produzidas por escolhas deliberadas.

Enquanto essa mudança cultural não acontecer, continuaremos contabilizando vidas interrompidas e famílias destruídas. E continuaremos perguntando quantas mortes mais serão necessárias para que dirigir alcoolizado deixe de ser visto como imprudência e passe a ser encarado, definitivamente, como uma grave violação do direito à vida.

 

Ricardo Viveiros - jornalista, professor e escritor, é doutor em Educação, Arte e História da Cultura (UPM); membro da Academia Paulista de Educação (APE) e conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI); autor, entre outros livros, de A vila que descobriu o Brasil, Memórias de um tempo obscuro e O sol brilhou à noite. Apresenta, aos domingos às 7 horas (da manhã), na TV Cultura, o programa “Brasil, mostra a tua cara!”.

 


Endividamento das famílias paulistanas permanece no maior nível em quase quatro anos, aponta FecomercioSP


Atraso nas contas e comprometimento de renda diminuem, apesar do uso de crédito elevado

 

Quase sete em cada dez famílias paulistanas (74,1%) estavam endividadas em junho. É o maior o maior patamar em quatro anos de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

 

Segundo o levantamento, o endividamento está praticamente estável em relação aos 74,2% registrados em maio, mas acima dos 71,4% observados em junho de 2025 [gráfico 1]. Em números absolutos, cerca de 3,33 milhões de lares na capital paulista estão com algum tipo de dívida.

[GRÁFICO 1]

Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC)

12 meses

Fonte: FecomercioSP


Em contrapartida, a inadimplência diminuiu para 20,7%, registrando uma queda de 0,4 ponto porcentual (p.p.) em relação ao mês anterior. O indicador oscila entre 20% e 22% há vários meses, mas já está abaixo do registrado em junho do ano passado, quando atingiu 21,6%. 

Na avaliação da FecomercioSP, o resultado de junho foi mais favorável do que o esperado diante da inflação ainda elevada dos alimentos e da manutenção dos juros em patamar restritivo. Embora o endividamento permaneça historicamente alto, os principais sinais de deterioração das finanças familiares não se confirmaram em junho.


Inadimplência recua em todas as faixas de renda

A melhoria foi observada tanto entre as famílias com renda de até dez salários mínimos quanto entre aquelas com renda superior.

No grupo de menor renda, a inadimplência passou de 25,5% para 25,1%. Já entre os lares com renda acima de dez salários mínimos, o índice caiu de 10% para 9,8%.

O nível de endividamento permaneceu praticamente estável em ambas as faixas — de 77,5% para 77,4% entre as famílias de menor renda, e de 64,6%, para 64,5% entre as de maior renda. Ainda assim, os porcentuais seguem acima dos registrados em junho de 2025, quando eram de 76% e 58%, respectivamente, apontando que o aumento do uso do crédito ocorreu entre diferentes perfis de renda.


Cartão de crédito segue como principal modalidade de dívida

O cartão de crédito continua sendo a principal modalidade de dívida, usado por 79,8% das famílias, porcentual praticamente estável em relação a maio. Já o financiamento imobiliário atingiu 17,6%, o maior da série histórica da pesquisa, reflexo de um mercado de trabalho aquecido e dos juros regulados desse tipo de crédito, que nem sempre acompanham as variações da Selic [gráfico 2].

[GRÁFICO 2]

Modalidades de dívidas das famílias paulistanas

Junho de 2026

Fonte: FecomercioSP


No perfil das dívidas, o crédito consignado avançou de 5,8% para 6,2%, o seu maior patamar dos últimos meses, enquanto o crédito pessoal voltou a subir (12,4%).  Na análise da FecomercioSP, esse movimento indica que parte das famílias estão em busca de linhas de crédito mais baratas e com prazos mais controlados para lidar com o avanço dos preços de itens essenciais, especialmente alimentos.


Atraso nas dívidas e tempo de comprometimento da renda diminuem

Pela primeira vez no ano, o tempo médio de atraso no pagamento das dívidas recuou — de 66,7 dias, em maio, para 66,1 dias, em junho —, registrando a primeira redução desde o início do ano. Também houve diminuição nas dívidas em atraso superior a 90 dias, que passou de 54,1% para 53%, o que pode indicar que parte das famílias conseguiu regularizar compromissos mais antigos.

Em junho, a parcela da renda destinada ao pagamento de débitos caiu para 26%. Dessa forma, o comprometimento da renda com dívidas manteve a trajetória de queda iniciada em janeiro, quando estava em 27,5%. Já o tempo médio de comprometimento permaneceu estável em 6,8 meses, abaixo dos 7,4 meses observados no mesmo período do ano passado.

[GRÁFICO 3]

Tempo de comprometimento com dívida

Junho de 2026

Fonte: FecomercioSP


Além disso, o comprometimento da renda continuou diminuindo e a parcela de famílias que afirmam não ter condições de quitar os débitos caiu de 8,9% para 8,5%.

A intenção de contrair crédito ou financiamento nos próximos três meses recuou de 11,2% para 10,8%, movimento esperado para o período do ano sem datas comemorativas que estimulem o consumo. Entre os lares que pretendem recorrer a crédito, a maioria (81,5%) planeja usar o dinheiro para consumo e compras.

 

O cenário reforça a leitura de que o crédito continua sendo utilizado como instrumento para suavizar os efeitos da inflação sobre o orçamento doméstico, mas ainda dentro dos limites que a renda da população consegue administrar, favorecida por um mercado de trabalho aquecido.

 

Nota metodológica 


PEIC 


A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) é apurada mensalmente pela FecomercioSP desde fevereiro de 2004. São entrevistados aproximadamente 2,2 mil consumidores na capital paulista. Em 2010, houve uma reestruturação do questionário para compor a pesquisa nacional da Confederação Nacional do Comércio (CNC), e, por isso, a atual série deve ser comparada a partir de 2010.O objetivo da PEIC é diagnosticar os níveis tanto de endividamento quanto de inadimplência do consumidor. O endividamento é quando a família possui alguma dívida.

Inadimplência é quando a dívida está em atraso. A pesquisa permite o acompanhamento dos principais tipos de dívida, do nível de comprometimento do comprador com as despesas e da percepção deste em relação à capacidade de pagamento, fatores fundamentais para o processo de decisão dos empresários do comércio e demais agentes econômicos, além de ter o detalhamento das informações por faixa de renda de dois grupos: renda inferior e acima dos dez salários mínimos.  



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