Pesquisar no Blog

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Tratamento com PRP, eficaz para aliviar a dor da artrose, passa a ser regulamentado no Brasil

Com a aprovação do Conselho Federal de Medicina, o Plasma Rico em Plaquetas (PRP) passa a integrar a prática médica; no Imot, a técnica já era utilizada na Medicina Regenerativa de acordo com as normas então vigentes para pacientes com doenças articulares


Pacientes com artrose, condropatias e outras doenças degenerativas das articulações poderão ter acesso ampliado ao tratamento com Plasma Rico em Plaquetas (PRP), técnica que utiliza o sangue do próprio paciente para concentrar plaquetas capazes de auxiliar no controle da inflamação, da dor e na melhora da função articular. 

O procedimento, que já vinha integrando os protocolos de Medicina Regenerativa do Imot, em Mogi das Cruzes, de acordo com as normas vigentes até então, foi aprovado em resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) e passa a ser regulamentado na prática médica, ampliando as possibilidades de indicação da terapia. A técnica também tem sido empregada na medicina esportiva. Recentemente, os jogadores Neymar e Gabigol foram submetidos a tratamentos com PRP.

De acordo com o médico ortopedista e um dos responsáveis pela Medicina Regenerativa no Imot, Marcos Nali, a regulamentação representa um avanço para pacientes e médicos:

"O Brasil estava atrasado na liberação desse tratamento. Em diversos países, essa terapia já faz parte da rotina de tratamento da artrose e de outras doenças articulares, sempre com indicação médica e critérios bem definidos".

O especialista explica que o tratamento é indicado principalmente para pacientes com doenças degenerativas articulares e tem como objetivo reduzir a inflamação, aliviar a dor e melhorar o funcionamento das articulações. O procedimento não promove a regeneração da cartilagem, mas pode retardar a necessidade de uma cirurgia de substituição articular, como a colocação de prótese. No Imot, o PRP pode ser associado ao ácido hialurônico, estratégia utilizada para potencializar o controle dos sintomas.

"O paciente precisa compreender que este procedimento não regenera a cartilagem perdida. O tratamento atua na melhora do equilíbrio da articulação, reduz a inflamação, controla a dor e pode aumentar o tempo de qualidade de vida antes que uma prótese seja necessária", afirma o especialista.


Imot
Rua Otto Unger, 433, Centro, Mogi das Cruzes.
Mais informações: telefone (11) 4728-3420
(@clinicaimot).

SuzanoRua Augusta Aparecida Carvalho Morais, 250 Jardim Santa Helena.
Telefone (11) 4741-3333.

 

Insuficiência cardíaca grave deixa de ser sentença e ganha novas perspectivas com avanços da cardiologia

De medicamentos inovadores a dispositivos de assistência ventricular e transplante,


especialistas destacam como a medicina tem ampliado a qualidade de vida dos pacientes
 

Durante muito tempo, receber o diagnóstico de insuficiência cardíaca grave era encarado como um caminho sem volta. Hoje, no entanto, a realidade é diferente. Impulsionada por novas pesquisas, tecnologias cada vez mais sofisticadas e tratamentos personalizados, a cardiologia tem conseguido ampliar significativamente a sobrevida e a qualidade de vida de pacientes que convivem com formas avançadas da doença. 

A insuficiência cardíaca ocorre quando o coração perde a capacidade de bombear sangue de forma eficiente para atender às necessidades do organismo. Em estágios mais avançados, o paciente pode apresentar falta de ar ao realizar pequenos esforços ou mesmo em repouso, cansaço intenso, inchaço nas pernas, limitações importantes para atividades do dia a dia e necessidade frequente de hospitalizações. 

Segundo os cardiologistas Dr. José Paulo Novazzi e Dra. Haissa Assad, do Hospital Santa Catarina - Paulista, embora a insuficiência cardíaca avançada continue sendo uma condição grave, os recursos disponíveis atualmente permitem mudar o curso da doença quando o diagnóstico é realizado precocemente e o tratamento é seguido adequadamente. "Existem muitos tratamentos que podem ser realizados para redução de mortalidade e melhora da qualidade de vida desses pacientes", afirma o Dr. Novazzi. 

O grupo de maior risco inclui pessoas que já sofreram infarto, pacientes com hipertensão arterial, diabetes, doença de Chagas, miocardites, doenças autoimunes e aqueles que receberam o diagnóstico da insuficiência cardíaca de forma tardia. Nesses casos, o acompanhamento especializado é fundamental para evitar a progressão do quadro. 

Dra. Haissa Assad explica que o diagnóstico precoce permite ajustes mais rápidos das medicações, monitoramento das complicações e orientações relacionadas ao estilo de vida, incluindo reabilitação cardíaca e controle adequado da ingestão de líquidos: “Essa estratégia reduz o risco de internações e pode retardar significativamente a evolução da doença”, explica. 

Nos últimos anos, um dos principais avanços ocorreu justamente na ampliação das opções terapêuticas. Além das classes tradicionais de medicamentos, novas drogas passaram a integrar o tratamento, trazendo ganhos importantes em sobrevida e controle dos sintomas. A tendência atual é cada vez mais individualizar a terapia conforme as características de cada paciente.
 

Corações artificiais e novas tecnologias

Outra frente de inovação envolve os dispositivos mecânicos de assistência ventricular, conhecidos popularmente como "corações artificiais". Esses equipamentos auxiliam o funcionamento do ventrículo esquerdo em pacientes com insuficiência cardíaca avançada e podem servir como ponte para o transplante ou, em alguns casos, como tratamento definitivo. 

“Entre os principais avanços estão os dispositivos de assistência ventricular de longa duração, como o HeartMate 3, que pode ser usado como ponte para transplante e também como terapia de destino para pacientes que possuem contraindicação ao transplante cardíaco", destaca o Dr. José Paulo Novazzi. 

Além disso, tecnologias como a terapia de ressincronização cardíaca vêm transformando o dia a dia de pacientes selecionados, melhorando sintomas, capacidade funcional e qualidade de vida. O uso crescente de recursos tecnológicos também tem favorecido diagnósticos mais precoces e acompanhamento mais eficiente da evolução clínica.
 

Transplante ainda é referência

Mesmo diante desse cenário de inovação, o transplante cardíaco ainda é a principal referência para casos de insuficiência cardíaca avançada que não respondem ao tratamento clínico de forma adequada: "O transplante é a terapia padrão-ouro para a insuficiência cardíaca avançada, devido à sua maior sobrevida dentre as terapias atuais", destaca Dr. Novazzi. 

Um dos desafios, porém, continua sendo a conscientização da população sobre a gravidade da doença. Muitas vezes, pacientes não aderem integralmente ao tratamento por não compreenderem os riscos envolvidos. "A insuficiência cardíaca sem terapia otimizada mata mais do que o câncer", alerta o cardiologista do Hospital Santa Catarina - Paulista.


Prevenção é o caminho

Embora a perspectiva seja de esperança, a prevenção não pode ficar de lado. Mesmo que os avanços da medicina tenham ampliado significativamente as possibilidades terapêuticas, controlar fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e obesidade continua sendo a melhor estratégia. 

“Prevenir é sempre o melhor caminho. A prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e acompanhamento médico periódico permanecem fundamentais para proteger a saúde do coração e evitar que a insuficiência cardíaca avance para estágios mais graves”, conclui a Dra. Haissa Assad.

 

Alimentação equilibrada e exercícios nem sempre são suficientes: entenda o risco das doenças cardiometabólicas

 

Ainda assim, algumas pessoas desenvolvem colesterol alto, diabetes ou obesidade mesmo seguindo todas as recomendações. Segundo especialistas, isso acontece porque nem sempre essas condições estão relacionadas apenas ao estilo de vida. Em muitos casos, fatores genéticos podem influenciar o metabolismo, o controle da glicose, o peso corporal e os níveis de colesterol.

Essa visão foi reforçada recentemente pela nova diretriz sobre a Síndrome Cardiovascular-Renal-Metabólica (CKM), publicada pela American Heart Association (AHA) e pelo American College of Cardiology (ACC)¹. O documento destaca que doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes e alterações renais compartilham mecanismos biológicos e fatores de risco comuns, exigindo uma abordagem mais integrada para prevenção e tratamento.

"Durante muito tempo, colesterol alto, obesidade e diabetes foram vistos principalmente como consequência dos hábitos de vida. Hoje sabemos que pacientes com o mesmo diagnóstico podem ter causas completamente diferentes para a doença, incluindo fatores genéticos importantes", explica Marcelo Bittencourt, cardiologista da Dasa Genômica.

Quando desconfiar da genética? 

Histórico familiar de infarto precoce, colesterol elevado em diferentes gerações, diabetes diagnosticado ainda na juventude ou obesidade grave desde a infância são alguns sinais que merecem atenção. "Nesses casos, entender a origem da doença pode fazer diferença não apenas para o paciente, mas também para familiares que compartilham o mesmo risco.

A genética nos ajuda a enxergar além dos sintomas e compreender os mecanismos biológicos envolvidos no desenvolvimento dessas condições", afirma. Um dos exemplos mais conhecidos é a hipercolesterolemia familiar, condição hereditária associada a níveis muito elevados de colesterol LDL e maior risco cardiovascular. Estudo divulgado pela Mayo Clinic² mostrou que a maioria das pessoas afetadas ainda não recebe diagnóstico adequado, apesar do risco aumentado de infarto e outras complicações cardiovasculares.

 Além do colesterol: o que os genes podem revelar Os avanços da medicina de precisão têm permitido investigar formas hereditárias de diferentes doenças cardiometabólicas, ajudando médicos a compreender melhor a origem de quadros que muitas vezes não são explicados apenas pelos hábitos de vida. "No diabetes, por exemplo, existem formas monogênicas que podem se parecer com os tipos mais comuns da doença. Hoje contamos com exames capazes de identificar alterações genéticas associadas a esses casos, permitindo um diagnóstico mais preciso, uma definição terapêutica mais adequada e até a avaliação de familiares que podem compartilhar o mesmo risco. Esse tipo de investigação é especialmente importante em pacientes com suspeita de diabetes de origem hereditária ou lipodistrofias", explica Bittencourt.

A obesidade também pode ter uma forte influência genética, especialmente quando surge precocemente ou apresenta características incomuns. "Já existem testes que investigam variantes genéticas relacionadas ao controle da fome, da saciedade e do gasto energético. Em pacientes com obesidade grave de início precoce ou suspeita de síndromes associadas ao ganho de peso, essa análise pode ajudar a esclarecer a causa da doença e apoiar um acompanhamento mais individualizado", afirma.

As alterações do colesterol também podem ter origem hereditária "Nem todo colesterol alto é consequência da alimentação. Existem formas genéticas conhecidas como dislipidemias familiares, incluindo a hipercolesterolemia familiar, em que alterações hereditárias dificultam a remoção do colesterol da circulação. Identificar essas condições permite orientar melhor o tratamento e investigar familiares que podem estar expostos ao mesmo risco cardiovascular", destaca o cardiologista.

Outra aplicação crescente da genética está na investigação de doenças hepáticas sem causa aparente. "Pacientes com alterações persistentes do fígado, episódios recorrentes de colestase ou histórico familiar de doença hepática podem se beneficiar de uma avaliação genética. Em muitos casos, conseguimos identificar condições hereditárias que explicam o quadro clínico e auxiliam no acompanhamento familiar", acrescenta.

 Uma visão mais completa do risco cardiometabólico A incorporação da genética à prática clínica tem ampliado a capacidade dos médicos de compreender a complexidade dessas doenças. Hoje, a análise integrada de biomarcadores, informações genéticas e dados clínicos permite avaliar diferentes mecanismos envolvidos no desenvolvimento de condições cardiometabólicas.

"Quando combinamos informações genéticas com exames laboratoriais e dados clínicos, conseguimos uma avaliação mais ampla do risco individual. Isso ajuda na estratificação de risco, apoia diagnósticos mais precisos, aumenta a assertividade das decisões clínicas e permite acompanhar a evolução da doença e a resposta ao tratamento de forma mais personalizada", explica Marcelo. Apesar da influência hereditária, os genes não determinam sozinhos o futuro de uma pessoa.

"A genética não é uma sentença. Ela funciona como uma ferramenta para identificar riscos e permitir intervenções mais precoces. Quanto mais conhecemos as características biológicas de cada paciente, maiores são as oportunidades de prevenção, diagnóstico precoce e cuidado personalizado", conclui Marcelo Bittencourt.



Referência

1 American Heart Association (2026 Guideline for Cardiovascular-Kidney-Metabolic Syndrome)

2 Mayo Clinic: "Most people with a genetic condition that causes significantly high cholesterol go undiagnosed" (2025)
 

Do centro médico ao campo: o que acontece com o atleta após uma cirurgia de LCA?

Freepik

Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE) destaca como a recuperação após a cirurgia pode influenciar o desempenho e a carreira dos jogadores

 

A Copa do Mundo de 2026 terminou com uma imagem que chama a atenção de quem acompanha o futebol: pouco menos de dois anos após passar por uma cirurgia para reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA), o espanhol Rodri foi eleito o melhor jogador do Mundial. 

O meio-campista de 30 anos sofreu uma ruptura do LCA do joelho direito em setembro de 2024. Ele voltou a jogar oito meses após o procedimento, em maio de 2025, teve queda de rendimento, mas se recuperou totalmente a tempo para disputar a Copa, tendo papel decisivo na conquista do bicampeonato da Espanha, mostrando que uma lesão grave no joelho não necessariamente encerra a trajetória de um atleta no mais alto nível. 

A trajetória de Rodri também ajuda a colocar em perspectiva o que acontece com atletas de alto rendimento depois de uma reconstrução do LCA. Um estudo publicado em 2021 no Orthopaedic Journal of Sports Medicine analisou jogadores profissionais de elite da União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) entre 1999 e 2019, e mostrou que os atletas submetidos à cirurgia disputaram menos partidas e minutos, além de apresentarem desempenho inferior nas duas primeiras temporadas após a lesão. A partir da terceira temporada, o desempenho dos jogadores lesionados se igualou ou até superou o de atletas que não haviam sofrido a lesão, com exceção dos atacantes, que apresentaram uma queda mais prolongada. O tempo médio para o retorno aos gramados foi de 216 dias.

“Os dados mostram que o retorno ao futebol não deve ser entendido apenas como o momento em que o atleta volta a entrar em campo. Existe todo um processo de recuperação física e funcional até que ele consiga recuperar a confiança, a capacidade de executar os movimentos com segurança e, principalmente, atingir novamente o seu melhor desempenho. Cada atleta responde de uma maneira, e fatores como idade, posição, nível competitivo, características da lesão e o próprio processo de reabilitação podem influenciar essa trajetória”, explica o Dr. Adriano Marques de Almeida, presidente da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE).
 

A recuperação, no entanto, não envolve apenas a capacidade de voltar a competir. Um estudo publicado na revista Knee Surgery, Sports Traumatology, Arthroscopy em 2026, que analisou 211 jogadores profissionais de futebol submetidos à reconstrução do LCA, avaliou também os impactos da lesão sobre a trajetória profissional e o valor de mercado dos atletas. Segundo o estudo, houve uma depreciação média de aproximadamente 2,5% no valor de mercado após a lesão. Entre os jogadores com 30 anos ou mais, a queda chegou a 5,5%, enquanto entre os atletas de até 22 anos foi de 0,9%. O levantamento também apontou que 16% dos jogadores passaram a atuar em uma liga de nível inferior após a lesão.

Outro exemplo que ajuda a mostrar como a recuperação pode seguir caminhos diferentes é o caso de Neymar. O atacante passou por uma reconstrução do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo em 2023 e, desde então, enfrentou novos períodos de afastamento por lesões. O atleta jogou algumas partidas no Mundial de 2026 e sua trajetória mostra que o retorno ao futebol de alto rendimento não depende apenas da recuperação do ligamento, mas também de uma série de fatores que podem influenciar a continuidade da carreira. 

Segundo uma revisão sistemática publicada na revista Annals of Physical and Rehabilitation Medicine, pacientes com maior força muscular, melhor função física do joelho e maior preparo psicológico para retornar ao esporte apresentaram maior associação com o retorno às atividades esportivas após a reconstrução do LCA. Os autores ressaltam, porém, que a certeza dessas evidências ainda é considerada baixa.

“Os exemplos mostram que não existe uma única trajetória depois de uma lesão do LCA. O retorno ao esporte de alto rendimento é um processo que precisa ser acompanhado de forma individualizada e que não termina quando o atleta recebe autorização para voltar a jogar. É preciso considerar a recuperação da força, dos movimentos, da confiança e da capacidade de suportar novamente as exigências do esporte. Quando todas essas etapas são respeitadas, aumentamos as chances de que o atleta não apenas retorne aos gramados, mas consiga recuperar seu nível de desempenho e dar continuidade à carreira”, salientai o presidente da SBRATE.

 

E no caso de atletas recreativos? 

Para quem joga futebol aos fins de semana, participa de provas de corrida ou pratica esportes por hobby, a recuperação pode exigir ainda mais paciência. Diferentemente dos atletas profissionais, que têm acesso a acompanhamento intensivo, muitos atletas recreativos conciliam a reabilitação com trabalho e outras atividades, o que pode influenciar o ritmo da recuperação. 

Uma revisão sistemática publicada na revista científica The Knee analisou sete estudos envolvendo atletas recreativos e constatou que 59% conseguiram retornar ao mesmo nível esportivo que tinham antes da lesão. 

“A expectativa de voltar ao esporte é natural, mas apressar esse processo pode comprometer todo o resultado da cirurgia. Uma reabilitação bem conduzida, respeitando a evolução individual de cada paciente, continua sendo o principal fator para um retorno seguro e duradouro às atividades físicas”, conclui o ortopedista.



Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte - SBRATE


"Será que estou entrando na menopausa?" Especialista explica como reconhecer os primeiros sinais do climatério

Milhões de brasileiras vivem essa fase, mas muitas ainda confundem climatério com menopausa e demoram a buscar orientação médica. Ginecologista explica como identificar cada etapa e quando é hora de procurar ajuda

 

Mudanças no ciclo menstrual, ondas de calor, dificuldade para dormir, alterações de humor, perda da libido e até dificuldade de concentração. Para muitas mulheres, especialmente a partir dos 40 anos de idade, esses sinais despertam uma dúvida comum: afinal, isso já é menopausa? 

Na maioria das vezes, ainda não. O mais provável é que o organismo esteja passando pelo climatério, período de transição hormonal que antecede a menopausa e que pode durar vários anos. Apesar de fazer parte do envelhecimento natural feminino, essa fase ainda é cercada por desinformação e frequentemente passa despercebida, fazendo com que muitas mulheres convivam com sintomas sem entender o que está acontecendo com o próprio corpo. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a menopausa natural costuma ocorrer entre os 45 e os 55 anos, sendo confirmada apenas após 12 meses consecutivos sem menstruação, sem outra causa clínica que explique essa ausência. Já o climatério, também chamado de transição menopausal ou perimenopausa, pode começar anos antes, período em que os ovários passam a produzir hormônios de forma irregular e surgem os primeiros sintomas. 

No Brasil, o tema merece atenção. Dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) estimam que aproximadamente 17 milhões de brasileiras vivem atualmente o climatério, enquanto cerca de 9,2 milhões já passaram pela menopausa, número que cresce com o aumento da expectativa de vida feminina. 

Além da confusão entre climatério e menopausa, a falta de informação ainda é um dos principais desafios para a saúde feminina nessa fase da vida. Um estudo brasileiro publicado em 2025 na revista científica PLOS One, que avaliou mais de 1.100 mulheres entre 40 e 65 anos, mostrou que apenas 30,3% das participantes estavam satisfeitas com as informações recebidas sobre menopausa e opções de tratamento. O levantamento também revelou que 92,97% demonstraram pouco ou nenhum conhecimento sobre terapia hormonal, reforçando a necessidade de ampliar o acesso à informação qualificada e ao acompanhamento médico. 

"A menopausa não representa um fim, mas uma transição natural e significativa na biografia feminina”, explica o ginecologista Dr. Dorval de Andrade Tessari, disponível na plataforma Doctoralia e autor do livro Climatério e Menopausa – Uma conversa sincera, longe das paixões, que será lançado em 21 de agosto, em Caxias do Sul (RS). No livro, Dr. Dorval explora os fundamentos hormonais – do papel do estradiol à compreensão da “janela de oportunidade” na terapia hormonal (THM). “Com informação e conhecimento necessários, a mulher pode, em conjunto com o seu médico, tomar decisões informadas e seguras”, acrescenta Dr. Dorval. 

O climatério pode provocar sintomas que nem sempre são imediatamente relacionados às oscilações hormonais. "Muitas pacientes chegam ao consultório preocupadas apenas com as ondas de calor, mas relatam cansaço, insônia, irritabilidade, ansiedade, perda da memória recente, dificuldade de concentração ou diminuição da libido sem imaginar que tudo isso pode fazer parte dessa fase. Por isso, é importante olhar para o conjunto dos sintomas e não apenas para a interrupção da menstruação", afirma o especialista.
 

Climatério e menopausa: qual é a diferença?

Embora os termos sejam frequentemente utilizados como sinônimos, eles representam momentos diferentes da vida reprodutiva da mulher. 

Climatério é todo o período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva. Nessa etapa, a produção de estrogênio diminui gradualmente, provocando alterações hormonais que podem causar sintomas de intensidades variadas. 

Já a menopausa não é uma fase prolongada, mas um marco biológico: corresponde à última menstruação da mulher, sendo confirmada apenas após um ano completo sem menstruar.
 

Sinais que podem indicar o início do climatério

Embora cada mulher vivencie essa fase de maneira diferente, alguns sintomas são bastante frequentes:

  • irregularidade menstrual
  • ondas de calor (fogachos)
  • suor noturno
  • dificuldade para dormir
  • alterações de humor
  • irritabilidade
  • ansiedade
  • dificuldade de concentração
  • perda da libido
  • ressecamento vaginal
  • fadiga
  • ganho de gordura abdominal

"O climatério não precisa ser enfrentado em silêncio. Hoje existem diversas estratégias para aliviar os sintomas, desde mudanças no estilo de vida até tratamentos individualizados, quando indicados. Quanto mais cedo a mulher compreender o que está acontecendo com seu corpo, maiores são as possibilidades de manter sua saúde física, emocional e sexual ao longo dessa etapa", destaca o Dr. Dorval.
 

Quando é hora de procurar um ginecologista? 

Os especialistas recomendam buscar avaliação médica sempre que as alterações hormonais começarem a interferir na qualidade de vida ou surgirem dúvidas sobre a origem dos sintomas. 

Além de confirmar se as manifestações estão relacionadas ao climatério, a consulta permite descartar outras condições que podem apresentar sintomas semelhantes, como doenças da tireoide, distúrbios do sono, ansiedade ou alterações metabólicas. O acompanhamento também é importante para orientar medidas de prevenção voltadas à saúde óssea, cardiovascular e metabólica, já que a redução dos níveis de estrogênio aumenta o risco de algumas doenças ao longo dos anos.


Musculação pode retardar o envelhecimento do coração em mulheres idosas, aponta estudo

Especialista analisa estudo que reforça os benefícios da musculação para a saúde cardiovascular

 

A musculação ganhou um novo respaldo científico na prevenção das doenças cardiovasculares. Um estudo recente publicado na revista Medicine & Science in Sports &Exercise identificou que o treinamento de força pode desacelerar o envelhecimento do coração em mulheres idosas, resultado que amplia as evidências sobre os benefícios da modalidade para além do fortalecimento muscular.

 

A pesquisa mostra que a prática regular de musculação está associada à preservação da função cardiovascular durante o envelhecimento, reduzindo alterações que normalmente ocorrem com o avanço da idade e aumentam o risco de doenças cardíacas.

 

Segundo a cardiologista Dra. Fernanda Douradinho, o envelhecimento do sistema cardiovascular provoca mudanças estruturais e funcionais que comprometem a eficiência do coração ao longo dos anos.

 

"O envelhecimento cardíaco está relacionado ao aumento da rigidez do músculo cardíaco e das artérias, à redução da capacidade de relaxamento do ventrículo esquerdo e à perda progressiva da aptidão física. A musculação ajuda a minimizar essas alterações porque melhora a função dos vasos sanguíneos, reduz a inflamação crônica, preserva a massa muscular e favorece um melhor controle da pressão arterial, da glicemia e do colesterol, fatores diretamente relacionados à saúde cardiovascular."

 

Os resultados reforçam uma mudança na abordagem da medicina esportiva e da cardiologia. Se antes os exercícios aeróbicos eram considerados a principal estratégia para proteger o coração, hoje as diretrizes das principais sociedades médicas recomendam que o treinamento de força também faça parte da rotina de atividade física.

 

"A musculação e os exercícios aeróbicos não competem. Eles exercem funções diferentes e complementares. Enquanto os exercícios aeróbicos melhoram a capacidade cardiorrespiratória e reduzem o risco de infarto e AVC, a musculação aumenta a força muscular, melhora a sensibilidade à insulina, auxilia no controle da pressão arterial e ajuda a preservar a massa óssea e muscular durante o envelhecimento", afirma a especialista.

 

Para pacientes com hipertensão, diabetes, obesidade, colesterol elevado ou histórico de doenças cardiovasculares, a recomendação é que a prática seja iniciada somente após avaliação médica e com treinamento individualizado.

 

De acordo com a cardiologista, quando bem orientada, a musculação é considerada segura inclusive para a maior parte dos pacientes cardiológicos.

 

"Na maioria dos pacientes, a musculação pode ser incorporada ao tratamento e à prevenção das doenças cardiovasculares, desde que respeite as condições clínicas e seja acompanhada por profissionais habilitados."

 

Na avaliação da especialista, o principal avanço trazido pelo estudo é reforçar que o treinamento de força deixou de ser visto apenas como uma estratégia voltada à estética ou ao ganho de massa muscular.

 

"As evidências mostram que o fortalecimento muscular também contribui para proteger o coração, preservar a capacidade funcional e promover um envelhecimento mais saudável. O treinamento de força passou a ocupar um papel importante dentro da prevenção cardiovascular."

 

Segundo a médica, outro aspecto relevante é que os benefícios podem ser observados mesmo quando a prática é iniciada após os 60 anos, desde que haja regularidade e acompanhamento profissional.

 

Fernanda Douradinho da Rocha Silva - médica cardiologista, formada em 2007 pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos (Centro Universitário Lusíadas). Realizou residência em Clínica Médica (2008–2010) e Cardiologia (2010–2012) no Hospital Ana Costa, em Santos. Possui título de especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia desde 2013. Atualmente, atua como médica diarista nas Unidades de Terapia Intensiva de Cardiologia do Hospital Guilherme Álvaro, e também coordenadora da UTI cardiológica do Hospital Guilherme Álvaro, professora da disciplina de Urgência e Emergência da Faculdade de Medicina da UNAERP e mantém seu consultório de cardiologia na Av. Ana Costa, em Santos.

Você se considera saudável? Sintomas que muita gente normaliza podem ser um alerta para a saúde


Um dos sintomas mais frequentemente ignorados é o cansaço persistente

Cansaço constante, sono ruim e até pressão alta costumam ser encarados como parte da rotina, mas podem indicar que o organismo está pedindo atenção


Você se considera uma pessoa saudável? A resposta costuma vir rapidamente, principalmente entre quem não convive com uma doença diagnosticada. Mas será que ausência de diagnóstico significa, de fato, ter saúde? Cansaço constante, noites mal dormidas, sedentarismo, dores frequentes e até a pressão alta silenciosa são exemplos de situações que muitas pessoas incorporam à rotina sem imaginar que podem representar um sinal de alerta.


Segundo o clínico geral Rafael Chagas, médico do Hospital Evangélico de Sorocaba (HES), o conceito de saúde vai muito além de exames laboratoriais normais ou da ausência de doenças. "Ser saudável hoje, mais do que apresentar bons exames e não ter uma doença, é estar se sentindo bem consigo mesmo, não sentir dificuldades para realizar atividades diárias básicas e perceber uma boa qualidade de vida. Precisamos olhar para a saúde física e mental como um todo. Cansaço excessivo, infecções recorrentes, alimentação inadequada, sono ruim e falta de momentos de lazer podem indicar que algo não está bem", explica.


Um dos sintomas mais frequentemente ignorados é o cansaço persistente. Em uma rotina marcada por trabalho, estudos e excesso de compromissos, sentir-se cansado acaba sendo encarado como algo normal. No entanto, quando essa sensação permanece mesmo após uma boa noite de sono ou sem uma causa evidente, merece investigação. "Quando o cansaço se torna uma queixa constante, sem uma explicação aparente e persiste mesmo após descanso adequado, é importante procurar avaliação médica para identificar possíveis causas", orienta.


Dormir pouco ou acordar cansado também não deve ser encarado apenas como consequência do estresse. Alterações na qualidade do sono podem estar relacionadas a transtornos como ansiedade e depressão, mas também a doenças respiratórias e neurológicas, como a apneia do sono, que compromete o descanso e pode afetar diversos aspectos da saúde.


Outro problema que costuma passar despercebido é a hipertensão arterial. Conhecida como uma doença silenciosa, ela frequentemente não provoca sintomas até que ocorram complicações mais graves. "A pressão alta acaba sendo negligenciada justamente porque dificilmente causa sintomas nas fases iniciais. Quando permanece elevada por longos períodos, pode provocar lesões muitas vezes irreversíveis em órgãos importantes, como coração e rins. Por isso, o acompanhamento de rotina é fundamental", alerta o médico.


Além da fadiga e das alterações no sono, outros sinais também costumam ser ignorados pela população. Falta de ar ao subir escadas, dores recorrentes, sonolência persistente, sede excessiva, aumento da frequência urinária, mudanças repentinas no apetite e lesões na pele sem causa aparente são exemplos de manifestações que podem indicar diferentes problemas de saúde e justificam uma avaliação médica.



Quando fazer um check-up?


Mesmo pessoas que se consideram saudáveis devem manter consultas preventivas. De acordo com o especialista, adultos a partir dos 18 anos, sem queixas e sem fatores de risco, podem realizar um check-up a cada dois anos. Já pessoas acima de 35 anos, com alterações em exames ou histórico familiar de doenças importantes, devem realizar acompanhamento anual.

Embora não exista uma única fórmula para manter a saúde, o médico destaca que incorporar a prática regular de exercícios físicos está entre as mudanças de hábito com maior impacto na prevenção de doenças. "A atividade física ajuda a controlar a pressão arterial e a glicemia, fortalece músculos e articulações, melhora a qualidade do sono e contribui para a saúde mental. O importante é escolher uma modalidade adequada às condições de cada pessoa e contar com orientação profissional para iniciar essa rotina de forma segura", conclui.

  

Hospital Evangélico de Sorocaba

 

Agosto Dourado reforça a importância da amamentação para saúde e vínculo materno

Especialista destaca benefícios do aleitamento materno e combate mitos que ainda cercam o tema no mês dedicado à conscientização 

 

Segundo o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil 2024 (ENANI), o aleitamento materno é a intervenção que mais previne mortes em menores de cinco anos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda exclusividade até os 6 meses e complementação até os 2 anos ou mais. No Brasil, a duração mediana do aleitamento exclusivo é de apenas 3 meses. 

O Agosto Dourado, mês simbólico de conscientização sobre o aleitamento materno, reforça a relevância desse primeiro alimento para o desenvolvimento integral do bebê e para o fortalecimento do vínculo entre mãe e filho. A infectologista pediátrica Carolina Brites destaca que o contato precoce com o leite materno é essencial, trazendo benefícios que vão desde a imunidade até o desenvolvimento cognitivo. 

Segundo a especialista, o aleitamento materno contribui para a formação da flora intestinal, fortalece o sistema imunológico e auxilia no desenvolvimento do sistema nervoso central. “É um vínculo inexplicável que existe quando há uma boa relação com o aleitamento materno. Só há benefícios, tanto para a saúde física da mãe quanto do bebê”, afirma Brites. 

Além dos aspectos biológicos, a médica ressalta a importância da rede de apoio para que a amamentação seja bem-sucedida. Familiares, amigos e profissionais de saúde desempenham papel fundamental ao incentivar e apoiar as mães nesse processo. “Mesmo quem não está gestante pode contribuir. O apoio coletivo é crucial para que haja um excelente vínculo entre mãe e bebê”, reforça. 

Um dos maiores desafios para a manutenção do aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida do bebê é o retorno da mãe ao trabalho. Apesar dos inúmeros benefícios do leite materno, muitas mulheres enfrentam dificuldades em conciliar a rotina profissional com a amamentação. A falta de apoio no ambiente de trabalho é um dos principais obstáculos. 

Carolina Brites também alerta para os mitos que ainda cercam o tema, como a ideia de que o leite materno seria “fraco” ou “insuficiente”. “O leite não é fraco. Ele é completo e suficiente para sustentar o bebê.

Precisamos combater essas crenças e ampliar a conscientização sobre os inúmeros benefícios do aleitamento”, explica. 

O Agosto Dourado, portanto, não é apenas uma campanha de saúde, mas um movimento de valorização da maternidade e da infância. Ao iluminar o tema com a cor dourada, símbolo do padrão ouro de qualidade do leite materno, o mês busca sensibilizar toda a sociedade sobre a importância de apoiar e promover a amamentação.

  

Carolina Brites - CRM-SP: 115624 | RQE: 122965 - Carolina Brites concluiu sua graduação em Medicina na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) em 2004. Especializou-se em Pediatria pela Santa Casa de Santos entre 2005 e 2007, onde obteve o Título de Pediatria conferido pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Posteriormente, especializou-se em Infectologia infantil pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e completou uma pós-graduação em Neonatologia pelo IBCMED em 2020. Em 2021, concluiu o mestrado em Ciências Interdisciplinares em Saúde pela UNIFESP. Atualmente, é professora de Pediatria na UNAERP em Guarujá e na Universidade São Judas em Cubatão. Trabalha em serviço público de saúde na CCDI – SAE Santos e no Hospital Regional de Itanhaém. Além disso, mantém um consultório particular e assiste em sala de parto na Santa Casa de Misericórdia de Santos. Ministra aulas nas instituições de ensino onde é professora.




O que está levando médicos experientes a estudar fisiologia novamente

Formações em metabolismo e fisiologia humana ganham espaço à medida que cresce a necessidade de compreender a origem de doenças crônicas cada vez mais complexas

 

As doenças crônicas respondem por cerca de 75% das mortes no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ao mesmo tempo, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que a multimorbidade, quando um mesmo paciente convive com duas ou mais doenças crônicas, tornou-se um dos principais desafios dos sistemas de saúde. 

Essa combinação tem provocado uma mudança na forma como parte da classe médica busca atualização profissional. Em vez de concentrar os estudos apenas em protocolos e tratamentos específicos, médicos de diferentes especialidades passaram a aprofundar o conhecimento em fisiologia humana, metabolismo e regulação hormonal para compreender doenças que, muitas vezes, não encontram respostas satisfatórias apenas nas abordagens tradicionais.

Para o médico, professor e pesquisador Alexandre Duarte, referência em fisiologia metabólica e hormonal e fundador do  Instituto Avantgarde, centro especializado em medicina metabólica e hormonal voltado à prevenção, investigação das causas de doenças crônicas e cuidado personalizado, esse movimento reflete uma necessidade percebida na prática clínica. Segundo ele, profissionais experientes têm buscado ampliar o raciocínio fisiológico diante de pacientes que apresentam obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, alterações hormonais e outros problemas que costumam coexistir. "O paciente de hoje raramente apresenta apenas uma doença. Quando entendemos como os sistemas do organismo se relacionam, conseguimos interpretar melhor os sinais clínicos e construir tratamentos mais individualizados, em vez de apenas controlar manifestações isoladas", afirma.

Esse movimento acompanha uma transformação epidemiológica, já que o envelhecimento da população, o crescimento da obesidade e da resistência à insulina fizeram aumentar o número de pessoas que chegam ao consultório com diferentes diagnósticos ao mesmo tempo. Nessas situações, analisar cada doença separadamente pode limitar a compreensão do quadro clínico. A OCDE destaca que esse perfil de paciente exige abordagens integradas e profissionais preparados para conectar informações que envolvem metabolismo, inflamação, hormônios, alimentação, sono e estilo de vida.

Na avaliação do especialista, essa realidade explica por que cursos de aperfeiçoamento em fisiologia metabólica vêm atraindo médicos de diferentes especialidades, inclusive profissionais com décadas de experiência clínica. O objetivo não é substituir protocolos ou abandonar diretrizes consolidadas, mas ampliar a capacidade de compreender os mecanismos biológicos que antecedem o desenvolvimento das doenças. "A medicina evoluiu muito no diagnóstico e no tratamento. Agora cresce o interesse em entender por que determinados processos fisiológicos deixam de funcionar corretamente. É esse raciocínio que ajuda o médico a conectar informações que antes pareciam não ter relação", diz.

A educação médica continuada também ganhou peso diante da velocidade com que novas evidências científicas são publicadas. Estudo da Associação Médica Americana (AMA) mostra que a atualização permanente passou a ser considerada um dos principais fatores para melhoria da prática clínica, especialmente em áreas relacionadas às doenças crônicas e ao envelhecimento populacional.

Para quem está do outro lado do consultório, essa mudança também produz efeitos práticos. Um médico que amplia sua formação em fisiologia tende a investigar aspectos que muitas vezes passam despercebidos em consultas focadas apenas no diagnóstico da doença, como padrões de sono, composição corporal, hábitos alimentares, saúde metabólica, inflamação e funcionamento hormonal.

"Cada vez mais pacientes procuram compreender a causa dos problemas de saúde e não apenas aliviar sintomas. Esse movimento também desafia os médicos a aprofundarem seu conhecimento sobre o funcionamento do organismo. Quanto maior esse entendimento, maiores são as possibilidades de oferecer um cuidado individualizado e duradouro", conclui Alexandre Duarte.

 

Dr. Alexandre Duarte - médico, professor e palestrante, referência em fisiologia metabólica e hormonal no Brasil. Graduado em Medicina pela Universidade Regional de Blumenau (FURB), aprofundou sua formação durante 12 anos nos Estados Unidos, onde concluiu o Fellowship in Metabolic and Nutritional Medicine pela MMI/USA. Fundador do Grupo Avantgarde, Alexandre Duarte acumula mais de duas décadas de atuação clínica e acadêmica. Ao longo de sua trajetória, contribuiu para a recuperação da saúde de aproximadamente 20 mil pacientes e para a formação de mais de 3 mil médicos em áreas ligadas à fisiologia metabólica, modulação hormonal e medicina personalizada.  Defensor da chamada medicina da saúde, baseada na investigação das causas dos desequilíbrios metabólicos e hormonais, atua na difusão de uma abordagem voltada à prevenção, personalização do tratamento e reversão de doenças crônicas associadas ao metabolismo, consolidando-se como uma das principais vozes do segmento no país.



Para mais informações, acesse: site, Instagram, linkedin ou pelo youtube.

Instituto Avantgarde
Para mais informações, acesse : instagram, site, linkedin instituto e linkedin college.



Fontes de pesquisa

https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/noncommunicable-diseases

https://www.oecd.org/en/publications/2025/02/does-healthcare-deliver_978507f1/full-report/living-with-multiple-chronic-conditions_0275c435.html?


Esportes de alto rendimento podem afetar a fertilidade de atletas

Freepik
Uma das maiores provas de resistência do mundo, o IRONMAN 70.3 acontece no início de agosto no Rio de Janeiro. Saiba como prevenir o impacto dos treinos excessivos na saúde reprodutiva e conciliar o esporte com o sonho da parentalidade. Congelamento de óvulos e sêmen também é alternativa estratégica e segura


O IRONMAN 70.3, prova de triathlon de longa distância mais famosa do mundo, vai reunir, no dia 9 de agosto, no Rio de Janeiro, milhares de atletas dispostos a superar limites ao encarar 1,9 km de natação, 90,1 km de ciclismo e 21,1 km de corrida. Por trás do preparo físico exigido para encarar as 70,3 milhas de prova, existe um fator biológico que, muitas vezes, passa despercebido pelos triatletas: os impactos da rotina de treinos de alta intensidade na fertilidade. 

Embora a atividade física moderada seja uma grande aliada da saúde reprodutiva, os chamados “esportes de endurance”, modalidades que exigem esforço físico contínuo por períodos prolongados, como maratona, ciclismo e triathlon, podem alterar temporariamente o sistema hormonal e reprodutivo tanto do corpo masculino quanto feminino. 

Quando o gasto calórico elevado dos treinos supera a ingestão de nutrientes, atletas podem apresentar uma síndrome conhecida como Deficiência Energética Relativa no Esporte (REDs, sigla em inglês para Relative Energy Deficiency in Sport). Trata-se de um estresse metabólico que leva o corpo a desligar ou desacelerar funções secundárias à sobrevivência a fim de economizar energia para os órgãos vitais. “Nas mulheres, o cérebro deixa de enviar aos ovários os estímulos hormonais necessários para amadurecer e liberar os óvulos. Como resultado, o sistema reprodutivo entra em pausa, interrompendo o ciclo menstrual. Nos homens, por sua vez, a baixa de testosterona desencadeada pela síndrome reduz a contagem e a qualidade dos espermatozoides, além de causar queda da libido", explica Dr. Paulo Gallo, especialista em reprodução humana da Clínica Vida/Fertgroup. 

O esforço físico de alta intensidade também gera estresse oxidativo, ou seja, a liberação de moléculas de radicais livres na corrente sanguínea em quantidade superior à capacidade antioxidante do corpo de neutralizá-las. “Esse desequilíbrio provoca um estado inflamatório geral que acelera o envelhecimento celular e compromete a qualidade tanto dos espermatozoides quanto dos óvulos, diminuindo as chances de fertilização e implantação do embrião no útero”, afirma Gallo. 

O especialista ressalta que, no esporte de alto rendimento, a fertilidade masculina também pode ser prejudicada por fatores mecânicos que comprometem a contagem, forma e mobilidade dos espermatozoides. “Durante o ciclismo, horas consecutivas no selim geram compressão contínua dos nervos e restrição do fluxo sanguíneo na região perineal, localizada entre os genitais e o ânus. Em maratonas, microtraumas acontecem pelo choque repetitivo dos testículos contra as coxas. Além disso, a fricção eleva a temperatura do escroto acima do nível ideal para a produção de espermatozoides, quadro agravado pelo uso de trajes de compressão ou térmicos”, ressalta.

 

Estratégias de prevenção e preservação da fertilidade

Para atletas que pensam em adiar a maternidade ou paternidade devido a um calendário intenso de competições, a preservação da fertilidade por meio de congelamento de óvulos ou de sêmen surge como uma alternativa estratégica e segura. Além disso, com planejamento e ajustes no estilo de vida, é possível manter tanto o desempenho esportivo quanto a saúde reprodutiva. “Os efeitos dos treinos para provas de resistência sobre a fertilidade costumam ser reversíveis e podem ser evitados com o suporte de uma equipe multidisciplinar”, destaca Gallo. 

Esse acompanhamento integrado envolve médico do esporte, endocrinologista, ginecologista ou urologista especializado em reprodução assistida, nutricionista esportivo, educador físico e bike fitter (especialista em biomecânica do ciclismo). Veja os principais aspectos que estes profissionais irão avaliar:

  • Nutrição adequada à carga de treino: os atletas precisam ter o gasto energético monitorado para evitar déficit calórico crônico. Também pode ser necessária suplementação de antioxidantes para combater os radicais livres no organismo.
     
  • Periodização do descanso: o planejamento estratégico dos períodos de recuperação ajuda a controlar os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, que é liberado durante exercício físico intenso. “Se o treino é contínuo e sem descanso adequado, o cortisol permanece cronicamente elevado, o que reduz a produção de hormônios sexuais vitais para a fertilidade”, expõe Gallo. Intercalar dias de repouso total e descanso ativo (como caminhadas leves) controla os níveis de cortisol e restabelece o eixo hormonal.
     
  • Exames de rotina: o especialista em reprodução assistida vai acompanhar os resultados de dosagens hormonais e ultrassom transvaginal para as mulheres e de espermograma e teste de fragmentação do DNA espermático para os homens. Enquanto os exames femininos avaliam a ovulação, a condição da reserva ovariana e identificam precocemente desbalanços causados pelo desgaste físico, os masculinos checam a qualidade dos espermatozoides e monitoram eventuais danos genéticos provocados pelo aquecimento e pelo estresse oxidativo dos treinos.
     
  • Ajuste ergonômico da bicicleta: realizada por um profissional especializado, essa adaptação inclui a escolha e inclinação do selim, altura do guidão e distância dos pedais. É essencial para distribuir o peso do atleta sobre a estrutura óssea da bacia e evitar a pressão direta sobre a área perineal, aliviando a compressão dos vasos e nervos e reduzindo o aquecimento excessivo na região genital.

Posts mais acessados