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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Nova contribuição patronal ao SESI e SENAI: quais os impactos para a indústria e agroindústria?

A partir de maio de 2026, empresas da indústria e da agroindústria que possuem convênio direto com as entidades de SESI e SENAI precisarão lidar com uma mudança relevante na forma de recolhimento das contribuições. À primeira vista, trata-se apenas de mais uma alteração operacional dentro do ecossistema do eSocial, no entanto, uma análise mais aprofundada revela que os impactos podem ir além da rotina da folha de pagamento, e atingir diretamente o custo e a previsibilidade financeira das empresas. 

Essa mudança faz parte de um movimento mais amplo da Receita Federal de centralizar a arrecadação das contribuições previdenciárias e de terceiros em um ambiente unificado. Com isso, valores que antes eram recolhidos diretamente às entidades passam a ser apurados via eSocial, declarados na DCTFWeb e recolhidos por meio de DARF, junto aos demais tributos. Na prática, o que se observa é a consolidação do controle dessas contribuições sob a gestão da Receita Federal, assim como já é feito com as empresas não conveniadas e de demais setores. 

Até a competência abril de 2026, o modelo atual permanece válido, permitindo que empresas que possuem convênios com SESI e SENAI continuem realizando o recolhimento direto. A partir da competência seguinte, no entanto, esse formato deixa de existir. É nesse ponto que surge uma das principais questões estratégicas: o fim do convênio não representa apenas uma mudança de canal de pagamento, podendo alterar também a relação que a empresa mantinha com essas entidades. 

Isso porque embora a contribuição ao SESI e ao SENAI continue sendo obrigatória e não configure um benefício fiscal, muitas empresas operavam dentro de um contexto que envolvia condições diferenciadas, acordos institucionais ou, até mesmo, percepções de ganho indireto decorrentes dessa relação. Com a centralização da arrecadação, esse vínculo tende a se enfraquecer e, com ele, podem desaparecer eventuais vantagens que antes faziam parte da equação. 

O resultado é que algumas empresas podem se deparar com um cenário em que o valor da contribuição permanece, mas os benefícios associados deixam de existir, como subsídios, treinamentos ou outras vantagens institucionais. Esse efeito não é imediato para todos, mas pode ser significativo, especialmente para organizações que tinham uma maior proximidade institucional com o SESI e SENAI, ou que estruturavam parte de sua estratégia considerando essas relações. 

Além disso, há um ponto técnico que não pode ser negligenciado. Para que o eSocial realize a apuração correta dessas contribuições, será necessário ajustar a parametrização da folha, especialmente no que diz respeito à Tabela de Lotação Tributária no eSocial. A correta definição do FPAS e a atualização do código de terceiros são fundamentais para evitar divergências na DCTFWeb, que hoje é o principal instrumento de confissão de dívida perante a Receita Federal. Pequenos erros nesse processo podem gerar inconsistências, recolhimentos incorretos e exposição a fiscalizações. 

Outro aspecto que merece atenção é a contribuição adicional ao SENAI, aplicável a empresas da indústria e da agroindústria com mais de 500 empregados, antes emitida apenas no site da entidade. Nesse novo modelo, o cálculo será feito automaticamente pelo eSocial, sem necessidade de ação manual. Embora isso simplifique a operação, também exige que as empresas acompanhem com atenção os valores apurados, garantindo que estejam alinhados com sua realidade. 

É importante destacar que parcelamentos já firmados com SESI ou SENAI não serão impactados por essa mudança. Esses acordos continuam válidos e devem ser cumpridos conforme pactuado. A nova sistemática se aplica apenas às competências a partir de maio de 2026. 

A experiência mostra que mudanças no eSocial raramente são apenas técnicas. Elas costumam trazer efeitos indiretos que só se tornam visíveis com o tempo, especialmente quando envolvem contribuições de terceiros e estruturas já consolidadas nas empresas. 

Por isso, este é o momento ideal para uma análise preventiva. Entender como sua empresa está posicionada hoje, quais benefícios podem ser impactados e como a nova apuração afetará sua folha pode fazer toda a diferença na transição. Mais do que se adequar, trata-se de antecipar cenários e tomar decisões com base em informação e estratégia. 

  


Caroline Barbizan - Coordenadora de Departamento Pessoal na PKF BSP.

Gabriela Vasconi - Especialista em Folha de Pagamento na PKF BSP.


PKF BSP
www.pkfbrazil.com.br


Redação do Enem 2026: professores dão dicas de preparação e sugerem temas para treinar

 

Freepik
Planejamento contínuo, treino estruturado e ampliação de repertório sociocultural são estratégias para chegar confiante à prova de novembro

 

Embora o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) aconteça apenas em novembro, a preparação para a redação — uma das etapas de maior peso na nota final — deve começar desde o início do ano letivo.

Produzir um texto dissertativo argumentativo em até 30 linhas, com tese clara, argumentos consistentes e proposta de intervenção detalhada, exige mais do que domínio da norma culta: requer repertório, organização de ideias, leitura crítica da realidade e treino constante. 

Nos últimos anos, o exame abordou temas pertinentes à sociedade brasileira. O padrão se repete: a prova demanda capacidade de análise de problemas estruturais do país e apresentação de soluções viáveis, respeitando os direitos humanos. 

As últimas propostas de redação do Enem foram:
 

2025 - Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira;

2024 - Desafios para a valorização da herança africana no Brasil;

2023 - Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil;

2022 - Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil;

2021 - Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil;

2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira;

2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil;

2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet;

2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil;

2016 - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil.


Para apoiar estudantes na jornada até novembro, quatro educadores compartilham orientações práticas para estruturar a preparação ao longo do ano.
 

CONHECIMENTO DOS CRITÉRIOS DE CORREÇÃO 

Henrique Barreto Andrade Dias, coordenador pedagógico do Brazilian International School – BIS, de São Paulo/SP, destaca que conhecer profundamente as competências avaliadas pelo Enem é uma vantagem estratégica. Ele recomenda que o estudante analise redações nota mil para identificar padrões de organização textual, uso de conectivos e detalhamento da intervenção. 

“A prova não avalia apenas criatividade. Ela mensura domínio da norma padrão, compreensão do tema, capacidade argumentativa, coesão e elaboração de proposta de intervenção detalhada. Estudar a matriz de correção evita perda de pontos por descuidos técnicos”, afirma Dias.
 


LEITURA DIVERSIFICADA E AMPLIAÇÃO DE REPERTÓRIO
 

Francisco Meneses, professor de Redação do Ensino Médio do colégio Progresso Bilíngue, de Vinhedo (SP), reforça que a qualidade da redação está diretamente ligada ao repertório sociocultural do estudante. Segundo ele, manter um banco pessoal de assuntos organizados por eixos temáticos, como direitos humanos, meio ambiente, tecnologia ou desigualdade social, facilita a adaptação a diferentes propostas. 

“O Enem valoriza a contextualização e a estrutura. O aluno precisa relacionar o tema a dados históricos, conceitos filosóficos, obras literárias ou acontecimentos atuais. Por isso, acompanhar o noticiário, ler artigos de opinião e consumir conteúdos analíticos é parte da preparação. O candidato deve aliar esse conteúdo à estrutura da redação Enem, que também é fundamental para boas notas”, explica Francisco.
 

TREINO SEMANAL E MÉTODO ESTRUTURADO 

Para Peter Rifaat, coordenador pedagógico da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri (SP), a redação deve fazer parte do cronograma fixo de estudos. Ele recomenda dividir o treino em três etapas: estudo da estrutura do texto dissertativo-argumentativo; produção cronometrada; e correção criteriosa, com foco nas cinco competências avaliadas pelo Inep. 

A preparação para a redação deve seguir um planejamento escalonado ao longo do ano, com metas claras para cada etapa: 


Abril a junho: fundamentação e repertório:
 

- Estudo aprofundado da estrutura do texto dissertativo-argumentativo;

- Compreensão detalhada das cinco competências avaliadas pelo Inep;

- Construção de repertório sociocultural (dados, autores, conceitos, atualidades);

- Produção de uma redação por semana, com foco na clareza da tese e na organização dos parágrafos.
 

Julho a setembro: intensificação e aprimoramento técnico: 

- Produção de duas redações por semana, ao menos uma delas cronometrada;

- Ênfase na consistência argumentativa e no aprofundamento dos exemplos;

- Aperfeiçoamento da proposta de intervenção (agente, ação, meio, finalidade e detalhamento);

- Revisão sistemática dos erros recorrentes apontados nas correções.
 

Outubro: revisão estratégica e simulação de prova:
 

- Releitura e reescrita de textos anteriores para corrigir fragilidades;

- Treino com propostas inéditas, em tempo real de prova;

- Realização de simulados completos, incluindo redação, para testar resistência e gestão do tempo;

- Ajustes finais de coesão, conectivos e precisão vocabular.
 

“Assim como nas demais áreas do Enem, a constância é determinante, e ajuda o aluno a transformar a escrita em hábito e a evoluir progressivamente”, afirma Rifaat. E não basta escrever muito. “É preciso entender onde estão as falhas, seja na coesão, na argumentação ou na proposta de intervenção, e trabalhar esses pontos de forma técnica. O candidato deve solicitar que outra pessoa ou seu professor leia a redação e aponte erros, para que o treino melhore sua performance. O uso de inteligência artificial também pode ajudar”, orienta.
 

EQUILÍBRIO EMOCIONAL, FOCO E GESTÃO DE TEMPO
 

Já Paulo Rogerio Rodrigues, coordenador pedagógico da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP), destaca que o equilíbrio emocional é um dos pilares da preparação para a redação do Enem. Segundo ele, desempenho cognitivo e estabilidade emocional caminham juntos: níveis elevados de ansiedade comprometem memória, organização de ideias e clareza argumentativa. “A redação exige raciocínio estruturado sob pressão. Sono adequado, pausas estratégicas e técnicas de controle da ansiedade são parte da estratégia, não um detalhe”, afirma. 

Nesse contexto, Rodrigues reforça a importância do uso de estratégias de mindfulness, controle consciente da respiração e foco intencional como ferramentas práticas de autorregulação. Exercícios simples de respiração profunda antes e durante a prova ajudam a reduzir a ativação fisiológica da ansiedade, favorecendo a clareza mental. Práticas de atenção plena contribuem para que o estudante reconheça pensamentos acelerados ou auto sabotadores e consiga redirecionar o foco para a tarefa. 

Outro ponto essencial é o autoconhecimento. Identificar gatilhos emocionais e distratores, como comparação excessiva com outros candidatos, medo de “dar branco” ou preocupação com o tempo, permite criar estratégias individuais para neutralizá-los. “O aluno que conhece seus padrões de reação consegue agir preventivamente, evitando que pequenas tensões comprometam seu desempenho”, explica. 

Além disso, reduzir o estresse no dia da prova exige treino em condições variadas. Paulo orienta que o estudante não pratique apenas em cenários ideais, mas também em ambientes com ruído moderado ou pequenas distrações, simulando possíveis variáveis do local de aplicação. “O ambiente pode ser barulhento ou quente. Desenvolver foco intencional em contextos menos confortáveis fortalece a autorregulação e a resistência emocional”, destaca. 

A gestão de tempo também deve ser planejada estrategicamente. Recomenda-se reservar cerca de uma hora para leitura atenta da proposta, planejamento da estrutura argumentativa, escrita e revisão final, sempre com controle rigoroso do tempo. O treino cronometrado ajuda o estudante a compreender quanto tempo precisa para cada etapa e a ajustar seu ritmo. 

Por fim, é fundamental que cada candidato desenvolva um planejamento pessoal eficaz, conhecendo as estratégias que melhor funcionam para si, como rascunhar palavras-chave antes de escrever, estruturar previamente os parágrafos ou revisar primeiro a coesão e depois a gramática. “Quando o estudante domina suas próprias estratégias, otimiza o tempo e potencializa seus resultados”, conclui Rodrigues.
 

TEMAS PARA TREINAR ATÉ O DIA DA PROVA 

Os docentes listam, a seguir, 20 temas sociais contemporâneos para o treino da redação. Os assuntos desafiam a capacidade de análise crítica e argumentação, requerem repertório sociocultural relevante, além de apresentarem interdisciplinaridade, uma competência muito valorizada na hora da correção dos textos.

  1. Desafios para o combate à desinformação na era da inteligência artificial
  2. Caminhos para reduzir a evasão escolar no Ensino Médio brasileiro
  3. Impactos das mudanças climáticas na vida urbana
  4. A cultura do cancelamento e seus efeitos no debate público
  5. Inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho
  6. O papel da mídia na formação da opinião pública
  7. Desafios para a promoção da saúde mental entre jovens
  8. O envelhecimento da população brasileira e seus impactos sociais
  9. Violência nas escolas: causas e estratégias de prevenção
  10. A importância da educação midiática no combate às fake news
  11. Mobilidade urbana e direito à cidade
  12. Desigualdade digital e acesso à tecnologia no Brasil
  13. Segurança alimentar e combate à fome
  14. Racismo estrutural e seus reflexos na sociedade brasileira
  15. A valorização da ciência no enfrentamento de crises sanitárias
  16. Trabalho informal e precarização das relações trabalhistas
  17. Preservação ambiental e desenvolvimento econômico
  18. O impacto das redes sociais na construção da identidade juvenil
  19. A participação política dos jovens na democracia brasileira
  20. Desafios para a garantia dos direitos das populações tradicionais


Os especialistas
 

Francisco Meneses é professor do Progresso Bilíngue - Unidade Vinhedo. É Licenciado em Letras e possui Doutorado na área de Linguagens pela Universidade de Campinas - Unicamp. Atua na área há mais de 10 anos, além de ter sido corretor do Enem no mesmo período.
 

Henrique Barreto Andrade Dias é licenciado em Geografia e Sociologia, possui especialização em projetos para o terceiro setor e pós-graduação em Psicologia Positiva, Neurociência, Mindfulness, Neuropsicopedagogia e Neurociência Aplicada à Aprendizagem. Atua na área da Educação há 18 anos e atualmente é coordenador pedagógico do currículo brasileiro do Brazilian International School.
 

Paulo Rogerio Rodrigues é psicólogo, licenciado em Letras (Português e Inglês) e coordenador pedagógico da Escola Bilíngue Aubrick. Possui ampla trajetória na Educação Básica, com atuação voltada à gestão pedagógica e educacional, da Educação Infantil aos anos finais do Ensino Fundamental II. É pós-graduado com MBA em Gestão Escolar e possui especializações em Educação Antirracista, Bilinguismo e Neuropsicologia, áreas que fundamentam sua prática na formação integral dos estudantes e no desenvolvimento de equipes educacionais.
 

Peter Rifaat é educador e líder escolar com mais de 20 anos de experiência em educação internacional e bilíngue, com estudos em Ciências Comportamentais, liderança e desenvolvimento humano. É formado em Pedagogia e possui certificações internacionais, incluindo DELTA e CELTA (Universidade de Cambridge), além de diversas certificações do International Baccalaureate (IB). Atualmente, atua na Escola Internacional de Alphaville como Coordenador Pedagógico do Ensino Médio, Coordenador do Programa do Diploma IB, professor de IBDP Theory of Knowledge (TOK) e membro da equipe de Orientação Universitária e de Carreira (Future Pathways), com foco no desenvolvimento acadêmico, socioemocional e vocacional dos estudantes.
  

International Schools Partnership - ISP
Para mais informações, acesse o site.


Conhecimento e reflexão para não se deixar enganar

Entramos em um ano eleitoral. Esse período certamente será marcado por intensa propaganda, permeada por muitas mentiras, meias-verdades e promessas – novas e requentadas – na tentativa de ganhar o voto do eleitor. 

Quem está, de fato, interessado em fazer a melhor opção para o Brasil precisa conhecer ou se lembrar de alguns dados fundamentais para decidir com consciência quando chegar o momento das urnas. Vamos a alguns fatos. 

De 23 anos para cá, o Brasil foi governado pelo atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e seu partido (PT), durante 16 anos e meio, ou seja, em 70% do período. É impossível, portanto, dissociar a responsabilidade do atual governo da situação do país neste momento. 

Atualmente, de acordo com o IBGE e o Banco Mundial, o Brasil tem quase 60 milhões de pessoas vivendo com renda per capita mensal inferior a R$ 600. É pouco mais de um terço do salário mínimo. Além disso, cerca de 70% dos aposentados e pensionistas do INSS, que somam 27 milhões de pessoas, recebem apenas um salário mínimo mensal. 

No país, são mais de 4 milhões de pessoas idosas e com deficiência sem nenhuma renda, sustentando-se exclusivamente com um salário mínimo mensal garantido pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC), sem direito ao 13º salário. 

Temos ainda de 20 milhões a 21 milhões de famílias – mais de 60 milhões de brasileiros – recebendo o benefício do Bolsa Família, em média inferior a R$ 700/mês, sendo condição para ter acesso ao programa estar registrado no cadastro único e viver na pobreza (com renda de até R$ 665/mês) ou na extrema pobreza (renda inferior a R$ 209/mês) segundo dados do IBGE. 

De toda a população que trabalha no setor privado e contribui para o INSS, 35,63% (ou quase 34,5 milhões de cidadãos) recebem vencimentos mensais de apenas um salário mínimo. Outros 30% desse contingente ganham entre um e dois salários mínimos por mês. 

No setor público, há cerca de 2 milhões de cidadãos, servidores municipais, que recebem apenas um salário mínimo/mês. Isto é: no Brasil de hoje, entre 97 milhões e 100 milhões de pessoas vivem com menos de um salário mínimo por mês. 

Ninguém fez essas contas, mas o governo federal, mesmo sabendo das enormes desigualdades regionais, sociais, raciais e educacionais, agravou ainda mais as dificuldades dos 50% mais pobres da população, essa enorme massa que vive com menos de um salário mínimo por mês. 

Mas não é só. Mais de 60 milhões de pessoas beneficiárias do Bolsa Família vêm perdendo a capacidade de comprar alimentos por causa da inflação – de 2024 (4,83%) e de 2025 (4,26%) –, somada aos 33 meses sem reajuste do benefício. Essa perda foi de R$ 390,43 em 2025 e chegará a R$ 755,64 ao fim de 2026. 

Beira o deboche o governo gastar tanto com esse tipo de despesa, suportada com recursos retirados do bolso e das mesas dos trabalhadores. 

Vale lembrar o ensinamento de John Kenneth Galbraith (1908-2006): “Nada mais eficaz para limitar a liberdade, incluindo a liberdade de expressão, como a total falta de dinheiro”. Indo além, cito também Harry Edson Browne (1933-2006): “O governo é bom em uma coisa. Ele sabe como quebrar as suas pernas apenas para depois lhe dar uma muleta e dizer: ‘Veja, se não fosse pelo governo, você não seria capaz de andar!’”. Digam-me se não é exatamente o que estamos vivendo, o cenário atual. 

O povo brasileiro, que possui a liberdade e o poder do voto, precisa de informações corretas e muita reflexão para não se deixar enganar pela propaganda eleitoral que vem por aí. 

 

Samuel Hanan - engenheiro com especialização nas áreas de macroeconomia, administração de empresas e finanças, empresário, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros “Brasil, um país à deriva”, “Caminhos para um país sem rumo” e “Amazônia Brasileira, preservar para viver, responsabilidade mundial”. Site: https://samuelhanan.com.br

 

NR-1 exige o que antes era invisível: como medir riscos psicossociais nas empresas


Envato

Atualização da norma inaugura uma nova lógica de gestão; fatores como estresse, burnout e assédio deixam de ser subjetivos e passam a impactar diretamente indicadores, custos e resultados corporativos 

 

A recente atualização da NR-1, cuja entrada em vigor foi adiada para maio, pode ter ampliado o prazo de adequação, mas não reduziu a urgência do tema nas empresas. Ao contrário: o novo texto consolida uma virada de chave ao exigir que os riscos psicossociais sejam tratados com o mesmo rigor aplicado a qualquer outro risco operacional, com método, governança e evidências.

Na prática, fatores como o estresse, o burnout e o assédio deixam de ser tratados como questões subjetivas ou iniciativas isoladas de bem-estar e passam a integrar formalmente o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Isso implica a identificação, a avaliação, o controle e monitoramento contínuos, além da necessidade de registros e comprovações. O que antes era visto como uma agenda complementar passa a ocupar espaço na estratégia do negócio, com impacto direto na gestão, na conformidade e nos resultados.


Do invisível ao indicador

Um dos principais desafios impostos pela nova NR-1 está na capacidade de transformar aspectos intangíveis em dados concretos. Clima organizacional, sobrecarga e segurança psicológica deixam de ser percepções difusas e passam a exigir tradução em métricas capazes de sustentar decisões.

Esse movimento ocorre a partir da combinação entre dados de percepção e dados operacionais. Pesquisas de clima, engajamento e segurança psicológica ajudam a captar a experiência dos colaboradores, enquanto indicadores como absenteísmo, rotatividade e afastamentos por transtornos mentais revelam os impactos desses fatores na operação. Quando integradas, essas informações permitem identificar padrões, acompanhar tendências e transformar o que antes era subjetivo em dados acionáveis.

Com isso, indicadores tradicionalmente analisados de forma isolada passam a ganhar novo significado quando conectados. Taxas de absenteísmo e turnover, afastamentos relacionados a transtornos mentais — especialmente aqueles classificados sob CID F —, volume de denúncias de assédio e níveis de engajamento passam a dialogar diretamente com métricas de produtividade e desempenho, evidenciando que os riscos psicossociais estão no centro da operação, e não à margem.


O erro que custa caro

“Apesar do avanço na conscientização, muitas empresas ainda enfrentam dificuldades na execução. O erro mais comum está em coletar dados sem transformá-los em ação. Pesquisas são aplicadas, indicadores são levantados, mas faltam planos estruturados e acompanhamento consistente ao longo do tempo”, explica Adriano Cruz, Head de HCM na Senior Sistemas.

Outro ponto crítico é a concentração do tema exclusivamente no RH. A lógica da norma exige uma abordagem integrada, envolvendo lideranças, áreas de Segurança e Saúde do Trabalho e instâncias de governança. Sem essa articulação, a gestão perde efetividade e compromete tanto a conformidade quanto os resultados.


O custo invisível da inação

Se medir já é um desafio, ignorar os riscos psicossociais pode sair ainda mais caro. Um dos aspectos menos explorados dessa agenda está justamente no impacto financeiro da inação. Ambientes de trabalho deteriorados afetam não apenas os indivíduos, mas também a dinâmica coletiva das equipes, reduzindo a colaboração, o engajamento e a capacidade produtiva.

O presenteísmo é um dos exemplos mais emblemáticos desse custo invisível: o colaborador está presente, mas com desempenho comprometido. Esse fenômeno, muitas vezes negligenciado, corrói a produtividade de forma silenciosa. Paralelamente, aumentam os afastamentos prolongados, a perda de talentos estratégicos e os custos associados à contratação e adaptação de novos profissionais.

Há ainda um efeito cascata que alcança o campo jurídico e o reputacional. Crescem as ações trabalhistas relacionadas ao adoecimento ocupacional e ao assédio, ao mesmo tempo em que a imagem da empresa pode ser afetada, impactando sua capacidade de atrair e reter talentos. Quando analisados em conjunto, esses fatores revelam que os riscos psicossociais já têm impacto financeiro direto e relevante sobre os resultados das empresas.


Da obrigação legal à estratégia de negócio

Diante desse novo cenário, atender à NR-1 deixa de ser apenas uma questão de compliance e passa a exigir uma revisão mais ampla da governança. As empresas precisam estruturar processos claros, definir responsabilidades e criar rotinas contínuas de monitoramento dos riscos psicossociais. A integração entre Saúde e Segurança do Trabalho (SST), clima organizacional e gestão jurídica é essencial para reduzir passivos e fortalecer a cultura de compliance.

Na prática, a NR-1 expõe uma fragilidade que muitas empresas ainda têm dificuldade de admitir, que é o fato de não dar mais para tratar riscos psicossociais como algo subjetivo ou desconectado da operação. 

“Quando saúde e segurança, clima organizacional e jurídico não conversam, o que se perde não é só eficiência, são decisões, produtividade e dinheiro. As organizações que conseguirem integrar essas dimensões em dados acionáveis vão sair na frente, não apenas em compliance, mas em performance. É justamente nesse ponto que soluções integradas, como as da Senior, passam a ter um papel importante ao conectar dados de SST, clima e jurídico para apoiar uma atuação mais preventiva e orientada por dados”, afirma Adriano Cruz.

Com isso, a integração entre áreas, a criação de fóruns ou comitês dedicados à saúde mental e o uso de tecnologia para consolidar dados e gerar indicadores em escala começam a se consolidar. Mais do que atender à norma, essas práticas contribuem para uma gestão mais eficiente e orientada por dados, com impacto direto na redução de reclamatórias trabalhistas e na promoção de ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis.


Um novo estágio ainda inicial

Apesar dos avanços, a maturidade das empresas brasileiras nesse tema ainda é considerada inicial. Muitas organizações atuam de forma reativa, focadas no cumprimento mínimo das exigências, e enfrentam dificuldades para mensurar e integrar esses riscos ao PGR de maneira estruturada.

A atualização da NR-1, no entanto, tende a acelerar esse processo. Ao formalizar a obrigatoriedade da gestão dos riscos psicossociais, a norma reposiciona o tema no centro das decisões corporativas, não mais como uma pauta acessória, mas como um fator crítico de desempenho econômico. “O que antes era invisível agora precisa ser medido e, principalmente, gerenciado. Ignorar essa transformação não apenas aumenta riscos, como também compromete, de forma concreta, a sustentabilidade financeira das empresas”, finaliza Adriano Cruz.

 

QI ainda arruma emprego ou só ilude amigo

Houve um tempo em que o famoso QI — quem indica — era quase um ministério paralelo do mercado de trabalho. Não adiantava ter currículo bonito, curso de inglês, pós-graduação ou aquela frase sofrida no LinkedIn sobre “resiliência em tempos desafiadores”. Se alguém dissesse “deixa comigo, vou te indicar”, pronto: abria-se uma fresta de esperança, uma nesga de dignidade, uma portinha no corredor escuro do desemprego.

Hoje, no entanto, o QI parece viver uma crise de identidade. Continua existindo? Sim. Funciona? Às vezes. É sincero? Aí já estamos entrando no terreno pantanoso da hipocrisia corporativa.

Porque uma coisa é o amigo desempregado mandar mensagem: “Ei, surgiu uma vaga aí? Posso te mandar meu currículo?”. Outra, bem diferente, é a pessoa realmente indicar. E indicar de verdade exige coragem, responsabilidade e, principalmente, vontade de associar o próprio nome ao nome do outro. É nesse momento que muita amizade de churrasco começa a suar frio.

Receber currículo alheio virou um novo esporte nacional. As pessoas pegam o PDF com a mesma naturalidade com que dizem “vamos marcar qualquer dia”. Pegam para parecer gentis. Pegam para não soar frias. Pegam porque dizer “não vou indicar” ainda é considerado grosseiro demais para os padrões passivo-agressivos do mercado.

Então o currículo entra num limbo digital. Fica ali, abandonado entre um boleto vencido, um convite de webinar e uma planilha chamada “final_v3_agora_vai”. E o amigo, coitado, do outro lado, alimenta uma esperança inocente, como quem acredita que RH vai responder candidatura feita em portal com 4.732 inscritos.

Há algo de tragicômico nisso tudo. O desempregado pede ajuda como quem pede um copo d’água. Quem recebe o pedido age como se estivesse sendo convocado a escolher o próximo papa. Analisa riscos. Pensa na própria reputação. Lembra vagamente de que o amigo chegava atrasado no futebol de terça e conclui, em silêncio, que talvez ele não tenha “fit cultural”.

O mercado de trabalho, aliás, sofisticou até a covardia. Antes, a pessoa simplesmente não ajudava. Agora ela ajuda performaticamente. Diz: “Claro, me manda!”. Depois: “Vou ver aqui”. Em seguida: “Encaminhei para o pessoal”. E então desaparece com a elegância burocrática de quem arquivou a própria consciência.

É o novo humanismo corporativo: ninguém quer ser cruel, mas quase todo mundo anda ocupado demais para ser realmente útil.

A verdade inconveniente é que o QI nunca foi exatamente sobre amizade. Foi sobre confiança, conveniência e interesse. Quem indica, em geral, indica quando sente segurança, quando vê alguma vantagem, ou quando o risco de dar errado é baixo. O resto é espuma de cappuccino social.

E isso não é necessariamente maldade. Às vezes é puro medo. Porque indicar alguém virou também colocar a própria pele no jogo. Se o amigo entra e vai bem, você vira visionário. Se entra e faz besteira, de repente o RH começa a olhar para você com aquele carinho institucional que antecede o desligamento.

Por isso, muita gente prefere o teatro da solidariedade ao compromisso real da indicação. É mais seguro parecer disponível do que se responsabilizar. Mais confortável colecionar a imagem de “pessoa bacana” do que dizer com honestidade: “Não conheço seu momento profissional o suficiente para te indicar”.

Mas é claro que ninguém fala assim. O brasileiro prefere a delicadeza do abandono. A elegância da omissão. O carinho morno do “depois te aviso”.

No fim, o velho QI continua vivo, mas menos romântico. Não morreu. Só perdeu a fantasia. Continua abrindo portas, mas já não atende todo mundo que bate. E, convenhamos, talvez nunca tenha atendido.

O que mudou foi a embalagem. Hoje, o mercado fala muito sobre networking, conexões genuínas, marca pessoal e comunidade profissional. Tudo muito bonito, tudo muito colaborativo, tudo muito inspirador — até aparecer um amigo realmente precisando de emprego. Nessa hora, a conexão vira silêncio, a comunidade vira visualizado, e a marca pessoal recomenda cautela.

Talvez a pergunta não seja mais se o QI ainda garante emprego. A pergunta certa seja outra: quantas indicações são reais e quantas são apenas um gesto educado para aliviar a culpa de quem não quer se envolver? 

Porque pegar currículo, hoje em dia, muita gente pega.

Indicar mesmo é que são elas.



Francisco Carlos -CEO Mundo RH e Tec Login - Top 100 People 2023car mesmo é que são elas.

Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/qi-ainda-arruma-emprego-ou-s%C3%B3-ilude-amigos-francisco-carlos-fiaxf/



Ranking posiciona Uberlândia como a cidade mais feliz de Minas Gerais

Secretaria de Comunicação/PMU
Município também é classificado como o 16º mais feliz do Brasil, conforme levantamento sobre felicidade, divulgado pela revista Bula, com base em índices públicos auditáveis e inspirado na metodologia da ONU 


Uberlândia foi classificada como a cidade mais feliz de Minas Gerais e a 16ª do Brasil. É o que apontou o ranking nacional de felicidade divulgado, no início deste mês, pela
Revista Bula. De acordo com o estudo, o município atingiu nota 8,73, numa escala até 10. O levantamento, inspirado no World Happiness Report, da Organização das Nações Unidas (ONU), colocou Uberlândia entre as cidades brasileiras que oferecem as condições mais consistentes de bem-estar estrutural, baseado em dados públicos municipais auditáveis e comparáveis. 

No ranking geral, Uberlândia ficou à frente de cidades como: Campinas (SP), Florianópolis (SC) e Brasília (DF). Já no comparativo em Minas Gerais, a cidade apresenta os melhores índices de felicidade entre todos os 853 municípios. 

O estudo utilizou referências publicadas por institutos de pesquisa como IBGE, Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, PNUD, Ipea, Fundação João Pinheiro, INEP, DataSUS, SNIS e Siconfi. Para definição do resultado final do ranking foram consideradas as seguintes dimensões: 

· capacidade material e segurança econômica;

· saúde e longevidade;

· apoio social e proteção contra vulnerabilidade;

· liberdade prática e capacidade de escolha;

· confiança institucional e integridade pública;

· civismo, generosidade e vida comunitária;

· segurança pessoal;

· habitabilidade com serviços urbanos básicos. 

O estudo localizou, dentro do universo de bases públicas municipais, as cidades em que as condições estruturais de bem-estar aparecem com maior força e maior consistência. Desta forma, foram analisadas somente variáveis localizáveis, auditáveis, comparáveis e reproduzíveis com base pública identificável. 

(Confira mais informações sobre a pesquisa e o ranking completo aqui.)

 

Conheça Uberlândia

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Inteligência Artificial, agentes autônomos e novos modelos de negócios transformam assistência à saúde e pesquisa científica no Brasil, diz Deloitte

 

  • Inteligência artificial e agentes autônomos têm impulsionado operações, ao mesmo tempo em que demandam modelos bem definidos de responsabilidade, governança e validação científica;
  • Parcerias formam novos modelos de negócios que podem contribuir para reduzir a volatilidade orçamentária, diminuir a judicialização e aumentar a previsibilidade financeira;
  • Inovação e pesquisa trazem novas abordagens para condições clínicas, como a obesidade, cujo tratamento farmacológico avança em detrimento da cirurgia bariátrica. 

 

O uso da inteligência Artificial (IA), a integração de agentes autônomos de IA e a configuração de novos modelos colaborativos de negócios, formados pela parceria entre os diversos atores de saúde, despontam como os principais vetores de transformação para o setor de saúde brasileiro, conforme análise feita nos estudos globais Life Sciences Outlook 2026 e Global Health Care Outlook 2026, da Deloitte. Essas tendências se destacam em um contexto de forte pressão sobre as margens do setor ao mesmo tempo em que há crescimento das demandas da população. 

O aumento dos custos assistenciais, o envelhecimento populacional e a maior necessidade por terapias avançadas comprimem a rentabilidade. “Operadoras, hospitais, clínicas e o mercado de distribuição de medicamentos deverão continuar enfrentando desafios e precisarão investir em eficiência operacional e digitalização para manter competitividade. Parcerias estratégicas, integração de dados, telemedicina e soluções baseadas em valor devem ganhar força como resposta à pressão por sustentabilidade financeira e qualidade assistencial”, explica Luis Fernando Joaquim, sócio-líder para a indústria de Life Sciences & Health Care da Deloitte.

Na busca por mais eficiência do sistema de saúde, a agenda da interoperabilidade se torna um elemento estruturante fundamental para permitir que informações clínicas, administrativas e assistenciais circulem de forma segura e padronizada entre diferentes plataformas e instituições. A conexão de informações clínicas, assistenciais e administrativas reduz redundâncias, auxilia a tomada de decisão pelos profissionais, melhora a coordenação do cuidado e sustenta modelos mais preventivos, consolidando a informação como base operacional para um sistema mais coordenado e centrado no paciente. Ao mesmo tempo, a interoperabilidade impõe desafios de padronização, qualidade dos registros e governança da informação.

A digitalização crescente também amplia a exposição a riscos cibernéticos. Em um setor que lida com dados altamente sensíveis e operações críticas, cibersegurança e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) integram a agenda de risco corporativo, demandando envolvimento direto da alta liderança e investimentos estruturais.

A pesquisa científica na área de saúde passa por um ciclo de aceleração decorrente do uso da Inteligência Artificial e de agentes autônomos que ampliam a capacidade analítica e a velocidade de geração de evidências em pesquisa clínica, farmacovigilância e análise de dados reais. “À medida que essas tecnologias avançam para funções decisórias, a governança torna-se condição central para sua adoção em escala, exigindo estruturas claras de responsabilidade, validação científica, explicabilidade e mensuração de valor”, afirma Fatima Pinho, sócia de Life Sciences & Health Care da Deloitte.

As parcerias entre operadoras, hospitais e indústrias farmacêuticas estão se tornando um eixo estruturante e reorganizando o sistema de saúde privado. Novos modelos de relações evoluem para acordos baseados em performance clínica, corresponsabilização por desfechos e sustentabilidade financeira, especialmente em relação a condições crônicas complexas e terapias avançadas. “Essa convergência entre interesses clínicos e econômicos pode contribuir para reduzir a volatilidade orçamentária, diminuir a judicialização e aumentar a previsibilidade financeira do sistema”, analisa Luis Fernando Joaquim.

A queda de patentes e a entrada de genéricos e biossimilares ampliam o acesso da população a tratamentos e, ao mesmo tempo, reduzem preços e receitas, exigindo ajustes nos modelos de negócio. O estudo Relatório do setor de distribuição de medicamentos no mercado institucional brasileiro, desenvolvido pela Deloitte para a Associação Brasileira dos Distribuidores de Medicamentos Especializados, Excepcionais e Hospitalares (Abradimex), evidencia que o setor de distribuição enfrenta aumento de custos operacionais, redução de margem líquida e desequilíbrios entre prazos de pagamento e recebimento.

A queda de patentes tem estimulado novos arranjos econômicos e assistenciais. Além de viabilizar medicamentos no mínimo 35% mais baratos, também impulsiona novas negociações contratuais, como acordos de compartilhamento de risco para terapias de alto custo. O fortalecimento da indústria nacional também se destaca, com o Brasil ocupando posição de relevância no mercado global de biossimilares, reforçando a importância estratégica do país nesse segmento.

“O setor de distribuição de medicamentos tem capilaridade de atendimento e mantém papel relevante na geração de empregos. As empresas enfrentam ocorrências de roubos, o que tem demandado investimento em segurança, e dificuldade de rastreamento de produtos. Além disso, a Reforma Tributária demanda dos distribuidores ajustes financeiros e operacionais para reduzir riscos e maximizar a rentabilidade”, ressalta Fatima Pinho.

Com impactos estruturais que vão além da simplificação do sistema de impostos e um período de transição que vai até 2033, a reforma tributária já traz efeitos concretos em 2026, especialmente para prestadores de serviços como hospitais, clínicas e laboratórios, que passam a ter a possibilidade de aproveitamento de créditos tributários sobre insumos e serviços. Esse avanço exige uma reestruturação dos processos internos nas áreas financeira, de compras, contabilidade e tecnologia da informação, com atenção especial aos impactos no fluxo de caixa. Ao mesmo tempo, a reforma tende a funcionar como catalisador para investimentos em automação, integração de sistemas e maior eficiência operacional em toda a cadeia da saúde.


Outras tendências que impactam o setor

No campo social e ambiental, a COP30 marcou um ponto de inflexão ao inserir, pela primeira vez, a saúde como pilar central das discussões climáticas globais. O Plano de Ação em Saúde de Belém reconhece que a crise climática é também uma crise de saúde e destaca frentes como vigilância integrada, políticas baseadas em evidências e inovação em saúde digital, abrindo oportunidades para soluções tecnológicas, telemedicina e parcerias público-privadas orientadas à justiça social.

A ampliação da informação e da conscientização sobre o burnout, classificado como doença ocupacional, tem evoluído. Esse quadro clínico tornou-se um ponto de alerta para as empresas, que passaram a compreendê-lo como risco a ser mitigado. Esse cenário tem impulsionado a adoção de medidas de gestão, prevenção e cuidado com o colaborador, reposicionando a saúde mental como tema estratégico nas organizações e no debate corporativo.

Outra transformação relevante é a reconfiguração do manejo da obesidade, com o uso crescente de medicamentos especializados e redução no número de cirurgias bariátricas. Muitos serviços já registraram diminuição de receita em decorrência dessa migração do tratamento para abordagens farmacológicas e de acompanhamento longitudinal.

Ao mesmo tempo, a expansão para mercados adjacentes, como saúde pet e planos odontológicos, surge como vetor de crescimento e diversificação de receitas, com modelos mais previsíveis e menor pressão sobre margens. “Em conjunto, essas tendências revelam um setor em rápida transformação, no qual eficiência, colaboração, governança e inovação serão determinantes para a sustentabilidade da assistência à saúde e pesquisa científica no Brasil”, conclui Luis Fernando Joaquim.


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