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| Oscar Wong Getty Image |
Dormir
bem deixou de ser apenas uma recomendação de estilo de vida para se tornar um
marcador importante de saúde. Hoje, a ciência mostra que a qualidade do sono
funciona como um termômetro do equilíbrio do organismo e que noites mal
dormidas não só refletem problemas em curso, como também contribuem para o surgimento
e agravamento de doenças crônicas.
Durante
o sono, o cérebro entra em um modo de reorganização essencial.
Neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina passam por ajustes
que influenciam diretamente o humor, a concentração, o apetite e a resposta ao
estresse. Quando esse processo é interrompido ou encurtado com frequência, o
sistema nervoso permanece em estado de alerta. Estudos associam a privação de
sono à instabilidade emocional, pior desempenho cognitivo e maior risco de
transtornos de ansiedade e depressão.
“O
sono é o momento em que o cérebro recalibra suas funções. Quando isso não
acontece de forma adequada, o paciente começa a apresentar sinais que vão desde
irritabilidade e fadiga até piora de quadros clínicos já existentes”, afirma
Dr. Vinicius Bahia, especialista em clínica médica e cardiologia da Santa Casa
de São Roque, unidade gerenciada pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas
“Dr. João Amorim” em parceria com a prefeitura da cidade.
Segundo
ele, é comum que queixas como dor persistente, pressão descontrolada ou
ansiedade estejam associadas a noites fragmentadas, mesmo quando o paciente não
percebe essa relação de imediato.
Além
dos impactos sobre o cérebro, o sono exerce papel decisivo na regulação do
sistema imunológico. Dormir mal ativa processos inflamatórios, com aumento de
substâncias associadas ao risco cardiovascular, à resistência à insulina e ao
agravamento de doenças crônicas. Na prática, isso significa que esse hábito não
apenas deixa o corpo mais vulnerável a infecções, como também favorece um
estado inflamatório contínuo, que desgasta o organismo ao longo do tempo.
“É
comum vermos pacientes com hipertensão difícil de controlar ou dores
persistentes que melhoram quando o sono passa a ser tratado como parte do
cuidado. Às vezes, ajustar hábitos de descanso tem impacto tão relevante quanto
mudar uma medicação”, pontua.
A
relação entre sono e pressão arterial é uma das mais documentadas. Durante a
noite, espera-se uma queda natural da pressão, o chamado descenso noturno. Em
pessoas que não têm uma boa noite de sono, essa redução não acontece
adequadamente, o que mantém o sistema cardiovascular sob estresse e aumenta o
risco de infarto e AVC. A privação crônica também eleva a produção de hormônios
ligados ao estresse, como cortisol e adrenalina, dificultando o controle da
pressão e do metabolismo.
No
campo da saúde mental, os efeitos são igualmente expressivos. O sono
insuficiente altera circuitos cerebrais ligados ao processamento emocional,
tornando as pessoas mais reativas e menos capazes de regular sentimentos
negativos. Pesquisas indicam que a insônia não é apenas sintoma, mas fator de
risco independente para o desenvolvimento de ansiedade e depressão. Em quem já
convive com esses quadros, dormir mal tende a dificultar a resposta ao
tratamento.
A
dor crônica segue a mesma lógica. Estudos mostram que a privação de sono reduz
o limiar de dor e amplifica a percepção de estímulos dolorosos, criando um ciclo
difícil de romper, em que a dor prejudica o descanso e o descanso insuficiente
intensifica a dor.
Essas evidências reforçam que o sono deve ser visto como um pilar da saúde, ao lado da alimentação e da atividade física. “Cuidar do sono não é apenas dormir mais horas, mas dormir melhor. Regular horários, reduzir estímulos à noite e identificar distúrbios como insônia ou apneia fazem parte do cuidado. Quando o sono vai mal, geralmente não é por acaso. E quando melhora, os efeitos aparecem muito além da disposição ao acordar”, conclui Dr. Vinicius.
CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial






