Milhões de brasileiras vivem essa fase, mas muitas
ainda confundem climatério com menopausa e demoram a buscar orientação médica.
Ginecologista explica como identificar cada etapa e quando é hora de procurar
ajuda
Mudanças
no ciclo menstrual, ondas de calor, dificuldade para dormir, alterações de humor,
perda da libido e até dificuldade de concentração. Para muitas mulheres,
especialmente a partir dos 40 anos de idade, esses sinais despertam uma dúvida
comum: afinal, isso já é menopausa?
Na
maioria das vezes, ainda não. O mais provável é que o organismo esteja passando
pelo climatério, período de transição hormonal que antecede a menopausa e que
pode durar vários anos. Apesar de fazer parte do envelhecimento natural
feminino, essa fase ainda é cercada por desinformação e frequentemente passa
despercebida, fazendo com que muitas mulheres convivam com sintomas sem
entender o que está acontecendo com o próprio corpo.
Segundo
a Organização Mundial da Saúde (OMS), a menopausa natural costuma ocorrer entre os 45 e
os 55 anos, sendo confirmada apenas após 12 meses consecutivos sem menstruação,
sem outra causa clínica que explique essa ausência. Já o climatério, também
chamado de transição menopausal ou perimenopausa, pode começar anos antes,
período em que os ovários passam a produzir hormônios de forma irregular e
surgem os primeiros sintomas.
No
Brasil, o tema merece atenção. Dados da Federação
Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) estimam que aproximadamente 17 milhões de
brasileiras vivem atualmente o climatério, enquanto cerca de 9,2 milhões já
passaram pela menopausa, número que cresce com o aumento da expectativa de vida
feminina.
Além
da confusão entre climatério e menopausa, a falta de informação ainda é um dos
principais desafios para a saúde feminina nessa fase da vida. Um estudo
brasileiro publicado em 2025 na revista científica PLOS One, que avaliou
mais de 1.100 mulheres entre 40 e 65 anos, mostrou que apenas 30,3% das
participantes estavam satisfeitas com as informações recebidas sobre menopausa
e opções de tratamento. O levantamento também revelou que 92,97% demonstraram
pouco ou nenhum conhecimento sobre terapia hormonal, reforçando a necessidade
de ampliar o acesso à informação qualificada e ao acompanhamento médico.
"A
menopausa não representa um fim, mas uma transição natural e significativa na
biografia feminina”, explica o ginecologista Dr. Dorval de Andrade Tessari, disponível na plataforma Doctoralia e autor do livro Climatério e Menopausa – Uma
conversa sincera, longe das paixões, que será lançado em 21 de agosto, em
Caxias do Sul (RS). No livro, Dr. Dorval explora os fundamentos hormonais – do
papel do estradiol à compreensão da “janela de oportunidade” na terapia
hormonal (THM). “Com informação e conhecimento necessários, a mulher pode, em conjunto
com o seu médico, tomar decisões informadas e seguras”, acrescenta Dr. Dorval.
O
climatério pode provocar sintomas que nem sempre são imediatamente relacionados
às oscilações hormonais. "Muitas pacientes chegam ao consultório
preocupadas apenas com as ondas de calor, mas relatam cansaço, insônia,
irritabilidade, ansiedade, perda da memória recente, dificuldade de
concentração ou diminuição da libido sem imaginar que tudo isso pode fazer
parte dessa fase. Por isso, é importante olhar para o conjunto dos sintomas e
não apenas para a interrupção da menstruação", afirma o especialista.
Climatério e menopausa: qual é a diferença?
Embora
os termos sejam frequentemente utilizados como sinônimos, eles representam
momentos diferentes da vida reprodutiva da mulher.
Climatério é todo o
período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva. Nessa etapa,
a produção de estrogênio diminui gradualmente, provocando alterações hormonais
que podem causar sintomas de intensidades variadas.
Já
a menopausa não é uma fase prolongada, mas um marco
biológico: corresponde à última menstruação da mulher, sendo confirmada apenas
após um ano completo sem menstruar.
Sinais que podem indicar o início do climatério
Embora
cada mulher vivencie essa fase de maneira diferente, alguns sintomas são
bastante frequentes:
- ondas de calor (fogachos)
- dificuldade de concentração
- ganho de gordura abdominal
"O
climatério não precisa ser enfrentado em silêncio. Hoje existem diversas
estratégias para aliviar os sintomas, desde mudanças no estilo de vida até
tratamentos individualizados, quando indicados. Quanto mais cedo a mulher
compreender o que está acontecendo com seu corpo, maiores são as possibilidades
de manter sua saúde física, emocional e sexual ao longo dessa etapa",
destaca o Dr. Dorval.
Quando é hora de procurar um ginecologista?
Os
especialistas recomendam buscar avaliação médica sempre que as alterações
hormonais começarem a interferir na qualidade de vida ou surgirem dúvidas sobre
a origem dos sintomas.
Além de confirmar
se as manifestações estão relacionadas ao climatério, a consulta permite
descartar outras condições que podem apresentar sintomas semelhantes, como
doenças da tireoide, distúrbios do sono, ansiedade ou alterações metabólicas. O
acompanhamento também é importante para orientar medidas de prevenção voltadas
à saúde óssea, cardiovascular e metabólica, já que a redução dos níveis de
estrogênio aumenta o risco de algumas doenças ao longo dos anos.