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sábado, 30 de maio de 2026

Infância emocionalmente livre é base para um futuro saudável

 

Com o aumento de casos de ansiedade e tristeza entre crianças, educadores e terapeutas reforçam o papel da família na prevenção de feridas emocionais herdadas e na construção de hábitos saudáveis de autoconhecimento 

 

A saúde mental infantil ganhou centralidade no debate entre famílias, escolas e especialistas nos últimos anos. Um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que uma em cada sete crianças e adolescentes no mundo apresenta algum transtorno mental diagnosticável, sendo a ansiedade e a depressão os mais comuns. No Brasil, dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam que 36% dos jovens entre 11 e 17 anos relatam sintomas de ansiedade, irritação e dificuldade para dormir, o que revela o impacto emocional que atravessa o ambiente familiar e escolar.

A psicanalista e pesquisadora Elainne Ourives, criadora do método Holo Cocriação, explica que a origem desse desequilíbrio muitas vezes está em padrões emocionais repetidos e crenças herdadas de gerações anteriores. “As crianças aprendem o que os pais sentem, não o que eles dizem. Quando o adulto não cura suas próprias dores, a criança passa a repetir inconscientemente o mesmo roteiro emocional”, afirma.


Feridas herdadas e o ciclo de repetição

Especialistas da área de psicologia do desenvolvimento apontam que as primeiras experiências emocionais moldam o sistema nervoso e influenciam a forma como a criança reagirá ao estresse ao longo da vida. Estudos publicados na Frontiers in Psychology (2023) indicam que crianças expostas a ambientes familiares instáveis apresentam maior risco de desenvolver ansiedade na adolescência.

Elainne Ourives reforça que interromper esse ciclo exige consciência e prática. “Muitos pais acreditam que precisam oferecer o melhor materialmente, mas esquecem que o maior legado é emocional. É preciso ensinar a criança a lidar com o que sente, não a esconder ou se envergonhar das próprias emoções”, alerta.


Exercícios para fortalecer a saúde mental infantil

De acordo com a especialista, pequenos hábitos diários podem ajudar na regulação emocional e no fortalecimento da autoestima das crianças. Ela propõe três práticas simples:

  1. Nomear o que sente – Reservar um momento do dia para conversar sobre as emoções e dar nome a elas. “Quando a criança identifica o que sente, deixa de ser controlada por isso. Falar sobre a emoção é o primeiro passo para transformá-la.”
  2. Mudar crenças herdadas – Muitos adultos carregam ideias como “dinheiro não dá em árvore” ou “homem não presta”, que acabam se reproduzindo no ambiente doméstico. “O primeiro passo é reconhecer as frases que ferem. O segundo é substituí-las por verdades que libertam. É assim que a criança aprende que pode criar uma nova história.”
  3. Cocriar em vez de desejar – A especialista sugere rituais de ação consciente, como o momento de gratidão em família. “O erro está em ensinar a sonhar, não a realizar. É importante que a criança aprenda desde cedo que a vida responde à ação, não à esperança passiva.”


Um alerta coletivo

Reportagem da UNICEF publicada em 2024 aponta que os transtornos mentais já representam 16% da carga global de doenças entre pessoas de 10 a 19 anos, tornando a infância e a adolescência fases críticas para prevenção. A discussão sobre bem-estar psicológico infantil, que antes se limitava aos consultórios, passou a ocupar espaço nos noticiários, nas redes sociais e nas salas de aula.

Para Elainne Ourives, o debate é muito mais do que necessário: é urgente. “O verdadeiro desafio está em padrões emocionais não elaborados que influenciam a mente. Quando pais e filhos aprendem juntos a reconhecer e ressignificar emoções, eles rompem gerações de repetição e abrem espaço para uma infância mais leve e uma vida adulta mais saudável.”

Caminho para o futuro

A especialista defende que a nova geração precisa ser educada emocionalmente para lidar com frustrações e desafios de forma construtiva. “Cuidar da mente é tão essencial quanto alimentar o corpo. Uma criança emocionalmente equilibrada se torna um adulto capaz de criar, de se relacionar com empatia e de prosperar com consciência.”

O aumento das discussões sobre infância e saúde mental mostra que o tema deixou de ser tabu e passou a ser responsabilidade compartilhada. E, como conclui Elainne Ourives, “não existe futuro próspero em um lar emocionalmente doente, curar a mente é o primeiro passo para transformar o mundo”. 



Elainne Ourives - Treinadora mental, psicanalista, cientista e pesquisadora nas áreas da Física Quântica, das Neurociências e da reprogramação mental; autora best-seller de 10 livros; mestra de mais de 300 mil alunos, em 40 países, sendo 120 mil deles alunos do treinamento Holo Cocriação de Objetivos, Sonhos e Metas, a mais completa metodologia de reprogramação mental, cocriação e manifestação de sonhos do mundo; formada pelos maiores cientistas do mundo, tais como Jean Pierre Garnier Malet, Tom Campbell, Gregg Braden, Bob Proctor, Joe Dispenza, Bruce Lipton, Deepak Chopra e Tony Robbins; multiplicadora do Ativismo Quântico de Amit Goswami; certificada pelo Instituto HeartMath; única trainer de Joe Vitale no Brasil. Autora Best Seller dos livros: DNA Milionário® (2019); DNA da Cocriação® (2020); DNA Revelado das Emoções® (2021), Cocriador da Realidade (2022); Algoritmos do Universo (2022), Taqui-Hertz® (2022), O Meu Ano de Gratidão (2023), Gene da Juventude (2023), Visualização Holográfica (2023) e DNA do Dinheiro (2024). É ainda idealizadora do Movimento “A Vida é Incrível”, lançado para ajudar a libertar o potencial máximo das pessoas na realização de seus sonhos; e criadora da Técnica Hertz® - Reprogramação da Frequência Vibracional, que surgiu a partir de descobertas da física quântica e do estudo aprofundado das mais poderosas terapias energéticas e emocionais do mundo.
Para mais informações, acesse https://elainneourives.com.br ou pelo Instagram @elainneourivesoficial.



Ansiedade pode ser reflexo de emoções não resolvidas, alerta o psicólogo Paulo Zago Neto

A ansiedade nunca esteve tão presente na vida das pessoas. Em meio à rotina acelerada, excesso de informações, pressão social e impactos emocionais intensificados nos últimos anos, os casos relacionados à saúde mental continuam crescendo em todas as faixas etárias.

Segundo o psicólogo Paulo Zago Neto, conhecido como Neto Zago, a ansiedade não deve ser vista como a causa do problema, mas sim como um efeito emocional. Ou seja, algo que ainda não foi resolvido emocionalmente, e que normalmente está sustentado por três pilares: medo, insegurança e preocupação.

Gera grande preocupação quando a ansiedade compromete a qualidade de vida, mantendo a pessoa limitada, em alerta permanente e impedindo seu desenvolvimento profissional, sua produtividade e sua capacidade de se relacionar. Muitas vezes, esses quadros se tornam mais intensos, dão origem ao transtorno de ansiedade generalizada, às crises mais intensas e até à síndrome do pânico”, explica Zago Neto.

Para o psicólogo, a sociedade vive uma rotina extremamente acelerada. As pessoas não têm tempo para descansar, para o autocuidado ou para lidar com as próprias emoções. O ambiente digital também exerce forte influência sobre o aumento da ansiedade. O uso excessivo de smartphones e redes sociais faz com que as pessoas estejam constantemente olhando para fora, enquanto deixam de desenvolver inteligência emocional para lidar com os próprios sentimentos.

O Brasil lidera o ranking global de transtornos de ansiedade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são cerca de 19,8 milhões de brasileiros diagnosticados, representando 9,3% da população, mais que o dobro da média global, que gira em torno de 3,6%. As mulheres são as mais afetadas, registrando índices que ultrapassam 34%, seguidas pela faixa etária de 18 a 24 anos.

Neto Zago reforça que as pessoas nunca precisaram tanto de ajuda psicológica como hoje. Quanto mais cedo buscam ajuda, menores são as chances desse problema crescer e se transformar em algo ainda mais grave.

Para saber mais, acesse: www.instagram.com/netozagopsicologo


O que ‘Diabo Veste Prada 2’ ensina sobre reputação de executivos

Entre entrevistas estratégicas e mudanças de narrativa, o filme aproxima o universo da moda das discussões atuais sobre liderança

 

Miranda Priestly passou vinte anos sendo lembrada como a chefe que jogava o casaco sobre a mesa sem olhar para quem pegaria, transformava silêncio em pressão e fazia assistentes correrem atrás de exigências impossíveis. Em 2006, esse comportamento era quase admirado, o preço de trabalhar com os melhores. Em “O Diabo Veste Prada 2”, porém, esse modelo começa a perder força. A Runway, revista de moda comandada por Miranda, perde espaço para Instagram e TikTok, o mercado editorial impresso encolhe e a executiva mais temida do cinema percebe que autoridade, sozinha, já não garante relevância.

 

É Andy Sachs, agora jornalista, quem reaparece para ajudar a reorganizar a imagem da antiga chefe. Ao longo do filme, ela assume quase um papel de PR, ao reconstruir a narrativa pública em torno de Miranda e da própria Runway.

 

“Hoje, reputação não está ligada apenas ao resultado que uma liderança entrega, mas à forma como ela se comunica e é percebida pelas pessoas”, afirma Marina Mosol, especialista em reputação da Agência NoAr. “Existe uma expectativa maior por coerência, transparência e conexão humana”.

 

A crise de imagem começa quando a narrativa escapa do controle

 

A primeira movimentação de Andy não é uma entrevista cuidadosamente controlada nem uma tentativa imediata de defender Miranda. Ela publica uma reportagem sobre a crise da Runway mostrando justamente aquilo que a executiva sempre evitou expor: dúvidas, desgaste e dificuldade para manter a revista relevante em um mercado que mudou completamente.

 

Em vez de apostar apenas em controle de danos, estratégia usada para conter crises de imagem, Andy escolhe reposicionar a percepção pública sobre Miranda.

 

“Executivos que tentam sustentar uma imagem excessivamente distante acabam criando barreiras com o público”, diz Marina. “Hoje existe uma valorização maior de lideranças que conseguem demonstrar humanidade sem perder credibilidade.”

 

Como uma entrevista estratégica devolve relevância à marca

 

Depois de estabilizar a percepção em torno de Miranda, Andy consegue uma entrevista exclusiva com Sasha Barnes, uma das mulheres mais influentes da indústria da moda, afastada dos holofotes há anos.

 

A movimentação devolve relevância para a Runway e mostra como relacionamento e credibilidade continuam tendo peso na construção de imagem. No universo de PR, esse movimento é conhecido como gestão de narrativa, em que cria contextos capazes de mudar a forma como marcas e lideranças são percebidas.

 

“O networking continua tendo um peso enorme na reputação de executivos e marcas, mas hoje ele está muito mais ligado à confiança construída ao longo do tempo do que a relações puramente circunstanciais”, afirma a especialista.

 

A imagem de um executivo também passa pela equipe ao redor

 

À medida que a crise vai sendo contornada, o filme também expõe um padrão antigo dentro da revista: Miranda sempre concentrou os holofotes nela mesma, enquanto profissionais importantes da equipe permaneciam nos bastidores, como Nigel, responsável por boa parte da identidade criativa da Runway.

 

Em um momento decisivo, Andy sugere que Miranda dê mais espaço para que ele apareça publicamente. O gesto muda a forma como aquela liderança passa a ser percebida dentro e fora da empresa.

 

Uma cultura que já não funciona da mesma forma

 

O filme também mostra que não basta ajustar discurso e estratégia de comunicação se a cultura interna continua presa à mesma lógica. A dinâmica de pressão e obediência que definia a Runway em 2006 já não encontra o mesmo espaço vinte anos depois. 

Cultura organizacional, saúde mental e retenção de talentos hoje fazem parte da forma como empresas e executivos são percebidos publicamente. Em um ambiente corporativo mais exposto, a reputação também passa pelos bastidores.

 

Para Marina, “O Diabo Veste Prada 2” usa o universo da moda para discutir algo maior do que tendências ou comportamento. A continuação mostra uma liderança tentando preservar relevância em um momento em que imagem pública, reputação e relações internas ganharam outro peso. Em 2026, Miranda precisa pendurar seu próprio casaco, conclui. 

 

Agência NoAr


No Dia Mundial sem Tabaco, especialista alerta sobre aumento do tabagismo e mostra alternativas seguras para parar de fumar

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Coordenador do curso de Farmácia da Faculdade Anhanguera explica como terapias e mudanças de hábitos podem ajudar no combate ao vício 


O Brasil voltou a registrar aumento no número de fumantes após anos de queda nos índices de tabagismo. Dados preliminares da pesquisa Vigitel, sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, apontam que 11,6% da população adulta brasileira se declara fumante de cigarro convencional em 2024, contra 9,3% em 2023, mostrando um crescimento de aproximadamente 25%. 

O cenário acende um alerta especialmente diante da popularização dos cigarros eletrônicos, muitas vezes vistos de forma equivocada como alternativas menos nocivas. No Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, Alan Ricardo de Souza, coordenador do curso de Farmácia da Faculdade Anhanguera, destaca que o tratamento do tabagismo precisa ser encarado como um processo de cuidado contínuo, envolvendo estratégias farmacológicas, mudanças comportamentais e suporte emocional. 

“O tabagismo é uma dependência química reconhecida pela Organização Mundial da Saúde. Muitas pessoas acreditam que parar de fumar depende apenas de força de vontade, mas, na prática, o organismo cria dependência física e psicológica da nicotina. Por isso, existem estratégias terapêuticas seguras e reconhecidas que ajudam a reduzir os sintomas de abstinência e aumentam significativamente as chances de sucesso”, explica.

 

Confira orientações e alternativas seguras para quem deseja parar de fumar:
 

1. Procurar ajuda profissional aumenta as chances de sucesso

O primeiro passo é entender que o fumante não precisa enfrentar o processo sozinho. O acompanhamento de profissionais da saúde, como farmacêuticos, médicos e psicólogos, auxilia na definição da melhor estratégia para cada perfil de paciente. 

“O suporte profissional ajuda justamente a controlar sintomas como ansiedade e irritabilidade, comuns nesse processo, além de evitar recaídas. O tratamento é individualizado e depende do grau de dependência de cada paciente”, destaca.
 

2. Terapias de reposição de nicotina podem ajudar

Entre as alternativas seguras mais utilizadas estão as terapias de reposição de nicotina, disponíveis em adesivos, gomas de mascar e pastilhas. Esses produtos fornecem doses controladas de nicotina ao organismo sem a exposição às milhares de substâncias tóxicas presentes no cigarro convencional. 

“O tratamento deve ser acompanhado por profissionais de saúde habilitados, porque o uso inadequado pode comprometer os resultados. O objetivo é reduzir gradativamente a dependência química, minimizando os sintomas da abstinência”, explica o coordenador.
 

3. Cigarro eletrônico não é tratamento para parar de fumar

Apesar de muitos usuários recorrerem aos dispositivos eletrônicos como tentativa de abandono do cigarro tradicional, especialistas reforçam que os chamados “vapes” não são considerados métodos seguros para cessação do tabagismo. Além de manter a dependência da nicotina, os cigarros eletrônicos também podem conter substâncias tóxicas e causar danos pulmonares e cardiovasculares. Os cigarros eletrônicos permanecem com comercialização proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária no Brasil.
 

4. Identifique os possíveis gatilhos

A interrupção do tabagismo também envolve aspectos comportamentais. Alterações na rotina podem ajudar o fumante a lidar com os gatilhos associados ao hábito de fumar. Souza destaca que o cigarro muitas vezes está associado a hábitos automáticos, como tomar café, dirigir ou enfrentar situações de estresse. Identificar esses gatilhos é essencial para o tratamento.
 

5. Recaídas podem acontecer e fazem parte do processo

O coordenador reforça que recaídas não devem ser encaradas como fracasso, isso porque o abandono do tabagismo pode exigir múltiplas tentativas até que o paciente consiga interromper completamente o consumo. 

“O mais importante é persistir e buscar novamente o acompanhamento profissional. Cada tentativa gera aprendizado e aproxima o paciente do sucesso definitivo”, explica.

 

Anhanguera
Para mais informações das soluções educacionais, acesse o site e o blog.


Saúde mental: o limite entre o bem-estar e a responsabilidade legal


A saúde mental, historicamente relegada ao campo da subjetividade e do foro íntimo, atravessa hoje uma transição necessária para o cerne do ordenamento jurídico brasileiro. O que outrora era visto como uma benevolência institucional ou uma preocupação secundária na gestão de pessoas e políticas públicas, hoje se impõe como uma obrigação legal inafastável, sustentada por um arcabouço normativo que exige das organizações e do Estado uma postura proativa, e não apenas reativa. A dignidade da pessoa humana, fundamento da nossa República, é o ponto de partida para compreendermos que o bem-estar psíquico não é um privilégio, mas uma extensão do direito à vida e à saúde, conforme preconizado pelo Artigo 196 da Constituição Federal. No entanto, a novidade reside na forma como o Direito contemporâneo passou a decodificar o sofrimento mental como um risco passível de prevenção e reparação. 

Nesse cenário, a promulgação de legislações como a Lei 14.831/2024, que institui o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental, sinaliza que o legislador reconhece a urgência de uma mudança cultural. Não se trata apenas de cumprir protocolos formais ou de oferecer benefícios superficiais de bem-estar; a obrigação legal agora se manifesta no dever de cuidado e na mitigação de riscos psicossociais. O ambiente de trabalho, especificamente, tornou-se o epicentro dessa discussão, onde a negligência com a integridade emocional do colaborador pode configurar dano moral existencial ou doença ocupacional. O Judiciário tem sido cada vez mais rigoroso ao entender que o nexo causal entre a gestão organizacional e o transtorno mental é uma realidade técnica, e o descumprimento do dever de garantir um meio ambiente de trabalho saudável gera responsabilidades civis e administrativas severas. 

Entretanto, a judicialização da saúde mental não deve ser vista como um fardo, mas como um convite à maturidade das relações sociais e laborais. Quando o Direito estabelece que a saúde mental é uma obrigação, ele está, na verdade, protegendo a sustentabilidade da própria sociedade. O custo da omissão é infinitamente superior ao investimento em prevenção: o absenteísmo, o presenteísmo e o colapso dos sistemas previdenciários são as consequências diretas de uma visão obsoleta que ignora a invisibilidade da dor psíquica. É imperativo que gestores e operadores do Direito compreendam que a conformidade legal (compliance) hoje passa, obrigatoriamente, pelo acolhimento do indivíduo em sua totalidade. 

Portanto, elevar a saúde mental ao status de obrigação jurídica é um avanço civilizatório que retira o indivíduo do isolamento de sua patologia e o coloca sob o manto da proteção institucional. Não basta mais que as empresas e o Estado se digam preocupados; é preciso que existem mecanismos claros de governança, canais de escuta ativa e políticas de redução de estresse que sejam auditáveis e eficazes. A transição da empatia para a norma jurídica é o que garante que o cuidado não seja interrompido por crises econômicas ou mudanças de gestão. No final das contas, o cumprimento dessa obrigação legal é o que separa uma sociedade que apenas sobrevive de uma sociedade que efetivamente prospera com dignidade.



Ludmila Santoro - psicóloga, pós-graduada em Orientação Familiar e Psicoterapia Breve pelo Instituto Sedes Sapientiae, com 30 anos de experiência clínica. Sua trajetória integra uma profunda vivência em RH, onde atuou como docente e consultora. Especialista no atendimento a lideranças, Ludmila aplica sua vasta expertise no acompanhamento de executivos e empresários que buscam equilíbrio e desenvolvimento emocional.


Muito além do físico: por que a corrida é considerada um remédio natural contra o estresse

Coordenadora de Educação Física da Unifran explica os efeitos científicos da corrida no cérebro, ensina como iniciar de forma segura e traz conselho para vencer a preguiça

 

No dia 3 de junho é celebrado o Dia Mundial da Corrida (Global Running Day), uma data que convida pessoas do mundo todo a calçarem os tênis e darem os primeiros passos em direção a uma vida mais ativa. Mas, muito além de queimar calorias e fortalecer o coração, a ciência revela que o ato de correr funciona como um verdadeiro "remédio não farmacológico" para a saúde mental e cognitiva. Para explicar esse impacto profundo, a professora Luciana Moreira Motta Raiz, coordenadora do curso de Educação Física da Unifran, detalha como a prática regular da corrida atua no cérebro, auxilia no desempenho profissional e garante um envelhecimento saudável.

 

A ciência por trás da felicidade pós-treino

Sabe aquela sensação de leveza e felicidade que sentimos logo após terminar uma corrida? Ela tem explicação científica e envolve uma verdadeira "química do bem-estar" no cérebro. 

"Uma série de estudos já mostrou que a prática regular de corrida estimula a liberação de endorfina, serotonina e dopamina, substâncias diretamente relacionadas à redução do estresse, da ansiedade e de sintomas depressivos", explica Luciana. "Além disso, do ponto de vista cognitivo, os exercícios aeróbicos favorecem a neuroplasticidade, melhorando funções executivas do dia a dia, a memória e a regulação emocional", complementa. 

O resultado prático disso é o aumento da autoestima, maior capacidade de concentração nas tarefas diárias e uma dose extra de disciplina e disposição geral para encarar a rotina.

 

Por que a corrida é o esporte mais democrático do mundo?

Uma das maiores vantagens da corrida é a sua barreira de entrada quase inexistente. Por ter baixo custo, fácil acesso e poder ser praticada em ruas, parques e praças sem a necessidade de equipamentos complexos, ela atrai públicos de todas as idades, condições financeiras e níveis de condicionamento. 

Para quem deseja aproveitar o Dia Mundial da Corrida para sair do sedentarismo, a especialista da Unfiran lista as principais recomendações da literatura científica para começar sem o risco de lesões: 

  1. Comece de forma gradual: intercale momentos de caminhada com trotes e corridas leves de distâncias curtas. Respeite os períodos de descanso e evite aumentos bruscos de intensidade.
  2. Fortaleça a musculatura: exercícios para fortalecer as pernas e o core (sistema de estabilização do tronco e abdômen) são fundamentais para proteger as articulações dos impactos da corrida.
  3. Monitore seus limites: é altamente recomendável contar com a orientação de um profissional de educação física e monitorar os sinais vitais.
  4. Cuide do básico: uma boa alimentação, hidratação constante e períodos adequados de sono são combustíveis obrigatórios para quem quer evoluir no esporte.

 

Foco no trabalho, sono regulado e envelhecimento saudável

No longo prazo, os benefícios da corrida se acumulam e funcionam como uma poupança para o futuro. O exercício ajuda a regular o ciclo sono-vigília, combatendo a insônia e a fadiga durante o dia. Além disso, ao aumentar o fluxo sanguíneo cerebral, o esporte melhora a memória e a tomada de decisões, habilidades que impactam diretamente o desempenho profissional. 

Quando o assunto é envelhecer bem, os corredores ativos saem na frente. "Estudos indicam que corredores apresentam menor risco de doenças cardiovasculares, declínio cognitivo e perda funcional. A corrida contribui para a manutenção da massa muscular e da densidade óssea, o que garante autonomia e qualidade de vida na terceira idade", ressalta a professora.

 

O conselho de ouro para vencer a preguiça

Para aqueles dias em que a disposição parece não aparecer, a docente da Unifran deixa um conselho prático e acolhedor: "O melhor treino é aquele que você fez, mesmo cansado, mesmo com preguiça ou desejando não fazer. Comece pequeno, respeite os seus limites. Antes o feito que o perfeito. Aos poucos, você se supera", finaliza a especialista.



Unifran
www.unifran.edu.br


Misoginia entre adolescentes cresce nas redes sociais e acende alerta sobre violência digital

 

imagem gerada por IA/Wynitow Butenas

Ao completar 20 anos da Campanha Pra Toda Vida, Pequeno Príncipe chama atenção para a influência do ambiente digital na formação de comportamentos violentos

  

A misoginia — caracterizada pelo ódio e desprezo pelas mulheres — tem se manifestado de forma cada vez mais precoce entre adolescentes e jovens. Dados da SaferNet Brasil mostram que as denúncias desse tipo de discurso na internet cresceram 224% em 2025 em relação ao ano anterior. O aumento acende um alerta para a influência do ambiente digital na formação de comportamentos violentos, além do papel das famílias e da própria sociedade na construção de valores e relações desde a infância. 

Em um mês marcado pelas mobilizações do 18 de Maio — Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes —, o Hospital Pequeno Príncipe traz para o debate os impactos dos discursos misóginos e da violência de gênero nas redes sociais. Ao completar 20 anos da Campanha Pra Toda Vida — A Violência Não Pode Marcar o Futuro das Crianças e Adolescentes —, a instituição reforça que discutir misoginia na adolescência também significa prevenir violências e promover relações mais saudáveis. 

A criação dentro de casa, somada ao acesso cada vez mais precoce às redes sociais e a conteúdos violentos ou sexualizados na internet, tem influenciado a forma como muitos adolescentes constroem suas percepções sobre masculinidade, relacionamentos e papel das mulheres na sociedade. 

Para a coordenadora do Serviço de Psicologia do Hospital Pequeno Príncipe, Angelita Wisnieski da Silva, o enfrentamento desse cenário exige participação coletiva. “Vivemos um momento em que o uso das redes sociais e do universo virtual deixou de ser apenas uma questão familiar. Ele se tornou um problema de saúde coletiva, que exige o envolvimento de diferentes esferas da sociedade: políticas públicas, profissionais da saúde, educação e, claro, a família”, afirma.

 As mudanças necessárias dependem do fortalecimento do diálogo dentro de casa, de ações educativas para relações mais respeitosas e do envolvimento coletivo de famílias, escolas e demais profissionais que atuam diretamente com esse público. O compromisso das plataformas digitais com ambientes mais seguros também é apontado como parte fundamental da prevenção.

 

Focos de atenção

Recentemente, o TikTok — uma das plataformas com mais denúncias de misoginia, segundo a SaferNet Brasil — virou alvo de investigações por causa da trend criminosa conhecida como “Caso ela diga não”. Na prática, homens simulavam agressões contra mulheres após uma suposta rejeição amorosa. O episódio reacendeu o alerta sobre a banalização da violência e sobre como determinados conteúdos podem normalizar agressões e humilhações contra mulheres. 

Muitos adolescentes recorrem à internet em momentos de frustração, conflitos sociais ou desilusões amorosas e acabam encontrando respostas simplistas e rígidas para lidar com inseguranças e sentimento de rejeição. Sem suporte emocional adequado, tornam-se mais vulneráveis a conteúdos que reforçam estereótipos de gênero, objetificação feminina e padrões rígidos de masculinidade. 

Outro ponto de atenção é o papel dos algoritmos na formação de comportamentos e percepções. Conteúdos misóginos frequentemente se apresentam como soluções rápidas para dores emocionais reais, reforçando discursos baseados em controle, poder e ressentimento. Especialistas ressaltam que esse tipo de narrativa pode impactar negativamente tanto meninos quanto meninas, além de estimular relações marcadas por hostilidade, discriminação e violência simbólica. 

A repressão emocional masculina também preocupa. Desde cedo, muitos meninos aprendem a associar sentimentos como tristeza, insegurança e vulnerabilidade à fragilidade. Quando emoções como frustração, rejeição ou medo não encontram espaço de expressão saudável, podem transformar-se em raiva e ressentimento, frequentemente direcionados ao feminino.

 

O papel da família

Na adolescência, a criação de vínculos de confiança é considerada fundamental. Modelos parentais baseados apenas no medo e na punição tendem a gerar afastamento e ocultação de comportamentos. Por isso, abrir espaço para conversas sobre emoções, frustrações e até temas sociais, como violência contra a mulher, pode funcionar como fator de proteção. 

As famílias devem observar sinais, como mudanças bruscas de comportamento, isolamento excessivo, consumo secreto de conteúdos on-line, discursos recorrentes de ódio contra meninas e mulheres e dificuldade em lidar com rejeições e frustrações. Em situações em que há perda completa de diálogo ou mudanças mais intensas de comportamento, o acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender o que está acontecendo com o adolescente e fortalecer os vínculos familiares. 

Em 2026, com o mote “Proteger a infância é um compromisso de todos”, a Campanha Pra Toda Vida reforça que garantir um desenvolvimento saudável e seguro exige diálogo, educação emocional e responsabilidade coletiva — dentro e fora do ambiente digital.

 

Acesse os conteúdos e saiba como agir: Pra Toda Vida.

A denúncia é o primeiro passo para interromper a violência — e pode ser feita de forma anônima pelos números:
• Disque 100 (nacional);

• 181 (Paraná);

• 156 (Curitiba).

 

Você já ouviu falar em Digital Detox? Conheça a técnica utilizada para reeducação do uso da tecnologia

A ferramenta auxilia na construção de limites mais saudáveis e conscientes com a tecnologia, em vez de manter uma conexão constante

 

O uso prolongado de celulares e outros dispositivos digitais ao longo do dia tem sido associado a efeitos como aumento da ansiedade, má qualidade do sono e redução da capacidade de concentração. 

Para a psicóloga Fatima Macedo, especialista em saúde mental corporativa e CEO da Mental Clean, “vivemos uma cultura de disponibilidade permanente que cobra um preço alto do nosso equilíbrio emocional e cognitivo”. 

Dados recentes reforçam essa afirmação. Um estudo de 2025 indicou que reduzir apenas uma hora diária de tela pode diminuir em até 25% os sintomas de ansiedade em quatro semanas. 

Nesse sentido, o conceito de Digital Detox vem ganhando espaço como uma estratégia simples para reduzir o excesso de exposição às telas e seus impactos na saúde mental. A proposta consiste em pequenas mudanças de rotina capazes de gerar efeitos consistentes no bem-estar, especialmente em um cenário de hiperconectividade. 

No ambiente corporativo, os efeitos também são relevantes. Menos tempo de tela durante a jornada de trabalho está associado a mais presença, engajamento e bem-estar das equipes. 

“Organizações que incentivam pausas digitais e hábitos mais saudáveis de conexão contam com times mais produtivos e emocionalmente mais estáveis”, enfatiza Fatima.
 

Desafio 

O desafio Digital Detox 3-2-1 surge como uma forma simples de experimentação: três dias de prática, duas metas definidas e uma hora a menos de tela por dia. Que tal aceitar esse convite e testar, na prática, como pequenas mudanças no uso do digital podem transformar sua rotina e seu bem-estar? 

“Quando limites claros com o uso da tecnologia são estabelecidos, o cérebro responde rapidamente com melhora do sono, mais foco e regulação emocional. São pequenas escolhas diárias que dão resultado e têm o poder de transformar profundamente nossa relação com o trabalho e com nós mesmos”, conclui Fatima Macedo. 



Fatima Macedo (CRP 06/62143) - Psicóloga especialista em saúde mental do trabalhador. CEO da Mental Clean, empresa pioneira em Psicologia aplicada à saúde mental corporativa no Brasil, com mais de 20 anos de atuação no mercado. A Mental Clean é a maior consultoria do país, atendendo grandes empresas na implantação e gestão de Programas Estruturados de Saúde Mental, Dependência Química e de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. Fátima Macedo é membro fundadora do SAMPO (Ambulatório de Saúde Mental do Trabalhador) no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (2009). Autoridade em Psicologia da Saúde Ocupacional, Fátima Macedo estuda o papel da liderança frente às questões da saúde mental e emocional dos trabalhadores. Diretora de Certificação na ABQV, Associação Brasileira de Qualidade de Vida. Palestrante convidada em congressos e simpósios sobre saúde mental organizacional e qualidade de vida. Autora de diversos artigos e contribuições importantes sobre o tema.
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Como pais devem agir diante de pesadelos e o chamado terror noturno dos filhos?

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Psicanalista explica a diferença entre eles e orienta como lidar com a situação
 

Se para adultos, uma noite de sono interrompida por pesadelos já é perturbador, para crianças, esses eventos e o chamado terror noturno são ainda mais impactantes. Saber lidar com esse tipo de situação é importante, já que, quando acontece, os pais são imediatamente procurados pelos filhos em busca de acolhimento e um porto seguro. 

“O período de maior incidência dos pesadelos infantis acontece entre os dois e oito anos de idade. Nesse período, a imaginação fértil somada às descobertas diárias do mundo que as rodeia turbina a mente. O cérebro ainda imaturo da criança tem dificuldade de distinguir entre o real e a ficção nesse processo de desenvolvimento emocional”, explica Yafit Laniado, psicanalista e hipnoterapeuta, criadora da Relacionamentoria, consultoria especializada no relacionamento entre pais e filhos. 

“É claro que os pais gostariam de proporcionar e garantir aos seus pequenos uma infância 100% feliz, sem sofrimento, sem medo e sem angústias, poupando os filhos de situações adversas. Contudo, os conflitos e medos surgirão e eles devem ser vistos justamente como parte desse processo de desenvolvimento, capacitando as crianças para superá-los”. 

De acordo com Yafit, “embora frequentemente sejam vistos como algo negativo, assustador ou até prejudicial, os pesadelos eventuais possuem uma função importante no desenvolvimento psíquico infantil. Eles ajudam a criança a elaborar emoções, organizar experiências internas e desenvolver recursos emocionais para lidar com medo, insegurança e frustração.” 

No sono, enquanto o corpo descansa, a mente continua trabalhando. Paralelamente, na infância, o mundo emocional é intenso, novo e frequentemente difícil de nomear.

“A criança sente muito antes de conseguir compreender ou verbalizar o que sente e o pesadelo funciona, muitas vezes, como uma tentativa do aparelho psíquico de processar as diversas experiências por ela vividas, desde mudanças na rotina, medos naturais do crescimento, excesso de estímulos, inseguranças, conflitos familiares, ciúmes e até descobertas cognitivas, que podem aparecer simbolicamente durante o sono”, detalha Yafit.

 

Como, então, pais devem lidar com a situação? 

“Quando uma criança acorda assustada após um pesadelo e encontra acolhimento, segurança e regulação emocional através do adulto, ela aprende algo muito importante: ‘eu senti medo e ainda assim fiquei segura’. Esse processo fortalece mecanismos internos de autorregulação emocional. Com o tempo, a criança desenvolve maior tolerância à angústia, aprende a diferenciar fantasia e realidade, aumenta sua percepção de segurança interna e constrói recursos psíquicos para enfrentar desafios emocionais futuros”, afirma a especialista. 

Do outro lado, a excessiva proteção à criança de qualquer experiência emocional desconfortável não produz força emocional, mas fragilidade. “O amadurecimento emocional depende da possibilidade de experimentar pequenas doses de medo, frustração e insegurança em contextos seguros e acompanhados”, diz Yafit.

 

Terror noturno 

Nessa questão do sono perturbador, é importante diferenciar experiências normais do desenvolvimento de sinais clínicos que merecem investigação.

Após um pesadelo, em geral, a criança desperta, chora, busca acolhimento, se acalma e gradualmente volta a dormir. Contudo, se ela não desperta completamente, grita, se senta na cama, aparenta pânico intenso acompanhado de taquicardia, sudorese e agitação entre outras características, estamos diante de um episódio de terror noturno. 

“Muito diferente do pesadelo comum, o terror noturno é um fenômeno do sono classificado como parassonia. Os pais ficam realmente aterrorizados, pois não conseguem acalmar a criança, que muitas vezes nem os reconhece”, exemplifica Yafit. 

O terror noturno costuma ocorrer nas primeiras horas do sono profundo, enquanto os pesadelos acontecem mais frequentemente durante o sono REM, próximo ao despertar. Outra diferença está no manejo diante da situação.

Durante um episódio de terror noturno, tentar acordar a criança à força geralmente aumenta a desorganização. 

“O mais indicado costuma ser garantir segurança física, reduzir estímulos, manter a calma e aguardar o episódio passar. Enquanto muitas vezes a criança se lembra do pesadelo no dia seguinte, nos episódios de terror noturno não há lembrança nenhuma. Esse tipo de perturbação é comum na infância e costuma desaparecer com o crescimento da criança. Ainda assim, consultar um médico pediatra, neurologista ou especialista em sono pode ajudar os pais a lidar melhor com os episódios”. 

“Talvez um dos maiores desafios dos pais contemporâneos seja suportar o desconforto emocional das crianças sem tentar eliminar imediatamente toda experiência difícil. Nem todo medo é traumático, nem toda angústia é sinal de dano, assim como nem todo sofrimento precisa ser evitado. Algumas experiências emocionais existem justamente para ensinar o psiquismo a crescer. Os pesadelos eventuais fazem parte disso. Porque amadurecer também significa descobrir, pouco a pouco, que é possível sentir medo, sem deixar de estar seguro”, conclui a especialista.


Quando a dor encontra um propósito

Saulo Coelho relembra experiências marcantes da infância, a superação da gagueira e sua trajetória como treinador dedicado à transformação humana 

 

A dor pode interromper caminhos, mas também pode revelar uma missão. Na trajetória de Saulo Coelho, especialista em inteligência emocional e comportamental, ela se tornou ponto de partida para uma vida dedicada ao desenvolvimento humano, à superação de traumas e à formação de pessoas mais conscientes, fortes e preparadas emocionalmente.

Criador do Método das Três Mentes, Saulo construiu sua história profissional unindo vivências pessoais profundas, estudo do comportamento humano e uma atuação prática voltada à transformação de líderes, empresários, equipes comerciais e pessoas em busca de direção. Com passagem pelo setor executivo de uma das maiores empresas de vendas diretas da América Latina, ele encontrou no treinamento comportamental uma forma de transformar experiência em contribuição.

Sua caminhada, no entanto, começou muito antes dos palcos, das salas de treinamento e das imersões. Ainda na infância, Saulo viveu episódios que marcaram sua forma de enxergar a vida, o valor das pessoas e o sentido da superação. Um desses momentos aconteceu quando ele sentiu vergonha do carro antigo da família. A resposta do pai, simples e profunda, ficou gravada para sempre em sua memória. “Meu pai colocou a mão no meu ombro e disse: ‘Esse carro é velho, está sujo porque carrega o material da nossa casa, mas ele é seu. Se você não valorizar o que é seu, quem vai valorizar?’ Nunca mais esqueci disso”, relembra. A frase se tornou uma lição sobre identidade, gratidão e pertencimento. Para Saulo, muitas pessoas passam a vida tentando ser aceitas pelo que aparentam, mas se esquecem de reconhecer o valor da própria história.

Outro momento decisivo veio aos 13 anos, quando ele enfrentou a perda traumática de um amigo próximo. A experiência foi tão profunda que gerou consequências emocionais e físicas. Após o episódio, Saulo desenvolveu uma disfunção neuromotora e passou a gaguejar, condição que o acompanhou por quatro anos. A gagueira trouxe vergonha, insegurança e isolamento. Durante esse período, falar em público parecia algo impossível. A comunicação, que mais tarde se tornaria uma de suas principais ferramentas de trabalho, naquele momento era uma fonte de dor.

Mas foi justamente nesse ponto de fragilidade que começou uma das maiores viradas de sua vida. No início da década de 1990, ao participar de uma palestra sobre desenvolvimento humano, Saulo teve contato com técnicas que mudariam sua relação com a própria história. Aquela experiência abriu uma nova percepção sobre emoção, comportamento, mente e capacidade de transformação. “Aquilo mudou minha vida. Eu entendi que a dor não precisava ser o fim da minha história. Ela poderia ser o começo de uma missão. Aprendi a nunca mais deixar ninguém para trás”, afirma.

A partir daí, Saulo passou a se aprofundar em psicanálise, inteligência emocional, comportamento humano, programação neurolinguística, coaching e processos de desenvolvimento pessoal. O que começou como uma busca por cura se transformou em vocação. “Eu não entrei nessa área porque vi alguém ganhar dinheiro. Entrei porque isso salvou minha vida. Quando algo faz muito bem para a gente, a tendência é querer o mesmo para os outros”, destaca.

Ao longo de mais de três décadas, Saulo Coelho consolidou sua trajetória como treinador comportamental, conduzindo formações, palestras, mentorias e imersões voltadas à transformação emocional e profissional. Seu trabalho alcança empresários, líderes, equipes de vendas, terapeutas, profissionais liberais e pessoas que buscam romper bloqueios internos para viver com mais clareza, coragem e propósito.

Em sua visão, todo trauma carrega uma marca, mas também pode carregar uma mensagem. A questão central é o que cada pessoa faz com aquilo que viveu. Para Saulo, superar não significa apagar o passado. Significa dar a ele um novo lugar. É deixar de ser prisioneiro da dor e passar a usar a própria história como fonte de consciência, força e direção. “Todo mundo carrega alguma dor. A diferença está em permitir que essa dor endureça a pessoa ou transforme sua maneira de viver. Eu escolhi transformar”, afirma.

Essa visão está presente em seus treinamentos e no ‘Método das Três Mentes’, abordagem criada por Saulo para explicar a integração entre mente somática, mente emocional e mente racional. Segundo ele, muitas pessoas tentam resolver a vida apenas no pensamento, mas carregam registros emocionais e corporais que influenciam decisões, relacionamentos, medos, bloqueios e padrões de comportamento. O trabalho desenvolvido por Saulo busca justamente ajudar as pessoas a reconhecerem esses padrões e construírem uma nova postura diante da vida. Em suas imersões, os participantes são conduzidos por experiências práticas, reflexões e desafios que trabalham autoconhecimento, liderança, comunicação, identidade emocional e tomada de decisão.

Além da própria história, Saulo chama atenção para um desafio crescente da atualidade: o excesso de informação e a falta de direção emocional. Para ele, nunca se falou tanto sobre desenvolvimento pessoal, saúde mental e alta performance, mas muitas pessoas continuam emocionalmente perdidas. “Hoje o mundo tem informação demais e direção de menos. Quem não sabe o que quer acaba sendo levado pelos algoritmos e não chega a lugar nenhum”, pontua.

A Organização Mundial da Saúde apontou que, no primeiro ano da pandemia de Covid-19, a prevalência global de ansiedade e depressão aumentou em 25%, evidenciando o impacto profundo do estresse, do isolamento, do medo e da instabilidade sobre a saúde emocional das pessoas. Para Saulo, esse cenário reforça a necessidade de uma nova educação emocional. Não basta acumular conhecimento técnico, títulos ou informações. É preciso desenvolver estrutura interna para lidar com pressão, frustração, medo, mudanças, perdas e decisões difíceis.

O avanço da inteligência artificial também entra nessa reflexão. Embora reconheça que a tecnologia já esteja transformando mercados, profissões e modelos de trabalho, Saulo acredita que o fator humano continuará sendo indispensável. “A inteligência artificial pode organizar dados, gerar respostas e acelerar processos. Mas ela nunca vai poder olhar para alguém e dizer: ‘eu sei como você se sente, porque eu também precisei me reconstruir’. O aspecto humano continuará sendo o que nos diferencia”, afirma.

Essa combinação entre história pessoal, experiência profissional e sensibilidade humana tornou a trajetória de Saulo Coelho marcada por uma mensagem central: ninguém precisa ser definido apenas pelo que sofreu. Para ele, dor não precisa virar destino. Pode virar consciência. Pode virar força. Pode virar missão. Hoje, ao conduzir treinamentos e imersões, Saulo leva aos participantes a mesma convicção que nasceu de sua própria superação: é possível ressignificar traumas, reconstruir a identidade emocional e transformar a própria história em instrumento de crescimento. “Hoje, quem não se treina fica para trás. O conhecimento emocional não é mais luxo, é necessidade”, conclui.



Saulo Coelho - Terapeuta Empresarial, Especialista em Inteligência Emocional e Comportamental. Criador do Método das Três Mentes
@saulocoelhopontocom
https://saulocoelho.com


Como a “Síndrome da Boa Aluna” ainda aparece na comunicação de líderes

Mulheres altamente competentes suavizam a própria fala; reconhecer padrões que custam caro para autoridade e resultado é o primeiro passo 

Alguns padrões funcionavam muito bem para a Luísa na faculdade. Na carreira, eles vêm custando caro. 

 

Luísa dá contexto demais antes de chegar ao ponto, com receio de ser mal interpretada. Ela se apresenta publicamente listando credenciais, como se precisasse justificar o próprio lugar na mesa. E, quando finalmente entra no assunto, amortece a frase com pedidos de desculpas, autocorreções, “talvez”, “não sei se faz sentido”, “é só uma sugestão”… como quem tenta reduzir o impacto para não provocar reação.


No fim, ela não tem dificuldade de pensar. Ela tem dificuldade de ser direta em voz alta.

 

Porque cada frase parece um risco. E quando comunicar vira risco, a mente tenta negociar: “se eu explicar mais, eu me protejo”.

 

Só que é aí que a engrenagem começa a falhar. Quanto mais você tenta compensar insegurança com excesso de informação, mais você transmite, sem querer, a mensagem errada: “eu não tenho tanta certeza assim”.

 

O que ainda falta no comportamento e na comunicação da Luísa é coragem prática para lidar com desconforto.

 

O desconforto de segurar o frio na barriga e dizer, olhando nos olhos de um cliente: “isso é prioridade”.

 

O desconforto de explicar de forma direta e simples sem medo de parecer menos inteligente — porque, curiosamente, muita gente usa complexidade como armadura.

 

O desconforto de dizer “não” quando necessário, sem pânico de frustrar expectativas, desagradar ou ser rotulada como difícil.

 

É nesse ponto que a “Síndrome da Boa Aluna” aparece.

 

Na bibliografia, a “síndrome da boa menina” foi descrita pela primeira vez em 2008 pela psicoterapeuta norte-americana Beverly Engel, no livro The Nice Girl Syndrome. Em 2018, o conceito foi levado ao mundo dos negócios pela investidora e mentora Fran Hauser, em The Myth of the Nice Girl.

 

As tendências descritas no perfil da Luísa aparecem nas duas abordagens, cada uma no seu contexto (clínico e organizacional). Em ambas, fica claro um roteiro: suavizar a própria fala para reduzir atrito, tentar “merecer espaço” com justificativa demais e, quando a insegurança aperta, trocar direção por explicação — como se o “mais” pudesse substituir o “claro”.

 

O antídoto: 3 movimentos de comunicação (sem virar outra pessoa)

É tentador procurar uma fórmula para abandonar esse padrão “de uma vez por todas”. Mas a vida real não funciona assim. Cada fala pede leitura fina de público, contexto, poder e risco. Ainda assim, existe um caminho simples — e bem concreto:

 

perceber (o que eu repito?), entender (por que eu faço isso aqui?) e ajustar (qual é a menor mudança possível para esta semana?).

 

Além disso, ajuda muito praticar três movimentos.

 

1) Clareza de promessa: o que eu resolvo?

A promessa não é “o que eu faço”. É o efeito que eu gero no negócio do outro.

 

A boa aluna costuma se apresentar pelo esforço (“eu estudei”, “eu tenho formação”, “eu fiz cursos”).

 

A líder se apresenta pelo efeito (“eu resolvo isso”, “eu destravo aquilo”, “eu reduzo tal custo”, “eu aumento tal resultado”).

 

Promessa clara não é autopromoção. É facilitar a ação de quem te ouve.

 

2) Prova: micro-histórias de antes e depois que te deixam concreta

Vai vender um serviço? Defender um projeto? Disputar uma posição? Tenha suas provas na ponta da língua: dados, entregas, recortes de antes e depois, resultados que alguém consegue imaginar. E use isso com naturalidade, sem se desculpar por ter feito bem o seu trabalho.

 

Você não “ganha voz” porque estudou. Você ganha espaço porque entrega.

 

3) Menos explicação, mais direção

Aqui está o ajuste mais delicado.

 

Menos explicação não é virar grossa nem “masculinizar” a fala. É trocar o impulso de se justificar pelo hábito de orientar: dizer o próximo passo, propor uma agenda, fazer um convite claro, escolher um foco de serviço, carreira ou trabalho (mesmo que isso signifique renunciar ao resto).

 

No mercado, dizer “não” com educação, deixando claro qual é o seu foco, vale ouro.

 

Até aqui, usei o pseudônimo Luísa lembrando fortemente de uma jovem empresária que atendi recentemente. Afirmo empiricamente com base na experiência com ela e em tantos outros líderes competentes que atendo diariamente, que existe uma verdade dura, mas necessária: 

 

quando a fala não vai ao ponto, quem escuta completa as lacunas com uma conclusão quase sempre injusta, porém comum: “talvez ela não tenha tanta segurança assim.”

Saber é importante. Mas ser lembrada como alguém clara, resolutiva e consistente acelera o resultado que se busca.

 

Giovana Pedroso - TEDx Speaker, jornalista e especialista em comunicação



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