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terça-feira, 20 de outubro de 2026

Hérnia abdominal: 5 sinais de alerta que você não deve ignorar

Magnific
Condição afeta cerca de 28 milhões de adultos no Brasil e pode provocar complicações graves quando não tratada adequadamente 

 

Uma saliência na barriga ou na virilha pode ser sinal de hérnia abdominal, condição que ocorre quando parte de um órgão ou tecido atravessa uma região enfraquecida da parede muscular. Segundo a Sociedade Brasileira de Hérnia (SBH), entre 20% e 25% da população adulta brasileira apresenta algum tipo de hérnia abdominal, o equivalente a cerca de 28 milhões de pessoas. 

Embora nem todos os casos sejam graves, algumas complicações exigem atendimento de emergência. “A hérnia é uma bomba-relógio e pode ser fatal”, alerta o Dr. Gustavo Patury, Cirurgião dia Aparelho Digestivo dos Hospitais São Luiz e Vila Nova Star. 

O risco aumenta quando o conteúdo da hérnia fica preso e a circulação sanguínea é comprometida, situação que pode provocar lesões no intestino. Por isso, é importante reconhecer os sinais de alerta.

 

Sinais que merecem atenção

 

1. Saliência na barriga ou na virilha

O sinal mais conhecido é o surgimento de um caroço ou abaulamento, que pode ficar mais evidente ao tossir, levantar peso ou fazer esforço físico. Mesmo sem dor, a alteração deve ser avaliada por um médico.

 

2. Dor ou desconforto localizado

A hérnia pode provocar dor, sensação de pressão ou incômodo na região afetada, especialmente durante atividades que aumentam a pressão dentro do abdômen. Em alguns casos, o desconforto pode ser confundido com dor muscular.

 

3. Aumento do volume da saliência

A hérnia pode aumentar de tamanho com o passar do tempo. Mudanças no volume ou o surgimento de novos sintomas justificam uma avaliação médica para verificar a evolução do quadro e a necessidade de tratamento.

 

4. Saliência endurecida que não retorna

Quando o conteúdo da hérnia fica preso e não retorna à posição habitual, ocorre o encarceramento. Se a região ficar endurecida, dolorosa ou sensível, é necessário procurar atendimento médico imediato, principalmente se os sintomas forem repentinos.

 

5. Dor intensa e vômitos

Dor abdominal forte ou súbita, vômitos e aumento da sensibilidade na região podem indicar uma complicação grave, como o estrangulamento da hérnia, quando o fluxo sanguíneo para o tecido fica comprometido. Essa situação pode causar danos ao intestino e exige atendimento de emergência.

 

“Quando o intestino fica preso e perde o suprimento sanguíneo, o quadro pode evoluir rapidamente. Por isso, não se deve esperar que os sintomas desapareçam espontaneamente diante de sinais de complicação”, orienta Patury.

 

Como é feito o tratamento?

Existem diferentes tipos de hérnia, classificados de acordo com a região em que aparecem. As mais comuns incluem a inguinal, na virilha; a umbilical, na região do umbigo; a incisional, que surge em locais de cirurgias anteriores; a epigástrica, na parte superior do abdômen; e a femoral, localizada logo abaixo da virilha, na parte superior da coxa. Há também a hérnia de Spiegel, que aparece na lateral do abdômen. 

A conduta depende da localização e do tamanho da hérnia, dos sintomas, do risco de complicações e das condições de saúde do paciente. Em situações bem selecionadas, o acompanhamento médico pode ser uma opção , porém o tratamento definitivo é sempre cirúrgico e o procedimento pode ser realizado por via aberta, laparoscópica ou robótica. 

Em muitos casos, utiliza-se uma tela cirúrgica para reforçar a parede abdominal e corrigir o defeito. A escolha da técnica deve considerar as características de cada paciente e a avaliação da equipe especializada. 

“As hérnias podem aumentar de tamanho com o tempo, e a definição do tratamento deve considerar fatores como a localização do defeito, os sintomas, o histórico cirúrgico e as condições de cada paciente. Mais importante do que o tamanho da hérnia é avaliar o risco de complicações, como o encarceramento e o estrangulamento do intestino, que podem exigir uma cirurgia de emergência”, explica o cirurgião. 

A recomendação é procurar avaliação médica diante da suspeita de hérnia, mesmo quando não há dor. Já a presença de dor intensa, vômitos ou uma saliência endurecida e dolorosa exige atendimento de emergência.


Osteoporose: fraturas após pequenos traumas podem ser um sinal de fragilidade óssea da mulher


●    Especialista da FEBRASGO reforça a importância de investigar a causa da primeira fratura para evitar novas ocorrências

●    20 de outubro - Dia Mundial de Combate à Osteoporose 

 

Uma queda da própria altura, um pequeno impacto ou uma fratura que parece resultado de um acidente comum podem esconder um problema que vai além da lesão: a fragilidade óssea. A osteoporose é uma doença que enfraquece os ossos e os torna mais frágeis, aumentando o risco de fraturas. A perda de massa óssea pode ocorrer durante anos sem provocar sintomas e, muitas vezes, a doença só é descoberta depois que um osso se quebra.

 

A menopausa precoce, o histórico familiar de fraturas, algumas doenças, o uso prolongado de determinados medicamentos, o baixo peso e certos hábitos de vida podem indicar a necessidade de uma avaliação. Dados indicam que uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens com mais de 50 anos sofrerão uma fratura por fragilidade ao longo da vida. Além disso, cerca de 80% das pessoas que têm uma fratura osteoporótica não são identificadas nem tratadas para a doença óssea que está por trás dela. Esses dados reforçam a importância de investigar a causa, além de tratar a lesão.

 

A Dra. Adriana Orcesi Pedro, ginecologista e vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Osteoporose da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, chama atenção para situações que merecem cuidado. A especialista explica em quais casos é importante investigar a saúde óssea da mulher, reconhecer os fatores de risco e buscar orientação médica para identificar a osteoporose e prevenir novas fraturas.

 

“Precisamos mudar a percepção de que a fratura termina quando o osso é tratado. Na realidade, muitas vezes ela é o primeiro sinal de uma doença que pode e deve ser investigada e tratada”, afirma a especialista.

 

A investigação pode incluir a análise do histórico clínico e familiar, dos medicamentos em uso, das doenças associadas, da alimentação e do risco de quedas. Quando indicada, a densitometria óssea ajuda a avaliar a densidade mineral dos ossos. A necessidade do exame, porém, deve ser definida com base em uma avaliação clínica individual, e não apenas pela chegada à menopausa.

 

Fraturas após quedas simples

As fraturas vertebrais merecem atenção especial porque muitas vezes passam despercebidas. Cerca de 70% delas são assintomáticas e podem se manifestar apenas por meio de dor nas costas, redução da estatura ou aumento da curvatura da coluna (cifose torácica). Fraturas de quadril, vértebras, punho e úmero também podem estar relacionadas à osteoporose.

 

“Uma fratura provocada por uma queda da própria altura ou por um pequeno impacto depois dos 50 anos deve ser entendida como uma oportunidade de investigar a saúde óssea e prevenir uma nova fratura”, alerta a Dra. Adriana. A médica explica que, quando um osso se quebra após um trauma que normalmente não causaria uma lesão desse tipo, é importante investigar se existe fragilidade óssea. Não basta olhar apenas para o osso que quebrou. É preciso perguntar: “por que ele quebrou com um trauma tão pequeno?”

 

A ginecologista ressalta que “a primeira fratura também pode indicar um risco maior de novas ocorrências, sobretudo nos primeiros um a dois anos. Por isso, o atendimento não deve terminar com o tratamento do osso quebrado”.

 

Menopausa precoce


A redução dos níveis de estrogênio durante a menopausa também está associada à perda de massa óssea. A atenção deve ser ainda maior entre mulheres que entram na menopausa antes dos 45 anos, apresentam insuficiência ovariana, passam pela retirada dos ovários ou ficam longos períodos sem menstruar. Essas situações podem aumentar o tempo de exposição à deficiência de estrogênio e comprometer a saúde dos ossos.

 

Por isso, a avaliação dos fatores de risco deve fazer parte do acompanhamento ginecológico, especialmente quando há outros fatores associados. “Não devemos esperar a mulher envelhecer para começar a pensar na saúde óssea. A transição menopausal é uma oportunidade de identificar riscos e agir precocemente”, diz a médica. Identificar os fatores nessa fase pode ajudar a orientar medidas de prevenção antes que uma fratura aconteça.

 

Histórico familiar e fratura de quadril


Na avaliação do risco de osteoporose, o histórico familiar é um dos fatores relevantes que devem ser considerados pelo especialista durante a consulta. Ter pai ou mãe que tiveram  fratura de quadril, pode aumentar a atenção à saúde óssea. Esse histórico deve ser avaliado em conjunto com a idade, o peso, as condições clínicas, os medicamentos em uso e a existência de fraturas anteriores.

 

Com base nessas informações, o médico pode determinar se há necessidade de exames e acompanhamento específico. “A investigação é importante porque a ausência de sintomas não significa que os ossos estejam saudáveis. A osteoporose pode avançar sem sinais aparentes até que ocorra uma fratura”, alerta.

 

Doenças e medicamentos


O uso prolongado de determinados medicamentos pode contribuir para acelerar a perda de massa óssea. Entre os exemplos mais importantes estão os glicocorticoides, como a prednisona, alguns anticonvulsivantes, determinados antidepressivos, tiazolidinedionas utilizadas no tratamento do diabetes, os imunossupressores e os inibidores de bomba de próton. Algumas doenças, como artrite reumatoide, doença celíaca, alterações da tireoide e da paratireoide, doença renal crônica e diabetes, também podem aumentar o risco de fragilidade óssea.

 

Mulheres que tiveram ou estão em tratamento para câncer de mama devem ficar atentas ao uso de medicamentos que reduzem a ação do estrogênio, como os inibidores da aromatase. “Quando tratamos o câncer podemos também acelerar a perda óssea. Por isso precisamos proteger a mulher das consequências tardias do próprio tratamento, que aumentam o risco de fraturas”, ressalta. Nesses casos, a saúde dos ossos deve ser considerada no planejamento do acompanhamento médico. “A presença de um fator de risco não significa que o tratamento deva ser interrompido, mas indica a importância de avaliar a necessidade de prevenção e monitoramento”, complementa.

 

Perda importante de peso e hábitos de vida


Hábitos saudáveis, prática regular de atividade física e alimentação adequada são importantes para manter a saúde dos ossos ao longo da vida. Por outro lado, o baixo peso, a perda significativa de peso, o sedentarismo, o tabagismo e o consumo excessivo de álcool podem aumentar o risco de osteoporose e fraturas. A ingestão insuficiente de cálcio e proteínas e a deficiência de vitamina D também merecem atenção, conforme a avaliação individual.

 

“Construir, proteger e fortalecer os ossos é uma estratégia de saúde e de preservação da independência e da autonomia da mulher”, enfatiza Dra. Adriana. Outro sinal que não deve ser ignorado é a perda de estatura. Uma redução superior a quatro centímetros pode indicar a possibilidade de fraturas vertebrais, que nem sempre são diagnosticadas quando ocorrem. “Conhecer os fatores de risco é uma etapa importante da prevenção. A avaliação médica permite identificar quais deles estão presentes e quais medidas podem ajudar a proteger os ossos”, explica.

 

A importância de investigar a primeira fratura


Quem sofre uma fratura por fragilidade tem um risco significativamente maior de sofrer outra. Esse risco é especialmente elevado nos dois primeiros anos após a primeira fratura. Por isso, a primeira fratura deve ser um alerta para investigar a saúde dos ossos e iniciar, quando indicado, medidas para prevenir novas fraturas.

“Se você teve uma primeira fratura e acredita que foi apenas um acidente, não ignore esse sinal. É fundamental agir antes que essa doença silenciosa produza consequências que poderiam ser evitadas”, conclui.

  

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia - FEBRASGO


Depois dos 40: quais mudanças no ciclo menstrual merecem atenção?

Irregularidade dos ciclos pode fazer parte da transição para a menopausa, mas sangramentos intensos, prolongados ou fora do período esperado precisam ser investigados

 

Depois dos 40 anos, o ciclo menstrual pode começar a mudar. A menstruação pode ficar mais irregular, acontecer em intervalos diferentes ou apresentar alterações no fluxo. Embora essas mudanças possam fazer parte da chamada transição menopáusica, elas não devem ser automaticamente atribuídas à idade ou aos hormônios.

Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), muitas mulheres começam a apresentar alterações nos ciclos a partir dos 40 anos, período em que ocorrem oscilações na função ovariana e nos hormônios que regulam a menstruação. Ao mesmo tempo, alterações menstruais também podem estar relacionadas a condições como miomas, pólipos e outras doenças ginecológicas.

“A transição para a menopausa é um processo gradual e pode modificar o padrão menstrual. Porém, uma mudança no ciclo não deve ser automaticamente considerada normal apenas porque a mulher passou dos 40 anos. É importante observar a intensidade, a duração e a frequência dos sangramentos e conversar com o ginecologista quando houver uma alteração persistente ou significativa”, explica Dr. Carlos Alberto Reyes Medina, Diretor Médico da Carnot Laboratórios.


O que pode mudar no ciclo?

Durante a transição menopáusica, as oscilações hormonais podem alterar o padrão das menstruações. De acordo com o National Institute on Aging (NIA), os ciclos podem ficar mais curtos ou mais longos, e o sangramento pode aumentar ou diminuir. A instituição destaca que essas mudanças podem ocorrer durante a transição para a menopausa, mas alguns padrões devem ser avaliados por um profissional.

Entre as mudanças que merecem atenção estão menstruações muito próximas umas das outras, sangramento intenso, períodos que duram mais de uma semana, sangramento entre as menstruações ou após relações sexuais. O NIA também orienta procurar avaliação caso ocorra sangramento novamente depois de 12 meses sem menstruar, período que caracteriza a menopausa.

A FEBRASGO também destaca que o sangramento uterino anormal é uma queixa frequente durante a perimenopausa. Em material específico sobre o tema, a entidade aponta que o sangramento anormal representa cerca de 70% das queixas ginecológicas nesse período, reforçando a importância de investigar sua causa.


Fluxo intenso também pode afetar os níveis de ferro

Uma consequência que merece atenção é a perda de ferro associada a sangramentos menstruais intensos e recorrentes. Quando a perda supera a capacidade de reposição do organismo, pode ocorrer deficiência de ferro e, posteriormente, anemia.

Por isso, sintomas como cansaço persistente, fraqueza, tontura, palidez ou redução da capacidade para realizar atividades não devem ser automaticamente atribuídos à própria transição hormonal. Dependendo da história clínica, o médico pode avaliar a necessidade de investigar anemia e os estoques de ferro.

“Quando uma mulher apresenta sangramentos mais intensos ou prolongados de forma recorrente, é importante considerar também o impacto dessas perdas sobre o organismo. A investigação pode ajudar a identificar tanto a causa do sangramento quanto possíveis consequências, como a deficiência de ferro”, afirma Dr. Carlos.


Nem toda alteração significa que a menopausa está chegando

Outro ponto importante é entender a diferença entre perimenopausa e menopausa. A transição menopáusica pode começar anos antes da última menstruação e é marcada justamente por alterações progressivas no padrão dos ciclos. Já a menopausa é definida retrospectivamente após 12 meses consecutivos sem menstruar.

Assim, ter um ciclo irregular aos 40 ou 45 anos não significa necessariamente que a mulher já esteja na menopausa. Da mesma forma, alterações importantes no padrão menstrual não devem ser utilizadas para fazer um autodiagnóstico.

A própria FEBRASGO ressalta que, em mulheres com menos de 45 anos que apresentam sangramento uterino anormal, especialmente quando há ciclos irregulares e pouco frequentes, pode ser necessária uma investigação adicional para excluir outras causas, como alterações da tireoide e hiperprolactinemia.

“Cada mulher passa por essa fase de uma maneira diferente. O mais importante é reconhecer o próprio padrão menstrual e procurar avaliação quando houver uma mudança relevante. Dessa forma, é possível diferenciar as alterações esperadas da transição menopáusica de situações que precisam de investigação e tratamento”, orienta o médico.

A partir dos 40 anos, portanto, acompanhar o ciclo menstrual continua sendo uma forma importante de cuidar da saúde. Mudanças podem fazer parte de uma nova fase da vida, mas sangramentos intensos, prolongados, frequentes ou fora do período esperado não devem ser normalizados sem avaliação.

 

Carnot® Laboratórios

 

5 cuidados para verificar a procedência das canetas emagrecedoras antes da aplicação

Uma pesquisa global Monitor da Saúde 2026, da Ipsos, divulgada nesta segunda-feira (19/10), mostra que 74% dos brasileiros já ouviram falar dos medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, enquanto a média global é de 50%. Entre os brasileiros que conhecem esses medicamentos, 61% buscam informações nas redes sociais e apenas 14% recorrem a profissionais de saúde.

O fenômeno preocupa porque acontece paralelamente à expansão do mercado irregular desses produtos. Levantamento da Scanntech divulgado neste ano estimou que mais de 50% das doses em circulação no país podem estar sendo consumidas fora do mercado formal de farmácias. A estimativa foi feita a partir de indicadores de mercado e, portanto, não significa que metade das canetas vendidas seja comprovadamente falsificada.

Além disso, ao longo de 2026, a Anvisa publicou diferentes determinações de apreensão de lotes falsificados ou irregulares de Mounjaro. Em alguns casos, foram encontrados números de lote ou de série incompatíveis, diferenças no dispositivo, problemas de rotulagem e até embalagens com características divergentes do medicamento original.

O farmacêutico Jamar Tejada, faz o alerta: antes de pensar apenas em preço ou facilidade de compra, o consumidor precisa se preocupar com a origem do medicamento. “Estamos falando de um medicamento injetável. Uma embalagem muito parecida com a original não é garantia de que aquilo que está dentro da caneta seja realmente o princípio ativo esperado, na concentração correta ou que tenha sido transportado e armazenado adequadamente. A falsificação pode ser sofisticada e nem sempre será identificada apenas olhando a caixa”, alerta o farmacêutico.
 

5 cuidados para saber se a caneta é verdadeira
 

1. Desconfie da procedência antes mesmo de olhar a embalagem

O primeiro cuidado é observar onde o medicamento está sendo adquirido. Ofertas em redes sociais, grupos de mensagens, academias, vendedores particulares ou páginas sem identificação clara do estabelecimento devem acender o sinal de alerta.

“A procedência é uma das primeiras barreiras de segurança. Comprar de alguém porque um amigo indicou ou porque o perfil tem milhares de seguidores não transforma aquele vendedor em um estabelecimento autorizado”, explica Jamar.

A própria Anvisa orienta que medicamentos sejam adquiridos em farmácias devidamente regularizadas, na embalagem completa e com emissão de nota fiscal.

2. Confira embalagem, lote, validade e sinais de adulteração

Erros de impressão, diferenças de fonte, palavras escritas incorretamente, rótulos mal posicionados, lacres violados, qualidade ruim da impressão ou alterações no próprio dispositivo merecem atenção.

Mas Jamar reforça que o inverso não é verdadeiro: uma caixa aparentemente perfeita não comprova autenticidade.

“Hoje não podemos partir da ideia de que produto falso sempre terá uma embalagem grosseira. A pessoa pode olhar e não perceber nenhuma diferença. Por isso, embalagem é apenas um dos elementos que precisam ser avaliados.”

Em caso de dúvida, o consumidor pode consultar alertas da Anvisa e buscar orientação do fabricante ou de um farmacêutico.

3. Cuidado com preço muito abaixo do praticado no mercado

Promoções muito agressivas, ofertas relâmpago e vendedores que alegam ter conseguido o medicamento “direto do fornecedor” merecem cautela.

“Quando um medicamento de alto custo aparece por um valor muito diferente daquele encontrado nos canais regulares, é importante perguntar de onde ele veio. A urgência para emagrecer não pode fazer o consumidor abrir mão de verificar a origem do produto”, afirma.

4. Não basta ser original: é preciso saber como a caneta foi armazenada e transportada

Medicamentos biológicos e injetáveis podem exigir condições específicas de conservação, que variam conforme o produto. Por isso, não basta saber que a caneta saiu de uma embalagem legítima: é necessário respeitar as condições de armazenamento e transporte determinadas pelo fabricante.

Esse ponto ganha ainda mais importância com o crescimento das compras pela internet. Em outubro, levantamento divulgado pela CNN Brasil mostrou que, em uma grande rede de farmácias, 70% das vendas da categoria já eram realizadas online.

“Quando há exigência de refrigeração ou controle de temperatura, a cadeia precisa ser respeitada. Não adianta o medicamento ser verdadeiro se ficou exposto a condições inadequadas durante transporte ou armazenamento. O consumidor deve seguir exatamente as orientações de conservação previstas para aquele produto”, explica Jamar.

5. Não aplique uma caneta de origem duvidosa para ‘ver se funciona’

Mudança na aparência do líquido, dispositivo diferente do habitual, ausência de informações, embalagem violada ou qualquer dúvida sobre procedência devem ser motivo para interromper o uso e procurar orientação.

“O corpo não é um laboratório para testar se uma caneta comprada pela internet é verdadeira. Se existe dúvida sobre a procedência, a recomendação não pode ser aplicar e observar o que acontece”, alerta o farmacêutico.

“Dr. TikTok”: O problema vai além da falsificação

Para Jamar, o dado de que as redes sociais se tornaram uma das principais fontes de informação sobre GLP-1 revela outro problema: medicamentos estão sendo apresentados muitas vezes como produtos de consumo ou atalhos estéticos.

“O TikTok pode ajudar a divulgar informação, mas um vídeo de poucos segundos não conhece o histórico clínico de quem está assistindo. O algoritmo mostra aquilo que chama atenção; ele não avalia indicação, contraindicação, interação medicamentosa ou risco individual”, explica.

O farmacêutico reforça que vídeos e relatos pessoais também podem criar uma falsa sensação de segurança. “Uma pessoa dizer que usou determinada dose, comprou de determinado lugar ou não teve efeitos adversos não significa que aquela experiência possa ser reproduzida por outra. Medicamento não deveria funcionar pela lógica do ‘vi alguém usando e resolvi experimentar’.”

A pesquisa Monitor da Saúde 2026 ouviu 22.528 adultos em 32 países, incluindo cerca de mil brasileiros, entre julho e agosto deste ano. No Brasil, 74% disseram conhecer os medicamentos GLP-1, colocando o país acima da média global de 50%.

 

Fonte: Link


Jamar Tejada - Farmacêutico graduado pela Faculdade de Farmácia e Bioquímica pela Universidade Luterana do Brasil, RS (ULBRA), Pós-Graduação em Gestão em Comunicação Estratégica Organizacional e Relações Públicas pela USP (Universidade de São Paulo), Pós-Graduação em Medicina Esportiva pela (FAPES), Pós-Graduação em Comunicação com o Mercado pela ESPM, Pós-Graduação em Formação para Dirigentes Industriais com Ênfase em Qualidade Total - Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul-(UFRGS) e Pós-Graduação em Ciências Homeopáticas pelas Faculdades Associadas de Ciências da Saúde. Proprietário e Farmacêutico Responsável da ANJO DA GUARDA Farmácia de manipulação e homeopatia desde agosto 2008. tejard




Outubro Rosa: 78,6 mil brasileiras devem ter câncer de mama até 2028

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MYME lembra que organizar histórico médico facilita a comunicação entre especialistas, o acompanhamento médico e o diagnóstico

 

Uma mamografia feita há dois anos, o resultado de uma biópsia, a prescrição de um medicamento. Cada informação registra uma parte da história de saúde de uma mulher. Mas quando chega a hora de tomar decisões sobre um diagnóstico de câncer de mama, esses documentos podem estar espalhados entre hospitais, laboratórios, aplicativos, e-mails e gavetas; número que só cresce ao longo do tratamento. 

Enquanto isso, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Excluídos os tumores de pele não melanoma, a doença representa 30% dos novos casos de câncer entre mulheres no país. A MYME, healthtech brasileira, lembra que organizar o histórico de saúde pode apoiar no controle da doença, um aspecto pouco discutido dentro da jornada oncológica. 

“Saúde exige registro contínuo”, afirma Lucas Santiago, cofundador da MYME, que conta com uma plataforma gratuita que centraliza o histórico de saúde do usuário e seus dependentes em uma linha do tempo e pode ser, todo ou em parte, compartilhado via link. “Organizar esses dados facilita o compartilhamento com profissionais da saúde e reduz a dependência da memória da paciente em um momento extremamente sensível.” 

A plataforma da MYME aceita arquivos em PDF, imagem e texto e permite organizar os dados por categorias criadas pelo próprio paciente, totalmente editáveis, como “sintomas”, “exames”, “consulta médica”, “medicação” e “vacinação”.
 

Segunda opinião e comunicação entre especialistas

A busca por uma segunda opinião médica é uma das situações em que ter os documentos reunidos pode fazer diferença. Para avaliar o caso, o profissional precisa conhecer os exames e resultados disponíveis, além do diagnóstico e dos tratamentos já realizados. Imagine ter que refazer um monte de exames? 

Além disso, ter à disposição todo o histórico médico para ser compartilhado entre os profissionais que participam do tratamento, como oncologista, cirurgiã(o) e radioterapeuta, ajuda o trabalho da equipe, conectando as diferentes etapas do controle da doença. “É uma forma de tornar mais simples esse momento tão delicado na vida de uma mulher”, comenta Santiago.
 

Como a MYME funciona

Ao criar uma conta na MYME, o usuário pode inserir informações em categorias sugeridas – Sintomas, Exames, Visita Médica, Medicação, Vacina e “Outros” – ou criar suas categorias (por exemplo, controle de glicemia, controle de pressão arterial e ciclo menstrual). A plataforma aceita arquivos em PDF, imagem e texto e tudo é inserido em uma linha do tempo do paciente. Qualquer dado ou categoria pode ser compartilhado via link. 

“A plataforma também é pensada para o cuidado com o outro, lembrando que vivemos em comunidade e dependemos uns dos outros”, destaca Lucas Santiago, cofundador da MYME. Por isso, a plataforma permite que o usuário crie perfis de dependentes e divida sua gestão com outros responsáveis (familiares e cuidadores de um idoso, por exemplo).

 

Segurança de dados

A proteção de dados é um dos principais pontos de atenção do setor de saúde diante dos episódios recentes de vazamento de informações confidenciais. A segurança é o ponto focal da MYME. O cofundador e desenvolvedor da plataforma, Gabriel Barros, é engenheiro de software com experiência de 12 anos no Yahoo Internacional e liderança em um projeto de isolamento de dados sensíveis com Google e Microsoft. Ele garante que “a construção da infraestrutura da MYME parte do princípio de que dados de saúde exigem um nível máximo de proteção e controle pelo usuário.”
 

Complementar ao Meu SUS Digital

A MYME não disputa espaço com o Meu SUS Digital, plataforma do Ministério da Saúde que funciona como prontuário eletrônico do Sistema Único de Saúde (SUS). “O Meu SUS traz informações da rede pública e agora também permite o agendamento de consultas [inicialmente para 500 municípios brasileiros]. A MYME agrega o que o paciente tem em papéis, imagens e outros arquivos guardados consigo, além de dados do cotidiano que o SUS não registra”, diferencia Gabriel.

 

MYME
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AVC hemorrágico tem mortalidade hospitalar quase três vezes maior que o isquêmico

Levantamento da Plataforma DRG Brasil reúne 157,7 mil internações estimou custo hospitalar de R$ 3,82 bilhões para os casos analisados


157,7 mil

internações por AVC

16,1%

mortalidade hospitalar global

67,6%

dos AVCs hemorrágicos com CTI

R$ 3,82 bi

custo previsto total estimado

 

No contexto da Campanha Nacional de Combate ao AVC, promovida pela Rede Brasil AVC neste mês e com reforço na data de 29 de outubro (Dia Mundial do Combate ao AVC), um levantamento da Plataforma DRG Brasil, conduzido pelo Grupo IAG Saúde, apresenta a dimensão da demanda hospitalar relacionada à doença. 

O AVC constitui um importante problema de saúde pública, devido à sua elevada contribuição para a mortalidade, incapacidade e utilização de recursos assistenciais. Entre janeiro de 2020 e junho de 2026, foram identificadas 157.685 internações de pacientes com 14 anos ou mais, em razão do problema. 

Do total, 71.834 internações (45,6%) foram classificadas como AVC isquêmico, 29.286 (18,6%) como hemorrágico e 56.565 (35,9%) como AVC não especificado. No período, o AVC respondeu por 1,5% das internações hospitalares da população analisada. 

A condição envolve internações prolongadas, necessidade de cuidados intensivos, suporte ventilatório e custos elevados. Essas repercussões podem variar conforme o tipo de AVC, a gravidade do quadro clínico e as características dos pacientes, tornando relevante a avaliação comparativa das apresentações isquêmica e hemorrágica. 

O número absoluto de internações não deve ser interpretado como tendência de incidência. “A cobertura da Plataforma DRG Brasil cresceu ao longo dos anos. A participação proporcional do AVC nas internações variou de 1,3% a 1,7%”, ressalta o levantamento.

 

AVC hemorrágico exige mais recursos e apresenta maior mortalidade 

O AVC pode acontecer de duas maneiras. Uma delas é o tipo hemorrágico, quando há rompimento de um vaso cerebral, provocando hemorragia, que pode ocorrer dentro do tecido cerebral ou na superfície do cérebro. É responsável por cerca de 15% dos casos de AVC, mas apresenta maior risco de morte. 

Já o AVC isquêmico ocorre quando há obstrução de uma artéria, impedindo a passagem de sangue e oxigênio para as células cerebrais. Essa obstrução pode ocorrer devido a uma placa de gordura ou a um coágulo proveniente do coração. O AVC isquêmico é o mais comum e representa cerca de 85% dos casos. 

O levantamento do Grupo IAG Saúde aponta que a mortalidade hospitalar chegou a 30,8% nas internações por AVC hemorrágico, contra 11,8% no isquêmico. A permanência média foi de 13,2 dias no grupo hemorrágico e de 9,0 dias no isquêmico. 

A necessidade de cuidados intensivos ocorreu em 67,6% das internações por AVC hemorrágico, frente a 36,5% no isquêmico. A utilização de ventilação mecânica foi de 39,1% e 12,3%, respectivamente. Condições adquiridas graves foram registradas em 15,5% e 8,3% das internações. 

“As diferenças persistem nas duas faixas etárias estudadas e mostram maior demanda assistencial nas internações por AVC hemorrágico. Os indicadores descrevem as internações registradas, sem estabelecer relações causais”, diz o levantamento.

 

Pacientes mais jovens têm participação maior no AVC hemorrágico 

No conjunto das internações por AVC, 85,4% ocorreram em pessoas acima de 50 anos. Entretanto, pacientes de 14 a 50 anos representaram 24,2% das internações por AVC hemorrágico, proporção aproximadamente duas vezes maior que a observada no AVC isquêmico (12,3%). 

No AVC hemorrágico, o Casemix — indicador de complexidade assistencial — foi de 3,1489 entre os pacientes de 14 a 50 anos e de 2,7578 naqueles acima de 50 anos. No AVC isquêmico, os valores foram semelhantes entre as faixas etárias (1,7102 e 1,7087).

 

Custo médio previsto do AVC hemorrágico é quase o dobro 

O custo médio previsto por internação foi de R$ 43.959,29 no AVC hemorrágico e R$ 22.117,79 no isquêmico. Apesar de apresentar menos internações, o AVC hemorrágico reuniu custo total previsto estimado de R$ 1,29 bilhão, comparado a R$ 1,59 bilhão no isquêmico. 

Considerando os três grupos de AVC, o custo total previsto foi estimado em R$ 3,82 bilhões, com custo médio de R$ 24.232,98 por internação. Os valores são estimativas padronizadas e não representam despesas hospitalares efetivamente realizadas. 

“O contraste entre volume de internações e custo médio destaca o peso assistencial do AVC hemorrágico. Os custos foram estimados a partir das internações com valores disponíveis, usando referências do ano fiscal de 2026”, pontua a análise.

 

Sinais de alerta e prevenção 

Em um episódio de AVC, cada minuto conta, como enfatiza a campanha mundial deste ano. Por isso, é fundamental saber identificar os sintomas. “A cada minuto em que o AVC isquêmico não é tratado, a pessoa perde 1,9 milhão de neurônios. Sinais como fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna, especialmente em um lado do corpo; confusão, alteração da fala ou compreensão; alteração na visão (em um ou ambos os olhos); alteração do equilíbrio, coordenação, tontura ou alteração no andar; e dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente, são alertas”, explica a neurologista Dra. Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC.  

A especialista destaca que uma sigla fácil de lembrar, VÁ De SAMU, pode auxiliar na identificação do AVC.  

“O ‘VA’ de Visão Alterada’, o ‘De’ de ‘Desequilíbrio’, o ‘S’ é de ‘sorria’: peça à pessoa para sorrir e observe se a boca fica torta. O ‘A’ é de ‘abrace’: peça para levantar os dois braços e veja se um deles está fraco. O ‘M’ é de ‘mensagem’ ou ‘música’: peça para a pessoa falar alguma coisa e observe se a fala está alterada. E o ‘U’ é de ‘urgente’: diante de qualquer um desses sinais, é preciso ligar imediatamente para o SAMU, pelo 192.” 

Entre 80 e 90% dos AVCs estão associados a fatores de risco potencialmente modificáveis, e grande parte pode ser prevenida com hábitos saudáveis e controle adequado dos fatores de risco. “É fundamental conhecer e controlar a pressão arterial, diabetes e colesterol, identificar e tratar arritmias cardíacas (fibrilação atrial), não fumar, praticar atividade física, manter uma alimentação saudável, evitar obesidade e realizar acompanhamento médico adequado. Prevenção e reconhecimento rápido dos sintomas podem salvar vidas e evitar incapacidade”, enfatiza a médica.

 

Sobre o levantamento 

Estudo observacional, retrospectivo e descritivo com internações registradas na Plataforma DRG Brasil, com alta entre janeiro de 2020 e junho de 2026, de pacientes com 14 anos ou mais. Foram incluídos diagnósticos principais CID-10 I60 e I61 (AVC hemorrágico), I63 (isquêmico) e I64 (não especificado). Registros de compartilhamento foram excluídos para evitar duplicidade. 

Os indicadores foram analisados por tipo de AVC e faixa etária. A estimativa de custo utilizou o percentil 50 hospitalar dos DRGs refinados, ano fiscal de 2026; o custo total foi extrapolado com base no custo médio das internações com informação disponível. A expansão da base e a proporção de AVC não especificado limitam interpretações epidemiológicas e comparações entre tipos.



Grupo IAG Saúde.

Rede Brasil AVC
www.redebrasilavc.org.br


Menopausa e osteoporose: como proteger os ossos


Magnific
Alimentação adequada, boa ingestão de cálcio e vitamina D e exercício físico regular formam a base da prevenção. Exames de sangue e densitometria óssea ajudam a acompanhar a perda de massa óssea, que se acelera após a última menstruação 

 

Entre 2013 e 2023, o SUS registrou 45,4 mil internações de idosos por fratura de fêmur no Paraná e 25 mil em Santa Catarina. Em ambos os estados, cerca de sete em cada dez pacientes eram mulheres, segundo levantamento publicado em 2025 com dados do DATASUS. A fratura é, muitas vezes, a primeira manifestação da osteoporose, doença silenciosa que se constrói ao longo de décadas e ganha velocidade na menopausa.

 

O tema ganha duas datas durante este mês: o Dia Mundial da Menopausa, lembrado no dia 18/10, e o Dia Mundial da Osteoporose, 20/10. Ambas fazem parte do calendário da saúde onde também está o Outubro Rosa, que se concentra no câncer de mama mas abre espaço para cuidados que dependem de prevenção de longo prazo, como a saúde dos ossos.

 

Segundo o ginecologista Jaime Kulak, do Laboratório Frischmann Aisengart, marca da Dasa no Paraná, a ligação entre menopausa e osteoporose está na queda do estrogênio, hormônio que ajuda a regular a renovação dos ossos. Sem ele, o organismo passa a reabsorver mais osso do que consegue formar, e a massa óssea diminui. 

“A menopausa não causa a osteoporose sozinha, mas acelera um processo que já está em curso. Os primeiros anos depois da última menstruação são a fase na qual mais se perde massa óssea e é quando a prevenção precisa se intensificar”, afirma Kulak.

 

Um estudo internacional publicado em junho de 2025 na revista científica Calcified Tissue International, conduzido na Universidade Deakin, na Austrália, analisou dados de 287 mulheres que relataram menopausa recente. Os pesquisadores observaram que a perda óssea na coluna lombar e no antebraço foi maior nos primeiros cinco anos após a menopausa. 

 

A proporção de mulheres com osteopenia e osteoporose também cresceu a cada faixa de tempo desde a última menstruação (menos de cinco anos, de cinco a dez e mais de dez). Entre as usuárias de terapia hormonal, o grupo não mostrou diferença entre os períodos, mas a indicação desse tratamento é uma decisão individual, tomada com o médico.


 

Alimentação, vitamina D e musculação são essenciais 


A base é a alimentação. As diretrizes costumam indicar entre 1.000 e 1.200 miligramas de cálcio por dia para mulheres na pós-menopausa, de preferência obtidos pela dieta: leite e derivados, sardinha e outros peixes consumidos com a espinha, vegetais verde-escuros como couve e brócolis, tofu e oleaginosas. O suplemento só deve entrar com orientação médica, porque o excesso também traz riscos. Proteína em quantidade adequada, menos sal, consumo moderado de bebidas alcoólicas e abandono do cigarro completam o cuidado.

 

A endocrinologista, Cristina Khawali, gerente médica do Laboratório Santa Luzia, magra da Dasa em Santa Catarina, explica que a vitamina D é a que permite ao organismo absorver o cálcio. A principal fonte é a exposição solar regular e moderada, nos horários e com os cuidados indicados por profissionais de saúde; a alimentação contribui pouco, com peixes gordos e ovos. “A deficiência é frequente, inclusive em países ensolarados como o Brasil, e só o exame de sangue mostra se os níveis estão adequados. Quando a reposição é necessária, deve ser prescrita”. 

 

Os ossos também respondem ao estímulo mecânico. Exercícios de força, como a musculação, e de impacto moderado, como caminhada, dança e subida de escadas, ajudam a preservar a massa óssea. Treinos de equilíbrio e de coordenação reduzem o risco de quedas, uma das principais causas de fratura em idosos. A prática deve ser adaptada a cada pessoa e orientada por profissional. “Não existe atalho. Cálcio na alimentação, vitamina D em nível adequado e exercício com carga são a base. O medicamento entra quando o risco de fratura justifica, e não substitui esses hábitos”, diz Kulak.


 

Quais exames acompanhar


A densitometria óssea (DXA) é o exame que confirma o diagnóstico de osteoporose. Costuma ser indicada a partir dos 65 anos ou, antes disso, para mulheres na pós-menopausa com fatores de risco, como menopausa precoce (antes dos 40 anos) ou antecipada (entre 40 e 45 anos), baixo peso, tabagismo, uso prolongado de corticoide e histórico de fratura de quadril em pai ou mãe. Nesse caso, contam as fraturas por fragilidade óssea, que acontecem com pouco impacto, como uma queda da própria altura, e não as causadas por acidentes ou traumas fortes.

 

Os exames de sangue ajudam a verificar se o organismo dispõe do que o osso precisa e a investigar causas secundárias de perda óssea. O painel básico inclui cálcio, fósforo, vitamina D (25-hidroxivitamina D) e paratormônio (PTH). Conforme a avaliação clínica, entram também creatinina, que avalia a função dos rins, fosfatase alcalina, TSH, que avalia a tireoide; e cálcio na urina de 24 horas. Os marcadores de remodelação óssea, como CTX e P1NP, mostram o ritmo em que o osso é destruído e reconstruído e servem, sobretudo, para acompanhar a resposta ao tratamento.

 

“O exame de sangue não faz o diagnóstico de osteoporose, que depende da densitometria, mas mostra se há uma causa por trás da perda óssea, como alteração de paratireoide ou de tireoide e deficiência de vitamina D”, explica Cristina Khawali.

 

No Paraná, o SUS registrou 45.448 internações de idosos por fratura de fêmur entre 2013 e 2023. Do total, 67,6% dos pacientes eram mulheres e 47,5% tinham 80 anos ou mais. O valor médio por internação foi de R$ 3.186, o mais alto da região Sul, segundo estudo publicado em 2025 na revista Varia Scientia com dados do DATASUS. Os números não medem a osteoporose em si, mas a sua consequência mais grave. Em Maringá, pesquisa com 654 idosos atendidos na atenção primária mostrou que 15,6% relataram ter osteoporose, e as mulheres tiveram chance 4,45 vezes maior de apresentar a doença. 

 

Em Santa Catarina, foram 25.055 internações pelo SUS por fratura de fêmur em idosos no mesmo período: 70,8% dos pacientes eram mulheres e 47,3% tinham 80 anos ou mais. O valor médio por internação foi de R$ 3.079, com permanência média de 7,2 dias. Em Chapecó, estudo com 186 mulheres acima de 60 anos, com dados coletados em 2007, encontrou fraturas vertebrais assintomáticas em 48,9% delas. A prevalência foi 1,44 vez maior entre as sedentárias, e nenhuma participante relatou consumo diário de cálcio acima de 600 miligramas, metade da referência de 1.200 miligramas.

“Quem tem fatores de risco deve conversar com o ginecologista ou com o médico de referência sobre o momento de fazer os exames e de montar um plano de prevenção”, orienta Cristina.

 

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