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sábado, 17 de outubro de 2026

TECNOLOGIA OU RISCO? O QUE ESTÁ POR TRÁS DO AUMENTO DAS COMPLICAÇÕES EM PROCEDIMENTOS ESTÉTICOS


Com crescimento de 41% nas sindicâncias do Cremesp, cirurgião plástico Dr. Caio Esper alerta para a banalização de procedimentos invasivos e mostra como novas tecnologias podem ampliar segurança e precisão — quando utilizadas por profissionais habilitados

 

O Brasil vive uma explosão de procedimentos estéticos, mas também de complicações. Dados do Cremesp mostram que o número de sindicâncias instauradas pelo órgão passou de 2.830 em 2023 para 4.002 em 2025, crescimento de cerca de 41% em apenas dois anos. A preocupação aumenta diante da realização de procedimentos invasivos por profissionais sem qualificação adequada. 

O cenário abre espaço para uma discussão urgente: se a tecnologia estética avançou tanto, por que também aumentam os problemas? O avanço dos equipamentos permite tratamentos cada vez mais personalizados, mas não elimina a necessidade de diagnóstico, indicação correta, conhecimento anatômico, avaliação de riscos e acompanhamento. A discussão, portanto, é sobre onde termina a inovação e começa o risco, especialmente em um mercado impulsionado pelas redes sociais, pela promessa de resultados rápidos e pela banalização de procedimentos invasivos. Pesquisa publicada na Revista Brasileira de Cirurgia Plástica mostrou que 89% dos participantes disseram que fotos e vídeos de resultados no Instagram influenciam no tema das cirurgias plásticas.

“Nem todo desejo de mudança deve resultar em uma cirurgia. Às vezes, o papel mais importante do médico é explicar que aquele resultado não é possível ou que aquele procedimento não vai resolver o que o paciente imagina”, afirma Dr. Caio Esper, Cirurgião plástico e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Sua clínica trabalha com novas tecnologias para a realização de facelift, lipoaspiração, vaser, mamoplastia, blefaroplastia, entre tantos outros procedimentos mais ou menos invasivos, e se coloca à disposição para entrevistas, demonstrações técnicas e esclarecimentos sobre as novas tecnologias e os critérios de segurança que devem orientar qualquer procedimento estético.

 

https://clinicaesper.med.br/

Quando a cirurgia plástica pode melhorar a autoestima

Pesquisa recente reforça a importância de considerar a imagem corporal e as expectativas do paciente na indicação do procedimento

 

Uma cirurgia estética pode ir além da mudança na aparência, uma revisão de pesquisadores franceses, publicada em janeiro de 2026, encontrou associação entre procedimentos estéticos e melhora da autoestima. O estudo reuniu 25 pesquisas, com 1.502 adultos, e comparou as avaliações feitas antes e depois das cirurgias. 

Para Marco Dallegrave, cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a pesquisa dá peso a uma questão, o que leva cada paciente a buscar o procedimento e quais são suas expectativas antes da decisão. Com 21 anos de atuação na especialidade, o médico realiza cirurgias das mamas e procedimentos de contorno corporal, como a mini lipoaspiração de recuperação rápida. 

“Uma queixa física pode ter efeitos que vão além da aparência. Quando a cirurgia é indicada para aquela pessoa, tratar o que a incomoda pode ajudá-la a se sentir mais confortável com o próprio corpo”. É o que afirma o especialista.

Os pesquisadores encontraram uma associação mais consistente com a melhora da autoestima nas cirurgias das mamas do que nos procedimentos faciais. Parte dos estudos desse grupo incluiu redução mamária, operação que também pode aliviar desconfortos físicos. 

O que a consulta precisa descobrir

Na abordagem defendida por Dallegrave, a avaliação não começa pela escolha de uma técnica. O médico busca compreender há quanto tempo existe a insatisfação, o que o paciente deseja modificar e qual resultado espera alcançar. Essa conversa orienta a indicação e permite explicar, antes da decisão, as possibilidades e os limites da operação.

A formação complementar do cirurgião em psiquiatria contribui para sua atenção aos aspectos emocionais da imagem corporal. “Escutar o paciente é parte do trabalho técnico. Duas pessoas podem procurar a mesma cirurgia por motivos diferentes, e isso precisa ser levado em conta ao planejar o tratamento.”, ressalta Dallegrave.

A perspectiva se relaciona à definição de saúde da Organização Mundial da Saúde, que inclui o bem estar físico, mental e social. No contexto da cirurgia plástica, considerar essas dimensões significa reconhecer a importância da queixa do paciente e, ao mesmo tempo, avaliar se o procedimento disponível pode atendê-la. 


Entre o resultado possível e a expectativa

A satisfação com a própria imagem não depende apenas do resultado cirúrgico. A recuperação leva tempo, o corpo passa por mudanças durante a cicatrização e a percepção do paciente sobre o resultado pode continuar a evoluir. Por isso, Dallegrave considera necessário conversar também sobre o período posterior à operação, e não somente sobre a aparência esperada ao final dele.

“Meu objetivo é que a decisão seja consciente. O paciente precisa entender o que podemos tratar, como será a recuperação e o que não depende da cirurgia. Quando essa conversa é clara, a mudança física pode fazer sentido dentro de um cuidado mais amplo”. É o que conclui o cirurgião.

Assim, a contribuição da cirurgia plástica para o bem estar não está em prometer uma transformação completa da vida do paciente. Está em identificar uma queixa que possa ser tratada, oferecer uma indicação segura e considerar a pessoa que viverá com o resultado.

 

Dr. Marco Dallegrave - médico formado pela Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná (FEMPAR), com residência em Cirurgia Geral pela Santa Casa de Curitiba e residência em Cirurgia Plástica pelo Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba (PR). Também possui pós-graduação em Psiquiatria pelo CENBRAP, formação que complementa sua visão sobre os aspectos emocionais e psicológicos envolvidos na relação dos pacientes com a própria imagem. Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), atua há 21 anos na especialidade e já realizou mais de 5 mil cirurgias. Sua prática é voltada à cirurgia plástica estética, com ênfase em procedimentos de contorno corporal, mini lipoaspiração de recuperação rápida e cirurgias das mamas.
Para mais informações, acesse o site e instagram.



Fontes de Pesquisa

Aesthetic Surgery Journal Open Forum, revisão sistemática e metanálise publicada em 2026: https://academic.oup.com/asjopenforum/article/doi/10.1093/asjof/ojag013/8444509

Organização Mundial da Saúde, Constituição e definição de saúde: https://www.who.int/about/governance/constitution


De olho no verão, bioestimulação de colágeno vira estratégia contra a flacidez após boom das canetas emagrecedoras

Peakstock


Com glúteos, abdômen e braços também afetados pela perda de volume e firmeza, especialista explica como os tratamentos podem recuperar o contorno corporal e por que começar agora faz diferença para os resultados na estação

 

As canetas emagrecedoras transformaram a relação de muitas pessoas com a balança, mas também trouxeram uma nova preocupação aos consultórios de medicina estética. Se o chamado “derretimento facial” ganhou destaque pela perda de volume e flacidez do rosto após o emagrecimento, outras regiões do corpo também sentem os efeitos. Glúteos menos firmes, abdômen com excesso de pele e braços mais flácidos estão entre as queixas de quem perdeu peso e agora busca recuperar o contorno corporal.

Com a proximidade do verão, essa preocupação ganha ainda mais força. Depois de conquistar a redução de medidas, muitas pessoas querem aproveitar a estação com roupas mais leves, biquínis e sungas, mas percebem que emagrecer nem sempre significa alcançar a aparência corporal desejada. É nesse cenário que a bioestimulação de colágeno, associada a outros procedimentos estéticos, surge como uma estratégia para melhorar a firmeza da pele. E o momento de começar pode fazer diferença.

Segundo a médica especialista em estética Vanessa Penteado, a explicação está nas transformações que acompanham a perda de peso, especialmente quando ela é expressiva ou acontece rapidamente. A redução da gordura subcutânea diminui o volume de determinadas regiões, enquanto a pele nem sempre consegue se retrair na mesma proporção. A eventual perda de massa muscular também pode contribuir para um aspecto mais murcho. “Quando falamos dos efeitos das canetas emagrecedoras, as pessoas costumam pensar primeiro no rosto, mas não é só a face que perde volume. Os glúteos também podem ficar mais caídos, assim como o abdômen e outras regiões do corpo. A pessoa emagrece, conquista o peso que desejava, mas percebe que a pele não acompanhou essa transformação”, explica Vanessa.

Entre as regiões que mais evidenciam essas mudanças estão os glúteos. A perda de gordura pode reduzir sua projeção, enquanto a diminuição da elasticidade da pele favorece a flacidez. Mesmo pessoas que intensificaram a musculação depois de emagrecer podem perceber que a aparência da pele não acompanha os resultados conquistados na academia. “A musculação é fundamental para desenvolver e preservar a massa muscular, mas não consegue resolver sozinha todas as alterações da pele. Podemos ter uma paciente com uma musculatura bem trabalhada e, ainda assim, com flacidez nos glúteos. São estruturas diferentes, que precisam de abordagens complementares”, esclarece a médica.

Nesse cenário, os bioestimuladores de colágeno aparecem como uma das possibilidades de tratamento, estimulando gradualmente a produção da proteína responsável por parte da firmeza e sustentação da pele. Dependendo das características individuais, também podem ser associados a procedimentos de harmonização glútea e recuperação de volume. A procura, segundo Vanessa, não se restringe às mulheres. Homens que emagreceram também têm buscado alternativas para melhorar o contorno dos glúteos, sem necessariamente desejar um aumento acentuado de volume.

No abdômen, a situação é semelhante. A redução da gordura pode deixar a musculatura mais aparente, mas também evidenciar a flacidez da pele, especialmente após perdas expressivas de peso. Nesses casos, protocolos de bioestimulação e harmonização abdominal podem ser indicados para melhorar a textura, a firmeza e o contorno da região. Braços, coxas e joelhos também podem apresentar alterações, principalmente quando o emagrecimento está associado à redução natural da elasticidade da pele. “Recebemos pacientes que emagreceram, começaram a treinar e melhoraram bastante a musculatura, mas continuam incomodados com a pele da barriga. A gordura diminuiu, porém a pele ficou mais frouxa. Por isso, precisamos avaliar cada região e entender qual procedimento pode contribuir para melhorar aquele contorno”, afirma.

O tempo como aliado para o verão

Se a intenção é melhorar a aparência corporal para o verão, o planejamento precisa começar antes da estação. Diferentemente de procedimentos que promovem mudanças mais imediatas, a bioestimulação depende de uma resposta do próprio organismo. A formação e a reorganização do colágeno acontecem progressivamente, ao longo de semanas e meses, e podem exigir mais de uma sessão. “Quem pensa em melhorar a firmeza da pele para o verão precisa entender que o colágeno não é produzido de um dia para o outro. Existe um processo de estímulo e resposta do organismo. Por isso, começar agora permite planejar os procedimentos e acompanhar a evolução dos resultados até a estação”, orienta Vanessa.

Outro fator importante é o envelhecimento natural. A produção de colágeno diminui com o passar dos anos, o que pode tornar a flacidez mais perceptível após o emagrecimento. A médica observa que essa preocupação também acompanha a tendência do estilo de vida wellness, adotado por pessoas que investem em exercícios físicos, alimentação equilibrada e longevidade, mas percebem que os cuidados com a musculatura nem sempre são suficientes para preservar a firmeza da pele. “Hoje vemos mulheres de 50 ou 60 anos extremamente ativas, que treinam e cuidam da alimentação, mas o organismo continua passando por mudanças hormonais e pela redução da produção de colágeno. A musculatura pode estar muito bem trabalhada, enquanto a pele precisa de outros cuidados”, destaca.

A especialista reforça que a bioestimulação não substitui a atividade física, não recupera massa muscular perdida e não elimina grandes excessos de pele. Por isso, a indicação deve ser individualizada, considerando o grau de flacidez, as características da região e as expectativas do paciente. “Não se trata apenas de perder peso ou aumentar o volume de determinada região. O objetivo é buscar harmonia entre musculatura, pele e contorno corporal. E, quando falamos de estimular colágeno, o tempo é um aliado importante. Quem deseja perceber essa evolução no verão precisa começar a pensar nisso antes de a estação chegar”, conclui Vanessa.


Descoloriu? O reset vem aí: como salvar a fibra e prevenir pontas duplas depois de mudar de visual

  Eudora Siàge explica como transformar o banho diário em um tratamento de alta performance, devolvendo a força e a maciez que a química tira dos cabelos.

 

Passar por mudanças na cor dos cabelos pode renovar o visual, mas também exige atenção redobrada aos cuidados com os fios. A descoloração, por exemplo, é um processo que altera a estrutura da fibra capilar para remover os pigmentos naturais e, nesse processo, pode deixar o cabelo mais fragilizado, ressecado e suscetível à quebra, especialmente nas pontas.

Entre os sinais que podem surgir depois do procedimento estão as pontas duplas, que surgem quando a camada externa do fio perde resistência e começa a se dividir. Atenta às diferentes necessidades dos cabelos que passam por esses processos químicos, Eudora Siàge, eleita, pelo segundo ano consecutivo, a marca preferida das consumidoras*, reúne orientações para ajudar a recuperar os fios e manter as pontas mais saudáveis no dia a dia.

“Depois de uma descoloração, é importante olhar para o cabelo de forma completa. Não basta tratar apenas o aspecto das pontas: é preciso olhar para o couro cabeludo, recuperar a fibra, devolver hidratação e nutrição e, principalmente, reduzir os fatores que podem contribuir para que os fios continuem se fragilizando”, explica Poppy Fischer, Diretora de Categoria de Eudora Siàge.

Segundo a especialista, a recuperação pode ser organizada em três frentes complementares: reconstrução para tratar os danos mais profundos, hidratação para devolver água à fibra e nutrição para ajudar a manter os fios protegidos, macios e com aparência saudável.


1. Comece pela reconstrução para recuperar a fibra danificada

A primeira etapa é olhar para a estrutura do fio. A descoloração pode comprometer a resistência da fibra e deixá-la mais suscetível à quebra, principalmente quando os cabelos já passaram por outros procedimentos químicos ou são expostos frequentemente ao calor.

Nesses casos, a reconstrução é importante para atuar sobre os danos acumulados e ajudar na recuperação da resistência dos fios. Para esse momento, a indicação é a linha Siàge Ultra Bond Reset, desenvolvida para tratar danos profundos e atuar diretamente no córtex capilar, ajudando a religar as pontes de queratina rompidas por processos como descoloração e progressivas.

A linha conta com BondReset Booster e tecnologia Affinité 4D, que atuam na reparação da fibra e na recuperação dos fios sensibilizados. O cuidado é especialmente importante para quem percebe aumento da quebra, perda de resistência e pontas mais frágeis depois da mudança de cor.

No entanto, a especialista alerta: “mesmo quando o cabelo está bastante danificado, é importante equilibrar os tratamentos. O excesso de reconstrução pode deixar os fios mais rígidos, por isso o ideal é utilizá-la de forma estratégica, como duas vezes por semana, e intercalar com cuidados de hidratação e nutrição”, conclui.

Depois desse período inicial de recuperação, a frequência da reconstrução pode ser ajustada de acordo com a resposta dos fios, dando espaço para outros tratamentos que ajudam a manter a fibra hidratada e nutrida.


2. Reforce a hidratação para recuperar a maciez dos fios

Depois de passar por um reset, é importante devolver água aos fios. Cabelos descoloridos tendem a apresentar maior ressecamento e aspereza, o que pode deixar as pontas com aparência mais opaca e dificultar a manutenção de um cabelo visualmente saudável. Por isso, a hidratação entra como uma etapa complementar da recuperação, ajudando a manter os fios mais macios, leves e com movimento.

Para esse momento, a recomendação é apostar no Combo Siàge Liso Intenso, que pode ser incorporado à rotina para ajudar a devolver a umidade e recuperar a maciez dos cabelos que estão mais secos e sensibilizados. A hidratação contribui para manter a fibra mais maleável, reduzir o aspecto áspero e melhorar a aparência das pontas, complementando o trabalho de reconstrução.


3. Inclua a nutrição para cuidar das pontas e evitar o ressecamento

Por estarem mais expostas a fatores como calor, atrito e procedimentos químicos, as pontas podem ficar mais ressecadas e fragilizadas. Após a descoloração, esse cuidado se torna ainda mais importante.

A nutrição ajuda a repor lipídios e óleos essenciais, contribuindo para manter a fibra protegida, macia e com aparência mais saudável. “Quando o cabelo está muito ressecado, as pontas podem ficar mais ásperas e vulneráveis. A nutrição ajuda a melhorar a maleabilidade e a aparência dos fios, complementando o tratamento de reconstrução e hidratação”, explica Poppy.

Para essa etapa, a indicação é o Supreme Oil Nutri Rosé, que pode ser aplicado principalmente nas pontas para complementar os cuidados e ajudar a manter os fios nutridos e com mais brilho.


4. Redobre os cuidados para evitar que novas pontas duplas apareçam

Além de tratar os danos já existentes, alguns hábitos fazem a diferença para preservar a estrutura capilar ao longo do tempo. O uso frequente de ferramentas de calor, por exemplo, pode contribuir para a sensibilização dos fios, especialmente quando eles já passaram por procedimentos químicos.

Por isso, vale reduzir a exposição a altas temperaturas, utilizar proteção térmica antes do uso de secador, chapinha ou modeladores e evitar desembaraçar os fios de maneira agressiva. Outro ponto importante é observar as pontas regularmente: quando o fio já está dividido, os cuidados ajudam a melhorar sua aparência e a prevenir novos danos, mas o corte continua sendo a única forma de remover efetivamente uma ponta dupla já formada.

“Os cuidados em casa são fundamentais para prolongar a aparência saudável dos fios, mas é importante entender que prevenção e recuperação caminham juntas. Depois de um procedimento como a descoloração, o ideal é criar uma rotina que acompanhe o estado do cabelo e combine diferentes tipos de tratamento”, finaliza Poppy.

Assim, recuperar os cabelos após a descoloração não significa apostar em um único tratamento. Ao combinar reconstrução, hidratação e nutrição, é possível direcionar os cuidados para diferentes necessidades da fibra e criar uma rotina mais completa para fios que passaram por processos químicos. 

*Dado referente à pesquisa nacional realizada pela Kantar Insights Brasil, que comparou 20 marcas do mercado brasileiro a partir de 2.400 entrevistas anuais (600 por trimestre), com mulheres de 18 a 60 anos que compraram produtos capilares nos últimos seis meses.

 

EUDORA


O peso invisível da mulher que resolve tudo: quando ser forte se transforma em sobrecarga emocional

No mês do Dia Mundial da Saúde Mental, a psicanalista e pedagoga Regina Braghittoni alerta para os sinais de esgotamento entre mulheres que assumem a responsabilidade por todos, mas encontram dificuldade para cuidar de si


Ela organiza a rotina da casa, acompanha as necessidades dos filhos, ajuda familiares, resolve problemas no trabalho, administra compromissos e ainda tenta estar emocionalmente disponível para todos. Por fora, é vista como uma mulher forte e capaz. Por dentro, pode estar cansada, ansiosa e com a sensação permanente de que nunca faz o suficiente. Esse é o peso invisível enfrentado por muitas mulheres que se acostumaram a “dar conta de tudo”. Segundo a psicanalista e pedagoga Regina Braghittoni, do Instituto Brasileiro de Psicanálise MATEMA, a força constantemente exigida e elogiada pode esconder uma sobrecarga emocional importante. “Muitas mulheres são reconhecidas por sua capacidade de resolver problemas, acolher e cuidar. O perigo começa quando essa força deixa de ser uma escolha e passa a funcionar como uma obrigação. Ela sente que não pode falhar, descansar ou demonstrar fragilidade porque acredita que todos dependem dela”, explica Regina.

O tema ganha relevância em outubro, mês em que se celebra, no dia 10, o Dia Mundial da Saúde Mental. Em 2026, a Organização Mundial da Saúde chama a atenção para a importância de ouvir as experiências reais de quem enfrenta algum tipo de sofrimento emocional. Uma carga que nem sempre é percebida. A sobrecarga feminina não está relacionada somente à quantidade de tarefas realizadas. Ela também envolve o chamado trabalho mental e emocional: lembrar compromissos, antecipar necessidades, administrar conflitos, preocupar-se com o bem-estar dos outros e manter a rotina funcionando.

Dados do IBGE mostram que, as mulheres dedicaram, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas. Entre os homens, a média foi de 11,7 horas. Isso significa que muitas mulheres conciliam a atividade profissional remunerada com uma segunda jornada de responsabilidades domésticas e familiares. “Não é apenas executar uma tarefa. É precisar lembrar que ela existe, planejar como será realizada e garantir que tudo aconteça. Essa responsabilidade permanente mantém a mente em estado de alerta, mesmo nos momentos em que a mulher deveria estar descansando”, observa a psicanalista.

Dificuldade para relaxar, irritação frequente, alterações no sono, ansiedade, sentimento de culpa ao descansar, perda de prazer e a sensação de estar sempre em dívida com alguém podem indicar que a rotina ultrapassou os limites emocionais daquela mulher. Esses sinais, isoladamente, não representam um diagnóstico. Entretanto, quando se tornam persistentes e começam a prejudicar a rotina, os relacionamentos, o trabalho ou a qualidade de vida, merecem atenção.

Outro comportamento comum é a dificuldade de pedir ajuda. Algumas mulheres acreditam que delegar tarefas demonstra incapacidade. Outras têm receio de decepcionar as pessoas ou de serem vistas como egoístas ao estabelecer limites. “Quando uma mulher passa muito tempo ocupando o lugar daquela que resolve tudo, ela pode deixar de reconhecer as próprias necessidades. Em muitos casos, consegue perceber rapidamente o sofrimento dos outros, mas demora para admitir o próprio cansaço”, afirma Regina.

Para a especialista, o primeiro passo é reconhecer que a sobrecarga existe e identificar quais responsabilidades podem ser compartilhadas. Tornar visíveis as tarefas domésticas e emocionais, conversar com familiares, rever prioridades e estabelecer limites são atitudes importantes. Aprender a dizer “não” também faz parte desse processo. O limite não representa falta de amor ou de comprometimento, mas uma forma de preservar a própria saúde emocional. “Ser forte não deveria significar suportar tudo em silêncio. Uma mulher não precisa chegar ao esgotamento para merecer ajuda. Descansar, dividir responsabilidades e cuidar de si não são atitudes egoístas; são necessidades humanas”, reforça a psicanalista. 



Regina Braghittoni - Psicanalista e diretora do instituto Matema de Psicanálise faz atendimentos de adolescentes e adultos
@regina.braghittoni
https://iebmatema.com.br/

 

Botox, preenchimento ou cirurgia? Especialista explica como escolher o tratamento facial ideal

Com o crescimento da procura por procedimentos estéticos no mundo, cirurgiã plástica esclarece que cirurgia e aplicações periódicas não são concorrentes, e sim complementares 

 

A procura por procedimentos estéticos continua em crescimento no mundo, mas também aumenta uma das principais dúvidas dos pacientes: afinal, vale mais a pena investir em aplicações periódicas ou recorrer à cirurgia plástica facial? Dados mais recentes da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) mostram que foram realizados aproximadamente 37,9 milhões de procedimentos estéticos em todo o mundo, sendo cerca de 20,5 milhões não cirúrgicos e 17,4 milhões cirúrgicos. O Brasil permanece entre os maiores mercados globais do setor, impulsionado pelo envelhecimento da população, pelo aumento da expectativa de vida e pela busca por uma aparência mais natural.

Para a cirurgiã plástica facial Dra. Danielle Gondim, formada pelo Instituto Ivo Pitanguy, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e com formação complementar em centros internacionais de referência em cirurgia facial, a resposta depende menos da técnica escolhida e mais da indicação correta para cada paciente. Segundo ela, comparar cirurgia e procedimentos apenas pelo tempo de duração pode levar a expectativas irreais e escolhas inadequadas.

"Os procedimentos minimamente invasivos e a cirurgia não competem entre si. Cada abordagem tem uma finalidade específica. O erro é acreditar que existe um tratamento universal para todos os casos. A escolha deve considerar a anatomia facial, os objetivos do paciente e a indicação médica individualizada", afirma.


Cirurgia e procedimentos não são concorrentes

Nos últimos anos, a medicina estética passou por uma transformação importante. Se antes grande parte da procura estava concentrada em suavizar rugas ou adicionar volume, hoje pacientes de diferentes faixas etárias buscam tratamentos que preservem a identidade facial, respeitem as proporções do rosto e entreguem resultados naturais, seja para corrigir características anatômicas, seja para tratar alterações decorrentes do processo natural de envelhecimento.

Danielle explica que procedimentos como toxina botulínica, bioestimuladores de colágeno, ultrassom microfocado e preenchimentos continuam tendo papel importante na prevenção e no tratamento de diversas alterações faciais. Em geral, apresentam recuperação rápida e exigem manutenções periódicas, cuja frequência varia conforme a técnica utilizada, o metabolismo de cada paciente e o produto empregado.

Já a cirurgia plástica facial atua diretamente sobre as estruturas anatômicas da face, podendo reposicionar tecidos, corrigir alterações estruturais, tratar flacidez quando presente ou melhorar proporções faciais de acordo com a necessidade de cada paciente. Por isso, sua indicação vai muito além do envelhecimento e pode beneficiar pessoas mais jovens com características genéticas ou alterações que comprometem a harmonia facial.

"A cirurgia não deve ser associada apenas ao envelhecimento. Existem pacientes jovens que apresentam excesso de pele nas pálpebras por predisposição genética, alterações estruturais do nariz, queda das sobrancelhas ou outras características faciais que podem ser corrigidas cirurgicamente. O fator determinante não é a idade, mas a indicação adequada para cada caso", explica a especialista.


O custo vai além do valor inicial

Outro aspecto frequentemente desconsiderado pelos pacientes é o custo acumulado ao longo do tempo. Embora os procedimentos minimamente invasivos normalmente representem um investimento inicial menor e permitam retorno mais rápido às atividades, eles exigem reaplicações para manutenção dos resultados.

A cirurgia, por sua vez, costuma demandar um investimento inicial mais elevado e um período de recuperação maior, mas oferece resultados mais duradouros ao tratar estruturas que os procedimentos não conseguem modificar. Dependendo do planejamento terapêutico e da frequência das manutenções, anos de tratamentos não cirúrgicos podem representar um investimento semelhante ou até superior ao de uma cirurgia.

"Não existe uma resposta baseada apenas em custo ou durabilidade. O que faz sentido para um paciente pode não ser a melhor opção para outro. A decisão precisa considerar diagnóstico, expectativa, segurança e o resultado que se pretende alcançar", ressalta Danielle.


A melhor escolha é a que respeita a individualidade

Para a cirurgiã, um dos maiores equívocos é tratar cirurgia e procedimentos como alternativas excludentes. Na prática, ambas as abordagens podem ser utilizadas em momentos diferentes ou até de forma complementar, sempre de acordo com a avaliação médica.

"A medicina evoluiu para oferecer tratamentos cada vez mais personalizados. Em alguns pacientes, um procedimento minimamente invasivo resolve completamente a necessidade. Em outros, insistir em aplicações sucessivas apenas adia uma indicação cirúrgica que proporcionaria um resultado mais natural, harmônico e duradouro. O mais importante é entender que não existe um tratamento melhor de forma absoluta, existe o tratamento mais adequado para cada pessoa", conclui.

A especialista observa que a evolução das técnicas cirúrgicas também mudou a percepção sobre a cirurgia facial. Procedimentos modernos priorizam a preservação da identidade, respeitam as características individuais e buscam resultados discretos, afastando a ideia de transformações artificiais. Mais do que modificar a aparência, o objetivo atual da cirurgia plástica facial é restaurar equilíbrio, funcionalidade e harmonia de forma personalizada.

Diante de tantas possibilidades, a cirurgiã orienta que a decisão nunca seja tomada apenas com base em relatos de redes sociais, no preço ou na experiência de outras pessoas. Segundo ela, uma avaliação presencial é indispensável para identificar as características anatômicas, entender as expectativas do paciente e definir a estratégia mais adequada.   


Danielle Gondim - cirurgiã plástica especializada em face, com reconhecimento internacional. Desde a infância interessada pelas artes, formou-se no Instituto Ivo Pitanguy, onde também atuou como docente por quase cinco anos. Ao longo da carreira, realizou fellowships nos principais serviços de cirurgia plástica do mundo, incluindo centros liderados por Dr. Nayak e Ben Talei, nos Estados Unidos, e por Dr. Francisco Bravo, em Madri. Membro das associações Internacional, Americana e Brasileira de Cirurgia Plástica, é frequentemente convidada a palestrar em congressos relevantes da especialidade no Brasil e no exterior. Em 2025, foi premiada por seu trabalho no Congresso Mundial de Cirurgia Plástica da ISAPS, realizado em Singapura, reconhecimento concedido a um grupo restrito de especialistas. Criadora da técnica Singular Restore®, alia ciência e arte para alcançar resultados naturais, nos quais a jovialidade se destaca sem evidência de intervenção cirúrgica. Seu trabalho é pautado pela individualidade facial e pela preservação da identidade de cada paciente.

Para mais informações, acesse o site, instagram ou pelo Linkedin.

 

Fonte de pesquisa

International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) – Global Survey  https://www.isaps.org/discover/about-isaps/global-statistics/global-survey-2024-full-report-and-press-releases/ 


Rinoplastia não é só estética: septo e cornetos também entram no planejamento do nariz

Avaliação antes da cirurgia pode identificar alterações que interferem na respiração e precisam ser consideradas junto ao resultado estético

 

Afinar a ponta, reduzir o dorso ou buscar maior harmonia entre o nariz e o restante do rosto estão entre os motivos que levam pacientes a procurar uma rinoplastia. Mas, antes de pensar apenas na aparência, a avaliação também deve considerar como esse nariz funciona. Alterações como desvio de septo e aumento dos cornetos nasais podem comprometer a passagem do ar e coexistir com a queixa estética. 

Segundo o otorrinolaringologista Dr. Eduardo Landini Lutaif Dolci, da Clínica Dolci Otorrinolaringologia e Cirurgia Estética Facial, essa análise é importante porque estética e função não devem ser tratadas como questões totalmente separadas. 

“Quando alguém procura uma rinoplastia, precisamos entender não apenas o que incomoda visualmente, mas também como está a respiração. Há pacientes que convivem com obstrução nasal há muito tempo e só durante a avaliação descobrem que existe uma alteração funcional que também merece atenção”, explica. 

O septo nasal é a estrutura que separa as duas cavidades do nariz. Quando apresenta um desvio significativo, pode reduzir a passagem do ar de um dos lados. Já os cornetos nasais são estruturas localizadas nas paredes internas do nariz e ajudam a filtrar, aquecer e umidificar o ar. Quando estão aumentados, podem contribuir para a sensação de nariz constantemente entupido. 

“Ter desvio de septo ou cornetos aumentados não significa automaticamente precisar de cirurgia. É preciso avaliar sintomas, exame físico e a causa da obstrução. Mas, quando existe indicação funcional e o paciente também fará uma rinoplastia, é possível planejar a abordagem considerando os dois aspectos”, afirma Dolci. 

Entre os sinais que podem indicar algum comprometimento funcional estão dificuldade persistente para respirar pelo nariz, sensação de uma narina mais fechada que a outra, respiração pela boca, piora durante exercícios, ronco e necessidade frequente de descongestionantes. 

Para o especialista, o planejamento adequado é fundamental para buscar um resultado que respeite tanto as proporções faciais quanto a função nasal. “O objetivo de uma rinoplastia não deve ser pensar apenas em como o nariz vai ficar, mas também preservar, e, quando necessário, tratar, aquilo que interfere na respiração. Forma e função precisam caminhar juntas”, conclui.


Fonte

Dr. Eduardo Landini Lutaif Dolci é sócio da Clínica Dolci Otorrinolaringologia e Cirurgia Estética Facial, em São Paulo; professor instrutor de ensino do Departamento de Otorrinolaringologia da Santa Casa de São Paulo; membro titular da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial; membro eleito da Comissão de Residência e Treinamento da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial; e membro titular da Academia Brasileira de Cirurgia Plástica da Face.

 

Condições de saúde orientam a cirurgia plástica no envelhecimento

Planejamento personalizado conecta os objetivos estéticos à preservação da autonomia


A idade, sozinha, não determina quem pode fazer uma cirurgia plástica, a indicação depende também das condições de saúde, da capacidade de recuperação e do procedimento desejado, o que permite avaliar possibilidades em diferentes etapas da vida. 

Para Alexandre Peruzzo, médico com formação em cirurgia plástica, da Clínica Dr. Alexandre Peruzzo, que atua em Porto Alegre com contorno corporal minimamente invasivo, medicina estética e acompanhamento individualizado, essa investigação permite integrar a mudança desejada ao cuidado com o organismo. “A cirurgia plástica deve ser uma oportunidade de o paciente se reaproximar da própria saúde”, afirma.


O que os anos vividos não revelam sobre o corpo

A idade cronológica corresponde ao tempo vivido desde o nascimento, embora relevante para a avaliação médica, ela não descreve, sozinha, a força muscular, a mobilidade ou o controle de doenças. Pessoas da mesma faixa etária podem apresentar diferenças importantes nesses aspectos e precisar de preparações distintas.

Já a condição fisiológica diz respeito ao funcionamento do corpo e à sua capacidade de responder ao esforço de uma operação. O cirurgião explica como essa diferença orienta a indicação. 

“Duas pessoas da mesma idade podem chegar ao consultório com condições muito diferentes. Por isso, precisamos conhecer o histórico de saúde, a força muscular, a alimentação e a rotina de cada uma. Envelhecer não significa, necessariamente, estar menos apto para uma cirurgia plástica. É essa avaliação que permite discutir as possibilidades de forma individualizada”, explica. 

Em publicação de janeiro de 2026, a Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos destacou que a avaliação de candidatos inclui o funcionamento do coração e dos pulmões, a capacidade de cicatrização, a atividade física e a manutenção da massa muscular. O apoio disponível durante a recuperação também faz parte dessa análise. 


O planejamento começa antes da operação

A consulta reúne os objetivos do paciente e seu histórico de saúde, medicamentos utilizados, alimentação e rotina de exercícios ajudam a orientar a investigação. Os exames complementares, quando indicados, acrescentam informações para definir a técnica e os cuidados necessários.

A composição corporal, que indica a distribuição de componentes como gordura e músculos no organismo, amplia essa leitura. O peso na balança não revela essas proporções. Conhecê-las permite discutir o contorno desejado junto à capacidade de movimento e às atividades que fazem parte da rotina.

As abordagens minimamente invasivas, que buscam limitar a intervenção sobre os tecidos, integram a atuação do médico quando adequadas ao caso. “O planejamento começa por entender o que a pessoa deseja e o que faz sentido para o seu corpo. A partir daí, avaliamos a técnica, a extensão da intervenção e os cuidados com a recuperação. Minha defesa das abordagens minimamente invasivas está ligada à busca pelo menor impacto possível sobre o organismo, sempre que houver indicação adequada”, destaca. 


Cuidar da aparência também faz parte do envelhecimento

O interesse por uma mudança estética pode acompanhar diferentes etapas da vida. A avaliação individualizada permite acolher esse desejo e discutir possibilidades compatíveis com a saúde e as expectativas de quem procura o consultório. Assim, a faixa etária integra o planejamento sem funcionar como uma resposta pronta sobre quem pode operar.

A conexão com a longevidade está na atenção à autonomia e à continuidade dos cuidados ao longo dos anos. O membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica relaciona essa perspectiva à sua prática. “Vejo a cirurgia plástica como uma oportunidade para aproximar o cuidado com a aparência da atenção à saúde. A consulta também permite conversar sobre alimentação, exercícios e preservação da massa muscular. A proposta é olhar para a mudança desejada sem perder de vista a autonomia e a rotina do paciente”, ressalta Peruzzo. 

A decisão de realizar uma cirurgia plástica pode, assim, partir de uma pergunta mais útil do que até que idade é possível operar: quais são as condições e os objetivos daquela pessoa? Ao reunir essas respostas, o planejamento individualizado permite considerar o cuidado estético em diferentes fases da vida, com atenção à saúde, à recuperação e à autonomia. 

 

Dr. Alexandre Peruzzo Cremers 26736 /Rqe 34441 - Dr. Alexandre Peruzzo é cirurgião plástico em 

Porto Alegre, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), mentor de médicos em gestão e marketing, proprietário de clínicas de alto padrão e ex-professor da ULBRA, onde atuou por cinco anos. Formado em Medicina em 2001 e em Cirurgia Plástica em 2008, construiu sua trajetória com foco em técnicas minimamente invasivas, recuperação rápida, personalização e integração entre estética, saúde e longevidade.
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Canetas emagrecedoras mudam perfil do lifting facial no Brasil

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Perda de peso acelerada leva pacientes mais jovens aos consultórios em busca de correção da flacidez e reposicionamento dos tecidos da face

 

A popularização das canetas emagrecedoras mudou a relação entre perda de peso e envelhecimento facial. Medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro ampliaram os resultados corporais em pouco tempo, mas também tornaram mais visível a flacidez facial. O fenômeno conhecido como rosto de Ozempic chega aos consultórios com queixas de aparência cansada, mandíbula caída e falta de volume.

O impacto aparece principalmente nos coxins adiposos, estruturas de gordura que sustentam bochechas, têmporas, mandíbula e região abaixo dos olhos. A retração cutânea não acompanha a mudança no mesmo ritmo, o que favorece sulcos profundos, papada e flacidez tecidual precoce. “O rosto tem compartimentos de gordura que funcionam como sustentação natural. Quando o paciente emagrece muito rápido, esses coxins adiposos diminuem e a pele perde apoio. O resultado pode ser uma face mais caída, com aspecto cansado, sulcos marcados e envelhecimento precoce, mesmo em pessoas mais jovens”, explica o cirurgião plástico David Di Sessa, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. 

A procura por lifting facial deixou de estar restrita a pacientes mais maduros. A cirurgia, antes associada a pessoas acima dos 50 anos, aparece cada vez mais frequente nos pacientes na casa dos 30 anos. O movimento acompanha a pressão estética das redes sociais, o emagrecimento medicamentoso e a busca por resultados mais naturais.

“Existe uma diferença importante entre emagrecer o corpo e preservar a harmonia do rosto. Aos 30 anos, o colágeno já começa a diminuir e a pele responde com menos elasticidade. Quando a perda de peso é muito rápida, a face pode envelhecer antes do tempo, porque volume, pele e sustentação deixam de acompanhar o mesmo processo”, enfatiza o cirurgião plástico. 

Esse novo comportamento explica a presença crescente de pacientes jovens interessados em minilifting, lifting facial e técnicas que tratam planos profundos da face. O objetivo não é alterar traços, mas reposicionar tecidos, recuperar o contorno e corrigir o excesso de pele. Em muitos casos, procedimentos dermatológicos isolados não conseguem compensar a perda estrutural provocada pelo emagrecimento acelerado.

“Bioestimuladores, lasers e preenchedores ajudam em quadros leves, mas eles não substituem a cirurgia quando existe queda real dos tecidos. O lifting facial reposiciona estruturas profundas e trata a flacidez de maneira mais efetiva. A indicação depende de avaliação individual, estabilidade do peso, qualidade da pele e grau de perda dos coxins adiposos”, completa o profissional.

Para Di Sessa, esses casos ajudam a ampliar a conversa, mas não devem substituir avaliação médica. Fotos, ângulos, maquiagem, idade, perda de peso e procedimentos anteriores podem mudar a percepção pública sobre um rosto. “O ponto central é entender que nem todo paciente terá flacidez intensa, e nem toda flacidez precisa de lifting facial”, alerta.

O avanço das canetas emagrecedoras cria uma nova etapa na medicina estética. A perda de peso deixa de ser avaliada apenas pelo corpo e passa a incluir o impacto sobre a face, o pescoço e a identidade visual do paciente. A tendência reforça a importância de acompanhamento médico, planejamento e indicação precisa antes de qualquer procedimento de rejuvenescimento facial.

“O paciente precisa ser avaliado de forma individual. Algumas pessoas recuperam bem a pele depois do emagrecimento, outras apresentam sobra cutânea e queda importante. O mais seguro é esperar o peso estabilizar, estudar a anatomia da face e indicar o tratamento adequado, sem transformar o lifting facial em uma solução automática”, conclui David Di Sessa. 


Segurança na estética: mudanças nas orientações sanitárias reforçam a importância da informação responsável

 Debate sobre normas e fiscalização do setor destaca a necessidade de compreender os cuidados envolvidos nos procedimentos estéticos.

 

A segurança dos procedimentos estéticos voltou ao centro das discussões do setor após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciar, em setembro, a suspensão temporária dos efeitos de uma nota técnica que orientava a atuação da vigilância sanitária em serviços de estética. A decisão ocorre durante a reavaliação do documento e não suspende as demais normas sanitárias aplicáveis.

O cenário reforça a importância de compreender que a segurança em estética envolve diferentes aspectos, como a regularidade dos serviços, a qualificação dos profissionais, a adequação dos procedimentos e o cumprimento das exigências sanitárias pertinentes.

Para Simone Duarte, enfermeira esteta e especialista em Terapias Injetáveis, a discussão sobre estética precisa considerar não apenas as tendências e as novidades do mercado, mas também a responsabilidade envolvida nas escolhas e na prestação dos cuidados.

“Quando falamos em procedimentos estéticos, é importante olhar além da tendência. A informação sobre o procedimento, a qualificação do profissional e os cuidados de segurança precisam fazer parte da decisão”, destaca Simone.

A atualização de orientações técnicas também evidencia a importância de acompanhar informações de fontes oficiais, especialmente em uma área que envolve procedimentos, produtos e diferentes exigências regulatórias.

“Uma escolha consciente começa com informação clara. O público precisa compreender o que está sendo proposto, quais cuidados estão envolvidos e por que é importante buscar profissionais habilitados para cada procedimento”, afirma a profissional.

O debate também chama a atenção para a necessidade de comunicação responsável por parte dos profissionais do setor. Informações sobre procedimentos devem ser claras, sem promessas de resultados garantidos ou alegações que não possam ser sustentadas por evidências.

Ao aproximar estética, saúde e bem-estar, a discussão sobre segurança contribui para ampliar a compreensão do público sobre a importância do cuidado individualizado e do respeito às normas aplicáveis.

 

Simone Duarte - enfermeira esteta e especialista em Terapias Injetáveis. Sua atuação está relacionada à estética, saúde e bem-estar, com foco no cuidado individualizado.


Base acumulando nos vincos, corretivo evidenciando as olheiras e blush que parece não valorizar mais o rosto como antes podem ter relação não apenas com o produto, mas com mudanças naturais da pele e da estrutura facial

 

Antes de trocar toda a maquiagem é importante considerar outra possibilidade: não foi necessariamente o produto que mudou. O rosto também mudou. Segundo Dra. Daiany Rodrigues Freire, enfermeira estética e biomédica, existe uma tendência de olhar para o envelhecimento facial apenas como aparecimento de rugas, mas ele é muito mais complexo. “Ao longo dos anos, acontecem alterações na qualidade e espessura da pele, na produção de colágeno, nos compartimentos de gordura e na sustentação da face. Então aquela maquiagem que era aplicada sobre um determinado contorno passa a ser aplicada sobre uma estrutura que já não é exatamente a mesma”, explica.
 

Quando a base começa a “entregar” o que mudou

Com o passar dos anos, a pele pode se tornar mais seca, fina ou apresentar mudanças de textura. Linhas que antes praticamente desapareciam com a maquiagem podem ficar mais evidentes quando recebem produto.

“O impulso muitas vezes é colocar mais base para esconder. Só que, dependendo da pele, acontece justamente o contrário: quanto mais produto, mais determinadas linhas e alterações de textura ficam aparentes”, afirma Daiany.

A preparação da pele, hidratação adequada, escolha da textura da maquiagem e proteção solar continuam fundamentais. Mas, quando a mudança é persistente, pode ser interessante observar se existe também uma alteração na própria qualidade da pele.
 

Por que o corretivo pode começar a marcar mais a olheira?

Nem toda olheira está relacionada apenas à pigmentação. Com o envelhecimento, alterações de volume e sustentação ao redor dos olhos e no terço médio da face podem criar sombras e transições mais marcadas.

Nesse caso, tentar camuflar tudo exclusivamente com corretivo pode não produzir o resultado esperado.

“Às vezes a paciente diz que a olheira ficou muito mais forte e que nenhum corretivo funciona. Quando avaliamos, percebemos que parte daquela aparência não é simplesmente uma mudança de cor. Existe uma questão de sombra, profundidade ou transição entre regiões do rosto. Maquiagem trabalha muito bem a cor, mas não consegue modificar uma alteração estrutural”, explica.
 

Até o lugar do blush pode parecer diferente

Muitas mulheres aprendem uma determinada maneira de passar blush e repetem a técnica durante anos. Mas o ponto que valorizava o rosto aos 25 ou 30 anos pode produzir uma percepção diferente aos 40, 50 ou 60. Isso acontece porque o rosto não envelhece apenas na superfície.

Ao longo dos anos, podem ocorrer alterações nos compartimentos de gordura, ligamentos, musculatura, pele e até na estrutura óssea. Essas transformações modificam gradualmente os contornos e a forma como luz e sombra incidem sobre a face.

“É por isso que gosto de dizer que não devemos olhar apenas para a ruga. O rosto é tridimensional. Às vezes a paciente aponta um sulco, mas aquele sulco é consequência de uma mudança que aconteceu em outra região”, afirma Daiany.
 

Não é preciso preencher tudo

Perceber essas mudanças, no entanto, não significa que toda mulher precise recorrer a procedimentos — e muito menos que a solução seja adicionar volume em todas as regiões. Para Daiany, esse é justamente um dos principais cuidados quando o objetivo é obter um resultado natural.

Dependendo da avaliação individual, podem ser considerados recursos voltados à qualidade da pele e estímulo de colágeno, como microagulhamento, radiofrequência microagulhada, laser de CO₂ fracionado e tratamentos regenerativos, enquanto outras situações podem demandar estratégias de reestruturação e suporte facial, incluindo o uso criterioso de ácido hialurônico.

A escolha deve considerar anatomia, idade, características da pele, histórico de tratamentos e o que realmente incomoda aquela pessoa.
 

Antes de trocar a maquiagem inteira, observe o seu rosto

Se a maquiagem começou a se comportar de maneira diferente, a especialista sugere primeiro investigar questões simples: a pele está mais ressecada? Houve mudança na rotina de skincare? Algum medicamento novo? Alterações hormonais? Perda importante de peso? Mudança de produto ou de técnica?

Também é importante lembrar que iluminação, câmeras de celular e filtros podem distorcer a percepção da própria aparência.

Mas, quando a mudança permanece e vem acompanhada de perda de firmeza, alterações de contorno ou maior percepção de sulcos e sombras, pode existir uma transformação estrutural natural por trás daquela sensação de que “nenhuma maquiagem funciona mais”.

“Ninguém precisa simplesmente parecer mais jovem, mas precisa entender o que mudou e, quando existe indicação, trabalhar essas mudanças preservando aquilo que faz aquele rosto ser reconhecido. Um bom resultado de procedimentos estéticos é quando as pessoas percebem que você está bem, mas não conseguem identificar exatamente o que você fez”, conclui Daiany. 



Dra. Daiany Freire - enfermeira e biomédica esteta, especialista em Reestruturação Facial e Estética Regenerativa. Possui pós-graduação em Enfermagem Estética pelo Nepuga e especialização em Estética e Cosmetologia com Ênfase em Raciocínio Clínico pela Univates, além de formação complementar com referências nacionais nas áreas de harmonização facial e estética regenerativa. É criadora da técnica Daimily Lips®, desenvolvida a partir de princípios anatômicos, proporção facial e individualização do preenchimento labial, com foco em resultados naturais e harmônicos.
Conselho Regional de Enfermagem (Coren) nº 72548
Conselho Regional de Biomedicina (CRBM nº 64.089
Enfermeira e biomédica com pós-graduação em Enfermagem Estética.
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Celulite eliminada por inteligência artificial: é possível alcançar o mesmo resultado com tratamentos estéticos?

“Uma foto editada não permite prever como a pele vai responder a um tratamento”, afirma Danuza Alves 

 

A edição de imagens por inteligência artificial ganhou mais espaço nos serviços pagos das redes sociais. Em setembro, a Meta anunciou o Meta One, assinatura que amplia o acesso a ferramentas de criação e edição, incluindo o Restyle no Instagram. Ao lado desses recursos mais amplos, existem aplicativos voltados a retoques específicos, como o Cellulite Remover PRO, que cobra assinatura para suavizar depressões da celulite nas fotos. A possibilidade de criar uma versão da própria pele com menos marcas levanta uma dúvida: até que ponto essa aparência pode ser alcançada por um tratamento?

 

Reconhecer o próprio corpo na fotografia retocada não transforma aquela imagem em uma previsão de resultado. A médica Danuza Alves (CRM-RS 36568 | CRM-SP 219399), referência no tratamento da celulite, explica que o retoque desconsidera informações decisivas para o planejamento clínico. “Uma foto editada não permite prever como a pele vai responder a um tratamento. O aplicativo suaviza a área selecionada, mas não avalia a profundidade das depressões, a presença de flacidez ou o que está provocando aquelas marcas. No consultório, são essas informações que ajudam a definir a melhora possível para cada pessoa”, afirma.

 

Além das características individuais da pele, há uma diferença de tempo: o retoque pode ser feito em segundos, enquanto o resultado de um procedimento depende da recuperação e da evolução dos tecidos. Inchaço e hematomas podem alterar temporariamente a aparência da região, e a avaliação do resultado precisa considerar essa etapa. Por isso, discutir a melhora desejada envolve esclarecer tanto o que pode ser modificado quanto o tempo necessário para acompanhar essa mudança.

 

Esse planejamento também distingue objetivos que o pincel de edição resolve com o mesmo gesto, mas que exigem abordagens diferentes na pele. Danuza explica a atuação da subcisão nas depressões associadas à tração dos septos fibrosos. “No GoldIncision, utilizamos a subcisão para liberar faixas fibrosas que puxam a pele para baixo em determinados pontos, buscando melhorar as depressões tratadas. Se houver flacidez associada, precisamos avaliar cuidados voltados à firmeza. O objetivo é estabelecer uma melhora possível para aquela paciente e acompanhar sua evolução, sem tomar uma fotografia retocada como promessa de resultado”, conclui. 

 

Danuza Alves (CRM-RS 36568 | CRM-SP 219399) - médica, diretora médica da Clínica Leger em Porto Alegre e atua no tratamento da celulite com o GoldIncision. Instagram: @dradanuzalves. Site: https://dradanuzaalves.com.br. 

Créditos: Imagem ilustrativa criada com inteligência artificial; interface fictícia | @dradanuzalves | @clinicaleger | CO ASSESSORIA


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