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Divulgação Villa |
Com regras mais rígidas sobre o uso de telas, proteção de dados e
combate ao cyberbullying, a nova legislação exige que o ambiente escolar vá
além do pedagógico e atue na segurança jurídica e emocional dos estudantes
Quarto escuro,
o brilho azul da tela refletido no rosto e o polegar que desliza
incessantemente, capturado pelas engrenagens de um algoritmo desenhado para
reter a atenção. Do outro lado da tela, uma notificação traz um comentário
hostil disfarçado de brincadeira. O cenário, comum na rotina de milhares de
crianças e adolescentes, ilustra exatamente os riscos que a Lei nº 15.211/2025, o ECA Digital, busca combater.
A nova
legislação impõe limites mais rigorosos ao chamado design viciante das
plataformas, estabelece regras rígidas para a proteção de dados de menores e
destaca a responsabilidade civil no ambiente virtual, transformando a segurança
digital em uma pauta importante.
Diante desse
novo panorama, as instituições de ensino enfrentam o desafio de formar cidadãos
preparados para a complexidade da era digital. Longe de ser um tema técnico ou
um discurso comercial, educar para o uso seguro da internet tornou-se um
compromisso pedagógico e social, que exige uma construção transparente e
contínua entre a escola e a comunidade.
Proteção
antecipada e cultura digital no currículo
No Colégio Villa Global Education, o cuidado com a segurança digital e a privacidade dos
estudantes não nasceu com a nova legislação. A proteção dos alunos já era uma
prioridade institucional consolidada muito antes de o ECA Digital entrar em
vigor. A escola integra a cultura digital como uma das sete dimensões essenciais de seu currículo desde a primeira infância,
ao lado de pilares como sustentabilidade, pensamento científico e a dimensão
socioemocional.
A proposta pedagógica
da instituição visa preparar o estudante para exercer uma cidadania ativa e
ética, promovendo a chamada “dieta digital”, termo para conscientizar os jovens
sobre a qualidade dos conteúdos que consomem.
Segundo a
diretora pedagógica Selma Brito: "o ECA digital reforça essa ideia, estendendo-a
ao ambiente virtual. O Villa, antecipando-se a essa discussão, já abordava a
cidadania digital em seu currículo, buscando compreender os desafios que a
relação entre pais e o mundo digital impõe”, detalha.
Na rotina
escolar, essa visão se traduz em medidas práticas que foram adotadas de forma
pioneira, como a restrição do uso de celulares em sala de aula antes mesmo de
decretos específicos e a aplicação de filtros rígidos de segurança na rede
interna. Além disso, o colégio trabalha transversalmente em suas turmas temas
como direitos autorais, checagem de fake
news, expressão adequada para
diferentes públicos e o pensamento computacional para a resolução de problemas
complexos.
Quando
a brincadeira se torna responsabilidade legal
Um dos pontos
sensíveis do novo ECA Digital é o tratamento rigoroso conferido a práticas como
o bullying e o cyberbullying, que deixam de ser vistas de forma branda e passam
a carregar implicações legais severas tanto para os autores quanto para os seus
responsáveis.
A escola
desempenha um papel crucial como o principal espaço de socialização coletiva
dos jovens na atualidade. Erros de convivência fazem parte do desenvolvimento
moral e social das crianças, mas a mediação precisa ser firme. Brito pontua a
importância de encarar esses episódios com maturidade pedagógica:
"O
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) enfatiza a importância de tratar
comportamentos inadequados, especialmente entre crianças e adolescentes, com a
seriedade que merecem, em vez de minimizá-los como brincadeiras”, conta.
Para dar
suporte a essa realidade, a instituição atualizou seu regimento interno e conta
com programas de convivência baseados no autoconhecimento e na ciência da
felicidade (através do Happiness Center), orientando as famílias a não minimizarem as falhas
dos filhos e a enxergarem o processo corretivo como um ato educativo.
Maturidade
jurídica e gestão de riscos
A adequação
aos parâmetros do ECA Digital e da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) exige
um corpo diretivo tecnicamente preparado. Recentemente, a equipe gestora do
colégio passou por treinamentos específicos voltados para a responsabilidade
civil e digital. De acordo com Beatriz
Farias, coordenadora jurídica do Villa, o
nível de maturidade institucional da escola em relação à privacidade facilitou
a transição para as regras da nova lei.
A especialista
reforça que a negligência de instituições de ensino diante do cenário digital
pode acarretar sérias consequências. Os principais riscos para as escolas que
não se adequam incluem a responsabilização jurídica por danos morais, sanções
regulatórias baseadas na LGPD e o prejuízo reputacional.
"A
atuação preventiva, especialmente envolvendo crianças e adolescentes, é muito
mais relevante do que a reação após o dano”, destaca Farias. O zelo com a
privacidade estende-se também ao controle rigoroso do uso de imagens em redes
sociais e eventos, exigindo autorizações contratuais detalhadas e o letramento
contínuo das próprias famílias para que também evitem expor outros menores de
idade em seus perfis pessoais.
"A
confiança das famílias é um ativo central para qualquer instituição de ensino,
e incidentes envolvendo crianças, especialmente no ambiente digital, têm alto
potencial de desgaste público”, detalha.
Diálogo
com a comunidade: o encontro temático
Como parte das
ações práticas para envolver a comunidade e acolher as famílias nessa
transição, o Colégio Villa promoveu a primeira edição do projeto PodVilla. O encontro teve como tema central "Educação na Era Digital: Direitos, Deveres e
Cuidados" e funcionou como um espaço de
acolhimento e orientação estratégica.
Com
a mediação da diretora pedagógica Selma Brito, o encontro reuniu a advogada Ionara Oliveira e a professora e delegada aposentada Kátia Brasil,
para alinhar as expectativas pedagógicas e as diretrizes jurídicas diante das
novas exigências do ECA Digital. O projeto conta com outras edições e novos
convidados que debatem temas voltados à educação e cuidado com crianças e
jovens.