Especialista afirma que a internet acelerou a
adultização infantil e defende ação urgente entre escola e família para
proteger crianças do abuso e do aliciamento online
O
Brasil registrou 13.462 casos de violência sexual contra vulneráveis apenas nos
três primeiros meses de 2026, segundo levantamento do Ministério da Justiça e
Segurança Pública (MJSP). O número representa uma média alarmante de
aproximadamente 150 ocorrências por dia no país.
Os
dados ganham ainda mais repercussão neste 18 de maio, Dia Nacional de Combate
ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, data que busca
conscientizar a população sobre a violência sexual infantil e incentivar
denúncias.
Além
do crescimento recente, os números revelam uma escalada preocupante nos últimos
anos. Em 2015, o Brasil registrou cerca de 19,4 mil casos de violência sexual
contra vulneráveis. Em 2025, esse número ultrapassou 59,3 mil ocorrências, mais
que triplicando em uma década.
Dados
da ONG Maio Laranja também mostram que, a cada hora, três crianças sofrem abuso
no Brasil. Mais da metade das vítimas têm entre 1 e 5 anos de idade. A
organização estima ainda que cerca de 500 mil crianças e adolescentes sejam
vítimas de exploração sexual todos os anos no país, mas apenas 7,5% dos casos
chegam oficialmente às autoridades.
Para
Mariana Ruske, Pedagoga Especialista em Neurociência Fundadora da Senses
Montessori School, os números refletem uma realidade que vai além da violência
física e exige atenção também para o ambiente digital.
“A
internet se tornou mais um território de risco. Crianças expostas precocemente
a conteúdos sexualizados apresentam maiores índices de ansiedade, depressão e
distorção da autoimagem. O problema é que muitos adultos ainda enxergam isso
como entretenimento inocente, quando na verdade estamos falando de impactos
profundos no desenvolvimento emocional e neurológico.”
Segundo
Mariana, o processo de adultização infantil tem acontecido cada vez mais cedo,
impulsionado pelo livre acesso às redes sociais, conteúdos inadequados e
ausência de supervisão digital.
“A
infância está sendo acelerada. Hoje vemos crianças preocupadas com aparência,
validação externa e comportamento de adultos antes mesmo de terem maturidade
emocional para lidar com isso.”
A
especialista afirma que a escola pode ajudar, mas reforça que a
responsabilidade não pode ser transferida apenas para o ambiente escolar.
“A
escola consegue orientar, criar espaços de conversa e trabalhar educação
digital. Mas, ela não substitui presença familiar. Proteção exige vínculo,
diálogo e acompanhamento constante.”
Mariana
também chama atenção para sinais que podem indicar exposição inadequada ou até
situações de risco, como mudanças bruscas de comportamento, isolamento,
ansiedade excessiva com aparência, vocabulário sexualizado e consumo escondido
de conteúdos online.
“A
exposição à pornografia e ao aliciamento virtual não é apenas preocupante. É
uma violência silenciosa que vem moldando o comportamento de crianças e
adolescentes.”
Ela
defende que o Brasil avance em políticas mais firmes de proteção digital na
infância e alerta que o problema já se tornou uma questão coletiva de saúde
emocional e segurança infantil.
“A
indústria da pornografia, do aliciamento e da monetização da atenção infantil
movimenta bilhões. Quem ainda acredita que isso não impacta diretamente nossas
crianças está ignorando uma realidade muito séria.”
Sinais de alerta que merecem atenção
-Mudanças bruscas
de comportamento
-Isolamento e medo excessivo
-Ansiedade com aparência física
-Linguagem sexualizada incompatível com a idade
-Queda no rendimento escolar
-Uso escondido ou compulsivo de celulares e redes sociais
-Alterações no sono e irritabilidade
ONDE DENUNCIAR
Casos
suspeitos de abuso ou exploração sexual infantil podem ser denunciados
anonimamente pelo Disque 100.


