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quinta-feira, 30 de julho de 2026

ViaRio interdita temporariamente acesso da Avenida Brasil à Transolímpica para obra de infraestrutura da nova Base da Polícia Militar

Intervenção será realizada no período noturno, das 00h de sexta (31) às 2h de sabádo (01). Objetivo é minimizar impactos no tráfego e garantir a segurança de motoristas e equipes de trabalho

 




A ViaRio informa que realizará, na próxima sexta-feira (31), entre 00h e 2h de sábado (01), uma interdição total temporária do acesso da Avenida Brasil para a Transolímpica, no sentido Recreio dos Bandeirantes, para a execução de uma obra de infraestrutura. A operação ocorrerá no período noturno, com duração estimada de até duas horas. Em caso de condições climáticas adversas, a operação será adiada e uma nova data será divulgada oportunamente.

A intervenção consiste na implantação de um eletroduto destinado à alimentação elétrica da Base da Polícia Militar que está sendo construída na Transolímpica. Para a realização do serviço, será necessário executar um corte transversal no pavimento, ocupando toda a largura da pista de acesso.

Durante a atividade, o acesso permanecerá totalmente bloqueado, uma vez que a configuração da obra impossibilita a manutenção de faixas de circulação simultaneamente, sem comprometer a segurança dos usuários e das equipes envolvidas.

 

Além de contribuírem para um ambiente mais agradável, algumas espécies podem ser utilizadas no preparo de chás e infusões


A umidade relativa do ar em queda em diversas regiões do país, aumenta as queixas de nariz ressecado, garganta irritada, tosse seca e desconforto respiratório. Embora beber água continue sendo a principal recomendação, algumas plantas podem se tornar aliadas para tornar os ambientes mais agradáveis e incentivar hábitos de autocuidado durante esse período.

Segundo o farmacêutico homeopata Jamar Tejada, as plantas não substituem medidas como hidratação adequada, lavagem nasal com soro fisiológico e acompanhamento médico quando necessário, mas podem fazer parte de uma rotina de bem-estar.

"As plantas ajudam a criar ambientes mais acolhedores e estimulam uma conexão maior com o cuidado diário. Algumas espécies também podem ser utilizadas em infusões, tornando a hidratação mais prazerosa. O importante é conhecer suas características e utilizá-las de forma segura", explica.
 

5 plantas que aliviam o tempo seco

Embora não aumentem sozinhas a umidade do ar de forma significativa, plantas liberam vapor d'água naturalmente por meio da transpiração e podem contribuir para uma sensação maior de conforto quando associadas a outras medidas.

Entre as espécies indicadas para ambientes internos estão:

  • Lírio-da-paz – adapta-se bem a ambientes internos e aprecia locais com luminosidade indireta.
  • Samambaia – conhecida por gostar de ambientes úmidos, ajuda a criar uma atmosfera mais fresca.
  • Jiboia – resistente, fácil de cultivar e bastante utilizada em apartamentos.
  • Areca-bambu – uma das plantas mais populares para ambientes internos.
  • Clorofito – de fácil manutenção e ideal para quem está começando a cultivar plantas.

"O principal benefício dessas plantas é incentivar um ambiente mais agradável e lembrar as pessoas da importância de cuidar da qualidade do espaço onde vivem e trabalham", afirma o especialista.


Da janela para a xícara

Além dos vasos espalhados pela casa, algumas plantas podem fazer parte da rotina em forma de chás e infusões, contribuindo para aumentar a ingestão de líquidos durante os dias secos.

Jamar destaca algumas opções tradicionalmente utilizadas:


Camomila

Como usar:
Prepare uma infusão com 1 colher de sopa das flores secas para uma xícara (200 ml) de água quente. Tampe e deixe descansar por cerca de 5 a 10 minutos antes de coar. Pode ser consumida morna, especialmente no período da noite, como parte de um ritual de relaxamento antes de dormir.


Erva-cidreira (capim-limão)

Como usar:
Utilize uma ou duas folhas frescas (ou 1 colher de sopa da planta seca) em uma xícara de água quente. Deixe em infusão por aproximadamente 10 minutos. Também pode ser preparada em maior quantidade e mantida na geladeira para consumo ao longo do dia, sem açúcar ou com pouco adoçante.


Hortelã

Como usar:
As folhas frescas podem ser utilizadas em infusão quente ou adicionadas diretamente à água para preparar uma bebida aromatizada. Também combinam com rodelas de limão, laranja ou pepino, tornando a hidratação mais agradável durante os dias de tempo seco.


Gengibre

Como usar:
Fatie cerca de 2 a 3 centímetros da raiz fresca e deixe ferver em água por 5 a 10 minutos. Depois, desligue o fogo e, se desejar, acrescente algumas gotas de limão. A bebida pode ser consumida quente nos dias frios ou resfriada para consumo ao longo do dia.


Hibisco

Como usar:
Faça uma infusão com aproximadamente 1 colher de sopa das flores secas em 500 ml de água quente por 5 a 10 minutos. Depois de coar, pode ser servido quente ou gelado. Também pode ser combinado com frutas, como maçã, laranja ou canela, para variar o sabor.

"O chá não substitui a água, mas pode ser um excelente aliado para quem tem dificuldade em manter uma boa hidratação. O importante é variar as opções e evitar o excesso de açúcar", orienta. O farmacêutico ainda lembra que nem toda planta é própria para consumo e que o uso indiscriminado de ervas pode trazer riscos. 

"Algumas plantas apresentam contraindicações para gestantes, crianças, pessoas com doenças crônicas ou que fazem uso contínuo de medicamentos. Natural não significa isento de efeitos. Sempre que houver dúvida, vale buscar orientação de um profissional de saúde”, conclui Jamar Tejada 

 

Jamar Tejada - Farmacêutico graduado pela Faculdade de Farmácia e Bioquímica pela Universidade Luterana do Brasil, RS (ULBRA), Pós-Graduação em Gestão em Comunicação Estratégica Organizacional e Relações Públicas pela USP (Universidade de São Paulo), Pós-Graduação em Medicina Esportiva pela (FAPES), Pós-Graduação em Comunicação com o Mercado pela ESPM, Pós-Graduação em Formação para Dirigentes Industriais com Ênfase em Qualidade Total - Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul-(UFRGS) e Pós-Graduação em Ciências Homeopáticas pelas Faculdades Associadas de Ciências da Saúde. Proprietário e Farmacêutico Responsável da ANJO DA GUARDA Farmácia de manipulação e homeopatia desde agosto 2008. tejard


É possível evitar o câncer? Entenda o impacto do estilo de vida no desenvolvimento da doença

Pesquisa aponta que parte dos brasileiros ainda desconhece os principais fatores de risco para as doenças cancerígenas. Oncologista do Hospital São José aponta caminho para reduzir riscos.

 

Apesar de também ser influenciado por fatores genéticos, o câncer pode ser o resultado de diversos tipos de comportamentos individuais ao longo da vida. Entretanto, uma pesquisa realizada pelo Observatório da Saúde Pública aponta que 25% dos brasileiros desconhecem que o câncer é uma doença possível de ser prevenida. De outro lado, 48,3% enxergam o sedentarismo como um fator de risco e apenas 27,5% reconhecem a carne vermelha como um item capaz de aumentar as chances da doença. No âmbito da alimentação, a relação acontece da seguinte forma: refrigerante (55,3%), baixa ingestão de frutas e verduras (53,3%), bebidas alcoólicas (71,3%), alimentos embutidos (70,7%) e ultraprocessados (65,6%). 

Diante desses dados, o Dr. Carlos Frederico, oncologista do Hospital São José, explica que as questões comportamentais e ambientais influenciam mais no desenvolvimento do câncer do que a própria herança genética do paciente. 

“85% dos tumores malignos surgem após alterações genéticas sucessivas ao longo da vida, gerada por inúmeros fatores ambientais e comportamentais. Já na menor parcela, representada por 15% dos casos, as mudanças são hereditárias”, explica. 

Segundo o oncologista, cerca de 38% dos cânceres podem ser prevenidos atualmente se as pessoas evitarem os fatores de risco e seguirem estratégias de prevenção baseadas em evidência. Além disso, muitos tipos de câncer apresentam alta probabilidade de cura quando são diagnosticados de forma precoce, seguindo o tratamento adequado. Isso porque a detecção precoce permite melhores resultados de sobrevida, tratamentos mais simples e com menores consequências. 

Os principais fatores de risco são:

  • Tabagismo: uso de cigarro, charuto, cachimbo, rapé, narguilé e cigarro eletrônico. Os dois primeiros aumentam o risco de desenvolver câncer na boca, faringe, laringe e esôfago.
  • Consumo de álcool: o alcoolismo contribui para o desenvolvimento de tumores na cavidade bucal, esôfago, estômago, fígado, intestino e mama.
  • Alimentação inadequada: associada, principalmente, ao desenvolvimento do câncer na mama, cólon, reto, próstata, esôfago e estômago. Carnes processadas, defumadas, curadas ou salgadas, e embutidos, como salsicha, linguiça, mortadela e salame possuem agentes cancerígenos e devem ser evitados.
  • Sedentarismo: eleva o risco de desenvolver diversas doenças crônicas, incluindo o câncer. A alimentação saudável e a prática regular de exercícios físicos são capazes de prevenir 30% dos casos de câncer no país.
  • Radiação solar: a exposição aos raios ultravioleta em horários de alta radiação é apontada como a principal causa do surgimento ao câncer de pele, que equivale a cerca de 32% dos tumores diagnosticados no país.
  • Infecções crônicas: aproximadamente 10% dos cânceres diagnosticados em 2022 no mundo foram atribuídos a infecções carcinogênicas, incluindo Helicobacter pylori, papilomavírus humano (HPV), vírus da hepatite B, vírus da hepatite C e vírus Epstein-Barr. 
     

Por isso, para se prevenir de forma adequada, é importante evitar práticas que podem levar ao desenvolvimento da doença. “Adotar hábitos saudáveis no dia a dia é a ferramenta mais poderosa que temos. Diga não ao tabagismo, tenha uma alimentação equilibrada com fibras, frutas, legumes e antioxidantes, evitando alimentos cancerígenos, modere o consumo de álcool, pratique atividade física regularmente e procure se proteger do sol”, recomenda o Dr. Carlos Frederico.

Pensando na proteção contra as infecções crônicas, é preciso priorizar a imunização com vacinas eficazes. A vacina contra o HPV, por exemplo, auxilia na proteção contra o câncer de colo de útero, pênis, anus, garganta e vulva. Já a vacina contra a Hepatite B ajuda a evitar a infecção pelo vírus que causa inflamação crônica no fígado, uma das principais vias para o câncer hepático. Além disso, é fundamental incluir a realização de exames de rastreamento de rotina no calendário anual, como mamografia, papanicolau, colonoscopia e exames de próstata (PSA e toque retal).


Médico brasileiro integra grupo internacional que atualizou classificação da Neoplasia Trofoblástica Gestacional


A Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) publicou a atualização do sistema de diagnóstico, estadiamento e classificação prognóstica da Neoplasia Trofoblástica Gestacional (NTG), documento que passa a orientar o manejo da doença em todo o mundo. Entre os autores da publicação está o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ), Antônio Braga, integrante do grupo internacional de especialistas responsável pela revisão das recomendações. 

A atualização foi elaborada pelo Comitê de Câncer da Mulher da FIGO, que reuniu especialistas de diferentes países e contou com a participação de sociedades científicas e organizações internacionais. Antônio Braga, que assumirá a presidência da Sociedade Mundial de Doença Trofoblástica Gestacional em novembro deste ano, integrou a subcomissão como representante da América do Sul, ao lado de especialistas da Ásia, Europa, América do Norte e Oceania. O documento foi aprovado durante o Congresso Mundial da FIGO, realizado em 2025, na África do Sul. 

Segundo o presidente do CREMERJ, a revisão teve como objetivo atualizar os critérios diagnósticos, padronizar métodos de investigação e esclarecer interpretações equivocadas e dificuldades identificadas ao longo da aplicação do sistema de estadiamento e do escore prognóstico utilizado desde 2000. 

"Com a divulgação dessa nova diretriz médica, a mais importante nessa área, temos a convicção de que as mulheres acometidas por esse tumor da gestação terão maiores chances de receber um tratamento adequado, alcançar a cura e, quando liberadas do acompanhamento e assim desejarem, engravidar novamente", afirma Antônio Braga. 

Para ele, participar da elaboração de uma diretriz da FIGO representa o reconhecimento da capacidade da medicina brasileira de contribuir para a definição dos padrões internacionais de cuidado. 

"Não se trata apenas de acompanhar o conhecimento produzido em outros países, mas de participar ativamente da sua construção. Na área da Neoplasia Trofoblástica Gestacional, o Brasil possui uma das maiores experiências clínicas do mundo, fruto do trabalho desenvolvido por centros de referência e de uma tradição consolidada em assistência, ensino e pesquisa. Levar essa experiência para uma diretriz adotada internacionalmente significa dar visibilidade à produção científica brasileira e assegurar que a realidade de países com diferentes níveis de desenvolvimento também seja considerada na formulação das recomendações. Para mim, como médico brasileiro e presidente do CREMERJ, foi uma grande honra integrar esse grupo internacional de especialistas, cujo trabalho foi fundamentado nas melhores evidências científicas disponíveis e na experiência acumulada no tratamento de milhares de mulheres ao longo de mais de duas décadas de dedicação à assistência, ao ensino e à pesquisa. Espero que essa atualização contribua para que pacientes de todo o mundo tenham acesso a um diagnóstico mais preciso, a um tratamento mais adequado e, consequentemente, a maiores chances de cura e de preservação da fertilidade, quando isso for possível.", afirmou Antônio Braga. 

Entre as principais mudanças introduzidas pela nova classificação estão a definição mais precisa dos critérios diagnósticos, a atualização das recomendações para exames de imagem, ajustes no estadiamento anatômico, a revisão de componentes do escore prognóstico e a criação de uma nova categoria de ultra-alto risco, que prevê tratamento quimioterápico mais intensivo desde o início, com o objetivo de maximizar as chances de cura.

Na conclusão, os autores destacam que a atualização busca fortalecer a padronização internacional do diagnóstico, da classificação e da avaliação prognóstica da Neoplasia Trofoblástica Gestacional, além de favorecer a produção de dados comparáveis entre centros de pesquisa e aprimorar a assistência às pacientes. O artigo recomenda a adoção do novo sistema por todos os profissionais envolvidos no tratamento da doença em todo o mundo.

Acesse o artigo
aqui.


Agosto Lilás: Especialista alerta que ameaças e abusos psicológicos dentro de casa são os primeiros sinais da violência doméstica

Com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 apontando quase 800 mil registros de ameaças e alta nos descumprimentos de medidas protetivas, especialista em Crimes de Gênero orienta como proteger a integridade da mulher e da família.
 

O mês de agosto marca a campanha nacional do Agosto Lilás, período dedicado à conscientização e ao combate à violência contra a mulher. No ambiente doméstico, a convivência familiar muitas vezes esconde sinais de abusos que começam de forma silenciosa e gradual. Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2026) revelam que, em 2025, o Brasil registrou 788.531 casos de ameaças contra mulheres e 60.830 ocorrências de violência psicológica. Apenas no ano passado, foram contabilizados 132.025 registros de descumprimento de Medidas Protetivas de Urgência no país, um crescimento de 16,7% em relação ao período anterior.

Diante desses indicadores nacionais, a advogada criminalista e especialista em Direito da Mulher Mariana Rieping analisa que o conhecimento dos direitos e a identificação precoce das agressões verbais ou psicológicas são passos decisivos para interromper ciclos de abusos dentro do lar. "A violência raramente começa com uma agressão física evidente. Na maioria das vezes, ela se manifesta primeiro pelo controle, pelas humilhações no dia a dia, pelas ameaças veladas e pelo isolamento da mulher de seus amigos e familiares. Compreender que o desrespeito constante e a chantagem emocional constituem violações de direitos é o primeiro passo para que a vítima consiga buscar ajuda e reestruturar sua vida com segurança", explica Rieping. 

Ainda segundo a especialista, o ambiente familiar deve ser um espaço de segurança, e a percepção dos primeiros comportamentos abusivos é fundamental para resguardar a vida da mulher e o bem-estar dos filhos.
 

Como identificar os sinais de risco e as formas de violência

Para que a mulher consiga romper o ciclo de abusos, é fundamental saber reconhecer que a violência doméstica vai muito além da agressão física. A violência psicológica, prevista como crime desde 2021, manifesta-se por meio de ameaças, xingamentos, humilhações, manipulações, isolamento e chantagens emocionais que minam a autoestima e a saúde mental da vítima.

“Quando falamos de violência patrimonial, estamos nos referindo a quando o companheiro controla ou esconde o dinheiro da mulher, destrói seus bens, objetos de trabalho ou documentos pessoais para impedir sua independência. Há também a violência moral, caracterizada por calúnias e ofensas à reputação, e a violência sexual, quando a mulher é impedida de usar métodos contraceptivos ou é forçada a atos íntimos indesejados, por exemplo”, aponta Rieping. De acordo com a advogada, identificar esses comportamentos no cotidiano é a chave para perceber o escalonamento do risco antes que o conflito atinja proporções mais graves.


A importância das Medidas Protetivas e o apoio à família

A legislação brasileira garante mecanismos específicos de salvaguarda, como as Medidas Protetivas de Urgência previstas na Lei Maria da Penha. Esses instrumentos jurídicos podem determinar o afastamento imediato do agressor do lar, a proibição de contato ou aproximação da vítima e de seus familiares, além de fixar a prestação de alimentos provisórios para os filhos. 

Para Mariana Rieping, a busca por orientação técnica qualificada desde os primeiros episódios de conflito permite que os pedidos de proteção sejam encaminhados de forma ágil e precisa ao Poder Judiciário, oferecendo respaldo jurídico seguro para a mãe e para as crianças. "As medidas protetivas foram criadas para impedir que o conflito se agrave. Quando a mulher conta com uma orientação jurídica atenta e humanizada, ela compreende que a lei existe para amparar a família e que denunciar não significa desestruturar o lar, mas sim proteger aquela família", destaca a criminalista.
 

Onde buscar apoio e orientação

Para garantir a segurança no cotidiano doméstico, a sociedade civil e os órgãos públicos mantêm canais de atendimento gratuitos, sigilosos e de funcionamento contínuo em todo o Brasi. Entre eles está a Central de Atendimento à Mulher, acessível pelo número 180, que presta orientação jurídica e encaminhamento à rede de proteção, além do 190 da Polícia Militar, canal indicado para situações de emergência ou risco iminente. As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM), a Defensoria Pública e o suporte de advogados especializados constituem estruturas fundamentais para requerer medidas de urgência ao Poder Judiciário.

"Buscar ajuda nos primeiros sinais não é um sinal de fraqueza, mas um ato de coragem capaz de salvar vidas. Nenhuma mulher precisa enfrentar o medo ou a incerteza sozinha, pois a rede de apoio e os instrumentos legais estão à disposição para garantir dignidade e proteção à vítima de violência doméstica e à sua família", reforça a especialista.
 

Mariana Rieping - Advogada criminalista (OAB/PR nº 119.933), especialista em Direito Penal e Processo Penal e em Direito das Mulheres, com ênfase em Violência Doméstica e Familiar. Atuou por mais de 11 anos como servidora pública e assessora de magistrados no Tribunal de Justiça do Estado do Paraná em matéria cível e criminal. Atua na condução de advocacia artesanal, individualizada, estratégica e humanizada, oferecendo consultoria e assistência jurídica integral a mulheres em situação de vulnerabilidade.



Próteses para pessoas amputadas: como funciona no SUS e em planos de saúde

A amputação de um membro não encerra o tratamento médico do paciente. Depois da cirurgia, começa uma etapa igualmente importante: a reabilitação destinada a recuperar mobilidade, equilíbrio, autonomia e participação social. O tema envolve alguns questionamentos com relação ao atendimento a esse tipo de ocorrência junto ao Sistema Único de Saúde e aos planos de saúde, que serão detalhados a seguir. 

É fundamental, primordialmente, saber que a prótese não deve ser compreendida como um acessório corporal, mas um instrumento de tratamento e tecnologia assistiva essencial para que a pessoa amputada possa caminhar, trabalhar, realizar atividades cotidianas e reduzir o risco de novas complicações. 

O tratamento pode envolver próteses convencionais, encaixes personalizados, joelhos hidráulicos ou controlados por microprocessadores, pés protéticos de resposta dinâmica, sistemas de osseointegração e acompanhamento multidisciplinar com fisioterapia, adaptação e treinamento de marcha. Esses são elementos que compõem a integridade do direito à saúde. 

Sobre esse fator, inclusive, vale lembrar que a Constituição Federal reconhece a saúde como direito de todos e dever do Estado. Isso significa que União, estados e municípios possuem responsabilidade pela assistência necessária à recuperação e à reabilitação das pessoas com deficiência. 

Esse dever não se limita à entrega de qualquer equipamento. A prótese precisa ser adequada às condições clínicas e funcionais do paciente. Há casos em que a prótese padronizada não se adapta ao coto, provoca dores, feridas, escoriações, instabilidade, quedas ou sobrecarga de outras partes do corpo. Nessas situações, relatórios médicos e avaliações técnicas podem demonstrar a necessidade de manutenção, substituição ou fornecimento de um modelo diferente. 

O campo jurídico tem sido utilizado para a preservação de tal direito. Em novembro de 2025, por exemplo, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) manteve decisão que determinou a substituição de próteses de membros inferiores fornecidas pelo SUS porque os equipamentos estavam desgastados, apresentavam encaixe defeituoso e provocavam lesões no paciente. A decisão também assegurou adaptação, manutenção inicial e acompanhamento técnico. 

O caso mostra que a reabilitação não se resume à entrega de uma prótese. Sem ajuste, treinamento e acompanhamento, o equipamento pode não cumprir sua função e até agravar a condição de saúde. 

Já com relação aos planos de saúde, a obrigação depende das características de cada contrato, do tipo de prótese e da relação do equipamento com o tratamento realizado. 

A Lei dos Planos de Saúde permite a exclusão de próteses que não estejam ligadas a um ato cirúrgico. Entretanto, essa regra não autoriza a negativa indiscriminada de qualquer equipamento utilizado por pessoas amputadas. 

Em 2020, o Superior Tribunal de Justiça determinou que uma operadora fornecesse nova prótese a um paciente que havia perdido a perna em um acidente. A primeira prótese provocava dores e lesões e poderia levar a uma nova intervenção cirúrgica. O tribunal considerou que a substituição integrava, por decorrência natural, o tratamento da amputação. 

A análise, contudo, é individual. Existem também decisões que admitem a exclusão quando a prótese externa não possui vínculo suficientemente demonstrado com o ato cirúrgico ou quando o modelo solicitado apresenta funcionalidades predominantemente esportivas ou adicionais, sem prova de sua imprescindibilidade para a vida cotidiana. 

Por isso, não é correto afirmar que todo plano está automaticamente obrigado a custear qualquer prótese. O ponto central é saber se o equipamento foi prescrito como parte necessária da reabilitação e se existe justificativa médica para as características técnicas solicitadas. 

Nessa temática, há um outro questionamento: a ausência no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) encerra a discussão? 

A resposta é não necessariamente. Desde a Lei nº 14.454/2022, o rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar é considerado uma referência básica. Tratamentos não incluídos podem ter cobertura obrigatória quando houver comprovação científica de eficácia e plano terapêutico, ou recomendação da Conitec ou de órgão de avaliação de tecnologias em saúde reconhecido internacionalmente. 

A ausência de determinada tecnologia no rol, portanto, não deve ser analisada isoladamente. É necessário verificar a indicação médica, as evidências científicas, as alternativas disponíveis e a situação concreta do paciente. 

Para avaliar o direito ao fornecimento da prótese, um dos itens mais relevantes é o relatório médico. Ele deve ser detalhado, precisa informar o tipo de amputação, as condições do coto, as limitações funcionais e os problemas provocados pela prótese atualmente utilizada. Também deve explicar o motivo de a tecnologia solicitada ser necessária, quais alternativas foram tentadas, quais são os riscos da demora e quais ganhos funcionais são esperados. 

Quando houver indicação de marca ou modelo específico, o profissional deve apresentar uma justificativa técnica, demonstrando que as características do componente são indispensáveis e que não existe alternativa equivalente capaz de atender o paciente. 

Além do relatório, são relevantes a negativa formal do plano ou do órgão público, os protocolos administrativos, exames, avaliações fisioterápicas, fotografias clínicas autorizadas, orçamentos e documentos que comprovem os prejuízos funcionais. 

Outro ponto que gera bastante dúvida por parte dos pacientes é se o processo de reabilitação também faz parte do tratamento. A resposta é sim, já que o simples fornecimento do equipamento pode ser insuficiente. A pessoa amputada normalmente necessita de fortalecimento muscular, treinamento de equilíbrio, adaptação ao encaixe, aprendizado de marcha, ajustes periódicos e acompanhamento por profissionais especializados. Sem esses cuidados, mesmo uma prótese tecnicamente adequada pode não produzir o resultado esperado. É justamente por essa razão, pedidos administrativos e judiciais podem abranger não apenas a entrega do equipamento, mas também a adaptação, a manutenção, a fisioterapia e o acompanhamento necessários à sua utilização segura. 

Há que se ter em mente que mobilidade não é luxo. Uma prótese funcionalmente adequada representa a possibilidade de voltar a caminhar, trabalhar, cuidar da própria rotina e participar da vida familiar e comunitária. É o cuidado à saúde que se traduz em qualidade de vida. 

A discussão jurídica não deve ser reduzida ao preço do equipamento ou à sua inclusão em uma tabela administrativa. O que está em análise é a efetividade do direito à saúde, à reabilitação, à acessibilidade e à dignidade da pessoa com deficiência. 

Obviamente, cada situação deve ser examinada individualmente. O direito dependerá dos documentos médicos, da tecnologia prescrita, das alternativas existentes, das condições do contrato e dos motivos apresentados pelo SUS ou pela operadora para a negativa. 

A informação adequada é o primeiro passo para que a pessoa amputada compreenda que uma recusa administrativa não encerra necessariamente a análise de seu direito.

 

Ricardo Menegatto - advogado especializado em direito do consumidor e sócio do escritório Menegatto Advogados

 

Tiago Simões Leite alerta para epidemia de obesidade infantil

Médico estuda o tema desde 2008 e, com dados de 2025 e 2026, convoca pais, médicos e gestores públicos a agir antes que a próxima geração chegue à adolescência já doente

 

Em 2008, o pediatra Tiago Simões Leite trabalhava como médico da Atenção Básica e Saúde da Família na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) quando encontrou um paradoxo no Conjunto Felicidade, comunidade de Belo Horizonte. O programa Fome Zero celebrava a redução da desnutrição no país, mas metade dos moradores atendidos no centro de saúde local apresentava sobrepeso ou obesidade. Incluindo crianças. Mais grave: 82,9% dos atendimentos médicos na unidade se relacionavam com alterações causadas pelo excesso de peso.  

"O que mudou desde então é a escala. O que era um achado em uma comunidade de Belo Horizonte tornou-se a realidade de um terço das crianças e adolescentes brasileiros. O que não mudou é a resposta do sistema de saúde: ainda fragmentada, ainda reativa, ainda voltada ao tratamento das consequências em vez da prevenção das causas", avalia Tiago Simões Leite, pediatra e mestre em Saúde da Criança e Adolescente pela UFMG.

 

Primeiro estudo já era um alerta de saúde pública 

O estudo, orientado pela professora Cristina Maria Martins e intitulado "Fome Zero, Obesidade 50%: uma realidade assustadora", foi apresentado em 2011. Na época, os dados foram recebidos com ceticismo por setores que ainda viam a obesidade como problema restrito a países desenvolvidos. 

Tiago Simões Leite seguiu cruzando dados nos anos seguintes, em paralelo à atuação como coordenador de pediatria em hospitais de Minas Gerais e como professor de medicina em instituições como UniBH e Faculdade de Medicina de Barbacena.

 

O que os dados de 2025 e 2026 revelam 

Quinze anos após o primeiro alerta do pediatra, a obesidade infantil deixou de ser projeção para se tornar a principal forma de má nutrição entre crianças em idade escolar no planeta.

Segundo relatório do UNICEF divulgado em setembro de 2025, pela primeira vez na história a obesidade superou a desnutrição entre crianças e adolescentes de 5 a 19 anos. São 188 milhões de jovens com obesidade no mundo — 1 em cada 10 nessa faixa etária. O total de crianças e adolescentes acima do peso chega a 391 milhões. 

No Brasil, o quadro segue a mesma curva. Os dados mais recentes do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), compilados no Panorama da Obesidade em Crianças e Adolescentes do Instituto Desiderata, mostram que: 

  • 33% das crianças e adolescentes brasileiros de 0 a 19 anos (cerca de 6,8 milhões de pessoas) estão com excesso de peso.
  • Entre adolescentes de 10 a 19 anos, 1 em cada 3 tem excesso de peso: 2,6 milhões de jovens (1,5 milhão com sobrepeso, 840 mil com obesidade e 237 mil com obesidade grave).
  • Em uma década, o sobrepeso nessa faixa etária subiu quase 9 pontos percentuais. 

O Atlas Mundial da Obesidade de 2026, citado pelo Hospital de Clínicas da Unicamp, aponta 7 milhões de crianças e adolescentes brasileiros entre 5 e 19 anos com obesidade. A Federação Mundial de Obesidade (WOF) projeta que, mantida a tendência atual, metade das crianças no Brasil estará com sobrepeso em 2035.

 

Diabetes tipo 2: a doença de adulto que chegou à infância 

Um dos pontos centrais do trabalho de Tiago Simões Leite era a relação entre obesidade e diabetes na população que ele acompanhava. Em 2025, essa correlação se concretizou em escala nacional. 

A diabetes tipo 2, até recentemente considerada doença de adultos, avança entre crianças e adolescentes brasileiros. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo em julho de 2025, o crescimento de casos está diretamente ligado à obesidade infantil, ao sedentarismo e à puberdade precoce. O Observatório de Saúde na Infância (Observa Infância) da Fiocruz já havia identificado, em 2023, que o Brasil possuía quase três vezes mais crianças de até 5 anos com excesso de peso do que com desnutrição.

 

Ultraprocessados e a arquitetura da epidemia 

O relatório do UNICEF de dezembro de 2025 reforça o que o pediatra mineiro indicava em seu trabalho: o ambiente alimentar é o motor da epidemia. A revisão global publicada pela agência mostra que o consumo de ultraprocessados aumenta entre crianças e adolescentes no Brasil e no mundo. 

O Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani), conduzido pela UFRJ entre 2019 e 2020, revelou que 25% das calorias consumidas por crianças brasileiras até 6 anos vêm de ultraprocessados. Na faixa de 2 a 5 anos, essa proporção chega a 30% — um terço de tudo o que a criança consome. 

A regulação segue lenta. A rotulagem nutricional frontal, aprovada pela ANVISA, passou a exigir avisos em embalagens de alimentos com alto teor de açúcar, sódio ou gordura saturada. Projetos de lei que restringem a comercialização de ultraprocessados em cantinas escolares avançaram em alguns estados, como a Lei Estadual nº 15.216/2018, do Rio Grande do Sul, mas ainda não há norma federal consolidada.

 

O que mudou e o que não mudou 

O trabalho de Tiago Simões Leite, em 2010, já apontava três elementos que a literatura científica consolidou nos anos seguintes: 

  1. A transição nutricional brasileira: passagem da desnutrição para o excesso de peso como principal problema nutricional, especialmente em populações de baixa renda.
  2. A ligação direta entre obesidade e doenças crônicas: hipertensão, diabetes e dores osteomusculares como consequências imediatas, e não futuras, do excesso de peso.

3.  A necessidade de intervenção na Atenção Primária: o espaço onde o pediatra detectou o problema é o mesmo onde ele deve ser combatido, por meio de educação alimentar, acompanhamento nutricional e detecção precoce.


Crianças e adolescentes com HIV: o que mostram novos dados de cinco anos com B/F/TAF

Após cinco anos de acompanhamento, 88 dos 89 participantes com exames disponíveis (98,9%) mantiveram a carga viral abaixo de 50 cópias/mL. O estudo não observou impacto negativo sobre crescimento, altura, peso ou índice de massa corporal (IMC).

 

Sobre o estudo

Long-term efficacy and safety of bictegravir/emtricitabine/tenofovir alafenamide (B/F/TAF) in children and adolescents with HIV-1 aged 2 to <18 years.>
 

O estudo incluiu 122 crianças e adolescentes de 2 a menos de 18 anos, com peso a partir de 14 kg e carga viral já controlada antes da mudança para B/F/TAF. Os participantes foram acompanhados em 25 centros nos Estados Unidos, África do Sul, Tailândia e Uganda. 

A análise apresentada no congresso avaliou a manutenção da supressão viral, a contagem de células CD4, a segurança e os parâmetros de crescimento até a semana 240. O tratamento foi administrado em combinação de dose fixa, em um comprimido uma vez ao dia, com apresentação definida pelo peso.
 

Principais dados:

Dado

O que significa

122

Número total de crianças e adolescentes incluídos nas três faixas de idade e peso.

240 semanas

Período principal da nova análise, equivalente a aproximadamente cinco anos de acompanhamento.

88 de 89

Participantes com exames disponíveis na semana 240 que mantiveram carga viral abaixo de 50 cópias/mL (98,9%).

33/33 e 38/38

Todos os participantes avaliados nos grupos de 12 a menos de 18 anos e de 6 a menos de 12 anos mantiveram supressão viral.

17 de 18

Resultado no grupo de menor peso, que reuniu crianças a partir de 2 anos: 94,4% mantiveram carga viral controlada.

3 de 122

Participantes que interromperam o tratamento por eventos adversos durante o acompanhamento; não surgiram novas questões de segurança.


Mensagens-chave dos novos resultados:

Controle viral sustentado: Quase 99% dos participantes com resultados disponíveis na semana 240 mantiveram carga viral abaixo de 50 cópias/mL, após aproximadamente cinco anos de tratamento.
 

Resultados consistentes entre faixas etárias: A supressão viral foi mantida em 100% dos participantes avaliados nos dois grupos de maior idade e em 94,4% no grupo de menor peso.
 

Estabilidade das células de defesa: A contagem absoluta e a proporção de células CD4 permaneceram estáveis e dentro das variações fisiológicas esperadas nas três coortes.
 

Crescimento acompanhado ao longo do tempo: Os indicadores de peso, altura e IMC acompanharam as mudanças esperadas para cada idade, sem impacto negativo observado sobre o crescimento.
 

O que os resultados significam para o cuidado:

Tratamento que atravessa diferentes fases da vida: Crianças que vivem com HIV podem utilizar terapia antirretroviral por décadas. Por isso, manter o vírus controlado por vários anos é um resultado relevante para o planejamento do cuidado até a adolescência e a vida adulta.
 

Crescimento é um desfecho clínico central: Na população pediátrica, a avaliação não se limita à carga viral. Peso, altura, IMC e desenvolvimento precisam ser acompanhados continuamente, especialmente durante períodos de rápida mudança corporal.
 

Menos opções completas do que para adultos: Crianças e adolescentes dispõem de menos combinações de dose fixa em um único comprimido. O estudo avaliou B/F/TAF como tratamento completo, administrado uma vez ao dia e ajustado à faixa de peso.
 

Segurança observada no longo prazo: Apesar de eventos de saúde terem sido registrados durante o acompanhamento, as interrupções por eventos adversos foram pouco frequentes e os pesquisadores não identificaram novas questões de segurança.
 

Como interpretar a eficácia: Os participantes já apresentavam carga viral controlada antes de iniciar B/F/TAF. Assim, o estudo demonstra principalmente a manutenção da supressão, e não o início do tratamento em crianças com carga viral detectável.
 

Relevância para o Brasil

A combinação B/F/TAF foi incorporada ao SUS em 2025 para o tratamento de pessoas vivendo com HIV, conforme os critérios definidos pelo protocolo do Ministério da Saúde. A decisão contempla população pediátrica a partir de 6 anos e com peso de pelo menos 25 kg. Os dados apresentados no AIDS 2026 ampliam a evidência de longo prazo sobre manutenção do controle viral, segurança e crescimento em crianças e adolescentes.

 

Em síntese: os novos resultados mostram que B/F/TAF manteve altos níveis de supressão viral e estabilidade imunológica por aproximadamente cinco anos, sem impacto negativo observado sobre o crescimento. O estudo reforça a importância de evidências pediátricas de longo prazo, embora tenha avaliado participantes que já estavam com o vírus controlado.

 


Hepatites virais evoluem em silêncio e ainda matam por falta de diagnóstico, alertam especialistas no Julho Amarelo

Boletim do Ministério da Saúde mostra que o Brasil já reduziu a mortalidade pela doença em até 60% na última década, mas a testagem ainda é o maior desafio para eliminá-la até 2030
 

Ao contrário do que se espera de uma doença grave, as hepatites virais B e C não doem, não causam febre alta e raramente dão sinais nos primeiros anos. É justamente esse silêncio que as torna perigosas: o vírus pode permanecer décadas no organismo, destruindo o fígado aos poucos, até que a doença já esteja em estágio avançado. A boa notícia é que o diagnóstico é simples, rápido e gratuito pelo SUS. Essa é a mensagem que o Julho Amarelo, mês nacional de conscientização sobre as hepatites virais, reforça todos os anos até o Dia Mundial de Combate às Hepatites Virais, celebrado em 28 de julho. 

Os números recentes mostram por que a testagem continua sendo urgente. Segundo o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde, o Brasil registrou 826 mil casos confirmados da doença entre 2000 e 2024, com quase 50 mil mortes associadas. A hepatite C concentra a maior parte da tragédia: responde por 41,5% dos casos, mas por 75,3% dos óbitos, justamente porque costuma ser descoberta tarde. A hepatite B vem em seguida, com 36,6% dos casos e 22% das mortes. 

No entanto, existem sinais de que o país está no caminho certo. O mesmo boletim aponta queda de 50% na mortalidade por hepatite B e de 60% na mortalidade por hepatite C entre 2014 e 2024, resultado da ampliação da vacinação, da testagem e do acesso ao tratamento. O avanço foi reconhecido também pela Organização Mundial da Saúde: o Relatório Global de Hepatites 2026 destacou o Brasil como exemplo internacional por já ter atingido, entre crianças menores de 5 anos, a meta de eliminação da transmissão vertical da hepatite B, de mãe para filho, com prevalência abaixo de 0,1%, a mesma que a OMS estipulou para o mundo todo até 2030. Apesar dos avanços, o próprio boletim do Ministério da Saúde alerta que ainda é preciso ampliar a testagem e a adesão ao tratamento, especialmente para a hepatite B. 

Segundo o Dr. Rogério de Jesus Pedro, infectologista e professor da Faculdade São Leopoldo Mandic, o maior desafio é a falta de sinais perceptíveis. “As hepatites B e C podem evoluir por décadas sem provocar qualquer sinal visível. Muitas pessoas descobrem a infecção apenas quando o fígado já apresenta comprometimento importante. Por isso, a testagem é tão valiosa: ela permite identificar a doença antes que ocorram danos irreversíveis e iniciar o tratamento no momento em que ele é mais eficaz.” 

Essa evolução silenciosa pode se estender por 20 ou 30 anos de inflamação crônica no fígado sem qualquer sintoma perceptível, até culminar em fibrose avançada, cirrose e, em alguns casos, câncer de fígado (carcinoma hepatocelular). É por isso que o diagnóstico precoce muda tanto o desfecho: identificada a tempo, a hepatite C tem hoje índice de cura de cerca de 97%, com tratamento à base de comprimidos orais por três a seis meses, oferecido gratuitamente pelo SUS. Há uma década, os tratamentos disponíveis eram mais agressivos e tinham menos da metade dessa taxa de sucesso.

 

Onde e como se testar 

O teste é gratuito e está disponível em Unidades Básicas de Saúde e Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) em todo o país, por meio de um teste rápido feito com uma gota de sangue e resultado em minutos. É essa agilidade que sustenta a campanha nacional "Um Teste Pode Mudar Tudo", lançada pelo Ministério da Saúde como parte da mobilização do Julho Amarelo. 

A recomendação médica é que todo adulto se teste ao menos uma vez na vida, com atenção redobrada para grupos de maior exposição, como pessoas com histórico de transfusão de sangue antes de 1993, uso de agulhas compartilhadas, relações sexuais sem preservativo e profissionais de saúde. 

“Fazer o teste não é burocracia, é a diferença entre descobrir a doença a tempo de tratar ou descobrir tarde demais, quando o fígado já está comprometido. Não é preciso esperar nenhum sintoma para se cuidar”, conclui o Dr. Rogério de Jesus Pedro.

 



Faculdade São Leopoldo Mandic

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