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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Estudo identifica 49 práticas antiéticas na saúde brasileira

Levantamento do Instituto Ética Saúde, em parceria com o Grupo de Pesquisa Contratações Públicas, vinculado à PUC-SP, organiza pela primeira vez um sistema de classificação das principais irregularidades encontradas no setor e mostra que mais da metade delas está concentrada nas áreas de poder público, saúde suplementar e conflitos de interesse

 

Um estudo coordenado pelo Instituto Ética Saúde (IES), em parceria com o Grupo de Pesquisa Contratações Públicas, na linha de pesquisa Direito e Corrupção, vinculado à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), identificou 49 práticas antiéticas presentes na cadeia da saúde brasileira. Também propôs, pela primeira vez, um sistema estruturado de classificação dessas condutas para orientar programas de integridade, compliance, gestão de riscos e políticas públicas voltadas ao fortalecimento da ética no setor.

Resultado de uma década de análises, registros institucionais, estudos, casos concretos e denúncias acompanhados pelo Instituto Ética Saúde, o levantamento procurou compreender como essas práticas se manifestam, quais ambientes institucionais apresentam maior vulnerabilidade e de que forma comprometem a concorrência, elevam custos assistenciais, reduzem a eficiência dos investimentos públicos e privados e podem afetar, direta ou indiretamente, a qualidade da assistência prestada aos pacientes.

Entre as práticas identificadas estão fraudes em licitações, direcionamento de editais, pagamento de vantagens indevidas, conflitos de interesse, glosas abusivas, negativas de cobertura por planos de saúde, desvio de recursos públicos, reprocessamento irregular de materiais descartáveis, comercialização de produtos sem registro sanitário e uso inadequado de dados e inteligência artificial (veja a relação completa ao final do texto).

Mais do que reunir situações conhecidas do setor, o estudo, por meio do processo de codificação, organiza essas condutas em dez grandes categorias temáticas, oferecendo uma linguagem comum para sua identificação, análise e prevenção. A proposta é transformar ocorrências frequentemente tratadas de forma isolada em um modelo padronizado capaz de orientar programas de integridade, auditorias, ações de compliance, gestão de riscos e até mesmo a formulação de políticas públicas.

O trabalho foi desenvolvido a partir de pesquisa bibliográfica exploratória, análise jurídica e sistematização da experiência acumulada pelo Instituto Ética Saúde entre 2015 e 2025. Para isso, os pesquisadores reuniram registros institucionais, casos concretos, denúncias recebidas, informações obtidas em acordos de cooperação e análises técnicas produzidas ao longo de dez anos. O resultado foi a criação de um sistema de classificação que permite identificar padrões de comportamento, estabelecer critérios objetivos para avaliação de riscos e apoiar estratégias de prevenção em diferentes segmentos da cadeia da saúde.

A partir da aplicação desse sistema de classificação, foi possível calcular a frequência de ocorrência das práticas por categoria temática, permitindo estabelecer um ranking composto por dez categorias. O ranking é liderado por Poder Público e Saúde Suplementar, ambas com nove práticas identificadas. Na sequência aparecem Conflito de Interesses, com oito práticas; Regulatório/Sanitário, com quatro; Faturamento/Tributário, Ética Profissional, Fraudes Administrativas e Organizações Sociais (OSS), com três cada; e Segurança Assistencial e Dados/Inteligência Artificial, com duas práticas cada. Segundo os autores, essa classificação não representa uma escala de gravidade das condutas, mas um instrumento para identificar áreas que concentram maior diversidade de práticas antiéticas e orientar ações de prevenção, compliance e gestão de riscos.

Ao contrário de levantamentos que apenas nomeiam irregularidades, o estudo procura compreender como essas práticas se relacionam entre si, em quais ambientes tendem a ocorrer com maior frequência e de que forma se manifestam nas relações institucionais. A premissa é que comportamentos antiéticos raramente surgem de forma isolada. Em geral, estão associados a fragilidades de governança, falhas de controle, conflitos de interesse e incentivos econômicos inadequados, criando um ambiente propício para desvios que comprometem tanto a eficiência dos serviços quanto a confiança nas instituições.

Para o presidente executivo do Instituto Ética Saúde, Sérgio Rocha, um dos principais méritos do estudo é oferecer um instrumento prático para que organizações públicas e privadas consigam identificar vulnerabilidades antes que elas se transformem em problemas de maior impacto. "O enfrentamento das práticas antiéticas exige mais do que mecanismos de punição. É preciso compreender como esses comportamentos se manifestam, em quais ambientes ocorrem e quais fatores favorecem sua repetição. Ao organizar essas condutas em um sistema estruturado de classificação, o estudo oferece uma base técnica para fortalecer programas de integridade, aperfeiçoar controles internos e estimular uma cultura de prevenção em toda a cadeia da saúde".

Embora algumas das práticas identificadas configurem ilícitos previstos na legislação, outras representam condutas que, mesmo não sendo necessariamente ilegais, violam princípios éticos, comprometem a transparência das relações institucionais e podem abrir caminho para irregularidades de maior gravidade. Por essa razão, o estudo adota uma abordagem preventiva, defendendo que a identificação precoce desses comportamentos permite reduzir riscos antes que eles produzam prejuízos financeiros, assistenciais ou reputacionais.

Os pesquisadores destacam que os impactos dessas práticas extrapolam as organizações diretamente envolvidas. Em muitos casos, elas provocam desperdício de recursos, comprometem a eficiência das compras públicas e privadas, distorcem a concorrência entre empresas, fragilizam a confiança nas instituições e podem limitar o acesso da população a produtos, tecnologias e serviços de saúde.

Ao estruturar essas condutas em um modelo padronizado, o levantamento também busca facilitar o trabalho de áreas de compliance, auditoria, controles internos, corregedorias, departamentos jurídicos e órgãos reguladores. A classificação permite estabelecer critérios mais objetivos para avaliação de riscos, definição de prioridades de monitoramento e desenvolvimento de ações preventivas adaptadas às características de cada organização.

Outro diferencial do estudo é sua possibilidade de atualização contínua. Como novas formas de fraude, conflitos de interesse e desvios de conduta surgem à medida que evoluem as relações institucionais, os modelos de contratação e as tecnologias empregadas na saúde, o sistema de classificação foi concebido para incorporar novas práticas ao longo do tempo, preservando sua utilidade como ferramenta de governança.

Essa característica torna o trabalho particularmente relevante diante das transformações pelas quais passa o setor, como a digitalização dos serviços, o uso crescente de inteligência artificial, o compartilhamento de grandes volumes de dados em saúde, a incorporação acelerada de novas tecnologias e a crescente complexidade das relações entre os diversos atores que integram o ecossistema da saúde.

Além de apoiar organizações na identificação de riscos, os autores defendem que a sistematização das práticas pode contribuir para o desenvolvimento de indicadores setoriais, subsidiar pesquisas acadêmicas, aperfeiçoar mecanismos de controle e fomentar políticas públicas voltadas ao fortalecimento da integridade na saúde.

Ao final do estudo, os pesquisadores apresentam a relação completa das 49 práticas antiéticas identificadas, organizada de acordo com o sistema de classificação desenvolvido, como referência para instituições públicas e privadas interessadas em fortalecer seus mecanismos de governança, integridade e prevenção de irregularidades.
 

Relação das 49 práticas antiéticas identificadas pelo estudo

• Fraudes em licitações
• Direcionamento de editais
• Corrupção e desvio de recursos públicos
• Cartel e combinação de preços
• Pagamento de propinas e vantagens indevidas
• Falsificação de produtos para saúde
• Comercialização de produtos sem registro sanitário
• Reprocessamento irregular de produtos de uso único
• Fraudes em contratos públicos
• Fraudes em leitos do SUS
• Fraudes documentais para obtenção de reembolsos
• Fraudes em carteiras de beneficiários
• Uso de empresas de fachada
• Nepotismo e favorecimento político em organizações sociais
• Contratação direta irregular
• Terceirização irregular por organizações sociais
• Intermediação irregular de recursos humanos por organizações sociais
• Desvio de finalidade orçamentária
• Cobranças indevidas ou em duplicidade
• Retenção indevida de faturamento
• Glosas abusivas
• Negativas de cobertura motivadas por custos
• Cancelamento abusivo de contratos
• Restrição indevida de terapias
• Exclusão abusiva de dependentes
• Exigência excessiva de documentação
• Litigância de má-fé
• Conflitos de interesse em juntas médicas
• Pagamento de comissões por indicação de pacientes
• Hospitalidade indevida
• Patrocínio indevido
• Brindes indevidos
• Atos mercantilistas praticados por médicos
• Emissão de atestados irregulares
• Uso inadequado de dados em saúde
• Uso inadequado de inteligência artificial (indução algorítmica)
• Abuso ou negligência assistencial
• Troca fraudulenta de materiais
• Doações e comodatos irregulares
• Comodatos informais sem documentação fiscal
• Pagamentos fracionados para estimular reprocessamento de materiais
• Pedágios ou taxas em portais de compras
• Pedágio em notas fiscais
• Coerção financeira entre empresas
• Venda irregular de medicamentos
• Fornecedores sem capacidade técnica
• Empresas sem CNAE compatível comercializando dispositivos médicos
• Contratos de fachada
• Maturidade inadequada dos programas de integridade


Reprodução assistida para casais homoafetivos cresce no Brasil, mas falta de informação ainda é barreira

Dados do IBGE revelam salto expressivo de lares do mesmo gênero no país, enquanto clínicas apontam que cerca de 1 a cada 10 ciclos de FIV já é realizado por casais homoafetivos em busca da parentalidade biológica

 

O sonho da parentalidade tem ganhado novos contornos e forte expansão no Brasil. Pesquisas recentes do IBGE mostram que, em um intervalo de 12 anos, o número de lares formados por casais do mesmo gênero saltou de 59.957 para 391.080 no país. Impulsionado por essa transformação demográfica e pela consolidação de marcos regulatórios, cresce o número de casais homoafetivos que buscam a reprodução assistida para construir suas famílias. No entanto, boa parte desses casais ainda desconhece que o Brasil já autoriza todos os procedimentos de reprodução assistida necessários para ter filhos biológicos.

A doação de óvulos e de sêmen e a fertilização in vitro para casais formados por dois homens ou duas mulheres são práticas legais, seguras e realizadas em clínicas especializadas do país. Atualmente, estima-se que cerca de 1 a cada 10 ciclos de Fertilização In Vitro (FIV) já seja realizado por casais homoafetivos, um número que cresce junto com a busca por novas estruturas familiares no Brasil.

“Muitos casais desconhecem essa possibilidade e acreditam que precisam buscar alternativas em outros países. No entanto, o Brasil oferece tratamentos de alta qualidade e com a segurança da legislação vigente.” Explica Dra. Graziela Canheo, ginecologista e obstetra especialista em reprodução humana da La Vita Clinic.

Desde 2013, a regulamentação do Conselho Federal de Medicina (CFM) garantiu o acesso igualitário às técnicas de fertilização in vitro (FIV) para casais homoafetivos e pessoas solteiras (Resolução CFM nº 213/2013), marco ampliado em 2017 para contemplar novos formatos e procedimentos específicos, como a gestação compartilhada.

"O fato é que casais homoafetivos, seja de homens ou mulheres, podem realizar o sonho de ser pais ou mães com as mesmas técnicas seguras e reconhecidas usadas por casais heterossexuais", celebra a Dra. Graziela Canheo.


Opções Autorizadas por Perfil de Casal

A medicina reprodutiva atual oferece diferentes caminhos terapêuticos e biológicos para atender a cada planejamento familiar:


Para Casais de Mulheres:

Inseminação Intrauterina (IIU): Envolve a introdução de esperma doado diretamente no útero durante o período fértil. É um procedimento de baixa complexidade, com taxa de nascimento vivo de cerca de 20% por ciclo, sendo exigida pelo menos uma trompa uterina pérvia.

Fertilização In Vitro (FIV): Consiste na fertilização de óvulos com esperma de doador em laboratório, seguida da transferência embrionária. Apresenta taxa de sucesso de aproximadamente 60% por ciclo e possibilita o congelamento de embriões para tentativas futuras.

Recepção de Óvulos da Parceira (ROPA): Permite que ambas participem ativamente do processo biológico: uma fornece o material genético (óvulo) e a outra realiza a gestação. A taxa de nascimento vivo chega a cerca de 70% por tratamento.


Para Casais de Homens:

FIV com Útero de Substituição: Utiliza óvulos de uma doadora anônima ou apta conforme as normas do CFM, fertilizados com o esperma de um dos parceiros. O embrião é transferido para o útero de uma gestante de substituição. Pela regulamentação, a cedente do útero deve ser parente consanguínea de até quarto grau de um dos pais; caso contrário, exige-se autorização especial do Conselho Regional de Medicina. A taxa de nascimento vivo neste formato ronda os 85%.


Segurança Jurídica e Planejamento Familiar

Mais do que o procedimento médico, a chegada dos filhos demanda atenção às esferas legais e trabalhistas.

"Em paralelo ao processo da gravidez em si, diversas outras esferas exigem a atenção do casal", pontua a Dra. Paula Fettback, ginecologista especialista em Reprodução Humana pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

No momento do nascimento, a documentação é direta: "Depois de todos os procedimentos, a criança gerada deverá ser registrada com o nome dos dois pais, ou das duas mães, por um deles, em cartório", explica a médica. No tocante aos afastamentos trabalhistas, ambos possuem direitos garantidos, sendo que a licença-maternidade de quatro meses é habitualmente concedida a apenas um dos cônjuges em regime CLT, caso ambos estejam empregados.

"A gravidez para casais homoafetivos é um processo importante. Tudo deve ser feito com o máximo de compromisso e cuidado, com profissionais capacitados e ambientados com a legislação, para que o casal gere uma criança saudável e, da mesma forma, um ambiente familiar saudável", conclui a especialista.



Dra. Graziela Canheo - CRM 145288 | RQE 68331 - Ginecologista e Obstetra. Reprodução Humana. Médica Graduada pela Universidade Metropolitana de Santos (2010). Residência médica em ginecologia e obstetrícia pelo Hospital do Servidor Público Estadual do Estado de São Paulo (2013). Título de Qualificação em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia pela ABPTGIC (2014). Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (2015). Fellowship em Reprodução humana pelo Instituto Idéia Fértil de Saúde Reprodutiva (2014 – 2016). Pós-graduação em videolaparoscopia e histeroscopia pelo Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (2018 – 2019). Membro das principais sociedades nacionais e internacionais da área da Ginecologia e Reprodução Humana. Diretora técnica e médica da La Vita Clinic


Dra. Paula Fettback - CRM 117477 SP - CRM 33084 PR. Possui graduação em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina - UEL (2004). Residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP- 2007). Atua em Ginecologia e Obstetrícia com ênfase em Reprodução Humana. Estágio em Reprodução Humana na Universidade de Michigan - USA. Médica colaboradora do Centro de Reprodução Humana Mário Covas do HC-FMUSP (2016). Doutora em Ciências Médicas pela Disciplina de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM - 2016). Médica da Clínica MAE São Paulo – SP. Título de Especialista em Reprodução Assistida Certificada pela Febrasgo (2020)


As marcas invisíveis da violência psicológica

Especialista explica por que o abuso psicológico pode desencadear alterações hormonais, metabólicas e cardiovasculares que permanecem mesmo após o fim da violência 

 

O Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização pelo fim da violência contra a mulher, ganha um marco importante no dia 7 de agosto, quando é celebrado o Dia Estadual da Lei Maria da Penha. A data amplia o debate sobre as diferentes formas de violência, incluindo a psicológica, que vai além dos impactos emocionais e pode provocar alterações hormonais, metabólicas e cardiovasculares de longo prazo.

Para Lucas Rezende, médico com atuação em nutrologia e medicina preventiva, os efeitos do abuso psicológico sobre a saúde física ainda são pouco reconhecidos. Dr Lucas desenvolve sua prática clínica na ARC Health Place, clínica de São Paulo especializada em medicina preventiva, saúde metabólica e cuidados com a saúde da mulher, onde atua na identificação precoce de fatores de risco para doenças crônicas e na promoção do envelhecimento saudável.

"Quando uma pessoa vive sob medo constante, humilhações, ameaças ou manipulação, o organismo permanece em estado permanente de alerta. Esse processo aumenta a liberação de cortisol, interfere na qualidade do sono, favorece processos inflamatórios e pode aumentar o risco de alterações metabólicas e cardiovasculares. Muitas vezes, a violência termina, mas o corpo continua respondendo como se o perigo ainda existisse", afirma o médico.

Os impactos da violência contra a mulher sobre a saúde vão além das lesões imediatas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mulheres expostas à violência apresentam maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares, dores crônicas, distúrbios gastrointestinais, ansiedade, depressão, transtorno de estresse pós-traumático e outras condições que comprometem a qualidade de vida.


Como o estresse prolongado afeta o organismo

De acordo com o médico, o excesso de cortisol provocado pela exposição contínua ao estresse interfere em diferentes mecanismos do organismo. Ao longo do tempo, essa resposta pode dificultar o controle da glicemia, favorecer o acúmulo de gordura abdominal, elevar a pressão arterial e comprometer o sistema imunológico.

"Nem sempre o paciente relaciona sintomas como fadiga, insônia, dores persistentes ou alterações metabólicas à violência vivida anos antes. Por isso, a investigação clínica precisa considerar toda a história de vida da pessoa e não apenas os sintomas apresentados naquele momento", explica Lucas.

Além das alterações hormonais e metabólicas, o médico destaca que o estresse contínuo pode acelerar o envelhecimento biológico e reduzir a capacidade de recuperação do organismo. Quanto maior o tempo de exposição à violência, maiores tendem a ser os impactos sobre a saúde física.


A recuperação também passa pelo cuidado integral

Embora o acompanhamento psicológico seja indispensável, Lucas Rezende ressalta que a recuperação não deve se limitar à saúde mental. Em muitos casos, é necessário avaliar alterações metabólicas, cardiovasculares e hormonais que permanecem mesmo após o encerramento do ciclo de violência.

"Cuidar apenas das consequências emocionais pode não ser suficiente. A recuperação precisa incluir uma avaliação clínica completa para identificar alterações que, muitas vezes, permanecem silenciosas. Quanto mais cedo esse acompanhamento começa, maiores são as chances de restabelecer o equilíbrio do organismo e prevenir doenças futuras", conclui. 



Lucas Rezende - médico (CRMSP 181835), com atuação em nutrologia, medicina preventiva, saúde metabólica, menopausa e perimenopausa. Desenvolveu sua prática clínica voltada à identificação precoce de fatores de risco para doenças crônicas, defendendo uma medicina que prioriza a prevenção, o diagnóstico antecipado e a promoção da saúde antes do surgimento dos sintomas. Sua atuação integra medicina baseada em evidências, avaliação clínica aprofundada, exames laboratoriais e mudanças no estilo de vida para construir estratégias individualizadas de cuidado. Ao longo da carreira, consolidou seu trabalho em temas como envelhecimento saudável, saúde metabólica, obesidade, composição corporal, saúde hormonal e medicina do estilo de vida, defendendo uma mudança de paradigma no cuidado com a saúde, com foco em preservar a qualidade de vida e ampliar a longevidade da população.
Para mais informações, acesse o site, Instagram, youtube ou Linkedln.

 

ARC Health Place
Instagram: @arc.healthplace


Fontes de Pesquisa:

Ministério das Mulheres (Ligue 180): https://www.gov.br/mulheres/pt-br/central-de-conteudos/noticias/2026/abril/canal-ligue-180-registra-crescimento-de-27-nas-denuncias-e-10-nos-atendimentos-no-primeiro-trimestre-de-2026

Organização Mundial da Saúde (OMS): https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/violence-against-women

Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS): https://www.paho.org/pt/topicos/violencia-contra-mulheres

Bem-estar no trabalho: cinco iniciativas que mais ganham espaço nas empresas brasileiras

O que as organizações estão oferecendo além do plano de saúde para atrair, engajar e reter talentos

 

O cuidado com a saúde organizacional deixou de ser um conjunto de benefícios isolados e passou a integrar a estratégia de gestão de pessoas nas empresas brasileiras. Segundo o Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026, do Wellhub, 88% dos colaboradores afirmam que valorizam o bem-estar no trabalho tanto quanto o salário, e 86% dizem que vão considerar apenas empresas que priorizam o tema ao buscar um novo emprego.

A resposta das empresas tem sido ampliar o conceito de cuidado. Oito em cada dez organizações brasileiras já desenvolvem ações voltadas à qualidade de vida dos colaboradores — e metade pretende ampliar esses investimentos nos próximos 12 meses, segundo a 32ª Pesquisa de Benefícios Corporativos da Mercer Marsh Benefícios. A disputa agora é menos sobre o que está no pacote de benefícios e mais sobre como o cuidado se traduz no dia a dia. Veja quais iniciativas lideram esse movimento:

1.   Apoio psicológico
A saúde mental lidera a lista de prioridades em 62% das organizações brasileiras, o maior índice entre todas as categorias mapeadas pela Mercer Marsh. A percepção é confirmada pelo comportamento dos profissionais: 68% da Geração Z e 59% dos Millennials consideram a terapia fundamental para o bem-estar, segundo o Wellhub. O formato mais comum é o atendimento por videochamada, que reduz barreiras relacionadas à agenda e ao deslocamento. Além do suporte individual, os programas ampliam o diálogo sobre saúde emocional dentro das organizações, contribuindo para reduzir os estigmas que ainda cercam o tema no ambiente de trabalho. O foco passou a incluir prevenção, acompanhamento e redução de riscos, como estresse crônico, ansiedade e burnout, hoje entre as principais causas de afastamento do trabalho.

2.   Programas financeiros
O estresse financeiro é uma das causas mais silenciosas da queda de produtividade. Segundo a SalaryFits, 66% dos trabalhadores brasileiros relatam aumento de estresse em razão do endividamento, e 37% afirmam ter baixa capacidade de concentração. A resposta corporativa tem sido estruturar iniciativas de educação e apoio em momentos de vulnerabilidade econômica, como orientação financeira, jurídica e previdenciária, integrando a estabilidade financeira à saúde mental e ao desempenho profissional.

3.   Saúde preventiva
A prevenção vem substituindo modelos focados apenas no tratamento de doenças. Acompanhamento médico contínuo e check-ups periódicos fazem parte da agenda de 43% das empresas ouvidas pela Mercer Marsh. As organizações mais avançadas deixaram de seguir calendários genéricos de campanhas para atuar com base nas condições de saúde dos colaboradores. Nesse modelo, entram iniciativas como monitoramento de doenças crônicas, campanhas de vacinação e programas de autocuidado, com foco na redução de afastamentos e no cuidado de longo prazo.

4.   Apoio à parentalidade
Gestantes e famílias passaram a integrar as iniciativas de bem-estar de 44% das organizações, segundo a Mercer Marsh. O suporte vai do acompanhamento pré-natal ao retorno ao trabalho após a licença — um período importante para a permanência das mulheres nas empresas. O tema ganhou força à medida que a gestação, a chegada dos filhos e as rotinas de cuidado passaram a ser reconhecidas como fatores que influenciam diretamente a permanência, o engajamento e a satisfação dos profissionais. A flexibilização das rotinas e a extensão de benefícios a dependentes também avançam nesse contexto.

5.   Telemedicina e médico de família
A telemedicina consolidou-se como porta de entrada para o sistema de saúde corporativo, ampliando o acesso rápido à orientação e aos cuidados médicos e reduzindo a necessidade de atendimentos de urgência. O avanço mais relevante é a integração com modelos de atenção primária, como o médico de família, que permite o acompanhamento contínuo, a prevenção e uma visão mais integrada da saúde do colaborador ao longo do tempo.


Quando bem-estar vira estratégia

Na prática, muitas organizações já reúnem essas iniciativas em programas estruturados de bem-estar. É o caso do Grupo Marista, cujo Programa de Qualidade de Vida organiza as ações em quatro pilares: Corpo e Mente, Saúde Financeira, Formação e Desenvolvimento e Vida em Harmonia. Os benefícios incluem plano de saúde e odontológico, acesso a academias e estúdios, psicoterapia, acompanhamento de gestantes e de pessoas com doenças crônicas, ações de educação financeira, incentivos à educação e ao desenvolvimento profissional, além de modalidades de trabalho remoto e híbrido e benefícios voltados ao equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, como a folga de aniversário. Parte dos serviços também é oferecida a familiares e dependentes. 

Colaboradores com acesso a programas estruturados de bem-estar avaliam melhor a própria saúde mental (61%) do que aqueles sem acesso (40%), aponta o Wellhub. Os reflexos também se manifestam no engajamento. Dados da Gallup mostram que profissionais que se sentem apoiados têm cinco vezes mais chances de estar engajados, 49% menos probabilidade de buscar outro emprego e são sete vezes mais propensos a recomendar a empresa como um bom lugar para trabalhar. Em contrapartida, 85% dos profissionais afirmam que deixariam uma empresa que não priorizasse seu bem-estar.

“Saúde não é apenas a ausência de doença: é a capacidade de viver, trabalhar e se relacionar com mais equilíbrio, significado e qualidade de vida. Para isso, é preciso criar condições para que as pessoas cuidem de si de forma contínua e encontrem apoio em diferentes momentos da vida. O bem-estar deixou de ser uma ação pontual para se tornar parte da cultura organizacional, construída diariamente por meio da prevenção, da escuta e do desenvolvimento das pessoas”, afirma a responsável pelo Programa de Qualidade de Vida do Grupo Marista, Luciana de Souza Augusto.

 

Diploma universitário continua sendo diferencial no mercado, mas desafio é formar mais profissionais, avalia especialista


Estudo mostra que brasileiros com ensino superior ganham, em média, 148% mais do que quem concluiu apenas o ensino médio. Para Antonio Esteca, o dado evidencia a escassez de profissionais qualificados e os desafios da permanência no ensino superior

 

 

Embora o mercado de trabalho tenha passado por profundas transformações nos últimos anos, com o avanço da inteligência artificial, da digitalização e de novas formas de contratação, o diploma universitário continua sendo um dos principais diferenciais para quem busca melhores oportunidades profissionais no Brasil. Dados da OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico mostram que trabalhadores brasileiros com ensino superior completo recebem, em média, 148% a mais do que aqueles que possuem apenas o ensino médio - percentual quase três vezes superior à média dos países da organização, que é de 54%.

 

Para o especialista em avaliação e regulação da educação superior e avaliador do Inep/MEC, Antonio Esteca, o dado vai além da valorização do diploma e revela uma característica do próprio mercado brasileiro. “O ensino superior continua sendo um importante fator de mobilidade social no Brasil. Quando observamos uma diferença salarial tão expressiva, percebemos também que existe uma demanda por profissionais qualificados maior do que a oferta disponível. Isso mostra que investir em formação continua sendo um diferencial competitivo para quem deseja crescer profissionalmente”, afirma.

 

Segundo Esteca, o cenário também evidencia outro desafio: garantir que mais estudantes consigam concluir a graduação. “O Brasil ampliou significativamente o acesso ao ensino superior nas últimas décadas, mas ainda enfrenta índices elevados de evasão. O grande desafio agora não é apenas colocar o aluno na universidade, mas criar condições para que ele conclua sua formação e esteja preparado para atender às demandas do mercado”.


 

Mercado exige novas competências


Na avaliação do especialista, a valorização do diploma está diretamente relacionada às mudanças pelas quais passam as empresas e a economia. “Hoje o mercado busca profissionais que dominem competências técnicas, mas também tenham capacidade analítica, pensamento crítico, comunicação, resolução de problemas e adaptação às transformações tecnológicas. A graduação continua sendo um ambiente importante para desenvolver essas competências”, observa.

 

Esteca destaca ainda que áreas ligadas à tecnologia, engenharia, inovação e análise de dados tendem a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos, impulsionadas pela transformação digital. “O avanço da inteligência artificial não reduz a importância da educação superior. Pelo contrário. Ele aumenta a necessidade de profissionais capazes de interpretar informações, tomar decisões e utilizar a tecnologia de forma estratégica", afirma.


 

Formação além do diploma


Para Antonio Esteca, a discussão sobre ensino superior precisa deixar de se concentrar apenas no acesso às universidades e passar a considerar toda a jornada acadêmica. “O diploma continua abrindo portas, mas ele é resultado de um processo. Precisamos fortalecer políticas de permanência, melhorar a qualidade da formação e aproximar ainda mais as instituições do mercado de trabalho. Quanto maior for essa conexão, maiores serão as oportunidades para os estudantes e para o desenvolvimento do país", conclui. 

 



Antonio Esteca - graduado e mestre em Ciência da Computação pela UNESP, especialista em Gestão de Negócios pelo IBMEC-RJ e doutor em Psicologia pela PUC-Campinas. Atua no ensino superior desde 2013, com experiência em docência, gestão acadêmica, inovação educacional e desenvolvimento institucional. É avaliador institucional do INEP/MEC e acompanha de perto temas relacionados à qualidade e às transformações da educação brasileira. Atualmente, destaca-se também como uma das 10 vozes de maior influência no LinkedIn no mundo na área da Educação Superior. Em sua pesquisa de doutorado, dedicou-se ao estudo da prevenção do bullying e do cyberbullying no contexto escolar, tema que dialoga diretamente com a formação de educadores e com a promoção de ambientes escolares mais seguros e saudáveis. Atualmente, é CEO e Diretor-Geral da Faculdade Metropolitana do Estado de São Paulo (FAMEESP), da Faculdade Metropolitana de Franca (FAMEF) e da Faculdade de Tecnologia, Ciências e Educação (FATECE).
https://www.linkedin.com/in/antonioesteca

 

Dia dos Pais 2026: consumidores antecipam compras e Pix lidera transações no e-commerce

Dados do PicPay revelam que games, calçados, produtos fitness e eletrônicos lideram a lista de categorias mais desejadas para a data 


Com o Dia dos Pais se aproximando, marcas e varejistas já disputam a atenção dos consumidores. Para ajudar anunciantes a planejar campanhas mais eficientes, o PicPay analisou o comportamento de compra observado durante o Dia dos Pais de 2025 e identificou tendências que devem se repetir na edição de 2026. 

Os dados mostram que a decisão de compra começa antes da semana da data comemorativa. Segundo dados da plataforma, 60% dos consumidores iniciam o planejamento das compras com duas semanas de antecedência, indicando uma oportunidade das marcas se conectarem com seus consumidores com antecedência. 

Outro destaque é a consolidação do Pix como protagonista nas compras online, diferente de outras comemorações em que o cartão é o meio mais utilizado. No Dia dos Pais de 2025, 56% das transações realizadas no ecossistema PicPay aconteceram por meio da modalidade, reforçando que o momento do pagamento também se tornou um ponto estratégico para a comunicação entre marcas e consumidores. 

"O pagamento é um dos poucos momentos em que o consumidor possuí 100% de atenção na sua navegação. Quando uma marca consegue entregar uma comunicação contextual, a publicidade deixa de ser uma interrupção e passa a agregar valor para quem compra", conta Felipe Julião, executivo de Ads do PicPay.
 

As categorias que devem movimentar a data

Os dados também mostram um aquecimento relevante do consumo. Na comemoração de 2025, o valor transacionado no PicPay cresceu 63%, desempenho sete vezes superior ao observado pelo varejo no mesmo período. 

Entre as categorias que apresentaram maior crescimento na comparação com o ano anterior estão games, calçados, produtos fitness e eletrônicos. Os resultados apontam tendências de consumo que devem permanecer relevantes em 2026 e servir como referência para empresas que desejam direcionar investimentos em mídia. 

Para o PicPay, os resultados mostram que o diferencial da publicidade digital está cada vez menos relacionado ao volume de comunicações, o foco deve ser a capacidade de compreender a intenção de compra dos consumidores e o correto contexto para se comunicar com ele. 

A plataforma utiliza dados proprietários e sinais reais de comportamento de consumo para identificar padrões como frequência de compras, categorias de consumo e momento do pagamento, permitindo que as marcas construam campanhas mais contextualizadas e eficientes. 

"O consumidor espera cada vez mais relevância. Quando conseguimos entender o contexto da compra e transformar esse conhecimento em inteligência para as marcas, aumentamos as chances de conversão e entregamos uma experiência mais útil para quem está do outro lado", afirma Alexandre Moshe, VP executivo de Audiências e Ecossistema do PicPay.


PEC da aposentadoria especial para agentes de saúde avança e gera dúvidas; entenda quem poderá ser beneficiado

Após aprovação no Senado, proposta que prevê aposentadoria diferenciada para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias segue para promulgação; advogada previdenciarista explica quem pode ser alcançado pelas novas regras e o que ainda é preciso observar.

 

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição 14/2021 pelo Senado Federal trouxe novas perspectivas para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias, mas também levantou dúvidas entre profissionais que aguardam há anos por regras diferenciadas de aposentadoria. A proposta foi aprovada em dois turnos no dia 14 de julho e segue agora para promulgação. O texto estabelece regras específicas para as categorias, mas a aplicação da nova norma exige atenção aos requisitos previstos e à situação individual de cada trabalhador.

A proposta prevê aposentadoria diferenciada para os agentes, considerando as características e os riscos relacionados ao exercício das atividades. Entre as regras aprovadas está a idade mínima de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens, condicionada à comprovação de 25 anos de contribuição e de efetivo exercício profissional. O texto também estabelece regras de transição e outras medidas relacionadas ao vínculo funcional das categorias.

Para a advogada previdenciarista Silvania Diniz, o avanço da proposta representa uma conquista importante para profissionais que desempenham funções essenciais na saúde pública, mas é fundamental que os trabalhadores não interpretem a aprovação como uma garantia automática de aposentadoria. "A aprovação da PEC é um passo muito importante, mas cada profissional precisa analisar sua trajetória individual. É necessário verificar idade, tempo de contribuição e período efetivamente trabalhado na função para entender como as novas regras poderão se aplicar a cada caso", explica.

A proposta altera dispositivos da Constituição para estabelecer o direito à aposentadoria diferenciada para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. A matéria também trata da regularização do vínculo funcional desses profissionais e prevê mecanismos de assistência financeira da União para auxiliar no custeio das novas aposentadorias.

Um dos principais pontos de atenção está justamente na comprovação do tempo de exercício profissional. Segundo a especialista, trabalhadores que passaram por diferentes vínculos ou exerceram outras atividades ao longo da carreira devem reunir documentos capazes de demonstrar corretamente sua trajetória contributiva e funcional.

"Não basta saber que a categoria foi contemplada. É preciso entender quais períodos poderão ser considerados, quais documentos comprovam esse tempo e se o trabalhador se enquadra na regra permanente ou em alguma regra de transição. Uma análise individual evita que a pessoa tome decisões precipitadas ou faça um pedido sem reunir a documentação necessária", afirma Silvania.

A aprovação também desperta dúvidas entre profissionais que já estão próximos da aposentadoria ou que contribuíram durante muitos anos antes da entrada em vigor das novas regras. Nesses casos, a orientação é avaliar a situação previdenciária antes de solicitar o benefício, considerando o histórico completo de contribuições e as condições estabelecidas pela nova legislação.

Outro ponto importante é que a aprovação pelo Congresso não significa que todos os detalhes práticos estejam automaticamente resolvidos. A proposta ainda precisa ser promulgada para integrar formalmente a Constituição, e os trabalhadores deverão acompanhar a regulamentação e a aplicação das novas regras aos diferentes vínculos existentes na categoria.

Para Silvania, o momento exige informação e cautela. "É uma mudança que pode beneficiar muitos profissionais, mas é preciso evitar a ideia de que todos terão direito ao benefício imediatamente. A Previdência Social trabalha com requisitos específicos, e a análise precisa considerar a história de cada segurado. O ideal é buscar orientação antes de tomar qualquer decisão", conclui.

 

Fonte: Silvania Diniz — Advogada Previdenciária.

 

Como se sair bem em testes comportamentais e entrevistas?

Conheça estratégias para responder às avaliações com confiança e evidenciar seus pontos fortes ao longo do processo seletivo, garantindo uma boa impressão

 

As entrevistas de emprego podem ser intimidadoras para quem busca se reinserir no mercado de trabalho ou mudar de ocupação. O nervosismo diante do recrutador, por exemplo, foi apontado por 41,26% dos brasileiros como uma das principais dificuldades de um processo seletivo, segundo pesquisa do Nube.

Entretanto, entrevistas e testes comportamentais demandam controle da ansiedade e manutenção de uma postura equilibrada, para evitar que seja passada uma má impressão e a oportunidade se desfaça nos primeiros contatos, quando as maneiras do candidato são consideradas e estão sob análise. De acordo com Vitória Alves, analista de Pessoas e Cultura da plataforma de recrutamento Refuturiza, evitar alguns hábitos e se preparar com antecedência pode ajudar o candidato a ter um bom desempenho.

“Respostas muito genéricas, falta de exemplos práticos das experiências vividas e pouca clareza ao comunicar resultados e aprendizados acabam prejudicando o desempenho na entrevista. Mas, se o candidato planejar o que dirá sobre esses temas antes, já tem melhores chances de se sair bem”, afirma.
 

Dicas para entrevistas de emprego

“Os erros mais comuns em entrevistas são a falta de autenticidade e de preparação. Alguns candidatos tentam responder aquilo que acreditam que o recrutador deseja ouvir, mas acabam apresentando informações que não sustentam ao longo da conversa ou em etapas posteriores”, explica Vitória. 

Vitória explica que é essencial não mentir: “não tente criar histórias ou experiências que não aconteceram para impressionar o recrutador. Em vez disso, compartilhe situações que você realmente vivenciou, explique qual era o contexto, como você agiu e quais foram os resultados ou aprendizados obtidos”.

A especialista acrescenta que os recrutadores percebem quando o candidato diz o que acredita que o entrevistador gostaria de ouvir, e que isso transmite uma impressão negativa. “Quando o candidato fala sobre experiências reais, suas respostas são naturais, coerentes e passam muito mais credibilidade”, sintetiza. 

Outra falha comum é não pesquisar sobre a empresa ou a vaga antes da entrevista. Vitória explica que conhecer informações sobre a companhia e o cargo demonstra interesse e ajuda o candidato a avaliar se a posição faz sentido para sua carreira. “Vejo candidatos que se inscrevem em vagas sem analisar se têm aderência ao perfil, o que gera frustração para ambas as partes”, conta.

 

Hábitos que prejudicam um candidato

Com o intuito de ajudar candidatos que buscam uma nova vaga, Vitória cita alguns comportamentos que causam uma má impressão em entrevistas e podem fazer os recrutadores optarem por outros concorrentes: 

  • Animosidade ou falta de disposição: recrutadores são treinados paraavaliar se há baixo interesse do candidato na oportunidade ou se a pessoa candidatou-se apenas porque está desempregada, e não porque tem real vocação para o trabalho. Expressões, tom de voz ou má postura podem demonstrar falta de entusiasmo em relação ao cargo.
  • Intimidação ao entrevistador: fazer perguntas precipitadas, como questionar quando vai começar, ou interrogar duramente quem está conduzindo a conversa sobre algum ponto é um comportamento negativo. Lembre-se de que quem está sendo entrevistado e precisa apresentar-se é o candidato.
  • Excesso de simpatia ou exagero emocional: descontrole na altura da voz, falas desconexas, positividade exagerada, falta de realismo, entre outras características, podem demonstrar comportamento histriônico, o que acende um alerta sobre estabilidade emocional.
  • Forçar intimidade com o entrevistador: tentar simular uma proximidade que não é real com o recrutador passa a ideia de que o candidato é inconveniente ou invasivo. Além disso, esse hábito pode ser lido como falta de profissionalismo e desespero por parte do candidato.
  • Falta de humildade: candidatos arrogantes ou que aparentam não estar abertos ao aprendizado tendem a ter um desempenho ruim em entrevistas. Isso ocorre porque a falta de humildade é vista como um sinal de resistência a críticas e de problemas para assumir erros.
  • Ocultar informações ou se contradizer: omitir dados ou passar informações duvidosas são práticas que revelam falta de ética por parte do candidato. Desse modo, o hábito contribui para a quebra da confiança do recrutador e é um dos principais alertas de que alguém não deve ser contratado.
  • Não responder objetivamente: durante uma entrevista de emprego, recrutadores esperam objetividade dos candidatos. Ser prolixo, atrasar a resposta ou desviar do assunto principal são comportamentos vistos como sinais de dificuldade para se expressar, organizar ideias e sintetizar informações.
  • Falta de coerência ou conexão na fala: não conseguir se expressar, ter problemas para articular uma resposta ou não responder com coerência são sinais de ansiedade ou nervosismo. Como a comunicação se torna uma competência cada vez mais necessária no mercado de trabalho, perder credibilidade nesse quesito pode ter grande impacto.
  • Revelar conflitos com colegas ou pessoas próximas: em uma entrevista de emprego, o candidato deve zelar pela própria imagem. Compartilhar detalhes sobre discussões e desentendimentos anteriores contribui para uma visão negativa. Caso seja questionado sobre conflitos anteriores, uma solução é focar em como o caso foi resolvido.
  • Ser negativo ou falar mal das situações ou empregos anteriores: a prática é vista como falta de maturidade emocional e tendência a conflito no novo ambiente de trabalho. Vale ressaltar que recrutadores são treinados para detectar indivíduos que podem causar problemas para a empresa.
  • Ser grosseiro ou incompreensivo: faltar com respeito com o recrutador é um dos principais erros que um candidato pode cometer em uma entrevista de emprego. Além de prejudicar a primeira impressão que o entrevistador terá do candidato, o hábito ainda indica tendência a ser explosivo e falta de inteligência emocional.
  • Falta de gratidão pela entrevista ou falta de gentileza com o entrevistador: em primeiro lugar, o hábito indica que o candidato não valorizou a sua escolha para seguir no processo seletivo ou não está comprometido em conseguir a vaga. Soma-se a isso o fato de a atitude ser um indicativo de como a pessoa pode se comportar junto dos colegas de trabalho e gestores, os tratando com grosseria no futuro.

 

Atenção aos testes comportamentais

Sobre os testes comportamentais, Vitória reforça que, quando um candidato responde às questões dizendo o que acredita que o recrutador quer ouvir, pode gerar inconsistências nos resultados e até comprometer seu desempenho no processo seletivo.

De acordo com ela, a chave é ser autêntico nessa etapa. “Não existem respostas certas em um teste comportamental ou um perfil ideal para todas as vagas. Na verdade, os recrutadores buscam o perfil mais alinhado às atividades da função, à cultura da empresa e à equipe”, resume.

Para a especialista, a melhor forma de destacar seus pontos fortes é responder sem tentar “acertar” ou parecer alguém que não é. “Quando o candidato dá respostas que refletem seu perfil real, ele facilita uma avaliação mais assertiva e aumenta as chances de encontrar uma oportunidade em que realmente tenha sucesso”, conclui.

 

Preparação faz a diferença

A especialista ressalta ainda que, se a entrevista ocorrer de forma online, além dessas preparações, o candidato deve escolher um local tranquilo, organizado e com boa iluminação para conseguir se concentrar e transmitir profissionalismo.

“Durante a conversa, seja online ou presencial, ouça com atenção, responda com calma e seja sincero. Lembre-se de que a entrevista é uma troca: a empresa está conhecendo você, e você também está avaliando se aquela oportunidade faz sentido para a sua carreira”, aconselha.

Por fim, Vitória destaca a importância de cuidar da apresentação pessoal, utilizando uma vestimenta adequada para a ocasião e, no caso das entrevistas online, verificando com antecedência o funcionamento do áudio, do vídeo e da conexão com a internet.
 



Refuturiza
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Herança sem inventário e abandono: o usucapião pode ser a saída legal para salvar o patrimônio

Passados os prazos legais, o custo de um inventário atrasado pode se tornar financeiramente inviável devido às multas do Estado.

 

Quando uma pessoa morre e deixa um imóvel para os herdeiros, o caminho tradicional para regularizar a propriedade é a abertura do inventário. No entanto, nem sempre isso acontece. Anos de abandono, falta de recursos financeiros ou conflitos entre familiares podem fazer com que o patrimônio permaneça irregular por décadas, dificultando a venda, o financiamento e até a transferência para as gerações seguintes.

Segundo a advogada especialista em Direito Imobiliário, Dra. Ana Paula Simões, essa situação é mais comum do que se imagina e pode se transformar em um problema financeiro e jurídico para toda a família. "Muitas vezes, os herdeiros acreditam que basta continuar morando no imóvel para que a situação esteja resolvida. Mas, sem a regularização da propriedade, aquele bem pode permanecer preso a uma situação jurídica que dificulta qualquer negociação futura", explica.

O inventário é o procedimento utilizado para formalizar a transmissão dos bens deixados pelo falecido aos seus herdeiros. Quando realizado fora dos prazos previstos em lei, pode haver incidência de multa e juros relacionados ao Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação, aumentando significativamente os custos da regularização. Em alguns casos, especialmente quando o patrimônio possui baixo valor ou a família enfrenta dificuldades financeiras, o processo pode se tornar um obstáculo difícil de superar.

É nesse contexto que o usucapião pode surgir como uma alternativa jurídica, desde que os requisitos previstos na legislação sejam preenchidos. O procedimento permite, em determinadas situações, o reconhecimento da propriedade por quem exerce a posse do imóvel de maneira contínua e com características específicas durante o período exigido pela lei.

"Existem situações em que um dos herdeiros permanece no imóvel durante muitos anos, enquanto os demais não demonstram interesse ou sequer acompanham a situação do patrimônio. Dependendo das circunstâncias e dos requisitos legais, pode existir a possibilidade de buscar o reconhecimento da propriedade por meio do usucapião", afirma a Dra. Ana Paula.

A especialista ressalta, porém, que o usucapião não é uma forma automática de substituir o inventário. Cada caso precisa ser analisado individualmente, considerando a origem da posse, o tempo de ocupação, a existência de outros herdeiros e as características do imóvel. A análise da documentação e da situação registral também é fundamental antes de definir qual caminho jurídico é mais adequado.

Outro problema frequente é que imóveis herdados permanecem sem qualquer atualização na matrícula por muitos anos. Além de dificultar a negociação, essa irregularidade pode provocar novos conflitos entre familiares e tornar ainda mais complexa a transmissão do patrimônio para as gerações seguintes.

Para a advogada, o ideal é que as famílias não deixem a regularização para o futuro. "Quanto mais tempo passa, maior pode ser a dificuldade para reunir documentos, localizar herdeiros e resolver pendências. O patrimônio que deveria representar segurança para a família pode acabar se tornando uma fonte de conflitos e despesas", destaca.

Diante de uma herança que permanece irregular há anos, a orientação jurídica é fundamental para avaliar as alternativas disponíveis. Dependendo da situação, o inventário ainda pode ser o caminho adequado, enquanto em outros casos procedimentos como o usucapião podem ser considerados. O importante é analisar a realidade de cada imóvel antes de tomar qualquer decisão.

 

Fonte: Dra. Ana Paula Simões – Advogada especialista em Direito Imobiliário.

 

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