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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Vacinas respiratórias: entenda as diferenças entre os imunizantes contra gripe, pneumococo e VSR e saiba quando fazer o painel respiratório

 

Com o avanço do outono e a queda das temperaturas, o Brasil já registra aumento nos casos de doenças respiratórias — um cenário que reacende o alerta para a importância da vacinação, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.
 

Segundo o boletim InfoGripe da Fiocruz, 14.370 casos graves de infecções respiratórias já haviam sido notificados no Brasil, nos primeiros meses de 2026, sendo que 35% apresentaram resultado positivo para algum vírus respiratório. Entre os casos confirmados, cerca de 20% foram associados à Influenza A e aproximadamente 1,7% à Influenza B, os dois principais tipos do vírus responsáveis pelas epidemias sazonais de gripe1

Diante desse cenário, a vacinação ganha ainda mais relevância. “Não existe uma única vacina que protege contra todas as doenças respiratórias. Cada imunizante tem um papel específico e atua contra vírus ou bactérias diferentes. Por isso, em muitos casos, as vacinas são complementares — e não substitutas entre si”, explica Maria Isabel de Moraes-Pinto, infectologista do Lavoisier e Delboni e coordenadora de vacinas da Dasa. 

Mesmo com a disponibilidade das vacinas, uma dúvida comum persiste: afinal, quais imunizantes tomar – e é possível combiná-los? A confusão é compreensível, mas pode ser resolvida com informação. Entenda as principais vacinas respiratórias e como utilizá-las de forma adequada.
 

Vacina da Gripe (Influenza)

Protege contra os principais tipos do vírus Influenza em circulação, que são atualizados todos os anos. A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza, iniciada no fim de março, segue até maio nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Ainda assim, a cobertura vacinal contra a gripe frequentemente fica abaixo da meta de 90% estipulada pelo Ministério da Saúde para grupos prioritários, como idosos, gestantes, crianças e pessoas com comorbidades.

Atualmente, existem diferentes tipos de vacinas disponíveis e entender as diferenças ajuda na escolha mais adequada:

  • Trivalente (SUS): protege contra três cepas do vírus (dois subtipos de Influenza A e um de Influenza B). É a versão oferecida gratuitamente na rede pública.
  • Tetravalente (ou quadrivalente): disponível na rede privada, é uma vacina inativada (não causa a doença) que protege contra quatro cepas do vírus Influenza: duas do tipo A (H1N1 e H3N2) e duas do tipo B.
  • Vacina de alta dose (Efluelda): indicada para idosos, contém maior quantidade de antígeno para estimular uma resposta imunológica mais robusta — importante nessa faixa etária, que costuma ter menor resposta às vacinas tradicionais. Disponível apenas na rede privada.
  • Para quem é indicada: toda a população, com prioridade para idosos, gestantes, crianças e pessoas com doenças crônicas
  • Quando tomar: antes do inverno (entre março e maio)
  • Pode combinar? sim, pode ser administrada junto a outras vacinas

Importante: a vacina não causa gripe e reduz significativamente o risco de complicações e hospitalizações.
 

Vacina Pneumocócica

Protege contra a bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por doenças como pneumonia, meningite e infecções generalizadas. Dados recentes do Ministério da Saúde mostram que a meningite segue como uma doença de alto impacto no país. Apenas no primeiro semestre de 2025, foram registrados mais de 6 mil casos confirmados e 781 mortes, com taxa de letalidade de 12,7% 2

Atualmente, existem diferentes tipos de vacinas pneumocócicas, indicadas conforme idade e perfil de risco:

  • PCV10 (conjugada 10-valente – SUS): disponível no calendário infantil, protege contra 10 sorotipos da bactéria.
  • PCV13, PCV15 e PCV20 (rede privada): ampliam a cobertura para mais sorotipos, sendo frequentemente recomendadas para crianças, adultos e idosos, conforme avaliação médica.
  • Para quem é indicada:
    • doenças pulmonares crônicas


Crianças menores de 5 anos (rotina do calendário infantil)

Idosos (em algumas estratégias e campanhas específicas) 

Pessoas com comorbidades, como:

  • doenças cardíacas
  • diabetes
  • imunossupressão
  • doenças renais ou hepáticas
  • Quando tomar: ao longo do ano, conforme calendário ou orientação médica
  • Pode combinar? sim, inclusive com a vacina da gripe

Diferencial: atua contra infecções bacterianas — ao contrário de vacinas como a da gripe, que protegem contra vírus — sendo fundamental na prevenção de formas graves e complicações.
 

Vacina contra o VSR (vírus sincicial respiratório)

O vírus sincicial respiratório é uma das principais causas de bronquiolite e infecções respiratórias graves em bebês e representa risco para idosos. É uma das grandes causas de pneumonia em idosos e não tem tratamento específico, o que reforça o papel da prevenção.


  • Disponibilidade:
    • Na rede privada, para gestantes e pessoas 60 +.
    • No SUS, para gestantes.

 

Para quem é indicada: gestantes (para permitir proteção do bebê pela passagem de anticorpos pela placenta) e idosos.

  • Quando tomar: conforme orientação médica, independente de sazonalidade.
  • Pode combinar? Sim.

Atenção: O VSR tem o potencial de causar quadros graves, principalmente em lactentes, imunossuprimidos e idosos.
 

Vacinas respiratórias do calendário infantil

O calendário vacinal infantil inclui diferentes imunizantes que ajudam a proteger contra doenças respiratórias desde os primeiros meses de vida.

Entre as principais vacinas estão:

  • Pentavalente (DTPa + Hib + Hepatite B): protege contra difteria, tétano, coqueluche e Haemophilus influenzae tipo b (Hib), bactéria que pode causar meningite e infecções respiratórias graves.
  • Vacina pneumocócica: previne infecções causadas pelo Streptococcus pneumoniae, como pneumonia, otite e meningite.
  • Vacina meningocócica (B, C e ACWY): protege contra diferentes sorogrupos da bactéria meningococo, responsável por meningite e infecções generalizadas.
  • Vacina contra influenza (gripe): indicada a partir dos 6 meses de idade, especialmente importante para reduzir complicações respiratórias.
  • Vacina Covid-19: incluída no calendário para algumas faixas etárias, contribuindo para a proteção contra formas graves da doença.
  • Vacina VSR: recomendada gestantes e idosos.
  • Disponibilidade: SUS e rede privada (com algumas diferenças de cobertura entre os sistemas)
  • Quando tomar: conforme o calendário oficial, com doses ao longo dos primeiros anos de vida
  • Pode combinar? sim, muitas vacinas são aplicadas no mesmo período

Importante: manter o calendário vacinal atualizado é uma das formas mais eficazes de prevenir doenças graves na infância.
 

Mitos e verdades 

É possível tomar mais de uma vacina ao mesmo tempo.

Verdade. Em muitos casos, as vacinas podem ser aplicadas no mesmo dia ou no mesmo período, sem prejuízo à eficácia. “A combinação de vacinas é segura e faz parte das estratégias de proteção. O mais importante é avaliar cada paciente individualmente, considerando idade, histórico de saúde e fatores de risco”, ressalta a infectologista.
 

Se eu tomar vacinas, não preciso fazer o exame de painel respiratório?

Mito. Mesmo com a vacinação, sintomas respiratórios podem ocorrer e nem sempre é possível identificar a causa apenas pela avaliação clínica. Nesses casos, o painel respiratório pode ser indicado. O exame permite identificar diferentes vírus e bactérias, como Influenza, VSR e outros agentes, contribuindo para um diagnóstico mais preciso e direcionamento do tratamento. 

“É importante considerar realizar o painel respiratório quando o paciente tiver sintomas persistentes ou intensos, quadro em crianças e idosos e necessidade de diferenciar vírus respiratórios”, finaliza a infectologista do Lavoisier e Delboni.
 

Vou escolher um único imunizante por ano para me vacinar. Assim, não sobrecarrego meu sistema imunológico e estou protegido. 
 

Mito. A estratégia mais eficaz envolve combinar vacinas, manter o acompanhamento médico e recorrer a exames quando necessário, especialmente nos períodos de maior circulação viral.
 

Fontes:

  1. Fundação Oswaldo Cruz – Boletim Infogripe
  2. Link

Por que a saúde precisa começar pela boca

 

Neste mês em que celebramos o Dia Mundial da Saúde há um lema que nos convida à reflexão: o acesso à saúde como um direito fundamental. No entanto, ao olharmos para o panorama global, percebemos que um pilar essencial dessa estrutura ainda é tratado como um detalhe periférico, a saúde bucal. É hora de romper com o "apartheid biológico" que separa a boca do restante do corpo humano. A ciência e a realidade clínica são claras: não existe saúde sistêmica sem uma boca saudável.

Como fundador de uma rede que atende milhões de brasileiros, vejo, diariamente, que a negligência com o cuidado dental não é apenas uma questão estética, é um gatilho para crises de saúde pública. O Global Oral Health Status Report, da OMS, em 2022 já nos alertava que as doenças bucais afetam cerca de 3,5 bilhões de pessoas. No Brasil, os dados da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, feita em 2023, reforçam que ainda temos um longo caminho para erradicar a dor e a perda dentária evitável. Estudos recentes, como os compilados na Lancet Oral Health Series, em 2023, com atualizações de 2024, consolidam a boca como um hub de indicadores sistêmicos.

A periodontite, por exemplo, não é apenas uma inflamação na gengiva. Ela é uma doença inflamatória crônica que despeja mediadores químicos na corrente sanguínea, agravando o diabetes e aumentando o risco de eventos cardiovasculares. Dados do Global Burden of Disease entre 2021 e 2025 mostram um aumento de mais de 70% nos casos de periodontite severa nas últimas décadas. Além disso, novas fronteiras da ciência agora ligam a saúde bucal precária até mesmo ao declínio cognitivo e doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.

Para além das bactérias, precisamos falar de função. O sistema estomatognático, que engloba dentes, músculos e bases ósseas, é o primeiro estágio da nossa nutrição e da nossa respiração. Dentes mal posicionados ou a ausência deles comprometem a mastigação, levando a distúrbios digestivos e carências nutricionais, especialmente em idosos. No desenvolvimento infantil, alterações no crescimento maxilar podem causar distúrbios do sono e dificuldades respiratórias que impactam o aprendizado.

Minha missão sempre foi tornar o cuidado odontológico acessível. A digitalização e o uso de inteligência artificial na odontologia, temas que discutimos intensamente nos últimos dois anos, não devem servir apenas para o luxo, mas para otimizar diagnósticos e permitir acesso a tratamentos preventivos em larga escala.

Cuidar da boca também é uma estratégia de longevidade, e investir em prevenção é evitar internações hospitalares amanhã. Convido você, paciente, profissional ou gestor, a mudar a perspectiva. Vamos tratar a saúde de forma integral, respeitando a complexidade biológica do corpo. Afinal, uma vida saudável começa, literalmente, pelo sorriso.

 

 

Dr. Paulo Zahr - cirurgião-dentista e fundador da OdontoCompany, maior rede de clínicas odontológicas do mundo, dedicada a levar odontologia de qualidade e acessível a todas as famílias brasileiras


Check-up e sinais ignorados no dia a dia: o que o corpo tenta avisar e muita gente não percebe


Sintomas aparentemente comuns, como cansaço frequente, dores persistentes, alterações no sono e mudanças de humor, podem indicar a necessidade de avaliação médica, mas muitas vezes são negligenciados. A dificuldade em reconhecer esses sinais contribui para o diagnóstico tardio de diversas condições de saúde, o que pode impactar diretamente a eficácia do tratamento e a qualidade de vida dos pacientes. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a detecção precoce de doenças é um dos principais fatores para a redução de complicações e mortalidade associadas a condições crônicas. Nesse contexto, a atenção aos sinais do corpo e a realização de check-ups regulares ganham ainda mais relevância como estratégias de prevenção e cuidado contínuo. 

Na prática, muitos desses sintomas são normalizados pela rotina acelerada ou atribuídos ao estresse, o que pode atrasar a busca por orientação médica. A escuta ativa do paciente e a investigação clínica adequada são fundamentais para identificar alterações precoces e orientar o acompanhamento de forma individualizada.
 

Dra. Letícia Angoleri - médica clínica, que pode abordar a importância da atenção aos sinais do corpo, do acompanhamento preventivo e da avaliação médica diante de sintomas persistentes.


Hipertensão arterial afeta os olhos de forma silenciosa e pode causar perda visual irreversível

freepik

Em 26 de abril, o Dia Nacional de Prevenção e Combate à doença amplia a conscientização sobre diagnóstico precoce; a data também reforça a importância do acompanhamento multidisciplinar 


O Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, celebrado em 26 de abril, reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo dessa condição que, muitas vezes, evolui sem sinais aparentes. De acordo com o Ministério da Saúde, 338 pessoas morrem diariamente no Brasil em decorrência da hipertensão, um número que evidencia a gravidade do problema e a necessidade de conscientização. Embora seja herdada dos pais em cerca de 90% dos casos, a doença também está diretamente relacionada ao estilo de vida, incluindo alimentação, sedentarismo e níveis de estresse. 

Pouco se fala, no entanto, sobre os impactos que a pressão elevada pode causar na saúde ocular. O comprometimento dos vasos sanguíneos da retina é uma das principais consequências, podendo levar à perda visual progressiva. “A hipertensão provoca alterações na circulação sanguínea dos olhos, especialmente na retina, que é uma região extremamente sensível. Esse processo pode acontecer de forma silenciosa, sem que o paciente perceba qualquer mudança inicial na visão”, explica o Dr. Christian M. Campos, oftalmologista do IOBH - Instituto de Olhos de Belo Horizonte. 

Entre as alterações mais comuns está a retinopatia hipertensiva, condição caracterizada pelo estreitamento dos vasos, hemorragias e até inchaço do nervo óptico. Em estágios mais avançados, o quadro pode resultar em danos irreversíveis. Além disso, a pressão arterial elevada também aumenta o risco de obstruções vasculares na retina, conhecidas como oclusões venosas ou arteriais. Esses eventos comprometem a circulação sanguínea ocular de forma aguda, podendo causar perda visual súbita e, em muitos casos, permanente. “Quando não há controle adequado, as estruturas oculares sofrem com a falta de oxigenação e nutrientes. Isso compromete a função visual e, em casos extremos, pode levar à cegueira”, alerta. 

Outro ponto de atenção é que, diferentemente de outras doenças oftalmológicas, os sinais costumam surgir apenas quando o comprometimento já está mais avançado. Visão embaçada, manchas escuras ou dificuldade para enxergar detalhes podem indicar que o problema já está instalado. “O grande desafio é justamente esse caráter silencioso. Muitas pessoas só procuram ajuda quando percebem alterações significativas, o que reduz as chances de reversão do quadro”, destaca. 

A recomendação é que pacientes diagnosticados com hipertensão mantenham acompanhamento regular não apenas com o cardiologista, mas também com o oftalmologista. Exames de rotina permitem identificar precocemente qualquer alteração na retina, possibilitando intervenções mais eficazes. “O cuidado com a saúde precisa ser integrado. Controlar os níveis de pressão arterial e realizar avaliações periódicas dos olhos são medidas fundamentais para preservar a qualidade de vida”, orienta. 

Adotar hábitos saudáveis, como manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas e evitar o consumo excessivo de sal, também contribui diretamente para reduzir os riscos associados à condição. “A conscientização, especialmente em datas como esta, é essencial para incentivar a prevenção e evitar complicações que podem comprometer não apenas o coração, mas também a visão”, finaliza o Dr. Christian M. Campos.


Artroplastia: solução eficaz e segura para artrose de joelho

Procedimento evoluiu significativamente nas últimas décadas, com técnicas menos invasivas, próteses mais duráveis e recuperação mais rápida

 

A artrose de joelho é uma das condições ortopédicas mais prevalentes no Brasil e no mundo. Estima-se que mais de 10 milhões de brasileiros convivam com algum grau da doença, que se manifesta pela degeneração progressiva da cartilagem articular, causando dor, inchaço, rigidez e perda de mobilidade. Com o envelhecimento acelerado da população - o IBGE projeta mais de 58 milhões de pessoas com 60 anos ou mais até 2043 - a tendência é que esse número cresça de forma significativa nas próximas décadas. 

Apesar de ser uma condição altamente prevalente, muitos pacientes postergam o diagnóstico e o tratamento por desconhecimento ou por receio do procedimento cirúrgico. O resultado, na maioria dos casos, é a piora progressiva dos sintomas e a perda de autonomia e qualidade de vida. 

Segundo o cirurgião ortopédico Dr. Fábio Elói, o joelho é a articulação que mais sofre com o desgaste ao longo da vida, especialmente em pessoas com sobrepeso, histórico familiar de artrose ou que praticaram atividades físicas de alto impacto por muitos anos. 

"O joelho é uma articulação que carrega o peso do corpo a cada passo e isso acelera o desgaste da cartilagem com o tempo. Quando o paciente chega com dor constante, dificuldade para subir e descer escadas e limitação para caminhar distâncias curtas, é um sinal de que a articulação já está bastante comprometida e precisa de atenção especializada."

 

Por que o joelho chega ao limite? 

A artrose de joelho raramente tem uma causa única. Na maioria dos casos, é o resultado de uma combinação de fatores que se acumulam ao longo dos anos: 

•Envelhecimento natural: com o passar dos anos, a cartilagem perde sua capacidade de se regenerar, tornando-se mais fina e susceptível ao desgaste.

•Sobrepeso e obesidade: o excesso de peso aumenta significativamente a sobrecarga sobre a articulação. Estudos indicam que cada quilo a mais equivale a quatro quilos de pressão extra sobre o joelho.

•Histórico de lesões: traumas anteriores, como rupturas do ligamento cruzado anterior ou do menisco, aumentam o risco de desenvolvimento de artrose precoce.

•Genética: a predisposição familiar é um fator relevante. Filhos de pais com artrose têm maior probabilidade de desenvolver a condição.

•Atividades de alto impacto: profissões ou esportes que exigem movimentos repetitivos de agachamento, impacto e torção podem acelerar o desgaste articular.

•Deformidades: o joelho varo (pernas em "O") e o joelho valgo (pernas em "X") sobrecarregam partes específicas da articulação, contribuindo para o desgaste assimétrico da cartilagem.

 

Quando buscar um especialista? 

A artrose de joelho evolui de forma gradual e os sintomas tendem a se intensificar com o tempo. Entre os principais sinais de alerta, estão: 

•Dor persistente no joelho, especialmente ao subir e descer escadas ou após longos períodos em pé.

•Rigidez matinal, com sensação de que o joelho "não aquece" nos primeiros minutos do dia.

•Inchaço recorrente na articulação, mesmo sem trauma aparente.

•Sensação de estalos ou rangidos ao movimentar o joelho.

•Deformidade progressiva, com alteração no alinhamento das pernas.

•Dificuldade para realizar atividades simples, como caminhar em terrenos irregulares, agachar ou entrar e sair do carro. 

O Dr. Fábio ressalta que o diagnóstico precoce é fundamental para ampliar as opções de tratamento. 

"Quando o paciente chega no início do processo degenerativo, ainda é possível tratar de forma conservadora, com fisioterapia, medicação e mudanças no estilo de vida. O problema é que a maioria das pessoas espera demais. Quando a dor já interfere no sono e nas atividades básicas, a cirurgia costuma ser o único caminho."

 

Quando a cirurgia é indicada 

A artroplastia total de joelho, popularmente conhecida como "prótese de joelho”, é indicada quando os tratamentos conservadores não são mais suficientes para controlar a dor e a perda funcional. Na cirurgia, as superfícies articulares desgastadas do fêmur, da tíbia e, em alguns casos, da patela, são removidas e substituídas por componentes protéticos de metal e polietileno de alta performance. 

O procedimento tem como objetivo eliminar a dor, restaurar o alinhamento da articulação e devolver ao paciente a mobilidade e a qualidade de vida que a doença comprometeu. De acordo com o Dr. Fábio, a cirurgia é uma das mais realizadas no mundo e apresenta altos índices de satisfação. 

"A artroplastia de joelho é um dos procedimentos com maior evidência científica em ortopedia. Mais de 90% dos pacientes relatam alívio significativo da dor e melhora funcional. Quando bem indicada e bem executada, é uma cirurgia que transforma a vida do paciente."

 

Técnicas cirúrgicas 

Nos últimos anos, os avanços nas técnicas cirúrgicas transformaram a artroplastia de joelho em um procedimento mais preciso, seguro e com menor impacto sobre os tecidos ao redor. Entre as principais evoluções estão: 

•Cirurgia minimamente invasiva: incisões menores resultam em menor trauma muscular, menos sangramento e recuperação mais rápida, sem comprometer a qualidade do implante.

•Artroplastia parcial: nos casos em que apenas um compartimento do joelho está afetado, é possível realizar uma prótese parcial, preservando os demais compartimentos saudáveis. A recuperação costuma ser mais rápida que na prótese total.

•Planejamento cirúrgico 3D: o uso de imagens tridimensionais a partir de tomografias permite que o cirurgião planeje o procedimento com precisão milimétrica antes mesmo de entrar na sala de cirurgia.

•Cirurgia assistida por robótica: sistemas robóticos auxiliam o cirurgião a posicionar os componentes protéticos com maior acurácia, reduzindo o risco de erros de alinhamento, uma das principais causas de falha das próteses.

•Anestesia e analgesia multimodal: protocolos modernos combinam diferentes técnicas anestésicas e analgésicas para minimizar a dor no pós-operatório e permitir a mobilização precoce do paciente. 

"A tecnologia mudou completamente a forma como realizamos a artroplastia de joelho. O planejamento tridimensional e os sistemas de navegação nos permitem uma precisão que antes não era possível. Isso se traduz em maior durabilidade do implante e melhores resultados para o paciente."

 

Pós-operatório: o que esperar após a cirurgia? 

O pós-operatório da artroplastia de joelho é uma etapa fundamental para o sucesso do procedimento. Com os protocolos modernos de reabilitação, a mobilização é iniciada de forma precoce, muitas vezes no mesmo dia ou no dia seguinte à cirurgia. 

Em geral, o processo de recuperação inicia ainda no hospital, com as primeiras sessões de fisioterapia, para exercícios de movimentação do joelho e deambulação assistida. Após a alta hospitalar, o paciente terá orientações para continuar a fisioterapia e provavelmente andará com o auxílio de andador ou muleta. 

Ainda no primeiro mês, a maioria dos pacientes já consegue realizar atividades leves do cotidiano, como caminhar em terrenos planos e subir escadas com apoio. O período de consolidação da reabilitação leva entre três e seis meses, com melhora progressiva da amplitude de movimento do joelho e retomada de atividades mais exigentes. 

Após um ano, na maior parte dos casos, o paciente já apresenta o resultado funcional completo da cirurgia, com dor controlada e mobilidade restaurada. 

"A cirurgia é o começo, não o fim, e a reabilitação é parte fundamental do processo. Quando o paciente se engaja na fisioterapia e segue as orientações, os resultados são muito superiores. Vemos pessoas que, meses após a cirurgia, voltam a caminhar, praticar atividades físicas leves e retomar uma vida plena."

 

Não espere a dor se tornar insuportável 

Especialistas recomendam que adultos acima dos 50 anos, ou mais jovens com fatores de risco, fiquem atentos a qualquer dor persistente no joelho que interfira nas atividades do dia a dia. O diagnóstico precoce abre um leque maior de opções terapêuticas e evita que a condição evolua para um estágio no qual apenas a cirurgia pode oferecer alívio. 

A artrose de joelho não tem cura, mas tem tratamento. Com os avanços da medicina ortopédica, nunca houve tantas opções eficazes para devolver mobilidade, autonomia e qualidade de vida aos pacientes, aponta Dr. Fábio. 

"Qualidade de vida não é luxo, é direito. Ninguém precisa conviver com dor no joelho achando que é algo inevitável do envelhecimento. Com o diagnóstico correto e o tratamento adequado, é possível voltar a viver sem dor." 

 

Dr. Fábio Elói - cirurgião de quadril pela Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), especialista em ortopedia e traumatologia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e oncologista ortopedista pela Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica (ABOO).

 

TONTURA NÃO É TUDO IGUAL, ENTENDA AS DIFERENÇAS E POR QUE ISSO IMPORTA

Sentir tontura é mais comum do que parece, mas o que muita gente não sabe é que esse sintoma pode ter origens completamente diferentes, e cada uma exige um tipo de cuidado.

A vertigem, por exemplo, é aquela sensação de que tudo está girando. Já a tontura pode se manifestar como desequilíbrio, sensação de desmaio ou cabeça leve. E a chamada “labirintite”, tão popular, na maioria das vezes, nem é o diagnóstico correto.

“A tontura é um sintoma, não uma doença. Quando a pessoa chama tudo de labirintite, ela corre o risco de tratar errado e prolongar o problema”, explica o neurologista Dr. Saulo Nader.

O primeiro passo é observar os sinais do corpo. Tonturas frequentes, associadas a náuseas, dificuldade para andar ou sensação de desmaio precisam de avaliação médica.

Entre as principais orientações estão evitar automedicação, manter uma boa hidratação e buscar um diagnóstico preciso. Em muitos casos, o tratamento pode envolver desde ajustes no estilo de vida até medicações específicas ou reabilitação vestibular.

“Quanto mais cedo a causa é identificada, maiores são as chances de controle e melhora da qualidade de vida”, reforça o especialista.


Dr. Saulo Nader - neurologista e referência em tontura, vertigem e distúrbios do equilíbrio pela USP. É membro da Bárány Society, a sociedade internacional que normatiza tudo sobre tontura, e já liderou o Departamento Científico de Tontura da Academia Brasileira de Neurologia. Com mais de 2 milhões de seguidores, ele desmistifica o tema de forma clara e acessível no Instagram @doutortontura e no canal do YouTube Neurologia e Psiquiatria: neurologiaepsiquiatria.com.br


O que os médicos pensam (mas não dizem) entre um café e um plantão?

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Em um raio-x da medicina real, Rodrigo Silva Müller desmistifica o "semideus" de jaleco e explora os bastidores de um sistema que vai do "Tio do Zap" ao "Doutor Algoritmo" 

 

Chega do especialista inabalável que fala apenas em jargões indecifráveis. No livro O que se passa na cabeça de um médico?, o radiologista Rodrigo Silva Müller traz um antídoto para décadas de representações irreais da profissão na televisão. O autor troca o pedestal por uma conversa bem-humorada sobre o que significa ser um trabalhador da saúde em um mundo onde o "Tio do Zap" e o "Doutor Google" tentam ter mais voz do que a ciência. São crônicas divertidas que reforçam: a medicina é um exercício constante de humanizar escolhas. Não uma matemática fria de garantias absolutas.

Müller utiliza sua visão panorâmica da radiologia para analisar a "fauna" hospitalar com a precisão de quem vê por dentro. A obra é um tour envolvente pelos cenários reais do cotidiano clínico, com seus dramas pessoais e contradições. Por exemplo: a "República Federativa do Bloco Cirúrgico", um ambiente estéril onde egos e vaidades às vezes colidem com protocolos de segurança; e a "Sala de Exames", quando acontece o espetáculo tragicômico de realizar um ultrassom cercado por familiares inquisidores que usam o ChatGPT como diagnóstico.

Tem também o "inimigo número dois": a burocracia dos prontuários eletrônicos, que às vezes consomem mais tempo do que a própria consulta. Nesse sentido, Müller aborda o famoso "Doutor Algoritmo": a inteligência artificial que acerta o laudo com precisão, mas que jamais saberá traduzir o contexto ou confortar o paciente. Já no churrasco de domingo, o autor enfrenta o "Tio do Zap", cujas fake news têm a velocidade de um vírus, desafiando anos de estudo com links que prometem curas milagrosas — segundo o radiologista, a medicina representa 10% da saúde; o restante ainda depende de hábitos que nenhuma cápsula cara (e não comprovada) substitui.

O que se passa na CABEÇA de um médico? — Um raio-x bem-humorado e humano da medicina levanta outras pautas urgentes, como a mercantilização do cuidado, a saúde mental dos profissionais formados sob uma "pedagogia da exaustão" e o desafio de manter a humanidade em tempos de IA. Rodrigo Silva Müller questiona tudo isso ao defender que, por trás do jaleco, também existe alguém passível de falhas. Para o escritor, a verdadeira sabedoria não mora nas respostas imediatas das estatísticas ou algoritmos, mas principalmente na coragem de dizer "não sei" e investigar a dor junto ao paciente.

 

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Ficha técnica


Título:
O que se passa na cabeça de um médico?
Subtítulo: Um raio-x bem-humorado e humano da medicina
Autor: Rodrigo Silva Müller
ISBN: 978-65-84159-05-1
Edição: 1ª/2025
Editora: Casa do Escritor
Páginas: 178
Onde encontrar:
Amazon e principais livrarias

Sobre o autor: Rodrigo da Silva Müller é médico radiologista, professor e autor. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) em 1998, concluiu a residência médica em Radiologia e Diagnóstico por Imagem no Hospital Mãe de Deus (2000–2013) e fez pós-graduação em Gestão em Saúde pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Já foi diretor técnico de hospital e, hoje, atua como médico-radiologista. É autor do livro O que se passa na cabeça de um médico? (2025).

Site: rodrigosilvamuller.com.br


Caso em UTI neonatal expõe desafio silencioso das infecções hospitalares

Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul esclarece riscos, contexto clínico e reforça segurança assistencial em unidades intensivas

 

A repercussão do caso envolvendo a bactéria Acinetobacter baumannii em uma unidade neonatal no Rio Grande do Sul reacendeu dúvidas sobre infecção hospitalar, segurança assistencial e risco de transmissão. Diante desse cenário, a Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) esclarece que se trata de um agente oportunista, mais associado a infecções em pacientes críticos, especialmente em unidades de terapia intensiva, onde há maior uso de dispositivos invasivos e permanência prolongada. 

O caso veio à tona na manhã desta quarta-feira, 22/04, e ocorreu na UTI Neonatal do Hospital Fêmina, em Porto Alegre, onde um bebê extremamente prematuro, de 26 semanas de gestação, veio a falecer, após testar positivo para a bactéria. Na unidade, 34 pacientes estavam internados e quatro tiveram resultado positivo. O micro-organismo é classificado como pan-resistente, ou seja, não responde aos antibióticos disponíveis, e está entre os patógenos prioritários da Organização Mundial da Saúde (OMS) devido ao impacto e à dificuldade de tratamento. 

Segundo o infectologista pediátrico associado da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), Derrick Alexandre Fassbind, a bactéria pode ser encontrada no ambiente, inclusive em locais com água e umidade, mas tende a causar infecção principalmente em pessoas com maior fragilidade clínica. Em pacientes saudáveis, o risco é baixo. Já em ambientes hospitalares, especialmente em UTIs adulto, pediátrica e neonatal, encontra condições propícias para colonizar equipamentos e superfícies, o que exige protocolos rigorosos de prevenção e controle. 

“O Acinetobacter baumannii é uma bactéria oportunista, que encontra maior chance de causar infecção em pacientes muito vulneráveis, como recém-nascidos prematuros extremos, pessoas com imunidade reduzida e pacientes em estado crítico que dependem de ventilação mecânica, sondas e cateteres. Nessas situações, o risco não está na circulação comunitária, mas no ambiente hospitalar, onde há necessidade de vigilância contínua, higiene rigorosa das mãos, desinfecção de superfícies e uso adequado de protocolos assistenciais”, explica o médico. 

Segundo o especialista, as UTIs neonatais reúnem uma combinação de fatores que torna esse cuidado ainda mais complexo. Os bebês internados nesses setores, em geral, nasceram prematuros ou apresentam complicações importantes relacionadas ao nascimento, o que significa um organismo ainda imaturo, com menor capacidade de defesa e necessidade frequente de suporte intensivo. Além disso, permanecem internados por longos períodos e demandam manipulação constante por diferentes profissionais de saúde, com a presença fundamental da mãe no processo de cuidado e recuperação. 

O presidente da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), Marcelo Pavese Porto, destaca que é fundamental considerar o contexto clínico desses pacientes. “É importante frisar sempre que bebês prematuros extremos, como esse que não resistiu, apresentam um risco naturalmente maior em função da imaturidade imunológica e de todas as possíveis complicações inerentes à própria prematuridade”, afirma. 

Nesse contexto, a prevenção depende de uma rotina técnica rigorosa e permanente. Medidas como higiene das mãos, limpeza adequada de equipamentos, desinfecção de superfícies, isolamento quando necessário e monitoramento contínuo dos casos são indispensáveis para conter a disseminação em unidades críticas. Em situações de surto, essas ações precisam ser intensificadas, já que a erradicação da bactéria do ambiente hospitalar pode ser mais difícil. 

A SPRS também ressalta que não há indicação de risco para a população em geral fora do ambiente hospitalar. A preocupação maior está concentrada em pacientes internados, especialmente os mais vulneráveis, e no cumprimento rigoroso dos protocolos de controle de infecção. 

O esclarecimento técnico é fundamental para evitar alarmismo, combater a desinformação e contribuir para uma compreensão mais precisa sobre o que deve ser feito em situações como esta. 

 

Marcelo Matusiak


Sinais semelhantes podem atrasar diagnóstico de TEA e TDAH na vida adulta

Abril Azul acende alerta para identificação tardia e associação entre transtornos 


Durante o Abril Azul, mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialistas alertam para um desafio frequente na prática clínica: adultos que recebem tardiamente a confirmação do diagnóstico e, ao longo da investigação, também identificam o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). A condição afeta entre 5% e 8% da população mundial¹ e cerca de 11 milhões de brasileiros². Em aproximadamente 60% dos casos, os sintomas persistem na vida adulta³, o que ajuda a explicar por que muitos pacientes convivem por anos com dificuldades sem diagnóstico. 

Nesse contexto, a identificação do TEA na vida adulta tem se tornado mais comum, especialmente em pessoas que passaram grande parte da vida lidando com desafios relacionados à atenção, organização e interação social. Quando o transtorno é reconhecido, ele frequentemente funciona como ponto de partida para uma avaliação mais ampla, o que, dependendo do caso, pode revelar também o TDAH associado⁴,⁵. A associação entre TEA e TDAH é frequente, mas ainda pouco reconhecida. Isso ocorre porque há sobreposição de sinais, especialmente em funções executivas, como: 

Nesse contexto, a identificação do TEA na vida adulta tem se tornado mais comum, especialmente entre pessoas que passaram grande parte da vida lidando com desafios relacionados à atenção, organização e interação social. Quando o transtorno é reconhecido, ele frequentemente funciona como ponto de partida para uma avaliação mais ampla que, dependendo do caso, pode revelar também o TDAH associado⁴,⁵. A associação entre TEA e TDAH é frequente, mas ainda pouco reconhecida. Isso ocorre porque há sobreposição de sinais, especialmente em funções executivas, como: 

        desatenção

        desorganização

        dificuldade de planejamento

        regulação emocional

Ferramentas como a escala ASRS-18, da Organização Mundial da Saúde (OMS), podem auxiliar na triagem⁶, mas a confirmação do TDAH exige uma análise clínica criteriosa, que considere o histórico desde a infância e o impacto funcional. É fundamental procurar um especialista (psiquiatra, neurologista ou pediatra) para diferenciar os sinais, confirmar o diagnóstico e indicar a abordagem terapêutica mais adequada.

 

Reconhecimento parcial de TEA ou TDAH: o risco de uma abordagem incompleta 

Quando apenas uma das condições é considerada, a abordagem tende a ser limitada, com a manutenção de prejuízos no dia a dia e resposta incompleta às intervenções propostas. Por isso, especialistas reforçam a importância de uma avaliação integrada, capaz de contemplar possíveis comorbidades⁷. 

Esse cenário é ainda mais desafiador entre mulheres, que historicamente apresentam maior subdiagnóstico tanto de TEA quanto de TDAH. A presença de manifestações menos evidentes e a chamada “camuflagem social” podem atrasar o reconhecimento dos transtornos⁴,⁵. Além disso, oscilações hormonais ao longo da vida podem influenciar a intensidade dos sintomas do TDAH⁸,¹⁰, com impacto também na cognição¹¹.

 

Tratamento e manejo do TDAH 

O cuidado com o TDAH pode envolver intervenções comportamentais, acompanhamento psicológico e, em alguns casos, farmacoterapia⁷. Além dos psicoestimulantes, há alternativas não estimulantes, como a atomoxetina, que atua como inibidor seletivo da recaptação de noradrenalina¹² e está disponível no Brasil desde 2023¹². A definição da estratégia deve ser individualizada, levando em conta o perfil do paciente, a presença de condições associadas, como o TEA, e a resposta ao longo do acompanhamento. 

Evidências recentes destacam o papel dos não estimulantes no TDAH. Um estudo da Nature Mental Health mostra que a atomoxetina pode ter eficácia semelhante à dos estimulantes para muitos pacientes, ampliando a escolha terapêutica desde o início do cuidado¹³. A análise de ensaios clínicos e dados de mundo real indica que o uso de não estimulantes pode favorecer estratégias mais individualizadas, reduzir ajustes sucessivos de medicação e oferecer alternativa em casos de baixa tolerabilidade ou restrições a substâncias controladas¹³.

  

Referências:

1 - ABDA – Associação Brasileira do Déficit de Atenção. Prevalência mundial do TDAH.
Disponível em:
https://tdah.org.br/sobre-tdah / Acesso em março de 2026

2 -  ABDA – Associação Brasileira do Déficit de Atenção. Dados de prevalência no Brasil.
Disponível em:
https://tdah.org.br/dados-estatisticos / Acesso em março de 2026

3 -  Faraone, S. V. et al. The persistence of ADHD into adulthood: a systematic review.
Disponível em:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17685774 / Acesso em março de 2026

4 - Lai, M.-C.; Baron-Cohen, S. Camouflaging in autism: theoretical and clinical implications.
Disponível em:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28229435 / Acesso em março de 2026

5 -  Hull, L. et al. Sex and gender differences in autism spectrum condition.
Disponível em:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28688088 /Acesso em março de 2026

6 -  Organização Mundial da Saúde (OMS). Adult ADHD Self-Report Scale (ASRS-18).
Disponível em:
https://www.who.int/publications/m/item/adult-adhd-self-report-scale-(asrs) /  Acesso em março de 2026

7 -  National Institute of Mental Health (NIMH). Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder.
Disponível em:
https://www.nimh.nih.gov/health/topics/attention-deficit-hyperactivity-disorder-adhd / Acesso em março de 2026

8 - Quinn, P. O. Hormonal fluctuations and ADHD in females across the lifespan.
Disponível em:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4195638 / Acesso em março de 2026

9 -  Rucklidge, J. J. Gender differences in ADHD: implications for diagnosis and treatment.
Disponível em:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19015507 / Acesso em março de 2026

10 -  Dorani, F. et al. Prevalence of premenstrual dysphoric disorder in women with ADHD.
Disponível em:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26301651/ Acesso em março de 2026

11 -  Impacto das alterações hormonais e da redução do estrogênio na cognição feminina durante a perimenopausa e menopausa. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7006984 / Acesso em março de 2026

12 - Informações regulatórias e científicas sobre atomoxetina no tratamento do TDAH. Agência Europeia de Medicamentos (EMA). Disponível em: https://www.ema.europa.eu/en/medicines/human/EPAR/strattera / Acesso em março de 2026

13 - Rethinking the role of non-stimulants in ADHD treatment. Nature Mental Health.
Disponível em:
https://www.nature.com / Acesso em março de 2026

 

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