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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Sono como marcador de saúde: os impactos das noites mal dormidas na mente e no corpo

 

                          Oscar Wong
                        Getty Image
Médico do CEJAM explica como a privação de sono pode desregular neurotransmissores, inflamar o organismo e agravar quadros como hipertensão, ansiedade e dor crônica 

 

Dormir bem deixou de ser apenas uma recomendação de estilo de vida para se tornar um marcador importante de saúde. Hoje, a ciência mostra que a qualidade do sono funciona como um termômetro do equilíbrio do organismo e que noites mal dormidas não só refletem problemas em curso, como também contribuem para o surgimento e agravamento de doenças crônicas.

Durante o sono, o cérebro entra em um modo de reorganização essencial. Neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina passam por ajustes que influenciam diretamente o humor, a concentração, o apetite e a resposta ao estresse. Quando esse processo é interrompido ou encurtado com frequência, o sistema nervoso permanece em estado de alerta. Estudos associam a privação de sono à instabilidade emocional, pior desempenho cognitivo e maior risco de transtornos de ansiedade e depressão.

“O sono é o momento em que o cérebro recalibra suas funções. Quando isso não acontece de forma adequada, o paciente começa a apresentar sinais que vão desde irritabilidade e fadiga até piora de quadros clínicos já existentes”, afirma Dr. Vinicius Bahia, especialista em clínica médica e cardiologia da Santa Casa de São Roque, unidade gerenciada pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” em parceria com a prefeitura da cidade.

Segundo ele, é comum que queixas como dor persistente, pressão descontrolada ou ansiedade estejam associadas a noites fragmentadas, mesmo quando o paciente não percebe essa relação de imediato.

Além dos impactos sobre o cérebro, o sono exerce papel decisivo na regulação do sistema imunológico. Dormir mal ativa processos inflamatórios, com aumento de substâncias associadas ao risco cardiovascular, à resistência à insulina e ao agravamento de doenças crônicas. Na prática, isso significa que esse hábito não apenas deixa o corpo mais vulnerável a infecções, como também favorece um estado inflamatório contínuo, que desgasta o organismo ao longo do tempo.

“É comum vermos pacientes com hipertensão difícil de controlar ou dores persistentes que melhoram quando o sono passa a ser tratado como parte do cuidado. Às vezes, ajustar hábitos de descanso tem impacto tão relevante quanto mudar uma medicação”, pontua.

A relação entre sono e pressão arterial é uma das mais documentadas. Durante a noite, espera-se uma queda natural da pressão, o chamado descenso noturno. Em pessoas que não têm uma boa noite de sono, essa redução não acontece adequadamente, o que mantém o sistema cardiovascular sob estresse e aumenta o risco de infarto e AVC. A privação crônica também eleva a produção de hormônios ligados ao estresse, como cortisol e adrenalina, dificultando o controle da pressão e do metabolismo.

No campo da saúde mental, os efeitos são igualmente expressivos. O sono insuficiente altera circuitos cerebrais ligados ao processamento emocional, tornando as pessoas mais reativas e menos capazes de regular sentimentos negativos. Pesquisas indicam que a insônia não é apenas sintoma, mas fator de risco independente para o desenvolvimento de ansiedade e depressão. Em quem já convive com esses quadros, dormir mal tende a dificultar a resposta ao tratamento.

A dor crônica segue a mesma lógica. Estudos mostram que a privação de sono reduz o limiar de dor e amplifica a percepção de estímulos dolorosos, criando um ciclo difícil de romper, em que a dor prejudica o descanso e o descanso insuficiente intensifica a dor.

Essas evidências reforçam que o sono deve ser visto como um pilar da saúde, ao lado da alimentação e da atividade física. “Cuidar do sono não é apenas dormir mais horas, mas dormir melhor. Regular horários, reduzir estímulos à noite e identificar distúrbios como insônia ou apneia fazem parte do cuidado. Quando o sono vai mal, geralmente não é por acaso. E quando melhora, os efeitos aparecem muito além da disposição ao acordar”, conclui Dr. Vinicius. 



CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial


Como reduzir a gordura abdominal na menopausa, segundo estudo

O acúmulo de gordura na região abdominal é uma das queixas mais frequentes entre mulheres na menopausa. A queda do estrogênio altera o metabolismo e favorece o aumento da gordura na cintura — mesmo em mulheres que nunca tiveram tendência ao ganho abdominal.

Além de alimentação equilibrada e atividade física regular, abordagens complementares vêm sendo investigadas como aliadas nesse processo. Entre elas, a aromaterapia ganha espaço como estratégia integrativa de cuidado corporal.

Segundo a aromaterapeuta, perfumista e neurocientista Daiana Petry, a ciência já começa a explorar como os óleos essenciais podem contribuir não apenas para o bem-estar emocional, mas também para aspectos físicos relacionados à composição corporal.


O que diz a ciência?

Um estudo clínico publicado no Journal of Korean Academy of Nursing avaliou os efeitos da massagem abdominal associada ao uso de óleos essenciais em mulheres na pós-menopausa. Durante seis semanas, as participantes foram divididas em dois grupos:

  • Um grupo realizou massagem abdominal com uma combinação de óleos essenciais de grapefruit e cipreste diluídos em óleo vegetal.
  • O outro grupo utilizou apenas o óleo vegetal, sem óleos essenciais.

Ao final do estudo, as mulheres que utilizaram os óleos essenciais apresentaram:

Redução da circunferência abdominal

Diminuição da gordura subcutânea na região da barriga

Melhora da percepção da própria imagem corporal

Para Daiana Petry, o resultado é promissor, mas deve ser interpretado com responsabilidade.

“A aromaterapia não substitui alimentação adequada nem exercício físico. Mas pode atuar como ferramenta complementar, estimulando circulação, drenagem de líquidos e promovendo um cuidado mais consciente com o próprio corpo — algo fundamental durante a menopausa”, explica.


Como os óleos atuam?

  • Óleo essencial de grapefruit: rico em limoneno, composto natural estudado por seu potencial de apoiar o metabolismo lipídico e auxiliar na redução do acúmulo de gordura.
  • Óleo essencial de cipreste: tradicionalmente utilizado para estimular a circulação e favorecer a drenagem de líquidos, ajudando a reduzir o inchaço e melhorar o contorno corporal.

Segundo a especialista, além dos possíveis efeitos locais da massagem, há também o componente neurofisiológico:

“O aroma atua no sistema límbico, área do cérebro ligada às emoções e ao comportamento. Quando a mulher se sente mais conectada ao próprio corpo, reduz o estresse e melhora a autoestima, isso também impacta positivamente a forma como ela cuida da saúde.”


Receita para redução da gordura abdominal

Uma forma simples de incorporar essa prática é preparar um óleo de massagem corporal.

  • 100 ml de óleo vegetal de semente de uva ou creme neutro corporal
  • 30 gotas de óleo essencial de cipreste
  • 30 gotas de óleo essencial de grapefruit

A dica da especialista é misturar bem e aplique na região abdominal uma vez ao dia, realizando movimentos circulares suaves no sentido horário.

Um cuidado importante

Os óleos essenciais são substâncias concentradas e devem sempre ser utilizados diluídos. É fundamental respeitar a dosagem recomendada e, em caso de sensibilidade cutânea ou condições de saúde específicas, buscar orientação profissional.

Mais do que uma solução isolada, a aromaterapia pode integrar um conjunto de cuidados voltados ao equilíbrio físico e emocional na menopausa — fase que exige atenção, acolhimento e estratégias sustentáveis de autocuidado.
 



Daiana Petry - @daianagpetry - Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia. Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial. Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
Link


Referência científica:
Kim HJ. Effect of aromatherapy massage on abdominal fat and body image in post-menopausal women. J Korean Acad Nurs. 2007 Jun;37(4):603-612. doi:10.4040/jkan.2007.37.4.603.


Método Canguru: como a prática humaniza o cuidado neonatal e melhora a evolução de bebês prematuros

 

Foto: Davidyson Damasceno/IgesDF

Adotada como política pública no Brasil, abordagem é detalhada por especialistas do CEJAM, que explica sobre os principais benefícios  

 

Reconhecido pelo Ministério da Saúde como política pública estratégica para o cuidado de recém-nascidos prematuros e de baixo peso, o Método Canguru é uma abordagem de assistência perinatal baseada no cuidado humanizado e centrado na família. No Brasil, cerca de 11% dos nascimentos ocorrem antes de 37 semanas de gestação, o equivalente a aproximadamente 340 mil bebês por ano.

O método é um modelo de atenção contínua que integra aspectos clínicos, emocionais e sociais. Segundo o neonatologista Dr. Mauro Palma Junior, do Hospital Geral de Itapevi (HGI), unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, trata-se de uma filosofia de cuidado. “O método envolve uma abordagem biopsicossocial, que coloca o recém-nascido e sua família no centro da assistência.”

No Brasil, o Método Canguru é estruturado em três etapas. A primeira ocorre no pré-natal e nas unidades neonatais, com identificação de gestantes de risco, estabilização clínica do bebê e início precoce do contato pele a pele. A segunda acontece na Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal Canguru, onde familiares e recém-nascidos permanecem juntos de forma contínua. A terceira se inicia após a alta hospitalar, com acompanhamento até que o bebê atinja cerca de 2.500 gramas ou 40 semanas de idade gestacional corrigida.

Os benefícios incluem maior estabilidade fisiológica, ganho de peso mais rápido, redução do tempo de internação, menor risco de infecções e fortalecimento do vínculo afetivo.

De acordo com a neonatologista da unidade, Dra. Marisa Schorr, a participação das famílias é determinante. “O contato pele a pele reduz o estresse do recém-nascido e favorece o desenvolvimento neurocomportamental, especialmente em bebês prematuros”, afirma.

O método também estimula a amamentação. Segundo a especialista, a proximidade contínua entre a pessoa lactante e o bebê facilita a pega, a sucção e a produção de leite.

A preparação para a alta inclui orientações sobre contato pele a pele, aleitamento, acompanhamento do desenvolvimento, sinais de alerta e prevenção de infecções, garantindo segurança e autonomia no cuidado domiciliar. 



CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial


Estudo com quase 900 mil mulheres reforça segurança da terapia hormonal na menopausa

  

Um dos maiores estudos já realizados sobre terapia hormonal da menopausa (TRH) acaba de trazer dados importantes para mulheres e profissionais de saúde. Publicado no periódico científico The BMJ, o estudo dinamarquês acompanhou 876.805 mulheres por um tempo médio de 14,3 anos e concluiu que a terapia hormonal não está associada a aumento da mortalidade geral.

 

A pesquisa utilizou registros nacionais da Dinamarca, acompanhando mulheres nascidas entre 1950 e 1977, desde os 45 anos de idade até julho de 2023. Entre elas, 11,9% utilizaram terapia hormonal sistêmica ao longo do seguimento. No total, foram registrados 47.594 óbitos durante o período analisado.

 

Após ajustes estatísticos rigorosos, incluindo idade, paridade, escolaridade, renda, comorbidades cardiovasculares e metabólicas, o estudo indicou ausência de aumento de risco e possível discreta redução.


 

Tempo de uso e tipo de TRH

 

O estudo também analisou o impacto conforme a duração da terapia hormonal e concluiu que não houve aumento consistente do risco de morte mesmo com uso prolongado.

 

Um dado particularmente relevante foi a análise por tipo de formulação. Mulheres que utilizaram predominantemente formulações transdérmicas (adesivo ou gel) apresentaram risco significativamente menor de mortalidade. Esse achado reforça a hipótese já discutida na literatura de que a via transdérmica pode ter menor impacto trombótico e metabólico quando comparada à via oral.


 

Impacto histórico

 

O estudo também documentou uma queda acentuada no uso da terapia hormonal após a publicação do Women’s Health Initiative, em 2002. Na Dinamarca, a proporção de mulheres de 55 anos que utilizavam ou já haviam utilizado TRH caiu de 27% em 2004–2006 para 9,7% em 2021–2023.

 

Para o médico ginecologista Dr. Alexandre Rossi, responsável pelo ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, os dados reforçam os benefícios, mas também a importância da individualização da conduta na TRH.

 

“A terapia hormonal deve ser indicada com base em evidência científica atualizada e na avaliação individual de cada paciente. Quando bem indicada, especialmente em mulheres recentemente menopausadas, sintomáticas e sem contraindicações, ela é uma ferramenta segura e eficaz para melhorar qualidade de vida.”

 

O especialista ressalta que o momento de início da terapia é relevante e que decisões devem considerar histórico cardiovascular, oncológico e perfil metabólico.

 

Em resumo, o estudo fortalece:

 

A TRH não aumenta mortalidade geral


A via transdérmica pode ter perfil particularmente favorável


As diretrizes atuais permanecem alinhadas às evidências

 

O estudo reforça recomendações internacionais que indicam a terapia hormonal para mulheres no início da menopausa com sintomas moderados a intensos, desde que não haja contraindicações.

 

O estudo está disponível em https://www.bmj.com/content/bmj/392/bmj-2025-085998.full.pdf

 

Por que o corpo da mulher muda depois dos 35 e o que ninguém explica direito

Metabolismo mais lento, perda de massa muscular e oscilações hormonais começam anos antes da menopausa, mas a maioria das mulheres só percebe quando o corpo já não responde como antes

 

Ela continua comendo praticamente as mesmas coisas. Mantém a rotina de exercícios, tenta dormir melhor, corta açúcar, faz tudo o que sempre funcionou. Mesmo assim, o peso sobe, o cansaço aparece, o inchaço não vai embora e o espelho começa a mostrar um corpo que parece outro.

Para muitas mulheres, essa mudança silenciosa começa por volta dos 35 anos e quase ninguém explica por quê.

 

O discurso mais comum é simples e reducionista: “é a idade”, “é o metabolismo”, “é normal”. Mas a ciência mostra que o que acontece nesse período é uma combinação complexa de alterações hormonais, perda progressiva de massa magra, mudanças na microbiota intestinal e maior impacto do estresse crônico sobre o organismo feminino.

 

Segundo o Dr. Arthur Victor de Carvalho, médico especialista em saúde hormonal da mulher, o problema não é a idade em si, é a falta de entendimento sobre o que o corpo começa a exigir a partir dessa fase.

 

“A mulher não começa a mudar de um dia para o outro. O que acontece é um processo gradual, que começa anos antes da menopausa. O metabolismo desacelera, a massa muscular diminui e os hormônios passam a oscilar. Mas como isso não é explicado, muitas mulheres acham que o problema é falta de disciplina quando, na verdade, é fisiologia.” 


 

A perda muscular começa antes do que se imagina

 

Um dos fatores mais ignorados nesse processo é a perda de massa magra. Estudos mostram que, a partir dos 30 anos, o corpo inicia um processo gradual de redução muscular, conhecido como sarcopenia precoce. Essa perda tende a se acelerar a cada década, especialmente em mulheres.

 

Uma pesquisa publicada no Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle indica que a perda de massa muscular pode começar ainda na terceira década de vida, impactando diretamente a taxa metabólica basal e a capacidade do corpo de queimar gordura.

 

Isso significa que, mesmo sem mudar a alimentação, o corpo passa a gastar menos energia ao longo do dia. O resultado é previsível: aumento de gordura corporal, principalmente na região abdominal, e maior dificuldade para emagrecer.

 

“O músculo é o principal motor do metabolismo. Quando a mulher perde massa magra, ela perde a capacidade de gastar energia. O corpo entra em modo de economia, e a gordura passa a ser acumulada com muito mais facilidade”, explica o médico.

 


Hormônios em transição: o início da perimenopausa silenciosa


Outro ponto-chave é a mudança hormonal. Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, a menopausa não começa apenas quando a menstruação cessa. O processo pode se iniciar anos antes, em uma fase chamada perimenopausa.

 

Nessa etapa, os níveis de estrogênio e progesterona começam a oscilar, o que pode gerar sintomas como:

  • cansaço frequente;
  • irritabilidade;
  • alterações no sono;
  • dificuldade de concentração;
  • aumento de gordura abdominal;
  • queda de libido.

 

Um estudo publicado na revista Endocrine Reviews mostra que essas flutuações hormonais podem impactar diretamente o metabolismo energético, favorecendo o acúmulo de gordura visceral e a resistência à insulina.

 

“Muitas mulheres chegam ao consultório dizendo que estão fazendo tudo certo, mas o corpo não responde. O que elas não sabem é que já estão vivendo alterações hormonais típicas da perimenopausa, mesmo ainda menstruando”, afirma o Dr. Arthur.

 


O intestino também muda e isso afeta o peso


Outro fator pouco discutido é a microbiota intestinal. Pesquisas recentes mostram que a composição das bactérias intestinais muda ao longo da vida, influenciada por hormônios, estresse, alimentação e qualidade do sono.

 

Um estudo publicado na revista Nature Reviews Endocrinology aponta que alterações na microbiota podem influenciar a inflamação sistêmica, a sensibilidade à insulina e a regulação do apetite, todos fatores diretamente ligados ao ganho de peso.

 

Quando a microbiota perde diversidade, o organismo tende a operar em um estado inflamatório de baixo grau, dificultando o emagrecimento e favorecendo o acúmulo de gordura.

 

O intestino é um órgão metabólico e hormonal. Quando a microbiota está desregulada, ela altera a forma como o corpo processa alimentos, controla o apetite e armazena gordura. E isso se torna ainda mais evidente após os 35.

 


O impacto silencioso do estresse e do cortisol


Além das mudanças hormonais e metabólicas, o estilo de vida moderno exerce um papel decisivo nesse processo. A partir dos 30 e poucos anos, muitas mulheres enfrentam sobrecarga profissional, maternidade, pressão estética e falta de tempo para autocuidado.

 

Esse cenário mantém o organismo em estado constante de estresse, elevando os níveis de cortisol, o hormônio associado à resposta de alerta.

Níveis elevados e crônicos de cortisol estão associados a: 

  • maior acúmulo de gordura abdominal;
  • perda de massa muscular;
  • aumento do apetite por alimentos calóricos;
  • piora da qualidade do sono;
  • resistência à insulina. 

“O corpo feminino é extremamente sensível ao estresse. O cortisol alto funciona como um sinal de sobrevivência, e o organismo passa a armazenar gordura como forma de proteção. Isso muda completamente a forma como a mulher responde à dieta e ao treino”, afirma o médico.

 


Por que o que funcionava antes deixa de funcionar


Somando perda de massa muscular, oscilações hormonais, alterações intestinais e estresse crônico, o corpo feminino passa a operar de forma diferente. Estratégias que funcionavam aos 25 anos podem deixar de surtir efeito aos 35.

 

Dietas muito restritivas, excesso de cardio e falta de sono, por exemplo, podem acelerar a perda muscular e elevar o cortisol, piorando o quadro metabólico.

 

“A mulher não precisa treinar mais, nem comer menos. Ela precisa treinar melhor, preservar músculo, ajustar hormônios e cuidar do intestino. Quando o organismo volta ao equilíbrio, o metabolismo responde”, diz o Dr. Arthur.

 


O novo paradigma: saúde metabólica antes da menopausa


A medicina moderna tem caminhado para uma abordagem mais preventiva, especialmente na saúde feminina. Em vez de esperar a menopausa para tratar sintomas, especialistas defendem intervenções precoces, focadas em: 

  • manutenção da massa muscular;
  • ajuste hormonal individualizado;
  • alimentação anti-inflamatória;
  • equilíbrio da microbiota intestinal;
  • controle do estresse e do sono. 

Estudos mostram que mulheres com maior massa muscular e melhor equilíbrio metabólico têm menor risco de doenças cardiovasculares, osteoporose, diabetes e declínio cognitivo ao longo da vida.


O corpo da mulher não “trai” depois dos 35. Ele apenas passa a exigir estratégias diferentes. O metabolismo deixa de ser guiado apenas por calorias e passa a responder a fatores hormonais, musculares e inflamatórios.

 

“Não é que a mulher engorde porque ficou desleixada. É porque o corpo mudou, e ninguém explicou isso para ela. Quando ela entende o que está acontecendo, a transformação deixa de ser uma luta contra o corpo e passa a ser um trabalho a favor dele”, conclui o especialista, Dr. Arthur Victor de Carvalho.

 

Dr. Arthur Victor de Carvalho - médico especialista em menopausa, lipedema e modulação hormonal. Atua com foco na saúde da mulher moderna, unindo ciência, escuta e individualização para devolver às pacientes o que a medicina tradicional muitas vezes ignorou: vitalidade, bem-estar e liberdade para envelhecer com potência.

 

Manchas e sinais na pele e no corpo podem revelar risco cardiovascular elevado, alertam especialistas do InCor

 

Alterações cutâneas e físicas podem indicar colesterol e triglicérides altos, além maior risco de aterosclerose, especialmente em pessoas jovens


Manchas na pele, a exemplo do sinal de Frank (dobra diagonal no lóbulo da orelha), e alterações como xantelasma (placas amareladas nas pálpebras), xantomas tendinosos (nódulos firmes em tendões, especialmente no de Aquiles) e arco corneano (anel esbranquiçado ao redor da córnea) no corpo podem funcionar como marcadores visíveis de risco cardiovascular. Quem alerta é diretor da Unidade de Hipertensão Arterial do Instituto do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), Luiz Bortolotto.

Para o especialista, a presença desses sinais deve levar o paciente a uma avaliação cardiológica, mesmo sem sintomas clássicos. “A investigação inclui exames de colesterol, triglicérides, glicemia e testes de imagem para verificar a formação de placas nas artérias. Não há, entretanto, necessidade de busca imediata por serviços de urgência — a avaliação pode ser feita em consulta de rotina.”

Bortolotto ressalta ainda que o médico pode identificar outros achados relevantes, como pulsos periféricos diminuídos, sopros nas carótidas, pressão arterial elevada e aumento da circunferência abdominal. Valores de pressão a partir de 140/90 mmHg, afirma, já configuram risco cardíaco aumentado.

A presença desses sinais ganha ainda mais peso em pessoas jovens e assintomáticas, pois pode indicar distúrbios metabólicos importantes, geralmente associados a fatores de risco tradicionais. Quando aparecem precocemente, reforçam a necessidade de investigação direcionada e acompanhamento especializado para prevenção de doenças do coração.

Embora não exista relação direta entre o sinal de Frank, demais alterações e infarto, o Presidente do Conselho Diretor do InCor, Prof. Dr. Roberto Kalil Filho, destaca que estudos já demonstraram associação entre o vinco no lóbulo da orelha e obstruções arteriais. Ele destaca, porém, que o sinal não é um fator de risco em si, portanto, não significa que todos os portadores terão doença cardíaca.

“Os verdadeiros fatores de risco para infarto continuam sendo hipertensão arterial, diabetes, sedentarismo, tabagismo, colesterol elevado e consumo excessivo de álcool — elementos que comprovadamente aumentam a incidência de infarto e acidente vascular cerebral.” Segundo Kalil, a gordura abdominal também é um fator comprovadamente associado a maior risco de doença coronária e infarto. “Importante manter hábitos saudáveis e praticar exercícios, independentemente da presença ou não de sinais.”

 

InCor


Mês do Combate ao Câncer: especialista esclarece mitos sobre o teranóstico, abordagem que personaliza o tratamento oncológico

O que é verdade sobre a técnica que une diagnóstico e tratamento do câncer 

Receber o diagnóstico de câncer costuma vir acompanhado de dúvidas, medos e muitas informações, nem sempre claras. Em meio a esse cenário, termos como teranóstico ainda soam distantes para grande parte dos pacientes, apesar de já fazer parte da rotina de centros de referência no Brasil. No Dia Mundial de Combate ao Câncer, o Dr. Carlos Alberto Buchpiguel, professor da Faculdade de Medicina da USP e diretor do Serviço de Medicina Nuclear do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas, desmistifica alguns mitos sobre essa abordagem que vem transformando a forma de diagnosticar e tratar a doença na oncologia moderna.

 

Mito: Teranóstico é algo experimental ou ainda em fase de testes  

Verdade: O teranóstico já é uma realidade na prática clínica, especialmente em centros especializados. Ele é uma estratégia da medicina nuclear que integra diagnóstico e tratamento em um único processo, utilizando, na maioria das vezes, a mesma molécula para identificar e tratar o tumor. 

De forma simplificada, essa molécula é inicialmente ligada a um marcador com finalidade diagnóstica e utilizado em exames de imagem, como o PET/CT, permitindo identificar com precisão onde estão as células doentes e quais características elas apresentam. Em seguida, a mesma molécula pode ser ligada a um outro tipo substância (isótopo radioativo) com finalidade terapêutica, capaz de induzir a morte do tecido tumoral. 

“Com essa análise molecular não invasiva (através de imagem), conseguimos entender se diferentes lesões espalhadas pelo corpo têm a mesma origem e a mesma expressão biológica. Isso muda completamente a condução do tratamento”, explica o Dr. Buchpiguel.

 

Mito: Todo paciente com câncer pode fazer teranóstico  

Verdade: O teranóstico não é indicado para todos os pacientes. Ele só funciona quando o tumor expressa um alvo molecular específico, que precisa ser identificado previamente nos exames de imagem. “A indicação depende diretamente do que vemos no PET/CT. É a imagem que mostra se aquela doença expressa o alvo necessário para que a terapia funcione, por isso a precisão da imagem nessa etapa é fundamental”, afirma o especialista. 

Essa seleção cuidadosa é justamente o que torna o tratamento mais assertivo e personalizado evitando terapias que não trariam benefício real para aquele paciente.

 

Mito: O tratamento causa muitos efeitos colaterais  

Verdade: Por ser altamente direcionado e afetando praticamente apenas o tecido tumoral, com pouco efeito nos tecidos saudáveis vizinhos, o teranóstico tende a provocar menos efeitos colaterais quando comparado a abordagens menos específicas. O radiofármaco atua principalmente sobre as células doentes, poupando, em grande parte, os tecidos não comprometidos pelo câncer. 

“Quando conseguimos levar a radiação exatamente até o tumor, aumentamos a chance de resposta clínica e reduzimos impactos no organismo como um todo. Isso se reflete diretamente na qualidade de vida do paciente”, destaca o Dr. Buchpiguel.

 

Mito: O teranóstico serve apenas para tratar o câncer de próstata  

Verdade: Embora seja mais conhecido no tratamento do câncer de próstata, especialmente em fases mais avançadas da doença, o teranóstico não se limita a esse tipo de tumor. Uma outra área de aplicação do teranóstico já aprovada no Brasil e em outros países é para o tratamento de tumores neuroendócrinos metastáticos, com significativo impacto positivo na melhora da sobrevida global desses pacientes. Estudos e aplicações clínicas vêm avançando em outras áreas da oncologia, reforçando o papel da medicina nuclear e da imagem molecular como pilares da oncologia de precisão. No Brasil, essa abordagem vem ganhando espaço em centros especializados, acompanhando uma tendência global de personalização do cuidado oncológico. 

Para o paciente, entender como o teranóstico funciona e em quais situações ele pode ser indicado é parte importante da jornada de cuidado. “Informação de qualidade ajuda a reduzir o medo e alinhar expectativas. O fundamental é conversar com a equipe médica para entender quais opções fazem sentido para cada caso”, orienta o especialista.


Fevereiro Roxo: TENA destaca cuidados com a incontinência urinária em pessoas com Alzheimer

Com o avanço do quadro de Alzheimer, é comum que pacientes
 desenvolvam incontinência urinária e é importante utilizar os
 produtos específicos para a condição
DIVULGAÇÃO TENA
Campanha chama atenção para os sintomas da doença e a marca da Essity reforça a importância do cuidado integral com o paciente.

 

TENA, marca número 1 mundial em produtos para incontinência urinária em adultos, que faz parte da Essity, líder global em higiene e saúde, reforça durante a campanha Fevereiro Roxo a importância de ampliar a conscientização sobre o Alzheimer, doença neurodegenerativa que provoca o declínio das funções cognitivas e pode levar à perda de autonomia e a sintomas como a incontinência urinária. Segundo informações do Governo Federal, a condição é a causa mais comum de demência. No Brasil, aproximadamente 6% da população com mais de 60 anos convive com a doença, de acordo com dados da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz). 

Com o avanço do quadro, é comum que o paciente apresente dificuldades para reconhecer sensações corporais básicas, como a vontade de urinar, o que pode levar a episódios de escapes involuntários. “Na prática, a pessoa com Alzheimer pode não perceber a necessidade de ir ao banheiro, não reconhecer o ambiente ou não conseguir utilizá-lo corretamente”, explica Maria Alice Lelis, doutora em Ciências da Saúde – Urologia pela Unifesp e enfermeira consultora de TENA. 

A especialista explica que a incontinência urinária, frequentemente, é uma condição tratável. “A incontinência tem tratamento e, em muitos casos, pode ser revertida. Enquanto a cura não vem, é fundamental utilizar produtos específicos para incontinência urinária, com tecnologia de alta absorção e controle de odor, que ajudam a preservar a dignidade, o conforto e a saúde da pele”, orienta. 

“Por outro lado, nas pessoas com Doença de Alzheimer, a Incontinência Urinária pode ser classificada como Incontinência Funcional, por estar associada ao declínio cognitivo progressivo e ao comprometimento gradativo da mobilidade, gerando dificuldades em reconhecer a necessidade de urinar e de realizar tarefas simples, como ir ao banheiro urinar”, explica a enfermeira. 

Maria Alice destaca que nestes casos, os cuidados devem ser redobrados. O cuidado com a pele deve fazer parte da rotina de pacientes com Alzheimer que apresentam escapes de urina. “A exposição prolongada da pele à umidade aumenta o risco de irritações e lesões. Por isso, é importante mantê-la limpa, seca e protegida, além de escolher produtos desenvolvidos especificamente para os diferentes níveis de incontinência e adequados para a capacidade de mobilidade da pessoa”, afirma. 

Entre as orientações para o dia a dia, a enfermeira ressalta a importância de estabelecer horários regulares para o uso do banheiro, manter o ambiente bem iluminado e sinalizado, facilitar o acesso ao sanitário e adotar uma comunicação calma e respeitosa durante os cuidados. “Essas medidas ajudam a reduzir episódios de escapes involuntários e contribuem para o bem-estar emocional do paciente e de quem cuida”, completa. 

No cuidado com a incontinência urinária, a escolha do produto deve considerar o nível de mobilidade da pessoa. Absorventes para incontinência e roupas íntimas descartáveis (as pants) são indicados para quem ainda consegue se locomover e utilizar o banheiro de forma independente ou com auxílio. Já nos casos em que a pessoa com Alzheimer apresenta mobilidade reduzida ou permanece acamada, o uso de fraldas é mais adequado, pois facilita o cuidado diário, ajuda a evitar vazamentos e contribui para a proteção da pele. 

A campanha Fevereiro Roxo tem como objetivo ampliar o debate sobre doenças crônicas, como o Alzheimer, e incentivar o diagnóstico precoce, o acesso à informação e o cuidado integral, com o tratamento médico ideal para garantir a qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares.

 

Essity
site da Essity


Entenda como a pressa na hora de comer pode sabotar sua saúde

Getty Images 

O ‘Mindful Eating’ ou ‘Alimentação Consciente’ vem ganhando relevância como antídoto ao estresse moderno


O Brasil carrega o título de país mais ansioso do mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), e esse traço comportamental tem impactado diretamente a forma como nos alimentamos. Relatórios recentes de tendências de consumo, como o Brasil Food Trends, apontam um crescimento na busca por conveniência, mas também revelam um paradoxo: nunca se valorizou tanto a saudabilidade, ao mesmo tempo em que as refeições se tornam cada vez mais rápidas e solitárias, muitas vezes feitas em frente a telas.

Esse cenário de "alimentação distraída" ignora um fato biológico crucial: o cérebro leva cerca de 20 minutos para começar a processar a saciedade. Ao comer com pressa, o consumidor ingere uma quantidade maior de alimento que necessita antes mesmo de perceber que está satisfeito.

O conceito de ‘Mindful Eating’, que em português significa comer com atenção plena, surge não como uma dieta, mas como uma resposta comportamental a esse ritmo frenético. A proposta é resgatar a conexão entre mente e corpo durante a refeição. Quando a mastigação é mecânica e acelerada, perde-se a percepção sensorial, como o aroma, textura e sabor, transformando o ato de comer em uma tarefa automática, o que prejudica a digestão e aumenta o nível de cortisol (hormônio do estresse) no organismo.

"A digestão e a saciedade são também processos neurológicos. Quando comemos no 'piloto automático', focados nos problemas do dia ou nas telas, bloqueamos a percepção de prazer que a comida deveria proporcionar. O resultado é que o corpo continua pedindo comida, não por fome física, mas por uma insatisfação sensorial e até emocional", explica Priscila Andrade, nutricionista e gerente de Marketing-Nutrição da Ajinomoto do Brasil.

Nesse contexto, o papel da indústria de alimentos se expande. Mais do que oferecer produtos práticos ou nutricionalmente balanceados, o setor tem a responsabilidade de fomentar uma relação mais saudável com a comida. A praticidade, muitas vezes vista como inimiga da saúde, deve ser ressignificada com o uso de produtos que agilizam o preparo na cozinha e otimizam tempo para que a pessoa possa comer com calma, e não precise se alimentar com pressa.

"Temos o dever de lembrar ao consumidor que a refeição é uma pausa necessária e importante e a indústria deve oferecer opções que entreguem tanto praticidade quanto uma experiência sensorial rica. E é por isso que a Ajinomoto do Brasil investe em uma equipe de especialistas em alimentos que desenvolvem receitas e outros conteúdos que incentivam as pessoas a saírem do modo 'engolir' para o modo 'saborear', mostrando que aproveitar esses momentos é uma das formas mais eficientes de promover saúde mental e física simultaneamente", finaliza Priscila.
 

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

A Ajinomoto do Brasil desenvolve projetos e ações alinhados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), que visam alcançar um mundo mais igualitário e sustentável até 2030. Clique aqui para conhecer mais sobre esses projetos. 

A divulgação deste material colabora diretamente para os seguintes ODS:



Ajinomoto do Brasil
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