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terça-feira, 2 de junho de 2026

CPTM recebe ações de divulgação do Vestibular das Fatecs em duas estações

Divulgação
CPTM

Iniciativas levam informações sobre cursos gratuitos do Centro Paula Souza aos passageiros, nos dias 2 e 3 de junho

 

Quem passar pelas estações Jardim Romano e Aracaré, da CPTM, nos dias 2 e 3 de junho, poderá participar das ações de divulgação do Vestibular das Fatecs, com informações sobre cursos, processo seletivo e oportunidades de formação gratuita. 

Durante as atividades, representantes da Fatec de Itaquaquecetuba estarão à disposição das pessoas para esclarecer dúvidas sobre o processo seletivo, modalidades de ingresso e cursos oferecidos pela instituição. A iniciativa busca aproximar a população das oportunidades de ensino superior gratuito e de qualidade. 

Os cursos disponíveis na modalidade presencial e EAD: Secretariado (manhã e noite), Gestão Comercial (manhã e noite), Gestão da Tecnologia da Informação (manhã), Gestão de Comércio Eletrônico (tarde) e Gestão Empresarial (modalidade EAD).

 

Serviço

Vestibular Fatec – Ações de divulgação nas estações da CPTM

Estação Jardim Romano (Linha 12-Safira)
Data: terça-feira (02/06)
Horário: das 19h às 22h
 

Estação Aracaré (Linha 12-Safira)
Data: quarta-feira (03/06)
Horário: das 19h às 22h 


Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil: escolas estão preparadas para enfrentar essa epidemia?

 

Um em cada três adolescentes brasileiros já apresenta excesso de peso. Sem mudanças urgentes no ambiente escolar, a obesidade infantil tende a se agravar e comprometer o futuro de milhões de crianças
 

No dia 03 de junho, é o Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil, com o objetivo de dar visibilidade ao problema, estimular práticas alimentares mais saudáveis nas escolas e em casa, além de incentivar a prática de atividades físicas desde cedo.

No Brasil, os números mostram que a urgência é real: 16,5 milhões de crianças e adolescentes (5 a 19 anos) vivem com sobrepeso ou obesidade. Isso significa que uma em cada cinco crianças e adolescentes está acima do peso. Estimativas indicam que, se a tendência atual se mantiver, metade das crianças e adolescentes no Brasil terá sobrepeso ou obesidade até 2040 (Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2026).

As consequências desse aumento vão além da balança: excesso de peso precoce eleva o risco de doenças cardíacas, diabetes e até AVC. Este ano, a gravidade do problema levou o Conselho Federal de Medicina (CFM) a autorizar a cirurgia bariátrica em adolescentes a partir dos 14 anos.

Uma das chaves para virar esse jogo está dentro das escolas. Segundo Mariana Ruske, pedagoga e fundadora da Senses Montessori School, a responsabilidade das instituições de ensino é enorme:

“A infância é a fase mais importante para a consolidação do paladar, permeando escolhas que a criança tende a sustentar por toda a vida. A escola deve ser consciente e consistente ao oferecer alimentos variados, nutritivos e minimamente processados, criando um ambiente que incentive hábitos positivos. Essa responsabilidade não se restringe ao cardápio, mas envolve também o modo como o alimento é apresentado, o ritual das refeições e a relação com a comida.”

Grande parte das crianças passa mais tempo na escola do que em casa. Por isso, o ambiente escolar pode ser tanto um aliado quanto um vilão na luta contra a obesidade. Cantinas que priorizam salgadinhos, biscoitos recheados e refrigerantes contribuem para perpetuar o problema.

“As crianças são extremamente sensíveis ao ambiente. Se normalizam o consumo de ultraprocessados na escola, esse hábito tende a se perpetuar na vida adulta. Já quando participam do preparo e da escolha dos alimentos, há maior adesão a hábitos saudáveis”, explica Mariana.

Entre os maiores desafios enfrentados pelas instituições estão a conscientização da própria equipe escolar, o alinhamento com as famílias e o apelo sensorial dos ultraprocessados. Mas, segundo a pedagoga, existem estratégias práticas que podem transformar essa realidade:

  • Banir ultraprocessados das cantinas e dos lanches enviados de casa.
  • Oferecer lanches nutritivos e variados, com foco em alimentos frescos e sazonais.
  • Educar pelo exemplo, com professores e pais sendo modelos de hábitos equilibrados.
  • Incluir a criança no processo, desde a recepção dos alimentos até o preparo e a organização das refeições.

“A consistência entre escola e família é o que realmente forma hábitos sólidos. Quando os dois ambientes caminham juntos, a criança cresce mais saudável, e a comunidade escolar fortalece sua reputação de cuidado integral”, reforça a pedagoga.

O Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil é um convite à reflexão: combater a obesidade infantil não é apenas uma questão estética, mas uma urgência de saúde pública. Escolas que assumem esse protagonismo não apenas educam, mas salvam vidas.


Mariana Ruske - Pedagoga da Senses Montessori School


Corpus Christi é feriado? Advogado explica quais são os direitos dos trabalhadores na data

Pexels


Especialista esclarece quando a folga é obrigatória, o que muda em cidades onde a data é ponto facultativo e quais regras valem para quem trabalha no dia


Com a aproximação de Corpus Christi, celebrado em 4 de junho de 2026, muitos trabalhadores e empresas voltam a ter dúvidas sobre a natureza da data e os direitos relacionados ao expediente. Afinal, Corpus Christi é feriado nacional? O trabalhador pode ser convocado para trabalhar? Há direito a pagamento em dobro? 

Diferentemente da Sexta-feira Santa, Corpus Christi não é considerado feriado nacional. A data costuma ser definida como feriado municipal ou ponto facultativo, dependendo da legislação local de cada cidade ou estado. Por isso, as regras podem variar conforme o local de atuação da empresa e do trabalhador. 

Segundo o advogado trabalhista Carlos Alexandre Moreira Weiss, da Weiss Advocacia, é importante verificar a legislação municipal e os acordos coletivos da categoria antes de definir o funcionamento das atividades. “Em muitos municípios, Corpus Christi é oficialmente reconhecido como feriado. Nesses casos, o trabalhador possui os mesmos direitos garantidos em outros feriados, incluindo pagamento em dobro ou folga compensatória caso haja expediente”, explica. 

Já nas localidades em que a data é apenas ponto facultativo, o funcionamento das empresas pode ocorrer normalmente. “O ponto facultativo não obriga o empregador a dispensar os funcionários. A empresa pode manter suas atividades normalmente, desde que respeite as regras da jornada de trabalho”, afirma Weiss. 

O especialista destaca ainda que a comunicação clara entre empresas e colaboradores ajuda a evitar conflitos e dúvidas sobre escalas, folgas e compensações. “O ideal é que o empregador informe previamente como será o funcionamento durante o período, especialmente em empresas que atuam em diferentes cidades, onde a legislação pode mudar”, pontua. 

Carlos Alexandre Moreira Weiss também reforça a importância de atenção às convenções coletivas. “Além da legislação local, algumas categorias possuem regras específicas negociadas em acordos sindicais, o que pode alterar a forma de compensação ou funcionamento no dia de Corpus Christi”, conclui. 

 

Perdeu o prazo do Imposto de Renda? Veja o que fazer agora


O prazo para entrega da Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física 2026, referente ao ano-base 2025, encerrou às 23h59min59s da sexta-feira, 29 de maio. Segundo a Receita Federal, a expectativa era receber cerca de 44 milhões de declarações neste ano. Quem estava obrigado a declarar e não enviou o documento dentro do prazo agora deve regularizar a situação o quanto antes para evitar o agravamento de pendências fiscais.

De acordo com a Receita Federal, o contribuinte que perdeu o prazo está sujeito à multa por atraso na entrega, calculada em 1% ao mês ou fração de atraso sobre o imposto devido, com valor mínimo de R$ 165,74 e limite máximo de 20% do imposto devido. Mesmo quem não tem imposto a pagar pode ser penalizado com a multa mínima.

Para o contador tributarista e mestre em negócios internacionais André Charone, o pior erro neste momento é deixar a situação se arrastar.

“Quem perdeu o prazo não deve esperar uma notificação da Receita para agir. A orientação é transmitir a declaração o quanto antes, mesmo com atraso, porque a multa começa a contar e a ausência de entrega pode gerar reflexos no CPF e em outras situações da vida financeira do contribuinte”, explica Charone.

Após o encerramento do prazo, a Receita suspendeu temporariamente a recepção de declarações originais e retificadoras, retomando o envio a partir das 9h da segunda-feira, 1º de junho de 2026. A declaração em atraso pode ser feita pelo programa do Imposto de Renda, pelo aplicativo da Receita Federal ou pelo serviço Meu Imposto de Renda, disponível no e-CAC.



O que fazer se perdeu o prazo?


O primeiro passo é reunir os documentos necessários, como informes de rendimentos, recibos médicos, comprovantes de despesas com educação, dados bancários, documentos de bens, dívidas, investimentos e eventuais rendimentos de dependentes.

Segundo André Charone, mesmo que o contribuinte ainda não tenha todos os documentos em mãos, é importante avaliar a situação com cuidado.

“A declaração deve ser enviada com o máximo de consistência possível. Em alguns casos, quando falta algum documento pontual, pode ser melhor entregar e depois retificar do que simplesmente permanecer omisso. Mas isso precisa ser feito com cautela, porque informações incompletas ou incompatíveis aumentam o risco de malha fina”, alerta.

A multa é gerada no momento da transmissão da declaração em atraso. Caso o contribuinte tenha imposto a restituir, o valor da multa poderá ser descontado da restituição. Se houver imposto a pagar ou se não houver restituição suficiente, será necessário emitir e pagar o DARF correspondente.



O CPF pode ficar irregular?

A falta de entrega da declaração pode deixar o CPF do contribuinte com pendência de regularização. Essa situação pode gerar dificuldades em operações financeiras, obtenção de crédito, abertura de conta bancária, emissão de passaporte, participação em concursos e outros procedimentos que exigem regularidade cadastral.


Para Charone, esse é um dos pontos mais sensíveis.

“Muita gente acha que o problema se resume à multa, mas a omissão da declaração pode criar uma bola de neve. Além da penalidade financeira, o contribuinte pode enfrentar restrições cadastrais e dificuldades para comprovar renda, obter crédito ou resolver questões patrimoniais”, afirma.



Quem não era obrigado a declarar precisa se preocupar?

Nem todo contribuinte precisa entregar declaração. A obrigação depende das regras de enquadramento do IRPF 2026, como rendimentos tributáveis, rendimentos isentos, bens, atividade rural, operações em bolsa e outras hipóteses previstas pela Receita Federal na regulamentação do ano. As regras foram detalhadas pela Receita na Instrução Normativa nº 2.312/2026.


Por isso, antes de se desesperar, é necessário verificar se realmente havia obrigação de declarar.

“Perder o prazo só gera consequência para quem estava obrigado a entregar. O contribuinte precisa primeiro confirmar se se enquadra nas regras de obrigatoriedade. Se estiver obrigado, deve regularizar imediatamente. Se não estiver, pode até entregar de forma facultativa em alguns casos, mas não sofre multa por não ter enviado”, explica André Charone.


E quem entregou com erro?

Quem enviou a declaração dentro do prazo, mas percebeu erros ou omissões, pode fazer uma declaração retificadora. A retificação serve para corrigir informações como rendimentos esquecidos, despesas lançadas incorretamente, dependentes incluídos de forma indevida, bens não declarados ou dados bancários errados.

A diferença é que quem entregou dentro do prazo não paga multa por atraso apenas por retificar. No entanto, se a correção aumentar o imposto devido, poderá haver cobrança de imposto complementar com acréscimos legais.

“A retificação é uma ferramenta importante, mas não deve ser usada de qualquer forma. O contribuinte precisa corrigir a origem do problema, não apenas tentar ‘ajustar’ números. A Receita cruza informações com fontes pagadoras, bancos, cartórios, operadoras de saúde e diversas outras bases. Inconsistências tendem a aparecer”, destaca Charone.


Orientação final

Para quem perdeu o prazo, a recomendação é clara: não adiar mais. O contribuinte deve reunir os documentos, preencher a declaração, revisar as informações e transmitir o quanto antes. Depois, deve acompanhar o processamento pelo e-CAC para verificar se há pendências ou necessidade de correção.

“O Imposto de Renda não termina no envio da declaração. É fundamental acompanhar o processamento, verificar se caiu em malha e guardar os documentos por pelo menos cinco anos. Regularizar rápido reduz danos, evita transtornos e demonstra boa-fé perante o Fisco”, conclui André Charone.

 



André Charone - contador, professor universitário, Mestre em Negócios Internacionais pela Must University (Flórida-EUA), possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela FGV (São Paulo – Brasil) e certificação internacional pela Universidade de Harvard (Massachusetts-EUA) e Disney Institute (Flórida-EUA). É sócio do escritório Belconta – Belém Contabilidade e do Portal Neo Ensino, autor de livros e centenas de artigos na área contábil, empresarial e educacional. Seu mais recente trabalho é o livro "Empresário Sem Fronteiras: Importação e Exportação para pequenas empresas na prática", em que apresenta um guia realista para transformar negócios locais em marcas globais. A obra traz passo a passo estratégias de importação, exportação, precificação para mercados externos, regimes tributários corretos, além de dicas práticas de negociação e prevenção contra armadilhas no comércio internacional. Disponível em versão física: https://loja.uiclap.com/titulo/ua111005/
digital: https://play.google.com/store/books/details?id=nAB5EQAAQBAJ&pli=1
Instagram: @andrecharone



9 coisas para fazer em Miami durante a Copa do Mundo da FIFA 2026



Cidade terá festas temáticas, festivais oficiais, experiências culturais e atrações espalhadas por diferentes regiões durante o torneio


Miami promete viver intensamente o clima da Copa do Mundo da FIFA 2026. Além de receber sete partidas no Hard Rock Stadium, incluindo jogos eliminatórios e a disputa pelo terceiro lugar, a cidade prepara uma programação especial para turistas e fãs de futebol, com festivais, ativações culturais, experiências interativas e eventos espalhados por diferentes regiões. 

Com a expectativa de atrair visitantes do mundo inteiro, incluindo muitos brasileiros que devem viajar aos Estados Unidos durante o torneio, Miami aposta em atrações que vão muito além dos jogos, transformando a cidade em um grande centro de entretenimento durante a competição. 

Segundo Daniel Ickowicz, brasileiro que vive na cidade há mais de 20 anos e é CEO da consultoria imobiliária Elite International Realty, a Copa deve ampliar ainda mais a   projeção internacional de Miami e impulsionar diferentes setores da economia local. 

 “A Copa do Mundo movimenta muito mais do que o futebol. Miami já possui uma estrutura internacional consolidada e eventos esportivos desse porte fortalecem ainda     mais setores como turismo, hotelaria, gastronomia, entretenimento e mercado imobiliário. A cidade está preparada para receber visitantes do mundo inteiro”, afirma. 

Confira algumas das principais atrações programadas para acontecer em Miami durante a Copa do Mundo da FIFA 2026: 


 1. Visitar o FIFA Fan Festival Miami



O Bayfront Park receberá o FIFA Fan Festival Miami, espaço gratuito que contará com telões para transmissão dos jogos, apresentações musicais, ativações culturais e experiências voltadas aos torcedores. 


 2. Participar da caça ao tesouro “ArenaofNations” 



Miami Beach terá uma experiência interativa com 48 bolas infláveis gigantes espalhadas pela cidade, representando as seleções classificadas para a Copa do Mundo. A proposta é incentivar moradores e turistas a explorarem diferentes pontos da região. 


 3. Conferir a instalação “THE GOOOOAAAAAL IS LOVE”



O The Betsy Orb, em South Beach, receberá uma projeção digital temática criada pelo artista dNASAb, unindo tecnologia, arte e referências ao universo do futebol. 


 4. Conhecer o pop-up da POP MART inspirado na Copa


Em Brickell, a POP MART abrirá uma loja temporária com produtos licenciados da FIFA, incluindo bonecos colecionáveis, acessórios e itens temáticos voltados aos fãs do torneio.
 


 5. Assistir aos jogos em festas temáticas pela cidade




Bares esportivos, espaços ao ar livre e casas noturnas de Miami devem promover transmissões especiais das partidas ao longo do torneio. Entre os destaques estão eventos em locais tradicionais da cidade e festas voltadas para torcedores de diferentes nacionalidades. 


 6. Comprar produtos oficiais da Copa do Mundo



A loja oficial da Copa do Mundo de 2026 em Miami Beach reunirá camisas das seleções, itens colecionáveis, roupas e experiências interativas para os visitantes. 

 

7. Aproveitar a festa brasileira do Fogo de Chão emWynwood



O bairro de Wynwood receberá uma ativação especial da churrascaria Fogo de Chão, com gastronomia brasileira, experiências temáticas e programação voltada especialmente aos fãs da Seleção Brasileira. 


 8. Visitar a instalação artística “REEFLINE’sBigGoals” 




A ação instalada na orla de Miami Beach vai unir futebol, arte pública e sustentabilidade ambiental por meio de estruturas gigantes inspiradas em traves de futebol. 


 9. Fazer uma viagem até a LEGOLAND Florida Resort

Na Flórida Central, a LEGOLAND terá uma programação temática inspirada na Copa do Mundo, com atrações interativas, versões em LEGO de jogadores famosos e atividades voltadas às famílias. 

 

Uso de proteção contra risco político por multinacionais deve subir de 68% para 80% até 2030, aponta Howden

Levantamento mostra que 51% das multinacionais já sofreram perdas em investimentos internacionais e que seguro pode reduzir custos e prejuízos; 

Média de investimento internacional anual é de US$ 50 milhões entre setores 

 

A adoção de ferramentas de gestão de risco político por multinacionais deve crescer significativamente nesta década, passando de 68% no período de 2020 a 2025 para 80% entre 2025 e 2030, segundo levantamento da Howden, corretora global de seguros especializada em riscos de alta complexidade. A pesquisa ouviu cerca de 500 executivos responsáveis por gestão de riscos e tesouraria em multinacionais dos Estados Unidos, Reino Unido e França, todas com receita superior a US$1 bilhão e investimento médio de US$50 milhões na internacionalização de suas marcas.

 

Os dados fazem parte do estudo “Stepping up: Political risk insurance in a volatile world”, desdobramento do relatório global da Howden “Opportunity in Flux”, que analisa como a combinação de tensões geopolíticas, fragmentação do comércio, reconfiguração de cadeias globais e maior volatilidade econômica está redefinindo decisões de investimento e ampliando a exposição a riscos políticos. Entre os setores ouvidos estão Energia, Farmacêuticas e Saúde, Indústria e Exportação, Construção, Serviços, Agricultura e Telecomunicações. 

 

Nesse contexto, o relatório aponta que o mundo passa por uma transição para uma ordem mais fragmentada e multipolar, em que conflitos, políticas protecionistas e disputas por recursos estratégicos aumentam a incerteza e pressionam empresas a reforçar mecanismos de proteção para suas operações internacionais. “O ambiente global se tornou mais imprevisível, e isso está mudando a forma como as empresas tomam decisões. O risco político deixou de ser um tema periférico e passou a ocupar um papel central na estratégia de investimento internacional”, afirma Andoni Hernández, CEO da Howden Brasil, filial da corretora global.


 

Perdas e impacto financeiro

 

O levantamento mostra que o risco já se materializou para uma parcela relevante das companhias: 51% das multinacionais relataram ter sofrido ao menos uma perda associada a risco político em investimentos internacionais entre 2020 e 2025.

 

Entre os principais impactos estão o atraso ou impossibilidade de converter moeda local ou repatriar recursos (40%), interferência de governos estrangeiros em direitos de propriedade (40%) e abandono forçado de ativos no exterior por causa de violência política (33%).

 

Como uma mesma empresa pode ter enfrentado mais de um tipo de evento, as categorias de perdas não são mutuamente exclusivas e, por isso, os percentuais não somam 100%.

 

Além da frequência dos eventos, o estudo aponta para o potencial de perdas relevantes. Em alguns casos, companhias reportaram prejuízos superiores a US$100 milhões em projetos internacionais, evidenciando a natureza de baixa frequência, mas alto impacto, típica desse tipo de risco.

 

Segundo a Howden, o uso de seguro de risco político tem contribuído para mitigar esses impactos. Empresas que contrataram proteção reportaram perdas médias de ao menos US$1,4 milhão menores do que aquelas sem cobertura no período analisado.

 

Além de reduzir perdas, o seguro também tem impacto direto na viabilidade financeira dos projetos. De acordo com o levantamento, a contratação pode reduzir o custo de capital em mercados emergentes de cerca de 15% para 11%, gerando uma economia média anual de aproximadamente US$2 milhões por investimento.

 

O relatório “Opportunity in Flux”, por sua vez, destaca ainda que, em um ambiente de maior restrição de crédito e aumento do custo de financiamento, instrumentos que reduzam risco e capital exigido tendem a ganhar relevância, ampliando o papel do seguro não apenas como proteção, mas como ferramenta financeira. “Não se trata apenas de proteção contra eventos extremos. O seguro de risco político também melhora a estrutura financeira dos projetos, ao reduzir o custo de capital e ampliar o acesso a investimento em mercados mais complexos”, diz o executivo da Howden Brasil.


 

Além do risco político

 

De acordo com o executivo, no contexto do mercado, o termo “risco político” não se limita a mudanças de governo ou instabilidade institucional. Essa categoria de seguro abrange uma série de eventos que podem impactar diretamente operações no país, como protestos, bloqueios logísticos, ocupações, episódios de violência política, interferências regulatórias e restrições à movimentação de recursos. Casos recentes no Brasil ilustram essa dinâmica: em fevereiro de 2026, a operação da Cargill em Santarém (PA) foi afetada por manifestações e bloqueios que interromperam o acesso ao terminal portuário, gerando paralisação das atividades e danos a ativos. “São situações que podem ser enquadradas em coberturas de violência política e interrupção de negócios”, ressalta.


 

Desconhecimento ainda limita adoção

 

Apesar dos benefícios, a adoção ainda enfrenta barreiras. O levantamento aponta que 73% das multinacionais que não contrataram seguro de risco político entre 2020 e 2025 citam a falta de entendimento sobre o produto como principal obstáculo.

 

Para a Howden, esse dado evidencia um descompasso entre a crescente exposição a riscos e o nível de maturidade das estratégias de proteção adotadas pelas empresas.

 

“A demanda está crescendo, mas ainda existe uma lacuna importante de entendimento. Parte relevante das empresas ainda não incorporou plenamente o risco político na sua estratégia, mesmo já tendo sido impactada por ele”, afirma Andoni Hernández.

 

Howden Brasil

 

Inclusão de pessoas com autismo nos ambientes de trabalho exige informação, empatia e mudanças práticas no dia a dia

 

Baixa inserção de pessoas com autismo e outros transtornos neurodivergentes no país evidencia o desafio de inclusão no mercado de trabalho formal e a necessidade de mudanças estruturais nas empresas

 

A inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no mercado de trabalho ainda enfrenta barreiras estruturais, como a falta de informação, o preconceito e a ausência de adaptações no ambiente corporativo. No Brasil, onde vivem cerca de 2,4 milhões de pessoas autistas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estima-se que apenas duas em cada dez tenham emprego formal. Esse dado evidencia a baixa inserção dessa população no mercado de trabalho e os desafios para sua inclusão produtiva.


Embora a legislação brasileira reconheça, desde 2012, autistas como pessoas com deficiência e garanta sua inclusão na Lei de Cotas, a efetividade dessa política ainda é limitada. Como o IBGE não dispõe de estatísticas completas sobre a empregabilidade dessa população, recorrem-se a estudos independentes, como o Mapa Autismo Brasil, que aponta dificuldades significativas de inserção social e baixa autonomia econômica entre adultos autistas. Esse cenário é parcialmente explicado por indicadores educacionais: apenas 15,7% das pessoas autistas com 25 anos ou mais concluíram o ensino superior, percentual inferior à média da população geral.


Para a Dra. Mariana Ramos, professora de Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, é essencial a necessidade de mudanças na forma como as empresas estruturam seus processos de recrutamento e gestão de pessoas. “As entrevistas de emprego tradicionais ainda são muito baseadas em habilidades sociais e na comunicação sob pressão, o que pode excluir candidatos autistas altamente qualificados. Precisamos de processos mais objetivos, com critérios claros e avaliações práticas que permitam uma análise real das competências”, afirma a especialista.


A psicóloga  também ressalta que a inclusão não se encerra na contratação, dependendo de adaptações contínuas no ambiente de trabalho. “A permanência desses profissionais depende de ajustes simples, mas fundamentais, como reduzir estímulos sensoriais excessivos, estabelecer rotinas previsíveis e adotar uma comunicação direta. Quando há sobrecarga sensorial, por exemplo, o mais importante é agir com calma, reduzir os estímulos e respeitar o tempo da pessoa”, explica Dra. Mariana. 


"A adoção dessas práticas, além de promover um ambiente mais acolhedor, também traz ganhos concretos para as empresas, já que pessoas com TEA frequentemente apresentam alta capacidade de concentração, atenção aos detalhes e pensamento lógico, competências valorizadas em diversas áreas ", enfatiza.


A profissional acrescenta, ainda, que a falta de preparo de equipes e lideranças ainda é um dos principais obstáculos, reforçando a importância de treinamentos e de uma cultura organizacional mais aberta à neurodiversidade.


Para a professora da Afya, um dos erros mais recorrentes é tratar todos os colaboradores de forma uniforme, ignorando necessidades específicas. De acordo com ela, o caminho para uma inclusão real está na oferta de condições adequadas para que cada profissional possa desenvolver seu potencial. Ela explica que a construção de ambientes mais inclusivos depende de uma mudança cultural contínua. “A inclusão não acontece em um único gesto. Ela é construída todos os dias, em cada interação, cada decisão e cada escolha de como tratamos o outro”, conclui a especialista. 



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77 milhões de pessoas seriam abastecidas com água perdida no Brasil, enquanto o país segue longe da meta de eficiência

 

  • Esse volume perdido corresponde a mais de duas vezes o total de brasileiros sem acesso ao abastecimento de água (cerca de 33 milhões de pessoas) e a mais de um quarto da população do país em 2024;
  • Reduzir as perdas totais dos atuais 39,53% para 25% economizaria 2,8 bilhões de m³ de água por ano, volume capaz de abastecer 17,2 milhões de brasileiros que vivem em comunidades vulneráveis por dois anos;
  • O volume total de água referente às perdas físicas em 2024 (cerca de 4,4 bilhões de m³) é equivalente a 4,8 mil piscinas olímpicas de água desperdiçadas diariamente ou ao conteúdo de 16,2 milhões de caixas d'água para uma família de cinco pessoas desperdiçadas por dia;
  • 12 dos 100 municípios mais populosos do Brasil atendem às metas de 25% em perdas na distribuição e 216 L/ligação/dia em perdas por ligação, entre eles as capitais Goiânia (GO), Teresina (PI) e Campo Grande (MS);
Redução de perdas de água de 39,53% para 25% resultaria em ganhos de R$ 47,3 bilhões até 2033;
  • A eficiência no controle é uma medida de adaptação climática que aumenta a disponibilidade hídrica e reduz a pressão sobre os mananciais;

 

O Instituto Trata Brasil (ITB), em parceria com a consultoria GO Associados, publica o “Estudo de Perdas de Água 2026 (SINISA, 2024): Desafios na Eficiência do Saneamento Básico no Brasil”, que traz o panorama do problema ambiental, econômico e social da ineficiência no controle de perdas de água em nosso país. 

Em meio ao agravamento das mudanças climáticas e cerca de 33 milhões de habitantes sem acesso à água potável, o país desperdiça 39,53% da água tratada antes mesmo que ela chegue às torneiras das famílias. O estudo aponta que o volume de perdas físicas em 2024 (cerca de 4,4 bilhões de m³) equivale a 4,8 mil piscinas olímpicas desperdiçadas por dia. Para ter uma ideia do que isso representa, esse mesmo volume corresponde a 16,2 milhões de caixas d'água para uma família de cinco pessoas por dia ou a 4,5 vezes o volume do Sistema Cantareira ao longo de um ano. 

O levantamento foi elaborado a partir de dados públicos do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA, ano-base 2024) e compreende uma análise do Brasil, de suas cinco macrorregiões, das 27 Unidades da Federação e dos 100 municípios mais populosos do país (incluindo as capitais dos estados), que figuraram no Ranking do Saneamento de 2026.

 

O QUE É PERDA DE ÁGUA?

No processo de abastecimento de água, podem ocorrer perdas por vários motivos, como vazamentos, erros de medição e consumos não autorizados. Esses desperdícios trazem impactos negativos ao meio ambiente, à receita e aos custos de produção das empresas, o que deixa mais caro o sistema como um todo, prejudicando, em última instância, todos os usuários.

Quadro 1 - Características dos Indicadores Analisados

Elaboração: GO Associados


Então o ideal seria termos zero de perdas de água? Apesar da resposta ser sim, de acordo com a literatura sobre o tema, não ter perdas no sistema é algo inviável por limites econômicos (em determinado ponto, o custo fica superior ao do volume recuperado) e limites técnicos (existe um volume mínimo de perdas dadas as tecnologias atuais de materiais, ferramentas e logística). 

No Brasil, o Ministério das Cidades editou a Portaria MCID nº 788, de 1º de agosto de 2024 (Portaria 788/2024), revogando e substituindo a Portaria nº 490, de 22 de março de 2021 (Portaria 490/2021), anteriormente editada pelo então Ministério do Desenvolvimento Regional. A Portaria 788/2024 passou a estabelecer metas para os indicadores de perdas na distribuição e perdas por ligação. Segundo o normativo, os municípios beneficiados por recursos públicos federais ou financiamentos com recursos da União deverão apresentar indicadores iguais ou inferiores a:

  1. 35% e 303,0 L/ligação/dia até 2025;
  2. 30% e 263,0 L/ligação/dia entre 2026 e 2032;
  3. 25% e 216,0 L/ligação/dia a partir de 2033.

 

IMPACTO DAS PERDAS DE ÁGUA NO BRASIL

Para entender o impacto do controle de perdas, considerando-se somente as perdas físicas (como, por exemplo, os vazamentos), o volume (cerca de 4,4 bilhões de m³) seria suficiente para abastecer aproximadamente 77 milhões de brasileiros em um ano. Esta quantidade não somente equivale a mais de um quarto da população do país em 2024, como também corresponde a mais de duas vezes o número de habitantes sem acesso ao abastecimento de água nesse ano, cuja grandeza situa-se em torno de 33 milhões. 

Além disso, com esse mesmo volume, seria possível abastecer os 17,2 milhões de brasileiros que vivem em comunidades vulneráveis por dois anos. Ao meio ambiente, a redução dessas perdas implicaria a disponibilidade de mais recurso hídrico para a população sem a necessidade de captação de água em novos mananciais. 

Com o cenário de mudanças climáticas, os desafios para a disponibilidade hídrica nos mananciais se tornam cada vez mais evidentes. As perdas reais afetam diretamente os custos de produção e a demanda por água. Neste sentido, um elevado nível destas perdas equivale a uma captação e a uma produção superiores ao volume efetivamente demandado, gerando as seguintes ineficiências:

 

Quadro 2 – Impactos na produção de água e no meio ambiente das perdas de água

Desequilíbrios na produção de água

Desequilíbrios ambientais

  • Maior custo dos insumos químicos, energia para bombeamento, entre outros fatores de produção
  • Maior custo de manutenção da rede e de equipamentos
  • Uso excessivo da capacidade de produção e de distribuição existente
  • Maior custo oriundo da possível utilização de fontes de abastecimento alternativas de menor qualidade ou de difícil acesso
  • Pressão excessiva sobre as fontes de abastecimento do recurso hídrico, uma vez que se capta mais água do que efetivamente chega à população
  • Maior custo posterior para mitigação dos impactos negativos dessa atividade (externalidades)
Fonte: Instituto Trata Brasil

 

BENEFÍCIOS SOCIAIS COM A REDUÇÃO DE PERDAS

O Quadro 3 a seguir aponta as principais estatísticas descritivas a partir da redução de perdas, desagregadas por estado. Ao se admitir não uma eliminação total das perdas, mas uma redução dos atuais 39,5% aos 25% previstos pela Portaria 788/2024, o volume economizado seria da ordem de 2,8 bilhão de m3. Isso equivale ao consumo médio de aproximadamente 48 milhões de brasileiros em um ano.

 

Quadro 3 - Benefícios sociais da redução de perdas por estado em 2024

Fonte: SINISA (2024). Elaboração: GO Associados. Nota: a população potencialmente atendida é calculada considerando-se somente as perdas físicas, e uma redução das perdas totais de água na distribuição (IAG2013) até a meta de 25% definida na Portaria 788/2024.

CENÁRIO NACIONAL DE PERDAS NOS ÚLTIMOS CINCO ANOS

O indicador mais comumente utilizado para a análise geral de perdas no país é o Índice de Perdas na Distribuição, que busca estabelecer uma relação entre a água produzida e a água efetivamente consumida nas residências. Considerando os últimos cinco anos, o valor de 2024, de 39,53%, é ligeiramente menor que o de 2020, de 40,14%, ambos significativamente superior à meta de 25%.

 

Quadro 4 – Evolução das Perdas na Distribuição no Brasil, 2020–2024

Fontes: SNIS (2020-2022); SINISA (2023-2024). Elaboração: GO Associados.

RECORTE POR REGIÃO

A situação de perdas no Brasil apresenta significativas diferenças quando se comparam suas diversas macrorregiões. É possível concluir que Norte e Nordeste são as mais carentes e que devem enfrentar os maiores desafios para reduzirem seus índices de perdas. Além disso, essas regiões também são aquelas que possuem os piores indicadores de atendimento de água, de coleta e de tratamento de esgotos.

 

Quadro 5 – Perdas na Distribuição por Macrorregião Brasileira, 2024


Fontes: SINISA 2024. Elaboração: GO Associados.

De 2020 a 2024, a macrorregião que mais apresentou piora foi a Nordeste, com aumento de 0,46 ponto percentual. Por outro lado, observa-se melhora na macrorregião Norte, com redução de 1,79 pontos percentuais no mesmo período.

 

Quadro 6 – Evolução das Perdas na Distribuição por Macrorregião

Fontes: SNIS (2020-2022); SINISA (2023-2024). Elaboração: GO Associados.


RECORTE DE INDICADORES POR ESTADO

A análise comparativa dos indicadores estaduais de perdas na distribuição evidencia a variação do desempenho entre as unidades federativas, identificando padrões regionais, diferenças estruturais entre os sistemas de abastecimento e potenciais implicações para a eficiência operacional dos prestadores. A leitura do indicador permite uma compreensão mais abrangente do estágio de controle de perdas no país. 


Quadro 7 – Perdas na Distribuição por estado, 2024


Fonte: SINISA (2024). Elaboração: GO Associados.


A análise evidencia um padrão de maior ineficiência concentrado principalmente nas regiões Norte e Nordeste do país. Estados como Alagoas (66,90%), Roraima (65,97%), Pará (57,33%), Maranhão (56,68%), Acre (56,48%) e Sergipe (55,10%), apresentam níveis de perdas superiores a 55% do volume distribuído, significativamente acima da média nacional (39,53%). 

Por outro lado, estados das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país, como Goiás (27,61%), Mato Grosso do Sul (30,60%), Distrito Federal (31,55%), São Paulo (32,15%), e Paraná (33,11%) registram indicadores inferiores a 35%. Neste indicador, merece destaque o estado do Piauí, que possui a menor média entre os estados (24,61%), e Tocantins, com a quinta menor média entre as unidades da federação para este indicador (31,58%).

 

RECORTE PARA OS 100 MAIORES MUNICÍPIOS BRASILEIROS

O indicador médio computado na amostra foi de 35,56% em 2024, o que representa uma piora em relação aos 31,09% computados em 2023. Dos 99 municípios considerados, apenas 20 possuem níveis de perdas na distribuição menores que 25%. Os dados mostram ainda que 14 municípios têm perdas na distribuição superiores a 50%. 

É possível observar uma forte concentração dos melhores desempenhos nos estados do Sudeste, que concentram 12 dos 20 municípios com menores índices de perdas na distribuição. Municípios como Suzano (1,27%) e Santos (5,35%), apresentam níveis significativamente inferiores à média nacional.

 

Quadro 8 – Melhores municipios em perdas de água

Fonte: SINISA (2024). Elaboração: GO Associados.


Por outro lado, os municípios com piores resultados estão majoritariamente localizados nas regiões Norte e Nordeste, com destaque para Parauapebas (PA), com 70,68%, e Maceió, com 64,05%. Além disso, outras cidades de diferentes regiões também apresentam perdas significativas, com destaque para Belo Horizonte, com 68,29% e Várzea Grande (MT), com 59,03%.

 

Quadro 9 – Destaques negativos no Índice de Perdas na Distribuição

Fonte: SINISA (2024). Elaboração: GO Associados.

 

MUNICÍPIOS NOS PADRÕES DE EXCELÊNCIA

Conforme a já mencionada Portaria 788/2024, são considerados excelentes os municípios que contam com até 25% em perdas na distribuição e de 216 L/ligação/dia em perdas por ligação.

 

Quadro 10 – Municípios com Padrões de Excelência em Perdas de Água

Fonte: SINISA (2024). Elaboração: GO Associados.

 Somente doze dentre os 100 municípios mais populosos do Brasil atendiam às metas da Portaria 788/2024 simultaneamente em 2024, indicando haver um longo caminho a ser percorrido na busca pela redução das perdas de água.

 

RECORTE PARA AS CAPITAIS BRASILEIRAS

Apenas quatro das 27 capitais, Goiânia, São Paulo, Campo Grande e Teresina, apresentaram valores inferiores à meta de 25% estabelecida pela Portaria 788/2024. A média das capitais foi de 39,30%.

 

Quadro 11: Principais Indicadores de Perdas de Água das Capitais Brasileiras

 

Fonte: SINISA (2024). Elaboração: GO Associados. Nota: a população potencialmente atendida é calculada considerando-se somente as perdas físicas, e uma redução das perdas totais de água na distribuição (IAG2013) até a meta de 25% definida na Portaria 788/2024.

Estima-se que as capitais brasileiras percam anualmente cerca de 2,3 bilhões de m³ de água, dos quais aproximadamente 0,9 bilhão de m³ (40%) correspondam a perdas aparentes (comerciais), enquanto 1,4 bilhão de m³ (60%) refiram-se a perdas reais (físicas). Considerando-se apenas estas últimas, o volume desperdiçado equivale a cerca de 1.517 piscinas olímpicas por dia, ou a mais de cinco milhões de caixas d’água de 750 litros.

 

GANHOS ECONÔMICOS COM A REDUÇÃO DAS PERDAS DE ÁGUA POTÁVEL

Para calcular os ganhos econômicos ao país pela redução de perdas, o estudo apresentou uma análise de três cenários: o otimista, o realista e o pessimista. Cada um deles responde à média nacional do nível de perdas a ser alcançada em 2033: 15% (cenário otimista), 25% (cenário realista) e 35% (cenário pessimista).

 

Quadro 12 – Sumário dos Impactos de Redução das Perdas

Fonte: SINISA (2024). Elaboração: GO Associados


Tomando como referência o Cenário Realista, é possível constatar que existe um potencial de ganhos brutos com a redução de perdas de água de R$ 47,3 bilhões até 2033. Caso sejam considerados os investimentos necessários para a redução de perdas, o benefício líquido gerado pela redução de perdas é da ordem de R$ 23,6 bilhões em 10 anos.

 

CONCLUSÃO

A melhor gestão e eficiência nos sistemas de distribuição estão diretamente ligadas à universalização do saneamento básico. Combater as perdas é, antes de tudo, garantir o acesso pleno à água para todos os brasileiros, proteger os mananciais e responder aos efeitos das mudanças climáticas com a infraestrutura que o país já tem, mas ainda desperdiça. 

O estudo evidencia que as perdas de água permanecem em níveis elevados no país. Em 2024, as perdas na distribuição foram de 39,53%, enquanto as perdas por ligação foram de 349,09 L/dia/ligação, valores significativamente superiores aos parâmetros de eficiência estabelecidos pela Portaria 788/2024, de 25% e 216 L/ligação/dia, respectivamente. As desigualdades regionais permanecem como um dos principais desafios para a universalização dos serviços de saneamento básico no Brasil, e as regiões Norte e Nordeste seguem concentrando os indicadores mais elevados de perdas de água. 

Em uma realidade que já se faz presente, os efeitos das mudanças climáticas refletem em impactos diretos no acesso à água potável. A redução das perdas contribui para mitigar a necessidade de expansão de mananciais e aumenta a resiliência dos sistemas de abastecimento em um contexto de crescente pressão sobre os recursos hídricos. Além disso, menores níveis de perdas tendem a ampliar a sustentabilidade econômico-financeira dos prestadores, reduzindo pressões sobre tarifas futuras e liberando recursos para investimentos em expansão, manutenção e melhoria dos serviços. 

Para tanto, é necessário priorizar essa agenda com a implementação de programas que unam eficiência e inovação e, consequentemente, acelerar o ritmo dos investimentos para que o Brasil atinja a meta de 25% em perdas na distribuição até 2033, conforme previsto pela Portaria 788/2024. 

"Seguimos perdendo, a cada ano, água suficiente para abastecer populações inteiras, enquanto milhões de brasileiros ainda não têm acesso a esse recurso básico e essencial para a vida. Estamos falando de um volume capaz de atender 77 milhões de habitantes, número que representa mais de duas vezes a quantidade de pessoas sem acesso ao abastecimento de água no país. São casas que ficam sem abastecimento, rios que secam uma sobrecarga em todo o sistema de distribuição que recai, inevitavelmente, sobre os habitantes. Reduzir perdas de água é uma escolha de gestão que impacta diretamente a qualidade de vida da população e a saúde dos nossos mananciais, especialmente em um cenário em que as mudanças climáticas já pressionam a disponibilidade hídrica e tornam a eficiência no uso da água ainda mais urgente. Em um ano eleitoral, esse debate precisa chegar às propostas de saneamento integrado, porque não há universalização possível sem eficiência na distribuição da água que já produzimos." – analisa Luana Pretto, Presidente-Executiva do Trata Brasil. 

“A redução das perdas de água deixou de ser apenas uma agenda de eficiência operacional no setor de saneamento básico e passou a ocupar um papel estratégico na adaptação climática dos municípios. Em um contexto internacional em que parte do setor privado e de governos tem abandonado compromissos ambientais, torna-se ainda mais importante fortalecer políticas públicas capazes de conciliar a expansão do atendimento às populações ainda sem acesso ao abastecimento de água e aos serviços de coleta e tratamento de esgotos com segurança hídrica e preservação ambiental. Nesse sentido, reduzir perdas significa utilizar de forma mais racional a água já captada e tratada, diminuindo a pressão sobre os mananciais, reduzindo custos operacionais e aumentando a resiliência dos sistemas de abastecimento frente a eventos climáticos extremos.” – declara Gesner Oliveira, Sócio Executivo da GO Associados.

 

Instituto Trata Brasil - ITB





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