Sinais químicos
naturais influenciam o comportamento dos felinos e podem contribuir para o
bem-estar em situações de mudança e desafio ambiental
Magnific
Quem convive com gatos sabe: eles têm o hábito de
se esfregar nas pernas, nos móveis, nos cantos da casa. À primeira vista,
parece apenas um gesto de afeto ou um comportamento do dia a dia. Mas, para os
felinos, esse movimento tem outra função, é uma forma de comunicação.
Ao encostar a face nessas superfícies, o gato
libera os chamados feromônios faciais, que são produzidos por glândulas
localizadas na região da cabeça, como bochechas, queixo e ao redor da boca. Ao
serem depositadas no ambiente, essas substâncias ajudam o pet a construir uma
espécie de “mapa olfativo” que demarca aquele espaço confiável.
“Os feromônios faciais fazem parte de um sistema de
comunicação que está diretamente ligado à percepção de segurança. Eles são
detectados por um órgão específico, o órgão vomeronasal, e atuam modulando
respostas comportamentais associadas ao reconhecimento do território e à
sensação de familiaridade”, explica Marina Tiba, médica-veterinária e gerente
de produtos da Avert Biolab Saúde Animal
Diferente dos humanos, que dependem mais de
estímulos visuais, os felinos utilizam intensamente as informações olfativas
para interpretar o ambiente ao seu redor.
Quando esse equilíbrio é mantido, o comportamento
tende a ser mais estável. No entanto, mudanças como a introdução de novos
animais, alterações no espaço, viagens ou até alterações na rotina, podem
interferir nesse sistema. “Ao modificar ou eliminar esses sinais, o ambiente
deixa de ser reconhecido da mesma forma, o que pode gerar insegurança no felino”,
explica a profissional.
Esse cenário ajuda a explicar por que alguns
comportamentos surgem de forma aparentemente repentina. A marcação urinária, o
aumento da arranhadura, a vocalização ou o isolamento não são, necessariamente,
sinais de desobediência, mas respostas a uma mudança na forma como o gato
percebe o ambiente.
“Quando há uma ruptura nesse padrão de
reconhecimento, o gato perde referências importantes de segurança. Isso pode
ativar respostas comportamentais relacionadas ao estresse, muitas vezes antes
mesmo de outros sinais clínicos se tornarem evidentes”, explica”, complementa
Marina.
Nesse contexto, os feromônios faciais têm um papel
importante, pois estão diretamente associados à marcação de familiaridade no
ambiente. A partir desse entendimento, foram desenvolvidos análogos sintéticos
desses compostos, que buscam reproduzir esses sinais e que ao serem utilizados
no ambiente ajudam a restabelecer referências olfativas que contribuem para uma
percepção maior de previsibilidade e conforto por parte do animal.
Na prática, esse tipo de abordagem pode auxiliar na
redução de comportamentos associados ao estresse, especialmente em situações de
mudança ou desafio ambiental, como adaptação a novos espaços, introdução de
outros animais ou alterações na rotina.
O uso dessas soluções deve estar associado a um
conjunto de cuidados, como enriquecimento ambiental, manutenção de rotina e
respeito às necessidades comportamentais da espécie.
No fim, entender o comportamento do gato é também aprender a reconhecer suas formas de comunicação, mesmo aquelas que não são visíveis. Quando o ambiente faz sentido para ele, o bem-estar aparece de forma natural, refletindo em uma convivência mais tranquila e harmoniosa.
Avert Saúde Animal
www.avertsaudeanimal.com.br
www.vidamaisromrom.com.br








