No Hospital
Angelina Caron, protocolo de atendimento prioriza rapidez no diagnóstico e no
tratamento; reconhecer os sintomas e buscar ajuda imediatamente são atitudes
decisivas para reduzir sequelas
HAC
Uma pessoa chega ao pronto-socorro com dificuldade
para falar, perda de força em um dos braços ou desvio na boca. A equipe precisa
agir rapidamente: cada minuto pode fazer diferença entre uma recuperação com
menos sequelas e limitações que acompanham o paciente por toda a vida. No
Acidente Vascular Cerebral (AVC), o tempo é um fator determinante para
preservar a função cerebral e aumentar as chances de recuperação.
O AVC é uma emergência neurológica que ocorre quando
o fluxo sanguíneo para uma região do cérebro é interrompido ou quando há o
rompimento de um vaso sanguíneo, provocando danos às células cerebrais. A
condição apresenta alto risco de morte e incapacidade, e a agilidade no
reconhecimento dos sintomas, no diagnóstico e no início do tratamento é
fundamental para o prognóstico.
No dia 29 de outubro, Dia Nacional de Prevenção ao
Acidente Vascular Cerebral (AVC) e Dia Mundial do AVC, o Hospital Angelina
Caron, localizado em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de
Curitiba, chama a atenção para a importância do atendimento rápido e explica o
que acontece entre a chegada do paciente ao pronto-socorro e o início do
tratamento.
Uma corrida contra o tempo
Quando há suspeita de AVC, o atendimento segue
etapas que precisam ser conduzidas com rapidez e precisão. No Hospital Angelina
Caron, um protocolo específico orienta a equipe na avaliação do paciente, na
investigação do quadro e na definição da conduta terapêutica mais adequada.
O primeiro passo é reconhecer os sinais de alerta e
realizar uma avaliação clínica e neurológica. Em seguida, exames de imagem,
especialmente a tomografia computadorizada de crânio, ajudam a identificar o
tipo de AVC e a orientar a escolha do tratamento. Essa diferenciação é
essencial porque as abordagens para os dois principais tipos da doença são
distintas.
O AVC isquêmico acontece quando um vaso sanguíneo
que leva sangue ao cérebro é obstruído, geralmente por um coágulo. Já o AVC
hemorrágico ocorre quando há o rompimento de um vaso, provocando sangramento no
cérebro ou em suas proximidades.
“Reconhecer os sintomas e procurar atendimento
imediatamente é fundamental. No AVC isquêmico, existe uma janela de tempo para
realizar a trombólise química, tratamento que utiliza medicamentos para
dissolver o coágulo e restabelecer a circulação sanguínea. Em geral, esse
tratamento deve ser iniciado em até quatro horas e meia após o início dos
sintomas, desde que o paciente atenda aos critérios clínicos necessários. Por
isso, precisamos considerar não apenas o tempo dentro do hospital, mas também o
período entre o aparecimento dos sintomas, o deslocamento até o pronto-socorro,
a avaliação médica e a realização dos exames”, explica Eduardo Hummelgen,
coordenador do Serviço de Neurologia e Neurofisiologia do Hospital Angelina
Caron.
A trombólise química pode transformar o prognóstico
de pacientes elegíveis, aumentando as chances de recuperação e reduzindo o
risco de sequelas. A indicação, porém, depende da avaliação médica e da confirmação
de que o tratamento é seguro para cada caso.
Como reconhecer os sintomas de
um AVC?
Os sinais de um AVC podem surgir de forma súbita e
nem sempre aparecem todos ao mesmo tempo. Entre os principais sintomas estão:
- Fraqueza ou perda de força: principalmente em um
lado do corpo, atingindo o rosto, o braço ou a perna.
- Alteração na fala: dificuldade para falar,
articular palavras ou compreender o que outras pessoas dizem.
- Assimetria facial: um lado da boca fica torto ou
parece não responder normalmente.
- Alterações visuais: perda súbita da visão ou
dificuldade para enxergar.
- Alterações no equilíbrio e na coordenação:
tontura intensa, dificuldade para caminhar ou perda repentina de equilíbrio.
- Dor de cabeça súbita e intensa: especialmente quando
diferente das dores habituais e acompanhada de outros sintomas neurológicos.
Ao perceber qualquer um desses sinais, a orientação
é acionar imediatamente o serviço de emergência, pelo SAMU (192), e não esperar
que os sintomas desapareçam. Também é importante observar e, se possível,
registrar o horário em que os sintomas começaram ou a última vez em que a
pessoa foi vista sem eles. Essa informação ajuda a equipe médica a avaliar as
possibilidades de tratamento.
Recuperação começa ainda
durante a internação
Depois da fase aguda, o cuidado continua. A
recuperação de um paciente que sofreu AVC exige acompanhamento
multidisciplinar, com participação de médicos, profissionais de enfermagem,
fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas. O trabalho integrado
permite acompanhar diferentes aspectos da saúde, identificar limitações e
iniciar intervenções de acordo com as necessidades de cada pessoa.
A reabilitação deve começar tão cedo quanto for
clinicamente seguro, respeitando as condições do paciente. A fisioterapia, por exemplo,
pode contribuir para recuperar movimentos, trabalhar força muscular, melhorar a
mobilidade e estimular a independência nas atividades cotidianas. Já a
fonoaudiologia pode atuar nas dificuldades de fala, linguagem e deglutição,
enquanto a terapia ocupacional auxilia na retomada de habilidades necessárias
para as tarefas do dia a dia.
A alta hospitalar também faz parte desse processo.
O paciente e seus familiares devem receber orientações sobre os cuidados
necessários, a continuidade da reabilitação motora, o uso correto dos
medicamentos e as medidas para reduzir o risco de um novo episódio. O
acompanhamento após a internação é importante para dar continuidade à
recuperação e reforçar o controle dos fatores de risco.
Coração e cérebro: uma conexão
importante na prevenção
Além de reconhecer os sintomas e garantir o
atendimento rápido, prevenir o AVC exige atenção à saúde cardiovascular.
Coração e cérebro estão diretamente conectados pela circulação sanguínea, e
algumas alterações cardíacas podem aumentar o risco de um evento
cerebrovascular.
“Coração e cérebro estão intimamente relacionados.
Algumas arritmias, como a fibrilação atrial, podem favorecer a formação de
coágulos dentro do coração. Quando um desses coágulos se desprende e chega à
circulação cerebral, pode provocar uma obstrução e desencadear um AVC. Por
isso, identificar e tratar as doenças cardiovasculares é uma medida importante
de prevenção”, explica Nayara Pravato Maziero, cardiologista do Hospital
Angelina Caron.
A prevenção também envolve controlar a pressão
arterial, o diabetes e o colesterol, não fumar, praticar atividade física
regularmente, manter uma alimentação equilibrada e realizar acompanhamento
médico. Pessoas com arritmias ou outras doenças cardiovasculares devem seguir
as orientações individualizadas dos profissionais de saúde, inclusive quanto à
necessidade de medicamentos para reduzir o risco de formação de coágulos.



