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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Nova York se reinventa a cada ano: confira as novidades e os grandes projetos programados para 2027

 

O Etihad Stadium, previsto para 2027, será o primeiro estádio de futebol profissional de NY
 e comportará 25 mil torcedores, recebendo os jogos do New York City FC e, em 2028,
do Gotham FC, time de futebol feminino da cidade
Divulgação

 

A cidade segue ampliando seu repertório de atrações e convida os viajantes a descobrir novas perspectivas em seus cinco distritos

 

Não é exagero: em Nova York, sempre há algo novo para descobrir. Uma exposição que revela outra faceta de um artista consagrado, um endereço gastronômico que conta a história das comunidades da cidade ou uma atração que transforma a maneira de vivenciar um bairro são parte de um movimento constante de renovação.  

Nos próximos meses – e ao longo de 2027 –, essa dinâmica ganha novos capítulos com experiências que vão da arte contemporânea à cultura hip-hop, passando por hotelaria, entretenimento, esporte e gastronomia e ampliando ainda mais as possibilidades para quem visita seus cinco distritos: Manhattan, Brooklyn, Queens, Bronx e Staten Island. 

Confira o que acaba de abrir as portas, bem como o “futuro de grandes novidades”, numa seleção preparada pela New York City Tourism + Conventions, organização que promove o turismo na Big Apple.

 

Arte, cultura e experiências para explorar a cidade 

A programação cultural de Nova York continua reunindo mostras de grandes nomes das artes, novas perspectivas e experiências imersivas. 

No Whitney Museum of American Art, a exposição Roy Lichtenstein: Like New, já em cartaz e disponível até 10 de maio de 2027, reúne cerca de 130 obras que percorrem a carreira de um dos principais nomes da Pop Art. Pinturas icônicas, desenhos, gravuras, esculturas, filmes e murais recriados exploram o interesse do artista pela reprodução de imagens e dialogam com a cultura visual contemporânea, marcada pela circulação constante de conteúdos. 

Na The Frick Collection, a mostra Siena: The Art of Bronze, 1450–1500, em exibição até 18 de janeiro de 2027, apresenta quase 40 esculturas renascentistas em bronze, incluindo obras de Donatello, Vecchietta e Francesco di Giorgio. A exposição destaca a importância da cidade italiana de Siena como centro de inovação artística e técnica durante o Renascimento, explorando tanto a versatilidade do material quanto os desafios enfrentados pelos artistas da época. 

Já a Morgan Library & Museum traz Rembrandt’s Lions: Art and Exile in the Dutch Republic, até 31 de janeiro de 2027. A exibição investiga a influência de migrantes, imigrantes, exilados e refugiados na obra de Rembrandt e na Amsterdã do século 17, reunindo pinturas, desenhos e gravuras de seu acervo e de outras instituições.

Para uma experiência mais interativa, o Balloon Museum inaugurou sua primeira unidade permanente nos Estados Unidos no Pier 17, no distrito de Seaport, em Lower Manhattan. Conhecido por suas instalações imersivas de arte contemporânea, o espaço convida o público a interagir com obras que exploram ar, luz, som e movimento. A estreia em Nova York apresenta uma exposição original, com trabalhos inéditos encomendados a artistas de reconhecimento internacional.

 

O Ballon Museum, recentemente inaugurado no Pier 17
Crédito: Divulgação


A cidade também oferece novas maneiras de explorar sua história por meio da gastronomia. No Lower East Side, o Immigrant Stories Food Tour, da Viral Food Tours, percorre diferentes ondas de imigração para

a cidade, oferecendo a partir de cinco degustações durante o trajeto. O roteiro conecta o Essex Market a Little Italy, passando pela culinaria judaica, dominicana, libanesa, chinesa e italiana, enquanto apresenta histórias como a transformação do comércio de rua judaico em tradicionais balcões de bagels e a presença de casas de chá chinesas no bairro

desde a década de 1920. Os passeios ocorrem aos domingos e às segundas-feiras. 

Entre as novidades de entretenimento, Magic Mike Live chega a Manhattan em outubro, em um espaço especialmente construído no coração do Theatre District. Criado e dirigido pelo ator Channing Tatum,

o espetáculo leva à cidade a produção que conquistou reconhecimento internacional. 

No Harlem, a expectativa é pela abertura do Urban Civil Rights Museum, que ficará na nova sede da National Urban League, o Urban League Empowerment Center. Previsto para ser aberto neste outono do Hemisfério Norte, o museu será o primeiro do norte dos Estados Unidos dedicado ao Movimento pelos Direitos Civis no país. 

Outra forma de aproveitar as principais atrações da Big Apple é o New York CityPASS, que ganhou uma configuração mais flexível. O passe permite escolher cinco atrações entre dez opções, incluindo agora o observatório Edge – que recentemente ganhou uma experiência imersiva, com instalações permanentes de luz, espelhos, movimento e arte interativa, que se soma à visita ao mirante – e o Whitney Museum. Os ingressos custam US$ 149 para adultos e US$ 129 para crianças e são válidos por nove dias consecutivos.

 

Novos endereços de hotelaria, compras e vida noturna 

As novidades da cidade também passam por seus endereços de hospedagem, compras e entretenimento noturno. 

No Brooklyn, Williamsburg segue ampliando seu perfil como destino de compras e entretenimento. A maison francesa Hermès abriu em setembro sua primeira butique permanente na região, após uma presença temporária no bairro. Já a marca global de entretenimento noturno Pacha retornou a Nova York em junho com uma casa de aproximadamente

7.430 metros quadrados, que reúne ampla pista de dança, recursos imersivos de som e iluminação e apresentações de artistas internacionais da música eletrônica. 

Na Times Square, a loja House of Spells é o mais novo endereço para entusiastas de filmes e séries. Em um espaço de quase 2 mil metros quadrados, os fãs de franquias populares como Harry Potter, Stranger Things, Star Wars, Marvel, DC, KPop Demon Hunters, Super Mario e Jurassic Park encontram toda sorte de produtos licenciados e itens colecionáveis, além de ambientes imersivos e experiências para se aprofundarem nesses universos. 

Em dezembro de 2026, o Viceroy Park Hotel inaugura uma unidade emblemática em Nova York, após a transformação do antigo Royalton Park Avenue, no bairro de NoMad, em Manhattan. Com 252 quartos, a propriedade contará com piscina e lounge na cobertura, spa, academia e espaço para reuniões e eventos, além de propostas de gastronomia e vida noturna desenvolvidas em parceria com o Tao Group Hospitality. 

No Aeroporto LaGuardia, no Queens, a tecnologia se apresenta para facilitar a vida dos viajantes. O Terminal B lançou Bridget, uma concierge holográfica com inteligência artificial que responde a perguntas e orienta passageiros pelo terminal em inglês e espanhol. A ferramenta interativa

foi desenvolvida para aprimorar o atendimento e inclui recursos de acessibilidade, como legendas e controles acessíveis para cadeiras

de rodas.

 

O que vem por aí em 2027

O próximo ano reserva projetos que reforçam a diversidade cultural e a capacidade de inovação de Nova York, com novas atrações e transformações em diferentes distritos.

Em South Bronx, nas proximidades do Yankee Stadium, o The Hip Hop Museum celebrará a história e a influência cultural do bairro, berço do movimento hip-hop. O projeto faz parte do desenvolvimento do Bronx Point, que contribuirá para ampliar as opções culturais e de lazer

da região.

 

 

O The Hip Hop Museum faz parte do projeto que visa a expandir
as opções culturais e de lazer do distrito do Bronx
Crédito: Divulgação

 

Em Manhattan, o New York Historical abrigará o The American LGBTQ+ Museum, dedicado à história e à cultura LGBTQ+ em âmbito global, nacional e local. A programação está prevista para começar em 2027, ampliando a oferta de espaços culturais dedicados a diferentes comunidades e narrativas. 

O esporte também chega com novidades, com o distrito do Queens ganhando um endereço novo em folha. O New York City FC está desenvolvendo o Etihad Park, previsto para abrir na região de Willets Point na temporada de 2027 da Major League Soccer (MLS). Será o primeiro estádio de futebol profissional de Nova York, com capacidade para 25 mil torcedores. O projeto inclui uma ampla área para os visitantes, opções de alimentação e o Five Boroughs Food Hall, dedicado a pequenos negócios e à diversidade gastronômica dos cinco distritos. A partir de 2028, o estádio também será a casa do Gotham FC, time de futebol feminino da cidade.

Ainda no Queens, o Arthur Ashe Stadium, no complexo de tênis de Flushing Meadows Corona Park e que recebe o tradicional US Open, passará por uma ampla transformação. A Associação de Tênis dos Estados Unidos (USTA) está investindo US$ 800 milhões, o maior aporte individual da história do US Open, em um projeto de renovação dividido em três fases, com conclusão prevista para a edição de 2027 do torneio. As melhorias incluem uma nova entrada principal, corredores ampliados, espaços gastronômicos e de hospitalidade modernizados, mais assentos junto às quadras e ambientes premium. O projeto também contempla um centro de alto desempenho para os atletas, com investimento de US$ 250 milhões, dedicado a treinamento, bem-estar e descanso. A obra foi planejada para preservar o acesso dos visitantes e a realização das partidas durante a construção.

 

Orçado em US$ 800 milhões, a renovação do Arthur Ashe Stadium deve estar
concluída para a realização do US Open de 2027, que começa em 30 de agosto
Divulgação

 

Com novas exposições, atrações culturais, projetos esportivos, lojas, experiências gastronômicas e oportunidades para aproveitar a cidade, Nova York segue renovando seu repertório sem perder a diversidade que a caracteriza. Para quem já conhece a metrópole, as novidades oferecem motivos extras para voltar. Para quem está planejando a primeira visita, 2027 promete uma cidade cheia de caminhos para explorar e se divertir em cada um de seus cinco distritos. 

Para saber mais sobre tudo o que há para ver e fazer em Nova York, visite www.nyctourism.com e siga @nyctourism nas redes sociais. 



New York City Tourism + Conventions

Primeira fase da Unicamp 2027 traz temas atuais e questões autorreferenciais

Oposição entre China e EUA, IA, fake news, violência contra a mulher, nanotecnologia, videogame e a expressão “GAG” deram o tom da prova, que dialogou com o universo dos jovens e fez referência a si mesma

 

A prova da primeira fase da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aconteceu neste domingo, 18/10. O exame deu grande ênfase a temas de atualidades e trouxe questões autorreferenciais, em que a universidade fez referência a si mesma. 

A prova mostrou imagens que caíram em questões do vestibular de 1987 em uma pergunta de Matemática, citou o aniversário de 60 anos da universidade em uma questão de Português e falou do próprio logo da Unicamp em uma pergunta de Geografia, sobre como ele simboliza e representa a universidade. Em relação aos fatos atuais, temas geopolíticos envolvendo China e Estados Unidos, uma entrevista do Wagner Moura sobre arte e política, questões sobre deportação de imigrantes nos EUA, o Prêmio Nobel de Química de 2025 e a expressão “GAG”, entre outras notícias virais de nível nacional e mundial, deram o tom da prova.

Isabela Araujo Ramos, especialista em soluções educacionais do SAS Educação, detalha alguns desses pontos. “A questão de Inglês sobre a expressão “GAG” trouxe um texto para falar sobre a origem da expressão, sua disseminação, dando continuidade ao projeto da Unicamp de sempre se relacionar com temas atuais e com o universo dos jovens estudantes. E tratou isso dentro de uma dimensão linguística. Estamos falando de inglês, língua, idiomas e como isso se propaga. É interessante e bem a cara da Unicamp.” 

Em relação à autorreferência, ela destaca uma questão de Português, em que aparece uma música do Chico Buarque para análise. A música é “Sonhos de um Carnaval" e, ao introduzir a canção, mencionam que foi lançada no mesmo ano de fundação da Unicamp”, exemplifica.

 

Destaques de cada área

Outros temas atuais também estiveram presentes no exame. Em Ciências da Natureza, a questão das bebidas que causaram intoxicação no final de 2025 foi usada para falar de hemodiálise, e também foram abordados os eventos envolvendo a intoxicação em uma piscina que aconteceu no começo do ano. Outra questão abordou desinformação e trouxe uma manchete sobre fake news a respeito das vacinas da Covid-19. Um assunto recorrente foi tecnologia. Em Química, um texto explorou nanotecnologia e nanocubos. Muitas questões também abordaram temas do cotidiano e curiosidades. Por exemplo, como aparelhos que não estão em uso ainda gastam energia e o funcionamento de uma tornozeleira eletrônica. 

“Em Linguagens, uma questão de Português trouxe o contexto de uma fantasia do carnaval de 2026 que viralizou nas redes sociais e discutiu a relação entre o termo “fantasia” e o contexto de denúncia e conscientização acerca da violência contra a mulher”, ressalta Isabela. 

“Em Literatura, chamou atenção uma questão sobre Conceição Evaristo, porque a pergunta era baseada não apenas na obra “Olhos d'água”, mas também em uma fala da autora em um evento realizado pela própria Unicamp em agosto deste ano”, diz a especialista. 

Outro aceno para a questão da juventude e atualidades foi o tema videogames, com uma questão de Ciências Humanas sobre a história e evolução dos consoles, partindo daí para tratar da relação dos consoles e a televisão e como isso impactou o público. Ainda em Ciências Humanas, muitas questões trataram do Censo de 2022. Uma delas abordou as mudanças na demografia étnico-racial brasileira, com o crescimento no número de pessoas que se autodeclaram pardas. Outras questões trataram do desenvolvimento e crescimento de cidades de médio porte nos últimos anos e o centenário de Milton Santos, trazendo um texto dele sobre globalização. “É um tema atual e colocaram em perspectiva o aniversário de um teórico importante e referência na área”, afirma Isabela.

 

Nível de dificuldade e interdisciplinaridade

Segundo Luiz Guilherme Novais, especialista em soluções educacionais do COC e mestre em ensino de Ciências, algumas questões chamaram a atenção pelo nível de dificuldade ou facilidade, como uma de Matemática muito simples que envolvia apenas sistemas de equação sobre arrecadação de fundos com venda de pizza. “Em contrapartida, outras estavam muito difíceis, como uma de matriz que pedia para calcular o determinante da matriz e transformar o determinante em um gráfico.” 

Algumas questões destacaram a interdisciplinaridade, pois pediam não apenas a interpretação de texto, mas também a análise de gráficos. “Era preciso até um certo conhecimento de Matemática para resolver – por exemplo, a pergunta de inglês sobre deportação de imigrantes nos Estados Unidos”, avalia. 

Outro exemplo que ele dá foram as questões sobre negritude e a pauta antirracista. “Isso apareceu tanto em Geografia quanto em Literatura atual, com discussão de autores canônicos, como Lima Barreto e Machado de Assis”, finaliza Novais.

 

COC
coc.com.br

SAS
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Fibra de coco é estudada como alternativa para melhorar conforto térmico e acústico em edificações

Pesquisa desenvolvida no curso de Engenharia Civil da Universidade Christus já produziu duas gerações de protótipos e avança para testes em paredes e situações mais próximas das condições reais de uso 

 

Um resíduo abundante no litoral pode ganhar uma nova possibilidade de aplicação na construção civil. Pesquisadores do curso de Engenharia Civil da Universidade Christus desenvolvem painéis de vedação produzidos com fibra de coco e resina epóxi, com foco na melhoria do conforto térmico e acústico das edificações. Além do aproveitamento de um material natural, o estudo investiga aplicações que vão de residências e ambientes corporativos a construções temporárias de canteiros de obras.

 

A pesquisa surgiu a partir da observação de outro campo de estudo. Segundo Paula Nobre, coordenadora do curso de Engenharia Civil da Universidade Christus, a ideia veio de uma tese de doutorado relacionada à ambiência e ao conforto térmico de gado leiteiro. O trabalho havia identificado que a utilização de fibra de coco nas camas dos animais contribuía para reduzir a temperatura dos galpões. A partir desse resultado, surgiu a possibilidade de adaptar o princípio à realidade da construção civil, especialmente em regiões submetidas a temperaturas elevadas.

 

“Começamos pensando principalmente no conforto térmico e em uma aplicação para estruturas temporárias de obras, mas, à medida que os testes avançaram, percebemos outras possibilidades. O material apresentou também resultados relacionados ao isolamento acústico, o que ampliou bastante o campo de investigação”, explica Paula Nobre.

 

Primeiros protótipos 

Na pesquisa, são utilizadas tanto fibras longas quanto fibras de coco já processadas industrialmente. O material é combinado com resina epóxi, responsável por unir as fibras e conferir coesão ao painel. A opção pela matéria-prima previamente beneficiada também facilita a participação dos estudantes, já que elimina etapas como descascamento, moagem e processamento artesanal do coco.

 

Os primeiros testes, realizados em 2024, envolveram seis painéis com diferentes composições. Segundo a coordenadora, algumas das configurações avaliadas registraram redução de aproximadamente 20% na temperatura dos ambientes testados e aumento superior a 30% no isolamento acústico entre espaços. Os resultados variaram de acordo com a proporção de fibras e resina utilizada em cada protótipo.

 

O projeto já passou por duas etapas de desenvolvimento. Inicialmente, foram produzidos painéis de 15 por 15 centímetros. Depois, os pesquisadores avançaram para peças de 50 por 50 centímetros e cinco centímetros de espessura, dimensões mais próximas às de elementos disponíveis comercialmente para vedação. Os painéis maiores pesam entre oito e dez quilos.

 

A espessura reduzida é um dos pontos estudados pela equipe diante de uma realidade marcada por imóveis com áreas menores e ambientes cada vez mais próximos. Entre as possibilidades avaliadas estão divisórias de salas comerciais, separação de cômodos residenciais, home offices e espaços de uso coletivo sujeitos à propagação de ruídos, como salões de festas. Para o conforto térmico, uma das aplicações consideradas são paredes e fachadas mais expostas à incidência do sol da tarde.

 

Além dos testes térmicos e acústicos, a equipe acompanha o comportamento dos protótipos ao longo do tempo. Alguns dos blocos produzidos estão moldados há mais de dois anos e, conforme a pesquisa, não apresentaram até o momento sinais visíveis de mofo, bolor, amarelecimento, deterioração orgânica ou deformação.

 

Aplicação pode chegar aos canteiros de obras 

Uma das frentes que permanecem no horizonte do projeto é justamente aquela que ajudou a originá-lo: a melhoria das condições de permanência nos canteiros.

 

Estruturas provisórias utilizadas em obras costumam reunir materiais que podem favorecer o aquecimento interno, como coberturas metálicas. Para quem já desenvolve atividades que exigem esforço físico, permanecer durante intervalos ou períodos de trabalho em espaços excessivamente quentes pode ampliar o desconforto.

 

Nesse contexto, os painéis poderiam ser empregados nas vedações de almoxarifados, escritórios temporários e outras estruturas, associados a estratégias como ventilação e sombreamento.

 

“Quando pensamos no canteiro de obras, não estamos falando apenas do desempenho de um material. Estamos falando também das condições oferecidas às pessoas que permanecem nesses ambientes. Se conseguirmos reduzir o calor de espaços de apoio e descanso, podemos contribuir para um ambiente de trabalho mais confortável e adequado”, destaca Paula.

 

Os próximos passos devem aproximar o projeto das condições reais de uso. A equipe pretende utilizar os painéis maiores na construção de uma parede para realizar medições acústicas entre ambientes. Outra estrutura deverá ser instalada em área externa e submetida diretamente ao sol poente, permitindo verificar o comportamento térmico do material em uma situação mais próxima à encontrada em uma edificação. 

 

Para a coordenadora, o potencial do estudo está justamente na combinação entre uma matéria-prima relacionada à realidade regional e problemas concretos encontrados nas edificações.

 

“Queremos desenvolver uma solução que dialogue com o clima e com as necessidades das pessoas. O coco faz parte da realidade do Ceará, e transformar esse material em um componente que possa contribuir para o conforto térmico e acústico das edificações também é uma forma de pensar a construção a partir dos recursos e desafios que temos aqui”, afirma.

 

Além das possíveis aplicações em residências e empresas, o estudo poderá abrir caminhos para estruturas temporárias e outros projetos que não dependam de elementos estruturais. A expectativa dos pesquisadores é que o avanço das próximas etapas permita definir, com maior precisão, os usos mais adequados para o material e sua viabilidade fora do ambiente acadêmico.

 

Na era da inteligência artificial, atendimento humano pode definir quem conquista e perde clientes


O consumidor que desiste de comprar porque não consegue falar com uma pessoa, um turista que abandona um restaurante por causa do atendimento ou cliente que não volta depois de uma experiência ruim. São situações muito comuns, mas que geram prejuízos enormes para os negócios, principalmente ligados ao turismo. Esse impacto financeiro é corroborado por dados do mercado global e nacional que mostram que 60% dos consumidores abandonam definitivamente uma marca ou estabelecimento após enfrentarem apenas uma ou duas experiências de atendimento negativas.

Essa premissa ganha contornos ainda mais decisivos em setores dependentes da hospitalidade e do acolhimento, como o turismo, o comércio e os serviços locais. Especialista no tema com mais de duas décadas de trajetória, mestre em Comunicação e palestrante com passagem por instituições internacionais como Georgia Tech e Emory University, Arthur Simoneto argumenta que o turista contemporâneo mudou sua forma de consumo.

Para ele, o visitante não compra mais simplesmente o destino ou o município, mas sim a experiência completa, construindo seu roteiro a partir dos sentimentos e impressões vivenciados em cada ponto de contato. Nesse contexto, segundo ele, o fator humano desponta não como uma alternativa obsoleta, mas como o ativo mais estratégico e valioso para a sustentabilidade dos negócios.

“O cliente moderno não busca apenas ser atendido mecanicamente por um robô ou sistema automático, mas quer ser compreendido em suas necessidades individuais. Quando uma jornada falha, a percepção de amadorismo contamina toda a cadeia econômica regional”, destaca.

Trata-se, segundo Simoneto, do risco invisível de perder clientes sem perceber, já que apenas 1 em cada 26 clientes insatisfeitos manifesta uma reclamação formal, enquanto os demais 25 simplesmente deixam de consumir e migram para a concorrência em silêncio.

Além disso, diz o especialista, dados da consultoria Deloitte revelam que marcas que priorizam e cuidam ativamente da experiência do cliente tornam-se 60% mais rentáveis do que aquelas focadas estritamente na venda do produto.

Na avaliação de Simoneto, a automação e as ferramentas tecnológicas cumprem o papel fundamental de conferir agilidade, facilitar reservas e organizar dados. No entanto, a tecnologia não substitui a empatia, a escuta ativa e a disposição genuína de servir.

O caminho para reter e fidelizar clientes, explica, passa pelo que o palestrante define como o "triângulo da experiência", composto por previsibilidade, capricho e surpresa positiva. A previsibilidade gera a confiança necessária de que o serviço será bom novamente; o capricho nos detalhes cria lembranças duradouras; e a surpresa positiva motiva o cliente a recomendar espontaneamente o estabelecimento a amigos e familiares.

Em um momento de transformações estruturais na economia, como as adequações decorrentes da reforma tributária sobre o consumo, a qualificação do atendimento presencial surge como um vetor acessível de competitividade, capaz de transformar pequenas melhorias no acolhimento em rentabilidade direta, fidelidade de público e fortalecimento da marca.

Por outro lado, o investimento no encantamento e na redução do esforço do cliente geram retornos multiplicadores expressivos para toda a cadeia, principalmente nos negócios ligados ao turismo. Consumidores que vivenciam uma jornada positiva e acolhedora chegam a gastar até 140% a mais do que aqueles que passam por experiências neutras ou negativas.

O especialista aponta ainda que reter e vender para um cliente que já conhece e confia no estabelecimento custa até 25 vezes menos do que investir em campanhas para atrair um novo visitante, reforçando que a verdadeira margem de lucro reside no retorno e na recomendação espontânea.

A chave para o sucesso no cenário atual não está no combate à tecnologia, mas na busca pela convergência inteligente entre ferramentas digitais e calor humano.

“Ao transformar equipes de linha de frente em embaixadores da hospitalidade e usar a tecnologia apenas como suporte de bastidor, os destinos turísticos e negócios locais consolidam um diferencial competitivo sustentável e imune às oscilações do mercado”, conclui Simoneto. 


Reforma tributária deve ser mantida, mas regras podem mudar em caso de transição de governo

IMAGEM: DC
Revogação é considerada improvável, mas especialistas apontam possíveis ajustes em alíquotas, regimes diferenciados, split payment, créditos e contencioso a partir de 2027

 

A reforma tributária do consumo, promulgada em dezembro de 2023, dificilmente será revogada ou adiada integralmente por um eventual novo governo. As alíquotas do IBS e da CBS, os regimes diferenciados, o split payment, o aproveitamento de créditos, o Imposto Seletivo e as regras do contencioso, porém, podem passar por mudanças a partir do ano que vem. Esse é o cenário mais provável apontado por especialistas ouvidos pelo Diário do Comércio.

O cronograma de transição da CBS e do IBS está previsto na Constituição. Qualquer alteração, portanto, exigiria uma emenda constitucional, aprovada em dois turnos pela Câmara e pelo Senado, com três quintos dos votos em cada Casa.

Carlos Navarro, sócio do Galvão Villani, Navarro, Zangiácomo e Bardella Advogados, considera que, além da exigência de quórum elevado, existe um problema de calendário.

A CBS começa a substituir Pis e Cofins em 1º de janeiro de 2027, enquanto o eventual novo presidente somente tomaria posse em 5 de janeiro.

Qualquer decisão para alterar o cronograma, portanto, teria de ser tomada pelo atual Congresso entre o segundo turno das eleições e o fim do ano.

Desde 1988, diz ele, somente oito emendas constitucionais foram promulgadas nesse intervalo e apenas duas tiveram relação direta com o sistema tributário.

Uma ligada à reforma da Previdência, cuja proposta já tramitava desde 1995, e outra que criou a contribuição para o custeio da iluminação pública.

A diferença em relação ao cenário atual, diz o advogado, é que não existe hoje uma PEC em tramitação para adiar a reforma tributária.

“Uma proposta apresentada depois das eleições teria de percorrer todas as etapas legislativas em poucas semanas, sem o histórico de articulação prévia dos exemplos anteriores”, diz.

Também pesam contra o adiamento a posição da Receita Federal e os investimentos já realizados por estados, municípios e empresas para a adaptação ao novo modelo.

Douglas Mota, sócio da área tributária do Demarest Advogados, também considera difícil operacionalizar um adiamento integral, apesar de não descartar essa possibilidade.

Além de qualquer alteração ter de passar por uma nova emenda constitucional, diz, a extinção do PIS e da Cofins está prevista para janeiro de 2027, e uma eventual postergação da reforma exigiria compatibilizar essa mudança com a continuidade da arrecadação dos tributos atuais.

Outro obstáculo, de acordo com ele, é que obrigações acessórias já estão sendo testadas e implementadas desde janeiro de 2026. “Alterações em componentes específicos da reforma seriam mais viáveis do que uma mudança integral do cronograma”, afirma.


Revisão de alíquotas

Para Felipe Peralta, consultor tributário do Miguel Neto Advogados, o principal risco para as empresas está mais nas regras do que no calendário.

Entre as mudanças que poderiam ser discutidas, diz, estão a redução dos regimes favorecidos para diminuir a alíquota geral, o fim do split payment por meio de lei complementar, a recalibragem do Imposto Seletivo, inclusive sobre produtos ultraprocessados e extração de petróleo e gás, e a extensão de prazos operacionais para as empresas.

Para as companhias, alterações pontuais, em sua avaliação, não necessariamente representariam um problema, desde que seja preservada a estrutura do IVA dual.

LEIA TAMBÉM: Apagão de alíquota da CBS preocupa empresas do Simples Nacional

“O maior fator de insegurança seria a indefinição sobre mudanças nas regras já previstas para 2027, porque muitas empresas já investiram em sistemas e processos para a transição”, afirma.

Mota diz que muitas companhias estão simulando os impactos da mudança em seus números, mas o exercício é complexo porque a alíquota de referência ainda não foi definida.

A implementação de sistemas e a adaptação de contratos, de acordo com ele, estão entre as principais demandas que chegam aos escritórios de advocacia.

“Sem conhecer as alíquotas e os efeitos finais da tributação, essas companhias encontram dificuldades para projetar custos, investimentos e definir a localização de suas operações”.


Split payment

O split payment aparece como um dos pontos mais sensíveis da reforma tributária, de acordo com os especialistas consultados.

Navarro faz uma distinção entre as operações entre empresas, o chamado B2B, e as vendas para consumidores finais, B2C.

Nas operações B2B, ele considera que uma eventual revogação do mecanismo seria um retrocesso, porque poderia aumentar a insegurança das empresas quanto à tomada de créditos e obrigá-las a recorrer ao chamado recolhimento pelo adquirente, ou RAD, que considera menos eficiente.

LEIA TAMBÉM: RAD surge como alternativa ao split payment a partir de janeiro; entenda o mecanismo

No B2C, entretanto, diz, a extinção do split payment seria positiva, pois considera que sua aplicação nesse tipo de operação apresenta problemas de constitucionalidade.

Para Peralta, o eventual fim do split payment poderia aliviar a pressão sobre o capital de giro das empresas, especialmente em um cenário de juros elevados.


CACB defende prazo maior

A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) considera mais adequado revisar e aperfeiçoar a reforma tributária do que revogá-la em um novo governo.

Anderson Trautman Cardoso, vice-presidente da entidade, afirma que as empresas já estão adaptando sistemas, revendo contratos e recalculando custos e preços. “Uma revogação provocaria impactos relevantes para o setor produtivo”, diz.

Cardoso defende que 2027 seja tratado como um ano de testes, com o aperfeiçoamento da implementação a partir de 2028.

A proposta, porém, exigiria mudanças no calendário previsto para a transição, já que a cobrança da CBS começa em 1º de janeiro de 2027, antes da posse de um eventual novo presidente.

A CACB considera prioritários para revisão o tratamento tributário das empresas do Simples Nacional, os efeitos sobre o setor de serviços e a organização do contencioso judicial.

No caso das micro e pequenas empresas, a preocupação é com a perda de competitividade decorrente da forma como os créditos tributários serão aproveitados pelos clientes.

Para o setor de serviços, a entidade defende alternativas para reduzir os impactos de um possível aumento da carga tributária.

A CACB avalia que a coexistência de disputas nas esferas estadual e federal pode gerar decisões conflitantes e ampliar a insegurança jurídica, já que o IBS envolve estados e municípios, enquanto a CBS é federal.

Apesar da defesa de mais tempo para ajustes, Cardoso recomenda que as empresas mantenham os preparativos para 2027.

“Interromper investimentos e adaptações à espera de uma eventual mudança de governo seria arriscado”, diz.


Adiamento

Gustavo Brigagão, sócio do Bichara Advogados e presidente do Centro de Estudos das Sociedades de Advogados (CESA), tem uma avaliação mais crítica das novas regras tributárias.

Para ele, a reforma deveria ser postergada e 2027 deveria ser utilizado como um ano de testes.

“2026 não foi utilizado efetivamente para testar o novo sistema e as empresas chegam à reta final do ano sem algumas definições essenciais para a transição”, afirma.

Entre elas estão as alíquotas da CBS e do IBS, o leiaute dos documentos fiscais, o funcionamento do split payment e a integração dos sistemas dos contribuintes com a Receita Federal.

A falta dessas definições, diz, cria dificuldades para as empresas que precisam formar preços, fazer investimentos e celebrar contratos de longo prazo.

Por isso, uma das principais reivindicações, em sua avaliação, é a definição imediata das alíquotas da CBS e do IBS, para que o setor produtivo tenha parâmetros para suas decisões.

Brigagão também defende uma mudança na regra de aproveitamento dos créditos tributários. Para ele, o crédito decorrente da não cumulatividade não deveria estar condicionado ao pagamento do tributo pelo elo anterior da cadeia.

“O problema é que essa vinculação transfere para o adquirente o risco fiscal de outro contribuinte e pode prejudicar a neutralidade que deveria orientar um sistema de IVA”.

Brigagão também propõe uma aplicação mais restrita do split payment. Em vez de adotá-lo de maneira ampla, ele defende que o mecanismo seja direcionado a setores que apresentem histórico de sonegação.

“A adoção generalizada pode aumentar a complexidade operacional das empresas e comprometer o fluxo de caixa. Em um ambiente de juros elevados, a questão do capital de giro ganha ainda mais relevância”, afirma.


Contencioso

Outro tema levantado por Brigagão é o risco de aumento do contencioso tributário.

O IBS será compartilhado por estados e municípios e a tributação seguirá o princípio do destino. Com isso, empresas que realizam operações para diferentes localidades poderão se relacionar com múltiplos entes tributantes.

Para o advogado, é necessário estabelecer regras que busquem uma maior unicidade jurisdicional e subjetiva nas ações judiciais relacionadas à reforma. Caso contrário, uma mesma operação poderá gerar disputas em diferentes tribunais.

LEIA TAMBÉM: Da fazenda à trading: o impacto das novas regras tributárias nas exportações do agro

Um dos riscos apontados é que uma determinada operação seja considerada sujeita à CBS pela Justiça Federal, enquanto a Justiça Estadual entenda que ela não deve ser onerada pelo IBS. Isso poderia criar decisões divergentes para uma mesma operação econômica.

A preocupação é especialmente relevante para empresas que atuam nacionalmente e têm operações distribuídas por diversos estados e municípios.

Brigagão também defende a correção de possíveis inconstitucionalidades na incidência do IBS e da CBS. Para ele, algumas regras podem invadir competências tributárias atribuídas pela Constituição a estados e municípios, como ocorre em operações envolvendo doações e transmissão de imóveis.

A possibilidade de ajustes, portanto, não elimina a necessidade de as empresas se prepararem para 2027.

Mesmo que um novo governo queira rever pontos da reforma, as mudanças no calendário e nas regras terão de conciliar as exigências constitucionais, a continuidade da arrecadação e os investimentos já realizados pelo setor produtivo.

 


Fátima Fernandes

https://dcomercio.com.br/publicacao/s/reforma-tributaria-deve-ser-mantida-mas-regras-podem-mudar-em-caso-de-transicao-de-governo


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