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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Estresse, enxaqueca ou excesso de remédios?

 

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Saiba diferenciar os tipos de dor de cabeça

Especialista explica os sinais de alerta e orienta quando a cefaleia exige investigação médica 

 

Sentir dor de cabeça e tratar o incômodo com um analgésico é um hábito comum entre os brasileiros. Muitas vezes, o sintoma é encarado como algo passageiro, associado ao estresse, ao cansaço ou à rotina intensa. No entanto, especialistas alertam que a cefaleia pode ter diferentes causas e, em alguns casos, indicar condições que exigem investigação médica.

Estima-se que cerca de 95% dos brasileiros terão pelo menos um episódio de dor de cabeça ao longo da vida. Além disso, aproximadamente 70% das mulheres e 50% dos homens convivem com o problema ao menos um dia por mês.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, cerca de 13 milhões de brasileiros sofrem com cefaleia crônica diária, quadro caracterizado pela ocorrência de dor de cabeça em pelo menos 15 dias por mês. Para conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico e do tratamento adequado, o dia 19 de maio marca o Dia Nacional de Combate à Cefaleia.

Para o neurologista do Hospital São Luiz Morumbi, da Rede D'Or, Dr. Márcio Sueto, ainda existe um equívoco comum em relação ao tema.

“Os pacientes costumam acreditar que a dor de cabeça é um sintoma secundário, quando, na maioria das vezes, ela é o principal, e muitas vezes, o único sinal clínico”, explica.

O especialista destaca que existem mais de 150 tipos de cefaleia, divididas entre primárias e secundárias.

 

Os tipos mais comuns de cefaleia

As cefaleias primárias são aquelas em que a dor de cabeça é a própria doença. Entre as mais frequentes estão:

Cefaleia tensional: Costuma ser menos intensa, afeta os dois lados da cabeça e provoca sensação de pressão ou aperto. Náuseas e sensibilidade à luz são menos comuns.

Enxaqueca (migrânea): Dor de forte intensidade, geralmente pulsátil, que costuma atingir um lado da cabeça e pode ser acompanhada de náuseas, além de sensibilidade à luz, ao som e ao esforço físico.

Cefaleia em salvas: Considerada uma das dores mais intensas, caracteriza-se por crises súbitas e lancinantes, geralmente localizadas ao redor de um olho, com duração entre 15 minutos e três horas.

Já as cefaleias secundárias surgem como consequência de outra condição clínica, como sinusites, infecções ou alterações neurológicas.

“Nesses casos, tratar apenas a dor pode mascarar ou até agravar um problema maior. Por isso, é fundamental identificar a causa e seguir protocolos específicos de avaliação”, ressalta o neurologista.

 

O protocolo MINAS: quando a dor exige atenção imediata

Para facilitar a identificação de sinais de alerta, especialistas utilizam o protocolo MINAS , que ajuda a reconhecer situações que exigem atendimento imediato:

M — Mudança no padrão
Dor nova ou com intensidade e frequência diferentes das habituais.

I — Início súbito
Dor de instalação rápida, que atinge intensidade máxima em menos de um minuto.

N — Neurológicos
Presença de sintomas como fraqueza, alterações de sensibilidade, dificuldade para falar, convulsões ou confusão mental.

A — Atividade física/idade
Dor desencadeada por esforço, tosse ou iniciada após os 50 anos.

S — Sistêmicos
Dor acompanhada de febre, perda de peso ou em pacientes com histórico de câncer ou imunossupressão.

O especialista também recomenda avaliação médica quando a dor se torna frequente, mesmo em pacientes já diagnosticados com enxaqueca.

“A persistência da dor sem acompanhamento adequado pode atrasar o diagnóstico de doenças graves ou contribuir para a cronificação do quadro”, alerta.

Segundo ele, dores de cabeça crônicas também podem comprometer a qualidade de vida, afetando o sono, a saúde mental e a rotina dos pacientes.

 

Prevenção e os riscos da automedicação

Hábitos como desidratação, noites mal dormidas, alimentação inadequada e excesso de estresse estão entre os principais gatilhos para crises de cefaleia.

“No caso da enxaqueca, que tem forte componente genético e hereditário, esses fatores podem desencadear as crises. Ajustes no estilo de vida ajudam a reduzir a frequência dos episódios”, explica.

Outro ponto de atenção é o uso indiscriminado de analgésicos. O consumo frequente e sem orientação médica pode provocar a chamada cefaleia por uso excessivo de medicação, conhecida como efeito rebote.

“Esse quadro leva a um estado de sensibilização cerebral, com dores frequentes, refratárias e de tratamento mais complexo. O problema cria um ciclo difícil de interromper: na tentativa de aliviar a dor, a pessoa recorre novamente ao medicamento, o que intensifica o chamado efeito rebote e favorece a cronificação do quadro”, destaca o médico. Nesses casos, o tratamento exige a suspensão gradual ou interrupção do uso dos analgésicos, mediante acompanhamento médico.

Apesar dos desafios, avanços terapêuticos vêm ampliando as opções de tratamento, especialmente para pacientes com enxaqueca. “A dor de cabeça não deve ser normalizada, principalmente quando é frequente, intensa ou interfere na rotina. Cada caso precisa de diagnóstico preciso e cuidado individualizado”, finaliza.

Reconhecido como um dos hospitais mais modernos da América Latina, o Hospital São Luiz Morumbi, da Rede D'Or, é referência em alta complexidade, reunindo corpo clínico renomado, tecnologia de ponta e atendimento integrado e seguro. A unidade conta com pronto-socorro adulto e pediátrico, além de excelência em diversas especialidades e cirurgia robótica.

 

Queda nas temperaturas leva ao aumento de crises respiratórias em crianças

 

Ar seco e maior permanência em ambientes fechados culminam para a circulação de vírus respiratórios, causando crises que resultam em internações hospitalares

 

A chegada do Outono e do Inverno leva a uma queda brusca de temperatura, clima seco e ressecamento das mucosas, diminuindo a proteção natural das vias aéreas e facilitando infecções e crises respiratórias. Nas crianças, quadros como esse tem maior adesão e são de maior gravidade, uma vez que possuem sistema imunológico em desenvolvimento e vias aéreas menores, mais suscetíveis à obstrução por conta de inflamação e secreção.  

Segundo dados da Fiocruz, o vírus sincicial respiratório (VSR) se mantém como a principal causa de internação e óbitos em crianças menores de 2 anos. Casos de bronquiolite, pneumonia e infecções respiratórias graves são os mais recorrentes nessa época do ano, sendo a bronquiolite responsável por 47,2% das internações.  

A pediatra, especialista em medicina intensiva pediátrica do Hospital Ribeirania e gerente da vigilância epidemiológica da secretaria da saúde em Ribeirão Preto, Dra. Viviane Balbão (CRM: 118380 RQE: 65481/654811), explica que os principais sintomas de crianças que apresentam crise respiratória são respiração ofegante, muitas vezes com aumento da frequência respiratória, chiado no peito, dificuldade para falar, mamar, deglutir e sonolência excessiva. A coloração da pele também é um sinal importante de alerta. Crianças pálidas ou com a coloração dos lábios e das extremidades arroxeadas que apresentam febre associada a piora do padrão respiratório também são condições importantes.  Quando não tratados corretamente ou em casos em que a infecção se encontra avançada, a necessidade de internação em uma UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) pediátrica se torna primordial para a recuperação do paciente.   

“A evolução para os quadros graves geralmente ocorre quando há um comprometimento da troca gasosa, ou seja, na entrada do oxigênio e na eliminação do gás carbônico e, assim, podemos ter problema na oxigenação e/ou problema na ventilação. Esse prejuízo na troca gasosa geralmente costuma se apresentar clinicamente com sinais de fadiga e falência respiratória, podendo inclusive estar associado a um processo inflamatório intenso, que poderá resultar em infecção mais grave como sepse e choque séptico. Os principais fatores de risco para o agravamento são crianças abaixo de 2 anos, prematuros, pacientes que já tem alguma doença pulmonar crônica, portadores de cardiopatia congênita, imunodeficiência, asmáticos, estado vacinal inadequado e diagnóstico feito de forma tardia. Quando essa criança evolui com insuficiência respiratória, geralmente é necessário algum suporte avançado de tratamento como uso de oxigenioterapia de alto fluxo, uso de ventilação não invasiva ou até mesmo uso de suporte ventilatório invasivo, ou seja, o paciente será entubado”, explica.  

O tratamento para casos mais complexos acontece desde oferta de oxigênio em tipos de suporte mais comuns como cateter nasal e máscara não inalante até o uso de terapias mais elaboradas como cateter nasal de auto fluxo, uso de aparelhos de ventilação não invasiva, ventilação invasiva e uso de antibióticos para quadros bacterianos. O paciente vai precisar, muitas vezes, de monitorização contínua em unidades de terapia intensiva pediátrica.  

Em casos de menor gravidade, o procedimento a ser seguido é o suporte clínico com orientação de hidratação, lavagem nasal com soro fisiológico, controle da temperatura e observar e medicar de acordo com os sintomas quando houver indicação.  A vacinação infantil e o quadro vacinal em dia continua sendo uma das medidas mais eficazes para prevenir pneumonias, infecções graves por influenza, COVID e tantas outras infecções respiratórias graves. 

“Além da vacinação, é importante orientação de higienização frequente das mãos, evitar expor essa criança à fumaça de cigarro, manter os ambientes bastante ventilados, evitar ficar em contato com pessoas que estejam doentes, gripadas, incentivar muito a hidratação, orientar a lavagem nasal com soro fisiológico nesses períodos que tem maior circulação viral e manter acompanhamento regular com pediatra, especialmente em crianças com doenças crônicas. É importante reforçar também que não devem ser administrados medicamentos sem orientação médica, pois é necessária a avaliação clínica adequada da criança para fazer uma prescrição”, enfatiza a especialista. 


Estruturar para cuidar 

Uma UTI pediátrica moderna atua de forma multiprofissional, com monitorização avançada, protocolos atualizados de segurança e qualidade assistencial, fundamentais para a redução de complicações e da mortalidade. Com isso, o Hospital Ribeirania transferiu seu espaço da assistência intensiva infantil para oferecer mais conforto, segurança e funcionalidade. 

Com 8 leitos, sendo um deles um quarto de isolamento, o local contará com equipamentos e tecnologia voltados ao atendimento infantil como ventiladores mecânicos pediátricos, monitores multiparamétricos, bombas de infusão e recursos avançados de suporte intensivo.  

Segundo a enfermeira intensivista e coordenadora da UTI pediátrica Marilia Ciaco Munzlinger (COREN: 540.206), o objetivo da mudança é qualificar ainda mais a assistência prestada às crianças assistidas.  

“A transferência para uma área reformada e modernizada traz benefícios importantes como melhor estrutura física, otimização dos fluxos assistenciais, mais conforto para pacientes e familiares, além de melhores condições de trabalho para as equipes médica e multiprofissional, refletindo diretamente na qualidade e segurança do cuidado. É um reforço do nosso compromisso em atender com excelência e acolhimento”, conclui.  

A nova estrutura também visa fortalecer o suporte aos pacientes submetidos a cirurgias cardíacas, neurológicas, ortopédicas e cirurgias gerais infantis, proporcionando uma assistência intensiva mais moderna, segura e especializada.   

  


Grupo São Lucas de Ribeirão Preto (SP)

 

SOMP: por que a antiga “síndrome dos ovários policísticos” ganhou um novo nome e o que isso muda na saúde da mulher

Consenso internacional redefine a SOP como Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), destacando que a condição vai muito além dos ovários e envolve alterações hormonais, metabólicas e emocionais 

 



A condição conhecida há décadas como Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) passou por uma importante atualização médica e científica. Um consenso global publicado no periódico científico The Lancet propôs a mudança do nome para Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), uma definição que busca representar de forma mais precisa a complexidade da doença. A mudança reforça um ponto importante: a condição não afeta apenas os ovários. Ela está relacionada a alterações hormonais, resistência à insulina, inflamação crônica, risco cardiovascular e impactos importantes na saúde emocional e metabólica das mulheres.

De acordo com a ginecologista Karoline Prado, a antiga nomenclatura acabava limitando a compreensão da síndrome tanto entre pacientes quanto fora do meio médico. “Muitas mulheres acreditavam que a síndrome se restringia aos ovários ou apenas à irregularidade menstrual. A nova definição ajuda a mostrar que estamos falando de uma condição sistêmica, que envolve metabolismo, hormônios e diversos impactos na saúde feminina”, explica.

Outro equívoco frequente é associar automaticamente o diagnóstico ao resultado do ultrassom. “O diagnóstico não depende apenas da presença de ovários policísticos no exame. Avaliamos também alterações hormonais, sintomas clínicos e irregularidade menstrual. Existem mulheres com ovários policísticos sem a síndrome e pacientes com a síndrome mesmo sem alterações importantes no ultrassom”, afirma Karoline.

Entre os sinais mais comuns da SOMP estão:
menstruação irregular;
  • acne persistente;
  • aumento de pelos;
  • dificuldade para emagrecer;
  • queda de cabelo;
  • resistência à insulina;
  • alterações metabólicas;
  • dificuldade para engravidar.
Além das manifestações hormonais, a síndrome também está associada ao aumento do risco de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alterações inflamatórias crônicas. A especialista também chama atenção para os impactos emocionais da condição, frequentemente negligenciados durante o diagnóstico e tratamento.

“Muitas pacientes chegam ao consultório emocionalmente exaustas após anos

tentando entender sintomas que pareciam desconectados entre si. Alterações corporais, acne, ganho de peso, infertilidade e oscilações hormonais afetam diretamente autoestima, ansiedade e qualidade de vida. A síndrome precisa ser vista de forma integral”, destaca.

Apesar de não existir cura definitiva, a SOMP pode ser controlada com acompanhamento individualizado, incluindo alimentação equilibrada, atividade física, controle metabólico e tratamento hormonal quando necessário. A médica alerta ainda para os riscos do autodiagnóstico baseado em conteúdos de redes sociais.

“O excesso de desinformação faz muitas mulheres acreditarem que qualquer alteração menstrual significa síndrome. Informação correta e avaliação médica adequada continuam sendo fundamentais para diagnóstico precoce e qualidade de vida”, finaliza.

Vacinação contra febre amarela: dose única garante proteção para toda a vida

Recomendação atual do Ministério da Saúde elimina necessidade de reforço a cada 10 anos

 

Especialistas de saúde reforçam a importância da vacinação contra a febre amarela, especialmente em períodos de maior circulação de pessoas para áreas de risco, como férias, feriados prolongados e turismo rural ou de aventura. 

Atualmente, a recomendação do Ministério da Saúde estabelece que apenas uma dose da vacina é suficiente para garantir proteção ao longo de toda a vida, substituindo a orientação anterior que previa reforço a cada 10 anos. A medida vale tanto para moradores de regiões com risco de transmissão quanto para pessoas que pretendem viajar para esses locais. 

Além disso, é importante que indivíduos que receberam a dose fracionada durante campanhas emergenciais em 2018 procurem atualização vacinal. Esse tipo de imunização oferece proteção por tempo limitado — estimado em cerca de oito anos —, sendo necessária a aplicação da dose padrão para garantir proteção prolongada. 

O Brasil e diversas áreas das Américas são consideradas regiões endêmicas para a doença. Embora os casos estejam concentrados em áreas específicas, o fluxo constante entre zonas urbanas e regiões de risco aumenta a preocupação das autoridades sanitárias. 

Dados recentes acendem o alerta: o estado de São Paulo confirmou seis casos de febre amarela silvestre em humanos até 23 de abril de 2026, com três óbitos registrados. Os casos foram identificados principalmente no Vale do Paraíba, em municípios como Lagoinha e Cunha, além da região de Sorocaba, como Araçariguama. Todos os pacientes confirmados não tinham histórico de vacinação, e o perfil predominante é de homens expostos a áreas rurais e silvestres. 

“A doença é transmitida por mosquitos e não há registro de transmissão direta entre humanos. No entanto, a presença de vetores tanto em áreas rurais quanto urbanas reforça a importância da vacinação como principal forma de prevenção”, explica a infectologista pediátrica do Sabin Diagnóstico e Saúde, Sylvia Freire.

A vacina é recomendada para pessoas entre 9 meses e 59 anos que ainda não foram imunizadas. A ampliação da cobertura vacinal é fundamental para evitar a reurbanização da doença e proteger a saúde coletiva. 

Apesar da sua gravidade e potencial letalidade, a febre amarela não é a arbovirose mais frequente no Brasil, ficando atrás de doenças como dengue, chikungunya e zika. Ainda assim, especialistas alertam que a evolução pode ser rápida e, em casos graves, apresentar alto risco de morte.



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Trabalho em equipe na medicina vai além da competência técnica, defende especialista

 

Cirurgião oncológico alerta para a importância da empatia, confiança e sintonia entre profissionais de saúde na qualidade do cuidado ao paciente 

 

A competência técnica é indispensável na medicina, mas, sozinha, não é suficiente. É o que explica o Dr. Arnaldo Urbano Ruiz, cirurgião geral e oncológico, coordenador do Centro de Doenças Peritoneais da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Para ele, o trabalho em equipe na área da saúde exige um nível de integração que vai muito além do que se espera em outros ambientes profissionais. 

"Na medicina, o paciente é sempre o objetivo principal. Por isso, não basta apenas competência técnica, é fundamental que exista empatia, afinidade, respeito e bom relacionamento entre médicos e toda a equipe", afirma o especialista. 

O Dr. Arnaldo chama atenção para uma diferença importante entre o ambiente corporativo tradicional e o contexto da saúde. Enquanto em empresas é comum que pessoas sem grande proximidade pessoal consigam colaborar de forma funcional, na medicina essa dinâmica é muito mais complexa. 

"No meio corporativo, pessoas que não têm amizade ou grande proximidade conseguem trabalhar juntas de forma profissional. Já na medicina, isso é muito mais difícil, porque decisões precisam ser tomadas em conjunto, com confiança, harmonia e comunicação clara", avalia. 

Segundo o médico, a ausência de sintonia entre os profissionais de saúde não é apenas um problema de gestão ou clima organizacional, é um risco direto para o paciente. "Quando não existe sintonia entre os profissionais, o risco de falhas, conflitos e prejuízos ao cuidado do paciente aumenta", alerta. 

A visão do Dr. Arnaldo reforça um princípio cada vez mais debatido na medicina moderna: o de que a qualidade do cuidado depende tanto da excelência individual de cada profissional quanto da coesão do time que o rodeia. Em procedimentos de alta complexidade, como a cirurgia citorredutora com HIPEC, realizada no Centro de Doenças Peritoneais da BP, essa integração é ainda mais crítica. 

"Em saúde, o trabalho em equipe vai além da obrigação profissional. Ele exige união verdadeira em benefício de quem mais importa: o paciente", conclui.


Hesitação vacinal desafia a saúde pública mesmo diante de avanços tecnológicos nas vacinas

 

Tema ganha relevância com a expansão de novas plataformas, como mRNA, e será debatido no Congresso Gaúcho de Atualização em Pediatria 

 

Mesmo com o avanço significativo da ciência e o desenvolvimento de novas tecnologias, a hesitação vacinal segue como um dos principais desafios de saúde pública na atualidade. De forma simples, a hesitação vacinal ocorre quando pais ou responsáveis têm dúvidas, insegurança ou adiam a decisão de vacinar, mesmo com acesso às vacinas. Não se trata, necessariamente, de recusa, mas de um cenário de incerteza, muitas vezes influenciado por informações conflitantes, medo de efeitos adversos ou conteúdos enganosos. Esse comportamento impacta diretamente o controle de doenças e a proteção coletiva, exigindo estratégias mais eficazes de comunicação entre profissionais da saúde e famílias.

 

O médico pediatra e 2º vice-presidente da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), Benjamin Roitman, destaca que o ambiente digital tem influenciado diretamente a percepção da população sobre as vacinas. 

“As redes sociais hoje são uma via de acesso muito importante à informação, mas também podem ser utilizadas para desinformação. O que acontece com as vacinas é um exemplo disso, com a disseminação de notícias irreais sobre supostos efeitos adversos. No caso da covid-19, isso alcançou níveis alarmantes, esquecendo-se de que a pior pandemia dos últimos 100 anos foi controlada com a ajuda das vacinas”, afirma o 2º vice-presidente da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, Benjamin Roitman. 

Ao mesmo tempo, os avanços científicos têm ampliado o potencial das vacinas, com destaque para as novas plataformas tecnológicas. Segundo o especialista, as vacinas de mRNA representam um salto importante na área, abrindo possibilidades para a prevenção de diferentes doenças e até mesmo aplicações em oncologia. 

“As vacinas de mRNA constituem um inegável avanço, pois permitem o desenvolvimento de imunizações para diversos patógenos e também para uso em doenças oncológicas. Além disso, por não utilizarem vírus vivo atenuado, reduzem o risco de efeitos adversos, especialmente em pacientes imunodeprimidos”, explica o 2º vice-presidente da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, Benjamin Roitman. 

Nesse contexto, o pediatra assume um papel estratégico como agente de saúde pública, sendo responsável por orientar famílias, esclarecer dúvidas e combater informações equivocadas. A confiança construída na relação com pacientes e responsáveis é um dos principais instrumentos para ampliar a adesão vacinal e garantir a proteção das crianças e adolescentes. 

A relevância desse debate estará em evidência no XVIII Congresso Gaúcho de Atualização em Pediatria, promovido pela Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), que será realizado de quarta-feira a sexta-feira, de 21/05 a 23/05 de 2026, no Centro de Convenções Barra Shopping, em Porto Alegre. O tema será abordado em um talk show na quinta-feira, 21/05, das 14h às 14h45, com o painel “Novas vacinas e hesitação vacinal: como mudar esse cenário?”, reunindo especialistas para discutir desde novas plataformas vacinais, como mRNA e imunizações combinadas, até atualizações de calendário, determinantes da hesitação e estratégias práticas de comunicação no consultório. 

Participam do debate o membro do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, Juarez Cunha, o médico pediatra Marcelo Comerlatto Scotta e o 2º vice-presidente da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, Benjamin Roitman, reforçando a importância de integrar ciência, prática clínica e comunicação no enfrentamento desse desafio.

 

Serviço 

XVIII Congresso Gaúcho de Atualização em Pediatria

Data: de 21/05 a 23/05 de 2026 (quarta-feira a sexta-feira)

Local: Centro de Convenções Barra Shopping Sul (Porto Alegre, RS)

 Mais informações, programação completa e inscrições estão disponíveis em https://www.gauchopediatria.com.br/home.asp    

 

Marcelo Matusiak


Maternidade planejada: 7 cuidados importantes antes de engravidar

Exames, vacinação, alimentação e hábitos saudáveis ajudam a preparar o corpo para uma gestação mais segura

 

A maternidade começa muito antes do teste positivo. Cada vez mais mulheres têm buscado acompanhamento médico, exames preventivos e mudanças no estilo de vida antes da gravidez para reduzir riscos e melhorar a saúde materna e fetal. 

Segundo dados recentes do IBGE, o número de mães com 40 anos de idade ou mais quase dobrou em duas décadas. Em 2000, foram registrados cerca de 74 mil partos de mulheres nessa faixa etária. Já em 2022, foram mais de 139 mil. Essas estatísticas reforçam a importância de cuidados pré-concepcionais, especialmente para quem decide ter filhos em uma fase mais avançada da vida. Essa preparação é ainda mais relevante diante de uma mudança demográfica significativa entre as brasileiras e reforça a importância dos cuidados pré-concepcionais, especialmente diante de fatores como fertilidade, doenças crônicas e prevenção de riscos gestacionais. 

O Diretor médico do Laboratório Exame, Gleidson Viana, explica que uma avaliação laboratorial antes da gravidez pode identificar alterações silenciosas e favorecer uma gestação mais segura. “O ideal é que a mulher inicie esse processo com exames atualizados, para corrigir deficiências nutricionais, investigar doenças metabólicas e avaliar infecções que podem interferir na fertilidade ou no desenvolvimento fetal”, afirma. 

Entre os principais exames laboratoriais indicados nesta fase estão hemograma completo, glicemia, hemoglobina glicada, função tireoidiana, ferro, ferritina, vitamina D, vitamina B12, tipagem sanguínea e sorologias para rubéola, toxoplasmose, hepatites, HIV e sífilis. 

Segundo a ginecologista e ultrassonografista ginecológica Ana Glauce, do Laboratório Exame, no Distrito Federal, exames de imagem como ultrassom transvaginal, ultrassom pélvico e, em alguns casos, a histerossalpingografia, exame que avalia a permeabilidade das trompas e a anatomia uterina, também podem fazer parte da investigação pré-concepcional. Ela destaca que o preparo vai além dos exames. “Controle do peso, atividade física regular, alimentação equilibrada, interrupção do tabagismo, redução do álcool e uso orientado de ácido fólico antes da concepção são medidas importantes para mãe e bebê”, afirma. 

Durante a gestação, os avanços da medicina diagnóstica ampliaram o cuidado individualizado. Natália Gonçalves, superintendente de reprodução humana, pesquisa e desenvolvimento de Dasa Genômica, explica que exames baseados em DNA fetal trouxeram mais precisão ao pré-natal. 

A sexagem fetal, realizada por meio de sangue materno a partir da oitava semana, identifica o sexo biológico do bebê com alta precisão. Já o NIPT (Teste Pré-Natal Não Invasivo) permite rastrear alterações cromossômicas, como trissomias, incluindo síndrome de Down. “Esses exames representam um avanço importante porque oferecem informação precoce, sem riscos à gestação e com apoio à tomada de decisão clínica”, afirma. 

Ela ressalta ainda o Painel de Portadores (PCGT), exame que investiga se o casal carrega alterações genéticas associadas a doenças hereditárias recessivas. O recurso pode ser especialmente útil em processos de reprodução assistida, inclusive na etapa de escolha embrionária. De acordo com a especialista, entidades médicas já defendem que essa opção seja apresentada a todos que pretendem ter filhos, e não apenas a famílias com antecedentes conhecidos. “Em aproximadamente metade dos casos em que houve identificação de risco elevado, não existia registro familiar prévio dessas condições”, explica.
 

Vacina é aliada na prevenção  

Outro pilar essencial da jornada materna é a vacinação. Gestantes devem manter em dia imunizações como influenza, dTpa, hepatite B e Covid-19, conforme recomendação médica. Também ganhou destaque a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), aplicada na gestação para proteger o bebê nos primeiros meses de vida e reduzir o risco de bronquiolite. 

Para o Dr. Gleidson, é importante valorizar esse caminho percorrido antes do nascimento. “Hoje vemos menos improviso e mais preparo, menos idealização e mais acolhimento. A jornada da mamãe começa antes do colo e merece cuidado em cada etapa.”

 

Confira 7 cuidados importantes antes da gestação:

1. Fazer exames laboratoriaisAntes de engravidar, é importante avaliar como está a saúde geral da mulher. Exames laboratoriais ajudam a identificar alterações que muitas vezes não apresentam sintomas, como anemia, diabetes, deficiências nutricionais e alterações hormonais, que podem impactar a fertilidade e a gestação.Entre os exames mais indicados no período pré-concepcional estão hemograma, glicemia, hemoglobina glicada, dosagem de ferro, ferritina, vitamina D, vitamina B12, avaliação da tireoide e sorologias para infecções como sífilis, HIV, hepatites, toxoplasmose e rubéola.Segundo especialistas, o acompanhamento pré-concepcional também auxilia na prevenção de complicações durante a gravidez e no desenvolvimento saudável do bebê.

2. Atualizar a vacinaçãoA atualização da carteira vacinal faz parte dos cuidados recomendados para quem pretende engravidar. Algumas infecções podem trazer riscos tanto para a gestante quanto para o bebê, por isso a avaliação médica ajuda a verificar quais imunizações são necessárias em cada caso.Entre as vacinas mais recomendadas antes e durante a gestação estão influenza, hepatite B, Covid-19 e dTpa, que ajuda na proteção contra difteria, tétano e coqueluche. Nos últimos anos, especialistas também passaram a destacar a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), associada à prevenção de casos graves de bronquiolite em recém-nascidos.

3. Avaliar a saúde ginecológicaExames de imagem podem ajudar a investigar condições relacionadas ao útero, ovários e trompas antes da gravidez. Entre os principais estão ultrassom transvaginal, ultrassom pélvico e, em alguns casos, histerossalpingografia, exame utilizado para avaliar a permeabilidade das trompas. Essa avaliação permite identificar possíveis fatores que possam dificultar a concepção ou exigir acompanhamento específico durante a gestação. O ginecologista Jaime Kulak, do Laboratório Frischmann Aisengart, afirma que essa investigação permite identificar alterações antes das tentativas de engravidar

.4. Começar a suplementação adequadaO ácido fólico costuma ser recomendado antes mesmo da concepção porque participa da formação do tubo neural do bebê, estrutura que dará origem ao cérebro e à medula espinhal ainda nas primeiras semanas da gestação. A suplementação adequada ajuda a reduzir o risco de malformações congênitas, como anencefalia e espinha bífida.Segundo a ginecologista e ultrassonografista ginecológica Ana Glauce, do Laboratório Exame, a recomendação é que a suplementação seja iniciada antes da gravidez, já que muitas mulheres descobrem a gestação quando essa fase inicial do desenvolvimento fetal já começou. Ela destaca ainda que a dose deve ser orientada de forma individualizada, de acordo com o histórico clínico e as necessidades de cada paciente.

5. Melhorar hábitos de vidaHábitos de vida também exercem influência importante na fertilidade e na saúde da gestação. Alimentação balanceada, prática regular de atividade física, qualidade do sono e redução do consumo de álcool e cigarro estão entre os fatores que contribuem para o equilíbrio hormonal e o bem-estar materno.Estudos recentes publicados na revista científica Human Reproduction³ também apontam que o consumo frequente de alimentos ultraprocessados pode estar associado a maior dificuldade para engravidar e a impactos no desenvolvimento embrionário inicial, reforçando a importância dos cuidados com a alimentação já no período pré-concepcional.

6. Conhecer os exames genéticos disponíveisOs avanços da medicina diagnóstica ampliaram as possibilidades de acompanhamento da gestação e do planejamento reprodutivo. Natália Gonçalves, superintendente de reprodução humana, pesquisa e desenvolvimento da Dasa Genômica, explica que exames como a sexagem fetal e o NIPT (Teste Pré-Natal Não Invasivo) permitem obter informações ainda nas primeiras semanas da gravidez, incluindo o rastreamento de alterações cromossômicas.Ela também destaca o Painel de Portadores (PCGT), exame genético que avalia se o casal possui variantes associadas a doenças hereditárias recessivas, contribuindo para um acompanhamento mais individualizado da saúde reprodutiva.

7. Buscar acompanhamento individualizadoCada mulher possui histórico clínico, rotina e necessidades específicas. Por isso, o acompanhamento médico personalizado é importante em todas as etapas do planejamento reprodutivo.Estudos recentes também mostram que saúde mental, apoio emocional e condições de vida estão entre os fatores mais relevantes para quem deseja engravidar.Para Annelise Wengerkievciz Lopes, a maternidade deve ser vista como uma jornada de cuidado contínuo. “Hoje vemos menos improviso e mais preparo, menos idealização e mais acolhimento. A jornada da maternidade começa antes mesmo da gravidez.”



Referências:
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Mortalidade materna ainda expõe falhas evitáveisna assistência à gestante

 

ONG Prematuridade.com reforça a necessidade de ampliar o acesso ao pré-natal de qualidade e à assistência segura no parto e pós-parto 


Apesar de avanços recentes, o Brasil ainda enfrenta desafios importantes na redução da mortalidade materna, um dos principais indicadores da qualidade da assistência à saúde. No Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, especialistas reforçam que a maioria dessas mortes poderia ser evitada com acesso adequado ao pré-natal, parto e acompanhamento no pós-parto.
 

Dados mais recentes da Plataforma Integrada de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, ajudam a dimensionar o cenário. Dados de 2025, extraídos em fevereiro de 2026, revelam 1.157 óbitos maternos declarados no país. Em paralelo, o sistema também aponta 779 mortes por causas obstétricas diretas, além de 219 óbitos relacionados a transtornos hipertensivos da gestação, evidenciando a relevância dessas condições entre os fatores de risco. Os números reforçam que uma parcela significativa dessas ocorrências está associada a complicações potencialmente evitáveis com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado ao longo do pré-natal.
 

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 92% das mortes maternas no Brasil ocorrem por causas evitáveis. Na prática, isso significa que nove em cada dez mulheres morrem por problemas que poderiam ser prevenidos ou tratados com assistência adequada, seja no pré-natal, no parto ou no pós-parto. O dado reforça a importânciade fortalecer a atuação da Atenção Primária à Saúde, ampliando o olhar para além do ambiente hospitalar e garantindo cuidado contínuo e integrado à gestante.
 

Para Denise Suguitani, diretora executiva da ONG Prematuridade.com, a mortalidade materna escancara falhas estruturais do sistema de saúde. “Quando uma mulher morre durante a gestação, no parto ou no puerpério, estamos diante de uma falha grave do cuidado. São mortes que, em sua maioria, poderiam ser prevenidas com acesso oportuno a serviços de saúde de qualidade”, afirma.
 

Ela destaca ainda que o impacto vai além da mãe, atingindo diretamente o bebê e toda a família. “A saúde materna está profundamente ligada aos desfechos neonatais. Complicações não identificadas ou mal conduzidas aumentam o risco de prematuridade e mortalidade infantil”, completa.
 

Na avaliação do obstetra e voluntário da ONG Prematuridade.com, Dr. Arlley Cleverson, é fundamental fortalecer toda a linha de cuidado à gestante. “O pré-natal é a principal ferramenta para identificar riscos como hipertensão e diabetes gestacional. Mas não basta iniciar o acompanhamento, é preciso garantir continuidade, qualidade e acesso a serviços preparados para atender intercorrências”, explica.
 

Ele também chama atenção para o puerpério, período frequentemente negligenciado. “Muitas complicações graves acontecem após o parto. O acompanhamento no pós-parto precisa ser valorizado tanto quanto o pré-natal e o momento do nascimento”, afirma.
  


Convocação reacende alerta: por que parece que os jogadores estão se lesionando mais antes da Copa?


A convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de Futebol Masculino voltou a colocar as lesões no centro do debate. A lista do técnico Carlo Ancelotti confirmou nomes importantes, como Neymar, Vinicius Jr., Raphinha e Endrick, mas também deixou de fora atletas que poderiam estar no Mundial, como Rodrygo, Éder Militão e Estêvão, todos afastados por problemas físicos. 

O cenário não preocupa apenas o Brasil. Nas últimas semanas, outras seleções também passaram a conviver com baixas ou incertezas envolvendo jogadores relevantes, como Kylian Mbappé, Xavi Simons, Serge Gnabry, Luka Modrić, Rodri e Lamine Yamal. Em alguns casos, os atletas já estão fora da Copa; em outros, ainda há expectativa de recuperação a tempo da estreia. 

Mas afinal, os jogadores estão se lesionando mais ou a proximidade da Copa torna cada caso mais visível? 

Segundo o Dr. Gabriel Pecchia, ortopedista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, não é possível atribuir todas as lesões a uma única causa, mas o contexto do fim de temporada ajuda a explicar a percepção de aumento. Depois de meses de jogos, treinos, viagens e pouco tempo de recuperação, o corpo do atleta pode chegar ao limite justamente no período em que clubes e seleções mais precisam dele. 

“Quando um atleta chega ao fim da temporada, ele não carrega apenas o desgaste do último jogo, mas uma soma de microtraumas, treinos, viagens e pouco tempo real de recuperação. Isso não significa que toda lesão seja causada pelo calendário, mas esse contexto pode aumentar a vulnerabilidade, especialmente para lesões musculares e ligamentares. No retorno ao jogo, o critério não pode ser apenas a ausência de dor: é preciso avaliar força, estabilidade, controle do movimento e risco de recorrência”, explica o ortopedista. 

O especialista também pode comentar quais lesões mais preocupam no futebol, porque algumas afastam o atleta por meses e como clubes e seleções decidem entre acelerar o retorno ou preservar o jogador para evitar recaídas e por que a reta final antes da Copa costuma aumentar a atenção sobre o tema.

  

Hospital Alemão Oswaldo Cruz


Dia do Medicamento Genérico reforça acesso à saúde e esclarece diferenças entre tipos de remédio

Entenda a diferença entre medicamentos genéricos, similares e de referência

 

Celebrado em 20 de maio, o Dia do Medicamento Genérico reforça a importância dos genéricos para ampliar o acesso da população aos tratamentos de saúde. Desde que passaram a ser comercializados no Brasil, em 1999, esses medicamentos oferecem a mesma eficácia e segurança dos remédios de referência, com preços mais acessíveis e aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Na Rede de Farmácias Santa Branca, a data também serve para esclarecer os consumidores sobre as diferenças entre os medicamentos de referência, genéricos e similares. 

O medicamento de referência, também conhecido como original, é aquele desenvolvido inicialmente por um laboratório farmacêutico, com marca comercial conhecida e eficácia comprovada por estudos clínicos. 

Já o medicamento genérico possui o mesmo princípio ativo, dose, forma farmacêutica e efeito terapêutico do medicamento de referência, garantindo a mesma qualidade, segurança e eficácia. A diferença é que ele é comercializado sem nome de marca e identificado pela tarja amarela com a letra “G”. Além disso, tem preço mais acessível: por determinação da Anvisa, o medicamento genérico deve custar, no mínimo, 35% menos que o medicamento de referência. 

Os medicamentos similares também possuem o mesmo princípio ativo e indicação terapêutica do medicamento de referência, podendo variar em características como cor, formato, embalagem e nome comercial. Para serem comercializados, os similares também precisam comprovar equivalência terapêutica e qualidade junto à Anvisa. 

Maurício Filizola, farmacêutico e presidente da Rede de Farmácias Santa Branca, localizada no Ceará, explica que a procura pelos medicamentos genéricos cresce a cada ano, principalmente pela combinação entre economia e confiança no tratamento. “Os genéricos representam um avanço importante para a saúde pública, porque permitem que mais pessoas tenham acesso contínuo aos tratamentos prescritos pelos médicos. Hoje, os consumidores já entendem que o genérico passa pelos mesmos critérios rigorosos de qualidade e eficácia”, destaca Maurício, que também é diretor da CDL Fortaleza. 

“É importante que o paciente converse com o médico sobre a possibilidade de utilizar medicamentos genéricos e peça que, na receita, seja indicado o princípio ativo do medicamento, e não apenas a marca comercial. Isso facilita a identificação de opções genéricas equivalentes, permitindo um tratamento seguro, eficaz e mais acessível financeiramente”, complementa o profissional.

 

Rede de Farmácias Santa Branca


Como ajudar no desenvolvimento da fala infantil na era das telas

No Brasil, 44% das crianças de até 2 anos já têm contato com dispositivos digitais; Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda evitar telas antes dessa idade

 

O desenvolvimento da fala infantil tem preocupado especialistas diante do aumento cada vez mais precoce do uso de telas entre crianças. Dados divulgados em 2025 pelo Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI) mostram que 44% das crianças brasileiras de até 2 anos já têm contato com dispositivos digitais. Entre crianças de 3 a 5 anos, o número chega a 71%.

O cenário chama atenção porque a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Academia Americana de Pediatria recomendam evitar telas antes dos 2 anos de idade, justamente por entenderem que a linguagem se desenvolve principalmente através da interação humana.

Um estudo da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia, também reforçou a preocupação ao apontar associação entre maior exposição às telas e dificuldades no desenvolvimento da fala e da linguagem infantil.

“A criança aprende a falar olhando para o rosto do adulto, percebendo expressões faciais, escutando entonações e participando de trocas reais. A tela pode entreter, mas não substitui interação”, explica Adriana Fiore fonoaudióloga infantil.

Segundo a especialista, muitas crianças expostas excessivamente às telas apresentam menor iniciativa de comunicação, vocabulário mais restrito, dificuldade de contato visual e menos interesse em interações sociais.

Além das telas, alterações auditivas também podem impactar diretamente o desenvolvimento da fala. A otorrinolaringologista Dra. Roberta Pilla, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), alerta que otites de repetição e perdas auditivas leves podem passar despercebidas pelas famílias.

“Muitas crianças passam períodos ouvindo de forma abafada por conta de secreções no ouvido. Isso interfere diretamente na percepção dos sons da fala e pode impactar o desenvolvimento da linguagem”, afirma.

Entre os sinais de alerta estão atraso para formar frases, pouca iniciativa de comunicação, dificuldade para responder quando chamada, trocas persistentes de sons e aumento excessivo do volume da televisão.

As especialistas reforçam que o estímulo da linguagem acontece principalmente dentro da rotina da criança e que pequenas atitudes diárias podem fazer diferença no desenvolvimento da fala.

Entre as principais orientações estão:
-Conversar com a criança durante atividades do dia a dia;
-Usar frases curtas e claras;
-Ler livros e contar histórias;
-Oferecer escolhas para incentivar respostas;
-Esperar o tempo da criança responder;
-Estimular brincadeiras sem telas.

“Estimular a linguagem não é fazer a criança repetir palavras o tempo todo. A fala nasce da troca, da brincadeira e do vínculo”, finaliza Adriana Fiore.



Dra. Adriana Fiore - Fonoaudióloga – CRFa 2-12078. Mestre em Distúrbios da Comunicação (PUC-SP). Pós-graduada em Processamento Auditivo Central. Especialista em Voz pelo CEV – Centro de Estudos da Voz. Idealizadora e Diretora da AplusKids


Dra. Roberta Pilla - Otorrinolaringologia Geral Adulto e Infantil. Laringologia e Voz. Distúrbios da Deglutição; Via Aérea Pediátrica. Médica Graduada pela PUCRS- Porto Alegre/ Rio Grande do Sul (2003). Pesquisa Laboratorial em Cirurgia Cardíaca na Universidade da Pensilvania – Philadelphia/USA (2004). Título de Especialista em Otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (2009). Mestrado em Cirurgia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS- Porto Alegre/RS) (2012-2016). Membro da Diretoria da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial (ABORLCCF) (2016). Membro do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF (2017-2022). 2019-2020: Presidente do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF. 2021- 2022: Secretaria Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF. Médica do Grupo de Otorrinolaringologia e Via Aérea Pediátrica do Hospital Infantil Sabará (SP/São Paulo), Médica do Grupo de Otorrinolaringologia e Via Aérea Pediátrica dos: Hospitais do Grupo Maternidade Santa Joana e Pró-Matre (SP/ São Paulo); Médica do Grupo de Otorrinolaringologia do CDB Diagnósticos; Médica Otorrinolaringologista do Hospital Moriah (SP/São Paulo); Médica Otorrinolaringologista do Ambulatório da Rede Record de Televisão (SP/ São Paulo).



Peptídeos: o risco começa antes da aplicação, com o armazenamento errado

Especialista do Grupo Polar explica o que pode dar errado com os queridinhos do skincare 

 

Os peptídeos estão na boca do povo - e nas prateleiras das farmácias. Presentes em cosméticos e nas famosas "canetas emagrecedoras" (como Ozempic, Wegovy e Mounjaro), essas substâncias são poderosas, mas também muito frágeis. E o problema pode começar bem antes de qualquer aplicação. "A estabilidade desses ativos depende diretamente do controle de temperatura. O ideal é mantê-los entre 2°C e 8°C. Fora dessa faixa, a molécula pode se degradar e perder toda a eficácia", explica a farmacêutica e diretora técnica do Grupo Polar, Liana Montemor.

 

O que pode dar errado com o calor (ou o frio demais)? Pode parecer que uma caneta "esquecida" fora da geladeira por algumas horas não faz diferença - mas faz. As consequências muitas vezes não aparecem para os olhos: a caneta continua igual por fora, mas o medicamento já não funciona mais direito. Entre os problemas possíveis estão perda da eficácia, variação de dose e até risco à saúde.

 

E atenção: congelar também estraga. O gelo direto na embalagem pode causar danos irreversíveis ao produto.

Na hora de receber o pedido, fique de olho: Liana alerta que muitas farmácias entregam esses medicamentos do jeito errado - em sacola plástica comum, sem nenhum controle de temperatura. "O produto não deve chegar em sacolas comuns ou com gelo encostado diretamente na embalagem. A conservação inadequada durante o transporte pode comprometer o ativo sem que isso seja visível", afirma.

 

Se a caneta chegar endurecida, com cristais ou com sinais de que congelou (especialmente se ficou perto do freezer), o ideal é não usar e buscar orientação.

 

O que fazer? Exija que o medicamento seja entregue em embalagem térmica adequada, com elementos refrigerantes bem-posicionados e nunca, jamais, em contato direto com o produto. Se as condições de entrega forem inadequadas, você tem o direito de recusar. A eficácia do tratamento não depende só da receita médica: a forma como o medicamento é guardado e transportado faz toda a diferença.

 

 

Grupo Polar

 

Estudo internacional mostra que dormir mal acelera envelhecimento cerebral e pode aumentar risco de demência

Avaliação de ondas cerebrais durante o sono pode antecipar o diagnóstico de doenças neurodegenerativas, expondo falhas que aceleram o declínio cognitivo 


Um novo estudo¹ da Universidade da Califórnia, em São Francisco, nos Estados Unidos, apontou uma conexão importante entre a qualidade do sono e o risco de desenvolver demência. Os pesquisadores descobriram que quando a idade cerebral detectada no sono ultrapassa a idade cronológica, as chances de desenvolver doenças neurodegenerativas aumentam significativamente. 

Publicada recentemente pela revista científica JAMA Network Open, a pesquisa utilizou a inteligência artificial para analisar ondas cerebrais durante o sono registradas pelo exame de eletroencefalograma (EEG) de 7 mil participantes entre 40 e 94 anos, nenhum deles com demência no início do estudo. 

Os cientistas concluíram que pessoas cuja idade cerebral no sono é superior à idade cronológica possuem um risco significativamente maior de desenvolver demência. Para cada 10 anos de discrepância, o risco sobe 40%. Os pacientes foram acompanhados por um período de 3,5 a 17 anos, durante o qual cerca de mil participantes desenvolveram o transtorno. 

Segundo o neurologista Diogo Haddad, do Alta Diagnósticos, no Rio de Janeiro, o achado reforça que o sono não é apenas um período de descanso, mas um processo que funciona como uma “limpeza cerebral”.

“Quando falamos que dormir bem é descansar o corpo e a mente, é exatamente por isso. Durante o sono noturno, o cérebro faz uma espécie de autorrestauração, o que está totalmente ligado à saúde cognitiva. Quando ocorre uma falha nesse processo, os sinais podem ser identificados nas ondas cerebrais durante o exame de eletroencefalograma, antes mesmo dos primeiros sintomas das doenças neurodegenerativas, como os lapsos de memória”, comenta. 

O estudo levanta a possibilidade de que melhorar a qualidade do sono possa, potencialmente, desacelerar o envelhecimento cerebral. “A forma como o cérebro se comporta enquanto você dorme é um dos indicadores mais precisos de quão rápido ele está envelhecendo e qual o risco futuro de doenças neurodegenerativas. Quando diagnosticamos e tratamos um distúrbio precocemente, estamos agindo diretamente na prevenção. O cérebro que dorme bem é um cérebro que envelhece mais devagar”, complementa o neurologista.
 

Exames ajudam a identificar a saúde cerebral e a qualidade do sono 

Para identificar os riscos que podem acelerar o envelhecimento cerebral, o dr. Diogo explica que existem dois exames importantes: o eletroencefalograma, que monitora a atividade elétrica do cérebro, identificando padrões de sono fragmentado ou descargas anormais, e a eletroneuromiografia, que atua de forma complementar. 

“Por meio desses exames, conseguimos identificar se o paciente está atingindo as fases profundas necessárias para a consolidação da memória. A eletroneuromiografia pode ser essencial também para diagnosticar distúrbios de movimento, como a síndrome das pernas inquietas, ou neuropatias que causam dor e fragmentam o repouso, impedindo que o cérebro complete seus ciclos de restauração”, explica o dr. Haddad. 

A detecção precoce dessas alterações e algumas mudanças de hábitos podem, literalmente, rejuvenescer o cérebro: “Reduzir o índice de massa corporal e praticar atividades físicas regulares ajuda a diminuir a chance de apneia. Além disso, é importante tratar insônias crônicas e manter uma boa higiene do sono: horário fixo para dormir, ausência de telas uma hora antes de se deitar, ambiente mais escuro e silencioso, jantar leve e escrita de preocupações para esvaziar a mente. Isso não melhora apenas o humor e a disposição no dia seguinte, mas protege a reserva cognitiva a longo prazo”, afirma. 

 

Referência

¹https://www.universityofcalifornia.edu/news/your-brain-aging-faster-you-are-sleep-may-hold-key#:~:text=A%20machine%2Dlearning%20analysis%20of,conventional%20sleep%20metrics%20often%20miss.https://www.universityofcalifornia.edu/news/your-brain-aging-faster-you-are-sleep-may-hold-key#:~:text=A%20machine%2Dlearning%20analysis%20of,conventional%20sleep%20metrics%20often%20miss.


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