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terça-feira, 27 de outubro de 2026

Anvisa apreende pela terceira vez no ano toxina botulínica falsificada; saiba como se proteger

Lote 025155 do Dysport foi proibido em 19 de outubro; especialista explica o que conferir antes do procedimento 

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão de mais um lote falsificado de Dysport, medicamento à base de toxina botulínica utilizado em procedimentos estéticos e terapêuticos. A medida, divulgada em 19 de outubro, proíbe a comercialização, a distribuição e o uso do lote 025155 em todo o território nacional. [1]

A decisão ocorreu após a Beaufour Ipsen Farmacêutica, detentora do registro do medicamento no Brasil, comunicar a identificação de unidades com características diferentes das do produto original. Entre as irregularidades estavam o formato do frasco, a data de validade incorreta e um código de barras correspondente a outro lote. A mesma marca já havia sido alvo de medidas semelhantes da Anvisa em agosto e setembro. [1, 2, 3]

A sucessão de apreensões chama a atenção para um risco que pode passar despercebido por quem procura tratamentos estéticos: a dificuldade de identificar produtos falsificados. Além da procedência desconhecida, essas substâncias podem apresentar composição, concentração e condições de armazenamento incompatíveis com as exigências de segurança.

A aparência do medicamento, isoladamente, não oferece garantias ao paciente. "Uma embalagem aparentemente normal não garante autenticidade", diz a biomédica especialista em estética Melissa Brum. Num produto falso, segundo ela, não há como saber a composição, a dose ou se houve contaminação.


Como verificar a segurança antes da aplicação

A escolha do profissional e do estabelecimento deve ser acompanhada da verificação do medicamento que será utilizado. Segundo a Anvisa, procedimentos com toxina botulínica devem ocorrer em serviços autorizados pela vigilância sanitária, com produtos registrados no país e respeitando as orientações da bula. [4]

O paciente deve conferir se o estabelecimento possui licença sanitária e se o responsável pelo procedimento tem registro ativo no conselho profissional competente, além da habilitação exigida para a atividade. A legislação e as normas aplicáveis a cada profissão também precisam ser observadas. [4, 5]

Outro cuidado é solicitar informações sobre o produto antes da aplicação. A Anvisa orienta que sejam verificados o nome comercial, o fabricante, o número do lote e o prazo de validade. Com esses dados, é possível consultar a regularidade do medicamento e identificar eventuais restrições ou determinações de apreensão. [4, 6]

O preço também merece atenção. Ofertas muito inferiores aos valores habitualmente praticados podem justificar uma verificação mais cuidadosa, principalmente quando o estabelecimento não fornece informações claras sobre o medicamento utilizado.

A orientação de Melissa Brum é considerar o conjunto dessas informações antes de escolher onde realizar o procedimento, especialmente quando a oferta é apresentada como uma oportunidade de economia. "A decisão não deve se basear só no preço. Transparência faz parte da segurança", afirma Brum.


Botulismo iatrogênico é uma complicação rara, mas grave

A preocupação com a procedência dos produtos também está relacionada aos riscos de complicações após a aplicação. Embora a toxina botulínica seja utilizada há anos em tratamentos estéticos e terapêuticos, seu uso inadequado pode provocar efeitos que ultrapassam a região tratada.

Uma dessas complicações é o botulismo iatrogênico, condição rara provocada pelos efeitos da toxina após sua administração para fins terapêuticos ou estéticos. O quadro pode estar associado a diferentes fatores, incluindo problemas na dose, na concentração ou na aplicação do medicamento. [7]

Em novembro de 2025, o Ministério da Saúde e a Anvisa publicaram uma nota técnica conjunta para orientar os serviços de saúde sobre a identificação, a notificação e o tratamento desses casos. Segundo o documento, o Brasil havia registrado dois casos confirmados em 2024 e 11 em 2025, até a data da publicação. [7]

Os sintomas podem surgir poucas horas ou até semanas depois da aplicação. Visão dupla ou turva, queda das pálpebras, dificuldade para falar ou engolir e falta de ar estão entre os sinais de alerta descritos pelas autoridades sanitárias. Diante de qualquer uma dessas manifestações, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente. [7, 8]

A nota técnica também esclarece que os casos registrados no país estavam, em sua maioria, relacionados ao uso incorreto da toxina botulínica. A ocorrência de sintomas, portanto, não significa necessariamente que o medicamento utilizado tenha sido falsificado. [7]

Além de buscar assistência, o paciente deve informar à equipe de saúde o procedimento realizado, a data da aplicação e, sempre que possível, o nome e o lote do produto utilizado. Suspeitas de falsificação podem ser comunicadas à vigilância sanitária, enquanto possíveis reações adversas devem ser notificadas à Anvisa pelo sistema VigiMed. [7]

   

Melissa Brum Pereira da Mata -é biomédica esteta formada pela Faculdade Anhanguera de Brasília, com atuação na área desde 2015. É CEO do Instituto Melissa Brum e ministra cursos de harmonização orofacial desde 2018. Realizou mais de 20 cursos na área e possui certificações internacionais pela CTA Academy e pela NYU, em Nova York. Tem registro profissional CRBM-3/13008.

  

Referências

  1. Anvisa. Anvisa determina apreensão de lote falsificado de toxina botulínica. 19 de outubro de 2026. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-determina-apreensao-de-lote-falsificado-de-toxina-botulinica
  2. Anvisa. Anvisa determina apreensão de toxina botulínica falsificada. 27 de agosto de 2026. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-determina-apreensao-de-toxina-botulinica-falsificada
  3. Anvisa. Apreensão de medicamento falsificado para câncer de mama e toxina botulínica. 21 de setembro de 2026. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-determina-a-apreensao-de-medicamento-falsificado-para-cancer-de-mama-e-toxina-botulinica
  4. Anvisa. Alerta sobre risco de botulismo após administração de toxina botulínica. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2025/anvisa-alerta-sobre-risco-de-botulismo-apos-administracao-de-toxina-botulinica
  5. Anvisa. Serviços de embelezamento: perguntas frequentes. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/acessoainformacao/perguntasfrequentes/servicos-de-saude/servicos-de-embelezamento/
  6. Anvisa. Como saber se um produto é autorizado pela Anvisa. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/comunicacao/campanhas/estetica/como-saber-se-um-produto-e-autorizado-pela-anvisa
  7. Ministério da Saúde e Anvisa. Nota Técnica Conjunta nº 405/2025-CGZV/DEDT/SVSA/MS e Anvisa. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/b/botulismo/notas-tecnicas/nota-tecnica-conjunta-no-405-2025-cgzv-dedt-svsa-ms-e-anvisa
  8. Ministério da Saúde. Botulismo. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/b/botulismo

 

Dia Mundial do AVC: reconhecimento rápido dos sinais e continuidade do tratamento são decisivos para reduzir sequelas

 

Data reforça importância da prevenção e do diagnóstico precoce do Acidente Vascular Cerebral (AVC)

 

Celebrado em 29 de outubro, o Dia Mundial de Combate ao Acidente Vascular Cerebral (AVC) chama a atenção para uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo1,2. Embora fatores não modificáveis, como idade e predisposição individual, tenham influência sobre o risco de AVC, uma parcela importante dos casos está associada a fatores que podem ser prevenidos ou controlados, como pressão arterial elevada, índice de massa corporal elevado, alterações da glicemia, alimentação inadequada e pouca atividade física2,3.

 No Brasil, o AVC também representa um importante problema de saúde pública. Um estudo epidemiológico que analisou as mortes relacionadas à doença no país entre 1996 e 2022 aponta o AVC como a segunda principal causa de morte no Brasil4. O cenário reforça a importância de estratégias que atuem tanto antes da ocorrência do primeiro episódio quanto na prevenção de novos eventos em pessoas que já tiveram um AVC2,3. 

O AVC acontece quando o fluxo de sangue para determinada região do cérebro é interrompido, por obstrução de uma artéria ou por sangramento. No AVC isquêmico, que corresponde à forma mais frequente, uma artéria é obstruída por um trombo ou êmbolo, impedindo que oxigênio e nutrientes cheguem às células cerebrais5.

Dia Mundial do AVC é celebrado em 29 de outubro.
Crédito: DC Studio/Freepik

 Os sinais podem surgir de forma súbita e incluem fraqueza ou formigamento, especialmente em um lado do corpo, alteração da fala ou da compreensão, confusão mental, alteração da visão, tontura, dificuldade para caminhar ou perda de equilíbrio e dor de cabeça intensa e sem causa aparente. A identificação desses sintomas deve ser seguida de busca imediata por atendimento médico5. 

“O AVC é uma emergência médica e o tempo entre o início dos sintomas e o atendimento é determinante para o tratamento. Por isso, é importante que a população reconheça os sinais e não espere que eles desapareçam espontaneamente. A avaliação hospitalar também permite identificar o tipo de AVC e definir a conduta mais adequada para cada caso”, afirma o cardiologista Jairo Lins Borges, médico consultor da Libbs.

 

Estilo de vida também faz parte da prevenção 

A prevenção do AVC não se limita ao uso de medicamentos. Mudanças no estilo de vida podem contribuir para o controle de múltiplos fatores de risco simultaneamente2,3. Uma revisão publicada em 2024 destaca a importância da prática regular de atividade física, da alimentação saudável e da interrupção do tabagismo e do consumo de álcool como componentes da prevenção secundária do AVC3. 

A alimentação é um dos pontos que merecem atenção. Uma dieta adequada contribui para o controle de fatores associados ao risco cardiovascular, como pressão arterial, peso corporal, glicemia e perfil lipídico. Da mesma forma, a prática regular de atividade física pode auxiliar no controle do peso e de fatores metabólicos e cardiovasculares relacionados ao AVC2,3. 

“O estilo de vida deve ser entendido como parte do tratamento e não como uma recomendação isolada. Alimentação adequada, atividade física, controle do peso, abandono do cigarro e acompanhamento regular de condições como hipertensão, dislipidemia e diabetes atuam de maneira integrada. Para quem já teve um AVC, essas medidas ganham ainda mais importância para reduzir o risco de recorrência”, diz o cardiologista.

 

  

Referências bibliográficas 

1. World Stroke Organization. World Stroke Day 2026 [Internet]. Geneva: World Stroke Organization; 2026 [Acesso em 16 set. 2026]. Disponível em: Link  

2. GBD 2019 Stroke Collaborators. Global, regional, and national burden of stroke and its risk factors, 1990-2019: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2019. Lancet Neurol. 2021 Oct;20(10):795-820. 

3. Govori V, Budinčević H, Morović S, Đerke F, Demarin V. Updated Perspectives on Lifestyle Interventions as Secondary Stroke Prevention Measures: A Narrative Review. Medicina (Kaunas). 2024;60(3):504. 

4. Silva LDC S, Castanheira LYFA, Salim MDS, Rebouças ORPS, Viegas RFM. Epidemiological Profile and Comparison of Mortality Due to Stroke and Atrial Fibrillation in Brazil Over the Past 26 Years. Int J Cardiovasc Sci. 2024; 37:e20240155. 

5. Brasil. Ministério da Saúde. Acidente Vascular Cerebral [Internet]. Brasília, DF: Ministério da Saúde; [Acesso em 1 set. 2026]. Disponível em: Link 

Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do profissional de saúde entrevistado.


Seu filho range os dentes dormindo? Bruxismo pode afetar 1 em cada 4 crianças; Dra. Andréa Melo explica quando o ranger dos dentes merece atenção

No mês das crianças e próximo ao Dia Nacional da Saúde Bucal, especialista alerta sinais que podem indicar bruxismo infantil e explica por que o diagnóstico não deve se basear apenas no barulho durante a noite

 

Se seu filho range ou aperta os dentes enquanto dorme, ele não é uma exceção. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2022, que reuniu 22 estudos e 13.076 crianças de diferentes regiões do Brasil, encontrou uma prevalência combinada de 25,8% de bruxismo do sono e em vigília.

 

O dado, no entanto, não significa que toda criança que range os dentes tenha um problema que precise de tratamento. Para a Dra. Andréa Melo, fundadora da Sociedade Internacional de Bruxismo, cirurgiã-dentista, mestre e doutora e especialista em odontologia do sono, o mais importante é entender quando o comportamento é apenas uma manifestação comum da infância e quando existem sinais que justificam uma investigação.

 

O assunto ganha destaque em outubro, mês das crianças e período que antecede o Dia Nacional da Saúde Bucal, celebrado em 25 de outubro.

 

“O ranger dos dentes é apenas uma das manifestações que podem ser observadas. Antes de pensar em tratamento, é fundamental compreender o que está acontecendo com aquela criança, como esse comportamento ocorre e quais outros sinais estão presentes.” explica Andréa.


Ranger os dentes não significa, necessariamente, bruxismo

 

O som produzido durante a noite costuma ser o primeiro sinal percebido pelos pais. Mas, segundo a especialista, não é suficiente para estabelecer sozinho um diagnóstico.

 

O bruxismo é um fenômeno multifatorial e pode estar relacionado a diferentes aspectos. Sono agitado, ronco, respiração pela boca, alterações respiratórias e fatores comportamentais estão entre os elementos investigados pela ciência.

“Não podemos olhar somente para os dentes e concluir que encontramos a causa. É preciso considerar o sono, a respiração, a rotina, aspectos comportamentais e outros fatores que podem estar envolvidos naquele caso”, afirma.

A literatura científica também aponta que a relação entre esses fatores é complexa e que ainda existem lacunas importantes sobre a melhor forma de avaliar e tratar o bruxismo em crianças.

 

5 sinais que os pais devem observar

Além do ranger dos dentes, alguns sinais podem indicar que vale conversar com um profissional:

 

1.     Ranger ou apertar os dentes com frequência

Principalmente quando o comportamento acontece de forma recorrente durante o sono.

 

2.     Desgaste ou alterações aparentes nos dentes

Mudanças na superfície ou na aparência dos dentes podem ser identificadas pelos pais ou durante o acompanhamento odontológico.

 

3.     Dor de cabeça ao acordar

Quando ocorre repetidamente, pode ser uma informação importante para a avaliação.

4.     Dor, cansaço ou desconforto na mandíbula

Queixas na região da face ou dos músculos da mastigação merecem atenção.

 

5.     Sono agitado, ronco ou respiração pela boca

Esses sinais não confirmam o bruxismo, mas podem fornecer informações relevantes sobre a qualidade do sono e ajudar na investigação.

 

Atenção: a presença desses sinais não significa, isoladamente, que a criança tenha bruxismo. O diagnóstico depende de avaliação profissional.

 

Bruxismo não é simplesmente “uma mania”

Um dos principais desafios, segundo Andréa, é evitar que o comportamento seja tratado como um hábito isolado.


“A minha preocupação sempre foi entender como podemos tornar o diagnóstico mais preciso. Quando identificamos melhor o que está acontecendo, conseguimos tomar decisões clínicas mais conscientes e evitar que o paciente seja tratado apenas pelo sintoma”, explica.

 

Uma revisão sistemática sobre o tratamento do bruxismo do sono em crianças e adolescentes aponta que o quadro pode estar associado a consequências como desgaste dentário, dores de cabeça e dor ou fadiga dos músculos da mastigação. Os autores, entretanto, destacam a necessidade de mais evidências científicas para orientar tratamentos específicos nessa população.

 

O diagnóstico vem antes do tratamento

É nessa etapa que entra uma das principais frentes de pesquisa e atuação da Dra. Andréa Melo. A especialista desenvolveu o Exame da Placa Diagnóstica, ferramenta voltada à investigação dos padrões de atividade relacionados ao bruxismo durante o sono, e criou o Método DTC - Diagnóstico Diferencial, Tratamento e Controle, baseado na avaliação individual de cada caso.


“A minha preocupação sempre foi entender como podemos tornar o diagnóstico mais preciso. Quando identificamos melhor o que está acontecendo, conseguimos tomar decisões clínicas mais conscientes e evitar que o paciente seja tratado apenas pelo sintoma”, explica.


A proposta é especialmente relevante quando se fala em crianças, já que a avaliação precisa considerar o estágio de desenvolvimento e as particularidades de cada faixa etária.


Uma revisão sistemática sobre o tratamento do bruxismo do sono em crianças e adolescentes aponta que o quadro pode estar relacionado a consequências como desgaste dentário, dores de cabeça, dor ou fadiga dos músculos da mastigação. Ao mesmo tempo, os autores ressaltam a necessidade de mais evidências para orientar tratamentos específicos nessa população.


O que fazer se meu filho range os dentes?

Para Andréa Melo, o principal conselho aos pais é não entrar em pânico, mas também não ignorar sinais persistentes.


“Se os pais perceberem que o comportamento é frequente, que existe desgaste dos dentes ou que a criança apresenta algum desconforto ou alteração no sono, vale procurar um profissional para investigar. O mais importante é não tentar estabelecer sozinho se aquilo é ou não bruxismo e, principalmente, não iniciar um tratamento sem diagnóstico”, orienta Andréa.

 

O acompanhamento odontológico durante a infância permite observar o desenvolvimento da dentição e identificar alterações que podem precisar de investigação. A saúde bucal, nesse sentido, não se resume à prevenção de cáries: também envolve acompanhar hábitos, sono, respiração e possíveis sinais que interfiram no bem-estar da criança.


Informação ajuda a evitar diagnósticos precipitados

 

Para Andréa, ampliar o conhecimento sobre o bruxismo infantil é importante justamente porque o tema pode ser interpretado de maneira simplificada.

 

“Quando falamos de saúde bucal infantil, precisamos olhar para a criança como um todo. Informação de qualidade ajuda os pais a perceber os sinais e procurar ajuda no momento adequado, sem transformar um comportamento em diagnóstico ou, no sentido contrário, deixar uma alteração importante passar despercebida”, conclui.

 

Com mais de 2 mil profissionais formados e mentorados em 27 países, a Dra. Andréa Melo atua na pesquisa e na educação em odontologia do sono. À frente da SIBX – Sociedade Internacional de Bruxismo, também desenvolve cursos, mentorias e conteúdos em português, inglês e espanhol.

 

No mês das crianças e às vésperas do Dia Nacional da Saúde Bucal, o alerta é justamente esse: ranger os dentes pode ser comum, mas compreender por que isso acontece é o primeiro passo para saber quando é necessário investigar.

 

 

Dra. Andréa Melo - Cirurgiã-dentista, mestre e doutora, referência em bruxismo, sono e qualidade de vida. Atua na construção de autoridade científica e na educação em saúde. Tem mais de 2.500 alunos que já passaram pelo sua metodologia em 27 países com 3 diferentes línguas, sua missão é traduzir evidências científicas e  clínicas em orientações práticas sobre saúde bucal e descanso. Mudando a percepção de valor da odontologia.

 

Como escolher os primeiros óculos infantis e facilitar a adaptação das crianças

Divulgação
Óticas Diniz
A decisão exige atenção a materiais flexíveis, ajustes seguros no rosto e a participação ativa dos pequenos para tornar o uso divertido

 

Aproveitando o Mês das Crianças, a compra dos primeiros óculos exige atenção especial dos pais. Muito além da estética, a decisão envolve segurança, conforto e durabilidade para acompanhar a rotina agitada e as brincadeiras diárias dos pequenos. Para garantir que os óculos não escorreguem ou machuquem, a armação deve ser proporcional ao rosto da criança, ficando firme sem apertar as têmporas ou deixar marcas no nariz e atrás das orelhas. As hastes precisam ter o comprimento adequado e o apoio nasal deve proporcionar estabilidade. 

Pensando na segurança e na resistência, materiais de alta tecnologia, leves e superflexíveis – frequentemente encontrados nas óticas sob a sigla TR-90 – são excelentes opções, pois favorecem o conforto e não quebram com facilidade. O acetato também é uma alternativa bastante indicada, oferecendo maleabilidade e uma grande variedade de cores, estampas e acabamentos. 

Para ajudar a criança a se acostumar com o uso diário, seja na escola ou em casa, uma boa estratégia é tornar os óculos algo divertido e familiar. Os pais podem associar o acessório a personagens de desenhos, super-heróis ou atletas que a criança admira. Cores vibrantes, como azul, vermelho, rosa, verde e roxo, além de formatos arredondados, quadrados e detalhes lúdicos, costumam atrair a atenção e criar uma identificação afetiva. Acessórios como fixadores de hastes em silicone e cordões infantis ajudam a manter a armação segura e reduzem o risco de perdas, mas exigem atenção às orientações do fabricante para evitar riscos de enrosco durante atividades físicas. 

“A escolha entre os materiais deve considerar a idade da criança, o tipo de atividade que realiza e o conforto do encaixe. O mais importante é incentivar o uso com carinho, permitindo que ela encontre um modelo alinhado à sua personalidade para que os óculos façam parte da sua rotina de forma natural”, afirma Camila Kliver, gerente de Produtos Oftálmicos das Óticas Diniz. 

O processo de adaptação se torna muito mais fácil quando a criança participa ativamente da escolha da sua própria armação. Criar uma rotina positiva e elogiar o esforço do uso diário ajuda a evitar que os óculos se transformem em uma obrigação ou motivo de conflito, unindo a necessidade de saúde visual à identidade da criança.

 

Perimenopausa: as mudanças podem começar antes do que muitas mulheres imaginam

Oscilações no ciclo menstrual, sono, disposição, libido e composição corporal podem marcar a transição para a menopausa; Dra. Larissa, médica da Clínica Slim Santé, explica por que reconhecer essa fase é importante para um cuidado mais individualizado

 

Quando se fala em menopausa, é comum pensar em uma mudança que acontece de forma repentina, geralmente por volta dos 50 anos. Na prática, porém, o organismo feminino passa por uma transição gradual que pode começar anos antes da última menstruação. 

Essa fase é conhecida como perimenopausa e pode ser marcada por oscilações hormonais e mudanças que nem sempre são imediatamente relacionadas à transição para a menopausa. A menopausa é reconhecida após 12 meses consecutivos sem menstruação, quando não há outra causa para essa ausência. Já a perimenopausa corresponde ao período de transição que antecede esse marco e se estende até completar esses 12 meses. Frequentemente, começa na faixa dos 40 anos, mas sua duração pode variar de mulher para mulher. 

Alterações no ciclo menstrual, dificuldade para dormir, mudanças de humor, redução da libido, ondas de calor e alterações na composição corporal estão entre os sinais que podem aparecer nesse período. A intensidade e a combinação dos sintomas, no entanto, variam de mulher para mulher. 

Para a Dra. Larissa, médica com atuação em nutrologia, compreender essa fase é importante justamente porque não existe uma experiência única de perimenopausa. 

“Cada mulher pode atravessar essa transição de uma maneira diferente. Algumas percebem primeiro mudanças no ciclo menstrual, enquanto outras chegam ao consultório por alterações no sono, na disposição, no peso ou na libido. Por isso, precisamos olhar para o conjunto de sinais e para o histórico de cada paciente”, explica.
 

O corpo começa a mudar antes da menopausa 

Ao longo da vida reprodutiva, ocorre uma redução progressiva da reserva ovariana. Conforme a mulher se aproxima da menopausa, a atividade dos ovários também passa por mudanças e os níveis hormonais podem apresentar oscilações. É justamente por isso que a perimenopausa não deve ser entendida apenas como o momento em que a menstruação começa a falhar. O organismo pode apresentar diferentes sinais durante essa transição. 

Para algumas mulheres, o ciclo menstrual pode ficar mais curto, mais longo ou irregular. Para outras, sintomas relacionados ao sono, à temperatura corporal, ao humor ou à saúde sexual podem ganhar maior destaque. No entanto, nem toda alteração no sangramento deve ser atribuída à transição hormonal. Sangramentos muito intensos, prolongados, entre as menstruações ou após 12 meses sem menstruar precisam de avaliação médica para investigar possíveis causas. 

“Um ponto importante é não esperar necessariamente a menstruação desaparecer para começar a prestar atenção nessas mudanças. Reconhecer o padrão das alterações menstruais, os sintomas e o histórico de saúde ajuda a identificar essa transição e a direcionar o acompanhamento”, afirma a Dra. Larissa. 

Nesse processo, a avaliação clínica tem papel central, já que as oscilações hormonais características da perimenopausa podem dificultar a interpretação de exames laboratoriais isolados. Por isso, a identificação dessa fase costuma considerar principalmente o histórico menstrual, a idade e os sintomas apresentados, sem depender necessariamente de dosagens hormonais.
 

Nem toda mudança depois dos 40 deve ser simplesmente normalizada 

Cansaço, dificuldade para dormir, ganho de peso, perda de massa muscular, redução da libido e mudanças emocionais podem facilmente ser atribuídos à rotina, ao estresse ou simplesmente à idade. 

Embora o envelhecimento faça parte do processo natural do organismo, normalizar qualquer desconforto sem investigação pode fazer com que a mulher passe anos convivendo com sintomas sem compreender o que está acontecendo. Além das alterações hormonais, fatores como alimentação, qualidade do sono, nível de atividade física, composição corporal, estresse e histórico individual também precisam ser considerados. 

Por isso, a avaliação não deve se limitar a um sintoma ou a um único resultado de exame. “Não existe uma fórmula igual para todas. O objetivo é entender o contexto daquela paciente, os sintomas que ela apresenta, seu momento de vida e os fatores metabólicos e hormonais envolvidos antes de definir qualquer estratégia”, reforça a médica.
 

Acompanhamento pode começar antes dos sintomas se intensificarem 

Reconhecer a perimenopausa também permite que a mulher olhe de forma mais atenta para aspectos que ganham importância com o passar dos anos, como manutenção da massa muscular, composição corporal, saúde óssea, metabolismo, sono e saúde sexual. 

Para a Dra. Gabriela Silveira, biomédica esteta e CEO da Clínica Slim Santé, esse olhar está relacionado a uma mudança na maneira de compreender o cuidado feminino: em vez de procurar acompanhamento apenas quando os sintomas se tornam intensos, é possível observar as transformações do organismo ao longo do tempo. 

“Cada fase da vida da mulher traz necessidades diferentes. Quando conseguimos compreender o momento que aquela paciente está vivendo, conseguimos construir um acompanhamento muito mais individualizado, sem partir de protocolos iguais para todas”, explica a CEO. 

Na Clínica Slim Santé, em São Paulo, a proposta é justamente integrar diferentes aspectos da saúde feminina e compreender as queixas dentro do contexto de cada paciente. 

Para a Dra. Larissa, informação também faz parte desse processo. Saber que determinadas mudanças podem começar antes da menopausa permite que a mulher reconheça os sinais do próprio corpo e procure avaliação quando necessário. “A perimenopausa não precisa ser encarada apenas como uma fase em que a mulher deve aceitar uma série de desconfortos. É um momento de entender as mudanças do organismo, avaliar cada caso individualmente e pensar em estratégias que façam sentido para aquela mulher e para a fase de vida em que ela está”, conclui.
  
 


Dra. Larissa Leslye Ribeiro - médica (CRM-SP 252284), graduada em Medicina pela Universidade Brasil e pós-graduada em Nutrologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Atua na Clínica Slim Santé com foco em Nutrologia, avaliação clínica, questões metabólicas e de estilo de vida e acompanhamento individualizado dos pacientes. Sua trajetória profissional também inclui experiência em atenção primária, pronto-socorro e ambiente hospitalar, com uma abordagem voltada à medicina preventiva e ao cuidado integral. Medica


Dra. Gabriela Silveira - Biomédica Esteta, pioneira na aplicação da técnica de Microtox no Brasil, especialista em intercorrências, graduanda em Medicina, doutoranda em Ciências Biomédicas pela IESLA (em Rosário, Argentina), pós-graduada em Biomedicina Estética pelo instituto IBECO, pós-graduada em Biortomolecular pelo ISEEC, MBA em Cosmetologia aplicada à Estética, speaker na New York University, speaker no ICLO na Itália, participante ativa de diversos cursos e congressos internacionais, proprietária da Clínica Slim Santé em São Paulo e do Grupo Dra. Gabriela Silveira, uma escola que oferece cursos de aperfeiçoamento na área estética para biomédicos, médicos, farmacêuticos e dentistas, presidente do Injector Congress e membro da Aesthetic Multispeciality Society (Londres).


O segredo da Medicina do Estilo de Vida para resgatar a vitalidade e amenizar os piores sintomas da menopaus

No mês de conscientização da saúde da mulher e do Outubro Rosa, especialista do Rituaali Clínica & Spa explica como alimentação, sono, movimento e manejo do estresse ajudam a mulher a atravessar a transição hormonal com mais qualidade de vida


Durante muito tempo, a menopausa foi encarada apenas como o fim do período reprodutivo da mulher, frequentemente associada a um declínio inevitável na qualidade de vida e a sintomas subnotificados ou desvalorizados pela própria área da saúde. Hoje, sob a ótica da longevidade e da saúde integrativa, essa fase passa a ser vista como uma janela de oportunidade para a saúde futura, em que as escolhas de estilo de vida têm papel central. 

A dimensão do tema é global. Estimativas demográficas internacionais projetam que, até 2030, cerca de 1,2 bilhão de mulheres no mundo estarão na menopausa ou na pós-menopausa, com aproximadamente 47 milhões entrando nessa fase a cada ano. No Brasil, estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam cerca de 37 milhões de mulheres entre 40 e 65 anos, faixa etária em que ocorre o climatério. Com a expectativa de vida feminina próxima dos 80 anos, a pós-menopausa corresponde a cerca de um terço da vida da mulher. 

A queda hormonal impacta múltiplos sistemas do corpo feminino. Muito além das conhecidas ondas de calor (fogachos), a queda do estrogênio altera o metabolismo celular, a densidade óssea, a distribuição de gordura corporal, a saúde cardiovascular e tem impacto no sistema nervoso. Segundo dados do Estudo Brasileiro da Menopausa (Brazilian Menopause Study), primeiro levantamento nacional de base populacional sobre o tema, publicado em 2022 na revista Climacteric, 87,9% das 1.500 mulheres entrevistadas relataram ao menos um sintoma do climatério, e os fogachos começaram, em média, aos 47 anos. Insônia, cansaço, dores articulares, alterações de humor e dificuldade de concentração também são frequentes. As mucosas sofrem igualmente: o ressecamento vaginal e as queixas urinárias, conhecidos como síndrome geniturinária da menopausa, são comuns e subtratados, e há impacto ainda no olho seco e na saúde bucal. 

No entanto, a intensidade e o impacto desses sintomas não são determinados apenas pela biologia, mas estão ligados ao ambiente em que o corpo está inserido. O estresse crônico, a privação de sono, sedentarismo e uma alimentação baseada em ultraprocessados funcionam como "amplificadores" do desconforto. A saúde mental também entrou definitivamente na agenda: em 2026, a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) publicou recomendações específicas sobre saúde mental na menopausa. O documento alerta que essas queixas costumam ser negligenciadas e defende uma abordagem que inclua alimentação, atividade física, práticas mente-corpo e suporte psicológico. Queixas cognitivas, como a sensação de “névoa mental” (brain fog), são comuns na transição e, embora geralmente transitórias, têm impacto real na rotina e no trabalho. O isolamento social e a falta de rede de apoio aparecem entre os fatores que agravam esse quadro. 

De acordo com a Dra. Gabriela Raimann, Médica Endocrinologista do Rituaali Clínica & Spa, atravessar o climatério com saúde, qualidade de vida e disposição exige olhar para a mulher como um todo. 

“A terapia hormonal, quando bem indicada, é o tratamento mais eficaz que temos para os fogachos e faz diferença real na vida de muitas mulheres. Mas nenhum tratamento age isolado da forma como essa mulher vive. Sono fragmentado, estresse crônico, sedentarismo e uma alimentação baseada em ultraprocessados intensificam a insônia, a irritabilidade, o cansaço e o ganho de peso. A Medicina do Estilo de Vida atua justamente nesses pontos: alimentação, sono, movimento, manejo do estresse e conexões sociais. Ela não substitui o tratamento médico. É a base sobre a qual qualquer tratamento funciona melhor”, explica a especialista.
 

O papel do estresse e do cortisol na transição hormonal

A transição menopáusica costuma coincidir com o auge das demandas profissionais e familiares, e muitas mulheres cuidam dos filhos e dos pais ao mesmo tempo. O estresse crônico e a sobrecarga do dia a dia, mantém o eixo do cortisol constantemente ativado, piora a qualidade do sono, favorece o acúmulo de gordura abdominal e a resistência à insulina e está associado a uma percepção mais intensa dos fogachos e das oscilações de humor. Por isso, a abordagem precisa ir além do consultório tradicional: a carga mental, a rede de apoio e a forma como a mulher se permite pausas influenciam diretamente como ela atravessa essa fase.
 

Os pilares para uma menopausa plena e envelhecimento ativo

Para as mulheres que buscam passar pelo climatério preservando a energia, a clareza mental e a saúde física, a Dra. Gabriela Raimann destaca pilares essenciais da Medicina do Estilo de Vida:

  • Alimentação baseada em plantas: priorizar alimentos integrais, fibras, leguminosas, frutas, vegetais e gorduras de boa qualidade, como o ômega-3. A soja e seus derivados são fonte de isoflavonas, que podem reduzir discretamente os fogachos em algumas mulheres. Evitar açúcares refinados, álcool e ultraprocessados ajuda a controlar o ganho de peso comum nessa fase e protege a saúde cardiovascular e cerebral.
  • Higiene do sono e ritmo circadiano: a insônia é uma das queixas mais frequentes e impacta o humor, a memória e o metabolismo. Rotinas de desconexão à noite, com menos telas e luz intensa, horários regulares e exposição à luz natural pela manhã ajudam a reorganizar o relógio biológico. Quando a insônia persiste, a terapia cognitivo-comportamental para insônia é o tratamento de primeira linha.
  • Preservação da massa muscular e óssea: o declínio do estrogênio acelera a perda óssea (osteopenia/osteoporose) e muscular (sarcopenia). A prática contínua de exercícios de força associados a atividades com impacto e treinos de mobilidade e equilíbrio, protegem o esqueleto, aliviam dores articulares e melhoram a sensibilidade à insulina.
  • A alimentação também é decisiva: após a menopausa, a recomendação é de cerca de 1.200 mg de cálcio por dia, de preferência vindos dos alimentos (na alimentação baseada em plantas, boas fontes são o tofu, as bebidas vegetais enriquecidas com cálcio, o gergelim e o tahine, a couve e o feijão). A vitamina D, essencial para a absorção do cálcio e para a função muscular, depende principalmente da exposição solar. Uma exposição curta e regular, em horários de menor intensidade, ajuda a manter níveis adequados. Quando a dosagem estiver baixa, a suplementação deve ser orientada pelo médico.
  • Gestão do estresse e descompressão: incorporar pausas reais e rotinas de relaxamento ao longo do dia, como mindfulness, terapias manuais, contato com a natureza e tempo de qualidade com as pessoas, reduzem a sobrecarga do sistema nervoso e protegem a saúde mental nessa fase.

No Rituaali Clínica & Spa, a saúde feminina e o cuidado durante o climatério são tratados de forma integral e personalizada. Durante as imersões, as hóspedes passam por programas com acompanhamento médico, nutricional e psicológico que aliam a ciência da longevidade a um ambiente terapêutico imersivo em meio à natureza de Penedo (RJ). Esse cuidado é combinado com uma gastronomia plant-based altamente nutritiva, terapias de relaxamento, rotinas que favorecem o sono e exercícios orientados. O resultado é a criação de um ambiente favorável para que a mulher atravesse essa transição com mais vitalidade e construa um envelhecimento ativamente saudável.


Suplementos viram tendência nas redes, mas nem todo mundo precisa deles

 

A nutróloga Ana Luisa Vilela explica quando whey protein, creatina, vitamina D e ômega-3 são indicados, aborda o crescimento das proteínas alternativas e alerta para os riscos do consumo sem orientação profissional.

 

Whey protein, creatina, vitamina D e ômega-3 estão cada vez mais presentes nas conversas sobre saúde, estética e qualidade de vida. Impulsionado também por influenciadores fitness e conteúdos nas redes sociais, o consumo de suplementos desperta o interesse de pessoas com objetivos diversos, do ganho de massa muscular à melhora da disposição. Mas será que todo mundo precisa suplementar?


Para a nutróloga Ana Luisa Vilela, a resposta depende da alimentação, do estado de saúde e dos objetivos de cada pessoa. Embora os suplementos tenham indicações específicas, eles não são indispensáveis para todos e não substituem uma alimentação equilibrada.


“O suplemento deve ser utilizado para atender a uma necessidade identificada, e não apenas porque está em alta ou porque alguém nas redes sociais relatou bons resultados. O que funciona para uma pessoa pode não ser necessário para outra. Antes de começar a usar qualquer produto, é importante entender qual é o objetivo e se existe, de fato, uma indicação”, explica a médica.



Whey protein: praticidade para atingir a meta de proteínas


Derivado do soro do leite, o whey protein pode ajudar quem tem dificuldade de alcançar a quantidade diária de proteína apenas com a alimentação. É uma opção prática, especialmente em determinadas rotinas de treino, mas não é obrigatório para ganhar massa muscular.


A necessidade de proteína varia conforme idade, peso, nível de atividade física, estado de saúde e objetivo. Ovos, carnes, peixes, leite e derivados, além de leguminosas como feijão, lentilha e grão-de-bico, também são boas fontes. Por isso, a suplementação deve levar em conta o que a pessoa já consome ao longo do dia.


Proteínas vegetais ganham espaço como alternativa de suplementação


Além das proteínas de origem animal, as opções vegetais vêm ampliando sua presença no mercado de nutrição e suplementação. Ingredientes como ervilha, arroz, soja e grão-de-bico, além de proteínas obtidas de leveduras, podem ser utilizados na formulação de produtos voltados a quem busca alternativas ao whey protein.


Essas opções podem oferecer praticidade para complementar a ingestão diária de proteínas, inclusive para pessoas que não consomem ingredientes de origem animal ou que preferem diversificar suas fontes proteicas. Dependendo da formulação, a combinação de diferentes proteínas vegetais também pode contribuir para um perfil de aminoácidos mais completo.


O segmento acompanha uma busca por produtos inovadores, convenientes e alinhados a diferentes hábitos alimentares. Algumas fontes vegetais também despertam interesse por seu potencial de contribuir para estratégias de produção mais sustentáveis, embora esse impacto dependa dos ingredientes, dos processos produtivos e da cadeia de fornecimento.


Assim como acontece com o whey protein, a escolha de uma proteína vegetal deve considerar a necessidade individual, a composição do produto e a quantidade de proteína efetivamente oferecida por porção. A presença de uma alternativa no mercado não significa que todas as pessoas precisem utilizá-la.



Creatina: não é exclusiva de atletas


A creatina está entre os suplementos mais estudados e pode contribuir para o desempenho em exercícios de alta intensidade e para o ganho de força e massa muscular, quando associada a um treinamento adequado. Seus benefícios não se restringem a atletas profissionais, mas o uso precisa considerar as características e os objetivos de cada pessoa.


“Existe uma diferença entre um suplemento ter evidências científicas de benefício e ser necessário para todas as pessoas. A creatina pode ser uma aliada em determinados contextos, mas seu uso deve ser avaliado individualmente, principalmente quando há doenças preexistentes ou outras condições que exigem acompanhamento médico”, orienta a nutróloga.



Vitamina D: atenção aos níveis no organismo


A vitamina D participa de funções importantes no organismo, especialmente na saúde óssea e no metabolismo do cálcio. Isso, porém, não significa que todos precisem tomá-la em forma de suplemento. A indicação depende de fatores como idade, condições clínicas, risco de deficiência e avaliação médica.


O uso por conta própria, sobretudo em doses elevadas, merece cuidado. Por ser lipossolúvel, a vitamina D se acumula no organismo, e o excesso pode elevar os níveis de cálcio no sangue (hipercalcemia) e causar outras complicações. Por isso, ela não deve ser usada indiscriminadamente como estratégia para melhorar a imunidade ou combater o cansaço.



Ômega-3: a suplementação depende do contexto alimentar


O ômega-3 é uma família de gorduras associadas a funções importantes no organismo. Peixes como sardinha e salmão são fontes de EPA e DHA, enquanto sementes como chia e linhaça fornecem ALA, outro tipo de ômega-3.


O suplemento pode ser considerado em situações específicas, de acordo com a alimentação, os objetivos e as condições clínicas. Ainda assim, não se pode afirmar que todas as pessoas precisam suplementar nem que o produto, isoladamente, previne doenças cardiovasculares. A escolha também deve considerar possíveis interações com medicamentos e o estado de saúde de cada paciente.



O risco de seguir recomendações das redes sociais


A popularização dos suplementos facilitou o acesso à informação, mas também ampliou a circulação de recomendações genéricas, promessas de resultados rápidos e sugestões de doses que ignoram as particularidades de cada organismo.

Outro ponto de atenção é a combinação de vários produtos sem avaliar a composição e a quantidade total de cada nutriente ingerido. Dependendo da dose, do histórico de saúde e do uso de medicamentos, a suplementação pode provocar efeitos adversos ou trazer riscos desnecessários.


Segundo Ana Luisa Vilela, o primeiro passo é avaliar a alimentação, a rotina, os sintomas e as necessidades de cada pessoa antes de decidir pela suplementação. Quando indicada, ela deve fazer parte de uma estratégia de cuidado mais ampla, com acompanhamento profissional e objetivos bem definidos.


“Não existe um suplemento capaz de compensar, sozinho, uma rotina desequilibrada. Sono adequado, alimentação variada, atividade física e acompanhamento de saúde continuam sendo fundamentais. A suplementação pode ter seu papel, mas precisa ser utilizada com critério, respeitando a necessidade de cada pessoa”, conclui a nutróloga.



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