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| Forte de São João, em Bertioga, onde Anchieta se hospedou, no século XVI (foto: Elias Gomes Setur-SP |
Na semana de celebração do Dia Nacional de Anchieta, a Setur-SP traça o mapa da cartografia a pé que o Apóstolo do Brasil andou, esquadrinhou e escreveu em detalhes
Em maio de 1560,
o padre jesuíta José de Anchieta escreveu um relatório chamado “Carta de São
Vicente”, em que descreveu o que viu da Mata Atlântica, da geografia física e
humana, da fauna e da flora presentes na então Capitania de São Vicente. Mas
ele fez muito mais. Anchieta e a história do Brasil estão praticamente
interligados. Nesta terça-feira (9), o jesuíta é homenageado em Dia Nacional,
uma data que marca o seu falecimento, em 1597. Anchieta foi canonizado em 2014.
Para prestar
essa homenagem e relembrar os passos do jesuíta, a Secretaria de Turismo e
Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) registrou alguns dos destinos por
onde ele esteve, lugares esses que se tornaram turísticos e que lembram a
passagem de Anchieta pelo território e pela história paulista.
Itanhaém
A segunda cidade
mais antiga do Brasil abriga os Caminhos de Anchieta, um roteiro de seis
atrações que celebram a passagem dele, entre 1563 e 1595: a Cama de Anchieta
(uma formação rochosa onde ele descansava e compunha poemas), a Passarela de
Anchieta (um passadiço suspenso de 220 metros, com vista para o mar), o Pocinho
de Anchieta (uma estrutura de pedras construída por indígenas), os Painéis de
Anchieta (mosaicos em pastilhas de vidro), o Monumento a Anchieta (uma estátua
na Praça Narciso de Andrade) e a Igreja Matriz de Sant’Anna (que abriga a
imagem da Virgem de Anchieta). Itanhaém está a 116 km da capital.
Ubatuba
Nas areias de
Iperoig (atual Praia do Cruzeiro), onde hoje é Ubatuba, Anchieta compôs um
poema dedicado à Virgem Maria, com mais de 5.700 versos. Como não tinha papel,
ele memorizava os versos e os riscava com um cajado na areia. Anchieta esteve
em Ubatuba em 1563. A Praia do Cruzeiro é uma extensa faixa de areia, com
calçadão, com local para esportes e passeios, pista de skate, feirinha de
artesanato e restaurantes. A ilha Anchieta, também em Ubatuba, tem esse nome em
homenagem ao jesuíta. É a segunda maior ilha do litoral paulista, tem praias
paradisíacas, rica vida marinha, trilhas, ruínas de um antigo presídio e praias
(do Presídio e a Praia do Sul). Ubatuba fica a 220 km da capital paulista.
Itu
Anchieta esteve
na aldeia de Maniçoba, às margens do Tietê, na atual Itu, para catequizar
indígenas, aprender a língua dos nativos e conhecer o território. Itu
homenageia o padre no Largo do Bom Jesus (hoje a Praça Padre Anchieta). Nessa
praça, ficava a antiga capela de Nossa Senhora da Candelária, que deu origem ao
município, em 1610, e à Igreja Matriz, que contém o maior patrimônio do barroco
paulista, com altar e órgão magníficos. A Matriz é o coração histórico de Itu
e, próximos a ela, estão o Semáforo Gigante, o Orelhão Gigante e lojinhas de
souvenirs exagerados, além do Museu Republicano, da USP. Itu está a 96 km de
São Paulo.
São
Paulo
A capital tem
muitas marcas da presença de Anchieta. Marco Zero de São Paulo, o Pateo do
Collegio foi fundado em 1554 pelo Padre Manoel da Nóbrega, provincial jesuíta e
seus auxiliares, entre eles, Anchieta. A Igreja São José de Anchieta,
localizada no Pateo do Collegio, contém relíquias do santo e arquitetura do
barroco paulista. O Monumento a Anchieta, em bronze, é uma escultura de 1954,
para comemorar o quarto centenário da cidade e fica na Praça da Sé, em frente à
Catedral. Ainda no Pateo do Collegio, o Museu Anchieta preserva objetos
históricos e conta com uma maquete da Vila de São Paulo de Piratininga, no
século XVI.
Outras
passagens de Anchieta
Anchieta esteve
em locais que hoje são estâncias turísticas, como São Vicente, por onde chegou
à Capitania, em 1553. Na vila, ele aprendeu o tupi e escreveu a primeira
gramática indígena da História. No Guarujá, o jesuíta rezou missas e catequizou
indígenas na Ermida de Santo Antônio do Guaibê, que é uma das primeiras igrejas
do Brasil, toda feita de pedras de sambaquis com óleo de baleia e conchas. Em
Bertioga, Anchieta abrigou-se no Forte de São João, outro ponto turístico da
cidade, antes de seguir para missões em Ubatuba, no litoral norte.
O
espanhol cristão-novo que gerou São Paulo
Nascido em 1534
na ilha de Tenerife, nas Canárias (Espanha), José de Anchieta tinha ascendência
judaica sefardita (da Península Ibérica) e pertencia a uma família de cristãos-novos
(judeus convertidos à força ao catolicismo). Devido às óbvias restrições
espanholas para que o rapaz entrasse em seminário católico, Anchieta foi
enviado a Portugal, onde estudou na Universidade de Coimbra. Aos 17 anos,
ingressou na Companhia de Jesus e, em julho de 1553, após dois meses de viagem,
chegou ao Brasil, desembarcando em Salvador. Em outubro do mesmo ano, seguiu
para a Capitania de São Vicente, participando da fundação de São Paulo, em
janeiro de 1554. O padre jesuíta José de Anchieta morreu em 1597, no Espírito
Santo.





