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terça-feira, 5 de maio de 2026

Estação Itaquaquecetuba da CPTM recebe ação para divulgação do Vestibular Fatec

Divulgação/CPTM

Na terça-feira (05/05) e quinta-feira (07/05), a Iniciativa leva informações sobre cursos gratuitos do Centro Paula Souza aos passageiros 


Quem passar pela Estação Itaquaquecetuba da CPTM, na terça-feira e na quinta-feira, poderá aproveitar a ação que promove a divulgação do Vestibular Fatec.
 

Durante as atividades, representantes da Fatec estarão à disposição das pessoas para esclarecer dúvidas sobre o processo seletivo, modalidades de ingresso e cursos oferecidos pela instituição. A iniciativa busca aproximar a população das oportunidades de ensino superior gratuito e de qualidade. 

Os cursos disponíveis na modalidade presencial e EAD: Secretariado (manhã e noite), Gestão Comercial (manhã e noite), Gestão da Tecnologia da Informação (manhã), Gestão de Comércio Eletrônico (tarde) e Gestão Empresarial (modalidade EAD). 


Serviço:

Vestibular Fatec
Local: Estação Itaquaquecetuba (Linha 12-Safira)
Data: Terça-feira (05/05)
Horário: das 8h às 11h

Data: quinta-feira (07/05)
Horário: das 19h às 22h


Provão Paulista: Educação de SP divulga terceira e última chamada para o 2º semestr

Matrículas nas Fatecs e na Univesp devem ser feitas nos dias 5 e 6 de maio

 

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) divulgou nesta segunda-feira (4), a terceira e última chamada de aprovados no Provão Paulista Seriado para as turmas do segundo semestre nas Fatecs (Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo) e Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo). Esta etapa oferece as vagas que não foram preenchidas durante a primeira e a segunda chamadas do processo seletivo.

 

O Provão Paulista disponibiliza vagas para alunos que concluíram o Ensino Médio na rede pública em 2025 e realizaram a avaliação para ingresso nas instituições públicas de ensino superior de São Paulo.

 

Matrículas

Os estudantes convocados nesta última etapa devem confirmar suas matrículas obrigatoriamente nos dias 5 e 6 de maio.

 

Por serem instituições públicas, não há cobrança de mensalidade. A lista de convocados e o passo a passo para as matrículas podem ser consultados no portal oficial: provaopaulistaseriado.vunesp.com.br.

 

Provão Paulista 

O Provão Paulista Seriado funciona como porta de entrada de alunos do Ensino Médio da rede pública no Ensino Superior de instituições paulistas parceiras da Seduc-SP: Fatecs, Univesp, Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Em três edições, o Provão Paulista já abriu 46 mil vagas no ensino superior.


segunda-feira, 4 de maio de 2026

Jornada Saúde: plataforma gratuita lançada pela Pfizer ajuda a identificar as vacinas respiratórias conforme calendário de vacinação e onde podem estar disponíveis

 

Além de orientar quais as vacinas são alinhadas ao calendário nacional para cada perfil, o portal também utiliza geolocalização para encontrar UBSs e espaços privados que possam oferecer os imunizantes
 

Ter as vacinas como aliadas da saúde ao longo de toda a vida já é uma cultura presente entre muitos brasileiros. Mais do que isso, a percepção de que a vacinação é fundamental para todas as idades também cresce. Recém-nascidos, crianças e idosos devem ter grande atenção ao calendário vacinal, mas há diversos imunizantes recomendados também na fase adulta. 

Pensando em promover orientação clara e acessível à população sobre este tema, a Pfizer lança a plataforma Jornada Saúde. A novidade tem como objetivo ajudar o público a deixar seu calendário vacinal atualizado com relação aos principais imunizantes contra doenças como gripe, Covid-19, VSR (vírus Sincicial Respiratório) e doenças pneumocócicas. A iniciativa tem como referência os calendários da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde.  

“Ao criar a plataforma Jornada Saúde, nosso objetivo foi oferecer informações sobre parte do calendário vacinal de forma acessível, tanto por se tratar de uma página gratuita quanto pela linguagem clara e pelo formato adotado”, afirma Adriana Ribeiro, diretora médica da Pfizer Brasil. “A partir das informações fornecidas pelo próprio indivíduo, a plataforma apresenta orientação de vacinas relacionadas às doenças respiratórias, conforme recomendação do calendário nacional, funcionando como uma orientação complementar às recomendações dos profissionais de saúde, que são indispensáveis.” 

A plataforma não realiza indicação terapêutica individualizada nem substitui avaliação médica, mas visa apoiar os cidadãos com informação de fácil acessibilidade, com finalidade educativa.

O público escreve sua idade, e em seguida responde a um questionário sobre suas condições de saúde, grupos dos quais fazem parte e quais vacinas já foram tomadas. Após responder a todas as perguntas, a etapa final traz um resumo a respeito dos imunizantes recomendados, conforme as respostas oferecidas e os calendários de vacinação. Além disso, há também a opção de usar sua localização para encontrar UBSs ou espaços privados que oferecem as vacinas. 

Quem optar por informar seu e-mail na plataforma pode ainda receber conteúdos exclusivos sobre saúde e bem-estar, mantendo-se informado sobre temas relevantes para a sua jornada pessoal de saúde.

É importante ressaltar que o teste realizado pela plataforma não substitui uma avaliação ou orientação de profissionais da saúde, e que cada recomendação pode variar de acordo com a idade e condições de saúde específicas. Além disso, o calendário vacinal de gestantes deve ser consultado à parte.
 

Semana Mundial de Imunização 

O lançamento da plataforma Jornada da Saúde, da Pfizer, acontece durante a Semana Mundial de Imunização, iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), realizada na última semana de abril, entre os dias 24 e 30. A campanha de 2026 tem como tema central “Para cada geração: as vacinas funcionam” e pretende destacar o papel crucial das vacinas na proteção da saúde humana ao longo de toda a vida, que inclui a prevenção de doenças respiratórias e infecciosas que impactam diferentes faixas etárias, como, por exemplo, gripe, vírus sincicial respiratório (VSR), Covid-19 e a pneumonia. 

No Brasil, a campanha de vacinação contra a gripe teve início no dia 28 de março. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 2,3 milhões de pessoas já foram vacinadas até o momento, com forte ação nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. 

Vale ressaltar que a imunização contra a Covid‑19 também segue disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para públicos prioritários, como idosos, gestantes, pessoas com comorbidades e profissionais de saúde. Já a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) está disponível no SUS para gestantes, com o objetivo de proteger os bebês nos primeiros meses de vida, e também pode ser encontrada na rede privada para outros públicos. As vacinas contra pneumonia, como as pneumocócicas, integram o calendário nacional de vacinação para crianças, idosos e grupos de risco, com opções adicionais disponíveis na rede privada, ampliando a proteção contra complicações respiratórias.

 

Grandes Avanços que Mudam as Vidas dos Pacientes 

Na Pfizer, usamos conhecimento científico e recursos globais para trazer terapias que prolonguem e melhorem significativamente as vidas das pessoas. Buscamos estabelecer o padrão de qualidade, segurança e valor na descoberta, desenvolvimento e fabricação de produtos para a saúde, incluindo medicamentos e vacinas inovadores. Todos os dias, os colegas da Pfizer trabalham em mercados desenvolvidos e emergentes para o progresso do bem-estar, da prevenção e de tratamentos que desafiam as doenças mais temidas de nossos tempos. Somos uma das maiores empresas biofarmacêuticas de inovação do mundo e é nossa responsabilidade e principal função colaborarmos com profissionais de saúde, governos e comunidades locais para promover e ampliar o acesso a cuidados confiáveis e acessíveis com a saúde em todo o mundo. Há mais de 175 anos atuamos para fazer a diferença para todos aqueles que confiam em nosso trabalho. Para saber mais, acesse: Site Pfizer Brasil, ou siga-nos no LinkedIn, e Instagram.
 


Brasileiras recorrem cada vez mais ao congelamento de óvulos para preservação da fertilidade

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o número de procedimentos em mulheres abaixo de 35 anos quase dobrou em três anos

 

O relógio biológico feminino diminui as chances de engravidar após os 35 anos. Nessa idade, a probabilidade de a mulher engravidar de maneira natural no decorrer de um ano de tentativas é de 55%, contra 86% aos 25 anos. Quando chega aos 45 anos, as chances são de apenas 6%. Por outro lado, aumenta a possibilidade de infertilidade: se, aos 35 anos, uma mulher tem 10% de chance de se tornar infértil, aos 45 anos, esse índice mais do que quadruplica e atinge 55%. 

A diminuição da fertilidade da mulher vai de encontro à crescente tendência de adiamento da maternidade no Brasil, motivada pelas transformações sociais. Dados do IBGE refletem esse fenômeno: o último censo revelou que a idade média ao ter filhos passou de 26 anos, em 2000, para 28 anos, em 2022; e estatísticas do Registro Civil apontam que, nas últimas duas décadas, também cresceu o número de nascimentos gerados por mães com 35 a 39 anos de idade, o que coincide com o momento em que o declínio da fertilidade começa a se acentuar. 

Diante dessa nova realidade, as mulheres buscam soluções para realizar o sonho da maternidade no tempo em que consideraram adequado, sem abrir mão de conquistas pessoais e profissionais. “Com isso em vista, é fundamental a realização, o quanto antes, de consulta com um especialista em reprodução assistida para que ele avalie a reserva ovariana da paciente e oriente sobre se há indicação para o congelamento de óvulos”, afirma Dra. Cláudia Navarro, diretora da Clínica Life Search de Medicina Reprodutiva, que é referência da especialidade em Minas Gerais e integra o Fertgroup, maior rede nacional de clínicas especializadas em reprodução humana. 

Depois dos 35 anos, se acelera a perda dos folículos, pequenas estruturas localizadas nos ovários que podem dar origem a óvulos maduros, ou seja, prontos para a fecundação. A reserva ovariana é um dos marcadores do potencial reprodutivo da mulher, uma vez que se refere à quantidade remanescente de folículos no ovário. “Nascemos com um determinado número de folículos — um estoque que se reduz continuamente ao longo da vida reprodutiva e não é reposto. “A mulher perde óvulos desde o nascimento, perda que se acelera após os 35 anos e alcança queda ainda mais rápida após os 37 anos. Além da diminuição da quantidade de óvulos, ocorre queda na qualidade, o que torna mais desafiadora a gestação e o nascimento de bebês saudáveis”, explica Dra. Cláudia.

 

Cresce a adesão ao congelamento de óvulos no Brasil 

Inclinadas a terem filhos mais tarde, as brasileiras recorrem cada vez mais ao congelamento de óvulos enquanto estão no auge da idade reprodutiva, para garantir maiores chances de engravidar. “Isso traz segurança a elas em relação ao próprio futuro reprodutivo, embora o congelamento não seja uma garantia total de gravidez”, reflete Dra. Cláudia.

De acordo com o Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio) da Anvisa, o número de ciclos de criopreservação de óvulos quase dobrou entre 2020 e 2023 no Brasil, especialmente entre mulheres com menos de 35 anos. Em 2023, foram 4.340 ciclos, 97,9% a mais do que os 2.193 realizados em 2020, primeiro ano sobre o qual há informações disponíveis. 

O momento no qual uma mulher congela seus óvulos importa muito para as chances de ter um bebê no futuro. Entre os motivos, está o fato de que o óvulo de pior qualidade irá gerar embrioes também de pior qualidade, aumentando o risco de aborto espontâneo. Até os 30 anos, esse risco se mantém estável, em torno de 10%. A partir dos 35, começa a subir gradualmente. Após os 44 anos, mais de 70% das gestações terminam em aborto espontâneo. “O recomendável é que o procedimento seja feito, preferencialmente, até os 34 anos, para aumentar as possibilidades de sucesso, devido à maior quantidade e melhor qualidade dos óvulos”, ressalta Dra. Cláudia Navarro.


Vírus que começa como “resfriado” já levou mais de 37 mil brasileiros a hospitais em 202

Com alta de casos graves no país, especialista chama atenção para evolução rápida da doença causada pelo VSR e pede atenção à alta de casos graves em bebês 

 

O que parece apenas uma tosse leve ou um nariz escorrendo tem sido, na prática, a porta de entrada para um cenário que preocupa especialistas em todo o país. Em 2026, o Brasil já contabiliza mais de 37 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), muitos deles em crianças pequenas, justamente o público mais vulnerável às complicações da bronquiolite.

O dado é do boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz, divulgado em abril, e revela um avanço consistente das internações em bebês de até 2 anos em quatro das cinco regiões do país. O principal responsável por esse crescimento é o vírus sincicial respiratório (VSR), já reconhecido como uma das principais causas de bronquiolite e hospitalização infantil.

Só neste ano, foram notificados 37.244 casos de SRAG, sendo que 15.816 tiveram confirmação de vírus respiratórios. Entre eles, o VSR responde por 17,4% das infecções, mantendo-se como um dos protagonistas dos quadros mais graves em crianças pequenas.

Além disso, o boletim mostra que 14 estados brasileiros estão em nível de alerta, risco ou alto risco para SRAG, com tendência de crescimento nas últimas semanas, um indicativo de pressão crescente sobre os serviços de saúde.

Para a infectologista pediátrica Carolina Brites, o dado reforça a necessidade de atenção redobrada dentro de casa. “A bronquiolite é uma doença que pode começar de forma muito parecida com um resfriado comum, mas evolui rapidamente. Em questão de 24 a 48 horas, o quadro pode se agravar bastante”, explica.

Segundo a médica, os primeiros sinais costumam incluir coriza, tosse seca e febre baixa. “O que preocupa é quando começam os sinais de esforço respiratório. A criança passa a respirar mais rápido, com dificuldade, e muitas vezes os pais percebem a movimentação da barriguinha”, detalha.


Atenção redobrada com bebês


Os dados mais recentes confirmam o que já é observado na prática clínica: os bebês estão no centro desse cenário. De acordo com a Dra. Brites, crianças pequenas têm vias respiratórias mais estreitas e um sistema imunológico ainda em desenvolvimento, o que favorece a evolução para quadros mais graves.

“Os bebês, principalmente os menores de um ano, têm mais dificuldade para lidar com a inflamação causada pelo vírus. Por isso, eles podem piorar muito rápido e, em alguns casos, precisar de internação”, alerta.

A especialista destaca ainda que alguns grupos apresentam risco ainda maior, como prematuros, crianças com histórico de complicações ao nascer ou com doenças pulmonares e cardíacas. “Esses pacientes exigem um olhar ainda mais atento, porque têm maior chance de desenvolver formas graves da doença.”

Outro ponto de atenção é o ambiente. A maior circulação de vírus respiratórios durante os meses mais frios, associada a locais fechados e pouca ventilação, contribui diretamente para o aumento dos casos. “Ambientes com aglomeração e pouca circulação de ar facilitam muito a transmissão”, afirma.

Apesar do avanço da doença, a infectologista ressalta que a prevenção continua sendo uma ferramenta essencial. “Medidas simples fazem a diferença: lavar bem as mãos, evitar contato com pessoas gripadas, manter os ambientes ventilados e redobrar os cuidados com bebês pequenos.”

Ela também chama atenção para os avanços recentes na proteção contra o VSR. “Hoje já temos estratégias importantes, como a vacinação de gestantes, que ajudam a proteger o bebê nos primeiros meses de vida. Isso representa um avanço significativo.”

O tratamento da bronquiolite, segundo a médica, é baseado em suporte clínico. “Não existe um tratamento específico contra o vírus. Em casos leves, o acompanhamento pode ser feito em casa, mas quadros mais graves podem exigir oxigênio e internação hospitalar”, explica.

Diante do cenário atual, a orientação é clara: observar atentamente os sinais da criança. “Mudanças no comportamento, cansaço, dificuldade para mamar ou respirar são sinais de alerta. Quanto mais cedo essa piora for identificada, maiores são as chances de evitar complicações”, finaliza a Dra. Brites.

  

Carolina Brites - CRM-SP: 115624 - RQE: 122965 - concluiu sua graduação em Medicina na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) em 2004. Especializou-se em Pediatria pela Santa Casa de Santos entre 2005 e 2007, onde obteve o Título de Pediatria conferido pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Posteriormente, especializou-se em Infectologia infantil pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e completou uma pós-graduação em Neonatologia pelo IBCMED em 2020. Em 2021, concluiu o mestrado em Ciências Interdisciplinares em Saúde pela UNIFESP. Atualmente, é professora de Pediatria na UNAERP em Guarujá e na Universidade São Judas em Cubatão. Trabalha em serviço público de saúde na CCDI – SAE Santos e no Hospital Regional de Itanhaém. Além disso, mantém um consultório particular e assiste em sala de parto na Santa Casa de Misericórdia de Santos. Ministra aulas nas instituições de ensino onde é professora.



De aliado a vilão: produtos do dia a dia podem estar por trás de irritações na pel


Nem sempre a causa de irritações, vermelhidão, coceira, piora de manchas ou até acne está em algo novo ou no excesso de produtos. Em muitos casos, o problema pode estar em itens comuns do dia a dia, como shampoo, sabonete, hidratante ou desodorante, usados há anos, mas que podem sensibilizar a pele com o tempo ou em determinadas condições.

 

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, as dermatites de contato, reações inflamatórias causadas por substâncias irritantes ou alergênicas, estão entre as doenças de pele mais comuns no país. Estima-se que elas representem cerca de 20% a 30% dos atendimentos dermatológicos relacionados a inflamações cutâneas.

 

Nos consultórios dermatológicos, a queixa tem se tornado cada vez mais frequente. Segundo a dermatologista Patrícia Dalboni, há um aumento significativo de pacientes com irritação cutânea, muitas vezes relacionado ao uso indiscriminado de cosméticos. “As pessoas veem tendências nas redes sociais, compram produtos que podem até ser bons, mas não são indicados para o tipo de pele delas. Isso pode levar à quebra da barreira cutânea, irritação e até desencadear doenças como a rosácea”, explica.

 

O papel da barreira da pele

A chamada barreira cutânea funciona como uma proteção natural. Ela é formada por lipídios, água e outras substâncias que ajudam a manter a hidratação e impedir a entrada de agentes externos, como bactérias, fungos e vírus. Quando essa barreira é comprometida, a pele fica mais vulnerável.

 

“Quando há quebra dessa proteção, aumenta-se o risco de dermatites e infecções”, destaca a dermatologista Patrícia Dalboni. Os sinais de alerta são claros: vermelhidão, ardência, descamação, coceira e sensação de desconforto indicam que algo não vai bem.

 

Quando o cuidado vira excesso


A popularização do “skincare” trouxe mais atenção ao autocuidado, mas também abriu espaço para exageros. Rotinas com muitos produtos podem ser prejudiciais.

“Quanto mais produtos você usa, maior a chance de irritação e de um interferir no efeito do outro”, afirma a dermatologista. Casos extremos não são raros: pacientes que utilizam mais de 10 produtos simultaneamente, muitas vezes com ativos repetidos, como ácidos, podem desenvolver quadros graves de irritação ou até rosácea medicamentosa.

 

Entre os principais vilões estão substâncias como ácidos (retinoico, glicólico), peróxido de benzoíla e até corticoides, quando usados sem orientação. Mesmo ingredientes considerados seguros podem causar problemas se não forem adequados ao tipo de pele.

 

Como montar uma rotina segura


Entre os deslizes mais frequentes estão: usar produtos inadequados para o tipo de pele, combinar ativos sem orientação, aplicar quantidades excessivas e seguir tendências sem avaliação individual.

 

Apesar da variedade de produtos disponíveis, o básico ainda é o mais indicado para a maioria das pessoas: sabonete adequado ao tipo de pele, hidratante personalizado e protetor solar diário.

 

“Outros ativos, como antioxidantes ou ácidos, devem ser introduzidos conforme a necessidade e sempre com orientação profissional”, destaca Patrícia Dalboni. 

 

Menos é mais


A principal recomendação é a simplicidade e a personalização. “Cada pele é única. Não é necessário usar muitos produtos para ter uma pele saudável. E, quando for incluir algo novo, o ideal é fazer isso aos poucos, para identificar possíveis reações”, orienta a dermatologista.

 

Outro detalhe importante é a quantidade: mesmo produtos corretos podem causar irritação se aplicados em excesso. O ideal é usar uma camada fina.

 

Se surgirem sinais de irritação ou acne após o uso de um produto, a orientação é suspender imediatamente e buscar avaliação dermatológica. Isso evita a piora e ajuda a identificar a causa.

 

Dra. Patrícia Dalboni - RQE Nº 41772 - Desde os primeiros passos na medicina, a Dra. Patrícia Dalboni trilhou uma jornada marcada por dedicação, resiliência e busca pelo aprimoramento profissional. Iniciou sua carreira como cirurgiã pediátrica, atuando por 16 anos, e há 18 anos dedica-se integralmente à dermatologia. Os anos de experiência cirúrgica trouxeram precisão, segurança e habilidade para a realização de procedimentos dermatológicos, tornando sua atuação ainda mais eficaz.


Como garantir proteção previdenciária para o filho com TEA no longo prazo

 

Planejar o futuro de um filho é um ato de cuidado. Quando se trata de uma pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA), esse planejamento exige atenção redobrada, especialmente no campo previdenciário, onde a proteção não é automática e depende de requisitos legais bem definidos.

No ordenamento jurídico brasileiro, o TEA possui reconhecimento expresso como deficiência. A Lei Berenice Piana estabelece, em seu art. 1º, §2º, que a pessoa com autismo é considerada pessoa com deficiência para todos os efeitos legais. Esse entendimento é reforçado pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência, que adota o conceito biopsicossocial de deficiência (art. 2º), considerando não apenas a condição clínica, mas também as barreiras que limitam a participação social em igualdade de condições com as demais pessoas.

Essa base legal é fundamental porque permite o acesso a um direito previdenciário diferenciado, previsto na Lei Complementar 142/2013, que regulamenta a aposentadoria da pessoa com deficiência (PcD) no Regime Geral de Previdência Social.

O sistema previdenciário brasileiro, regido pela Lei 8.213/1991, é contributivo. Isso significa que, como regra, o acesso a benefícios depende da qualidade de segurado e do cumprimento de carência (arts. 11, 15 e 25).

Na prática, isso impõe às famílias a necessidade de organização prévia. A ausência de contribuições ou a perda da qualidade de segurado pode inviabilizar benefícios futuros, inclusive em situações de evidente vulnerabilidade.

 

Contribuição previdenciária: base para o futuro

Sempre que possível, é recomendável avaliar a inserção da pessoa com TEA no sistema previdenciário, seja como segurado facultativo (art. 13, Lei 8.213/91), seja como contribuinte individual (art. 11, V, Lei 8.213/91).

Essa estratégia permite o acesso a benefícios como:

  • aposentadoria da pessoa com deficiência;
  • auxílio por incapacidade temporária;
  • aposentadoria por idade;
  • auxílio por incapacidade permanente;
  • pensão por morte.

Além disso, o histórico contributivo fortalece a proteção em cenários futuros, especialmente quando aliado a documentação médica consistente.

 

Aposentadoria da pessoa com deficiência

A Lei Complementar 142/2013 prevê redução no tempo de contribuição conforme o grau de deficiência (leve, moderado ou grave) ou redução da idade, o que pode beneficiar diretamente pessoas com TEA.

A avaliação é realizada com base em critérios médicos e funcionais, em consonância com o modelo biopsicossocial adotado pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência.

A jurisprudência tem reforçado a necessidade de análise ampliada da deficiência. O Superior Tribunal de Justiça já consolidou entendimento de que a deficiência deve ser avaliada considerando as limitações reais do indivíduo, e não apenas diagnósticos formais, especialmente em benefícios previdenciários e assistenciais.

 

Pensão por morte: segurança de longo prazo

A pensão por morte é um dos principais instrumentos de proteção para o filho com TEA.

Nos termos do art. 16, I e §4º da Lei 8.213/1991, o filho inválido ou com deficiência tem direito ao benefício independentemente da idade, não sendo necessária a comprovação da dependência econômica que, nesse caso, é presumida.

A jurisprudência também tem papel relevante. O Superior Tribunal de Justiça reconhece que a condição de deficiência pode ser comprovada mesmo que o diagnóstico formal seja posterior, desde que demonstrado que a incapacidade já existia anteriormente ao óbito do segurado.

Esse entendimento é crucial em casos de TEA, especialmente quando o diagnóstico ocorre tardiamente.

 

Benefícios por incapacidade e a realidade das perícias

Os benefícios por incapacidade estão previstos nos arts. 59 e 42 da Lei 8.213/1991.

No entanto, um dos maiores desafios enfrentados pelas famílias é a análise pericial administrativa. Muitas vezes, o INSS adota uma visão restritiva, desconsiderando aspectos comportamentais, cognitivos e sociais do TEA.

O Poder Judiciário tem corrigido essas distorções. O Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por exemplo, possui precedentes reconhecendo a incapacidade laboral em casos de transtornos do neurodesenvolvimento, quando comprovado o impacto funcional na vida do segurado.

Diante desse cenário, o planejamento previdenciário se apresenta como instrumento essencial. Ele permite:

  • identificar quais os direitos previdenciários da pessoa com TEA;
  • detectar as regras aplicáveis ao caso específico;
  • organizar provas médicas e documentais ao longo do tempo;
  • definir estratégias de contribuição adequadas;
  • antecipar riscos de indeferimento administrativo.

Trata-se de uma atuação estratégica, alinhada aos direitos fundamentais da pessoa com deficiência, previstos no art. 1º, III, da Constituição Federal de 1988, que consagra a dignidade da pessoa humana.

Garantir proteção previdenciária para o filho com TEA no longo prazo exige mais do que informação: exige ação estruturada, conhecimento técnico e acompanhamento contínuo.

A legislação brasileira oferece instrumentos importantes, mas sua efetividade depende de como esses direitos são construídos ao longo do tempo.

Planejar é, nesse contexto, uma forma concreta de cuidado: uma maneira de transformar direitos em segurança real para o futuro.

 

 Ana Paula Cavalcante – Advogada especialista em Direito Previdenciário e Direito dos Autistas. Mestranda em Direito. Autora do livro best-seller “Além do diagnóstico”.

 

Crises de asma aumentam com clima seco, poluição e infecções respiratórias

Especialista do Vera Cruz Hospital alerta para agravamento dos sintomas em períodos de baixa umidade e reforça importância do tratamento contínuo

 

A combinação de ar mais seco, piora da qualidade do ar e aumento das infecções respiratórias favorece o agravamento das crises de asma. Esse cenário se torna mais frequente em períodos de baixa umidade, quando se intensificam sintomas como falta de ar, tosse, chiado no peito e sensação de aperto no tórax, especialmente em pacientes que não mantêm o tratamento de forma regular. O tema ganha destaque no Dia Mundial de Combate à Asma, celebrado neste sábado (2), que reforça a importância da prevenção e do controle contínuo da doença. 

A asma é uma das doenças respiratórias crônicas mais comuns do mundo, afetando cerca de 300 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estima-se que aproximadamente 20 milhões de pessoas convivam com a doença. Embora seja controlável na maioria dos casos, ainda representa uma importante causa de atendimentos e internações. 

De acordo com o pneumologista do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), João Carlos de Jesus, fatores ambientais têm impacto direto no aumento das crises. “O ar mais seco resseca e fragiliza as vias respiratórias, deixando-as mais sensíveis a ácaros, poeira e poluentes. Além disso, há maior circulação de vírus respiratórios e menor dispersão dessas partículas no ar, o que intensifica a irritação e favorece as crises”, explica o especialista. 

O médico destaca, ainda, o papel das infecções respiratórias, como gripe, Covid-19 e vírus sincicial respiratório, que circulam com mais facilidade em ambientes fechados e podem agravar quadros de asma, levando até a complicações como pneumonia. 

Dentro de casa, também estão alguns dos principais gatilhos da doença. Ácaros presentes em colchões, travesseiros, cortinas e tapetes se proliferam com mais facilidade em ambientes fechados e com pouca exposição ao sol, acumulando-se especialmente em períodos mais frios. Produtos de limpeza com cheiro forte, perfumes e a fumaça do cigarro, seja pelo uso ativo ou pelo tabagismo passivo, também podem desencadear crises.
 

Bombinhas

Outro ponto de alerta é o uso incorreto das chamadas “bombinhas”, ainda frequente entre pacientes. Muitos utilizam apenas a medicação de alívio, sem seguir o tratamento de controle. “As bombinhas de alívio promovem melhora rápida ao relaxar os brônquios, mas não tratam a inflamação. Já as de controle atuam diretamente nesse processo inflamatório e são fundamentais para manter a doença sob controle”, explica o médico. 

Segundo o especialista, a dependência apenas da medicação de resgate pode mascarar a gravidade do quadro. “O paciente sente alívio momentâneo, mas a inflamação continua evoluindo. Isso aumenta o risco de crises mais graves, como o broncoespasmo, que pode levar à insuficiência respiratória e necessidade de atendimento de urgência”, alerta. 

Entre os sinais de asma descontrolada estão falta de ar frequente, tosse persistente, chiado no peito e dificuldade para realizar atividades do dia a dia. O uso frequente da medicação de alívio também é um sinal de alerta. “Quando os sintomas não melhoram ou pioram progressivamente, é fundamental procurar atendimento médico o quanto antes”, orienta o pneumologista. 

A prevenção envolve o uso correto e contínuo das medicações, mesmo na ausência de sintomas, além de cuidados como hidratação, vacinação contra gripe e Covid-19, uso de umidificadores e evitar atividades físicas em horários de ar mais seco. No ambiente doméstico, recomenda-se manter a casa ventilada, reduzir poeira com pano úmido e aspirador, evitar varrição e espanadores e expor roupas de cama ao sol sempre que possível. 

Crianças e idosos merecem atenção especial, já que podem ter mais dificuldade no uso correto dos medicamentos inalatórios, sendo necessário, em muitos casos, o uso de espaçadores e ajustes no tratamento. A prática de atividade física é recomendada, desde que a doença esteja controlada. “Com acompanhamento adequado, o paciente com asma pode levar uma vida ativa e saudável”, conclui o especialista.

  

Vera Cruz Hospital


Dia do Oftalmologista: 9 mitos e verdades sobre como preservar a saúde dos olhos

No Dia do Oftalmologista (07/05), especialista esclarece dúvidas comuns sobre hábitos que impactam a visão, de uso de telas e exposição ao sol

 

Em 7 de maio, é comemorado o Dia do Oftalmologista, uma data que nos convida a refletir sobre a importância de cuidar da saúde ocular em todas as fases da vida. Entre informações corretas e crenças populares que atravessam gerações, muitos mitos ainda circulam sobre o que realmente faz bem (ou mal) para os olhos.

Você acredita desde criança que comer cenouras faz bem à visão? Pensa que o hábito contemporâneo de ler através de telas prejudica a saúde ocular? E o que acha do uso permanente de óculos, faz bem ou mal para os olhos?
Dr. Hallim Feres Neto, oftalmologista membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e diretor da Prisma Visão, desvenda mitos associados ao bem-estar da visão humana.

Confira a seguir:

1. Ler livro ou usar aparelho eletrônico de perto faz mal. Mito ou verdade?
Mito! Até pouco tempo atrás, diria que isso pode causar fadiga visual, mas não danos permanentes à visão. Apesar disso, há indícios em estudos recentes de que o esforço para enxergar de perto, principalmente na infância, pode estar relacionado com aumento da progressão de miopia. Deste modo, é aconselhável fazer pausas regulares para relaxar os olhos.

2. Ler no escuro pode piorar sua visão. Mito ou verdade?
Mito! Ler com pouca luz pode causar fadiga ocular, mas não resulta em dano permanente à visão.

3. Passar mais tempo ao ar livre ajuda a visão. Mito ou verdade?
Verdade! Diversos estudos sugerem que a luz natural pode ser benéfica para os olhos, principalmente na infância, podendo ajudar a prevenir ou atrasar o desenvolvimento de miopia.

4. Muita luz ultravioleta pode prejudicar a visão. Mito ou verdade?
Verdade! Exposição excessiva à luz UV pode levar a problemas oculares, como catarata e degeneração macular. Por isso, o uso de óculos escuros com proteção UV é essencial.

5. Fazer uma pausa no uso de óculos pode impedir que sua visão piore. Mito ou verdade?
Mito! Os óculos são usados para corrigir problemas de visão, e a interrupção do uso não impedirá que sua visão piore. Na verdade, pode levar a sintomas como dor de cabeça e fadiga ocular.

6. Mesmo um pouco de luz azul das telas é prejudicial aos seus olhos. Mito ou verdade?
Mito! Uma exposição excessiva pode, sim, causar fadiga ocular e inclusive interferir na qualidade do sono. Porém, a luz azul em si não é prejudicial aos olhos. Na verdade, a maior fonte de luz azul é o Sol, e a luz azul emitida pelas telas é mínima comparada a ele.

7. Fumar faz mal à saúde ocular. Mito ou verdade?
Verdade! Fumar pode aumentar o risco de desenvolver várias condições oculares, como catarata e degeneração macular.

8. As cenouras são boas para os olhos. Mito ou verdade?
Verdade! As cenouras são ricas em vitamina A, essencial para a saúde ocular. No entanto, uma dieta balanceada com outros vegetais e frutas também é muito importante para manter a saúde dos olhos.

9. A deterioração da visão é uma parte inevitável do envelhecimento. Mito ou verdade?
Mito! Enquanto alguns problemas de visão se tornam mais comuns com a idade, como presbiopia ou catarata, não é uma regra que a visão se deteriorará inevitavelmente. Manter um estilo de vida saudável e fazer exames oculares regulares pode ajudar a preservar a saúde ocular ao longo dos anos.


O Dia do Oftalmologista é uma oportunidade para lembrar que prevenção e informação são aliados poderosos da saúde dos olhos. Realizar consultas periódicas com o oftalmologista e adotar hábitos saudáveis desde cedo fazem toda a diferença para enxergar bem ao longo da vida.




Dr. Hallim Féres Neto - CRM-SP 117.127 | RQE 60732 - Oftalmologista Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia
Instagram: drhallim
Portal: https://www.drhallim.com.br


SER MÃE E DESCOBRIR QUE É AUTISTA: O QUE NINGUÉM TE CONTOU SOBRE ESSA JORNADA SILENCIOSA

Quando o diagnóstico chega depois dos filhos e muda tudo por dentro 

 

Durante muito tempo, o autismo foi associado a um perfil específico, mais comum em meninos, com características evidentes desde a infância. Mas hoje, uma nova realidade vem ganhando espaço nos consultórios: mulheres que só descobrem que são autistas depois de se tornarem mães. 

Segundo o Dr. Matheus Trilico, neurologista referência no tratamento de autismo em adultos, a maternidade costuma ser um ponto de virada. “A chegada de um filho traz uma sobrecarga sensorial, emocional e de rotina muito intensa. Para muitas mulheres autistas, esse é o momento em que elas percebem que sempre funcionaram de forma diferente, mas nunca tiveram um nome para isso”, explica.


O excesso que ninguém vê

Barulho constante, toque frequente, interrupções, mudanças de rotina e demandas emocionais intensas. Para uma mãe autista, o dia a dia pode ser extremamente desafiador, mesmo quando existe amor, dedicação e presença. De acordo com o Dr. Trilico, essas mulheres podem se sentir sobrecarregadas com estímulos que outras pessoas consideram normais. “Um choro repetitivo, por exemplo, pode ser fisicamente doloroso para quem tem hipersensibilidade auditiva”, ressalta o neurologista. 

A ciência corrobora essa visão: estudos indicam que cerca de 96% dos indivíduos autistas apresentam dificuldades de processamento sensorial. Na maternidade, essas demandas tornam-se especialmente desafiadoras, pois o ambiente doméstico é, por natureza, imprevisível e ruidoso.


O colapso da máscara social

Além da sobrecarga física, há uma cobrança interna e social exaustiva. Muitas dessas mulheres passaram a vida aprendendo a mascarar comportamentos para se adaptarem ao mundo neurotípico, um fenômeno conhecido como masking ou camuflagem social. 

“Na maternidade, essa máscara começa a cair, porque a exigência emocional é constante e o esforço para parecer 'normal' torna-se insustentável”, afirma o Dr. Matheus Trilico. Evidências recentes mostram que mulheres autistas utilizam significativamente mais estratégias de camuflagem do que homens, o que explica por que tantas "escapam" do diagnóstico até a vida adulta, quando o estresse crônico pode levar ao chamado burnout autístico.


Culpa, exaustão e o alívio do diagnóstico

Mesmo sendo mães presentes e amorosas, muitas relatam exaustão extrema e necessidade de isolamento. Segundo o Dr. Trilico, elas frequentemente se sentem culpadas por precisarem de silêncio ou por não conseguirem corresponder a uma ideia idealizada de maternidade.

Para muitas, o diagnóstico tardio não é um peso, mas um alívio. “Entender que existe uma explicação neurobiológica para essas lutas muda a forma como essa mulher se enxerga. Sai a culpa, entra o entendimento e a autocompaixão”, destaca o neurologista. Pesquisas indicam que o diagnóstico na vida adulta facilita a transição de uma visão autocrítica para uma postura de maior autocuidado e aceitação.


Como viver a maternidade sendo autista: caminhos possíveis

Embora o desafio seja real, o Dr. Matheus Trilico enfatiza que existem estratégias fundamentais para construir uma maternidade mais saudável e equilibrada:

  • Criar uma rotina previsível: Antecipar atividades e organizar horários ajuda a reduzir a sobrecarga cognitiva e traz segurança.
  • Respeitar os limites sensoriais: O uso de ferramentas como fones com cancelamento de ruído e a criação de "pausas sensoriais" em ambientes silenciosos são essenciais para evitar o esgotamento.
  • Dividir responsabilidades: Não tentar assumir tudo sozinha é uma forma de preservação da saúde mental e da relação com os filhos.
  • Comunicação clara: Expressar as necessidades para a rede de apoio (parceiro, familiares e amigos) é fundamental para que a mãe seja compreendida em suas particularidades. 

Segundo o Dr. Trilico, a rede de apoio desempenha um papel vital ao aprender a identificar os sinais silenciosos de sobrecarga. Parceiros e familiares devem estar atentos a comportamentos como o aumento da irritabilidade sem motivo aparente, o fechamento dos olhos em ambientes barulhentos, a recusa súbita ao toque ou a necessidade urgente de se retirar para um local escuro. Identificar esses sinais precocemente permite que a rede intervenha, assumindo as demandas imediatas e oferecendo à mãe o tempo de recuperação necessário antes que ela atinja o limite do esgotamento.


Uma nova forma de maternar

“Não existe uma única forma de maternar. Quando essa mulher se entende e respeita sua neurodivergência, ela encontra o seu próprio jeito, muitas vezes mais sensível, consciente e profundamente conectado com as necessidades do filho”, finaliza o Dr. Matheus Trilico. 

  

Dr. Matheus Luis Castelan Trilico - CRM 35805PR, RQE 24818. Médico pela Faculdade Estadual de Medicina de Marília (FAMEMA); Neurologista com residência médica pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR); Mestre em Medicina Interna e Ciências da Saúde pelo HC-UFPR. Pós-graduação em Transtorno do Espectro Autista. Mais artigos sobre TEA e TDAH em adultos podem ser vistos no portal do neurologista: https://blog.matheustriliconeurologia.com.br/


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