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sábado, 11 de julho de 2026

Férias e a sobrecarga das mães: chegou a hora de baixar a régua

As férias escolares costumam despertar imagens bonitas: dias leves, passeios em família, tempo de qualidade e oportunidades de construir memórias afetivas. Mas existe uma realidade menos visível que também chega junto com o recesso escolar, especialmente para as mães.

Quando a rotina dos filhos muda, afeta diretamente o tempo materno. Conciliar trabalho ou atividades pessoais com os filhos em casa se torna ainda mais desafiador. Segundo pesquisa da B2Mamy em parceria com a Kiddle Pass, nove em cada dez mães brasileiras apresentam algum grau de esgotamento mental relacionado à maternidade.

Nesse cenário, é importante olhar para as férias não apenas como um período de descanso das crianças. Mas também como uma época em que o trabalho invisível da carga mental materna tende a aumentar: organizar horários, alimentação, compromissos, orçamento e o bem-estar de todos ao mesmo tempo.

A seguir, confira oito práticas para atravessar as férias escolares com menos autocobrança e mais leveza.


  1. Troque a perfeição pelo possível

As férias costumam vir acompanhadas da expectativa de criar momentos inesquecíveis para os filhos. Mas memórias afetivas não dependem de uma agenda impecável. Trocar a busca pela perfeição pelo que é possível reduz a culpa e abre espaço para mais conexão e presença.


  1. Valorize os momentos simples

Nem toda lembrança marcante nasce de um grande passeio. Uma tarde de jogos, uma receita preparada juntos, uma caminhada ou uma conversa sem pressa podem gerar tanta conexão quanto atividades planejadas com antecedência. A felicidade familiar costuma morar na qualidade dos encontros.


  1. Não tente preencher cada minuto das crianças

Muitas mães sentem a responsabilidade de manter os filhos entretidos o tempo todo durante as férias. Mas a quietude tem seu valor, assim como o movimento. É fundamental que a criança tenha tempo, sem ansiedade ou agenda lotada. É isso que permite interiorização, criatividade e autonomia.


  1. Cuide da sua energia, não apenas da agenda

Em geral, as mães se preocupam em organizar a agenda com todas as atividades. Mas qualidade é mais importante do que quantidade. Férias saudáveis precisam levar em conta o bem-estar de todos os envolvidos. Cuidar da própria energia é uma forma de nutrir um clima familiar benéfico.


  1. Peça ajuda antes de chegar ao limite

As férias ampliam demandas práticas e emocionais. Por isso, esperar o esgotamento chegar para só então pedir ajuda raramente funciona. Sempre que possível, dividir responsabilidades, acionar a rede de apoio e criar combinados pode reduzir a sensação de sobrecarga.


  1. Delegue e incentive a colaboração

As férias podem ser uma excelente oportunidade para ampliar a participação das crianças na rotina da casa. Guardar brinquedos, ajudar na organização dos espaços ou colaborar com pequenas tarefas favorece autonomia, senso de pertencimento e compartilha as responsabilidades.


  1. Lembre-se de quem você é além de mãe

Durante o período de férias, muitas mulheres acabam totalmente absorvidas pelas demandas dos filhos. No entanto, cuidar de atividades, interesses e necessidades pessoais ajuda a preservar a saúde mental e o equilíbrio emocional. Mãe não é apenas mãe.  


  1. Faça pausas sem culpa

Reservar alguns minutos para descansar, caminhar, ler, encontrar as amigas, fazer uma aula de yoga ou simplesmente respirar não é egoísmo. É uma necessidade do sistema nervoso para regular corpo e mente. Pausar é fundamental para a saúde mental.

 

 Deborah Dubner - psicóloga e escritora, autora de sete livros sobre autoconsciência, evolução pessoal e Psicologia, com uma boa dose de poesia. Palestrante TEDx, especialista em Neurociência e Psicologia Positiva, é também graduada em Ciência da Felicidade e professora de pós-graduação em Motivação e Resiliência.

 

 

Desconectar para conviver: como reduzir o tempo de tela nas férias

As férias escolares, que deveriam representar um período de descanso, descobertas e convivência familiar, vêm se transformando em uma maratona de telas para muitas crianças.  

Sem a rotina da escola e diante da dificuldade de conciliar trabalho e cuidados com os filhos, pais e responsáveis recorrem a celulares, tablets e televisores como uma solução prática para preencher o tempo livre. O problema é que essa dependência crescente pode ter impactos importantes no desenvolvimento infantil. 

Diversos estudos associam o excesso de exposição aos dispositivos digitais a prejuízos na linguagem, na atenção, na qualidade do sono e na interação social, especialmente nos primeiros anos de vida. A Organização Mundial da Saúde recomenda que crianças pequenas tenham o momento sedentário diante de telas bastante limitado e destaca a importância de atividades físicas, brincadeiras e interações reais para um desenvolvimento saudável. 

No entanto, a solução não está em simplesmente proibir os eletrônicos. Retirar o tablet sem oferecer alternativas costuma gerar conflito e frustração. A questão central é substituir o período de conexão por experiências mais significativas. 

As férias são uma oportunidade valiosa para isso. Criar uma agenda de possibilidades como viagens em família ou, mesmo se não conseguir pausar o trabalho, elaborar uma programação que as motive, fortalecem vínculos humanos, boa convivência e bem-estar emocional.  

Brincadeiras e esportes ao ar livre, dia da culinária, do cinema, da montagem de brinquedos a partir do reaproveitamento de materiais, dos passeios culturais, do piquenique no parque, da leitura, jogos de tabuleiro, práticas artísticas e até a participação em tarefas domésticas estimulam o entusiasmo, a criatividade, a autonomia e habilidades socioemocionais. São experiências que nenhum algoritmo consegue reproduzir. 

Outro ponto fundamental é o exemplo dos adultos. É difícil convencer uma criança a largar o celular quando os próprios pais passam grande parte do dia conectados. O uso saudável da tecnologia começa dentro de casa, com regras claras para toda a família e momentos de convivência livres de dispositivos. 

Também é importante abandonar a ideia de que a tecnologia é a vilã da história. A Academia Americana de Pediatria tem enfatizado que a qualidade do uso importa tanto quanto a quantidade. O desafio não é eliminar as telas, mas equilibrá-las com atividades que promovam aprendizado, movimento, gerem memórias afetivas a partir do contato com o mundo real. 

A infância é um período curto demais para ser vivida apenas no campo virtual. Ao final das férias, dificilmente uma criança lembrará das horas gastas assistindo vídeos ou deslizando o dedo no celular. Mas ela certamente guardará na memória a diversão em família, o passeio de bicicleta, a cabana montada na sala, o cineminha feito em casa com pipoca, a receita preparada em família, a descoberta de um novo mundo dentro de um livro, ou a aventura na natureza. 

É importante destacar que o estudo pessoal não deve ser esquecido. Antes de voltar às aulas, é bom realizar uma revisão, praticar exercícios e algumas leituras para ativar a mente e prepará-la para o retorno escolar. 

Acredito que o maior desafio das férias escolares não seja ocupar o tempo das crianças: o essencial é ajudá-las a redescobrir que a vida acontece muito além do ambiente digital, com criatividade e vivências especiais. Enquanto isso, nós, adultos, reaprendemos a ser mais presentes também. 


Silmara Casadei - doutora em Educação, psicanalista e escritora, autora de O Pequeno Mundo Criativo. 


Você sabe diferenciar tristeza de depressão?

Tristeza ou depressão? Psiquiatra explica quando é hora de procurar ajuda 

 

A tristeza faz parte da vida. Todos nós passamos por momentos difíceis, como perdas, decepções ou mudanças, e sentir tristeza nessas situações é uma resposta natural. A depressão, no entanto, é uma doença que vai muito além desse sentimento. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 280 milhões de pessoas vivem com depressão em todo o mundo, tornando esse transtorno uma das principais causas de incapacidade.

 

A doença pode atingir qualquer pessoa, independentemente da idade, profissão ou condição social. Personalidades como o príncipe Harry, a cantora Lady Gaga, o ator Dwayne "The Rock" Johnson, o humorista Whindersson Nunes e a cantora Paula Fernandes já falaram publicamente sobre a luta contra a depressão, contribuindo para reduzir o preconceito e incentivar outras pessoas a buscarem ajuda.

 

O médico psiquiatra Pedro Borges, do Instituto Maria Modesto, referência em cuidados relacionados à saúde mental no Triângulo Mineiro, esclarece as principais diferenças entre tristeza e depressão e explica quando é necessário procurar ajuda especializada.

 

Como diferenciar uma tristeza normal, que faz parte da vida, de um quadro de depressão? 

Pedro Borges: A tristeza costuma estar ligada a um acontecimento específico e, mesmo sendo dolorosa, tende a diminuir com o tempo. A pessoa continua conseguindo encontrar momentos de alegria e mantém, ainda que com dificuldade, suas atividades diárias.

 

Já a depressão é um transtorno que persiste por semanas ou meses e interfere significativamente na rotina. Além da tristeza intensa, é comum haver perda do interesse por atividades que antes davam prazer, alterações no sono e no apetite, cansaço constante, dificuldade de concentração, sensação de inutilidade, culpa excessiva e desesperança.

Muitas pessoas acreditam que basta "reagir" ou "pensar positivo", mas isso não corresponde à realidade. A depressão é uma doença que envolve fatores biológicos, psicológicos e sociais e deve ser tratada como qualquer outro problema de saúde.

 

Quais sinais indicam que é hora de procurar ajuda profissional, em vez de apenas esperar que a situação passe? 

Pedro Borges: Quando os sintomas começam a comprometer a rotina, o trabalho, os estudos, os relacionamentos ou os cuidados pessoais, é hora de procurar ajuda. Também é importante buscar avaliação médica quando a tristeza persiste por mais de duas semanas, há perda de interesse pela vida, isolamento social, crises frequentes de choro, alterações importantes no sono ou na alimentação, irritabilidade constante, dificuldade para tomar decisões ou pensamentos relacionados à morte.

 

Infelizmente, muitas pessoas chegam ao consultório apenas quando a doença já está em estágio mais avançado. Quanto mais cedo iniciamos o tratamento, maiores são as chances de recuperação e menor é o impacto na qualidade de vida.

 

A depressão tem tratamento? Como o acompanhamento psiquiátrico pode ajudar na recuperação e na qualidade de vida do paciente? 

Pedro Borges: Sim. A depressão tem tratamento, e a grande maioria das pessoas apresenta melhora quando recebe o acompanhamento adequado. O tratamento pode incluir psicoterapia, medicamentos antidepressivos, quando indicados, e mudanças no estilo de vida, como a prática regular de atividade física, melhora da qualidade do sono e fortalecimento da rede de apoio.

 

O psiquiatra avalia cada caso de forma individual, identifica a gravidade dos sintomas e define a melhor estratégia terapêutica. O acompanhamento contínuo também é fundamental para monitorar a evolução do paciente, ajustar o tratamento quando necessário e prevenir recaídas.

 

Procurar um psiquiatra não significa fraqueza, mas reconhecer que a saúde mental merece o mesmo cuidado que a saúde física.

 

Sentir tristeza em alguns momentos é natural. Mas, quando os sintomas persistem, afetam a rotina e comprometem o bem-estar, procurar ajuda é um ato de cuidado consigo mesmo. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado fazem toda a diferença. Falar sobre depressão, combater o preconceito e incentivar a busca por ajuda pode salvar vidas.

 

Referência em saúde mental com foco no cuidado contínuo 

Com 93 anos de atuação em Uberaba e região, o Instituto Maria Modesto (IMM) é referência em tratamento psiquiátrico no interior de Minas Gerais. Atualmente, é o único estabelecimento de saúde do interior do estado habilitado pelo SUS para internação psiquiátrica integral, atendendo pacientes de mais de 80 municípios.

 

Ao longo dos anos, a instituição tem ampliado as formas de cuidado em saúde mental, acompanhando a evolução dos modelos assistenciais e fortalecendo estratégias voltadas à reinserção social dos pacientes. Nesse contexto, implantou um ambulatório psiquiátrico que possibilita acompanhamento especializado sem necessidade de internação, permitindo que o paciente mantenha seus vínculos familiares, sociais e comunitários durante o tratamento.

 

O serviço de internação é destinado a pacientes com indicação de hospitalização psiquiátrica, especialmente em situações de crise grave, risco à própria vida ou à de terceiros, além de casos que exigem suporte intensivo em razão de transtornos psiquiátricos descompensados.

 

Além da assistência médica e de enfermagem, o Instituto oferece diariamente terapia ocupacional, atividades de educação física, grupos de aconselhamento psicológico, grupos voltados aos direitos humanos e sociais e ações de preparação para a alta hospitalar. 


"A saúde mental se constrói com respeito, acolhimento e informação. Procurar ajuda é um passo fundamental, e ampliar esse diálogo também faz parte do cuidado", finaliza o psiquiatra.



Férias de inverno desafiam famílias a equilibrar tempo de tela e experiências fora do mundo digital

Especialista orienta sobre como aproveitar o recesso escolar para fortalecer vínculos e estimular a criatividade 


Depois de um semestre marcado por aprendizados, desafios e uma rotina intensa, as férias escolares costumam significar mais tempo livre para as crianças, o que muitas vezes se traduz em um aumento no tempo dedicado às telas. Celulares, tablets, videogames e televisão passam a ocupar parte da rotina durante o recesso, muitas vezes acima do recomendado por especialistas. 

Um levantamento da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, realizado em parceria com o Datafolha no ano passado, mostra o quanto as telas já fazem parte da infância. A pesquisa Panorama da Primeira Infância: O que o Brasil sabe, vive e pensa sobre os primeiros seis anos de vida aponta que 78% das crianças de 0 a 3 anos utilizam esses dispositivos diariamente. Entre as de 4 a 6 anos, esse percentual chega a 94%. 

O cenário contrasta com as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria, que orienta que crianças de até 2 anos não tenham contato com telas. Entre 2 e 5 anos, o tempo deve ser limitado a até uma hora diária e, dos 6 aos 10 anos, a no máximo duas horas por dia. 

Para a coordenadora do Ensino Fundamental I do Colégio Anchieta, de Porto Alegre, Tatiane Ayala, as férias representam uma oportunidade para as famílias repensarem hábitos e encontrarem um equilíbrio saudável entre o uso da tecnologia e momentos de convivência. 

"O universo digital faz parte da vida das crianças e oferece possibilidades importantes de entretenimento e aprendizagem. O desafio não é eliminá-lo da rotina, mas garantir que ocupe um espaço equilibrado, sem substituir experiências que fortalecem vínculos e favorecem o desenvolvimento infantil", afirma. 

Segundo a educadora, experiências simples do cotidiano são capazes de proporcionar aprendizagens tão significativas quanto atividades estruturadas. Brincar ao ar livre, preparar uma receita em família, montar um quebra-cabeça, desenhar, ler um livro, visitar um museu, caminhar em um parque ou conversar com pessoas próximas estimulam criatividade, imaginação, autonomia, linguagem e habilidades de convivência. 

Tatiane ressalta que nem sempre é preciso viajar ou investir em passeios para que o período seja marcante. "Muitas das lembranças afetivas da infância nascem dentro de casa. Uma tarde de jogos, uma cabana feita com lençóis, um chocolate quente em um dia frio ou uma visita aos avós costumam permanecer na memória por muitos anos. O que faz diferença é a qualidade da presença dos adultos." 

Para crianças entre 6 e 11 anos, essa convivência é importante para o amadurecimento emocional. De acordo com a coordenadora, alguns minutos de atenção exclusiva, com escuta, brincadeira e interação verdadeira, podem ser mais significativos do que horas compartilhando o mesmo ambiente enquanto cada um permanece concentrado na própria tela. 

Outro aspecto valorizado pela especialista é permitir que exista espaço para o chamado "ócio criativo". "Nem todo momento precisa ser planejado. Quando experimentam um pouco de tédio, as crianças inventam brincadeiras, criam histórias, exploram materiais e descobrem interesses que dificilmente apareceriam em uma rotina completamente preenchida." 

O recesso também pode ser um bom momento para estabelecer novos combinados sobre o uso da tecnologia. Definir horários para celulares, videogames e televisão, alternando atividades online e offline e envolvendo as crianças nessas decisões, contribui para o desenvolvimento da autonomia e da responsabilidade. "Mais do que controlar, trata-se de educar para o equilíbrio", destaca Tatiane. 

As férias também fazem parte de um processo educativo, ao favorecer momentos de descanso, contemplação, convivência e cuidado consigo, com a família e com a natureza. "Provavelmente as crianças não vão se lembrar de todos os vídeos que assistiram durante o recesso, mas dificilmente esquecerão a caminhada em uma manhã fria, o bolo preparado em família ou a brincadeira inventada na sala de casa. São essas experiências que fortalecem vínculos e constroem memórias afetivas para toda a vida", conclui Tatiane.

 

Brincar é crescer: O papel do brincar no desenvolvimento da criança


Brincar é uma atividade essencial na infância e vai muito além do simples entretenimento. É através da brincadeira que a criança aprende a compreender o mundo, a expressar as suas emoções e a relacionar-se com os outros. Brincar constitui um contexto privilegiado para o desenvolvimento cognitivo, emocional, social e motor. 

No plano emocional, o brincar permite que a criança exteriorize sentimentos que ainda não sabe colocar em palavras. Medos, alegrias, inseguranças e desejos surgem naturalmente nas brincadeiras, ajudando-a a desenvolver a autorregulação e o equilíbrio emocional. A brincadeira simbólica, em particular, possibilita que a criança represente experiências, elabore conflitos internos e atribua significado às vivências do seu cotidiano. 

No plano social, brincar com outras crianças ensina competências fundamentais como partilhar, cooperar, respeitar regras e lidar com frustrações. Promove ainda o desenvolvimento da empatia, da comunicação, da resolução de conflitos e da capacidade de negociação, competências essenciais para a construção de relações saudáveis e para uma adaptação positiva aos diferentes contextos sociais, como a família e a escola. 

Num contexto cada vez mais digital, o tempo de brincar ao ar livre tem diminuído. No entanto, é precisamente neste tipo de brincadeira espontânea que a criança desenvolve criatividade, autonomia, competências sociais reais e competências motoras, através da exploração do ambiente e da interação com os seus pares. O principal desafio reside no equilíbrio entre o tempo de ecrã e as oportunidades de brincadeira livre, ativa e presencial. 

O papel dos adultos é fundamental. Criar tempo e espaço para brincar, sem excesso de estruturas ou distrações, permite que a criança explore a sua imaginação e aprenda de forma natural. Quando o adulto participa de forma leve e presente, respeitando a iniciativa da criança e evitando dirigir constantemente a brincadeira, o vínculo emocional fortalece-se. 

Brincar não é apenas uma atividade da infância; é um direito da criança e um dos principais pilares do seu desenvolvimento global. Através da brincadeira, desenvolvem-se competências emocionais, sociais, cognitivas, linguísticas e motoras que constituem uma base essencial para o bem-estar, a aprendizagem e a adaptação ao longo de toda a vida. 

  

Daniella Starfiel - escritora, letrista, empreendedora criativa e autora do livro infantil “O Grande Dia da Escolha”


Aromas podem influenciar memória, sono, emoções e qualidade de vida em uma sociedade que está vivendo mais

 

Sono, controle do estresse, memória, conexão social e bem-estar passaram a ocupar um espaço central nas discussões sobre envelhecimento saudável. E é nesse contexto que uma prática usada há milhares de anos vem ganhando um novo olhar científico: a aromaterapia.

Segundo Daiana Petry, aromaterapeuta, neurocientista e perfumista, os aromas não devem ser entendidos apenas como cheiros agradáveis, mas como estímulos capazes de conversar diretamente com áreas importantes do cérebro.

“O olfato é um sentido muito especial porque possui uma ligação direta com regiões cerebrais relacionadas à emoção e à memória. Um aroma pode resgatar uma lembrança antiga, mudar a percepção de um ambiente e influenciar respostas emocionais antes mesmo de termos consciência disso”, explica.
 

Como melhorar o sono para ter mais longevidade

Dormir bem é um dos pilares do envelhecimento saudável. É durante o sono que o organismo realiza processos importantes relacionados à recuperação física, equilíbrio hormonal e funcionamento cerebral.

Entre os óleos essenciais mais estudados nesse contexto está a lavanda.

Uma meta-análise publicada em 2024 na revista Medicine, envolvendo 674 idosos, identificou melhora significativa na qualidade do sono com o uso da lavanda por até quatro semanas, além da redução de sintomas depressivos.

Outra revisão científica publicada no International Journal of Nursing Studies, reunindo 30 estudos, também observou efeitos positivos relacionados ao estresse, ansiedade, fadiga, dor e qualidade do sono.

“Quando falamos de longevidade, precisamos lembrar que o cérebro envelhece melhor em um corpo que consegue descansar. O sono é uma ferramenta biológica de reparação”, destaca Daiana Petry.


Como melhorar a memória para ter mais longevidade

O impacto dos aromas sobre o estado emocional também tem despertado interesse científico.

Um estudo publicado na revista Explore acompanhou idosos que utilizaram lavanda ou camomila por 30 noites e observou redução em indicadores de ansiedade, estresse e sintomas depressivos.

Já uma pesquisa publicada na Psychogeriatrics, envolvendo idosos com demência, avaliou o uso combinado de diferentes óleos essenciais, como alecrim, limão, lavanda e laranja-doce, e identificou melhora em aspectos relacionados à orientação pessoal e desempenho cognitivo.

“Não estamos falando de substituir tratamentos ou prometer cura. Estamos falando de criar estímulos positivos para o cérebro e de usar os sentidos como aliados do cuidado”, reforça a neurocientista.
 

O ambiente influencia na longevidade

Para Daiana Petry, um dos grandes aprendizados da nova longevidade é entender que saúde não está relacionada apenas à ausência de doenças.

O ambiente, as emoções e as experiências também fazem parte desse processo.

“Um cheiro pode trazer conforto, sensação de segurança e conexão com a própria história. Envelhecer bem também é continuar criando memórias, vivendo experiências e mantendo o cérebro estimulado”, afirma.

Em uma sociedade que está aprendendo a viver mais, a aromaterapia surge não como uma solução isolada, mas como uma peça dentro de um conceito maior de cuidado.

“Não existe um único segredo da longevidade. Existe um conjunto de escolhas diárias. E os aromas podem fazer parte dessa construção de uma vida mais equilibrada e com mais significado”, finaliza.


Daiana Petry @daianagpetry - Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia. Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial. Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
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Férias para os filhos, estresse para os pais: como enfrentar os desafios da rotina durante o recesso escolar Especialistas orientam como equilibrar trabalho, rotina, descanso e convivência nesse período

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As férias escolares são aguardadas com ansiedade pelas crianças, que veem no período uma oportunidade para descansar, brincar e passar mais tempo com a família. Para pais, mães e responsáveis, porém, o recesso costuma trazer desafios que vão muito além do planejamento de passeios e atividades. 

A mudança na rotina da casa, a necessidade de conciliar trabalho e cuidados com os filhos e a expectativa de proporcionar momentos especiais podem tornar as férias em uma fonte de estresse. Mas segundo especialistas, com organização e diálogo, é possível transformar esse período em uma oportunidade de convivência, desenvolvimento e fortalecimento dos vínculos familiares.
 

Rotina muda nas férias (e isso é normal) 

Um dos primeiros impactos das férias escolares acontece na rotina familiar. Sem os horários fixos das aulas, as crianças passam mais tempo em casa, alterando hábitos relacionados ao sono, alimentação, lazer e uso de telas. Contudo, é recomendável manter algumas referências ao longo do dia. 

“Férias não precisam seguir a mesma estrutura do período letivo, mas manter alguns combinados contribui para o bem-estar das crianças e facilita a organização da casa. Horários minimamente organizados para refeições, descanso e atividades ajudam as crianças a se sentirem mais seguras e previsíveis em relação ao que vai acontecer ao longo do dia, reduzindo a ansiedade e evitando conflitos”, opina Carla Litrenta, psicopedagoga e educadora parental da Escola Internacional de Alphaville - EIA, de Barueri (SP). 

Para os pais e responsáveis, essa organização também facilita a gestão das tarefas diárias, o equilíbrio entre trabalho e vida familiar e a definição de limites de forma mais clara. “Manter uma estrutura que favoreça o bem-estar de todos, com expectativas alinhadas, tende a proporcionar um período de férias que se torna mais agradável e harmonioso para toda a família”, acrescenta.
 

Nem sempre dá para tirar férias com os filhos 

Outro desafio comum é que o calendário escolar nem sempre coincide com a disponibilidade dos adultos. Enquanto as crianças ficam várias semanas sem aulas, pais e responsáveis continuam trabalhando normalmente – e a sensação de culpa aparece. 

"Muitos pais e responsáveis se sentem culpados por não conseguirem estar com os filhos durante todo o período de férias, especialmente quando precisam continuar trabalhando. Mas as crianças se beneficiam muito mais de momentos de presença verdadeira, em que se sentem ouvidas e acolhidas, do que de uma agenda repleta de atividades ou da companhia constante dos responsáveis. O mais importante é que elas percebam que fazem parte das prioridades da família", afirma Alessandra Mafra Ribeiro, psicóloga e school counselor da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP). 

Nesse contexto, familiares, colônias de férias, cursos de curta duração e atividades recreativas podem ajudar a preencher parte do tempo das crianças de forma segura e estimulante. “Mais importante do que ocupar cada hora do dia é garantir que elas tenham oportunidades de brincar, explorar interesses e conviver com outras pessoas”, diz Alessandra.
 

Alinhe expectativas sobre as férias 

Algumas famílias iniciam as férias escolares imaginando semanas repletas de viagens, passeios e atividades especiais - expectativa muitas vezes alimentada pela publicidade e pelas redes sociais. Quando a rotina da família não corresponde a esse cenário idealizado, é comum surgirem frustrações tanto para os adultos quanto para as crianças. 

O diálogo é fundamental: conversar sobre o que será possível fazer, quais são os compromissos da família e como cada um imagina aproveitar o período ajuda a alinhar expectativas e evitar conflitos. “Também é importante compreender que férias não precisam ser preenchidas por uma programação intensa o tempo todo. O ócio, quando vivido de forma saudável, tem papel importante no desenvolvimento infantil, estimulando a criatividade, a autonomia e a capacidade de encontrar formas próprias de brincar e se divertir”, diz Marcelo Freitas, psicólogo e orientador educacional do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP). 

Além disso, momentos simples podem ser tão significativos quanto grandes eventos. Brincadeiras em casa, cozinhar juntos, visitar parentes, fazer caminhadas, ler um livro ou simplesmente passar mais tempo em família são experiências que fortalecem vínculos, promovem o bem-estar e criam memórias afetivas duradouras. “Férias bem aproveitadas não são necessariamente aquelas que rendem as melhores fotos, mas as que proporcionam momentos genuínos de convivência e descanso para todos”, acrescenta Freitas.
 

Responsáveis também precisam de férias 

Em meio à preocupação com o bem-estar das crianças, muitos pais e responsáveis acabam deixando suas próprias necessidades em segundo plano. No entanto, o descanso dos adultos também deve fazer parte do planejamento das férias. Afinal, quando os responsáveis estão mais descansados e emocionalmente disponíveis, toda a dinâmica familiar tende a se beneficiar. 

“Mesmo quando não é possível viajar ou se ausentar do trabalho, reservar momentos para atividades prazerosas, autocuidado e descanso pode contribuir para reduzir o estresse e melhorar a convivência em casa. Isso inclui desde praticar um hobby até simplesmente ter um tempo para relaxar sem a obrigação de cumprir uma agenda cheia de compromissos”, diz Juliana Campagnoli, orientadora educacional do colégio Progresso Bilíngue de Campinas (SP). 

Para os casais, o período também pode ser uma oportunidade para fortalecer a relação. É comum que toda a energia da família seja direcionada às necessidades dos filhos, mas a qualidade da convivência entre os cônjuges também merece atenção. “Reservar alguns momentos para conversas, passeios ou atividades a dois ajuda a fortalecer os vínculos afetivos e contribui para um ambiente familiar mais equilibrado. Cuidar da relação do casal não significa dedicar menos atenção às crianças, mas reconhecer que o bem-estar da família passa também pela saúde emocional dos responsáveis” finaliza Juliana. 




Alessandra Mafra Ribeiro - psicóloga, formada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mestre em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (USP) e pela University of British Columbia (UBC). Atua desde 2016 no desenvolvimento e na implementação de programas voltados à promoção de competências socioemocionais em contextos educacionais. Nos últimos 6 anos, tem trabalhado com jovens e adultos com foco em desenvolvimento pessoal, escolhas acadêmicas e processos de candidatura para universidades no exterior. Atualmente, atua como School Counselor na Escola Aubrick, integrando orientação educacional e aconselhamento acadêmico em sua prática profissional.

Carla Litrenta Todaro - pedagoga, educadora parental e pós-graduada em “Psicologia Positiva: Ciência do Bem-Estar e da Autorrealização” e em “Bullying, Violência e Discriminação na Escola”. Iniciou sua carreira há quase 30 anos como professora de alfabetização nas séries iniciais, trilhando seu caminho no mundo da educação. Estudiosa das relações e do desenvolvimento humano, atualmente é coordenadora de relacionamentos da Escola Internacional de Alphaville.

Juliana Campagnoli - graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com pós-graduação em Alfabetização, Educação Bilíngue e Educação Infantil. Tem ampla experiência na educação básica, atuando há 10 anos como docente em diferentes séries da Educação Infantil e Ensino Fundamental I. É Orientadora Educacional do Year 2 ao Year 5, função em que parte do acolhimento individual para a promoção do desenvolvimento coletivo das turmas, amadurecimento e crescimento acadêmico, sempre em diálogo com as famílias e professores.

Marcelo Tucci de Freitas - psicólogo clínico TCC, com especialização em adolescência; pedagogo; possui MBA em Gestão Educacional, e atualmente é orientador educacional do Ensino Fundamental Anos Finais no Brazilian International School - BIS. Com mais de 30 anos de experiência na área educacional atuou em diversas instituições de ensino básico e superior, na coordenação pedagógica e como docente de Psicologia e Ética.


International Schools Partnership (ISP)
www.unifran.edu.br


Férias escolares desafiam os pais, que precisam reinventar a rotina para manter os treinos em dia

 Mudança de horários costuma impactar a prática de atividade física dos adultos, e, especialista explica por que adaptar os horários e contar com uma academia estruturada faz diferença 

 

Julho é um dos meses de maior movimentação turística do país e, para muitas famílias, também representa uma mudança completa na rotina. Levantamento da plataforma Airbnb em parceria com a MindMiners mostra que 73% dos brasileiros que pretendem viajar durante as férias escolares escolheram destinos nacionais. Desse total, 45% planejam visitar outro estado, enquanto 28% devem viajar dentro do próprio estado. 

A alta temporada também movimenta o setor aéreo. Dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) apontam aumento da oferta de voos domésticos durante o período, refletindo o crescimento da circulação de passageiros pelo país.  

Mas, entre malas prontas, passeios e uma agenda completamente diferente da habitual, um compromisso costuma ficar para depois: a prática regular de atividade física. 

Segundo Leandro Twin, BlueFit, o maior erro é acreditar que, se não for possível manter exatamente a mesma rotina, o melhor é interromper completamente os treinos. 

"Muita gente pensa que, se não conseguir fazer o treino completo ou no mesmo horário de sempre, não vale a pena ir. Mas não é assim. Durante as férias, a rotina muda e o treino também pode mudar. O importante é manter o hábito, mesmo que seja treinando menos tempo ou em horários diferentes”, alerta.  

Adaptar é mais importante do que parar, se durante o período letivo muitos pais conseguem encaixar o treino enquanto os filhos estão na escola, nas férias a estratégia costuma ser diferente. Treinar logo no início da manhã, antes de a casa despertar, ou no período da noite, quando as crianças já encerraram as atividades do dia, pode ser uma forma de manter a regularidade sem abrir mão do tempo em família. 

Para quem viaja, em vez de interromper totalmente os exercícios durante uma ou duas semanas, vale adaptar o treino ao destino e à programação das férias. Viajar não significa necessariamente ficar parado. Um treino mais curto, duas ou três vezes na semana, já ajuda a preservar o condicionamento e, principalmente, o hábito. Isso faz toda a diferença quando a rotina volta ao normal.  

A possibilidade de continuar treinando mesmo longe de casa ajuda a manter a constância na rotina de exercícios. Com mais de 200 unidades distribuídas em diferentes estados do país, a BlueFit permite que os alunos encontrem uma academia tanto na cidade onde moram quanto durante viagens de férias, podendo aproveitar a estrutura da rede por meio de planos que oferecem essa comodidade de treinar em qualquer unidade da rede.  

A rede também conta com horários estendidos, algumas unidades funcionam 24 horas,  além de ampla oferta de equipamentos, diferentes modalidades e vestiários completos, características que facilitam a adaptação da rotina sem abrir mão da atividade física. 

Quando o tempo é contado em minutos, a praticidade também pesa na decisão de conseguir,  ou não, encaixar um treino na agenda. Para quem precisa conciliar trabalho, filhos e compromissos familiares, cada minuto faz diferença. Nesses casos, fatores como boa disponibilidade de aparelhos, horários amplos de funcionamento e uma estrutura que permita otimizar o tempo tornam a experiência mais eficiente. 

Uma academia com maior quantidade de equipamentos reduz o tempo de espera por revezamentos, enquanto vestiários completos permitem que o aluno saia direto para o trabalho, um compromisso ou até mesmo para buscar os filhos em atividades de férias. 

As mudanças de rotina não afetam apenas os adultos. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), o comportamento sedentário entre crianças e adolescentes já é elevado e tende a aumentar nos períodos em que há menos atividades estruturadas, como as férias escolares. 

Esse cenário pode ser encarado como uma oportunidade para toda a família incorporar hábitos mais ativos. Os filhos observam muito mais o comportamento dos pais do que aquilo que eles dizem. Quando a atividade física continua fazendo parte da rotina, mesmo durante as férias, a mensagem que fica é que cuidar da saúde não depende de um momento específico do ano.  

Além dos benefícios físicos, manter uma rotina de exercícios contribui para reduzir os níveis de estresse, melhorar o humor, a qualidade do sono e a disposição, aspectos importantes para pais que precisam equilibrar trabalho, viagens, cuidados com os filhos e as demandas do dia a dia. 

"Nas férias, talvez o treino dure quarenta minutos em vez de uma hora. Talvez aconteça em outro horário ou até em outra cidade. O importante é entender que não existe treino perfeito, existe constância. Quem mantém o hábito volta à rotina muito mais preparado quando as aulas recomeçam", conclui Twin.

 

Copa, apostas e compulsão: quando a diversão deixa de ser saudável?

A emoção de acompanhar uma partida, torcer pelo time do coração e vibrar com cada lance faz parte da cultura esportiva e pode trazer momentos de lazer, integração e entretenimento. No entanto, em períodos de grandes competições esportivas, como a Copa do Mundo, cresce também um comportamento que merece atenção: o aumento das apostas esportivas e, em alguns casos, o desenvolvimento da compulsão por jogos.

Segundo a psiquiatra Dra. Maria Fernanda Caliani, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e transtornos relacionados aos impulsos, é importante diferenciar uma atividade recreativa de um comportamento que passa a comprometer a saúde mental e a qualidade de vida.

"Nem toda pessoa que aposta desenvolverá uma compulsão ou transtorno do jogo patológico. O problema surge quando a atividade deixa de ser uma forma de entretenimento e passa a ocupar um espaço excessivo nos pensamentos, nas emoções e nas decisões financeiras da pessoa", explica.

Nos últimos anos, a popularização das plataformas digitais tornou os jogos de azar e as apostas esportivas muito mais acessíveis. Com poucos cliques, é possível apostar em resultados, placares, cartões, escanteios e inúmeras outras variáveis de uma partida. Para algumas pessoas, esse acesso facilitado pode aumentar o risco de comportamentos compulsivos.

"A facilidade de apostar a qualquer hora, pelo celular, associada à promessa de ganhos rápidos, pode funcionar como um gatilho importante para pessoas mais vulneráveis à impulsividade e aos comportamentos compulsivos", alerta a especialista.

Entre os principais sinais de alerta estão a preocupação constante com apostas, o aumento progressivo dos valores investidos, as tentativas frequentes de recuperar perdas, a necessidade de esconder o comportamento da família e o comprometimento das finanças pessoais.

"Um dos sinais mais comuns é quando a pessoa passa a acreditar que conseguirá recuperar tudo o que perdeu com uma nova aposta. Esse pensamento cria um ciclo perigoso, porque cada prejuízo gera uma nova tentativa de compensação, aumentando ainda mais as perdas", afirma Dra. Maria Fernanda.

A compulsão por jogos, conhecida na Psiquiatria como transtorno do jogo, é uma condição reconhecida e pode causar impactos significativos na vida pessoal, profissional, familiar e financeira. Muitas vezes, o problema vem acompanhado de sintomas como ansiedade, irritabilidade, culpa, vergonha, alterações do sono e até quadros depressivos.

A família costuma ser uma das primeiras a perceber que algo está errado. Mudanças bruscas de comportamento, mentiras frequentes, isolamento social, dificuldades financeiras sem explicação clara e preocupação excessiva com resultados esportivos podem indicar que a situação exige atenção.

"Nesses casos, o acolhimento é fundamental. Críticas, julgamentos e confrontos agressivos costumam aumentar o sofrimento e a resistência da pessoa. O ideal é estimular o diálogo e incentivar a busca por ajuda especializada", orienta.

A psiquiatra ressalta ainda que é possível apreciar o esporte de forma saudável, sem transformar as apostas no centro da experiência.

"O esporte promove convivência, emoção, entretenimento e conexão entre as pessoas. Quando a atenção deixa de estar no jogo e passa a estar exclusivamente na aposta, é importante refletir sobre o que está acontecendo e observar se existem sinais de perda de controle", destaca.

Entre as recomendações para manter uma relação saudável com as apostas estão estabelecer limites financeiros rígidos, nunca utilizar dinheiro destinado a despesas essenciais, evitar apostar para compensar prejuízos anteriores e buscar ajuda profissional ao perceber dificuldade para interromper o comportamento.

"Reconhecer que existe um problema não é sinal de fraqueza. Pelo contrário. É um passo importante para recuperar o controle, preservar a saúde mental e reconstruir relações que podem estar sendo afetadas pela compulsão", conclui Dra. Maria Fernanda Caliani.

 

 

Fonte: Dra. Maria Fernanda Caliani - Médica Psiquiatra, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e transtornos relacionados à compulsão e ao comportamento impulsivo.

Festa Junina: o que as crianças realmente levam para a vida?


Vivemos uma época em que quase tudo pode ser acessado instantaneamente: músicas, vídeos, jogos, histórias e informações. Nossos filhos crescem em um mundo onde o conteúdo está sempre disponível, sempre pronto, sempre ao alcance de um toque. Mas existe algo que não pode ser consumido sob demanda: memória afetiva. 

A memória afetiva é construída na repetição dos rituais, nos encontros que acontecem ano após ano, nas tradições compartilhadas e nos momentos que fazem a criança sentir que pertence a algo maior do que ela mesma. Em um estudo publicado na revista científica Family Process, a pesquisadora Barbara Fiese analisou 77 famílias e identificou uma relação positiva entre rituais familiares e o desenvolvimento da identidade e do sentimento de pertencimento entre adolescentes.

Quando pensamos na festa junina, é comum lembrar das bandeirinhas, das comidas típicas, das danças e das brincadeiras. Mas, para as crianças, o que fica não são apenas as imagens da celebração – o que elas realmente levam para a vida são experiências que ajudam a construir sua identidade, fortalecer vínculos e criar memórias afetivas que permanecem por muitos anos.

Quando uma criança veste uma camisa xadrez, ensaia uma dança, ajuda a preparar uma receita típica ou participa de uma celebração em comunidade, ela não está apenas se divertindo. Ela está construindo referências. Está aprendendo que existem histórias antes dela, que existe uma cultura da qual ela faz parte, que existem pessoas com quem ela compartilha memórias. 

Além da memória afetiva, a festa junina oferece algo cada vez mais valioso na infância: a experiência de fazer parte de uma comunidade. Ao ensaiar uma apresentação, compartilhar uma refeição típica, conviver com diferentes gerações e participar de uma celebração coletiva, a criança desenvolve senso de pertencimento, cooperação e conexão com suas raízes culturais. 

Anos depois, dificilmente ela lembrará de um vídeo específico que assistiu em uma tarde qualquer. Mas provavelmente lembrará do cheiro do milho cozinhando, da música tocando no salão, da expectativa para dançar com os amigos, do colo dos avós, das fotos em família e daquela sensação boa de estar junto. É assim que nascem as memórias que atravessam gerações. 

E talvez esse seja um dos maiores desafios da parentalidade atual: não apenas oferecer experiências para os nossos filhos, mas criar tradições – que não precisam ser sofisticadas – podem estar presentes em uma festa junina em família, em uma receita preparada juntos, em uma noite de histórias ou em um passeio que se repete ano após ano. 

São rituais simples, mas carregados de significado, que comunicam à criança uma mensagem poderosa: "Nós pertencemos uns aos outros". E a relevância desses momentos vai além da percepção das famílias. Uma revisão que analisou mais de 50 anos de pesquisas sobre rituais familiares mostrou que tradições e celebrações recorrentes estão associadas ao fortalecimento dos vínculos familiares, ao desenvolvimento da identidade infantil e a melhores indicadores de adaptação emocional e social das crianças. 

Porque no fim, o que fortalece os vínculos não é a quantidade de estímulos que oferecemos, mas a qualidade da presença que compartilhamos. Em um mundo cada vez mais acelerado, as crianças continuam precisando das mesmas coisas que sempre precisaram: conexão, pertencimento e histórias para lembrar. 

E talvez a verdadeira riqueza da festa junina esteja justamente aí. Ela nos lembra que algumas das experiências mais importantes da infância não são aquelas que assistimos, mas aquelas que vivemos juntos.

  

Ana Bia - especialista em educação infantil e inclusiva e desenvolvimento de experiências educacionais para crianças. Lidera a frente pedagógica da Kiddle Pass, atuando na construção da curadoria educacional, metodologias de aprendizagem ativa e experiências que unem tecnologia, criatividade e desenvolvimento infantil. É uma das principais vozes da empresa em temas relacionados à educação do futuro, infância, inclusão, aprendizagem e uso saudável das telas.

Kiddle Pass


Spray de pimenta: como o treinamento do Krav Maga pode ajudar as mulheres a usarem essa ferramenta na defesa pessoal

Criado para que qualquer pessoa, independentemente de porta físico, idade ou sexo, pudesse se defender, o Krav Maga também auxilia quem decide fazer o uso correto do spray de pimenta 


No dia 30 de junho, o Senado Federal aprovou o Projeto de Lei que autoriza a venda, aquisição e porte de spray de pimenta (aerossol de extratos vegetais) para defesa pessoal exclusiva de mulheres. O uso é liberado automaticamente a mulheres maiores de 18 anos, porém, jovens de 16 e 17 anos também poderão adquirir, mediante autorização expressa dos responsáveis legais. O texto aguarda sanção presidencial e estabelece regras claras para a utilização e a comercialização do produto. 

Grão Mestre Kobi Lichtenstein, o introdutor do Krav Maga na América Latina, explica que, como qualquer instrumento usado na defesa pessoal, o spray de pimenta também tem o seu lado positivo e negativo. Ou seja, sem o preparo para usar esse instrumento, ele pode se voltar contra você. 

“Quando nos defendemos com nosso próprio corpo, visamos os pontos sensíveis do agressor para inutilizar seu ataque. O spray não funciona assim, pois não faz o mesmo efeito em todas as pessoas e, se não for bem direcionado, pode inclusive atingir quem está usando o produto”. 

As técnicas para o uso são: distância de disparo entre 1,5 e 3 metros, dependendo do alcance do seu produto; pressão firme do spray, movimento rápido na altura do rosto do agressor, visando olhos, nariz e boca; verificação das condições do ambiente (não pode ser ambiente fechado ou com vento contrário para o spray não voltar para você); ter uma rota de fuga mapeada para o caso do agressor ainda conseguir reagir. 

“Ou seja, são muitas variáveis que podem prejudicar mais do que ajudar uma pessoa que não tenha um treinamento adequado”, conclui Grão Mestre Kobi.

 

O Krav Maga pode ajudar a usar o spray

O Krav Maga é a única arte reconhecida mundialmente como arte de defesa pessoal e não como arte marcial e por isso não há regras e nem competições, somente o objetivo de preparar os praticantes para voltarem em segurança para casa. 

As técnicas do Krav Maga são simples, rápidas e objetivas. Os movimentos buscam atingir os pontos sensíveis e vitais do corpo do agressor, como olhos, nariz, garganta, região genital, etc. Dessa maneira, eliminamos a necessidade de uso da força bruta e conseguimos igualar o forte, o fraco, o grande e o pequeno. 

Quem treina Krav Maga controla seu corpo e suas emoções, ou seja, está atento ao ambiente e aos objetos que tem disponíveis (no caso o spray de pimenta) para usar na hora da ameaça ou agressão. “Quem treina Krav Maga e vai fazer o uso do spray vai levar tudo em consideração em segundos: ter o produto disponível, verificar o ambiente, as condições de uso, o nível da ameaça – se o agressor tem armas, se a distância é favorável, enfim, todas as variáveis que possam colaborar que que sua defesa seja eficiente”, explica Grão Mestre Kobi. 

O Krav Maga também prepara o praticante para atuar em ambientes confinados ou espaços menores, em que o spray de pimenta não pode ser usado, pois contaminaria todo o espaço. “O Krav Maga tem técnicas eficientes para que, nesse tipo de situação, a mulher não fique refém do agressor por não poder usar o spray. Quem pratica o Krav Maga sabe que, esmo em espaços pequenos, mesmo com agressores maiores e mais fortes, armados ou não, é possível uma mulher se defender e voltar bem para casa”, assegura Grão Mestre Kobi. 

Outro ponto relevante é o emocional. Já casos em que, mesmo com o spray em mãos, a pessoa nervosa não conseguiu destravar ou acionar o produto, ou conseguiu, o produto não fez efeito e, ao ver que foi inútil, a pessoa de se desesperou. “O treinamento de Krav Maga prepara o aluno exatamente para esse momento, em que ele se vê frente e a frente com o agressor e parece que não há nada que possa fazer. Há sim, o Krav Maga dá a ele o prepara físico e mental para performar com segurança nessa hora”, completa Grão Mestre Kobi.


 

Krav Maga para mulheres

A violência contra a mulher continua sendo um dos mais graves desafios sociais e de segurança pública do Brasil, refletindo uma realidade marcada por agressões físicas, psicológicas, sexuais, patrimoniais e, em sua forma mais extrema, pelo feminicídio. 

Nesse cenário, de um ano para cá, cresceu em 15% a quantidade de mulheres que procuram o Krav Maga.

Grão Mestre Kobi Lichtenstein, o introdutor do Krav Maga na América Latina, entende que o Krav Maga ajuda as mulheres a mudarem sua relação com o medo e se tornarem mais autoconfiantes. “Hoje 30% de nossos alunos são mulheres”, conta. 



Krav Maga Mestre Kobi
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