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sábado, 5 de setembro de 2026

Por que precisamos falar de saúde mental na primeira infância

Especialista em infância, a psicóloga e psicanalista Denise Fleury reflete sobre o impacto das primeiras experiências afetivas e simbólicas no desenvolvimento emocional das crianças

 

Desde os primeiros anos de vida, a saúde mental das crianças é tecida nas relações que estabelecem com o outro e com o meio. Medos, perdas e lutos fazem parte do cotidiano infantil e são fundamentais para o desenvolvimento de recursos simbólicos e linguageiros. A psicanálise considera o bebê um sujeito de linguagem, cujo amadurecimento emocional depende da relação com o outro — especialmente da voz e do olhar que o invocam para o mundo. É desse vínculo que a subjetividade começa a se formar.

 

Podemos pensar na moleira, que termina de se fechar após o nascimento, como uma metáfora da maleabilidade psíquica do bebê diante do outro. Pela voz, especialmente, ele recebe o colo onde é embalado e nutrido por palavras. Aos poucos, vai sendo apresentado ao mundo que o cerca. Por isso, vínculos afetivos com familiares, professores e cuidadores funcionam como uma ancoragem, oferecendo segurança para que a criança se arrisque, explore e experimente o mundo com todos os desafios que isso implica.

 

Desconstruindo mitos sobre a infância

 

Um dos equívocos mais comuns sobre a saúde mental infantil é acreditar que o bebê nasce como uma “tábula rasa”, ideia difundida por John Locke. Mesmo no início da vida, há um sujeito de linguagem e de desejo, e reconhecer isso é essencial para compreender sua formação psíquica e emocional. Outro mito persistente é o imperativo de que a criança deve ser feliz o tempo todo. Por trás dele, esconde-se a crença de que é possível poupá-la do sofrimento. Mas a tristeza e a angústia são partes inevitáveis — e necessárias — da experiência humana. É preciso permitir que as crianças sintam, expressem e elaborem esses sentimentos.

 

A escola, nesse contexto, é um espaço fundamental de convivência e socialização, especialmente em tempos em que as relações presenciais e as brincadeiras livres se tornam cada vez mais escassas. As crianças precisam vivenciar o mundo com o corpo, em contato com outras pessoas e com o ambiente — a rua, o bairro, a natureza. O brincar e o faz-de-conta são formas de experimentação e construção de sentido. A escola, portanto, deve ser uma aliada na promoção da saúde emocional, garantindo o tempo e o espaço necessários para essas experiências.

 

A sociedade ainda não compreendeu plenamente que as experiências da primeira infância são determinantes para o desenvolvimento futuro. Investir nas relações afetivas e simbólicas dos primeiros anos é investir na saúde emocional e social de toda uma geração. É também sustentar redes de apoio que garantam continuidade e cuidado, ampliando o olhar para além do presente imediato.

 

Entre clínica e literatura

 

Na minha trajetória clínica e literária, observo com preocupação a naturalização dos diagnósticos e da medicalização na infância. O aumento de diagnósticos anda lado a lado com a redução dos espaços de convivência e do tempo de brincar. Já ouvi de um pai que retiraria o filho da escola porque lá ele “só brincava”. É urgente desconstruir essa noção: brincar é, em si, um modo de aprender, elaborar e crescer.

 

A literatura pode ser uma grande aliada nesse processo. Em Benjamin, meu livro infantil mais recente, utilizo uma narrativa poética e lúdica para tratar da ansiedade de separação — um tema universal da primeira infância. A história acompanha a relação entre mãe e filho por meio da metáfora de dois elefantes, cujas trombas se entrelaçam como símbolo do vínculo afetivo. A narrativa oferece tanto o aconchego da proximidade quanto a abertura para a separação. Histórias assim dão voz às crianças e ajudam a tratar temas delicados, como a ansiedade e o medo, de forma simbólica e acolhedora.

 

Denise Fleury - psicóloga, psicanalista, pedagoga e mestre em educação, natural de Goiânia (GO). Com uma trajetória que une a clínica psicológica à paixão pela literatura, escreve crônicas, contos e livros infantis, sempre com foco na subjetividade humana e nas relações afetivas. É autora de Senhora M e outros contos (Editora Caravana, 2024) e Quem conhece os gatos do vovô? (SemiBreve, 2022) e Benjamin (SemiBreve, 2025), com Giralda & Geraldo no prelo. Sua crônica O cortejo recebeu menção honrosa no Concurso Adélia Prado (Academia Feminina Mineira de Letras, 2019). Em 2025, foi reconhecida com o Diploma de Mérito Cultural do Prêmio Buritis, na categoria Livro, Leitura e Literatura. Também realiza rodas de conversa em escolas e Centros de Atendimento Socioeducativo de Goiás.

Skincare infantil: especialistas alertam para riscos de rotinas de beleza inspiradas nas redes sociais

Uso de ácidos, séruns e outros cosméticos voltados para adultos pode causar irritações, alergias e até impactos no desenvolvimento infantil 

 

Vídeos de crianças reproduzindo rotinas de skincare com diversas etapas têm se tornado cada vez mais comuns nas redes sociais. Séruns, máscaras faciais, esfoliantes e produtos anti-idade aparecem frequentemente em conteúdos que acumulam milhões de visualizações, despertando o interesse de crianças e pré-adolescentes. Mas até que ponto esses cuidados são realmente necessários? 

De acordo com a Dra. Andressa Meline, médica e professora da pós-graduação em Dermatologia da Afya Goiânia, a preocupação começa quando os cuidados básicos com a pele são substituídos por rotinas complexas inspiradas no universo adulto. "Muitas dessas práticas incluem ácidos, esfoliantes, séruns e ativos anti-idade que não trazem benefícios para a pele infantil e podem provocar irritação, vermelhidão, ressecamento e sensibilização. Além disso, o uso precoce e desnecessário de diversos cosméticos aumenta a exposição da criança a substâncias que podem desencadear alergias e reações adversas", explica.

Segundo a especialista, a pele infantil possui características muito diferentes da pele adulta. Mais fina e com a barreira cutânea ainda em desenvolvimento, ela é naturalmente mais sensível aos agentes químicos presentes em cosméticos. "Isso faz com que determinadas substâncias penetrem mais facilmente na pele e aumentem o risco de irritações. Além disso, a criança não possui as mesmas necessidades dermatológicas de um adulto, como prevenção do envelhecimento ou tratamento de manchas", enfatiza.

A dermatologista afirma que a literatura médica não sustenta a necessidade de rotinas elaboradas de skincare para crianças saudáveis. Pelo contrário, o excesso de produtos pode comprometer a função de proteção natural da pele. "A barreira cutânea funciona como um escudo. Quando ela é agredida por produtos inadequados, a pele perde água, torna-se mais sensível e fica mais vulnerável a irritações, alergias, inflamações e até infecções", destaca Andressa.

Além das preocupações dermatológicas, o fenômeno chama a atenção dos pediatras por seus possíveis impactos emocionais e comportamentais. Para a Dra. Isabela Pires, médica e professora da pós-graduação em Pediatria da Afya Brasília, a busca precoce por procedimentos e padrões estéticos pode contribuir para um processo conhecido como adultização infantil.

"Quando a criança passa a reproduzir comportamentos e preocupações típicas da vida adulta, existe um impacto que vai além da pele. Ela pode começar a desenvolver uma preocupação excessiva com a aparência, influenciada por conteúdos que não são direcionados à sua faixa etária. A infância deve ser uma fase voltada ao desenvolvimento saudável, às brincadeiras e à construção da autoestima, e não à busca por padrões estéticos", ressalta.

A pediatra reforça ainda a importância de os pais acompanharem o conteúdo consumido pelas crianças nas redes sociais. Segundo ela, muitos vídeos são produzidos para públicos adultos e não deixam explícito que determinados produtos não são indicados para crianças. "A criança pode acreditar que precisa utilizar os mesmos cosméticos que vê em influenciadores para ser bonita ou aceita socialmente. Esse tipo de mensagem pode gerar inseguranças e expectativas incompatíveis com a infância", alerta.

Outro ponto de atenção é a composição dos cosméticos. Embora existam produtos desenvolvidos especificamente para o público infantil, especialistas recomendam cautela com formulações que contenham fragrâncias excessivas, corantes e determinadas substâncias químicas que possam aumentar o risco de sensibilização da pele. Também é importante evitar a exposição desnecessária a compostos conhecidos como disruptores endócrinos, que podem estar presentes em alguns cosméticos e interferir no equilíbrio hormonal durante uma fase importante do desenvolvimento.

O que realmente é necessário?

Para a maioria das crianças, os cuidados com a pele devem ser simples, o que inclui higiene adequada, hidratação quando necessário e proteção solar diária. Banhos rápidos com água morna e sabonetes suaves ajudam a preservar a barreira natural da pele. Em casos de ressecamento ou de condições específicas, como dermatite atópica, hidratantes apropriados para a faixa etária podem ser utilizados sob orientação profissional.

Já a proteção solar é considerada indispensável. O uso de protetor solar adequado para crianças acima de seis meses ajuda a prevenir queimaduras e danos causados pela radiação ultravioleta, além de contribuir para a saúde da pele ao longo da vida. "Na maioria das vezes, menos é mais quando falamos de cuidados com a pele infantil. Crianças não precisam de rotinas complexas nem de produtos voltados para adultos. Cuidados simples, seguros e compatíveis com a fase de desenvolvimento são suficientes para manter a pele saudável", conclui a Dra. Andressa Meline.

Para a Dra. Isabela Pires, a principal mensagem para pais e responsáveis é lembrar que a infância não precisa ser acelerada. "Crianças precisam de amor, atenção, brincadeiras e cuidados adequados à sua idade. A melhor rotina de skincare infantil continua sendo aquela baseada em proteção, simplicidade e orientação profissional quando necessário." conclui a especialista.


10 boas práticas indicadas pelas especialistas

Mantenha uma rotina simples de cuidados, baseada em higiene, hidratação quando necessário e proteção solar, utilizando produtos desenvolvidos especificamente para crianças e adequados à faixa etária.

- Prefira sabonetes suaves, evite banhos muito quentes ou prolongados e leia os rótulos dos cosméticos, dando preferência a produtos com menos fragrâncias, corantes e aditivos desnecessários.

-Não utilize ácidos, esfoliantes, peelings, séruns antienvelhecimento ou outros produtos destinados ao público adulto sem orientação médica.  

 Evite o uso excessivo de cosméticos e a aplicação simultânea de vários produtos na pele da criança

- Não compartilhe maquiagens, cremes ou outros cosméticos entre adultos e crianças.

- Evite aplicar produtos que viralizam nas redes sociais sem indicação específica para o público infantil.

- Ao introduzir um novo produto, faça um teste em uma pequena área da pele e fique atento a sinais como vermelhidão, coceira, ardência ou descamação.

- Converse com as crianças sobre os conteúdos consumidos nas redes sociais, explicando que nem todas as tendências são adequadas para sua idade

- Valorize hábitos relacionados à saúde e ao bem-estar, evitando incentivar preocupações estéticas precoces.

-   Em caso de dúvidas ou de alterações persistentes na pele, procure orientação de um pediatra ou dermatologista.


Banco de colágeno: prática está mudando os cuidados com a pele a partir dos 30 anos

O chamado "gerenciamento do envelhecimento" tem foco na redução dos efeitos provocados pela diminuição do colágeno 

 

O colágeno é uma proteína produzida naturalmente pelo organismo e desempenha um papel fundamental na firmeza, sustentação e elasticidade da pele. Com o envelhecimento, sua produção diminui gradualmente, fazendo parte de um processo fisiológico. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), essa redução pode chegar a cerca de 1% anualmente a partir dos 25 anos. 

Nesse contexto, ganhou força o conceito de "gerenciamento do envelhecimento", também conhecido como banco de colágeno. De acordo com a MedSystems by Classys, empresa especializada em tecnologia dermatológica, a estratégia consiste em estimular a produção de colágeno enquanto a pele ainda apresenta elevada capacidade de resposta celular. O objetivo é preservar a sustentação dos tecidos e retardar o surgimento da flacidez e de outros sinais do envelhecimento.


Hábitos também influenciam a perda de colágeno

A redução da produção de colágeno ocorre naturalmente com o passar dos anos, principalmente pela diminuição de atividade dos fibroblastos, células responsáveis por sintetizar essa proteína, e pelo aumento da ação de enzimas que degradam as fibras antigas. 

Entretanto, especialistas destacam que fatores relacionados ao estilo de vida também aceleram esse processo. Tabagismo, exposição excessiva à radiação solar sem proteção e uma alimentação rica em gorduras e açúcares favorecem o estresse oxidativo, comprometendo a qualidade da pele e contribuindo para o surgimento da flacidez. 

À medida que os níveis de colágeno diminuem, tornam-se mais comuns alterações na pele, como perda de firmeza, linhas finas, poros mais aparentes e textura irregular.

Tecnologias estimulam regeneração de camadas profundas da pele

As abordagens mais recentes da dermatologia estética priorizam o estímulo biológico profundo e a regeneração estrutural dos tecidos. Em vez de atuar apenas na superfície, o foco é ativar mecanismos naturais de produção de colágeno em camadas mais profundas da pele, favorecendo resultados progressivos e um efeito de sustentação mais natural. 

Para isso, diferentes tecnologias têm sido incorporadas aos tratamentos. O ultrassom micro e macrofocado de alta intensidade é uma das opções utilizadas para atingir estruturas profundas, sem comprometer a superfície cutânea. Muitas clínicas e profissionais também optam por comprar o Ultraformer MPT. O equipamento é conhecido por utilizar ondas ultrassônicas focalizadas para estimular a produção de colágeno. 

Outra alternativa é a radiofrequência monopolar de alta intensidade, que promove um aquecimento controlado da derme, provocando a retração imediata das fibras colágenas e estimulando sua remodelação. Já tecnologias como os lasers endodérmicos e o microagulhamento robótico atuam por meio de microperfurações ou aquecimento das camadas internas da pele, desencadeando um processo natural de reparação e renovação celular.


Cirurgia para retirar excesso de pele dos olhos é a mais realizada no mundo; especialista explica o que mudou na recuperação

A blefaroplastia está entre os procedimentos estéticos
 mais realizados no mundo e avança com novas técnicas
  
Divulgação

Procedimento ultrapassou 2,1 milhões de cirurgias em 2024; em Ribeirão Preto e Matão, médica explica como novos recursos podem ajudar a reduzir inchaço e hematomas no pós-operatório

 

 

A cirurgia para retirar o excesso de pele e as bolsas ao redor dos olhos ganhou espaço entre os procedimentos estéticos realizados em todo o mundo. Em 2024, a cirurgia das pálpebras, conhecida como blefaroplastia, alcançou o topo do ranking mundial de cirurgias estéticas, com mais de 2,1 milhões de procedimentos, crescimento de 13,4% em relação ao ano anterior, segundo levantamento da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS).

O Brasil acompanha esse movimento. No mesmo período, o país registrou cerca de 2,35 milhões de cirurgias estéticas, sendo aproximadamente 231 mil procedimentos nas pálpebras, colocando a cirurgia entre as mais realizadas pelos brasileiros.

Em Ribeirão Preto, importante polo regional de saúde no interior paulista, o avanço desse mercado também chama atenção para uma das principais dúvidas de quem pensa em realizar o procedimento: como será a recuperação? Inchaço, hematomas e o tempo necessário para voltar à rotina costumam estar entre as principais preocupações dos pacientes.

Segundo a médica oftalmologista especialista em cirurgia plástica ocular Gabriela Câmara, que atende em Ribeirão Preto e Matão, a evolução das técnicas permite hoje um cuidado que vai além da retirada do excesso de pele.

“Quando conseguimos trabalhar com mais precisão e controlar melhor o sangramento durante o procedimento, podemos ter um pós-operatório mais confortável. Em alguns casos, observamos menos inchaço e hematomas, o que favorece uma recuperação mais tranquila, sempre respeitando as características e o tempo de recuperação de cada paciente”, explica.


Recuperação também entra no planejamento

Entre os recursos que podem ser associados à cirurgia está o laser de CO₂. Durante o procedimento, a tecnologia auxilia na precisão e na coagulação de pequenos vasos, contribuindo para o controle do sangramento e podendo favorecer uma recuperação com menos inchaço e hematomas em determinados casos.

O uso da tecnologia também pode ir além do momento da cirurgia. Quando há indicação, o laser é utilizado em tratamentos voltados à renovação da pele e ao estímulo à produção de colágeno, ajudando a melhorar aspectos como textura e qualidade da pele ao redor dos olhos.

“Hoje, quando planejamos uma cirurgia palpebral, não pensamos apenas na retirada do excesso de pele ou na correção das bolsas. Avaliamos a região como um todo, incluindo a qualidade da pele e a forma como aquele tecido passará pelo processo de recuperação. Isso permite individualizar o tratamento e associar diferentes recursos de acordo com a necessidade de cada paciente”, destaca Gabriela.

Após o procedimento, outros recursos também podem ser incorporados aos cuidados. É o caso do drug delivery, técnica utilizada para favorecer a absorção de ativos pela pele, de acordo com as necessidades de cada paciente e com o protocolo definido pela médica.


Tecnologia não significa recuperação imediata

Apesar dos avanços, a especialista alerta para uma expectativa comum entre pacientes: a ideia de que novas tecnologias poderiam eliminar completamente o pós-operatório.

A cirurgia das pálpebras continua sendo um procedimento cirúrgico e a recuperação varia de acordo com fatores como idade, condições da pele, anatomia da região e características individuais de cada pessoa.

“Existe uma expectativa de que a tecnologia possa eliminar completamente o pós-operatório, mas continuamos falando de um procedimento cirúrgico. O diferencial é termos recursos que podem contribuir para tornar esse processo mais favorável e cuidar também da qualidade do tecido, sempre com indicação adequada”, afirma Gabriela.

Para a médica, diante do crescimento da procura pela cirurgia, informação e avaliação individualizada ganham ainda mais importância. Mais do que buscar uma recuperação cada vez mais rápida, é preciso entender que cada organismo responde de uma forma e que o resultado envolve indicação adequada, planejamento e respeito ao processo de cicatrização.

 

Dra. Gabriela Nery Pimenta de Albuquerque Câmara - médica oftalmologista especialista em cirurgia plástica ocular, vias lacrimais e estética periocular, com atendimento em Ribeirão Preto e Matão (SP). É formada em Medicina e possui especialização em Oftalmologia pela Unicamp, com foco em plástica ocular. Atua em cirurgias das pálpebras, tratamentos com laser de CO₂, saúde das vias lacrimais e procedimentos estéticos minimamente invasivos.


O que tem no seu cosmético? 7 ingredientes para ficar de olho

Análise destaca ingredientes presentes com frequência em produtos de cuidados pessoais e mostra como escolher opções mais saudáveis 

 

 Yuka é um aplicativo que escaneia códigos de barras de alimentos, cosméticos e produtos de cuidados pessoais para avaliar seu impacto na saúde. A plataforma traduz informações complexas dos rótulos em avaliações simples e independentes, o que ajuda os consumidores a tomar decisões de compra mais conscientes. A partir de seu banco de dados, que já reúne mais de 700 mil produtos no Brasil e cresce desde o lançamento em julho, o aplicativo identificou as categorias de ingredientes cosméticos mais frequentemente classificados como de alto risco. 

A análise reúne algumas das substâncias encontradas em produtos de uso cotidiano, como hidratantes, shampoos, maquiagens, protetores solares e desodorantes. A avaliação desses ingredientes ajuda a entender por que determinadas substâncias são utilizadas nas formulações e quais são as preocupações apontadas por estudos científicos e órgãos reguladores.


Ingredientes que mais preocupam em cosméticos

Entre os ingredientes que a Yuka classifica com frequência como de risco estão:

  • Parabenos, suspeitos de interferir no sistema hormonal. O butilparabeno é classificado como disruptor endócrino na União Europeia, com efeitos documentados sobre hormônios, fertilidade e desenvolvimento fetal.
  • Antioxidantes BHA e BHT, também associados a alterações hormonais. O BHA é classificado pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) como possível carcinógeno.
  • Silicones cíclicos. O D4 é um possível disruptor endócrino, com efeitos sobre o sistema reprodutivo feminino.
  • Conservantes alergênicos, como a metilisotiazolinona, um potente agente alergênico que irrita a pele, os olhos e as vias respiratórias.
  • Filtros UV, como benzofenona-3 (oxibenzona) e octocrileno, considerados possíveis disruptores hormonais e também associados a impactos sobre os recifes de coral. 
  • Sais de alumínio em antitranspirantes, utilizados diariamente e associados a possíveis efeitos reprodutivos e neurológicos, segundo a OMS.
  • Substâncias PFAS, como PTFE e perfluorodecalina, associadas a alterações no sistema imunológico, redução da fertilidade e diferentes tipos de câncer, além de apresentarem alta persistência no meio ambiente.

Tanto para alimentos quanto para cosméticos, o app utiliza a mesma escala de quatro cores: verde, sem risco identificado; amarelo, risco limitado; laranja, risco moderado; e vermelho, alto risco. Um ingrediente só recebe a classificação vermelha quando há evidências científicas sólidas de um efeito grave sobre a saúde e quando o nível de exposição é de fato preocupante, e não apenas por precaução.


Alternativas mais saudáveis

Quando um produto recebe uma avaliação baixa, a Yuka sugere alternativas com melhor classificação dentro da mesma categoria. Para alimentos, são produtos sem aditivos controversos e/ou com melhor perfil nutricional, como menor quantidade de açúcar ou sal e maior teor de proteínas ou fibras. Para cosméticos, são produtos formulados sem ingredientes classificados como potencialmente de risco.

“Isso reflete um princípio central da abordagem independente da Yuka: não queremos dizer aos consumidores o que comprar, mas oferecer as ferramentas e alternativas necessárias para que façam suas próprias escolhas”, afirma Julie Chapon, cofundadora da Yuka. “Acreditamos que a transparência permite que as pessoas tomem decisões mais conscientes ao mostrar que existe uma opção melhor em todas as categorias de produtos.”

Ao traduzir listas complexas de ingredientes em avaliações claras e independentes, a Yuka busca reduzir a distância entre o que os rótulos informam e o que os produtos realmente contêm. O objetivo é ajudar consumidores em todo o mundo a identificar com mais facilidade as opções mais seguras dentro de cada categoria.



Yuka
https://yuka.io/en/


Dieta por inteligência artificial: o que a IA consegue fazer e onde ela falha

Chatbots já sugerem cardápios analisam refeições e organizam hábitos mas exames, histórico clínico e conhecimento técnico ainda exigem acompanhamento de um nutricionista

 

Celebrado em 31 de agosto último, o Dia do Nutricionista chegou em 2026 em meio a uma mudança na forma como as pessoas buscam orientação sobre alimentação. No Brasil, 57% dos consumidores afirmam que se sentiriam confortáveis em utilizar inteligência artificial generativa para criar planos personalizados de dieta e nutrição, segundo a pesquisa Voz do Consumidor 2025, da PwC, realizada com 1.002 brasileiros. A facilidade de pedir a um chatbot uma dieta para emagrecer, calcular nutrientes ou montar um cardápio em segundos amplia o acesso à informação, mas também abre uma discussão sobre os limites da IA quando a orientação envolve saúde.

Bruna Makluf, nutricionista e mestre em Saúde, diretora de Nutrição da WeFit, healthtech brasileira especializada em saúde personalizada e nutrição de precisão. Para a especialista, recursos de inteligência artificial podem apoiar o cuidado nutricional, desde que não sejam confundidos com avaliação clínica. Na empresa, os protocolos consideram informações como genética, microbiota intestinal, exames, hábitos e objetivos de cada paciente.

“A inteligência artificial pode organizar informações, reconhecer padrões e facilitar escolhas durante a rotina, mas não substitui o conhecimento do nutricionista. É o profissional quem consegue cruzar exames, histórico clínico, medicamentos, comportamento alimentar e objetivos para entender o que aquela pessoa realmente precisa”, afirma Bruna.

O debate ganhou força em agosto após o aumento de casos de pessoas que passaram a seguir orientações geradas por IA e especialistas que alertam para recomendações capazes de ignorar condições de saúde, necessidades nutricionais e resultados de exames.

O avanço também ocorre dentro das instituições de saúde. A TIC Saúde 2025, divulgada em maio pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil e pelo Cetic.br, mostra que 18% dos estabelecimentos de saúde brasileiros utilizavam inteligência artificial. Entre aqueles que adotavam a tecnologia, 76% faziam uso de modelos generativos de linguagem.

Onde a IA ajuda e onde entra o nutricionista

A inteligência artificial pode assumir tarefas que facilitam a rotina e ampliam a quantidade de dados disponíveis. A interpretação dessas informações e as decisões sobre a saúde continuam dependendo do conhecimento profissional.

  • Organizar a alimentação
    Ferramentas podem registrar refeições, sugerir preparações, estruturar horários e reunir informações da rotina.
  • Analisar a composição do prato
    Sistemas conseguem identificar alimentos por imagem e estimar a presença de carboidratos, proteínas, gorduras e outros componentes de uma refeição.
  • Identificar padrões
    Registros frequentes de alimentação, sono e atividade física ajudam a mostrar comportamentos que poderiam passar despercebidos entre uma consulta e outra.
  • Apoiar escolhas cotidianas
    A IA pode explicar a composição de alimentos, apresentar substituições e responder dúvidas que surgem durante o dia.
  • Interpretar o paciente
    Aqui está o limite. Avaliação nutricional, leitura de exames, suplementação, definição de estratégia alimentar e análise de riscos exigem formação técnica e conhecimento do histórico de cada pessoa.

A diferença está no tipo de pergunta feita à ferramenta. Uma resposta pode parecer personalizada porque considera peso, idade e objetivo, mas isso representa apenas uma pequena parte do paciente. Duas pessoas com características semelhantes podem responder de maneiras completamente diferentes à mesma estratégia. A IA reúne dados. O nutricionista interpreta o que esses dados significam dentro de uma história clínica”, ressalta a especialista.


Quando a tecnologia acompanha mas não decide

Bruna explica que na WeFit, a inteligência artificial é utilizada como parte do acompanhamento nutricional. O aplicativo permite, por exemplo, fotografar uma refeição para analisar a composição do prato e apontar possíveis ajustes. A plataforma também reúne receitas, registros e informações da rotina que podem ser consideradas pela equipe responsável pelo paciente.

A lógica ganha relevância especialmente em casos de emagrecimento, saúde metabólica, composição corporal e doenças crônicas. Nessas situações, o resultado não depende apenas da quantidade de calorias consumidas. Sono, metabolismo, saúde intestinal, comportamento alimentar, medicamentos e alterações laboratoriais também podem interferir na resposta de cada organismo.

“A inteligência artificial consegue reunir informações em uma velocidade e frequência que seriam difíceis de reproduzir manualmente. Isso pode tornar o acompanhamento mais completo, mas alguém precisa avaliar o que é relevante, identificar riscos e decidir o que deve ou não mudar. A tecnologia amplia o trabalho do nutricionista, não substitui seu conhecimento”, destaca a diretora de Nutrição da WeFit.


O nutricionista muda de papel na era da IA

A popularização das ferramentas generativas também altera a relação do paciente com a informação. Antes da consulta, muitas pessoas já chegam com cardápios, cálculos, dúvidas e recomendações obtidas em aplicativos ou chatbots. Nesse contexto, parte do trabalho passa a envolver a avaliação do conteúdo recebido e a diferenciação entre uma sugestão genérica e uma orientação adequada para aquele organismo.

No Dia do Nutricionista, a discussão deixa de ser se a inteligência artificial deve ou não fazer parte da alimentação e passa a ser como utilizá-la com responsabilidade. A IA pode analisar um prato, organizar registros, sugerir receitas e encontrar padrões. Determinar o que faz sentido para determinada pessoa, avaliar riscos e transformar essas informações em uma estratégia de saúde continua dependendo do conhecimento do nutricionista.

 

 

Bruna Makluf - nutricionista, diretora de Nutrição da WeFit e especialista em emagrecimento, saúde metabólica, composição corporal, saúde intestinal, doenças crônicas e longevidade. Graduada em Nutrição pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal) em 2008, possui especializações em Nutrição Clínica, Fitoterapia e Nutrição Comportamental, formação em Saúde Intestinal e mestrado em Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.Com mais de 15 anos de experiência, atuou por nove anos na saúde pública, onde participou da implantação de equipes e políticas públicas voltadas à assistência nutricional. Posteriormente, integrou por seis anos a Clínica Seven, exercendo as funções de nutricionista e gestora da equipe de nutrição. Atualmente, lidera a área de Nutrição da WeFit, sendo responsável pelo desenvolvimento dos protocolos nutricionais personalizados da empresa.Sua atuação é baseada na individualização do cuidado, integrando evidências científicas, genética, saúde intestinal, exames laboratoriais e hábitos de vida para construir estratégias nutricionais adaptadas às necessidades de cada paciente. É fonte para temas relacionados ao emagrecimento, saúde intestinal, prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares, saúde metabólica e longevidade.
Para mais informações, acesse: Linkedin e Instagram.


WeFit
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Fontes de Pesquisa:


Cirurgião e dermatologista Stanley Bessa explica por que o transplante capilar exige planejamento antes da cirurgia

https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/macho-adulto-fazendo-extracao-de-unidade-folicular_18737213.htm


Especialista esclarece por que nem toda pessoa com calvície deve fazer o procedimento imediatamente. 

 

O transplante capilar não deve ser tratado como uma decisão isolada ou tomada apenas a partir do grau de calvície. Para o dermatologista e cirurgião Stanley Bessa, CRM 35165 e RQE 33407, o resultado depende de um planejamento que começa antes da entrada do paciente no centro cirúrgico.

Com mais de 25 anos de atuação, Stanley Bessa é graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e possui pós-graduações em Dermatologia Cirúrgica, Medicina Estética e áreas correlatas. Sua atuação está concentrada em cirurgia dermatológica, transplante capilar e procedimentos minimamente invasivos.

Segundo o cirurgião, o planejamento cirúrgico funciona como uma referência para todas as etapas do procedimento. “A avaliação considera as características individuais do paciente, seus objetivos e a evolução provável da calvície. Por isso, a consulta inicial tem papel decisivo na definição da conduta”, explica Stanley Bessa. 


Diagnóstico vem antes da indicação

O médico esclarece que a preparação para o transplante capilar começa pela consulta médica. Nessa etapa, são realizadas entrevistas clínicas e avaliação física para investigar a causa da queda de cabelo. Esse diagnóstico é necessário porque o transplante não é indicado para todos os tipos de perda capilar.

De acordo com o Dr. Stanley Bessa, identificar a verdadeira causa da perda de cabelo é um passo fundamental para determinar se a cirurgia é realmente recomendada. "Em casos como o da alopecia areata ativa, o procedimento pode ser contraindicado ou até piorar a condição. Por se tratar de uma doença autoimune em que o próprio organismo ataca os folículos capilares, o implante de novos fios não combate a inflamação, fazendo com que o corpo possa rejeitar ou destruir os cabelos transplantados novamente", alerta o especialista.

“A idade também entra no planejamento. Em pacientes mais jovens, a estratégia precisa considerar a possibilidade de progressão da calvície ao longo dos anos. A análise do histórico familiar pode contribuir para essa avaliação, já que a condição apresenta componente hereditário”, complementa Stanley Bessa. 

O planejamento, portanto, precisa considerar tanto o resultado imediato quanto as necessidades futuras do paciente. “O objetivo é evitar uma abordagem que resolva apenas a situação atual e não considere como a perda de cabelo poderá evoluir”.


Características do cabelo influenciam o resultado

Outro ponto analisado por Dr. Stanley Bessa antes da cirurgia é o  tipo de cabelo transplantado. Espessura, textura e características dos fios interferem na percepção de volume e densidade após o transplante.

“Cabelos mais grossos ou ondulados tendem a produzir maior sensação de volume. Já fios muito finos podem apresentar uma percepção menor de densidade. Ainda assim, a proposta pode priorizar a naturalidade, desde que as expectativas estejam alinhadas às características de cada caso”, informou Stanley Bessa.

Para o cirurgião, essa avaliação individual ajuda a definir o que pode ser alcançado com a cirurgia. O paciente precisa compreender as limitações do procedimento e participar da construção do plano, apresentando seus desejos e objetivos ao cirurgião.


Expectativas fazem parte do planejamento

O cirurgião aponta que a satisfação com o transplante capilar também está relacionada ao nível de informação disponível antes da cirurgia. “Em casos de calvície avançada ou entre pacientes muito jovens, pode existir uma expectativa superior ao que é possível alcançar. Quando isso ocorre, mesmo um resultado cirúrgico adequado pode não corresponder ao que o paciente imaginava”.

Para Stanley Bessa, cabe ao cirurgião avaliar o caso, definir a estratégia e considerar a evolução do paciente no curto e longo prazo. Essa visão exige experiência cirúrgica, domínio das técnicas e atenção às características estéticas de cada pessoa.

“No transplante capilar, o planejamento não é apenas uma etapa administrativa anterior à cirurgia. Essa etapa orienta a indicação, a técnica, os limites do procedimento e a expectativa de resultado. Para o paciente, compreender esse processo ajuda a tomar uma decisão mais consciente e alinhada às possibilidades do tratamento”, concluiu Stanley Bessa.

  

Dr. Stanley Bessa - médico dermatologista (CRM 35165 / RQE 33407) com mais de 25 anos de atuação. Graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e possui pós-graduações em Dermatologia Cirúrgica, Medicina Estética e áreas correlatas. Atua com foco em cirurgia dermatológica, transplante capilar e procedimentos minimamente invasivos, além de ser habilitado na técnica ELFA. Atende em Brasília e também se dedica à formação de médicos em instituições especializadas.


Tratamento inédito recupera sobrancelhas antigas, tortas ou com pigmentação malfeita

Natalia Beauty  
Divulgação
Protocolo Reset Brows combina remoção segura de pigmentos residuais e reconstrução gradual até a naturalidade dos fios

Por trás de muitas sobrancelhas marcadas por anos de intervenções mal calculadas, existe uma pele que carrega mais do que pigmento, carrega a tentativa de correção de erros passados, resquícios de técnicas ultrapassadas e uma memória cromática que, com o tempo, migra para tons de azul, verde ou vermelho indesejados. Esse desgaste, comum entre quem realizou micropigmentação há anos, deixou de ser tratado como sequela irreversível. A estética facial vive agora a era da reconstrução, em que fios antigos, tortos ou malfeitos podem ser recuperados até que a sobrancelha volte para a anatomia original do rosto.

O movimento acompanha uma virada mais ampla no comportamento do público, que abandona o excesso de volume e definição em busca de traços leves e de uma aparência descansada. Nas sobrancelhas, essa mudança abre espaço para os procedimentos que reproduzem fios com menor contraste e distribuição próxima ao crescimento natural, evitando blocos escuros, formatos rígidos e contornos que denunciam a realização de um procedimento.

“Hoje, muitas pessoas chegam ao atendimento dizendo que desejam voltar a se reconhecer no espelho. A busca não está concentrada em apagar características, mas em recuperar proporção e suavidade. O desenho precisa acompanhar o rosto, respeitar a direção dos fios e manter uma leitura natural mesmo quando observado de perto”, conta Natalia Beauty, referência internacional em sobrancelhas.

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A reconstrução, no entanto, raramente começa do zero. Grande parte das clientes que busca naturalidade carrega pigmentos antigos que precisam ser neutralizados antes de qualquer novo traço. “Resíduos escuros ou pretos respondem bem à remoção a laser, técnica que fragmenta as partículas de pigmento para que sejam eliminadas naturalmente pelo organismo. Já tons avermelhados e alaranjados, comuns em sobrancelhas envelhecidas ou malfeitas, nem sempre reagem ao equipamento e podem exigir despigmentação química”, alerta a especialista.

De acordo com Natalia Beauty, não existe um protocolo único para essa etapa, pois cada sobrancelha guarda uma história diferente de camadas, profundidade e reação da pele, o que torna a avaliação individual indispensável antes de iniciar a reconstrução. Ainda assim, uma regra é fixa, já que o processo de retirada não pode começar antes de 30 dias após uma micropigmentação recente, intervalo necessário para reduzir inflamações e permitir um exame mais preciso da região.

“A retirada exige cautela porque o tecido precisa estar íntegro antes de receber qualquer nova intervenção. Pigmentos antigos podem ter camadas, cores e densidades distintas, por isso não existe uma quantidade fixa de sessões. A avaliação identifica o recurso indicado e evita combinações que possam irritar a pele ou comprometer o resultado posterior”, explica Natalia.

Eliminado o pigmento anterior, a reconstrução ainda aguarda mais 30 dias antes do novo desenho ser aplicado. “A pausa permite recuperação completa da pele, reorganização local e redução da sensibilidade, só então o profissional avalia se a área está pronta para receber o Flow Brows, feita com nanofios, com segurança.

“Naturalidade não depende apenas do desenho final. O resultado começa na preparação correta, no respeito aos intervalos e na escolha do método adequado para cada pigmento. Quando a pele está recuperada, o tratamento Flow Brows cria fios mais discretos, melhora a integração com a pelagem existente e preserva características próprias do rosto”, diz Natalia Beauty.

Segundo a especialista, a reconstrução de sobrancelhas simboliza, assim, uma mudança de postura em relação a erros estéticos que antes pareciam definitivos. “Em vez de mascarar o que ficou malfeito, passamos a tratá-lo como ponto de partida, primeiro a recuperação do tecido, depois a retirada responsável dos resíduos, e só então a reconstrução compatível com a anatomia de cada rosto, devolvendo à sobrancelha a sua versão mais próxima do original”, finaliza.

 

Emagrecimento rápido pode “afinar” o rosto e evidenciar sinais de envelhecimento? Médica explica

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Perda acelerada de peso pode alterar volume, contorno e sustentação facial; Dra. Fernanda Nichelle explica por que o rosto também precisa ser acompanhado durante grandes transformações corporais

 

Emagrecer pode transformar o corpo em poucos meses, mas o espelho também pode revelar mudanças inesperadas no rosto. Quando a perda de peso acontece de forma intensa e acelerada, a redução de gordura não fica restrita à barriga, braços ou pernas: ela também pode atingir compartimentos de gordura importantes para a sustentação e o contorno facial. 

O resultado pode aparecer como um rosto mais afinado, têmporas marcadas, olheiras mais profundas, sulcos evidentes, perda de definição e até uma aparência de cansaço ou envelhecimento. O fenômeno, que ganhou espaço nas redes sociais e entre pacientes que passaram por grandes transformações corporais, exige atenção justamente porque cada rosto reage de uma maneira. 

Para a Dra. Fernanda Nichelle, médica que atua exclusivamente na área estética e é reconhecida nacionalmente pela naturalidade de seus resultados e por cuidar da beleza de diversos famosos, a mudança acontece porque o rosto também acompanha a redução de gordura corporal. 

“Quando existe uma perda de peso importante em um período curto, podemos perceber mudanças significativas no rosto. A gordura facial tem uma função estrutural e de sustentação, então, quando existe uma redução desse volume, algumas regiões podem ficar mais evidentes e a face pode adquirir um aspecto mais cansado ou envelhecido”, explica. 

Não existe uma quantidade exata de quilos perdida que determine quando o rosto começará a mudar. A resposta depende de fatores individuais, como genética, idade, qualidade da pele, quantidade de gordura facial, velocidade do emagrecimento e características da própria estrutura óssea. 

“Duas pessoas podem perder exatamente o mesmo peso e apresentar mudanças completamente diferentes no rosto. Algumas têm uma reserva de gordura facial maior, outras têm a pele mais elástica, outras já apresentam uma perda de volume relacionada ao processo natural de envelhecimento. Por isso, não podemos olhar apenas para a balança”, afirma Fernanda. 

A médica explica que o envelhecimento facial é resultado da combinação de diferentes processos. Com o passar dos anos, há alterações na pele, no colágeno, na gordura e nas estruturas profundas que dão sustentação à face. Uma perda de peso muito rápida pode tornar algumas dessas mudanças mais perceptíveis. 

“É importante entender que não estamos falando apenas de flacidez. Existe uma combinação de perda de volume, qualidade da pele e alterações estruturais. O rosto é tridimensional e precisa ser avaliado como um todo”, pontua. 

Com a percepção de um rosto mais fino ou envelhecido após o emagrecimento, uma reação comum é buscar procedimentos para recuperar imediatamente o volume perdido. Mas, segundo Fernanda, essa não deve ser uma decisão automática. 

“Quando a pessoa olha no espelho e percebe que emagreceu muito no rosto, pode surgir a vontade de preencher tudo. Mas devolver volume indiscriminadamente não é o caminho. Precisamos entender onde realmente houve perda e o que pode ser melhorado sem alterar a identidade daquele rosto”, explica. 

Para a especialista, o principal desafio da estética nesses casos é justamente tratar sem exagerar. 

“Existe uma diferença muito grande entre recuperar uma estrutura e transformar o rosto. A reposição precisa ser estratégica e respeitar as proporções individuais. Se colocamos volume onde não existe necessidade, podemos criar um resultado artificial e até deixar a face mais pesada”, afirma. 

Além da perda de volume, a qualidade da pele merece atenção durante grandes processos de emagrecimento. Hidratação, proteção solar, alimentação adequada e estratégias para estimular a produção de colágeno podem contribuir para que a pele acompanhe melhor a mudança corporal. 

“A pele também passa por esse processo. Quando existe uma transformação corporal importante, precisamos olhar para hidratação, elasticidade, colágeno e qualidade cutânea. Não adianta tratar somente o volume se a pele também está precisando de cuidados”, destaca a médica. 

Fernanda reforça, porém, que procedimentos estéticos não devem ser vistos como uma obrigação depois do emagrecimento. A necessidade de qualquer intervenção depende da avaliação individual. 

“Nem todo mundo que emagrece precisa fazer procedimento no rosto. Algumas pessoas vão perceber mudanças muito discretas e outras terão uma alteração mais evidente. O primeiro passo é sempre avaliar e entender o que realmente incomoda o paciente”, diz. 

Para a médica, o acompanhamento durante o processo de emagrecimento pode ser mais importante do que tentar corrigir todas as mudanças depois que elas já aconteceram. 

“O ideal é acompanhar essa transformação. Quando entendemos como o rosto está respondendo ao emagrecimento, conseguimos tomar decisões mais delicadas e personalizadas. A estética não precisa esperar o problema aparecer para começar a agir”, afirma. 

A especialista também defende que o objetivo não deve ser recuperar exatamente o rosto anterior ao emagrecimento, mas encontrar um equilíbrio entre a nova aparência corporal e a identidade facial. 

“Eu não acredito em devolver um rosto para um passado que já não existe. A pessoa mudou, o corpo mudou e o rosto também pode mudar. O nosso papel é fazer com que essa transformação aconteça de uma maneira harmônica, saudável e natural”, conclui Fernanda. 

No fim, o chamado “rosto de emagrecimento” reforça uma questão que vai além da estética: grandes transformações corporais também precisam ser observadas no rosto. Mais do que combater cada sinal que aparece no espelho, a proposta é entender as mudanças e preservar aquilo que torna cada pessoa única.


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