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terça-feira, 14 de julho de 2026

Juros seguem elevados no Boletim Focus e reforçam o pior cenário de crédito da América Latina, aponta UBS B

Manutenção dos juros e crédito mais restrito reforçam alerta para organização financeira no segundo semestre


O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central confirmou a manutenção de um ambiente de juros elevados no país. A estimativa do mercado para a taxa Selic ao fim de 2026 permaneceu em 14% ao ano, na divulgação anterior, enquanto a projeção para o IPCA recuou de 5,33% para 5,30%, permanecendo acima do centro da meta de inflação. O resultado reforça a expectativa de que o custo do crédito continue elevado pelos próximos meses, mantendo a pressão sobre consumidores e empresas.

A perspectiva se soma a um retrato que já preocupa especialistas. Um estudo divulgado pelo UBS BB apontou que o Brasil apresenta, atualmente, a pior dinâmica de crédito da América Latina, resultado da combinação entre juros altos, maior seletividade das instituições financeiras e dificuldades na capacidade de pagamento de famílias e empresas. Ao mesmo tempo, o ambiente inflacionário continua pressionando o orçamento dos brasileiros, reduzindo o poder de compra e limitando a capacidade de organização financeira.

"Esse retrato é preocupante porque mostra que o Brasil chega a esse novo ciclo com o crédito já em situação frágil. Ou seja, o encarecimento do crédito não está incidindo sobre uma economia equilibrada, mas sobre um sistema que já opera no limite", afirma Rodrigo Mandaliti, presidente do IGEOC.

Segundo o especialista, o principal risco desse cenário é a naturalização do endividamento como estratégia para compensar a perda de renda causada pela inflação. "Quando os preços sobem e o crédito fica mais caro, muitas famílias recorrem ao cartão de crédito ou a outras linhas de financiamento para equilibrar as contas do mês. O problema é que, frequentemente, uma dificuldade momentânea acaba se transformando em um compromisso financeiro ainda maior no futuro. Por isso, a recomendação é revisar o orçamento, priorizar a quitação de dívidas mais caras e evitar o uso recorrente de crédito emergencial sempre que possível", explica.

Os efeitos também atingem diretamente o setor produtivo, especialmente pequenas e médias empresas que dependem de capital de giro para manter operações ou financiar investimentos. Com recursos mais caros e maior rigor na concessão, o planejamento financeiro passa a ser ainda mais importante.

"Empresas que planejam expansão ou renovação de dívidas precisam simular diferentes cenários de taxa antes de fechar operações, já que um ciclo de juros elevados por mais tempo altera significativamente a equação de custo e retorno de qualquer investimento financiado", destaca.

Diante de um mercado de crédito considerado o mais pressionado da América Latina e de projeções que mantêm a Selic em patamar elevado, especialistas defendem uma postura de cautela. Para Mandaliti, o momento exige organização financeira.

"Agora, é preciso tomar decisões concretas de planejamento financeiro. Quem está com dívidas em aberto deve buscar renegociação antes que o custo suba ainda mais, e quem pensa em financiar algo deve avaliar se pode esperar um cenário de juros mais favorável. Adiar essa análise só aumenta o risco de comprometer o orçamento por um período ainda mais longo", conclui.

 

Instituto GEOC


Chatbots na cobrança de dívidas e a tensão entre a eficiência e a possibilidade de abusos

A substituição da interação humana por chatbots e assistentes virtuais no atendimento das empresas deixou de ser tendência e passou a ser regra. A promessa é conhecida: mais escala, custos menores, atendimento ininterrupto. Para quem milita na recuperação de créditos, contudo, o tema desperta uma observação que costuma passar despercebida no debate público. 

A controvérsia jurídica não está na ferramenta em si; está no que se faz com ela. O chatbot, enquanto recurso de inteligência artificial, simula a conversação humana e responde a comandos a partir de roteiros previamente treinados ou base de experiências adquirida; o assistente virtual avança em complexidade e atua sobre o histórico do cliente, fornecendo serviços conectados a sistemas de CRM, propondo refinanciamentos, calculando descontos para liquidação antecipada e disparando comunicações de cobrança em massa. Quanto mais a ferramenta delibera, maior a fronteira jurídica que ela cruza. 

A primeira fronteira é a do art. 42 do Código de Defesa do Consumidor, que veda submeter o devedor a ridículo, constrangimento ou ameaça. A jurisprudência sobre cobrança abusiva é farta e não distingue, em sua substância, entre cobrança feita por humano e por máquina: a aferição é objetiva e recai sobre o conteúdo e a frequência das comunicações. Um chatbot que dispara dezenas de mensagens diárias para o mesmo devedor, que reitera a mesma exigência em horários impróprios, ou que pressiona com expressões intimidatórias incorporadas a um script eficiente em conversões, expõe o credor a condenações em danos morais e à repetição em dobro do indébito — sem que a natureza automática da comunicação sirva como excludente. Pelo contrário: a indiferença que a automação produz em escala tende a agravar o ilícito, não a atenuá-lo. 

A segunda fronteira é mais recente e mais contundente. A Lei 14.181/2021, que disciplinou o superendividamento, alterou o CDC para vedar expressamente, no inciso IV do art. 54-C, o assédio e a pressão sobre o consumidor, “principalmente se se tratar de consumidor idoso, analfabeto, doente ou em estado de vulnerabilidade agravada”. O chatbot ou o atendente virtual por voz teria dificuldade de aferir plenamente esse tipo de vulnerabilidade no exato momento da interação. Também será um desafio, para o credor que delegar à máquina a oferta e a renegociação de crédito, sem filtro humano, demonstrar a observância do dever de “avaliar, de forma responsável, as condições de crédito do consumidor” exigido pelo inciso II do art. 54-D. As consequências são severas: o parágrafo único do mesmo art. 54-D autoriza o juiz, em caso de descumprimento, a reduzir juros, encargos e a dilatar o prazo de pagamento, sem prejuízo de indenização. Em síntese: a operação que prometia eficiência pode produzir, na prática, ativos creditórios mais frágeis e mais suscetíveis a revisão judicial. 

A terceira fronteira é a da LGPD. O artigo 20, na redação que lhe deu a Lei 13.853/2019, assegura ao titular o direito de solicitar a revisão de decisões “tomadas unicamente com base em tratamento automatizado” que afetem seus interesses, inclusive aquelas destinadas a definir o perfil de crédito e de consumo. A expressão “por pessoa natural”, presente no texto original da LGPD, foi suprimida pela alteração legislativa; o § 3º, que previa a revisão obrigatória por humano, foi vetado. Hoje, portanto, o direito é à revisão — não necessariamente humana —, mas o controlador permanece obrigado, nos termos do § 1º, a fornecer “informações claras e adequadas a respeito dos critérios e dos procedimentos utilizados para a decisão automatizada”. Para a empresa que concede ou recusa crédito por chatbot, a obrigação é dupla: documentar os critérios e franquear sua explicação ao titular. Sem isso, qualquer decisão automatizada nasce juridicamente frágil. 

A quarta fronteira é a responsabilidade objetiva consagrada pela Súmula 479 do Superior Tribunal de Justiça: “As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias”. A precisão da redação importa: o fundamento da responsabilidade é o fortuito interno, isto é, o risco inerente à atividade bancária. Um chatbot oficial invadido, ou clonado por fraudadores que dele se valham para induzir clientes a transferências, ou ainda um chatbot que negocie débitos com terceiro que se passe pelo titular — todos os cenários se inscrevem nessa categoria. A defesa do “fortuito externo” tende a ser excluída justamente porque a tecnologia integra o processo bancário; sua falha compõe o risco assumido pelo banco. 

Quanto ao que ainda está por vir, o Marco Legal da Inteligência Artificial — PL 2338/2023 — foi aprovado pelo Senado em dezembro de 2024 e segue em tramitação na Câmara dos Deputados. O texto adota matriz semelhante à do AI Act europeu: classifica sistemas por nível de risco, prevê deveres de transparência, auditoria e contestação, e sanções administrativas que podem chegar a cinquenta milhões de reais por infração. Tudo indica que sistemas de IA aplicados à concessão e à cobrança de crédito serão enquadrados como de alto risco. O Banco Central, segundo a própria agenda regulatória, não pretende editar normas específicas sobre IA bancária antes do fim de 2026. O quadro normativo, portanto, ainda está em formação. 

Diante desse cenário, a eficiência prometida pela automação não dispensa a revisão jurídica dedicada. Para bancos e outras empresas, a cobrança feita por chatbot sem governança jurídica produz duas perdas claras, pois expõe o credor a sanções e fragiliza, em juízo, o próprio ativo creditório que se quis recuperar. Se não houver cuidado, não será raro ver dívida que parecia pacífica converter-se em dívida revisada, com juros e encargos reduzidos, ou até dar origem a uma condenação invertida contra o credor, justamente porque a comunicação automatizada extrapolou os limites do CDC, da Lei 14.181/2021 e outras normas aplicáveis. 

O modelo viável não é o que recua diante da inteligência artificial, mas o que a adota com método. Ser favorável ou não à automação do atendimento e da cobrança é questão de menor importância, pois a automação e a IA vieram para ficar, quer se goste ou não. Então, é mais produtivo discutir como ela pode ser bem utilizada. Nesse sentido, tem-se que o chatbot e a IA aplicada a cobranças e recuperação de crédito devem ser bem parametrizados. Aliás, a máquina possui desvantagens por não ter a empatia e percepção social humana, mas, por outro lado, possui a vantagem de ser mais disciplinada que o humano. Ela não se irrita, não extrapola horário, não improvisa ameaça e não esquece o que a lei proíbe. Então, o risco nunca esteve na inteligência artificial em si, e sim na inteligência artificial sem governança. A questão, portanto, não é escolher entre o robô e a pessoa, mas envolver o robô em camadas de controle que tornem a eficiência sustentável. 

E essas camadas já são viáveis hoje. A primeira é a revisão por amostragem humana: auditar periodicamente uma fração estatisticamente representativa das interações, sobretudo as de renegociação e cobrança, tal como se faz o controle de qualidade em qualquer linha de produção séria. 

A segunda é a parametrização das vedações legais no próprio código: limites de horário e de frequência, e o bloqueio de expressões vexatórias, deixam de depender do humor do atendente e passam a ser cumpridos pela máquina por padrão. 

A terceira é o escalonamento automático: detectados sinais de vulnerabilidade ou de superendividamento, o sistema transfere de imediato a conversa a uma pessoa treinada ou entra em uma trilha diferente de parametrização do atendimento. 

A quarta é a trilha de auditoria íntegra — registros rastreáveis das interações —, que serve, a um só tempo, à transparência exigida pela LGPD e à proteção das próprias partes em juízo. 

Esse parece ser o ponto de equilíbrio ideal. Não se trata de frear a tecnologia, mas de submetê-la a controles inteligentes. Quem assim procede não troca eficiência por segurança jurídica, mas, sim, colhe as duas ao mesmo tempo, e converte a automação, de risco potencial, em vantagem competitiva.

  

Rommel Andriotti - advogado e sócio fundador do escritório Rommel Andriotti Advogados Associados, especializado em investigação patrimonial, desmantelamento de fraudes, cobranças judiciais e extrajudiciais e recuperação de créditos estressados (distressed assets). Mestre em Direito Civil pela PUC/SP e Mestre em Direito Processual Civil pela FADISP. Professor de Direito Civil e Processo Civil na Universidade Presbiteriana Mackenzie e na Escola Paulista de Direito (EPD). Site: https://rommel.adv.br/

 

[1] Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor), art. 42, caput e parágrafo único: “Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não será exposto a ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça. Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano justificável.” Disponível em: . Acesso em: 12 jun. 2026.

[2] Código de Defesa do Consumidor, art. 54-C, caput e inciso IV, incluídos pela Lei nº 14.181, de 1º de julho de 2021: “Art. 54-C. É vedado, expressa ou implicitamente, na oferta de crédito ao consumidor, publicitária ou não: […] IV – assediar ou pressionar o consumidor para contratar o fornecimento de produto, serviço ou crédito, principalmente se se tratar de consumidor idoso, analfabeto, doente ou em estado de vulnerabilidade agravada ou se a contratação envolver prêmio;”. Disponível em: . Acesso em: 12 jun. 2026.

[3] Código de Defesa do Consumidor, art. 54-D, caput, inciso II e parágrafo único, incluídos pela Lei nº 14.181, de 1º de julho de 2021: “Art. 54-D. Na oferta de crédito, previamente à contratação, o fornecedor ou o intermediário deverá, entre outras condutas: […] II – avaliar, de forma responsável, as condições de crédito do consumidor, mediante análise das informações disponíveis em bancos de dados de proteção ao crédito, observado o disposto neste Código e na legislação sobre proteção de dados; […] Parágrafo único. O descumprimento de qualquer dos deveres previstos no caput deste artigo e nos arts. 52 e 54-C deste Código poderá acarretar judicialmente a redução dos juros, dos encargos ou de qualquer acréscimo ao principal e a dilação do prazo de pagamento previsto no contrato original, conforme a gravidade da conduta do fornecedor e as possibilidades financeiras do consumidor, sem prejuízo de outras sanções e de indenização por perdas e danos, patrimoniais e morais, ao consumidor.” Disponível em: . Acesso em: 12 jun. 2026.

[4] Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), art. 20, caput, com a redação dada pela Lei nº 13.853, de 8 de julho de 2019: “Art. 20. O titular dos dados tem direito a solicitar a revisão de decisões tomadas unicamente com base em tratamento automatizado de dados pessoais que afetem seus interesses, incluídas as decisões destinadas a definir o seu perfil pessoal, profissional, de consumo e de crédito ou os aspectos de sua personalidade.” § 1º: “O controlador deverá fornecer, sempre que solicitadas, informações claras e adequadas a respeito dos critérios e dos procedimentos utilizados para a decisão automatizada, observados os segredos comercial e industrial.” O § 3º, incluído pela Lei nº 13.853/2019, foi vetado. Disponível em: . Acesso em: 12 jun. 2026.

[5] Superior Tribunal de Justiça, Súmula 479, Segunda Seção, julgada em 27/06/2012, DJe de 01/08/2012: “As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias.” Disponível em: . Acesso em: 12 jun. 2026.

[6] Projeto de Lei nº 2.338/2023, aprovado pelo Senado Federal em 10/12/2024 e, na data de acesso, em tramitação na Câmara dos Deputados (Comissão Especial). Tramitação disponível em: e em:. Acesso em: 12 jun. 2026.


Como reduzir o estresse ao viajar: 7 dicas práticas para uma experiência mais tranquila em aeroportos e voos

As salas VIP nos aeroportos ajudam a relaxar antes do voo.
Crédito: Dragonpass
Do planejamento ao embarque, antecipar cada etapa da viagem minimiza a ansiedade, otimiza o tempo e proporciona uma experiência mais confortável e eficiente.

 

Viajar é uma das experiências mais enriquecedoras, mas também pode se tornar fonte de estresse. Fatores como incertezas, agendas apertadas e a dinâmica dos aeroportos costumam gerar ansiedade mesmo antes do embarque. 

Atrasos, longas filas, controles de segurança e conexões com pouco tempo disponível podem impactar a experiência do viajante. Por isso, planejar-se com antecedência e adotar estratégias práticas é fundamental para reduzir imprevistos e passar por cada etapa da jornada com mais tranquilidade.

 

7 dicas para reduzir o estresse durante as viagens

·         Planeje-se com antecedência: Reservar voos, hospedagens e traslados previamente melhora a organização e evita decisões de última hora.

·         Chegue cedo ao aeroporto: Ter uma margem extra de tempo ajuda a absorver possíveis atrasos e permite se adaptar ao ambiente sem pressa.

·         Agilize a passagem pela segurança: Deixar documentos e pertences organizados facilita os procedimentos e reduz o estresse.

·         Escolha espaços mais confortáveis: O acesso a salas VIP permite aguardar o voo em um ambiente mais tranquilo, com serviços e comodidades exclusivas.

·         Mantenha-se em movimento: Caminhar ou fazer alongamentos antes do embarque ajuda a aliviar a ansiedade.

·         Melhore sua experiência a bordo: Manter-se hidratado, usar fones de ouvido e contar com opções de entretenimento favorece o descanso durante o voo.

·         Reserve um tempo para recuperação: Incluir momentos de descanso após a chegada facilita a adaptação ao destino.

 

Serviços que transformam a experiência de viagem


Além do planejamento, contar com serviços desenvolvidos para otimizar a experiência no aeroporto pode fazer toda a diferença. Soluções como acesso a salas VIP, serviços de Fast Track, benefícios em restaurantes e opções de bem-estar, como tratamentos de spa em aeroportos, permitem que os viajantes reduzam o tempo de espera, evitem aglomerações e administrem o estresse de forma mais eficaz antes do voo.

 

Esses serviços são cada vez mais percebidos como importantes diferenciais para quem busca relaxar e se preparar para a viagem antes do embarque.

 

Nesse contexto, plataformas como a Dragonpass oferecem alternativas que priorizam conforto e eficiência, incluindo acesso a salas VIP com opções de reserva antecipada e serviços de bem-estar — incorporados por meio de parcerias recentes, como a realizada com a marca Boddy — que contribuem para uma experiência aeroportuária mais agradável.

 

Em um cenário em que a experiência do viajante ganha cada vez mais relevância, antecipar necessidades e contar com as soluções adequadas pode transformar completamente a jornada. A combinação entre planejamento e serviços pensados para otimizar cada etapa da viagem não apenas reduz o estresse, mas também eleva o padrão de conforto e eficiência em aeroportos e voos.

 

Interamerican Network


Férias de julho impulsionam busca por intercâmbio entre adolescentes brasileiros para aprender inglês

 

Estados Unidos, Reino Unido e Malta são destinos que estão no topo da lista dos estudantes  

 

As férias de julho deixaram de ser apenas um período de descanso para muitos adolescentes brasileiros. Cada vez mais jovens têm aproveitado o recesso escolar para realizar programas de intercâmbio de curta duração, combinando o aprendizado, principalmente do inglês, com experiências culturais. 

Entre os destinos que mais despertam o interesse dos estudantes brasileiros estão Estados Unidos, Reino Unido e Malta, em cidades como Oxford, Cambridge, Brighton, Bournemouth, Los Angeles e Nova York. Cada localidade oferece experiências diferentes, que vão desde cidades universitárias históricas até grandes centros urbanos e destinos litorâneos, permitindo que os estudantes pratiquem o idioma em situações do dia a dia enquanto conhecem novas culturas. 

Segundo especialistas da EF Intercâmbios, referência global em educação internacional com presença consolidada em 20 países, os programas de férias têm atraído principalmente adolescentes que desejam realizar o primeiro intercâmbio sem precisar interromper os estudos no Brasil. Além do aprendizado do idioma, programas de curta duração permitem que adolescentes convivam com estudantes de diferentes países durante o período das férias internacionais e contribuem para o desenvolvimento de autonomia, independência, comunicação, adaptação e resolução de problemas, habilidades cada vez mais valorizadas na vida acadêmica e profissional. 

"O perfil do estudante mudou bastante nos últimos anos. Hoje, o adolescente não procura apenas aprender inglês; ele quer viver uma experiência internacional completa, conhecer novas culturas, ganhar autonomia e desenvolver competências que farão diferença ao longo da vida. Os programas de férias atendem exatamente essa demanda porque permitem uma imersão no idioma sem interromper os estudos, tornando o primeiro intercâmbio uma experiência que se encaixa de forma natural na rotina escolar e na vida das famílias", explica Denis Buzzi Boehm, Country Manager da EF. 

A tendência acompanha o aquecimento do setor. Segundo a Pesquisa Selo Belta 2026, o mercado brasileiro de intercâmbio movimentou quase R$ 7 bilhões no último ano e deve crescer 16,6% em 2026. O levantamento também mostra que 85,1% dos interessados nunca fizeram um intercâmbio, indicando que a maior parte da demanda vem justamente de estudantes em busca da primeira experiência internacional. O inglês permanece como o idioma mais procurado (67,8%) e quase metade dos participantes optam por programas com duração de até três meses (49,3%). 

Entre os destinos mais procurados, Malta se destaca por combinar praias e clima mediterrâneo. Já no Reino Unido, cidades como Oxford e Cambridge atraem estudantes interessados em tradição acadêmica, enquanto Brighton e Bournemouth oferecem uma experiência que une o aprendizado do inglês ao estilo de vida das cidades litorâneas britânicas. 

Nos Estados Unidos, destinos como Los Angeles e Nova York oferecem uma imersão no idioma em grandes centros urbanos, enquanto roteiros que incluem Orlando ou visitas a universidades como Harvard, MIT e Yale ampliam a experiência com atividades culturais e contato com algumas das instituições de ensino mais prestigiadas do mundo. 

O intercambista Pietro Bressan, de 15 anos, que embarca para Oxford nas férias de julho, destaca que a viagem representa uma oportunidade de desenvolver o idioma e ampliar sua visão de mundo. "Escolhi Oxford porque sempre admirei a tradição acadêmica da cidade e queria viver essa experiência de perto. Além de aprimorar meu inglês, estou animado para conhecer pessoas de diferentes países, trocar experiências e vivenciar uma cultura diferente da minha. Tenho certeza de que essa oportunidade vai me ajudar a voltar mais preparado, mais independente e com uma visão de mundo ainda mais ampla", afirma. 

Para Milena Bressan, a mãe de Pietro, o intercâmbio também representa um investimento no desenvolvimento pessoal do filho. "Depois da excelente experiência que tivemos com a minha filha no ano passado, ficamos muito confiantes em proporcionar essa oportunidade ao Pietro. Sabemos que o intercâmbio vai muito além do aprendizado do inglês: é uma chance de desenvolver autonomia, maturidade e convivência com pessoas de diferentes culturas. Como ele já teve uma experiência internacional e agora embarca para Oxford com um amigo da escola, estamos tranquilos e felizes por saber que ele vai aproveitar as férias para crescer e viver uma experiência transformadora", conta.

 

EF Intercâmbios


Abaixo da superfície: explore as melhores experiências de mergulho da Turqui

Mergulho em Naufrágio em Bodrum
ResimGoster
 
 
divulgação
Além de fauna e flora marinhas, aviões submersos e cavernas, o país oferece um dos melhores pontos de mergulho do mundo 

 

As férias de verão já não se resumem apenas a relaxar à beira-mar. Cada vez mais, os viajantes escolhem experiências que inspiram a exploração e a aventura, inclusive abaixo da superfície. Refletindo essa tendência, a última Análise do Mercado de Turismo de Mergulho mostra que mais de 65% dos viajantes de aventura buscam ativamente experiências aquáticas, incluindo o mergulho autônomo. Cercada por três mares de águas cristalinas na encruzilhada entre o Oriente e o Ocidente, a Turquia abriga alguns dos pontos de mergulho mais gratificantes do Mediterrâneo e do Egeu, oferecendo experiências subaquáticas inesquecíveis para mergulhadores de todos os níveis. 

A Turquia redefine a experiência de mergulho com sua temporada excepcionalmente longa, destinos de mergulho altamente diversos e paisagens subaquáticas fascinantes que variam de uma vida marinha vibrante a naufrágios históricos. Aqui, os aventureiros podem mergulhar em azuis infinitos diretamente de barcos, explorar naufrágios que carregam os vestígios da história, navegar por cavernas ou cânions misteriosos, desfrutar de mergulhos em paredões ao longo de abismos profundos e até mesmo vivenciar a emoção do mergulho noturno. O melhor de tudo é que esse paraíso subaquático conta com uma excelente seleção de centros de mergulho profissionais e cursos liderados por especialistas experientes.

 

Os melhores pontos de mergulho na Riviera Turca

Quando se trata de mergulhar na Turquia, Antália, a estrela da Riviera Turca, abriga alguns dos destinos subaquáticos mais emblemáticos do país. No coração deles está o belo distrito costeiro de Kaş, classificado entre os dez melhores pontos de mergulho do mundo. Estendendo-se de Kaş até Kalkan e Kemer, a região cativa os mergulhadores com águas cristalinas, visibilidade excepcional e um ecossistema marinho extraordinário, onde vivem tartarugas-cabeçudas, peixes meros, focas-monge-do-mediterrâneo e prados exuberantes de grama marinha. 

Kaş também é um dos principais centros de mergulho arqueológico da Turquia, com tesouros subaquáticos que incluem ânforas antigas, âncoras e pithoi (grandes vasos de cerâmica) perto da Ilha Besmi. Além disso, o naufrágio do avião Dakota, que foi submerso intencionalmente para criar um recife artificial, tornou-se um ponto de encontro para fotógrafos subaquáticos, graças às algas de tons claros que agora o cobrem. Outro destaque é Kanyon, famoso por sua caverna em forma de túnel que abriga uma grande variedade de vida marinha e atrai as atenções pelo histórico Naufrágio Dimitri, que repousa em suas profundezas. 

Mais a leste, Alanya complementa o cenário de mergulho de classe mundial de Antália com uma seleção diversificada de pontos adequados para todos os níveis. Somada à sua reputação como um dos principais destinos de turismo esportivo, a cidade turística oferece atrações subaquáticas que vão de Akvaryum e Amfora até as impressionantes Caverna do Corsário (Korsan) e Caverna dos Namorados (Aşıklar), cujas extensas cavernas subaquáticas proporcionam experiências de mergulho inesquecíveis.

 

Mergulho de classe mundial no Egeu

Depois de explorar os tesouros subaquáticos de Antália, a costa do Egeu revela outro destino de mergulho de classe mundial. Estendendo-se de norte a sul, a região abriga inúmeros pontos de mergulho, com Muğla destacando-se por suas águas cristalinas, baías abrigadas e visibilidade excepcional em Marmaris, Fethiye, Datça e Bodrum. 

Amplamente reconhecida como um dos principais destinos de luxo da Turquia, Bodrum também lidera o caminho no mergulho, oferecendo uma variedade impressionante de locais, desde a Ilha Orak, a Caverna Delikli e a Baía de Poyraz até os seus renomados Recifes Grande e Pequeno. Localizados entre Bodrum e Kara Ada, esses recifes vizinhos são celebrados por sua rica biodiversidade marinha, visibilidade notável e rotas de mergulho adequadas tanto para mergulhadores experientes quanto para iniciantes. 

Além de Bodrum, o Egeu oferece experiências subaquáticas igualmente memoráveis. Em Kuşadası, Aydın, os mergulhadores podem explorar um Airbus A300 submerso, um dos recifes artificiais mais peculiares da Turquia. 

Enquanto isso, Çeşme, na costa de Izmir, apresenta pontos de mergulho notáveis, incluindo a espetacular Caverna Yatak Odası, a Ilha Fener, que é ideal para iniciantes e Yarık Kaya (Ayrıktaş) na Ilha Eşek, um dos lugares favoritos entre os mergulhadores experientes que buscam um terreno subaquático mais desafiador.

 

Nas profundezas da História 

Mais ao norte, no Egeu, outro local espetacular aguarda os entusiastas do mergulho. Lar de um estreito majestoso que liga o Mar de Mármara ao Egeu, Çanakkale ostenta pontos incríveis para explorar o mundo subaquático, estendendo-se do Golfo de Saros até Galípoli. Graças às suas correntes de autolimpeza, o Golfo de Saros mantém águas impecáveis, permitindo a descoberta de uma fauna excepcionalmente rica com uma visibilidade incomparável. 

Çanakkale, onde ocorreu a Campanha de Galípoli na Primeira Guerra Mundial, também oferece experiências inesquecíveis de mergulho em naufrágios saídos diretamente dos livros de história. A Península de Galípoli está incluída na Lista Indicativa do Patrimônio Mundial da UNESCO e é amplamente considerada um dos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial mais bem preservados do mundo. Ao longo de 17 pontos de mergulho distintos, navios naufragados como o SS Milo, o Lundy e o HMS Louis oferecem um vislumbre profundo de um dos fronts mais desgastantes da Primeira Guerra Mundial. 



Türkiye Tourism Promotion and Development Agency (TGA)
GoTurkiye.com 


Reforma do Código Civil gera incertezas para condomínios

 Está em discussão no legislativo a proposta de reforma do Código Civil, que está entre as mais importantes discussões jurídicas e econômicas dos últimos anos. Afinal, é a legislação que rege as relações privadas no Brasil e impactará diretamente setores estratégicos da economia, incluindo o mercado imobiliário e o segmento condominial. Por isso, é natural que seja atualizada para acompanhar as transformações da sociedade.

Mas mudanças dessa magnitude exigem atenção especial, para que os avanços visados não resultem em insegurança jurídica, aumento da litigiosidade ou enfraquecimento das bases que sustentam a atividade econômica. Entre os pontos que mais preocupam nesta reforma proposta está a ampliação das hipóteses que permitem flexibilizar o cumprimento de contratos. Isso porque serão ampliadas de duas para seis as situações nas quais obrigações previamente assumidas podem ser relativizadas ou revistas. Embora o objetivo seja oferecer maior proteção em circunstâncias excepcionais, existe o risco de diminuição da previsibilidade necessária para que pessoas e empresas tomem decisões a longo prazo.

Diante deste contexto, no universo dos condomínios, no qual a previsibilidade é um fator essencial e a gestão financeira depende do cumprimento regular de contratos, do pagamento das taxas condominiais e da segurança jurídica para a execução de obrigações, a reforma preocupa. Quanto maior a incerteza sobre esses compromissos, maiores tendem a ser os impactos para moradores, síndicos e administradoras.

Outra questão relevante envolve o contrato de fiança, principal garantia utilizada no mercado brasileiro de locação imobiliária. A questão é que as alterações propostas ampliam as possibilidades de exoneração do fiador e reduzem a efetividade desse instrumento, podendo ter como resultado um aumento da percepção de risco por parte dos proprietários, com reflexos na oferta de imóveis e nos custos associados às locações.

Deste modo, a maior participação da sociedade nas discussões da Reforma é muito importante. Isso se comprova por recentes estudos feitos pelo Insper e pela consultoria CNA, que reforçaram a necessidade de um debate aprofundado. Estas análises estimaram perdas bilionárias para a economia decorrentes de mudanças relacionadas à responsabilidade civil, ao enfraquecimento das garantias contratuais e à chamada consumerização das relações comerciais. Independentemente dos números finais, o alerta é claro: segurança jurídica continua sendo um dos pilares fundamentais para o crescimento econômico.

Por outro lado, a proposta também apresenta avanços importantes para o setor de condomínios. O reconhecimento expresso do síndico profissional é um deles. A profissionalização da gestão já é uma realidade em empreendimentos cada vez mais complexos, que administram estruturas, equipes, contratos e orçamentos comparáveis aos de pequenas e médias empresas.

Outra conquista será a ampliação da multa por inadimplência para até 10%. Isso é algo muito relevante, pois a inadimplência continua sendo um dos principais desafios da gestão condominial e gera impactos diretos para os moradores que cumprem regularmente suas obrigações. Portanto, mecanismos que estimulem a adimplência contribuirão para a saúde financeira dos empreendimentos e para uma distribuição mais justa dos custos coletivos.

Simultaneamente, alguns temas exigem aperfeiçoamentos. A possibilidade de restringir o direito de voto de condôminos inadimplentes ou infratores, por exemplo, precisa vir acompanhada de critérios objetivos e garantias processuais claras para evitar abusos e judicialização. Da mesma forma, chama atenção a ausência de um regramento específico para os chamados super condomínios, modelo cada vez mais presente nas grandes cidades brasileiras e que ainda carece de uma disciplina legal adequada.

Acredito que o debate sobre a reforma do Código Civil não deve ser encarado como um confronto entre modernização e conservadorismo, mas como a oportunidade de construir uma legislação capaz de equilibrar proteção jurídica, liberdade econômica e estabilidade institucional. Para o setor de condomínios, esse equilíbrio é ainda mais importante, pois impacta diretamente a qualidade da gestão, a previsibilidade financeira e a convivência entre milhões de brasileiros. Penso que é necessário modernizar a legislação, mas com o cuidado de manter a segurança jurídica de todos os envolvidos.


Renda insuficiente? Cinco estratégias para viabilizar o financiamento imobiliário

 Planejamento, composição de renda e uso de benefícios como FGTS e subsídios podem ampliar as chances de aprovação do crédito e aproximar famílias da casa própria

 

Muitas pessoas acreditam que a renda individual é o principal obstáculo para conquistar a casa própria. Embora a capacidade financeira de cada pessoa seja um dos fatores analisados pelas instituições financeiras, especialistas do setor imobiliário destacam que uma renda considerada insuficiente não quer dizer necessariamente que o financiamento está fora de alcance. Com planejamento e o uso correto das ferramentas disponíveis, é possível ampliar as possibilidades de aprovação e tornar o sonho do imóvel próprio mais viável.

De acordo com Simone Vieira Neto, Superintendente de Operações Comerciais da HM Engenharia, referência em soluções imobiliárias acessíveis e de qualidade, existem diferentes alternativas que podem ajudar famílias a superar esse desafio. “Muitas vezes, o comprador desconhece mecanismos descomplicados que podem melhorar sua capacidade de crédito, independente da situação de sua renda”, afirma.

Segundo a especialista, a informação e o planejamento devem ser encarados como parte essencial da jornada rumo à casa própria. “O financiamento imobiliário não depende apenas da renda atual. Existem fatores como composição familiar, uso do FGTS, enquadramento em programas habitacionais e condições específicas de mercado que podem ampliar as oportunidades. Por isso, buscar orientação especializada e conhecer todas as alternativas disponíveis é fundamental”, destaca.

Para auxiliar quem deseja sair do aluguel e conquistar a casa própria, a HM Engenharia reuniu cinco estratégias que podem contribuir para viabilizar o financiamento imobiliário:


  1. Compor renda com outras pessoas

Uma das alternativas mais utilizadas é a chamada composição de renda. Em muitos casos, cônjuges, companheiros ou familiares podem somar seus rendimentos para aumentar a capacidade de financiamento. Essa possibilidade permite que o valor aprovado pelo banco seja maior, ampliando as opções de imóveis disponíveis para compra.


  1. Utilizar o FGTS para reforçar a entrada

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) pode ser um importante aliado na aquisição do imóvel. Dependendo das regras vigentes, o recurso pode ser utilizado para complementar a entrada, reduzir o saldo devedor ou diminuir o valor das parcelas. O uso estratégico do fundo ajuda a reduzir o montante financiado e pode facilitar a aprovação do crédito.


  1. Verificar a possibilidade de acesso a subsídios e programas habitacionais

Programas habitacionais e subsídios governamentais continuam sendo importantes instrumentos de acesso à moradia. Dependendo da faixa de renda e das características do imóvel, os benefícios podem representar uma redução significativa nos custos da compra, tornando o financiamento mais acessível para milhares de famílias.


  1. Avaliar condições facilitadas oferecidas pelas construtoras

Além das condições bancárias, vale a pena pesquisar os benefícios oferecidos pela própria construtora do imóvel visado. Algumas empresas disponibilizam parcelamento da entrada, condições especiais de pagamento e apoio durante o processo de financiamento, como é o caso da própria HM Engenharia. Essas facilidades podem reduzir o impacto financeiro inicial e tornar a aquisição mais compatível com o orçamento familiar.


  1. Realizar simulações antes de tomar a decisão

A simulação é uma etapa fundamental para entender o valor das parcelas, os prazos disponíveis e o comprometimento da renda ao longo do financiamento. Com esse exercício, o comprador consegue avaliar diferentes cenários e identificar opções mais adequadas à sua realidade financeira.

Para a especialista da HM Engenharia, o mais importante é que as famílias não desistam do sonho da casa própria antes de entender todas as possibilidades existentes. “A compra de um imóvel exige organização financeira, mas existem caminhos que ajudam a tornar esse objetivo mais próximo da realidade. Tudo é uma questão de colocar na ponta do lápis todas as variáveis”, conclui.

 

HM Engenharia
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Avanço da IA na RMC acende alerta para riscos e implicações nas relações de trabalh

AndersonPiza


Com 58% das indústrias de Campinas e região já utilizando a tecnologia, o foco se volta para governança, privacidade e o papel indispensável da supervisão humana no ambiente corporativo

 

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) vem registrando uma adoção acelerada da inteligência artificial nas empresas, especialmente na indústria e nos serviços, e esse avanço começa a trazer novas questões para as relações de trabalho. Dados recentes do Ciesp-Campinas indicam que 58% das indústrias da região já utilizam a tecnologia em suas operações cotidianas, enquanto 25% planejam implementá-la a curto prazo. Em paralelo, 59% das empresas locais colocam a IA entre suas prioridades estratégicas, com aplicações voltadas à otimização de processos, logística, manutenção preditiva e administração. O movimento também alcança micro e pequenas empresas, cenário que, na avaliação da advogada especialista em direito do trabalho Caroline Furlan Gibson, exige atenção redobrada aos limites legais e à responsabilidade no uso da ferramenta, sob o risco de novos passivos trabalhistas e ações do Ministério Público do Trabalho (MPT) em casos de discriminação automatizada. “O fato de ainda não termos uma legislação específica e detalhada para a IA no Brasil não significa que vivamos em um vácuo jurídico. As regras da CLT e os princípios constitucionais de proteção ao trabalho continuam plenamente vigentes”, afirma.

Segundo Caroline, a ausência de uma norma própria para inteligência artificial não afasta riscos já conhecidos pela Justiça do Trabalho, especialmente quando a tecnologia passa a interferir em recrutamento, gestão de equipes e monitoramento de produtividade. Ela cita como ponto de atenção o uso de algoritmos em processos seletivos, que podem reproduzir vieses e levar à exclusão por critérios como gênero, idade ou localização. Também chama atenção para modelos de gestão de prestadores de serviços exclusivamente baseados em métricas, metas e punições digitais, que podem configurar vínculo de emprego oculto e ampliar a pressão sobre trabalhadores. Além disso, o uso indevido de ferramentas públicas representa um problema grave, com potencial para o vazamento de segredos comerciais e a violação da LGPD, o que pode, inclusive, fundamentar a demissão por justa causa do colaborador. “A tecnologia deve ser uma ferramenta de apoio, não um carrasco invisível. Quando o trabalhador é monitorado de forma excessiva, com cada pausa cronometrada por sistemas de IA, entramos em um terreno perigoso de violação da privacidade e proteção de dados”, diz.

A advogada lembra ainda que a cobrança desumanizada, pautada por ritmos automatizados e metas inalcançáveis, pode contribuir para casos de burnout e doenças ocupacionais, além de abrir espaço para afastamentos e pedidos de rescisão indireta. No campo da proteção de dados e da intimidade, ela destaca que o monitoramento excessivo por meio de rastreamento de tela, cliques ou biometria facial precisa ser tratado com transparência e limites claros. Do lado dos trabalhadores, a dependência excessiva da IA acende outro alerta: a perda de empregabilidade pela atrofia da análise crítica.

Para as empresas, o caminho do compliance exige estruturar políticas internas claras, investir em licenças corporativas em vez de ferramentas abertas, realizar a auditoria de algoritmos e garantir a supervisão humana sobre decisões sensíveis, como contratações, advertências e desligamentos. “As empresas precisam garantir que o consentimento e a transparência sejam a base do uso dessas ferramentas. A IA pode apresentar as chamadas alucinações, gerando informações falsas ou imprecisas e, por isso, a revisão humana é indispensável”, afirma.

Ao tratar da condução estratégica desse cenário, Caroline resume que o desafio está em equilibrar inovação e responsabilidade. “A prudência é a palavra de ordem. A IA é necessária para a competitividade, mas sua implementação deve ser acompanhada de diálogo aberto. O sucesso da inovação depende de uma estrutura que proteja o ser humano e garanta a sustentabilidade jurídica do negócio. A tecnologia deve servir ao trabalho, e não o contrário”, conclui.


Quanto custa viajar para a próxima Copa? Saiba quanto o brasileiro deve desembolsar para acompanhar o Mundial de 2030

Com jogos em seis países e expectativa de alta demanda por passagens e hospedagem, planejamento antecipado pode reduzir significativamente os custos da viagem

 

A Copa do Mundo de 2026 ainda está em andamento, mas com a eliminação do Brasil, muitos torcedores já começam a olhar para o próximo Mundial. Em 2030, a competição será disputada principalmente na Espanha, em Portugal e no Marrocos, além de três partidas comemorativas do centenário no Uruguai, na Argentina e no Paraguai. O formato inédito, espalhado por dois continentes, promete criar novas oportunidades de viagem, mas também exigirá planejamento financeiro dos brasileiros. 

Embora a FIFA ainda não tenha divulgado os preços oficiais dos ingressos nem os detalhes operacionais da Copa de 2030, já é possível fazer projeções com base nos valores praticados em grandes eventos esportivos, na inflação do setor de turismo e nas tarifas atuais para os países-sede. 

"A Copa do Mundo continua sendo uma das viagens mais desejadas pelos brasileiros, mas também uma das que mais sofrem com oscilações de preço conforme a demanda aumenta. Quem pretende viajar em 2030 deve começar a se organizar financeiramente desde já, porque comprar passagens e reservar hospedagem com antecedência pode representar uma economia de milhares de reais", afirma Edmar Mendoza, CEO da Biosfera Copastur, agência 360 com mais de 50 anos de bagagem em gestão de viagens corporativas e a lazer. 

Considerando um roteiro de aproximadamente dez dias para acompanhar de dois a três jogos na Península Ibérica (Espanha e Portugal), a estimativa é que um viajante brasileiro desembolse entre R$ 22 mil e R$ 38 mil, dependendo da antecedência da compra e do padrão da viagem.

 

*Valores projetados com base na evolução histórica dos preços das últimas edições da Copa do Mundo.

 

Caso o torcedor queira incluir uma das partidas comemorativas na América do Sul e depois seguir para Europa ou Marrocos, o orçamento pode ultrapassar R$ 45 mil, principalmente em razão dos deslocamentos intercontinentais. 

Assim como ocorreu na Copa de 2026, especialistas esperam forte pressão sobre hotéis nas cidades-sede. Durante o Mundial disputado nos Estados Unidos, México e Canadá, houve registros de diárias superiores a US$ 4.000 em alguns destinos, enquanto a alta demanda elevou significativamente os preços de acomodações e transporte. 

Na avaliação da Biosfera Copastur, embora Espanha, Portugal e Marrocos possuam ampla infraestrutura turística, cidades menores ou que receberem partidas decisivas poderão registrar aumentos expressivos nas tarifas. 

Segundo o especialista, o maior erro é esperar o sorteio da fase de grupos para começar a organizar a viagem. "As primeiras reservas costumam oferecer a melhor relação entre preço e disponibilidade. Depois da definição das sedes dos jogos e da classificação das seleções, a tendência é de aumento expressivo na procura, especialmente por voos e hotéis próximos aos estádios", explica Mendoza. 

Além da economia, iniciar o planejamento com alguns anos de antecedência permite parcelar custos, utilizar programas de fidelidade, aproveitar promoções aéreas e montar roteiros personalizados.

 

Copa também pode impulsionar turismo além dos jogos

Outro diferencial da edição de 2030 será a possibilidade de combinar futebol com experiências culturais em diferentes países. 

O roteiro pode incluir cidades como Madri, Barcelona, Lisboa, Porto, Marrakech e Casablanca, permitindo que o torcedor transforme a viagem esportiva em férias pela Europa e pelo norte da África.   

"A tendência é que muitos brasileiros aproveitem a Copa para conhecer mais de um destino durante a mesma viagem. É um tipo de roteiro que exige logística eficiente, integração entre transporte, hospedagem e ingressos, mas proporciona uma experiência muito mais completa", conclui Edmar.


Re(pensar) a educação na era da IA

Pensar leva tempo e tempo é o que menos temos. Parece que quanto mais a tecnologia avança e promete trazer ganho de eficiência em nossas vidas, mais atarefados estamos. Entramos em um ciclo nada virtuoso, que pode nos tornar meros “replicadores”. 

Esse caminho é particularmente perigoso quando se trata da educação e é por isso que o avanço das tecnologias, em especial a Inteligência Artificial e agora a Inteligência Artificial Generativa, deve provocar em nós, educadores, o desejo de pensar a educação.

Por exemplo, a premissa socrática de que uma vida irrefletida não valeria a pena ser vivida é desafiada pelo contexto da aceleração contemporânea. Em um cenário onde frequentemente não conseguimos avaliar as melhores alternativas, considerar diferentes perspectivas ou nos permitir um repensar genuíno, como podemos esperar que as manifestações - positivas ou negativas -, da Inteligência Artificial sejam debatidas de maneira sensata e profunda?

Evidente que essa situação não se restringe à Inteligência Artificial. No contexto de uma civilização do espetáculo, como descreve Mario Vargas Llosa - onde todos nos consideramos cultos, mesmo sem jamais termos lido um livro, visitado uma exposição, assistido a um concerto ou adquirido noções fundamentais de conhecimento humanístico, científico e tecnológico -, o reforço dopaminérgico promovido por smartphones e redes sociais reforça a diluição da figura do indivíduo reflexivo. Aquele que se dedica a um problema, concentra-se profundamente e se dispõe a investigar os “porquês” das coisas torna-se uma raridade. Aparentemente, a sociedade contemporânea se afasta cada vez mais do ideal kantiano de “ousar pensar”, substituindo-o por uma superficialidade alimentada pelo fluxo incessante de estímulos imediatos. 

E nessa jornada a metacognição é etapa fundamental. A metacognição nos possibilita investigar e monitorar os processos cognitivos e trabalhar na sua auto-regulação. Questionar quais são os caminhos que podemos utilizar, os métodos mais eficientes para determinadas áreas, como a neurociência explica certos fenômenos relacionados à aquisição do conhecimento, como a fisiologia humana interfere, como o estado emocional inibe ou promove o conhecimento, como a Inteligência Artificial vem atuando nos processos de aprendizagem e quais mudanças estão ocorrendo e podem ocorrer...enfim, como o ser humano conhece o conhecer e como se conduz diante desse conhecimento. 

Humberto Maturana e Francisco Varela, na obra clássica "A árvore do conhecimento" - sem falar em metacognição, mas trazendo a noção de reflexão -, destacam que a reflexão é “um processo de conhecer o conhecer, um ato de voltar a nós mesmos, a única oportunidade que temos de descobrir nossas cegueiras e reconhecer que as certezas e os conhecimentos dos outros são, respectivamente, tão aflitivos e tão tênues quanto os nossos”. 

Feito o percurso da metacognição, a reflexão vem lapidar esses diversos saberes que se encontram postos, precisando apenas de tempo...tempo para uma conversa na sala dos professores, para uma oficina temática, para um encontro mensal de formação, para um café ou vinho filosófico.

Uma reflexão responsável, crítica e comprometida com o ser humano naturalmente conduz a uma ação consciente, autorregulada e efetiva e nos dá suporte para seguir educando nesse mundo de tantas novidades e incertezas. 


Murilo Karasinski - professor do Programa de Pós-Graduação em Bioética e membro do Observatório de Inteligência Artificial na Educação Superior da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). 

Patricia Eliane da Rosa Sardeto - professora do Curso de Direito, coordenadora do IURIS - Laboratório de Inovação Jurídica da PUCPR Câmpus Londrina, endorser do Rome Call for AI Ethics da Fundação RenAIssance-Vaticano e membro do Observatório de Inteligência Artificial na Educação Superior da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).


Golpes em reservas de hotéis e aluguel por temporada: como identificar fraudes e proteger seus direito

Advogada explica quais cuidados ajudam a evitar prejuízos e orienta o que fazer caso o consumidor seja vítima de um golpe

 

Planejar uma viagem exige atenção em todas suas etapas, inclusive na forma como a hospedagem é contratada. Com o aumento das reservas pela internet, especialmente em períodos de férias e feriados, também cresce o número de golpes envolvendo hotéis, pousadas e imóveis de aluguel por temporada. Anúncios falsos, perfis clonados e cobranças realizadas fora das plataformas oficiais estão entre as práticas mais comuns utilizadas por criminosos para enganar consumidores. 

Segundo Giuliana Pessotti, coordenadora do curso de Direito da Faculdade Anhanguera de Linhares, a prevenção começa antes mesmo da confirmação da reserva. Para ela, um dos principais sinais de alerta são ofertas muito abaixo do valor praticado pelo mercado, principalmente quando acompanhadas da exigência de pagamento imediato. 

"É importante desconfiar de promoções excessivamente vantajosas, sobretudo quando o anunciante pede que o pagamento seja feito rapidamente por PIX ou transferência bancária para contas de pessoas físicas. O consumidor deve verificar a autenticidade da oferta antes de concluir qualquer negociação", orienta. 

A advogada explica que também vale a pena pesquisar a reputação do estabelecimento e confirmar se o anúncio foi publicado em um canal oficial ou mesmo se é muito recente. Entrar em contato diretamente com o hotel ou pousada pelos telefones disponíveis no site da empresa pode evitar transtornos, assim como verificar avaliações recentes de outros hóspedes e conferir se o endereço informado realmente existe. 

Nos casos de aluguel por temporada, Giuliana recomenda atenção redobrada quando o proprietário solicita que toda a negociação seja transferida para aplicativos de mensagens ou pede que o pagamento seja realizado fora da plataforma onde o anúncio foi publicado. 

"Quando a reserva é intermediada por uma plataforma, o mais seguro é manter tanto a comunicação quanto o pagamento dentro do próprio ambiente da empresa. Isso oferece mais mecanismos de segurança e facilita a comprovação da contratação caso ocorra algum problema", explica. 

Outro cuidado importante é guardar toda a documentação relacionada à reserva. Conversas, e-mails, anúncios, comprovantes de pagamento e recibos podem ser fundamentais caso seja necessário buscar a reparação dos prejuízos. 

Se, mesmo com os cuidados, o consumidor perceber que caiu em um golpe, a especialista orienta agir rapidamente. O ideal é comunicar imediatamente a instituição financeira responsável pela transação para verificar a possibilidade de bloqueio ou rastreamento do valor, além de registrar um boletim de ocorrência e informar a plataforma utilizada na negociação, quando houver. 

Do ponto de vista jurídico, Giuliana destaca que cada situação deve ser analisada individualmente. Dependendo da forma como a contratação ocorreu e da participação da plataforma na intermediação do serviço, pode haver responsabilidade pelo dano sofrido pelo consumidor. 

"O Código de Defesa do Consumidor oferece instrumentos de proteção quando há falha na prestação do serviço ou descumprimento da oferta. Por isso, reunir provas da negociação é essencial para que o consumidor possa buscar seus direitos pelos canais administrativos ou judiciais, quando for o caso", afirma. 

Para a professora , embora a tecnologia tenha facilitado o planejamento das viagens, ela também exige mais cautela dos consumidores. "Alguns minutos dedicados à conferência das informações, da identidade do anunciante e das condições da reserva podem evitar prejuízos financeiros e garantir mais tranquilidade durante toda a viagem", conclui Giuliana Cometti Pessotti. 



Anhanguera
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