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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Grupo GSH adota novos critérios para doação de sangue, de acordo com a nova portaria do Ministério da Saúde

 


A partir de outubro mais pessoas poderão estar aptas a doar sangue, graças à atualização dos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde para a doação em todo o país. A Portaria GM/MS nº 11.685/2026 revisa diferentes situações que anteriormente impediam a doação por períodos mais longos ou até de forma definitiva, tornando as regras mais específicas para determinados casos e ampliando a possibilidade de participação de voluntários, sem abrir mão da segurança transfusional.

O Grupo GSH, referência nacional em hemoterapia, já está devidamente alinhado às novas determinações e preparou suas equipes e processos para a aplicação dos novos critérios a partir da data de entrada em vigor da portaria. A atualização inclui mudanças na avaliação clínica dos candidatos, nos períodos de inaptidão e na análise de situações relacionadas a medicamentos, procedimentos, doenças e viagens.


“Uma atualização como essa é importante porque acompanha a evolução do conhecimento médico e permite que situações que antes eram tratadas de maneira mais restritiva possam ser avaliadas de forma individualizada. O resultado é a possibilidade de que mais pessoas possam contribuir com a doação de sangue, sempre respeitando critérios técnicos rigorosos para proteger tanto o doador quanto o paciente que receberá a transfusão”, explica Dr. Leandro Felipe Figueiredo Dalmazzo, vice-presidente médico do Grupo GSH.

Divulgação
Entre as mudanças está a liberação de algumas condições clínicas que anteriormente resultavam em inaptidão definitiva. No caso das neoplasias, por exemplo, a nova regulamentação estabelece inaptidão definitiva para melanoma e neoplasias do sistema hematopoiético, como linfomas, leucemias e mielomas. Para outras neoplasias, a doação poderá ser realizada cinco anos após o término do tratamento, desde que o candidato esteja em remissão e sem doença ativa. Histórico de carcinoma in situ de colo uterino e carcinoma basocelular de pele também deixa de impedir a doação após o tratamento concluído.

“A lógica passa a ser mais específica para cada situação. Não se trata simplesmente de liberar ou impedir a doação, mas de estabelecer critérios e períodos compatíveis com o risco envolvido em cada condição. É por isso que a triagem clínica continua sendo fundamental, é ela que permite avaliar individualmente cada candidato antes da coleta”, afirma a superintendente médica do Grupo GSH, Dra. Fabiana Akil.

A revisão também reduz períodos de inaptidão em diversas situações. Quem recebeu transfusão de sangue ou teve um novo parceiro sexual, por exemplo, passa de um período de 12 meses sem doar para quatro meses. Para quem teve resfriado comum, sem febre, o prazo após o desaparecimento dos sintomas passa de sete para três dias, desde que a pessoa não esteja utilizando medicamentos.

Procedimentos como tatuagem e maquiagem definitiva também tiveram seus prazos revisados. Quando realizados em local que possa ser avaliado e esteja de acordo com as normas sanitárias, o período de inaptidão passa de 12 meses para um mês, como definido também pelo comitê médico do GSH. Para piercing, acupuntura e procedimentos estéticos invasivos, como botox, preenchimentos e microagulhamento, o período passa a ser de sete dias, desde que seja possível avaliar as condições de segurança do procedimento. Caso essa avaliação não seja possível, permanecem períodos maiores de inaptidão.

Também houve mudanças relacionadas a medicamentos. O uso de agonistas de GLP-1 injetáveis, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, passa a exigir um período de inaptidão de 14 dias após o início do tratamento ou mudança de dose, desde que o paciente não apresente sintomas de desidratação. O compartilhamento do medicamento, entretanto, determina inaptidão de quatro meses.

No caso dos anabolizantes e hormônios injetáveis, o período de inaptidão passa de seis meses para quatro meses. Quando houver prescrição médica, o candidato deve apresentar a documentação durante a triagem para avaliação da possibilidade de liberação antes desse prazo.

“A redução de alguns períodos de inaptidão representa uma oportunidade para que pessoas que já são doadoras, ou que desejam começar a doar, possam retornar mais rapidamente à condição de aptas. Mas é importante ressaltar que cada caso continua sendo avaliado pela equipe responsável pela triagem. A flexibilização dos prazos vem acompanhada de critérios objetivos para garantir a segurança do processo”, reforça Dr. Leandro.

 

Mais segurança na avaliação

A nova portaria também incorpora mudanças que ampliam os mecanismos de segurança da triagem. Uma delas é a inclusão do NAT para malária como teste de triagem em todas as doações de sangue. Este teste detecta o material genético do parasita causador da Malária, reduzindo o tempo de espera de 12 meses para 30 dias em doadores que visitaram áreas endêmicas e também impedindo a transmissão em casos assintomáticos.

Também foram atualizados os critérios para candidatos que viajaram ou são procedentes de regiões nacionais ou internacionais com circulação de doenças infecciosas que não são prevalentes no local da doação. Para a malária, especificamente, a exposição a regiões de mata, bosque ou floresta passa a ser considerada na avaliação, assim como episódios recentes de febre ou suspeita da doença.

“A informação fornecida pelo candidato durante a triagem é uma das ferramentas mais importantes para a segurança transfusional. Por isso, é fundamental informar corretamente o histórico de saúde, medicamentos utilizados, viagens, procedimentos realizados e qualquer outra situação questionada pela equipe. A avaliação médica considera esse conjunto de informações para determinar se a doação pode ser realizada com segurança”, explica Dra. Fabiana.

A nova regulamentação também altera critérios relacionados a histórico de hepatite viral, malária, hemocromatose, hipertireoidismo, cirurgia bariátrica, procedimentos endoscópicos, úlcera péptica, uso de PrEP e PEP, transplantes e terapia gênica, entre outras situações. 

Principais mudanças:

Entre os critérios atualizados pela Portaria GM/MS nº 11.685/2026 estão:

  • Doadores acima de 70 anos: doadores de repetição podem continuar doando, mediante requisitos específicos e avaliação médica;
Transfusão de sangue e novo parceiro sexual: período de inaptidão reduzido de 12 para quatro meses;
  • Resfriado comum sem febre: período reduzido de sete para três dias após o desaparecimento dos sintomas, sem uso de medicamentos;
  • Tatuagem e maquiagem definitiva: período reduzido de 12 meses para um mês, quando o local puder ser avaliado e estiver regulamentado;
  • Piercing, acupuntura e procedimentos estéticos invasivos: período de sete dias, desde que seja possível avaliar as condições de segurança;
  • Cirurgia bariátrica: período reduzido de 12 para seis meses, desde que o candidato não apresente anemia;
  • Procedimentos endoscópicos: período reduzido de seis para quatro meses;
  • Anabolizantes e hormônios injetáveis: período passa de seis para quatro meses, observadas as condições previstas na nova norma;
  • Agonistas de GLP-1 injetáveis: inaptidão de 14 dias após início ou mudança de dose, desde que não haja sintomas de desidratação;
  • Malária: novos critérios de elegibilidade e inclusão do NAT para malária na triagem de todas as doações;
  • Neoplasias: revisão dos critérios, com possibilidade de doação em determinadas situações após o tratamento e período de acompanhamento;
  • Hemocromatose: deixa de ser impedimento definitivo para a doação, observadas as orientações sobre a frequência das doações;
  • PrEP e PEP: inaptidão de 4 meses a contar da última dose oral ou 2 anos se for uso injetável.

As novas regras entram em vigor em outubro de 2026 e serão aplicadas em todos os bancos de sangue do Grupo GSH (confira as localizações neste link), em conformidade com as determinações do Ministério da Saúde.


Dia da Doação de Órgãos: 73,8 mil pessoas esperam por um transplante no Brasil, e 45% das famílias recusam a doação

 No Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado neste domingo (27), o Brasil tem o maior programa público de transplantes do mundo, mas a recusa de 45% das famílias ainda dificulta a doação

 

Setembro marca a campanha Setembro Verde, dedicada à conscientização sobre a doação de órgãos. Neste domingo, 27 de setembro, é celebrado o Dia Nacional da Doação de Órgãos. A data chama atenção para uma conversa que muitas famílias adiam, mas que pode fazer diferença no momento de decidir pela doação.

Segundo os dados mais recentes do Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), 73.877 pessoas aguardavam na lista de espera em dezembro de 2025, incluindo pacientes que aguardavam órgãos e córneas. No mesmo ano, 45% das famílias entrevistadas recusaram a doação. O índice era de 46% em 2024.

“A recusa geralmente vem do medo e da falta de informação. Muitas famílias não conversam sobre o tema e, na hora da perda, acabam decidindo pelo ‘não’. É por isso que precisamos falar mais abertamente sobre doação de órgãos em casa, nas escolas e em todos os espaços possíveis”, explica a Dra. Patrícia Almeida, hepatologista pela Sociedade Brasileira de Hepatologia e doutora pela Universidade de São Paulo (USP).

Em 2025, o Brasil realizou 6.697 transplantes de rim, 2.573 de fígado, 427 de coração, 142 de pâncreas e 96 de pulmão. Apesar dos procedimentos realizados, milhares de pessoas continuam à espera.

A doação pode ocorrer em vida, em situações específicas, como a doação de um rim ou de parte do fígado. Após a confirmação de morte encefálica, a retirada de órgãos e tecidos depende da autorização da família.

Entre os órgãos que podem ser doados estão coração, fígado, rins, pulmões, intestino e pâncreas. Também podem ser doados tecidos, como córneas, pele, ossos, tendões e válvulas cardíacas.

“Quando falamos em doação, não estamos falando de estatísticas frias. Estamos falando de pessoas reais que ganham uma segunda chance de vida, de famílias que voltam a sorrir, de crianças que podem crescer saudáveis. É sobre humanidade e solidariedade”, reforça a médica.
 

Mitos que ainda afastam as famílias

1-A aparência do corpo será alterada. Mito. A retirada de órgãos e tecidos é um procedimento cirúrgico realizado com cuidado para preservar a aparência do doador.

2-É possível furar a fila. Mito. A distribuição segue critérios estabelecidos pelo sistema de transplantes, como compatibilidade e condições clínicas.

3-Se a pessoa disse “sim” em vida, a família não pode recusar. Mito. No Brasil, a autorização da família é necessária para a doação após a morte.

“Um dos mitos mais comuns é o de que alguém pode passar na frente da fila, mas isso não existe. O sistema é baseado em critérios clínicos. A confiança nesse processo é fundamental para que mais pessoas se sintam seguras em dizer ‘sim’ à doação”, afirma a Dra. Patrícia.
 

Como se tornar um doador

Para manifestar a vontade de doar órgãos após a morte, o mais importante é conversar com a família. Não é necessário fazer um cadastro ou registrar a decisão em cartório. Quando a doação se torna possível, são os familiares que precisam autorizá-la.

“Muita gente acredita que precisa de um registro em cartório ou um documento especial, mas não é verdade. Basta conversar com a sua família e deixar clara a sua vontade”, esclarece a especialista.

 

Dra. Patrícia Almeida - CRM SP 159821. Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (2010). Residência Médica em Clínica Médica no Hospital Geral Dr César Cals em Fortaleza-CE- (2011-12). Residência em Gastroenterologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo-(USP RP) (2013/15). Aprimoramento em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP)- (2016). Aprimoramento em Transplante de fígado no Hospital das clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP) (2017). Observership no Jackson Memorial Hospital em Miami/EUA 2017. Doutorado em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. ítulo de Especialista em Gastroenterologia pela FBG Título em Hepatologia pela SBH. epatologista do Hospital Israelita

 

Doação de órgãos: conversa em família pode ajudar a salvar vida

Hospital Sapiranga reforça importância de esclarecer dúvidas e manifestar previamente o desejo de ser doador 

 

Falar sobre doação de órgãos antes que uma situação de emergência aconteça pode facilitar uma das decisões mais difíceis enfrentadas por uma família. Neste domingo, 27/09, Dia Nacional da Doação de Órgãos, o Hospital Sapiranga reforça a importância de esclarecer dúvidas sobre a morte encefálica, conhecer o processo de captação e, principalmente, conversar com os familiares sobre o desejo de ser doador.

Quando um paciente está internado em estado grave, especialmente após uma lesão cerebral, a equipe médica pode iniciar a investigação de uma possível morte encefálica. Diferentemente do coma, essa condição representa a perda completa e irreversível das funções do cérebro, incluindo o tronco encefálico. Embora o coração possa continuar batendo temporariamente com o auxílio de equipamentos, a pessoa já faleceu.

A confirmação segue critérios médicos rigorosos, com avaliações realizadas por profissionais habilitados e exames previstos no protocolo. Após o diagnóstico e a comunicação do óbito à família, a possibilidade de doação pode ser abordada. Havendo autorização dos familiares, são realizadas as avaliações necessárias para verificar quais órgãos e tecidos apresentam condições para transplante, em articulação com a Central de Transplantes.

“A prioridade da equipe médica é sempre salvar a vida do paciente. A possibilidade de doação somente é considerada quando todos os esforços para o tratamento foram realizados e a morte encefálica foi confirmada. A partir daí, a integração com a Central de Transplantes permite conduzir todas as etapas com segurança, agilidade e respeito”, explica o presidente da e-Dot - Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes do Hospital Sapiranga, Pedro Lima.

Além dos procedimentos médicos, o acolhimento aos familiares ocupa papel central. Informações claras, tempo para compreender a situação e espaço para perguntas ajudam a tornar o processo mais humanizado em um momento marcado pela dor e pelo luto.

A psicóloga do Hospital Sapiranga, Viviana Mayer Blume, destaca que muitos receios surgem justamente pela falta de informação sobre a morte encefálica. “Algumas famílias ainda têm dúvidas se existe possibilidade de recuperação ou se a doação poderia interferir nos cuidados oferecidos ao paciente. É importante compreender que a doação somente é abordada depois da confirmação da morte encefálica, seguindo todo o protocolo previsto. Antes disso, todos os esforços são direcionados ao tratamento do paciente”, esclarece.

No Brasil, a doação de órgãos após a morte depende da autorização familiar. Por isso, manifestar previamente esse desejo pode fazer diferença quando os familiares precisam decidir em meio ao impacto de uma perda.

“Quando a pessoa já conversou sobre o assunto e deixou claro que gostaria de ser doadora, a família não precisa tomar essa decisão apenas com base em suposições. Ela passa a conhecer a vontade daquele familiar. Em um momento de extrema fragilidade, isso pode tornar a decisão mais consciente e também ajudar a dar um novo significado à perda”, afirma Viviana.

O Dia Nacional da Doação de Órgãos também é uma oportunidade para incluir o assunto nas conversas cotidianas. “Falar sobre doação é falar sobre vida, solidariedade e cuidado. Uma conversa feita hoje pode, no futuro, representar uma nova chance para alguém que aguarda por um transplante”, acrescenta a psicóloga.

Ao ampliar o acesso à informação e estimular o diálogo familiar, o Hospital Sapiranga busca contribuir para que a doação de órgãos seja compreendida com mais segurança, transparência e respeito, tanto por quem deseja ser doador quanto pelas famílias responsáveis pela autorização.Para mais informações sobre o Hospital Sapiranga, entre em contato pelo telefone (51) 3599-8100 ou acesse www.hospitalsapiranga.com.br.

 

 Marcelo Matusiak


Gestação e câncer de mama: como conciliar o tratamento com a geração de uma nova vida

Para mulheres que enfrentam a doença em idade reprodutiva, a preocupação com a maternidade deve fazer parte de todo o tratamento: desde identificar a melhor forma de preservação da fertilidade durante o tratamento quimioterápico até o momento ideal de decidir pela gestação com segurança. 

 

Quando a mulher recebe o diagnóstico de câncer de mama, a possibilidade de maternidade passa a ter um papel secundário na vida da mulher. A necessidade de uso de medicações que possam atrapalhar a reserva ovariana e o medo de que o aumento hormonal durante a gestação favoreça o crescimento e a recidiva do tumor são preocupações frequentes entre elas. Com isso, muitas dúvidas passam a fazer parte da vida da mulher: como saber se o meu tratamento afetou minha reserva ovariana? Quanto tempo preciso esperar após tratamento? É seguro adiar alguma medicação para poder engravidar? Se eu quiser engravidar, tenho risco de o câncer voltar? Vencer o câncer de mama não significa necessariamente encerrar os planos de maternidade. Para muitas mulheres diagnosticadas durante a idade reprodutiva, a possibilidade de engravidar depois do tratamento passa a ser uma nova etapa da vida, mas também traz dúvidas e decisões que precisam ser avaliadas individualmente: o tratamento afetou a reserva ovariana? Ainda existe potencial reprodutivo? Quanto tempo é necessário esperar? É seguro interromper uma terapia hormonal? A gestação aumenta o risco de o câncer voltar? 

Essas questões fazem parte de uma área cada vez mais importante do cuidado oncológico: a preservação da fertilidade e o planejamento reprodutivo após o câncer. A atualização mais recente da American Society of Clinical Oncology (ASCO), publicada em 2025, passou a recomendar que a preservação da fertilidade seja discutida desde o momento do diagnóstico e que o planejamento de gestação seja abordado durante todo o tratamento, mesmo que a gestação não seja uma prioridade imediata, não apenas no momento do diagnóstico, mas também durante o acompanhamento de longo prazo das pessoas que já passaram pelo tratamento.

Para Dra. Karina Belickas, obstetra e mastologista do Hospital e Maternidade Santa Joana, o desejo de engravidar depois do câncer de mama precisa ser incorporado ao planejamento do tratamento e do acompanhamento da paciente. 

“Para uma mulher que recebe o diagnóstico de câncer de mama ainda jovem, a preocupação com a fertilidade pode parecer que tenha menor relevância em meio a muitas outras decisões urgentes. Por isso, é importante que o desejo de ter filhos seja conhecido pela equipe desde o início. Depois do tratamento, esse planejamento pode ser retomado, mas sempre considerando o tipo e o estadiamento inicial do tumor, os tratamentos realizados, a idade da paciente, a reserva ovariana e o risco individual de recorrência”, explica. 

O impacto sobre a fertilidade depende principalmente do tratamento recebido. A quimioterapia pode provocar redução da reserva ovariana, levando, em alguns casos, à própria menopausa e, em alguns casos, à falência ovariana ou à antecipação da menopausa. No entanto, esse impacto vai depender de fatores individuais, como o tipo de quimioterápico utilizado, a idade do início do tratamento, a reserva ovariana inicial e o próprio histórico familiar em relação à precocidade da menopausa. O risco não é igual para todas as mulheres: idade no momento do tratamento, medicamentos utilizados, doses e características individuais interferem no efeito sobre os ovários. Um estudo de 2025 realizado no Instituto Nacional de Câncer (INCA) reforça que agentes alquilantes, como a ciclofosfamida, e antraciclinas, muito presentes na quimioterapia preconizada para tratamento do câncer de origem mamária, estão entre os tratamentos com maior potencial de toxicidade ovariana, enquanto os tratamentos não medicamentosos não possuem um impacto direto. 

Por isso, a avaliação da fertilidade deve fazer parte do início do tratamento, e não deve ser adiada para depois do seu término. Além da preocupação com a reserva ovariana, sempre que possível, mulheres em idade reprodutiva devem receber orientação sobre preservação da fertilidade antes do início de terapias potencialmente gonadotóxicas. Entre as possibilidades estão o congelamento de óvulos, congelamento de embriões e, em casos específicos, congelamento de tecido ovariano. A ASCO também passou a reconhecer a maturação in vitro de óvulos como uma estratégia emergente de preservação da fertilidade para algumas pacientes (isso é muito abstrato atualmente, melhor não colocar). 

Mesmo que a preocupação com o uso de medicamentos não seja comum a todas as mulheres, o fator tempo estará sempre presente para as que conseguem ou precisam preservar óvulos antes do tratamento. Algumas já têm filhos, outras recebem um diagnóstico que exige início rápido da terapia e não permite postergar o tratamento para realizar um procedimento de fertilidade. Há ainda aquelas que, após o tratamento, recuperam a função ovariana espontaneamente e conseguem engravidar naturalmente. 

A idade sempre será um fator muito importante na jornada dessa mulher que vai precisar aguardar o momento mais seguro para engravidar após diagnóstico. É justamente nesse momento que surge outro desafio: a idade. Mesmo que os ovários retomem sua atividade depois da quimioterapia, a fertilidade feminina continua sujeita ao processo natural de redução da quantidade e da qualidade dos óvulos ao longo dos anos. Para uma mulher que recebeu o diagnóstico aos 30 anos e precisou dedicar alguns anos ao tratamento, por exemplo, a decisão de esperar mais tempo pode ter impacto diferente daquela de uma paciente diagnosticada aos 38 ou 40 anos.

“Não podemos olhar apenas para o fato de a menstruação ter voltado. Menstruar novamente não significa necessariamente que a reserva ovariana esteja preservada. Ela sempre estará reduzida, quer seja por ação direta de quimioterápicos, quer seja pela idade. A orientação a ser oferecida a essa mulher precisa considerar a idade, a história reprodutiva e exames de reserva ovariana, sempre dentro do contexto oncológico”, explica Dra. Karina.
 

Gravidez depois do câncer exige planejamento, não necessariamente renúncia 

Após a decisão de engravidar, chegamos à próxima preocupação: será que com a gestação meu risco oncológico vai aumentar? Uma das principais dúvidas das pacientes é se uma futura gravidez poderia aumentar o risco de o câncer de mama voltar. A resposta depende de diversos fatores, mas evidências mais recentes são importantes para reduzir o medo de que a gestação seja automaticamente contraindicada em mulheres que já passaram pelo tratamento. 

O estudo POSITIVE, publicado em 2023 no New England Journal of Medicine, acompanhou mulheres de até 42 anos com histórico de câncer de mama inicial com receptores hormonais positivos que desejavam engravidar. Entre as 497 participantes avaliadas para o desfecho de gravidez, 368 tiveram pelo menos uma gestação e 317 tiveram ao menos um nascimento com vida. No acompanhamento disponível, a interrupção temporária da terapia endócrina para tentativa de gravidez não apresentou aumento do risco de eventos relacionados ao câncer em comparação com um grupo de mulheres que não realizaram a pausa, embora os próprios pesquisadores ressaltem a importância de manter o seguimento dessas mulheres por mais tempo para garantir resultados mais concretos. 

Isso não significa que toda mulher possa simplesmente interromper a hormonioterapia para engravidar. A estratégia estudada no POSITIVE foi específica para um grupo selecionado de pacientes, que já havia recebido entre 18 e 30 meses de terapia endócrina e passou por avaliação médica antes da interrupção. O protocolo previa ainda um período de suspensão de pelo menos 3 meses dos medicamentos antes da tentativa de gravidez e a retomada do tratamento em até dois anos, que poderia contemplar, ou não, uma gestação e amamentação, se dentro do período determinado, após a gestação e a amamentação, quando indicada. 

“O resultado desse estudo é muito importante porque traz segurança para uma conversa que durante muito tempo foi cercada de medo. Mas ele não significa que a gravidez esteja liberada para todas as mulheres que tiveram câncer de mama. A decisão precisa ser feita em conjunto com a oncologia e a obstetrícia, levando em conta o subtipo do tumor, o estágio da doença, o tratamento realizado e o risco individual da paciente”, ressalta a especialista. 

A própria diretriz da ESMO reconhece que, para mulheres que desejam engravidar, as evidências disponíveis indicam que a gestação pode ser segura após o tratamento do câncer de mama em situações selecionadas. Para pacientes com doença inicial hormônio-dependente, a interrupção temporária da terapia endócrina pode ser considerada em contextos específicos, seguindo critérios médicos e com retomada posterior do tratamento. 

Outro ponto que merece atenção é que o tratamento pode não ter terminado quando a paciente recebe alta da quimioterapia ou da cirurgia. Mulheres com tumores hormônio-dependentes podem precisar de terapia endócrina por até 10 anos, fora do contexto metastático, que pode durar além desse tempo, durante vários anos. Esse período coincide justamente com uma fase em que a fertilidade já está naturalmente diminuindo, o que torna o planejamento reprodutivo ainda mais delicado. 

Para algumas pacientes, portanto, a conversa sobre maternidade precisa começar antes mesmo do primeiro ciclo de quimioterapia. Para outras, ela será retomada anos depois, quando o tratamento estiver mais avançado ou concluído. Em ambos os cenários, a avaliação individualizada é fundamental. 

A questão emocional também não pode ser ignorada. Depois de enfrentar uma doença potencialmente grave, muitas mulheres passam a viver a gravidez com sentimentos contraditórios: felicidade pelo desejo de ter um filho, mas também medo de uma possível recidiva, receio de que a gestação prejudique a própria saúde ou preocupação com os efeitos que o tratamento possa ter provocado sobre o organismo. 

“A paciente pode chegar ao consultório depois de ter vencido uma etapa muito difícil e ainda carregar o medo de que engravidar seja uma ameaça para a sua saúde. É importante acolher essa insegurança e transformar a decisão em um planejamento médico estruturado. O objetivo é que ela não precise escolher entre cuidar da própria saúde e falar sobre o desejo de ser mãe”, afirma Dra. Karina. 

A gestação também precisa ser acompanhada de forma individualizada. Dependendo do histórico da paciente, podem ser necessários cuidados obstétricos específicos e integração com a equipe responsável pelo seguimento oncológico. O histórico de quimioterapia, por exemplo, deve ser conhecido pelo obstetra, assim como eventuais tratamentos que possam ter repercussões cardiovasculares ou outras consequências tardias. 

A amamentação é outro tema que costuma aparecer nessa fase. Ela pode ser possível para algumas mulheres, mas estará muito relacionada aos tratamentos cirúrgico e radioterápico implementados. Pacientes submetidas a mastectomia não serão capazes de amamentar na mama operada, enquanto aquelas que realizaram cirurgias conservadoras e realizaram radioterapia podem ter produção reduzida. Depende do tipo de cirurgia realizada, de eventuais tratamentos na mama e da capacidade de produção de leite. Em pacientes submetidas à cirurgia conservadora ou à mastectomia, por exemplo, a experiência pode ser diferente de acordo com o tratamento recebido. Além disso, não é recomendada a pausa de qualquer tratamento oncológico sem a avaliação do mastologista ou do oncologista. Mulheres que ainda precisam utilizar determinados medicamentos oncológicos não devem interromper ou modificar a terapia por conta própria para amamentar. 

O acompanhamento após o câncer de mama também não termina quando a mulher engravida. O seguimento oncológico continua sendo necessário, assim como o acompanhamento obstétrico. O INCA destaca que, após o tratamento, as pacientes devem permanecer em acompanhamento clínico e por imagem de acordo com seu histórico e indicação médica. 

Para Dra. Karina, a principal mudança é entender a fertilidade como parte da saúde integral da mulher que passou pelo câncer. 

“Durante muito tempo, a prioridade era tratar o câncer e só depois pensar nas consequências. Hoje conseguimos ampliar essa visão. O tratamento continua sendo a prioridade, mas o projeto de vida da paciente também precisa estar na conversa. Ter filhos depois do câncer pode ser possível para muitas mulheres, mas esse caminho precisa ser planejado com informação, segurança e uma equipe preparada para acompanhar todas as etapas”, conclui. 

Com o aumento da sobrevida e dos recursos disponíveis para preservação da fertilidade, falar sobre maternidade após o câncer de mama deixou de ser uma questão secundária. Para mulheres diagnosticadas em idade reprodutiva, discutir as possibilidades antes, durante e depois do tratamento significa preservar não apenas uma função do organismo, mas também a possibilidade de construir projetos de vida que vão além da doença.  



Hospital e Maternidade Santa Joana
www.santajoana.com.br


Dor na lombar, virilha e pernas pode estar ligada à endometriose

magnific.com
Teoria do Polvo, criada pelo ginecologista e pesquisador Igor Chiminacio, ilustra como sintomas fora da região pélvica podem estar relacionados ao comprometimento de estruturas nervosas 

 

A endometriose afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo e pode se manifestar de diferentes formas. Por isso, algumas pacientes convivem durante anos com sintomas variados antes de chegar ao diagnóstico correto. Cólicas menstruais intensas e dor pélvica são os sinais mais conhecidos da doença, mas ela também pode estar associada a dores recorrentes na lombar, no quadril, na virilha e até nas pernas. 

Segundo o ginecologista e pesquisador da endometriose Igor Chiminacio, essas manifestações, que nem sempre são inicialmente associadas a um problema ginecológico, podem ocorrer quando a doença compromete tecidos profundos e estruturas nervosas da pelve. 

Além das lesões propriamente ditas, o processo inflamatório provocado pela endometriose pode levar à formação de fibrose e à retração dos tecidos, atingindo estruturas próximas, inclusive nervos. Como consequência, a dor pode se irradiar para regiões mais distantes do útero.

“Quando uma mulher apresenta uma dor recorrente na perna, no quadril ou na lombar, especialmente quando existe alguma relação com o ciclo menstrual, é importante que a endometriose também entre no raciocínio clínico. Nem toda dor provocada pela doença estará localizada exatamente onde está a lesão”, explica Chiminacio.

 

Teoria do Polvo

Durante muitos anos, a endometriose foi explicada principalmente a partir da presença e da localização dos focos da doença. Para Chiminacio, porém, é importante considerar também os tecidos onde essas lesões se desenvolvem, já que eles possuem nervos, vasos sanguíneos e fibras de colágeno capazes de transmitir a dor e sofrer alterações provocadas pela inflamação. 

Para representar essa relação de maneira didática, o especialista criou a chamada “Teoria do Polvo”, um modelo visual que busca ilustrar como a endometriose pode afetar diferentes estruturas da pelve e provocar sintomas em outras regiões do corpo.

O conceito foi apresentado no Congresso Global da AAGL, em Vancouver, e publicado no Journal of Minimally Invasive Gynecology.

 

 Teoria do polvo apresentada pelo Dr. Igor Chiminacio. Divulgação.


  • O que é?
    Modelo visual desenvolvido pelo ginecologista e pesquisador Igor Chiminacio para explicar como a endometriose pode provocar dores em diferentes regiões do corpo.
     
  • Qual é a metáfora?
    Na representação, o útero corresponde à “cabeça” de um polvo, enquanto os tecidos que dão sustentação ao órgão são comparados aos “tentáculos”. Essas estruturas são ricas em nervos, vasos sanguíneos e fibras de colágeno e podem ser comprometidas pela doença.
     
  • Qual é o principal ponto?
    A proposta é ampliar a compreensão da endometriose para além dos focos visíveis. Inflamação, fibrose e retração dos tecidos também podem contribuir para o surgimento de sintomas que se manifestam longe da região uterina.
     
  • Quais sintomas podem passar despercebidos?
    Além das cólicas menstruais e da dor pélvica, a endometriose pode estar associada a dores na lombar, no quadril, na virilha e nas pernas. Também podem ocorrer dor durante as relações sexuais, ao evacuar ou ao urinar, especialmente quando esses sintomas apresentam relação com o ciclo menstrual.
     
  • Como isso pode impactar o diagnóstico?
    Por apresentarem sintomas em diferentes partes do corpo, algumas pacientes podem procurar inicialmente especialistas como ortopedistas, neurologistas, urologistas ou gastroenterologistas antes de investigar a possibilidade de endometriose.

Chiminacio ressalta que isso não significa que toda mulher com dor lombar ou nas pernas tenha endometriose. O alerta é para sintomas persistentes ou recorrentes, principalmente quando aparecem associados a cólicas menstruais intensas, dor nas relações sexuais, dor para evacuar ou urinar durante a menstruação ou dificuldade para engravidar. 

“'A Teoria do Polvo' não substitui o conhecimento médico sobre a endometriose, mas é uma ferramenta que vem para auxiliar o profissional no diagnóstico e, ainda, as pacientes na compreensão dos seus sintomas”, finaliza o médico.


Dia Nacional do Surdo (26/09): Falta de acessibilidade custa até 2,6 vezes mais lucro para as empresas

 Thaísa Durso, especialista em finanças pessoais da Rico e primeira assessora surda da XP Inc., analisa o impacto financeiro da inclusão no mercado corporativo 

 

Às vésperas do Dia Nacional do Surdo, celebrado neste sábado (26 de setembro), o debate sobre acessibilidade ganha contornos econômicos e de governança. De acordo com a PNAD Contínua do IBGE, o Brasil possui 18,6 milhões de pessoas com deficiência (cerca de 8,9% da população com 2 anos ou mais). No entanto, a falta de produtos, plataformas e conteúdos adaptados segue excluindo uma fatia expressiva de consumidores — uma lacuna que afeta a sustentabilidade financeira das próprias empresas. 

Para Thaísa Durso, especialista em finanças pessoais da Rico, existe um custo invisível na ausência de acessibilidade. "No mercado financeiro, enxergar apenas parte do público é uma forma silenciosa de limitar o próprio crescimento. A acessibilidade não deve ser vista como um custo ou gesto simbólico, mas como uma decisão de negócio estratégica associada a resultados mensuráveis", aponta a especialista.
 

O retorno financeiro da inclusão (ESG) 

A tese de que a inclusão impulsiona o desempenho empresarial é amparada por dados internacionais. Segundo o estudo Getting to Equal: The Disability Inclusion Advantage, conduzido pela Accenture em parceria com a Disability:IN e a AAPD, empresas líderes em indicadores de inclusão registraram, em média, 28% mais receita, o dobro do lucro líquido e margens de lucro econômico 30% maiores. Na atualização publicada em 2023, as empresas que lideravam os indicadores de inclusão registraram, em média, 1,6 vez mais receita e 2,6 vezes mais lucro líquido do que as demais participantes da pesquisa. 

"Ao incorporar a acessibilidade à jornada digital do cliente, as companhias ampliam seu alcance e fortalecem a resiliência no longo prazo. Mais do que afirmar que diversidade, sozinha, gera lucro, os estudos mostram uma associação consistente entre inclusão e melhor desempenho empresarial. Fora do balanço, o efeito aparece em um lugar igualmente importante: a relação com o público", avalia Thaísa. 

No pilar Social (S) do ESG, a acessibilidade digital e de atendimento atua diretamente na fidelização e no engajamento do cliente. “Marcas acessíveis se destacam porque a inclusão fideliza quem finalmente se sente representado, valorizado e integrado”, diz a especialista.
 

Inclusão na prática no mercado de capitais 

Apesar dos avanços corporativos, a oferta de educação financeira em Língua Brasileira de Sinais (Libras) permanece limitada no país. Para suprir esse hiato, a Rico estruturou uma frente permanente de acessibilidade que opera ao longo de todo o ano, sem se restringir a datas comemorativas. 

A Rico mantém a série Finanças em Libras, com vídeos de educação financeira explicados diretamente em Libras no canal oficial da corretora no YouTube. E o detalhe que faz diferença: na Riconnect, "Finanças em Libras" é uma das categorias fixas de vídeo, ao lado de Primeiros passos, Renda Fixa, Renda Variável e Finanças Pessoais. Ou seja, o conteúdo acessível é tratado como pilar editorial, e não como projeto avulso escondido num canto do site. 

E há uma camada desse trabalho que raramente aparece na tela. Muitos termos financeiros não contavam com sinais amplamente consolidados em Libras. Selic, Tesouro Direto e outros conceitos exigiram pesquisa, construção e validação de sinais para que a explicação fizesse sentido. 

“Na minha experiência, ensinar em Libras não é traduzir palavra por palavra: exige cuidado terminológico e didática pensada com a comunidade surda. Educação financeira só é completa quando chega a todas as línguas — e a Libras é uma delas", conclui Thaísa Durso.  



Rico
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Estudos mostram que a cirurgia pode melhorar atividades do dia a dia, participação social e bem-estar emocional; no Brasil, centenas de milhares de pessoas aguardam pelo procedimento 

 

Aos poucos, algumas coisas deixam de fazer parte da rotina. Sair sozinho fica mais difícil, ler exige esforço, reconhecer um rosto à distância já não é tão simples e até caminhar por um lugar conhecido pode exigir mais atenção. Nem sempre a família percebe, mas, por trás dessas mudanças, pode estar uma perda visual provocada pela catarata.

O impacto não fica restrito à capacidade de enxergar. Um estudo com 1.234 idosos com cegueira bilateral na Etiópia acompanhou os participantes por um ano e encontrou efeitos que ajudam a dimensionar o problema: entre os pacientes submetidos à cirurgia, a capacidade de realizar atividades da vida diária aumentou 30%, enquanto o índice de participação social cresceu 0,31 desvio-padrão. Os sintomas de depressão também caíram 17%.

Os resultados ajudam a explicar por que a cirurgia de catarata pode representar mais do que a recuperação da nitidez das imagens. Para alguns idosos, voltar a enxergar melhor significa recuperar condições para fazer coisas que foram desaparecendo da rotina.


Quando a visão começa a limitar a independência

A catarata ocorre quando o cristalino, a lente natural do olho, perde transparência. A visão pode ficar embaçada, com redução de contraste, dificuldade para enxergar em ambientes pouco iluminados e maior sensibilidade à luz. Como a evolução costuma ser gradual, o paciente muitas vezes se adapta às limitações sem perceber o quanto elas já interferem na própria vida.

No Brasil, o problema também tem uma dimensão de acesso. Em uma matéria publicada   pela Revista Veja, é possível ver que cerca de 600 mil pessoas aguardavam pela cirurgia de catarata em janeiro de 2025, com espera média de 137 dias, embora o tempo variasse entre as regiões. A fila representa mais do que um desafio administrativo: enquanto aguardam, pacientes podem continuar convivendo com uma limitação visual que interfere em atividades básicas e na independência.

A relação com as quedas também merece atenção. Uma meta-análise que reuniu oito estudos e 1.834 idosos encontrou associação entre a primeira cirurgia de catarata e uma redução de 32% na frequência de quedas. Em um dos ensaios clínicos randomizados incluídos na análise, a redução chegou a 34%.

Isso não significa que a cirurgia elimine o risco de queda. Equilíbrio, força muscular, medicamentos, doenças neurológicas e condições do ambiente também influenciam esse risco. Estudos mais recentes, inclusive, encontraram resultados diferentes. O ponto central é que a recuperação visual pode ser uma das peças de um conjunto maior de medidas para preservar a mobilidade na velhice.

É importante não transformar essa relação em uma equação simples: catarata não significa necessariamente depressão, e a cirurgia não deve ser apresentada como tratamento para transtornos psiquiátricos. A saúde mental na velhice depende de diversos fatores. O que os estudos ajudam a mostrar é que recuperar a função visual pode repercutir também sobre aspectos emocionais e sociais da vida.

“Quando o paciente volta a enxergar melhor, muitas vezes ele não recupera apenas a visão. Recupera segurança para circular, realizar atividades e participar de situações que havia deixado de viver. É por isso que o tratamento da catarata precisa ser pensado também sob a perspectiva da autonomia.”


Tecnologia torna o planejamento mais individualizado

A recuperação visual também acompanha a evolução dos recursos utilizados na oftalmologia. As inovações em oftalmologia ampliam as possibilidades de avaliação, planejamento cirúrgico e escolha das lentes intraoculares, permitindo que a indicação seja cada vez mais individualizada.

Exames de imagem e ferramentas de planejamento ajudam o oftalmologista a avaliar as características do olho antes do procedimento. A escolha da lente intraocular, por sua vez, leva em conta fatores como as necessidades visuais, as condições oculares e as expectativas de cada paciente.

O objetivo não é simplesmente alcançar uma determinada acuidade visual, mas definir uma estratégia compatível com a rotina de quem será operado.

“A tecnologia nos permite planejar a cirurgia com cada vez mais informações, mas o objetivo continua sendo o mesmo: entender o que aquele paciente precisa para recuperar sua função visual e preservar sua qualidade de vida.”


Envelhecer também é continuar participando

A catarata pode fazer parte do envelhecimento, mas a perda visual provocada pela doença não precisa ser encarada como uma consequência inevitável da idade. Quando existe indicação cirúrgica, o tratamento pode melhorar a capacidade de realizar tarefas, ampliar a participação social e contribuir para uma vida mais independente.

No fim, recuperar a visão não significa apenas voltar a enxergar uma imagem com mais nitidez. Pode significar reconhecer um rosto do outro lado da mesa, caminhar com mais segurança, ler uma mensagem sem ajuda ou simplesmente voltar a sair de casa.

É nessa dimensão que a cirurgia de catarata ultrapassa o resultado do exame oftalmológico: ela pode devolver ao idoso parte da autonomia que a perda visual foi, pouco a pouco, tirando da rotina.


Pessoas com esquizofrenia exigem atenção especial ao risco de suicídio

Tratamento adequado e contínuo da doença crônica pode controlar sintomas, reduzir recaídas e preservar a qualidade de vida



Durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à promoção da saúde mental, a atenção se volta também para grupos que podem apresentar maior vulnerabilidade. Entre eles estão as pessoas que vivem com esquizofrenia¹, transtorno mental que pode afetar a forma como o indivíduo pensa, sente e percebe a realidade e que demanda acompanhamento contínuo.

Um estudo publicado na revista científica
JAMA Psychiatry², que avaliou 668.836 pessoas com esquizofrenia, reforça a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento contínuo e da atenção aos sinais de sofrimento psíquico. A pesquisa identificou que esses pacientes apresentaram uma taxa de mortalidade por suicídio 4,5 vezes maior do que a observada na população geral, evidenciando a necessidade de estratégias de prevenção e de uma rede de cuidado que envolva profissionais de saúde, pacientes e familiares.

O diagnóstico é clínico e realizado por médico, a partir da avaliação dos sintomas, histórico do paciente e evolução do quadro. “Exames podem ser solicitados para descartar outras condições que apresentem sintomas semelhantes. Por isso, mudanças persistentes no comportamento e no funcionamento social, associadas a alterações na percepção da realidade, devem ser avaliadas por um profissional de saúde, evitando interpretações baseadas apenas em informações encontradas na internet”, explica o Dr. Ary Gadelha, médico psiquiatra, professor de Psiquiatria da EPM/UNIFESP e coordenador do Programa de Esquizofrenia da UNIFESP.

Além dos sintomas relacionados diretamente à esquizofrenia, a identificação de alterações de humor, ansiedade, uso de substâncias, isolamento e principalmente sinais relacionados à ideação ou comportamento suicida merece atenção durante o acompanhamento.

“O Setembro Amarelo reforça que falar sobre saúde mental é uma responsabilidade coletiva. Para pessoas com esquizofrenia, a atenção aos sinais de alerta, o diagnóstico adequado, o acompanhamento profissional e a continuidade do tratamento podem fazer parte de uma estratégia de cuidado ao longo de toda a vida”, reforça Vanessa de Carvalho, diretora médica da Adium Brasil.



Tratamento: acompanhamento contínuo é fundamental

Embora a esquizofrenia seja uma condição crônica, o tratamento pode ajudar a controlar os sintomas, reduzir o risco de novas crises e favorecer a qualidade de vida. O cuidado é individualizado e pode envolver medicamentos antipsicóticos, acompanhamento médico e psicológico, intervenções psicossociais, reabilitação e suporte familiar.

A escolha da estratégia terapêutica deve ser feita pelo médico, considerando as características de cada paciente, a resposta ao tratamento, os possíveis efeitos adversos e a rotina de cuidados. Mesmo quando a pessoa está melhor, manter o tratamento é fundamental para evitar novas crises.³

O tratamento da esquizofrenia busca controlar os sintomas, prevenir recaídas e ajudar o paciente a manter sua autonomia, funcionalidade e qualidade de vida ao longo do tempo. Nesse contexto, a Adium, reforçando seu compromisso em oferecer alternativas terapêuticas inovadoras que contribuam para um cuidado cada vez mais individualizado e centrado nas necessidades dos pacientes, disponibiliza em seu portfólio terapias voltadas ao tratamento de condições do sistema nervoso central, incluindo o
Vagapali® (palmitato de paliperidona)⁴ como opção para o manejo da esquizofrenia.

Lidar com a esquizofrenia não precisa ser uma jornada solitária. Com as orientações adequadas, o apoio das equipes de saúde e um planejamento claro sobre como agir em determinadas situações, é possível enfrentar com mais confiança as dificuldades relacionadas à doença.⁵

 

Adium

Referências:
1.Ministério da Saúde, BR. Esquizofrenia [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2025. Disponível em:
Link. Acesso em: setembro de 2026.
2.Olfson M, Stroup TS, Huang C, et al. Suicide Risk in Medicare Patients With Schizophrenia Across the Life Span. JAMA Psychiatry. 2021;78(8):876–885. Disponível em
Link. Acesso em: setembro de 2026.
3.Mayo Clinic. Schizophrenia: symptoms and causes [Internet]. Rochester (MN): Mayo Clinic; [s.d.]. Disponível em:
Link. Acesso em: fevereiro de 2026.
4.ADIUM BRASIL. Bula do Vegapali® (palmitato de paliperidona). São Paulo, 2026. Disponível em: Bula do
Link 
5.Living with Schizophrenia. Healthy living: schizophrenia and diet [Internet]. London: Living with Schizophrenia; [s.d.]. Disponível em:
Link. Acesso em: fevereiro de 2026.



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