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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Aleitamento materno protege o bebê e traz benefícios para a saúde da mãe

No Agosto Dourado, Doctor Clin reforça a importância da orientação profissional e do apoio à mulher para superar dificuldades e manter a amamentação, momento muito esperado por todas mães 

 

Fonte de nutrientes, anticorpos e proteção para o bebê, o leite materno exerce papel importante no crescimento e no desenvolvimento infantil. Para a mãe, a amamentação também traz benefícios físicos e emocionais. Durante o Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização sobre o aleitamento materno, a Doctor Clin reforça a importância da informação, do acompanhamento dos profissionais de saúde capacitados e do apoio familiar, especialmente nos primeiros meses após o nascimento.

Segundo a gerente de Enfermagem da Doctor Clin, Fabíola Dewes, o leite materno reúne características importantes para diferentes etapas do desenvolvimento do bebê.

“O leite materno é um alimento completo, especialmente nos primeiros meses de vida. Desde a "golden hour" - hora de ouro que é a primeira hora de vida do recém-nascido, período em que o contato pele a pele imediato e o início da amamentação trazem benefícios profundos para a saúde da mãe e do bebê até durante seu desenvolvimento reforçando o vínculo mãe -bebê e porque oferece nutrientes na quantidade adequada para o crescimento. Além da parte nutricional, contém anticorpos e outros componentes importantes para a proteção contra infecções, principalmente respiratórias e gastrointestinais”, explica.

A amamentação também pode contribuir para o desenvolvimento da musculatura da face, da mastigação e da fala, além de favorecer o vínculo entre mãe e bebê. Para a mulher, os efeitos incluem auxílio na recuperação após o parto, estímulo à contração do útero e redução do sangramento no período pós-parto. A prática também está associada à redução do risco de algumas doenças ao longo da vida, como câncer de mama e de ovário.


Desafios da Amamentação

Apesar dos conhecidos benefícios, o início da amamentação pode ser acompanhado de dificuldades. Pega inadequada, dor nos mamilos, fissuras, mamas muito cheias e a percepção de que o leite não é suficiente estão entre as situações que costumam gerar dúvidas e insegurança.

“Muitas dessas dificuldades podem ser superadas com orientação adequada. Observar a posição da mãe e do bebê e corrigir a pega, por exemplo, pode fazer uma grande diferença. Cada mãe e cada bebê têm seu período de adaptação, por isso é importante procurar ajuda para que a mãe tenha informações suficientes para que se sinta segura e tranquila para esse momento, em casos de dor, ou outras dificuldades nas mamadas como a pega, choro ou preocupação com o ganho de peso deve buscar suporte profissional”, orienta Fabíola.

Nesse processo, o apoio da família também tem papel importante. Dividir tarefas da casa, ajudar no cuidado com outros filhos e oferecer acolhimento pode permitir que a mulher tenha mais condições de descansar e se dedicar à amamentação.

Para a gerente de Enfermagem da Doctor Clin, o acompanhamento profissional deve unir conhecimento técnico e escuta. “Não basta apenas dizer que a mãe deve amamentar. É preciso oferecer suporte, esclarecer dúvidas e buscar soluções individualizadas. Cada mulher vive uma realidade diferente, e o cuidado precisa respeitar esse contexto”, destaca.

Ao longo do Agosto Dourado, a Doctor Clin reforça que informação e acompanhamento adequado podem contribuir para uma experiência mais segura e tranquila para mães, bebês e famílias. Em caso de dúvidas ou dificuldades relacionadas à amamentação, a orientação é procurar os profissionais de saúde responsáveis pelo acompanhamento da mãe e da criança.

 

Marcelo Matusiak

 

Internet e IA já fazem parte da jornada de saúde bucal das mulheres: 62% recorrem à inteligência artificial antes de procurar um dentista

iStock
 Pesquisa da Dental Speed mostra que consumir conteúdos odontológicos online também influenciou hábitos mais saudáveis entre 75% das entrevistadas

 

A jornada de cuidado com a saúde bucal das mulheres também passa pelo ambiente digital. Antes mesmo de chegar ao consultório, elas recorrem à internet e, mais recentemente, à inteligência artificial para buscar informações, entender sintomas, conhecer tratamentos e descobrir formas de prevenir problemas bucais. Tudo isso, sem deixar de lado a avaliação e o acompanhamento profissional. 

 

De acordo com um estudo da Dental Speed, distribuidora de produtos odontológicos, 47% das mulheres entrevistadas consomem conteúdos sobre saúde bucal quase todos os dias. O uso de ferramentas de inteligência artificial também já faz parte desse processo: 62% afirmam ter recorrido à IA diversas vezes para tirar dúvidas sobre saúde bucal antes de procurar um dentista.

 


Para Samuel Suhwan Oh, Diretor de Marketing da Dental Speed, os dados só reforçam como o ambiente digital passou a ocupar uma posição relevante na rotina de cuidado das pacientes. "A busca por informações e o uso da IA não significam necessariamente um afastamento do dentista. Pelo contrário: quando o conteúdo é utilizado como ponto de partida para entender melhor a própria saúde, ele pode estimular comportamentos preventivos e aumentar a procura por acompanhamento profissional. Para o dentista, isso reforça a importância de estar presente nos espaços em que as pacientes buscam informação".

 

Principais descobertas do estudo:

  • 47% das mulheres consomem conteúdos sobre saúde bucal frequentemente;
  • 62% já utilizaram a IA várias vezes ou algumas vezes para tirar dúvidas
  •  sobre saúde bucal antes de procurar um dentista;
  • 82,4% demonstram interesse por conteúdos sobre prevenção e cuidados diários;
  • 61,8% se interessam por estética do sorriso;
  • 74,5% passaram a cuidar melhor da higiene bucal após consumir informações online sobre saúde bucal.

 

O que as mulheres buscam sobre saúde bucal no ambiente digital? 

Entre os conteúdos que mais despertam o interesse das entrevistadas, prevenção e cuidados diários aparecem com ampla vantagem, citados por 82,4% das mulheres. A categoria reúne temas como higiene bucal, cáries, saúde da gengiva e alimentação, mostrando que a busca por informação está fortemente relacionada à manutenção da saúde e à prevenção de problemas.  

A estética também ocupa espaço relevante: 61,8% demonstram interesse por conteúdos sobre clareamento, facetas e lentes de contato dental, reforçando que a aparência do sorriso também tem grande peso entre elas. Em seguida, aparecem os conteúdos relacionados à saúde e ao bem-estar, que abordam a relação entre a saúde bucal e a saúde geral, citados por 55,9% das entrevistadas.


"Os temas procurados pelas mulheres mostram que a relação com a saúde bucal vai muito além da resolução de um problema pontual. Existe um interesse significativo por prevenção, estética e pela conexão entre a saúde da boca e o bem-estar de forma mais ampla. Para os profissionais, entender esses interesses pode ajudar a antecipar dúvidas e oferecer uma comunicação mais próxima das necessidades das pacientes", analisa Samuel Suhwan Oh.

 

Da informação ao hábito: como o conteúdo digital influencia o cuidado 

O impacto do conteúdo consumido na internet aparece de forma ainda mais clara quando as entrevistadas são questionadas sobre mudanças de comportamento. 74,5% afirmam ter passado a cuidar melhor da higiene bucal, incluindo hábitos como escovação, uso de fio dental e enxaguante, após consumir informações online sobre o tema.

 

A busca por informações também parece aproximar as mulheres do consultório: 36,6% afirmam ter passado a realizar consultas e limpezas preventivas com mais frequência após consumir conteúdos sobre saúde bucal na internet. Além disso, 32,4% adotaram novos hábitos alimentares pensando na saúde bucal, como reduzir o consumo de açúcar ou de alimentos com corantes. 

 

O cenário reforça o papel da informação digital como parte da jornada de cuidado, sem substituir a avaliação profissional. Ao chegar ao consultório depois de pesquisar na internet ou conversar com uma ferramenta de IA, a paciente pode estar mais informada sobre suas dúvidas, mas ainda depende do dentista para interpretar sinais clínicos, avaliar seu histórico e indicar a conduta adequada.

 

"O acesso à informação pode ser um aliado importante da prevenção quando vem acompanhado de orientação profissional. Os resultados mostram justamente isso: as mulheres estão buscando conhecimento e, em muitos casos, transformando esse conhecimento em novos hábitos. Cabe aos profissionais aproveitar essa oportunidade para produzir conteúdos confiáveis, esclarecer dúvidas e fortalecer a relação com as pacientes desde antes da consulta", comenta Samuel Suhwan Oh.

 

Metodologia 

Nas últimas semanas, foram entrevistados 500 adultos (maiores de 18 anos) residentes em todas as regiões do Brasil e conectados à internet. O índice de confiabilidade do levantamento é de 95%, e a margem de erro é de 3,3 pontos percentuais. Para esse ângulo, foram consideradas exclusivamente as respostas das mulheres entrevistadas no estudo. 


Ao todo, os participantes responderam a perguntas sobre seus hábitos de consumo de conteúdos relacionados à saúde bucal no ambiente digital, o uso da internet e de ferramentas de IA para buscar informações sobre o tema, além da influência dessas plataformas na adoção de práticas preventivas e na compra de produtos odontológicos.

 

https://www.dentalspeed.com/

https://blog.dentalspeed.com/


Depois do Mounjaro, nova geração de medicamentos para obesidade chega a resultados próximos aos da cirurgia bariátrica

 

Molécula experimental apresentou perda média de 28,3% do peso corporal em estudo de fase 3; para médica, avanço muda a discussão sobre o tratamento da obesidade

 

 

O tratamento medicamentoso da obesidade começa a alcançar uma faixa de perda de peso que, até pouco tempo, era associada principalmente a procedimentos cirúrgicos. Depois do Mounjaro consolidar as canetas de incretina como ferramenta central no combate à obesidade, é a vez da retatrutida — molécula experimental da Eli Lilly que atua simultaneamente nos receptores GIP, GLP-1 e glucagon — apontar o próximo salto de potência da categoria.


Dados de fase 3 do estudo TRIUMPH-1, divulgados pela farmacêutica em maio e apresentados posteriormente em junho de 2026, apontaram perda média de 28,3% do peso corporal em 80 semanas entre os participantes que receberam a dose de 12 mg. Nessa mesma dose, 45,3% dos participantes alcançaram pelo menos 30% de perda de peso.


Os números colocam a nova geração de medicamentos em um território que chama a atenção de especialistas e pacientes, mas também levantam uma discussão importante: até onde a farmacologia pode avançar no tratamento da obesidade — e quais são os desafios quando a perda de peso se torna tão expressiva?


Para a Dra. Ana Luísa Vilela, especialista em cirurgia geral e bariátrica, endocrinologia e nutrologia, com mais de 20 anos de atuação clínica, os resultados são relevantes, mas não devem ser interpretados apenas pelo número apresentado na balança.


"Em magnitude de perda de peso, sim — estamos vendo a farmacologia entrar em um território que, até pouco tempo, só a cirurgia alcançava. Mas magnitude de perda não é sinônimo de qualidade de resultado. São coisas diferentes, e é aí que a discussão clínica precisa avançar junto com a ciência."


Segundo a médica, uma das principais mudanças provocadas por medicamentos capazes de promover perdas tão significativas é justamente a necessidade de ampliar o olhar sobre o tratamento. Preservação de massa muscular, estado nutricional, funcionalidade e manutenção dos resultados passam a ter importância tão grande quanto a quantidade de quilos eliminados.


"Quando a farmacologia começa a produzir perdas dessa magnitude, a pergunta deixa de ser apenas 'quanto conseguimos emagrecer?'. Passa a ser 'como fazemos isso preservando músculo, nutrição, função e saúde a longo prazo?'. É uma mudança de eixo: do resultado numérico para o resultado funcional."



O que muda para a cirurgia bariátrica?


O avanço dos medicamentos também reacende o debate sobre o papel da cirurgia no tratamento da obesidade. Para a Dra. Ana Luísa, no entanto, a tendência não deve ser encarada como uma substituição entre as duas estratégias.


"A cirurgia bariátrica não necessariamente perde espaço, mas certamente vai precisar redefinir seu lugar dentro do tratamento da obesidade. Cada paciente tem uma fisiologia, uma história e um contexto — a decisão entre medicamento, cirurgia ou combinação das duas abordagens continua sendo individual."


A especialista destaca que o cenário atual amplia o número de ferramentas disponíveis para o tratamento da doença, mas reforça que a escolha terapêutica precisa considerar as características e necessidades de cada paciente.



Avanço científico, mas ainda sem aprovação comercial


Apesar dos resultados, a retatrutida ainda é uma molécula experimental e não está aprovada para uso comercial. Os dados divulgados pela fabricante são resultados topline e devem ser analisados em conjunto com os dados completos dos estudos e pelas autoridades regulatórias.


Por isso, a Dra. Ana Luísa alerta para o risco de transformar resultados promissores em uma expectativa imediata para pacientes.


"O risco é o paciente chegar ao consultório pedindo uma molécula que ainda nem está aprovada, com a expectativa de um resultado que ainda não foi confirmado em estudos completos e revisados. Precisamos comunicar o avanço científico sem transformar dado preliminar em promessa."

 



Dra. Ana Luísa Vilela - Médica especialista em cirurgia geral e bariátrica, endocrinologia e nutrologia, com mais de 20 anos de atuação clínica. Teve passagem por instituições como o Hospital das Clínicas da USP (HC-USP), Instituto Garrido e Beneficência Portuguesa de São Paulo. Sua prática é voltada à investigação integrada de alterações metabólicas e sintomas persistentes, como cansaço, alterações intestinais, ganho de peso e perda de força, inclusive em pacientes com exames considerados normais. É autora do livro Renascimento Metabólico.


Fonte científica Eli Lilly and Company. Resultados topline do estudo TRIUMPH-1, divulgados em 21 de maio de 2026, com dados adicionais apresentados em 6 de junho de 2026. A retatrutida é um agonista triplo dos receptores GIP, GLP-1 e glucagon e permanece em investigação clínica, sem aprovação para uso comercial. Acesso à fonte: https://investor.lilly.com/news-releases/news-release-details/lillys-triple-agonist-retatrutide-delivered-powerful-weight-loss


Boom das canetas emagrecedoras acende alerta para a importância da nutrição durante o tratament

Com a redução do apetite provocada pelos medicamentos, é importante priorizar proteínas, fibras, vitaminas e minerais durante o processo de emagrecimento

 

O uso das canetas emagrecedoras altera a relação do paciente com a comida e a nutrição passa a ser uma aliada importante para apoiar a adaptação alimentar e a continuidade do tratamento. 

O uso de medicamentos que atuam sobre o GLP-1 reduz o apetite e retarda o esvaziamento gástrico. Com isso, o paciente pode passar a fazer refeições menores e consumir menos calorias, sendo necessário um acompanhamento nutricional mais individualizado, que pode incluir suplementação, quando houver necessidade.

“O crescimento do uso das canetas emagrecedoras destaca a importância de integrar a nutrição ao processo de emagrecimento. Quando o paciente passa a consumir porções menores, é importante avaliar se a alimentação continua fornecendo proteínas, fibras, vitaminas e minerais em quantidades adequadas. Quando a alimentação não é suficiente para atender às necessidades individuais, a suplementação pode ser uma estratégia complementar”, afirma Camile Zanichelli, nutricionista da Always Fit.

Assim, alguns suplementos podem ser aliados no complemento nutricional, quando necessário. As fibras, por exemplo, podem ajudar a atingir a ingestão adequada do nutriente, enquanto vitaminas e minerais podem ser considerados diante de possíveis inadequações nutricionais provocadas pela redução do consumo alimentar. Produtos como o Pro5Fibras, da Always Fit, que combina inulina, goma acácia, psyllium, beta-glucana e FOS, são opções que podem auxiliar, sempre com orientação profissional. 

“Como o uso do medicamento reduz a fome, o paciente consome porções menores, ou até mesmo menos refeições, o que gera menor ingestão calórica e maior dificuldade em atingir algumas necessidades nutricionais. Em muitos casos, a perda de peso vem acompanhada da perda de massa muscular, sendo importante avaliar a ingestão proteica e, quando necessário, considerar a suplementação”, reforça Camile.

Com a redução do volume de alimentos consumidos, também é importante a escolha de alimentos nutricionalmente concentrados. Ovos, iogurtes, peixes, leguminosas, frutas, verduras e oleaginosas são alguns exemplos que podem contribuir para uma alimentação mais completa durante o processo de emagrecimento. 


Dia Nacional de Combate ao Fumo: SBD alerta para impactos do cigarro e dos vapes na saúde da pele

Tabagismo pode acelerar o envelhecimento da pele, favorecer alterações dermatológicas e comprometer a cicatrização; especialistas também alertam para os riscos dos cigarros eletrônicos
 

O Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, é uma oportunidade para reforçar os alertas sobre os danos provocados pelo tabaco à saúde. Embora os impactos respiratórios e cardiovasculares sejam amplamente conhecidos, o cigarro também afeta a pele, os cabelos e as unhas. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) chama atenção ainda para os efeitos dos cigarros eletrônicos, os chamados vapes, que não devem ser considerados uma alternativa inofensiva ao cigarro convencional. 

“A redução da oxigenação dos tecidos, o estresse oxidativo e os efeitos sobre os vasos sanguíneos contribuem para um processo de envelhecimento cutâneo mais acelerado, além de prejudicarem a capacidade de cicatrização. Por isso, abandonar o cigarro é uma medida importante para a saúde do organismo como um todo, inclusive da pele”, afirma o Dr. João Renato Vianna Gontijo, coordenador do Departamento de Medicina Interna da SBD. 

Apesar de muitas pessoas ainda associarem os cigarros eletrônicos a uma opção “menos nociva” que o cigarro convencional, os dermatologistas alertam que os vapes também expõem o organismo a substâncias potencialmente prejudiciais e não são isentos de riscos. 

Os líquidos utilizados nos dispositivos podem conter nicotina e diferentes substâncias químicas. O uso desses produtos pode estar relacionado a irritações e alterações da pele, além de representar riscos à saúde sistêmica. Os efeitos são especialmente preocupantes entre adolescentes e jovens, público que pode ser particularmente vulnerável à dependência de nicotina. “É importante combater a percepção de que o cigarro eletrônico não traz consequências para a saúde”, destaca o Dr. João Renato Vianna Gontijo.
 

Envelhecimento precoce, manchas e cabelos mais frágeis 

A exposição contínua à fumaça do cigarro está associada a danos às fibras de colágeno e elastina, responsáveis pela firmeza e elasticidade da pele. Como consequência, podem surgir rugas mais acentuadas, especialmente ao redor da boca, perda de viço, alteração da coloração e aspecto mais envelhecido. 

O tabagismo também pode comprometer a circulação sanguínea da pele, prejudicando a oxigenação e a nutrição dos tecidos. 

“Esse processo pode acelerar o envelhecimento extrínseco, deixando a pele mais áspera e opaca. O tabagismo também está associado a alterações nos cabelos e nas unhas, que podem se tornar mais frágeis”, explica a Dra. Marcelle Nogueira, coordenadora do Departamento de Geriatria da SBD. 

Para quem busca preservar a saúde e a qualidade da pele ao longo do envelhecimento, a especialista recomenda abandonar o cigarro e os vaporizadores, manter uma alimentação equilibrada e rica em antioxidantes, utilizar protetor solar diariamente, hidratar a pele e evitar banhos muito quentes. A avaliação periódica com um dermatologista também é importante para a prevenção e o diagnóstico precoce de alterações cutâneas. 

Para saber mais sobre a saúde da pele, cabelos e unhas, acesse as redes sociais @dermatologiasbd e o site www.sbd.org.br. Informe-se e encontre um dermatologista associado à SBD em sua região.


De Sinal de Alerta a Condição Crônica

A Dor pode ser Necessária ou Desnecessária

 

A dor é uma das experiências fundamentais para a sobrevivência do ser humano. Do ponto de vista da neurologia, a dor é muito mais complexa do que um simples sinal de que algo está errado. A dor aguda pode ser um sinal de alerta, mas também pode se transformar em uma doença. 

Como explica o neurocirurgião Dr. Kleber Duarte, existem dois tipos de dor: “uma que é necessária e outra que é completamente desnecessária.” A dor necessária tem uma função fundamental: avisar que alguma coisa está errada no organismo para que a pessoa procure ajuda e corrija o problema. Já a dor desnecessária é aquela que permanece por mais de 3 meses sem uma causa que justifique sua continuidade e que deixa de cumprir qualquer função útil. “Ela não tem serventia, então pode e deve ser aplacada.” 

Essa distinção é fundamental para compreender a chamada dor crônica. Quando sofremos uma lesão, por exemplo, as terminações nervosas especializadas em detectar estímulos potencialmente lesivos, enviam sinais ao sistema nervoso. O cérebro interpreta essas informações e produz a experiência que chamamos de dor. Nesse contexto, a dor funciona como um verdadeiro sistema de alarme. 

O problema surge quando esse alarme continua disparando mesmo depois que o perigo passou. É o que acontece na dor crônica. Mudanças podem ocorrer no funcionamento do sistema nervoso. Os circuitos envolvidos no processamento da dor podem ficar mais sensíveis e responsivos. É o fenômeno conhecido como sensibilização, no qual estímulos que antes provocavam pouca ou nenhuma dor podem passar a ser percebidos como dolorosos, ou uma dor já existente pode se tornar desproporcional ao estímulo. 

Por isso, dor não é necessariamente sinônimo de lesão. A intensidade da dor também não precisa corresponder à dimensão de uma alteração encontrada em um exame. A experiência dolorosa envolve uma complexa interação entre nervos, medula espinhal e cérebro, além de fatores como memória, atenção, emoções e contexto. É justamente aí que a dor deixa de ser apenas um aviso e pode passar a constituir uma doença própria. 

Uma fratura, uma cirurgia ou uma inflamação podem ter uma causa concreta e uma finalidade biológica para a dor. Quando a causa é tratada e o sistema nervoso permanece produzindo dor, o sofrimento deixa de funcionar como um mecanismo protetor. O alarme perdeu sua utilidade, mas continua tocando. É por isso que a dor crônica não deve ser encarada como algo que a pessoa simplesmente precisa suportar. 

A dor crônica merece investigação, tratamento e, sobretudo, compreensão. A dor é real. Tratar uma dor que já não tem função de proteção não significa mascarar o problema, significa tratar uma doença. Como ela afeta profundamente o bem-estar físico, psicológico e social do indivíduo, a recuperação raramente depende de um único remédio. O tratamento eficaz combina terapias médicas, atividade física adaptada, suporte psicológico e ajustes no estilo de vida, focando não apenas na redução dos sintomas, mas na reabilitação da qualidade de vida. 



Dr. Kleber Duarte - Neurocirurgião: Dr. Kleber Duarte é médico neurocirurgião com quase 30 anos de experiência na área de neurocirurgia funcional e dor. Atualmente é coordenador do Serviço de Neurocirurgia para Saúde Suplementar e Neurocirurgia em Dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Tem amplo conhecimento e alta qualificação em técnicas cirúrgicas e de estereotaxia para tratamento de doenças que comprometem o sistema motor e em dores crônicas.
@drkleberduarte


Energéticos em excesso trazem riscos cardíacos aos mais jovens, alerta especialista

“Síndrome de Holiday” é quadro de arritmia que aparece após consumo de estimulantes e álcool
 

Consumir bebidas energéticas tornou-se comum para muitos brasileiros, especialmente jovens e adultos que buscam mais disposição para estudar, trabalhar e dar conta de rotinas cada vez mais aceleradas. Apesar de ser considerado seguro por muitas pessoas, alguns riscos, associados principalmente ao consumo em excesso, precisam ser levados em consideração. 

É o que alerta o Dr. Ricardo Ferreira, cardiologista e especialista em arritmias cardíacas. “Temos que lembrar que esses produtos contêm substâncias estimulantes como cafeína, taurina, guaraná e açúcar em altas concentrações. E, embora promovam sensação de alerta e redução do cansaço momentâneo, seu uso excessivo pode trazer sérios riscos à saúde cardiovascular”, explica. 

Alguns dos sintomas são o aumento da frequência cardíaca, elevação da pressão arterial e maior demanda de oxigênio pelo coração. No caso de pessoas predispostas à determinadas doenças, isso pode até desencadear arritmias cardíacas, palpitações e, em situações mais graves, contribuir para eventos como infarto e morte súbita. 

Dados da consultoria Kantar mostram que, entre setembro de 2023 e o mesmo mês de 2024, as bebidas energéticas ganharam 22 milhões de novos consumidores, alcançando 38% dos lares brasileiros. “Com a popularização, é importante que as pessoas tenham consciência dos riscos e aprendam que estas são bebidas que precisam ser consumidas com moderação. Já presenciei casos de pacientes que praticamente substituem a água pelo energético. Isso representa um alto risco para o coração”, afirma o cardiologista. 

“A fibrilação atrial, por exemplo, que é um tipo de arritmia mais comum em pacientes idosos tem acometido pessoas mais jovens. Normalmente, isso ocorre por excesso de estimulantes, que podem ser remédios ou bebidas energéticas. Essa estimulação desproporcional tem antecipado quadros cardíacos em pessoas de menos idade”, conta o cardiologista.
 

Energético e álcool

Outro ponto que merece atenção é a mistura de energéticos com álcool. Segundo o Dr. Ricardo Ferreira, essa combinação pode mascarar a sensação de embriaguez, incentivando o consumo excessivo e sobrecarregando ainda mais o sistema cardiovascular. 

“É bastante comum casos de pacientes que passaram o fim de semana em festas, consumindo energéticos e bebidas alcóolicas, e que precisam de atendimento médico para arritmias. Uma condição conhecida como ‘Síndrome de Holiday’. Como os corações dos mais jovens tendem a ser estruturalmente normais, esses pacientes acabam tolerando melhor a arritmia e, muitas vezes, só chegam ao médico quando o quadro já avançou, evoluindo para desmaios e até morte súbita”. 

A recomendação do especialista para a saúde do coração é sempre a moderação, além da adoção de hábitos de alimentação saudável e rotina de exercícios.

 

Dr. Ricardo Ferreira Silva - graduado em medicina pela Universidade de Uberaba (MG), fez residência em Cardiologia pelo Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, em 2011, e se especializou em Estimulação Cardíaca Artificial e Arritmia Clínica no Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese de São Paulo, em 2014 - título reconhecido pelo Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial. Além de ter especialização em eletrofisiologia clínica e invasiva no Hospital do Coração de São Paulo e concluído seu Doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), em 2018. Já em 2017, Dr. Ricardo fundou o Centro Cardiológico em sua cidade natal, Uberaba, para levar o que havia de mais moderno em tratamento de arritmia cardíaca para o interior do estado. Em pouco tempo, com a evolução do serviço e a necessidade de facilitar o acesso aos pacientes de outras localidades do país, expandiu para São Paulo. Hoje, está presente também dentro de hospitais como Beneficência Portuguesa, Samaritano e São Camilo – em São Paulo.



Pneumologista do HUB alerta para riscos do cigarro eletrônico entre adolescentes

Estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 43% dos estudantes do DF já experimentaram 


O uso de cigarros eletrônicos, também conhecidos como vapes, quase dobrou entre estudantes brasileiros de 13 a 17 anos, dando um salto de 16,8% em 2019 para 29,6%. Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e também apontam aumento de forma generalizada nas maiores regiões do país, com o Centro-Oeste concentrando o maior percentual (42,0%). 

Para esclarecer dúvidas acerca do uso de cigarro eletrônico, entrevistamos o médico pneumologista do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB/HU Brasil), Ricardo Martins.

 

O que é o cigarro eletrônico?

O cigarro eletrônico, vape ou e-cigarette é um dispositivo que aquece um líquido com nicotina; solventes, como propilenoglicol e glicerina vegetal; aromatizantes; e metais pesados; produzindo um aerossol tóxico que é inalado. No Brasil, a venda, importação e propaganda são proibidas desde 2009, e a Anvisa reafirmou essa proibição em 2024 após avaliar riscos à saúde.

 

De quais formas as substâncias liberadas pelo cigarro eletrônico afetam o organismo?

De várias formas. Entre elas está a grave dependência à nicotina, já que os cigarros eletrônicos ofertam a nicotina em concentrações muito altas, inclusive na forma de sais de nicotina, que aumentam o poder viciante. Também acontecem os danos respiratórios. O aerossol contém substâncias cancerígenas e metais como níquel, estanho e chumbo. Em alguns casos, a exposição equivale a mais de 20 maços de cigarro comuns. Além disso, há os riscos cardiovasculares, pois a nicotina aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial, e favorece inflamação e aterosclerose, elevando riscos de infarto e AVC.

 

Quais são os riscos para fumantes passivos?

Os mesmos dos que ficam em contato com fumantes de cigarros comuns, porém, com maiores chances de apresentarem enfermidades, tais como doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), doenças cancerígenas e doenças cardiovasculares.  

Algumas pessoas defendem que o cigarro eletrônico é uma opção mais segura para fumantes e que se trata apenas de um vapor saborizado. Essas afirmações são verídicas?

Não. Cigarros eletrônicos não são inofensivos. A carga total de nicotina é equivalente a dezenas de cigarros tradicionais, o que aumenta a dependência e o risco de contrair doenças graves. Um cigarro comum contém cerca de 1 a 2 mg de nicotina absorvida e pode chegar a 60 mg/ml em alguns produtos comercializados em outros países.

 

Entre o cigarro, o vape e o narguilé há uma opção menos prejudicial para a saúde?

Não. Todos esses produtos são modelos que a indústria do cigarro utiliza para viciar o consumidor na nicotina, dando uma nova roupagem ao mesmo produto. Todos são extremamente danosos à saúde.

 

Mesmo sendo proibido no Brasil, a experimentação e o uso do cigarro eletrônico estão crescendo entre os adolescentes. Quais fatores contribuem para popularizar o uso de vape entre jovens brasileiros?

São vários os fatores, dentre os quais cito a aparência moderna e sabores atraentes; a falta de informação sobre riscos; a influência social e o marketing informal; e a falsa percepção de que é “menos prejudicial”, o que não é verdade, segundo estudos brasileiros. O uso do produto cresce rapidamente entre adolescentes. No DF, estudos do IBGE mostram que mais de 43% dos estudantes de 13 a 17 anos já experimentaram.

 

Quais são os prejuízos que o cigarro eletrônico pode causar para a saúde, tanto respiratórios quanto de forma geral?

No caso específico do cigarro eletrônico surge uma nova doença que recebeu o nome de EVALI, sigla em inglês para designar uma doença respiratória oriunda do consumo desse produto desse produto. O cigarro eletrônico possui um recipiente para inserção de um refil de nicotina e outros produtos, e de um dispositivo, em geral, alimentado por uma bateria, para aquecer e vaporizar esses produtos. A composição do cigarro eletrônico é variável, e é comum encontrar nicotina, água e aromatizantes e solventes, como a glicerina e propilenoglicol. A temperatura de vaporização pode atingir até 350°C. Entre os compostos gerados por essa reação estão produtos cancerígenos, como o formaldeído. Em 2019, foram registrados casos de lesões pulmonares causadas pelo uso de cigarros eletrônicos. Desde então, foram registrados 2.558 casos, muitos com lesões que geram a necessidade de internação, sendo que alguns desses foram a óbito. 

 

Quais os riscos do uso desses cigarros eletrônicos e dos narguilés por adolescentes?

A curto prazo, a doença respiratória aguda citada acima. A médio e longo prazos, doenças crônicas graves, especialmente respiratórias e cardiovasculares.

 

Esses dispositivos causam vício? Se sim, como tratar?

Sim, a dependência de nicotina, uma das mais difíceis de se tratar. Uma vez dependente, o paciente deve ser conduzido para uma modalidade de tratamento que envolve uso de técnicas psicoterápicas associado a adesivo de nicotina ou medicamentos que diminuam a dependência dessa droga. É importante frisar que o Sistema Único de Saúde (SUS) dispõe desse tratamento e que é uma inverdade informar que esses produtos tiram a pessoa da dependência do cigarro. Ao contrário, estudos têm demonstrado que há um aumento do consumo de cigarros por parte de crianças e adolescentes com a introdução desses dispositivos no mercado.


INC realiza diagnóstico de doenças raras para pacientes do SUS de todo o Brasil


Existem milhares de variações no código genético da espécie humana. Elas podem determinar aspectos estéticos dos nossos corpos, como textura do cabelo e cor dos olhos, mas também podem determinar se uma pessoa vai ou não sofrer de uma determinada doença, que pode ser fatal. 

Algumas condições genéticas são bem estudadas e conhecidas do público em geral, como a síndrome de Down; outras são obscuras e tão raras que seu diagnóstico pode ser um desafio. É aí que entra a análise dos exomas: uma pequena parte do nosso DNA que contém as instruções para a produção de proteínas e onde se encontram as informações de inúmeras doenças genéticas que atingem a espécie humana. 

No SUS, existe um protocolo já bem estabelecido para o atendimento das pessoas com doenças raras, mas o diagnóstico dessas condições ainda representava um obstáculo: muitas vezes, os sintomas do paciente são comuns a diversas doenças genéticas, e somente um exame genético detalhado é capaz de determinar qual delas, e esse exame não estava disponível – até agora. 

O Instituto Nacional de Cardiologia é uma instituição de referência do SUS em saúde cardiovascular de alta complexidade. Forma profissionais altamente qualificados para atuar nas redes pública e privada de todo o Brasil e realiza pesquisas de vanguarda para avançar o conhecimento científico e melhorar a saúde da nossa população, entre elas o Projeto Renômica (Rede Nacional de Genômica Cardiovascular), que realizou o mapeamento e sequenciamento genético de milhares de pacientes de doenças cardiovasculares de origem genética, buscando identificar mutações que levam a doenças graves e, assim, proporcionar um tratamento mais preciso e aumentar o conhecimento sobre as causas genéticas dos problemas cardíacos. 

Com o final do Projeto Renômica, o INC, em parceria com o Ministério da Saúde e por meio da Fundacor, ampliou o escopo dessa missão e começa, agora, a realizar a análise genética de exomas para o Departamento de Doenças Raras do SUS, atendendo pacientes de todo o Brasil. Trata-se de uma ação assistencial do SUS, que amplia o acesso da população ao diagnóstico genético especializado. Já foram realizadas mais de 1.300 coletas e cerca de 700 laudos estão prontos ou sendo analisados; quando estiver em funcionamento total, o projeto objetiva atender 20.000 pacientes todos os anos. 

A partir de uma simples amostra das células do interior da bochecha do paciente, que nem mesmo precisa ser refrigerada para transporte, a equipe do INC, que inclui geneticistas e bioinformatas altamente qualificados, é capaz de mapear os exomas do DNA da pessoa, identificando variações genéticas relacionadas a doenças específicas e ajudando os médicos dos Centros de Doenças Raras em todo o Brasil a diagnosticar seus pacientes com precisão. 

A partir daí, abre-se um novo horizonte para esses pacientes. O diagnóstico correto representa não apenas um alívio, mas também a possibilidade de ter acesso ao tratamento mais indicado, em vez de tatear no escuro enquanto a saúde se deteriora. É possível ter um prognóstico e buscar todos os recursos possíveis, todos os amparos dentro da esfera da saúde, do direito, da previdência e da assistência social. 

Para além do benefício óbvio para os pacientes, que podem, com o diagnóstico certo, se tratar da melhor maneira e são poupados de muito sofrimento e perda de tempo, também existe um benefício imenso para o SUS na análise de exomas. Diagnósticos mais rápidos e precisos significam que menos dinheiro público é gasto em tratamentos incorretos, o que aumenta o custo-efetividade do sistema, liberando recursos para serem investidos em tratamentos corretos e eficazes para mais pacientes. 

Um terceiro benefício não pode ser esquecido e esse pode ser o maior e de mais longevo impacto para o SUS: a formação de um banco genético dos brasileiros, para os brasileiros. O Brasil é um laboratório natural de genética humana, com uma população que apresenta um código genético extremamente variado, o que reforça a necessidade de dados genéticos que representem de fato a nossa realidade. 

Estudos publicados em 2025 na revista Science sequenciaram 2.723 genomas completos de brasileiros e identificaram mais de 8 milhões de variantes genéticas previamente desconhecidas e mais de 36 mil variantes potencialmente deletérias ainda não descritas em bancos internacionais. Ou seja, os grandes bancos genômicos mundiais não dão conta da nossa variedade genética. Pessoas que têm um genoma muito diferente do padrão europeu têm menos chances de descobrir uma doença genética simplesmente porque os seus genes não estão suficientemente representados nesses bancos. 

É imperativo construir um biobanco brasileiro, em que as nossas variações genéticas estejam representadas. Dessa forma, poderemos, cada vez mais, identificar os genes responsáveis pelas doenças que atingem a nossa população e poderemos dar ao nosso povo o benefício de um diagnóstico rápido e preciso e de tratamentos cada vez melhores e mais eficientes, melhorando a saúde de todos os brasileiros e brasileiras que sofrem de doenças raras. E o INC está e estará no centro desse avanço científico, cumprindo sua missão de dar à população brasileira o melhor cuidado possível, desenvolvendo conhecimento em genética humana e em especial na genética da população brasileira e contribuindo para a criação de soluções para aplicação local.

 

Helena Cramer – Coordenadora de Ensino e Pesquisa do Instituto Nacional de Cardiologia

Aurora Issa – Diretora do Instituto Nacional de Cardiologia


O que o seu corpo tenta te dizer nos pequenos sintomas do dia a dia


 

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Do cansaço contínuo às alterações no sono e no intestino, entender os sinais do organismo é fundamental para descobrir alterações de saúde precocemente

 

Sintomas comuns, como cansaço persistente, alterações intestinais e dores recorrentes, muitas vezes são incorporados à rotina e acabam passando despercebidos. No entanto, quando esses sinais persistem por semanas, se intensificam ou passam a interferir na qualidade de vida, podem indicar que algo não está funcionando bem no organismo e precisam ser investigados. 

O diagnóstico precoce e o acompanhamento médico adequado são apontados pelo Ministério da Saúde como estratégias importantes para reduzir complicações relacionadas às doenças crônicas1, que estão entre as principais causas de morte no Brasil. 

A fadiga é um dos exemplos mais comuns. Sentir cansaço após um dia intenso é esperado, mas o alerta surge quando o descanso deixa de ser suficiente para recuperar as energias. A chamada fadiga persistente pode estar relacionada a diferentes fatores, como sono inadequado, anemia, alterações hormonais, doenças cardiovasculares, transtornos de ansiedade e burnout. 

"O cansaço que não melhora após uma boa noite de sono ou aparece acompanhado de falta de ar, dor no peito, palpitações ou tonturas merece investigação médica", afirma Carlos Rassi, cardiologista e coordenador de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês em Brasília. 

Para o médico, o sintoma costuma ser um dos primeiros sinais de diferentes doenças e, por isso, não deve ser tratado apenas como consequência da rotina acelerada.

 

O intestino também dá sinais importantes 

Prisão de ventre frequente, estufamento, dor abdominal e a alternância entre diarreia e intestino preso costumam ser encarados como algo comum por grande parte da população. Contudo, a persistência desses desconfortos não deve ser ignorada. 

"Sangue nas fezes, perda de peso sem causa aparente, dores intensas ou quadros que se prolongam por semanas representam sinais de alerta que exigem diagnóstico especializado", reforça Alexandre de Sousa Carlos, gastroenterologista do Hospital Sírio-Libanês. 

De acordo com o especialista, o sistema digestivo funciona como um importante indicador da saúde geral. Embora alimentação inadequada, sedentarismo e estresse ajudem a explicar episódios pontuais, alterações contínuas no padrão do trânsito intestinal pedem avaliação médica.

 

Dor não deve fazer parte da rotina 

Cefaleia frequente, dores nas costas, nos joelhos e cólicas incapacitantes estão entre as queixas mais comuns da população. Ainda assim, a busca constante pela automedicação faz com que muitos convivam com o problema por anos, o que adia o diagnóstico de condições sérias. 

"É importante não normalizar a dor, principalmente quando ela interfere nas atividades do dia a dia", afirma Cláudia Simões, anestesiologista do Hospital Sírio-Libanês. 

A médica orienta que os pacientes detalhem a intensidade do sintoma e o impacto na rotina durante as consultas, informações fundamentais para direcionar a investigação clínica e acelerar o início do tratamento adequado.

 

Dormir mal é mais do que falta de descanso 

Ronco alto, acordar diversas vezes durante a noite e a sensação de cansaço logo ao acordar são sinais frequentes de que a saúde precisa de atenção. Entre as causas mais comuns dessas queixas estão a apneia obstrutiva do sono, o estresse, a ansiedade e outras condições clínicas que comprometem o descanso. 

"O sono é um dos principais indicadores da nossa saúde. Quando ele deixa de ser reparador, vale a pena investigar", afirma Renato Stefanini, otorrinolaringologista e especialista em medicina do sono do Hospital Sírio-Libanês. 

Além do esgotamento físico, a privação contínua de um sono de qualidade pode prejudicar a memória, a concentração, o humor, a imunidade e o equilíbrio hormonal.

 

Quando a mente afeta o organismo 

O estresse nem sempre se manifesta apenas por preocupação ou ansiedade. Quando se torna crônico, pode favorecer alterações cardiovasculares e metabólicas, como hipertensão, obesidade e diabetes, aumentando o risco de infarto, AVC e outros problemas de saúde. Essas condições também estão associadas a um maior risco de declínio cognitivo e demência ao longo do envelhecimento. 

"O estresse biológico é uma resposta natural do organismo a desafios psicológicos e ambientais. Quando essa resposta permanece ativada por muito tempo, aumenta o risco de alterações cardiovasculares e metabólicas. Por isso, controlar os fatores de risco e adotar hábitos saudáveis é essencial para proteger tanto a saúde do coração quanto a do cérebro", afirma Sérgio Ricardo Hototian, psiquiatra do Hospital Sírio-Libanês. 

Para reduzir os impactos do estresse crônico, o médico recomenda investir em atividade física, psicoterapia, técnicas de relaxamento e no controle dos fatores de risco, medidas que contribuem para prevenir complicações e preservar a qualidade de vida.

 



Hospital Sírio-Libanês

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