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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Insônia pode elevar risco de doenças cardiovasculares graves

Cardiologista da Casa de Saúde São José alerta sobre os impactos da privação de sono no sistema cardiovascular e destaca a importância da higiene do sono para a prevenção de doenças
 

O coração também é diretamente afetado pelas noites mal dormidas ou de insônia. Isso acontece porque a privação crônica de sono desencadeia um estado contínuo de estresse no organismo, aumentando a atividade do sistema nervoso simpático — responsável por preparar o indivíduo a reagir rapidamente em caso de perigo, medo ou estresse intenso — e a liberação de hormônios como adrenalina e cortisol. Segundo o Dr. Lucas Waldeck, cardiologista da Casa de Saúde São José, essa hiperativação do organismo impede o repouso noturno adequado e leva ao aumento contínuo da pressão arterial e da frequência cardíaca, sobrecarregando o coração e acelerando o processo de rigidez dos vasos sanguíneos. 

“Em paralelo, dormir pouco ou ter um sono fragmentado estimula a produção de substâncias pró-inflamatórias e prejudica o funcionamento do endotélio, a camada interna que protege os vasos sanguíneos. Com o tempo, essa inflamação sistêmica e a disfunção vascular favorecem o acúmulo de placas de gordura nas artérias e elevam substancialmente os riscos de complicações cardiovasculares graves”, explica.
 

Entre as doenças cardiovasculares que podem surgir a partir da má qualidade do sono, estão:

  • Hipertensão arterial sistêmica, especialmente os quadros de difícil controle.
  • Doença arterial coronariana, aumentando também os riscos de infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral (AVC).
  • Alterações no ritmo de batimentos do coração. Nesse caso, a fibrilação atrial é arritmia mais associada aos distúrbios do sono. Em cenários mais graves e sem o devido acompanhamento médico, esse conjunto de alterações eleva o risco de morte por doenças cardiovasculares. 

Outro distúrbio associado a má qualidade do descanso é a apneia obstrutiva do sono, que também traz um grande impacto para o sistema cardiovascular. Durante os episódios de colapso das vias aéreas, a passagem do ar é bloqueada, provocando quedas repetidas dos níveis de oxigênio no sangue e fazendo com que o indivíduo desperte brevemente ao longo da noite. Na maioria das vezes, os episódios acontecem sem o paciente perceber. 

“Cada uma dessas pausas respiratórias exige um esforço enorme do organismo para voltar a respirar, gerando picos imediatos de pressão arterial, estresse oxidativo e inflamação nos vasos. A longo prazo, essa sobrecarga noturna contínua enfraquece o coração, altera a estrutura das artérias e aumenta significativamente a probabilidade de eventos cardiovasculares”, explica o cardiologista. 

Para reverter essa situação, mesmo vivendo com privação crônica de sono há anos, é possível e necessário adotar uma rotina saudável de sono para ajudar a reverter os danos causados ao coração e prevenir novas condições de saúde. 

De acordo com o Dr. Lucas Waldeck, a higiene do sono ajuda a interromper a progressão do estresse cardiovascular, melhora o controle da pressão arterial e estabiliza a função dos vasos sanguíneos. O acompanhamento médico contínuo para algumas alterações estruturais é primordial, mas o ato de melhorar as noites de sono alivia a sobrecarga do coração, reduzindo o risco de novos eventos graves. Para começar esse processo, o paciente deve: 

  • Manter horários regulares para deitar e acordar.
  • Evitar telas e luzes fortes antes de dormir.
  • Reduzir estimulantes durante a noite.
  • Criar um ambiente escuro, silencioso e confortável para descanso. 

“Também é essencial passar por uma avaliação médica. Em muitos casos, há indicação da realização de polissonografia, um exame feito para mapear o padrão respiratório e identificar se há presença de apneia e outros transtornos do sono. Tratar a causa exata é o que garante a recuperação da qualidade do sono e a proteção efetiva do sistema cardiovascular”, explica o médico. 

Caso o diagnóstico de síndrome da apneia do sono seja confirmado, o tratamento deve variar de acordo com o tipo identificado da condição. No caso da apneia obstrutiva, pode ser indicado o uso de dispositivos de pressão positiva, aparelhos na boca ou cirurgias para manter a via aérea aberta. Já a apneia central (em que o cérebro falha ao mandar o sinal para respirar), demanda o controle de doenças crônicas, como insuficiência cardíaca, e tratamentos com fornecimento suplementar de oxigênio e aparelhos de suporte respiratório adaptáveis às necessidades do paciente a cada ciclo do sono.


Espirro é um mecanismo de defesa do organismo para expulsar agentes que irritam o nariz; quando as crises são frequentes e vêm acompanhadas de coceira, coriza e obstrução nasal, vale investigar

 

Para algumas pessoas, basta acordar, abrir uma janela, entrar em um ambiente com ar-condicionado, mexer em uma roupa guardada ou começar a limpar a casa para surgir uma verdadeira crise de espirros. Mas, afinal, por que espirramos? Por que algumas pessoas dão apenas um espirro enquanto outras parecem não conseguir parar? E existe uma quantidade considerada normal?

Segundo o Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros, otorrinolaringologista pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia, não existe um número exato de espirros que, isoladamente, determine se há ou não uma doença.

“Espirrar dez vezes seguidas pode chamar atenção, mas o número sozinho diz pouco. Precisamos observar com que frequência isso acontece, em quais situações e, principalmente, se existem outros sintomas associados”, explica.
 

Por que espirramos?

Apesar de muitas vezes ser associado imediatamente à gripe ou à alergia, o espirro é, antes de tudo, um reflexo de proteção do organismo.

O interior do nariz é revestido por uma mucosa sensível. Quando partículas ou substâncias irritantes entram em contato com essa região, terminações nervosas podem ser estimuladas. Essa informação chega ao sistema nervoso e desencadeia uma resposta automática: uma inspiração seguida por uma expulsão rápida e intensa de ar pelo nariz e pela boca.

“Podemos entender o espirro como um mecanismo que tenta eliminar aquilo que está irritando a mucosa nasal. Poeira, ácaros, pólen, fumaça e outros agentes podem desencadear essa resposta. É uma reação involuntária, ou seja, acontece antes mesmo de decidirmos espirrar”, explica Bruno.

É justamente por isso que tentar segurar um espirro pode ser desconfortável. O organismo já iniciou uma resposta reflexa destinada a expelir o ar.
 

Por que algumas pessoas espirram uma vez e outras dez?

A sensibilidade da mucosa nasal varia de pessoa para pessoa. Quem tem rinite, por exemplo, pode apresentar uma resposta mais intensa diante de determinados gatilhos.

Além disso, se o agente irritante continua presente, novos espirros podem ser desencadeados em sequência.

“Não existe uma regra dizendo que um espirro é normal e dez são doença. Algumas pessoas naturalmente apresentam espirros em sequência. O que chama atenção é quando essas crises passam a acontecer com muita frequência ou aparecem acompanhadas de outros sintomas”, afirma o médico.

Poeira, ácaros, pólen, pelos de animais, fumaça, poluição e perfumes intensos podem desencadear sintomas em pessoas mais sensíveis. Mudanças de temperatura também podem provocar sintomas nasais em determinados indivíduos.

“Nem todo espirro é uma reação alérgica. Existem irritações e outros tipos de rinite que também podem provocar crises. Por isso, é importante analisar o contexto”, ressalta.
 

Quando muitos espirros podem indicar rinite ou gripe?

Mais importante do que contar quantas vezes você espirrou é observar o conjunto dos sintomas.

Crises recorrentes de espirros, especialmente quando acompanhadas de coceira no nariz, coriza aquosa, obstrução nasal e, em alguns casos, coceira ou lacrimejamento dos olhos, podem estar relacionadas à rinite alérgica.

Outro indício é perceber um padrão: os sintomas aparecem quando a pessoa limpa a casa? Ao entrar em contato com poeira? Quando dorme em determinado quarto? Ao mexer em roupas guardadas? Em determinadas épocas do ano?

“Quando os episódios são repetitivos e começam a interferir no sono, no trabalho, na concentração ou na rotina, não faz sentido simplesmente se acostumar a viver espirrando. É importante descobrir o que está por trás do sintoma”, orienta Bruno.

O médico ainda conta que infecções respiratórias também podem causar espirros, mas costumam apresentar uma evolução e um conjunto de sintomas diferentes. Dependendo da infecção, podem surgir dor de garganta, mal-estar, tosse, febre e outros sinais.

Já na rinite alérgica, sintomas como coceira, espirros em sequência, coriza clara e obstrução nasal costumam ganhar destaque.

“Um erro comum é tratar todo nariz que escorre como gripe ou todo nariz entupido como sinusite. Sintomas parecidos podem ter causas diferentes e, consequentemente, tratamentos diferentes”, explica.
 

Tem como diminuir as crises de espirro?

O primeiro passo é identificar os possíveis gatilhos. Se houver suspeita de rinite alérgica, medidas de controle ambiental podem fazer parte do cuidado, especialmente quando há exposição a poeira e ácaros.

Manter o ambiente ventilado, reduzir o acúmulo de poeira, higienizar adequadamente roupas de cama e evitar exposição aos gatilhos já conhecidos pode ajudar. A lavagem nasal com solução salina também pode ser recomendada em diferentes situações, desde que realizada de maneira adequada.

Quando as crises são frequentes, porém, a avaliação médica é importante para determinar a causa e definir se existe necessidade de tratamento específico.

“Não precisamos contar cada espirro. Precisamos prestar atenção no padrão. Espirrar várias vezes em uma situação isolada pode acontecer. Espirrar todos os dias, acordar constantemente com o nariz obstruído ou conviver com coceira e coriza merece investigação”, conclui o otorrinolaringologista.
 

 

FONTE:

Bruno Borges de Carvalho Barros - Médico especialista em otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e cirurgia cervico-facial. Mestre e fellow pela Universidade Federal de São Paulo.

 

Mitos e verdades sobre reprodução assistida

Tratamentos para infertilidade avançaram nas últimas décadas, mas ainda são cercados por dúvidas sobre chances de sucesso, idade, congelamento de óvulos e riscos para o bebê

 

A reprodução assistida deixou de ser um recurso restrito a situações muito específicas e passou a fazer parte da realidade de muitas pessoas que desejam ter filhos. Fertilização in vitro (FIV), inseminação intrauterina, congelamento de óvulos e embriões e outras técnicas ampliaram as possibilidades de formação de uma família, mas também fizeram crescer o número de dúvidas sobre o que realmente funciona, quais são as limitações dos tratamentos e quais expectativas podem ser consideradas realistas. 

Para Dra. Andrea Greico, especialista em Reprodução Humana do Grupo Santa Joana, um dos principais desafios é justamente separar informação científica de expectativas criadas por relatos pessoais ou promessas encontradas nas redes sociais. “A reprodução assistida oferece possibilidades importantes, mas não existe uma técnica capaz de garantir uma gravidez. O tratamento precisa ser individualizado, porque idade, reserva ovariana, qualidade dos gametas, condições do útero, fatores masculinos e histórico reprodutivo interferem diretamente nos resultados”, explica.
 

Fertilização in vitro sempre funciona?

Mito.
A FIV aumenta as possibilidades de gravidez para determinados casos de infertilidade, mas não oferece garantia de sucesso. Durante o processo, nem todos os óvulos coletados serão fertilizados e, entre os embriões formados, apenas parte continuará seu desenvolvimento até o estágio adequado para transferência. Mesmo após a transferência, a implantação e a evolução da gestação dependem de diferentes fatores. Dados da American Society for Reproductive Medicine mostram que, em um ciclo de FIV, há perdas sucessivas entre a quantidade de óvulos coletados, os que são fertilizados, os que chegam ao estágio de blastocisto e aqueles que efetivamente resultam em gestação.
 

Quem faz reprodução assistida pode escolher o sexo do bebê? 

Depende da situação e não deve ser tratado como uma simples escolha.

As técnicas de reprodução assistida permitem, em contextos específicos, a análise genética de embriões antes da transferência, mas os testes genéticos têm indicações médicas próprias. A utilização de técnicas de reprodução assistida não transforma a escolha de características do bebê em um procedimento disponível de forma irrestrita.
 

A FIV aumenta muito o risco de o bebê nascer com problemas de saúde?

Mito.
A FIV é considerada uma técnica estabelecida e, de forma geral, a maioria dos bebês concebidos por esse método nasce saudável. Existem riscos associados ao tratamento e à própria infertilidade, além de fatores como idade e condições clínicas da paciente, que também influenciam os resultados obstétricos. Por isso, não é correto atribuir automaticamente eventuais complicações à técnica de reprodução assistida. 

“É importante diferenciar os riscos relacionados ao tratamento dos riscos relacionados às características da própria paciente. Muitas mulheres que chegam à reprodução assistida já têm uma idade mais avançada ou condições que dificultam a gravidez, e esses fatores precisam ser considerados quando avaliamos os resultados”, afirma Dra. Andrea.
 

Congelar óvulos garante uma gravidez no futuro?

Mito.
A vitrificação de óvulos ampliou as possibilidades de preservação da fertilidade, mas não funciona como um seguro-garantia de maternidade. A idade em que os óvulos são congelados é um dos fatores que influenciam as chances futuras, assim como a quantidade de óvulos obtidos e sua utilização posterior. A técnica é considerada uma alternativa estabelecida de preservação da fertilidade, mas as pacientes precisam ser informadas sobre suas limitações e sobre a possibilidade de que nem todos os óvulos congelados resultem em uma gestação.
 

Quanto mais óvulos forem coletados, maior será a garantia de gravidez?

Mito.
Ter mais óvulos disponíveis pode ampliar as possibilidades de obtenção de embriões, mas quantidade não significa necessariamente qualidade. O envelhecimento reprodutivo, especialmente feminino, está relacionado à redução da qualidade dos óvulos e ao aumento da ocorrência de alterações cromossômicas. Por isso, a estratégia de tratamento precisa considerar o perfil de cada paciente, e não apenas a quantidade de óvulos recuperados.
 

Reprodução assistida é indicada apenas para mulheres?

Mito.
A infertilidade pode estar relacionada a fatores femininos, masculinos ou a uma combinação dos dois. Alterações na produção ou qualidade dos espermatozoides, por exemplo, também podem interferir na capacidade de engravidar. A avaliação do casal ou dos indivíduos envolvidos no projeto parental é importante para identificar a causa e escolher a estratégia mais adequada.
 

A idade deixa de ser importante quando se faz uma FIV? 

Mito.
A reprodução assistida pode contornar algumas dificuldades relacionadas à concepção, mas não elimina os efeitos do envelhecimento dos óvulos. A idade continua sendo um dos fatores mais importantes para os resultados reprodutivos. Por isso, a FIV não deve ser encarada como uma forma de “parar o relógio biológico”. 

“Uma das maiores expectativas que precisamos alinhar com os pacientes é a ideia de que a tecnologia consegue neutralizar completamente os efeitos da idade. Ela amplia as possibilidades, mas não elimina a biologia. Quanto mais cedo identificamos uma dificuldade ou discutimos o planejamento reprodutivo, maior é a possibilidade de tomar decisões de maneira individualizada”, explica a especialista.
 

A inseminação artificial e a fertilização in vitro são a mesma coisa?

Mito.
Embora façam parte da reprodução assistida, são tratamentos diferentes. Na inseminação intrauterina, os espermatozoides preparados são introduzidos no útero no período próximo à ovulação, enquanto na FIV a fecundação ocorre em laboratório e o embrião posteriormente é transferido para o útero. A escolha entre as técnicas depende da causa da infertilidade, idade, exames e histórico de cada paciente.
 

Toda FIV precisa utilizar intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI)?

Mito.
A injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) consiste na introdução de um único espermatozoide diretamente no óvulo. Apesar de ser uma ferramenta importante em situações específicas, seu uso não é necessariamente indicado para todos os pacientes. Recomendações recentes da ASRM apontam que a utilização rotineira da ICSI em situações sem fator masculino ou histórico de falha de fertilização não demonstrou melhorar as taxas de nascimento em comparação com a fertilização convencional.
 

Quem faz reprodução assistida precisa passar por vários ciclos?

Não necessariamente.
Algumas pessoas conseguem uma gestação no primeiro tratamento, enquanto outras precisam de mais de uma tentativa. A resposta varia conforme idade, diagnóstico, reserva ovariana, qualidade dos gametas, número e qualidade dos embriões e outros fatores. Por isso, não é possível estabelecer previamente quantos ciclos serão necessários para cada paciente. 

Mais do que escolher uma técnica, o acompanhamento especializado permite estabelecer expectativas realistas e avaliar quando determinado tratamento faz sentido. A reprodução assistida não deve ser encarada como uma promessa de resultado, mas como um conjunto de ferramentas que pode ampliar as possibilidades de gravidez diante de diferentes situações. 

“Cada paciente chega com uma história e uma expectativa. Nosso papel é explicar o que a medicina consegue oferecer naquele cenário, quais são as possibilidades e também quais são os limites. Informação de qualidade é parte fundamental do tratamento”, conclui Dra. Andrea Greico.

 

Hospital e Maternidade Santa Joana
www.santajoana.com.br


Outubro Rosa: exames de prevenção ao câncer de mama são diferentes para quem tem silicone?

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Cirurgiã plástica conta que receio de ruptura durante a mamografia é comum

 

O Brasil é o país que mais realiza cirurgias plásticas todos os anos, e a prótese de silicone ocupa o segundo lugar no ranking. Com tantas mulheres brasileiras que realizaram essa mudança nos seios, e com o Outubro Rosa chegando, pode ficar uma dúvida para muitas: existe alguma diferença nos exames de prevenção do câncer de mama para quem tem silicone?

“Já escutei de muitas pacientes e pessoas próximas insegurança com estes procedimentos, principalmente com a mamografia,” explica Dra. Patricia Marques, cirurgiã plástica membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. “O medo da prótese estourar ao realizar o exame é o mais comum”, comenta.

A especialista esclarece que o medo apesar de compreensível, não tem um fundamento, já que casos de ruptura durante o exame são extremamente raros. “Pode ser que haja uma sensação diferente, especialmente para quem ainda não se acostumou com a prótese,” explica. “Mas realizando o procedimento em uma clínica de qualidade, e informando ao profissional responsável pela mamografia que você possui silicone, não há com o que se preocupar.”

Já quando assunto é o exame do toque de mama, a cirurgiã explica que não há diferença alguma, e ele pode ser realizado de maneira normal. Em alguns casos pode até facilitar o autoexame. “A prótese empurra as glândulas mamárias para frente, o que pode deixar nódulos ou firmeza anormal mais pronunciados, ajudando na identificação para quem é leigo.”

Ela ainda sinaliza que autoexames mensais com movimentos técnicos são a norma mais recomendada, mas vale sempre a pena prestar atenção a todos os momentos. “A maioria dos casos é descoberto por meio de toques casuais das mamas. Então observe, pelo tato e visão, já que manchas e deformidades também são indicações, sempre que se sentir confortável.”

A médica deixa claro que a necessidade desses exames é essencial na prevenção do câncer de mama, e é ainda mais importante neste momento em que vivemos deixar isto claro para toda a população feminina. “Considero este Outubro Rosa mais significativo do que outros, pois tivemos uma queda brusca na realizações desses procedimentos desde a pandemia. Obviamente, exames de rotina deveriam ser evitados, mas desde a normalização não voltamos aos números de 2019.”

De acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia e dados do Ministério da Saúde, houve um declínio de 42% no número de mamografias feitas em 2020, equivalente a cerca de 800 mil exames, e até agora não parece que houve recuperação desta queda em 2021.

A doutora explica que como todo médico, recomenda a realização de avaliações sempre para monitorar o estado de saúde. Mas em especial os de prevenção ao câncer de mama, por ser uma doença tão agressiva e de rápida evolução. “Se você se sente insegura por conta do silicone, leia material sobre o assunto ou converse com seu cirurgião para que possa se tranquilizar, mas não deixe de realizar exames tão importantes como estes,” finaliza Marques. 



Dra Patricia Marques (CRM-SP 146410) graduada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, com especialização em reconstrução de mama e cirurgia linfática no Hospital Santa Creu i Sant Pau em Barcelona, e complementação em cirurgia reparadora de mama, cabeça e pescoço no Hospital Memorial Sloan-Katering Câncer Center, em NY, EUA.
Site: www.drapatriciamarques.com.br
Instagram: @dra_patricia_marques

 

Fotobiomodulação, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e áreas da neurorreabilitação estão entre os procedimentos para um paciente voltar a ter uma vida normal

 Outubro é reconhecido como o mês de conscientização e prevenção ao Acidente Vascular Cerebral (AVC), tendo o seu ponto alto em 29 de outubro.

 

Especialistas chamam atenção para a neuroplasticidade, a importância da reabilitação contínua e novas tecnologias que podem ser incorporadas ao processo de recuperação

A data reforça a importância de reconhecer rapidamente os sinais de um Acidente Vascular Cerebral e buscar atendimento de emergência. A campanha deste ano da World Stroke Organization, “Every M1nute Counts”, chama atenção justamente para o impacto do tempo: diante de um AVC, cada minuto pode fazer diferença para preservar funções e aumentar as possibilidades de recuperação. 

No Brasil, os números ajudam a dimensionar o problema. Dados reunidos pela Sociedade Brasileira de AVC mostram que 89.490 pessoas morreram pela doença em 2025. Somente entre janeiro e março de 2026 foram registrados 20.461 óbitos, o que representa mais de nove mortes por hora, em média. 

Além da mortalidade, há o impacto sobre quem sobrevive. Estimativas baseadas em registros epidemiológicos brasileiros apontam para algo entre 232 mil e 344 mil novos casos por ano, o equivalente a aproximadamente 978 casos por dia, praticamente um novo AVC a cada 1,5 a 2 minutos no país. 

Alterações de movimento, fala, linguagem, memória, atenção, equilíbrio e autonomia podem permanecer após o evento. Nesse processo, ganha importância a neuroplasticidade, capacidade do sistema nervoso de modificar e reorganizar suas conexões em resposta a estímulos e experiências. 

“Quando conseguimos atender um AVC rapidamente, o primeiro objetivo é preservar a vida e reduzir a extensão da lesão. Depois começa outro desafio: recuperar, dentro das possibilidades de cada caso, as funções e a autonomia desse paciente. E a capacidade de reorganização do cérebro tem um papel importante nesse processo”, explica o Dr. Álvaro Pereira, angiologista, doutor em Cirurgia Vascular pela Divisão de Bioengenharia do INCOR-HCFMUSP e pós-doutor pelo B&H Hospital – Harvard.

 

*Reabilitação pós-AVC e novas tecnologias entram no campo da neurorreabilitação* 

Além das terapias já utilizadas na reabilitação, pesquisadores estudam recursos capazes de atuar sobre processos biológicos relacionados ao funcionamento e à recuperação cerebral. 

Entre essas abordagens está a fotobiomodulação transcraniana (FBMt), técnica não invasiva que utiliza luz vermelha ou infravermelha próxima em parâmetros específicos aplicada sobre a região da cabeça. 

Pesquisas investigam sua ação sobre mecanismos como função mitocondrial, produção de energia celular, fluxo sanguíneo cerebral, resposta inflamatória, estresse oxidativo, fatores neurotróficos e neuroplasticidade. 

Uma revisão recente dedicada especificamente ao AVC reúne resultados de estudos experimentais e ensaios clínicos e discute o potencial da tecnologia nesse contexto. 

“A fotobiomodulação atua em mecanismos importantes para o funcionamento do tecido cerebral como metabolismo celular, circulação e modulação da resposta inflamatória. Quando integrada à reabilitação, pode ajudar a criar condições biológicas mais favoráveis para a resposta aos estímulos terapêuticos. A ideia é somar às estratégias já utilizadas por fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e outros profissionais, ampliando os recursos disponíveis durante o processo de recuperação do paciente”, explica Pereira. 

A forma de utilização, a frequência das aplicações e sua associação com outras abordagens devem ser avaliadas caso a caso pela equipe profissional responsável pelo acompanhamento do paciente, considerando o quadro clínico, os objetivos terapêuticos e sua evolução. 

“Quando falamos em recuperação após um AVC, não existe uma estratégia única que sirva para todos os pacientes. A fotobiomodulação pode ser considerada dentro do processo de reabilitação levando em conta as características e os objetivos de cada pessoa. Essa decisão precisa ser individualizada pela equipe que acompanha o caso”, comenta Pereira que conclui, “a neuroreabilitação é construída a partir da resposta de cada paciente. Quanto mais compreendemos os mecanismos envolvidos na recuperação cerebral, mais possibilidades temos de integrar diferentes recursos de maneira coerente dentro desse processo”, afirma. 

Fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e outras áreas da neuroreabilitação trabalham com estímulos direcionados às funções comprometidas. Movimentos, palavras, exercícios de linguagem e tarefas do cotidiano podem precisar ser repetidos diversas vezes para estimular processos de aprendizagem e reorganização das redes neurais. 

“Na reabilitação, repetir não significa simplesmente fazer a mesma coisa várias vezes. Existe um objetivo por trás daquele estímulo. O profissional observa o que foi comprometido, o que está preservado e, a partir disso, constrói estratégias para estimular determinadas funções”, afirma Pereira. 

A recuperação também varia de pessoa para pessoa, de acordo com fatores como localização e extensão da lesão, idade, tempo transcorrido desde o AVC e condições clínicas. 

“Não existe uma fórmula única para a reabilitação após um AVC. Cada paciente chega com uma história, uma lesão e necessidades diferentes. O acompanhamento precisa ser construído e ajustado conforme essa pessoa evolui”, acrescenta o médico que conclui, “ás vezes, recuperar autonomia significa voltar a caminhar. Em outro paciente, pode significar conseguir se comunicar, se alimentar sozinho, compreender uma conversa ou realizar novamente uma atividade simples da rotina. É preciso olhar para a pessoa como um todo”, explica Pereira. 

 

Dr. Álvaro Pereira – angiologista formado pela FMUSP em 1978, com residência em Cirurgia Vascular no HCFMUSP, Doutorado em Cirurgia Vascular na Divisão de Bioengenharia do INCOR - HCFMUSP, pós-doutorado no B&H Hospital - Harvard. Diretor clínico da Cosmedical.

 

Proteína pouco conhecida é potencial alvo contra a doença de Chagas

Células do coração infectadas por Trypanosoma cruzi. Em azul, 
o núcleo; em vermelho, o citoesqueleto; em verde, os parasitas

imagem obtida por microscopia confocal/
acervo da pesquisadora Thaise Lara Teixeira/IQ-USP

Em testes de laboratório, a redução da enzima IP6K impediu o parasita Trypanosoma cruzi de se diferenciar e de manter o ciclo de infecção em células cardíacas humanas

 

 

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e colaboradores identificaram um alvo promissor para o desenvolvimento de novos tratamentos contra a doença de Chagas. Em testes de laboratório, o grupo conseguiu interromper o ciclo de infecção do parasita Trypanosoma cruzi ao reduzir a produção de uma de suas proteínas.

Sem essa molécula em níveis adequados, o patógeno perdeu a capacidade de se diferenciar em sua forma infectante dentro de células cardíacas humanas, tendo seu desenvolvimento gravemente comprometido. A descoberta foi detalhada em artigo publicado em agosto na revista Communications Biology.

“Desenvolvemos uma versão do parasita deficiente para a proteína IP6K. Ele até entra na célula e se replica, mas com dificuldade. Sua diferenciação em formas infectantes é prejudicada, o que leva à redução das formas sanguíneas a cada novo ciclo de infecção intracelular”, explica Thaise Lara Teixeira, coautora do estudo, desenvolvido durante pós-doutorado no Instituto de Química (IQ) da USP.

Teixeira atualmente é professora visitante no Programa de Pós-Graduação em Imunologia e Parasitologia Aplicadas da Universidade Federal de Uberlândia (PPGIPA-UFU).

Segundo os pesquisadores, uma evidência de que a IP6K realiza uma importante função no ciclo de vida do T. cruzi foi a dificuldade de produzir em laboratório versões do parasita que não expressassem a proteína.

“Quando eram deletadas as duas cópias do gene que codifica a proteína IP6K, por meio de edição gênica, os parasitas simplesmente não sobreviviam para que os testes pudessem ser feitos nas células cardíacas. Por isso, os parasitas usados no estudo ainda tinham uma cópia desse gene”, conta Bryan Etindi Abuchery, que participou da pesquisa durante seu mestrado no Instituto de Biociências de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (IBB-Unesp), com apoio de bolsa da FAPESP.

O queniano Abuchery cursa atualmente o doutorado no IQ-USP, também com bolsa. Após se formar em biologia em seu país, ele estagiou na Unidade de Pesquisa Médica do Exército dos Estados Unidos no Quênia, onde monitorava a leishmaniose em regiões endêmicas do leste africano. Foi nessa época que um colega lhe enviou uma oportunidade de bolsa de mestrado da FAPESP para atuar no laboratório de Marcelo Santos da Silva. Hoje professor no IQ-USP, Silva era, na ocasião, Jovem Pesquisador FAPESP no IBB-Unesp.

“Mandei o currículo e nem estava esperando que houvesse resposta. Mas ele [Silva] gostou, me chamou para uma entrevista, conversamos bastante sobre parasitas e então fiz uma prova e passei”, conta o doutorando, em bom português.

Ainda no mestrado, Abuchery realizou estágio na Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos, também com bolsa da FAPESP, onde fez parte das análises descritas no estudo publicado agora.

No trabalho, ele e seus colegas procuraram estudar a proteína IP6K justamente por suas funções ainda pouco conhecidas dentro de uma via de sinalização celular importante, mas pouco explorada.

Os ensaios mostraram que a IP6K tem uma similaridade muito baixa, cerca de 25%, com sua versão humana (homóloga). Este é um ponto importante para que um eventual tratamento que a tenha como alvo cause menos efeitos colaterais.

Trypanosoma cruzi na forma epimastigota, que migra para a porção final
do intestino do barbeiro e se transforma na versão capaz de infectar
humanos, conhecida como metacíclica
 (imagem: acervo da pesquisadora Maria Cristina M. Motta/IBCCF-UFRJ)


Ciclo de vida 

O ciclo de vida do T. cruzi é relativamente complexo, uma das causas do seu sucesso evolutivo e de sua resistência a tratamentos. O fato de o estudo ter encontrado uma forma de interromper esse ciclo é um dos fatores que o tornam promissor.

“Se com baixos níveis de expressão de IP6K o parasita já fica tão prejudicado, é possível crer que, caso seja desenvolvido um fármaco que possa atuar especificamente nesta proteína, tenhamos um tratamento eficaz”, projeta Silva.

O pesquisador ressalta, porém, a necessidade de mais estudos para compreender o papel do IP6K no ciclo de vida do T. cruzi, além da identificação de sítios específicos da proteína que possam ser usados como alvos de potenciais fármacos.

O T. cruzi tem um ciclo de vida que compreende dois hospedeiros. Um invertebrado, normalmente o barbeiro, inseto que se alimenta de sangue, e um vertebrado, em geral mamífero, como humanos, cães, ratos e animais silvestres.

Duas das quatro principais formas do parasita ocorrem quando ele está colonizando o barbeiro: as formas epimastigota e metacíclica. Esta segunda normalmente contamina humanos por meio das fezes e da urina do inseto, quando estas entram em contato com a ferida causada pela picada.

Uma vez na corrente sanguínea humana, o parasita infecta células e, dentro delas, inicia a transição para a forma amastigota. Esta então se multiplica até iniciar a mudança para a forma tripomastigota sanguínea, que sai da célula e vai para a circulação, podendo reinfectar outras células ou ser ingerida por outro barbeiro. Uma vez no inseto, se transforma novamente na forma epimastigota, reiniciando o ciclo.

“O Trypanosoma cruzi tem afinidade por células cardíacas. Com o tempo, essas células vão sendo destruídas por ele e pela resposta inflamatória local, sem que o sistema imune dê conta de reparar o tecido por completo. Isso gera uma perda de função do músculo cardíaco, até o ponto em que ele reduz a capacidade de contrair e de bombear sangue para o resto do corpo, o que causa o aumento do músculo cardíaco, característico da fase crônica sintomática”, detalha Teixeira, da UFU.


Doença negligenciada

Segundo o Ministério da Saúde, houve cerca de 400 casos de doença de Chagas no Brasil em 2025. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a doença afete 8 milhões de pessoas no mundo, a maioria na América Latina.

Após uma fase aguda sem sintomas ou com sintomas inespecíficos, período que dura entre quatro e oito semanas, a doença chega no estágio crônico. Anos após a infecção, por vezes décadas, entre 20% e 30% dos pacientes desenvolvem problemas cardíacos que podem levar à morte, e cerca de 10% têm alterações digestivas.

Os dois medicamentos disponíveis para tratar a doença ainda são os mesmos descobertos nos anos 1970, conhecidos por causar efeitos colaterais que por vezes levam ao abandono do tratamento. Apresentam ainda a limitação de serem eficazes apenas no início da doença.

Devido às poucas opções de tratamento, à falta de interesse da indústria farmacêutica e ao fato de afetar majoritariamente populações de baixa renda, a moléstia é uma das chamadas doenças tropicais negligenciadas.

Nos últimos anos, essas enfermidades têm sido alvo de atenção da OMS e de iniciativas sem fins lucrativos para a descoberta de novos fármacos (leia mais em: agencia.fapesp.br/29753 e agencia.fapesp.br/32127).

O trabalho publicado agora abre novas vias de investigação. No doutorado no IQ-USP, Abuchery busca compreender se a IP6K tem papel no reparo de DNA, uma função que poderia explicar a relevância da proteína no ciclo de vida do parasita.

Na UFU, Teixeira coordena estudos para compreender o papel do sistema imune humano na resposta ao T. cruzi deficiente para a IP6K. Silva, por sua vez, desenvolve um projeto para investigar como a Leishmania, outro parasita causador de uma doença negligenciada, a leishmaniose, responde à falta da proteína IP6K.

O artigo Reduced IP6K levels impair life-cycle transitions and intracellular development of Trypanosoma cruzi within human cardiomyocytes pode ser lido em: nature.com/articles/s42003-026-10781-0.

 

 André Julião

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/proteina-pouco-conhecida-e-potencial-alvo-contra-a-doenca-de-chagas/59340


Mês de Combate à Meningite: gravidade e risco potencial da doença reforçam a importância da prevenção desde as primeiras semanas de vida

Com taxa de letalidade média de 20% e risco de sequelas graves entre 20% e 37% dos sobreviventes, prevenção vacinal é fundamental1

 

A doença meningocócica é uma infecção bacteriana grave, de evolução rápida e com potencial devastador. De acordo a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)1, a enfermidade apresenta uma alta taxa de letalidade média de 20% no Brasil, índice que pode ser ainda maior em cenários de surtos. Além do risco de óbito, a SBIm alerta que cerca de 20% a 37% dos sobreviventes sofrem com complicações e sequelas graves e permanentes, como amputação de membros, perda auditiva (surdez) e danos neurológicos1. 

Diante de uma enfermidade que pode evoluir para quadros críticos em poucas horas, a imunização é reconhecida como a forma mais eficaz de prevenção2. No entanto, o Brasil enfrenta desafios para atingir as metas ideais de proteção na infância. Dados do Ministério da Saúde3 mostram que a cobertura vacinal média nacional contra o meningococo está atualmente em 88,94%, ainda abaixo da meta de 95% estipulada pelo Programa Nacional de Imunização (PNI)4. O cenário exige atenção especial em estados que registram índices abaixo da média nacional, a exemplo do Amapá, Pará, Roraima e Maranhão1. 

A necessidade de manter altas taxas de vacinação é confirmada por evidências científicas: estudos no país apontam que períodos de elevada cobertura vacinal chegam a reduzir em 57% as hospitalizações por infecção meningocócica em crianças de zero a quatro anos5, demonstrnado que vacinar reduz diretamente a ocorrência de casos graves e internações. 

A relevância de proteger precocemente contra múltiplos sorogrupos ganha força diante do dinamismo da bactéria, que pode apresentar variações de circulação ao longo do tempo. Para especialistas em infectologia pediátrica, a conscientização sobre as formas de prevenção e o conhecimento das opções vacinais disponíveis são passos fundamentais1. 

“A meningite é uma doença grave e que pode evoluir rapidamente, podendo levar à morte e deixar sequelas importantes nos sobreviventes. Por isso, é fundamental conhecer as formas de prevenção e estar atento aos sinais e sintomas da doença. Entre as medidas preventivas estão a vacinação, o diagnóstico precoce e, nos casos indicados, a quimioprofilaxia para os contatos próximos. A informação é uma ferramenta importante para que essas medidas sejam conhecidas e adotadas de forma adequada”, afirma Dra. Rosana Richtmann, médica infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.
 

Para mais informações sobre o calendário, acesse: Link 
 

Ampliação da indicação de MenQuadfi® vacina meningocócica conjugada da Sanofi

Nesse contexto de conscientização e busca por manter a proteção infantil em dia, o mercado passa por mais um avanço: a ampliação da indicação da vacina quadrivalente MenQuadfi®6 (Sanofi), que protege contra os sorogrupos A, C, W e Y e agora passa a ser mais uma opção aprovada para administração em bebês a partir de 6 semanas de vida, com os esquemas imunológicos 2+1 e 3+1. Cabe esclarecer que o calendário vacinal geral e as recomendações de faixa etária no país não sofrem alteração, e essa indicação ampliada traz mais uma opção para a imunização. 

A eficácia e a segurança dessa nova indicação são sustentadas por um amplo programa de desenvolvimento clínico global, que avaliou a MenQuadfi® em mais de 6.000 lactentes em 11 países7. Os ensaios clínicos demonstraram respostas imunológicas robustas contra os quatro sorogrupos testados8, acompanhadas de um perfil de segurança consistente e favorável para essa faixa etária. 

“A ampliação da indicação da MenQuadfi® oferece aos médicos e às famílias mais uma opção aprovada de imunização para proteger os lactentes a partir das 6 semanas de vida. Nosso compromisso é disponibilizar alternativas preventivas robustas e seguras contra os quatro sorogrupos da doença, auxiliando na proteção dos bebês nos primeiros meses de vida”, destaca Guillaume Pierart, Diretor Geral de Vacinas da Sanofi Brasil. 

 

Sanofi   

[1] Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Doença meningocócica (DM). Portal Família SBIm. Disponível em: https://familia.sbim.org.br/doencas/doenca-meningococica-dm. Acesso em: 22/09/2026.

[2] Anvisa. Notícia: Anvisa autoriza ampliação de uso de vacina contra meningite. 08/09/2026. Disponível em: Anvisa. Acesso em: 22/09/2026

[3] MINISTÉRIO DA SAÚDE (BRASIL). Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). Painel de Ocorrência: Cobertura Vacinal Infantil. Doses aplicadas até 01/08/2026 (Atualização do painel em 24/09/2026). Disponível em: link. Acesso em: 24/09/2026.

[4] Conselho Federal de Medicina (CFM). Notícia: Vacinação precisa avançar para que seja alcançada a meta urgente de cobertura vacinal acima de 95%. Disponível em: link. Acesso em: 24/09/2026.

[5] Zaleski CL, et al. Impact of meningococcal C vaccination on hospitalizations and deaths from meningococcal infection in Brazil (2000–2022). Braz J Infect Dis. 2026
[6] Anvisa. Notícia: Anvisa autoriza ampliação de uso de vacina contra meningite. 08/09/2026. Disponível em: Link. Acesso em: 22/09/2026

[7] Sanofi. Press Release: Sanofi’s MenQuadfi approved in the EU for use in infants from age six weeks. 04/08/2026. Disponível em: Sanofi – press release. Acesso em: 22/09/2026

[8] Martinón-Torres F, et al. Immunogenicity and Safety of a Quadrivalent Meningococcal Conjugate Vaccine (MenACYW-TT) Administered with Routine Pediatric Vaccines. Infect Dis Ther. 2025
 

Uso das canetas emagrecedoras pode intensificar a queda de cabel

O problema está associado à diminuição rápida e intensa de peso, que encurta o período entre a fase de crescimento (anágena) e a de queda (telógena). O quadro pode ser minimizado com suporte de endocrinologista, dermatologista e nutricionista

 

O uso das canetas emagrecedoras pode intensificar a queda de cabelo. O problema está relacionado à diminuição rápida e intensa do peso corporal. A redução do apetite também está associada ao quadro devido ao déficit de nutrientes. A dermatologista do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo Maria Augusta Maciel explica que o acompanhamento dermatológico é essencial para a identificação da causa e a atenuação do quadro. 

A perda acentuada e rápida de peso pode alterar a massa corporal, causando impacto no metabolismo. Essa série de mudanças bruscas estressa o organismo humano, podendo causar uma série de modificações nele. Uma das mais comuns é a queda de cabelo. O problema ocorre porque as alterações empurram o desenvolvimento dos fios da fase de crescimento (anágena) para a de queda (telógena). 

"O problema costuma surgir entre dois e três meses após o início do emagrecimento. A tendência é durar mais tempo do que outras causas de queda, já que o processo de emagrecimento se estende por meses", comenta a dermatologista do Iamspe. 

A especialista ainda esclarece que, quando o assunto é queda de cabelo, a velocidade e a intensidade da perda de peso são mais importantes do que a dose do medicamento em si. "Mesmo dosagens menores podem causar queda relevante se o emagrecimento for rápido", finaliza.

 

ORIENTAÇÕES — Pacientes com indicação para o uso de canetas emagrecedoras devem realizar acompanhamento com endocrinologista para entender o impacto da medicação em seu metabolismo; com nutricionista para a elaboração de uma dieta equilibrada, a fim de manter os índices de nutrientes em níveis saudáveis e adequados à realidade do paciente; e com dermatologista para, caso seja necessário, receber orientações sobre medicações tópicas ou orais auxiliares nesse momento de alterações intensas no corpo.

 

Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual - Iamspe

 

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