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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Maçã cozida faz bem para o intestino? Veja o que diz especialista

No Dia da Maçã, (21/10), nutricionista explica como o cozimento altera a textura da fruta e quais são seus benefícios para a saúde intestinal.

 

Presente na alimentação de muitos brasileiros, a maçã é conhecida pela praticidade e pelo valor nutricional. Quando cozida, sua textura fica mais macia, o que facilita a mastigação e torna a preparação uma alternativa interessante para quem prefere alimentos mais suaves. Além disso, a fruta fornece fibras e compostos antioxidantes que podem contribuir para a saúde intestinal.

Um dos principais componentes da fruta é a pectina, uma fibra solúvel encontrada na polpa e na casca. Segundo Diego Righi, professor de Nutrição na Afya Centro Universitário Itaperuna, essa fibra interage com a água durante a digestão, influenciando a consistência do conteúdo intestinal e contribuindo para a formação das fezes. Parte da pectina também chega ao intestino grosso, onde pode ser fermentada pelas bactérias da microbiota intestinal, produzindo substâncias chamadas ácidos graxos de cadeia curta, que participam de processos relacionados à saúde intestinal.


“A maçã é uma fonte de fibras, especialmente de pectina, que pode contribuir para o funcionamento intestinal. Essa fibra interage com a água no trato digestivo e também pode ser fermentada por bactérias da microbiota intestinal. O importante é entender que seus benefícios dependem do conjunto da alimentação e dos hábitos de vida, e não do consumo isolado de um único alimento”, explica o professor.



O que acontece com a maçã durante o cozimento?


O aquecimento modifica a estrutura da fruta, deixando a polpa mais macia e facilitando o consumo por pessoas com dificuldades de mastigação. No entanto, a facilidade de digestão varia de acordo com cada pessoa e com a forma de preparo. 


O cozimento também pode alterar a quantidade de determinados nutrientes. A vitamina C, por exemplo, é sensível ao calor, e parte dela pode ser perdida durante o preparo. Por outro lado, as fibras não desaparecem simplesmente porque a fruta foi cozida, embora sua estrutura e suas propriedades possam sofrer alterações dependendo da temperatura, do tempo de cozimento e do método utilizado.


Um estudo publicado em 2023 no periódico International Journal of Food Science & Technology avaliou os efeitos do processamento térmico sobre as fibras e os compostos fenólicos da maçã. Nas condições analisadas, os pesquisadores observaram a manutenção de teores semelhantes de fibras totais e solúveis, além da preservação de mais de 80% dos compostos fenólicos originalmente presentes na polpa. As duas formas podem fazer parte de uma alimentação saudável, e a escolha depende das preferências e das necessidades de cada pessoa.



Maçã cozida ajuda a regular o intestino?


A presença de fibras faz da fruta cozida uma opção interessante para quem busca manter o funcionamento intestinal. Entretanto, seus efeitos não devem ser generalizados para todas as pessoas nem interpretados como uma solução isolada para problemas digestivos.


Uma revisão sistemática publicada em 2026 no periódico Food & Function analisou 38 estudos de intervenção em humanos sobre maçãs e seus derivados. Os pesquisadores identificaram resultados favoráveis em alguns indicadores relacionados à glicemia, à função vascular e à microbiota intestinal. Apesar disso, os autores destacaram que as evidências ainda são insuficientes para estabelecer conclusões definitivas. Os resultados também não permitem atribuir, de maneira conclusiva, os mesmos efeitos especificamente à maçã cozida. “A saúde intestinal está relacionada à diversidade alimentar e ao consumo adequado de fibras. A maçã pode contribuir para esse objetivo, mas a resposta depende das características individuais, da hidratação e dos demais alimentos consumidos ao longo do dia. Não existe uma preparação única capaz de resolver todos os problemas intestinais”, ressalta Diego Righi.


O especialista da Afya Itaperuna também chama a atenção para a tolerância individual. Embora seja uma fruta nutritiva, a maçã contém frutose e sorbitol, carboidratos que podem provocar gases, distensão abdominal e desconforto em pessoas sensíveis, especialmente naquelas com síndrome do intestino irritável. O cozimento não garante a eliminação desses componentes.


Por isso, a maçã cozida não deve ser considerada um tratamento para constipação, diarreia ou outras alterações digestivas. Pessoas com sintomas persistentes precisam de avaliação profissional, já que a conduta adequada depende da causa do problema.



Como preparar a maçã cozida para aproveitar seus nutrientes?


Para preparar a fruta cozida, basta higienizar, cortá-la em pedaços e levá-la ao fogo com uma pequena quantidade de água até atingir a textura desejada. A canela pode ser utilizada para dar sabor, sem necessidade de adicionar açúcar. Sempre que possível e bem tolerada, a casca pode ser mantida após a higienização adequada, pois também contém fibras e compostos fenólicos. Retirá-la modifica a composição nutricional da fruta. Evitar o excesso de água e o cozimento prolongado também pode ajudar a reduzir perdas de nutrientes sensíveis ao calor.


Outro cuidado importante é evitar grandes quantidades de açúcar, leite condensado ou outros ingredientes que aumentem significativamente o teor calórico da preparação. A maçã cozida pode ser consumida no café da manhã, como sobremesa ou lanche. Para favorecer a saúde intestinal, porém, o ideal é combiná-la com outras frutas, verduras, legumes, feijões e cereais integrais, além de manter uma hidratação adequada e praticar atividade física regularmente.



As cinco estratégias mais eficazes para combater o câncer de mama

 

Muito além da realização de exames, a luta contra a doença também envolve educação em saúde, acesso aos serviços, diagnóstico oportuno, tratamento adequado e apoio às mulheres durante todo o processo

 

Enfrentar o câncer de mama exige uma abordagem integrada que vai muito além da busca por exames de rotina. A eficiência do combate à doença passa por cinco pilares fundamentais, como destaca a médica Tânia Cupaiolo, professora do curso de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e especialista em Ginecologia: educação em saúde, acesso facilitado aos serviços, diagnóstico oportuno, tratamento adequado e apoio contínuo às pacientes. 

“No campo da educação em saúde, a conscientização começa com hábitos saudáveis capazes de reduzir o risco de desenvolvimento do tumor, na chamada prevenção primária, mas evolui também para derrubar alguns mitos existentes, como o medo da dor da mamografia ou a falsa ideia de que quem não tem casos de câncer na família está isenta do risco”, explica Tânia. 

O acesso real aos serviços e exames compreende a prevenção secundária: “Aqui, é a busca por detectar a doença em fase inicial, antes do surgimento de sintomas. No SUS, a orientação populacional de rastreamento por mamografia ocorre a cada dois anos entre os 50 e 74 anos, com possibilidade de acesso individualizado entre 40 e 49 anos ou acima de 74 anos. Casos com histórico familiar relevante, vale lembrar, exigem acompanhamento específico com mastologista e avaliação genética, podendo iniciar a vigilância mais cedo”, alerta a docente da UMC. 

É nesse contexto que entra mais uma arma importante desse arsenal: o diagnóstico oportuno, que deve receber atenção também das mulheres mais jovens. Embora o câncer de mama siga mais frequente após os 50 anos, pesquisas apontam uma tendência de aumento da incidência e da mortalidade entre mulheres com menos de 40 anos. 

“A idade não deve ser motivo para descartar sintomas. A ausência de indicação para mamografia de rotina em jovens não significa ausência de necessidade de investigação. Ao perceber alterações persistentes, como nódulos endurecidos, retração da pele, assimetrias ou saída de secreção no mamilo, a paciente deve procurar avaliação médica. Saber reconhecer os sintomas é conhecimento precioso para o cuidado”, diz a especialista. 

O tratamento adequado é o quarto pilar. O diagnóstico precoce muda drasticamente a evolução e o tratamento da doença: “Em fases iniciais, é possível realizar cirurgias conservadoras, retirando apenas a parte afetada da mama, e reduzir a necessidade de tratamentos sistêmicos agressivos, preservando a saúde física e a qualidade de vida da mulher”. 

Por fim, o acolhimento e o suporte contínuo também fazem total diferença. “O suporte à paciente durante toda a jornada de diagnóstico e tratamento é indispensável para evitar o abandono terapêutico e assegurar a recuperação integral. Para essas pessoas que já receberam o diagnóstico, o recado é: vocês não estão sozinhas", reforça Tânia.
 

Policlínica da UMC
Para marcar a campanha do Outubro Rosa, a UMC promove durante o mês ações gratuitas na Policlínica. A estrutura oferece orientação médica, avaliação clínica e esclarecimento de dúvidas sobre prevenção e autocuidado no combate ao câncer de mama.

O projeto conta com a participação ativa das Ligas Acadêmicas de Oncologia, de Ginecologia e Obstetrícia e de Cirurgia Plástica, por meio de palestras e acolhimento supervisionado por docentes. A iniciativa permite que os estudantes de Medicina aprendam, na prática, a dialogar sobre prevenção, escutar com empatia e humanizar o atendimento médico.


Infarto na família: por que o risco genético exige exames bem antes dos 40 anos

Hipertensão e colesterol alto herdados podem evoluir sem sintomas antes de provocar danos às artérias. Especialista explica como o rastreamento precoce evita tragédias.

 

Ter um histórico familiar de doenças cardiovasculares é um dos marcadores de risco mais importantes para a saúde do coração, mas esse fator frequentemente passa despercebido durante a juventude. Quando um parente de primeiro grau, como pai, mãe ou irmãos, sofre um infarto agudo do miocárdio ou um acidente vascular cerebral (AVC) em idade precoce (antes dos 55 anos para homens e dos 65 anos para mulheres), o alerta genético para os demais membros da família deve ser ligado imediatamente. 

De acordo com o Dr. Ricardo Ferreira Silva, cardiologista do Centro Cardiológico, a genética desempenha um papel decisivo na predisposição a problemas vasculares. “A herança genética pode influenciar desde a forma como o organismo metaboliza o colesterol até a tendência ao desenvolvimento de hipertensão arterial e à formação de placas de gordura nas artérias”, explica o médico. O especialista ressalta que, nesses casos, esperar os 40 ou 50 anos para realizar o primeiro check-up cardiológico é um erro que pode custar caro. 

O grande vilão por trás do histórico familiar é o caráter silencioso das doenças cardiovasculares. Condições hereditárias graves, como a Hipercolesterolemia Familiar (HF), que provoca níveis extremamente elevados de colesterol LDL desde a infância, não apresentam sintomas visíveis até que uma grande artéria esteja significativamente obstruída. “A pessoa pode se sentir disposta, praticar esportes e parecer completamente saudável, enquanto as placas de gordura se acumulam silenciosamente nas artérias coronárias”, adverte o cardiologista. 

Para esse perfil de paciente, o rastreamento deve ser personalizado e antecipado. O Dr. Ricardo orienta que exames de sangue para perfil lipídico e dosagem de glicose sejam iniciados ainda na juventude, associados a exames de imagem e testes funcionais de acordo com a avaliação clínica. Além disso, marcadores específicos, como a dosagem de Lipoproteína(a), uma partícula de colesterol fortemente determinada pela genética, ajudam a estratificar o risco com muito mais precisão. 

Embora não seja possível alterar o mapa genético, o médico pontua que a herança familiar não é um destino inevitável. “O DNA representa a nossa predisposição, mas o estilo de vida funciona como o gatilho. Quando identificamos o risco precocemente, conseguimos atuar de forma rigorosa no controle da pressão, na alimentação, no combate ao sedentarismo e, se necessário, com intervenções medicamentosas antes que qualquer evento grave aconteça”, conclui o especialista.

 

Dr. Ricardo Ferreira Silva - graduado em medicina pela Universidade de Uberaba (MG), fez residência em Cardiologia pelo Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, em 2011, e se especializou em Estimulação Cardíaca Artificial e Arritmia Clínica no Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese de São Paulo, em 2014 - título reconhecido pelo Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial. Além de ter especialização em eletrofisiologia clínica e invasiva no Hospital do Coração de São Paulo e concluído seu Doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), em 2018. Já em 2017, Dr. Ricardo fundou o Centro Cardiológico em sua cidade natal, Uberaba, para levar o que havia de mais moderno em tratamento de arritmia cardíaca para o interior do estado. Em pouco tempo, com a evolução do serviço e a necessidade de facilitar o acesso aos pacientes de outras localidades do país, expandiu para São Paulo. Hoje, está presente também dentro de hospitais como Beneficência Portuguesa, Samaritano e São Camilo – em São Paulo.

 

Cirurgia robótica amplia possibilidades de tratamento para casos complexos de endometriose

Endometriose: tratamentos vão do controle dos sintomas à cirurgia robótica em casos mais complexos
 

Do uso de medicamentos à cirurgia minimamente invasiva, a escolha da abordagem depende dos sintomas, extensão da doença e planos reprodutivos; tecnologia robótica pode ampliar a precisão em procedimentos de maior complexidade. 

A endometriose deixou de ser vista apenas como uma doença associada a cólicas fortes e restrita a pelve da mulher. Dor pélvica, dor durante as relações sexuais, alterações intestinais ou urinárias e dificuldade para engravidar, impactam a qualidade de vida da mulher como um todo e podem fazer parte do quadro, que apresenta diferentes formas e níveis de comprometimento. Por isso, o tratamento também mudou: hoje a endometriose é considerada uma doença sistêmica, inflamatória e crônica sendo a estratégia definida de acordo com as características da doença e os objetivos de cada paciente.  

“Não existe um único tratamento para a endometriose, cada caso tem que ser individualizado. Precisamos entender quais são os sintomas, onde estão as lesões, qual é a extensão da doença e, principalmente, o que aquela mulher espera do tratamento. O desejo de engravidar, por exemplo, muda bastante a tomada de decisão”, explica Marcos Tcherniakovsky, especialista em endometriose do Hospital e Maternidade Santa Joana. 

Em muitos casos, o tratamento começa pelo controle dos sintomas. Analgésicos e anti-inflamatórios podem ser utilizados para a dor, enquanto terapias hormonais, como contraceptivos combinados e progestagênios, podem ajudar a reduzir ou controlar os sintomas relacionados à atividade da doença. A escolha depende da resposta de cada paciente, dos efeitos adversos e dos seus planos reprodutivos. 

Mas nem toda mulher com endometriose precisa passar por cirurgia. A indicação cirúrgica é avaliada individualmente e pode ganhar importância diante de dor persistente, da evolução da doença ou comprometimento de órgãos e estruturas da pelve. Nas formas mais avançadas, as lesões podem atingir regiões próximas ao intestino, bexiga, ureteres e outros tecidos, tornando o planejamento cirúrgico especialmente importante. A ESHRE recomenda que pacientes com endometriose profunda sejam encaminhadas a centros com experiência nesse tipo de cirurgia. 

É justamente nos procedimentos de maior complexidade que a cirurgia robótica passa a fazer parte do arsenal disponível para algumas pacientes. A tecnologia permite ao cirurgião trabalhar com visualização ampliada e instrumentos articulados, favorecendo movimentos mais precisos em regiões anatômicas delicadas. 

“Quando falamos de endometriose profunda, muitas vezes estamos trabalhando em áreas muito próximas de estruturas importantes. A cirurgia robótica oferece recursos que podem ajudar o cirurgião a realizar movimentos mais delicados e precisos. Mas é importante deixar claro que o robô não substitui o médico: a indicação, a estratégia e a execução do procedimento continuam sob responsabilidade da equipe cirúrgica”, explica Tcherniakovsky. 

A tecnologia, porém, não deve ser entendida como obrigatória para todas as pacientes. A laparoscopia convencional continua sendo uma técnica importante no tratamento cirúrgico da endometriose, e a escolha entre as diferentes abordagens depende da extensão e localização da doença, das características da paciente e da experiência da equipe. 

Outro ponto que ganhou importância na abordagem da endometriose é a preservação da fertilidade. Uma cirurgia pode ser muito relevante para determinada paciente, mas precisa ser planejada com atenção quando existem lesões ovarianas ou quando a mulher pretende engravidar. Nas endometriomas ovarianos, por exemplo, as diretrizes recomendam cautela para minimizar possíveis danos ao ovário durante o procedimento. 

“Não podemos olhar apenas para a lesão. Precisamos olhar para a mulher. Em uma paciente que deseja engravidar, preservar a reserva ovariana pode ser tão importante quanto tratar a doença. Em outra, o principal objetivo pode ser controlar uma dor que compromete a qualidade de vida. São situações diferentes e que exigem estratégias diferentes”, afirma o especialista. 

A cirurgia também não significa necessariamente o fim do acompanhamento. Como a endometriose é uma doença crônica, é preconizado bloquear o ciclo menstrual quando não se tem desejo reprodutivo no momento e aí o tratamento hormonal continua sendo importante. O acompanhamento permite monitorar sintomas e definir os próximos passos de acordo com a evolução de cada caso. 

Mais do que escolher entre remédio, laparoscopia ou robótica, o tratamento da endometriose passa por uma avaliação individualizada. O avanço das técnicas cirúrgicas ampliou as possibilidades para pacientes com doença complexa, mas a tecnologia é apenas uma parte de uma estratégia que começa pelo diagnóstico adequado e pela definição dos objetivos de cada mulher. 

“Hoje temos diferentes ferramentas para tratar a endometriose, inclusive tecnologias que ampliam nossa capacidade de atuar em casos complexos. O mais importante é saber quando utilizar cada uma delas e fazer com que o tratamento esteja alinhado às necessidades e ao projeto de vida da paciente”, conclui Marcos Tcherniakovsky.


Hospital e Maternidade Santa Joana
www.santajoana.com.br

 

Arritmias cardíacas afetam mais de 20 milhões de brasileiros

Distúrbios no ritmo do coração podem ter consequências graves, como desmaios, insuficiência cardíaca e até morte súbita

 

A frequência com que episódios cardíacos têm pautado as conversas e o noticiário acende um alerta para a necessidade de cuidar do ritmo do coração em todas as fases da vida. Segundo a Sociedade Europeia de Cardiologia, estima-se que o risco de uma pessoa desenvolver o problema ao longo da vida seja de um em cada três indivíduos. No Brasil, a Sobrac (Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas) aponta que as arritmias cardíacas afetam cerca de 20 milhões de brasileiros e causam 320 mil mortes por ano no país. 

Em ritmo normal, o coração de uma pessoa em repouso bate de 50 a 90 vezes por minuto (bpm). Quando os batimentos ficam mais lentos, mais acelerados ou irregulares, é caracterizada uma arritmia cardíaca. “Muitas vezes, a descoberta da doença acaba sendo acidental, podendo até ser a morte súbita a primeira e única manifestação. Nos casos em que a arritmia apresenta sintomas, os mais comuns são palpitações, escurecimento da vista, tonturas, desmaios, palidez, sudorese, mal-estar, dores no peito e falta de ar”, explica o Dr. José Carlos Pachón, cardiologista e diretor do Centro de Arritmias do Hcor. 

O problema pode atingir pessoas de qualquer idade, embora seja mais comum na faixa etária de 45 a 74 anos. “Aqueles que já possuem histórico cardiovascular ou alguma doença preexistente devem ficar mais atentos e manter idas ao médico mais regulares. Outras condições importantes que podem ser causadoras de arritmias, são: hipertensão, obstrução de artérias coronárias, envelhecimento do coração e até mesmo doenças virais”, afirma. 

O diagnóstico dessas condições requer frequentemente o uso de tecnologias avançadas, como monitores cardíacos implantáveis e exames de eletrofisiologia, “Uma vez diagnosticado, o tratamento pode incluir o uso de medicamentos específicos, ablação por cateter ou implante de dispositivos, como marcapassos e desfibriladores automáticos. Fazendo a intervenção adequada no tempo correto, a pessoa consegue se recuperar rapidamente, retornar às atividades cotidianas e ter uma vida normal com qualidade”, comenta.
 

Autoexame do pulso

Como a maioria das arritmias não apresenta sintomas precoces, fazer o autoexame da pulsação pode ajudar a identificar sinais de alterações nos batimentos do coração. Para começar, é preciso estar em repouso.

  1. Coloque os dedos indicador e médio sobre o punho do braço oposto, cuja palma da mão deve estar virada para cima;
  2. Quando encontrar a pulsação (próxima da base do polegar), conte os batimentos por 30 segundos. Multiplique o número por 2 para ter o valor por minuto.
  3. Repita algumas vezes para confirmar e fique atento a irregularidades no ritmo, tais como pausas ou acelerações bruscas. 

O ideal é realizar o autoexame do pulso regularmente. Ao perceber qualquer alteração ou se tiver dúvidas sobre os achados, procure um médico imediatamente.

 

Hcor

 

Mamografia aos 40 anos e testes genéticos: o que muda no rastreamento do câncer de mama no Brasil

 Em meio ao Outubro Rosa, especialistas da Rede Santa Catarina esclarecem as regras para o exame e explicam quando o histórico familiar exige investigação genética

 

Mesmo com o amplo debate sobre a prevenção do câncer de mama em meio ao Outubro Rosa, duas questões acerca do rastreamento continuam gerando dúvidas: a idade exata para iniciar a mamografia e o momento certo de investigar o histórico familiar por meio de testes genéticos. 

No ano passado, o Ministério da Saúde atualizou suas orientações acerca da realização da mamografia, mas ainda restam incertezas sobre quem pode ou não realizar o exame. Atualmente, mulheres entre 40 e 49 anos têm acesso garantido à mamografia no SUS, mas a realização é indicada após uma decisão compartilhada entre a paciente e o médico. Já o rastreamento mamográfico, que anteriormente era recomendado para a faixa etária de 50 a 69 anos, passou para 50 a 74 anos, mantendo a periodicidade bienal. 

Em contrapartida, as principais sociedades médicas brasileiras, como o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), recomendam que a mamografia seja feita anualmente a partir dos 40 anos para todas as mulheres de risco habitual. “O ponto principal é que mulheres a partir dos 40 anos passaram a ter acesso garantido à mamografia, mesmo que não apresentem sintomas. Hoje a discussão não é mais se a mulher de 40 anos pode fazer mamografia: afinal, ela pode e deve”, explica a Dra. Larissa Mattioli Guedes, coordenadora da Radiologia Mamária da Casa de Saúde São José, pertencente à Rede Santa Catarina. 

A médica reforça que a conversa entre paciente e profissional de saúde deve levar em conta o risco individual, a densidade mamária e o histórico da paciente. Além disso, ela faz um alerta fundamental: as regras de rastreamento valem apenas para quem não tem queixas. "Uma mulher com sintomas, como nódulo palpável ou retração da pele, não deve aguardar o período habitual de rastreamento. A investigação precisa ser ágil, independentemente da idade", ressalta a Dra. Larissa.
 

Histórico familiar e a genética do câncer de mama

Se para a população de risco habitual a mamografia é o padrão-ouro, para mulheres com histórico familiar as regras são outras. O Dr. Antônio Cavaleiro, coordenador médico do Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Santa Catarina – Paulista, também pertencente à Rede Santa Catarina, lista os sinais familiares que exigem atenção: “A suspeita surge a partir de câncer de mama diagnosticado em idade jovem em familiares, vários casos de câncer de mama ou de ovário na mesma família, câncer de mama em homens, tumores nas duas mamas ou determinados subtipos, como o chamado triplo-negativo”. 

Nesses cenários, o aconselhamento e o teste genético entram em cena para investigar mutações hereditárias, como as dos genes BRCA1 e BRCA2, que aumentam expressivamente a probabilidade de desenvolver a doença. Enquanto uma mulher sem a mutação tem de 10% a 12% de chance de ter câncer de mama ao longo da vida, nas portadoras dessas alterações genéticas o risco pode ultrapassar os 60%. 

Caso a mutação genética seja descoberta, a rotina de exames deve ser alterada radicalmente. “A mamografia convencional isolada não é suficiente. A ressonância magnética anual das mamas passa a ter papel central no rastreamento, por sua maior capacidade de detectar tumores precoces em mamas jovens e densas”, detalha a Dra. Larissa Guedes. Dependendo da mutação, essa bateria de exames pode começar já aos 25 ou 30 anos. 

Além do impacto direto na paciente, o teste genético tem um papel crucial para os parentes, já que essas mutações têm 50% de chance de serem transmitidas aos filhos, independentemente do sexo. No entanto, segundo o Dr. Cavaleiro, ter a mutação não é uma condenação. “O resultado abre um leque de decisões; ele não é uma sentença. A informação é valiosa justamente porque permite agir antes. Hoje temos estratégias bem estabelecidas de rastreamento intensivo e de cirurgias redutoras de risco, que podem ser discutidas com calma, respeitando a idade, os planos de vida e as preferências de cada mulher”, afirma o Dr. Cavaleiro. 

Diagnóstico precoce: mais de 90% de chance de cura

Segundo o oncologista do Hospital Santa Catarina – Paulista, quando o câncer de mama é diagnosticado em estágio inicial, as chances de cura passam de 90%. Logo, seja pelo rastreamento padrão aos 40 anos ou pelo acompanhamento genético de alto risco, o objetivo continua sendo o diagnóstico precoce da doença, quando o tratamento é muito mais eficaz, seguro e direcionado. 

As estratégias para tratar o câncer de mama hoje são guiadas pelas características moleculares do tumor, o que permite o uso de terapias-alvo, imunoterapia ou hormonioterapia, poupando muitas pacientes da quimioterapia agressiva. No entanto, a eficácia desse tratamento vai depender sempre de um rastreamento eficaz e diagnóstico precoce.

“Não existe uma única estratégia de prevenção para todas as mulheres. O rastreamento precisa considerar idade, sintomas, história familiar, fatores pessoais e risco individual. Detectar cedo continua sendo uma das ferramentas mais importantes para ampliar as possibilidades de tratamento e melhorar os resultados”, conclui a radiologista da Casa de Saúde São José.


Uso de sutiã e desodorante causam tumores? Especialistas esclarecem mitos e verdades sobre o câncer de mama

 Adium e FEMAMA abordam mitos e verdades recorrentes sobre fatores de risco e diagnóstico da doença, destacando como a informação precisa e os cuidados preventivos são fundamentais para a saúde da mulher 

 

Quando o assunto é câncer de mama, separar informação confiável de conteúdos sem respaldo científico pode ser um desafio. A relevância do tema também se reflete nos números: segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA)¹, são estimados 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, a doença é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres no país, representando cerca de 30% dos casos estimados para esse grupo. 

Em meio ao grande volume de conteúdos compartilhados diariamente na internet e nas redes sociais, nem sempre é fácil distinguir informações confiáveis de mitos que podem gerar dúvidas e desinformação. Nesse contexto, a iniciativa Laços que Abraçam, da Adium, busca ampliar a conscientização sobre o câncer e reforçar a importância da prevenção, do acesso à informação, do tratamento adequado e do acolhimento de pacientes e familiares. A iniciativa aborda diferentes tipos de câncer, incluindo o câncer de mama, e busca contribuir para uma jornada de cuidado mais informada e acolhedora. 

“Conhecer os principais fatores de risco, reconhecer possíveis sinais de alerta e buscar orientação profissional são atitudes importantes para cuidar da saúde das mamas. Cuidar da saúde de forma integral e manter um acompanhamento regular são fundamentais para que cada mulher receba orientações individualizadas e faça os exames mais adequados às suas necessidades e ao seu momento de vida.”, explica Dr. Luiz Ayrton Santos Júnior, médico mastologista e presidente da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA), instituição com 20 anos de atuação em prol dos direitos das pacientes com câncer de mama e responsável pela organização da maior campanha de Outubro Rosa do Brasil. 

O câncer de mama está associado a uma combinação de fatores de risco, que envolvem aspectos hormonais e reprodutivos, estilo de vida, exposições ambientais e características hereditárias e genéticas. Segundo o INCA, a idade, especialmente a partir dos 50 anos², está entre os principais fatores de risco, mas não é o único aspecto que deve ser considerado. Outros fatores relacionados à exposição hormonal ao longo da vida também podem influenciar o risco de desenvolvimento da doença. 

“Diante de tantas variáveis, algumas informações sobre o câncer de mama acabam sendo simplificadas ou interpretadas de forma equivocada. Esta preocupação com o acesso a dados verídicos e com sustentação científica é, inclusive, o foco da campanha de Outubro Rosa da FEMAMA deste ano: ‘É Preciso Saber Pra Viver’. Desmistificar a doença é fundamental para proporcionar o diagnóstico precoce, favorecer melhores prognósticos e apoiar não só a mulher em jornada oncológica, como também seus familiares, profissionais da saúde e tomadores de decisão”, reforça o presidente da FEMAMA. 

Para ajudar a separar fatos de crenças, confira alguns mitos e verdades sobre a doença:

 

1- Seios pequenos reduzem o risco de câncer de mama?

Mito. O tamanho dos seios não está diretamente relacionado ao risco de desenvolver câncer de mama. A doença pode afetar mulheres com seios pequenos, médios ou grandes. O risco está mais relacionado a fatores genéticos, hormonais e ambientais. Por isso, independentemente do tamanho das mamas, é importante conhecer os fatores de risco, observar possíveis alterações e manter os cuidados de saúde e o acompanhamento recomendados para cada mulher.

 

2- Nem todo caroço na mama significa câncer?

Verdade. Nódulos podem ter diferentes causas e, por isso, qualquer alteração deve ser avaliada por um profissional de saúde.

 

3- O câncer de mama sempre causa dor nos seios?

Mito. Outro equívoco comum é a crença de que o câncer de mama sempre causa dor nos seios. Na realidade, muitas mulheres com câncer de mama não experimentam dor nas fases iniciais da doença. Dor nos seios pode ser causada por uma variedade de razões, não apenas pelo câncer. Portanto, não é a presença ou ausência de dor que deve ser usada como único indicador para avaliar o risco de câncer de mama.

 

4- O câncer de mama pode provocar alterações na pele?

Verdade. Alterações como inchaço, retrações, deformações ou uma textura semelhante à “casca de laranja” podem ser sinais de alerta e merecem avaliação médica.

 

5- O uso de desodorantes pode causar câncer de mama?

Mito. Não há evidências científicas de que o uso de desodorantes cause câncer de mama.

 

6- A secreção pelo mamilo fora do período de amamentação deve ser investigada?

Verdade. Toda secreção que surge espontaneamente merece atenção, principalmente quando apresenta sangue, e deve ser avaliada por um profissional de saúde.

 

7- O uso de sutiãs apertados pode causar câncer de mama?

Mito. Não há evidências científicas de que o uso de sutiãs apertados cause câncer de mama. O câncer está relacionado a uma combinação de fatores, como os genéticos e ambientais, e não ao uso de roupas íntimas.

 

8- Um nódulo na mama ou na axila pode ser sinal de câncer de mama?

Verdade. Um nódulo na mama ou na axila, geralmente sólido, indolor e que apresenta crescimento progressivo, é um sinal que deve ser investigado por um profissional da saúde.

 

9- Apenas mulheres mais velhas podem desenvolver câncer de mama?

Mito. Embora o risco de câncer de mama aumenta com a idade, esta doença não é exclusiva das mulheres mais velhas. O câncer de mama pode afetar mulheres de todas as idades, incluindo aquelas na faixa etária mais jovem. Por isso, é importante que as mulheres estejam atentas à sua saúde e realizem exames regulares.

 

10- Toda secreção pelo mamilo, fora do período de amamentação, deve ser investigada?

Verdade. A atenção deve ser ainda maior quando a secreção surge espontaneamente ou apresenta sangue.

 

 Conheça o trabalho da FEMAMA aqui.  

Referências:

1 . INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Perfil epidemiológico da incidência de câncer no Brasil e regiões: estimativas para o triênio 2026-2028. Revista Brasileira de Cancerologia, Rio de Janeiro, 2026. Disponível em: Link . Acesso em: 2 out. 2026

 2. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Estimativa 2023: incidência de câncer no Brasil - Síntese de resultados e comentários. Rio de Janeiro: INCA, 2022. Disponível em: Link. Acesso em: 28 set. 2026.  



Autoexame das mamas salta de 51% para 88% conforme sobe a renda familiar, mostra pesquisa

A mesma distância separa as usuárias do SUS das atendidas pela rede privada, 56% contra 69% de conhecimento, em levantamento do A.C.Camargo e da Nexus
 

O autoexame das mamas por toque é feito por 51% das mulheres com renda familiar de até um salário mínimo e por 88% daquelas com renda acima de cinco salários, segundo a pesquisa "A saúde do brasileiro, hábitos de vida e uso de tecnologia em diagnósticos médicos", do A.C.Camargo Cancer Center e da Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, que ouviu 1.038 mulheres dentro de uma amostra total de 2.015 pessoas em todo o país. São 37 pontos percentuais separando as duas pontas da pirâmide de renda na prática mais simples e mais barata de cuidado com a mama. 

O conhecimento acompanha o mesmo movimento. Entre as mulheres de menor renda, 49% dizem conhecer as formas de prevenção ao câncer de mama; entre as de maior renda, 79%. As faixas intermediárias confirmam a escada, com 56% de quem fez o autoexame e 51% de conhecimento entre um e dois salários mínimos, e 71% e 67% entre dois e cinco salários. 

A mesma distância aparece no tipo de atendimento de saúde. Entre as usuárias do SUS, 56% dizem conhecer as formas de prevenção, contra 69% das atendidas pela rede privada, uma diferença de 13 pontos percentuais.


Conhecimento e autoexame por faixa de renda familiar, em % das mulheres


 

Metodologia

A Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, entrevistou, face a face, 2.015 cidadãos com idade a partir de 16 anos, nas 27 Unidades da Federação (UFs). A amostra foi controlada a partir de quotas de sexo, idade, PEA, região e condição do município. A margem de erro no total da amostra é de 2 p.p., com intervalo de confiança de 95%. Após a coleta, foi aplicado um fator de ponderação para corrigir eventuais distorções em relação ao plano amostral; devido ao arredondamento, a soma dos percentuais pode variar de 99% a 101%. A etapa de campo ocorreu entre os dias 25 e 30 de junho de 2026. Estatístico responsável: Neale El-Dash, Conre 8656-A.


Quando o medo fala mais alto: por que algumas mulheres adiam a mamografia e como lidar com isso

Psiquiatra explica como a ansiedade em relação ao exame pode levar à evitação e dá orientações para que o medo não comprometa o diagnóstico precoce 

 

 

O Outubro Rosa reforça todos os anos a importância da mamografia para detectar o câncer de mama em fases iniciais, quando as chances de cura são maiores. Ainda assim, muitas mulheres adiam o exame mesmo sabendo que deveriam fazê-lo. Em boa parte dos casos, o motivo não é falta de informação, mas o medo: do resultado, do desconforto, da possibilidade de ouvir uma notícia difícil.

Segundo Bianca Bolonhezi, médica psiquiatra, essa reação tem uma explicação. "Diante de algo que nos assusta, o cérebro tende a buscar alívio imediato, e uma das formas mais rápidas de conseguir isso é evitar a situação. Adiar o exame traz uma sensação momentânea de tranquilidade, como se, sem o resultado, o problema não existisse", explica.


O ciclo da evitação


O problema é que esse alívio dura pouco. A cada adiamento, a preocupação continua presente e, muitas vezes, cresce. "A evitação alimenta a ansiedade. Quanto mais a mulher adia, maior o exame se torna na cabeça dela, e mais difícil fica marcar. Ela passa a conviver com uma dúvida constante, que pode ser mais desgastante do que o próprio exame", afirma Bianca.


Esse medo pode ter origens diferentes. Algumas mulheres já acompanharam de perto o câncer de uma mãe, irmã ou amiga e associam o exame a essa experiência. Outras tiveram um resultado alterado no passado e guardam a lembrança da espera angustiante. Há ainda quem tenha receio da dor, desconforto com a exposição do corpo ou dificuldade de lidar com ambientes hospitalares.


"Cada mulher tem a sua história, e o medo precisa ser acolhido, não julgado. Dizer que ela está sendo irresponsável costuma aumentar a culpa e a vergonha, o que reforça ainda mais a evitação", diz a psiquiatra.


Como lidar com o medo sem abrir mão do exame


Para Bianca, o primeiro passo é reconhecer o que está por trás do adiamento. "Perguntar a si mesma 'do que exatamente eu tenho medo?' ajuda a transformar uma angústia difusa em algo mais concreto, que pode ser enfrentado", orienta.


Algumas atitudes práticas podem ajudar: marcar o exame em uma data definida em vez de esperar o "momento certo", pedir que alguém de confiança acompanhe a consulta, conversar com a equipe sobre o receio de sentir dor e se informar sobre como o exame funciona e quanto tempo leva para o resultado sair. Planejar o que fazer no período de espera, mantendo a rotina e evitando buscas excessivas na internet, também reduz a sensação de descontrole.


A especialista lembra que um pedido de exame complementar não significa, necessariamente, um diagnóstico de câncer. "Muitas alterações que levam a uma investigação adicional acabam não se confirmando como doença. Ter essa informação em mente ajuda a não transformar cada etapa em uma sentença", explica.


Quando procurar ajuda


Em alguns casos, o medo é tão intenso que provoca sintomas físicos, como taquicardia, falta de ar e crises de pânico, ou faz com que a mulher deixe de lado todos os cuidados com a saúde por anos. Nessas situações, o acompanhamento com psiquiatra ou psicólogo pode fazer diferença.


"A ansiedade tem tratamento. Quando ela começa a impedir a pessoa de cuidar de si, buscar ajuda não é um exagero, é uma forma de proteger a própria saúde", afirma Bianca.


Para a psiquiatra, falar abertamente sobre o medo também é parte da prevenção. "O Outubro Rosa costuma focar na importância de fazer o exame, mas é igualmente importante reconhecer que, para muitas mulheres, o obstáculo é emocional. Acolher esse medo pode ser o que faltava para que ela finalmente marque a mamografia", conclui.



Outubro Rosa: Especialista do HUB esclarece mitos e verdades sobre câncer de mama

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A doença, quando identificada na fase inicial, tem até 95% de chances de cura

 

Outubro Rosa chegou e, com ele, a importância de levantar a bandeira do diagnóstico precoce como fundamental para a cura do câncer de mama. A doença é a mais incidente entre as mulheres brasileiras, excluindo os tumores de pele não melanoma. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 78 mil novos casos da patologia acontecerão por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Ao mesmo tempo, se identificado na fase inicial, o câncer de mama tem até 95% de chances de cura.  

Quando um diagnóstico se torna mais comum, o medo e a busca por promessas milagrosas ou explicações simplistas entram em cena, impulsionando a quantidade de boatos e desinformações que circulam tanto na internet quanto nas redes sociais. 

Para auxiliar na prevenção do câncer de mama e na divulgação de práticas corretas para o diagnóstico precoce, a oncologista clínica do Hospital Universitário de Brasília, da Universidade de Brasília (HUB-UnB), integrante da HU Brasil, Patricia Espino, esclarece alguns mitos e verdades sobre a doença. Confira:

 

Sedentarismo, obesidade e consumo excessivo de álcool podem elevar o risco de câncer de mama?

Verdade. A evidência científica aponta que o consumo de álcool e a obesidade têm associação com diferentes tipos de câncer, não apenas o de mama. Na pós-menopausa, o risco de câncer de mama também é aumentado por conta da transformação periférica na gordura do estrogênio pelo tecido adiposo. É necessário estimular acompanhamento médico, a conscientização através dos meios de comunicação e a adoção de hábitos saudáveis.

 

Quem faz autoexame não precisa fazer mamografia?

Mito. O autoexame é incentivado como forma de a mulher conhecer seu próprio corpo e compreender o que está dentro do padrão ou que está diferente. Inclusive, um dado importante é o de que o autoexame não traz impactos na redução da mortalidade de pacientes com câncer de mama. Por isso, ele não substitui a mamografia.

 

Amamentar pode proteger contra o câncer de mama?

Verdade. A amamentação é um fator de proteção natural contra o câncer de mama apesar de não eliminar totalmente o risco de desenvolver a doença. Um dos benefícios é que o aleitamento reduz o número de ciclos menstruais ao longo da vida e, com isso, diminui a exposição prolongada a hormônios como o estrógeno, que pode estimular o crescimento de células tumorais.

 

Antitranspirantes podem causar câncer de mama?

Mito. Essa informação está relacionada a um estudo de 2015 que, na época, trouxe algumas evidências de ensaios in vitro, e que não foi realizado com pessoas. Até o momento não existe qualquer evidência científica de correlação entre antitranspirantes e câncer de mama.

 

Menstruação precoce representa um risco aumentado para o câncer de mama?

Verdade. A primeira menstruação, chamada de “menarca”, quando ocorre de forma precoce aumenta, sim, o risco de desenvolver câncer de mama, assim como a menopausa tardia. Se você menstruar mais cedo (antes dos 12 anos) e tiver a última menstruação mais tarde (após os 55 anos), você passa mais tempo sendo exposta aos hormônios ovarianos estrogênio e progesterona, o que representa um risco aumentado para câncer de mama.

 

Sutiãs com aro podem causar câncer de mama?

Mito. Não há qualquer evidência científica dessa correlação, nem mecanismo biológico que justifique. Sutiãs com aro, sem aro ou apertados não causam câncer de mama. Ao usar sutiãs inadequados ou apertados, o que pode acontecer é dor local (mastalgia) ou desconforto por compressão.

 

Homens também podem desenvolver câncer de mama?

Verdade. O tecido mamário do homem, mesmo que não seja tão desenvolvido, possui ductos que podem sofrer transformações neoplásicas. Embora seja raro, já que, inclusive, a quantidade de tecido é menor e não há exposição a hormônios ovarianos, fatores de risco como obesidade e ingestão de bebida alcoólica, além de exposição hormonal e o uso de hormônios exógenos, que também vão aumentando o risco de alterações genéticas.

 

Todo caroço no seio é sintoma de câncer de mama?

Mito. Na verdade, o que a maioria das pessoas tem é um nódulo mamário benigno, que pode ser identificado no ultrassom de mama e na mamografia. Atualmente, contamos com excelentes métodos diagnósticos, que podem evitar biópsias desnecessárias, diferenciando o que é uma lesão benigna de uma possivelmente maligna.

 

Mulheres mais velhas têm mais chance de desenvolver o câncer de mama?

Verdade. Justamente por conta do maior tempo de exposição ao estrogênio e à progesterona. A idade, sim, é um dos principais fatores de risco que não são modificáveis no câncer de mama. O que se sabe é que a incidência do câncer de mama aumenta na quinta década de vida, por isso a importância dos programas de rastreamento mamográfico direcionados para pacientes de 40 a 50 anos.

 

HU Brasil

Patricia Espino - oncologista clínica do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB/HU Brasil)



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