Especialista explica como a convivência com os pets pode impactar a saúde
física, emocional e social dos idosos
Celebrado em 26 de julho, o Dia dos
Avós é uma data que convida à reflexão sobre o envelhecimento saudável, a
qualidade de vida e os vínculos afetivos que fazem diferença na rotina das
pessoas idosas. A relação entre idosos e cães vai muito além da companhia. Em
um cenário de envelhecimento da população e aumento das discussões sobre saúde
mental e bem-estar na terceira idade, os animais de estimação têm sido cada vez
mais reconhecidos como aliados importantes na promoção da qualidade de vida.
Um estudo publicado na revista
científica em março de 2026, Frontiers in Public Health identificou uma
associação positiva entre a convivência com cães e a saúde mental de idosos que
vivem de forma independente. A pesquisa apontou que tutores de cães
apresentavam menores índices de sintomas depressivos e apatia, reforçando o
papel dos animais de estimação como importantes aliados no bem-estar emocional
durante o envelhecimento.
A convivência com os pets pode
contribuir para a redução da sensação de isolamento, estimular a prática de
atividades físicas e ajudar na construção de uma rotina mais ativa. No entanto,
ainda existem muitos mitos sobre os benefícios e os cuidados necessários nessa
relação.
André Cavalieri, especialista em
comportamento canino e sócio da Dog Corner,
explica quais são os mitos e verdades por trás dessa ajuda na saúde mental dos
idosos:
"Os cães não substituem a
convivência humana nem tratamentos médicos, mas podem atuar como um apoio
emocional extremamente importante. Quando um idoso passa a cuidar de um animal,
ele volta a ter um motivo para sair da cama com disposição, para sair de casa,
para se conectar com o mundo ao redor. Esse engajamento diário é o que faz
diferença na qualidade de vida." Explica.
MITO: Ter um cão resolve sozinho problemas de solidão e depressão
É comum associar a presença de um pet ao fim imediato dos sentimentos de
isolamento. O animal, no entanto, é um suporte afetivo, não um tratamento
clínico por si só.
"O cão traz conforto emocional e ajuda a diminuir a sensação de
isolamento, mas ele deve ser visto como um complemento dentro de uma rede mais
ampla de cuidados e relacionamentos. A saúde mental na terceira idade pede uma
abordagem completa, com acompanhamento médico, terapia quando necessário e o
convívio com familiares e amigos. O pet entra como uma peça-chave desse
conjunto, e não como substituto de nenhuma dessas coisas", afirma André.
VERDADE: Os cães ajudam os idosos a se
manterem mais ativos
A presença de um pet rompe a inércia do
cotidiano e funciona como um motivador natural para a prática de atividades
físicas.
"Muitos idosos passam a caminhar
regularmente porque precisam levar o cão para passear, e isso gera benefícios
concretos: melhora a mobilidade, o equilíbrio e a saúde cardiovascular, ajuda a
controlar a pressão arterial e combate o sedentarismo. O melhor é que não é um
exercício imposto, é uma atividade prazerosa que vira parte da rotina sem pesar",
destaca.
VERDADE: Os pets podem estimular a
socialização
Um cão atua como uma "ponte
social" poderosa, quebrando o gelo com vizinhos e outros tutores nos
passeios e em parques.
"É muito comum que o animal
funcione como um ponto de conexão entre as pessoas. O tutor passa a conversar
mais com vizinhos, com outros donos de cães, com quem frequenta os mesmos
espaços. Isso reduz aquela sensação de invisibilidade que muitos idosos sentem
e faz com que voltem a se sentir parte de uma comunidade", explica.
MITO: Qualquer cão é indicado para
qualquer idoso
A escolha do animal deve ser feita com
cautela, levando em conta energia, temperamento e porte do cão.
"Um cão muito ativo ou de grande
porte pode não ser a melhor opção para alguns idosos, porque pode tornar a
convivência exaustiva ou até perigosa para quem tem mobilidade reduzida. O
ideal é buscar um animal de temperamento calmo, compatível com a capacidade
física e o estilo de vida da pessoa. Abrigos e ONGs costumam conhecer bem o
perfil de cada cão e podem ajudar muito nessa escolha", orienta.
VERDADE: Cuidar de um cão ajuda a
manter a rotina e a cognição
O envelhecimento muitas vezes traz a
sensação de falta de propósito, e o animal preenche esse vazio com
responsabilidades tangíveis.
"As tarefas de alimentar, escovar,
dar banho, passear e brincar impõem um ritmo que organiza o dia. Esse ciclo de
pequenas obrigações prazerosas mantém o cérebro engajado, estimula a cognição e
gera um senso de utilidade e de dever cumprido que é extremamente valioso para
o equilíbrio emocional na terceira idade", afirma.
No Dia dos Avós, a relação entre idosos
e cães mostra como a companhia e o afeto podem ser aliados potentes para um
envelhecimento mais saudável. Com escolhas conscientes e o suporte adequado,
todos ganham, avós e seus companheiros de quatro patas.
Dog Corner




