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quinta-feira, 26 de março de 2026

Estação da Luz da CPTM recebe ação de atendimento gratuito com foco em psicoterapia nesta quinta (26)

Parceria com o Instituto de Psiquiatria do HC-USP tem como intuito ampliar o acesso à saúde mental e incentivar o cuidado preventivo em locais públicos e de grande movimentação de pessoas

 

Quem estiver pela Estação da Luz da CPTM, entre 10h e 13h, desta quinta-feira (26), terá a oportunidade de participar de mais uma ação voltada ao bem-estar e saúde do passageiro da companhia. A ação “Converse com o Psicoterapeuta” ficará ao lado da antiga bilheteria do local. Trata-se de uma pesquisa do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da USP, que oferece dispositivos de escuta e acolhimento psicoterapêutico em locais públicos. 

A proposta é aproximar, cada vez mais, os profissionais especializados de pessoas que enfrentam situações de estresse, ansiedade, sobrecarga emocional ou que simplesmente desejam um momento de conversa qualificada. Esse tipo de atendimento, em ambientes urbanos e de grande circulação de pessoas, tem se mostrado fundamental para ampliar o acesso à saúde mental e incentivar o cuidado preventivo. 

A ação conta também com a parceria do Museu da Língua Portuguesa, reforçando o local como ponto de conexão entre cultura, cidadania e serviços voltados à comunidade.
 

Serviço

Converse com o Psicoterapeuta
Local: Estação da Luz (Linhas 10-Turquesa, 11-Coral e Expresso Aeroporto)
Data: quinta-feira (26/03)
Horário: entre 10h e 13h

 

quarta-feira, 25 de março de 2026

Saúde bucal na infância: 41% das crianças sofrem com cáries não tratadas

  Pesquisa indica que 37% das crianças nunca visitaram o dentista; especialista destaca os principais alimentos prejudiciais à saúde bucal.

 

No mês em que é celebrado o Dia da Saúde Bucal, o panorama da odontologia brasileira revela que a negligência com a higiene e, sobretudo, com a dieta, ainda mantém a cárie como uma das doenças mais prevalentes na infância. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil 2023), divulgados em 2025, acendem um alerta ao revelar que 41,2% das crianças de apenas 5 anos possuem dentes com cáries não tratadas, sendo que 10% desse grupo já necessita de intervenções de urgência.  

O problema não se restringe à primeira infância, estendendo-se de forma crítica pela adolescência, onde 43,9% dos jovens entre 15 e 19 anos convivem com dentes cariados, refletindo um hábito alimentar rico em açúcares processados e uma rotina de cuidados preventivos insuficiente. 

A dentista e professora da Afya Contagem, Paula Lima Bosi, comenta que os hábitos alimentares na infância exercem influência direta na saúde bucal ao longo da vida, afetando tanto a formação dos dentes quanto o desenvolvimento do padrão alimentar futuro. “O consumo frequente de açúcares favorece a formação de biofilme cariogênico, elevando o risco de cárie desde a infância até a fase adulta. Da mesma forma, a exposição precoce a alimentos ultraprocessados contribui para a manutenção de hábitos alimentares prejudiciais ao longo dos anos”. 

A conexão entre o que se coloca no prato e a integridade do sorriso é direta e biológica. O consumo excessivo de carboidratos fermentáveis e açúcares fornece o combustível ideal para que as bactérias presentes na placa bacteriana produzam ácidos que desmineralizam o esmalte dentário. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a redução da ingestão de açúcares livres para menos de 10% do valor energético total diário é uma das medidas mais eficazes para prevenir não apenas a cárie, mas também doenças crônicas como a obesidade e o diabetes. 

Diante desse cenário, Paula Bosi reforça que, para prevenir a cárie sem tornar a alimentação excessivamente restritiva, recomenda-se reduzir a frequência do consumo de açúcar, estabelecer horários regulares para as refeições, oferecer opções mais saudáveis, evitar o uso de alimentos como forma de recompensa e incentivar a higiene bucal adequada. 

“Além da cárie, a alimentação inadequada também está associada a outros problemas bucais, especialmente em adolescentes e jovens. O consumo frequente de bebidas ácidas, como refrigerantes e energéticos, pode levar à erosão dentária, caracterizada pela perda do esmalte devido ao baixo pH. Outro problema relevante é a doença periodontal, que pode ser agravada por dietas ricas em açúcares e pobres em nutrientes, favorecendo a inflamação gengival e o desequilíbrio da microbiota oral”, complementa a dentista.

 

Alimentos prejudiciais à saúde bucal  

A pesquisa da SB Brasil 2023 também indica que 37,17% das crianças de 5 anos nunca haviam visitado um dentista. Ao unir uma alimentação consciente a consultas regulares, é possível interromper o ciclo de tratamentos de urgência que hoje atinge 11,4% dos adolescentes.  

A especialista da Afya Contagem, informa que, na prática, alguns alimentos são especialmente prejudiciais à saúde bucal infantil, principalmente devido à sua composição e à capacidade de aderir aos dentes. Entre os principais, destacam-se: 

1.   Balas e doces pegajosos: permanecem aderidos ao esmalte por longos períodos, favorecendo a ação bacteriana.

2.   Refrigerantes e bebidas açucaradas: combinam alto teor de açúcar e acidez, potencializando a desmineralização do esmalte.

3.   Biscoitos recheados e bolos industrializados: são ricos em açúcares e amidos, que servem de substrato para bactérias cariogênicas.

4.   Sucos industrializados: apresentam açúcar adicionado e pH ácido, contribuindo para a erosão dentária.

5.   Salgadinhos ultraprocessados: contêm amidos fermentáveis que se convertem em açúcares na cavidade oral, favorecendo a formação de biofilme.



Afya
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Infecções por vírus Oropouche podem ser até 200 vezes maiores que os casos registrados, aponta estudo da USP

Levantamento estima 9,4 milhões de infecções na América Latina e Caribe e aponta Manaus como epicentro recente


Um estudo liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) estima que o vírus Oropouche tenha infectado mais de 9,4 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe entre 1960 e 2025, número muito superior ao total de casos oficialmente registrados. Apenas no Brasil, foram cerca de 5,5 milhões de infecções. 

Publicado nesta terça-feira (24) na revista Nature Medicine, o trabalho – conduzido em colaboração com a University of Kentucky, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam) - aponta uma discrepância expressiva entre o número de infecções e o de casos de doença. Em Manaus, epicentro recente da transmissão, o total de infecções pode ser até 200 vezes maior que o de casos confirmados. 

Transmitida por maruins (Culicoides paraensis), a febre de Oropouche causa sintomas semelhantes aos da dengue, mas pode evoluir para quadros graves, com complicações neurológicas, materno-fetais e risco de morte. Atualmente, não há vacina nem tratamento antiviral específico disponível. 

A diferença entre infecções estimadas e casos notificados está relacionada, principalmente, à baixa detecção da doença. Em regiões remotas da Amazônia, o acesso limitado aos serviços de saúde — com deslocamentos que podem ultrapassar 24 horas — contribui para que muitos casos não sejam diagnosticados. Além disso, uma parcela significativa das infecções é assintomática ou apresenta sintomas leves. 

“Apenas uma pequena proporção das pessoas infectadas desenvolve a doença, o que amplia a diferença entre o número de infecções e casos registrados”, afirma Erika Manuli, pesquisadora da FMUSP.
 

Manaus concentra avanço recente e padrão de surtos

Os dados mostram que Manaus teve papel central na recente expansão do vírus. Entre o fim de 2023 e meados de 2024, a proporção de pessoas com anticorpos contra o Oropouche mais que dobrou, passando de 11,4% para 25,7%, segundo análises com doadores de sangue. 

A capital amazonense também registrou dois grandes surtos, com intervalo de 42 anos — em 1980–1981 e 2023–2024 —, ambos com pico na estação chuvosa e atingindo mais de 12% da população. 

O estudo aponta ainda que fatores como alta densidade populacional e transporte aéreo contribuíram para a disseminação do Oropouche para novas áreas, incluindo todos os estados brasileiros, além de países do Caribe e casos associados a viagens para a Europa e América do Norte.
 

Vírus tem dinâmica diferente de dengue, zika e chikungunya

Um segundo estudo do mesmo grupo, publicado simultaneamente na Nature Health, mostra que o Oropouche apresenta um padrão distinto em relação a outras arboviroses. 

Enquanto doenças como dengue, chikungunya e Zika estão associadas a ambientes urbanos e ao mosquito Aedes aegypti, o Oropouche ocorre predominantemente em áreas rurais e em regiões próximas a florestas, onde há maior presença de maruins, que necessitam de ambientes com alta umidade.
 

Estudo pressiona revisão de estratégias de controle

Os resultados indicam que as estratégias atuais de controle de vetores, focadas principalmente em mosquitos urbanos, são insuficientes para conter o avanço do vírus. 

“Monitorar a presença de anticorpos na população é fundamental para entender a dinâmica de transmissão e orientar estratégias de saúde pública, incluindo o desenvolvimento de vacinas”, afirma a Profa. Dra. Ester Sabino, professora titular do departamento de Patologia da FMUSP.
 

Financiamento

O estudo contou com apoio da Wellcome Trust, National Institutes of Health (NIH), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Ministério da Ciência do Brasil, Euroimmun e Instituto Todos pela Saúde.
 

O artigo completo está disponível na Nature Medicine (clique aqui) *

 

Março Lilás: exames de rotina e testagem molecular são armas importantes contra o câncer de colo do útero

Em meio ao Mês da Mulher, especialistas reforçam que a consulta frequente e o rastreio qualificado podem evitar a evolução de lesões precursoras. No Brasil, a enfermidade ainda causa a morte de aproximadamente 20 mulheres por dia


O mês de março traz consigo um alerta renovado para a saúde feminina. A campanha Março Lilás une-se às celebrações do Mês da Mulher para enfrentar uma realidade preocupante: o câncer de colo do útero, embora seja considerado quase totalmente evitável, ainda apresenta números alarmantes no país. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o Brasil deve registrar cerca de 19,3 mil novos casos anuais da doença no triênio 2026-2028, um aumento de 13% em relação ao levantamento anterior.

O cuidado preventivo primário e secundário está entre as prioridades na estratégia de combate à doença. "O Papilomavírus Humano (HPV) costuma provocar lesões precursoras de câncer, que são rastreáveis em consultas e exames de rotina, evitando assim a necessidade de abordagens mais agressivas", explica a Dra. Alessandra Leite, oncologista do Hospital Santa Lúcia Gama. O foco da instituição neste ano é desmistificar o diagnóstico e reforçar que a jornada de saúde da mulher deve ser acompanhada de perto, independentemente da idade.

A principal diretriz para a erradicação do câncer cervical não é apenas tratar a doença instalada, mas identificá-la antes mesmo de se tornar um carcinoma invasivo. O papel do médico ginecologista é central nessa jornada. Mulheres sexualmente ativas, especialmente na faixa entre 25 e 64 anos, devem manter a periodicidade do exame de Papanicolau, cujo intervalo é definido pelo especialista a depender dos resultados anteriores. A grande inovação no rastreio atual, no entanto, é a combinação de métodos tradicionais com a testagem molecular.

Entre eles:

  • Exame de DNA para HPV: é um teste molecular que detecta a presença do material genético do vírus em células coletadas do colo do útero.
  • Prevenção antecipada: a adição deste teste ao Papanicolau permite constatar a presença do vírus antes mesmo do aparecimento de qualquer lesão visível.
  • Vigilância estratégica: possibilidade de vigiar e tratar a mulher preventivamente, impedindo que o câncer se desenvolva.

"Mesmo quando o diagnóstico é de câncer, quanto mais precocemente for feito, maiores são as possibilidades de cura com tratamentos menos invasivos", ressalta a Dra. Alessandra Leite.



Escudo da vacinação: avanços e realidades em 2026

Embora os exames de rotina sejam a primeira linha de defesa para mulheres adultas, a vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) permanece como o "escudo" para as próximas gerações. O HPV é responsável por 99% dos casos de câncer de colo do útero. A meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que 90% da população alvo (pessoas com menos de 15 anos) sejam vacinados.

Mas o cenário brasileiro apresenta avanços significativos, como:

  • Cobertura vacinal: o Brasil atingiu 82% de cobertura entre meninas de 9 a 14 anos em em 2024, ano de adoção da dose única.
  • Eficácia clínica: a vacinação é capaz de reduzir em até 58% os casos de câncer cervical e em 67% as lesões pré-cancerígenas graves, segundo dados de estudo com pesquisadores brasileiros publicado na revista The Lancet.


A oncologista do Hospital Santa Lúcia Gama, Alessandra Leite, reforça que a vacina é altamente eficaz em mulheres até os 45 anos. “Vacinar após os 15 anos ou quando já há vida sexual ativa pode reduzir a eficácia máxima, embora ainda proteja contra tipos de HPV não contraídos anteriormente", acrescenta.



Quebrando o estigma

O aspecto cultural é um dos maiores desafios no combate ao câncer de colo do útero, já que a infecção pelo HPV é cercada de mitos que dificultam a prevenção e o diagnóstico precoce. O estigma mais comum é a associação da infecção à promiscuidade.

"Isso não é verdadeiro, pois em uma única relação sexual desprotegida pode-se contrair o vírus", explica a médica. O vírus pode ficar latente no organismo por anos sem apresentar qualquer sintoma. Além disso, é fundamental entender que o HPV afeta homens e mulheres, podendo causar tumores em outras regiões como ânus, pênis, vulva, vagina e orofaringe.



Qualidade técnica no enfrentamento à doença

O diagnóstico de câncer desperta medos profundos na mulher: medo da dor, da morte e das mudanças corporais. "Entender cada etapa do processo para a cura é essencial. Um acolhimento que tenha qualidade técnica com humanização faz toda a diferença no enfrentamento do desafio que é tratar um câncer", observa a oncologista Dra. Alessandra Leite.

A proposta do Centro de Oncologia do Hospital Santa Lúcia baseia-se na união entre alta tecnologia e humanização, com equipe interdisciplinar completa, composta por oncologistas clínicos, ginecologistas, cirurgiões, onco-psicólogos, nutricionistas e radioterapeutas, trabalhando de forma integrada. Vale destacar também a tecnologia de ponta, desde o diagnóstico molecular (DNA HPV) até cirurgias de alta complexidade e setores de internação dedicados, exclusivamente, ao paciente oncológico

 

Ciclo menstrual e celulite: o que os hormônios têm a ver com a aparência da pele

Freepick
 Alterações hormonais ao longo do mês podem influenciar retenção, textura da pele e até a percepção da celulite, explica dermatologista

 

A relação entre hormônios e pele vai muito além da acne ou da oleosidade. Ao longo do ciclo menstrual, o corpo feminino passa por variações hormonais que também podem influenciar a aparência da celulite, algo que muitas mulheres percebem, mas nem sempre conseguem explicar. 

Em diferentes fases do ciclo, é comum notar mudanças na textura da pele, na retenção de líquidos e até na forma como o corpo reage a estímulos externos. Essas alterações podem fazer com que a celulite pareça mais ou menos evidente em determinados períodos do mês, sem que haja necessariamente uma mudança estrutural permanente. 

Segundo a dermatologista da clínica Alpha View Star, Denise Ozores (CRM-SP 101677), essas variações estão diretamente ligadas aos níveis de estrogênio e progesterona. “Ao longo do ciclo menstrual, o corpo passa por flutuações hormonais que impactam a circulação, a retenção de líquidos e a elasticidade da pele. Isso pode influenciar temporariamente a aparência da celulite”, explica. 

Na fase pré-menstrual, por exemplo, a retenção de líquidos tende a aumentar, o que pode deixar a pele com aspecto mais irregular. “Muitas mulheres relatam que a celulite parece mais evidente nesse período. Isso acontece porque o inchaço altera a forma como a pele e o tecido subcutâneo se apresentam”, afirma a médica.

Já em outras fases do ciclo, quando há menor retenção e melhor equilíbrio hormonal, a pele pode parecer mais uniforme. “Essas mudanças não significam que a celulite surgiu ou desapareceu, mas sim que a percepção visual dela pode variar de acordo com o momento hormonal”, diz. 

De acordo com Denise Ozores, entender essa dinâmica ajuda a reduzir frustrações com tratamentos e produtos. “Muitas vezes a paciente acha que um produto deixou de funcionar, quando na verdade o corpo está em uma fase diferente do ciclo. A pele não é estática e responde ao que acontece internamente”, explica. 

Esse entendimento também muda a forma como o cuidado com o corpo é percebido. Em vez de buscar resultados imediatos e constantes, cresce a tendência de observar padrões e adaptar hábitos ao funcionamento do organismo. 

“A celulite é multifatorial e envolve fatores estruturais, hormonais e comportamentais. Quando a mulher entende o próprio corpo, ela passa a ter uma leitura mais realista dessas variações e consegue cuidar da pele de forma mais estratégica”, finaliza.

 

Denise Ozores (CRM-SP 101677 | RQE 7349), dermatologista da clínica Alpha View Star, especialista em beleza natural e atua com foco na prevenção do envelhecimento cutâneo, priorizando equilíbrio, saúde da pele e respeito à individualidade. Em seus atendimentos e conteúdos nas redes sociais, a médica defende uma abordagem consciente da estética, com resultados sutis e alinhados ao estilo de vida contemporâneo. No Instagram, compartilha orientações sobre cuidados dermatológicos e os impactos do ambiente urbano e digital na pele pelo perfil @deniseozoresdermato.

 

Oscilações de humor ou transtorno bipolar? Especialista explica como identificar sinais e quando buscar ajuda


No dia 30 de março, o mundo marca o Dia Mundial do Transtorno Bipolar, data que chama atenção para uma condição de saúde mental que ainda é cercada por estigmas e, muitas vezes, confundida com simples mudanças de humor.

O Transtorno Bipolar é marcado por oscilações significativas no humor, na energia e na forma como a pessoa percebe e reage ao mundo. Diferente das variações emocionais comuns do dia a dia, essas mudanças podem interferir diretamente na vida pessoal, profissional e social.

Segundo a neuropsicóloga Aline Graffiette, uma das maiores dificuldades ainda está na identificação correta dos sintomas. “Muitas pessoas acreditam que transtorno bipolar significa apenas ‘mudar muito de humor’, mas estamos falando de alterações profundas que impactam comportamento, tomada de decisão, energia e funcionamento emocional”, explica.

A especialista destaca que o transtorno costuma se manifestar por ciclos que alternam períodos de depressão com fases de euforia ou irritabilidade intensa — conhecidas como episódios de mania ou hipomania. Nessas fases, a pessoa pode apresentar impulsividade, sensação exagerada de confiança, redução da necessidade de sono e aumento de energia.

Já nos episódios depressivos, podem surgir sintomas como tristeza persistente, perda de interesse em atividades antes prazerosas, cansaço intenso e dificuldade de concentração.

De acordo com Aline, a informação é uma das principais ferramentas para reduzir o estigma e ampliar o acesso ao diagnóstico. “Quanto mais entendemos o transtorno bipolar, mais conseguimos diferenciar o que é uma oscilação natural da vida e o que pode ser um sinal de alerta para buscar ajuda profissional”, afirma.

Outro ponto importante é que o diagnóstico não significa uma limitação permanente. Com acompanhamento adequado — que pode envolver tratamento psiquiátrico, psicoterapia e estratégias de regulação emocional — muitas pessoas conseguem manter estabilidade e qualidade de vida.

“Falar sobre saúde mental com responsabilidade ajuda a quebrar preconceitos e abre espaço para que mais pessoas procurem ajuda sem medo”, conclui a especialista.

Em datas como o Dia Mundial do Transtorno Bipolar, especialistas reforçam que ampliar o conhecimento sobre a condição é um passo essencial para promover acolhimento, diagnóstico precoce e tratamentos mais eficazes.

5 sinais de alerta de bipolaridade que muitas pessoas ignoram

Segundo a neuropsicóloga Aline Graffiette, alguns sinais podem indicar que as oscilações de humor vão além de variações emocionais comuns do dia a dia. Entre os principais pontos de atenção estão:

1. Mudanças intensas de humor

Períodos alternados de grande euforia ou irritabilidade seguidos por fases de tristeza profunda ou desânimo persistente.

2. Alterações no nível de energia

Momentos de energia excessiva, sensação de produtividade extrema ou necessidade reduzida de sono, seguidos por períodos de cansaço intenso.

3. Comportamentos impulsivos

Tomada de decisões precipitadas, gastos excessivos, atitudes de risco ou comportamentos fora do padrão habitual.

4. Dificuldade de concentração e organização

Oscilações cognitivas que podem afetar a capacidade de foco, planejamento e tomada de decisões.

5. Impacto nas relações e na rotina

Quando as mudanças de humor começam a interferir no trabalho, nos relacionamentos ou na qualidade de vida.

A especialista reforça que a presença desses sinais não significa necessariamente um diagnóstico, mas indica a importância de buscar avaliação profissional.

 “Quanto mais cedo identificamos o que está acontecendo, maiores são as chances de desenvolver estratégias de cuidado e promover qualidade de vida”, explica.


Infertilidade impõe luto invisível e pressiona saúde emocional de pacientes

Especialista explica como ansiedade, culpa e pressão social impactam pacientes e reforça a importância do apoio psicológico desde o início do processo

 

No Brasil, cerca de 8 milhões de pessoas enfrentam dificuldades para engravidar, segundo a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida. Apesar da alta incidência, a infertilidade ainda é tratada, na maioria das vezes, como uma questão exclusivamente médica, deixando em segundo plano um impacto emocional profundo, persistente e, muitas vezes, silencioso.

Sentimentos como luto, ansiedade, frustração e culpa passam a fazer parte da rotina de quem vive essa realidade, frequentemente sem o suporte necessário. O alerta é da psicóloga especialista em saúde da mulher e reprodução assistida, Aline de Menezes, convidada pela Organon, que reforça a necessidade de integrar o cuidado emocional à jornada de fertilidade.

Segundo a especialista, o diagnóstico costuma representar uma ruptura nos planos de vida. “Muitas pessoas vivem esse momento como um luto, não por um filho concreto, mas pelo filho imaginado, pela gestação idealizada e pelo futuro que já estava sendo projetado”, afirma. Ao longo das tentativas de engravidar, esse impacto tende a se intensificar. “É uma combinação de desejo, expectativa e falta de controle que naturalmente aumenta a ansiedade”, completa.

Procedimentos como a fertilização in vitro ampliam ainda mais essa carga emocional, ao envolver etapas sucessivas e resultados incertos. Nesse contexto, Aline destaca que o preparo psicológico deve caminhar junto com o tratamento médico. “Ter informação clara sobre cada fase, contar com uma rede de apoio e, sempre que possível, acompanhamento psicológico ajuda o paciente ou o casal a se sentirem mais seguros e amparados ao longo do processo”, explica.

Fatores externos também contribuem para o agravamento desse cenário. A pressão social e familiar, muitas vezes traduzida em perguntas invasivas e cobranças, pode intensificar o sofrimento. “Estabelecer limites e entender o que faz sentido compartilhar é fundamental. Proteger esse espaço íntimo também é uma forma de cuidado emocional”, orienta.

A infertilidade também pode impactar a dinâmica do casal. Diferenças na forma de lidar com o processo podem gerar desgaste, mas, por outro lado, o diálogo e o respeito ao tempo de cada um podem fortalecer a relação. “Quando há escuta e parceria, muitos casais conseguem atravessar esse momento de forma mais conectada”, diz.

Para lidar com as incertezas e frustrações, a especialista recomenda preservar uma rotina que não gire exclusivamente em torno do tratamento, buscar informações seguras e validar os próprios sentimentos. “Não é sobre ser forte o tempo todo, mas sobre reconhecer o que se sente e encontrar formas de atravessar esse caminho com mais cuidado consigo”, destaca.

O acompanhamento psicológico, segundo Aline, pode ser iniciado em qualquer fase, mas quanto antes começar, maiores são os recursos emocionais disponíveis para enfrentar os desafios do processo. Ela deixa ainda um recado para quem vive essa realidade: “Vocês não estão sozinhos. Esse é um caminho que muitas pessoas percorrem em silêncio, e compartilhar com alguém de confiança pode tornar tudo menos solitário. Mesmo sendo uma jornada difícil, ela pode ser vivida com mais acolhimento e apoio”, conclui.

 

Organon
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Obesidade na adolescência aumenta risco de câncer colorretal precoce

Adolescentes obesos têm 1,45 mais
riscos de ter câncer colorretal precoce
Estudo alemão revela ainda que distúrbios metabólicos como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, hiperlipidemia e síndrome metabólica têm impacto sobre a doença em jovens.

 

O câncer colorretal é o segundo tumor mais comum em homens e mulheres, principalmente a partir dos 50 anos. Na última década, sua incidência cresceu 35%. Em 2016, eram 34.2801 casos. Em 2026, deverão ser 53.810 mil2. Recentemente, houve um aumento de casos entre os jovens. Um estudo alemão3, publicado em janeiro no European Journal of Epidemiology, sugeriu que os distúrbios metabólicos estejam por trás desse avanço. Os pesquisadores constataram, por exemplo, que a obesidade no final da adolescência, aos 20 e aos 30 anos resultou em um risco 1,45 vezes maior de câncer colorretal precoce. 

Ao rever 38 estudos, os pesquisadores da Universidade de Freiburg, na Alemanha, analisaram ainda associações desse tumor com o diabetes tipo 2, a hipertensão arterial, a síndrome metabólica e a hiperlipidemia (níveis elevados de gordura no sangue). O diabetes tipo 2 aumentou o risco de tumor em homens entre 20 e 49 anos. Associações positivas adicionais foram relatadas para hiperlipidemia e hipertensão arterial em homens de 20 a 39 anos.

A médica especializada em câncer gastrointestinal Mariana Bruno Siqueira, da Oncologia D’Or, classifica o aumento do câncer colorretal em pacientes jovens como um grande problema social e econômico. “Mesmo quando o diagnóstico é precoce, o paciente tem de passar por cirurgia e ficar afastado alguns dias do trabalho. Em muitos casos precisará passar por quimioterapia também, além de poder apresentar sequelas do tratamento.”, afirma a especialista. 
 

A doença

O câncer colorretal é uma doença heterogênea e multifatorial, que se desenvolve em geral a partir de mutações genéticas em lesões benignas, como pólipos. Os fatores de risco são a obesidade, o sedentarismo, o tabagismo, a ingestão de bebidas alcoólicas e a alimentação rica em carnes vermelhas, gordura e produtos ultraprocessados e pobre em frutas, verduras e legumes. 

O aumento do câncer colorretal em adultos jovens ocorre
 
em razão da falta de controle dos fatores de risco,
 como o controle de peso
 

Na visão da oncologista Mariana Bruno Siqueira, o crescimento da incidência desta neoplasia se deve à falta de controle dos fatores de risco e ao aumento dos exames de rastreamento, como a colonoscopia. Em 2025, só o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 14.589.338 colonoscopias, superando em 26% as 11.527.712 contabilizadas em 20164. Nesse período, a população cresceu 3,3%, passando de 206 milhões5 para 213,4 milhões de pessoas6.

Nos últimos três anos, o rastreamento se intensificou, em parte, pela repercussão do enfrentamento da doença pela cantora Preta Gil, que conscientizou a população sobre a importância dos exames de rotina. “Foi algo semelhante ao que vem ocorrendo nos últimos anos com o câncer de mama”, pondera a oncologista. “Quando várias personalidades passaram a falar abertamente sobre a doença, os exames de mamografia aumentaram”, complementa. 

A especialista considera “inestimável” o impacto do câncer colorretal no paciente jovem. O tratamento por quimioterapia para o tumor intestinal e a radioterapia para o câncer no reto podem comprometer a fertilidade.

A quimioterapia também pode deixar sequelas permanentes, como a neuropatia. Essa dormência nas mãos e nos pés pode impedir que profissionais que precisam desenvolver movimentos manuais muito refinados — como cirurgiões, dentistas e artesãos — precisem suspender suas atividades laborativas e, em alguns casos, até se aposentar precocemente. “E precisamos lembrar que muitas pessoas com 50 anos são provedoras não só dos filhos, como também dos pais”, observa a oncologista.
 

Tratamento

A boa notícia é que o arsenal terapêutico contra o câncer colorretal evoluiu muito nos últimos anos. A cirurgia robótica e minimamente invasiva garantiu maior precisão na ressecção do tumor de reto e reduziu complicações e o tempo de recuperação. Estudos vêm demonstrando que pacientes com este tumor não necessariamente necessitem de radioterapia — procedimento que pode representar grande impacto sobre a qualidade de vida dos pacientes. 

Os testes de DNA do tumor circulante têm permitido aos médicos identificar os pacientes com maior risco de recidiva. São exames de sangue que buscam fragmentos do DNA que se soltam dos tumores e entram na corrente sanguínea. Esse teste também é usado para investigar se o paciente com o tumor ressecado em estágio 2 precisa ser submetido à quimioterapia. 

O tratamento da doença metastática teve grande avanço com foco na medicina personalizada. A administração da imunoterapia em tumores com alta instabilidade de microssatélite, que representam até 15% dos casos de câncer colorretal, apresentou bons resultados. Já a terapia-alvo voltada para tumores com a mutação do gene BRAF dobrou a sobrevida dos pacientes. 

Um estudo apresentado no Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em 2025, comprovou que a atividade física em pacientes oncológicos operados teve um impacto no aumento de cura, semelhante ou praticamente igual ao resultado obtido com a quimioterapia. “Graças a esse trabalho, a atividade física passou a fazer parte da prescrição de muitos médicos para seus pacientes”, conclui a médica.

 

Oncologia D'Or

 

Referências

  1. Estimativa 2016: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer. José Alencar Gomes da Silva – Rio de Janeiro: INCA, 2015.
  2. Estimativa 2026: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer – Rio de Janeiro: INCA, 2026.
  3. Hilbert, J., Topfstedt, F., Matuschik, L. et al. O câncer colorretal de início precoce está associado a distúrbios metabólicos: uma revisão sistemática e meta-análise. Eur J Epidemiol (2026).
  4. Datasus. Disponível em: Link 
  5. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em: Link.
  6. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em: Link

Medicina diagnóstica: por que o exame de sexagem fetal adota protocolos específicos na manipulação das amostras?

Exame genético não invasivo identifica o sexo do bebê com alta precisão e exige rigorosos padrões de controle e qualidade.

 

A sexagem fetal é um exame genético não invasivo que identifica o sexo biológico do bebê ainda no início da gestação, por meio da análise de DNA fetal livre circulante (cffDNA) no sangue materno. O teste pode ser realizado, em geral, a partir da 8ª semana de gravidez e apresenta acurácia superior a 99% quando executado dentro dos critérios técnicos adequados, sem oferecer riscos à gestação. 

O processo segue rigorosamente as boas práticas laboratoriais para evitar qualquer tipo de contaminação, inclusive por material genético masculino, garantindo segurança e confiabilidade aos resultados. Na Dasa, essa etapa é ainda reforçada por um fluxo altamente automatizado, que reduz interferências externas e assegura um padrão elevado de qualidade. Em alguns laboratórios, como medida adicional de precaução, a manipulação da amostra costuma ser realizada exclusivamente por profissionais do sexo feminino com o objetivo de reduzir ao máximo o risco de contaminação ambiental por DNA masculino. 

O exame detecta a presença do cromossomo Y, responsável pela determinação do sexo masculino. Como homens possuem naturalmente o cromossomo Y em todas as suas células, o contato acidental com material biológico masculino, pode ser um potencial contaminante que é um evento raro devido a automação e correta paramentação com equipamentos de proteção individual. ”, explica Natália Gonçalves, Superintendente de P&D e Head da Reprodução Humana 
 

Diferença entre sexagem fetal e NIPT  

Embora utilize a mesma base tecnológica, a sexagem fetal tem um objetivo específico: identificar o sexo do bebê. Já o NIPT (Teste Pré-Natal Não Invasivo) amplia a análise para o rastreamento de alterações cromossômicas, como trissomias.  

De acordo com Gustavo Guida, médico geneticista da Dasa Genômica, a indicação depende do contexto clínico: “A escolha do exame deve considerar o perfil da paciente e a finalidade da investigação. Enquanto a sexagem fetal responde à determinação do sexo, o NIPT fornece uma avaliação mais abrangente do risco cromossômico fetal.” 

Ele reforça que a precisão do exame está diretamente ligada ao rigor técnico: “A confiabilidade depende tanto da tecnologia molecular quanto dos protocolos de coleta e processamento. Esses cuidados garantem segurança e precisão para a gestante”, completa o especialista. 
 

Tendência de crescimento 

A expansão dos testes baseados em DNA fetal acompanha o crescimento global da medicina personalizada e do pré-natal de precisão. O aumento da idade materna e a busca por informações cada vez mais antecipadas sobre a gestação têm impulsionado a procura por exames genéticos não invasivos.  

Na prática, a sexagem fetal representa um exemplo claro de como a biologia molecular aplicada à rotina clínica pode oferecer informação precoce, segurança diagnóstica e suporte qualificado às famílias. 
 

Aplicação clínica e precisão 

Inicialmente desenvolvida no contexto dos testes pré-natais não invasivos (NIPT), a análise de DNA fetal revolucionou o rastreamento de alterações cromossômicas e, paralelamente, passou a permitir a identificação precoce do sexo fetal com alto grau de confiabilidade.  

Além do aspecto informativo, a sexagem fetal pode ter relevância clínica em situações específicas, como em doenças genéticas ligadas ao cromossomo X, nas quais a definição do sexo fetal auxilia na condução médica.  

Segundo Natália Gonçalves, o exame representa um avanço no cuidado pré-natal: “A sexagem fetal é um exame seguro, realizado a partir de uma simples coleta de sangue materno, sem riscos para a gestação. Ele integra a medicina de precisão ao acompanhamento pré-natal, oferecendo informação confiável de forma precoce.”  

A tecnologia é baseada na detecção de fragmentos de DNA fetal liberados pela placenta na circulação da gestante. A presença do cromossomo Y indica sexo masculino; sua ausência, sexo feminino. Por depender exclusivamente da circulação fetal no sangue materno, o exame só pode ser realizado por gestantes.  


Reposição hormonal: como saber em que idade começar?


 


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Muitas mulheres se questionam sobre o momento certo de começar a reposição hormonal; descubra a resposta de uma vez por todas!

 

Muitas vezes, mesmo antes de sentirem os sintomas da menopausa, as mulheres já estão se perguntando sobre quando é o momento ideal para iniciar os tratamentos de reposição hormonal. E elas não estão erradas: afinal, o melhor é já saber desde cedo como tudo isso funciona e estar preparada para quando a “janela ideal” da reposição hormonal chegar. 

 

Porém, se você está à procura de uma idade exata que seria a “correta” para começar a reposição hormonal, é preciso entender que ela não existe. Isso vai variar de mulher para mulher. Afinal, cada uma delas chega na menopausa em um ritmo diferente e, portanto, vai precisar de hormônios e doses diferentes em cada fase. 

 

O ideal para iniciar o tratamento costuma estar, contudo, dentro de uma “janela de oportunidade” que vai desde a perimenopausa (fase de transição que antecede a menopausa e dura de 4 a 10 anos) até os 10 anos seguintes ao começo da menopausa. Isso costuma coincidir com a faixa etária de 45 a 55 anos de idade. 

 

Assim, o ideal é ficar de olho nos sintomas da perimenopausa, além de consultar um profissional de confiança com regularidade para ter certeza de que está na fase correta para começar a repor os hormônios. É o que indica o Dr. Luiz Augusto Júnior, médico e fundador do Instituto Amare, que explica a seguir como reconhecer a perimenopausa:

 

Afinal, quais os sintomas da perimenopausa? 

 

Os sinais da perimenopausa podem ser bastante silenciosos e fáceis de confundir com outras condições, o que leva muitas mulheres a ignorá-los. Afinal, eles não parecem ser tão alarmantes à primeira vista quanto os calores, a insônia ou o ganho de peso típicos da menopausa. 

 

Alguns dos sinais mais comuns nesse período são a rigidez no ombro, o ardor na boca, os lapsos de memória, a mudança no odor corporal e a ansiedade sem motivo aparente. O médico também destaca sintomas como as dores articulares, o cansaço persistente, a queda de cabelo e o ressecamento da pele. 

 

“O corpo sempre avisa. A questão é aprender a escutar”, finaliza o Dr. Luiz Augusto. 

 

 

Dr. Luiz Augusto Júnior - médico especializado na saúde da mulher, com foco em menopausa, equilíbrio hormonal e medicina integrativa. Formado pela Unoeste e com múltiplas pós-graduações, atua com uma visão que integra estilo de vida, nutrição, sono e saúde emocional. Fundador do Instituto Amare, Luiz se dedica a um cuidado humanizado e transformador, guiado por propósito e atualização constante. Acompanhe mais sobre seu trabalho: @institutoamarepp | @dr.luizaugustojunior

Outono muda o cenário das doenças infantis e expõe riscos pouco percebidos pelas famílias

Estação vai muito além dos resfriados e exige atenção ao ambiente, comportamento e sinais que costumam passar despercebidos pelas famílias

 

Com a chegada do outono, a queda nas temperaturas e a redução da umidade do ar criam um cenário propício para o aumento de doenças respiratórias em crianças, mas não apenas aquelas mais conhecidas, como gripes e resfriados. Em meio ao início da campanha de vacinação contra a gripe, já disponível para crianças a partir dos seis meses em unidades de saúde de São Paulo, especialistas chamam atenção para um aspecto menos discutido: o impacto do ambiente, do comportamento e dos diagnósticos equivocados típicos desta época do ano. 

De acordo com a médica infectologista pediátrica Dra. Carolina Brites, o outono funciona como um gatilho para uma série de condições que vão além das infecções virais clássicas. “Com a diminuição da temperatura e da umidade, as vias aéreas ficam mais suscetíveis à inflamação. Isso abre espaço não só para gripes e resfriados, mas também para rinite alérgica, crises de asma, bronquite e bronquiolite — especialmente em crianças menores de um ano”, explica. 

Esse cenário favorece um dos principais desafios da estação: a confusão entre alergias e infecções. Segundo a especialista, a mudança climática intensifica a inflamação da mucosa respiratória, tornando crianças predispostas mais vulneráveis a quadros alérgicos. “A diferença muitas vezes está na história da criança e na presença de febre. Processos alérgicos costumam ser afebris, enquanto infecções virais geralmente vêm acompanhadas de febre”, destaca. Fatores como exposição ao fumo passivo, ambientes com ácaros, umidade elevada e cheiros fortes também contribuem para agravar alergias. 

Outro ponto crítico do outono está no comportamento cotidiano. Ambientes fechados, como salas de aula, transporte escolar e até a própria casa, passam a ser mais frequentes — o que facilita a circulação de vírus. No entanto, o risco não está apenas na transmissão, mas na dificuldade de perceber quando um quadro simples começa a se agravar. “Febre persistente, tosse que não melhora, cansaço, sonolência e sinais de desconforto respiratório são alertas importantes. Muitas vezes, quadros graves começam de forma leve”, alerta a médica. 

Além disso, hábitos comuns podem aumentar a vulnerabilidade das crianças sem que os pais percebam. A especialista destaca que a combinação de ambientes fechados com baixa ventilação e exposição a aglomerações eleva o risco de adoecimento. “A prevenção passa por medidas simples, mas consistentes: manter a hidratação, alimentação equilibrada, vacinação em dia e, sempre que possível, incentivar atividades ao ar livre”, orienta. 

O uso de ar-condicionado e ventiladores, frequente mesmo em dias mais amenos, também merece atenção. “Não é necessário evitar completamente, mas é fundamental manter a higienização dos filtros e evitar o vento direto na criança. Isso ajuda a reduzir irritações nas vias respiratórias e a circulação de partículas”, explica. 

Entre os mitos mais comuns está a ideia de que só é preciso agir quando os sintomas aparecem de forma mais intensa. Para a infectologista, esse é um erro recorrente. “Não devemos esperar a doença se instalar para pensar em prevenção. Pequenas atitudes no dia a dia fazem diferença para evitar complicações, especialmente em crianças mais vulneráveis”, reforça. 

Por fim, a atenção ao comportamento familiar também é essencial. O fumo passivo, mesmo quando não ocorre diretamente ao lado da criança, continua sendo um fator de risco importante. “A exposição à fumaça aumenta a inflamação das vias aéreas e deixa a criança mais suscetível a infecções”, pontua. 

Mais do que uma estação marcada por casacos e mudanças na rotina, o outono exige um olhar atento para detalhes que muitas vezes passam despercebidos. Em crianças, esses sinais podem ser a diferença entre um quadro leve e uma evolução mais delicada — e, por isso, observar o ambiente, os hábitos e os primeiros sintomas se torna tão importante quanto tratar a doença em si.

 

Carolina Brites - CRM-SP:115624 | RQE:122965 - concluiu sua graduação em Medicina na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) em 2004. Especializou-se em Pediatria pela Santa Casa de Santos entre 2005 e 2007, onde obteve o Título de Pediatria conferido pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Posteriormente, especializou-se em Infectologia infantil pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e completou uma pós-graduação em Neonatologia pelo IBCMED em 2020. Em 2021, concluiu o mestrado em Ciências Interdisciplinares em Saúde pela UNIFESP. Atualmente, é professora de Pediatria na UNAERP em Guarujá e na Universidade São Judas em Cubatão. Trabalha em serviço público de saúde na CCDI – SAE Santos e no Hospital Regional de Itanhaém. Além disso, mantém um consultório particular e assiste em sala de parto na Santa Casa de Misericórdia de Santos. Ministra aulas nas instituições de ensino onde é professora.



Primeira menstruação: quando é normal, o que esperar e quando levar a adolescente ao ginecologista

Informação clara e acompanhamento gradual ajudam adolescentes e famílias a viverem a menarca com tranquilidade, segurança e orientação adequada


A primeira menstruação, chamada de menarca, costuma ocorrer entre 10 e 16 anos, com média de 12,4 anos, e frequentemente vem acompanhada de dúvidas práticas e emocionais, desde como se preparar para o primeiro sangramento até como entender as mudanças que surgem nos meses seguintes. Nesse período, muitas famílias percebem que, além do acompanhamento pediátrico, é recomendado iniciar gradualmente a transição para o ginecologista, não como uma “troca” imediata, mas como ampliação do cuidado e construção de vínculo com o especialista que orientará a saúde menstrual e reprodutiva ao longo da adolescência.
 

Segundo o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), a primeira consulta de saúde reprodutiva deve acontecer entre 13 e 15 anos, mesmo na ausência de queixas, com foco em orientação, prevenção e acolhimento. Trata-se de uma visita predominantemente conversada, voltada à educação em saúde, e que na maioria dos casos não exige exame ginecológico interno, algo que reduz a ansiedade e torna o atendimento mais confortável para a adolescente. “A consulta inicial não precisa ser um momento de medo. É um espaço de escuta e orientação, para que a adolescente compreenda o próprio corpo, tire dúvidas e aprenda a reconhecer sinais de alerta”, explica Dr. Rodrigo Nogueira, ginecologista e obstetra do Grupo Santa Joana e responsável técnico do Hospital e Maternidade Santa Maria. 

Nos primeiros anos após a menarca, é comum que o ciclo ainda não seja regular. O ACOG descreve que, nessa fase inicial, os intervalos podem variar e frequentemente ficam entre 21 e 45 dias, conforme o organismo amadurece. Cólica leve a moderada pode aparecer, assim como pequenas oscilações no fluxo; por isso, conversar antes sobre higiene, escolha de absorventes, troca adequada e registro do calendário menstrual ajuda a adolescente a se sentir mais segura e menos surpresa. “Quando a informação chega antes da primeira menstruação, a menina costuma viver esse marco com mais tranquilidade, e a família consegue apoiar sem tabus, com naturalidade”, afirma o médico. 

Ainda que variações sejam esperadas, alguns sinais merecem avaliação mais cedo, seja com o pediatra, seja com o ginecologista: menstruação muito precoce (antes dos 8 anos), ausência de menarca após os 15 anos, sangramento excessivo (como troca de absorvente a cada 1–2 horas), ciclos que duram mais de sete dias, dor incapacitante que impede atividades escolares ou sociais, ou sintomas que impactem sono e rotina. Nesses casos, a consulta deixa de ser apenas educativa e passa a ser uma oportunidade de investigar e tratar desconfortos que, muitas vezes, são normalizados sem necessidade. “O recado é não minimizar sofrimento. Se a dor derruba, se o fluxo limita o dia a dia ou se há sinais fora do padrão, vale procurar avaliação. Quanto mais cedo, melhor”, orienta Dr. Rodrigo. 

A integração entre pediatria e ginecologia, de forma complementar e não substitutiva, oferece à adolescente um acompanhamento contínuo, com linguagem adequada para a fase e um espaço seguro para falar sobre mudanças do corpo, ciclo, autocuidado e prevenção. Assim, a menarca deixa de ser um evento isolado e passa a marcar o início de uma etapa estruturada de educação em saúde, que fortalece autonomia, bem-estar e confiança.

 

Hospital e Maternidade Santa Maria
www.maternidadesantamaria.com.br


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