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quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Vacinação contra o HPV na pré-adolescência enfrenta tabus sobre sexualidade e prevenção

Magnific
Imunização antes do início da vida sexual é estratégia para prevenir infecções associadas a diferentes tipos de câncer; diálogo com as famílias é fundamental para ampliar a adesão

 

 A vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) ainda enfrenta um desafio que vai além do acesso aos imunizantes: a resistência de famílias em vacinar crianças e pré-adolescentes contra um vírus associado à transmissão sexual. Para especialistas, superar esse tabu é fundamental para ampliar a proteção e prevenir doenças que podem se manifestar anos após a infecção. 

No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda a vacina contra o HPV para meninas e meninos de 9 a 14 anos, em dose única pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A estratégia prioriza essa faixa etária porque a imunização apresenta melhor resposta quando realizada antes de uma possível exposição ao vírus. A vacinação também está associada à prevenção de diversos tipos de câncer, incluindo os de colo do útero, ânus, pênis e orofaringe, além de verrugas genitais. 

A relação entre o HPV e as infecções sexualmente transmissíveis pode gerar desconforto entre pais e responsáveis, especialmente quando os filhos ainda estão na infância. Nesse contexto, a vacina pode ser interpretada equivocadamente como um assunto ligado ao início precoce da vida sexual. A orientação dos profissionais de saúde, no entanto, é esclarecer que a imunização constitui uma medida preventiva e não um incentivo a relações sexuais. 

“Um dos principais desafios é mostrar às famílias que vacinar nessa idade significa antecipar a proteção, e não antecipar qualquer conversa sobre o início da vida sexual. Adiar a vacina por desconforto com o tema pode fazer com que a criança perca a oportunidade de estar protegida no momento mais adequado”, explica Quézia Mendonça, pediatra e docente do curso de Medicina da Universidade Salvador (UNIFACS), integrante da Inspirali, vertical de educação médica da Ânima Educação que atua na gestão de 15 escolas em diversas regiões do Brasil. 

De acordo com o Ministério da Saúde, em 2025, a cobertura vacinal contra o HPV foi de 86,22% entre meninas de 9 a 14 anos e de 74,55% entre meninos da mesma faixa etária, abaixo da meta de 90%. Em 2026, foi proposta a vacinação de resgate. Adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que não foram vacinados na idade recomendada podem receber a dose pelo SUS até 31 de dezembro de 2026, conforme a estratégia nacional vigente.

 

Falsas informações geram insegurança

Outro obstáculo para atingir as metas de cobertura vacinal é a circulação de informações falsas sobre a segurança e os efeitos da vacina. Incertezas sobre possíveis consequências para a saúde, fertilidade e comportamento sexual podem comprometer a confiança dos responsáveis. Por isso, campanhas educativas precisam oferecer informações acessíveis, baseadas em evidências científicas, e abrir espaço para que pais e responsáveis esclareçam suas dúvidas com profissionais qualificados. 

A participação das escolas, dos serviços de atenção básica e das instituições de ensino superior também pode contribuir para ampliar o alcance das ações. Atividades de educação em saúde, mobilização comunitária e verificação da caderneta de vacinação ajudam a identificar crianças e adolescentes que ainda não receberam o imunizante. 

“A proteção contra o HPV é uma responsabilidade compartilhada entre famílias, profissionais de saúde e poder público. Ao tratar o assunto com naturalidade e informação, é possível reduzir preconceitos, fortalecer a confiança na vacinação e ampliar as oportunidades de prevenção de doenças graves ao longo da vida”, destaca a médica pediátrica Quézia Mendonça.

 

Universidade Salvador - UNIFACS
www.unifacs.br

Inspirali

Ânima Educação

 

A partir dos 30, mulheres enfrentam maior desafio de conciliar rotina e prevenção da saúde

Estudo internacional revela que 40,8% das mulheres dizem ter postergado consultas e exames por causa do trabalho.

 

A falta de tempo para cuidar da saúde fez com que 40,8% das mulheres adiassem a busca por assistência médica, segundo um estudo do programa norte-americano All of Us com 117.806 participantes. Entre os principais motivos, 12,5% das entrevistadas apontaram a dificuldade de se ausentar do trabalho. Para a ginecologista Rosa Maria Neme, da Rede Plus, esse conflito é ainda mais recorrente a partir dos 30 anos, idade que coincide com o acúmulo de múltiplos papéis sociais. “A mulher até vai ao médico, mas geralmente para ‘apagar incêndios’ ou lidar com um sintoma que já está atrapalhando seu dia a dia. A prevenção sistêmica, que evitaria doenças no futuro, é colocada em segundo plano”, explica a especialista.

No Brasil, a rotina profissional também aparece como obstáculo concreto. A recém publicada pesquisa da Catho com 478 mulheres aponta que 37% adiam ou remarcam consultas, exames e check-ups por causa do trabalho. Entre mães e gestantes ouvidas no levantamento, 43% apontaram a sobrecarga entre trabalho e família como um dos principais desafios após a maternidade. Embora o levantamento não represente necessariamente o conjunto das brasileiras, os resultados dão a dimensão a um conflito cotidiano: conciliar responsabilidades pode comprometer a regularidade do cuidado.

O alerta ganha importância a partir dos 30 anos, fase em que o acompanhamento preventivo precisa ir além das consultas motivadas por sintomas ou das avaliações voltadas exclusivamente à saúde reprodutiva. Pressão arterial, glicemia, peso, sono, saúde mental e histórico familiar também merecem atenção, conforme as necessidades individuais e a orientação médica. Não se trata de multiplicar exames ou criar mais uma obrigação na agenda, mas de identificar fatores de risco e alterações precocemente, antes que se convertam em problemas mais difíceis de controlar.

A responsabilidade, porém, não recai apenas sobre a mulher. Relatório de 2026 do McKinsey Health Institute em parceria com o Fórum Econômico Mundial estima que as mulheres passam, em média, 25% mais tempo de suas vidas em condições de saúde precária do que os homens. Cerca de um terço dessa diferença está associado a falhas evitáveis na assistência, como rastreamento insuficiente, diagnósticos tardios e tratamentos inadequados. O dado reforça a necessidade da prevenção além apenas da conscientização, avançando para o acesso a assistência de cuidado acessível, contínua e adequada às necessidades de cada paciente.

“A consulta ginecológica é fundamental, mas não podemos focar apenas em útero, ovários e mamas e desconsiderar o restante do organismo e o contexto em que essa paciente vive”, alerta Rosa Maria. Segundo ela, estresse crônico, privação de sono e sedentarismo podem repercutir no metabolismo e precisam ser considerados no acompanhamento. Uma abordagem integrada permite avaliar a saúde da mulher para além de uma queixa isolada ou de uma etapa específica da vida.

O peso das tarefas domésticas e de cuidado também ajudam a explicar por que o tempo para a prevenção é tão disputado. Em 2022, as mulheres brasileiras dedicavam, em média, 21,3 horas semanais a afazeres domésticos e cuidados de pessoas, ante 11,7 horas entre os homens, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado não estabelece uma relação direta com o adiamento de consultas, mas evidencia a desigualdade na distribuição do trabalho não remunerado que muitas mulheres conciliam com a vida profissional.

Para Rosa Maria, a resposta passa por um plano de prevenção individualizado, que considere a fase de vida, os fatores de risco e as condições reais de cada paciente. “A prevenção precisa ser compatível com a vida real, considerando o nível de estresse e a rotina de cada uma”, afirma. “Quanto mais simples, organizada e acessível for a linha de cuidado, maior a possibilidade de a mulher blindar sua saúde mesmo durante os períodos profissionais e pessoais mais exigentes.”

 

Care Plus


Novembro Azul: Veja 10 mitos e verdades sobre o câncer de próstata

São estimados quase 78 mil casos novos da doença no Brasil por ano até 2028; especialista da Oncologia D’Or dá orientações e esclarece dúvidas sobre a saúde masculina

 

Conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o número estimado de casos novos de câncer de próstata no Brasil é de 77.920 para cada ano do triênio de 2026 a 2028. A doença ocupa a segunda posição entre os cânceres mais incidentes no país, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. 

Para a campanha do Novembro Azul, mês de conscientização sobre a prevenção e diagnóstico precoce do câncer de próstata, a oncologista clínica da Oncologia D'Or CE e gerente médica do Instituto D’Or de Ensino e Pesquisa (IDOR) - CE, Karine Martins da Trindade, esclarece alguns dos principais mitos e verdades, reforçando a importância da informação, do cuidado individualizado e da atenção à saúde do homem. 

“O Novembro Azul é uma oportunidade para ampliar a conscientização sobre a saúde masculina, combater preconceitos e incentivar esse público a participar ativamente das decisões sobre sua saúde”, explica a especialista. Segundo a médica, que é madrinha da campanha da Oncologia D’Or voltada ao tema, o objetivo da rede é trabalhar a atenção integral à saúde dos homens, estimulando o entendimento do valor do diagnóstico precoce tanto do câncer de próstata quanto de outras doenças.

 

1. Câncer de próstata é uma doença exclusiva de idosos - MITO

Embora o risco aumente significativamente com a idade, especialmente após os 50 anos, o câncer de próstata também pode acometer homens mais jovens. 

Histórico familiar e determinadas alterações genéticas hereditárias podem aumentar o risco de desenvolver a doença.

 

2. Quem não apresenta sintomas não precisa se preocupar com o câncer de próstata - MITO

Nas fases iniciais, o câncer de próstata geralmente não provoca sintomas. Por isso, é importante conhecer os fatores de risco e conversar com o médico sobre os benefícios e as possíveis limitações dos exames de detecção precoce. Essa avaliação deve ser individualizada.

 

3. Dificuldade para urinar é sinal precoce de câncer de próstata - MITO

Sintomas como dificuldade para urinar, diminuição da força do jato urinário e aumento da frequência urinária podem estar relacionados a diversas condições, especialmente ao crescimento benigno da próstata. 

Quando associadas ao câncer de próstata, podem aparecer em fases avançadas da doença. Embora não indiquem necessariamente câncer, essas alterações merecem avaliação médica.

 

4. Todo homem terá câncer de próstata, conforme o envelhecimento - MITO

O envelhecimento aumenta o risco de desenvolver câncer de próstata, mas isso não significa que todos os homens terão a doença. Além disso, alguns tumores apresentam crescimento muito lento e podem nunca provocar sintomas ou comprometer a saúde do paciente.

 

5. O câncer de próstata pode evoluir de diferentes formas - VERDADE

O câncer de próstata apresenta diferentes graus de agressividade. Alguns tumores crescem lentamente e têm baixo risco de progressão, enquanto outros exigem tratamento mais precoce. 

Em casos selecionados, a vigilância ativa, com acompanhamento médico rigoroso, pode ser uma alternativa segura, evitando tratamentos desnecessários e seus possíveis efeitos adversos.

 

6. A vasectomia aumenta o risco de câncer de próstata - MITO

As evidências científicas atuais não demonstram uma relação causal entre a vasectomia e o desenvolvimento do câncer de próstata. Portanto, a vasectomia não é considerada um fator de risco estabelecido para a doença.

 

7. A atividade sexual frequente protege contra o câncer de próstata - MITO

Alguns estudos observacionais identificaram uma associação entre maior frequência de ejaculação e menor risco de câncer de próstata. Entretanto, essa associação não comprova uma relação de causa e efeito. Até o momento, não existem evidências suficientes para recomendar uma determinada frequência de atividade sexual como estratégia de prevenção da doença.

 

8. Um exame de PSA alterado significa que o homem tem câncer de próstata - MITO
O PSA é uma proteína produzida pela próstata, cuja concentração no sangue pode aumentar por diferentes motivos, incluindo crescimento benigno da próstata, inflamações e câncer. Um resultado alterado não confirma o diagnóstico e deve ser interpretado pelo médico considerando a idade, o histórico clínico e outros achados. Quando necessário, exames complementares podem ser indicados.

 

9. O toque retal não é obrigatório para todos os homens - VERDADE

O toque retal é uma ferramenta clínica que pode contribuir para a avaliação da próstata, mas não é obrigatório para todos os homens. Sua indicação depende do contexto clínico e deve ser individualizada. A decisão sobre a investigação e os exames de detecção precoce deve considerar os fatores de risco, as recomendações médicas e as preferências do paciente.

 

10. Receber o diagnóstico de câncer de próstata significa perder a potência sexual ou o controle urinário - MITO

O diagnóstico de câncer de próstata não implica necessariamente disfunção erétil ou incontinência urinária. Alguns tratamentos, especialmente a cirurgia e a radioterapia, podem provocar alterações urinárias e sexuais, com riscos que variam conforme o tratamento, as características do tumor e as condições de cada paciente. Os avanços nas técnicas terapêuticas e nas estratégias de reabilitação permitem reduzir ou tratar parte dessas complicações.

 

A oncologista destaca ainda a importância dos homens procurarem ajuda médica e fazerem acompanhamento de saúde, mesmo sem sintomas: “Conhecer os fatores de risco, valorizar os sinais do organismo e buscar orientação médica são atitudes fundamentais. Mais do que falar sobre exames, o Novembro Azul é um convite para que os homens cuidem da saúde durante todo o ano”, finaliza Karine.

 

Oncologia D'Or

 

Anvisa aprova primeiro tratamento oncológico administrado por meio de um dispositivo subcutâneo

 

Nova tecnologia reduz o tempo de administração do tratamento e diminui reações associadas à infusão intravenosa, representando um ganho na rotina dos pacientes
 

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) anuncia a aprovação de Sarclisa (isatuximabe) com administração subcutânea em combinação com regimes terapêuticos padrão aprovado para tratamento de mieloma múltiplo (MM)1. Com essa aprovação, Sarclisa torna-se o primeiro tratamento oncológico a poder ser administrado tanto por meio de um dispositivo de infusão portátil (on-body injector - OBI) quanto por administração subcutânea manual, representando uma potencial mudança na rotina de pessoas que convivem com MM, considerado o segundo câncer no sangue mais comum do mundo2. 

Até então, os tratamentos para a doença eram administrados por via endovenosa ou administração subcutânea manual. Com a nova tecnologia, o tratamento passa a ser realizado por via subcutânea de forma automatizada, com menor interferência na rotina dos pacientes, considerando o tempo de administração significativamente menor em comparação à via endovenosa do produto. A administração subcutânea também reduz reações relacionadas à infusão endovenosa. 

“A expectativa de vida dos pacientes de mieloma múltiplo quintuplicou nos últimos vinte anos. Isso é uma ótima notícia, mas que também gerou um novo desafio: garantir que as pessoas possam viver mais tempo com qualidade. Precisamos tornar a jornada terapêutica menos desgastante para pacientes e familiares”, explica Dra. Vania Hungria, CRM-SP 4366, co-fundadora da International Myeloma Foundation Latin America e Médica Hematologista na Clínica São Germano. 

“Na Sanofi, temos o compromisso de transformar não apenas os tratamentos, mas também a forma de como eles fazem parte da vida dos pacientes. A aprovação dessa nova via de administração representa um avanço importante nessa jornada, ao trazer mais conforto e conveniência e contribuir para reduzir o impacto do tratamento no dia a dia de quem vive com mieloma múltiplo. Temos muito orgulho de sermos pioneiros ao disponibilizar uma inovação como essa para um tratamento contra o câncer, reforçando nossa ambição de continuar redefinindo a experiência de cuidado para pacientes e para todo o ecossistema de saúde”, complementa Anne Pradeilles, Líder da Unidade de Oncologia na Sanofi Brasil. 

Para a aplicação subcutânea, é usado um injetor automatizado chamado CirCLIQ, da Enable Injections, que foi desenvolvido para administrar medicamentos de grande volume ao toque de um botão. O dispositivo utiliza uma agulha retrátil de calibre 30G, mais curta e mais fina do que as agulhas normalmente utilizadas em injeções de grande volume. Além de todos os benefícios para a rotina do paciente, o CirCLIQ também pode otimizar o processo de administração para os profissionais de saúde, reduzindo potencialmente a carga física sobre os enfermeiros por meio de um dispositivo mãos livres e proporcionando mais tempo para monitoramento e interação com os pacientes. 

A aprovação se baseia nos resultados do estudo de fase 3 IRAKLIA, que demonstrou a não inferioridade desse novo método de aplicação. De acordo com o estudo, o perfil geral de segurança do Sarclisa subcutâneo foi consistente com o perfil de segurança já estabelecido do Sarclisa endovenoso3. Além disso, o estudo aponta que o método subcutâneo proporciona um tempo de tratamento significativamente menor e menos reações relacionadas à infusão. Enquanto 25% dos pacientes tratados com aplicação intravenosa apresentaram reações relacionadas à infusão, apenas 1,5% dos que foram tratados com aplicação subcutânea apresentaram essas mesmas reações2. 

A molécula já está aprovada no Brasil desde 2021, e atualmente conta com quatro indicações: para o tratamento de pacientes adultos recidivados e refratários que receberam pelo menos duas terapias anteriores e demonstraram progressão da doença na última terapia; para tratamento de pacientes adultos recidivados e/ou refratários que receberam pelo menos uma terapia anterior; para pacientes adultos recém-diagnosticados inelegíveis para o transplante autólogo de células-tronco (TACT) e para pacientes adultos recém-diagnosticados elegíveis ao TACT.
 

Sobre o mieloma múltiplo 

O mieloma múltiplo (MM) é o segundo tipo de câncer de sangue mais comum no mundo¹, afetando mais de 130 mil pacientes e 32 mil diagnósticos por ano4. Com origem na medula óssea, sua principal característica é o aumento do número de plasmócitos (células do sistema imunológico), o que pode causar problemas nos ossos e em outros órgãos, como anemia, alteração no funcionamento dos rins, dor nos ossos e aumento dos níveis de cálcio no sangue5. Outros sintomas da doença são fraqueza e quadros de infecção frequentes4.

Apesar dos tratamentos disponíveis, o mieloma múltiplo não tem cura e a maioria dos pacientes recaem ao longo da jornada da doença, necessitando de novos tratamentos. Por isso, estudos mostram que é importante considerar um tratamento eficaz já na primeira linha para obter melhores resultados a longo prazo6.
 

Sobre o estudo IRAKLIA 

O IRAKLIA (identificador do estudo clínico: NCT05405166) foi um estudo randomizado, aberto e pivotal de fase 3 que avaliou a não inferioridade do Sarclisa administrado em dose fixa por via subcutânea (SC) via OBI em comparação com o Sarclisa administrado por via intravenosa (IV) com dose peso-dependente, em combinação com Pd, em pacientes adultos com MM R/R que haviam recebido pelo menos uma linha de tratamento prévia. Os desfechos coprimários avaliados foram a taxa de resposta global (overall response rate - ORR), definida como a proporção de pacientes com resposta completa (RCs) estrita, resposta completa (RC), resposta parcial muito boa (RPMB) e resposta parcial (RP), de acordo com os critérios do Grupo de Trabalho Internacional sobre Mieloma de 2016 (International Myeloma Working Group – IMWG), avaliados por um Comitê de Revisão Independente; e a concentração observada de Sarclisa em estado de equilíbrio farmacocinético antes da administração no dia 1 do ciclo 6 (Ctrough C6D1)
 


Sanofi  
 

 Referências:

[1] BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução-RE nº 4.190, de 22 de outubro de 2026. Concede a alteração de descrição/composição e inclusão de via de administração para o produto biológico Sarclisa (Isatuximabe) da Sanofi Medley Farmacêutica Ltda., processos nº 25351.045257/2020-93, expedientes nº 1233740/25-4 e 1233744/25-7. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 92, p. 101, 26 out. 2026. Disponível em: RESOLUÇÃO-RE nº 4.190, DE 22 DE OUTUBRO DE 2026 - RESOLUÇÃO-RE nº 4.190, DE 22 DE OUTUBRO DE 2026 - DOU - Imprensa Nacional. Acesso em: 26 de outubro de 2026.

[2] Kazandjian. Epidemiologia e sobrevida do mieloma múltiplo: Uma malignidade única. Semestre Oncol. 2016;43(6):676-681.doi:10.1053/j/seminoncol.2016.11.004.

[3] IRAKLIA: Ailawadhi S et al. Isatuximab Subcutaneous by On-Body Injector Versus Isatuximab Intravenous Plus Pomalidomide and Dexamethasone in Relapsed/Refractory Multiple Myeloma: Phase III IRAKLIA Study. J Clin Oncol. 2025 Aug;43(22):2527-2537. doi: 10.1200/JCO-25-00744. Epub 2025 Jun 3. Erratum in: J Clin Oncol. 2025 Sep 20;43(27):3056. doi: 10.1200/JCO-25-01767. PMID: 40459178.

[4] Instituto Nacional do Câncer. Fatos estatísticos sobre o câncer de mieloma. Disponível em:

 www.seer.cancer.gov/statfacts/html/mulmy.html. Acesso em 23 de junho de 2026.

[5] Kyle RA, Rajkumar SV. Multiple myeloma. N Engl J Med 2004; 351:1860-73

[6] Richter J, Pan D, Salinardi T, Rice MS. Real-world multiple myeloma front-line treatment and outcomes by transplant in the United States. eJHaem. 2023;4(4):984-994. doi:10.1002/jha2.739


Reta final do ENEM: nutricionista compartilha dicas para a rotina de alimentação, sono e hidratação na preparação para as provas

“Para quem irá enfrentar as cinco horas de prova, é imprescindível
realizar as principais refeições no dia anterior",
Isabela Costa
é nutricionista e parceira Dr. Peanut.
 Foto: acervo pessoal.
Especialista também orienta sobre tipos de snacks saudáveis que sustentam foco e energia melhor que bebidas energéticas

 

A poucos dias do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), a rotina de muitos estudantes fica mais intensa. Revisões de matérias, simulados e longas horas de estudo podem vir acompanhados de ansiedade, cansaço e mudanças no apetite. Enquanto algumas pessoas sentem mais fome em períodos de tensão e recorrem a doces e outros alimentos por impulso, outras acabam pulando refeições ou se esquecendo de comer. 

Segundo Isabela Costa, nutricionista parceira da Dr. Peanut, planejar a alimentação também faz parte da preparação para a maratona de provas. Ter opções práticas na mochila ou à mesa de estudos ajuda a evitar longos períodos sem comer e facilita escolhas equilibradas entre uma revisão e outra. 

“Frutas, iogurtes, oleaginosas como pasta de amendoim e snacks proteicos são alternativas que os estudantes podem incluir na rotina, de acordo com a fome, preferências e necessidades individuais. Nesse momento de preparação também é importante fazer todas as refeições principais, como café da manhã, almoço e jantar”, explica. 

Por outro lado, quando o cansaço aperta, é comum recorrer a doces ou bebidas energéticas na tentativa de recuperar a disposição rapidamente. A nutricionista, porém, destaca que essas opções têm composições e efeitos diferentes no organismo. 

“O consumo de energéticos causa um pico rápido de energia por causa das altas doses de cafeína e açúcar, mas esse efeito geralmente é seguido por uma queda de rendimento e disposição, que a longo prazo, pode acabando prejudicando a rotina. O consumo dessas bebidas exige atenção e por isso, não é indicado para adolescentes”, alerta Isabela. 

Já os snacks proteicos podem contribuir para a saciedade e para uma disponibilização mais gradual de energia, dependendo de sua composição. Quando combinam carboidratos, proteínas, gorduras boas e fibras, podem tornar mais lenta a absorção dos nutrientes e moderar a velocidade com que a glicose chega à corrente sanguínea, influenciando a resposta do organismo à insulina, hormônio que facilita a entrada da glicose nas células. 

“Snacks funcionais à base de amendoim são boas opções por conter boas fontes de gordura e fibras, nutrientes que contribuem para a saciedade e disponibilizam energia de maneira mais lenta e gradual. Além disso, são saborosos e também proteicos”, afirma a nutricionista.

 

Barrinhas e snacks são opções práticas para levar no dia da prova

Durante as cinco horas de exame, ter um lanche fácil de transportar e consumir pode ajudar a lidar com a fome e manter o foco entre uma questão e outra. Barrinhas proteicas cabem na mochila e podem ser consumidas conforme as regras de aplicação do exame, dando aquela dose de motivação para manter o foco na prova. Já os lanches caseiros merecem atenção quanto ao preparo e uso de molhos e maioneses, que, a depender da temperatura no ambiente e do transporte, podem se alterar e estragar rapidamente. 

“Para quem irá enfrentar as cinco horas de prova, é imprescindível realizar as principais refeições no dia anterior e, no dia do exame, tomar um café da manhã reforçado, com frutas, pães integrais e alguma fonte de proteína, como ovo mexido”, explica Isabela Costa, nutricionista parceira da Dr. Peanut. 

Confira cinco dicas para cuidar da alimentação e da disposição para o ENEM 2026:
 

1. Organize os lanches antes de começar a estudar

Deixar opções práticas à mão facilita a alimentação nos intervalos. Frutas, iogurte, torradas com pasta de amendoim e snacks proteicos individuais são alternativas para variar os lanches conforme a fome e a rotina. Evite passar muitas horas sem comer quando isso provoca fome intensa ou desconforto.
 

2. Não dependa de energéticos para combater o cansaço

A cafeína pode provocar uma sensação temporária de alerta, mas não substitui o descanso. Especialmente para adolescentes, bebidas energéticas devem ser evitadas. Se o sono aparecer durante a revisão, uma pausa, um pouco de luz natural e movimento leve podem ajudar a mudar o estado de alerta momentaneamente.
 

3. Faça refeições completas e respeite os sinais de fome

Mesmo nos dias mais corridos, procure manter refeições variadas, com fontes de carboidratos, proteínas e hortaliças, de acordo com suas preferências. O estresse pode alterar o apetite, por isso vale observar os sinais do corpo e buscar orientação profissional se a dificuldade para comer ou a perda de apetite persistirem.
 

4. Mantenha a água por perto

Deixar uma garrafa à vista ajuda a lembrar de beber água ao longo do dia. Ajuste o consumo às suas necessidades, ao calor e à atividade física. A hidratação faz parte dos cuidados básicos para atravessar a rotina de estudos.
 

5. Preserve o sono e faça refeições leves na reta final

Virar a noite estudando pode parecer uma forma de ganhar tempo, mas a falta de sono prejudica a atenção e a capacidade de aprender e lembrar informações. Tente manter horários regulares para dormir e acordar e intercale blocos de estudo com pausas breves.


Na véspera das provas, o descanso também faz parte da preparação. Tenha uma boa noite de sono e faça as principais refeições no dia anterior ao ENEM. Lembre-se de incluir as barrinhas e os snacks na bolsa para quando precisar de uma energia extra durante as provas.


Por que apenas 6% dos usuários de PrEP no Brasil são mulheres?

Falta de informação, baixa percepção de risco e tabus relacionados à saúde sexual prejudicam o uso da estratégia preventiva

 

A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) se consolidou como uma das estratégias de prevenção ao HIV mais eficazes dentro da política pública de saúde. No Brasil, a medicação é disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), porém o perfil dos usuários revela uma participação ainda baixa das mulheres. 

De acordo com o Painel de Monitoramento do Ministério da Saúde, o país registra atualmente 154.758 usuários ativos, dos quais apenas 6,1% são mulheres. O dado chama atenção para a necessidade de ampliar o acesso à informação e incorporar a prevenção do HIV de forma mais integrada à rotina de cuidados de saúde sexual e reprodutiva das mulheres. 

A baixa adesão entre mulheres é impulsionada por fatores sociais, estruturais e informacionais. A literatura científica nacional e internacional, incluindo estudos publicados na revista The Lancet HIV e pesquisas desenvolvidas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), aponta que o principal obstáculo é a baixa percepção individual de risco. 

Como a resposta histórica à epidemia focou o diálogo em populações específicas, criou-se o estigma social de que a PrEP não seria voltada para mulheres cisgênero, sobretudo aquelas inseridas em relacionamentos estáveis ou fora dos grupos de maior vulnerabilidade visível. 

“Ainda existe uma ideia equivocada de que a mulher em relacionamento fixo está protegida do HIV. Muitas vezes, o risco vem da própria parceria sexual, e ela não tem essa informação ou não consegue negociar o uso da camisinha. A PrEP é uma excelente ferramenta de autonomia para a saúde feminina, mas ela sequer é mencionada nas consultas de rotina, como no atendimento ginecológico”, afirma a Dra. Carolina Ambrogini, ginecologista e sexóloga, coordenadora do Projeto Afrodite (Ambulatório de Sexualidade Feminina da UNIFESP). 

Além dos desafios de informação, especialistas apontam que ampliar a integração da PrEP à rotina da Atenção Primária é um passo estratégico para se aproximar das mulheres. Como a dispensação da profilaxia costuma estar concentrada em serviços especializados e Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), a inclusão dessa pauta nos atendimentos de ginecologia, pré-natal e planejamento familiar impulsiona a descentralização do cuidado. Essa aproximação também ajuda a superar tabus que ainda associam a prevenção do HIV a julgamentos morais. 

A rotina de uso da PrEP também exige cuidados específicos para o público feminino. Pelas diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, as mulheres precisam tomar a medicação diariamente por pelo menos sete dias consecutivos para alcançar a proteção total. 

Para ampliar a participação das mulheres entre os usuários de PrEP, especialistas defendem a integração da prevenção do HIV às políticas e práticas de saúde sexual e reprodutiva, aliada à capacitação das equipes de saúde.

  

Blanver

 

Referências Bibliográficas

BRASIL. Ministério da Saúde. Painel de Monitoramento da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP). Brasília: Ministério da Saúde, 2026. Disponível em: Link.

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) Oral à Infecção pelo HIV. Brasília: Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, 2024. Disponível em: Link.

BRASIL. Ministério da Saúde. Nota Técnica Nº 235/2025-CGHA/DATHI/SVSA/MS: Orientações para Ginecologistas e Obstetras sobre a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) ao HIV. Brasília: Ministério da Saúde, 2025. Disponível em: Link.

GRINSZTEJN, B. et al. Retention, adherence, and seroconversion among women and sexual minorities using HIV pre-exposure prophylaxis in Brazil: a real-world cohort study. The Lancet HIV, v. 8, n. 5, p. e284-e293, 2021. Disponível em: Link.

MARRAZZO, J. et al. HIV preexposure prophylaxis with emtricitabine and tenofovir disoproxil fumarate among cisgender women. The Lancet HIV, v. 2, n. 11, p. e489-e496, 2015. Disponível em: Link.

WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Implementation tool for pre-exposure prophylaxis (PrEP) of HIV infection: module 1: clinical. Geneva: World Health Organization, 2017. Disponível em: Link.




Fazer check-in depois dos 60: o “test-drive” antes de escolher um novo lar

imagem criada em IA | @clinicaleger | CO ASSESSORIA
Entre o receio de perder autonomia e a expectativa de receber apoio, conhecer o cotidiano de um residencial permite avaliar o que uma visita não mostra

 

Escolher um novo lar depois dos 60 pode colocar em conflito duas vontades igualmente legítimas: contar com mais apoio e continuar decidindo sobre a própria vida. A segurança de ter assistência por perto precisa ser considerada junto à privacidade, aos vínculos com o bairro e aos hábitos construídos ao longo de décadas, aspectos que uma apresentação dos quartos e das áreas de lazer dificilmente consegue esclarecer. 

Para conhecer essa rotina antes de assumir um novo endereço, alguns operadores oferecem estadias de experiência, chamadas de trial stays, nas quais o interessado passa dias no local com entrada e saída combinadas. O Monmouth Crossing, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, disponibiliza períodos de duas semanas para essa finalidade. A proposta aproxima a escolha de um “test-drive”: experimentar a convivência e o atendimento antes de decidir se aquele ambiente combina com a vida que se deseja levar. 

No Brasil, hospedagens de curta duração também permitem esse contato, como no Residencial Club Leger, em São Paulo, que recebe por períodos determinados, além da moradia permanente. Para a médica Nívea Bordin Chacur, CEO da instituição, a experiência aproxima a escolha daquilo que será vivido no novo endereço. “Uma visita mostra o espaço; a convivência permite avaliar se aquela rotina faz sentido para a pessoa”, afirma. 

O peso dessa escolha aparece em um estudo britânico publicado em edição de 2026 do Journal of Applied Gerontology, que ouviu 25 moradores de três comunidades residenciais. Preservar independência e autonomia foi central nas decisões, mas os pesquisadores também identificaram um conflito de identidade: algumas pessoas se interessavam pelo apoio disponível e resistiam à ideia de morar num espaço associado à velhice. Escolher o novo endereço significava também lidar com a própria percepção do envelhecimento. 

Diante desse conflito, observar como o lugar acolhe interesses e capacidades individuais pode ser tão importante quanto conhecer sua estrutura. Ao discutir a escolha de moradia, a geriatra Simone Henriques, da Clínica Leger, destacou a importância de encontrar “um lugar para desenvolver as suas habilidades, melhorar e preservar a sua cognição”. A experiência cotidiana permite perceber se as atividades despertam vontade de participar, se há liberdade para recusá-las e se a ajuda oferecida preserva tarefas que a pessoa consegue e deseja continuar realizando. 

Também ficam mais visíveis o atendimento em diferentes horários, o ritmo das refeições e o equilíbrio entre companhia e privacidade, elementos que precisam funcionar para além da primeira impressão. Para quem administra o serviço, receber por poucos dias exige organizar o acolhimento desde a chegada e conhecer necessidades e preferências sem a familiaridade de uma relação de longa permanência. Para quem considera morar ali, significa avaliar o funcionamento com referências próprias, participando de uma decisão que frequentemente envolve toda a família.

Uma estadia breve não reproduz todos os desafios de morar por anos no mesmo endereço, mas pode revelar afinidades e incompatibilidades importantes antes da decisão. O resultado não precisa ser a mudança: conhecer melhor um residencial também pode levar à procura por outro lugar ou à escolha de permanecer em casa. O valor desse primeiro check-in está em dar à pessoa mais elementos para decidir onde quer viver.

 


Fontes

Simone Henriques - médica geriatra da Clínica Leger. CRM-SP 135709 | RQE 49078 e 49079. Perfil AQUI

Nívea Bordin Chacur - médica e CEO do Residencial Club Leger. niveabordinchacur | @residencialleger

Residencial Club Leger
Site Residencial Leger


Diabetes: 6 medidas preventivas para desfechos desfavoráveis

Sete em cada dez pessoas com diabetes morrem de doença cardiovascular


“Cansaço desproporcional, perda de peso e muita vontade de urinar são alguns sinais clássicos do diabetes. Mas é preciso chamar atenção para os sinais menos conhecidos”, alerta o Dr. Fernando Valente, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo – SBEM-SP. 

Visão turva, dificuldade de cicatrização de feridas, formigamento nas pernas, infecções de repetição como, por exemplo, infecções genitais são sinais não clássicos do diabetes. “A candidíase pode ser também uma manifestação do diabetes, pois a pessoa acaba excretando mais açúcar pela urina”, explica o endocrinologista. 

Ele afirma ainda que o diabetes é a maior causa de cegueira em pessoas em idade laboral e a maior causa, junto com pressão alta, de falência renal: duas em cada três pessoas fazem diálise por conta de pressão alta e diabetes. “O diabetes é a maior causa de amputação de membros inferiores e é um grande fator de risco para infarto e derrame. Sete em cada 10 pessoas com diabetes morrem de doença cardiovascular”, explica Dr. Fernando. 

No entanto, há medidas preventivas para evitar esses desfechos desfavoráveis.

1.   Monitorização dos níveis de glicose no sangue.

2.   Consultar o oftalmologista para fazer exame de fundo de olho, pelo menos uma vez ao ano.

3.   Anualmente, fazer exame de sangue de creatinina para calcular o quanto o rim está filtrando.

4.   Realizar dosagem de proteína na urina.

5.   Fazer um eletrocardiograma de repouso, uma vez ao ano.

6.   Avaliar com frequência as solas dos pés, observando se não tem nenhuma ferida, pois isso pode ser a porta de entrada de uma infecção.

 


SBEM-SP - Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo
http://www.sbemsp.org.br
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https://www.youtube.com/c/SBEMSP
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Recorde de recuperações judiciais expõe pressão sobre empresas no Brasil

 

Unsplash/@abhishekshintre

Em São Paulo, caso do Grupo Furlan mostra como a venda de ativos pode ser uma alternativa para reorganizar dívidas e preservar negócios 

 

O número de empresas brasileiras em recuperação judicial chegou ao maior patamar da série histórica do Monitor RGF-BIZDOC, levantamento iniciado em 2023. Ao fim do segundo trimestre de 2026, 6.341 companhias estavam nessa situação na base restrita do estudo, que considera apenas empresas ativas e exclui microempresas e filiais. O estoque representa crescimento de 6,2% no primeiro semestre, mantendo a trajetória de alta observada nos últimos anos.

Considerando a base completa do levantamento, que reúne todos os CNPJs com registro de recuperação judicial, o avanço chegou a 8% no período. O cenário reflete a pressão sobre empresas de diferentes setores, diante de fatores como endividamento elevado, dificuldades de geração de caixa e mudanças nas condições de mercado. 

O agronegócio é o setor que apresenta a pior evolução financeira entre os segmentos analisados. Segundo o Monitor, 1.263 empresas do agro estavam em recuperação judicial ao fim do primeiro semestre, alta de 21,4% em relação ao início do ano e de 66% em 12 meses. O segmento e sua cadeia representam, atualmente, uma em cada cinco empresas em recuperação judicial no país.

Casos de grandes companhias que recorreram a mecanismos de proteção contra credores ajudam a dimensionar o ambiente de deterioração financeira e a importância de estratégias de reestruturação capazes de preservar ativos e viabilizar a continuidade dos negócios. É nesse contexto que se insere a atuação da Fox Partners na reestruturação do Grupo Furlan, empresa familiar com mais de 100 anos de história e atuação no setor sucroalcooleiro. 

Em recuperação judicial e diante da necessidade de reorganizar suas dívidas, o grupo encontrou na venda de uma de suas unidades, em Avaré (SP), uma alternativa para levantar recursos e cumprir compromissos com credores. A operação teve participação da Fox Partners, responsável pela assessoria financeira, de gestão e pela condução da venda do ativo.

“Toda Recuperação Judicial para ter sucesso, tem de ser planejada com estratégia econômica, gestão e jurídica, sem, estes termos a perenidade da companhia torna-se vulnerável. Além da negociação da dívida, nós tínhamos como estratégia a negociação de ativos para pagar essa dívida. Até porque a família estava na sua quinta  geração e gostaria de continuar seu legado vencedor por mais de 100 anos no segmento sucroalcooleiro”, explica Marcelo Camorim, especialista em recuperação judicial e Diretor Executivo da Fox Partners.

Além das negociações com credores concursais e extraconcursais para pagamento do plano de Recuperação Judicial, paralelo iniciamos a busca de investidores com capacidade financeira, interesse no ativo e compatibilidade com a operação. “Entre os investidores com quem conversamos, a Viralcool se destacou por apresentar uma maior sinergia e, culturalmente, tinha valores muito próximos do cliente”, afirma.

A negociação resultou na estruturação da Unidade Produtiva Isolada (UPI) de Avaré, formada pela usina sucroenergética e pelas fazendas Cantão do Rio Pardo e Cascata. A operação foi aprovada pela Justiça e pelos credores na Assembléia e os recursos destinados ao pagamento de credores.

Camorim explica que  o esforço da Fox Partners concentrou-se na integração entre a reestruturação financeira e a estratégia de venda, enquanto os advogados conduziram a estrutura jurídica da operação.

“Nós éramos responsáveis pela assessoria financeira, assessoria de gestão e assessoria na venda de ativos. Começamos a conduzir toda a parte comercial e negocial e, fechada essa parte, entraram os advogados estruturando a parte jurídica”, resume Camorim.

Mais do que administrar uma situação de crise, a estratégia adotada no Grupo Furlan buscou recuperar a capacidade de geração de valor do negócio e encontrar um novo destino para um ativo que precisava voltar a operar.

“A venda daquele ativo conseguiu quitar a dívida com os credores e salvar uma empresa centenária. E deu um impulso a um outro grupo econômico também relevante, que irá dar continuidade a um legado econômico responsável pela geração de riquezas e empregos para toda uma região. É um case de muito sucesso”, destaca Camorim.

   

Marcelo Camorim - especialista em recuperação judicial e Diretor Executivo da Fox Partners



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