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sábado, 27 de junho de 2026

Euforia e decepção: como a Copa do Mundo pode ensinar resiliência e empatia às crianças

Especialista explica como os pais podem transformar a comoção dos jogos da Seleção Brasileira em lições valiosas sobre inteligência emocional, trabalho em equipe e superação de falhas 

Na próxima segunda-feira, a Seleção Brasileira entra em campo contra o Japão em uma partida eliminatória decisiva pela Copa do Mundo. Além das quatro linhas, o evento mobiliza o país e mexe profundamente com as emoções dos torcedores, inclusive dos mais novos. Para uma criança, ver o país inteiro parado e, eventualmente, lidar com a frustração de uma eliminação ou de uma derrota pode ser uma experiência avassaladora. 

Como os pais podem acolher esses sentimentos sem minimizar a dor dos filhos? Como explicar a cultura dos ‘bodes expiatórios’ e das cobranças nas redes sociais? Para responder a essas questões, a Dra. Danielle Admoni, psiquiatra e professora da Afya Educação Médica São Paulo, aponta o esporte coletivo como uma das metáforas mais ricas para preparar os filhos para os altos e baixos da vida real. 

“Em grandes eventos como a Copa do Mundo, o hábito é alimentado por memórias afetivas e familiares, como o ato de trocar figurinhas com pais, avós e amigos. É uma prática que fortalece vínculos e cria registros históricos pessoais dentro de um contexto coletivo”, explica a Dra. Danielle. 

Diante da enorme expectativa gerada pela mídia e pelas festas, porém, é comum que as crianças foquem apenas no troféu. No entanto, a médica reforça que o verdadeiro valor está na jornada. "O importante é o meio, a duração, o durante. O quanto se esforçou, como chegou ali e o que foi feito para conseguir estar na Copa do Mundo, o que já é uma conquista gigante". 

Ela pondera que o esforço nem sempre será diretamente proporcional ao resultado final, mas o empenho é o que realmente conta: "Se a gente não se esforça, o resultado vai ser ruim. Se a gente se esforça, o resultado pode não ser ruim. O treino e o 'durante' às vezes valem muito mais do que o resultado". 

A vivência de acompanhar um esporte coletivo também pode funcionar como uma prévia dos desafios que os pequenos enfrentarão em trabalhos escolares e, futuramente, no mercado de trabalho. "A gente vai trabalhar o tempo inteiro com pessoas diferentes, com objetivos e empenhos diferentes do nosso, e precisa aprender a se virar com isso", conclui a médica, lembrando que no esporte, assim como na vida, não escolhemos com quem vamos treinar, trabalhar ou jogar, tornando o apoio mútuo uma engrenagem indispensável. 

Além disso, em tempos de redes sociais imediatistas e cancelamentos, as crianças frequentemente testemunham a busca por culpados após uma derrota. A psiquiatra enxerga o futebol como uma excelente oportunidade para humanizar os ídolos e ensinar que falhas acontecem com todos. 

"É uma ótima oportunidade para mostrar que todos nós erramos, mesmo se esforçando, mesmo treinando, mesmo sendo alguém muito bom ou famoso na sua área. Erros acontecem e fazem parte do que não conseguimos controlar". Segundo ela, essa perspectiva ajuda a criança a entender que um erro pontual em campo não define o valor ou o caráter do atleta. 

No futebol, assim como na dinâmica social e escolar, o individual não deve se sobrepor e ao coletivo. A Dra. Danielle brinca que a posição de goleiro, por exemplo, costuma ser a mais ingrata, pois a culpa das derrotas frequentemente recai sobre ele. Contudo, ela ressalta a importância de desconstruir essa visão com as crianças. "Se a bola chegou no goleiro, teve um time inteiro que deixou isso acontecer. A culpa não pode ser só dele, porque foi uma falha de um time inteiro, dos outros dez jogadores".  



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Saúde mental e riscos psicossociais ampliam debate sobre liderança e ambiente de trabalho nas empresas

Atualização da NR-1 amplia atenção das organizações para fatores que afetam o bem-estar dos colaboradores, a produtividade e a retenção de talentos

 

A saúde mental deixou de ser um tema restrito às áreas de Recursos Humanos e passou a ocupar espaço cada vez mais relevante nas estratégias empresariais. Em 2026, essa discussão ganhou ainda mais força com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir das empresas a identificação e gestão dos riscos psicossociais dentro dos programas de gerenciamento de riscos ocupacionais. 

A mudança reflete uma realidade já percebida pelas organizações nos últimos anos: o ambiente de trabalho influencia diretamente a saúde das pessoas, os níveis de engajamento, a produtividade e a capacidade das empresas de atrair e reter talentos. 

Para Ana Jarrouge, presidente executiva do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (SETCESP), a discussão vai muito além do cumprimento de uma obrigação legal. Segundo ela, as organizações precisam compreender que a forma como as relações são construídas dentro das empresas impacta diretamente os resultados do negócio. 

“Quando falamos em segurança psicológica, estamos falando de ambientes onde as pessoas se sentem respeitadas, pertencentes, ouvidas e seguras para compartilhar opiniões, dúvidas e ideias. É um ambiente baseado em confiança, transparência e respeito. E isso tem relação direta com a capacidade das equipes de colaborar, inovar e gerar resultados”, afirma. 

Em 2025, o INSS concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária devido a transtornos mentais, uma alta de 15,66% sobre 2024. Ansiedade e depressão lideram as causas, com destaque para o Burnout, que disparou 823% em quatro anos. Esses dados reforçam a necessidade de atenção à saúde mental dos colaboradores. Para a executiva, um dos desafios está no fato de que os efeitos de um ambiente emocionalmente inseguro nem sempre aparecem imediatamente nos indicadores tradicionais de desempenho. 

“Muitas vezes os resultados operacionais continuam acontecendo enquanto os problemas se acumulam nos bastidores. O aumento do turnover, a falta de troca de ideias, o receio de se posicionar e a ausência de diálogo com as lideranças costumam ser alguns dos primeiros sinais de alerta”, explica. 

Nesse contexto, a liderança assume papel central. Segundo Ana, a maneira como gestores se comunicam, conduzem conflitos e reagem aos erros influencia diretamente a percepção de segurança dentro das equipes. Ambientes marcados pelo medo, excesso de pressão ou falta de confiança tendem a reduzir o engajamento e comprometer a capacidade de inovação das organizações. 

“A empresa perde muito quando as pessoas deixam de contribuir de forma genuína. O impacto pode não aparecer de imediato, mas surge ao longo do tempo na forma de perda de engajamento, dificuldade de retenção e menor capacidade de adaptação do negócio. Por isso, investir na formação e no desenvolvimento das lideranças deve ser uma prioridade estratégica”, destaca. 

A executiva ressalta ainda que a área de Recursos Humanos tem papel fundamental nesse processo, atuando como parceira da alta gestão no acompanhamento do clima organizacional e no fortalecimento da cultura corporativa. Para ela, empresas que investem na construção de ambientes emocionalmente seguros fortalecem sua cultura organizacional, aumentam o engajamento das equipes e constroem resultados mais sustentáveis ao longo do tempo. “Ambientes saudáveis não beneficiam apenas os colaboradores. Eles fortalecem a organização como um todo. Cuidar das pessoas é uma das formas mais inteligentes de cuidar do futuro dos negócios”, conclui.

 

Ana Jarrouge - Presidente executiva do SETCESP e diretora da Confederação Nacional do Transporte (CNT) da Seção de Cargas, Ana Jarrouge é formada em Direito com especialização em Relações do Trabalho, e possui MBA em Gestão de Pessoas, ambas pela Fundação Getulio Vargas (FGV), e MBA em Finanças com ênfase no transporte e logística pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC). Também é idealizadora do Movimento Vez & Voz (https://www.vezevoz.org/), criado para fomentar a participação de mulheres no TRC.

Quantas mulheres mudam a própria imagem para caber em um relacionamento?

iStock
SINAIS DE QUE SUA IMAGEM PODE TER SE ADAPTADO MAIS AO RELACIONAMENTO DO QUE A VOCÊ

  • Você deixou de usar peças que gostava porque alguém criticava
  • Seu estilo ficou mais neutro ao longo da relação
  • Existe medo de “chamar atenção demais”
  • Você sente que perdeu referência sobre o que realmente gosta
  • Suas escolhas visuais são feitas pensando primeiro na aprovação do outro 

Especialistas explicam como relações afetivas influenciam autoestima, comportamento e até a forma como mulheres se vestem e se apresentam socialmente. 

 

Muita mulher só percebe o quanto mudou dentro de um relacionamento quando ele termina.

O cabelo mudou, as roupas ficaram mais discretas, a maquiagem desapareceu, o estilo ficou mais neutro. Em muitos casos, as mudanças acontecem de forma tão gradual que passam despercebidas no dia a dia. Até que surge uma sensação difícil de ignorar: a de não se reconhecer mais no espelho.

Segundo especialistas, relacionamentos afetivos também influenciam identidade visual, autoestima e comportamento. E, historicamente, mulheres foram ensinadas a adaptar aparência, postura e até presença para gerar aceitação emocional.

“Existe um condicionamento feminino muito antigo ligado à ideia de agradar, se adequar e evitar conflito. Muitas mulheres vão diminuindo aspectos da própria personalidade para manter pertencimento afetivo, e isso também aparece na imagem”, explica Vanessa Queiroz, especialista em comportamento e liderança feminina.


Mudanças silenciosas

Nem sempre essa transformação acontece de forma explícita. Às vezes, começa em comentários aparentemente pequenos: “essa roupa chama muita atenção”, “você vai sair assim?”, “prefiro você mais natural”.

A partir daí, muitas mulheres começam a ajustar escolhas de forma inconsciente. Param de usar determinadas roupas, evitam maquiagem mais marcante, deixam de experimentar estilos que gostavam ou passam a buscar uma imagem mais “aceitável” dentro da relação.

Para Juliane Nascimento, consultora de imagem e empresária da Laleju Store, esse movimento aparece com frequência no atendimento. “Muitas mulheres chegam sem conseguir identificar o próprio estilo porque passaram anos se adaptando ao olhar do outro. Elas se desconectam da própria referência estética”, afirma.

Segundo Juliane, o problema não está em mudar dentro de uma relação — algo natural em qualquer convivência —, mas em perder a própria identidade no processo.

“Você percebe quando a mulher começa a voltar para si porque isso aparece na imagem. Ela volta a experimentar cores, modelagens, acessórios, escolhas que representam quem ela realmente é. A roupa deixa de ser só aprovação e volta a ser expressão”, diz.


O impacto emocional da autoimagem

Pesquisas sobre autoestima feminina mostram que aparência e validação emocional continuam profundamente conectadas para muitas mulheres. Estudos da American Psychological Association apontam que autopercepção corporal e aprovação social influenciam diretamente na segurança emocional e comportamento social.

Nas redes sociais, esse cenário se intensifica. Comparações constantes e padrões estéticos reforçam a sensação de que a mulher precisa performar determinados papéis para ser desejada, admirada ou escolhida.

“Quando a mulher acredita que precisa se moldar o tempo todo para manter amor ou aceitação, ela perde espontaneidade. Isso impacta relações, autoestima e até presença profissional”, explica Vanessa.


O reencontro com a própria imagem

No atendimento de consultoria, Juliane percebe que muitas mudanças de imagem acontecem justamente após términos ou grandes transições emocionais.

Mas, diferente da ideia de “transformação radical”, o movimento costuma ser mais profundo e menos performático.

“Nem sempre é cortar o cabelo ou mudar completamente o estilo. Às vezes, é simplesmente voltar a usar algo que ela gostava e tinha deixado de lado porque alguém desaprovava. O reencontro com a imagem normalmente começa em detalhes”, afirma.

Na Laleju Store, Juliane observa que mulheres que retomam a própria identidade visual passam também a consumir moda de forma diferente: menos impulsiva e mais conectada à personalidade e ao momento de vida.


Uma discussão que vai além da estética

Para as especialistas, o tema não é sobre roupa, maquiagem ou aparência superficial. É sobre identidade.

“Quando a mulher entende que não precisa diminuir quem é para caber em uma relação, a presença muda. E isso aparece em tudo: no comportamento, na postura e também na imagem”, resume Vanessa.



O que pode ajudar nesse processo:

  • Revisitar referências antigas de estilo
  • Entender quais mudanças foram escolhas suas — e quais não foram
  • Reconstruir identidade visual com base na fase atual
  • Buscar uma imagem que represente conforto emocional e autenticidade

 

Inverno e saúde mental: por que o humor muda nos dias mais frios?

Neuropsicóloga explica como a redução da luz solar afeta o cérebro e alerta para os sinais da depressão sazonal, condição que pode exigir tratamento durante o inverno 

 

Com a chegada do inverno, muitas pessoas relatam mudanças no humor, aumento da indisposição, dificuldade para acordar, maior vontade de permanecer em ambientes fechados e até alterações no apetite. Embora essas sensações sejam frequentemente associadas apenas ao frio, a ciência mostra que a redução da exposição à luz solar também exerce influência direta sobre o funcionamento do cérebro.


Segundo a neuropsicóloga Aline Graffiette, as mudanças de comportamento observadas durante os meses mais frios têm relação com mecanismos biológicos que ajudam a regular o humor, o sono e os níveis de energia.


"A luz solar participa da regulação do nosso relógio biológico. Quando os dias ficam mais curtos e passamos menos tempo expostos à claridade natural, algumas pessoas podem perceber alterações no humor, na disposição e até na capacidade de concentração", explica.


A especialista destaca que a menor exposição à luz pode afetar a produção de substâncias importantes para o bem-estar emocional, como a serotonina, neurotransmissor associado à sensação de prazer e equilíbrio emocional.


Em alguns casos, os efeitos da redução da luz solar vão além de uma simples sensação de desânimo. Existe uma condição conhecida como Transtorno Afetivo Sazonal (TAS), também chamada de depressão sazonal, caracterizada pelo surgimento ou agravamento de sintomas depressivos durante determinadas épocas do ano, especialmente no inverno.


"Para algumas pessoas, a diminuição da exposição à luz solar provoca alterações tão significativas no funcionamento cerebral que elas desenvolvem um quadro depressivo que exige acompanhamento profissional e, em alguns casos, tratamento medicamentoso durante toda a estação. É uma condição reconhecida e que merece atenção", explica Aline Graffiette.


Segundo a neuropsicóloga, os sintomas podem incluir tristeza persistente, perda de interesse por atividades antes prazerosas, fadiga excessiva, alterações no sono, dificuldade de concentração e isolamento social.


"Em países onde os invernos são mais rigorosos e os dias têm menos horas de luz, observamos esse fenômeno com maior frequência. Muitas pessoas precisam de acompanhamento específico durante os meses mais frios e conseguem retomar sua rotina normalmente com a chegada da primavera e o aumento da luminosidade natural", destaca.


O impacto no sono e na produtividade

Além das mudanças emocionais, o inverno também pode interferir na qualidade do sono. Isso acontece porque a luminosidade influencia a produção de melatonina, hormônio responsável pela regulação do ciclo sono-vigília.


"Algumas pessoas sentem mais sono durante o dia, apresentam dificuldade para sair da cama pela manhã ou percebem uma queda na produtividade. Essas alterações costumam ser mais evidentes em indivíduos que já possuem predisposição à ansiedade, ao estresse ou a quadros depressivos", afirma Aline.


A neuropsicóloga ressalta que nem toda mudança de humor representa um problema clínico. No entanto, quando os sintomas se tornam persistentes e começam a comprometer a rotina, é importante buscar orientação profissional.


Crianças também sentem os efeitos do inverno

As alterações não acontecem apenas entre os adultos. Crianças também podem apresentar mudanças comportamentais durante o inverno, especialmente em função da redução das atividades ao ar livre e do aumento do tempo em ambientes fechados.


"É comum observarmos mais irritabilidade, inquietação, aumento do tempo de tela e até dificuldades relacionadas ao sono. A rotina muda, as oportunidades de movimento diminuem e isso pode impactar o comportamento infantil", explica.


Segundo a especialista, crianças precisam de estímulos físicos, sociais e cognitivos para um desenvolvimento saudável. Por isso, mesmo nos dias frios, é importante manter momentos de brincadeira, interação familiar e atividades que favoreçam o movimento.


Como minimizar os impactos do inverno na saúde mental

Aline destaca que algumas atitudes simples podem ajudar a preservar o bem-estar emocional durante a estação:


·       Aproveitar os períodos de luz natural sempre que possível;


·       Manter horários regulares para dormir e acordar;


·       Praticar atividades físicas regularmente;


·       Evitar o isolamento social;


·       Reduzir o excesso de telas, especialmente à noite;


·       Manter uma alimentação equilibrada;


·       Buscar momentos de lazer e atividades prazerosas.

"O inverno nos convida naturalmente a desacelerar, mas é importante observar quando essa redução de energia ultrapassa o esperado e começa a impactar a qualidade de vida. Cuidar da saúde mental também faz parte dos cuidados com o corpo durante essa época do ano", conclui a neuropsicóloga Aline Graffiette.


Pnad 2025: números da educação infantil seguem distantes da meta

Acesso à creche cresce, mas metade das crianças de 0 a 3 anos ainda fica de fora; pré-escola avança pouco, enquanto universalização – prevista para 2016 – segue adiada 

 

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta (19) os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Educação de 2025. Na educação infantil, os números apontam avanços em relação ao ano anterior, mas ainda insuficientes para garantir o direito à creche a todos aqueles que querem ou precisam do atendimento. Dez anos depois da meta prevista, universalização da pré-escola ainda não foi concretizada. As desigualdades regionais persistem e o acesso à creche para crianças de 0 a 3 anos segue sendo o principal gargalo do sistema.

“Se olharmos para a série histórica dos dados da educação infantil, é evidente o crescimento de acesso ao longo dos anos. Esse acesso, porém, cresceu na média, mas enfrenta mais desafios para uma redução robusta de desigualdades. Os dados divulgados agora são muito valiosos, pois mostram uma redução de cerca de 92 mil crianças fora da pré-escola. É preciso celebrar que hoje estamos mais perto da universalização. Vale lembrar, no entanto, que essa era uma meta que deveria ter se efetivado em 2016 e que, embora o quantitativo de crianças fora da pré-escola percentualmente possa parecer pouco, os dados escondem desigualdades que seguem afetando infâncias historicamente vulnerabilizadas. Trata-se de mais de 280 mil crianças de 4 e 5 anos fora da pré-escola. Estamos avançando, mas não podemos deixar nenhuma para trás. No caso de creche, etapa que não é obrigatória, 30% dos 5,8 milhões de crianças sem atendimento não encontra vagas”, reflete Marina Fragata Chicaro, diretora de políticas públicas da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.

Para a Fundação, é preciso realizar busca ativa para identificar quem são as crianças ainda fora da pré-escola e garantir acesso com qualidade, com profissionais formados, estruturas adequadas e acolhimento às diversidades. Em relação às creches, em casos de falta de vagas, devem ser aplicados critérios de priorização do acesso, como crianças de famílias de baixa renda cadastradas no Programa Bolsa Família, conforme prevê a Lei 14.851/2024.

O novo PNE 2026-2036 precisa corrigir esse abandono com urgência e determinação. A creche deve estar onde a criança está. Os dados avançam, mas não na velocidade que as crianças precisam — e isso precisa mudar agora, finaliza Marina.


Veja, abaixo, os principais dados relacionados à educação infantil:

• Entre as crianças de 0 a 1 ano, os menores percentuais de escolarização foram registrados nas Regiões Norte (3,6%) e Nordeste (7,1%). Embora o Nordeste tenha apresentado crescimento expressivo de 2,7 p.p. em relação a 2016, quando registrou 4,4%, ainda permanece muito distante das Regiões Sudeste (24,9%), Sul (28,4%) e Centro-Oeste (15,4%), que mantiveram os maiores percentuais. Esses dados evidenciam a persistência de um padrão profundamente desigual de acesso à creche para crianças dessa faixa etária.

• Entre as crianças de 2 a 3 anos, a escolarização alcançou 62,9% no Brasil em 2025 – aumento de 13,8 p.p. em relação a 2016, que estava em 49,1%. Os maiores avanços foram registrados nas Regiões Nordeste (+16 p.p., chegando a 65%) e Centro-Oeste (+15,8 p.p., alcançando 54,1%). A Região Sudeste manteve a maior cobertura (68,1%), seguida do Sul (66%), enquanto a Região Norte registrou a menor taxa (41,9%), mesmo após crescimento de 14,4 p.p. no período.

• A faixa etária de 4 a 5 anos registrou taxa nacional de escolarização de 94,9% em 2025 – avanço de 1,4 p.p. em relação a 2024 (93,5%). Ainda assim, o índice segue aquém da universalização prevista na Meta 1 do PNE, que deveria ter sido alcançada em 2016. Os maiores percentuais foram observados nas Regiões Nordeste (97%) e Sudeste (95,6%), ambas acima da média nacional. As menores taxas foram verificadas no Norte (89,3%) e no Centro-Oeste (93,6%). A Região Sul alcançou 94%, ainda abaixo da média nacional.


Principal motivo de não frequentar escola ou creche:

Em 2025, no Brasil, 64,1% das crianças de 0 a 1 ano e 57,1% das crianças de 2 a 3 anos que não frequentavam creche estavam fora da escola por opção dos pais ou responsáveis. Esse motivo permaneceu como o mais citado em todas as regiões, com frequência mais elevada entre os bebês. A Região Centro-Oeste apresentou o maior percentual para crianças de 0 a 1 ano (73,6%), enquanto o menor foi registrado no Nordeste (58,5%). Para o grupo de 2 a 3 anos, o maior percentual foi observado no Centro-Oeste (65,5%) e o menor, no Norte (49,4%).

• O segundo motivo mais citado foi não ter escola/creche na localidade, falta de vaga ou a não aceitação da matrícula por causa da idade da criança. Entre as crianças de 0 a 1 ano, 28,1% dos responsáveis apontaram esse fator; entre as de 2 a 3 anos, o percentual foi de 33,4%. As Regiões Norte e Nordeste se destacaram como as mais afetadas por esse tipo de barreira: no Norte, 35,5% dos bebês e 44,5% das crianças de 2 a 3 anos estavam fora da creche por esse motivo; no Nordeste, os percentuais foram de 36,1% e 37,2%, respectivamente. Esses números evidenciam maior deficiência na oferta de vagas na educação infantil nessas regiões.

• Em relação a 2024, houve ampliação da cobertura em todas as faixas etárias da educação infantil. A taxa de escolarização das crianças de 0 a 3 anos cresceu 2 p.p. em relação ao ano anterior, e a de 4 a 5 anos avançou 1,4 p.p. Ainda assim, a barreira de acesso por falta de oferta permanece concentrada nas regiões Norte e Nordeste, onde mais de um terço das crianças fora da creche se encontram nessa situação por ausência de vagas ou de unidades na localidade.



Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal


Álbum de figurinhas estimula habilidades importantes para o desenvolvimento infantil

Divulgação
Especialista explica como a brincadeira contribui para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças

 

Trocar figurinhas, organizar a coleção e procurar os itens que faltam para completar o álbum são atividades que vão além do entretenimento. A brincadeira, que mobiliza milhões de crianças e famílias, também estimula competências importantes para o desenvolvimento infantil, como concentração, persistência, raciocínio lógico e convivência social.

 

Segundo Bruna Duarte Vitorino, pedagoga e especialista em educação na rede Kumon, a experiência de completar um álbum ajuda a criança a compreender o valor do esforço contínuo. “Em uma realidade marcada pela busca por resultados imediatos, a coleção ensina que algumas conquistas dependem de tempo, planejamento e persistência. Ao acompanhar sua evolução página após página, a criança desenvolve paciência, senso de responsabilidade e satisfação ao perceber que seu empenho gera resultados”, explica.

 

As tradicionais trocas de figurinhas também desempenham um papel importante no desenvolvimento social. Durante essas interações, as crianças aprendem a negociar, compartilhar e respeitar diferentes pontos de vista.

 

“Elas percebem que nem sempre conseguirão tudo sozinhas. Precisam conversar, pedir ajuda e colaborar para alcançar seus objetivos. Essas experiências favorecem o desenvolvimento da empatia, do respeito e da convivência em grupo”, afirma Bruna.

 

Outro benefício está relacionado ao estímulo do raciocínio lógico e da capacidade de planejamento. Separar figurinhas repetidas, identificar quais ainda faltam e definir estratégias para avançar na coleção exige observação, organização e tomada de decisões.

 

“Mesmo em um contexto lúdico, a criança exercita habilidades importantes para a resolução de problemas. Ela analisa possibilidades, cria estratégias e desenvolve mais autonomia para lidar com desafios do dia a dia”, comenta a especialista.

 

A atividade também oferece oportunidades para trabalhar o controle emocional. A expectativa ao abrir um pacote, a frustração ao encontrar figurinhas repetidas e a satisfação de conseguir uma das mais difíceis fazem parte da experiência.

 

“Esses momentos ajudam a criança a compreender que nem sempre as coisas acontecem como esperado. Aprender a lidar com frustrações e administrar emoções é um aprendizado valioso que pode ser levado para diferentes situações da vida”, destaca.

 

Além disso, a coleção pode servir como porta de entrada para conversas sobre planejamento e educação financeira. Acompanhar quantas figurinhas faltam, organizar trocas e controlar gastos torna conceitos matemáticos mais concretos e próximos da realidade.

 

“A criança passa a enxergar aplicações práticas da matemática no cotidiano, desenvolvendo noções de quantidade, comparação, planejamento e valor de forma natural e significativa”, explica Bruna.

 

A socialização, no entanto, continua sendo um dos aspectos mais marcantes da brincadeira. Os encontros para troca de figurinhas promovem conversas, fortalecem amizades e criam momentos de interação entre crianças, familiares e até diferentes gerações.

 

“Em uma época em que grande parte das relações acontece por meio das telas, atividades como essa incentivam o contato presencial e ajudam a desenvolver habilidades de comunicação e convivência, que são essenciais para a formação integral da criança”, afirma.

 

Experiências lúdicas como colecionar figurinhas mostram que o aprendizado pode acontecer de forma espontânea e prazerosa. Ao mesmo tempo em que se diverte, a criança desenvolve competências cognitivas, emocionais e sociais que contribuem para sua formação e para a construção de uma relação mais positiva com os desafios e aprendizados do cotidiano.

 

Nesse contexto, o Kumon também estimula habilidades como disciplina, concentração, autonomia, organização e raciocínio lógico por meio de uma metodologia de estudo individualizada e progressiva, que incentiva o aluno a avançar em seu próprio ritmo e fortalece a autoconfiança, a responsabilidade e a capacidade de aprender de forma independente.

 

 kumon.com.br

 

Pesquisa derruba mito: homens querem casar mais do que as mulheres, aponta levantamento

Estudo mostra que 88% dos homens em relacionamentos desejam se casar, índice superior ao das mulheres; especialista explica mudança no comportamento masculino

 

Durante muitos anos, o senso comum alimentou a ideia de que os homens evitam compromissos sérios e têm mais resistência ao casamento. No entanto, uma pesquisa do Instituto Locomotiva revelou um cenário diferente: 88% dos homens que já estão em um relacionamento afirmam ter o desejo de se casar, enquanto entre as mulheres o percentual é de 77%. O levantamento chama a atenção por contrariar um dos principais estereótipos sobre relacionamentos no Brasil. 

Para Sheila Rigler, diretora e coach de relacionamentos da Agência Par Ideal, especializada em unir pessoas que buscam relacionamentos sérios, o resultado não causa surpresa. 

"Existe uma percepção antiga de que os homens não querem compromisso, mas o que vemos diariamente é justamente o contrário. Muitos homens procuram um relacionamento estável, alguém para compartilhar projetos, conquistas e construir uma vida a dois. O que acontece é que eles encontram dificuldades para conhecer pessoas com os mesmos objetivos", afirma Sheila Rigler. 

Segundo ela, o comportamento masculino passou por mudanças importantes nas últimas décadas. Hoje, homens de diferentes faixas etárias valorizam cada vez mais aspectos como companheirismo, afinidade de valores e estabilidade emocional. 

"Os homens estão mais conscientes sobre a importância das conexões afetivas. Muitos já alcançaram objetivos profissionais e financeiros e percebem que o sucesso também passa pela construção de uma vida pessoal equilibrada. O relacionamento sério deixou de ser apenas um desejo romântico e passou a representar qualidade de vida", destaca Sheila Rigler. 

Outro fator apontado pela especialista é o desgaste provocado pelos aplicativos de relacionamento. Apesar da grande quantidade de opções disponíveis, muitos solteiros relatam frustração ao tentar encontrar pessoas realmente interessadas em compromisso. 

"As pessoas estão cansadas de perder tempo em conversas superficiais e relações sem propósito. Existe uma busca crescente por autenticidade, segurança e compatibilidade. Os homens também sentem isso e procuram ambientes onde possam encontrar pessoas que desejam a mesma coisa: um relacionamento verdadeiro", explica Sheila Rigler. 

Com mais de três décadas de atuação, a Par Ideal já participou da formação de milhares de casais e acompanha de perto as transformações do comportamento afetivo dos brasileiros. Para Sheila, os números da pesquisa reforçam uma tendência observada diariamente pela agência. 

"Os homens continuam acreditando no amor, no casamento e na construção de uma parceria duradoura. Talvez o grande desafio atual não seja encontrar homens que queiram compromisso, mas criar oportunidades para que pessoas com os mesmos objetivos consigam se encontrar", conclui Sheila Rigler.

 

O que os homens mais procuram em um relacionamento sério?

·         Companheirismo;

·         Confiança;

·         Afinidade de valores;

·         Projetos de vida em comum;

·         Estabilidade emocional;

·         Segurança para construir uma parceria de longo prazo.

 

Fonte da pesquisa: Instituto Locomotiva. O levantamento mostrou que 88% dos homens em relacionamentos desejam se casar, contra 77% das mulheres, contrariando um dos estereótipos mais difundidos sobre os relacionamentos modernos.

 

O segredo dos craques na Copa do Mundo: o que acontece no corpo de quem treina de verdade?

Banco de Imagens
Enquanto os olhos do mundo acompanham os gols, a estratégia de bastidores mostra que o verdadeiro desempenho dos atletas é construído entre a nutrição, o sono e a recuperação celular
 

A Copa do Mundo costuma chamar atenção para os momentos mais visíveis do esporte: gols, disputas físicas e decisões em frações de segundo. Mas, por trás da performance de atletas que atuam no mais alto nível, existe uma rotina invisível que começa muito antes do apito inicial e continua após o fim da partida. 

Quem treina com regularidade conhece bem a dualidade do esporte: a euforia de alcançar o melhor desempenho e a necessidade de dar ao corpo o tempo necessário para se recuperar. Músculos inflamados, articulações sobrecarregadas e um sono capaz de reparar as microlesões causadas pelo esforço físico fazem parte da rotina de atletas profissionais e amadores dedicados. 

“O ganho de performance não acontece durante o treino, mas na recuperação. É nesse intervalo entre um esforço e outro que o organismo se adapta, se reconstrói e se torna mais forte. Por isso, nutrição, suplementação e descanso passaram a ocupar um papel tão importante quanto a preparação física”, comenta Camile Zanichelli, nutricionista da Always Fit.


Recuperação: onde a performance é construída

Após o treino, o ciclo de recuperação depende de uma série de fatores que vão muito além da proteína. A Creatina Monohidratada atua na regeneração do ATP, o combustível primário para contrações musculares de alta intensidade, e tem mostrado benefícios também na saúde cognitiva e no suporte a condições neuromusculares. 

Outros nutrientes, como ácido eicosapentaenoico (EPA) e o ácido docosahexaenóico (DHA) ajudam a modular processos inflamatórios decorrentes do exercício intenso, enquanto compostos como curcumina, colágeno, vitamina D e vitamina K2 podem contribuir para a saúde articular de praticantes submetidos a impactos repetitivos.

“Além de todos os cuidados, temos que lembrar que nenhum protocolo de suplementação é capaz de compensar noites mal dormidas. Durante o sono profundo, o organismo libera hormônio do crescimento, consolida memórias motoras e promove a recuperação dos tecidos”, afirma Camile. 

Nutrientes como magnésio, inositol, triptofano, melatonina e vitamina B6 vêm sendo utilizados para favorecer o relaxamento e melhorar a qualidade do sono, contribuindo para a recuperação física. 


As fases da performance: o que o corpo precisa em cada momento

Se a recuperação é fundamental, a preparação para o esforço também exige atenção. Antes do treino, o organismo precisa de energia, foco e ativação neuromuscular. Compostos como beta-alanina, arginina, cafeína e taurina têm sido usados por sua capacidade de aumentar a resistência à fadiga e melhorar a concentração durante o exercício.

Em treinos mais longos e intensos, outro fator ganha relevância: a preservação muscular e imunológica. A L-glutamina, aminoácido mais abundante no músculo esquelético, participa tanto da síntese proteica quanto da manutenção da função imune, um ponto importante para atletas submetidos a cargas elevadas de treinamento.

Essa visão mais integrada da performance também explica o crescimento dos chamados rituais matinais de preparação metabólica. Muitos atletas passaram a olhar para o desempenho de forma ampla, considerando não apenas o treino em si, mas também sono, imunidade, estresse e recuperação do dia anterior.

"O atleta não treina só com o corpo. Treina com o sistema imunológico, com o sistema nervoso, com a qualidade do sono da noite anterior”, ressalta Camile.

É esse entendimento que orienta o desenvolvimento de soluções pensadas para a rotina completa de quem leva o esporte a sério

 

 Always Fit


 

Prosperidade não é só dinheiro

Freepik

Vivemos em uma época em que a prosperidade costuma ser medida por números. Salário, patrimônio, produtividade. O sucesso parece caber em planilhas, extratos bancários e metas financeiras. Mas será que é apenas isso? 

O dinheiro tem sua importância, isso é inegável. Ele oferece segurança, conforto e oportunidades. O problema surge quando deixa de ser um instrumento para se tornar o centro da existência. Nesse momento, passamos a acreditar que o valor de uma pessoa pode ser calculado. 

A cultura do consumo reforça essa lógica diariamente. Somos estimulados a desejar sempre mais: mais bens, mais conquistas, mais resultados. E, muitas vezes, nessa corrida permanente, perdemos de vista aquilo que realmente importa. 

O dinheiro é tão poderoso que, com mil e quinhentos reais, você pode até comprar quase duzentas horas de alguém. Mas o que se entrega nessas horas não é apenas tempo. É vida, é alma, é presença. Transformamos o dom de existir em metas e boletos, sem perceber que o maior tesouro é o instante em que estamos inteiros. 

Talvez por isso tantas pessoas alcancem estabilidade financeira e, ainda assim, sintam um vazio difícil de explicar. Porque prosperar não é acumular. É dar sentido às horas. É trabalhar com dedicação, viver com propósito e encontrar significado naquilo que fazemos todos os dias. 

A riqueza ganha outro significado quando existe equilíbrio entre conquistas materiais e realização pessoal. O trabalho deixa de consumir nossos dias e passa a ser uma expressão de contribuição e crescimento. O dinheiro cumpre seu papel sem se transformar em prisão. 

Precisamos reaprender a definir abundância. Não apenas pelo que possuímos, mas pela qualidade das relações, pela serenidade da consciência e a capacidade de estar presentes em cada momento. 

A verdadeira prosperidade está na paz de quem compreende que tudo o que oferece ao mundo — em trabalho, generosidade, respeito ou amor — retorna de alguma forma, multiplicado. 

  

Odair José Celestino -teólogo, pesquisador espírita e autor de Doutrina Espírita Cristã da Consciência: uma nova visão da espiritualidade   

 

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