Oncologista esclarece dúvidas
sobre o tumor, que deve ultrapassar 53 mil novos casos por ano no Brasil até
2028.
De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), a estimativa é de
que o Brasil registre 53.810 novos casos de câncer de intestino por ano no
triênio 2026-2028. Com incidência crescente a partir dos 50 anos, o câncer de
intestino, também conhecido como câncer colorretal, se desenvolve no intestino
grosso (cólon) ou no reto. O principal tipo é o adenocarcinoma e, em cerca de
90% dos casos, tem origem em pólipos que, quando não identificados e tratados,
podem sofrer alterações ao longo dos anos e se tornar malignos.
“Apesar de a
doença muitas vezes ser silenciosa, o paciente deve observar se há alterações
do hábito intestinal, tais como constipação, diarreia, afilamento das fezes,
ausência da sensação de alívio após a evacuação (como se nem todo conteúdo
fecal fosse eliminado), massas palpáveis no abdômen, sangue nas fezes, dores
abdominais, perda de peso sem motivo aparente, fraqueza e sensação de fadiga”,
explica Artur Ferreira, oncologista da Oncoclínicas. Entre os fatores de risco
destacam-se: consumo de dietas ricas em alimentos ultraprocessados e pobres em
vegetais, alto consumo de carnes vermelhas, sobrepeso e obesidade, inatividade
física, tabagismo e a presença de doenças inflamatórias intestinais como a
retocolite ulcerativa. Fatores hereditários também são importantes, mas o
especialista ressalta que eles exercem menor influência no surgimento do tumor
de intestino do que as causas listadas.
Em boa parte dos
casos, felizmente a doença é curável. No entanto, é essencial que o diagnóstico
aconteça precocemente, aumentando assim o sucesso do tratamento.
Por isso, é
importante o rastreamento precoce, quando adequadamente indicado, para que o
tumor seja identificado em sua fase inicial. "Diferentemente do câncer de
mama, por exemplo, onde a doença é identificada com os exames de rotina
geralmente em fase inicial, já instalado, o câncer de intestino pode ser
descoberto em sua fase pré-cancerosa com a colonoscopia.
Uma vez
diagnosticado, a equipe multidisciplinar irá avaliar cada caso individualmente,
selecionando as estratégias e opções mais adequadas a cada paciente",
comenta o oncologista da Oncoclínicas.
Os
tratamentos para a neoplasia podem ser agrupados em dois tipos:
- Tratamentos
locais (cirurgia, radioterapia, embolização e ablação): agem
diretamente no tumor, sem afetar o restante do corpo. Podem ser realizados
nos estadios iniciais da doença ou ainda em metástases isoladas
- Tratamentos
sistêmicos (quimioterapia, imunoterapia ou terapias-alvo): neste
grupo, incluímos as drogas orais (comprimidos) ou endovenosas (na veia),
aplicando diretamente na corrente sanguínea. Agem de maneira global no
organismo e podem ser indicadas tanto com o objetivo curativo quanto
paliativo.
Embora seja
bastante prevalente, o câncer de intestino ainda é motivo de muitas dúvidas que
acabam criando crenças que não correspondem à realidade sobre a doença e podem
inclusive atrapalhar o diagnóstico e manejo. A seguir, o Dr. Artur Ferreira
esclarece os oito principais mitos e verdades sobre a doença:
Todas as
pessoas que têm câncer de intestino precisam usar bolsa de colostomia.
MITO. A colostomia (situação em que o intestino se
exterioriza através de um orifício na parede do abdome para a eliminação das
fezes) é uma estratégia utilizada apenas em alguns casos de câncer colorretal –
por exemplo: após urgências médicas, como obstruções ou perfurações
intestinais, cirurgias de emergência ou tumores localizados no canal anal ou na
parte mais baixa do reto.
Com a evolução das
técnicas cirúrgicas e a otimização dos cuidados ao paciente, a probabilidade de
uma pessoa necessitar de colostomia reduziu drasticamente.
Quando necessário,
o procedimento é realizado com o intuito de permitir a eliminação das fezes
para uma bolsa coletora de forma temporária ou permanente, a depender do caso.
A colostomia
temporária é indicada quando a doença que acomete o cólon pode ser tratada e há
expectativa de reconstrução do trânsito intestinal em um futuro próximo. Já a
colostomia definitiva é realizada quando o problema que bloqueia o trajeto
intestinal não pode ser corrigido ou quando o tratamento cirúrgico envolve a
remoção do ânus ou porção final do reto, tornando inviável a reconstrução do
trânsito intestinal.
Quem tem
intestino preso tem mais risco de desenvolver câncer colorretal.
DEPENDE. Em teoria, pode-se observar um risco aumentado em
pacientes com intestino preso (constipação), pois tempos prolongados de
trânsito do intestino podem aumentar o tempo de exposição da parede intestinal
às substâncias que estimulam o surgimento do câncer presentes nas fezes
(carcinógenos).
Além disso, a
constipação altera a flora bacteriana local, e pesquisas recentes sugerem que
infecções intestinais por bactérias específicas podem aumentar o risco de
tumores colorretais.
Porém, deve ficar
claro que intestino preso não é um fator clássico de risco e os resultados
acerca desta relação são conflitantes. Merecem mais importância, neste
contexto: idade, obesidade, sedentarismo, dietas ricas em carne vermelha e
pobres em vegetais/fibras, diabetes e tabagismo.
Homens estão
mais propensos a ter câncer de intestino.
VERDADE. A diferença não é tão grande (por isso não motiva
diferenças nas diretrizes de rastreamento da doença de acordo com o sexo), mas
existe. Em termos absolutos e em nível mundial, indivíduos do sexo masculino
são mais propensos a ter câncer colorretal. A estimativa mundial para o ano de
2020 apontou cerca de 1,9 milhão de novos casos, cerca de 1,1 milhão de casos
novos em homens e 800 mil casos novos em mulheres.
Se um pólipo
for detectado, é certeza de que o câncer logo aparecerá.
MITO. É fato que a maioria dos tumores de intestino surge
a partir da transformação maligna de pólipos intestinais, mas apenas uma
pequena parcela desses pólipos progredirá para tumores. Por esse motivo, quando
um pólipo é detectado no exame de colonoscopia, deve ser removido e analisado
por um patologista.
Comer carne
vermelha e carne processada em excesso pode levar ao câncer de intestino
VERDADE. Dietas ricas em carne vermelha e em carnes
processadas estão associadas a um maior risco de surgimento do câncer
colorretal, conforme ratificado em relatório da OMS (Organização Mundial da
Saúde) de 2015. Em números, entende-se por consumo excessivo desses tipos de
alimentos o que passe de 100 gramas por dia de carne vermelha e de 50 gramas
por dia de carne processada. O ideal é que o consumo desse tipo de alimento
seja limitado no máximo a duas vezes por semana e, nas outras refeições,
substituído por carnes brancas, ovos, derivados de soja e outras fontes de
proteína.
A neoplasia
sempre apresenta sintomas - logo, se não houver dor na região, não é necessário
se preocupar.
MITO. Isso é válido não apenas para os tumores
colorretais, mas também para todos os tipos de tumores de forma geral: a
ausência de sintomas não significa ausência de doença. Inclusive é importante
destacar que nas fases iniciais, os tumores não costumam gerar sintomas e,
quando presentes, eles podem ser confundidos com um mal estar passageiro, como
uma dor abdominal inespecífica, perda de peso sem motivo aparente ou alguma
mudança no padrão de evacuação. Por isso, é importante estar atento aos
check-ups de rotina e respeitar as indicações de rastreamento orientadas pela
equipe médica.
Algumas
doenças inflamatórias podem aumentar o risco de câncer de intestino
VERDADE. Entre os fatores relacionados ao surgimento de
tumores colorretais, as doenças inflamatórias intestinais são causas bem
conhecidas e associadas ao aumento do risco. Nos casos de retocolite grave e
extensa, por exemplo, o risco de desenvolvimento de câncer colorretal pode ser
5 a 15 vezes maior em relação à população geral.
É possível
prevenir sempre.
MITO. Dentre os fatores de risco, como dito
anteriormente, é possível observar uma relação com os hábitos alimentares e de
vida, além de condições prévias de saúde. Como forma de prevenção, o
oncologista reforça que é necessário seguir algumas orientações.
"Deve-se
investir em uma dieta rica em fibras e uma menor ingestão de carnes vermelhas e
processadas, praticar atividades físicas, evitar bebidas alcoólicas e tabagismo
e, manter-se ativo fisicamente e com peso adequado. Além disso, é importante
investigar se o paciente possui doenças inflamatórias intestinais crônicas,
como a doença de Crohn ou colite ulcerativa e, se presentes, tratá-las. A
observação de todos esses pontos certamente reduz em muito o risco, porém não o
elimina por completo ", finaliza Artur Ferreira.
Oncoclínicas&Co
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