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terça-feira, 9 de junho de 2026

Férias de julho reacende disputas sobre aluguel por aplicativos

 STJ vai definir tese que impactará condomínios em todo o país 

 

Com a aproximação das férias escolares de julho, período tradicionalmente marcado pelo aumento da procura por hospedagens alternativas, volta ao centro das discussões um tema que vem dividindo moradores, síndicos, proprietários e investidores imobiliários: o aluguel de imóveis por curta temporada em plataformas digitais como Airbnb. A controvérsia ganha destaque nacional após a discussão sobre o crescimento dos conflitos em condomínios residenciais e a judicialização envolvendo esse tipo de locação.

O debate ocorre em um momento decisivo. Na última semana, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a suspensão de todos os processos em andamento no país que discutem a legalidade das locações de curta temporada em condomínios residenciais. A questão passará a ser analisada sob o rito dos recursos repetitivos (Tema 1.443), mecanismo que permitirá à Corte fixar uma tese vinculante a ser aplicada nacionalmente, trazendo maior segurança jurídica para proprietários, condomínios e investidores.

Para Danielle Biazi, especialista em Direito Imobiliário e sócia do escritório Biazi Advogados Associados, a definição do STJ poderá encerrar anos de interpretações divergentes sobre o tema. “Hoje existem decisões favoráveis e contrárias à locação por aplicativos. A fixação de uma tese vinculante pelo STJ será fundamental para uniformizar o entendimento dos tribunais e reduzir a insegurança jurídica que afeta tanto os condomínios quanto os proprietários”, explica.

Segundo a advogada, a discussão vai muito além do direito individual de exploração econômica do imóvel. Ela envolve questões urbanísticas, segurança condominial e até mesmo a função social da propriedade. “Um dos grandes desafios das cidades é garantir moradia próxima aos centros de trabalho. Para isso, o Poder Público concede incentivos urbanísticos para a construção de imóveis acessíveis. O problema é que muitos desses empreendimentos acabam sendo adquiridos por investidores e destinados exclusivamente à locação por temporada, afastando o imóvel da finalidade para a qual foi concebido”, afirma.

De acordo com Biazi, a situação é especialmente sensível em empreendimentos populares localizados em regiões centrais. “Esses imóveis não são ocupados por quem realmente precisa morar na região. São comprados por investidores que exploram a locação em série via aplicativos, transformando unidades habitacionais em verdadeiros meios de hospedagem. Isso gera um desvirtuamento da política habitacional e da própria função social da propriedade”, destaca.

Além das questões urbanísticas, o crescimento das locações por temporada tem provocado conflitos internos nos condomínios. A alta rotatividade de hóspedes, o aumento da circulação de pessoas desconhecidas e as dificuldades de controle de acesso são algumas das reclamações mais frequentes apresentadas pelos moradores. “Os tribunais têm reconhecido que o direito de propriedade não é absoluto. Quando a utilização da unidade compromete a segurança, o sossego e a saúde dos demais condôminos, a coletividade pode impor limites ao uso individual do imóvel”, explica.

Recentemente, a própria Segunda Seção do STJ consolidou o entendimento de que a exploração econômica de locações de curta temporada pode descaracterizar a destinação exclusivamente residencial do condomínio, exigindo autorização expressa da coletividade condominial. Pela decisão, a alteração da destinação residencial depende da aprovação de, no mínimo, dois terços dos condôminos.

Para a especialista, o aumento da demanda por hospedagens durante as férias de julho tende a intensificar os conflitos já existentes. “Julho é um período que tradicionalmente registra crescimento nas locações de curta duração. Isso faz com que a discussão ganhe ainda mais relevância neste momento, especialmente porque milhares de condomínios aguardam a definição do STJ para saber até onde podem restringir ou permitir essa prática”, afirma.

Enquanto a tese vinculante não é definida, a advogada recomenda cautela tanto para proprietários quanto para administradores condominiais. “É fundamental verificar o que prevê a convenção do condomínio e buscar orientação jurídica antes de iniciar ou restringir esse tipo de atividade. A decisão do STJ terá impacto direto sobre milhares de imóveis em todo o Brasil e poderá redefinir os limites entre o direito de propriedade e o interesse coletivo dentro dos condomínios”, conclui.

 

Fonte: Danielle Biazi: Doutora em Direito Civil pela PUCSP. Especialista em Direito Imobiliário, sócia do escritório Biazi Advogados Associados.

 

Copa do Mundo pode ser um pesadelo para os pets: veja como proteger seu cachorro dos fogos e da agitação

Barulho, movimentação intensa e fogos de artifício podem causar estresse severo em cães e gatos; especialista explica quais cuidados ajudam a evitar acidentes e crises de ansiedade durante os jogos


Para milhões de brasileiros, a Copa do Mundo é sinônimo de festa, comemoração e reuniões com amigos e familiares. Para muitos animais de estimação, porém, o período pode representar exatamente o contrário. O aumento do barulho, dos fogos de artifício e da movimentação dentro e fora de casa costuma provocar medo, ansiedade e até situações de risco para cães e gatos mais sensíveis.

A audição dos cães é significativamente mais aguçada do que a dos seres humanos. Sons que podem parecer suportáveis para as pessoas são percebidos pelos animais com muito mais intensidade. Quando associados a estímulos inesperados, como rojões, gritos e buzinas, esses ruídos podem desencadear comportamentos de pânico, tentativas de fuga e até acidentes domésticos.

Segundo a médica-veterinária Marcela, da Elective Veterinária, muitos tutores só percebem o impacto desse tipo de situação quando o animal já está extremamente assustado. “É comum recebermos relatos de cães que tentam fugir, quebram portas, se escondem em locais perigosos ou apresentam sintomas físicos de estresse durante períodos de grande movimentação, como Réveillon e Copa do Mundo. O ideal é que a preparação aconteça antes do evento”, explica.

Uma das principais recomendações dos especialistas é criar um ambiente seguro dentro de casa durante os jogos. O animal deve permanecer em um cômodo protegido, longe de portões, janelas abertas, varandas ou qualquer local que facilite uma fuga. O espaço também deve estar livre de objetos que possam causar ferimentos caso o pet tente correr ou se debater por medo.

Outra estratégia que costuma ajudar é utilizar sons que funcionem como uma espécie de barreira acústica. Música ambiente, televisão ligada ou playlists desenvolvidas especificamente para relaxamento de cães podem contribuir para reduzir a percepção dos ruídos externos. O objetivo não é eliminar completamente o barulho, mas diminuir seu impacto sobre o animal.


Contenção é proteção?

Muitos tutores acreditam que abraçar, segurar ou imobilizar o cachorro durante momentos de medo é a melhor solução. No entanto, essa abordagem nem sempre é recomendada. Conforme explica Marcela, a contenção física pode aumentar a sensação de desconforto em alguns animais e até favorecer reações inesperadas. “O mais importante é permitir que o pet encontre um local onde se sinta seguro. Cada animal demonstra o medo de uma forma diferente, e forçá-lo a permanecer em determinada posição pode aumentar ainda mais o estresse.”

Os especialistas também orientam que os animais não sejam levados para locais onde haverá grande concentração de pessoas, comemorações públicas ou encontros para assistir aos jogos. Além da exposição ao excesso de ruído, existe o risco de fuga, perda do animal e acidentes provocados pelo grande fluxo de pessoas.

Para os pets que apresentam histórico de medo intenso de fogos ou tempestades, o treinamento gradual ao longo do ano pode trazer resultados positivos. Uma técnica frequentemente utilizada por especialistas em comportamento animal consiste em reproduzir sons de fogos em volumes muito baixos, de forma controlada e progressiva, associando a experiência a momentos positivos, como brincadeiras ou petiscos. O processo deve ser feito com orientação adequada e respeitando os limites do animal.

Marcela ressalta que a identificação também merece atenção especial durante os períodos de festa. “Mesmo com todos os cuidados, acidentes podem acontecer. Por isso, é fundamental que o animal esteja usando plaquinha de identificação atualizada e que os dados de contato do tutor estejam corretos. Isso aumenta muito as chances de um reencontro rápido caso ocorra uma fuga.” 

Embora a Copa aconteça apenas a cada quatro anos, os cuidados adotados nesse período também podem ser aplicados em outras situações que costumam gerar medo nos animais, como festas de fim de ano, shows, tempestades e eventos com fogos de artifício. Com planejamento e algumas adaptações simples na rotina, é possível garantir que os tutores aproveitem a comemoração enquanto os pets permanecem seguros e tranquilos.
 

Cinco dicas para ajudar seu pet durante a Copa

• Mantenha cães e gatos em ambientes internos e seguros durante os jogos.

• Feche portas, portões e janelas para evitar fugas.

• Utilize música ambiente ou playlists calmantes para reduzir o impacto dos ruídos externos.

• Evite levar o animal para festas, bares ou eventos com grande concentração de pessoas.

• Certifique-se de que o pet esteja identificado com plaquinha e telefone atualizado.


Clínica Veterinária Elective
Maringá - PR


Febraban dá dicas para compras seguras no Dia dos Namorados

Federação também alerta para o golpe do brinde, muito comum em datas comemorativas 

 

O Brasil celebra o Dia dos Namorados na próxima sexta-feira, 12 de junho, muitos consumidores sairão às compras em busca do presente ideal e o comércio intensifica a divulgação de promoções e ofertas. A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) alerta que os consumidores devem redobrar a atenção nas compras e também intensificar os cuidados com o fornecimento de informações pessoais. 

Em datas comemorativas, quadrilhas aproveitam o momento para aplicar golpes que causam grande prejuízo, especialmente usando “engenharia social”, que consiste na manipulação do usuário para que ele lhe forneça informações confidenciais para o roubo de dados pessoais. 

A aglomeração de pessoas e a distração na hora de pagar compras em comércios de rua criam o ambiente ideal para que golpistas descubram a senha e troquem o cartão. Nesta época do ano também são comuns abordagens de criminosos com páginas falsas que simulam e-commerce; promoções inexistentes enviadas por e-mails, SMS e mensagens de WhatsApp e a criação de perfis falsos que investem em mídia para aparecerem em páginas de buscas e stories de redes sociais. 

Criminosos também clonam sites de varejistas famosos para induzir os consumidores ao erro, colocando uma letra a mais no endereço do site, que muitas vezes fica imperceptível para o cliente ou ainda trocando, por exemplo, uma letra “o” pelo número “0”. Por isso, a recomendação é que o cliente faça sua pesquisa de preços, e quando escolher a loja, digite diretamente o endereço do site na barra do navegador. 

“O cliente também deve desconfiar de abordagens em que alguém diga que há uma grande oportunidade de compra, pedindo que o pagamento seja feito naquele momento para que não perca o produto. Ainda duvide das promoções cujos preços sejam muito menores que o valor real do produto. Pesquise a média de preços em vários sites conhecidos”, alerta Raphael Mielle, diretor de Serviços e Segurança da Febraban.

 

Golpe do brinde ou presente

Em datas comemorativas, o cliente também deve tomar cuidado com o golpe do brinde ou presente. Após descobrirem dados pessoais, quadrilhas de criminosos entram em contato com a vítima e dizem que têm um brinde ou presente para entregar e insistem para que a pessoa receba o presente pessoalmente. 

Os criminosos chegam a dar algo para a vítima, geralmente flores, bolos ou cosméticos. Alegam que são prestadores de serviços e que não sabem informações de quem realmente pediu para fazer a entrega e pedem um pagamento de uma taxa. 

O entregador pode entregar uma maquininha com o visor danificado ou de uma forma que impossibilite a visualização do preço cobrado na tela, sendo um valor acima do real cobrado. 

O golpista também usa algum truque e desvia a atenção da pessoa para que a vítima digite a senha no campo destinado ao valor da compra. Isso permite que bandido descubra o código secreto. É importante ressaltar que o campo de senha deve mostrar apenas asteriscos. Em posse da senha do cliente, o bandido pode, posteriormente, trocar o cartão. 

Confira abaixo orientações para fazer compras com segurança

 

Para compras online:

- Sempre desconfie de links encaminhados via WhatsApp ou SMS

- Fique atento às ofertas, duvide de valores muito abaixo do mercado

- Acompanhe as compras realizadas pelo aplicativo do cartão, e caso desconheça alguma transação, bloqueie-a e entre em contato com a administradora

- Nunca clique nos links de promoções vantajosas demais. Para ver a oferta, acesse o site oficial da loja digitando o endereço dela diretamente na barra do navegador

- Ao pagar com boleto, Pix ou transferências sempre confira se o nome do beneficiário é de quem realmente deve receber o valor

- Não selecione a opção “salvar dados do cartão” para utilizar em compras futuras

- Dê preferência para o uso do cartão virtual para as compras online

- Sempre pesquise a reputação de lojas e de vendedores e confira comentários feitos em vendas de outros compradores

- O cadeado HTTPS atesta que determinado site é seguro. O ícone indica que as comunicações entre a página e o dispositivo do usuário estão protegidas por criptografia, o que garante segurança na troca de dados

- Caso receba uma ligação pedindo dados pessoais, desligue e procure o gerente de sua conta imediatamente, de preferência, em outro aparelho de telefone. Lembre-se de que o banco nunca pede seus dados por telefone.


Em lojas físicas:

- Passe você mesmo o cartão na maquininha em vez de entregá-lo para outra pessoa, sempre confira o valor antes de digitar a senha e proteja o código de segurança

- Sempre peça o comprovante impresso

- Se o cartão não passar de primeira, redobre a atenção: não deixe que o levem para longe de você para passar em outra máquina e acompanhe de perto a 2ª tentativa

- Ao terminar de realizar uma compra na maquininha, verifique o nome no cartão para ter certeza de que realmente é o seu. Bandidos podem se aproveitar de distrações para trocar o seu cartão

- Ao utilizar o QR Code para pagamento, confira se o destinatário da transação é o beneficiário correto.

 

Criminosos usam inteligência artificial para clonar vozes e aplicar golpes cada vez mais sofisticados

Especialista alerta que poucos segundos de áudio publicados nas redes sociais já podem ser suficientes para fraudes digitais

  

Uma ligação inesperada de um familiar pedindo dinheiro, um áudio urgente enviado por aplicativo de mensagens ou até uma chamada de vídeo aparentemente real. Situações como essas têm sido usadas por criminosos que recorrem à inteligência artificial para reproduzir vozes e rostos humanos com alto nível de fidelidade. 

Com o avanço das ferramentas de IA generativa, golpes digitais passaram a ganhar uma nova camada de sofisticação. A tecnologia consegue recriar padrões de fala, entonação e aparência utilizando poucos segundos de conteúdo disponível na internet. 

Segundo Marino Catarino, professor de Inteligência Artificial da Faculdade ESEG, do Grupo Etapa, o crescimento dessas fraudes acompanha a popularização das plataformas de IA e a exposição excessiva de dados pessoais no ambiente digital. 

“Hoje já existem ferramentas capazes de reproduzir vozes humanas com enorme precisão usando apenas pequenos trechos de áudio publicados em redes sociais ou vídeos on-line”, afirma o especialista. 

De acordo com o professor da ESEG, criminosos utilizam esse recurso principalmente para criar situações de urgência emocional e convencer vítimas a realizar transferências bancárias ou compartilhar informações sigilosas. 

“O grande risco da inteligência artificial está na personalização dos golpes. O criminoso não trabalha mais com mensagens genéricas, mas sim com interações extremamente convincentes e direcionadas”, explica Marino Catarino. 

Outro ponto de preocupação envolve o uso dessas tecnologias para tentar burlar mecanismos de autenticação e reconhecimento facial utilizados por bancos e plataformas digitais. 

Embora o Brasil ainda não tenha uma legislação específica voltada à inteligência artificial, especialistas apontam que a LGPD e o Código Civil já oferecem respaldo jurídico para casos de uso indevido de voz e imagem. 

Segundo Marino Catarino, quando há intenção de fraude ou prejuízo à vítima, a clonagem de voz pode gerar responsabilização criminal e civil. 

“A depender da finalidade, o uso indevido de voz clonada pode ser enquadrado como estelionato, crime contra a honra e violação de direitos da personalidade”, destaca. 

O especialista da Faculdade ESEG recomenda que usuários desconfiem de pedidos financeiros urgentes recebidos por áudio ou vídeo e adotem mecanismos adicionais de confirmação de identidade antes de compartilhar dados ou realizar pagamentos.

“A inteligência artificial mudou o nível de complexidade das fraudes digitais. Por isso, a validação humana continua sendo uma das principais ferramentas de segurança”, conclui Marino Catarino.


Veículos lançam consórcio inédito de mídia para debates das Eleições 2026

“A Hora da Decisão” reunirá CNN Brasil, Exame, Metrópoles, Nova Brasil FM, Rádio Itatiaia, RedeTV!, Rede Vida, SBT, SBT News, Terra e VEJA+ TV na maior parceria já formada para a realização de debates eleitorais no país.

 

Veículos de comunicação de diferentes plataformas decidiram se unir para criar um consórcio inédito para a realização de debates das Eleições 2026. Com 11 integrantes, o A Hora da Decisão representa a maior parceria já formada para uma iniciativa do gênero.

O grupo reúne CNN Brasil, Exame, Metrópoles, Nova Brasil FM, Rádio Itatiaia, RedeTV!, Rede Vida, SBT, SBT News, Terra e VEJA+ TV.

O consórcio organizará debates entre candidatos à Presidência da República e a governos de estado, tanto no primeiro quanto no segundo turno das eleições. 

Os veículos realizarão transmissões simultâneas em suas respectivas plataformas — televisão aberta e por assinatura, rádio, portais de notícias e streaming. 

Em acordo com os principais partidos, o primeiro debate será entre os candidatos à Presidência da República, em 14 de setembro, uma segunda-feira. Na sexta-feira da mesma semana, 18 de setembro, será realizado o debate entre os candidatos a governo estadual de São Paulo. 

A Hora da Decisão tem como objetivo democratizar o acesso da população às propostas dos candidatos e contribuir para um processo eleitoral marcado pela pluralidade de vozes, pela discussão de ideias e pela ampla circulação de informações de interesse público. 

O consórcio reúne algumas das mais reconhecidas e influentes empresas de comunicação do país, com forte presença em diferentes segmentos e plataformas. Juntas, elas alcançam milhões de brasileiros diariamente. 

Os veículos participantes manterão sua independência editorial e atuarão de forma colaborativa na organização dos debates e na produção das transmissões.


As 5 cidades mais baratas da Espanha para morar e trabalhar

Com a estabilização cambial do euro, morar em
cidades espanholas de médio porte passou a representar
um ganho real de poder de compra.
Envato


Com o euro estável frente ao real e o Brasil sofrendo com a alta nos preços dos serviços, municípios espanhóis de médio porte viram refúgio para quem busca emprego e bem-estar social 

 

O planejamento migratório dos brasileiros ganhou um novo fôlego neste primeiro semestre de 2026. Enquanto o Brasil enfrenta uma escalada persistente na inflação de serviços, encarecendo drasticamente custos cotidianos com lazer, educação, transporte e segurança privada, a Espanha se consolida como um porto seguro para profissionais de diferentes áreas. Com o câmbio do euro estabilizado, morar em cidades espanholas fora do eixo saturado de Madrid e Barcelona passou a significar um ganho real de poder de compra. 

De acordo com dados atualizados do índice global Numbeo, o custo de vida nas regiões mais promissoras do território espanhol chega a ser até 50% menor do que o de grandes metrópoles globais. O grande atrativo, contudo, é a democratização do bem-estar. Serviços essenciais e estruturas de lazer que, no Brasil contemporâneo, tornaram-se restritos aos "ultrarricos" devido à necessidade de blindagem e privatização de cuidados, são acessíveis a qualquer morador em solo espanhol. 

"O que o cidadão encontra na Espanha é a universalização da qualidade de vida cotidiana", explica Camila Bruckschen, diretora geral da CB Asesoría. "Segurança para caminhar à noite, transporte público e parques são a regra, financiados pelo imposto de todos. Muitos brasileiros de classe média alta não percebem o quanto pagam caro para manter uma falsa sensação de estabilidade em seu país de origem. Ao somar condomínios fechados, escolas bilíngues e carros blindados, o custo brasileiro supera o de muitas províncias europeias desenvolvidas. Na Espanha, o conceito de riqueza é ressignificado, pois o tempo livre e o espaço urbano seguro pertencem a todos, independentemente da faixa salarial."

 

Para quem deseja trilhar esse caminho, cinco destinos se destacam pelo equilíbrio perfeito entre economia e mercado de trabalho ativo:

 

Valência

A terceira maior cidade da Espanha equilibra com maestria o dinamismo de uma metrópole com o custo de vida moderado. O destino, inclusive, alcançou destaque global em 2026 ao figurar entre as melhores posições do mundo no Índice de Qualidade de Vida da Numbeo devido à excelência de seu sistema de saúde, clima e baixos índices de trânsito. Economicamente, Valência desponta como um forte polo de logística portuária, sustentabilidade e inovação, absorvendo profissionais qualificados com facilidade.
 

Málaga

Conhecida como o "Vale do Silício" da região da Andaluzia, Málaga vive uma explosão de vagas nos setores de engenharia e tecnologia da informação (TI), impulsionada pela instalação de grandes multinacionais de tecnologia. Segundo Camila Bruckschen, prefeituras como as de Valência e Málaga souberam descentralizar a economia espanhola. "Elas criaram ecossistemas de inovação que atraem talentos internacionais, unindo uma infraestrutura urbana impecável a incentivos fiscais e desburocratização administrativa", analisa. O custo imobiliário inteligente da cidade atrai tanto contratados locais quanto nômades digitais.


Alicante

Uma das maiores surpresas do mercado litorâneo mediterrâneo, Alicante oferece aluguéis altamente competitivos e se destaca pelo baixo custo de despesas básicas, como eletricidade e conectividade de alta velocidade. A cidade impulsiona o projeto Alicante Distrito Digital, focado em atrair empresas de tecnologia, startups e trabalhadores remotos que não abrem mão de viver perto do mar pagando menos do que nas grandes capitais.
 

Múrcia

Consolidada como um dos principais motores agroalimentares e de serviços do continente europeu, Múrcia é a escolha ideal para quem busca uma barreira de entrada financeira ainda menor. A cidade garante uma rotina extremamente confortável, com gastos de supermercado e habitação muito abaixo da média europeia, além de um mercado de trabalho resiliente no comércio e setor de serviços locais.
 

Granada

Famosa por sua efervescência cultural e sua tradicional atmosfera universitária, Granada oferece custos imbatíveis de moradia, atraindo jovens profissionais e empreendedores digitais. O custo de vida reduzido da cidade funciona como um excelente trampolim para os brasileiros que desejam estruturar um negócio próprio ou consolidar uma carreira internacional enquanto desfrutam de um padrão de segurança pública elevado. 

A facilidade de transição para essas cidades também é impulsionada pelo atual cenário regulatório do país. "As recentes atualizações na Lei de Estrangeiros e a consolidação do visto para nômades digitais criaram caminhos legais e desimpedidos para quem deseja trabalhar legalmente no país", pontua Camila Bruckschen. Para a especialista, a janela de oportunidade atual une a estabilidade econômica europeia à facilidade de regularização, tornando o planejamento migratório um passo definitivo para quem busca prosperidade financeira sem abrir mão da paz de espírito.

 

CB Asesoría


Torcedor brasileiro muda comportamento e antecipa planejamento financeiro para evitar "custos invisíveis" nos EUA

Levantamento do Seguros Promo mostra que as buscas por proteção saltaram com até dois meses de antecedência. Em média, brasileiros permanecerão 15 dias no país sede e tentam blindar o orçamento contra a inflação médica americana


A Copa do Mundo de 2026 já está movimentando milhares de torcedores brasileiros rumo aos Estados Unidos. Contudo, diante de estimativas de mercado que apontam que pacotes e deslocamentos para o mundial podem ultrapassar a marca dos R$ 40 mil por pessoa, um novo padrão de comportamento financeiro vem chamando a atenção: a antecipação na blindagem dos gastos com saúde. 

Historicamente, o consumidor brasileiro tende a contratar o seguro viagem de última hora, às vésperas do embarque. No entanto, dados recentes da plataforma de comparação Seguros Promo revelam uma mudança drástica nesse hábito para o período do mundial. O banco de dados da empresa registrou um forte aquecimento nas buscas e contratações para a América do Norte ainda no final de abril e ao longo do mês de maio — refletindo um planejamento financeiro iniciado com 45 a 60 dias de antecedência da viagem. 

Segundo o levantamento, o tempo médio de permanência do torcedor brasileiro nos países sedes será de 15 dias. Diante de uma jornada dessa magnitude, a preocupação em travar custos e evitar surpresas em dólar tornou-se prioridade.
 

O risco financeiro dos "pequenos perrengues" na saúde americana 

Os Estados Unidos possuem um dos sistemas de saúde mais caros do mundo. No planejamento tradicional, o torcedor calcula os custos com ingressos, passagens aéreas e hotelaria, mas frequentemente ignora as despesas com imprevistos cotidianos de saúde, que operam sob o modelo puramente privado em solo americano. 

Diferente do que muitos imaginam, o verdadeiro risco financeiro para o bolso do turista não mora apenas em grandes acidentes, mas em intercorrências simples e comuns ao viajante, como uma intoxicação alimentar devido à mudança na rotina de alimentação, uma crise alérgica ou uma gripe forte. Sem o amparo de uma apólice adequada, um atendimento médico de baixa complexidade em clínicas locais pode facilmente custar entre US$ 2.500 e US$ 5.000, gerando um rombo imediato e inesperado no cartão de crédito. 

Se a situação exigir exames ou procedimentos simples, os valores escalam rapidamente: uma fratura com gesso pode custar até US$ 15.000 e uma cirurgia de apendicite varia entre US$ 30.000 e US$ 70.000. 

"O torcedor brasileiro amadureceu o seu perfil de consumo para esta Copa. Ele entendeu que a diferença entre viajar protegido ou desamparado não se mede em reais, mas sim em dólares", explica Paulo Zamboni, CEO do Seguros Promo.

"A forte antecipação nas buscas que observamos nos últimos meses mostra que o seguro deixou de ser visto como uma burocracia de última hora e passou a integrar o núcleo do planejamento financeiro da viagem. É a proteção de um patrimônio investido contra custos invisíveis que podem arruinar as finanças da família".
 

A armadilha do reembolso e as conexões logísticas 

Outro fator que impulsionou a busca prévia por consultoria especializada foi a complexidade logística do mundial, sediado por três países (EUA, México e Canadá) , com torcedores enfrentando múltiplas conexões aéreas. Deixar para avaliar as opções de proteção no aeroporto pode expor o viajante a coberturas insuficientes para atrasos de voos ou extravios de bagagem. 

O levantamento também acende um alerta para quem confia exclusivamente nos benefícios automáticos de cartões de crédito. Na maioria das vezes, esses serviços operam estritamente por meio do sistema de reembolso. Isso significa que, caso o torcedor sofra uma indisposição médica nos EUA, ele será obrigado a pagar as altíssimas despesas hospitalares do próprio bolso — em dólar e com incidência de impostos como o IOF — para somente depois passar pelo burocrático processo de reaver o valor. 

Para uma permanência média de 15 dias em um evento da magnitude da Copa, a recomendação dos especialistas é a contratação direta de apólices com atendimento e suporte humano imediato em português, garantindo o direcionamento para redes credenciadas sem desembolso financeiro no momento da emergência.
 

Seguros Promo


Copa do Mundo e cegueira coletiva: o que a escola não está ensinando

 

Este ano, milhões de brasileiros vão parar diante da televisão para assistir à Copa do Mundo de Futebol. Mas poucos vão se perguntar por que o futebol feminino demorou tanto para aparecer. Durante décadas, ele existiu, mas foi ignorado: sem transmissão, sem investimento, sem espaço. Era como se não existisse.

Hoje, o cenário começa a mudar. Ainda assim, basta olhar para salários, patrocínios e audiência para perceber a distância entre homens e mulheres. Isso levanta uma pergunta incômoda: como algo tão real pôde ser apagado por tanto tempo?

Esse caso ajuda a entender o que o pensador Edgar Morin chamou de “cegueiras do conhecimento”: nossa tendência a enxergar o mundo de forma limitada. Muitas vezes, tomamos como natural aquilo que é resultado de escolhas culturais, sociais e históricas. Quando alguém diz que “futebol feminino é ruim”, pode estar apenas repetindo uma ideia que nunca foi questionada.

Se fomos capazes de ignorar o futebol feminino por décadas, o que mais estamos deixando de ver? É aqui que entra a escola. Durante muito tempo, ela se preocupou mais em transmitir conteúdos do que em discutir como o conhecimento é construído. Ensina-se o que está nos livros, nos registros oficiais, nas estatísticas. Mas raramente se pergunta: quem ficou de fora? O que não foi registrado? Quem decidiu o que merecia ser lembrado?

O exemplo do futebol feminino evidencia o risco dessa lógica. Se ensinamos apenas o que já está consolidado, formamos alunos que não questionam. Que aceitam dados como verdades prontas, sem investigar seus limites. A escola, assim, corre o risco de repetir exatamente os apagamentos que deveria ajudar a revelar.

Uma educação comprometida com o pensamento crítico precisa ir além. Não basta perguntar “o que sabemos”. É preciso perguntar “como sabemos” e “por que sabemos assim”. Quantas histórias aprendidas na escola são apenas parte de uma versão maior que nunca foi contada?

Às vésperas da Copa, essa reflexão se torna concreta. Basta comparar a cobertura do futebol masculino e feminino para perceber como as narrativas são construídas. Mas o problema não está apenas no esporte. Todo conhecimento — inclusive o escolar — é influenciado por escolhas, interesses e limites humanos. Sempre há algo que fica de fora.

Assistir à Copa pode ser apenas entretenimento. Mas também pode ser um exercício de atenção: quem está em campo — e quem ficou fora da história? Educar, nesse sentido, não é oferecer respostas prontas. É formar pessoas capazes de questionar, investigar e revisar o que parecem certezas. Porque onde há conhecimento humano, há também erro, silêncio e invisibilidade — e é justamente por isso que o pensamento crítico se torna indispensável.

 

Ivana Muscalu - doutora em História pela USP e coordenadora pedagógica do Colégio Santo Ivo.


Novas espécies de plantas são identificadas na Serra do Espinhaço, em Minas Gerais

Uma das mais recentes descobertas foi a Barbacenia rupestris (Velloziaceae), uma flor magenta enraizada em um paredão com pinturas pré-históricas (Foto de Danilo Zavatin)


Mais de 23 novas espécies de plantas foram identificadas na Serra do Espinhaço, no norte de Minas Gerais, ao longo de quatro anos de pesquisas científicas. No período, equipes catalogaram mais de 270 variedades de plantas na região, incluindo exemplares inéditos para a ciência. As descobertas serão reunidas em um livro digital previsto para lançamento em outubro, resultado de expedições apoiadas pelo Programa COPAÍBAS - Comunidades Tradicionais, Povos Indígenas e Áreas Protegidas nos Biomas Amazônia e Cerrado – que é financiado pela Iniciativa Internacional da Noruega para Clima e Florestas (NICFI) e tem o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) como gestor técnico e financeiro. 

A Serra do Espinhaço foi reconhecida em 2005 como Reserva Mundial da Biosfera pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) por sua grande biodiversidade. E, segundo estudos recentes, a região possui mais de 7 mil plantas, das quais mil ocorrem somente lá. O pesquisador Renato Ramos explica que a área tem um enorme potencial de descobertas e que, até o final de 2026, muitas outras raridades devem ser fotografadas e documentadas durante o mapeamento da flora local.

“É uma região extremamente rica, mas sobre a qual não se tinha muito conhecimento. Identificamos que ali havia uma lacuna e com o apoio do COPAÍBAS e do FUNBIO, fomos a campo e iniciamos o trabalho.  Muitas das espécies encontradas eram novas, não tinham nome, não eram conhecidas pela ciência”, diz Ramos, que está editando a publicação e espera conseguir financiamento para publicação do livro em versão impressa.

Uma das mais recentes descobertas foi a Barbacenia rupestris (Velloziaceae), uma flor magenta enraizada em um paredão com pinturas pré-históricas. O nome é uma homenagem ao sítio arqueológico preservado, e ainda carente de estudos, em que foi encontrada. A descoberta aconteceu durante uma expedição viabilizada com recursos do Programa COPAÍBAS e do Pró-Espécies, primeiro programa implementado pela Agência GEF FUNBIO, com interação ao Plano de Ação Territorial (PAT Espinhaço Mineiro) para conservação de espécies ameaçadas de extinção. Barbacenia rupestris se junta a um grupo de mais de 20 novas espécies de plantas que foram identificadas nas regiões de Monte Azul e Rio Pardo de Minas, abrangendo, principalmente, as Serras das Marombas e Serra Nova, desde 2022. 

Danilo Zavatin, doutorando em Botânica na USP e um dos pesquisadores da expedição, relembra que chegou com apoio do Pró-Espécies à região em outubro de 2022 e logo em seu primeiro dia de campo encontrou uma espécie nova em Monte Azul. A primeira planta que eu encontrei era uma planta nova, um parente da azeitona. Foi batizada de Chionanthus monteazulensis, porque foi descoberta no dia do aniversário da cidade de Monte Azul”, diz Zavatin.

Equipe de pesquisadores em campo, recolhendo
 espécies na Serra do Espinhaço (MG)
(Foto de Danilo Zavatin) 
 

Algumas das descobertas foram realizadas no Parque Estadual (PE)Caminho dos Gerais e no PE Serra Nova e Talhado, ambos apoiados pelo Programa COPAÍBAS. É o caso da Calea riopardensis, assim batizada em homenagem ao município Rio Pardo de Minas, onde fica a sede de uma das Unidades de Conservação, da Calea strigosa e da Lippia aonae, de pequeno porte, com folhas aromáticas e flores delicadas. 

Outras descobertas foram as espécies Wedelia riopardensis (Asteraceae), encontradas dentro do PE Serra Nova e Talhado, Staelia fimbriata (Rubiaceae) e Eriope carpotricha (Lamiaceae). A Staelia fimbriata, da família do café, é um pequeno arbusto adaptado aos solos arenosos e pobres da região, conhecidos como “areais”. A Wedelia riopardensis, espécie de margarida de flores amarelas, recebeu seu nome em homenagem a Rio Pardo de Minas, local de sua identificação inicial. Já a Eriope carpotricha destaca-se por ser uma nova espécie de árvore, rara, que ocorre em áreas de transição entre Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, apresentando tricomas (estruturas parecidas com pelos) únicos nos frutos e sementes. 

Com previsão de cerca de 500 páginas, a edição trará fotos de Danilo Zavatin, doutorando em Botânica na Universidade de São Paulo (USP) e um dos pesquisadores da expedição. Há quatro anos Danilo tem percorrido a área com outros cientistas. Na empreitada, ele tem contado com a ajuda de moradores e de funcionários do Instituto Estadual de Florestas (IEF) no trabalho de campo. “Muitos dos achados são fora de áreas protegidas, mas os funcionários dos Parques Estaduais, bem como as comunidades do entorno, vão a campo junto com a gente e nos auxiliam demais”, diz. 

A engenheira florestal Elizabeth Neire, presidente do Instituto Rupestris, que está apoiando a edição do livro, acredita que a publicação, ao divulgar as belezas da flora local, terá um importante papel na conservação da região. O livro, em formato e-book, está previsto para ser lançado em outubro. Ao todo, já foram realizadas cerca de 1.300 coletas com o apoio do COPAÍBAS. As descobertas ganharam destaque no cenário internacional com a publicação de artigos científicos em publicações estrangeiras. 

Todo o trabalho foi iniciado a partir das pesquisas de Ramos, com uso de tecnologias de big data para identificar lacunas de conhecimento e, a partir daí orientar ações em campo. Mais de 140 cientistas, entre brasileiros e estrangeiros estão envolvidas no projeto do livro.
 

Sobre o Programa COPAÍBAS

O Programa COPAÍBAS – Comunidades Tradicionais, Povos Indígenas e Áreas Protegidas nos Biomas Amazônia e Cerrado – tem como objetivos reduzir a taxa de desmatamento e conservar florestas, contribuindo para o enfrentamento das mudanças climáticas e a melhoria das condições de vida de povos indígenas e populações tradicionais. COPAÍBAS atua em quatro eixos estratégicos: fortalecimento das Unidades de Conservação no Cerrado, apoio à gestão territorial e ambiental em Terras Indígenas na Amazônia e no Cerrado, promoção de diálogos sobre temas ligados às mudanças climáticas junto aos representantes do sistema de justiça brasileiro e o fortalecimento das cadeias de valor e arranjos produtivos locais. A iniciativa tem o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) como gestor técnico e financeiro e a Iniciativa Internacional da Noruega pelo Clima e Florestas (NICFI) como financiadora.  

 

Dia dos Namorados: como presentear sem comprometer o orçamento

  

Especialista dá dicas para economizar na data e evitar dívidas motivadas por compras por impulso

 

No próximo dia 12 de junho, será celebrado o Dia dos Namorados. De acordo com pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, cerca de 100,1 milhões de consumidores devem comprar presentes para a data, movimentando aproximadamente R$26,4 bilhões na economia brasileira. O levantamento aponta ainda que 61% dos consumidores pretendem presentear seus parceiros neste ano.

Entre tantas opções, como roupas, sapatos, acessórios e até um jantar especial, é preciso ficar atento para não fugir do orçamento, correndo ainda o risco de comprar algo que a pessoa não goste ou não precise e, assim, acabar contraindo uma dívida desnecessária.

“Essa é uma data em que o mais importante é a relação e a demonstração de amor e de carinho. Não vale a pena se endividar para comprar algo caro, nem mesmo assumir um parcelamento, pois isso afeta as despesas futuras. É importante planejar e pesquisar bem antes de comprar qualquer coisa por impulso”, recomenda Thaíne Clemente, Executiva de Estratégias e Operações da Simplic, fintech de crédito pessoal online.

Pensando nisso, Thaíne separou quatro dicas para economizar na hora de comprar o presente, sem deixar de fazer dessa data um momento especial:


1- Estabeleça um valor limite

Antes de ir às compras, faça as contas e verifique seu orçamento. Coloque no papel o valor real que você pretende e pode gastar no presente, sem comprometer outros gastos. Com o valor exato de quanto pode usar, você encontrará o presente ideal dentro das suas condições.

“Em datas especiais, muitas vezes queremos agradar a pessoa amada sem pensar nas finanças. Isso é um erro. Quando o dinheiro é curto, fazer cálculos nunca é demais. Tenha em mente que o mais importante é o momento a dois e não o valor gasto no presente”, destaca Thaíne.


2-Pesquise antes de comprar

Não compre na primeira loja que encontrar. Pense em alguns possíveis presentes e pesquise os preços e as condições de compra em pelo menos três lojas e na internet. 

“Não deixe para comprar na véspera ou no dia, pois isso não lhe dará margem para uma pesquisa de preços. É importante verificar também as avaliações das lojas e dos produtos feitos por outros compradores e a reputação da empresa. Essas informações ajudam a evitar uma compra por impulso”, explica a especialista.


3-Prefira pagar à vista

Antes de optar pelo parcelamento, verifique quais serão suas obrigações futuras. Se o presente for caro e as parcelas couberem no orçamento dos próximos meses, parcele, mas dê preferência para o pagamento à vista. Possíveis atrasos podem acarretar em juros, negativação e descontrole financeiro.  

“Há diversas vantagens no pagamento à vista e a maior delas vem na hora de pedir desconto. Muitos estabelecimentos diminuem o valor cobrado se você pagar o produto em dinheiro ou no débito. Assim você economiza mais do que o planejado”, sugere Thaíne.


4-Faça algo especial

Se o dinheiro for problema, use a criatividade e faça o presente com as próprias mãos. Pode ser um arranjo de flores, um café da manhã na cama, um cartão ou um porta-retrato que traga o registro de um momento especial. 

“Um piquenique, um jantar em casa ou uma sessão de cinema com pipoca no sofá da sala também ajudam a não deixar a data passar em branco e são formas simples e de baixo custo para demonstrar o seu amor”, finaliza a executiva.

 

Simplic

 

O futuro do trabalho será cada vez mais humano


O avanço da Inteligência Artificial vem redesenhando a forma como as empresas operam, tomam decisões, distribuem atividades e medem produtividade. Ferramentas baseadas em IA já automatizam tarefas repetitivas, aceleram análises, apoiam diagnósticos e ampliam a capacidade de processamento de dados em diferentes setores. Mas esse movimento não representa apenas uma mudança tecnológica. Ele inaugura uma transformação mais profunda na relação entre pessoas, trabalho e geração de valor. 

Em meio à corrida por automação, eficiência e escala, uma pergunta ganha relevância estratégica dentro das organizações: quais competências continuarão diferenciando profissionais em um ambiente cada vez mais mediado por tecnologia?
 

A resposta talvez seja menos tecnológica do que humana. 

A Inteligência Artificial amplia velocidade, produtividade e capacidade analítica, mas também evidencia os limites da automação. Algoritmos podem processar grandes volumes de informação, identificar padrões e apoiar decisões com base em dados. Ainda assim, interpretar contextos ambíguos, compreender nuances humanas, formular perguntas relevantes, exercer julgamento crítico, construir relações de confiança e tomar decisões responsáveis continuam sendo competências essencialmente humanas. 

É nesse ponto que surge o principal paradoxo da transformação digital: quanto mais a tecnologia evolui, mais as habilidades humanas ganham valor estratégico. Criatividade, empatia, comunicação, pensamento crítico, visão sistêmica, colaboração, adaptabilidade e capacidade de interpretação deixam de ser competências comportamentais periféricas e passam a ocupar o centro da agenda corporativa. Em um mercado cada vez mais complexo, essas habilidades serão determinantes para transformar informação em conhecimento, conhecimento em decisão e decisão em impacto real para o negócio. 

Reconhecer esse cenário, no entanto, não significa ignorar as inseguranças que acompanham a adoção acelerada da Inteligência Artificial. Toda transformação estrutural provoca desconforto. Com a IA, não é diferente. A velocidade com que novas ferramentas surgem, funções são redesenhadas e processos são automatizados desperta medo de substituição, perda de relevância e obsolescência profissional. Esses sentimentos são legítimos, porque a tecnologia não altera apenas ferramentas de trabalho; ela modifica rotinas, critérios de desempenho, modelos de carreira e formas de contribuição dentro das empresas. 

Mas existe uma diferença importante entre reconhecer o medo e permitir que ele paralise a evolução. Ao longo da história do trabalho, os momentos de maior transformação sempre exigiram novos repertórios. A introdução de tecnologias digitais, sistemas integrados, plataformas em nuvem e modelos de trabalho híbrido também provocou resistência em diferentes fases. Com o tempo, profissionais e empresas compreenderam que a questão central não era competir com a tecnologia, mas aprender a utilizá-la como extensão da capacidade humana. 

Com a Inteligência Artificial, a lógica é semelhante, mas em escala mais intensa. A adaptação não dependerá apenas de domínio técnico. Exigirá curiosidade intelectual, abertura ao aprendizado, capacidade analítica, repertório interdisciplinar e disposição para experimentar novos modelos de trabalho. Não será necessário que todos se tornem especialistas em IA, mas será cada vez mais importante compreender como ela impacta atividades, decisões e formas de gerar valor.

Essa transformação também impõe uma responsabilidade maior às empresas. A adoção da Inteligência Artificial não pode ser tratada apenas como uma agenda de tecnologia, produtividade ou redução de custos. Ela precisa ser conduzida como uma agenda de desenvolvimento organizacional. Não basta disponibilizar ferramentas se as pessoas não se sentem preparadas para utilizá-las. Não basta estimular inovação se a cultura pune o erro e inibe a experimentação. Não basta exigir agilidade se os profissionais não encontram tempo, orientação e segurança para aprender. 

Nesse sentido, lideranças e áreas de Pessoas terão papel decisivo na construção de ambientes capazes de sustentar aprendizado contínuo. Isso envolve capacitação técnica, mas também desenvolvimento comportamental, comunicação clara sobre mudanças, escuta ativa, apoio à transição de papéis e criação de segurança psicológica. Empresas que desejam extrair valor real da IA precisarão investir na maturidade das pessoas que irão interagir com ela. A tecnologia pode ampliar eficiência, mas é a cultura que define se essa eficiência será transformada em inovação, colaboração e vantagem competitiva sustentável. 

No fim, talvez a principal discussão da era da Inteligência Artificial não seja sobre tecnologia, mas sobre comportamento humano diante da mudança. Ferramentas continuarão evoluindo. Plataformas serão substituídas. Modelos operacionais serão redesenhados em ciclos cada vez mais curtos. A vantagem competitiva, portanto, não estará apenas em acessar novas tecnologias, mas em desenvolver profissionais capazes de aprender, interpretar cenários e construir novas formas de gerar valor a partir delas. 

O profissional do futuro não será necessariamente aquele que domina todas as ferramentas, mas aquele que consegue formular boas perguntas, conectar conhecimentos, avaliar impactos, colaborar com diferentes áreas e tomar decisões em contextos de incerteza. Mais do que pessoas que sabem tudo, o mercado precisará de pessoas preparadas para aprender sempre. 

Por isso, o futuro do trabalho será cada vez mais tecnológico em suas ferramentas, mas cada vez mais humano em suas competências essenciais. A Inteligência Artificial pode transformar processos, acelerar entregas e ampliar a capacidade das empresas. Mas continuará cabendo às pessoas dar sentido, direção e responsabilidade ao uso da tecnologia.

  

Juliana Dimário - Diretora de Pessoas e Cultura da CBYK Consultoria e Seastorm Ventures, com certificação Internacional em Psicologia Positiva pelo WholeBeing Institute, Chief Hapiness Officer (CHO) pelo Instituto Feliciência, Colunista no RH Portal, com MBA em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas, e graduação em Comunicação Social pela Universidade Metodista.


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