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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Volta às aulas reacende alerta para bullying e impactos emocionais em crianças e adolescentes

Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania mostram que o número de vítimas de violência interpessoal em escolas brasileiras mais que triplicou nos últimos dez anos

 

O início do ano letivo traz à tona um problema persistente no ambiente escolar: o bullying e seus impactos emocionais. A experiência cotidiana de intimidação entre estudantes não está restrita a contextos isolados, sendo apontada por organismos internacionais e por dados oficiais como um desafio estrutural que atravessa diferentes realidades educacionais. 

Segundo a Unesco, o bullying, definido como prática repetitiva de agressão física, verbal ou psicológica, é um problema que permeia os sistemas educacionais como um todo, exigindo atenção contínua de escolas, famílias e formuladores de políticas públicas. 

No Brasil, dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) revelam que a violência interpessoal no contexto escolar tem crescido de forma expressiva: enquanto em 2013 foram registradas 3,7 mil vítimas, o número saltou para 13,1 mil em 2023, um aumento de mais de três vezes no período de dez anos. Essas ocorrências contemplam estudantes, professores e outros membros das comunidades escolares, incluindo casos de intimidação, hostilidades e discriminação repetitiva entre pares. 

O bullying pode se manifestar de maneiras diversas, desde agressões físicas e verbais até exclusão social e ameaças constantes, e costuma estar associado a consequências sérias para a saúde emocional de crianças e adolescentes, como ansiedade, depressão, queda do rendimento escolar e evasão. Esses riscos tendem a se intensificar no período de adaptação ao retorno às aulas, quando as relações sociais estão em reorganização. 

Para a psicóloga e pesquisadora Karen Scavacini, fundadora do Instituto Vita Alere, reconhecer o bullying como um fator de sofrimento emocional é essencial para uma resposta eficaz. “Tratar o bullying como algo passageiro ou uma fase pode atrasar intervenções necessárias. Uma escuta qualificada, validação do sofrimento e encaminhamentos coordenados entre escolas e famílias podem transformar trajetórias e reduzir riscos de sofrimento mais profundo”, afirma. 

O Programa Escola que Protege, do Ministério da Educação, reforça que a resposta ao bullying precisa ser estruturada e contínua, com registro formal das ocorrências, comunicação com responsáveis, preservação de evidências — especialmente em casos de violência digital — e acompanhamento sistemático da vítima, do agressor e da turma. Em situações graves ou reincidentes, a orientação é acionar instâncias como Conselho Tutelar, Ministério Público ou delegacias especializadas, a fim de garantir proteção e responsabilização adequadas.

 

Instituto Vita Alere

 

De onde vem o mal?

Casos recentes de violência extrema, amplamente divulgados pela mídia, reacendem uma pergunta antiga e inquietante: de onde vem o mal? A origem do mal é um tema discutido por diferentes áreas do conhecimento, da religião à filosofia, da sociologia à psicologia. 

Apesar dos avanços teóricos, esse questionamento permanece como um dos grandes enigmas da condição humana. Ao longo da história, há uma tendência recorrente em compreender o mal como algo inerente ao humano, inscrito nas construções sociais e nas relações que estabelecemos. 

Uma das primeiras dificuldades está em defini-lo. O mal é inato ou adquirido? O ser humano nasce bom e é corrompido pela sociedade ou nasce com tendências violentas que precisam ser contidas por leis e normas?  

Para Hobbes, o homem carrega uma inclinação natural à violência, pois vive em permanente desconfiança. Já para Santo Agostinho, o mal não é uma substância, mas a ausência do bem. São Tomás de Aquino aprofunda essa ideia ao entendê-lo como uma falha do ser. 

Nietzsche rompe com a moral cristã ao afirmar que bem e mal são construções históricas moldadas pelas relações de poder. Maquiavel, por sua vez, trata o mal de forma pragmática, como instrumento possível para a manutenção do poder.  

Foucault amplia essa leitura ao mostrar que crime, loucura e perversidade são categorias produzidas por discursos e instituições.

No século XX, Hannah Arendt introduz o conceito de banalidade do mal ao analisar o julgamento de Adolf Eichmann. Ela não encontrou um monstro, mas um homem comum, incapaz de refletir criticamente sobre seus atos. O mal, nesse contexto, não nasce apenas da perversidade consciente, mas da obediência cega e da diluição da responsabilidade individual. 

A sociedade contemporânea, marcada pelo enfraquecimento do pensamento crítico e pela polarização ideológica, cria um terreno fértil para a banalização da violência.  

O outro passa a ser desumanizado e visto como ameaça. Assim, o mal deixa de ser exceção e se apresenta como resposta legitimada. 

A psicanálise reconhece uma pulsão agressiva inerente ao ser humano, mas aponta que cabe às mediações sociais transformá-la em algo simbolizável. Quando essas instâncias falham, a violência emerge de forma crua. 

O aspecto mais inquietante é admitir que o mal não está apenas no outro. Ele pode ser cometido por pessoas comuns, movidas pelo medo, pela ideologia ou pela sobrevivência, como ocorreu no Holocausto. 

Ao projetarmos o mal exclusivamente nos sujeitos que consideramos malignos ou que taxamos como “loucos”, criamos uma distância psicológica que nos permite sustentar a fantasia de nossa própria pureza, evitando o confronto com a universalidade maldade inerente à condição humana. 

Diante disso, talvez a reflexão mais urgente seja reconhecer que o mal não é algo externo, distante ou restrito a figuras excepcionais. Ele habita também o cotidiano, os pequenos gestos, as omissões e as escolhas aparentemente banais.  

Somente ao reconhecer essa dimensão humana da maldade é possível construir limites, fortalecer o pensamento crítico e impedir que a violência se naturalize. Estar atento ao mal em nós mesmos exige vigilância ética permanente, capacidade de autocrítica e disposição para enfrentar a própria sombra.

  

Elizandra Souza - psicanalista e autor de "As Sombras do Eu - Psicopatologias da maldade"

 

Menopausa íntima: por que cada vez mais mulheres estão recorrendo a procedimentos para recuperar conforto e qualidade de vida

Ardor, ressecamento, dor durante a relação sexual, escapes e desconfortos na região íntima. Durante décadas, esses sintomas foram tratados como consequências inevitáveis da menopausa, algo que as mulheres simplesmente deveriam aceitar em silêncio 

 

Hoje, esse cenário começa a mudar. Com o avanço da medicina e o acesso a tratamentos menos invasivos, cada vez mais mulheres procuram ajuda especializada para recuperar o conforto íntimo, a função sexual e a qualidade de vida após a queda hormonal. 

A menopausa deixou de ser vista como o fim de uma fase ativa do corpo feminino. Para muitas mulheres, ela passou a ser um momento de transição que também pode, e deve, ser tratado.

 

O que acontece com a região íntima após a menopausa

A menopausa é marcada pela redução significativa dos níveis de estrogênio, hormônio responsável por manter a saúde dos tecidos vaginais e do assoalho pélvico. Com essa queda hormonal, ocorrem alterações estruturais e funcionais que podem afetar diretamente o conforto íntimo.

Entre as principais mudanças estão: 

  • afinamento e ressecamento da mucosa vaginal
  • perda de elasticidade dos tecidos
  • redução da lubrificação natural
  • maior fragilidade da região íntima
  • alterações no assoalho pélvico e na função anorretal 

Esse conjunto de sintomas é conhecido como síndrome geniturinária da menopausa, condição que pode atingir mais da metade das mulheres nessa fase da vida, segundo estudos clínicos internacionais.

Além do impacto físico, o quadro também pode afetar a autoestima, a vida sexual e o convívio social. 

“Muitas mulheres chegam ao consultório dizendo que deixaram de ter relação ou passaram a evitar atividades simples por causa do desconforto íntimo. O mais preocupante é que muitas acreditam que isso é normal e inevitável”, explica a médica Amanda Vilas Calheiros, especialista em saúde íntima feminina, com formação pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. 

Sintomas comuns e frequentemente ignorados

Embora a menopausa seja um processo natural, os sintomas associados a ela não precisam ser normalizados quando passam a interferir na qualidade de vida. 

Entre os sinais mais comuns estão:

  • dor durante a relação sexual
  • ardor ou coceira persistente
  • ressecamento intenso
  • sensação de peso ou pressão íntima
  • escapes de gases ou fezes
  • dificuldade para evacuar
  • hemorroidas recorrentes
  • desconforto ao sentar 

“Muitas vezes, a mulher procura ajuda apenas quando a dor se torna insuportável ou quando o desconforto já afeta sua rotina. Mas o ideal é procurar avaliação logo nos primeiros sinais”, orienta a especialista.

 


 

Região íntima, intestino e assoalho pélvico: uma relação direta

Um dos aspectos menos discutidos sobre a menopausa é a ligação entre a região íntima, o intestino e a musculatura do assoalho pélvico.

Com a queda hormonal, os tecidos perdem sustentação e elasticidade, o que pode afetar funções essenciais como a evacuação, a continência e o conforto durante a relação sexual. 

“Muitos sintomas que parecem ginecológicos têm origem funcional, envolvendo musculatura, nervos e a coordenação do assoalho pélvico. Quando tratamos apenas a superfície, sem avaliar a função, o problema tende a persistir”, explica a Dra. Amanda. 

Essa abordagem integrada é uma das razões pelas quais especialistas em coloproctologia e fisiologia anorretal têm ganhado espaço no cuidado da saúde íntima feminina.

 

O avanço dos procedimentos íntimos na menopausa

Nos últimos anos, a medicina passou a oferecer tratamentos menos agressivos para sintomas íntimos relacionados à menopausa. Entre eles, o uso terapêutico do laser CO vem ganhando destaque.

Estudos clínicos mostram que esse tipo de tecnologia pode ajudar a estimular a produção de colágeno, melhorar a vascularização local e reduzir sintomas como ressecamento e dor durante a relação sexual. Pesquisas comparativas indicam que, em alguns casos, os resultados podem se aproximar dos obtidos com terapias hormonais, especialmente em mulheres que não podem utilizar reposição hormonal.

No entanto, especialistas reforçam que o procedimento não deve ser encarado como solução estética simples. 

“O laser é uma ferramenta médica, não um tratamento de moda. Ele deve ser indicado após avaliação completa, considerando os sintomas, a história clínica e as necessidades de cada paciente”, afirma a médica.

Além do laser vaginal, tecnologias minimamente invasivas também têm sido utilizadas no tratamento de hemorroidas e outras condições anorretais comuns após a menopausa, com menor dor e recuperação mais rápida.

 

Procedimentos íntimos não são apenas estéticos

A procura por procedimentos íntimos ainda carrega o estigma da estética, como se fosse apenas uma busca por aparência. Na prática, a maioria das mulheres procura tratamento por causa de sintomas físicos e funcionais.

“O erro é achar que o objetivo é apenas estético. Na menopausa, muitas mulheres querem voltar a sentar sem dor, ter relação sem desconforto ou simplesmente se sentir bem no próprio corpo”, explica Amanda. 

Segundo a especialista, a estética íntima saudável é consequência de tecidos bem irrigados, funcionais e sem dor. Quando a função está comprometida, tratar só a aparência não resolve o problema. O foco deve ser sempre a saúde e o conforto da mulher.

 

Quando procurar ajuda

A recomendação médica é buscar avaliação sempre que surgirem sintomas persistentes, especialmente:

  • dor na relação sexual
  • ressecamento que não melhora
  • ardor frequente
  • escapes de gases ou fezes
  • dificuldade evacuatória
  • sensação de peso íntimo
  • hemorroidas recorrentes 

“Menopausa não deveria significar dor. Quando a mulher começa a mudar seus hábitos para evitar desconfortos íntimos, o corpo está pedindo atenção”, alerta a especialista.

 

Uma nova visão sobre o envelhecimento feminino

Com o aumento da expectativa de vida, muitas mulheres passam décadas na fase pós-menopausa. Diferentemente das gerações anteriores, elas seguem ativas, trabalham, viajam, praticam exercícios e mantêm vida sexual. 

Nesse contexto, aceitar dor ou desconforto íntimo como algo natural deixa de fazer sentido.

“A mulher não precisa aceitar o sofrimento como parte do envelhecimento. Hoje, temos recursos para tratar esses sintomas e devolver qualidade de vida”, conclui a Dra. Amanda Vilas Calheiros.

 

 

Amanda Vilas Calheiros - médica especialista em cirurgia do aparelho digestivo e coloproctologia, com formação em fisiologia anorretal pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Atua no cuidado da saúde íntima feminina, integrando abordagem funcional, tratamentos modernos com laser e cirurgia minimamente invasiva para condições anorretais e alterações que impactam diretamente o conforto e a qualidade de vida da mulher.


Coma alcoólico: como identificar a tempo e por que a combinação de Carnaval, trotes e bebidas acende um alerta

Neurologista explica os sinais de emergência, expõe mitos e alerta para o risco do metanol

 

O coma alcoólico, estágio mais grave da intoxicação por álcool, volta ao centro das preocupações em fevereiro, com a proximidade do Carnaval e o início do ano letivo nas universidades, período marcado por festas e trotes aos calouros, frequentemente associados ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Muitas vezes confundida com uma embriaguez comum, a condição pode evoluir rapidamente e provocar parada cardiorrespiratória, lesões neurológicas permanentes e até levar a óbito.


O quadro acontece quando há um rebaixamento profundo do nível de consciência, pois o álcool atua como um potente depressor do sistema nervoso central, colocando o indivíduo em um cenário de risco, que inclui aspiração de conteúdo gástrico, hipotermia e instabilidade dos sinais vitais. “A pessoa pode não responder a estímulos e apresentar respiração lenta ou irregular. É uma situação que exige socorro imediato”, explica a dra. Keila Narimatsu, neurologista credenciada da Omint.


A especialista diferencia a intoxicação alcoólica grave do coma propriamente dito. Na primeira, ainda pode haver consciência parcial, confusão mental e vômitos persistentes. Já no coma, ocorre perda significativa ou total da consciência e comprometimento das funções vitais, especialmente da respiração. Vale ressaltar que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe uma dose segura de consumo de álcool que não afete a saúde em nenhum nível.


Os principais sinais de alerta são:


●    sonolência profunda ou inconsciência;


●    dificuldade de acordar;


●    fala incoerente ou ausência de fala;


●    respiração lenta, irregular ou ruidosa;


●    pele fria, pálida ou arroxeada;


●    vômitos com rebaixamento de consciência;


●    convulsões e hipotermia.


Jovens estão entre os mais vulneráveis


O perfil de maior risco inclui jovens com consumo excessivo, além de idosos, pessoas de baixo peso e aquelas que fazem uso de medicamentos como benzodiazepínicos, opioides, antidepressivos ou antipsicóticos. Doenças hepáticas, respiratórias ou neurológicas também aumentam a vulnerabilidade.


O que fazer e o que nunca fazer?


Diante da suspeita de coma alcoólico, a orientação é clara: acionar suporte médico imediatamente, manter a pessoa deitada de lado, em posição lateral de segurança, observar a respiração e o pulso, mantê-la aquecida e nunca deixá-la sozinha.


Vale ressaltar que mitos comuns podem agravar o quadro. “Dar café, banho gelado, induzir o vômito ou forçar a pessoa a andar aumentam o risco de aspiração e de parada respiratória. Além disso, incentivar que a pessoa durma na tentativa de aliviar os sintomas é perigoso”, afirma a especialista.


Sequelas podem ser permanentes


Quando há demora no atendimento, o coma alcoólico pode deixar marcas duradouras, como déficits de memória e atenção, epilepsia secundária e distúrbios motores e psiquiátricos. Em situações extremas, pode evoluir para estado vegetativo ou óbito. O prognóstico depende do tempo de falta de oxigenação no cérebro, da dose ingerida e da rapidez do socorro.


Metanol: um perigo invisível


Além do etanol presente nas bebidas regulares, o Brasil segue registrando casos de bebidas adulteradas com metanol, substância altamente tóxica. No último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, foram registrados 97 casos e 16 óbitos em todo o país, até novembro de 2025. No estado de São Paulo, até o dia 5 de fevereiro deste ano, foram confirmadas 12 mortes associadas à ingestão de bebidas adulteradas.


Diferentemente do álcool comum, o metanol é metabolizado em ácido fórmico, capaz de provocar acidose grave, lesão neurológica progressiva, cegueira, convulsões e coma, muitas vezes poucas horas após a ingestão. “O quadro pode piorar mesmo quando a pessoa já parece ter melhorado. Por isso, qualquer suspeita de bebida de procedência duvidosa deve ser tratada como emergência”, alerta a neurologista.

 

Prevenção em tempos de festa


Para reduzir riscos, a neurologista recomenda alimentar-se antes e durante o consumo, beber devagar e intercalar com água, evitar misturar álcool com medicamentos ou outras drogas, não aceitar bebidas sem procedência confiável, não incentivar “competições” de doses, permanecer em grupo e observar os amigos. “O cuidado coletivo pode salvar vidas. Reconhecer precocemente os sinais e agir rápido é o que separa um susto de uma tragédia”, afirma

 

Omint


22,8% dos usuários de antidepressivos também tratam doenças crônicas, aponta base da Funcional

Estudo com beneficiários do Benefício Farmácia revela que mais de 35% utilizam duas ou mais classes terapêuticas

 

Um levantamento da Funcional, pioneira e líder em programas de acesso e adesão em saúde no Brasil, revela que 22,8% dos usuários do Benefício Farmácia da companhia que utilizam antidepressivos também fazem uso de ao menos um medicamento para doenças crônicas, como hipertensão, diabetes ou colesterol elevado. Entre esses beneficiários, 35,7% consomem duas ou mais classes terapêuticas, o que indica maior complexidade no cuidado e reforça a necessidade de planejamento e acompanhamento estruturado do tratamento ao longo do tempo. 

A análise, realizada entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, com base no comportamento de titulares e dependentes do Benefício Farmácia, mostra que o cuidado com a saúde mental está frequentemente associado ao tratamento de outras condições clínicas. Entre os usuários de antidepressivos, 14% também usaram hipoglicemiantes, 10,4% anti-hipertensivos e 9,1% medicamentos para controle do colesterol. Os percentuais não são excludentes, evidenciando a coexistência de múltiplos quadros de saúde e reforçando a importância de uma abordagem integrada no cuidado ao paciente. 

Outro estudo da Funcional, divulgado em julho de 2025, já havia apontado um crescimento de 12,4% no uso de antidepressivos entre adultos de 29 a 58 anos nos últimos dois anos, tendência que acompanha o movimento nacional. “Quando falamos de saúde mental no ambiente corporativo, estamos falando de uma agenda estratégica. A pesquisa evidencia que colaboradores em tratamento para depressão frequentemente lidam com outras condições crônicas, o que reforça a importância de benefícios bem estruturados, consumo consciente de medicamentos e decisões baseadas em dados para garantir cuidado contínuo e reduzir impactos no afastamento e na gestão de pessoas”, comenta Juliana Camargo, diretora de Gente & Cultura da Funcional. 

Os dados da Funcional também estão alinhados ao cenário nacional de saúde mental. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, conduzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 10,2% dos adultos brasileiros relataram já ter recebido diagnóstico médico de depressão, percentual superior ao registrado em 2013 (7,6%). 

O cenário também se reflete no INSS: em 2025, o número de trabalhadores afastados por ansiedade e depressão cresceu 15% em relação ao ano anterior, totalizando 546 mil brasileiros. Atualmente, os transtornos mentais já formam o segundo maior motivo de afastamento do trabalho no Brasil, atrás apenas das doenças da coluna. Cada episódio de depressão dura, em média, 196 dias e gera um custo estimado de R$14 mil por trabalhador, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde. 

“Esses dados convidam as empresas a refletirem sobre como a saúde mental está integrada à vida do colaborador. O levantamento mostra que o cuidado vai além do aspecto emocional e passa por acesso, organização do tratamento e acompanhamento ao longo do tempo. Criar uma cultura de cuidado estruturado é essencial para promover bem-estar, qualidade de vida e relações de trabalho mais saudáveis”, finaliza Camargo.

 

Funcional
funcionalhealthtech.com.br


Glitter no Carnaval: Especialista orienta cuidados com a pele

Especialista fala sobre como usar o glitter no
Carnaval e não prejudicar a saúde
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Veja o jeito certo de aplicar e remover o glitter sem irritar a pele e sem prejudicar a saúde

 

Com a chegada do Carnaval, a maquiagem vibrante e o uso de glitter tornam-se protagonistas nos blocos e festas. No entanto, para garantir que a diversão não termine em irritações ou problemas de saúde, a preparação e a limpeza correta da pele são fundamentais.


Quem faz o alerta é Andressa Vitória Tonete, coordenadora do curso de Estética e Cosmética do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR).


Antes da folia


De acordo com a especialista, que é pós-graduada em Estética Avançada e em Saúde Pública, a preparação da pele é o segredo tanto para a saúde cutânea, quanto para o acabamento da maquiagem.

 

“Antes da pintura, do uso de primers, blindagens ou produtos de preparação, é indispensável a aplicação de um hidratante adequado ao tipo de pele, seguida do protetor solar. A ingestão de água também é extremamente importante, pois a hidratação começa de dentro para fora e influencia na aparência e resistência da pele durante longos períodos de exposição”, conta.

 

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Cuidado com os produtos


Para quem vai usar o glitter para colorir o rosto, Andressa lembra que um dos erros mais comuns é utilizar o glitter de papelaria, que deve ser totalmente evitado por não ter finalidade cosmética.

 

A recomendação é optar por produtos dermatologicamente testados, dentro do prazo de validade, com fórmulas não comedogênicas (que não entopem os poros) e cuidar com fragrâncias ou conservantes que possam desencadear irritações, especialmente em peles sensíveis.

 

“O glitter tradicional pode causar impactos ambientais por conter microplásticos. Por isso, é fundamental optar por glitter cosmético ou biodegradável”, salienta a especialista.

 

Durante a festa


Durante a folia, a coordenadora enfatiza que é essencial reaplicar o protetor solar a cada 2 horas. “Existem alternativas práticas que não prejudicam a maquiagem, como o filtro solar em pó, que além de garantir a fotoproteção auxilia no retoque da make ao longo do dia”, explica.

 

Outra dica que não vai atrapalhar as comemorações é utilizar o protetor solar em spray, que permite reaplicações rápidas e fáceis.

 

A combinação de sol forte e maquiagem pesada sem a devida fotoproteção pode resultar em queimaduras, manchas e envelhecimento precoce. Embora não exista um ‘tempo máximo’ universal de exposição, Andressa recomenda evitar o sol direto entre 10h e 16h e manter o uso protetor solar com fator de proteção 30 ou superior.

 

Limpeza da pele


Na hora de retirar o brilho da pele, a limpeza deve ser feita com cuidado. “O ideal é remover a maquiagem e o glitter com demaquilante, água micelar ou cleasing oil, evitando fricção excessiva da pele, e somente depois realizar a lavagem com sabonete líquido adequado e finalizar com hidratação”, orienta a coordenadora.

 

A sugestão é evitar lenços umedecidos, que podem espalhar o glitter e agredir a pele. Além disso, é fundamental não dormir de maquiagem para evitar obstrução dos poros e acne. Outro cuidado é para descartar o glitter no lixo comum e nunca permitir que ele vá diretamente para o sistema de esgoto.

 

“Os cuidados com a pele não devem acontecer apenas em momentos específicos, como no Carnaval. Eles precisam fazer parte de uma rotina diária com limpeza, hidratação e fotoproteção. Essa constância é a base para reduzir irritações, manter a pele saudável e hidratada e prevenir problemas a longo prazo”, complementa a coordenadora do curso de Estética e Cosmética do Centro Universitário Integrado, Andressa Vitória Tonete.

 

 

Centro Universitário Integrado


Motoristas de caminhão e ônibus têm mais de 20% de chance de desenvolver doenças de pele devido à exposição ao sol

 

Rotina transforma a profissão em fator de risco para câncer de pele, alertam profissionais de saúde

 

De acordo com o levantamento do Occupational Cancer Research Centre, profissionais cujas atividades envolvem longos períodos de exposição solar, como motoristas de caminhão e de ônibus, apresentam um risco entre 22% e 42% maior de desenvolver câncer da pele. O alerta é reforçado por estimativas conjuntas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que apontam que quase uma em cada três mortes por câncer de pele no mundo está associada ao trabalho sob exposição direta ao sol, evidenciando o impacto da radiação ultravioleta como risco ocupacional ainda pouco percebido por categorias que passam grande parte da jornada nas estradas.

Riscos causados pela luz solar

“Embora muitas vezes seja ignorada, a luz solar pode causar grandes danos à pele. Além do envelhecimento, que se manifesta através de rugas, manchas e flacidez, a radiação ultravioleta também aumenta o risco de câncer de pele”, explica Alexandre Pimenta, médico e responsável técnico nacional do AmorSaúde. 

O profissional ainda destaca que alguns fatores podem aumentar a chance de alguém ser acometido pelo câncer de pele: “se expor ao sol no horário entre 10h e 16h, não usar protetor solar e a idade avançada elevam as chances de desenvolver a enfermidade”, explica. Essas condições, em muitos casos, são justamente aquelas em que motoristas e caminhoneiros trabalham no dia a dia.

 

5 ações práticas para caminhoneiros se protegerem do sol enquanto trabalham

 

1) Use protetor solar todos os dias (mesmo dentro da cabine)

A radiação UV atravessa o vidro e atinge principalmente rosto, pescoço, braços e mãos. O ideal é aplicar o protetor antes de sair e reaplicar ao longo do dia.

 

2) Reaplique o protetor ao longo da jornada

O protetor perde eficiência com o tempo, suor e atrito. Na rotina da estrada, a recomendação prática é reaplicar a cada 2 a 3 horas, especialmente em dias muito quentes.

 

3) Proteja braços e mãos com roupa e acessórios

Como a maior parte do corpo fica exposta pelo lado da janela, vale adotar:

  • camisa de manga longa leve (UV, se possível);
  • luvas leves ou proteção para as mãos;
  • óculos escuros com proteção UV.

4) Evite exposição direta nos horários mais críticos

Sempre que possível, organizar paradas e atividades externas fora do intervalo entre 10h e 16h, que é o período de maior risco.

 

5) Observe sinais na pele e procure avaliação médica
Manchas que aumentam, feridas que não cicatrizam, pintas que mudam de cor ou formato e áreas que coçam ou sangram são sinais de alerta. O ideal é não esperar passar e buscar orientação médica.

 

Ação nacional conscientiza motoristas
Com foco nessa realidade, o AmorSaúde iniciou uma parceria para apoiar a marca Mobil Delvac™ em uma campanha nacional de conscientização sobre o câncer de pele. A ação conta com a distribuição gratuita de protetores solares e orientações médicas para caminhoneiros sobre a importância da fotoproteção e de medidas preventivas simples que podem reduzir os riscos associados à exposição prolongada ao sol.


“Nosso objetivo é informar os motoristas e contribuir para que eles estejam atentos aos riscos que correm em seu dia, e isso se faz primeiro com informação”, ressalta Jéssica Souza, gerente de Marketing do AmorSaúde.
Segundo o jornalista e embaixador da Mobil, Pedro Trucão, é justamente a falta de informação que figura ainda como um dos principais desafios para a prevenção. “Muitos motoristas não se preocupam com o sol atravessando o vidro da cabine. Acham que estão protegidos só por estarem dentro do caminhão, quando na verdade estão recebendo radiação o tempo todo”, explica.

A ação teve início em 10 de fevereiro, e continuará em diferentes postos de gasolina do Brasil. Confira a agenda de distribuição de protetores solares através do instagram: Link

 

AmorSaúde

 

A quebra de patente do Mounjaro para o combate à economia subterrânea dos injetáveis e a diminuição dos riscos sanitários


A polêmica em torno das populares, mas ainda onerosas, canetas emagrecedoras ganhou, recentemente, novos contornos, com a aprovação, na Câmara dos Deputados, em Brasília-DF, da tramitação, em regime de urgência, de um Projeto de Lei (PL) que prevê a quebra da patente do Mounjaro - nome fantasia da Tirzepatida. Indicado para tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, o medicamento vem sendo largamente utilizado para a perda rápida de peso, com direito resultados satisfatórios. Ao meu ver, a ruptura da licença deve ser analisada sob a ótica da Saúde Pública e da legalidade, e não apenas como um embate econômico e questão de concorrência mercadológica. Estamos falando, afinal, sobre alcançar corpos esteticamente mais magros, mas, principalmente, sobre enfraquecer o mercado clandestino dos injetáveis e diminuir as chances de os usuários não correrem risco de vida. 

Ocorre que, quando o acesso regular a fármacos é limitado por preços incompatíveis com a realidade de grande parte da população — e o Mounjaro é caríssimo à maioria dos brasileiros (o tratamento para um mês, a depender da dosagem, custa de R$ 1,4 mil a R$ 3 mil) — cria-se um ambiente propício à expansão do mercado clandestino, expondo milhares de pessoas a imprevistos e a efeitos transversais gravíssimos. 

Tecnicamente denominada “licenciamento compulsório”, a quebra de patente é instrumento jurídico previsto no ordenamento brasileiro e em tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário. A Lei da Propriedade Industrial (9.279/1996), do artigo 68 ao 74, autoriza a medida em casos de abuso de poder econômico, insuficiência de oferta, interesse público ou emergência nacional. 

No âmbito internacional, o Acordo TRIPS (do inglês Trade-Related Aspects of Intellectual Property Rights), da Organização Mundial do Comércio (OMC), incorporado ao Direito brasileiro pelo decreto 1.355/1994, também admite tal possibilidade. O artigo 31 autoriza os Estados a permitirem o uso de patentes sem o consentimento do titular em circunstâncias específicas. A Declaração de Doha sobre TRIPS e Saúde Pública, de 2001, reforça igualmente este entendimento, ao afirmar que, “a proteção à propriedade intelectual não pode se sobrepor ao direito fundamental à saúde”. 

Na prática, a restrição ao acesso legal de fármacos inovadores tem produzido efeito colateral preocupante: a expansão da economia subterrânea de canetas importadas ilegalmente, sem garantia de procedência, armazenamento adequado, ou composição confiável. O risco do mercado clandestino é concreto, real. Há possibilidade de circulação de produtos falsificados, degradados ou adulterados, com potenciais consequências, inclusive fatais, a quem faz uso das aplicações. 

O licenciamento compulsório, ao permitir a produção legal e fiscalizada de versões equivalentes, pode reduzir significativamente este cenário. Ao deslocar o consumo do ambiente ilícito para o sistema regulado, garante-se controle sanitário, rastreabilidade, acompanhamento médico e maior segurança terapêutica. A medida não extingue a patente, nem desconsidera sua revolução e importância histórica, pois prevê remuneração ao titular e aplicação excepcional, fundamentada e proporcional. 

Assim, quando baseada no interesse público, a quebra do registro de um composto não configura afronta à lei ou à Ciência. Trata-se do uso legítimo de instrumentos jurídicos destinados à proteção da saúde coletiva e à expansão de algo que já mostrou dar certo. 

Num contexto no qual a falta de recursos empurra pessoas para soluções arriscadas, ampliar o acesso legal do Mounjaro deixa de ser apenas uma escolha política - passa a representar uma medida concreta de proteção à vida.

 


Dra. Celeste Leite dos Santos - promotora de Justiça em Último Grau do Colégio Recursal do Ministério Público (MP) de São Paulo; doutora em Direito Civil; mestre em Direito Penal; presidente do Instituto Brasileiro de Atenção Integral à Vítima (Pró-Vítima); idealizadora do Estatuto da Vítima, da Lei de Importunação Sexual, e da Lei Distrital de Acolhimento de Vítimas, Análise e Resolução de Conflitos (Avarc); e coordenadora científica da Revista Internacional de Vitimologia e Justiça Restaurativa.


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