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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Uso indiscriminado de Ozempic e Mounjaro gera perda muscular durante emagrecimento, alerta especialista

Referência no foco em emagrecimento e hipertrofia, Jauan Anselmo explica que medicamentos podem comprometer força e saúde metabólica sem acompanhamento adequado.

 

No Brasil, o crescimento demasiado do uso de medicamentos análogos de GLP-1, que inicialmente são indicados à regulação da glicose, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, tem levantado um novo debate entre profissionais da saúde: os riscos da perda acelerada de massa muscular durante o emagrecimento sem acompanhamento adequado.

 

Os chamados ‘agonistas’ ganharam popularidade nos últimos meses por promoverem redução rápida de peso, principalmente através do controle do apetite e maior sensação de saciedade. Entretanto, especialistas alertam que o emagrecimento acelerado pode vir acompanhado de sarcopenia induzida, que é a perda significativa de massa e força muscular, quando não há acompanhamento médico, nutricional e prática orientada de atividade física.

 

Para o profissional de Educação Física Jauan Anselmo, especialista em fisiologia do exercício com foco em emagrecimento e hipertrofia, o problema não está necessariamente no medicamento em si, mas no consumo sem indicação médica, indiscriminado e sem suporte multidisciplinar.

 

Existe uma falsa sensação de que emagrecer rápido significa emagrecer bem. Muitas pessoas estão perdendo peso na balança, mas também perdendo funcionalidade, força e qualidade de vida. O músculo é um tecido essencial para proteção metabólica, mobilidade e envelhecimento saudável. Sem treinamento adequado e acompanhamento profissional, o corpo paga um preço alto”, alerta.

 

Análises recentes de institutos científicos confiáveis reforçam essa preocupação. O estudo STEP 1 – que é etapa obrigatória para um remédio ser liberado –, publicado em 2021 no New England Journal of Medicine, mostrou que pacientes que utilizaram semaglutida 2.4mg (Mounjaro) apresentaram perda média de 14,9% do peso corporal em 68 semanas. Parte significativa dessa redução, porém, esteve relacionada à perda de massa magra.

 

Segundo Jauan, esse cenário ajuda a explicar porque muitas pessoas relatam flacidez excessiva, redução de força, fadiga e dificuldade de manutenção do peso após interromperem o uso dos medicamentos.

 

A massa muscular está diretamente ligada à taxa metabólica basal. Quando o indivíduo perde músculo junto com gordura, ele passa a gastar menos energia naturalmente. Isso facilita o efeito rebote e compromete a estética corporal e a saúde. Por isso o treino de força deixa de ser opcional e passa a ser indispensável”, explica o especialista.

 

A importância do exercício físico associado ao tratamento também foi destacada no estudo ‘Efeitos dos análogos do GLP-1 combinado ao exercício físico na massa corporal em indivíduos com obesidade: uma revisão sistemática’, publicado em 2025 pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) na Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano

 

A pesquisa aponta que a prática regular de exercícios, especialmente musculação e treinamento resistido, contribui para a preservação da massa muscular e manutenção da taxa metabólica basal durante o emagrecimento.

 

De acordo com o especialista, a atividade física personalizada é fundamental justamente porque cada organismo responde de maneira diferente ao processo de perda de peso.

 

Não existe fórmula pronta. O acompanhamento individualizado permite ajustar carga de treino, intensidade, alimentação e recuperação de acordo com a realidade de cada pessoa. O objetivo não deve ser apenas emagrecer, mas preservar saúde, autonomia e sustentabilidade dos resultados a longo prazo”, ressalta Jauan Anselmo.

 

O profissional, que atua com produção de conteúdo digital voltado para treino e saúde, também chama atenção para o impacto da banalização desses medicamentos nas redes sociais, onde muitas vezes são apresentados como solução rápida e estética, sem discussão adequada sobre riscos, contraindicações e necessidade de acompanhamento médico.

 

Estamos vivendo um momento em que o emagrecimento virou produto de consumo imediato. Mas a saúde não pode ser tratada como tendência. Medicamentos como esses têm indicação clínica específica e precisam ser utilizados com responsabilidade, acompanhamento médico e integração com exercício físico e alimentação adequada”, conclui.

Tanto cientistas quanto multiprofissionais da área de saúde e bem-estar reforçam que os análogos de GLP-1 possuem papel importante no tratamento da obesidade e de doenças metabólicas, mas o uso deve ser criterioso e associado a mudanças sustentáveis no estilo de vida, priorizando não apenas a perda de peso, mas a preservação da saúde física e funcional.

 

Estudo internacional revela baixa adesão a medicamentos após infarto e AVC. Países de baixa renda econômica apresentam taxas preocupantes

 

Um estudo internacional publicado em fevereiro de 2025 no Journal of the American College of Cardiology (JACC) acende um alerta importante sobre a prevenção cardiovascular no mundo: a maioria dos pacientes que já sofreu infarto ou acidente vascular cerebral (AVC) não utiliza corretamente medicamentos essenciais para evitar novos eventos. 

A pesquisa analisou, ao longo de cerca de 12 anos, dados de pacientes com doença cardiovascular estabelecida em 17 países, no âmbito da coorte PURE (Prospective Urban Rural Epidemiology). Os resultados mostram que o uso de terapias comprovadamente eficazes — como antiagregantes plaquetários, estatinas, inibidores do sistema renina-angiotensina e betabloqueadores — permanece abaixo do ideal globalmente e pouco evoluiu ao longo do tempo.
 

Entre os principais achados:

  • O uso de medicamentos de prevenção secundária segue baixo em todo o mundo, mesmo após eventos graves como infarto e AVC;
  • Países de baixa renda apresentam taxas extremamente reduzidas de adesão;
  • Mesmo países de renda média-alta, como o Brasil, estão aquém do ideal, com cerca de 60% de uso.

Embora países de alta renda apresentem maior adesão, o estudo também identificou uma tendência de queda ao longo dos anos, reforçando que o problema não se restringe apenas a regiões com menos recursos. 

Para o cardiologista e Head do Centro Especializado em Cardiologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz Dr. Álvaro Avezum, um dos autores do estudo e Coordenador do estudo no Brasil, os dados evidenciam uma lacuna crítica no cuidado cardiovascular global. “Hoje, o principal desafio não é apenas desenvolver novos tratamentos, mas garantir que terapias já comprovadas cheguem de forma contínua e adequada aos pacientes que mais precisam para aumentar a longevidade da população”, destaca. 

As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no mundo, e a prevenção secundária é uma das estratégias mais eficazes para reduzir novos eventos e óbitos. Ainda assim, barreiras como acesso, custo, adesão ao tratamento e organização dos sistemas de saúde limitam o impacto dessas intervenções.

 

Hospital Alemão Oswaldo Cruz


Atenção - Nem todo mundo pode fazer implante dentário: os riscos que quase ninguém explica

Sem avaliação criteriosa, o que seria uma solução pode se transformar em um problema ainda maior


Apesar de serem considerados uma das soluções mais modernas e eficazes para a substituição de dentes perdidos, os implantes dentários nem sempre são a melhor escolha clínica. Em determinadas situações, optar por esse tipo de tratamento pode representar riscos importantes à saúde do paciente.

Entre as principais contraindicações estão condições sistêmicas e o uso de determinados medicamentos. Um dos exemplos mais relevantes é o uso de alendronato, pertencente à classe dos bifosfonatos, amplamente indicado para o tratamento da osteoporose e prevenção de metástases ósseas. Pacientes que fazem uso desse tipo de medicação apresentam alto risco de complicações, como falhas na cicatrização, infecções e até necrose óssea — condição grave que pode levar à perda parcial ou total do osso maxilar ou mandibular.

Outro fator de atenção são pacientes submetidos à radioterapia, especialmente na região de cabeça e pescoço. Nesses casos, a capacidade de cicatrização óssea também fica comprometida, aumentando significativamente o risco de insucesso dos implantes.

Doenças metabólicas, como o diabetes descompensado, também entram na lista de contraindicações. A dificuldade de cicatrização e o maior risco de infecção podem impedir a osseointegração — processo essencial para o sucesso do implante. Situações hormonais, como a queda acentuada de estrogênio durante a menopausa, também podem impactar negativamente a estabilidade óssea e comprometer os resultados.

Além das condições sistêmicas, há um ponto muitas vezes negligenciado: a preservação do dente natural. Em casos onde ainda é possível recuperar a estrutura dentária por meio de tratamentos como o canal, o implante não deve ser a primeira opção. Isso porque dentes naturais apresentam melhor resposta biológica e maior previsibilidade a longo prazo.


Como explica a cirurgiã-dentista Juliana Búrigo:

“Sempre que existe a possibilidade de preservar um dente natural, essa deve ser a primeira escolha. O implante é uma excelente alternativa, mas não substitui completamente a biologia e a função de um dente original.”

Outro ponto importante é que doenças gengivais que afetam dentes naturais também podem acometer implantes — muitas vezes de forma ainda mais agressiva e de difícil controle.

Além disso, estudos indicam que a manutenção de dentes naturais ao longo da vida está associada a benefícios que vão além da saúde bucal, como melhora da qualidade de vida, maior longevidade e até menor declínio cognitivo em idosos.

Diante desse cenário, a avaliação individualizada é essencial. O avanço da odontologia permite múltiplas abordagens terapêuticas, e a melhor escolha nem sempre será a mais tecnológica, mas sim a mais segura e adequada para cada paciente.

 


Dra. Juliana Búrigo -cirurgiã-dentista especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, com mais de 25 anos de experiência. Atua em Criciúma (SC), oferecendo tratamentos avançados com foco em segurança, precisão técnica e atendimento humanizado, sempre baseada em evidências científicas.
📍 Clínica Juliana Búrigo – Rua Coronel Pedro Benedet, 505, sala 610, Edifício Millenium Saúde Center – Criciúma/SC
📞 Atendimento particular
🌐 www.julianaburigo.com.br
📸 Instagram e Facebook: @clinicajulianaburigo


Enfermagem: a força silenciosa da saúde brasileira

 

No próximo 12 de maio, quando se celebra o Dia do Enfermeiro, o Brasil terá mais uma oportunidade de reconhecer uma das profissões mais essenciais para o funcionamento do sistema de saúde. Em hospitais, unidades básicas, clínicas, ambulatórios, empresas e, cada vez mais, dentro das casas dos pacientes, enfermeiros e enfermeiras sustentam uma engrenagem indispensável para a preservação da vida. São profissionais que vão muito além da execução de procedimentos: coordenam equipes, organizam fluxos de atendimento, garantem a segurança assistencial e atuam como elo entre pacientes, familiares, médicos e todo o sistema de cuidado. 

Sem a enfermagem, simplesmente não existe assistência estruturada. O enfermeiro está no centro das decisões cotidianas que garantem a continuidade do tratamento, a humanização do atendimento e a qualidade da assistência. Seu papel combina conhecimento técnico, capacidade de liderança, gestão de pessoas e sensibilidade humana. Em um cenário de envelhecimento populacional e aumento das doenças crônicas, essa atuação ganha ainda mais relevância. 

A enfermagem brasileira também se tornou protagonista em novas frentes de cuidado. A presença desses profissionais fora do ambiente hospitalar é hoje estratégica para prevenir doenças, promover saúde e ampliar o acesso da população ao atendimento contínuo. Na atenção primária, na saúde da família, na educação em saúde, na pesquisa, na gestão e até no empreendedorismo, os enfermeiros ocupam espaços fundamentais para modernizar o setor. 

Nesse contexto, o crescimento da atenção domiciliar talvez seja um dos exemplos mais emblemáticos dessa transformação. Levar assistência para dentro da casa do paciente representa uma mudança profunda na forma de cuidar. O ambiente doméstico oferece características impossíveis de serem reproduzidas no hospital: proximidade da família, conforto emocional, continuidade da rotina e cuidado personalizado. É o paciente sendo tratado dentro do próprio mundo, cercado de vínculos afetivos e acolhimento. 

Os benefícios são evidentes. O cuidado domiciliar melhora a qualidade de vida, reduz riscos de infecções hospitalares, diminui complicações e permite uma abordagem mais integral, considerando corpo, mente e ambiente familiar. O enfermeiro, nesse cenário, torna-se peça-chave para garantir segurança clínica, acompanhamento constante e suporte imediato à equipe médica. 

Mas os desafios também são grandes. O profissional precisa compreender que a casa do paciente é, temporariamente, seu ambiente de trabalho. É necessário tomar decisões rápidas, possuir alto nível de conhecimento técnico e lidar com uma dinâmica familiar que nem sempre está preparada para participar do tratamento. A relação com os familiares exige empatia, firmeza e habilidade de comunicação, especialmente no acompanhamento de idosos e pacientes crônicos, que demandam atenção contínua. 

Ao mesmo tempo, a tecnologia vem ampliando a capacidade da enfermagem de oferecer um atendimento mais eficiente e seguro. Prontuários eletrônicos, registros em tempo real, integração entre equipes, telemedicina e sistemas de monitoramento remoto já fazem parte da rotina de muitos profissionais. Essas ferramentas reduzem falhas, agilizam decisões e fortalecem a qualidade da assistência. 

Valorizar a enfermagem, portanto, não é apenas reconhecer uma categoria profissional. É fortalecer a própria estrutura da saúde brasileira. Em qualquer nível de atendimento, da prevenção ao tratamento intensivo, existe um enfermeiro garantindo que o cuidado aconteça de forma organizada, humana e segura. Em tempos de transformação do setor, a sociedade precisa compreender que investir nesses profissionais é investir diretamente na vida, na dignidade e no futuro da saúde no Brasil.

 

Sueli Noronha Kaiser - fundadora e presidente do Conselho Consultivo do Grupo Cene, com 39 anos de atuação. Enfermeira formada pela Pontifícia Universidade Católica-RJ


Silencioso, diabetes gestacional pode trazer riscos para a mãe e o bebê


O diabetes gestacional, caracterizado pelo aumento do nível de glicose no sangue diagnosticado pela primeira vez durante a gravidez, muitas vezes é assintomático e pode ter riscos para a saúde da mãe e da criança, como pressão alta, bebês com peso elevado ao nascer e trabalho de parto obstruído. Mudanças no estilo de vida e medicamentos podem ajudar a controlar a condição. Quando surgem, os sintomas mais comuns do diabetes gestacional são aumento da sede e da frequência urinária, fadiga, visão turva, náusea e infecções frequentes, como candidíase.

 

Segundo as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2025, cerca de 16% dos nascidos vivos são gerados por mulheres que tiveram alguma forma de hiperglicemia durante a gravidez.  

 

O diabetes gestacional ocorre principalmente devido a alterações hormonais típicas da gravidez. Hormônios produzidos pela placenta, em especial o lactogênio placentário, dificultam a ação da insulina, o hormônio responsável por permitir que o açúcar seja absorvido pelas células e convertido em energia. Com essa resistência à insulina, a glicose se acumula na circulação sanguínea.

 

Segundo a endocrinologista Dra. Lorena Lima Amato, os riscos para o bebê incluem macrossomia (peso excessivo ao nascer), o que pode dificultar o parto e aumentar a necessidade de cesariana. “Além disso, há um risco aumentado de malformações, aborto espontâneo e outras complicações perinatais. A longo prazo, bebês de mães com diabetes gestacional têm maior probabilidade de desenvolver obesidade e diabetes tipo 2 na vida adulta. Para a mãe, além do risco de desenvolver diabetes tipo 2 após a gestação, há também um aumento na chance de pré-eclâmpsia”, alerta Dra. Lorena.

 

O diagnóstico do diabetes gestacional é feito durante o pré-natal, geralmente por meio de exames de rastreamento realizados entre a 24ª e a 28ª semana de gestação. A detecção precoce é fundamental para iniciar o tratamento e minimizar os riscos.

 

"Uma vez identificada a condição, a combinação de dieta balanceada, atividade física e, se necessário, medicação, é fundamental para controlar os níveis de glicose e garantir uma gestação saudável para a mãe e o bebê", afirma a Dra. Lorena Lima Amato. 



Dra. Lorena Lima Amato - A especialista é endocrinologista pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), com título da Sociedade Brasileira de Endocrinologia (SBEM), endocrinopediatra pela Sociedade Brasileira de Pediatria e doutora pela USP.
Site: https://endocrino.com/
www.amato.com.br
Instagram: https://www.instagram.com/dra.lorenaendocrino/


Combustível do cérebro: o que a água pura não repõe pode estar afetando seu rendimento cognitivo

A falta de eletrólitos como sódio e potássio compromete o funcionamento do cérebro e do corpo, mesmo com alta ingestão de água pura 

 

Falta de foco, cansaço mental, “tela azul” ao final do dia, irritabilidade e a sensação de que o cérebro está mais devagar do que deveria. Esses, entre tantos outros sintomas, são comumente associados ao estresse ou a uma série de outros diagnósticos generalistas. A resposta, porém, pode estar no copo d’água – ou, no que pode estar faltando dentro dele. 

Isso porque sais minerais como sódio e potássio – pouco presentes na água pura – estão diretamente ligados ao bom funcionamento do cérebro e do organismo como um todo. Os chamados eletrólitos permitem os impulsos elétricos do sistema nervoso. Cada pensamento, cada decisão tomada ao longo do dia, cada esforço para recuperar algo da memória exige impulsos elétricos realizados com a ajuda desses sais. 

Na prática, a água que bebemos contribui para carregar esses eletrólitos pelo corpo. Se ela não contém sais suficientes, ou se o organismo perde mais do que ingere, o sistema passa a operar abaixo do seu potencial. E é aí que os sintomas surgem. 

“O cérebro é um órgão elétrico. Cada decisão parte de um impulso elétrico, viabilizado pela presença de sais minerais. Se eles caem, a corrente enfraquece, a mente sente e o corpo também” explica o nutricionista Felipe Gomes. 

É justamente nesse processo que entra a chamada “bomba de sódio-potássio”, um mecanismo essencial que mantém o equilíbrio elétrico na membrana da célula, necessário para o funcionamento do corpo. Ela funciona como uma espécie de “troca ativa”, levando sódio para fora da célula e trazendo potássio para dentro. Esse processo cria as condições ideais para que os neurônios funcionem corretamente, ficando prontos para transmitir sinais sempre que recebem um estímulo ou gatilho. 

A tradução dessa explicação se resume em: quando a concentração de sódio e potássio cai, a qualidade, precisão e velocidade dos sinais processados pelo cérebro é prejudicada. A hidratação adequada, nesse caso, é fundamental para ajudar a manter a plena capacidade e performance cognitiva. 

"Beber água é o ponto de partida, mas a hidratação funcional vai além: ela ajuda a água a entrar nas células, permanecer lá e carregar os minerais que o sistema nervoso precisa para operar em plena capacidade", reforça Felipe Gomes. É aqui que entra o papel dos repositores de eletrólitos, como ferramenta de equilíbrio eletrolítico para o dia a dia. 

O déficit de eletrólitos, vale ressaltar, não é exclusividade de quem pratica esportes. Entre aqueles que podem experienciar os sintomas estão:

  • pessoas que passam muitas horas em ambientes climatizados, especialmente com baixa umidade do ar, condição que pode aumentar perdas hídricas imperceptíveis pela respiração e pela pele ao longo do dia;  
  • aqueles que consomem café em excesso, o que pode intensificar a eliminação de sódio e potássio pela urina.
  • adeptos de dietas restritivas – incluindo o uso de análogos de GLP-1 –, que podem reduzir a ingestão alimentar e, consequentemente, o consumo de minerais importantes para o equilíbrio hidroeletrolítico  

"O que vemos, com frequência, são pessoas que nunca associaram o cansaço mental ou a falta de foco a um déficit eletrolítico. Elas bebem água, às vezes até em volume adequado, mas sem a quantidade correta de minerais, e o corpo simplesmente não consegue aproveitar essa hidratação da forma que deveria", observa a nutricionista Felipe Gomes. 

Estudos mostram que uma desidratação de apenas 2% do peso corporal já é suficiente para comprometer tarefas que exigem atenção, habilidades psicomotoras e memória imediata. É nesse contexto que a hidratação funcional ganha relevância como hábito de saúde preventivo. 

"A suplementação de carboidratos e eletrólitos na hidratação é uma aliada para a saúde mental. Quando falamos em performance cognitiva, humor estável e energia ao longo do dia, estamos falando, antes de tudo, de um organismo bem hidratado nos seus níveis mais profundos. É justamente com o propósito de tornar o processo de hidratação mais assertivo que Liquid I.V. chega ao Brasil. Um suplemento de hidratação em pó, o produto conta com tecnologia exclusiva HydraScience, que atua no equilíbrio eletrolítico de forma eficiente e duradoura.” explica Evelyn Aguiar, Cientista de Liquid I.V. no Brasil. 

Repositores de eletrólitos, carboidratos e vitaminas, como Liquid I.V., representam hoje uma das formas mais simples e eficientes de garantir que o organismo opere no seu melhor, não apenas durante o treino, como também em cada momento que exige o melhor do cérebro.

 

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Empresas aceleram adequação à NR-1, mas execução das ações ainda gera dúvidas

Com entrada em vigor em 26 de maio, a norma traz desafios às empresas; o preparo das lideranças é apontado como um dos principais, segundo a Howden Brasil

 

A poucas semanas da entrada em vigor das atualizações da NR-1, que estabelece as diretrizes gerais de saúde e segurança no trabalho e reforça a inclusão dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), empresas avançam para cumprir as exigências relacionadas ao tema, com foco na estruturação do diagnóstico e na definição de planos iniciais. A etapa seguinte, no entanto, ainda gera dúvidas, especialmente na implementação das ações no ambiente de trabalho. A avaliação é da Howden Brasil, filial da corretora global especializada em seguros de alta complexidade.

 

Segundo Cláudia Machado, VP de Benefícios da corretora, o movimento das empresas tem se concentrado no atendimento das exigências imediatas da norma, muitas vezes com foco no cumprimento do prazo inicial. “As empresas vêm se mobilizando para atender o prazo, principalmente na construção do diagnóstico, se blindando de uma possível primeira multa. Esse é um passo fundamental, mas a transformação desse mapeamento em ações práticas ainda é um ponto de atenção para muitas organizações”, afirma.

 

Para atender à norma, as empresas precisam ter estruturado até maio o diagnóstico dos riscos psicossociais, a matriz de riscos, e atualização em seu PGR, além do registro das informações no eSocial.

 

A partir desse diagnóstico inicial, a norma prevê a definição de um plano de ação com priorização dos riscos identificados e cronograma de execução. “As ações não precisam ser implementadas neste primeiro momento, mas precisam estar estruturadas. É justamente nessa fase que muitas empresas ainda buscam clareza sobre como avançar”, destaca Sílvia Prinholato, Diretora Médica da corretora.

 

Segundo Cláudia Machado, as organizações estão em diferentes níveis de maturidade na adequação à norma. “Algumas iniciaram pela sensibilização das lideranças, outras avançaram na construção de inventários psicossociais e há aquelas que já ampliaram a comunicação sobre o tema para toda a organização. Ao mesmo tempo, parte das empresas ainda acompanha os desdobramentos da regulamentação, incluindo a possibilidade de um novo adiamento, o que influencia o ritmo de preparação”, ressalta.

 

Lideranças entram no centro da agenda

 

Para a Howden Brasil, um dos principais desafios para as empresas está na preparação das lideranças para lidar com o tema no dia a dia. “A norma traz um olhar mais estruturado para questões relacionadas à gestão de equipes, pressão por resultados e prevenção de situações de assédio. Isso coloca naturalmente as lideranças no centro dessa agenda. Existe um movimento crescente de conscientização de que resultados sustentáveis estão diretamente ligados à forma como as equipes são conduzidas. Mas como mobilizar o corpo diretivo para entender que não é possível gerar resultado em um ambiente com risco de adoecimento? Este é o grande desafio”, destaca a VP de Benefícios.  

 

Além disso, o cuidado deve se estender aos próprios gestores, como pondera Sílvia Prinholato. “A liderança também está exposta a níveis elevados de pressão. Preparar esses profissionais para cuidar das equipes e, ao mesmo tempo, ter suporte adequado, é essencial para evitar efeitos em cadeia.”

 

Outro ponto de atenção é a definição de prioridades. De acordo com Sílvia, os riscos psicossociais podem afetar toda a empresa, mas também podem estar concentrados em áreas específicas, o que exige direcionar as ações para onde o risco é mais relevante. 

A gestão de casos de assédio, por sua vez, também requer maior estruturação, especialmente diante de possíveis auditorias. “É importante que as empresas tenham treinamento comprovado sobre o tema e processos bem definidos para apuração de denúncias, com registro de como cada situação foi tratada”, afirma.

 

Para a Diretora Médica da corretora, a implementação da norma também reforça uma mudança mais ampla na forma como a saúde mental é tratada no ambiente corporativo. “Ainda existe um tabu importante quando falamos de saúde mental nas empresas. Historicamente, esse tema foi visto como uma responsabilidade individual, mas esse olhar está mudando, e a tendência é que as empresas passem a tratar a questão de forma cada vez mais estruturada”, conclui.

 

 

Howden Brasil

 

Turismo pelas águas: conheça 5 refúgios brasileiros só acessíveis para quem navega

Do Sul ao Nordeste, ilhas, enseadas e pequenas faixas de areia revelam um Brasil mais conectado ao mar. A seleção, com a curadoria de um dos maiores fabricantes de lanchas de lazer do país, a Triton Yachts, reúne destinos onde o barco faz parte da experiência, com cenários preservados, águas transparentes e roteiros voltados ao turismo de natureza. 

 

Pé na areia, sol e mar. Esse é o desejo de um em cada três turistas brasileiros quando o assunto é viagem. De acordo com estudo do Ministério do Turismo e da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, destinos turísticos com praias são os preferidos de 35% dos brasileiros entrevistados. No país, que reúne mais de mil ilhas espalhadas pelo território, parte dos refúgios mais preservados do litoral só pode ser acessada pelo mar. São praias, enseadas e faixas de areia isoladas que dependem de barco para receber visitantes. Do Sul ao Nordeste, esses destinos atraem cada vez mais viajantes em busca de águas transparentes, tempo de qualidade com amigos e familiares, descanso, natureza preservada e passeios com menos interferência urbana.

“O barco se tornou uma forma de viver experiências em família, com mais contato com a natureza e acesso a lugares que não estão disponíveis por terra e percebemos que os brasileiros estão olhando cada vez mais para as águas. Quando as pessoas estão a bordo, dificilmente ficam presas ao celular. Elas mergulham, conversam e aproveitam o mar, além de compartilharem momentos que aproximam pais, filhos e amigos. O Brasil tem uma costa muito favorável à navegação, com ilhas, baías protegidas e praias isoladas, e isso amplia muito as possibilidades de turismo pelas águas”, afirma o especialista Allan Cechelero e diretor da Triton Yachts, estaleiro com 40 anos de mercado nacional e internacional. 

Segundo ele, embarcações entre 30 e 40 pés costumam atender bem esse perfil de passeio, principalmente pela combinação entre autonomia, conforto e facilidade de uso em roteiros costeiros. “São barcos que permitem passar o dia a bordo com família e amigos, com estrutura para banho de mar, alimentação e até possibilidade de pernoitar”, complementa. 


Confira cinco destinos brasileiros para conhecer pelo mar:


  1. Ilha do Arvoredo, Bombinhas (SC)

Entre Bombinhas e Florianópolis, em Santa Catarina, a Ilha do Arvoredo é um dos destinos mais preservados do litoral catarinense, uma área de mergulho reconhecida globalmente e integra a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo. O acesso é feito apenas por embarcações e o destino é conhecido pela água transparente, pela vida marinha abundante e pelas formações rochosas que atraem praticantes de mergulho livre e autônomo. 


  1. Ilhas Botinas e Praia do Dentista, Angra dos Reis (RJ)

Localizadas na Baía da Ilha Grande, em Angra dos Reis, as Ilhas Botinas estão entre os cartões-postais mais conhecidos da Costa Verde. Formadas por duas pequenas ilhotas cercadas por águas transparentes, elas têm acesso exclusivamente pelo mar, por meio de barcos, lanchas ou escunas que saem de Angra dos Reis e de roteiros náuticos da região. O destino chama atenção pela visibilidade da água, pela presença de peixes e pelo cenário ideal para banho de mar, snorkel e contemplação.  Já a Praia do Dentista se tornou um dos símbolos náuticos brasileiros, o destino para quem aprecia ancorar em águas calmas e translúcidas, com direito a serviços de bares flutuantes e integrando a embarcação ao cenário de forma impecável.


  1. Ilha dos Cocos, Paraty (RJ)

A Ilha dos Cocos, em Paraty, é um dos refúgios mais buscados por quem deseja explorar a região pelo mar. O acesso é feito apenas por barco, com travessia a partir do cais central da cidade ou de marinas locais. Conhecida pelas águas cristalinas e pela paisagem cercada por Mata Atlântica, a ilha é procurada para mergulho livre, contemplação e passeios de lancha. Sem qualquer infraestrutura turística em terra, a ilha se mantém selvagem e exige que toda a experiência provenha do serviço a bordo da embarcação. É o cenário onde a lancha se transforma, na prática, em beach club privado.


  1. Ilha de Boipeba, Cairu (BA)

No litoral sul da Bahia, a Ilha de Boipeba é um dos refúgios mais preservados da Costa do Dendê e tem acesso final feito pelo mar, em lanchas, barcos ou catamarãs que partem de pontos como Valença, Graciosa e Salvador. Sem ligação direta por estrada, o destino preserva uma rotina mais lenta, com vilarejos, praias extensas, piscinas naturais e áreas de Mata Atlântica. Entre os pontos mais procurados estão Moreré, Bainema, Cueira e Boca da Barra, que atraem visitantes em busca de mar calmo, natureza e uma experiência menos urbana. A inexistência de automóveis e a logística de acesso funcionam como um filtro natural e preservam uma atmosfera de tranquilidade e exclusividade que atrai quem procura privacidade com autenticidade e integração total na natureza.

"Para quem chega a bordo da sua embarcação e compreende a excelência do setor náutico, a ilha revela enseadas e bancos de areia que dispensam qualquer infraestrutura terrestre, transformando o convés parte da experiência” conta o diretor da Triton Yachts. 


  1. Ilha do Amor, Camocim (CE)

No litoral oeste do Ceará, a Ilha do Amor fica em frente à cidade de Camocim e tem acesso feito por embarcações que atravessam o rio Coreaú. O destino reúne dunas, manguezais, praias e espelhos d’água que se formam no período de chuvas, compondo um cenário procurado por quem busca banho de mar, paisagens naturais e passeios de curta travessia. A chegada pelo rio faz parte da experiência e marca o caráter náutico do roteiro, com vista para barcos ancorados, casas à beira-mar e falésias da região. Adicionalmente, o local serve como o ponto de partida perfeito para incursões até à deslumbrante Barra dos Remédios ou à vizinha Tatajuba, integrando as zonas mais exclusivas da Rota das Emoções.

"Por muito tempo, o setor náutico brasileiro esteve no imaginário popular sob o paradigma de que ter um barco era um privilégio restrito exclusivamente a milionários. Essa é uma narrativa que, definitivamente, tem mudado. Nos últimos anos, a indústria amadureceu e a Triton acompanhou de forma estratégica, ampliando consideravelmente o nosso portfólio e parcerias com instituições que geram facilitadores para a aquisição. Hoje, oferecemos desde modelos de entrada com excelente custo-benefício até barcos de maiores dimensões, de 52 pés” conta Cechelero. 

"Diante de uma enorme diversidade de belezas naturais na costa e nas vias interiores do Brasil, a grande virada de chave no mercado ocorre no exato momento em que o cliente experimenta essa liberdade. Quando se compreende, na prática, o retorno imensurável, ao adquirir um barco, em qualidade de vida, em tempo de qualidade com a família e no acesso a um lazer de altíssimo nível longe das multidões, a percepção de valor se transforma. A lancha deixa de ser vista apenas como um bem de capital e passa a ser compreendida como um investimento direto em saúde mental, privacidade e bem-estar. É um passaporte para os destinos mais cobiçados do país, com o conforto da sua própria casa.”, complementa 



Triton Yachts
https://www.tritonboats.com.br/

Cânceres de pâncreas, estômago, fígado, esôfago, peritônio e colorretal somam mais de 70 mil mortes por ano no Brasil

Levantamento a partir de dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, realizado pelo cirurgião oncológico Felipe Coimbra, sobre tumores abdominais, mostra que esses seis grupos de tumores abdominais concentram cerca de 74 mil óbitos anuais no país. Com sintomas pouco específicos nas fases iniciais e diagnóstico frequentemente tardio, essas doenças apresentam elevada letalidade e evidenciam a importância de prevenção, vigilância de grupos de risco e acesso oportuno ao tratamento 

 

Mais de 70 mil brasileiros morrem, todos os anos, em decorrência de cânceres abdominais como pâncreas, estômago, fígado, esôfago, peritônio e colorretal. Em 2025, esses tumores somaram 74.001 mortes no país, segundo levantamento a partir de dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, realizado pelo cirurgião oncológico Felipe José Fernández Coimbra. O câncer colorretal, que reúne cólon e reto, respondeu por 23.539 óbitos. Na sequência aparecem o câncer de pâncreas, com 14.571 mortes; o de estômago, com 14.363; o de fígado, com 11.305; o de esôfago, com 8.245; e as neoplasias do peritônio, com 1.978 mortes .

Os dados contemplam as neoplasias malignas do pâncreas (CID C25), do estômago (CID C16), do fígado (CID C22), do esôfago (CID C15), dos tecidos moles do retroperitônio e do peritônio (CID C48) e do câncer colorretal, que reúne as neoplasias malignas do cólon (CID C18) e do reto (CID C20), conforme a Classificação Internacional de Doenças. A análise desses códigos permite observar a evolução da mortalidade ao longo dos últimos anos e dimensionar o peso desses tumores na carga oncológica brasileira.

A série histórica revela crescimento consistente em praticamente todos esses cânceres. O câncer de pâncreas, por exemplo, passou de 10.754 mortes em 2017 para 14.571 em 2025. No mesmo período, o câncer de fígado subiu de 10.201 para 11.305 óbitos, enquanto o de estômago manteve patamar elevado, com pequenas variações anuais. O câncer de esôfago também se mantém estável em níveis altos, sempre acima de 8 mil mortes por ano. Já o câncer colorretal apresenta aumento progressivo, acompanhando a tendência de crescimento da incidência no país.

 

Levantamento de mortalidade por câncer no Brasil – Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) – Ministério da Saúde. 

Câncer

2025

2024

2023

2022

2021

2020

2019

2018

2017

Estômago

14.363

14.917

14.824

14.340

14.260

13.850

15.111

14.762

14.314

Esôfago

8.245

8.677

8.429

8.517

8.430

8.307

8.716

8.649

8.554

Fígado

11.305

11.688

11.119

10.618

10.598

10.764

10.902

10.551

10.201

Cólon

16.680

16.730

15.845

13.921

13.167

12.422

12.768

12.196

11.791

Reto

6.859

6.665

6.114

5.573

5.401

5.239

5.472

5.370

5.168

Peritônio

1.978

1.844

1.865

1.817

1.715

1.445

1.448

1.385

1.326

Pâncreas

14.571

14.379

13.507

12.654

11.974

11.893

11.801

11.099

10.754


A elevada mortalidade está diretamente associada ao diagnóstico tardio. Em grande parte dos casos, esses tumores evoluem de forma silenciosa, com sintomas inespecíficos que dificultam o reconhecimento precoce. O câncer de pâncreas é o exemplo mais emblemático dessa dinâmica. Embora represente cerca de 1% dos diagnósticos oncológicos no Brasil, responde por aproximadamente 5% das mortes por câncer.

“O câncer de pâncreas é um dos maiores desafios justamente porque ele se desenvolve de forma silenciosa e agressiva”, afirma Felipe José Fernández Coimbra, cirurgião oncológico, secretário-geral da Sociedade Mundial de Cirurgia Oncológica (WSSO), Diretor Internacional da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica e Head do Instituto Integra Saúde. “Os sintomas iniciais são vagos, como dor abdominal ou lombar difusa, perda de peso ou fraqueza, diabetes, e acabam sendo atribuídos a problemas comuns do dia a dia, o que atrasa a investigação”, aponta.  

 

Incidência no Brasil e no mundo

Embora o foco central deste levantamento seja a mortalidade, os dados de incidência ajudam a dimensionar a magnitude desses tumores. As estimativas do Instituto Nacional de Câncer para o triênio 2026–2028 indicam que o Brasil deverá registrar cerca de 59,5 mil novos casos por ano considerando quatro cânceres abdominais: estômago, pâncreas, esôfago e fígado .

A esse conjunto soma-se o câncer colorretal, que, isoladamente, apresenta estimativa de 53.810 novos casos anuais. Quando analisados em conjunto, esses cinco grupos de tumores abdominais ultrapassam 113 mil novos casos por ano no Brasil, evidenciando a dimensão epidemiológica dessas doenças.

Dentro desse total, o câncer colorretal é o mais incidente, seguido pelo câncer de estômago, com 22.530 novos casos anuais. Na sequência aparecem o câncer de pâncreas, com 13.240 casos por ano; o câncer de fígado, com 12.350; e o câncer de esôfago, com 11.390 novos diagnósticos anuais . O crescimento proporcional mais acentuado ocorre no câncer de pâncreas, que apresenta aumento superior a 20% em relação ao triênio anterior .

No cenário global, a relevância desses tumores também é expressiva. Em 2022, o câncer colorretal registrou cerca de 1,9 milhão de novos casos no mundo, seguido pelo câncer de estômago, com aproximadamente 968 mil, pelo câncer de fígado, com 866 mil, e pelos tumores de esôfago e pâncreas, ambos com cerca de 510 mil novos diagnósticos . Esses números refletem a ampla distribuição de fatores de risco, como alimentação inadequada, sedentarismo, consumo de álcool, tabagismo e infecções crônicas, além do envelhecimento populacional.

 

 Levantamento de incidência de câncer abdominal no mundo de acordo com o Globocan 2022, da Agência Internacional para Pesquisa do Câncer (IARC/OMS) 

Câncer

Incidência

Mortalidade

Estômago

968.784

660.175

Esôfago

511.054

445.391

Fígado

866.136

758.725

Colorretal

1.926.425

904.019

Pâncreas

510.992

467.409

 

 

Mortalidade em comparação com o mundo 

Os dados brasileiros encontram paralelo no cenário internacional, onde esses tumores também apresentam alta letalidade. Em 2022, de acordo com a Agência Internacional para Pesquisa do Câncer da Organização Mundial da Saúde (IARC/OMS) o câncer colorretal foi responsável por mais de 904 mil mortes no mundo, enquanto o câncer de fígado causou cerca de 758 mil óbitos e o de estômago aproximadamente 660 mil. O câncer de pâncreas registrou cerca de 467 mil mortes e o de esôfago aproximadamente 445 mil, mantendo-se entre os tumores mais letais globalmente.

De acordo com Coimbra, a combinação entre biologia agressiva e diagnóstico tardio explica boa parte desses números. “Estamos falando de tumores em que a cirurgia, quando possível, continua sendo a principal chance de cura, mas ela só é viável quando o diagnóstico é feito a tempo”, afirma. 

 

Incidência, mortalidade e sobrevida em cinco anos nos Estados 

Nos Estados Unidos, a partir de dados do National Cancer Institute (NCI), é possível analisar de forma integrada a incidência, mortalidade e sobrevida em cinco anos. Para 2026, são estimados 158.850 novos casos de câncer colorretal, com 55.230 mortes; 67.530 casos de câncer de pâncreas, com 52.740 óbitos; 42.340 casos de câncer de fígado, com 30.980 mortes; 22.530 casos de câncer de esôfago, com 16.290 óbitos; e 31.510 casos de câncer de estômago, com 10.750 mortes.

A sobrevida em cinco anos varia de forma significativa entre os diferentes tumores e está diretamente relacionada ao estágio da doença no momento do diagnóstico. Quando o câncer é identificado em fase localizada (restrito ao órgão de origem, sem disseminação para linfonodos ou outros órgãos) as chances de tratamento curativo são substancialmente maiores.

Nesse cenário, os dados mostram diferenças marcantes entre os tumores. No câncer colorretal, a sobrevida em cinco anos em doença localizada é de cerca de 90%. No câncer de estômago, essa taxa fica em torno de 70%. Já no câncer de esôfago, a sobrevida em estágio localizado gira em torno de 47%. No câncer de fígado, os casos diagnosticados precocemente apresentam sobrevida próxima de 35%. No câncer de pâncreas, apesar da baixa sobrevida global, a taxa pode alcançar cerca de 44% quando o tumor é identificado ainda restrito ao órgão, porém observando-se melhora significativa nos últimos anos.

Quando se consideram todos os estágios da doença, essas taxas caem de forma significativa: 65,4% para câncer colorretal, 39,8% para estômago, 22,2% para esôfago, 21,9% para fígado e 13,7% para pâncreas. A diferença entre esses cenários evidencia o impacto direto do diagnóstico precoce no prognóstico.

“Quando olhamos para esses dados de sobrevida por estágio (estadiamento), fica evidente que não estamos lidando apenas com tumores biologicamente agressivos, mas com doenças que, em grande parte, estão sendo diagnosticadas tarde demais. Existe uma janela de oportunidade importante, em que o tumor ainda está restrito ao órgão e a cirurgia pode ser curativa. Porém, essa janela é frequentemente perdida porque os sintomas são inespecíficos ou subvalorizados”, afirma Felipe José Fernández Coimbra. 

 

Incidência e mortalidade nos Estados Unidos
Novos casos estimados para 2026 – SEERS/NCI/NHI

Câncer

Incidência

Mortalidade

Sobrevida em 5 anos

Estômago

31.510

10.750

39.8%

Fígado

42.340

30.980

21.9%

Esôfago

22.530

16.290

22.2%

Colorretal

158.850

55.230

65.4%

Pâncreas

67.530

52.740

13.7%

 

 

Ainda segundo o especialista, isso muda completamente o desfecho. “No câncer de pâncreas, por exemplo, quando conseguimos identificar a doença em fase inicial, a sobrevida pode mais que triplicar em relação aos estágios avançados. O mesmo raciocínio se aplica a outros tumores do aparelho digestivo. O problema é que ainda não temos, para a maioria deles, estratégias de rastreamento populacional bem estabelecidas, o que exige um nível maior de suspeição clínica e organização do sistema de saúde para reduzir o tempo entre os primeiros sinais e o diagnóstico”, completa.

No caso do câncer de pâncreas, cerca de 80% dos pacientes recebem o diagnóstico em fases avançadas, quando o tumor já ultrapassou o órgão de origem ou apresenta metástases, o que limita as opções terapêuticas. Esse padrão também se observa em outros tumores abdominais, como esôfago e fígado, em razão da falta de especificidade dos sintomas iniciais e da ausência de estratégias estruturadas de rastreamento.

A comparação entre incidência, mortalidade e sobrevida mostra que o estágio ao diagnóstico é um dos principais determinantes dos desfechos clínicos, com impacto direto na possibilidade de tratamento curativo e na redução da mortalidade. Apesar da gravidade desses números, avalia Felipe Coimbra, há uma mensagem importante de esperança. “Muitos desses desfechos podem mudar com informação, prevenção e acesso mais rápido ao diagnóstico. Manter hábitos saudáveis, evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, buscar acompanhamento médico diante de sintomas persistentes e realizar exames de rastreamento quando indicados são atitudes que fazem a diferença”, orienta.

Ainda de acordo com o especialista, o recado para a população, o recado inclui não ignorar sinais do corpo e procurar atendimento cedo pode ampliar as chances de tratamento e cura. Segundo ele, com mais consciência, organização do sistema de saúde e diagnóstico oportuno, é possível reduzir mortes e oferecer a mais brasileiros a oportunidade de viver mais e melhor.

  

Felipe Coimbra – Médico cirurgião oncológico referência nacional e mundial em câncer abdominal, Felipe José Fernández Coimbra se graduou em Medicina pela Universidade Federal do Pará, fez Residência Médica em Cirurgia Geral na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e em Cirurgia Oncológica no A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo. Atualmente é secretário-geral da Sociedade Mundial de Cirurgia Oncológica (WSSO), diretor do Instituto Integra e líder do Centro de Referência de Tumores do Aparelho Digestivo Alto do A.C.Camargo. Presidiu a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncologia no biênio 2015-2017 e foi o primeiro brasileiro a presidir a Americas Hepato-Pancreato-Biliary Association (AHPBA), em 2019/2020. Faz parte do comitê científico internacional da International Hepato Pancreato Biliary Association (IHPBA) e é representante internacional da Society of Surgical Oncology Americana (SSO).



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