Lote 025155 do
Dysport foi proibido em 19 de outubro; especialista explica o que conferir
antes do procedimento
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
determinou a apreensão de mais um lote falsificado de Dysport, medicamento à
base de toxina botulínica utilizado em procedimentos estéticos e terapêuticos.
A medida, divulgada em 19 de outubro, proíbe a comercialização, a distribuição
e o uso do lote 025155 em todo o território nacional. [1]
A decisão ocorreu após a Beaufour Ipsen
Farmacêutica, detentora do registro do medicamento no Brasil, comunicar a
identificação de unidades com características diferentes das do produto
original. Entre as irregularidades estavam o formato do frasco, a data de
validade incorreta e um código de barras correspondente a outro lote. A mesma
marca já havia sido alvo de medidas semelhantes da Anvisa em agosto e setembro.
[1, 2, 3]
A sucessão de apreensões chama a atenção para um
risco que pode passar despercebido por quem procura tratamentos estéticos: a
dificuldade de identificar produtos falsificados. Além da procedência
desconhecida, essas substâncias podem apresentar composição, concentração e
condições de armazenamento incompatíveis com as exigências de segurança.
A aparência do medicamento, isoladamente, não
oferece garantias ao paciente. "Uma embalagem aparentemente normal não
garante autenticidade", diz a biomédica especialista em estética Melissa
Brum. Num produto falso, segundo ela, não há como saber a composição, a dose ou
se houve contaminação.
Como verificar a segurança
antes da aplicação
A escolha do profissional e do estabelecimento deve
ser acompanhada da verificação do medicamento que será utilizado. Segundo a
Anvisa, procedimentos com toxina botulínica devem ocorrer em serviços
autorizados pela vigilância sanitária, com produtos registrados no país e
respeitando as orientações da bula. [4]
O paciente deve conferir se o estabelecimento
possui licença sanitária e se o responsável pelo procedimento tem registro
ativo no conselho profissional competente, além da habilitação exigida para a
atividade. A legislação e as normas aplicáveis a cada profissão também precisam
ser observadas. [4, 5]
Outro cuidado é solicitar informações sobre o
produto antes da aplicação. A Anvisa orienta que sejam verificados o nome
comercial, o fabricante, o número do lote e o prazo de validade. Com esses
dados, é possível consultar a regularidade do medicamento e identificar
eventuais restrições ou determinações de apreensão. [4, 6]
O preço também merece atenção. Ofertas muito
inferiores aos valores habitualmente praticados podem justificar uma
verificação mais cuidadosa, principalmente quando o estabelecimento não fornece
informações claras sobre o medicamento utilizado.
A orientação de Melissa Brum é considerar o
conjunto dessas informações antes de escolher onde realizar o procedimento,
especialmente quando a oferta é apresentada como uma oportunidade de economia.
"A decisão não deve se basear só no preço. Transparência faz parte da
segurança", afirma Brum.
Botulismo iatrogênico é uma
complicação rara, mas grave
A preocupação com a procedência dos produtos também
está relacionada aos riscos de complicações após a aplicação. Embora a toxina
botulínica seja utilizada há anos em tratamentos estéticos e terapêuticos, seu
uso inadequado pode provocar efeitos que ultrapassam a região tratada.
Uma dessas complicações é o botulismo iatrogênico,
condição rara provocada pelos efeitos da toxina após sua administração para
fins terapêuticos ou estéticos. O quadro pode estar associado a diferentes
fatores, incluindo problemas na dose, na concentração ou na aplicação do
medicamento. [7]
Em novembro de 2025, o Ministério da Saúde e a
Anvisa publicaram uma nota técnica conjunta para orientar os serviços de saúde
sobre a identificação, a notificação e o tratamento desses casos. Segundo o
documento, o Brasil havia registrado dois casos confirmados em 2024 e 11 em
2025, até a data da publicação. [7]
Os sintomas podem surgir poucas horas ou até
semanas depois da aplicação. Visão dupla ou turva, queda das pálpebras,
dificuldade para falar ou engolir e falta de ar estão entre os sinais de alerta
descritos pelas autoridades sanitárias. Diante de qualquer uma dessas
manifestações, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente. [7, 8]
A nota técnica também esclarece que os casos
registrados no país estavam, em sua maioria, relacionados ao uso incorreto da
toxina botulínica. A ocorrência de sintomas, portanto, não significa
necessariamente que o medicamento utilizado tenha sido falsificado. [7]
Além de buscar assistência, o paciente deve
informar à equipe de saúde o procedimento realizado, a data da aplicação e,
sempre que possível, o nome e o lote do produto utilizado. Suspeitas de
falsificação podem ser comunicadas à vigilância sanitária, enquanto possíveis
reações adversas devem ser notificadas à Anvisa pelo sistema VigiMed. [7]
Melissa Brum Pereira da Mata -é biomédica esteta formada
pela Faculdade Anhanguera de Brasília, com atuação na área desde 2015. É CEO do
Instituto Melissa Brum e ministra cursos de harmonização orofacial desde 2018.
Realizou mais de 20 cursos na área e possui certificações internacionais pela
CTA Academy e pela NYU, em Nova York. Tem registro profissional CRBM-3/13008.
Referências
- Anvisa.
Anvisa determina apreensão de lote falsificado de toxina botulínica. 19 de
outubro de 2026. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-determina-apreensao-de-lote-falsificado-de-toxina-botulinica
- Anvisa.
Anvisa determina apreensão de toxina botulínica falsificada. 27 de agosto
de 2026. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-determina-apreensao-de-toxina-botulinica-falsificada
- Anvisa.
Apreensão de medicamento falsificado para câncer de mama e toxina
botulínica. 21 de setembro de 2026. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-determina-a-apreensao-de-medicamento-falsificado-para-cancer-de-mama-e-toxina-botulinica
- Anvisa.
Alerta sobre risco de botulismo após administração de toxina botulínica. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2025/anvisa-alerta-sobre-risco-de-botulismo-apos-administracao-de-toxina-botulinica
- Anvisa.
Serviços de embelezamento: perguntas frequentes. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/acessoainformacao/perguntasfrequentes/servicos-de-saude/servicos-de-embelezamento/
- Anvisa.
Como saber se um produto é autorizado pela Anvisa. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/comunicacao/campanhas/estetica/como-saber-se-um-produto-e-autorizado-pela-anvisa
- Ministério
da Saúde e Anvisa. Nota Técnica Conjunta nº 405/2025-CGZV/DEDT/SVSA/MS e
Anvisa. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/b/botulismo/notas-tecnicas/nota-tecnica-conjunta-no-405-2025-cgzv-dedt-svsa-ms-e-anvisa
- Ministério
da Saúde. Botulismo. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/b/botulismo


