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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Água gelada faz mal para a garganta? Especialista esclarece os principais mitos sobre a voz no inverno

Frio, bebidas geladas, rouquidão e pigarro estão entre as dúvidas mais comuns desta época do ano. Otorrinolaringologista explica o que realmente prejudica a saúde vocal — e o que não passa de mito

 

Todo inverno é a mesma história. Basta alguém pedir um copo de água gelada ou um sorvete para surgir o alerta: "Cuidado, isso faz mal para a garganta!" Da mesma forma, muitas pessoas acreditam que falar, cantar ou dar aulas em dias frios pode provocar rouquidão. Mas será que essas recomendações têm fundamento científico? 

Segundo o otorrinolaringologista Dr. Alexandre Y. Kumagai, do Hospital Paulista, muitas dessas crenças atravessam gerações e acabam sendo confundidas com fatores que realmente interferem na saúde vocal. "A água gelada costuma levar a culpa, mas não é a verdadeira responsável pelos problemas de voz. A água gelada, por si só, não faz mal para a garganta nem para as pregas vocais. O líquido ingerido percorre o esôfago e não entra em contato direto com as estruturas responsáveis pela produção da voz. Portanto, dizer que a água gelada 'estraga a voz' não encontra respaldo nas evidências científicas." 

Isso não significa, porém, que algumas pessoas não possam sentir desconforto ao consumir bebidas muito frias. Quem está com uma infecção viral, refluxo, garganta irritada ou apresenta maior sensibilidade na região pode perceber uma sensação temporária de contração, pigarro ou irritação. "Nesses casos, o frio não provoca uma lesão. Ele apenas pode intensificar um desconforto que já existia."


O frio é mesmo o vilão?
 

Outra dúvida muito frequente é se falar, cantar ou dar aulas em ambientes frios pode causar rouquidão. De acordo com Dr. Alexandre Y. Kumagai, a temperatura baixa, isoladamente, não é a responsável pelo problema. "No inverno, o maior inimigo da voz não é o frio, e sim a combinação entre ar seco, desidratação e uso excessivo da voz. O frio, por si só, não é uma causa direta de rouquidão. Durante o inverno, diversos fatores costumam atuar em conjunto, como a baixa umidade do ar, o ressecamento das mucosas, as infecções respiratórias, a congestão nasal, a menor ingestão de água e o maior esforço vocal em ambientes fechados e barulhentos." 

Por isso, muitas pessoas associam a perda da voz ao frio quando, na realidade, o quadro pode estar relacionado a uma virose, a uma crise de rinite, ao refluxo ou simplesmente ao uso excessivo da voz.

 

Os verdadeiros inimigos da voz 

Se o problema não está na água gelada nem na temperatura ambiente, quais hábitos realmente merecem atenção? Segundo o médico, os principais vilões da saúde vocal durante o inverno são o ressecamento das vias aéreas, a baixa umidade do ar, o uso frequente de aquecedores e aparelhos de ar-condicionado, a desidratação, as infecções respiratórias, as alergias, o refluxo gastroesofágico, o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e o abuso vocal. 

Há ainda comportamentos bastante comuns que acabam agravando o problema, como pigarrear repetidamente, falar ou gritar para competir com o barulho e recorrer à automedicação com descongestionantes nasais ou anti-histamínicos, medicamentos que podem favorecer o ressecamento da mucosa.

 

Quem trabalha com a voz precisa redobrar os cuidados 

Professores, jornalistas, advogados, operadores de telemarketing, locutores, cantores e outros profissionais que dependem da voz no dia a dia devem adotar alguns cuidados extras durante os meses mais frios.

Entre as principais recomendações estão manter uma boa hidratação ao longo do dia, umidificar os ambientes quando o ar estiver muito seco, fazer pequenas pausas vocais, evitar pigarrear e realizar um aquecimento vocal antes de períodos de uso mais intenso da voz.

"Também é importante tratar adequadamente condições como rinite, refluxo e infecções respiratórias quando elas estiverem presentes. Sempre que possível, vale utilizar microfone em ambientes amplos e evitar falar ou cantar intensamente durante episódios de laringite."


Quando procurar um especialista? 

"Rouquidão persistente por mais de quatro semanas, dificuldade para respirar ou engolir, dor intensa, presença de sangue na saliva, perda de peso sem explicação ou aparecimento de nódulos no pescoço exigem avaliação por um otorrinolaringologista." 

Para Dr. Alexandre Y. Kumagai, compreender a diferença entre mitos e evidências científicas ajuda não apenas a preservar a voz, mas também a evitar preocupações desnecessárias. 

"Cuidar da voz é muito mais do que evitar uma bebida gelada: é manter bons hábitos de hidratação, tratar corretamente as doenças respiratórias e respeitar os limites do próprio organismo. Quando entendemos o que realmente faz diferença, conseguimos proteger a voz durante todo o ano."

 

 Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

 

No frio, o coração sente primeiro

Doctor Clin alerta para riscos cardiovasculares no inverno e reforça importância da prevenção, dos exames de rotina e do acompanhamento médico


As baixas temperaturas dos meses de inverno exigem cuidados que vão além da prevenção de gripes e doenças respiratórias. O alerta para os riscos cardiovasculares associados ao frio é ainda mais importante para idosos, pessoas com hipertensão, diabetes, histórico de infarto, arritmias, insuficiência cardíaca e outros fatores de risco. A orientação é manter o acompanhamento médico em dia, observar sinais de alerta e não interromper tratamentos já prescritos.

Durante o frio, o organismo reage para preservar a temperatura corporal. Uma dessas respostas é a vasoconstrição, quando os vasos sanguíneos se contraem. Esse processo pode elevar a pressão arterial e fazer o coração trabalhar mais, aumentando o risco de complicações em pessoas predispostas.

O cardiologista Túlio Zortéa explica que o inverno pode representar um período de maior vulnerabilidade para pacientes com doenças cardiovasculares. “Além do aumento da pressão arterial, há maior ativação do sistema nervoso simpático, elevação da frequência cardíaca, maior agregação das plaquetas e aumento da viscosidade do sangue. Esses fatores podem ampliar o risco de infarto, acidente vascular cerebral e descompensação da insuficiência cardíaca”, afirma.

Entre os sinais que devem motivar busca imediata por atendimento estão dor ou aperto no peito, falta de ar repentina ou em piora, palpitações persistentes, tontura intensa, desmaio, fraqueza súbita, dificuldade para falar, perda de força em um lado do corpo, inchaço importante nas pernas ou ganho rápido de peso em pacientes com insuficiência cardíaca.

A prevenção também passa por hábitos simples no dia a dia. Manter-se bem agasalhado, evitar mudanças bruscas de temperatura, preservar a hidratação, controlar pressão arterial, colesterol e diabetes, não fumar, evitar consumo excessivo de álcool e manter a vacinação contra influenza e COVID-19 atualizada são medidas importantes. A prática de atividade física deve ser mantida sempre que possível, com aquecimento adequado e orientação médica.

O acompanhamento com cardiologista tem papel essencial nesse período. Consultas regulares permitem revisar medicamentos, controlar fatores de risco e solicitar exames preventivos conforme a necessidade de cada paciente.

  

Marcelo Matusiak


Mais do que uma companhia: por que as amizades são fundamentais para a nossa saúde mental?

No Dia Nacional da Amizade (20/07), especialista destaca como cultivar vínculos genuínos fortalece a saúde mental e o sentimento de pertencimento. 

 

Um estudo da AARP Research, realizado recentemente com quase 1.500 adultos, reforça o papel das amizades na qualidade de vida. Segundo a pesquisa, 95% dos entrevistados consideram os amigos essenciais para uma vida feliz e saudável. O levantamento também mostra que, embora a maioria das pessoas continue aberta a conhecer novos amigos, criar esses laços tende a se tornar mais desafiador com o passar dos anos.


Para a Dra. Mariana Ramos, professora de Psicologia da Afya Centro Universitário de Itaperuna,  a amizade atende a uma das necessidades humanas mais fundamentais que é se sentir-se parte de um grupo. Segundo a especialista, as pessoas são, por natureza, seres relacionais e dependem do contato com o outro desde o nascimento não apenas para sobreviver fisicamente, mas também para desenvolver a identidade, aprender a regular as emoções e construir a autoestima. 


As primeiras relações, especialmente com os cuidadores, funcionam como um espelho e influenciam a forma como cada indivíduo passa a enxergar a si mesmo e ao mundo. "É por meio dessas experiências que começamos a responder perguntas que nos acompanham por toda a vida, como: 'Sou importante?', 'Sou digno de amor?' e 'Posso confiar nas pessoas?'. Quando essas necessidades emocionais são atendidas de forma consistente, desenvolvemos mais segurança para estabelecer conexões saudáveis ao longo da vida. Quando isso não acontece, podem surgir crenças que dificultam nossos relacionamentos", explica.


A docente ressalta que a amizade vai muito além da companhia para sair, viajar ou conversar ocasionalmente. "As amizades verdadeiras são espaços de segurança emocional. São relações em que podemos celebrar conquistas sem receio de despertar inveja, dividir dificuldades sem medo de julgamentos e demonstrar fragilidade sem sentir vergonha. Um bom amigo não elimina nossos problemas, mas torna o peso deles mais suportável."


Dra. Mariana destaca ainda que estar sem amigos não significa, necessariamente, estar sozinho. Muitas pessoas convivem diariamente com colegas de trabalho, familiares ou centenas de contatos nas redes sociais e, mesmo assim, experimentam uma profunda sensação de vazio. "Uma das maiores ilusões da vida moderna é acreditar que quantidade representa qualidade. É possível estar cercado de pessoas e, ainda assim, sentir-se profundamente sozinho quando faltam relações construídas com confiança, respeito e reciprocidade. A sensação de fazer parte nasce da qualidade dessas conexões. Pertencemos aos lugares e às pessoas onde somos aceitos, respeitados e acolhidos exatamente como somos."


Solidão x solitude


Embora os termos sejam frequentemente confundidos, existe uma diferença importante entre estar sozinho e sentir-se sozinho. Enquanto a solidão costuma estar associada ao sofrimento provocado pela ausência de conexões afetivas significativas e pela sensação de isolamento, a solitude representa a capacidade de aproveitar a própria companhia de forma saudável e voluntária.


"Estar sozinho por escolha pode ser extremamente positivo para o autoconhecimento e o equilíbrio emocional. A solitude é um momento de encontro consigo mesmo, que favorece a criatividade, a autorreflexão e a regulação das emoções. Já a solidão surge quando existe o desejo de se conectar, mas a pessoa sente que não consegue estabelecer relações que ofereçam apoio, compreensão e segurança emocional. Quem aprende a conviver bem consigo tende a desenvolver relacionamentos mais saudáveis, pois deixa de atribuir ao outro a responsabilidade exclusiva por preencher seus vazios emocionais", explica a psicóloga.

 

Amizades virtuais na era da hiperconectividade


Embora a tecnologia facilite encontros e amplie as possibilidades de interação, ela também evidencia que o número de contatos não é sinônimo de relações significativas. Dados do Digital Wellness Lab, do Boston Children's Hospital, divulgados no relatório Pulse Survey: Belonging (2025), mostram que 50% dos adolescentes afirmam ter amigos próximos que conheceram exclusivamente pela internet e nunca encontraram pessoalmente. Além disso, 71% dizem ter desenvolvido amizades significativas em ambientes virtuais, enquanto 67% consideram esses amigos tão importantes quanto os presenciais.


Segundo a especialista, as amizades iniciadas no ambiente digital podem ser tão relevantes quanto as presenciais quando são construídas com confiança, respeito, apoio mútuo e disponibilidade emocional. Para ela, a internet ampliou as possibilidades de encontro e aproxima pessoas com interesses em comum, especialmente aquelas que enfrentam dificuldades para socializar presencialmente. "As redes sociais podem, sim, favorecer a construção de amizades genuínas. Muitas pessoas encontram apoio, identificação e até relacionamentos importantes por meio da internet. No entanto, a tecnologia, por si só, não substitui elementos essenciais de um vínculo saudável, como presença, reciprocidade, confiança e disponibilidade emocional. Mais importante do que o lugar onde uma amizade começa é a qualidade da conexão construída. Nenhum algoritmo é capaz de substituir o conforto de alguém que verdadeiramente nos escuta ", enfatiza.

 

 

Por que algumas pessoas têm dificuldade para fazer amigos?


Diversos fatores emocionais e psicológicos podem dificultar a construção de amizades, como baixa autoestima, medo da rejeição, ansiedade social, traumas, experiências de abandono, excesso de autocrítica e dificuldade para confiar nas pessoas. Mudanças na rotina, como trabalho remoto, jornadas extensas, mudança de cidade, maternidade, envelhecimento e o uso excessivo das redes sociais, também reduzem as oportunidades de convivência e de criação de novos laços.


Segundo Mariana Ramos, professora de Psicologia da Afya Centro Universitário de Itaperuna, muitas pessoas acreditam que simplesmente não nasceram para fazer amigos, quando, na realidade, carregam experiências que afetam a forma como se relacionam. "Essa é uma frase que escuto com frequência no consultório: 'Eu simplesmente não nasci para fazer amigos'. Na maioria das vezes, porém, ela não descreve uma realidade. Ela revela uma história marcada por rejeições, críticas, bullying ou relações que ensinaram a pessoa a acreditar que não era suficientemente boa. Quando essas barreiras emocionais são compreendidas e trabalhadas, muitos pacientes descobrem que nunca lhes faltou capacidade para construir amizades. O que lhes faltava era segurança para acreditar que eram dignos de serem aceitos", comenta.


A psicóloga destaca que essas dificuldades costumam alimentar um ciclo de isolamento. "Quanto mais alguém evita interações por medo da rejeição ou por acreditar que não corresponderá às expectativas dos outros, menores se tornam as oportunidades de criar novas amizades. Com o tempo, esse isolamento reforça sentimentos de inadequação e intensifica o sofrimento emocional."


A falta de uma rede de apoio também pode tornar os desafios cotidianos mais difíceis. Segundo a especialista, relações interpessoais saudáveis ajudam a reduzir os impactos do estresse, fortalecem a resiliência e protegem a saúde mental. "Os amigos funcionam como uma rede de suporte emocional. Eles não resolvem os nossos problemas, mas ajudam a diminuir o peso que eles exercem sobre quem atravessa uma situação difícil. Sentir-se ouvido, compreendido e acolhido transforma a maneira como enfrentamos as adversidades", afirma.

 



A terapia pode ajudar?


Para quem encontra dificuldades para criar ou manter amizades, a psicoterapia pode ser uma importante aliada. O processo terapêutico oferece um espaço seguro para compreender a origem dos medos, identificar crenças que interferem na forma de se relacionar e desenvolver maneiras mais saudáveis de interpretar as relações. Além disso, contribui para fortalecer habilidades sociais, ampliar a consciência emocional e aumentar a segurança na construção de novos vínculos.


"Na Terapia Cognitivo-Comportamental, por exemplo, identificamos pensamentos automáticos que alimentam sentimentos de rejeição, inadequação e insegurança. A partir desse trabalho, a pessoa aprende a interpretar as relações de maneira mais saudável e desenvolve recursos para lidar com o medo da rejeição. Muitas vezes, ela acredita que simplesmente 'não nasceu' para fazer amigos, quando, na verdade, enfrenta barreiras emocionais que podem ser compreendidas e superadas. O objetivo da terapia não é transformar alguém em uma pessoa extremamente sociável, mas ajudá-la a construir vínculos verdadeiros, respeitando sua personalidade, seu ritmo e seus limites", explica Dra. Mariana. 


A especialista ressalta que desenvolver boas amizades também exige disponibilidade e investimento contínuo. "Assim como qualquer relacionamento importante, a amizade precisa de cuidado, presença e reciprocidade. Pequenos gestos, conversas sinceras e demonstrações genuínas de interesse fortalecem a confiança e contribuem para uma vida emocional mais saudável", conclui.

 

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Cremesp limita cirurgias plásticas extensas: o que muda para quem pretende operar?

Nova resolução estabelece regras para aumentar a segurança do paciente e reacende debate sobre cirurgias combinadas, tempo cirúrgico e indicação responsável dos procedimentos 

 

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) aprovou recentemente a Resolução nº 400/2026, que estabelece novas diretrizes éticas, assistenciais e de segurança para cirurgias plásticas eletivas extensas, múltiplas ou combinadas. Entre as principais determinações, a norma veda o agendamento de procedimentos com previsão inicial igual ou superior a seis horas em um único ato cirúrgico, salvo em situações excepcionais devidamente justificadas no prontuário médico.

A medida chega em um momento em que o Brasil lidera o ranking mundial de cirurgias plásticas. Segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), o país realizou cerca de 3,1 milhões de procedimentos estéticos em 2024, dos quais aproximadamente 2,3 milhões foram cirurgias plásticas, ultrapassando os Estados Unidos no número de intervenções cirúrgicas.

O crescimento da procura por procedimentos estéticos, impulsionado por fatores como redes sociais, perda expressiva de peso após o uso de medicamentos para obesidade e maior oferta de cirurgias combinadas, amplia o debate sobre os limites da segurança do paciente.

A resolução do Cremesp reforça uma preocupação que já vinha sendo discutida pelo Conselho desde 2024: quanto maior o tempo cirúrgico e maior a associação de procedimentos realizados no mesmo ato operatório, maior pode ser o impacto fisiológico sobre o organismo, aumentando riscos anestésicos, tromboembólicos, infecciosos e de complicações no pós-operatório.

Entre os exemplos mais conhecidos está o chamado "Mommy Makeover", combinação de procedimentos como abdominoplastia, lipoaspiração e cirurgia das mamas, frequentemente divulgada nas redes sociais como uma única cirurgia. Embora possa ser indicada em casos selecionados, especialistas ressaltam que a decisão deve ser individualizada, levando em consideração o estado clínico do paciente, o tempo previsto da cirurgia e a possibilidade de dividir os procedimentos em etapas para reduzir riscos.

Para o cirurgião plástico Dr. Caio Esper, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a nova resolução fortalece um princípio básico da medicina: a segurança deve estar acima da conveniência."A consulta não existe apenas para definir qual cirurgia será feita. Ela também serve para identificar quando o procedimento não é indicado ou quando o paciente precisa primeiro compreender melhor suas expectativas e os limites da cirurgia", afirma.

Outro aspecto de interesse público é o papel do cirurgião diante de pacientes que apresentam expectativas incompatíveis com a realidade ou sinais de Transtorno Dismórfico Corporal (TDC), condição caracterizada por preocupação excessiva com defeitos físicos mínimos ou inexistentes. Nesses casos, insistir na cirurgia pode agravar o sofrimento do paciente, tornando a contraindicação um ato de responsabilidade médica."O maior compromisso do cirurgião plástico é com a saúde do paciente. Em alguns casos, a melhor conduta não é operar, mas orientar, adiar ou até contraindicar a cirurgia quando ela não trará um benefício real", conclui Dr. Caio Esper.



Dr. Caio Esper - realizou residência em Cirurgia Geral em Campinas (2003–2005) e especialização em Cirurgia Plástica pela PUC-Campinas (2006–2009), em serviço credenciado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Durante sua formação, atuou na unidade de queimados, adquirindo experiência em reconstruções de alta complexidade. Posteriormente, integrou por vários anos a equipe dos cirurgiões faciais Dr. Rodrigo Gimenez e Dr. Crecêncio, aprofundando sua atuação em cirurgia facial, estética e segurança do paciente.
https://clinicaesper.med.br/


Férias de Julho: Consumo de alimentos na praia exige cuidados para evitar gastroenterite


divulgação

O período de férias escolares em julho altera significativamente a rotina das famílias cearenses e eleva o fluxo de turistas no litoral do estado. No entanto, o aumento das refeições feitas fora de casa, especialmente em praias e espaços públicos sob altas temperaturas, acende o alerta para as infecções gastrointestinais e os quadros de desidratação.

A gastroenterite, caracterizada pela inflamação do trato digestivo, tem forte relação com a conservação inadequada de alimentos e o consumo de água não tratada. Em Fortaleza, as condições climáticas desta época do ano favorecem a proliferação acelerada de bactérias ou vírus em pratos típicos litorâneos que contêm frutos do mar, maionese, queijos e molhos, se estes não forem mantidos sob refrigeração rigorosa.

Segundo o médico da família da Rede OTO, Dr. Davi Fonteles, os sintomas costumam surgir poucas horas após a ingestão do alimento contaminado. O médico explica que o quadro clássico envolve náuseas, vômitos, cólicas abdominais e episódios frequentes de diarreia. Ele alerta que o uso de medicamentos para interromper o fluxo intestinal por conta própria não é recomendado, pois a diarreia funciona como um mecanismo de defesa do organismo para eliminar os agentes patogênicos.

O especialista acrescenta que, além da contaminação bacteriana por alimentos mal conservados, os vírus representam a principal causa de gastroenterite atendida nas emergências durante este período. Diante do cenário da gastroenterite viral, o médico destaca que a lavagem criteriosa das mãos surge como medida indispensável de prevenção.

Para evitar que o mal-estar evolua para um quadro clínico complexo, a automedicação deve ser substituída pela hidratação imediata. O especialista orienta que o paciente consuma água mineral, água de coco e, prioritariamente, o soro de reidratação oral, que repõe de forma equilibrada o sódio e o potássio perdidos. Além da suspensão temporária do consumo de cafeína e de lactose, substâncias que podem agravar tanto a diarreia quanto a distensão abdominal. 

Em casos leves, o repouso e a dieta leve restabelecem a saúde do paciente em até 48 horas. O Dr. Davi Fonteles reforça ainda a importância de evitar o uso inadvertido de antibióticos sem a devida avaliação médica, uma vez que o medicamento não possui eficácia contra infecções de origem viral e pode desequilibrar a flora intestinal.

O limite entre o tratamento domiciliar e a necessidade de assistência médica hospitalar está associado à gravidade e à persistência dos sintomas. A recomendação do especialista é procurar o serviço de pronto-atendimento caso o paciente apresente febre persistente acima de 38,5°C, presença de sangue ou muco nas fezes, incapacidade de reter líquidos devido a vômitos constantes e sinais clássicos de desidratação profunda, como boca seca, redução severa do volume de urina, olhos fundos e prostração excessiva, sintomas que tendem a evoluir com maior rapidez em crianças e idosos.

 

 

Julho Verde: quase 80% dos tumores de cabeça e pescoço analisados no Brasil são diagnosticados em estágio avançado

 

O Julho Verde, mês de conscientização sobre os tumores de cabeça e pescoço, chama atenção para um dos principais desafios no cuidado desses pacientes: o diagnóstico em fases avançadas, quando o tratamento tende a ser mais complexo e pode envolver diferentes especialidades. 

Um estudo conduzido pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), publicado na The Lancet Regional Health Americas1, analisou mais de 145 mil casos de tumores de cabeça e pescoço no Brasil e mostrou que 78,2% foram diagnosticados em estágios III ou IV. 

De acordo com o oncologista Dr. Cheng Tzu, coordenador da área de tumores de cabeça e pescoço do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a identificação precoce pode elevar as chances de cura para até 80% a 90%, dependendo de cada caso, além de permitir tratamentos menos agressivos e mais personalizados. 

Entre os sinais de alerta estão rouquidão ou alteração na voz por mais de duas semanas, dor ou engasgos persistentes ao engolir, dificuldade para respirar sem causa aparente, perda de peso não intencional e crescimento rápido de nódulos ou massas na região da cabeça e do pescoço. 

O especialista também destaca a mudança no perfil de parte dos casos, especialmente em pessoas mais jovens, com a infecção pelo HPV associada a tumores de orofaringe. Tabagismo e consumo excessivo de álcool seguem entre os principais fatores de risco, sobretudo quando combinados. 

Em casos avançados, o tratamento pode impactar funções como fala, respiração, deglutição e alimentação, o que reforça a necessidade de uma abordagem integrada. O Hospital Alemão Oswaldo Cruz atua em oncologia de alta complexidade, com estrutura voltada ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento multidisciplinar desses pacientes. 

O Dr. Cheng Tzu está disponível para entrevistas sobre sinais de alerta, diagnóstico precoce, fatores de risco, relação entre HPV e tumores de orofaringe, tratamento multidisciplinar e desafios dos casos de alta complexidade.

  

Hospital Alemão Oswaldo Cruz

 

Julho Neon reforça a importância dos cuidados com a saúde bucal desde a infância

 

Especialistas alertam que a boca pode revelar sinais precoces de doenças e que a prevenção deve começar ainda no primeiro ano de vida

 

A saúde bucal é parte essencial do desenvolvimento infantil e deve receber atenção desde os primeiros meses de vida. Essa é a principal mensagem do Julho Neon, movimento nacional voltado à conscientização sobre os cuidados com a boca. O alerta é reforçado por dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), que alertam sobre o fato de que as doenças bucais atingem cerca de 3,7 bilhões de pessoas em todo o mundo e, entre as crianças, mais de 510 milhões vivem com cárie não tratada nos dentes de leite, uma condição que pode ser evitada com medidas simples de prevenção e acompanhamento profissional.

O Dr. Diogo Vargas, dentista e docente na Afya Centro Universitário Itaperuna, destaca que a saúde bucal está diretamente ligada ao desenvolvimento infantil e que o acompanhamento odontológico deve começar no primeiro ano de vida.

"Ainda existe a ideia de que os dentes de leite, por serem temporários, não precisam de tantos cuidados, mas esse é um equívoco. Eles são fundamentais para a mastigação, o desenvolvimento da fala, o crescimento adequado da face e para manter o espaço dos dentes permanentes, além de influenciarem a saúde bucal futura da criança. Quando problemas como a cárie não são tratados nessa fase, aumentam as chances de complicações nos demais dentes e até nos permanentes. Por isso, a prevenção desde os primeiros anos de vida, com higiene adequada, alimentação saudável e acompanhamento odontológico, é essencial para garantir um desenvolvimento infantil saudável”, afirma.

Segundo o especialista, os cuidados com a saúde bucal devem ter início desde o nascimento. Antes da erupção do primeiro dente, a limpeza da gengiva pode ser realizada para remover resíduos de leite. A escovação, no entanto, passa a ser indispensável assim que o primeiro dente aparece, utilizando escova infantil de cerdas macias e creme dental na quantidade recomendada para a idade.

Nessa fase, a higiene deve ser feita pelos pais ou responsáveis, já que a criança ainda não possui coordenação motora suficiente para realizar a escovação de forma eficiente. Mesmo quando ela começa a escovar os próprios dentes, a supervisão dos adultos deve continuar, em geral, até cerca dos 8 anos de idade.

A boca também revela como está a saúde da criança

Mais do que prevenir cáries, as consultas odontológicas ajudam a identificar precocemente alterações que podem indicar outros problemas de saúde. "O cirurgião-dentista não avalia apenas os dentes, mas toda a saúde da cavidade oral, que muitas vezes revela alterações no desenvolvimento, na respiração, na deglutição e até sinais de outros problemas de saúde. Durante uma consulta de rotina, é possível identificar essas mudanças precocemente e, quando necessário, encaminhar a criança para outros especialistas. Esse trabalho integrado com pediatras, otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos e outros profissionais é fundamental, porque a saúde da criança deve ser vista de forma completa", explica Dr. Diogo.

Essa visão é compartilhada pelo Dr. Gustavo Pinato, médico e professor de pós-graduação em Pediatria da Afya Ribeirão Preto. Segundo ele, a avaliação da cavidade oral faz parte da consulta pediátrica de rotina e inclui a observação dos lábios, gengivas, língua, mucosas, dentes e garganta. "A boca pode fornecer sinais importantes sobre hidratação, estado nutricional, infecções e até algumas doenças sistêmicas. Por isso, a avaliação da cavidade oral faz parte do exame físico da criança e contribui para o diagnóstico precoce de diferentes condições de saúde", afirma.

 

Quando os pais devem ficar atentos?

Embora as consultas preventivas sejam a melhor forma de evitar complicações, alguns sinais exigem atenção e devem motivar uma avaliação médica ou odontológica. Entre eles estão dor de dente, feridas na boca que não cicatrizam em até duas semanas, sangramento frequente das gengivas, placas brancas persistentes, mau hálito contínuo, dificuldade para mastigar ou engolir, inchaço da gengiva ou da face e secreções na boca.

De acordo com o médico, situações como febre associada à dor na boca, inchaço facial progressivo, dificuldade para respirar, recusa de líquidos e sinais de desidratação exigem atendimento rápido.

Para os especialistas, odontologia e pediatria caminham juntas no cuidado com a criança. Alimentação, amamentação, desenvolvimento da fala, respiração, sono e hábitos de higiene influenciam tanto a saúde geral quanto a saúde bucal.

"O pediatra tem papel importante na orientação sobre higiene e alimentação, na identificação precoce de alterações e no encaminhamento ao odontopediatra quando necessário. Da mesma forma, o dentista pode identificar sinais que indiquem a necessidade de avaliação por outros profissionais. Esse cuidado integrado contribui para um desenvolvimento mais saudável e para a prevenção de doenças", conclui Dr. Gustavo.



Afya,

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Quase metade dos pacientes com dermatite atópica moderada a grave tem sono impactado pela doença

Dado de estudo com pacientes no Brasil, México e Argentina reforça a urgência do diagnóstico e do acompanhamento médico para uma condição que vai além da pele 

 

 A dermatite atópica (DA) é uma doença crônica, inflamatória e recorrente que se manifesta na pele, mas impacta a vida como um todoii. O que para muitos parece apenas um “ressecamento” ou “incômodo pontual”, para quem vive com a forma moderada a grave da doença, representa uma rotina marcada por coceira incessante, noites mal dormidas e um profundo impacto na saúde mentaliii, na confiança e na produtividade.  

A percepção de que a DA "não é nada demais" é um dos maiores desafios para o diagnóstico correto. Enquanto a forma leve pode ser bem controlada com cuidados direcionados, a moderada a grave exige um acompanhamento mais próximo e especializado.iv No Brasil, onde a DA pode afetar até 2,3% dos adultos4 havendo estudos que apontam taxas de até 20,1% em crianças e adolescentesv, muitos pacientes normalizam um sofrimento que poderia ser controlado.  

Esse ciclo de normalização pode se intensificar em períodos como o inverno, quando fatores como o ar mais seco e os banhos quentes agravam as crises, que são muitas vezes confundidas com um simples 'ressecamento da estação'. Em estudo com pacientes com DA moderada a grave no Brasil, México e Argentina, 48,3% relataram que problemas de sono interferiram na rotina diária na semana anterior1. Além disso, cerca de 25% dos pacientes chegam a apresentar sintomas depressivos.vi  

A boa notícia é que esse cenário começa a mudar. O avanço da medicina tem trazido novas perspectivas para o controle da doença e representa um ponto de virada na jornada do paciente. Se antes muitos pacientes conviviam com tratamentos voltados principalmente para o controle das crises e dos sintomas, hoje o diálogo entre médico e paciente pode se concentrar em estratégias para manter a doença estável ao longo do tempo. Essa nova mentalidade traz uma esperança não apenas para adultos, mas também para os adolescentes, permitindo que vivam uma fase importante da vida com mais confiança e bem-estar.  

“Nosso compromisso na Lilly vai além de desenvolver tratamentos inovadores, ele se estende a avançar a ciência e capacitar a sociedade com informação de qualidade”, afirma Luiz André Magno, Diretor Médico Sênior da Lilly do Brasil. “Acreditamos que, ao ajudar as pessoas a reconhecerem a seriedade da dermatite atópica e a importância de uma jornada de cuidado bem acompanhada, estamos abrindo caminho para que milhares de brasileiros deixem de ‘conviver’ com a doença e passem a controlá-la de forma eficaz, com dignidade e qualidade de vida.”   

O primeiro e mais importante passo para quem se identifica com esse cenário é procurar um médico dermatologista. Apenas um especialista pode realizar o diagnóstico correto, avaliar a gravidade da doença e, em conversa com o paciente, definir um plano de cuidado individualizado. 

 

Lilly do Brasil
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Entenda a doença genética ultrarrara que afeta fígado, coração e ossos ao mesmo tempo

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Caracterizada como condição multissistêmica, a síndrome de Alagille compromete a qualidade de vida de quem convive com a doença e enfrenta desafios de diagnóstico e tratamento. 

 

Uma doença no fígado, alterações cardíacas, problemas ósseos e sinais oftalmológicos podem parecer problemas isolados, sem relação entre si. Essa percepção muitas vezes dificulta a identificação das chamadas doenças multissistêmicas, que afetam diferentes órgãos e sistemas do organismo. É o caso da síndrome de Alagille, uma condição genética ultrarrara que acomete múltiplos órgãos desde os primeiros meses de vida. Estima-se que a condição afete entre um em cada 30 mil e um em cada 50 mil nascidos vivos globalmente.1 

A síndrome é causada por alterações genéticas que comprometem a formação dos ductos biliares intra-hepáticos, estruturas responsáveis pelo transporte da bile produzida pelo fígado, levando ao acúmulo dessa substância no organismo, quadro conhecido como colestase. Segundo a hepatologista Cibele Dantas, os sintomas costumam manifestar-se logo após o nascimento através de um quadro de colestase neonatal, marcado pelo amarelamento da pele e dos olhos (icterícia), urina escura (colúria) e fezes claras ou esbranquiçadas (acolia fecal). “Com a progressão da doença, surge o prurido, uma coceira intensa em todo o corpo que se torna o sintoma mais incomodativo e incapacitante, que leva a escoriações e infecções secundárias, além de comprometer o sono e a rotina diária. O sintoma é tão grave e debilitante que pode levar à indicação de transplante hepático para controlar o prurido.” explica. 

Além das manifestações hepáticas, a síndrome de Alagille também pode causar alterações no coração, nos olhos, na coluna vertebral, rins e alterações vasculares.2 Entre as manifestações mais comuns estão o estreitamento das artérias pulmonares, que pode provocar sopro cardíaco, uma alteração característica nos olhos chamada embriotóxon posterior e uma formação incomum das vértebras conhecida como "vértebra em borboleta". O impacto da condição também se estende à dinâmica familiar. A necessidade de acompanhamento multidisciplinar contínuo, envolvendo diferentes especialidades médicas, faz com que muitos responsáveis precisem reorganizar completamente a rotina e, em alguns casos, até deixar o mercado de trabalho para acompanhar o tratamento dos filhos. 

Essa sobrecarga é agravada pelas limitações no tratamento da síndrome de Alagille no Brasil. Medicamentos como ácido ursodeoxicólico, rifampicina e colestiramina são utilizados na tentativa de controlar os sintomas da colestase. No entanto, costumam apresentar resposta limitada, não tratam a causa fisiopatológica do prurido, não possuem aprovação para o tratamento da doença e não estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) para essa indicação. Além disso, a síndrome de Alagille ainda não conta com um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) específico para a doença. “A elaboração de diretrizes nacionais baseadas em evidências científicas é fundamental para padronizar o cuidado, otimizar recursos e garantir que os pacientes mais graves recebam acompanhamento adequado”, afirma a hepatologista.

Atualmente, o Ministério da Saúde avalia a incorporação ao SUS de um tratamento desenvolvido especificamente para a síndrome de Alagille: os inibidores do transportador ileal de ácidos biliares (IBAT). Já aprovada pela Anvisa, essa classe terapêutica (de uso oral) atua diretamente no mecanismo responsável pelo acúmulo de ácidos biliares, demonstrando resultados significativos na redução desses níveis no sangue e no alívio do prurido. “A incorporação dessa tecnologia representa a oportunidade de oferecer uma opção segura e eficaz para os pacientes, reduzindo significativamente o prurido e sobretudo aumentando as chances de sobrevida do fígado nativo e reduzindo a necessidade de transplante. Para as famílias, significa uma nova perspectiva de qualidade de vida", conclui Dra. Cibele. 

 

Referências 

1 KAMATH, Binita M. et al. Systematic review: the epidemiology, natural history, and burden of Alagille syndrome. Journal of Pediatric Gastroenterology and Nutrition, Hagerstown, v. 67, n. 2, p. 148-156, ago. 2018. DOI: 10.1097/MPG.0000000000002052.

2 CHENG, Katherine; ROSENTHAL, Philip. Diagnosis and management of Alagille and progressive familial intrahepatic cholestasis. Hepatology Communications, Hoboken, v. 8, n. 1, dez. 2023. DOI: 10.1097/HC9.0000000000000314.


O frio é culpado pelas doenças respiratórias ou estamos olhando para o problema errado?


Todos os anos, a queda das temperaturas traz consigo a mesma explicação para o aumento dos casos de gripe, bronquiolite e outras infecções respiratórias: "a culpa é do frio". Mas essa associação, embora comum, nos faz olhar para o lugar errado. 

O frio, por si só, não transmite vírus. O que aumenta o risco de adoecer é a combinação entre maior circulação de vírus respiratórios, ambientes fechados, pouca ventilação e um comportamento que se repete ano após ano: deixar a prevenção para depois. 

Os números mostram isso. Antes mesmo da chegada oficial do inverno, o Brasil já havia registrado quase 90 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2026, segundo o Boletim InfoGripe, da Fiocruz. O levantamento também apontou que 16 estados apresentavam tendência de alta para a doença, ou seja, a temporada das infecções respiratórias começa antes mesmo das temperaturas mais baixas se instalarem pelo país.

 

O problema não é o inverno. É chegar despreparado para ele.

Todos os anos sabemos que haverá aumento na circulação de vírus como influenza, vírus sincicial respiratório (VSR) e SARS-CoV-2. Essa sazonalidade não é novidade. O que continua chamando atenção é que ainda tratamos a prevenção como uma resposta a crise, e não como uma estratégia para evitá-la. 

A vacinação é o melhor exemplo disso. Muita gente só procura uma dose quando os casos aumentam, quando alguém da família adoece ou quando surgem notícias sobre hospitais lotados. É um fato e vemos esse ciclo se repetir ano após ano na Nina Saúde. Mas a proteção conferida pelas vacinas não é imediata. O organismo precisa de tempo para desenvolver uma resposta imunológica, por isso o ideal é se vacinar antes do pico de circulação dos vírus.

 

Vacinar é proteger em todas as fases da vida

Outro equívoco frequente é acreditar que vacinação é um assunto exclusivamente infantil. Embora manter o calendário das crianças atualizado seja fundamental, a imunização também é indispensável para adolescentes, adultos, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas. 

O VSR, por exemplo, é responsável por grande parte dos casos de bronquiolite e pneumonia em crianças menores de dois anos. Hoje, a vacinação de gestantes a partir da 28ª semana de gravidez permite que anticorpos sejam transferidos ao bebê ainda durante a gestação, reduzindo o risco de formas graves da doença nos primeiros meses de vida. 

Da mesma forma, as vacinas contra influenza e COVID-19 continuam sendo essenciais para reduzir hospitalizações e mortes entre idosos, gestantes, imunossuprimidos e pessoas com doenças cardiovasculares, pulmonares, diabetes ou obesidade. Ainda assim, a cobertura vacinal desses grupos permanece abaixo do ideal.

 

SUS e rede privada: aliados na prevenção

O Brasil tem um dos programas públicos de imunização mais reconhecidos do mundo. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) é responsável por proteger milhões de brasileiros e continua sendo um dos pilares da saúde pública. 

Mas ampliar a cobertura vacinal também passa por aproveitar todas as oportunidades de acesso a vacinação. Nesse contexto, a rede privada desempenha um papel complementar importante, oferecendo diferentes imunizantes, estratégias individualizadas de proteção e mais flexibilidade para que crianças, adultos e idosos mantenham seu calendário vacinal atualizado, sempre com orientação médica. O objetivo é o mesmo: prevenir doenças e reduzir casos graves.

 

A prevenção continua sendo nossa melhor resposta

É natural que os vírus respiratórios circulem com mais intensidade durante os meses mais frios. O que não deveria ser natural é aceitarmos, todos os anos, o aumento das internações como algo inevitável. 

Além da vacinação, medidas simples continuam sendo extremamente eficazes: manter ambientes ventilados, higienizar as mãos, evitar contato próximo quando houver sintomas e utilizar máscara em situações de maior risco ajudam a interromper a cadeia de transmissão. Também é importante evitar a automedicação. A maioria das infecções respiratórias é causada por vírus e não deve ser tratada com antibióticos, cujo uso inadequado contribui para o aumento da resistência bacteriana. 

Talvez seja hora de mudarmos a pergunta. Em vez de culpar o frio, deveríamos discutir por que ainda chegamos tão despreparados à temporada de maior circulação dos vírus respiratórios. Temos informação, vacinas e medidas de prevenção eficazes. O desafio agora é transformar esse conhecimento em hábito. Afinal, quando a prevenção acontece no momento certo, o inverno deixa de ser sinônimo de hospitais cheios e passa a ser apenas mais uma estação do ano.
  
 

Dr. Bil Randerson Bassett é médico infectologista, mestre em Biotecnologia e cofundador da Nina Saúde, onde atua como Diretor Geral de Operações e Responsável Técnico.


Cansaço constante nem sempre é falta de descanso; alterações hormonais e deficiências nutricionais podem estar por trás do problema

 

Especialistas alertam para sintomas que merecem investigação e destacam a importância de uma avaliação clínica completa.

 

Sentir uma exaustão que não passa após uma boa noite de sono tornou-se uma queixa frequente nos consultórios médicos. De acordo com um estudo publicado pela revista científica BMC Family Practice, aproximadamente 30% das consultas em atenção básica de saúde envolvem queixas de fadiga crônica. No entanto, o que muitos pacientes confundem com o ritmo acelerado da rotina diária pode, na verdade, ser o sinal de alerta para desequilíbrios internos que exigem investigação diagnóstica. 

Especialistas da UniClínica BH explicam que a fadiga prolongada frequentemente caminha lado a lado com disfunções no próprio organismo. Alterações no funcionamento da tireoide, como o hipotireoidismo, e quedas acentuadas nos níveis de vitaminas vitais, como a D e a B12, ou de minerais essenciais como o ferro, estão entre as causas mais recorrentes identificadas no dia a dia clínico. Sem o devido diagnóstico, as pessoas costumam recorrer a soluções paliativas, como o uso excessivo de cafeína, o que apenas mascara o problema real. 

"Muitas pessoas chegam ao consultório acreditando que precisam apenas de férias, quando, na verdade, seus hormônios estão desregulados ou há uma anemia silenciosa em curso.A tireoide, por exemplo, atua como o termostato do corpo; se ela desacelera, todo o metabolismo acompanha esse ritmo lento, gerando desânimo, ganho de peso sem causa aparente e fraqueza muscular", afirmam especialistas da clínica médica da UniClínica BH. 

Além do aspecto hormonal, a carência de nutrientes essenciais prejudica diretamente a produção de energia pelas células.  Eles também ressaltam que a alimentação inadequada ou problemas de absorção intestinal podem comprometer drasticamente o rendimento físico e mental. "A falta de ferro reduz o transporte de oxigênio no sangue, enquanto a deficiência de vitamina B12 afeta o sistema nervoso. Tratar isso vai muito além de tomar um suplemento por conta própria; exige precisão na dosagem e acompanhamento médico", destacam. 

O caminho para recuperar a disposição começa com uma investigação clínica detalhada e individualizada. Exames laboratoriais de rotina, quando analisados de forma integrada pelo profissional de saúde, conseguem identificar com precisão onde estão as falhas metabólicas. Essa abordagem evita diagnósticos equivocados e garante que o tratamento seja direcionado à raiz do problema, devolvendo a qualidade de vida de forma segura. 

Para quem convive com o esgotamento diário, o alerta dos médicos é claro: não normalize o mal-estar. Buscar apoio especializado ao notar que o repouso já não cumpre o papel de restaurar as energias é o primeiro passo para restabelecer o equilíbrio biológico e prevenir complicações futuras.

 

Fonte: Especialistas da UniClínica BH - clínica médica.
@uniclinicabh

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