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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Dia Nacional da Consciência Vascular alerta para prevenção de doenças que podem evoluir de forma silencios

 

Imagem gerada por IA

Angiologista e cirurgião vascular da Clínica SiM orienta sobre sinais de alerta e cuidados que ajudam a preservar a circulação

 

Celebrado em 17 de agosto, o Dia Nacional da Consciência Vascular chama a atenção para a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico das doenças que afetam veias, artérias e vasos linfáticos. A data integra a campanha Agosto Azul e Vermelho, promovida pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), que busca ampliar a conscientização sobre a saúde vascular.

 

“Muitas pessoas se acostumam com sinais como dor, inchaço persistente, sensação de peso ou cansaço nas pernas, alterações na coloração da pele e feridas que demoram a cicatrizar. Esses sintomas podem estar relacionados a alterações na circulação e não devem ser ignorados, principalmente quando são frequentes ou persistentes. A avaliação médica ajuda a identificar a causa e iniciar o tratamento adequado antes que o quadro evolua para algo mais grave”, explica o angiologista e cirurgião vascular Diego Tavares, da Clínica SiM.

 

A preocupação é relevante diante do impacto das doenças cardiovasculares na saúde da população brasileira. Segundo dados do Senado Federal, com base em informações do Ministério da Saúde e do estudo Global Burden of Disease, cerca de 400 mil mortes foram registradas no Brasil em 2022 em decorrência de doenças cardiovasculares. Em junho deste ano, o Senado aprovou ainda o projeto que institui a Semana Nacional da Saúde Vascular, a ser realizada anualmente na semana do dia 17 de agosto.

 

Quando se fala em saúde vascular, é comum pensar primeiro em varizes e desconfortos nas pernas. Mas o sistema vascular está presente em todo o organismo, e alterações na circulação podem estar relacionadas a problemas que vão muito além desses sintomas, incluindo trombose, doença arterial periférica, aneurismas, doença carotídea e pé diabético. Muitas dessas condições podem evoluir sem sintomas evidentes ou apresentar sinais que acabam sendo naturalizados no dia a dia.

 

A trombose venosa profunda, por exemplo, pode provocar dor, calor, vermelhidão e inchaço, principalmente em uma das pernas. De acordo com o Ministério da Saúde, o problema pode evoluir para embolia pulmonar quando o coágulo se desprende e chega aos pulmões, uma complicação potencialmente grave.

 

O especialista da Clínica SiM destaca que hábitos cotidianos também têm papel importante na prevenção. “Manter-se fisicamente ativo, controlar o peso, não fumar, ter uma alimentação equilibrada e evitar longos períodos de imobilidade são atitudes que contribuem para a saúde dos vasos. Mas prevenção também significa fazer avaliações médicas quando existem fatores de risco ou sintomas”, orienta Diego Tavares.

 

O Ministério da Saúde recomenda a prática regular de exercícios, o controle do peso, a interrupção do tabagismo e a movimentação das pernas durante períodos prolongados sentado como medidas que podem ajudar a reduzir o risco de trombose.

 

Outro alerta importante envolve o acidente vascular cerebral (AVC), que também está relacionado à circulação sanguínea. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 85% dos AVCs são isquêmicos, causados pela obstrução de uma artéria que impede a chegada de sangue ao cérebro. Fraqueza ou formigamento de um lado do corpo, alteração na fala, confusão mental, dificuldade de enxergar, tontura ou perda de equilíbrio estão entre os sinais de alerta e exigem atendimento médico imediato.

 

“Consciência vascular significa entender que cuidar da circulação é cuidar da saúde como um todo. Não é preciso esperar uma dor intensa ou uma emergência para procurar ajuda. A avaliação com o especialista pode identificar alterações precocemente e orientar medidas capazes de evitar complicações futuras”, reforça Tavares. 



Clínica SiM
www.clinicasim.com
telefone 0800 357 6060.


Conheça os impactos do cigarro na saúde dos dentes e da gengiv

Mau hálito, manchas dentárias e aumento do risco de câncer bucal estão entre as consequências do hábito

 

A população brasileira vinha reduzindo o hábito de fumar, mas esse cenário mudou. Após mais de uma década de quedas consecutivas no número de fumantes, o tabagismo voltou a crescer no país, saltando de 9,2% da população em 2023 para 11,5% em 2024, de acordo com uma pesquisa do Ministério da Saúde. 

Com esse aumento, o número de pessoas afetadas pelos malefícios do cigarro também tende a se elevar. Porém, além das doenças já conhecidas que o tabagismo causa, como câncer de pulmão, é importante ressaltar que a prática também gera outros prejuízos à saúde da boca e dos dentes, além de aumentar o risco de falhas em tratamentos com implantes dentários, devido à dificuldade dos ossos da região de integrar o implante. 

“O tabagismo afeta diretamente toda a cavidade oral. As substâncias tóxicas presentes no cigarro reduzem a circulação sanguínea na gengiva, diminuem a resposta imunológica e favorecem o acúmulo de placa bacteriana. Como consequência, o fumante apresenta maior risco de desenvolver doenças gengivais, perda óssea e perda dentária”, detalha Samara de Oliveira, profissional de odontologia no AmorSaúde.


Impacto do cigarro na saúde bucal

“Os primeiros sinais de que o cigarro está impactando a saúde bucal incluem mau hálito persistente, escurecimento e manchas nos dentes, sangramento gengival (embora em alguns casos ele possa ser mascarado pela redução da circulação sanguínea), retração gengival e aumento do acúmulo de tártaro”, lista Samara.

No entanto, a dentista ressalta que existem ainda outras doenças que podem surgir na região bucal em decorrência do hábito. Ela enumera: 

  • Xerostomia (sensação de boca seca): a nicotina e as outras substâncias químicas do cigarro reduzem a produção de saliva e, com isso, prejudicam a limpeza natural na boca. O processo favorece o acúmulo de bactérias, o surgimento de cáries e o mau hálito;
  • Gengivite e periodontite: essas infecções afetam a gengiva e o osso que sustenta os dentes. Elas são causadas porque o hábito de fumar favorecer o acúmulo de bactérias na região, o que aumenta a chance de infecção e diminui o fluxo de sangue na gengiva, fazendo com que a área receba menos nutrientes e oxigênio;
  • Perda dentária precoce: a nicotina enfraquece os ossos que sustentam os dentes, fazendo com que amoleçam e caiam mais facilmente. As infecções na área, causadas pelo fumo, também impactam neste processo;
  • Leucoplasia oral: a irritação constante gerada pelo cigarro cria placas brancas na língua, nas bochechas e na gengiva. Apesar de não apresentar dor no momento inicial, essas placas podem evoluir para câncer de boca;
  • Candidíase oral: o tabagismo enfraquece a defesa imunológica na boca. Com isso, algumas doenças podem surgir com mais facilidade, como a candidíase, que gera pequenas feridas na região;
  • Câncer de boca: além de conter substâncias cancerígenas, o cigarro expõe a cavidade oral ao calor intenso e provoca lesões, o que aumenta o risco de desenvolvimento de câncer de boca.

 

Cuidados necessários para fumantes

De acordo com a dentista, parar de fumar é a melhor forma de interromper os danos causados à saúde bucal e, em alguns casos, até reverter parte dos problemas. “Embora alguns danos possam ser permanentes, grande parte dos efeitos do tabagismo pode melhorar após a interrupção do hábito”, resume. 

Os benefícios de interromper o tabagismo se apresentam rapidamente, uma vez que, nas primeiras semanas, já se pode observar melhora do hálito, redução da sensação de boca seca e recuperação gradual do paladar e do olfato. 

“Nos meses seguintes, a circulação sanguínea da gengiva melhora, favorecendo a cicatrização e reduzindo o risco de progressão das infecções na região. A longo prazo, há diminuição significativa do risco de câncer de boca e de perda dentária”, explica a dentista. 

Segundo Samara, outras práticas de cuidado bucal que devem ser adotadas por fumantes para minimizar os danos são: 

  • Escovar os dentes pelo menos três vezes ao dia com creme dental com fluor;
  • Utilizar fio dental diariamente;
  • Realizar limpezas profissionais periódicas com o cirurgião-dentista;
  • Manter acompanhamento odontológico regular para avaliação de lesões suspeitas;
  • Evitar o consumo excessivo de álcool;
  • Manter boa hidratação para reduzir a sensação de boca seca;
  • Observar alterações como feridas que não cicatrizam, manchas brancas ou avermelhadas e procurar avaliação profissional imediatamente caso elas apareçam.


AmorSaúde

 

Olhar cansado ou perda do campo visual? Por que a queda da pálpebra nos homens vai além da estética

No Mês dos Pais, especialista esclarece que a ptose palpebral (pálpebra caída) pode restringir a visão de motoristas e idosos, além de explicar como a cirurgia corretiva restaura a jovialidade e a qualidade de vida do público masculino.


Queixa constante nos consultórios, a sensação de peso nos olhos e a feição cansada costumam ser associadas apenas ao envelhecimento natural da pele. No entanto, a ptose palpebral, condição caracterizada pela queda da pálpebra superior, esconde prejuízos que vão muito além da vaidade. Em muitos homens, o excesso de tecido descende a ponto de cobrir parte da pupila, reduzindo o campo de visão periférico e gerando riscos reais para atividades cotidianas, como dirigir à noite ou caminhar sem tropeçar.

A médica oftalmologista Dra. Mariana Rezende, especialista em plástica ocular, explica que o público masculino tende a demorar mais para procurar ajuda por considerar a questão puramente estética. "Muitos pacientes chegam ao consultório acreditando que o desconforto é apenas cansaço ao fim do dia ou necessidade de trocar os óculos, sem perceberem que precisam erguer a cabeça ou forçar a testa para enxergar com clareza. Quando o músculo responsável por levantar a pálpebra perde força, a visão superior fica seriamente limitada, afetando a autonomia e a segurança no trânsito", pontua.

A limitação funcional atinge com mais frequência a terceira idade, momento em que o enfraquecimento muscular e a perda de elasticidade se acentuam. No Mês dos Pais, a conscientização ganha força para lembrar que a saúde dos olhos envolve todo o anexo ocular. O estreitamento do campo visual reduz os reflexos ao volante e aumenta significativamente o risco de quedas em idosos, comprometendo diretamente o bem-estar diário dessa população.

Para resolver o problema, a cirurgia corretiva reposiciona a estrutura palpebral e remove eventuais excessos de pele ou gordura, devolvendo a amplitude do olhar. De acordo com a médica especialista, o procedimento é rápido, feito com anestesia local e proporciona uma recuperação tranquila. "O foco é reconstruir a funcionalidade sem alterar os traços marcantes do rosto do homem. A cirurgia elimina a barreira física que bloqueia a luz, alivia a fadiga muscular no rosto e entrega um resultado harmônico, renovando a fisionomia de forma sutil", destaca.

O impacto pós-operatório costuma transformar a rotina do paciente logo nas primeiras semanas. Além de voltarem a enxergar ambientes por inteiro sem precisar inclinar o pescoço para trás, os homens relatam o fim do aspecto constante de exaustão, o que reflete de maneira direta no ambiente de trabalho e nas relações pessoais.

A avaliação individualizada com um profissional especializado em plástica ocular é o primeiro passo para alinhar diagnósticos e entender as necessidades funcionais de cada caso. Cuidar das pálpebras deixa de ser um capricho e se torna um investimento indispensável em segurança, clareza visual e qualidade de vida na maturidade.   



Fonte: Dra. Mariana Rezende — Oftalmologista | Especialista em Plástica Ocular.
Instagram: @dramariana.rezende


IA e saúde bucal: 30% dos pacientes brasileiros já procuram seus dentistas via ChatGPT e similares

iStock
Dados são da Simples Dental, software odontológico que investigou a relação dos brasileiros com empresas, consultórios e profissionais da área odontológica na internet


As ferramentas de inteligência artificial têm transformado a maneira como os brasileiros escolhem seus profissionais de saúde. Plataformas como ChatGPT e Claude passaram a fazer parte da rotina de quem busca informações antes de tomar decisões, ampliando o papel que antes era ocupado quase exclusivamente pelos mecanismos de busca tradicionais. 

Uma pesquisa inédita da Simples Dental, principal software de gestão odontológica da América Latina, mostra que esse movimento já chegou aos consultórios odontológicos: 3 em cada 10 brasileiros afirmam utilizar ferramentas de IA para buscar informações sobre dentistas próximos. Ao mesmo tempo, o Google segue como o principal ponto de partida dessa jornada, sendo utilizado por 8 em cada 10 pacientes antes de marcar uma consulta. 

Realizado com 500 pacientes de todas as regiões do país, o levantamento investigou como a população utiliza a internet para encontrar clínicas e profissionais da área odontológica e de que forma a presença digital influencia a construção de confiança antes da primeira consulta. Os resultados indicam que a busca por um dentista passa cada vez mais por uma combinação de inteligência artificial, mecanismos de busca, redes sociais e reputação online. 

Principais descobertas do estudo: 

·  8 em cada 10 pacientes recorrem ao Google para encontrar um dentista ou clínica antes da consulta;

·  3 em cada 10 brasileiros já usaram ferramentas de IA para buscar informações sobre dentistas;

·  40% dos pacientes já foram influenciados por conteúdos de dentistas nas redes sociais antes de marcar uma consulta; 

·  Vídeos curtos são o formato de conteúdo favorito de 8 em cada 10 entrevistados. 


O comportamento digital do paciente e o que ele revela para o dentista  

Se, no passado, a escolha de um dentista era baseada quase exclusivamente na indicação de familiares e amigos, o estudo mostra que, em 2026, ela também envolve uma etapa cada vez mais estruturada de pesquisa online. Na prática, isso significa que muitos chegam à primeira consulta já familiarizados com o perfil do profissional, sua área de atuação e até com parte dos procedimentos oferecidos. 

Depois de recorrerem ao Google como uma plataforma auxiliar para encontrar o próximo dentista ou clínica — hábito de 8 em cada 10 pacientes —, os brasileiros costumam buscar outras referências nas redes sociais. O Instagram aparece como a segunda plataforma mais consultada, citado por 47,8% dos entrevistados. Outro recurso bastante usado são os aplicativos de convênio (36%), o que evidencia como a decisão costuma se basear na combinação de diferentes fontes antes da escolha do profissional. 

 

As ferramentas de inteligência artificial, vale dizer, também fazem cada vez mais parte desse processo. Segundo o levantamento, 3 em cada 10 respondentes afirmaram já utilizar plataformas como ChatGPT e Claude para obter informações sobre dentistas próximos, sinalizando uma mudança gradual na forma como os usuários pesquisam serviços de saúde.  

Quando se observa a experiência dos pacientes, a presença digital dos profissionais também exerce influência sobre a percepção e a confiança dos brasileiros. Para se ter uma ideia, cerca de 40% dos entrevistados afirmam já ter sido impactados por conteúdos de dentistas nas redes, seguido um profissional online antes de se tornarem pacientes ou recomendado um dentista compartilhando seu perfil com outras pessoas. 

 

Dentistas no ambiente digital: o que pesa na escolha do paciente?  

Na internet, o estudo identificou que alguns critérios têm maior peso na decisão do paciente conectado. As antigas recomendações boca a boca, por exemplo, hoje se transformaram nos comentários online: as avaliações de outros pacientes, citadas por 85% dos respondentes, lideram a lista de maior impacto no momento da escolha por um dentista, clínica ou consultório — ao lado de informações online sobre o currículo e formação do profissional (53,8%) e canais acessíveis para  contato (50,1%). 


Além da reputação e das informações disponíveis online, o conteúdo publicado pelos dentistas também tem papel importante na escolha final. Quando se trata dos temas mais procurados pelos usuários, explicações sobre procedimentos lideram a preferência (70,1%), seguidas por dicas de cuidado com a saúde bucal (60%), antes e depois de tratamentos (58,76%) e respostas para dúvidas frequentes sobre odontologia (47,42%). 

Durante a navegação por um site ou feed, a forma como essas informações são apresentadas contam: vídeos curtos são o formato de maior preferência entre 8 em cada 10 entrevistados. Na sequência, aparecem conteúdos multiformato, como carrosséis, infográficos e posts visuais (41,86%), e vídeos longos e explicativos (37,73%), indicando uma preferência por formatos acessíveis e de fácil consumo.

 

Metodologia  

Nas últimas semanas, foram entrevistados 500 adultos (maiores de 18 anos) residentes em todas as regiões e conectados à internet. O índice de confiabilidade do levantamento é de 95%, e a margem de erro é de 3,3 pontos percentuais. Ao todo, os participantes responderam a seis perguntas, que investigaram a relação com a saúde bucal no ambiente digital e o papel das plataformas na busca por informações e profissionais da área.


Canetas emagrecedoras e câncer de mama: o que os estudos apresentados na ASCO 2026 realmente mostra

Nos últimos meses, um assunto tem gerado bastante curiosidade e também dúvidas entre pacientes e familiares: existe alguma relação entre as chamadas canetas emagrecedoras e o câncer de mama? O tema ganhou força depois de pesquisas apresentadas na ASCO 2026, um dos principais congressos de oncologia do mundo, mas a resposta ainda não é simples. Vamos explicar com calma o que já se sabe e, principalmente, o que ainda precisa ser investigado.


O que são as canetas emagrecedoras

Os medicamentos conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, entre eles a semaglutida e a tirzepatida, fazem parte de uma classe chamada agonistas do receptor de GLP-1. Eles agem imitando um hormônio produzido naturalmente pelo intestino, responsável por regular o apetite e os níveis de açúcar no sangue. Na prática, isso ajuda a sentir menos fome e favorece a perda de peso.

Criados inicialmente para tratar o diabetes tipo 2, esses medicamentos se popularizaram rapidamente no controle da obesidade. E é justamente esse efeito sobre o peso corporal que despertou o interesse da comunidade científica para uma pergunta maior: será que, ao reduzir a obesidade, esses remédios também poderiam influenciar o risco de câncer?



Por que a obesidade entra nessa conversa

Para entender essa investigação, é preciso lembrar que a obesidade é um dos fatores de risco evitáveis mais importantes para o desenvolvimento de vários tipos de tumor, incluindo alguns subtipos de câncer de mama, especialmente após a menopausa.

O excesso de gordura corporal mantém o organismo em um estado de inflamação constante e altera a produção de hormônios ligados ao crescimento celular. Esse ambiente pode, ao longo do tempo, favorecer o surgimento ou o avanço de células tumorais. Por isso, qualquer estratégia capaz de promover uma perda de peso sustentada desperta interesse dos pesquisadores como possível aliada na prevenção oncológica.



O tamanho do desafio no Brasil

Para entender por que esse debate importa tanto, vale olhar para os números. Segundo a publicação Estimativa 2026-2028: Incidência de Câncer no Brasil, divulgada pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer), o país deve registrar cerca de 78,6 mil novos casos de câncer de mama por ano ao longo desse triênio, o que representa um risco estimado de aproximadamente 71,57 casos a cada 100 mil mulheres. O câncer de mama segue sendo o tumor mais incidente entre as mulheres brasileiras, à frente até mesmo dos cânceres de colo do útero e de pulmão.

O levantamento também mostra desigualdades regionais expressivas, com o risco variando de cerca de 31 casos por 100 mil mulheres na região Norte a mais de 88 por 100 mil no Sudeste. Esses números reforçam por que qualquer avanço relacionado à prevenção do câncer de mama, incluindo o papel do controle de peso, ganha tanta relevância para a saúde pública brasileira.



O que os estudos da ASCO 2026 sugerem

As pesquisas apresentadas neste ano no congresso reuniram dados sobre pessoas que utilizam agonistas de GLP-1 e buscaram entender se há alguma associação entre o uso desses medicamentos e o comportamento do câncer de mama, seja no risco de desenvolver a doença, seja na evolução de casos já diagnosticados.
Os resultados iniciais chamam atenção, mas os próprios pesquisadores fazem questão de reforçar que os dados são observacionais, ainda em estágio preliminar. Isso significa que os estudos conseguem identificar padrões e associações, mas não são suficientes para afirmar que o medicamento, isoladamente, provoca uma redução direta do risco de câncer de mama. Outros fatores, como acompanhamento médico mais frequente entre quem usa a medicação e mudanças de estilo de vida associadas ao tratamento, podem estar influenciando os números.

Essas medicações não fazem parte do tratamento oncológico e não devem ser buscadas com esse objetivo. Elas têm indicações específicas, aprovadas para diabetes e obesidade, e o uso deve acontecer sempre sob prescrição e acompanhamento médico.



O cuidado que já conhecemos continua sendo o mais importante

Enquanto a ciência avança nessa frente de pesquisa, algumas orientações permanecem firmes e baseadas em muitas evidências, como: manter uma rotina de alimentação equilibrada, praticar atividade física com regularidade e cuidar do peso corporal seguem entre as formas mais consistentes de reduzir o risco de câncer, incluindo o de mama.

Além disso, nenhuma descoberta sobre medicamentos substitui a importância do autoconhecimento do corpo, do acompanhamento médico regular e da realização dos exames de rastreamento recomendados para cada faixa etária e histórico familiar. É esse conjunto de cuidados, e não uma solução isolada, que faz a diferença na prevenção e no diagnóstico precoce.

O Instituto Lado a Lado Pela Vida, segue acompanhando de perto tudo o que a ciência descobre sobre o câncer de mama, sempre com o compromisso de trazer informação clara, responsável e baseada em evidências.

Quer continuar essa conversa? Acompanhe o Instituto Lado a Lado Pela Vida também nas redes sociais e confira, no nosso Instagram, um carrossel especial explicando de forma simples o que os estudos apresentados na ASCO 2026 estão investigando até agora.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta com profissionais de saúde. Em caso de dúvidas sobre tratamentos ou uso de medicamentos, procure sempre orientação médica individualizada.

 



Instituto Lado a Lado pela Vida
https://ladoaladopelavida.org.br/noticia/1785418909615x706177174017146900


Fonte: Abstract ASCO 2026: GLP-1s and metastatic progression (N=12.112) Estimativa 2026-2028: Incidência de Câncer no Brasil, INCA


Botox para bruxismo: solução rápida pode esconder riscos sérios à saúde bucal, alerta especialista

Procedimento cresce nas redes e consultórios, mas especialista da Universidade Positivo alerta que aplicação indiscriminada pode causar perda óssea e não resolve a origem do problema

 

A popularização da toxina botulínica como alternativa para aliviar sintomas do bruxismo tem acendido um alerta entre especialistas da área odontológica. Embora o procedimento tenha ganhado espaço pela praticidade, rapidez e forte apelo estético, a aplicação não trata a causa do problema e pode trazer consequências importantes quando utilizada de forma indiscriminada. 

Segundo Bianca Cavalcante de Leão, especialista em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial e docente dos cursos de graduação e pós-graduação em Odontologia da Universidade Positivo (UP), é fundamental compreender que o bruxismo não é uma doença, mas sim um comportamento. 

“O que acontece hoje é que esse mercado cresce muito mais pela demanda estética e financeira do que por ciência sólida. A toxina pode reduzir temporariamente a atividade muscular e até alterar aspectos estéticos do rosto, mas ela não elimina o bruxismo”, explica. 

A especialista ressalta que, mesmo após a aplicação, o paciente continua apertando ou rangendo os dentes, o que mantém riscos como desgaste dental, dores e até fraturas. 

“Quando a toxina é aplicada, ocorre uma paralisia temporária da musculatura. Isso pode aliviar sintomas em alguns casos específicos, mas o paciente continua com o comportamento de apertamento. Ou seja: ele segue causando danos às estruturas dentárias”, afirma. 

Bianca destaca ainda que estudos recentes colocam em dúvida a eficácia da toxina para controle da dor associada ao bruxismo. “Existem revisões sistemáticas mostrando que, para dor, a toxina não apresentou resultados superiores ao placebo. Por isso, precisamos ter muito cuidado com a banalização desse procedimento.” 

Outro ponto de preocupação envolve os efeitos do uso contínuo da substância ao longo dos anos. 

“O uso prolongado pode causar atrofia muscular e, mais grave do que isso, perda de densidade óssea na mandíbula. Ainda não temos estudos avaliando décadas de aplicação contínua, então precisamos discutir esses riscos com muita responsabilidade”, alerta. 

A docente da UP reforça que a toxina botulínica não deve ser considerada tratamento de primeira linha. Segundo ela, o procedimento deve ser reservado apenas para situações específicas, em pacientes com dor muscular severa e refratária, quando abordagens conservadoras já falharam. 

“O diagnóstico é a chave de tudo. Antes de qualquer aplicação, o paciente precisa procurar um especialista em dor orofacial e disfunção temporomandibular. E é importante desconfiar de soluções rápidas e da ideia de ‘toxina terapêutica’. Esse termo, da forma como vem sendo usado comercialmente, não existe”, conclui. 



Universidade Positivo
em up.edu.br/


Estudo brasileiro mostra que estratégia digital melhora controle do colesterol e evidencia lacuna no cuidado de pacientes pós-infarto

Publicado no JAMA Cardiology, pesquisa identificou aumento de 86% na chance de pacientes atingirem a meta de colesterol LDL ("ruim")

 

Um estudo brasileiro mostrou que o uso de uma plataforma digital capaz de conectar pacientes e profissionais de saúde, com lembretes, conteúdos educativos e suporte ao acompanhamento do tratamento, aumentou em 86% a chance de controle adequado do colesterol. O resultado faz parte do estudo SAPPHIRE-LDL, conduzido pelo Einstein Hospital Israelita em colaboração com a Novartis e a epHealth. 

Quem já sofreu um infarto ou outro problema cardiovascular grave sabe que o cuidado não termina no momento da alta hospitalar. Um dos maiores desafios após um evento cardiovascular é manter o colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”, sob controle. Embora as diretrizes médicas recomendem níveis cada vez mais baixos para proteger o coração, muitos pacientes ainda permanecem acima das metas consideradas seguras. 

Foi justamente essa realidade que motivou o estudo brasileiro SAPPHIRE-LDL, publicado no JAMA Cardiology. A pesquisa acompanhou 1.465 pacientes de diferentes regiões do país, atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pela saúde suplementar, em 28 centros, ampliando a diversidade da população avaliada e a aplicabilidade dos resultados à realidade brasileira. O estudo avaliou como ferramentas digitais podem ajudar médicos e pacientes a controlar melhor o colesterol após um evento cardiovascular. Os resultados chamaram atenção: pacientes que participaram da estratégia digital tiveram uma chance 86% maior de atingir a meta recomendada de LDL-colesterol em comparação com aqueles que receberam acompanhamento convencional. Após seis meses, 23,5% dos participantes do grupo que utilizou a estratégia alcançaram níveis inferiores a 50 mg/dL, enquanto, no grupo de cuidados habituais, esse número foi de 13,4%.

Sob a liderança da investigadora principal, Dra. M. Julia Machline-Carrion (PhD), a intervenção, além de ampliar a proporção de participantes que atingiram a meta de colesterol, reduziu os níveis médios de LDL e aumentou significativamente a prescrição de terapias combinadas para controle da doença. 

"A maior parte dos pacientes chega ao atendimento com níveis de LDL em torno de 120 mg/dL. Reduzir esse valor para menos de 50 mg/dL, como recomendam as diretrizes para prevenção secundária (pacientes que já tiveram um infarto ou AVC), não é uma meta simples de alcançar apenas com as terapias convencionais, baseadas principalmente em estatinas. Por isso, precisamos desenvolver estratégias capazes de aproximar a prática clínica dessas metas", afirma a Dra. Karla Espírito Santo, cardiologista e head de Estudos Descentralizados e Modelos Inovadores da Academic Research Organization (ARO) do Einstein e uma das autoras do estudo. 

Para ajudar médicos e pacientes a controlar melhor o colesterol, os pesquisadores utilizaram uma plataforma digital desenvolvida pela epHealth, empresa de tecnologia em saúde ligada ao ecossistema de inovação do Einstein. A ferramenta permitiu acompanhar os participantes ao longo do estudo e reunir informações em tempo real sobre sua evolução clínica. Além disso, ofereceu recursos tanto para os profissionais de saúde quanto para os pacientes: enquanto os médicos recebiam informações que auxiliavam no acompanhamento do tratamento, os participantes tinham acesso a conteúdos educativos e lembretes para o uso correto das medicações. Essa combinação ajudou a aproximar as recomendações médicas da rotina de cuidado dos pacientes. 

Um dos diferenciais foi a incorporação de equipamentos de point of care, capazes de medir o colesterol diretamente no local de atendimento, com resultado disponível em poucos minutos. Os resultados dos exames eram transmitidos automaticamente para a plataforma digital, agilizando a disponibilidade das informações para os pesquisadores e apoiando decisões clínicas mais rápidas e precisas. A pesquisa também utilizou consentimento eletrônico e comunicação contínua entre pacientes e equipes de saúde. Embora ainda exigisse visitas presenciais aos centros participantes, o modelo representa um avanço na incorporação de componentes digitais capazes de tornar estudos clínicos mais eficientes, ampliar a qualidade das informações coletadas e aproximar a pesquisa da prática assistencial. 

"Estudos como o SAPPHIRE-LDL mostram que o Brasil é capaz de desenvolver tecnologias para pesquisa clínica e gerar evidência de alto nível a partir da nossa realidade. Unir ciência e inovação nacional é essencial para democratizar o conhecimento e fortalecer o protagonismo brasileiro no ambiente global de pesquisa em saúde." — Pedro Marton Pereira, fundador e CEO da epHealth e um dos autores do estudo. 

Os pesquisadores também observaram aumento expressivo na prescrição de terapias combinadas para redução do colesterol, associado a maior intensidade do tratamento e a maiores taxas de atingimento das metas de LDL-colesterol, reforçando o potencial da estratégia digital para reduzir lacunas entre as recomendações das diretrizes e a prática clínica.

"Os resultados mostram que ferramentas digitais podem contribuir para melhorar o cuidado cardiovascular e ampliar a adoção das recomendações previstas nas diretrizes clínicas. Ao mesmo tempo, deixam claro que tecnologia, sozinha, não basta. Para que mais pacientes atinjam as metas de colesterol e reduzam o risco de novos eventos cardiovasculares, será essencial ampliar o acesso às terapias mais eficazes, como os inibidores da PCSK9, hoje disponíveis", conclui o Dr. Raul Santos, cardiologista e pesquisador do Einstein e um dos autores do estudo.

Mais do que demonstrar o potencial da tecnologia, os dados revelam um importante alerta: mesmo com acompanhamento especializado, a maioria dos pacientes ainda não alcançou a meta considerada ideal. Isso mostra que existe uma lacuna significativa no cuidado cardiovascular e reforça a necessidade de novas estratégias para identificar pacientes de maior risco, melhorar a adesão ao tratamento e facilitar o acesso às terapias recomendadas. 

"O estudo SAPPHIRE-LDL reforça uma convicção que orienta nosso trabalho: nenhum coração deve ser perdido cedo demais. Ao reimaginar a medicina por meio da ciência, da tecnologia e da inovação, buscamos transformar melhores evidências em melhores desfechos para os pacientes", afirma Priscila Raupp, gerente médica de Real World Evidence (RWE) da Novartis Brasil, que acompanhou o desenvolvimento do estudo desde sua concepção.


Einstein, epHealth e Novartis

A colaboração entre o Einstein Hospital Israelita, a epHealth e a Novartis vem sendo construída nos últimos anos com o objetivo de desenvolver soluções para qualificar o cuidado cardiovascular por meio da integração entre pesquisa clínica e inovação digital. Em 2019, a epHealth foi vencedora do "Novartis Marathon", competição de inovação promovida pela Novartis Brasil e pela Eretz.bio (Einstein). Em 2022, as instituições anunciaram uma parceria inédita para conduzir um dos primeiros estudos da América Latina a utilizar uma plataforma digital integrada para apoiar estratégias de melhoria da qualidade assistencial em pacientes com doença cardiovascular.

No ano seguinte, um estudo conduzido pelas três organizações e publicado na The Lancet Regional Health – Americas reuniu dados de mais de 2,1 milhões de brasileiros acompanhados por agentes comunitários de saúde, identificando importantes lacunas na prevenção secundária, especialmente no uso de estatinas e outras terapias recomendadas. Esses achados ajudaram a fundamentar o desenvolvimento do SAPPHIRE-LDL, que avaliou uma estratégia baseada na plataforma digital da epHealth — healthtech incubada pela Eretz.bio, hub de inovação em saúde do Einstein —, integrando a gestão da pesquisa e a intervenção digital em uma única solução, com recursos como exames por point of care, para aproximar as melhores evidências científicas da prática assistencial.



Novartis
www.novartis.com
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Consumo crônico de goma xantana pode causar inflamação intestinal

Produzida a partir da fermentação natural de açúcares pela bactéria
Xanthomonas campestris, a goma xantana passa por etapas de
purificação, desidratação e moagem antes de ser utilizada pela indústria
 Sutterstock

 Aditivo alimentar está amplamente presente em produtos sem glúten e ultraprocessados. Em experimentos com ratos, a ingestão da substância durante dez semanas alterou a barreira protetora do intestino e ativou o sistema de defesa local

 

A goma xantana é um aditivo amplamente utilizado na indústria de alimentos para estabilizar receitas e ajustar a consistência de sorvetes, iogurtes, bolos, molhos e massas sem glúten, sendo também essencial no preparo de bebidas para quem tem dificuldade de engolir – condição conhecida como disfagia. No entanto, um novo estudo liderado por pesquisadores brasileiros indica que o consumo contínuo dessa substância pode promover um estado inflamatório no intestino.

Publicado na revista PLOS One em abril, o trabalho utilizou ratos adultos para investigar os impactos desse aditivo no organismo. Os resultados validam, de forma experimental, preocupações clínicas antigas: em 2011, a agência norte-americana FDA (U.S. Food and Drug Administration) chegou a emitir um alerta contra o uso de espessantes à base de goma xantana em fórmulas para bebês prematuros por suspeita de que a substância estaria associada ao desenvolvimento de enterocolite necrosante – inflamação grave que leva à morte das células intestinais. Na ocasião, ao menos sete mortes de prematuros foram associadas ao uso do espessante.

Atualmente, nos Estados Unidos, o uso da goma xantana segue uma regulação mais cautelosa que a brasileira, com cálculo de concentração por grama de produto para pessoas maiores de 12 anos e restrições ao uso em fórmulas e alimentos para bebês. Para prematuros, a proibição é total. A despeito de toda a ação regulatória após o caso envolvendo recém-nascidos, o conhecimento científico sobre o efeito do aditivo no intestino humano não avançou.

“Até agora, a relação entre a goma xantana e a doença nos bebês era apenas uma hipótese clínica ou uma observação empírica. O estudo realizado em ratos comprovou a causalidade, ou seja, que esse aditivo alimentar de fato causa a inflamação", diz à Agência FAPESP Claudia Oller, professora da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenadora da pesquisa, apoiada pela FAPESP.


Modelo experimental

Para compreender os efeitos da goma xantana no trato gastrointestinal, os pesquisadores conduziram testes ao longo de dez semanas. Ratos adultos foram divididos em quatro grupos. O primeiro não consumiu goma xantana (controle). O segundo recebeu uma dose baixa do espessante, mimetizando o consumo de uma pessoa que faz uma dieta sem glúten e consome produtos industrializados que contêm o aditivo. O terceiro grupo recebeu uma dose média da goma (metade da dose máxima), imitando alguém com dificuldade leve de engolir, que usa o espessante apenas em algumas refeições. E o quarto grupo recebeu a dose máxima, simulando a de um paciente com dificuldade de moderada a severa para engolir, que precisa adicionar o espessante em absolutamente todos os líquidos e alimentos que consome.

Embora a goma xantana não tenha afetado o metabolismo geral dos animais, os impactos locais no intestino foram significativos. A adição de goma xantana, em todas as doses testadas, promoveu um estado inflamatório de grau moderado, caracterizado por maior presença de células de defesa (linfócitos) infiltradas na parede intestinal. Esse processo foi ainda mais intenso nos grupos de roedores que receberam doses médias e altas do espessante.

A presença de inflamação foi confirmada também pela análise do tecido intestinal (histologia) e pelo aumento nos níveis de moléculas pró-inflamatórias, como a interleucina-1 beta (IL-1β) e o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α).

“O TNF-α, em particular, está associado à morte das células que revestem o intestino [epitélio] e ao desenvolvimento de doenças inflamatórias", conta a nutricionista e fonoaudióloga Alessandra Rischiteli Bragança Silva, primeira autora do artigo – fruto de sua pesquisa de pós-doutorado conduzida na Unifesp.

As análises também revelaram um aumento expressivo nos níveis de uma proteína chamada Claudina-2 na mucosa intestinal. Essa elevação está ligada ao que os cientistas chamam de “aumento da permeabilidade intestinal”, que costuma estar associado a condições inflamatórias, como a doença de Crohn, a colite ulcerativa e a doença celíaca.

Na prática, o nosso intestino funciona como uma barreira protetora e como um filtro: ele deve permitir a absorção dos nutrientes importantes, mas bloquear a passagem de substâncias nocivas. Quando a permeabilidade aumenta, as ligações bem justas que mantêm as células do intestino unidas – estruturas das quais a Claudina-2 faz parte – ficam comprometidas e acabam se afrouxando. Com esse espaço extra, bactérias, toxinas e partículas que não deveriam sair dali conseguem "vazar" do intestino diretamente para a corrente sanguínea, o que desperta o sistema imunológico e pode gerar uma inflamação no corpo.

“Essa proteína [Claudina-2] se propagou no epitélio do intestino dos animais, o que indica a perda da integridade da barreira intestinal", comenta Rischiteli.

Embora a diversidade da microbiota intestinal não tenha mudado de forma expressiva, pondera a pesquisadora, o consumo crônico de goma xantana (durante as dez semanas do experimento) modificou o equilíbrio entre microrganismos no órgão, aumentando a quantidade de bactérias do filo Elusimicrobiota, associado a estados inflamatórios.

“Essa mudança já caracteriza um quadro de disbiose [desequilíbrio na microbiota], mesmo sem grandes alterações nos grupos bacterianos dominantes", alerta a pesquisadora.


Alimentos ultraprocessados

A goma xantana é um produto biotecnológico originado de um processo de fermentação natural conduzido pela bactéria Xanthomonas campestris. Na natureza, esse microrganismo atua como um patógeno vegetal que infecta diversas espécies, sendo o responsável por aquele aspecto escurecido e viscoso que observamos quando vegetais, como o repolho ou a couve, começam a estragar. Para que essa substância chegue à forma que consumimos, a produção industrial adapta esse processo biológico em um ambiente controlado. As bactérias são cultivadas e "alimentadas" com um caldo rico em carboidratos e, ao digerirem esses nutrientes, secretam uma substância gelatinosa. Após o fim da fermentação, essa goma bruta passa por etapas de purificação, desidratação e moagem. O resultado é um pó branco e fino, que a indústria utiliza em larga escala.

Como destaca Rischiteli, o uso da goma xantana na rotina de crianças e idosos com disfagia despertou a atenção da comunidade científica e clínica para o tema. Contudo, esse aditivo também está amplamente presente em produtos alimentícios ultraprocessados, incluindo os shakes proteicos, bem como em suplementos alimentares.

No caso dos pacientes com disfagia, que realmente dependem de espessantes para conseguir se alimentar e se hidratar, e que não toleram alternativas naturais, como o amido de milho, a saída é a redução de danos, pontua a pesquisadora. "Com os resultados do estudo, a recomendação é monitorar a saúde intestinal e adotar estratégias de proteção, como o uso de probióticos, por exemplo”, afirma. Para as demais pessoas, acrescenta, vale a orientação presente no Guia Alimentar para a População Brasileira: evitar alimentos ultraprocessados.

"Não é o caso de demonizar a goma xantana, e sim enfatizar a necessidade de estudos translacionais para humanos com foco no uso seguro e estratégias terapêuticas. Possivelmente, o uso ocasional e em pequenas quantidades, como aditivo, não seja deletério. O alerta é sobre o uso diário e o efeito cumulativo do espessante", conclui.

Agência FAPESP entrou em contato com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) e com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad), mas as entidades optaram por não se posicionar sobre os resultados do estudo.

O artigo Xanthan gum intake modifies the colon microbiota profile and causes mild colon inflammation in rats pode ser lido em: journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0347232.

 


Maria Fernanda Ziegler

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/consumo-cronico-de-goma-xantana-pode-causar-inflamacao-intestinal/58982


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