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sábado, 29 de agosto de 2026

Beauty Tools aposta em tecnologia própria para democratizar a maquiagem profissional


 Única marca de ferramentas de maquiagem da América Latina desenvolve pincéis, esponjas e acessórios com performance de estúdio e investe em educação para transformar a rotina de beleza do consumidor

 

A Beauty Tools nasceu para resolver um problema simples de identificar, mas até então pouco explorado pelo mercado: a distância entre as ferramentas usadas por maquiadores profissionais e aquelas disponíveis ao consumidor final. Foi a partir dessa lacuna que a marca construiu seu propósito, tornar a alta performance em maquiagem mais acessível, unindo tecnologia, design e funcionalidade em produtos pensados para o dia a dia.

O desenvolvimento de cada item segue quatro pilares: performance, inovação, design e acessibilidade. Entre as tecnologias proprietárias da marca estão a CloudTech, usada nas esponjas para garantir aplicação uniforme e melhor aproveitamento do produto, a UltraBlend, aplicada aos pincéis com tratamento antibacteriano que ajuda a reduzir a proliferação de bactérias nas cerdas, e a UltraGrip, criada para dar mais ergonomia e precisão ao curvex de cílios. As ferramentas são desenvolvidas para atender tanto o consumidor final quanto maquiadores profissionais, unindo em um único produto a performance exigida pelo mercado de estúdio e a praticidade do uso diário.

"Cada produto nasce de uma necessidade que eu mesmo vivi como maquiador. A gente desenvolve pensando em quem está no dia a dia da profissão, mas sempre com o objetivo de colocar isso ao alcance de qualquer pessoa", afirma Rodrigo Ramas, maquiador profissional há mais de dez anos e fundador e diretor criativo da Beauty Tools.

Além do desenvolvimento de produtos, a marca mantém a Beauty Tools Academy, plataforma educacional voltada a compartilhar técnicas e conhecimento com profissionais e consumidores. "A gente não quer só vender uma ferramenta boa. A gente quer que a pessoa entenda por que aquela ferramenta é boa e como tirar o melhor proveito dela", diz Ramas.

A expansão física da marca teve um novo capítulo com a chegada ao Mata Lab, no Complexo Matarazzo, em São Paulo, primeiro ponto de venda físico da Beauty Tools. Para 2027, está prevista a entrada nas principais redes de varejo de beleza do país. Os planos futuros também incluem a internacionalização, projeto que já orientou decisões de branding da marca, como a nomenclatura dos produtos em inglês.

"Desde o início pensamos a Beauty Tools como uma marca capaz de dialogar com outros países. Isso está no nome, na comunicação, em cada decisão que tomamos", explica Rodrigo Ramas.

Os produtos da Beauty Tools podem ser encontrados no Mata Lab, no Complexo Matarazzo, em São Paulo, e no site oficial da marca, beautytools.com.br.


6 mitos e verdades sobre a blefaroplastia, que ajudam a entender quando a cirurgia é indicada

  

Cirurgião plástico David Di Sessa explica sobre os cuidados que devem ser avaliados antes do procedimento 

 

Cirurgião plástico membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, explica que as técnicas atuais permitem abordagens mais individualizadas e que antes da decisão, é preciso entender essas possibilidades para alinhar expectativas, segurança e objetivos.

“A blefaroplastia começa pela identificação da queixa. Estruturas diferentes podem produzir um aspecto parecido, por isso nem sempre a solução está apenas na retirada de pele. Quando avaliamos a anatomia de forma completa, conseguimos escolher a técnica mais adequada e explicar ao paciente, com clareza, quais mudanças podem ser esperadas com o procedimento”, afirma David Di Sessa.


Confira abaixo os mitos e verdades sobre o procedimento:

1. Blefaroplastia serve apenas para retirar excesso de pele. Mito - A blefaroplastia não é um procedimento simples, ela não se limita à retirada de excesso de pele. O planejamento pode incluir gordura orbital, musculatura, posição das pálpebras e a relação entre a região dos olhos e a bochecha. A combinação dessas estruturas ajuda o cirurgião a entender o que realmente provoca o aspecto de cansaço ou peso no olhar. A técnica, portanto, varia conforme as características e necessidades de cada paciente.


2. Não existe idade certa para fazer blefaroplastia. Verdade - A indicação da blefaroplastia exige uma avaliação detalhada, não há uma faixa etária específica para indicação. Algumas pessoas apresentam bolsas hereditárias, flacidez ou excesso de pele mais cedo, enquanto outras chegam a idades mais avançadas sem indicação cirúrgica. A decisão considera anatomia, sintomas, incômodos apresentados e condições clínicas avaliadas durante a consulta. A idade entra nessa análise, mas não funciona como um critério isolado para recomendar o procedimento.


3. Toda gordura das bolsas precisa ser retirada. Mito - Nem sempre retirar toda a gordura das bolsas produz o resultado mais adequado. Em determinados casos, parte desse tecido pode ser preservado ou reposicionado para suavizar depressões abaixo dos olhos e melhorar a transição com a bochecha. Essa escolha depende da distribuição do volume, da profundidade do sulco e da anatomia local. Uma remoção excessiva pode acentuar áreas encovadas e comprometer a naturalidade do contorno.


4. Olhos secos precisam ser avaliados antes da cirurgia. Verdade - Todos os sintomas relacionados a saúde ocular são importantes, e precisam ser relatados antes da cirurgia. Ardência, sensação de areia, lacrimejamento frequente ou uso recorrente de lágrimas artificiais podem indicar alterações da superfície ocular que merecem atenção no planejamento. No pós-operatório, ressecamento e desconforto podem aparecer temporariamente em alguns pacientes. A avaliação prévia permite orientar cuidados específicos e acompanhar de perto quem já apresenta maior sensibilidade na região.


5. A blefaroplastia inferior sempre deixa cicatriz externa. Mito - A blefaroplastia inferior nem sempre exige uma incisão externa na pele. Em alguns pacientes, o acesso pode ser realizado pela parte interna da pálpebra, técnica conhecida como via transconjuntival. Essa abordagem costuma ser considerada quando existem bolsas de gordura sem excesso cutâneo importante. Quando há flacidez, alterações musculares ou necessidade de tratar outras estruturas, o cirurgião pode indicar um acesso diferente para alcançar o resultado planejado com segurança.


6. Recursos regenerativos podem complementar o rejuvenescimento dos olhos. Verdade - Com a indicação correta, os recursos e técnicas regenerativas podem atuar como complemento no rejuvenescimento da região dos olhos. PRP, PRF, nanofat e derivados da gordura autóloga são estudados por seus efeitos sobre textura, qualidade da pele, estímulo reparador e reposição discreta de volume, conforme a técnica utilizada. Os benefícios e o nível de evidência não são iguais entre esses métodos. A escolha deve ser feita após avaliação individual e indicação do médico responsável pelo procedimento.

“O melhor resultado não depende de retirar o máximo possível, mas de tratar cada estrutura na medida necessária. Preservar tecidos, respeitar a anatomia e entender as características individuais ajudam a manter equilíbrio na região dos olhos. Uma boa indicação também inclui orientar sobre recuperação, limites do procedimento e cuidados antes e depois da cirurgia”, conclui o cirurgião plástico. 



David Di Sessa - CRM-SP 112566 - RQE 32162 -médico cirurgião plástico, graduado pela Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA), com residência em Cirurgia Plástica em Campinas e estágio de aperfeiçoamento na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, sob orientação do professor Ivo Pitanguy. Com mais de 15 anos de experiência e mais de 5 mil procedimentos realizados, atua com foco em resultados naturais e na melhora da qualidade de vida dos pacientes, realizando cirurgias plásticas faciais, corporais e das mamas. É membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), da American Society of Plastic Surgeons (ASPS), da Associação Paulista de Medicina (APM) e da Associação Médica Brasileira (AMB).
Instagram: @daviddisessa


A conta que chega depois da balança: o que acontece com o corpo após o emagrecimento rápido

"Com a popularização dos medicamentos para perda de peso, especialistas chamam atenção para uma etapa que costuma ficar em segundo plano: preservar massa muscular, qualidade da pele e contorno corporal durante a transformação" 

 

A balança comemora primeiro. O espelho, nem sempre.

O emagrecimento acelerado se transformou em um dos assuntos mais comentados da saúde nos últimos anos, impulsionado pela popularização dos medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 e de outras estratégias para controle do peso. Mas, à medida que os quilos desaparecem, surge uma questão menos discutida: o que acontece com o corpo que fica depois deles?

Para algumas pessoas, a resposta aparece na forma de flacidez, perda de volume, alterações no contorno corporal e mudanças na qualidade da pele. Em outras, o impacto é menos perceptível. A diferença está em uma combinação de fatores que começa muito antes de a pessoa atingir o peso desejado.

A lógica, segundo especialistas, é simples: emagrecer não significa apenas perder gordura.

“O processo de transformação corporal precisa ser acompanhado de maneira ampla. Quando olhamos somente para o número da balança, podemos deixar de observar composição corporal, massa muscular, qualidade da pele, hidratação, medidas e distribuição de gordura. O objetivo deveria ser acompanhar como o corpo está mudando, e não apenas quanto ele está pesando”, afirma Dra. Daniela da Silveira, biomédica responsável técnica nacional da Gio Estética Avançada.


O peso diminui, mas o corpo não encolhe de maneira uniforme 

Quando uma pessoa perde uma quantidade significativa de peso, o organismo não elimina apenas gordura. A perda de massa corporal pode envolver diferentes tecidos, incluindo gordura e massa magra. A proporção varia de acordo com alimentação, atividade física, idade, composição corporal inicial, velocidade do emagrecimento e outros fatores individuais.

É aí que aparece uma diferença importante entre peso corporal e composição corporal.

Duas pessoas podem perder exatamente 10 quilos e apresentar resultados visuais completamente diferentes. Uma pode preservar mais massa muscular e manter um contorno corporal mais definido. Outra pode apresentar maior redução de massa magra e perceber mais flacidez ou perda de sustentação.

Um estudo publicado em 2024 no periódico Diabetes, Obesity and Metabolism, que analisou dados de diferentes ensaios clínicos com medicamentos agonistas de GLP-1, mostrou que a redução de peso promovida por essas terapias ocorre predominantemente pela diminuição da massa gorda, mas também pode envolver perda de massa magra.

Isso não significa que os medicamentos sejam responsáveis, isoladamente, pela flacidez. Significa que a composição do peso perdido importa.

“O que interessa não é apenas perder peso. É entender de onde esse peso está vindo e o que queremos preservar ao longo do processo. Massa muscular, por exemplo, tem relação direta com funcionalidade, metabolismo e também com a aparência do contorno corporal”, explica a Daniela.

 

A flacidez não começa necessariamente quando o peso termina

Um dos equívocos mais comuns é pensar na flacidez como uma espécie de “efeito colateral” que só precisa ser tratado depois que a pessoa chega ao peso desejado. Na realidade, a aparência da pele e dos tecidos é influenciada por fatores que já estavam presentes antes do emagrecimento.

A pele é formada por diferentes camadas e depende de estruturas como colágeno e elastina para manter resistência e elasticidade. Com o envelhecimento, a produção e a organização dessas proteínas sofrem alterações. A exposição solar acumulada também contribui para a degradação das fibras responsáveis pela sustentação cutânea.

Quando ocorre uma grande redução de volume corporal, a capacidade da pele de se adaptar ao novo contorno passa a ser uma variável importante. É por isso que idade, genética, quantidade de peso perdido, tempo em que a pessoa permaneceu acima do peso, exposição solar e características individuais da pele podem influenciar o resultado final.

Não existe, portanto, uma fórmula segundo a qual determinada quantidade de quilos perdida necessariamente produzirá determinado grau de flacidez.


O que poderia ter sido feito durante? 

É justamente nessa pergunta que especialistas identificam uma mudança de paradigma.

Em vez de esperar que o processo de emagrecimento termine para então avaliar o que precisa ser corrigido, a proposta é acompanhar o corpo durante a transformação.

Isso pode incluir avaliações periódicas de composição corporal, medidas, circunferências, evolução do contorno, estado da pele e outros parâmetros definidos pelo profissional responsável pelo acompanhamento.

A ideia não é impedir completamente as mudanças naturais provocadas pela perda de peso, algo que não pode ser garantido, mas identificar precocemente aquilo que está acontecendo e ajustar o cuidado dentro das possibilidades de cada pessoa.

“Quando a avaliação acontece somente no final, perdemos informações importantes sobre todo o caminho. Acompanhamentos periódicos permitem observar tendências e adaptar as estratégias de cuidado. É uma abordagem muito mais preventiva do que esperar o resultado final para decidir o que fazer”, afirma Daniela.

 

A balança não mostra o que aconteceu com o músculo

A discussão sobre massa muscular ganhou ainda mais importância com a expansão das terapias para controle do peso. Emagrecer pode ser metabolicamente benéfico para pessoas com sobrepeso ou obesidade, especialmente quando há indicação clínica e acompanhamento médico. Mas a preservação da massa magra precisa fazer parte da estratégia.

Uma revisão publicada no Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle em 2024 chamou atenção para a necessidade de monitorar a composição corporal durante tratamentos com agonistas de GLP-1, especialmente porque a perda de massa magra pode representar uma parcela do peso perdido.

Isso ajuda a explicar por que a avaliação corporal é diferente de simplesmente subir em uma balança. A bioimpedância, por exemplo, pode ser utilizada em determinados contextos para estimar composição corporal, enquanto medidas antropométricas e avaliações físicas complementam a leitura. Nenhum desses recursos, isoladamente, conta toda a história, mas juntos podem oferecer uma visão mais ampla da transformação.

Para preservar massa muscular, a literatura científica aponta especialmente para a combinação entre ingestão adequada de proteínas e exercício físico, particularmente treinamento de resistência, sempre respeitando as condições clínicas e a orientação de profissionais habilitados. O ponto central é que a estratégia estética não deveria caminhar separada da saúde.

 

A pele também entra na equação

Se o músculo ajuda a formar o contorno corporal, a pele precisa se adaptar à redução de volume.

É nesse momento que qualidade cutânea passa a ser uma variável importante.

Hidratação, proteção solar, alimentação adequada e hábitos de vida são componentes básicos do cuidado. Procedimentos e tecnologias estéticas podem ser considerados em situações específicas, mas a indicação depende da avaliação individual e não deve ser apresentada como garantia de prevenção ou eliminação da flacidez.

“O cuidado com a pele precisa começar antes de a pessoa olhar no espelho e identificar um problema. Isso não quer dizer que exista um procedimento capaz de impedir toda flacidez. Significa acompanhar a qualidade da pele e entender quais estratégias fazem sentido em cada fase”, diz a biomédica da Gio Estética Avançada.

A abordagem também muda a conversa sobre tratamentos estéticos. Em vez de escolher uma tecnologia porque ela está em alta, a avaliação deveria partir da pergunta: qual alteração estamos tentando tratar?

Qualidade da pele, gordura localizada, flacidez, perda de volume e alteração de contorno são problemas diferentes e podem demandar estratégias diferentes.

 

O mercado cresceu e a expectativa também

O fenômeno das chamadas “canetas emagrecedoras” transformou não apenas o debate médico, mas também o mercado de saúde, beleza e bem-estar. Medicamentos como semaglutida e tirzepatida passaram a ocupar espaço importante nas discussões sobre obesidade e controle de peso. Projeções de mercado para medicamentos voltados ao tratamento da obesidade e diabetes também mostram um setor em forte expansão.

No Brasil, o movimento vem acompanhado de uma mudança no comportamento do consumidor: o emagrecimento deixou de ser apenas uma questão relacionada à balança e passou a envolver uma expectativa mais ampla sobre aparência, disposição, autoestima e qualidade de vida. É justamente por isso que especialistas defendem cautela.

A busca por um resultado estético rápido pode criar expectativas irreais sobre o que acontece depois da perda de peso. O corpo não necessariamente acompanha a velocidade desejada pelo paciente e não existe procedimento estético capaz de reproduzir instantaneamente o resultado de uma cirurgia plástica ou garantir que uma determinada quantidade de peso perdida não resulte em excesso de pele.

 

E quando sobra pele?

Existe uma diferença importante entre flacidez cutânea e excesso significativo de pele.

Em casos de grandes perdas de peso, pode haver sobra de pele que não responde da mesma maneira a tratamentos não cirúrgicos. Nessas situações, a avaliação de um cirurgião plástico pode ser necessária para discutir alternativas, incluindo procedimentos cirúrgicos.

Isso reforça outro princípio: nem toda consequência estética do emagrecimento pode ou deve ser tratada em uma clínica de estética.

O acompanhamento precisa reconhecer os limites de cada área e encaminhar o paciente quando necessário.

 

A caneta não é o começo e também não é o fim

Apesar de o debate público frequentemente concentrar-se nos medicamentos, a transformação corporal é muito maior do que a prescrição de uma substância.

Medicamentos para tratamento da obesidade e do sobrepeso são recursos médicos e devem ser prescritos e acompanhados por profissionais habilitados. A escolha da terapia, a dose, a duração e a avaliação de riscos e benefícios pertencem ao campo da medicina.

O que acontece paralelamente ao tratamento, porém, pode influenciar a experiência do paciente durante a transformação. Alimentação, atividade física, sono, saúde mental, composição corpora, frequência de tratamentos estéticos em clínicas especializadas, e cuidado diário com a pele fazem parte de uma jornada mais ampla de mudança de hábitos.

“Não existe uma solução única para o corpo inteiro. O mais importante é que o paciente seja acompanhado de acordo com o momento em que está. O emagrecimento é uma jornada, e a manutenção da saúde, da funcionalidade e da qualidade do tecido também deveria ser”, afirma Daniela.

No fim, a pergunta mais interessante talvez não seja quantos quilos faltam para atingir a meta, mas como chegar lá. Porque a transformação corporal não termina quando a balança estaciona. Para quem perde uma quantidade significativa de peso, o resultado também está naquilo que não aparece no visor: a massa muscular preservada, a qualidade da pele, o contorno corporal, a energia para manter uma rotina ativa e, principalmente, a capacidade de sustentar a mudança ao longo do tempo.

A conta que chega depois da balança, portanto, não precisa ser uma surpresa.

Ela pode e, para os especialistas, deveria começar a ser calculada muito antes com a ajuda de múltiplos profissionais.

 

ERA DA NATURALIDADE

 

Menos volume, mais identidade: busca por naturalidade muda escolhas na estética facial

Procura por lifting facial cresceu quase 79% em quatro anos no Brasil; cirurgião plástico aponta movimento de pacientes que querem reduzir excessos e voltar a se reconhecer no espelho

 

Lábios muito volumosos, maçãs do rosto excessivamente projetadas e faces que acabam adquirindo características semelhantes começam a perder espaço para uma nova busca nos consultórios: rejuvenescer sem parecer que houve uma intervenção. Depois de anos marcados pela popularização dos preenchimentos e da harmonização facial, cresce o interesse por resultados mais naturais, com menos adição de volume e maior preservação dos traços individuais.

Os números ajudam a dimensionar essa mudança. A pesquisa nacional Padrões de Beleza e Bem-Estar 2026, realizada pelo Opinion Box com 1.275 pessoas, mostrou que 30% dos brasileiros já fizeram procedimentos estéticos permanentes ou de longa duração. Entre esse público, 69% apontaram como objetivo amenizar os sinais do envelhecimento.

Ao mesmo tempo, as cirurgias de rejuvenescimento facial avançaram. Dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) mostram que o número de facelifts realizados no Brasil passou de 68.013 em 2020 para 121.494 em 2024, crescimento de aproximadamente 78,6% em quatro anos.

O movimento acompanha o que já vem sendo chamado por especialistas de “era do indetectável”: intervenções capazes de produzir uma aparência mais descansada e rejuvenescida, mas sem modificar excessivamente as características individuais.

Para o cirurgião plástico Vidal Guerreiro, mestre em Cirurgia Plástica pela Unifesp e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a mudança já pode ser percebida dentro do consultório.

“Tenho recebido pacientes que não chegam mais dizendo: ‘quero aumentar isso ou preencher aquilo’. Algumas chegam justamente com a sensação contrária. Dizem: ‘Doutor, olho uma foto minha de alguns anos atrás e sinto que perdi os meus traços’. É uma conversa muito diferente, porque o desejo não é ter outro rosto. É voltar a enxergar o próprio rosto com mais leveza”, explica.

Segundo Vidal, isso não significa que preenchimentos ou outros procedimentos minimamente invasivos tenham deixado de ter indicação. O problema surge quando a adição de volume passa a ser utilizada repetidamente para tratar alterações que nem sempre são decorrentes da perda de volume.

“Imagine uma paciente cuja principal mudança ao longo dos anos foi a queda dos tecidos da face. Se a cada vez que ela percebe essa queda nós simplesmente acrescentarmos mais produto, podemos aumentar o volume sem necessariamente corrigir aquilo que a incomoda. Em alguns casos, chega um momento em que é preciso parar, olhar o rosto como um todo e perguntar: o que realmente está acontecendo aqui?”, exemplifica.

É nesse cenário que procedimentos cirúrgicos como o facelift voltam a ganhar espaço. Diferentemente de tratamentos baseados principalmente na adição de volume, as técnicas modernas de lifting trabalham com o reposicionamento dos tecidos da face. Entre elas estão abordagens em planos profundos, como o deep plane facelift, utilizadas para tratar estruturas que sofreram deslocamento com o envelhecimento.

Na avaliação do cirurgião, a maior procura por cirurgia não deve ser interpretada como uma substituição automática dos tratamentos menos invasivos. Cada recurso tem uma finalidade.

“Eu não acredito numa guerra entre cirurgia, preenchimento, toxina botulínica ou tecnologia. Há pacientes que precisam de muito pouco e não têm indicação cirúrgica alguma. Há outros em que continuar adicionando produto já não faz sentido. A boa indicação é justamente saber quando fazer, quanto fazer e, principalmente, quando não fazer”, afirma.

Nos casos em que existe excesso de preenchimento com ácido hialurônico, também pode ser necessária uma avaliação específica. Dependendo da situação, exames de imagem podem auxiliar na identificação do produto e a hialuronidase pode ser utilizada para dissolver o ácido hialurônico. A decisão deve ser individualizada e realizada por profissional habilitado.

Para Vidal, a mudança mais importante está na expectativa de quem procura o consultório. Se durante determinado período a transformação mais evidente chegou a ser valorizada, agora muitos pacientes chegam com uma preocupação diferente: continuar parecendo eles mesmos.

“Naturalidade não significa sair de uma cirurgia ou de um tratamento exatamente como entrou. Tem que existir uma melhora, senão não faria sentido. Mas o resultado que considero mais bonito é aquele em que a pessoa ouve: ‘Você está ótima, descansada, diferente’, e não: ‘O que você fez no rosto?’. Quando preservamos a identidade, o procedimento não vira protagonista. O protagonista continua sendo o paciente”, conclui.


Vidal Guerreiro
@DrVidalGuerreiro
https://drvidalguerreiro.com.br/


Olhar cansado nem sempre é falta de sono, alerta Sociedade Brasileira de Dermatologia

De acordo com a entidade, olheiras podem ter diferentes causas e a avaliação dermatológica é fundamental para definir o cuidado adequado
 

Olheiras são frequentemente associadas ao cansaço e à falta de sono. No entanto, a aparência escurecida ao redor dos olhos pode estar relacionada a diferentes fatores e nem sempre indica noites maldormidas. Genética, pigmentação, características dos vasos sanguíneos e a anatomia da região estão entre as possíveis causas. 

"As olheiras são uma queixa bastante comum. Antes de escolher qualquer produto ou tratamento, é importante entender qual característica está contribuindo para aquele aspecto e avaliar cada caso individualmente", explica Dra. Alessandra Romiti, médica dermatologista e assessora do Departamento de Cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). 

A região ao redor dos olhos apresenta características que podem favorecer a aparência das olheiras. A pele das pálpebras é mais fina e permite maior visualização das estruturas que estão abaixo dela, como vasos sanguíneos. Além disso, processos inflamatórios provocados por alergias ou irritações podem contribuir para alterações na pigmentação da região. 

Além disso, o envelhecimento pode modificar a aparência da região dos olhos. A perda de volume, a flacidez e as mudanças na estrutura da pele podem favorecer a formação de sombras e deixar o olhar com aspecto mais cansado. 

"É possível apresentar olheiras mesmo mantendo uma rotina adequada de sono. O descanso pode contribuir para melhorar temporariamente o aspecto de uma região que está mais cansada, mas não necessariamente corrige a causa da olheira", afirma a dermatologista. 

A Sociedade Brasileira de Dermatologia alerta para a importância de evitar tratamentos ou produtos escolhidos apenas com base em recomendações encontradas na internet. A busca por uma avaliação com um médico dermatologista permite identificar o tipo de olheira e a abordagem mais adequada para cada caso. A tentativa de tratar a alteração sem identificar sua causa pode não apresentar o resultado esperado e, em alguns casos, provocar irritações ou outros problemas na região, que é especialmente delicada. 

Para saber mais sobre a saúde da pele, cabelos e unhas, acesse as redes sociais @dermatologiasbd e o site www.sbd.org.br. Informe-se e encontre um dermatologista associado à SBD em sua região.
  

Receitas caseiras podem substituir o desodorante? Especialistas explicam

 Entenda as diferenças entre desodorantes e antitranspirantes, o que dizem os estudos sobre seus ingredientes e como os benefícios informados nos rótulos são avaliados

 

Dos sais de alumínio às receitas caseiras para controle do odor, dúvidas sobre o funcionamento e a segurança dos desodorantes ainda são comuns entre consumidores. Segundo a dermatologista Jéssica Starek, da ALS Beauty & Personal Care, parte dessas dúvidas surge da forma como o suor e o odor corporal costumam ser percebidos.

“Muitas pessoas associam o suor ao mau cheiro, mas o suor, por si só, não costuma ser o responsável pelo odor. O cheiro surge quando bactérias presentes naturalmente na pele entram em contato com substâncias eliminadas pelo organismo e as transformam em compostos responsáveis pelo odor”, comenta.

Enquanto os desodorantes atuam no controle do odor, os antitranspirantes ajudam a reduzir temporariamente a quantidade de suor produzida nas axilas. Muitos produtos disponíveis atualmente combinam os dois benefícios em uma mesma fórmula. Entre os ingredientes mais conhecidos dos antitranspirantes estão os sais de alumínio, frequentemente associados a dúvidas sobre possíveis riscos à saúde.

“Apesar de ser um tema recorrente, não existem evidências científicas que comprovem relação entre o uso de antitranspirantes contendo sais de alumínio e o desenvolvimento de câncer de mama.  Hoje, as principais entidades médicas e científicas não reconhecem essa associação”, afirma Jéssica.

Outro tema que costuma despertar interesse é o uso de alternativas consideradas naturais para o controle do odor. Embora essas receitas sejam  compartilhadas como substitutas dos desodorantes tradicionais, elas não passam pelos mesmos processos de avaliação utilizados para comprovar segurança, tolerabilidade e eficácia dos produtos comercializados. Esses testes são importantes para identificar resultados que podem ser expandidos para toda a população e garantir que o observado não está ocorrendo ao acaso.

"Produtos desenvolvidos para essa finalidade são submetidos a diferentes avaliações antes de chegar ao mercado. Já as receitas caseiras não contam com esse mesmo nível de comprovação, o que exige cautela, principalmente em pessoas com pele sensível ou histórico de irritação", afirma.

A necessidade de comprovar segurança e eficácia não se aplica apenas à composição dos produtos, mas também aos benefícios comunicados pelas marcas nos rótulos. Expressões como "proteção por 24 horas", "proteção por 48 horas", "controle de odor", "ação antitranspirante" ou "não irrita as axilas" dependem de estudos específicos para avaliar seu desempenho.

Gabrielli Brianezi, gerente técnica de pesquisa clínica da ALS Beauty & Personal Care, explica que cada benefício exige metodologias próprias de avaliação. “Os estudos podem avaliar diferentes aspectos, como controle de odor, redução da transpiração e potencial de irritação da região das axilas. O objetivo é verificar se o desempenho observado durante as avaliações corresponde aos benefícios que serão comunicados ao consumidor”.

Essas avaliações seguem protocolos definidos por agências reguladoras e são conduzidas com métodos científicos que garantem resultados confiáveis e representativos para a população. Podem envolver tanto análises clínicas quanto metodologias capazes de mensurar o comportamento dos produtos em condições controladas de uso.

“Quando um produto comunica determinado benefício, existe um método científico específico  para verificar se aquela informação é compatível com os resultados obtidos durante os estudos. Esse processo é importante para oferecer mais segurança e confiabilidade na performance do produto, tanto para as marcas quanto para os consumidores”, afirma Gabrielli.

Para Jéssica, mais importante do que seguir tendências ou recomendações genéricas é entender as necessidades individuais da pele e observar sinais que possam indicar a necessidade de acompanhamento médico.

“Quando existe suor excessivo, desconforto persistente, irritação frequente ou alterações importantes no odor corporal, vale procurar orientação médica. Em alguns casos, esses sinais podem estar relacionados a condições que vão além da escolha do desodorante”, finaliza.

 

 ALS Beauty & Personal Care

 

Filtros e IA ampliam a pressão por um padrão de beleza

Redes sociais estão transformando características que antes não incomodavam em novos motivos de comparação e insatisfação com o próprio corpo 

 

Filtros, imagens editadas e conteúdos produzidos por inteligência artificial estão ampliando a exposição a padrões estéticos difíceis de reproduzir fora das telas e reacendendo o debate sobre os efeitos da comparação na percepção do próprio corpo. A discussão ganhou força nos últimos dias após novos comentários sobre a aparência de Ariana Grande circularem nas redes sociais, episódio que trouxe novamente à tona os limites entre preocupação, julgamento e body shaming.

Marco Dallegrave é médico, cirurgião plástico, pós graduado em Psiquiatria e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. À frente da clínica Marco Dallegrave Cirurgia Plástica, atua com procedimentos estéticos, especialmente cirurgias de contorno corporal, mamas e mini lipoaspiração de recuperação rápida. Para o especialista, compreender de onde nasce uma insatisfação pode ser tão importante quanto avaliar aquilo que o paciente deseja modificar.

“Hoje não existe apenas a comparação com outra pessoa. Existe a comparação com fotografias selecionadas, ângulos calculados, filtros e imagens modificadas. Quando essa referência passa a determinar como alguém acredita que deveria ser, a imagem corporal nas redes sociais pode interferir diretamente na expectativa levada para dentro do consultório”, explica Dallegrave.


Comparar também pode gerar gatilhos

A repercussão em torno da aparência da cantora também expôs outro efeito da comparação nas redes sociais. Em meio aos comentários sobre seu corpo, pessoas que convivem ou já conviveram com transtornos alimentares relataram que a circulação das imagens e a discussão sobre magreza funcionam como gatilho para pensamentos e comportamentos relacionados à própria imagem corporal. O episódio mostra como uma publicação sobre a aparência de outra pessoa pode atingir quem apenas acompanha a discussão, mesmo sem participar diretamente dela.

Para o cirurgião plástico, esse mecanismo merece atenção porque a referência deixa de ser apenas externa e passa a interferir na maneira como a própria pessoa se enxerga. “Nem sempre alguém olha uma imagem e pensa conscientemente que gostaria de ter aquele corpo. A comparação pode ser mais sutil. A pessoa começa a questionar medidas, proporções ou características que antes não eram um problema. Quando essa insatisfação passa a orientar decisões sobre procedimentos estéticos, é importante entender o que está por trás desse desejo antes de indicar uma cirurgia”, ressalta.


Quando a imagem digital vira referência

A facilidade de modificar fotografias acrescentou uma nova camada à relação com a aparência. Filtros capazes de alterar pele, nariz, mandíbula, olhos e proporções faciais convivem agora com ferramentas de inteligência artificial que produzem imagens cada vez mais realistas. Com isso, a comparação pode ocorrer não apenas com outras pessoas, mas também com uma versão digitalmente modificada de si próprio.

Um estudo publicado em 2025 na revista científica Body Image, com 397 universitários usuários do TikTok, encontrou associação entre o uso de filtros faciais voltados a melhorar a aparência e maior insatisfação facial e preocupação com a imagem corporal. Os pesquisadores ressaltam que os resultados demonstram associação e não estabelecem uma relação direta de causa e efeito.

“Uma imagem modificada pode funcionar como referência visual, mas não como promessa de resultado. Anatomia, estrutura óssea, pele, distribuição de gordura e proporções são individuais. Quando alguém chega querendo reproduzir exatamente aquilo que viu em um filtro, cabe ao cirurgião explicar os limites e avaliar se existe uma expectativa possível”, aponta o especialista.


O limite entre desejo e expectativa irreal

Querer modificar uma característica física não significa, por si só, que exista uma relação problemática com a própria aparência. Segundo Dallegrave, o alerta aumenta quando a insatisfação muda constantemente, diferentes partes do corpo passam sucessivamente a ser percebidas como defeitos ou o paciente acredita que alcançar determinada aparência resolverá questões afetivas, profissionais ou sociais.

Por isso, a avaliação antes da cirurgia não deve se limitar à possibilidade técnica de realizar o procedimento. Entender há quanto tempo existe o incômodo, qual resultado é esperado e quais referências influenciaram a decisão também ajuda a determinar se a cirurgia plástica é indicada.

“Existe uma diferença entre querer melhorar algo que incomoda de forma consistente e tentar acompanhar um padrão que muda a cada tendência. Se hoje a referência é um corpo e amanhã surge outro, nenhuma cirurgia conseguirá resolver essa comparação permanente”, afirma o cirurgião plástico.


Por que o cirurgião também precisa dizer não

Expectativas incompatíveis com a anatomia, busca recorrente por procedimentos sem satisfação duradoura, intenção de alcançar um resultado idêntico ao de outra pessoa e a crença de que uma transformação física solucionará outros aspectos da vida são situações que exigem cautela.

Para o especialista, nem todo desejo por uma mudança precisa resultar em procedimento. A avaliação médica também envolve reconhecer quando a expectativa ultrapassa aquilo que uma cirurgia pode oferecer.

“O cirurgião também precisa saber dizer não. Quando percebo que a expectativa não corresponde ao que a cirurgia consegue entregar ou que o sofrimento apresentado vai além de uma característica física, operar pode não ser a melhor escolha. Em alguns casos, a conduta mais responsável é não indicar o procedimento”, destaca Dallegrave.

A cirurgia plástica pode contribuir para o bem estar quando existe uma queixa consistente, indicação médica e expectativa compatível com as possibilidades do procedimento. Para Marco Dallegrave, preservar a individualidade ganhou ainda mais importância diante de uma rotina digital marcada por filtros, inteligência artificial, padrões de beleza e comparação constante.

“O objetivo não deveria ser sair de uma cirurgia parecido com aquilo que aparece repetidamente na tela. Eu costumo dizer que a beleza vem de dentro, e isso significa entender o próprio valor, respeitar a própria individualidade e não depender da aprovação dos outros para se sentir bem. A cirurgia pode modificar características físicas, mas não deve carregar a responsabilidade pela autoestima ou pela felicidade de uma pessoa”, afirma o cirurgião plástico.

“Quando a pessoa consegue separar aquilo que realmente deseja da pressão externa e da comparação, a decisão de operar se torna mais consciente. A mudança pode acontecer por fora, mas a forma como cada um se enxerga precisa ser construída de dentro para fora”, conclui Dallegrave.

  

Dr. Marco Dallegrave - médico formado pela Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná (FEMPAR), com residência em Cirurgia Geral pela Santa Casa de Curitiba e residência em Cirurgia Plástica pelo Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba (PR). Também possui pós-graduação em Psiquiatria pelo CENBRAP, formação que complementa sua visão sobre os aspectos emocionais e psicológicos envolvidos na relação dos pacientes com a própria imagem. Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), atua há 21 anos na especialidade e já realizou mais de 5 mil cirurgias. Sua prática é voltada à cirurgia plástica estética, com ênfase em procedimentos de contorno corporal, mini lipoaspiração de recuperação rápida e cirurgias das mamas. Ao longo da carreira, consolidou uma abordagem que alia excelência técnica, segurança e atendimento humanizado. Defende que a cirurgia deve respeitar a individualidade de cada paciente e ser compreendida como parte de um cuidado integral com a saúde e o bem-estar, e não apenas como uma transformação estética. Para mais informações, acesse o site e instagram.

  


Fontes de Pesquisa:

Preocupação ou body shaming Caso de Ariana Grande expõe limites dos comentários sobre o corpo — g1
https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/08/04/preocupacao-ou-body-shaming-caso-de-ariana-grande-expoe-limites-dos-comentarios-sobre-o-corpo.ghtml

Críticas a Ariana Grande reacendem debate sobre transtornos entenda sinais — CNN Brasil
https://www.cnnbrasil.com.br/saude/criticas-a-ariana-grande-reacendem-debate-sobre-transtornos-entenda-sinais/

Ariana Grande não está só O perigo da obsessão coletiva pela magreza extrema — Veja
https://veja.abril.com.br/cultura/ariana-grande-nao-esta-so-o-perigo-da-obsessao-coletiva-pela-magreza-extrema/

Facial filter use on TikTok and associations with facial dissatisfaction and body image concerns — Body Image / PubMed
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40233665/



O cigarro pode envelhecer o rosto mais rápido? Médica explica os efeitos do tabagismo na pele

No Dia Nacional de Combate ao Fumo, Dra. Fernanda Nichelle explica por que rugas, flacidez e pele opaca podem estar entre as marcas deixadas pelo cigarro 

 

Quando se fala nos efeitos do cigarro, é comum pensar primeiro nos problemas que ele pode causar aos pulmões e ao coração. Mas os prejuízos também podem aparecer no rosto. A pele de quem fuma pode perder qualidade, firmeza e elasticidade mais rapidamente, deixando alguns sinais de envelhecimento mais evidentes. 

Às vésperas do Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, a Dra. Fernanda Nichelle, médica especialista em estética, chama atenção para uma consequência que muitas vezes passa despercebida: o impacto do tabagismo na aparência e na qualidade da pele. 

A fumaça do cigarro contém substâncias que aumentam o estresse oxidativo no organismo e podem prejudicar processos importantes para a manutenção do colágeno e das fibras elásticas. A circulação também pode ser afetada, comprometendo a chegada de oxigênio e nutrientes aos tecidos. 

“O cigarro agride a pele de diferentes maneiras. Ele aumenta o estresse oxidativo, prejudica a circulação e favorece a degradação do colágeno e das fibras elásticas. Com o tempo, isso pode aparecer no rosto como uma pele mais opaca, com menos firmeza, menos elasticidade e rugas que surgem mais cedo”, explica Dra. Fernanda Nichelle. 

Um dos sinais que costuma chamar atenção são as linhas ao redor dos lábios. Além dos efeitos da própria fumaça sobre a pele, o movimento repetitivo feito ao fumar também pode contribuir para que essas marcas fiquem mais aparentes ao longo dos anos. 

“A região ao redor da boca acaba sendo bastante afetada. Existe a agressão contínua da fumaça e também a repetição dos movimentos dos lábios. É um conjunto de fatores que pode favorecer o aparecimento e a acentuação das linhas nessa região”, afirma a médica. 

A pele também pode apresentar alterações de textura e aparência, ficando mais opaca e com aspecto menos saudável. Para a especialista, esses sinais são um reflexo de um processo que vai muito além da estética. 

Quem fuma e procura procedimentos estéticos para melhorar a aparência da pele precisa entender que os tratamentos podem ajudar nos sinais já instalados, mas não conseguem compensar completamente uma agressão que continua acontecendo diariamente. “É possível tratar os sinais do envelhecimento e melhorar a qualidade da pele, mas existe um limite quando o organismo continua sendo exposto ao cigarro. O tratamento estético não consegue anular os efeitos de um hábito que agride a pele todos os dias”, ressalta Dra. Fernanda. 

A partir da interrupção do tabagismo, os cuidados podem ser definidos de acordo com as necessidades de cada pessoa. Hidratação, proteção solar, estímulo de colágeno e procedimentos estéticos podem fazer parte dessa estratégia, sempre após uma avaliação individualizada. “Parar de fumar também é uma forma de cuidar da aparência. Não estamos falando apenas de rugas, mas da qualidade dos tecidos, da cicatrização e da saúde da pele como um todo. Quanto antes o cigarro deixa de fazer parte da rotina, melhor”, finaliza a médica.


Volta da magreza extrema acende alerta para transtornos alimentares em tempos de redes sociais e canetas emagrecedoras

 Com queda da diversidade de corpos nas passarelas e exposição constante a padrões idealizados nas redes sociais, neurocientista alerta para os riscos da nova obsessão pela perda de peso

 

Corpos cada vez mais magros voltaram a ganhar espaço nas passarelas, nas redes sociais e no imaginário coletivo. Depois de anos de maior discussão sobre diversidade corporal, dados recentes da indústria da moda apontam para um movimento na direção contrária. Ao mesmo tempo, medicamentos para perda de peso se popularizaram e transformações corporais passaram a ocupar ainda mais espaço nas telas. Em meio a esse cenário, especialistas chamam atenção para os efeitos que a valorização constante da magreza pode exercer sobre pessoas vulneráveis a transtornos alimentares. 

O movimento já aparece em números. O relatório de diversidade de tamanhos da Vogue Business para a temporada outono/inverno 2026 analisou 7.817 looks apresentados em 182 desfiles e apresentações de Nova York, Londres, Milão e Paris. Do total, 97,6% foram classificados como straight-size (US 0–4), 2,1% como mid-size (US 6–12) e apenas 0,3% como plus-size (US 14+). O percentual de representação plus-size igualou o menor nível registrado desde que o levantamento começou a ser realizado, há três anos. 

O alerta não se restringe à moda. Uma revisão científica publicada em agosto de 2026 no Journal of Eating Disorders analisou estudos sobre redes sociais, imagem corporal e comportamentos relacionados ao peso entre jovens. O trabalho aponta associação entre a exposição a padrões corporais idealizados e insatisfação corporal, alimentação restritiva, prática excessiva de exercícios e uso inadequado de produtos para perda de peso. 

Para a neurocientista e pesquisadora Michelle Rosa, o problema não está na existência de corpos magros ou na utilização de medicamentos quando há indicação e acompanhamento médico, mas na construção de um ambiente em que emagrecer volta a ser associado constantemente à beleza, sucesso e aceitação. 

“Quando um determinado corpo passa a ser apresentado repetidamente como desejável ou ideal, precisamos olhar também para a forma como essas mensagens são assimiladas. Nosso cérebro é constantemente moldado pelas experiências, pelos estímulos e pelo ambiente. Para algumas pessoas, principalmente quando existem outras vulnerabilidades, essa pressão pode assumir um peso muito maior”, explica. 

Michelle conhece a complexidade desse processo também por uma perspectiva pessoal. Diagnosticada com anorexia nervosa aos 13 anos, ela convive há mais de 25 anos com sintomas do transtorno. Sua própria história contraria uma das ideias mais difundidas sobre a doença: antes de adoecer, ela não fazia dietas, gostava de comer e sequer conhecia a anorexia nervosa. 

“Existe uma tendência de imaginar a anorexia simplesmente como uma busca deliberada pela magreza ou uma recusa em comer. Mas estamos falando de um transtorno complexo, que não possui uma causa única. Fatores biológicos, psicológicos, ambientais e sociais podem se entrelaçar de maneiras diferentes em cada pessoa”, afirma Michelle. 

A neurocientista explica que características como perfeccionismo, rigidez cognitiva, necessidade elevada de controle, ansiedade e mecanismos relacionados ao sistema de recompensa podem fazer parte dessa complexa engrenagem. Isso ajuda a entender por que a mesma mensagem sobre corpo, dieta ou emagrecimento pode não produzir qualquer consequência para uma pessoa e assumir outra dimensão para alguém vulnerável.
 

Quando emagrecer vira sinônimo de aprovação 

A preocupação ganha relevância especialmente entre os mais jovens. A revisão publicada no Journal of Eating Disorders aponta que pessoas de 10 a 24 anos estão entre os principais usuários das redes sociais e são particularmente vulneráveis aos padrões corporais idealizados difundidos nessas plataformas. 

Para Michelle, isso não significa estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre redes sociais, padrões de beleza e anorexia. O cuidado está justamente em evitar simplificações. 

“Não podemos dizer que uma rede social, uma dieta ou um padrão de beleza causa anorexia. A doença é multifatorial. Mas podemos e devemos discutir o ambiente que estamos criando. Quando crianças e adolescentes recebem repetidamente mensagens de que precisam emagrecer, modificar o corpo ou alcançar determinado padrão para serem aceitos, estamos adicionando mais um elemento a um conjunto de fatores que, em pessoas vulneráveis, merece atenção”, alerta. 

Essa relação entre ambiente, comportamento e cérebro está no centro de Anatomia da Recusa – Um Olhar Pessoal e Científico sobre a Anorexia Nervosa, livro recém-publicado por Michelle pela Editora Dialética.

Na obra, a neurocientista transforma mais de duas décadas de convivência com a anorexia em ponto de partida para abordar o transtorno a partir de uma perspectiva pessoal, somando à experiência de quem vivencia a doença conhecimentos de sua formação e trajetória científica em neurociência. 

Ao longo do livro, Michelle aborda os mecanismos cerebrais envolvidos na anorexia, sistema de recompensa, perfeccionismo, necessidade de controle, ansiedade, depressão, hábitos e influência do ambiente, além da relação com a comida, o corpo, a família, a mídia e consigo mesma. 

“Durante muito tempo, eu não me senti preparada para trabalhar diretamente com transtornos alimentares. Escrever surgiu também da necessidade de compreender a minha própria história e de usar aquilo que aprendi como cientista para ajudar outras pessoas a entenderem uma doença que ainda é cercada por muitos estigmas”, conta. 

Para a pesquisadora, discutir a volta da magreza extrema não significa estabelecer qual corpo deve ou não ser valorizado. O ponto central é questionar o momento em que aparência e perda de peso deixam de ser escolhas individuais e passam a funcionar como critérios de pertencimento e aprovação. 

“A questão nunca deve ser dizer que um corpo magro é errado ou que outro corpo é o correto. O problema começa quando acreditamos que precisamos modificar quem somos para alcançar um padrão. Precisamos conseguir falar sobre peso, alimentação e aparência sem transformar o corpo em medida de valor pessoal”, conclui.


Michelle Melgarejo da Rosa - neurocientista, professora adjunta do Departamento de Bioquímica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pesquisadora do NUPIT-UFPE. Bolsista de Produtividade CNPq Nível 2. Possui pós-doutorado em circuitos de recompensa pela McGovern Medical School, UTHealth, em Houston, nos Estados Unidos, e doutorado em Neurobiologia pelo Leibniz Institute for Neurobiology, em Magdeburg, Alemanha. É mestre em Bioquímica e graduada em Farmácia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). É autora de Anatomia da Recusa – Um Olhar Pessoal e Científico sobre a Anorexia Nervosa, publicado pela Editora Dialética.


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