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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Papa Leão XIV: todo nódulo pulmonar precisa ser operado?

Créditos: Wiki Commons
Cirurgia para retirada de parte do pulmão confirmou o diagnóstico; especialista explica quando nódulos precisam ser operados e como é feita a investigação


A notícia sobre o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar do papa Leão XIV, de 71 anos, chama a atenção para a importância da investigação de nódulos pulmonares. Um dos tipos mais comuns de câncer de pulmão, o adenocarcinoma tem origem nas células glandulares e pode não apresentar sintomas nas fases iniciais. No caso do pontífice, a equipe médica retirou o lobo inferior do pulmão direito por meio de uma cirurgia videoassistida, técnica minimamente invasiva que utiliza pequenas incisões e uma câmera para orientar o procedimento.

O câncer de pulmão é o terceiro mais comum em homens e o quarto em mulheres no Brasil. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o país deverá registrar 35.380 novos casos de câncer de pulmão por ano no triênio de 2026 a 2028, sendo 18.730 em homens e 16.650 em mulheres.

De acordo com informações divulgadas pelo Vaticano, o nódulo havia sido identificado em fase inicial e estava localizado. O exame do tecido retirado durante a cirurgia confirmou a suspeita de adenocarcinoma. Até o momento, não foram divulgadas informações suficientes para determinar o estágio definitivo da doença ou a necessidade de tratamentos complementares.

O cirurgião torácico dos Hospitais Universitário Cajuru e São Marcelino Champagnat, Leonardo Roeder, salienta que apenas a presença de um nódulo pulmonar não significa necessariamente câncer. Essas alterações podem estar relacionadas a cicatrizes de infecções antigas, processos inflamatórios e outras condições benignas. A avaliação considera características observadas em exames de imagem, como tamanho, formato e crescimento da lesão, além de fatores individuais, como idade e histórico de tabagismo.

Roeder explica que nódulos pulmonares são achados frequentes, especialmente com a ampla utilização da tomografia computadorizada. Estudos mostram que aproximadamente 30% das tomografias de tórax identificam algum nódulo pulmonar, e pelo menos 95% dos nódulos encontrados são benignos.

“Nem todo nódulo pulmonar precisa ser retirado. Em muitos casos, o acompanhamento com exames de imagem é suficiente. A cirurgia pode ser indicada quando há crescimento da lesão, características suspeitas ou dúvidas sobre o diagnóstico. Nesses casos, o procedimento permite não apenas retirar o nódulo, mas também analisar o tecido para estabelecer o diagnóstico definitivo”, destaca. 


Por que a cirurgia é indicada?

A cirurgia é uma das principais opções de tratamento para o câncer de pulmão quando a doença está localizada e existe a possibilidade de remover completamente o tumor. A indicação depende do estágio da doença, da localização e do tamanho da lesão, da avaliação dos linfonodos e das condições clínicas e respiratórias do paciente.

O cirurgião explica que a identificação precoce da doença aumenta as possibilidades de tratamento com intenção curativa. “O câncer de pulmão pode se desenvolver de forma silenciosa, sem apresentar sintomas nas fases iniciais. Hoje, contamos com ferramentas de rastreamento, como a tomografia de tórax de baixa dose, capazes de identificar nódulos pulmonares ainda assintomáticos, permitindo o diagnóstico e o tratamento em estágios mais precoces, quando as chances de cura são maiores. Por isso, é importante manter o acompanhamento médico e avaliar a indicação do rastreamento, especialmente em pessoas com histórico de tabagismo ou outros fatores de risco”, orienta.


Quais são as possibilidades de tratamento?

A definição do tratamento para o câncer de pulmão depende de fatores como o estágio da doença e as características do tumor. Além da cirurgia, as opções incluem quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e terapias-alvo, que podem ser associadas ao procedimento cirúrgico ou utilizadas em outras etapas do tratamento.

“Hoje, contamos com diferentes estratégias para tratar o câncer de pulmão. Em alguns pacientes, a cirurgia pode ser suficiente, enquanto em outros é necessário associar tratamentos para aumentar as chances de controle da doença. Por isso, é fundamental que o paciente seja acompanhado de forma integrada pelo cirurgião torácico e pelo oncologista clínico. Essa avaliação multidisciplinar permite definir a melhor sequência de tratamento, considerando o estágio do tumor, suas características e as condições individuais de cada paciente”, ressalta Roeder.

 

Hospital São Marcelino Champagnat

Hospital Universitário Cajuru

 

9 em cada 10 brasileiras conhecem pouco o tratamento mais eficaz e o lugar onde a mulher vive muda até a idade em que ela chega a menopausa

 

Pesquisas revelam desigualdades no acesso ao tratamento e reforçam a importância do EMBRACE, primeiro registro nacional sobre a saúde da mulher nessa fase

 

Aos 43 anos, em média, a mulher brasileira recebe o primeiro diagnóstico de depressão, em plena transição para a menopausa. Ela vive em um país onde a idade da menopausa muda conforme a cidade, onde 9 em cada 10 mulheres conhecem pouco sobre o tratamento mais eficaz para os sintomas e onde o acesso a esse tratamento depende, em boa parte, de ela ser atendida no sistema público ou no privado. 

Os números vêm de estudos brasileiros e latino-americanos recentes, incluindo a pesquisa da ginecologista e pesquisadora Fabiane Berta sobre a depressão da mulher na menopausa.A pesquisa com todos os dados foi presentada no 20º Congresso Mundial de Menopausa da International Menopause Society, no Rio de Janeiro, em outubro de 2026.

"Quando a ciência fala da mulher na menopausa, ela costuma falar de uma só. O Brasil é feito de muitas: pretas, pardas, brancas, indígenas, urbanas e rurais. Não existe uma menopausa. Existem mulheridades", afirma Fabiane Berta.


Os números

  • 48,6 anos é a idade mediana da menopausa na América Latina, em um estudo com 17.150 mulheres de 47 cidades em 15 países
  • A idade varia de 43,8 anos em Assunção a 53 anos em Cartagena. Morar a mais de 2.000 metros de altitude, ter menor escolaridade ou viver em países de menor renda dobra a chance de uma menopausa mais precoce
  • 92,97% das brasileiras de 40 a 65 anos têm pouco ou nenhum conhecimento sobre terapia hormonal, e só 30,3% se dizem plenamente satisfeitas com a informação que recebem
  • Cerca de 55% das brasileiras com sintomas na pós-menopausa nunca usaram terapia hormonal
  • O não uso chega a 62,59% no sistema público, contra 49,78% no privado
  • Entre os ginecologistas que atendem nos dois sistemas, 76,5% prescrevem mais terapia hormonal no privado. No SUS, as principais barreiras são o custo (68,2%) e a falta de medicação gratuita (61,4%)
  • 68,46% das brasileiras na pós-menopausa relatam secura vaginal, e 51,35% perda de urina durante a atividade física
  • Em 15.734 brasileiras da Pesquisa Nacional de Saúde, o primeiro diagnóstico de depressão na pós-menopausa chega, em média, aos 43 anos, e cerca de metade dos casos surge entre os 40 e os 54 anos, com a maior carga no Centro-Oeste
  • Na pós-menopausa, 74% das mulheres com depressão são tratadas com medicação, e só 16,7% fazem psicoterapia


Para a pesquisadora, os dados mostram que o território participa da biologia. "A altitude, a escola e a renda mudam a idade em que a menopausa chega. A região muda o peso da depressão. O sistema de saúde muda o acesso ao tratamento. A menopausa brasileira tem sotaque, tem CEP e tem território hormonal", diz.

A terapia hormonal é reconhecida pelas principais sociedades médicas como o tratamento mais eficaz para os sintomas da menopausa. "O tratamento existe, e é seguro quando bem indicado. O que precisamos é que a informação e o acesso cheguem a todas as mulheres, em todas as regiões. Nove em cada dez brasileiras ainda conhecem pouco sobre ele. Isso mostra o tamanho do caminho, e também o tamanho do cuidado que ainda pode chegar até elas", afirma Fabiane.

A depressão tem prevalência semelhante antes e depois da menopausa, cerca de 15%, mas que o primeiro diagnóstico surge justamente na transição. Isso muda a forma de cuidar, ja que a transição menopausal é uma janela para olhar a saúde mental da mulher, e não um detalhe da consulta.

As respostas também começam a vir da própria região. No Peru, um instrumento de seis perguntas, aplicado em cerca de dois minutos na atenção primária, ajuda a identificar mulheres que precisam de cuidado especializado. No Brasil, o estudo EMBRACE, primeiro registro nacional de menopausa do país, está presente nos 27 estados e mede sintomas, uso de terapia hormonal, trabalho, conhecimento médico e desigualdades de acesso.

"A ciência internacional é sólida, mas foi construída sem DNA brasileiro. Pela primeira vez, a América Latina começa a contar a própria história com os próprios dados. Cinco regiões, 27 estados, um país continente e um único DNA, o brasileiro. O futuro da menopausa brasileira não vai ser importado. Vai ser construído aqui", conclui. 

 

Fabiane Berta - CRM-SP 151.126 -ginecologista e pesquisadora em menopausa, mestre pela UNIFESP/EPM e doutoranda na mesma instituição, pesquisadora do Science Valley Research Institute e arquiteta do estudo EMBRACE, o primeiro registro nacional de menopausa do Brasil, presente nos 27 estados. É fundadora do MYPAUSA, movimento que já formou mais de 1.000 médicos em todo o país, e do Instituto Fabiane Berta.
Instagram: @dra.fabianeberta


Mês das Crianças: alergia não precisa limitar a infância


Alergias podem transformar situações comuns da infância, como festas de aniversário, refeições na escola, passeios e viagens, em momentos de preocupação para a família. Mas o diagnóstico de uma alergia não precisa significar uma infância limitada. 

Segundo o alergista e imunologista Dr. Marcio Barros, o tratamento deve ir além do controle dos sintomas: é preciso entender o que realmente representa risco e construir estratégias para que a criança possa participar da rotina com segurança. 

“O diagnóstico de uma alergia não deve ser o ponto final da infância. Nosso papel é entender exatamente o que a criança tem, quais são os riscos reais e construir estratégias para que ela possa viver com segurança e liberdade”, explica o Dr. Marcio Barros.

 

Onde a alergia pode impactar a infância

  • Alergia alimentar: restrições alimentares precisam ser individualizadas para evitar tanto exposições de risco quanto a retirada desnecessária de alimentos da rotina;
  • Alergias respiratórias: rinite, asma e conjuntivite podem interferir no sono, na disposição, nas atividades físicas e na participação da criança em sua rotina;
  • Doenças alérgicas da pele: quadros como dermatite atópica podem causar coceira e desconforto, afetando o sono, as brincadeiras e o bem-estar da criança. 

“A criança não é apenas o diagnóstico. Ela quer brincar, ir à escola, participar de uma festa, viajar e estar com os amigos. O tratamento precisa considerar essa vida real e ajudar a família a preservar essas experiências”, destaca o especialista.

 

Como preservar a qualidade de vida

  • Ter um diagnóstico preciso e entender quais são os gatilhos e os riscos reais, evitando restrições baseadas apenas em suspeitas ou medo;
  • Criar um plano de ação claro para pais, escola, familiares e outros cuidadores, com orientações sobre prevenção e o que fazer diante de uma reação;
  • Preparar a criança, de acordo com a idade, para participar das decisões e reconhecer situações que exigem cuidado, sem transformar a alergia em motivo de isolamento;
  • Planejar festas, viagens e refeições fora de casa com antecedência, para que a criança possa participar das experiências da infância com segurança;
  • Manter acompanhamento médico para revisar o diagnóstico e o tratamento sempre que necessário, inclusive quando houver possibilidade de ampliar a alimentação ou reduzir o impacto da doença na rotina. 

“Cuidar de uma criança alérgica não significa colocá-la dentro de uma bolha. Significa preparar a família, a escola e, conforme a idade, a própria criança para reconhecer os riscos e saber como agir”, afirma o Dr. Marcio Barros.

 

Quando procurar o alergista

A avaliação especializada é importante quando a criança apresentar:

  • Reações repetidas ou suspeitas de alergia após consumir determinados alimentos ou medicamentos;
  • Sintomas respiratórios recorrentes, como chiado, falta de ar, tosse ou rinite que interferem no sono e nas atividades;
  • Dermatite, urticária ou coceira persistente que afetam o bem-estar e a rotina da criança;
  • Restrições alimentares importantes, medo constante de reações ou dificuldade para participar de situações sociais por causa da alergia. 

“O objetivo do tratamento não é simplesmente retirar alimentos ou atividades da vida da criança. É buscar o máximo de segurança e liberdade possível, para que ela tenha uma qualidade de vida próxima à de uma criança sem alergia”, conclui o especialista.

 

 Fonte:

Dr. Márcio Barros - Pediatra, alergista e imunologista, com atuação especializada em alergias infantis. É professor colaborador da Faculdade de Medicina de Jundiaí e médico voluntário do Hospital das Clínicas da FMUSP, onde integra os ambulatórios de Alergia Alimentar, Esofagite Eosinofílica e Dermatite Atópica. Desenvolve seu trabalho com foco em alergias respiratórias e alimentares, asma.


Alimentação adequada pode reverter o excesso de peso entre crianças no Brasil

 

divulgação
Levantamento do Ministério da Saúde acende alerta para a obesidade e reforça o debate no Mês das Crianças sobre a introdução de rotinas alimentares mais saudáveis 

 

O cenário nutricional infantil no Brasil acende um alerta: segundo o Atlas da Obesidade Infantil no Brasil, do Ministério da Saúde, cerca de 3 a cada 10 crianças entre 5 e 9 anos já apresentam excesso de peso no país. Para debater esse cenário durante o Mês das Crianças, especialistas reforçam a necessidade de conscientização sobre a introdução e manutenção de uma rotina alimentar saudável, destacando o papel essencial do consumo adequado de proteínas no desenvolvimento infantil 

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) reforça que proteínas de alto valor biológico, como ovos e frango, são essenciais para o desenvolvimento cognitivo e muscular. Crianças de 1 a 3 anos, por exemplo, precisam de cerca de 13 gramas de proteína por dia, necessidade que salta para 19 gramas entre 4 e 8 anos. O ovo, inclusive, é recomendado pela SBP desde os 6 meses de idade, na fase de introdução alimentar.

Para desmistificar a dificuldade que muitos pais enfrentam ao oferecer esses alimentos, a nutricionista da Tijuca Alimentos, Joelia Silva, explica como essa introdução pode ser feita no dia a dia: "Muitas vezes, a resistência da criança não é ao sabor, mas à monotonia visual ou à textura do alimento. É por isso que recomendamos transformar a apresentação: oferecer um frango desfiado para compor um prato colorido e lúdico, ou preparar o ovo em formato de muffin e criar opções de empanados saudáveis assados muda completamente a aceitação". 

Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, principal documento oficial de diretrizes nutricionais do Ministério da Saúde, os ovos e as carnes de aves, como o frango, são classificados como fontes estratégicas de proteínas de alto valor biológico e devem fazer parte da base alimentar in natura. Na infância, essas proteínas assumem o papel indispensável de "alimentos construtores", sendo responsáveis diretas pela formação e pelo fortalecimento da estrutura óssea, além do desenvolvimento muscular e da regeneração de tecidos em constante evolução. 

Do ponto de vista clínico, a importância vai além dos músculos: especialistas em nutrição pediátrica ressaltam que o ovo é uma das principais fontes de colina, nutriente vital para o desenvolvimento neurológico, a memória e a capacidade cognitiva da criança, enquanto o frango se destaca pelo aporte de ferro e zinco, minerais decisivos para o fortalecimento do sistema imunológico e para a prevenção de deficiências nutricionais graves, como a anemia.


O impacto emocional do diagnóstico, do tratamento e das mudanças no corpo


“Você precisa ser forte.” “Pense positivo.” “Vai dar tudo certo.” A psicóloga e psico-oncologista Tatiana Vainboim chama atenção para um aspecto que nem sempre ganha espaço nas campanhas: a paciente também precisa ter o direito de não estar bem.

“Existe uma expectativa de que o paciente oncológico seja um guerreiro e mantenha o pensamento positivo durante todo o tratamento. Mas essa pessoa pode estar lidando com medo da morte, mudanças no corpo, preocupações com a família, trabalho, sexualidade e futuro. Ela não precisa representar força o tempo inteiro”, explica.
 

O câncer também mexe com a identidade

No câncer de mama, cirurgias, cicatrizes, queda de cabelo e outras alterações decorrentes do tratamento podem afetar a maneira como a mulher enxerga o próprio corpo.

“Não é vaidade se preocupar com o cabelo, com a mama, com uma cicatriz ou com a maneira como o parceiro vai olhar para seu corpo. Tudo isso pode estar relacionado à identidade, autoestima e sexualidade. Dizer apenas ‘o importante é estar viva’ pode invalidar um sofrimento legítimo”, afirma Tatiana.

A especialista também chama atenção para a chamada obrigação de “pensar positivo”.

“Existe uma diferença entre oferecer esperança e exigir otimismo. A mulher pode confiar no tratamento e, ao mesmo tempo, sentir medo, raiva ou tristeza. Uma coisa não anula a outra.”
 

A família também precisa saber como ajudar

O diagnóstico repercute ainda nas relações familiares. Na tentativa de proteger a paciente, familiares podem evitar conversas difíceis, controlar excessivamente sua rotina ou repetir frases motivacionais quando, muitas vezes, ela precisa apenas ser ouvida.

Para Tatiana, uma pergunta simples pode ajudar mais: “Como posso ajudar você hoje?”

O apoio psicológico é essencial durante o tratamento e depois dele, já que o término das terapias não significa necessariamente o desaparecimento imediato do medo.

“A paciente não precisa provar coragem todos os dias. Podemos oferecer tratamento, informação, presença e esperança sem retirar dela o direito de dizer: ‘hoje eu estou com medo’. Acolher essa fragilidade também é uma forma de cuidado”, conclui Tatiana Vainboim.

 

Tatiana Vainboim – psicóloga. Psicóloga especialista em Psicologia Hospitalar Pelo Programa de Aprimoramento em Hospital Geral do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) e mestre em Neurologia pela Faculdade de Medicina Da Universidade de São Paulo (FMUSP). Especialista em Psicologia Hospitalar pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) e Psico-Oncologista pela Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia (SBPO).https://www.instagram.com/tatianavainboim/



Menopausa muda as necessidades do corpo e reforça a atenção à alimentação

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Nutricionista Mari Escobar explica como alimentos variados podem contribuir para a saúde dos ossos e do coração 

 

Celebrado em 18 de outubro, o Dia Mundial da Menopausa chama atenção para uma fase que pode trazer mudanças no corpo e na rotina. Em 2026, o Brasil terá cerca de 37 milhões de mulheres entre 40 e 65 anos, segundo projeções do IBGE. Em nota técnica, o Ministério da Saúde estima que entre 20% e 30% das mulheres podem apresentar sintomas moderados ou graves durante a transição para a menopausa, que impactam na qualidade de vida, saúde mental e funcionalidade.

A menopausa é confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruação e costuma ocorrer entre os 45 e 55 anos. A transição pode começar anos antes e incluir ondas de calor, suor noturno, alterações no sono e no humor, sintomas geniturinários e dores nas articulações. A redução do estrogênio também torna a saúde óssea e cardiovascular pontos importantes de atenção.

Apenas a alimentação não substitui o acompanhamento médico durante a menopausa, mas pode fazer parte do cuidado. “Não existe um alimento capaz de interromper os fogachos ou resolver todas as mudanças dessa fase. O papel da nutrição é contribuir para a saúde dos ossos, do coração e do metabolismo, sem prometer soluções milagrosas”, explica Mari Escobar, nutricionista pós-graduada em Gastronomia Funcional.

A orientação do Ministério da Saúde é seguir as recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira, priorizando alimentos in natura ou minimamente processados. Frutas, verduras, legumes, feijão, lentilha, grão-de-bico, cereais integrais, castanhas, sementes, azeite e peixes podem compor uma alimentação variada.

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Atenção aos ossos e ao coração

Leite e derivados, sardinha e vegetais verde-escuros estão entre as fontes alimentares de cálcio. A quantidade necessária e as possíveis substituições variam conforme a alimentação e as condições de saúde de cada pessoa. A vitamina D também deve ser avaliada individualmente, e a suplementação depende de orientação profissional.

“Retirar os laticínios sem planejar outras fontes de cálcio e tomar suplementos por conta própria são situações que merecem atenção. Há alternativas para quem não consome determinados alimentos, mas a escolha precisa considerar as necessidades de cada mulher”, orienta a nutricionista.

A saúde cardiovascular também precisa de acompanhamento. Um padrão alimentar com fibras, vegetais, cereais integrais e gorduras insaturadas pode fazer parte dos cuidados com colesterol, glicemia e pressão arterial.

Segundo Mari, a avaliação não deve se limitar ao peso. “Pressão, colesterol, glicemia, sono, atividade física e alimentação precisam ser considerados em conjunto. Mudanças importantes na saúde podem acontecer mesmo sem uma grande alteração na balança”, afirma.


Moderar, sem cortar automaticamente

Ultraprocessados, bebidas açucaradas, excesso de sal e frituras frequentes devem aparecer com menor frequência na alimentação durante a menopausa. O consumo de álcool também merece atenção, especialmente quando há alterações no sono ou piora de sintomas.

Por outro lado, café e alimentos picantes não precisam ser retirados por todas as mulheres. Algumas percebem piora dos fogachos, da sudorese ou do sono, outras, não. Mari recomenda observar a resposta individual antes de fazer restrições.

“Se a mulher suspeita que o café interfere no sono ou aumenta a sensação de calor, pode observar o que acontece ao reduzir o consumo. Cortar vários alimentos ao mesmo tempo dificulta identificar o que está relacionado ao sintoma”.


Soja e linhaça não substituem tratamento

Soja, linhaça, lentilha e grão-de-bico contêm fitoestrogênios, compostos vegetais com ação diferente do estrogênio produzido pelo organismo. Mari afirma que esses alimentos podem fazer parte de uma dieta equilibrada, mas não são reposição hormonal nem garantem alívio dos sintomas. Os possíveis efeitos das isoflavonas da soja são modestos e podem variar entre as mulheres.

“Consumir soja ou linhaça como parte da alimentação é diferente de usar cápsulas ou extratos concentrados. Suplementos podem ter doses maiores e precisam de avaliação profissional, sobretudo quando há doenças ou uso de medicamentos”, explica.

A recomendação da nutricionista é evitar tanto promessas de cura quanto dietas rígidas. “Não existe uma dieta única para a menopausa. A orientação precisa considerar os sintomas, a saúde, as preferências e a rotina de cada mulher. O objetivo é construir escolhas possíveis de manter e buscar acompanhamento quando necessário”, finaliza Mari.



Dia do Médico: realidade diante da Inteligência Artificial

Sociedade Brasileira de Dermatologia alerta que a tecnologia não substitui a consulta médica, além de mapear seus riscos

 

Neste mês em que é celebrado o Dia do Médico, em 18 de outubro, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) reflete sobre qual é o papel do médico em um cenário cada vez mais mediado pela tecnologia. Com a popularização de aplicativos e plataformas que oferecem respostas sobre sintomas, doenças e tratamentos, a entidade alerta: a inteligência artificial não substitui a consulta médica e a avaliação de um especialista. 

"Cada paciente tem características e necessidades próprias, que precisam ser consideradas em uma avaliação individualizada. Uma resposta fornecida por uma ferramenta de IA pode até trazer informações gerais, mas não substitui a análise do histórico, dos sintomas, dos exames e de outros aspectos que fazem parte da avaliação médica", destaca Dr. Carlos Barcaui, presidente da SBD. 

Outro ponto de atenção é o uso da inteligência artificial para criar ou manipular vídeos e imagens de pessoas que se apresentam como profissionais de saúde. Rostos, vozes, cenários e linguagem podem ser artificialmente produzidos para criar uma falsa aparência de autoridade médica. 

“Uma notícia falsa não é apenas um problema de informação. Na Medicina, ela pode se transformar em um problema de saúde. Conteúdos que prometem curas milagrosas, incentivam o abandono de tratamentos, recomendam medicamentos sem respaldo ou direcionam para a compra de produtos devem ser vistos com atenção redobrada”, alerta Dr. Sérgio Palma, membro da diretoria da SBD. 

A entidade recomenda que, ao encontrar alguém que se apresenta como médico nas redes sociais, a população confira se o profissional possui registro no Conselho Regional de Medicina, por meio do Portal de Busca por Médicos do CFM. Também é importante verificar se aquele conteúdo foi realmente publicado pelo profissional, já que a imagem e a voz de médicos reais também podem ser utilizadas indevidamente.
 

Até que ponto a IA pode ser aliada do médico? 

Na Dermatologia, especialidade que trabalha intensamente com imagens e reconhecimento de padrões, a tecnologia avançou rapidamente e já existem sistemas desenvolvidos especificamente para a área, capazes de analisar imagens dermatoscópicas e outros exames, contribuindo para o diagnóstico diferencial e o acompanhamento dos pacientes. 

“A inteligência artificial pode ampliar a capacidade do médico, mas não substitui julgamento clínico, conhecimento, experiência nem a responsabilidade profissional pelas decisões tomadas com seu uso. É preciso avaliar a qualidade das evidências, as limitações, o contexto de uso e a segurança dessas ferramentas", explica Dr. Bruno Simão, do Departamento de Telemedicina da SBD.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou a Resolução nº 2.454/2026, que estabelece regras para o desenvolvimento, a governança e a utilização de sistemas e aplicações de Inteligência Artificial na Medicina. A norma reconhece a IA como ferramenta de apoio à prática médica, à decisão clínica, à gestão em saúde, à pesquisa científica e à educação médica continuada. Ao mesmo tempo, reforça que a tecnologia não substitui a autonomia, o julgamento crítico e a decisão final do médico. 

“Não me parece tão importante saber quem vence uma disputa entre médico e máquina. Interessa saber o que acontece quando trabalhamos juntos. A evidência mostra que uma inteligência artificial de boa qualidade pode melhorar o desempenho diagnóstico do médico, mas uma informação errada fornecida pela máquina também pode induzir ao erro. Além disso, uma imagem não conta toda a história de um paciente”, ressalta Dr. Carlos Barcaui.

Para a SBD o debate é sobre como a tecnologia é utilizada e por quem. Para o paciente, isso significa não substituir uma consulta médica por uma ferramenta de IA e verificar a habilitação de quem oferece orientações de saúde na internet. Para o médico, significa utilizar as novas tecnologias específicas para medicina como ferramentas de apoio, mantendo o julgamento clínico e a responsabilidade profissional sobre as decisões tomadas.

Para saber mais sobre a saúde da pele, cabelos e unhas, acesse as redes sociais @dermatologiasbd e o site www.sbd.org.br. Informe-se e encontre um dermatologista associado à SBD em sua região.


Outubro Rosa: prevenção, diagnóstico precoce e reconstrução mamária ampliam o debate sobre a saúde da mulher

Cirurgião plástico da Clínica Libria orienta sobre cuidados com as mamas, fatores de risco e possibilidades de reconstrução após o câncer


O Outubro Rosa reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso à informação sobre o câncer de mama. Durante a campanha, além da realização dos exames recomendados, especialistas chamam a atenção para os hábitos que contribuem para a redução de riscos, os sinais que merecem investigação médica e as possibilidades de recuperação para mulheres que enfrentaram a doença. Nesse contexto, a cirurgia plástica também tem um papel importante, especialmente nos casos em que a reconstrução mamária é uma opção após o tratamento oncológico.

Segundo o Dr. Hugo Sabath, cirurgião plástico da Clínica Libria, o cuidado com a saúde das mamas deve fazer parte da rotina durante todo o ano. “É importante que a mulher conheça o próprio corpo e procure avaliação médica ao perceber qualquer alteração. Nódulos, mudanças na pele, retração do mamilo ou secreção espontânea precisam ser investigados. Esses sinais não significam necessariamente câncer, mas não devem ser ignorados”, explica.

A mamografia é um dos principais exames utilizados para o rastreamento do câncer de mama, pois pode identificar alterações antes mesmo do aparecimento de sintomas. A indicação e a periodicidade dos exames devem seguir as recomendações de saúde vigentes e considerar a idade, o histórico familiar e os fatores de risco individuais. Mulheres com histórico familiar significativo ou predisposição genética podem necessitar de acompanhamento específico.

Além do rastreamento, algumas mudanças no estilo de vida podem contribuir para reduzir o risco da doença. A prática regular de atividade física, a manutenção de um peso adequado, a alimentação equilibrada e a redução do consumo de bebidas alcoólicas estão entre as medidas recomendadas. Esses cuidados, entretanto, não eliminam completamente o risco e não substituem os exames indicados.

“Prevenção não significa garantia de que a doença não vai aparecer. Significa adotar medidas que favoreçam a saúde, conhecer os próprios fatores de risco e manter o acompanhamento médico. Também é fundamental não esperar outubro para cuidar das mamas: esse compromisso precisa continuar ao longo de todo o ano”, ressalta o cirurgião.


Reconstrução mamária integra as possibilidades de recuperação

Além da prevenção e do diagnóstico, o Outubro Rosa também abre espaço para discutir os impactos físicos e emocionais do câncer de mama. Em algumas situações, o tratamento pode exigir a retirada parcial ou total da mama. Para essas pacientes, a reconstrução mamária pode ser uma alternativa para recuperar o contorno corporal e contribuir para a reabilitação, de acordo com as condições clínicas e os desejos individuais.

A reconstrução pode ser realizada com implantes, tecidos da própria paciente ou uma combinação de técnicas. Em determinados casos, é possível realizar o procedimento no mesmo momento da mastectomia; em outros, a cirurgia é planejada para uma etapa posterior. A decisão depende de fatores como o tratamento oncológico previsto, a necessidade de radioterapia, as condições dos tecidos e a avaliação conjunta das equipes médicas.

“Cada paciente tem uma história, necessidades e expectativas próprias. A reconstrução mamária pode contribuir para a autoestima e para a relação da mulher com o próprio corpo, mas não deve ser tratada como uma obrigação. Nosso papel é apresentar as possibilidades, esclarecer os limites de cada técnica e respeitar a decisão da paciente, sempre priorizando sua segurança”, afirma Dr. Hugo Sabath.

O especialista destaca que a cirurgia plástica não substitui o tratamento contra o câncer nem faz parte, necessariamente, da prevenção da doença. Sua atuação está relacionada às possibilidades de reconstrução e reabilitação, quando indicadas, em conjunto com o acompanhamento dos profissionais responsáveis pelo tratamento oncológico.


Cuidados que devem fazer parte da rotina

Entre as principais orientações estão manter as consultas médicas em dia, realizar os exames recomendados para cada perfil de risco, observar alterações nas mamas e procurar atendimento diante de sinais suspeitos. Também é importante conhecer o histórico familiar, praticar atividade física, manter hábitos alimentares saudáveis e evitar o consumo de bebidas alcoólicas.

O autoexame pode ajudar a mulher a conhecer suas mamas e perceber mudanças, mas não substitui a mamografia ou os demais exames indicados para o rastreamento. A ausência de sintomas também não dispensa o acompanhamento recomendado.

Para Dr. Hugo Sabath, ampliar o acesso à informação é essencial para que as mulheres tenham mais autonomia nas decisões sobre a própria saúde. “O Outubro Rosa precisa ir além da conscientização pontual. É uma oportunidade de reforçar a importância do diagnóstico precoce, do tratamento adequado e do acolhimento em todas as etapas. Para quem enfrenta ou já enfrentou o câncer de mama, conhecer as possibilidades de reconstrução também pode fazer parte desse processo de recuperação”, conclui.

A campanha reforça, assim, que o cuidado com a saúde das mamas deve ser contínuo e individualizado, reunindo prevenção, acompanhamento médico, diagnóstico oportuno e acesso às diferentes possibilidades de tratamento e reabilitação.

  

Dr. Hugo Sabath - cirurgião plástico da Clínica Libria. Membro da Sociedade Brasileira deCirurgia Plástica.


Menopausa exige olhar além da balança: especialista explica transformações metabólicas e papel da nutrição

Especialista explica como ajustes na alimentação podem ajudar na energia, no sono, na preservação da massa muscular e na saúde óssea, sem dietas restritivas ou listas de proibições 

 

A menopausa não afeta apenas o ciclo menstrual. A queda progressiva do estrogênio pode alterar a composição corporal, o sono, a disposição, o humor, a saúde dos ossos e a preservação da massa muscular. É uma fase que exige atenção não apenas ao peso, mas também à saúde metabólica e à qualidade de vida.

Para a nutricionista e psicóloga Flávia Lucena, essas mudanças precisam ser compreendidas dentro de um contexto mais amplo. “A oscilação hormonal cria um novo cenário biológico, mas a forma como ele se manifesta depende também do envelhecimento, da genética, da composição corporal e dos hábitos de vida de cada mulher”, explica.

Entre as alterações mais comuns estão a redistribuição da gordura para a região abdominal e a perda de massa muscular. O estrogênio também participa da regulação da glicose, do colesterol, da função cerebral, do sono e da saúde óssea. Com sua queda, podem surgir alterações metabólicas e cardiovasculares que merecem acompanhamento.

Sono, humor e disposição também podem ser afetados. Fogachos, fadiga e dificuldade de concentração são queixas frequentes. A redução hormonal ainda pode provocar ressecamento e desconforto vaginal, mas a libido não depende de um único fator. “A redução da libido nessa fase resulta da interação entre fatores hormonais, físicos, emocionais e relacionais”, afirma Flávia.

Esse conjunto ajuda a explicar por que muitas mulheres relatam mais dificuldade para emagrecer. “É comum ouvir que continuam comendo de forma parecida e mantendo hábitos semelhantes, mas passam a ganhar peso com mais facilidade ou têm mais dificuldade para emagrecer. Isso pode acontecer porque, mesmo sem grandes alterações na rotina, o organismo se transformou”, esclarece.

A perda de massa muscular também pesa nessa equação. “Com o passar dos anos, há uma tendência à redução de massa muscular, e isso é central, porque o músculo é um tecido metabolicamente ativo”, pontua. Com menos músculos e menor gasto energético, uma rotina alimentar que antes mantinha o peso estável pode deixar de produzir o mesmo resultado.

O sono ruim pode agravar o processo. Fogachos, suores noturnos e despertares frequentes aumentam a fadiga, interferem na fome e na saciedade e reduzem a disposição para a atividade física.

A alimentação pode ajudar a preservar a massa muscular e a saúde óssea, além de favorecer o equilíbrio metabólico, mas a estratégia deve considerar as necessidades individuais. “A mulher não chega à menopausa ‘do zero’. Ela traz sua composição corporal, seus hábitos, a qualidade do sono, a saúde emocional e possíveis deficiências nutricionais”, observa a especialista.

Não existe, portanto, uma dieta única para a menopausa. A proteína ganha importância, sobretudo quando associada ao exercício de força. Para os ossos, cálcio, vitamina D, proteínas e outros micronutrientes também são fundamentais.

De forma geral, a alimentação deve priorizar frutas, vegetais, leguminosas, grãos integrais, oleaginosas, peixes, fibras e gorduras insaturadas. Ultraprocessados, bebidas açucaradas, excesso de sódio, gorduras trans e álcool estão associados a um pior perfil cardiometabólico.

Álcool, excesso de cafeína, bebidas muito quentes, refeições volumosas e alimentos picantes podem agravar os fogachos. Flávia recomenda observar as reações individuais, sem criar proibições universais. O mesmo vale para suplementos, que devem ser indicados a partir da investigação de possíveis deficiências. Sintomas frequentes ou intensos exigem avaliação médica.

Além das alterações físicas, a menopausa pode afetar a relação da mulher com o próprio corpo. Para Flávia, essa fase não deve ser tratada como um problema estético a ser corrigido. “O corpo não falhou, ele está atravessando uma transição biológica com sintomas próprios, que exigem cuidado e ajuste, não correção. Isso não tira nada da mulher, mas pede que ela reorganize a relação com o próprio corpo nessa nova fase”, conclui.  

 

Flávia Lucena - nutricionista e psicóloga, especialista em comportamento alimentar e criadora do Método Nutrição com Acolhimento®. Sua abordagem integra nutrição clínica funcional, psicologia comportamental e escuta aprofundada da relação das pessoas com a alimentação, promovendo uma visão que considera não apenas aspectos físicos, mas também emocionais, sociais e comportamentais do ato de comer. Atua com foco na construção de uma relação mais consciente, flexível e sustentável com a alimentação, auxiliando pacientes em diferentes fases da vida por meio de atendimentos presenciais e online.


17 de outubro - Dia Mundial de Combate à Dor: uso de medicamentos entre idosos acende alerta

A dor recorrente é um dos motivos que levam idosos a utilizar medicamentos por conta própria. Analgésicos e anti-inflamatórios podem reduzir o desconforto momentaneamente, mas o uso frequente sem acompanhamento médico pode mascarar a evolução dos sintomas e adiar a investigação da causa da dor. O alerta ganha destaque em 17 de outubro, Dia Mundial de Combate à Dor, data instituída em 2004 pela International Association for the Study of Pain (IASP), com apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), para ampliar a conscientização sobre o impacto da dor e a importância do tratamento adequado.

Quando o medicamento passa a ser utilizado sempre que a dor aparece, o paciente pode acabar tratando repetidamente o sintoma sem descobrir o que está provocando o problema. Em pessoas idosas, a situação exige atenção também porque é comum haver o uso simultâneo de diferentes medicamentos para outras condições de saúde, o que torna necessária a avaliação médica antes da inclusão ou do uso prolongado de determinados remédios.

Artrose, artrite, alterações na coluna, fibromialgia e problemas musculoesqueléticos estão entre as condições que podem provocar quadros persistentes. Por isso, a frequência, a intensidade, a duração e a forma como a dor interfere na rotina são informações importantes para a avaliação.

A dor é considerada um importante indicador do estado de saúde e, desde 1996, é reconhecida como o quinto sinal vital, ao lado da temperatura, pressão arterial, frequência cardíaca e frequência respiratória. A avaliação permite acompanhar a evolução do quadro e identificar quando um sintoma que antes era ocasional passa a fazer parte da rotina.

“Estima-se que mais de 40% da população brasileira tenha dor”, afirma o Dr. Leandro Miranda, especialista em Medicina da Dor pela USP, em Dor Crônica Intervencionista pela FMRP-USP e membro da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual (SBRET) e da International Association for the Study of Pain (IASP).

Segundo o especialista, um dos erros mais comuns no tratamento da dor crônica é esperar que um único procedimento ou medicamento resolva o problema. A redução temporária da dor não significa, necessariamente, que a causa tenha sido tratada. O acompanhamento deve considerar a evolução do quadro e os diferentes fatores que podem influenciar a dor, como sono, alimentação, atividade física e outras condições de saúde. Dependendo do caso, o tratamento pode envolver diferentes estratégias e profissionais, com ajustes ao longo do tempo.

 


“Achar que um procedimento sozinho resolve tudo, acreditar que o tratamento é rápido, não olhar para os pilares básicos de saúde, não dar feedbacks continuamente para evoluir em pontos fracos, como alimentação e sono, por exemplo, e não realizar um trabalho com diversas especialidades, como nutricionista, psicologia e educador físico”, explica Dr. Leandro Miranda.

Medicamentos podem fazer parte do tratamento quando há indicação médica, mas não devem substituir a investigação da causa da dor nem o acompanhamento do paciente. Para o médico, a frequência da dor e a interferência dela na rotina são sinais de que o paciente deve procurar avaliação.

“Todo caso crônico de dor precisa de um tratamento complexo e robusto em todas as esferas de saúde. O mais importante é focar em conseguir se movimentar mais e não nos níveis de dor atuais. Toda tecnologia e avanço médico não substituem um bom acompanhamento clínico no consultório, olho no olho pelo menos uma vez por mês para avaliar o paciente e examinar novamente. Medicamentos podem ser usados, o problema é usar somente eles. A prevenção funciona e é sempre a melhor opção”, afirma Dr. Leandro.


Tratamento é definido de acordo com cada paciente

Após oito anos de atendimento a pessoas com dor, Dr. Leandro desenvolveu o Ever Living, método de diagnóstico e tratamento dividido em quatro fases: restauração, sustentação, lapidação e manutenção. O Ever Living é uma união da medicina regenerativa com a integrativa.

“A primeira etapa é voltada ao controle da dor e pode envolver recursos como ondas focais, laser de alta potência e bloqueios, de acordo com a avaliação médica. A partir da evolução do quadro, o acompanhamento passa a considerar outros fatores relacionados à condição de cada paciente”, resume Dr. Leandro Miranda.

Em um caso de artrose, por exemplo, o tratamento pode envolver redução de peso, ganho de massa muscular e fortalecimento físico. Outras estratégias podem ser avaliadas conforme as características e necessidades identificadas durante o acompanhamento. A proposta é manter o acompanhamento depois da redução inicial dos sintomas, com ajustes no tratamento de acordo com a evolução do quadro.


Ter dor não é normal

A dor não deve ser tratada como uma consequência natural do envelhecimento. Quando se torna frequente, persiste por semanas ou passa a interferir no sono, na mobilidade, no trabalho e nas atividades do dia a dia, é importante investigar o que está provocando o sintoma. O uso recorrente de medicamentos para controlar a dor sem acompanhamento pode aliviar temporariamente o desconforto, mas também pode fazer com que o paciente adie a busca pela causa do problema.

A avaliação médica permite identificar características da dor, investigar possíveis condições associadas e definir uma estratégia de tratamento de acordo com cada caso. O objetivo não é apenas reduzir a intensidade da dor, mas preservar ou recuperar a mobilidade, a autonomia e a qualidade de vida do paciente.


Quando dar conta de tudo vira um problema para a saúde mental

Após o Dia Mundial da Saúde Mental, neurocientista alerta para os efeitos de uma rotina marcada por cobrança constante, excesso de tarefas e dificuldade de descansar
 

Trabalho, estudos, família, compromissos, mensagens, notificações, decisões e a sensação de que sempre existe alguma coisa por fazer. Em uma rotina marcada por cobranças e excesso de estímulos, “dar conta de tudo” pode deixar de ser motivo de orgulho e se transformar em um sinal de sobrecarga. 

A discussão ganha relevância em outubro, mês marcado pelo Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado no último dia 10. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas vivem com algum transtorno mental no mundo. Ansiedade e depressão estão entre as condições mais frequentes. 

“Existe uma valorização social muito grande da produtividade e da capacidade de suportar várias demandas ao mesmo tempo. O problema começa quando a pessoa passa a interpretar cansaço constante, irritabilidade, dificuldade de concentração ou alterações no sono como algo normal da rotina e simplesmente continua aumentando a cobrança sobre si mesma”, explica a neurocientista Michelle Melgarejo da Rosa, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). 

A sobrecarga prolongada pode afetar diferentes aspectos do funcionamento cognitivo e emocional. Sob estresse persistente, processos relacionados à atenção, memória, tomada de decisão e regulação das emoções podem ser prejudicados. 

Na prática, isso pode aparecer como dificuldade para se concentrar em tarefas simples, esquecimentos frequentes, sensação de estar sempre atrasado, irritabilidade, alterações no sono, queda no rendimento e dificuldade de aproveitar momentos de descanso. 

“Descansar não significa simplesmente parar de trabalhar. Há pessoas que estão fisicamente fora do trabalho, mas continuam mentalmente conectadas às demandas, antecipando problemas ou pensando no que ainda precisam resolver. Quando não existe espaço real para recuperação, essa sensação de alerta pode se prolongar”, afirma Michelle. Um dia difícil ou uma semana mais intensa não caracterizam, isoladamente, um transtorno mental. O sinal de alerta aparece principalmente quando mudanças emocionais e comportamentais persistem e começam a interferir na rotina, nas relações, no trabalho, nos estudos ou no autocuidado. 

Segundo a OMS, depressão e ansiedade provocam a perda de aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho por ano no mundo, com impacto estimado de US$ 1 trilhão em produtividade. 

“A prevenção em saúde mental também passa por reconhecer limites antes de chegar a uma crise. Sono adequado, atividade física, relações sociais, períodos de descanso e uma rotina que permita recuperação são fatores importantes. Precisamos saber ouvir nosso corpo. Sintomas físicos são barreiras para abastecer ou prevenir o adoecimento mental. Praticar auto-conhecimento, refletir sobre si mesma, mesmo que seja 3 minutos por dia, é uma técnica valiosa para uma mente e corpo mais saudáveis. E, quando o sofrimento persiste ou começa a comprometer a vida cotidiana, é necessário buscar ajuda profissional”, orienta a neurocientista. 

Para Michelle, outro ponto importante é abandonar a ideia de que conseguir suportar cada vez mais é necessariamente sinal de força. 

“Não precisamos esperar o esgotamento para entender que alguma coisa precisa mudar. Perceber alterações no próprio comportamento, reconhecer quando as demandas ultrapassam a capacidade de recuperação e procurar apoio também fazem parte do cuidado com a saúde mental”, conclui. 

A relação entre comportamento, saúde mental e funcionamento do cérebro também atravessa o trabalho da pesquisadora. Michelle é autora de Anatomia da Recusa – Um Olhar Pessoal e Científico sobre a Anorexia Nervosa, publicado pela Editora Dialética, no qual reúne conhecimento científico e experiência pessoal para discutir a anorexia nervosa e os mecanismos envolvidos no transtorno.

 

Michelle Melgarejo da Rosa - neurocientista, professora adjunta do Departamento de Bioquímica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pesquisadora do NUPIT-UFPE. Bolsista de Produtividade CNPq Nível 2. Possui pós-doutorado em circuitos de recompensa pela McGovern Medical School, UTHealth, em Houston, nos Estados Unidos, e doutora em Neurobiologia pelo Leibniz Institute for Neurobiology, em Magdeburg, Alemanha. Já foi professora visitante na Universidade de Stanford (EUA), Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA - EUA), Universidade de Montpellier (França), e no Instituto DKFZ (Alemanha). É mestre em Bioquímica e graduada em Farmácia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). É autora de "Anatomia da Recusa – Um Olhar Pessoal e Científico sobre a Anorexia Nervosa", publicado pela Editora Dialética.

 

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