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terça-feira, 14 de abril de 2026

Canetas emagrecedoras devem ampliar acesso ao tratamento da obesidade no Brasil

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Em um país em que 62,6% dos adultos estão acima do peso, especialistas destacam que uso seguro depende de acompanhamento multidisciplinar e equilíbrio nutricional

 

A perda da patente da semaglutida no Brasil, somada à chegada de uma nova geração de medicamentos para o tratamento da obesidade, deve ampliar o acesso às chamadas “canetas emagrecedoras” e acelerar seu uso no país. Especialistas alertam, no entanto, que os riscos associados ao tratamento nem sempre estão na administração do medicamento em si, mas na forma como ele é conduzido. 

O tema ganha relevância em um país onde o excesso de peso já é um desafio crescente de saúde pública. Dados do Ministério da Saúde1 indicam que 62,6% dos adultos brasileiros estão acima do peso, enquanto cerca de um em cada quatro vive com obesidade. Nesse cenário, o uso ampliado desses medicamentos exige atenção redobrada quanto ao acompanhamento clínico e às estratégias adotadas pelos pacientes, uma vez que o tratamento da obesidade envolve uma abordagem multidisciplinar. 

A ausência de acompanhamento adequado – especialmente de orientação nutricional –, aliada à perda de peso acelerada, pode acarretar complicações para a saúde. Além disso, escolhas alimentares desequilibradas durante o processo de emagrecimento também podem potencializar riscos. 

A endocrinologista Fernanda Salles Reis, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, explica que dietas baseadas quase exclusivamente em proteínas, frequentemente adotadas por quem busca emagrecimento, podem apresentar riscos metabólicos quando não há equilíbrio nutricional. “O consumo excessivo de proteína pode fazer os rins trabalharem mais do que o normal, o que aumenta a eliminação de proteínas na urina – um sinal de sobrecarga”, afirma. 

De acordo com a especialista, as próprias condições para as quais essas medicações são indicadas, obesidade e diabetes, já representam fatores de risco. Dessa forma, o acompanhamento profissional é fundamental. “Perdas de peso muito rápidas seja por dietas extremamente restritivas, cirurgia bariátrica ou pelo uso de medicamentos, aumentam o risco de alterações na composição da bile e a formação de cálculos, as chamadas pedras na vesícula, que são um dos fatores de risco para o desenvolvimento de pancreatite, por exemplo”, explica. Além disso, longos períodos de jejum ou dietas com teor muito baixo de gordura, que reduzem a contração da vesícula biliar e favorecem o acúmulo de bile dentro da vesícula, criando um ambiente propício para a formação de cálculos.

 

Crenças populares sobre dieta ainda geram confusão e impactam escolhas alimentares 

A discussão sobre os tratamentos milagrosos para o emagrecimento também traz à tona mitos alimentares ainda amplamente disseminados. 

Entre eles está a ideia de que comer a cada três horas acelera o metabolismo. Segundo Fernanda, as diretrizes atuais não confirmam essa hipótese. “A frequência das refeições não altera significativamente o metabolismo. A verdade e o que realmente importa é a quantidade total de calorias ingeridas ao longo do dia e a qualidade dos alimentos”. 

Outro conceito popular é o de que carboidratos consumidos à noite são responsáveis pelo ganho de peso. “O carboidrato à noite não é o vilão do ganho de gordura. O problema está no excesso alimentar, que pode favorecer o acúmulo de gordura e ainda prejudicar o sono”, explica. 

A retirada indiscriminada de glúten ou lactose da dieta também não apresenta evidência científica que beneficie a perda de peso em pessoas sem intolerância. “Muitas vezes, o que acontece é uma melhora global da alimentação, com redução de alimentos ultraprocessados e aumento do consumo de vegetais”, diz a endocrinologista. 

Para pacientes em tratamento medicamentoso para obesidade, a orientação é manter uma alimentação equilibrada, mesmo quando há redução significativa do apetite. Para compor um “prato saudável”, a recomendação é que metade do prato seja composta por verduras e legumes, um quarto por fontes de proteína e o restante por carboidratos. 

Fernanda reforça que o acompanhamento médico e nutricional é essencial para garantir que a perda de peso ocorra de forma segura e sustentável. “O maior erro é tratar essas medicações como uma solução isolada. A obesidade é uma doença crônica e o tratamento precisa ser pensado no longo prazo.” E complementa: “O problema não está no medicamento em si, mas na forma como ele é utilizado, já que a perda de peso é consequência de um cuidado contínuo, estruturado e de longo prazo”, finaliza.



Sírio-Libanês
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Gravidez de alto risco: condições de saúde e hábitos de vida podem impactar a gestação e exigem atenção redobrada

 

A gestação é um período que requer cuidados especiais com a saúde da mulher e do bebê. De acordo com o ginecologista e obstetra Dr. Renato Teixeira Souza, membro da Comissão Nacional Especializada em Gestação de Alto Risco da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), diversos fatores podem contribuir para uma gestação de maior risco, incluindo doenças pré-existentes e condições que surgem ao longo da gravidez. “Problemas de saúde como hipertensão, diabetes, doenças tireoidianas, cardíacas, renais, asma e doenças autoimunes podem interferir diretamente na evolução da gestação. Por isso, é fundamental que o histórico de saúde da mulher seja cuidadosamente avaliado ainda no planejamento gestacional”, explica.

 

Além das condições clínicas, hábitos de vida também desempenham papel importante. Tabagismo, sedentarismo, alimentação inadequada, estresse e sobrecarga física ou emocional são fatores que podem aumentar o risco gestacional e devem ser identificados e, sempre que possível, modificados antes mesmo da gravidez.

 

Entre as principais doenças associadas à gestação de alto risco estão o diabetes e a hipertensão arterial. Essas condições provocam alterações no organismo materno que podem comprometer a circulação placentária (responsável pela passagem de oxigênio e nutrientes para o bebê) e afetar o ambiente intrauterino. “Quando não controladas, essas doenças podem desencadear uma série de complicações, tanto para a mãe quanto para o feto”, alerta o especialista.

 

No caso do diabetes, os riscos incluem pré-eclâmpsia, parto prematuro, crescimento fetal excessivo (macrossomia), malformações congênitas, especialmente cardíacas, além de complicações neonatais como hipoglicemia, desconforto respiratório e necessidade de internação em unidade de terapia intensiva. Já a hipertensão está associada a complicações como descolamento prematuro da placenta, restrição de crescimento fetal, baixo peso ao nascer, parto prematuro, hemorragia pós-parto e aumento do risco de cesariana.

 

A obesidade também é considerada um importante fator de risco na gestação. Atualmente, uma parcela significativa das mulheres em idade reprodutiva apresenta excesso de peso, condição que está frequentemente associada a hábitos de vida inadequados e a doenças metabólicas. Nesses casos, o planejamento da gravidez quando a saúde está mais equilibrada - aliado a acompanhamento médico, alimentação adequada e prática de atividade física - é essencial para reduzir possíveis complicações.

 

Outro ponto de atenção são as doenças respiratórias, como a asma. Quando não controlada, a condição pode aumentar o risco de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, parto prematuro e restrição de crescimento fetal, além de complicações neonatais. “O controle adequado da asma durante a gestação é fundamental. A interrupção do tratamento pode trazer mais riscos do que a sua continuidade, por isso o acompanhamento médico deve ser mantido desde o início do pré-natal”, orienta o médico.

 

Nestes casos, o pré-natal de alto risco torna-se indispensável. O acompanhamento inclui consultas mais frequentes, exames específicos e, muitas vezes, a atuação de uma equipe multidisciplinar para garantir o melhor cuidado possível. Medidas como controle rigoroso da pressão arterial, monitoramento da glicemia e uso de medicações quando indicadas são fundamentais para reduzir complicações.

 

Com diagnóstico precoce, orientação adequada e adesão ao tratamento, é possível conduzir uma gestação de alto risco de forma mais segura. O cuidado contínuo e individualizado é o principal aliado para proteger a saúde da mãe e promover o desenvolvimento saudável do bebê.

 

“Gestação de Alto Risco: o que o obstetra precisa saber” é tema do 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que acontece de 27 a 30 de maio, em Belo Horizonte.

 

63º CBGO

Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia

https://febrasgo.iweventos.com.br/cbgo2026

#CBGO2026

Data: 27 a 30 de maio de 2026

Local: Minascentro - Belo Horizonte - Minas Gerais



Nem todo estresse é ruim — mas pode virar adoecimento e já bate recorde de afastamentos por saúde mental no Brasil


Em um mundo cada vez mais acelerado, o estresse se tornou parte da rotina — especialmente entre profissionais de alta performance. Mas até que ponto ele pode ser considerado saudável? 

O tema ganha ainda mais relevância diante do cenário atual: o Brasil registrou, em 2025, mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da última década, com crescimento expressivo dos casos de burnout. 

Para o psiquiatra Dr. Daniel Sócrates, doutor pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), com formação executiva pelo INSPER e FGV e mais de 20 anos de experiência clínica, é fundamental diferenciar o estresse que impulsiona daquele que adoece. 

“Existe um tipo de estresse que é natural e até necessário para o desempenho. O problema começa quando ele deixa de ser pontual e passa a ser crônico”, explica o especialista.

 

Estresse produtivo x estresse que adoece 

Segundo o psiquiatra, o chamado estresse produtivo — ou positivo — está ligado a momentos de desafio e adaptação.

Ele pode, inclusive, melhorar o foco, a energia e a capacidade de tomada de decisão.

“Uma apresentação importante, um novo projeto ou uma meta desafiadora podem gerar esse tipo de ativação. É o corpo se preparando para performar melhor”, afirma.

O problema surge quando esse estado deixa de ser episódico e passa a ser constante.

“O organismo não foi feito para viver em alerta permanente. Quando isso acontece, o estresse deixa de ser funcional e passa a ser tóxico”, alerta.

O estresse crônico pode evoluir para quadros mais graves, como ansiedade generalizada, exaustão emocional e burnout.

 

Entre os principais sinais de alerta estão:

  • Cansaço constante, mesmo após descanso
  • Irritabilidade e dificuldade de concentração
  • Sensação de sobrecarga permanente
  • Alterações no sono
  • Queda de desempenho
  • Falta de prazer em atividades antes comuns 

“Um dos sinais mais importantes é quando a pessoa começa a perder a capacidade de se recuperar. Ela descansa, mas não melhora. Isso indica que o corpo já entrou em um estado de esgotamento”, explica o médico. 

Do ponto de vista neurobiológico, o estresse prolongado afeta diretamente o funcionamento cerebral.

A liberação contínua de cortisol — o hormônio do estresse — pode prejudicar áreas relacionadas à memória, ao foco e à regulação emocional.

“Com o tempo, o cérebro entra em um modo de sobrevivência. Isso reduz a criatividade, a clareza mental e a capacidade de tomar decisões estratégicas — justamente o oposto do que se espera de profissionais de alta performance”, destaca.

 

Como evitar que o estresse ultrapasse o limite

A chave está em reconhecer os sinais precocemente e criar estratégias de proteção mental.

Entre as principais orientações:

️ Diferencie urgência de excesso

Nem tudo precisa ser resolvido imediatamente.

️ Estabeleça pausas reais

Intervalos sem estímulos são essenciais para o cérebro se recuperar.

️ Observe seu corpo

Cansaço persistente não é normal — é sinal.

️ Reavalie limites

Alta performance não deve significar exaustão constante.

️ Procure ajuda especializada

Intervenção precoce evita quadros mais graves. 

“Alta performance sustentável não é sobre aguentar mais — é sobre saber a hora de parar, ajustar e se recuperar”, finaliza o Dr. Daniel Sócrates.

 


Dr. Daniel Sócrates - Médico psiquiatra, doutor pela UNIFESP, com mais de duas décadas de atuação clínica. Dedica-se ao cuidado de profissionais que enfrentam altos níveis de exigência e responsabilidade, com abordagem focada em performance sustentável, saúde mental e qualidade de vida.
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Tecnologia pode ajudar a reduzir erros médicos? Avanço da IA inaugura nova era na saúde

Com sistemas mais autônomos e integrados à rotina clínica, especialistas apontam que a inteligência artificial pode contribuir para maior precisão e segurança no atendimento — desde que sob comando do médico 


Reduzir erros médicos é um dos maiores desafios dos sistemas de saúde em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, falhas evitáveis durante o atendimento estão entre as principais causas de danos a pacientes globalmente, muitas vezes relacionadas a falhas de comunicação, registros incompletos ou sobrecarga de trabalho dos profissionais. 

Nesse cenário, a inteligência artificial começa a assumir um papel relevante, não como substituta da decisão clínica, mas como ferramenta de apoio à organização de informações e redução de falhas operacionais. O avanço mais recente desse movimento é o que especialistas vêm chamando de “era agêntica” na medicina, marcada pela transição de sistemas que apenas auxiliam o médico para soluções mais autônomas na execução de tarefas administrativas. 

Relatório da McKinsey & Company aponta que até 30% das atividades administrativas na saúde podem ser automatizadas, incluindo tarefas como documentação clínica, organização de dados e geração de relatórios. Já estudos publicados pela revista científica Annals of Internal Medicine indicam que médicos podem gastar quase duas horas com tarefas administrativas para cada hora de atendimento direto ao paciente, o que aumenta o risco de erros por fadiga e sobrecarga. 

É nesse contexto que surge uma nova geração de ferramentas, conhecidas como agentes “autopilot”, capazes de executar tarefas completas a partir de comandos simples do profissional de saúde. Diferente dos modelos anteriores, muitas vezes comparados a “copilotos”, que exigem múltiplas interações e validações, esses sistemas atuam de forma mais fluida, acompanhando a dinâmica da consulta. 

A Mediccos desenvolveu um desses agentes, chamado Oscar, projetado para atuar como um assistente médico digital. A ferramenta permite que o profissional conduza a consulta normalmente, enquanto a inteligência artificial organiza as informações em tempo real e gera documentos como prontuários e prescrições estruturadas em formato digital. 

Segundo o Dr. João Ladeia, médico e porta-voz da empresa, a proposta não é automatizar o raciocínio clínico, mas reduzir falhas relacionadas ao registro das informações. “O diagnóstico, a escolha do tratamento e todas as decisões clínicas continuam sendo do médico. O que a tecnologia faz é garantir que essas informações sejam registradas de forma completa, organizada e sem retrabalho, o que ajuda a reduzir erros operacionais”, afirma. 

De acordo com ele, a sobrecarga administrativa é um dos principais fatores que contribuem para inconsistências nos registros. “Quando o profissional precisa dividir a atenção entre o paciente e o computador, aumenta a chance de omissões ou erros de digitação. Ao automatizar essa etapa, conseguimos tornar o processo mais seguro e padronizado”, explica. 

Além da organização dos dados, a padronização dos documentos também é apontada como um fator relevante para a segurança do paciente. Registros mais claros e completos facilitam o acompanhamento clínico, a continuidade do cuidado e a comunicação entre diferentes profissionais de saúde. 

A digitalização da medicina, no entanto, traz novos desafios. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados reforça que informações de saúde são consideradas dados sensíveis pela legislação brasileira e exigem alto nível de proteção. Por isso, especialistas destacam que o uso de inteligência artificial precisa estar alinhado a boas práticas de segurança, governança de dados e conformidade regulatória. 

Para os próximos anos, a expectativa é que a adoção de sistemas mais autônomos se intensifique, especialmente em tarefas administrativas e operacionais. Relatório da Gartner indica que o uso de inteligência artificial na saúde deve continuar crescendo, com foco em eficiência, redução de custos e melhoria da qualidade do atendimento. 

Nesse cenário, a chamada “era agêntica” tende a redefinir o papel da tecnologia na medicina. Mais do que ferramentas de apoio pontual, os sistemas passam a atuar como extensões da prática clínica, sempre sob supervisão humana. 

“A tecnologia não substitui o médico, mas pode reduzir riscos quando bem aplicada. Quanto mais organizado e estruturado for o registro da informação, maior a segurança para o paciente e para o profissional”, conclui o Dr. João Ladeia.


Dia Mundial do Café reacende curiosidades sobre a bebida e reforça alerta para gestantes sobre consumo com moderação

 Data destaca revela curiosidades sobre os diferentes tipos de grãos e reforça os cuidados que gestantes devem ter com a cafeína

 

Celebrado em 14 de abril, o Dia Mundial do Café é mais do que uma data simbólica: ele ajuda a trazer à tona discussões importantes sobre saúde, especialmente para gestantes, que precisam ter atenção redobrada ao consumo de cafeína. 

Embora o café seja uma das bebidas mais presentes na rotina do brasileiro, para mulheres grávidas a questão vai além do hábito cultural. A Organização Mundial da Saúde recomenda que gestantes com ingestão elevada de cafeína, acima de 300 mg por dia, reduzam esse consumo para diminuir riscos como perda gestacional e bebês com baixo peso ao nascer. A orientação não estabelece proibição, mas reforça a importância do controle da quantidade total ingerida ao longo do dia. 

Uma parte relevante desse cuidado envolve entender diferenças entre os tipos de grãos. O arábica costuma apresentar teor de cafeína mais baixo e sabor mais suave, enquanto café robusta e conilon tendem a ser mais intensos e naturalmente mais ricos em cafeína. Para gestantes, isso significa que a escolha do grão, assim como o método de preparo, pode influenciar o efeito estimulante da bebida. 

Segundo a nutricionista Dra. Marisa Resende Coutinho, Gerente de Nutrição do Grupo Santa Joana, a principal dúvida das pacientes é se a gestante pode ou não tomar café. “Na maioria dos casos, o consumo pode ser mantido, desde que de forma equilibrada. O risco está nos excessos e na soma de diferentes fontes de cafeína ao longo do dia, como chás, refrigerantes à base de cola, energéticos e chocolate. A orientação deve sempre considerar hábitos, sintomas e as particularidades de cada gestação”, explica. 

A especialista reforça que muitas mulheres subestimam o total consumido. “Às vezes a paciente pensa apenas no café da manhã, mas esquece que tomou um chá preto, comeu chocolate ou consumiu refrigerante com cafeína. Para gestantes, esse cálculo global importa mais do que um único alimento”, destaca. 

Outro ponto importante é que a tolerância ao café pode mudar ao longo da gravidez. Náuseas, azia, refluxo, palpitações, insônia e desconforto gástrico podem se intensificar, fazendo com que até quantidades habituais passem a incomodar. “A gravidez altera digestão e metabolismo. Mesmo quando não há contraindicação, o próprio corpo muitas vezes indica a necessidade de reduzir a ingestão”, afirma Dra. Marisa. 

Mulheres com hipertensão, ansiedade significativa, distúrbios do sono ou refluxo severo também podem precisar de ajustes maiores no consumo. Por isso, a recomendação mais segura é evitar excessos e conversar com o obstetra durante o pré-natal. “Não existe uma regra única que sirva para todas. O café pode fazer parte da rotina, desde que haja bom senso, atenção aos sinais do corpo e orientação profissional”, completa a nutricionista.

No fim, o Dia Mundial do Café reforça a importância de abordar a bebida para além de sua presença cultural: para gestantes, informação e moderação são essenciais. A questão não é eliminar o café, mas consumi-lo com consciência, garantindo equilíbrio em uma fase em que cada escolha influencia a saúde da mãe e do bebê.

 

Grupo Santa Joana
www.santajoana.com.br
www.promatre.com.br
www.maternidadesantamaria.com.br
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Muito além da clínica: a importância do suporte multidisciplinar no desenvolvimento autista

No Mês de Conscientização sobre o Autismo, especialistas explicam por que a integração entre família, escola e terapias é a chave para o progresso de pacientes atípicos

 

Para Ernani de Oliveira Ladeira, de 44 anos, o diagnóstico de autismo do filho, Heitor, não foi apenas uma definição clínica, mas o início de uma reestruturação familiar. Neste Abril Azul, mês voltado para a conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), a trajetória deles exemplifica os desafios emocionais e logísticos de quem busca garantir uma vida independente para os filhos atípicos. 

Os primeiros sinais surgiram quando Heitor tinha cerca de 2 anos. Ernani, que é professor e tem experiência com crianças, e sua ex-esposa, Luciene Souza, notaram atrasos na fala e estereotipias, como o flapping (movimento de agitar os braços) e gritinhos repetitivos quando o pequeno estava animado ou nervoso.

Então, o que a família seguiria dali em diante era uma jornada fragmentada e desgastante por diferentes clínicas e terapias. “Encontrar um local cujas terapias fossem cobertas pelo meu plano era a principal dificuldade”, recorda Ernani. 

Essa fragmentação no cuidado, segundo o neuropediatra Tarcizio Brito, do laboratório Bronstein, da Dasa, no Rio de Janeiro, é um dos maiores obstáculos para o prognóstico de crianças autistas, já que a evolução do tratamento depende da integração entre os ambientes clínico, escolar e familiar. 

“Os maiores anseios das famílias que buscam atendimento terapêutico para os filhos com TEA é encontrar uma equipe de confiança pela qual a criança se sinta acolhida e ter acesso a diversas modalidades de terapia concentradas em um só lugar. Poder contar com um espaço que consiga unificar o atendimento clínico e o suporte familiar e escolar acaba funcionando também como uma rede de apoio para pais e cuidadores”, comenta Tarcizio. 

A dedicação exclusiva aos tratamentos de um filho com TEA impõe desgastes que vão além do financeiro. Ernani relata que, no início, o casal focou tanto os cuidados de Heitor que acabou negligenciando a vida conjugal. “A gente se esqueceu da vida como casal, e isso acabou gerando conflitos e cobranças”, desabafa. Hoje, separados, Ernani e Luciene mantêm uma comunicação próxima e colaborativa em prol do bem-estar do filho. O conselho de Ernani para outras famílias é direto: “Não se esqueçam de que, apesar de ter a criança autista, é preciso cuidar do casamento e buscar ajuda profissional para o casal.”
 

Tratamento para além da clínica: como o suporte familiar e escolar fazem diferença na rotina e no desenvolvimento das crianças com autismo 

Mas há dois meses, a rotina da família ganhou uma nova perspectiva com o início do tratamento especializado de Heitor – hoje com 6 anos e classificado no nível 3 de suporte – na Clínica de Terapias Especiais do Bronstein, unidade no Méier. Em um único local, a família passou a contar com o apoio de uma equipe multidisciplinar que inclui psiquiatras da infância ou neuropediatras, além de psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos, psicomotricistas e nutricionistas. 

Para Tarcizio Britto, o progresso terapêutico e o desenvolvimento de habilidades comportamentais, de comunicação e de interação social do paciente com TEA dependem da integração de todos os ambientes de convívio nos quais ele está inserido – clínica, família, rede de apoio e escola. 

“É fundamental disponibilizar para os pais, responsáveis e cuidadores um espaço de apoio para compartilhar experiências e receber orientações qualificadas. A ideia é oferecer ajuda mútua: facilitar a rotina dos pais e trabalhar, em conjunto, a evolução da criança dentro e fora da clínica, com foco constante na autonomia”, revela o neuropediatra. 

Para a família Ladeira, o suporte profissional que recebem hoje é o que sustenta a esperança. “Em apenas dois meses, já observamos um progresso muito grande no Heitor. Ele está mais centrado, mais independente e mais interessado em brincar. A criança autista evolui, sim. Só que ela precisa de um suporte que os pais, sozinhos, não estão preparados para oferecer”, finaliza Ernani.
 

Genética amplia a precisão e reduz o tempo até o diagnóstico
 

Diante da complexidade dos quadros de TEA, a genômica tem se consolidado como aliada na investigação do autismo, especialmente nos casos sindrômicos, nos quais há associação com alterações genéticas. 

“Com exames mais avançados, que analisam genes específicos relacionados com o autismo, todos os genes do indivíduo ou ainda todo o genoma (ou seja, todo o conjunto de informações genéticas do indivíduo), vem sendo possível identificar alterações relevantes e encurtar uma jornada que, muitas vezes, levava anos para chegar a uma conclusão”, afirma Gustavo Guida, geneticista do laboratório Bronstein e Dasa Genômica. 

Exames como o Painel NGS para Autismo Sindrômico, Sequenciamento do Exoma Completo e Sequenciamento do Genoma Completo permitem analisar regiões específicas do DNA responsáveis pela codificação de proteínas, justamente onde se concentra a maioria das mutações associadas a condições genéticas complexas, incluindo o autismo. 

“Painéis genéticos por NGS permitem a análise simultânea de centenas de genes associados ao neurodesenvolvimento, permitindo identificar alterações relevantes e apoiar condutas clínicas mais direcionadas. Mesmo analisando cerca de 2% do genoma, o exame sequencia aproximadamente 85% das variantes genéticas relacionadas com doenças. Já o Exoma vai além, pois sequencia todo o material genético do indivíduo, facilitando o diagnóstico precoce”, finaliza Guida.


Doença de Parkinson: mais de 500 mil brasileiros possuem diagnóstico da doença no Brasil

Estudo da UFRGS e HCPA estima que mais de
 500 mil pessoas tem a doença no Brasil
  
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Pesquisa ainda estima que, até 2060, mais de 1 milhão de casos serão identificados. Entre os tratamentos, a estimulação cerebral profunda proporciona grandes resultados.

 

O mês de abril tem entre datas sobre saúde a campanha Tulipa Vermelha, que busca conscientizar a população sobre a doença de Parkinson, condição neurodegenerativa que afeta milhões de pessoas no mundo. Um estudo publicado em 2025 pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) estima que mais de 500 mil pessoas com 50 anos ou mais vivem atualmente com a doença no Brasil. O número pode chegar a 1,2 milhões até 2060.  

Caracterizada pela diminuição gradativa da produção de dopamina no sistema nervoso, proteína essencial para o movimento, a doença tem como fatores de risco a predisposição genética, a exposição ambiental a toxinas, tais como agrotóxicos e pesticidas, além do próprio envelhecimento do corpo humano. 

Segundo o neurocirurgião funcional do Grupo São Lucas de Ribeirão Preto, Dr. Luciano Furlanetti (CRM 121022 / RQE: 90250), o diagnóstico é essencialmente clínico, realizado por especialistas através da avaliação de sinais como tremor de repouso, lentidão de movimentos, rigidez muscular e alterações de equilíbrio. Além dos sintomas motores, os pacientes podem, eventualmente, apresentar fadiga, transtornos do sono, do humor, alteração do olfato e declínio cognitivo. 

“Embora ainda não exista uma cura definitiva, o tratamento evoluiu significativamente, apoiado no tripé de medicamentos, reabilitação física com fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia e, em casos específicos, a cirurgia”, comenta.  

A estimulação cerebral profunda, conhecida como DBS (Deep Brain Stimulation), é um dos grandes destaques na área. O procedimento consiste no implante de eletrodos no cérebro conectados a um gerador, funcionando como um "marca-passo cerebral". 

"O tratamento cirúrgico é uma ferramenta consolidada e segura que atua no controle dos sintomas motores, permitindo a redução do tremor, da rigidez e, em muitos casos, da própria carga medicamentosa", explica o especialista, que tem experiência de mais de 15 anos cuidando de pessoas com doença de Parkinson. 

O procedimento é indicado principalmente para pacientes que apresentam oscilações nos movimentos, movimentos involuntários ou tremores que já não respondem bem aos medicamentos. 

"Estamos vivendo uma fase de medicina de precisão, com cirurgias guiadas por sinais do cérebro e exames de imagem avançados, além de avanços constantes em novos medicamentos e métodos de reabilitação, o que nos permite melhorar a qualidade de vida e dar mais autonomia aos pacientes", afirma o médico. 

Além disso, pesquisas atuais buscam desenvolver novas terapias, como medicamentos que podem retardar a evolução do Parkinson, além de estudos que avaliam a segurança e eficácia do transplante de células-tronco, e sistemas modernos de DBS, capazes de ajustar automaticamente a estimulação cerebral em tempo real, conforme a necessidade do paciente. 

  

Grupo São Lucas de Ribeirão Preto (SP)


Casos graves de gripe dobram e acendem alerta para vacinação no Brasil

 Com alta precoce da gripe e casos graves em dobro, Brasil amplia vacinação, mas especialistas reforçam: é preciso se imunizar antes do pico

 

A temporada de gripe começou mais cedo e mais intensa em 2026. Dados recentes mostram que os casos graves já são o dobro dos registrados no mesmo período do ano passado, acendendo um alerta entre especialistas e autoridades de saúde. Ao mesmo tempo, a campanha nacional de vacinação já ultrapassou a marca de mais de 2 milhões de doses aplicadas nos primeiros dias, mas a adesão ainda está abaixo do ideal diante do avanço da circulação viral.

Para especialistas, o cenário exige atenção imediata. “A influenza não é uma ‘gripe comum’. Em crianças, pode evoluir com febre alta, prostração, pneumonia, necessidade de internação e, nos casos mais graves, até morte”, alerta o pediatra Dr. Paulo Telles, da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Tradicionalmente mais comum nos meses mais frios, a gripe neste ano apresentou crescimento antecipado, o que pode impactar diretamente a pressão sobre o sistema de saúde nas próximas semanas. Além disso, o vírus influenza segue como um dos principais respiratórios graves no país, sendo responsável por cerca de 30% das mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) com causa identificada. “A gente está vendo um comportamento diferente do vírus, com circulação mais precoce. Isso encurta a janela de proteção e torna ainda mais urgente a vacinação”, explica o especialista.
Vacinação é a principal forma de evitar casos graves

A campanha segue ativa até o fim de maio, com doses disponíveis gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde para os grupos prioritários, como crianças pequenas, gestantes, idosos e pessoas com comorbidades. “A vacina não impede todos os casos, mas reduz de forma significativa as formas graves e as internações. Isso muda completamente o desfecho da doença”, reforça Dr. Paulo Telles.

Crianças menores de 5 anos estão entre os grupos mais vulneráveis, especialmente aquelas com menos de 2 anos. “A infância é um período de maior risco porque o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento. A vacinação reduz de forma importante complicações como pneumonia e hospitalizações”, explica a Prof. Dra. Elisabeth Fernandes, também pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Mesmo com a vacina disponível, dúvidas ainda impactam a adesão. “A vacina não causa gripe. Ela é feita com vírus inativado. Muitas vezes, os sintomas aparecem porque a pessoa já estava incubando outro vírus respiratório”, esclarece Dr. Paulo Telles. Ele também reforça que a vacinação precisa ser anual. “O vírus da gripe sofre mutações constantes e a proteção diminui com o tempo, por isso é essencial atualizar a vacina todos os anos.”

Outro ponto importante é o impacto coletivo da imunização. Ao vacinar crianças e adultos, reduz-se a circulação do vírus dentro de casa e na comunidade, protegendo também os bebês menores de 6 meses, que ainda não podem ser vacinados, além de idosos e pessoas mais vulneráveis.

Com o avanço precoce dos casos e a proximidade dos meses mais frios, a recomendação é não adiar. “A campanha não terminou no Dia D. Ainda dá tempo e é fundamental se proteger antes do pico da doença”, finaliza a Prof . Dra. Elisabeth.

 

Dra. Elisabeth Canova Fernandes – Pediatra - CRM 94686 - RQE 105.527. Médica formada pela Faculdade de Medicina do ABC. Residência médica em pediatria pela FMUSP Complementação especializada em reumatologia pediátrica pelo Instituto da Criança – FMUSP. Título de especialista em Pediatria pela SBP. Título de especialista em reumatologia pediátrica pela SBP e SBR. Mestrado e doutorado em pediatria pela FMUSP. Pós-graduação em nutrição infantil pela Boston Umjversity e também pela Ludwig Maximilian University of Munich. Professora de graduação em Medicina na Universidade São Caetano do Sul. Médica proprietária da Clínica Pediátrica Crescer Participação ativa em diversos congressos nacionais e internacionais em pediatria voltados para alimentação infantil, amamentação, cuidados com o bebê e doenças comuns da primeira infância. Palestrante frequente nos temas de amamentação, alimentação infantil e primeiros cuidados com o bebê.


Dr. Paulo Nardy Telles - CRM 109556 @paulotelles - Formado pela Faculdade de medicina do ABC. Residência médica em pediatra e neonatologia pela Faculdade de medicina da USP. Preceptoria em Neonatologia pelo hospital Universitário da USP. Título de Especialista em Pediatria pela SBP. Título de Especialista em Neonatologia pela SBP. Atuou como Pediatra e Neonatologista no hospital israelita Albert Einstein 2008-2012. 18 anos atuando em sua clínica particular de pediatria, puericultura.


Celulite hormonal, da adolescência à menopausa: o que muda em cada fase do corpo feminino

 

Getty Images | CO – Assessoria


“A celulite não é estática. Ela muda com os hormônios e acompanha cada fase da vida da mulher”, explica o médico Roberto Chacur  

 

A celulite pode até parecer a mesma, mas o corpo conta outra história ao longo dos anos e isso muda completamente a forma como ela aparece. Da adolescência à menopausa, as variações hormonais influenciam diretamente o surgimento, a intensidade e até o lugar onde os “furinhos” ficam mais visíveis. Muitas vezes, o que parece falta de cuidado tem mais a ver com o momento do corpo do que com a rotina.

Na adolescência, a celulite costuma surgir pela primeira vez, acompanhando as transformações hormonais e a formação do corpo feminino. É quando a gordura começa a se concentrar mais em regiões como coxas e glúteos, e a pele passa a mostrar as primeiras irregularidades. “É o início de um processo natural. Mesmo sendo mais leve, já indica como esse padrão pode evoluir ao longo dos anos”, explica o médico Roberto Chacur (CRM/SP 124125 – RQE 33433).

Na fase adulta, ela costuma ficar mais perceptível e até mudar ao longo do mês. Alterações hormonais, retenção de líquido, uso de anticoncepcionais e até a rotina influenciam diretamente na aparência da pele. “O corpo responde de forma mais sensível a essas variações, por isso a celulite pode parecer mais intensa em alguns momentos e mais leve em outros”, afirma.

No mês de conscientização sobre a celulite, tema que ganha mais espaço no setor de estética, iniciativas como a da GoldIncision reforçam a importância de ampliar o entendimento sobre o quadro, especialmente nos casos ligados a fatores hormonais. Para a médica Nívea Bordin Chacur, da clínica Leger, esse movimento aparece com frequência no consultório. “Hoje muitas mulheres chegam querendo entender por que a celulite muda tanto. Já não é só sobre aparência, mas sobre o que está acontecendo com o corpo em cada fase”, diz.

Durante a gravidez e no pós-parto, a celulite tende a se intensificar por causa da retenção de líquido, das mudanças na circulação e das transformações hormonais. Já na menopausa, o cenário muda de novo: a queda do estrogênio interfere na firmeza da pele e na distribuição da gordura, o que pode deixar os “furinhos” mais evidentes e persistentes. É por isso que, ao longo da vida, ela nunca se apresenta da mesma forma.

Para a médica Nívea Bordin Chacur, esse comportamento reforça a importância de olhar para o corpo com mais atenção e menos cobrança. “Cada fase traz um tipo de resposta diferente. Quando a gente entende isso, muda completamente a forma como a gente se olha no espelho”, afirma. “Não é sobre corrigir o corpo, é sobre entender o que ele está mostrando”, conclui.


Exagerou no chocolate? Entenda quando o desconforto intestinal deixa de ser normal

Médico alerta que sintomas comuns após a Páscoa podem indicar mais do que um simples excesso alimentar

 

Após o período de Páscoa, é comum que muitas pessoas relatem desconfortos como dor abdominal, inchaço, diarreia e náuseas. O aumento no consumo de chocolate e outros alimentos ricos em açúcar e gordura pode impactar o funcionamento do sistema digestivo, mas é importante saber diferenciar quando esses sintomas são passageiros e quando podem indicar algo mais sério. 

De acordo com o Dr. Carlos Alberto Reyes Medina, Diretor Médico da Carnot Laboratórios, o organismo costuma reagir ao excesso alimentar, especialmente quando há mudança brusca na dieta. O consumo elevado de açúcar e gordura pode sobrecarregar o sistema digestivo, levando a sintomas como desconforto abdominal e alterações no trânsito intestinal, que tendem a melhorar em poucos dias. 

No entanto, o especialista alerta que alguns sinais não devem ser ignorados. Quando os sintomas persistem por mais de dois a três dias, são intensos ou vêm acompanhados de febre, vômitos, desidratação ou presença de sangue nas fezes, é fundamental buscar avaliação médica. Esses quadros podem indicar infecções gastrointestinais ou outras condições que precisam de tratamento adequado. 

Segundo o Ministério da Saúde, as doenças diarreicas agudas estão entre as principais causas de atendimento médico no Brasil, especialmente em períodos associados a mudanças alimentares ou maior consumo de alimentos fora da rotina. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que episódios de diarreia estão frequentemente relacionados à ingestão de alimentos contaminados ou mal conservados, além de alterações na dieta. 

Além disso, o alto consumo de açúcar pode impactar temporariamente o equilíbrio da microbiota intestinal. Estudos indicam que dietas ricas em açúcares simples e ultraprocessados podem favorecer o crescimento de bactérias menos benéficas no intestino, contribuindo para sintomas gastrointestinais e inflamação. 

A recomendação é retomar gradualmente uma alimentação equilibrada, priorizar a hidratação e evitar novos excessos nos dias seguintes à Páscoa. Em geral, com cuidados simples, o organismo tende a recuperar seu funcionamento normal. 

A orientação é observar os sinais do corpo e não normalizar sintomas persistentes. O acompanhamento médico é fundamental para garantir um diagnóstico correto e evitar complicações.

 

Carnot® Laboratórios


86% dos brasileiros arriscam o fígado ao se medicarem sem orientação

Automedicação atinge até 86 % da população; hepatologista Dra. Patrícia Almeida reforça os riscos ao fígado e alerta para práticas seguras.


Automedicação virou rotina no Brasil: 86 % da população recorre a medicamentos sem prescrição médica, podendo causar dano hepático severo. Os analgésicos e anti-inflamatórios são os mais comuns, especialmente paracetamol, ibuprofeno e naproxeno. Dados da pesquisa do ICTQ (Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade) mostram que essas práticas resultam em mais de 30 mil internações e aproximadamente 20 mil mortes por intoxicação medicamentosa por ano.
 

Dra. Patrícia Almeida, hepatologista com doutorado pela USP e membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia, explica: “O fígado metaboliza as substâncias que ingerimos. Em excesso ou sem controle, alguns medicamentos mesmo os de venda livre podem produzir toxinas que lesionam suas células.”

De acordo com especialistas, os medicamentos comumente associados a risco hepático incluem:

  • Analgésicos com paracetamol (particular atenção às combinações ocultas em resfriados e gripe);
  • Anti-inflamatórios como ibuprofeno e aspirina;
  • Antibióticos (amoxicilina-clavulanato, isoniazida, eritromicina);
  • Anticonvulsivantes (fenitoína, valproato);
  • Estatinas;
  • Fitoterápicos e suplementos sem regulamentação adequada.

Por que o uso excessivo é perigoso?

“Tomar mais de 4 g/dia de paracetamol ou usar anti‑inflamatórios por longos períodos pode sobrecarregar o fígado, gerando subprodutos tóxicos que inflamam e lesam o órgão. Não há ‘protetores’ milagrosos; a melhor proteção é seguir doses e orientação médica.”


Sinais de alerta:

Fadiga intensa, náusea, dor abdominal no lado direito, icterícia (pele e olhos amarelados), urina escura, fezes claras, coceira, inchaço abdominal ou confusão mental. Muitas vezes esses sinais surgem tardiamente, por isso, os exames são essenciais.

Como proteger o fígado ao usar remédios:

  1. Respeite sempre as doses e intervalos prescritos.
  2. Não combine medicamentos sem orientação médica.
  3. Evite álcool durante o tratamento.
  4. Mantenha alimentação saudável, hidratação e atividade física.
  5. Faça exames de função hepática (ALT, AST, bilirrubina, fosfatase alcalina) e elastografia (FibroScan®) se o uso for prolongado.
  6. Evite automedicar-se e usar suplementos sem comprovação científica.

 


Dra. Patrícia Almeida - CRM SP 159821 - Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (2010). Residência Médica em Clínica Médica no Hospital Geral Dr César Cals em Fortaleza-CE- (2011-12). Residência em Gastroenterologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo-(USP RP) (2013/15). Aprimoramento em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP)- (2016). Aprimoramento em Transplante de fígado no Hospital das clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP) (2017). Observership no Jackson Memorial Hospital em Miami/EUA 2017. Doutorado em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Título de Especialista em Gastroenterologia pela FBG Título em Hepatologia pela SBH. Hepatologista do Hospital Israelita Albert Einstein.



Caso importado de sarampo em São Paulo alerta para vacinação, inclusive de adultos


Adolescentes e adultos em dúvida sobre se foram imunizados também devem se proteger. Vacina é recomendada do 1º ano de vida aos 59

 

O novo caso importado de sarampo na cidade de São Paulo voltou a deixar em alerta o Ministério da Saúde. A paciente é uma bebê menina de seis meses, sem histórico de vacinação. Há registro de viagem da criança para a Bolívia entre dezembro e janeiro. O país vizinho enfrenta um surto da doença que preocupa autoridades brasileiras em regiões de fronteira. No ano passado, o Brasil registrou ao menos 38 casos importados deste país até agosto, a maioria deles no Tocantins e Mato Grosso. 

“É uma doença potencialmente grave e a confirmação recente de um caso importado reforça a necessidade de medidas de vigilância e profilaxia”, afirma a médica infectologista pediátrica Sylvia Freire, do Sabin Diagnóstico e Saúde. Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) informam que, em 2025, foram confirmados cerca de 14.800 casos da doença na região das Américas. 

Em 2025, foram disponibilizadas 600 mil doses de vacina para cidades fronteiriças no Mato Grosso do Sul ou regiões com grandes colônias, como o Tocantins.  O Brasil recuperou oficialmente a certificação de país livre da circulação do sarampo em novembro de 2024, concedida pela OPAS. 

A médica do Sabin ressalta que a vacinação é o melhor caminho para prevenir o sarampo. O Ministério da Saúde indica a vacina Tríplice Viral, que protege os imunizados também contra a caxumba e a rubéola, para crianças, a partir 12 meses.  A segunda dose do esquema de imunização deve ser realizada aos 15 meses com a vacina tetraviral.  Adolescentes e adultos não vacinados ou com esquema incompleto devem iniciar ou completar o esquema vacinal. 
 
Para aqueles até 29 anos, caso não tenham sido vacinados no período recomendado, a orientação do Programa Nacional de Imunizações é de duas doses com no mínimo um mês de intervalo. A partir dos 30 anos até 59 anos completos, quem ainda não tomou a vacina recebe dose única. Trabalhadores de saúde não imunizados previamente devem receber duas doses com intervalo de 30 dias.


 Em situações de surto, as recomendações rotineiras podem ser alteradas, sendo possível a administração de uma dose da vacina tríplice viral nas crianças entre 6 e 12 meses de idade (“dose zero”), entre outras medidas. O vírus do sarampo, do gênero Morbillivirus, pode ser transmitido por via respiratória, ao espirrar, tossir, falar e respirar. “A transmissão pode ocorrer antes que o paciente apresente sintomas típicos como as manchas no corpo”, alerta Sylvia. “Como circula em outros países e pode voltar a circular no Brasil é importante os adultos verificarem se foram imunizados na infância. O sarampo, como sabemos, é uma doença potencialmente grave. Os pacientes em dúvida, devem procurar uma unidade de vacinas”, orienta a médica. 

Antes da introdução da vacina na década de 60, o mundo vivia epidemias em intervalos de dois a três anos que culminaram na morte de 2,6 milhões de pessoas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), trata-se de uma das doenças mais contagiosas do mundo e um indivíduo doente por gerar até 18 novos infectados. Nos casos mais graves, pacientes podem desenvolver complicações como encefalite e infeções bacterianas secundárias, como pneumonia otite média aguda. Grávidas que contraem o sarampo podem sofrer parto prematuro ou gerar um bebê de baixo peso, entre outras complicações graves para mãe e o bebê. Crianças de até 5 anos e imunossuprimidos são os grupos de maior risco de agravamento.

O viajante que retorna ao Brasil deve manter a atenção ao aparecimento de sintomas em até 21 dias, destaca a infectologista pediátrica do Sabin, reforçando a orientação do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE - SP). Caso apresente febre e manchas vermelhas na pele, evite o contato com outras pessoas até ser avaliado por um profissional da saúde.



Sintomas do sarampo

Os primeiros sintomas da doença – tosse, coriza e mal-estar - são pouco específicos e podem se assemelhar aos de outras infecções. Conjuntivite e febre maior que 38,5oC costumam ocorrer na fase inicial. O indício mais emblemático, conforme explica a infectologista pediátrica, é quando as pessoas apresentam manchas na pele, que aparecem cerca de 2 a 4 dias após o início dos sintomas iniciais. Inicialmente, as lesões surgem no rosto e se espalham, em seguida, para o tronco e extremidades.

“Lesões na mucosa da bochecha chamadas de manchas de Koplik aparecem na fase inicial da doença e são típicas do sarampo. São pequenos pontos próximos aos molares”, informa Sylvia, que acrescenta: “Os principais sintomas do sarampo são febre alta e manchas na pele, associados a tosse, coriza e irritação nos olhos.  Sintomas gastrointestinais (vômito e diarreia) podem estar presentes. É importante ter atenção a sintomas neurológicos, que podem sinalizar encefalite (inflamação cerebral), uma das complicações possíveis.  Sintomas pulmonares, em consequência da própria doença ou mesmo de infecções bacterianas secundárias, podem ocorrer também.”


Vacinas disponíveis

No Brasil, duas vacinas diferentes são destinadas à prevenção do sarampo de forma rotineira: a tríplice viral, que protege também contra caxumba e rubéola, e a tetraviral que se destina a segunda dose do esquema de imunização de crianças a partir dos 15 meses e adicionalmente oferta proteção contra varicela (catapora). Uma terceira formulação, a vacina duploviral, que protege contra sarampo e rubéola, tem sido reservada para estratégias especiais em alguns contextos específicos.

 

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