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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

URGENTE

 

 


 


GSH Banco de Sangue de São Paulo convoca doadores em caráter de urgência

 

O GSH Banco de Sangue de São Paulo reforça o apelo à população da capital e região para que doe sangue. Atualmente, a unidade recebe entre 50 e 70 doações de sangue por dia, quantidade abaixo do ideal para manter os estoques em níveis equilibrados. Para atender com conforto à demanda dos hospitais, seriam necessárias cerca de 120 bolsas diárias.

Enquanto as doações seguem abaixo do necessário, a demanda dos hospitais permanece elevada, sobretudo para atender pacientes que dependem de transfusões em emergências, tratamentos oncológicos, cirurgias de grande porte e outros procedimentos.

O cenário exige atenção, pois os estoques de sangue precisam ser repostos constantemente. Como seus componentes têm prazo de validade limitado, é fundamental que as doações ocorram de forma contínua, garantindo bolsas disponíveis todos os dias para atender às necessidades dos hospitais e assegurar a continuidade dos tratamentos.

Segundo Janaína Ferreira, líder de captação do GSH Banco de Sangue de São Paulo, a situação já exigia uma mobilização maior dos doadores, mas, neste mês, alguns fatores contribuíram para uma queda ainda mais acentuada nas doações. “As chuvas frequentes, o frio e o aumento dos casos de gripes sazonais costumam afastar as pessoas dos bancos de sangue. Além disso, o feriado nacional também reduziu o movimento. Por isso, precisamos reforçar o chamado e contar com a solidariedade de todos que podem doar”, destaca Janaína.

Doar sangue é um gesto voluntário e indispensável para garantir a continuidade do tratamento de pacientes que necessitam de transfusões. Como não pode ser produzido artificialmente, o sangue disponível nos estoques depende exclusivamente da contribuição de pessoas saudáveis e aptas a doar.

“Ao doar, cada pessoa contribui para manter uma reserva de sangue que pode ser necessária a qualquer momento. Não sabemos quem precisará de uma transfusão amanhã, mas podemos ajudar a garantir que o sangue esteja disponível quando houver necessidade. Por isso, cada doação faz a diferença, especialmente em períodos de estoques baixos”, reforça Janaína.

A instituição reforça que todos os tipos sanguíneos são necessários. As doações podem ser feitas nos seguintes endereços:

  • Unidade Paraíso: Rua Tomás Carvalhal, 711, bairro Paraíso – atende diariamente, das 7h às 18h, inclusive aos finais de semana e feriados;
  • Unidade Bela Vista | Hospital BP, Rua Maestro Cardim 769, Bela Vista (Portaria 2) – atende diariamente, das 7h às 18h, inclusive aos finais de semana e feriados;
  • Unidade Santo André, Av. Dom Pedro II, 877 (Próximo ao Parque Celso Daniel), atende de segunda a sábado, das 7h às 12h.

Setembro Amarelo: 4 ações para empresas irem além das palestras e promoverem a saúde mental contínua

 Especialistas alertam que campanhas pontuais não bastam e reforçam a necessidade de subsídio a tratamentos, segurança psicológica e acompanhamento da adesão terapêutica no ambiente de trabalho

 

Setembro chegou e, com ele, ganha força a discussão sobre o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização e à prevenção da saúde mental. No ambiente corporativo, a pauta se torna ainda mais relevante com a atualização da NR-1, que passou a exigir a identificação e a gestão dos riscos psicossociais relacionados ao trabalho. 

Entre janeiro e junho de 2026, foram registrados 232.382 afastamentos por transtornos mentais, ante 267.690 no mesmo período de 2025, uma queda de 13,2%. Ainda assim, levantamento da Cajuína, por meio do projeto Data Cajuína, aponta que é cedo para afirmar que o país reverteu definitivamente a curva de crescimento observada nos últimos cinco anos. 

Diante desse cenário, iniciativas voltadas à saúde mental precisam fazer parte da rotina das empresas. Palestras e campanhas continuam sendo importantes para abrir espaço ao diálogo, mas é necessário ir além, com ações contínuas que contribuam de forma efetiva para o bem-estar dos colaboradores. 

Para mostrar caminhos possíveis, especialistas trazem dicas de práticas e iniciativas que podem ser implementadas no ambiente corporativo


1. Garantir acesso, uso responsável e continuidade ao longo da jornada terapêutica

Para que o cuidado com a saúde mental aconteça durante todo o ano, as empresas precisam ir além da conscientização e criar condições para que o tratamento seja iniciado e mantido de forma adequada. Barreiras financeiras, dificuldade de acesso, uso inadequado e interrupção precoce dos medicamentos podem comprometer os resultados. Nesse contexto, o benefício farmácia corporativo pode combinar subsídio aos medicamentos prescritos com o acompanhamento responsável de indicadores da jornada de adesão, como início do tratamento, regularidade das dispensações e possíveis interrupções. Quando integrado a canais de acolhimento e acompanhamento profissional, esse recurso permite direcionar ações de apoio no momento oportuno, respeitando a confidencialidade, a proteção de dados e a autonomia do paciente.

“Na saúde mental, facilitar o acesso é essencial, mas o cuidado somente se sustenta quando existe continuidade. A análise da jornada de adesão pode sinalizar atrasos, irregularidades ou interrupções precoces, criando a oportunidade de reconectar a pessoa aos canais de cuidado. O medicamento pode ser uma ferramenta importante, mas precisa estar inserido em uma estratégia mais ampla, com orientação profissional, acompanhamento e reavaliação ao longo do tempo. É assim que a saúde mental deixa de ser uma pauta restrita a campanhas pontuais e passa a fazer parte da cultura de cuidado da empresa”, enfatiza o Dr. Ricardo Moraes, Diretor Médico da
Funcional, empresa pioneira e líder em programas de acesso e adesão em saúde no Brasil.


2. Capacitar lideranças para promover a segurança psicológica e identificar sinais precoces de sobrecarga

Tão importante quanto diagnosticar os riscos e garantir o acesso ao tratamento é assegurar que o ambiente de trabalho no dia a dia seja pautado pela segurança psicológica. Os gestores diretos são a primeira linha de contato e precisam estar capacitados para praticar a escuta ativa, reconhecer alterações de comportamento na equipe e acolher o colaborador sem julgamento ou caráter punitivo. Criar uma cultura na qual os profissionais se sintam seguros para relatar que estão passando por um momento difícil é fundamental para intervir antes que o estresse evolua para um quadro grave.

Para Ricardo Mattos, CEO da
Vetor Editora, empresa do grupo Giunti Psychometrics, a atitude dos gestores é decisiva para a prevenção: "A liderança é a ponte entre as políticas de saúde mental da empresa e a realidade da equipe. Quando capacitamos os gestores para identificar sinais sutis de sobrecarga e agir com empatia, transformamos a segurança psicológica em uma prática diária. O colaborador precisa ter a certeza de que pedir ajuda não colocará em risco sua reputação ou seu emprego".


3. Integrar a saúde financeira ao cuidado mental por meio de programas que auxiliam os efeitos psicológicos causados pelo superendividamento.

Promover saúde mental no ambiente corporativo também exige olhar para a vida financeira dos trabalhadores. O superendividamento, potencializado pela expansão das apostas online (bets), pode gerar uma sobrecarga emocional e impactos nas relações familiares. Nesse cenário, programas que ofereçam educação financeira, apoio à renegociação de dívidas e suporte psicológico sigiloso, inclusive via WhatsApp, podem atuar de forma preventiva e ampliar o cuidado aos familiares. 

Para Eduardo Melo, psicólogo e supervisor do Programa de Saúde Mental na
HealthBit, consultoria especializada em saúde corporativa, não é possível falar de saúde mental no trabalho sem considerar o impacto do estresse financeiro. “As dívidas e a compulsão por apostas tiram o sono, comprometem o foco e podem desestabilizar famílias. Oferecer um canal seguro para reorganizar a vida financeira e receber apoio emocional é construir uma rede real de cuidado”.


4. Mapear os riscos psicossociais com testes validados para diagnosticar o ambiente de trabalho

Para atender às exigências da NR-1 no gerenciamento de riscos psicossociais e ir além de campanhas pontuais, as empresas devem utilizar instrumentos e testes psicossociais validados cientificamente. Aplicadas por profissionais habilitados, essas avaliações mensuram fatores como sobrecarga de trabalho, grau de autonomia e segurança psicológica, fornecendo dados objetivos para o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). 

Para Alessandra Pinatti Kinjo, Mestre em Psicologia e Consultora da
Vetor Editora, a avaliação psicossocial no ambiente ocupacional é usada para diagnosticar a saúde da própria estrutura de trabalho. “Ao utilizar ferramentas psicológicas com respaldo científico, a organização identifica com precisão quais dinâmicas geram sobrecarga e consegue intervir nos processos antes que a exaustão se converta em afastamentos ou acidentes operacionais."


Um cadastro que pode mudar vidas: a importância da doação de medula óssea

 

arquivo pessoal
Transplante de medula óssea é uma possibilidade de cura para cerca de 80 doenças, entre elas leucemias, linfomas, anemias graves e desordens raras do sistema imunológico

 

Em 2023, aos 9 anos, Arthur Barão Massan foi diagnosticado com anemia de Fanconi, doença genética rara que causa falência progressiva da medula óssea. Foi quando a família recebeu a informação de que o menino precisaria de um transplante para ter uma nova chance de vida. Sem nenhum familiar com condições de doar, teve início a busca por um doador não aparentado, um processo que depende inteiramente da generosidade de estranhos cadastrados em registros ao redor do mundo. 

Do outro lado do Atlântico, um jovem alemão decidiu cadastrar-se no registro nacional de doadores de medula óssea de seu país. Foi um gesto simples, quase burocrático, feito sem imaginar o alcance que poderia ter. Tempos depois, o doador recebeu uma ligação informando que seu tipo de tecido era compatível com o de uma pessoa doente. Na hora, aceitou fazer os exames complementares e seguir com a doação. A medula viajou da Alemanha até o Brasil, e o transplante de Arthur foi realizado. Meses depois, a família comemorava a notícia de que a medula havia "pegado".

 

O que está por trás de um cadastro

Por trás de histórias como a de Arthur e seu doador existe um sistema de registros que conecta, silenciosamente, doadores anônimos a pacientes em qualquer parte do mundo. A história ganha destaque às vésperas do Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, celebrado em 19 de setembro. O transplante de medula óssea é a chance de cura para cerca de 80 doenças, entre elas leucemias, linfomas, anemias graves e desordens raras do sistema imunológico. 

No Brasil, o Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) reúne hoje 5,9 milhões de voluntários cadastrados, com cerca de 125 mil novos cadastros por ano, segundo dados oficiais do próprio registro. O país realiza mais de 300 coletas de medula óssea por ano e mantém um intercâmbio ativo com bancos internacionais: são mais de 1,8 mil células importadas para pacientes brasileiros e mais de 800 doadas a pacientes de outros países. 

Cerca de 65% dos enfermos no Brasil que encontram um doador de medula óssea compatível o localizam no Redome, que integra ainda uma rede de cooperação internacional com quase cem registros ao redor do mundo, totalizando 43 milhões de doadores. 

Apesar do banco robusto, o terceiro maior do mundo, atrás apenas do existente nos Estados Unidos e na Alemanha, encontrar um doador totalmente compatível fora da família pode ser difícil, e a probabilidade varia conforme as características genéticas e a ancestralidade do paciente. Por isso, a diversidade dos cadastros é decisiva para ampliar as possibilidades de quem espera. 

"Quanto maior e mais diverso for o número de doadores cadastrados, maiores são as possibilidades de encontrar alguém compatível. O Brasil é um país muito miscigenado, e é fundamental que essa diversidade também esteja representada no Redome", considera Cilmara Cristina Kuwahara, médica responsável pelo Serviço de TMO do Hospital Pequeno Príncipe. 

A especialista lembra ainda que, uma vez cadastrado, o voluntário só será procurado se surgir um paciente compatível e, mesmo assim, passará por novos exames antes de qualquer doação. Por isso, manter os dados de contato atualizados é tão importante quanto cadastrar-se. 

"Um 'irmão de sangue' do Arthur, do outro lado do mundo", assim a mãe, Tathiane Barão, define o vínculo com o doador que ajudou a salvar seu filho. A expressão ganhou um significado ainda maior quando a família, enfim, pôde conhecê-lo: o encontro aconteceu por videochamada, dois anos após o transplante, com apoio de uma tradutora. "Ele salvou não só o meu filho, salvou uma família inteira, porque o filho é a nossa vida", completa Tathiane. Para Arthur, ver pela primeira vez o rosto de quem antes existia apenas na imaginação foi um momento que ele resume em poucas palavras: "Foi como realizar um sonho para mim, porque ele salvou minha vida."

 

Uma referência no tratamento e no alerta sobre a doação

No Hospital Pequeno Príncipe, referência nacional no tratamento pediátrico de doenças malignas e não malignas, falências medulares e doenças raras, o Serviço de Transplante de Medula Óssea realizou 67 procedimentos em 2025. Com dez leitos, o serviço atende pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), de convênios e particulares.

 

Como tornar-se um doador de medula óssea:

  • ter entre 18 e 35 anos no momento do cadastro;
  • estar em bom estado geral de saúde, sem infecções ou doenças impeditivas;
  • procurar um hemocentro com documento oficial de identificação com foto;
  • preencher a ficha de cadastro;
  • realizar a coleta de uma amostra de sangue de 5ml.

O cadastro é feito nos hemocentros, e o registro permanece ativo até os 60 anos.

 

“Todo mundo tem filho, menos eu”: a saúde mental na reprodução assistida

 

Shutterstock
A infertilidade e o próprio tempo de espera do tratamento reprodutivo podem envolver ansiedade, estresse, culpa e sofrimento emocional; especialistas explicam o que deve ser observado e quando buscar ajuda 

 

A espera pela maternidade ou pela paternidade, mesmo quando marcada por expectativa e esperança, também traz insegurança, ansiedade e outros desafios psicológicos. No contexto da reprodução assistida, a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) reconhece a importância do acompanhamento por profissionais de saúde mental especializados na área, em razão dos impactos emocionais que surgem ao longo da jornada, sobretudo diante da espera e dos resultados negativos. 

O cuidado com a saúde mental, ainda um tabu em parte da assistência em reprodução humana, tem ganhado espaço à medida que se consolida a compreensão de que a jornada reprodutiva tem uma dimensão emocional e relacional além da médica. Na Clínica Genics, esse cuidado faz parte do acompanhamento dos pacientes ao longo do tratamento, como diz o sócio-fundador, Philip Wolff. 

“O objetivo é que as pessoas se sintam pertencentes ao processo e a si mesmas, valorizando o tratamento. A saúde mental envolve múltiplos aspectos, como o cuidado com a autoestima e, por exemplo, inclui minimizar impactos de depressão e resultados difíceis dentro do processo da reprodução assistida”, diz Wolff. 

Na visão da psicóloga perinatal e da reprodução assistida da Genics, Camila Gaspar, o acompanhamento psicológico não precisa começar apenas quando o sofrimento já se tornou intenso ou quando há sinais de ansiedade ou depressão. O cuidado emocional pode começar em diferentes momentos da jornada reprodutiva, inclusive de forma preventiva, oferecendo espaço para que a pessoa compreenda e elabore as emoções envolvidas no processo e encontre recursos para lidar com as incertezas e as mudanças que surgem ao longo do caminho. 

Esse acompanhamento também pode ser especialmente importante quando a experiência começa a repercutir no trabalho, nos relacionamentos, na autoestima ou na percepção que a pessoa tem de si mesma. Camila Gaspar diz que a diferença entre um sofrimento esperado e um quadro que exige tratamento aparece em critérios objetivos. “A avaliação deve considerar a intensidade e a duração dos sintomas, o contexto em que eles aparecem e os impactos que provocam na rotina e no funcionamento da pessoa. Dessa forma, é possível diferenciar um sofrimento emocional esperado diante de uma experiência difícil de um quadro que necessita de atenção clínica”, afirma a psicóloga. 

A literatura científica dá a dimensão do problema. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2024 no Archives of Gynecology and Obstetrics, que reuniu 44 estudos e 53.300 mulheres com infertilidade, identificou prevalência de 22,9% de transtorno depressivo maior, 13,3% de ansiedade generalizada, 78,8% de estresse e 31,6% de sintomas depressivos aferidos por escalas. 

Os números convivem com uma distinção que a psicóloga considera necessária no atendimento. “O sofrimento emocional pode ser uma reação compreensível diante de uma experiência difícil e não significa, necessariamente, a existência de um transtorno mental. Por isso, é importante acolher e validar esse sofrimento sem, de um lado, minimizar aquilo que a pessoa está vivendo e, de outro, transformar automaticamente uma reação emocional em um diagnóstico”, afirma Camila Gaspar.

 

Diferença dos sintomas em homens e mulheres

A infertilidade pode despertar sentimentos semelhantes em homens e mulheres, como tristeza, ansiedade, culpa, medo e sensação de impotência. A principal diferença, segundo a especialista, está na forma como esses sentimentos são socialmente permitidos e expressos. 

Nos homens, a infertilidade atinge diretamente questões relacionadas à masculinidade e à potência sexual, o que muitas vezes dificulta a verbalização do sofrimento, e o impacto emocional aparece de maneira menos evidente, por meio de silêncio, irritabilidade, isolamento, dedicação excessiva ao trabalho ou uso de substâncias. 

Entre as mulheres, o sofrimento tende a ser mais frequentemente verbalizado e associado a sintomas de ansiedade e depressão, além de haver maior espaço social para falar sobre emoções e buscar apoio durante o tratamento. Para a especialista, a maneira de vivenciar e demonstrar esse sofrimento é influenciada pela socialização e pelas expectativas de cada gênero, o que não significa que homens sofram menos ou mulheres sofram mais. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a infertilidade como uma condição que pode provocar sofrimento emocional, estigma e impactos sociais e financeiros, além de efeitos na saúde mental. Segundo estimativa da própria entidade, em dados de estudos realizados entre 1990 e 2021, 17,5% da população adulta, aproximadamente uma em cada seis pessoas no mundo, enfrenta infertilidade ao longo da vida. 

Durante a jornada da infertilidade, algumas pessoas podem interpretar suas próprias reações emocionais de forma negativa, questionando a si mesmas por sentirem tristeza, incômodo ou dificuldade em lidar emocionalmente com a notícia da gravidez de outra pessoa. Esses sentimentos, no entanto, não significam que a pessoa seja egoísta ou incapaz de se alegrar pelo outro. 

O julgamento externo e a cobrança interna podem transformar uma reação emocional compreensível em culpa, com pensamentos como “eu deveria estar feliz” ou “estou sendo uma pessoa ruim por me sentir assim”. 

A especialista explica que a culpa pode surgir quando a pessoa acredita que deveria sentir apenas alegria diante da gravidez de alguém próximo. “Existe uma expectativa social de que uma notícia de gravidez seja recebida com alegria, mas, para quem enfrenta dificuldades para engravidar, essa notícia pode despertar sentimentos diferentes ao mesmo tempo. É possível amar alguém, desejar sinceramente a sua felicidade e, ainda assim, sentir tristeza diante daquilo que a própria pessoa está vivendo. O importante é reconhecer e validar esses sentimentos, sem transformá-los em um julgamento moral sobre si mesma”, diz Camila Gaspar. 

Em setembro, mês da campanha de prevenção ao suicídio, a orientação das especialistas é que o sofrimento persistente seja levado a um profissional de saúde mental. O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende de graça pelo telefone 188, 24 horas por dia, e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) fazem o acompanhamento na rede pública.

  

Clínica Genics

 

7 mitos e verdades sobre o sabonete íntimo

 

O médico ginecologista Dorval Tessari explica o papel do produto na saúde vaginal, os cuidados na hora de usar e o que dizem as sociedades médicas sobre o tema
 

Sabonete íntimo ainda divide opiniões entre as mulheres. Para uma parte delas é item fixo no banho; para outra, um produto dispensável, já que a higiene comum, com água e sabão, já é suficiente. E a dúvida faz sentido, já que a região genital feminina tem características próprias, como PH. 

Com agendamento disponível na plataforma Doctoralia, o ginecologista Dorval Tessari, que atende em Caxias do Sul (RS) e soma mais de quatro décadas de consultório, separa o que é mito do que é verdade sobre o tema, com base em recomendações da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e em estudos publicados sobre o assunto.
 

1. Sabonete de banho comum pode substituir o sabonete íntimo - Mito

A vagina tem pH naturalmente ácido, entre 3,8 e 4,5, faixa que favorece os lactobacilos, bactérias que protegem a região contra infecções. Sabonetes de banho costumam ter pH alcalino, entre 8 e 10. “Usar esse tipo de produto na região desequilibra a microbiota local e deixa a região mais vulnerável a corrimento e irritação”, diz Tessari. O Manual de Orientação em Patologia do Trato Genital Inferior, da Febrasgo, recomenda produtos que respeitem o pH da região e evitem fórmulas perfumadas ou irritantes.
 

2. Ducha vaginal ajuda a higienizar por dentro - Mito

A vagina se limpa sozinha, por meio da secreção natural. Com base em diretrizes internacionais - o próprio manual da Febrasgo cita recomendação do ACOG, Colégio Norte-Americano de Obstetrícia e Ginecologia, a entidade desaconselha duchas vaginais tanto para prevenção quanto para tratamento de infecções. “Introduzir água ou qualquer solução dentro do canal vaginal retira a proteção natural e pode até empurrar bactérias para regiões mais internas”, explica o ginecologista. O sabonete íntimo, reforça ele, é para uso externo, na vulva. Nunca deve ser inserido.
 

3. Sabonete íntimo errado pode causar corrimento - Verdade

Uma revisão publicada em 2020 na Revista Multidisciplinar de Educação e Meio Ambiente associou o uso excessivo de sabonetes bactericidas à redução dos lactobacilos e à proliferação da Gardnerella vaginalis, bactéria ligada à vaginose bacteriana. Os sintomas descritos no estudo incluem corrimento com odor, coceira e ardor. O problema geralmente está em produtos com ação antisséptica forte ou perfume em excesso, não no sabonete íntimo em si. “O ideal é escolher fórmulas suaves, sem álcool e sem fragrância forte, usadas uma vez ao dia”, afirma o ginecologista.
 

4. Produto perfumado limpa melhor e dá mais sensação de frescor - Mito

Evite sabonetes e cremes perfumados na região vulvovaginal, porque fragrâncias e conservantes aumentam o risco de alergia e irritação da mucosa. “A sensação de frescor não indica limpeza. Muitas vezes é justamente esse tipo de produto que deixa a região ardida e vermelha depois”, diz Dorval.
 

5. Sabonete íntimo só é necessário para quem já tem infecção - Mito

O uso é preventivo e faz parte da rotina de higiene, não um tratamento. Segundo Tessari, um produto com pH compatível com a região (entre 3,5 e 5, aproximadamente) ajuda a manter o equilíbrio da microbiota mesmo sem sintoma nenhum. Quem já tem infecção ativa deve procurar orientação médica: sabonete não trata vaginose, candidíase ou outras infecções.
 

6. Toda mulher deve usar o mesmo produto, da mesma forma, a vida inteira - Mito

A mucosa vulvovaginal muda com a idade e as fases hormonais. Na puberdade, na gravidez e principalmente na menopausa, quando a produção de estrogênio cai, a região fica mais seca e mais sensível. Tessari, que também atua na área de climatério e reposição hormonal, lembra que mulheres na menopausa costumam precisar de produtos ainda mais suaves, e às vezes de hidratante vaginal complementar, sempre com indicação médica. “A pele muda, e o cuidado precisa acompanhar essa mudança”, diz.
 

7. O sabonete íntimo deve ser usado só na parte externa, nunca dentro do canal vaginal - Verdade

Aqui não há controvérsia. O produto deve ser aplicado apenas na vulva, com as mãos - nunca com bucha ou esponja - e bem enxaguado. A recomendação da Febrasgo e a prática médica coincidem: a parte interna da vagina não deve receber sabonete, ducha ou qualquer substância além do que o próprio corpo produz.
 

Como higienizar a região íntima corretamente, segundo o ginecologista

  • Lave apenas a vulva, a parte externa. Nunca o interior da vagina.
  • Use as mãos, não esponjas ou buchas, que podem causar microlesões.
  • Prefira produtos com pH entre 3,5 e 5, sem fragrância forte e sem álcool.
  • Enxágue bem e seque a região com toalha limpa, sem esfregar.
  • Evite duchas vaginais e sabonetes com ação bactericida agressiva sem indicação médica.
  • Diante de corrimento, odor ou coceira persistente, o caminho é consultar um ginecologista antes de trocar de produto por conta própria.

Alteração persistente de odor, cor ou quantidade da secreção pede avaliação médica. Sabonete íntimo ajuda na rotina, mas não substitui consulta com ginecologista.


Campanha Setembro Amarelo joga luz ao tema, mas prevenção ao suicídio merece cuidado permanente, alerta especialista

 

Professor de Psicologia da UMC destaca necessidade de construir uma cultura em que pedir ajuda não seja visto como sinal de fraqueza; escuta, acolhimento e acompanhamento psicológico devem compor rede de cuidado

 

Campanha nacional de conscientização e prevenção do suicídio e de valorização da vida, o Setembro Amarelo tem o objetivo de quebrar tabus, reduzir estigmas e ampliar a compreensão sobre a importância de cuidar da saúde mental. Apesar de ter o papel de levar para o espaço público um tema cercado de silêncio, a prevenção precisa ser compreendida como um trabalho contínuo, presente durante todo o ano nas famílias, escolas, serviços de saúde, ambientes de trabalho e nas políticas públicas. Quem faz a análise é Rodolfo Mendonça Pereira, professor do Curso de Psicologia da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). 

“O suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial, que não acontece por uma única causa e, portanto, não possui uma só forma de prevenção. Precisamos considerar aspectos psicológicos, sociais, econômicos, culturais, relacionais e as próprias condições de acesso ao cuidado. Daí a necessidade de se falar cada vez mais sobre o assunto, revelando que o reconhecimento do sofrimento não é sinal de fraqueza, mas o começo do cuidado, o primeiro passo para se pedir ajuda”, destaca Pereira. 

De acordo com o docente da UMC, que é psicólogo, mestre em Psicogerontologia e tem formação nas áreas de Filosofia, Teologia, Pedagogia e História, um dos mitos que cercam o tema é pensar que existe um conjunto claro e universal de sinais que antecedem uma tentativa ou uma morte por suicídio. 

“Nem sempre há sinais perceptíveis e, por isso, não devemos esperar que uma crise aconteça para levar o sofrimento a sério, nem nos basear em explicações simplistas. Falas relacionadas à desesperança, ao isolamento e à perda de interesse por atividades antes significativas podem indicar sofrimento e devem acender o alerta. Contudo, esses sinais não constituem, por si só, um instrumento de diagnóstico. Uma pessoa pode apresentar alguns deles e não estar em risco de suicídio, assim como alguém em sofrimento grave pode não apresentar sinais evidentes”, afirma. 

Para quem tem um familiar ou conhecido passando por um momento de sofrimento intenso, a aproximação é um primeiro passo importante, mostrando que aquela pessoa não precisa enfrentar o momento sozinha. O acompanhamento psicológico e de outros profissionais da saúde também deve ser buscado, inclusive antes de uma situação de crise, como forma de prevenção e promoção da saúde. 

“Prevenção não precisa começar somente quando a pessoa está em uma situação de crise. Cuidar da saúde mental, fortalecer vínculos, ampliar as possibilidades de pedir ajuda e construir redes de apoio também são formas de prevenção. Sofrimento faz parte da existência humana, mas isso não significa que precisamos enfrentá-lo sozinhos quando ele se torna intenso, persistente ou começa a comprometer nossa vida. Na psicoterapia, o psicólogo pode ajudar a pessoa a compreender melhor sua experiência, identificar fatores que intensificam o sofrimento, reconhecer fatores de risco e de proteção, desenvolver recursos para lidar com situações difíceis e fortalecer vínculos e redes de apoio”, explica Pereira. 

A depender das necessidades de cada pessoa, pode ser necessário articular o acompanhamento psicológico com outros profissionais e serviços de saúde, construindo uma rede de cuidado capaz de oferecer o suporte necessário.

 

Ajuda

A busca por ajuda pode começar pela Unidade Básica de Saúde (UBS), importante porta de entrada para o cuidado. Em emergências ou risco imediato, deve-se procurar atendimento de urgência ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192. O Centro de Valorização da Vida (CVV), acionado pelo 188, oferece escuta e apoio emocional gratuito, 24 horas por dia. 

“Falar sobre prevenção do suicídio é falar, antes de tudo, sobre cuidado com a vida, algo que se constrói cotidianamente. Por isso, talvez uma das possíveis contribuições da campanha seja ajudar a transformar a pergunta ‘Como evitar o suicídio?’ em ‘Como podemos construir uma sociedade em que as pessoas tenham mais condições de viver, pertencer, pedir ajuda e serem cuidadas?’, ressalta o docente da UMC.

 

Alzheimer pode começar a mudar o cérebro por volta dos 50 anos: os sinais e os exames que ajudam a antecipar o diagnóstico

 

Os sinais podem aparecer décadas antes da perda de memória. Exames de imagem, sangue ou líquor são estratégias para a investigação precoce
 

As primeiras alterações cerebrais associadas ao Alzheimer podem começar ao final dos 50 anos de idade, cerca de duas décadas antes do diagnóstico de demência, segundo estudo publicado em abril de 2026 pela Mayo Clinic, um dos maiores centros de pesquisa médica dos Estados Unidos, na revista científica Alzheimer's & Dementia: The Journal of the Alzheimer's Association. A descoberta dá contexto ao tema da Campanha Mundial do Alzheimer de 2026, definido pela Alzheimer’s Disease International como “Quanto antes você sabe, mais você pode fazer: um diagnóstico de demência importa”, segundo o qual o diagnóstico precoce amplia as opções de tratamento e cuidado disponíveis para o paciente e a família. 

O levantamento acompanhou 2.082 participantes do Estudo da Mayo Clinic sobre envelhecimento, cruzando biomarcadores de sangue, exames de imagem cerebral e testes de desempenho cognitivo ao longo do tempo. Nesse grupo, o desempenho cognitivo já mostra queda mensurável antes dos 60 anos. O acúmulo da proteína beta-amiloide, que forma as placas encontradas no cérebro de quem tem Alzheimer, acelera ao longo da década seguinte. Os marcadores da proteína tau, responsável pelos emaranhados que danificam os neurônios, alcançam junto com a atrofia cerebral e a perda de neurônios em regiões ligadas à memória os níveis mais pronunciados entre o fim dos 60 e os 70 anos, justamente o período em que os primeiros sintomas costumam aparecer. 

“Um esquecimento pontual, como não lembrar onde deixou as chaves, faz parte do envelhecimento normal. O que preocupa é quando o esquecimento passa a atrapalhar tarefas que a pessoa sempre soube fazer sozinha, como pagar contas, seguir uma receita ou se orientar em um trajeto conhecido”, diz Lívia Avallone, patologista clínica dos laboratórios Delboni e Lavoisier, marcas da Dasa em São Paulo, líder em medicina diagnóstica no Brasil.
 

Os sinais que costumam aparecer primeiro 

O Ministério da Saúde estima que 1,2 milhão de brasileiros vivem hoje com alguma forma de demência, com 100 mil novos casos diagnosticados por ano. Conheça dez sinais de alerta que ajudam familiares e profissionais de saúde a diferenciar o esquecimento comum de um quadro neurodegenerativo. 

1. Esquecimentos que atrapalham tarefas do dia a dia, não um lapso ocasional

2. Dificuldade para planejar ou concluir etapas de uma tarefa antes simples, como preparar uma refeição

3. Confusão com datas, estações do ano ou tempo decorrido

4. Desorientação em lugares conhecidos, incluindo o próprio bairro

5. Dificuldade para encontrar palavras ou acompanhar uma conversa

6. Trocar objetos de lugar sem conseguir refazer os passos para encontrá-los

7. Piora do julgamento em decisões financeiras ou de cuidado pessoal

8. Afastamento de atividades sociais, profissionais ou de lazer

9. Mudanças de humor e de personalidade

10. Perda de iniciativa para atividades que antes despertavam interesse 

O critério clínico é a combinação de sintomas persistentes, que evoluem ao longo de meses e comprometem a autonomia da pessoa. Para essa avaliação, é importante consultar um médico. 

A investigação começa pela avaliação clínica, não pelo exame. Um geriatra ou neurologista entrevista o paciente e um familiar próximo, aplica testes cognitivos padronizados e busca causas reversíveis de declínio cognitivo antes de considerar hipóteses neurodegenerativas. 

“Antes de pensar em Alzheimer, o médico precisa descartar outras causas que também afetam a memória e o raciocínio, como hipotireoidismo, deficiência de vitamina B12, depressão ou efeito de medicamentos. Os exames de sangue entram na etapa de exclusão, antes de qualquer exame de imagem”, diz Avallone.
 

Quais exames ajudam a detectar a doença 

Quando a suspeita de Alzheimer se mantém após a avaliação inicial, a ressonância magnética do crânio costuma ser o primeiro exame de imagem, usada para verificar o padrão de atrofia cerebral e descartar tumores, AVCs ou outras lesões que expliquem os sintomas. 

O PET-CT, exame que usa marcadores para visualizar as placas de proteína beta-amiloide ou o metabolismo cerebral, fica reservado para casos em que o diagnóstico segue incerto, pacientes mais jovens ou quadros atípicos, porque tem custo mais alto e menor disponibilidade fora dos grandes centros. 

Também temos o exame de sangue que mede a proteína p-tau217, ligada às placas amiloides e aos emaranhados de tau característicos do Alzheimer. Em maio de 2025, a agência regulatória norte-americana FDA autorizou o primeiro teste do tipo, o Lumipulse G pTau217/β-Amyloid 1-42 Plasma Ratio. Em um estudo com quase 500 pessoas com comprometimento cognitivo leve, o resultado positivo coincidiu com PET amiloide ou líquor alterado em 91,7% dos casos, e o resultado negativo coincidiu com exames normais em 97,3% dos casos. Aprovado para adultos a partir de 55 anos com sintomas cognitivos, o teste chegou na rede privada de saúde, mas não substitui a avaliação clínica nem é indicado para quem não apresenta sintomas. 

"O diagnóstico abre acesso a medicamentos que atuam nas fases iniciais da doença, à participação em pesquisas clínicas e ao tempo necessário para organizar decisões financeiras e de cuidado enquanto o paciente ainda consegue participar delas”, diz Lívia que também completa: “Hoje, sabemos que a redução do risco de demência também está associada ao controle de pressão arterial, diabetes e colesterol, à prática de ao menos 150 minutos de atividade física por semana, ao sono regular e à manutenção de vínculos sociais e de atividades que estimulem a cognição”.
 



Referências bibliográficas:

• Hu, M. et al. “Breakpoints in Alzheimer’s disease biomarkers and cognition across the aging spectrum: The Mayo Clinic Study of Aging.” Link

• Jack Jr., C.R. et al. “Revised criteria for diagnosis and staging of Alzheimer’s disease.” Link

• FDA. “FDA Clears First Blood Test Used in Diagnosing Alzheimer’s Disease.” Maio de 2025. Link

• Alzheimer’s Disease International. “World Alzheimer’s Month 2026.” Link



Saúde mental: suspender medicamentos psiquiátricos por conta própria traz riscos ao paciente

 

 divulgação

Acompanhamento e adesão são importantes no tratamento da depressão; especialistas ouvidos pela Prati-Donaduzzi alertam para riscos da suspensão de medicamentos sem orientação médica

 

Interromper por conta própria o uso de antidepressivos ao perceber melhora dos sintomas pode aumentar o risco de recaída. O alerta ganha espaço durante o Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio. Segundo a psiquiatra Danielle Geiss Santos, embora o suicídio seja um fenômeno complexo e multifatorial, mais de 90% dos casos estão associados a transtornos mentais, como depressão.

A abordagem no tratamento é individual e definida de acordo com as necessidades de cada paciente, podendo envolver diferentes estratégias disponíveis na indústria farmacêutica, como a Prati-Donaduzzi, que mantém entre suas frentes de pesquisa e desenvolvimento medicamentos destinados ao Sistema Nervoso Central (SNC), incluindo antidepressivos. 

Um dos desafios surge justamente quando o paciente começa a se sentir melhor e pode interpretar a redução dos sintomas como sinal de que a medicação não é mais necessária. “A melhora não significa necessariamente que a vulnerabilidade para uma nova recaída tenha desaparecido. A suspensão precoce pode aumentar o risco de retorno dos sintomas e, dependendo do medicamento e da forma como ele é interrompido, também pode provocar sintomas de descontinuação”, alerta Danielle. 

Efeitos adversos, expectativa de resultados rápidos e receio de dependência estão entre os fatores que também podem prejudicar a adesão ao tratamento. A médica explica que antidepressivos não provocam dependência nos mesmos moldes de substâncias que geram compulsão, embora a retirada abrupta possa causar sintomas de descontinuação. A psiquiatra também chama atenção para o preconceito em torno do tratamento. “O objetivo não é apagar emoções ou transformar a personalidade, mas reduzir sintomas patológicos e permitir que o indivíduo recupere seu funcionamento e sua qualidade de vida”, afirma.
 

Psicoterapia: uma escuta necessária 

Entre as estratégias para o tratamento, a psicoterapia é geralmente a recomendação associada ao medicamento. Para a psicóloga Taynara Doneda, os dois processos devem caminhar juntos, já que a melhora dos sintomas não substitui a necessidade de compreender as questões que fazem parte da história e da rotina do paciente. 

Taynara observa que a medicação pode contribuir para que a pessoa retome atividades, tenha mais disposição e perceba melhora no dia a dia. A psicoterapia amplifica esse cuidado ao favorecer o autoconhecimento. “Ele não conhece a própria vida, não conhece os próprios limites, não sabe responder perguntas simples acerca de si mesmo", pontua. 

A especialista alerta ainda que a prevenção em saúde mental não deve ocorrer apenas diante de uma crise. "Quando aparentemente está tudo bem, também é importante, e é nesse acompanhamento contínuo que a pessoa pode compreender melhor o que determinadas situações representam em sua vida, reconhecer suas necessidades e 'aprender a pedir ajuda'", conclui.
  
 

Prati-Donaduzzi


Estudo do InCor-HCFMUSP alerta: alto consumo de sódio está associado a alterações no coração

 

Pesquisa apresentada no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) reforça a importância da prevenção das doenças cardiovasculares, tema do Setembro Vermelho do InCor
 

Um estudo conduzido pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InCor-HCFMUSP) mostra que pessoas com hipertensão de difícil controle e maior consumo de sódio apresentam mais alterações metabólicas e sinais de remodelamento do coração, mesmo quando os níveis de pressão arterial são semelhantes aos de pacientes que consomem menos sódio. A pesquisa foi apresentada no último Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC Congress)

Realizado com 453 pacientes acompanhados por cerca de seis anos, o estudo chama a atenção para um aspecto que vai além da conhecida relação entre excesso de sal e aumento da pressão arterial: o consumo elevado de sódio também pode estar associado a alterações metabólicas e estruturais no coração. 

A pesquisa foi conduzida pelo Prof. Dr. Luiz Aparecido Bortolotto, diretor da Unidade de Hipertensão Arterial do InCor, e avaliou pacientes classificados como portadores de hipertensão aparentemente resistente ao tratamento. O termo é utilizado para pessoas cuja pressão arterial permanece difícil de controlar mesmo com o uso de medicamentos. Nem todos esses casos, entretanto, correspondem à chamada hipertensão resistente verdadeira, que exige uma avaliação médica mais detalhada. 

“Quando falamos em hipertensão de difícil controle, é importante olhar para o paciente de forma ampla e não apenas para o número da pressão arterial. O consumo de sódio é um dos fatores que precisam ser considerados porque seus efeitos podem ultrapassar o aumento da pressão e estar relacionados a alterações metabólicas e ao comprometimento da estrutura do coração. Nosso estudo reforça a importância de identificar e modificar fatores de risco que podem ser prevenidos”, afirma o Prof. Dr. Luiz Aparecido Bortolotto.
 

Maior consumo de sódio esteve associado a alterações no coração 

Os pesquisadores estimaram o consumo diário de sódio a partir da quantidade eliminada na urina durante 24 horas. A média encontrada foi de 10,7 gramas de sódio por dia, enquanto apenas 19,2% dos participantes apresentavam consumo inferior a 5 gramas diários. 

Entre os pacientes que consumiam mais de 13,5 gramas de sódio por dia, os pesquisadores observaram maior peso, maior índice de massa corporal (IMC), níveis mais elevados de triglicerídeos e sinais de aumento do tamanho do coração, especialmente do ventrículo esquerdo, uma das principais partes responsáveis por bombear o sangue para o corpo. 

Um dos resultados mais relevantes foi que essas associações apareceram mesmo sem diferenças significativas na pressão arterial ou no número de medicamentos anti-hipertensivos utilizados pelos pacientes.

Em outras palavras, mesmo com a pressão arterial sob controle, o consumo elevado de sódio pode estar associado a alterações no organismo e no coração, aumentando o risco de problemas cardiovasculares.

“O resultado é particularmente importante porque mostra que o impacto do sódio não deve ser analisado apenas pela sua capacidade de elevar a pressão arterial. Encontramos uma associação entre maior ingestão de sódio e características relacionadas ao risco cardiometabólico e ao remodelamento cardíaco. Isso amplia nossa compreensão sobre os fatores que podem contribuir para o risco cardiovascular desses pacientes”, explica Bortolotto.
 

Prevenção começa antes da doença aparecer

Os resultados do estudo ganham relevância no contexto do Setembro Vermelho, principal iniciativa do InCor dedicada à prevenção das doenças cardiovasculares. Em 2026, a campanha tem como conceito “Feito de pessoas para pessoas”, destacando que a prevenção passa por escolhas, hábitos e cuidados que fazem parte da vida cotidiana. 

Para o Prof. Dr. Roberto Kalil Filho, presidente do Conselho Diretor do InCor, a pesquisa reforça a importância de aproximar a ciência da população e transformar conhecimento médico em atitudes de prevenção.

“Prevenir doenças cardiovasculares é, antes de tudo, cuidar de pessoas. A ciência nos mostra cada vez mais que fatores presentes no nosso cotidiano, como a alimentação, o sedentarismo, o tabagismo e o controle da pressão arterial, podem fazer diferença ao longo da vida. O papel do InCor é levar esse conhecimento para além do hospital e ajudar cada pessoa a compreender que a prevenção começa antes que a doença apareça”, afirma Kalil. 

O presidente do Conselho destaca ainda que o conceito da campanha deste ano traduz a própria missão do Instituto: colocar as pessoas no centro do cuidado. “Feito de pessoas para pessoas” traduz o que acreditamos ser essencial na saúde: conhecimento, tecnologia e inovação só fazem sentido quando estão a serviço das pessoas. O Setembro Vermelho é uma oportunidade para reforçarmos essa mensagem e estimularmos atitudes simples, mas importantes, como medir a pressão, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, não fumar e realizar acompanhamento médico”, acrescenta.
 

O que o estudo mostra

  • 453 pacientes com hipertensão aparentemente resistente foram avaliados;
  • A ingestão média estimada de sódio foi de 10,7 gramas por dia;
  • Apenas 19,2% dos participantes consumiam menos de 5 gramas de sódio por dia;
  • Maior consumo esteve associado a maior peso, IMC e níveis de triglicerídeos;
  • Também foi observado maior diâmetro do ventrículo esquerdo, indicando remodelamento cardíaco;
  • As associações foram observadas mesmo com níveis semelhantes de pressão arterial e uso de medicamentos;
  • Os resultados sugerem que o consumo de sódio pode estar relacionado não apenas ao controle da pressão, mas também ao risco cardiometabólico e a alterações estruturais do coração.

Como o estudo analisou dados já existentes, os resultados mostram uma associação, mas não permitem afirmar que o consumo elevado de sódio seja a causa direta das alterações encontradas. Ainda assim, os achados reforçam a importância de reduzir fatores de risco para doenças cardiovasculares.

  

InCor


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