Cardiologista da Casa de Saúde São José alerta sobre os impactos
da privação de sono no sistema cardiovascular e destaca a importância da
higiene do sono para a prevenção de doenças
O coração também é
diretamente afetado pelas noites mal dormidas ou de insônia. Isso acontece
porque a privação crônica de sono desencadeia um estado contínuo de estresse no
organismo, aumentando a atividade do sistema nervoso simpático — responsável
por preparar o indivíduo a reagir rapidamente em caso de perigo, medo ou
estresse intenso — e a liberação de hormônios como adrenalina e cortisol.
Segundo o Dr. Lucas Waldeck, cardiologista da Casa de Saúde São José, essa
hiperativação do organismo impede o repouso noturno adequado e leva ao aumento
contínuo da pressão arterial e da frequência cardíaca, sobrecarregando o
coração e acelerando o processo de rigidez dos vasos sanguíneos.
“Em paralelo,
dormir pouco ou ter um sono fragmentado estimula a produção de substâncias
pró-inflamatórias e prejudica o funcionamento do endotélio, a camada interna
que protege os vasos sanguíneos. Com o tempo, essa inflamação sistêmica e a
disfunção vascular favorecem o acúmulo de placas de gordura nas artérias e
elevam substancialmente os riscos de complicações cardiovasculares graves”,
explica.
Entre as doenças
cardiovasculares que podem surgir a partir da má qualidade do sono, estão:
- Hipertensão
arterial sistêmica, especialmente os quadros de difícil controle.
- Doença
arterial coronariana, aumentando também os riscos de infarto agudo do
miocárdio, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral (AVC).
- Alterações no ritmo de batimentos do coração. Nesse caso, a fibrilação atrial é arritmia mais associada aos distúrbios do sono. Em cenários mais graves e sem o devido acompanhamento médico, esse conjunto de alterações eleva o risco de morte por doenças cardiovasculares.
Outro distúrbio associado a má qualidade do descanso é a apneia obstrutiva do sono, que também traz um grande impacto para o sistema cardiovascular. Durante os episódios de colapso das vias aéreas, a passagem do ar é bloqueada, provocando quedas repetidas dos níveis de oxigênio no sangue e fazendo com que o indivíduo desperte brevemente ao longo da noite. Na maioria das vezes, os episódios acontecem sem o paciente perceber.
“Cada uma dessas pausas respiratórias exige um esforço enorme do organismo para voltar a respirar, gerando picos imediatos de pressão arterial, estresse oxidativo e inflamação nos vasos. A longo prazo, essa sobrecarga noturna contínua enfraquece o coração, altera a estrutura das artérias e aumenta significativamente a probabilidade de eventos cardiovasculares”, explica o cardiologista.
Para reverter essa
situação, mesmo vivendo com privação crônica de sono há anos, é possível e
necessário adotar uma rotina saudável de sono para ajudar a reverter os danos
causados ao coração e prevenir novas condições de saúde.
De acordo com o Dr. Lucas Waldeck, a higiene do sono ajuda a interromper a progressão do estresse cardiovascular, melhora o controle da pressão arterial e estabiliza a função dos vasos sanguíneos. O acompanhamento médico contínuo para algumas alterações estruturais é primordial, mas o ato de melhorar as noites de sono alivia a sobrecarga do coração, reduzindo o risco de novos eventos graves. Para começar esse processo, o paciente deve:
- Manter
horários regulares para deitar e acordar.
- Evitar
telas e luzes fortes antes de dormir.
- Reduzir
estimulantes durante a noite.
- Criar
um ambiente escuro, silencioso e confortável para descanso.
“Também é essencial passar por uma avaliação médica. Em muitos casos, há indicação da realização de polissonografia, um exame feito para mapear o padrão respiratório e identificar se há presença de apneia e outros transtornos do sono. Tratar a causa exata é o que garante a recuperação da qualidade do sono e a proteção efetiva do sistema cardiovascular”, explica o médico.
Caso o diagnóstico
de síndrome da apneia do sono seja confirmado, o tratamento deve variar de
acordo com o tipo identificado da condição. No caso da apneia obstrutiva, pode
ser indicado o uso de dispositivos de pressão positiva, aparelhos na boca ou
cirurgias para manter a via aérea aberta. Já a apneia central (em que o cérebro
falha ao mandar o sinal para respirar), demanda o controle de doenças crônicas,
como insuficiência cardíaca, e tratamentos com fornecimento suplementar de
oxigênio e aparelhos de suporte respiratório adaptáveis às necessidades do
paciente a cada ciclo do sono.



