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terça-feira, 6 de outubro de 2026

Engasgos frequentes podem indicar alterações no esôfago e precisam de investigação

Pixabay
Especialistas da Endoclim alertam para os sintomas principais e exames para diagnóstico

 

Engasgar de vez em quando, principalmente ao comer ou beber muito rápido, é algo comum. O sinal de alerta aparece quando a dificuldade para engolir, a sensação de que a comida ficou parada no caminho ou os episódios de engasgo começam a acontecer com frequência. Nesses casos, o sintoma pode estar relacionado a alterações no esôfago e merece avaliação médica. 

A dificuldade para engolir, conhecida como disfagia, pode se manifestar de diferentes maneiras. Em alguns casos, a pessoa sente que alimentos sólidos ficam presos na garganta ou no peito. Em outros, a dificuldade também aparece ao ingerir líquidos. Refluxo, inflamações, estreitamentos do esôfago e alterações na movimentação do órgão estão entre as possíveis causas. 

De acordo com a médica Camila Leiner Dantas, especialista da Endoclim, centro médico de referência em Curitiba (PR), a endoscopia digestiva alta é um dos exames utilizados na investigação desses sintomas. “A endoscopia permite avaliar o esôfago, o estômago e o duodeno e identificar alterações que podem estar relacionadas à dificuldade para engolir. Quando necessário, também é possível realizar procedimentos durante o exame, como a coleta de material para biópsia”, explica. 

A frequência dos episódios também deve ser observada. Para a gastroenterologista Isadora Madalosso, da Endoclim, engasgos recorrentes, dificuldade progressiva para engolir, dor ao engolir, perda de peso sem explicação ou a sensação persistente de que o alimento está parado são sinais que devem ser avaliados por um especialista. “É importante investigar a causa do problema para que seja possível indicar o tratamento mais adequado para cada paciente”, afirma. 

Por isso, quando o engasgo deixa de ser um episódio ocasional e passa a fazer parte da rotina, é importante procurar avaliação médica. A partir dos sintomas e do histórico do paciente, o especialista pode indicar a necessidade de uma endoscopia e de outros exames para investigar possíveis alterações no esôfago e orientar o tratamento. 


Endoclim – Unidade ParkShoppingBarigüi
R. Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 600
Centro Médico - L3 - LUC 3016
Estacionamento G5 - Entrada P


Endoclim - Unidade Hospital Pilar
Av. Des. Hugo Simas, 322
2º andar dentro do Hospital Pilar
Bom Retiro

Quando a Justiça vira o único caminho para um tratamento de alto custo


Há um momento em que o tempo deixa de ser apenas uma medida e passa a ser uma ameaça. É o que sentem famílias que recebem a prescrição de um tratamento oncológico, de uma cirurgia complexa ou de um medicamento de alto custo e, logo depois, se deparam com a negativa do plano de saúde ou com a ausência de resposta do poder público. Nesses casos, esperar meses ou anos pela conclusão de um processo judicial pode significar, na prática, perder a oportunidade de tratar uma doença no momento em que a intervenção ainda pode fazer diferença. É nesse espaço entre a urgência médica e a burocracia que surge a tutela de urgência, popularmente conhecida como liminar. 

A medida permite que o juiz analise, antes do encerramento do processo, se existem elementos suficientes para assegurar imediatamente o tratamento. Prevista nos artigos 300 a 302 do Código de Processo Civil, a tutela de urgência depende, em linhas gerais, da demonstração da probabilidade do direito e do perigo de dano ou do risco ao resultado útil do processo. Em situações de saúde, esses requisitos são normalmente demonstrados por meio de laudos, exames, prescrição médica e histórico clínico capazes de evidenciar não apenas a necessidade do tratamento, mas também as consequências de sua demora. Em determinadas circunstâncias, a decisão pode ser tomada antes mesmo da manifestação da parte contrária, justamente porque o tempo é parte essencial do problema. 

Nas ações contra planos de saúde, uma das principais fontes de controvérsia envolve procedimentos e medicamentos que não estão previstos no rol de cobertura obrigatória da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O debate ganhou novos contornos a partir de 2022, quando o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu parâmetros para a análise de tratamentos não previstos no rol. Na sequência, a Lei nº 14.454/2022 alterou a legislação para estabelecer hipóteses de cobertura de procedimentos não incluídos na lista, desde que atendidos determinados requisitos, como a existência de evidências científicas sobre a eficácia do tratamento ou recomendação de órgãos técnicos. 

Em 2025, o Supremo Tribunal Federal voltou ao tema ao julgar a ADI 7.265, estabelecendo parâmetros para a cobertura de procedimentos fora do rol da ANS. O resultado reforçou que a discussão não pode ser reduzida à simples presença ou ausência de determinado tratamento na lista. A análise depende das circunstâncias do caso concreto e do cumprimento dos requisitos definidos pela legislação e pela jurisprudência.

Quando a negativa vem do Sistema Único de Saúde, a discussão assume outra dimensão. A judicialização pode envolver a União, os Estados e os Municípios, dentro das regras de competência e responsabilidade definidas pela jurisprudência. No Tema 793 de repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a responsabilidade solidária dos entes federativos nas demandas relacionadas ao direito à saúde, embora tenha estabelecido critérios para direcionar o cumprimento das decisões e definir posteriormente o ressarcimento entre os entes. 

Os julgamentos mais recentes do Supremo, especialmente nos Temas 6 e 1.234, também trouxeram critérios mais específicos para demandas envolvendo medicamentos não incorporados ao SUS. Isso significa que a judicialização da saúde não pode ser tratada como um atalho automático para obter qualquer tratamento. Ao contrário, quanto maior a complexidade da demanda, maior tende a ser a necessidade de demonstrar tecnicamente a indicação, a eficácia e a indispensabilidade da terapia solicitada. 

É justamente aí que a documentação médica assume papel decisivo. Um relatório clínico detalhado, com diagnóstico, histórico da doença, tratamentos já realizados, justificativa para a indicação da terapia, riscos associados à demora e prescrição do tratamento, oferece ao Judiciário elementos concretos para compreender a situação. Exames e documentos complementares ajudam a formar esse conjunto probatório. Da mesma maneira, a negativa formal do plano de saúde ou do poder público pode demonstrar a origem da controvérsia e a necessidade de intervenção judicial. 

Não existe, entretanto, uma espécie de prazo automático de 24 ou 48 horas para que uma liminar seja concedida. A velocidade da decisão depende das circunstâncias do caso, da urgência demonstrada, da documentação apresentada, da organização do Judiciário e do entendimento do magistrado responsável. Em situações de evidente risco à saúde, decisões podem ser proferidas rapidamente. Mas transformar essa possibilidade em promessa seria criar uma expectativa que a própria Justiça não pode garantir. 

Também é importante compreender que uma liminar não representa necessariamente o fim da disputa. Trata-se de uma decisão provisória, sujeita a revisão durante o processo. O juiz pode mantê-la, modificá-la ou revogá-la diante de novos elementos. Da mesma forma, o descumprimento de uma ordem judicial pode provocar a adoção de medidas coercitivas, inclusive a aplicação de multa, conforme as circunstâncias do caso. 

A judicialização, portanto, não deveria ser vista nem como solução automática nem como distorção a ser combatida em qualquer circunstância. Ela é, muitas vezes, o mecanismo utilizado quando os canais administrativos não conseguem oferecer uma resposta compatível com a urgência médica. O desafio está em fazer com que esse instrumento seja acionado com responsabilidade, baseado em evidências e dentro dos limites estabelecidos pela legislação e pelos tribunais. 

No fim, o que chega ao juiz não é apenas um processo. É a história de uma pessoa que recebeu um diagnóstico, uma prescrição e, em algum momento, uma negativa. A qualidade da documentação médica permite dimensionar o problema; a atuação jurídica transforma essas informações em uma demanda compreensível ao Judiciário. Quando o tratamento não pode esperar, a Justiça pode se tornar o caminho para fazer valer o direito à saúde. Mas esse caminho precisa ser percorrido com rigor técnico, responsabilidade e, sobretudo, sem transformar a urgência de quem está doente em uma promessa de resultado que o processo judicial não pode assegurar. 



José dos Santos Santana Jr. - advogado especialista em Direito Empresarial e da Saúde e sócio do escritório Mariano Santana Sociedade de Advogados.


DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

Transplante é resultado de uma rede de cuidado

Nefrologista do Huap-UFF explica como diferentes equipes participam do processo de doação, transplante e acompanhamento dos pacientes pelo SUS

 

Um transplante começa muito antes da cirurgia e continua depois dela. Entre a identificação de um potencial doador e o acompanhamento de quem recebe um órgão, diferentes profissionais participam de uma jornada que envolve assistência, avaliações, exames, acolhimento e acompanhamento. Em conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, a HU Brasil mostra parte desse caminho e explica como a atuação integrada das equipes sustenta o processo de transplante no Sistema Único de Saúde (SUS). 

Essa jornada mobiliza profissionais que atuam diretamente na assistência aos pacientes, equipes responsáveis pela doação, serviços que realizam exames e equipes cirúrgicas. Também envolve estruturas encarregadas da articulação entre os hospitais e o sistema de transplantes. Em cada etapa, são realizados procedimentos específicos para viabilizar a doação e fazer com que o órgão chegue a quem aguarda por um transplante.
 

Do preparo para o transplante e acompanhamento depois da cirurgia

Para quem aguarda um transplante, a jornada começa com a avaliação da condição clínica e a preparação para o procedimento. No Hospital Universitário Antônio Pedro da Universidade Federal Fluminense (Huap-UFF), gerido pela HU Brasil, o professor da Nefrologia, Jocemir Lugon, atua no acompanhamento de pacientes que aguardam por um transplante renal. No Estado do Rio de Janeiro, segundo o médico, “pacientes que estão em programa de diálise são encaminhados pela clínica onde realizam o tratamento para um centro transplantador de referência. Nesse serviço, passam por avaliação com um nefrologista, que orienta sobre os riscos e benefícios do transplante renal e solicita os exames necessários”. 

Quando não há contraindicação, o paciente é inserido na lista única de espera da Central Estadual de Transplantes. Enquanto aguarda, permanece em acompanhamento regular com a equipe de nefrologia e realiza exames para avaliação de compatibilidade com possíveis doadores. A seleção considera critérios que incluem a compatibilidade entre doador e receptor. Quando ocorre a doação, pontuou Jocemir, “o processo entre a identificação do doador e a realização da cirurgia que, no caso, do Huap-UFF, é realizada pelos urologistas, geralmente se passam menos de 24 horas”. 

Depois do transplante e da alta hospitalar, o acompanhamento continua com a mesma equipe que participou do preparo. Nos primeiros meses, as consultas ocorrem em intervalos menores e, gradualmente, tornam-se mais espaçadas. A equipe acompanha a evolução clínica, prescreve os medicamentos, incluindo os imunossupressores usados para evitar a rejeição do órgão, e atua diante de possíveis complicações. “O maior risco são as infecções, pois os pacientes ficam com a imunidade muito reduzida, e há o risco de rejeição do órgão”, explica Jocemir. 

A nefrologia permanece como referência para o paciente, mas o cuidado envolve outras especialidades. A equipe cirúrgica realiza o procedimento e outros profissionais podem participar da avaliação e do acompanhamento, como cardiologistas e patologistas. Com a recuperação, o paciente deixa de depender da diálise e pode ter mais liberdade na alimentação, na ingestão de líquidos e nas viagens. Como orienta Jocemir, “Os principais cuidados são o uso regular dos imunossupressores e demais medicamentos, não deixar de fazer o acompanhamento regular e ter sempre a equipe que o acompanha como referência para qualquer problema ou dúvida relacionada à sua saúde”. 

A trajetória de cada paciente pode variar, mas o transplante envolve diferentes profissionais e etapas de cuidado, desde a avaliação e a espera pelo órgão até o acompanhamento após a cirurgia. Para quem recebe um novo órgão, esse processo também pode representar uma mudança na rotina e na qualidade de vida. Segundo Jocemir, “uma vez superada esta fase, a qualidade de vida fica muito melhor do que antes de transplantar”.

 

Huap-UFF


Canetas para emagrecer: por que a queda na balança não é o único indicador de sucesso

Além da redução do peso, acompanhamento deve avaliar alimentação, força, saúde metabólica e estratégias para manter os resultados 

 

A popularização de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro ampliou as possibilidades de tratamento da obesidade e trouxe novas perspectivas para pacientes que enfrentam dificuldades para perder peso. Ao mesmo tempo, o avanço dessas terapias levanta uma discussão importante: o que, de fato, caracteriza um tratamento bem-sucedido?


Para a nutróloga Dra. Ana Luísa Vilela Barbosa, a resposta não está apenas na balança. A avaliação precisa considerar a qualidade da alimentação, a preservação da força, a saúde metabólica e a existência de um plano para sustentar os resultados ao longo do tempo.


"As canetas ampliaram as possibilidades de tratar a obesidade, e maior acesso é uma boa notícia. Mas eu não considero um tratamento bem-sucedido só porque a balança caiu. Quero saber se a pessoa consegue comer adequadamente, se mantém força, como está sua saúde metabólica e se há um plano para sustentar o resultado", afirma.


Segundo a médica, a redução do peso é um dos indicadores acompanhados, mas não deve ser analisada isoladamente. Durante o tratamento, é importante observar como o paciente está se alimentando, se consegue manter uma rotina adequada e se há mudanças que possam comprometer sua composição corporal ou sua capacidade funcional.


A resposta aos medicamentos, as necessidades nutricionais e os objetivos de saúde variam entre os pacientes — o que exige acompanhamento individualizado, e não um protocolo padronizado de emagrecimento.


"A medicação é uma ferramenta importante; o acompanhamento é o que permite usá-la de acordo com as necessidades de cada paciente", completa. 


Com o crescimento do uso das chamadas canetas emagrecedoras, inclusive entre pessoas que buscam apenas resultados estéticos, a especialista defende que o foco esteja na indicação adequada, na avaliação clínica e na construção de um tratamento que considere não apenas quanto peso foi perdido, mas como o paciente está durante esse processo.



Excesso de açúcar aumenta risco de miopia em crianças

Depositphotos

· Pesquisa mostra que abusar de doces e carboidratos eleva em 41% a miopia na infância.

·  Oftalmologista explica como a boa alimentação, sol, uso correto de telas e novas tecnologias previnem a doença.

  

Um estudo publicado no Britsh Journal of Nutrition com 2.473 participantes entre 12 e 18 anos revela que o consumo abusivo de doces e carboidratos aumenta em 41% o risco de miopia. Pior:  O relatório 2026 da Federação Mundial de Obesidade aponta que no Brasil o sobrepeso e a obesidade atingem 40% das crianças e adolescentes com até 18 anos e é ainda mais frequente entre as de baixa renda pelo alto consumo de alimentos ultraprocessados ricos em gordura e carboidratos.

 

Como a alimentação influi na miopia

De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier e membro fundador da ABRACMO (Academia Brasileira de Controle da Miopia e Ortoceratologia) a esclera, parte branca do olho, funciona como arcabouço do globo ocular. O excesso de doces, carboidratos e ultraprocessados compromete o aporte de oxigênio, nutrientes e a circulação fluída do sangue em todo o globo ocular, incluindo a coroide responsável pela nutrição da esclera. O baixo fluxo sanguíneo e de oxigênio leva a três efeitos no branco do olho: menor   produção de colágeno, alteração do metabolismo e aumento de enzimas degradantes. Por isso a esclera enfraquece, se torna maleável e facilita o crescimento do olho acima do normal, principal característica fisiológica da miopia.

“O estudo é observacional e não permite concluir que a alimentação ou suplementação sozinhas revertam ou interrompam a miopia estabelecida, mas há indicações de que certos nutrientes, especialmente o ômega-3, antioxidantes e vitaminas específicas, podem modular fatores fisiológicos envolvidos na progressão, funcionando como coadjuvantes, não como tratamento isolado” afirma Queiroz Neto. 

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Efeitos do sol

A exposição ao sol de 1 a 2 horas/dia pode prevenir a progressão para a alta miopia, acima de 6, que pode causar: glaucoma, descolamento de retina,retinopatia miótica e degeneração macular. Isso explica porque o Japão adotou este ano recreio em espaços abertos nas escolas e já contabiliza uma pequena queda no número de crianças míopes.

Queiroz Neto afirma que isso acontece porque o sol tem um efeito crosslinking sobre a esclera que se torna mais rígida e impede o alongamento do olho característico da miopia. “Não quer dizer que a criança não vá se tornar míope, alerta. Mas a prática de atividades ao sol antes de se tornarem míopes pode prevenir a alta miopia acima de seis dioptrias, uma importante causa de glaucoma, descolamento de retina, catarata precoce, retinopatia e degeneração macular, condições que levamperda da visão.

 

Sinais da miopia

O oftalmologista ensina aos pais que quando a criança é míope apertar os olhos para enxergar à distância, aproxima-se da TV e tela do celular, tem queda no rendimento escolar, evita esportes em grupo, cai com frequência, tem dor de cabeça recorrente ao final do dia, mas nem sempre sabe distinguir que não enxerga bem por falta de referência.  Por isso, toda criança deve ter acompanhamento oftalmológico. “Enxergar mal dificulta em 50%% o aprendizado mostrou um levantamento com 36 mil crianças realizado no hospital”, afirma, 

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O risco das telas

O uso de telas é, sem dúvida, um importante fator de risco da miopia, especialmente até a idade de 8 anos, quando o olho completa seu desenvolvimento. Um estudo conduzido no hospital por Queiroz Neto   com 360 crianças de 6 a 10 anos mostra que o excesso de esforço visual para perto nas telas causa espasmo nos músculos ciliares que movimentam o cristalino para alternar o foco nas várias distâncias e leva à miopia acomodativa.  É diferente da miopia patológica em que o eixo da visão cresce. Pelo fato de os olhos estarem em desenvolvimento pode ser revertido com mudança de hábito. Seguir a regra 20/20/20 pode reverter o a miopia acomodativa . Isso porque, a cada 20 minutos diante da tela, os olhos descansam olhando para um ponto a 20 pés de distância ou 6 metros, por 20 segundos. Esta alternância de foco permite o relaxamento dos músculos ciliares e recompõe a capacidade da criança enxergar em todas as distâncias.


Novos tratamentos

Queiroz Neto afirma que a explosão da miopia no mundo abriu uma nova fase no tratamento com a introdução de lentes de contato, óculos e lentes ortoceratológicas que aplanam a córnea durante noite e dispensam correção da visão durante o dia, de óculos que têm a proposta de controlar a progressão da miopia para preservar a saúde ocular de crianças e adolescentes. Estes tratamentos podem ser utilizados em conjunto com colírio de atropina diluído a 0,01, ou não. “Invés de se limitarem a corrigir a miopia tratam a doença fazendo com que as imagens se formem encima da retina, não à frente dela como acontece na miopia”, explica. Em 12 anos houve uma grande evolução nas diversas plataformas. Tanto que já temos óculos que além de corrigir a miopia também corrigem aberrações visuais, pequenas imperfeições que impedem uma visão clara. O sucesso do tratamento depende de:

·       Adesão do paciente que deve usar a lente entre 10 e 12 horas/dia;

·       Adotar em frente ao computador ou celular a regra 20/20/20 para não estressar os olhos.

·        Passar por acompanhamento oftalmológico semestral. O tratamento para conter a progressão da miopia previne doenças oculares graves que podem causar dependência permanente das crianças na idade adulta por falta de visão, conclui. 


Estudo do Einstein aponta estratégia para antecipar cuidados e prevenir a perda muscular em pacientes com câncer

Avaliação simples realizada na admissão hospitalar permite intervenções nutricionais e metabólicas mais precoces e personalizadas 

 

Pesquisadores do Einstein Hospital Israelita identificaram que a combinação de dois marcadores clínicos avaliados logo na admissão hospitalar pode ajudar na identificação precoce de pacientes com câncer mais vulneráveis a complicações e internações prolongadas. Obtidos por exames simples e de baixo custo, esses indicadores permitem antecipar intervenções nutricionais e metabólicas, contribuindo para evitar a perda de massa muscular e a piora do quadro clínico. Os resultados foram apresentados na ASCO Annual Meeting 2026, um dos principais congressos internacionais de oncologia.

Pacientes com câncer internados frequentemente apresentam desnutrição e um estado de desgaste metabólico que leva ao consumo acelerado de proteínas e músculos, comprometendo a recuperação e aumentando o risco de complicações. Para avaliar se esse quadro pode ser identificado mais agilmente, pesquisadores do Einstein analisaram dois marcadores obtidos por exames de rotina assistencial: a relação ureia/creatinina (UCR), calculada a partir de um exame de sangue e associada ao consumo de massa muscular, e o ângulo de fase (PhA), medido por bioimpedância e utilizado para avaliar a integridade celular e o estado nutricional do paciente.

“Os dois marcadores oferecem informações complementares. Enquanto a relação ureia/creatinina esteve associada ao risco de internação prolongada, o ângulo de fase forneceu uma visão mais ampla sobre as condições clínicas e nutricionais do paciente. Quando avaliados em conjunto, eles ampliam a capacidade de estratificar riscos e compreender diferentes aspectos da condição do paciente durante a internação", destaca o Dr. Gustavo Schvartsman, oncologista do Einstein Hospital Israelita e um dos autores do estudo.

O estudo acompanhou 104 pacientes adultos internados e mostrou que pacientes com níveis elevados de UCR apresentaram frequência significativamente maior de internação prolongada do que aqueles com valores normais (44,8% versus 15,4%). Já o PhA esteve associado ao risco de mortalidade hospitalar, indicando que valores mais baixos podem refletir pior estado nutricional e maior vulnerabilidade clínica.

"Em oncologia, a perda de massa muscular está associada a maior toxicidade dos tratamentos e menor capacidade de manter o planejamento terapêutico. O aspecto inovador deste estudo é mostrar que marcadores já disponíveis na rotina assistencial podem ajudar a reconhecer esses pacientes mais cedo e mobilizar uma atuação integrada de diferentes profissionais, como médicos, nutricionistas, fisioterapeutas e educadores físicos, com o objetivo de preservar a funcionalidade e apoiar melhores condições para o tratamento", explica o Dr. Diogo Oliveira Toledo, um dos principais autores do estudo.

Os achados reforçam a importância de uma avaliação abrangente dos pacientes com câncer desde o início da internação. A combinação desses marcadores representa uma ferramenta adicional para identificar diferentes níveis de vulnerabilidade, apoiando o planejamento de cuidados mais direcionados e personalizados.


Sedentarismo entre os jovens pode aumentar risco de doenças cardíacas no futuro

Dados da OMS revelam que adolescentes precisam praticar mais atividades físicas, e especialista alerta que a prevenção cardiovascular deve começar ainda nos primeiros anos de vida


Mais de 80% dos adolescentes em todo o mundo não praticam atividade física suficiente para manter a saúde, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A recomendação da entidade é que crianças e adolescentes realizem pelo menos 60 minutos diários de atividade física.

 

Ao mesmo tempo, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) alerta que a inatividade física está entre os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes e obesidade. Pessoas sedentárias apresentam risco de morte entre 20% e 30% maior do que aquelas que mantêm níveis adequados de atividade física.

 

Diante desse cenário, a médica cardiologista Fernanda Douradinho chama atenção para a necessidade de iniciar a prevenção cardiovascular ainda na infância.O sedentarismo entre crianças e adolescentes têm impacto direto na saúde presente e futura.

 

“O sedentarismo na infância e na adolescência pode ter consequências que acompanham o indivíduo até a vida adulta. A falta de atividade física favorece o ganho de peso, o aumento da pressão arterial, alterações do colesterol e maior risco de resistência à insulina e diabetes”, explica.

 

Os hábitos adquiridos durante essa fase tendem a ser levados para o resto da vida. Uma criança ou adolescente sedentário pode chegar à idade adulta já acumulando fatores de risco para doenças cardiovasculares. A prevenção precisa começar cedo. Estimular o movimento e a atividade física desde a infância é uma forma de cuidar do coração não apenas hoje, mas também no futuro.

 

O crescimento do tempo de tela, a redução das atividades ao ar livre, a piora da qualidade do sono e a alimentação baseada em produtos ultraprocessados estão entre os fatores que preocupam os especialistas.

 

“O que mais preocupa é observarmos cada vez mais cedo fatores de risco que antigamente eram associados principalmente aos adultos. Crianças e adolescentes podem apresentar excesso de peso e obesidade, pressão arterial elevada, alterações do colesterol, resistência à insulina e até diabetes tipo 2”, afirma Fernanda.


 

Doenças do coração começam antes dos sintomas

 

A crença de que doenças cardiovasculares são um problema exclusivo da terceira idade já não corresponde à realidade. Embora infartos, AVCs e outras complicações sejam mais frequentes em pessoas mais velhas, a construção do risco cardiovascular inicia-se muito antes.

 

As doenças cardiovasculares geralmente se manifestam clinicamente na vida adulta, mas o processo que leva a elas pode começar muito antes. A Dra. Fernanda Douradinho faz um alerta para a mudança do estilo de vida das novas gerações que mudou bastante. “Temos mais tempo de tela, menos brincadeiras e atividades ao ar livre, maior consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas, além de alterações na qualidade do sono”.

 

O mais importante é transformar hábitos saudáveis em parte da rotina familiar. Incentivar crianças e adolescentes a se movimentarem diariamente, praticarem esportes, brincarem ao ar livre e reduzirem o tempo sedentário diante das telas é fundamental.

  

Fernanda Douradinho da Rocha Silva - médica cardiologista, formada em 2007 pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos (Centro Universitário Lusíadas). Realizou residência em Clínica Médica (2008–2010) e Cardiologia (2010–2012) no Hospital Ana Costa, em Santos. Possui título de especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia desde 2013. Atualmente, atua como médica diarista nas Unidades de Terapia Intensiva de Cardiologia do Hospital Guilherme Álvaro, e também coordenadora da UTI cardiológica do Hospital Guilherme Álvaro, professora da disciplina de Urgência e Emergência da Faculdade de Medicina da UNAERP e mantém seu consultório de cardiologia na Av. Ana Costa, em Santos.


Outubro Rosa: Brasil realiza menos de um quarto das mamografias estimadas para o rastreamento do câncer de mama

 

Dados do INCA mostram que volume de exames corresponde a cerca de 21% da necessidade anual; barreiras de acesso e adiamento do cuidado ainda dificultam a detecção precoce

 

O câncer de mama continua entre os principais desafios de saúde para as mulheres brasileiras. A cada ano do triênio 2026-2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos da doença no país, o equivalente a 30% dos cânceres que devem acometer a população feminina, com exceção dos tumores de pele não melanoma. 

Nesse cenário, a mamografia tem papel central na detecção precoce. O exame é utilizado para identificar alterações suspeitas em mulheres sem sinais ou sintomas e, quando realizado dentro da estratégia de rastreamento indicada para a população, está associado à redução da mortalidade por câncer de mama. 

No entanto, os dados mais recentes consolidados pelo INCA sobre a produção de mamografias mostram um descompasso entre o volume realizado e a necessidade estimada. Em 2024, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 2,65 milhões de mamografias de rastreamento em mulheres de 50 a 69 anos, diante de uma necessidade anual estimada de aproximadamente 12,5 milhões de exames, uma relação equivalente a cerca de 21%. No Sudeste, o índice chegou a 24% da necessidade estimada para a região. 

A comparação é baseada no parâmetro utilizado para o rastreamento da população de 50 a 69 anos à época da produção dos dados. Desde setembro de 2025, o Ministério da Saúde passou a recomendar a mamografia de rastreamento a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos, ampliando a faixa etária prioritária. 

“É importante ressaltar que os números são uma estimativa didática, e não representam a taxa oficial de cobertura do rastreamento nem o número de mulheres únicas examinadas, já que uma mesma mulher pode realizar exames em anos diferentes. Ainda assim, ajudam a dimensionar o desafio de ampliar a realização periódica da mamografia”, explica o mastologista do Hcor, Dr. Afonso Nazário.

 

Por que a mamografia fica para depois? 

A realização da mamografia é influenciada por fatores como acesso aos serviços, condições socioeconômicas, escolaridade e informação. Segundo o INCA, também pesam dificuldades para conseguir atendimento e dar continuidade à investigação quando há alguma alteração.

“Medo, desconhecimento e adiamento do próprio cuidado podem contribuir para postergar o exame, mas ampliar a detecção precoce depende de uma combinação de informação, acesso e continuidade da assistência, e não apenas da decisão individual”, destaca.

 

Diagnóstico precoce faz diferença 

Quanto mais cedo o câncer de mama é identificado, maiores podem ser as possibilidades de tratamento, com abordagens potencialmente menos agressivas e mais efetivas. Segundo o INCA, cerca de 40% dos casos diagnosticados no Brasil ainda estão em estágios avançados. 

“A mamografia de rastreamento permite identificar alterações antes do surgimento de sintomas. Por isso, além de manter o acompanhamento indicado, é importante procurar avaliação médica diante de sinais como nódulo persistente, secreção sanguinolenta pelo mamilo, retração da pele ou do mamilo e alterações no formato da mama”, recomenda.

 

Novo tratamento por crioablação 

O diagnóstico em estágio inicial pode ampliar as alternativas de tratamento, entre elas técnicas minimamente invasivas como a crioablação, que utiliza ciclos controlados de congelamento e descongelamento para destruir o tumor. 

No Hcor, o Estudo SIX, realizado em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), avalia se a técnica é não inferior à cirurgia convencional no tratamento do câncer de mama. O ensaio clínico prevê 330 participantes até fevereiro de 2027 e inclui pacientes maiores de 18 anos com carcinoma invasivo de mama em estágio inicial, conforme os critérios definidos pelo protocolo. 

Dados preliminares de um protocolo anterior, chamado estudo FIRST, realizado com 60 pacientes por meio de uma parceria entre Hcor, UNIFESP e Einstein, mostraram que a técnica alcançou a eliminação completa do tumor em 97,9% dos casos iniciais, chegando a 100% de sucesso em tumores de até 2 centímetros. 

Pacientes que atendam aos critérios podem consultar as condições de participação no site do Hcor Clinical Research.

 

Hcor


Aumenta o número de mulheres que desconhecem as formas de prevenção ao câncer de mama, aponta levantamento do A.C.Camargo com a Nexus

Divulgada no Outubro Rosa, a pesquisa mostra que quem é melhor informada adota mais práticas de cuidado com a saúde das mamas, mas renda e acesso ainda fazem diferença


A parcela de mulheres brasileiras que diz não conhecer as formas de prevenção ao câncer de mama subiu de 25% para 29% desde 2024, segundo a pesquisa “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e uso de tecnologia em diagnósticos médicos”, do A.C.Camargo Cancer Center e da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, que ouviu 1.038 mulheres, dentro da amostra total de 2.015 pessoas em todo o país.

Os números de 2024 vêm de uma pesquisa semelhante realizada naquele ano, que serve de base de comparação para os resultados de 2026. O grupo que declara conhecer os métodos ficou praticamente igual, em 58% contra 59% na edição anterior. Quem se deslocou foram as mulheres que antes davam uma resposta intermediária, parcela que recuou de 16% para 11%. Na prática, a dúvida virou desconhecimento assumido.

Outro fator que chama a atenção é a diferença entre saber e não saber, que aparece diretamente no comportamento. Entre as mulheres que dizem conhecer as formas de prevenção, 80% já realizaram o autoexame das mamas por toque. Entre as que dizem não conhecer, são 30%, quase três vezes menos. A distância se repete na mamografia, 65% contra 35%, e fica ainda mais evidente na ponta oposta: 12% das mulheres que conhecem os métodos nunca fizeram nenhum dos dois exames, contra 55% das que não conhecem.

“O cuidado com a mama se apoia em duas necessidades que caminham juntas”, explica a Dra. Fabiana Makdissi, líder do Centro de Referência em Tumores da Mama do A.C.Camargo Cancer Center. “A prevenção passa por hábitos de vida, como manter o peso adequado, praticar atividade física e evitar álcool e tabaco. Já o diagnóstico precoce depende do autoconhecimento do corpo e da mamografia de rotina a partir dos 40 anos, e é ele que muda o desfecho do tratamento”, afirma.

Para se ter uma ideia, a taxa de sobrevida global em cinco anos chega a 96% entre as pacientes diagnosticadas em estádio I, segundo levantamento do A.C.Camargo Cancer Center de 2025 com base no Registro Hospitalar de Câncer (RHC).

A renda separa quem se cuida

O corte por renda familiar mostra uma escada. O autoexame vai de 51% entre as mulheres com renda de até um salário mínimo a 88% entre as de renda acima de cinco salários. O conhecimento das formas de prevenção acompanha o mesmo movimento, de 49% a 79%. São 37 pontos percentuais de diferença na prática e 30 pontos na informação, separando os dois extremos da pirâmide de renda.

SUS e rede privada

A distância também aparece no tipo de atendimento. Entre as mulheres que usam o SUS, 56% dizem conhecer as formas de prevenção ao câncer de mama. Entre as atendidas pela rede privada, 69%. São 13 pontos percentuais que se somam às barreiras de acesso à rede de diagnóstico, já que a informação costuma chegar pelos mesmos canais que oferecem o exame.

“Informação é o que separa a mulher que se cuida da que não se cuida. Entre as que dizem conhecer as formas de prevenção, 80% já fizeram o autoexame. Entre as que não conhecem, 30%. E essa diferença não está distribuída por igual, ela é maior onde a renda é menor e onde o acesso à rede de diagnóstico é mais difícil”, analisa a Dra. Fabiana Makdissi.

“Prevenção e diagnóstico precoce são necessidades diferentes e igualmente importantes: uma está nos hábitos de vida, a outra na mamografia a partir dos 40 anos”, diz.


Os números do Outubro Rosa na pesquisa do A.C.Camargo e da Nexus

Base: Em 2026, 1.038 mulheres foram entrevistadas, dentro da amostra total de 2.015 pessoas. Comparativo com a pesquisa semelhante de 2024 onde indicado.


58% conhecem, 11% mais ou menos e 29% não conhecem. Em 2024, eram 59%, 16% e 25%.

62% já fizeram o autoexame, 54% já fizeram mamografia e 27% nunca fizeram nenhum dos dois. Em 2024, eram 59%, 53% e 28%.

Entre quem conhece os métodos: 80% fizeram o autoexame, 65% fizeram mamografia e 12% não fizeram nenhum exame. Entre quem não conhece: 30% fizeram o autoexame, 35% fizeram mamografia e 55% não fizeram nenhum exame.


Autoexame: 51% até 1 salário mínimo, 56% de 1 a 2 salários, 71% de 2 a 5 salários e 88% acima de 5 salários. Conhecimento: 49% até 1 salário mínimo, 51% de 1 a 2 salários, 67% de 2 a 5 salários e 79% acima de 5 salários.



SUS: 56% conhecem, 11% mais ou menos e 31% não conhecem. Rede privada: 69% conhecem, 12% mais ou menos e 19% não conhecem.

 

A.C.CAMARGO CANCER CENTER
https://www.nexus.fsb.com.br/estudos-divulgados/aumenta-o-numero-de-mulheres-que-desconhecem-as-formas-de-prevencao-ao-cancer-de-mama-aponta-levantamento-do-a-c-camargo-com-a-nexus/


Menos peso, menos gordura visceral e melhor controle do diabetes: conheça os novos dados da survodutida

Survodutida, da Boehringer Ingelheim, alcança média de 13,1% de perda de peso em pessoas vivendo com obesidade ou sobrepeso e Diabetes tipo 2 em novo estudo de Fase III, juntamente com melhorias significativas no controle glicêmico e demais marcadores de saúde metabólica


  • No estudo SYNCHRONIZE-2, trial positivo, que atingiu seus desfechos coprimários, os participantes alcançaram uma redução significativa do peso corporal média de 13,1%, em comparação com 3,1% no grupo placebo, após 76 semanas de tratamento com survodutida em pessoas com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2, uma população na qual a perda de peso é tipicamente mais desafiadora. ¹
  • Os resultados detalhados do estudo de Fase III indicam que survodutida melhora os principais marcadores de saúde cardiometabólica, incluindo uma redução de média de 1,21% na HbA1c, a partir de um valor basal de 7,4%, além de melhorias na circunferência da cintura e na sensibilidade à insulina, reforçando as evidências sobre seu potencial para atuar sobre os mecanismos metabólicos à obesidade e ao diabetes tipo 2 que vão além de kilos perdidos. ¹
  • Os resultados foram apresentados na 62ª Reunião Anual da European Association for the Study of Diabetes (EASD) e publicados simultaneamente no The New England Journal of Medicine. Também foram apresentados novos achados de uma subanálise de composição corporal do SYNCHRONIZE-1.¹˒²˒³


A Boehringer Ingelheim anunciou resultados positivos do estudo de Fase III SYNCHRONIZE-2, que investiga o agonista duplo dos receptores de glucagon e GLP-1, survodutida (BI 456906) em adultos que vivem com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2 (DM2).¹ O estudo atingiu seus desfechos coprimários, que foram a variação percentual do peso corporal em relação ao valor basal e a redução do peso corporal ≥5% em relação ao valor basal¹. Após 76 semanas de tratamento com survodutida, observou-se perda de peso de 13,1%, em média, uma redução estatisticamente significativa em comparação com 3,1% no braço placebo (pEuropean Association for the Study of Diabetes e publicados simultaneamente no The New England Journal of Medicine.¹˒² 

Além da perda de peso, os resultados dos principais desfechos secundários mostraram que os adultos tratados com survodutida apresentaram melhorias em importantes marcadores de saúde cardiometabólica.¹ Isso incluiu melhora significativa no controle da glicemia, com redução de até 1,21% na HbA1c, em comparação com redução de 0,03% no braço placebo (p)

“Obesidade e diabetes tipo 2 estão profundamente interligados, com o excesso de peso aumentando o risco de DM2. Para as pessoas que vivem com essas condições, a perda de peso sustentada muitas vezes representa uma dificuldade biológica, e não falta de força de vontade”, afirmou o Dr. Sean Wharton, M.D., PharmD, Investigador Coordenador do estudo SYNCHRONIZE-2. “Esses resultados são encorajadores porque, na medicina da obesidade, os profissionais de saúde reconhecem cada vez mais a necessidade de abordar, de forma conjunta, várias condições de saúde interconectadas. Observar melhorias no controle glicêmico e na sensibilidade à insulina juntamente com a perda de peso e demais parâmetros cardiometabólicos, oferece evidências de que o enfrentamento da obesidade pode influenciar positivamente a saúde metabólica de forma mais ampla. Isso traz uma nova perspectiva de otimismo para as pessoas que buscam maneiras mais eficazes de melhorar sua saúde como um todo.”  

O DM2 e a obesidade são condições metabólicas interrelacionadas, nas quais o fígado desempenha papel central na regulação e progressão da doença.⁵˒⁶ Survodutida, um agonista duplo dos receptores de glucagon/GLP-1 (GCGR), foi desenvolvido para atuar em diversos fatores metabólicos subjacentes, melhorando o controle glicêmico, reduzindo o apetite e contribuindo para a redução da gordura hepática e gordura visceral, aquela mais relacionada ao risco cardiovascular.⁷˒⁸˒⁹ O mecanismo duplo de survodutida pode ajudar a melhorar a sensibilidade à insulina e o controle da glicose por meio de seus efeitos na redução da gordura hepática e redução de gordura prendominantemente abdominal.⁷˒¹⁰. É importante reforçar que Survodutida ainda não está aprovada para uso pela agência regulatória, e esse ano mais resultados de outros estudos clinicos com Survodutida serão divulgados. 

“O crescente conjunto de evidências do nosso programa de fase III SYNCHRONIZE continua ampliando nossa compreensão sobre o potencial de survodutida em pessoas que vivem com obesidade, incluindo aquelas com diabetes tipo 2. Os resultados do SYNCHRONIZE-2 demonstram uma perda de peso significativa acompanhada de melhorias no controle glicêmico e em outros marcadores chave da saúde metabólica com perfil lipídico, cintura abdominal e marcadores inflamatórios, reforçando nossa convicção de que a obesidade deve ser tratada como uma doença crônica complexa, com consequências interconectadas para a saúde”, afirmou Shashank Deshpande, presidente do Conselho de Diretores Executivos e líder de Saúde Humana da Boehringer Ingelheim. “Continuamos comprometidos em avançar com abordagens inovadoras de tratamento que atendam às diversas necessidades das pessoas que vivem com obesidade, em vários estágios da doença e perfis de risco.” 

Como esperado para terapias baseadas em GLP-1 e em linha com estudos anteriores de survodutida, os eventos adversos mais frequentemente relatados no SYNCHRONIZE-2 foram eventos gastrointestinais, em sua maioria de intensidade leve a moderada.¹ Os eventos mais frequentes incluíram náusea, vômito, diarreia e constipação.¹

Análises adicionais de um subestudo do SYNCHRONIZE-1 em pessoas que vivem com obesidade sem DM2 foram apresentadas juntamente com os resultados do SYNCHRONIZE-2.³ Avaliações da composição corporal por ressonância magnética reforçaram o perfil de atuação de survodutida sobre a gordura, demonstrando reduções preferenciais da gordura visceral abdominal, aquela metabolicamente ativa e da gordura hepática.³ O padrão geral de mudança da composição corporal sugere uma alteração favorável, com menor acúmulo excessivo de gordura na região abdominal.³ Complementando os achados sobre massa magra anteriormente relatados,¹³ uma nova análise específica de músculo mostrou que survodutida tem uma tendência a preservar a massa muscular, que não representou mais que 10% do tecido total perdido, resultados não vistos até então.³ 

Em conjunto, os achados do SYNCHRONIZE sugerem que survodutida pode contribuir para abordar diversas dimensões da disfunção metabólica, promovendo perda de peso e melhorias glicêmicas, ao mesmo tempo em que reduz a gordura visceral e hepática prejudicial. Além disso, a redução do tecido adiposo foi maior do que a perda de massa corporal magra, indicando que a maior parte da redução do peso corporal foi atribuída à perda de tecido adiposo e abdominal.¹³ 

A Boehringer Ingelheim mantém um amplo programa de desenvolvimento de survodutida, que abrange obesidade e condições metabólicas relacionadas, como MASH (Esteatohepatite associada a disfunção metabólica) e DM2.¹¹˒¹²˒¹4-20.
A Boehringer Ingelheim espera apresentar, ainda este ano, os resultados do estudo de desfechos cardiovasculares SYNCHRONIZE-CVOT, o que contribuirá para esclarecer o perfil de segurança cardiovascular da survodutida e ampliar a compreensão sobre seu papel no contínuo mais amplo das doenças cardiometabólicas.¹⁷
 

Notas aos editores | Sobre obesidade e sobrepeso

Mais de um bilhão de pessoas no mundo vivem atualmente com obesidade (uma em cada oito pessoas) e, até 2030, esse número poderá ser mais que o dobro do registrado em 2010.²¹ Sobrepeso e obesidade são condições crônicas complexas que envolvem acúmulo anormal ou excessivo de gordura e representam risco à saúde geral.²²
 

Sobre survodutida (BI 456906)

Survodutida é um agonista duplo dos receptores de glucagon e GLP-1 que ativa tanto o receptor de glucagon quanto o de GLP-1, que desempenham papel no controle das funções metabólicas.⁷˒⁹˒²³ Trata-se de um agente investigacional, ainda não aprovado para uso. Está sendo avaliado em um amplo programa de desenvolvimento clínico de fase III, incluindo os estudos SYNCHRONIZE para pessoas que vivem com sobrepeso ou obesidade,¹⁴-¹⁹ os estudos LIVERAGE para pessoas que vivem com MASH e Cirrose,¹¹˒¹² e o SYNCHRONIZE-T2D para adultos com DM2.²⁰

O potencial de survodutida para tratar adultos com MASH não cirrótica e fibrose moderada ou avançada (estágios 2 ou 3) foi reconhecido pelo FDA dos Estados Unidos, que concedeu:

  • designação Fast Track em maio de 2021;²⁴
  • designação de Breakthrough Therapy em setembro de 2024.²⁵

O potencial de survodutida para tratar adultos com MASH e fibrose também foi reconhecido por:

  • Agência Europeia de Medicamentos (EMA), por meio da aceitação no programa PRIME em novembro de 2023;²⁶
  • Centro de Avaliação de Medicamentos da Administração Nacional de Produtos Médicos da China (NMPA), que concedeu a designação de Breakthrough Therapy em junho de 2024;
  • Administração de Alimentos e Medicamentos de Taiwan, que concedeu a designação de Breakthrough em setembro de 2024.

Survodutida foi licenciada à Boehringer Ingelheim pela Zealand Pharma, sendo a Boehringer a única responsável por seu desenvolvimento e comercialização global. Survodutida integra o portfólio de pesquisa e desenvolvimento da Boehringer Ingelheim nas áreas de doenças cardiovasculares, renais e metabólicas.
 

Sobre o estudo SYNCHRONIZE-2 (NCT06066528)

Este é um estudo de Fase III, duplo-cego, controlado por placebo, com 76 semanas de duração, que avalia a eficácia e a segurança de survodutida em 755 adultos que vivem com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2.¹⁵ Os participantes receberam uma injeção semanal de survodutida na dose de 3,6 mg ou 6,0 mg, ou placebo.¹⁵ Os desfechos coprimários são a variação percentual do peso corporal entre o valor basal e a semana 76 e a obtenção de redução do peso corporal ≥5% entre o valor basal e a semana 76.¹⁵

Há 22 desfechos secundários, incluindo a obtenção de reduções do peso corporal ≥10%, ≥15% e ≥20%, além das alterações absolutas entre o valor basal e a semana 76 em:¹⁵

  • Peso corporal total (Kg)
  • Hemoglobina glicada A1c (HbA1c)
  • Circunferência da cintura (cm)
  • Pressão arterial
  • Desfecho relatado pelo paciente sobre comportamento alimentar (questionário de padrão alimentar)
  • Índice de massa corporal (IMC)
  • Glicemia plasmática de jejum (GPJ)


Sobre o programa SYNCHRONIZE

Survodutida foi avaliada em outros três estudos globais de fase III para pessoas que vivem com sobrepeso ou obesidade:

  • SYNCHRONIZE-1incluiu adultos com obesidade ou sobrepeso sem diabetes tipo 2.¹⁴
  • SYNCHRONIZE-MASLD incluiu adultos obesos ou com sobrepeso e diagnóstico confirmado, presumido ou sob risco de MASH.¹⁶
  • SYNCHRONIZE-CVOT incluiu adultos obesos ou com sobrepeso e doença cardiovascular, doença renal crônica ou fatores de risco para doença cardiovascular.¹⁷

Survodutida também foi investigada em dois estudos de Fase III conduzidos em mercados específicos:

  • SYNCHRONIZE-JP, no Japão, e SYNCHRONIZE-CN, na China, avaliam survodutida em subpopulações de pessoas que vivem com obesidade/sobrepeso.¹⁸˒¹⁹
  • O SYNCHRONIZE-JP avalia, como desfecho secundário, a variação relativa da gordura hepática e dos parâmetros de composição corporal entre o valor basal e a semana 76 com survodutida versus placebo.¹⁸

Como parte do programa mais amplo de evidências, estão em desenvolvimento estudos de Fase IIIb para abordar necessidades médicas não atendidas em pessoas que vivem com obesidade/sobrepeso e aspectos do cuidado no mundo real, incluindo:

  • SYNCHRONIZE-HERA avaliará survodutida na saúde da mulher.
  • ELEVATE-LIVER avaliará o impacto de survodutida na preservação da função e da estrutura cardíacas em pessoas que vivem com esteatose hepática associada à disfunção metabólica (MASLD) ou esteatohepatite associada à disfunção metabólica (MASH) em estágio inicial.
  • SYNCHRONIZE-START examinará abordagens de titulação no mundo real, incluindo o início do tratamento e a troca a partir de agonistas do receptor de GLP-1, com foco na tolerabilidade.


Sobre o SYNCHRONIZE-T2D

O SYNCHRONIZE-T2D investigará o efeito de survodutida na melhora do controle glicêmico em adultos com DM2 que controlam a condição apenas com dieta e exercícios ou em combinação com medicamentos para diabetes, incluindo insulina.²⁰
 

Sobre LIVERAGE e LIVERAGE-Cirrhosis

LIVERAGE e LIVERAGE-Cirrhosis são estudos clínicos globais de Fase III que investigam a eficácia e a segurança de survodutida em adultos com MASH e fibrose nos estágios 2 ou 3 e naqueles com cirrose compensada por MASH (fibrose em estágio 4), respectivamente.¹¹˒¹²

O LIVERAGE incluirá aproximadamente 1.800 adultos, e o LIVERAGE-Cirrhosis, aproximadamente 1.590 adultos. Em cada estudo, os participantes são randomizados para receber injeções semanais de survodutida, até a dose máxima, ou placebo.¹¹˒¹²
 

 

Referências 

1. Wharton, S. “Efficacy and safety of survodutide, a novel GCG/GLP-1 receptor dual agonist, for treatment of people with obesity and T2D: primary data from the SYNCHRONIZE™-2 trial”. Apresentação oral na EASD 2026, Milão, Itália. 1º de outubro de 2026.

2. Wharton S, le Roux CW, Startseva E, et al. Survodutide Once Weekly in Adults with Obesity and Type 2 Diabetes. N Engl J Med 2026; DOI: 10.1056/NEJMoa2607219.

3. Pietiläinen, K. “Metabolic benefits of glucagon receptor/GLP-1 receptor dual agonism beyond weight reduction: additional insights from the SYNCHRONIZE™-1 phase 3 clinical trial”. Apresentação oral na EASD 2026, Milão, Itália. 1º de outubro de 2026.

4. Ness-Abramof R, Apovian CM. Nutr Clin Pract. 2008 Aug-Sep;23(4):397-404.

5. Ndumele C, et al. Circulation. 2023;148(20):1606-1635.

6. Handelsman Y, et al. Metabolism. 2024;159:155931.

7. Arun A, et al. Cardiology in Review. Survodutide: A Dual GLP-1/Glucagon Agonist Reshaping Cardiometabolic Care. Último acesso: setembro de 2026.

8. Shah M, Vella A. Rev Endocr Metab Disord. 2014;15(3):181-187.

9. Sanyal AJ, et al. N Engl J Med. 2024;391(4):311-319.

10. Jiang G, Zhang BB. Glucagon and regulation of glucose metabolism. Am J Physiol Endocrinol Metab. 2003 Apr;284(4):E671-8.

11. ClinicalTrials.gov. LIVERAGE™ (NCT06632444). Último acesso: setembro de 2026.

12. ClinicalTrials.gov. LIVERAGE™-Cirrhosis (NCT06632457). Último acesso: setembro de 2026.

13. Le Roux CW, et al. Survodutide Once Weekly for the Treatment of Adults with Obesity. N Engl J Med. 2026. doi: 10.1056/NEJMoa2600751.

14. ClinicalTrials.gov. SYNCHRONIZE™-1 (NCT06066515). Último acesso: setembro de 2026.

15. ClinicalTrials.gov. SYNCHRONIZE™-2 (NCT06066528). Último acesso: setembro de 2026.

16. ClinicalTrials.gov. SYNCHRONIZE-MASLD (NCT06309992). Último acesso: setembro de 2026.

17. ClinicalTrials.gov. SYNCHRONIZE™-CVOT (NCT06077864). Último acesso: setembro de 2026.

18. ClinicalTrials.gov. SYNCHRONIZE™-JP (NCT06176365). Último acesso: setembro de 2026.

19. ClinicalTrials.gov. SYNCHRONIZE™-CN (NCT06214741). Último acesso: setembro de 2026.

20. ClinicalTrials.gov. SYNCHRONIZE-T2D (NCT07754461). Último acesso: setembro de 2026.

21. World Heart Federation. Obesity. 2015. Último acesso: setembro de 2026.

22. Bray A, et al. Obes Rev. 2017;18:715-723.

23. Novikoff A. Peptides. 2023;165:171003.

24. Boehringer Ingelheim. Fast Track designation for investigational treatment for NASH. Último acesso: maio de 2026.

25. Boehringer Ingelheim. FDA Breakthrough Therapy designation and Phase III trials in MASH for survodutide. Último acesso: maio de 2026.

26. European Medicines Agency. List of medicines currently in PRIME scheme. Dezembro de 2023. Último acesso: setembro de 2026.

* O estimando de regime de tratamento é o efeito estimado do tratamento, independentemente de o paciente aderir ao tratamento, descontinuá-lo ou iniciar outras terapias.

† O estimando de eficácia é o efeito estimado do tratamento supondo que os pacientes tenham permanecido em tratamento durante toda a duração do estudo.

‡ Os valores de p do estimando de eficácia são nominais.

 

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