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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Vai comprar ou vender um carro? Veja os principais riscos das negociações entre particulares

 

A compra ou venda de veículos diretamente entre pessoas físicas pode parecer um caminho mais simples e econômico, mas também exige atenção redobrada. Com o crescimento do mercado de carros usados e das negociações feitas pela internet, os golpes nesse tipo de transação se tornaram cada vez mais comuns no Brasil.

De acordo com um levantamento, mais de 90 mil golpes foram registrados na compra e venda de veículos online no país em 2023, gerando um prejuízo estimado de R$ 2,7 bilhões aos brasileiros. Os casos envolvem desde anúncios falsos até fraudes em pagamentos e intermediações indevidas.

O problema ganha ainda mais relevância diante do tamanho desse mercado. Segundo dados da Fenauto, o Brasil registrou mais de 15 milhões de transferências de veículos usados em 2024, o maior volume dos últimos anos. Com tantas negociações acontecendo diariamente, especialistas alertam que a informalidade ainda abre espaço para práticas fraudulentas.

Para Alan Ladeia, especialista no setor automotivo e CEO da Carflix, a falta de conhecimento sobre as etapas da negociação costuma ser um dos principais fatores que favorecem os golpes. “Quando a negociação acontece diretamente entre pessoas físicas, muitas vezes faltam mecanismos de verificação e etapas de segurança que ajudariam a evitar problemas. Por isso, é fundamental ter atenção redobrada com documentação, pagamentos e histórico do veículo”, afirma.

Segundo o especialista, muitos consumidores têm buscado alternativas mais estruturadas para realizar esse tipo de transação, justamente para reduzir riscos. “Hoje existem empresas e plataformas especializadas que ajudam a organizar esse processo, oferecendo checagem de dados, histórico do veículo e intermediação da negociação. Isso não elimina completamente os riscos, mas tende a trazer mais transparência e segurança para ambas as partes”, explica ladeia.

Entre os golpes mais comuns estão anúncios falsos, o chamado “golpe do intermediário” e fraudes envolvendo comprovantes falsificados de pagamento. Abaixo, o especialista traz 4 dicas para evitar golpes na compra ou venda de veículos.

1. Desconfie de preços muito abaixo do mercado: se o valor anunciado estiver muito inferior à média praticada para aquele modelo, ano e condição do veículo, é importante redobrar a atenção. Preços excessivamente atrativos costumam ser usados por golpistas para chamar a atenção das vítimas e acelerar a negociação antes que o comprador faça verificações mais profundas. Em muitos casos, o veículo sequer existe ou pertence a outra pessoa, e o criminoso tenta pressionar a vítima a realizar um pagamento antecipado para “garantir o negócio”. Antes de avançar, o ideal é comparar o valor com outras ofertas semelhantes no mercado, verificar a procedência do anúncio e evitar qualquer tipo de transferência financeira sem ter certeza da autenticidade da negociação.

2. Evite negociações apressadas ou apenas virtuais: Sempre que possível, veja o veículo pessoalmente e confirme a identidade da outra parte antes de avançar com qualquer pagamento ou assinatura de documentos. O ideal é marcar encontros em locais públicos, movimentados e durante o dia, evitando endereços isolados ou desconhecidos. Casos de falsos anúncios já foram usados por criminosos para atrair vítimas, expondo compradores e vendedores a situações de risco, como furtos, roubos e até sequestros. Nesse sentido, realizar a negociação por meio de empresas ou plataformas especializadas, que oferecem intermediação, verificação de dados e ambientes mais seguros para encontro entre as partes, pode ajudar a reduzir esse tipo de vulnerabilidade.

3. Consulte o histórico do veículo: antes de fechar qualquer negócio, é fundamental verificar o histórico completo do veículo. A consulta permite identificar pendências como multas, débitos de IPVA, restrições administrativas ou judiciais, além de registros de passagem por leilão, histórico de sinistros, perda total ou até indícios de adulteração. Essas informações ajudam o comprador a entender a real condição do carro e evitam prejuízos futuros, já que algumas dessas ocorrências podem reduzir significativamente o valor de revenda ou até dificultar a transferência do veículo. Hoje existem ferramentas e plataformas que reúnem esses dados em relatórios detalhados, permitindo uma análise mais transparente da procedência do automóvel antes da decisão de compra.

4. Tenha cuidado com intermediários: o chamado “golpe do intermediário” ocorre quando um terceiro se apresenta como mediador da venda sem o conhecimento do verdadeiro proprietário do veículo. Nesse tipo de fraude, o golpista copia um anúncio legítimo, republica o veículo por um preço mais baixo e passa a intermediar a negociação entre comprador e vendedor, fazendo com que o pagamento seja direcionado para ele. Optar por plataformas reconhecidas e consolidadas no mercado, que contam com processos de verificação de anúncios, checagem de identidade e acompanhamento da negociação, trazem mais segurança, já que essas empresas costumam adotar mecanismos para reduzir fraudes e dar mais transparência às transações. 

Estamos usando a IA para ganhar tempo ou apenas para trabalhar mais?

A tecnologia pode ajudar a entregar mais, mas só transforma o trabalho quando nos ajuda a pensar, decidir e nos relacionar melhor

 

A inteligência artificial já está ajudando empresas a ganhar velocidade, reduzir tarefas operacionais e produzir mais. E é natural que parte desse ganho se transforme em novas metas, projetos e oportunidades de crescimento. O ponto não é questionar isso. A pergunta é se estamos usando a eficiência apenas para aumentar o volume ou também para melhorar a forma como pensamos, decidimos e trabalhamos juntos. Se a tecnologia pode liberar as pessoas para um trabalho mais estratégico, por que tantas equipes ainda encontram tão pouco espaço para conversar, pensar juntas e construir confiança?

Competências como escuta, empatia, influência, negociação e gestão de conflitos não se constroem apenas em treinamentos. Elas se desenvolvem nas conversas do dia a dia. Uma conversa individual feita às pressas, um feedback delicado reduzido a uma mensagem ou uma decisão difícil comunicada sem contexto podem até parecer mais eficientes no curto prazo. Mas, com o tempo, enfraquecem a confiança. Existe uma incoerência quando a empresa afirma que as pessoas estão no centro, mas organiza o trabalho de um jeito que quase não deixa espaço para relações de qualidade.

Segundo o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, 39% dos conjuntos de habilidades utilizados hoje pelos trabalhadores devem mudar ou se tornar desatualizados até 2030. O mesmo relatório mantém liderança e influência social entre as competências mais valorizadas e coloca empatia e escuta ativa entre as dez habilidades centrais. Isso mostra que tecnologia e capacidade humana não estão em lados opostos. À medida que parte do trabalho técnico muda ou é automatizada, saber analisar, conversar, influenciar e tomar boas decisões ganha ainda mais peso.

Por isso, a pergunta que eu faria às lideranças não é apenas quanto tempo a IA economizou, mas o que conseguimos fazer melhor a partir desse ganho. Se uma ferramenta reduz em duas horas a elaboração de um relatório, é natural que esse tempo seja usado em novas entregas. Mas ele também pode ajudar o profissional a analisar melhor o negócio, conversar com o cliente, revisar uma decisão ou desenvolver alguém da equipe. A transformação acontece quando a tecnologia não só aumenta o volume, mas melhora a qualidade do que entregamos.

Para o RH, o desafio não é apenas oferecer treinamentos sobre ferramentas de inteligência artificial ou ensinar uma sequência de comandos. É desenvolver pensamento crítico para que as pessoas entendam o que a tecnologia faz, onde ela ajuda, onde pode errar e como usá-la para melhorar o próprio trabalho. Também é preciso olhar para a forma como o trabalho está organizado, para as metas, para os rituais de gestão e para o espaço que os líderes realmente têm para liderar. Se um gestor nunca encontra tempo para conversar, dar feedback, desenvolver pessoas ou conduzir conflitos, talvez o problema não esteja apenas na habilidade dele. Pode estar também no modelo de trabalho que a própria organização criou.

Essa necessidade de combinar eficiência, consciência e qualidade das relações ganhou ainda mais força para mim durante as gravações de “O Despertar do Líder”, doc-reality da Band. Ao longo de uma jornada de 105 quilômetros, percebi que, quando o cansaço aumenta e o controle diminui, não é a velocidade individual que sustenta o grupo. É a capacidade de perceber o outro, pedir ajuda, ajustar o passo e entender que ninguém atravessa uma jornada assim sozinho. No trabalho, muitas vezes esquecemos disso: equipes não são apenas um conjunto de entregas. São relações de confiança das quais o resultado também depende.

Não precisamos escolher entre produtividade e conexão. A tecnologia pode ajudar as empresas a entregar mais e, ao mesmo tempo, melhorar a forma como o trabalho acontece. As organizações mais preparadas para o próximo ciclo serão aquelas que usarem a inteligência artificial para reduzir tarefas de baixo valor, abrir espaço para novas entregas e melhorar decisões, conversas e relações. No fim, produtividade não é apenas fazer mais em menos tempo. É gerar mais valor sem enfraquecer as pessoas e as relações que tornam esse resultado possível.

 

Daniele Matos - fundadora e CEO da RHLovers, escola dedicada ao desenvolvimento de profissionais e lideranças que já formou mais de 3 mil pessoas. Especialista em liderança e desenvolvimento humano, atua há mais de 15 anos ajudando profissionais e organizações a ampliarem sua consciência, seu posicionamento e sua capacidade de decisão. É mentora e palestrante em temas relacionados a liderança, RH, carreira e futuro do trabalho. Em 2026, integra o elenco do doc-reality “O Despertar do Líder”, exibido pela Band, em uma jornada que conecta liderança, autoconhecimento e tomada de decisão em situações de pressão e incerteza.

 

Bancos vão investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia, mas confiança será decisiva para adoção de novos serviços

Pesquisa Febraban mostra avanço dos canais digitais e prioridade para IA e cibersegurança; especialistas apontam que relacionamento com clientes ganha peso à medida que serviços financeiros dependem cada vez mais de dados e ambientes digitais

 

A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, realizada pela Deloitte, acaba de mostrar o tamanho da aposta dos bancos brasileiros em tecnologia: o setor prevê investir R$ 50,4 bilhões neste ano, alta de 8% em relação a 2025. Em cinco anos, esse orçamento cresceu 58%.

Os dados também mostram para onde esses investimentos estão indo. Inteligência artificial generativa e cloud estão entre as prioridades para 84% das instituições pesquisadas; já a cibersegurança aparece como tema de relevância alta ou média para 100% delas. Ao mesmo tempo, experiência do cliente, personalização e uso de dados ganham espaço na estratégia dos bancos.

Para especialistas em reputação e comunicação, esse movimento coloca uma segunda questão em meio à transformação digital do setor: não basta desenvolver novas soluções. É preciso fazer com que o cliente confie nelas. Isso vale para experimentar novos serviços, interagir com inteligência artificial, compartilhar informações e autorizar o uso de dados em jornadas cada vez mais personalizadas.

A discussão ganha ainda mais espaço às vésperas do Febraban Tech 2026, que acontece entre 24 e 26 de agosto, em São Paulo, e deve reunir algumas das principais lideranças do mercado financeiro para discutir tecnologia, inovação e os próximos passos do setor.

Para Luciana Lima, sócia da Elementar Comunicação, assessoria especializada em gestão de reputação e posicionamento de lideranças e empresas, quanto mais tecnologia entra na relação entre bancos e consumidores, maior também fica a necessidade de comunicação clara.

“Uma instituição pode desenvolver uma solução excelente do ponto de vista tecnológico, mas o cliente precisa entender por que deve usá-la e se sentir seguro nesta relação. Quanto mais digital fica a experiência financeira, mais confiança, transparência e clareza passam a fazer parte do próprio produto”, afirma Luciana.

E essa relação já acontece, em grande parte, pelo celular. Em 2025, o sistema financeiro brasileiro registrou 240,8 bilhões de transações bancárias. Só o mobile banking respondeu por 187,5 bilhões de operações. Em cinco anos, o volume de transações pelo celular cresceu 169%.

Os canais digitais já concentram 83% das transações bancárias do país. Entre os clientes digitais, 76% fazem mais de 80% de suas operações por esses canais.

Quanto mais digital a relação, mais pontos de contato com a reputação

Ninguém duvida que a digitalização também aumentou a frequência com que as pessoas se relacionam com seus bancos. Para muitos clientes, abrir o aplicativo, receber uma mensagem, fazer um Pix ou conversar com um chatbot já faz parte da rotina.

É nesse conjunto de pequenas interações que a percepção sobre uma instituição também começa a ser formada.

Para Leandro Herculano, sócio da Elementar, a reputação não aparece apenas em campanhas institucionais, entrevistas ou momentos de crise.

“Em um ambiente cada vez mais digital, a percepção sobre uma empresa é formada todos os dias. Está na mensagem que o cliente recebe, na forma como um problema é explicado, na comunicação sobre segurança e também na maneira como as lideranças se posicionam diante de temas que afetam seus públicos”, diz Herculano.

A inteligência artificial deve aumentar ainda mais esses pontos de contato. Apesar de já aparecer entre as prioridades dos bancos, cerca de 60% das instituições ainda estão em fases iniciais de adoção da tecnologia, segundo a pesquisa.

Isso significa que boa parte das mudanças ainda vai chegar ao consumidor, seja no atendimento, na análise de informações, na personalização de produtos ou na automação de processos.

A experiência do cliente já aparece entre os principais caminhos de diferenciação para os bancos. Oito em cada dez instituições colocam esse tema entre suas prioridades estratégicas.

Personalização depende de dados e de confiança

Um dos números da pesquisa ajuda a mostrar por que confiança e tecnologia estão cada vez mais ligadas. Entre os bancos pesquisados, 68% priorizam a personalização de produtos e serviços como forma de diferenciação. Para isso, dados e inteligência artificial ganham espaço.

Ao mesmo tempo, 47% das instituições querem aumentar o número de consentimentos para compartilhamento de dados. É aí que a discussão deixa de ser apenas tecnológica. Para oferecer determinados serviços, personalizar experiências e aproveitar melhor recursos como o Open Finance, o banco precisa que o cliente aceite compartilhar suas informações.

E essa decisão passa, inevitavelmente, pela confiança. Para Luciana, a comunicação precisa entrar nessa discussão antes que uma nova solução chegue ao público.

“Se uma mudança depende da adesão do cliente, comunicação não pode aparecer só no lançamento. É preciso entender antes quais dúvidas essa novidade pode gerar, quais receios precisam ser respondidos e como mostrar de forma clara o valor daquela transformação”, avalia.

O Open Finance mostra a dimensão desse movimento. A pesquisa aponta 102,8 milhões de consentimentos ativos, crescimento de 122% em um ano.

À medida que serviços financeiros se tornam cada vez mais personalizados e dependentes do uso de dados, a credibilidade construída pelas instituições tende a pesar também na disposição dos clientes para aderir a essas novas experiências.

Para Herculano, esse trabalho precisa começar antes de qualquer situação de pressão.

“Confiança é construída aos poucos. Quando uma empresa começa a trabalhar sua reputação apenas diante de uma crise, de uma resistência ou de um questionamento, ela já chega atrasada à conversa. No mercado financeiro, em que segurança e credibilidade fazem parte da decisão do cliente, esse trabalho precisa ser contínuo”, adiciona.

A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 está em sua 34ª edição. A primeira etapa ouviu 25 bancos, responsáveis por cerca de 85% dos ativos da indústria bancária brasileira, além de 53 executivos das áreas de tecnologia. Novos dados do levantamento serão apresentados durante o Febraban Tech, em agosto.

O que muda para quem usa banco todos os dias

Para o cliente, essa transformação aparece em situações bastante concretas. O atendimento por inteligência artificial tende a se tornar mais comum, os aplicativos podem oferecer produtos cada vez mais personalizados e o compartilhamento de dados passa a influenciar desde ofertas de crédito até serviços construídos a partir do Open Finance.

Isso pode trazer mais agilidade e conveniência, mas também aumenta o número de decisões que o consumidor precisa tomar sobre seus próprios dados. Em muitos casos, será necessário entender quem terá acesso às informações, para qual finalidade elas serão utilizadas e qual vantagem existe em autorizar esse compartilhamento.

A confiança, portanto, deixa de aparecer apenas quando o cliente escolhe em qual banco abrir uma conta. Ela passa a interferir também em decisões menores e frequentes, como aceitar uma recomendação feita por inteligência artificial, responder a uma mensagem automatizada, permitir o acesso ao histórico financeiro ou aderir a uma nova funcionalidade no aplicativo.

Para Luciana, esse é um dos pontos que as instituições precisam considerar à medida que aceleram sua transformação digital.

“O consumidor não enxerga essa transformação em termos de cloud, infraestrutura ou estratégia de dados. Ele percebe quando recebe uma oferta mais adequada, quando o atendimento funciona ou quando precisa autorizar o uso de uma informação pessoal. É nessas experiências que ele decide, pouco a pouco, o quanto confia naquela instituição”, completa.

 

Os anúncios estão chegando às IAs, mas reputação continuará fora de venda

A publicidade começa a ocupar as experiências de inteligência artificial, enquanto autoridade e confiança seguem dependendo de uma construção muito mais profunda.

 

Depois de transformar buscas, redes sociais e plataformas de conteúdo em grandes espaços publicitários, a mídia paga começa agora a avançar sobre um novo território: as experiências com inteligência artificial. E esse movimento já começa a ganhar contornos mais concretos também no Brasil.

 

No início de agosto, a OpenAI começou a expandir a exibição de anúncios do ChatGPT para o mercado brasileiro, dentro de um projeto que ainda está em fase beta e avança gradualmente entre países e usuários. A publicidade pode aparecer para usuários dos planos Free e Go, sempre separada das respostas da ferramenta.

 

A novidade coloca o Brasil em uma transformação que já vinha avançando em outros mercados: marcas passam a poder ocupar comercialmente também o ambiente em que as pessoas fazem perguntas, exploram possibilidades, comparam alternativas e buscam informações para tomar decisões.

 

No Google, essa transição acontece de outra forma. No Brasil, anúncios tradicionais já podem aparecer acima ou abaixo das Visões Gerais Criadas por IA na Busca. Já a publicidade inserida dentro da própria resposta gerada por IA ainda está restrita a outros países. O Modo IA também está disponível aos brasileiros, mas os formatos publicitários mais integrados à experiência conversacional seguem em teste, sem confirmação oficial de lançamento no país.

 

Ou seja, os formatos e o estágio de implantação ainda variam entre as plataformas, mas a direção é cada vez mais clara: a inteligência artificial também está se tornando um novo espaço para a mídia paga.

 

É justamente por isso que as empresas precisam compreender uma diferença importante.


 

Pagar para aparecer não é ser reconhecido


No ChatGPT, a própria OpenAI afirma que os anúncios são separados das respostas e que os anunciantes não podem pagar para influenciar, classificar ou alterar o que a ferramenta responde.

 

Isso significa que uma empresa pode pagar para aparecer ao lado de uma conversa sobre determinado mercado e, ainda assim, não ser mencionada quando alguém perguntar à IA quais são as referências daquele setor.

 

Uma coisa é presença paga. Outra é autoridade.

 

Na comunicação, essa diferença sempre existiu. Comprar uma página de publicidade em um jornal nunca tornou automaticamente uma empresa fonte das reportagens daquele veículo. O anúncio pode gerar visibilidade, interesse e negócios. A credibilidade segue outra construção.

 

A inteligência artificial transporta essa mesma lógica para um novo ambiente.

E acredito que há algo ainda mais interessante nessa mudança. Depois de encontrar um anúncio, o usuário pode continuar conversando com a própria IA. Pode perguntar sobre a reputação daquela empresa, comparar concorrentes, buscar informações sobre sua trajetória ou querer saber quem realmente é referência naquele assunto.

 

É nesse momento que termina o alcance do investimento em mídia e começa o trabalho acumulado de reputação.

 


Não existe campanha que crie trajetória


O anúncio pode despertar interesse e levar a marca para dentro da conversa. Mas, se quando a pesquisa se aprofunda a empresa tem pouca presença pública, informações desatualizadas, poucos registros de sua atuação ou quase nenhuma validação fora dos próprios canais, o investimento em mídia encontra um limite.

 

Por isso, a chegada dos anúncios às IAs não diminui a importância da construção de reputação. Ela pode tornar essa necessidade ainda mais evidente.

 

Quanto mais fácil for comprar visibilidade nesses ambientes, mais importante será ter uma trajetória pública capaz de sustentar aquilo que a publicidade promete.

 

As duas frentes podem trabalhar juntas, mas cumprem papéis diferentes. A mídia paga ajuda uma empresa a ser vista no momento certo. Comunicação, imprensa e presença institucional ajudam a construir as razões pelas quais ela será considerada, lembrada e reconhecida depois desse primeiro contato.

 

Uma campanha pode começar amanhã. A confiança em uma marca, não.

 

E é justamente aí que a publicidade nas inteligências artificiais encontra seu limite. Será possível comprar presença, conquistar atenção e entrar em novas conversas. Mas, quando o usuário quiser saber quem está por trás daquele anúncio, comparar alternativas ou entender em quem pode confiar, não haverá investimento em mídia capaz de substituir uma trajetória consistente.

 

No fim, a tecnologia pode mudar o lugar onde as marcas aparecem. O que não muda é o que faz uma delas ser escolhida.

 

Até porque espaço se compra. Mas reputação se constrói.

 


Francine Ferreira - Jornalista, especialista em Comunicação Empresarial. Diretora e fundadora da Expressio Comunicação Humanizada

 

O Custo da Reeleição: Por que o Brasil precisa rever este modelo

O debate sobre a reeleição no Brasil não é novo, mas, à luz da trajetória política e econômica das últimas três décadas, tornou-se imperativo. É necessário desmistificar a ideia de que a reeleição, por si só, é o único problema. O cerne da questão reside na combinação perversa entre a permissão da reeleição e as atipicidades institucionais que definem a política brasileira. Quando analisamos o cenário à luz dos dados, torna-se evidente que o modelo adotado no Brasil, desde 1997, tem gerado resultados desastrosos, culminando em uma crônica crise ética e de honestidade que aumentam o empobrecimento do país. 

O Brasil é um caso único no mundo democrático. Enquanto outras nações que adotam o presidencialismo e permitem a reeleição possuem sistemas partidários consolidados e limitados — raramente ultrapassando seis legendas — o Brasil opera com 32 partidos registrados. Esta fragmentação não é apenas numérica; ela é sustentada por um fundo eleitoral bilionário, financiado por dinheiro público (também único no mundo). Hoje, o sistema funciona como donatários de capitanias hereditárias: os seis maiores partidos concentram 65% dos recursos, tornando praticamente impossível a renovação política ou a ascensão de novas lideranças fora do eixo das grandes estruturas partidárias. Candidaturas e Presidência, Governos estaduais e Prefeituras das capitais dos Estados, somente após submetidas aos maiores partidos, detentores dos recursos financeiros e dos tempos disponíveis nos chamados horários eleitorais gratuitos. 

Esse desenho institucional deu origem ao que podemos chamar de "Governo de Cooptação". A busca pela governabilidade, neste cenário, transformou-se no preço do custo do gigantismo da máquina pública a da corrupção avassaladora. Os dados são alarmantes: segundo estimativas da FGV-IBRE e do IBPT, a corrupção drena anualmente entre 2,5% e 7% do PIB brasileiro. Paralelamente, o Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional mostra uma trajetória de declínio ético e de honestidade: em 2002, ocupávamos a 45ª posição (no IPC – Transparência Internacional) muito mais favorável no ranking mundial; hoje, figuramos entre os países com os piores índices de honestidade no setor público (108ª posição). 

O resultado dessa arquitetura política é uma sensação de impunidade que permeia a sociedade. Escândalos sucessivos — do Mensalão ao Petrolão, passando por casos recentes envolvendo os proventos de aposentados do INSS — consolidaram a percepção de que, no Brasil, o crime compensa. Vimos presidentes da República e presidentes da Câmara envolvidos em condenações por corrupção, improbidade e até atentados à democracia. A ética e a moralidade pública foram deixadas em segundo plano. 

O custo social deste modelo é medido na piora da qualidade de vida do brasileiro. Em 1990, éramos a 7ª economia mundial; hoje, caímos para a 10ª. Perdemos protagonismo econômico na América do Sul e estagnamos em indicadores fundamentais: a educação (segundo o PISA/OCDE) permanece nas últimas posições, o IDH despenca e a desigualdade de renda, medida pelo coeficiente Gini, nos mantém entre os piores do mundo. 

Mais de 65 milhões de brasileiros — entre aposentados, pensionistas e trabalhadores do setor privado — vivem com a renda limitada a um salário mínimo. Somam-se a isso as 20 milhões de famílias (60 milhões de pessoas) dependentes de auxílios governamentais. Este é o reflexo de um país que priorizou a manutenção de um modelo de poder em detrimento do desenvolvimento econômico e da justiça social. 

A reeleição, no contexto brasileiro atual, exacerba as fragilidades das nossas leis eleitorais e da própria Lei da Ficha Limpa. Ela não tem servido para a continuidade de projetos de Estado, mas para a perpetuação de projetos de poder custosos e ineficientes. 

Não se trata apenas de abolir a reeleição, mas de reformar um sistema que permite tais distorções. O Brasil precisa reencontrar o caminho da prosperidade, e isso passa, inevitavelmente, por uma revisão profunda do nosso modelo político. Manter o status quo é aceitar a estagnação e o declínio. É urgente que o país discuta, de forma franca e sem tabus, como redesenhar suas estruturas democráticas para que o desenvolvimento e a ética voltem a ser a regra, e não a exceção. 

 

Samuel Hanan - engenheiro com especialização nas áreas de macroeconomia, administração de empresas e finanças, empresário, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros “Brasil, um país à deriva”, “Caminhos para um país sem rumo” e “Amazônia Brasileira, preservar para viver, responsabilidade mundial”. Site: https://samuelhanan.com.br


Mais da metade das PMEs não pretendem ampliar suas equipes nos próximos 12 meses, revela Serasa Experian

 • Por outro lado, 21,3% das PMEs pretendem contratar no mesmo período

• Encontrar profissionais qualificados é o principal desafio enfrentado pelas PMEs que pretendem contratar

• Datatech oferece ferramenta gratuita em seu portal de conteúdo para ajudar PMEs a planejarem a folha de pagamento antes de ampliar suas equipes


A maior parte das pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras pretende manter o atual quadro de colaboradores nos próximos 12 meses. Levantamento da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil, revela que 52,7% dos empreendedores afirmam não ter planos de ampliar suas equipes no período. Em contrapartida, 21,3% pretendem realizar novas contratações, enquanto 26% ainda avaliam essa possibilidade.

 

Entre as empresas que planejam contratar, a ampliação da equipe fixa é o principal modelo adotado, mencionado por 14,7% dos respondentes. Outros 3,3% pretendem contratar profissionais autônomos ou freelancers, enquanto 3,3% afirmam que devem combinar os dois modelos, conciliando admissões formais e contratações flexíveis.

 

Para esse grupo de empresas, o maior desafio está na busca por talentos. Encontrar profissionais qualificados é o principal obstáculo para 34,3% das PMEs que pretendem contratar, seguido por limitações financeiras (10,7%) e pelo custo de contratação (8,8%). Também aparecem entre as dificuldades a baixa atratividade das vagas (8,7%), a falta de tempo para conduzir processos seletivos (5,3%) e as burocracias envolvidas na contratação (5,3%).

 

A pesquisa traz ainda as áreas em que as PMEs têm maior demanda por funcionários. Operação e produção aparecem no topo da lista (19,9%), seguidas por atendimento ao cliente (18,4%) e comercial e vendas (11,9%). Em seguida aparecem os setores administrativo (10%), tecnologia da informação (6,5%), logística (5,3%), financeiro (3,9%) e recursos humanos (2,5%).

 

"A decisão de ampliar equipes faz parte do planejamento de cada empresa e costuma refletir o momento vivido pelo negócio. Para aquelas que buscam crescer, o desafio está em encontrar profissionais com as competências necessárias para acompanhar esse movimento, tornando o planejamento da contratação tão importante quanto a própria decisão de contratar", afirma o vice-presidente de Pequenas e Médias Empresas da Serasa Experian, Cleber Genero.


 

Planejamento da folha de pagamento traz mais previsibilidade às contratações


Independentemente da decisão de ampliar ou manter o quadro de colaboradores, acompanhar os custos com pessoal é parte essencial da gestão financeira das pequenas e médias empresas. Para apoiar os empreendedores nesse processo, a Serasa Experian disponibiliza gratuitamente, em seu portal de conteúdo, a Planilha de Folha de Pagamento, ferramenta que auxilia no controle de salários, benefícios, encargos e demais despesas relacionadas à equipe.

 

Além da planilha, o portal reúne artigos, ebooks, ferramentas e análises sobre gestão financeira, crédito, vendas, marketing, empreendedorismo e planejamento dos negócios, oferecendo apoio prático para diferentes momentos da jornada das PMEs.

 

"O planejamento da equipe começa muito antes de uma nova contratação. Conhecer os custos envolvidos na folha de pagamento e entender o impacto dessas despesas no fluxo financeiro permite que o empreendedor tome decisões com mais segurança, seja para manter a estrutura atual ou para ampliar o quadro de colaboradores no momento mais adequado. Ferramentas simples de gestão ajudam a transformar esse planejamento em decisões mais sustentáveis para o negócio", finaliza o vice-presidente de Pequenas e Médias Empresas da Serasa Experian, Cleber Genero.


 

Metodologia 


A pesquisa entrevistou 1.437 pequenas e médias empresas de todo o Brasil entre os meses de junho e julho de 2026, com predominância de negócios dos setores de comércio e serviços e empresas de pequeno porte. As perguntas relacionadas aos desafios e áreas de contratação foram respondidas exclusivamente pelas empresas que possuem a intenção de ampliar suas equipes.

 

Experian
experianplc.com


Fiscalização a desmontes de veículos sobe quase três vezes neste ano em SP; veja como comprar com segurança

Conferir se o estabelecimento é credenciado pelo portal do Detran-SP e rastrear as peças pelo código na etiqueta são algumas das dicas para evitar problemas


O Detran-SP mais que dobrou a fiscalização a desmontes de veículos em 2026. O aumento é de 169% na comparação entre janeiro e julho deste ano e o mesmo período do ano passado. Ao todo, neste ano, foram feitas 1.230 fiscalizações ante 457 nos sete primeiros meses de 2025. 

Fonte de peças usadas para a reposição e o reparo de veículos, os desmontes são uma opção para o consumidor, desde que atuem de forma regular. O alerta é para estabelecimentos sem autorização do Detran-SP e peças sem procedência comprovada. Além do risco de adquirir itens provenientes de crimes, o consumidor pode levar para casa uma peça sem garantia de segurança para uso no veículo. 

 

Abaixo, orientações de como se precaver na hora da compra:

 

1 - Pesquise o estabelecimento

Também chamados de agentes regulados, os credenciados podem ser conferidos no portal do Detran-SP. A página “Consulta de Agentes Regulados” reúne todos os autorizados a prestar serviço, como despachantes, médicos e psicólogos, autoescolas e desmontes.

 

2 - Pesquise a peça

Outro serviço útil é o da pesquisa de peças, que permite rastrear a origem da autopeça de segunda mão, garantindo que ela é segura e idônea. O serviço está disponível também pelo site do Detran-SP, onde se pode digitar o número presente na etiqueta do produto, ou pelo aplicativo do órgão de trânsito, onde, além do número, é possível buscar a origem da peça pelo QR Code da etiqueta.

 

3 - Olho nos itens oferecidos

Por lei, itens de segurança não podem ser reutilizados. Peças como sistema de freios e airbag devem ser destruídas ou encaminhadas para reciclagem e recondicionamento industrial. Confira a lista completa dos itens de reúso vetado:

. airbags e subcomponentes

. sistema de freios (incluindo discos, pinças, hidrovácuo e ABS)

. cintos de segurança e pré-tensionadores

. caixa e sistema de direção

. suspensão (amortecedores, bandejas e molas)

. controle de estabilidade

. vidros de segurança que contenham a gravação original do chassi

 

Quando os agentes de IA escrevem o código, quem desenha o negócio?


A transformação digital produziu um erro recorrente nas empresas: automatizar processos sem questionar sua lógica original. Em inglês, existe uma expressão bastante utilizada para descrever esse fenômeno: “paving the cow path”, ou simplesmente asfaltar o caminho da vaca. Em outras palavras, pegar um percurso antigo, criado para outra realidade, e apenas torná-lo mais rápido. A chegada da Inteligência Artificial (IA) expõe definitivamente os limites dessa abordagem. Quando agentes inteligentes passam a executar tarefas, interpretar contextos e tomar decisões, o desafio deixa de ser automatizar fluxos existentes e passa a ser redesenhá-los por completo.

 

Essa mudança ajuda a responder uma das perguntas mais frequentes do mercado: os RPAs (automatização robótica de processos) tradicionais vão desaparecer? A resposta é não. Mas eles deixarão de ocupar o centro da estratégia de automação. Bots baseados exclusivamente em regras continuam extremamente eficientes para atividades estruturadas e previsíveis. O que muda é que eles passam a fazer parte de um ecossistema muito mais amplo, no qual IA Generativa, analytics em tempo real, APIs, dados corporativos e agentes trabalham de forma integrada. A evolução não é do RPA para a IA, porém do RPA para arquiteturas capazes de combinar execução, contexto e tomada de decisão.

 

Os agentes de IA representam justamente esse novo estágio. Diferentemente das automações convencionais, eles não apenas seguem instruções previamente programadas. São capazes de interpretar objetivos, acessar diferentes sistemas, utilizar ferramentas externas, coordenar múltiplas tarefas e adaptar sua atuação conforme o contexto. Um relatório recente aponta que organizações ao redor do mundo já começam a utilizar sistemas multiagentes para administrar processos complexos de ponta a ponta, reduzindo a dependência de fluxos rígidos e ampliando a capacidade de resposta dos negócios. O mesmo movimento pode ser observado em plataformas empresariais de fornecedores como SAP, Microsoft, Salesforce e ServiceNow, que vêm incorporando agentes como elemento central de suas estratégias.

 

Nesse cenário, uma figura ganha protagonismo crescente: o engenheiro de processos. Durante muitos anos, projetos de transformação digital concentraram esforços na automatização de tarefas isoladas. A IA muda essa lógica. O verdadeiro diferencial competitivo passa a ser a capacidade de compreender a jornada completa, identificar gargalos, eliminar etapas desnecessárias e redesenhar fluxos para uma realidade orientada por dados e decisões inteligentes. Em outras palavras, a automação deixa de ser um exercício tecnológico e passa a ser um exercício de arquitetura organizacional.

 

Mais do que isso: nos próximos anos, o profissional mais estratégico para muitas iniciativas de transformação talvez não seja o desenvolvedor da automação, mas quem desenha o processo. Quando agentes forem capazes de criar código, integrar sistemas e executar tarefas com níveis crescentes de autonomia, a vantagem competitiva deixará de estar na construção das automações em si. Ela estará na capacidade de definir objetivos, desenhar jornadas, estabelecer regras de governança e decidir quais decisões podem (ou não) ser delegadas às máquinas.

 

Em um mundo de agentes, entender o negócio e suas interdependências será mais valioso do que simplesmente automatizar atividades. O protagonismo migra do executor para o arquiteto do processo. Esse ponto é particularmente relevante porque a IA tende a ampliar um fenômeno no qual muitas companhias continuam aplicando IA sobre processos existentes e, por isso, capturam apenas ganhos incrementais de produtividade.

 

O maior potencial surge quando organizações repensam integralmente seus fluxos de trabalho, criando modelos operacionais e novas experiências para clientes. A diferença é semelhante à de digitalizar um formulário em papel ou reinventar completamente a jornada de atendimento. Desta forma, o valor não está apenas em automatizar tarefas, mas em redesenhar processos inteiros para explorar capacidades que antes simplesmente não existiam.

 

Ao mesmo tempo, a democratização das ferramentas low-code e no-code está mudando quem participa desse processo. Profissionais de RH, finanças, compras ou operações passam a ter condições de construir automações sofisticadas sem depender exclusivamente das áreas de tecnologia. O conceito de “automação cidadã” ganha força justamente porque especialistas de negócio conhecem melhor do que ninguém os gargalos de suas atividades. A IA amplia esse potencial ao permitir que processos sejam desenhados e ajustados por meio de linguagem natural, aproximando ainda mais tecnologia e operação.

 

Entretanto, a autonomia crescente também exige cautela. A qualidade das decisões continua diretamente ligada à qualidade dos dados que alimentam os sistemas. Além disso, modelos de IA ainda enfrentam desafios relacionados à confiabilidade, explicabilidade e governança. Empresas que delegarem decisões críticas sem mecanismos adequados de supervisão correm o risco de criar problemas enquanto resolvem antigos. A preparação dos dados, a rastreabilidade das decisões e a definição clara dos limites de autonomia tornam-se elementos tão importantes quanto a própria tecnologia.

 

Os números ajudam a dimensionar o impacto dessa transformação. Um levantamento estima que a IA Generativa e os agentes inteligentes podem gerar entre US$ 2,6 trilhões e US$ 4,4 trilhões em valor econômico adicional por ano no mundo. No entanto, o maior benefício talvez não esteja na redução de custos, mas na capacidade de criar modelos de negócio, acelerar decisões e transformar processos inteiros.

 

Em tempos de IA, a questão não é mais como automatizar uma tarefa. A questão é como redesenhar o trabalho para um mundo em que humanos e agentes atuam lado a lado. As empresas que entenderem essa diferença serão as que transformarão automação em vantagem competitiva sustentável.

 

Saulo Santos - Business Vice President no Brasil da GFT Technologies

 

Capacitação irá preparar startups e MPE para o mercado exterior

Sebrae desmistifica a internacionalização de pequenos negócios, com trilhas completas que incluem consultorias especializadas e rodadas de negócios


Os pequenos negócios representam atualmente cerca de 40% das empresas brasileiras que exportam. Para incentivar o crescimento dessa participação, o Sebrae oferece uma jornada completa para apoiar micro e pequenas empresas (MPE) e startups a ampliarem as vendas para outros países. Por meio do Programa de Internacionalização de Pequenos Negócios, MPE e startups são capacitadas para disputarem espaço no mercado global, promovendo inovação, geração de empregos e ganho de competitividade dentro e fora do Brasil. 

"Exportar não é um privilégio apenas de grandes empresas. O mercado global está aberto à inovação, à sustentabilidade e à qualidade dos produtos e serviços dos pequenos negócios brasileiros”, afirma o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares. Ele cita como exemplo a Hannover Messe 2026, considerada a mais importante feira de tecnologia industrial no mundo, realizada na Alemanha entre 20 e 24 de abril. A comitiva brasileira registrou a participação de mais de 300 empresas, das quais 190 MPE e startups apoiadas pelo Sebrae 

“Nós conseguimos abrir nos últimos anos, graças à atuação do governo federal e da ApexBrasil, cerca de 657 novos mercados. Quando uma MPE cruza as fronteiras, ela ganha maturidade, melhora seus processos e se torna muito mais competitiva no mercado interno, além de novos clientes em outros países", diz Soares. 

Ações do Sebrae como o Programa de Internacionalização de Pequenos Negócios têm o propósito, segundo Rodrigo Soares, de provar que a internacionalização é um caminho viável, seguro e transformador para o empreendedor.

 

Da sensibilização à consolidação 

Para guiar os empresários nesse desafio, o Sebrae estruturou a Jornada de Exportação dos Pequenos Negócios, um caminho dividido em sete etapas personalizadas de acordo com a maturidade de cada empreendimento: 

1. Sensibilização e engajamento: Mapeamento e conscientização do empresário de que o mercado externo é uma oportunidade real, por meio de capacitações, eventos com especialistas, webinars e cases de sucesso. 

2. Diagnóstico e estratégia: Avaliação do potencial exportador da empresa, inteligência de mercado e elaboração do plano de exportação, com apoio do Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), em parceria com a ApexBrasil. 

3. Adequação do negócio: Apoio para certificações, ajuste de produtos, rótulos, embalagens, materiais promocionais em outros idiomas e preços para exigências internacionais, com suporte de soluções como o Sebraetec. 

4. Preparação comercial: Treinamento em comércio exterior, apoio na construção de estratégias, simulação de negociações e desenvolvimento de pitch comercial para compradores estrangeiros. 

5. Acesso a mercados: Conexão direta com clientes globais por meio de missões empresariais, feiras internacionais e rodadas de negócios. 

6. Exportação digital: Capacitação para atuação em e-commerce cross-border, marketplaces globais e estratégias de marketing digital internacional. 

7. Consolidação e crescimento: Acompanhamento da jornada exportadora e fornecimento de inteligência de mercado para que a presença no exterior se transforme em um canal contínuo de receita.

 

Como participar 

Empresários interessados em avaliar o potencial exportador do seu negócio e iniciar a Jornada de Exportação podem procurar os canais de atendimento do Sebrae (0800 570 0800), os pontos de atendimento da instituição nos estados ou consultar os cursos sobre exportação na plataforma oficial da instituição.

 

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