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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Uso excessivo de telas compromete a saúde dos olhos e exige atenção das famílias

Nota Conjunta | Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) e Sociedade de Oftalmologia do Rio Grande do Sul (SORIGS) 

 

A presença cada vez maior de celulares, tablets, computadores e televisores na rotina de crianças, adolescentes e adultos exige atenção aos possíveis impactos sobre a saúde ocular. O tempo prolongado diante desses dispositivos, especialmente sem pausas e associado à pouca permanência em ambientes externos, pode favorecer fadiga visual, desconforto e progressão da miopia. Diante desse cenário, a Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) e a Sociedade de Oftalmologia do Rio Grande do Sul (SORIGS) orientam a população sobre medidas capazes de reduzir os prejuízos à visão.

Na primeira infância, a exposição deve ser ainda mais restrita. Até os dois anos, a recomendação é evitar telas, com exceção de situações pontuais, como videochamadas com familiares. Entre dois e cinco anos, o limite indicado é de até uma hora por dia, sempre com supervisão. Dos seis aos 12 anos, o período total não deve ultrapassar duas horas diárias, considerando também as atividades escolares realizadas em dispositivos eletrônicos.

A partir dos 13 anos, embora não exista um número único aplicável a todos os adolescentes, o tempo diante dos aparelhos não pode comprometer necessidades essenciais, como sono adequado, prática de atividade física e convivência familiar e social. Nessa faixa etária, é importante preservar entre oito e dez horas de descanso por noite e dedicar, pelo menos, uma hora por dia à prática de exercícios, preferencialmente ao ar livre.

A permanência excessiva em tarefas que exigem visão de perto pode interferir no desenvolvimento ocular. O uso frequente e sem controle telas contribui para o aumento do comprimento do olho e pode acelerar a progressão da miopia, principalmente na infância, fase em que a estrutura ocular ainda está em crescimento.

Entre os sinais que merecem atenção estão dificuldade para enxergar objetos distantes, aproximação demasiada de livros ou aparelhos, hábito de apertar os olhos para focalizar, queixas para visualizar o quadro na escola ou a televisão em casa e necessidade frequente de trocar os óculos. Nos casos de miopia, a visão de perto costuma permanecer preservada, o que pode retardar a identificação do problema pelos familiares.

Para reduzir o cansaço visual, uma das estratégias recomendadas é a regra 20-20-20: a cada 20 minutos de atividade próxima, deve-se fazer uma pausa de 20 segundos e direcionar o olhar para um ponto situado a aproximadamente seis metros de distância. Também é importante manter distância adequada dos dispositivos e estimular brincadeiras e atividades físicas em ambientes externos.

As atividades ao ar livre são especialmente relevantes durante a infância. A exposição à luz natural, de maneira segura, está associada a menor risco de surgimento e progressão da miopia. Esse hábito deve ser combinado com a redução do tempo de visão próxima, pausas regulares e acompanhamento oftalmológico.

As entidades da saúde também esclarecem que, até o momento, as melhores evidências científicas não demonstram benefício consistente das lentes com filtro para luz azul na prevenção da fadiga ocular ou de danos à retina. Algumas pessoas podem relatar maior conforto durante o uso, mas não há comprovação suficiente para que esse recurso seja considerado indispensável ou substitua os cuidados relacionados aos hábitos visuais.

O acompanhamento oftalmológico deve começar no nascimento, com a realização do teste do olhinho. Uma avaliação completa é recomendada entre seis e 12 meses de vida, seguida por nova consulta entre três e cinco anos e antes do ingresso escolar, por volta dos seis ou sete anos. Quando não houver alterações, o acompanhamento poderá ocorrer a cada dois anos. Crianças com necessidade de óculos ou outras condições oftalmológicas devem seguir a periodicidade definida pelo médico.

A AMRIGS e a SORIGS orientam pais e responsáveis a observar mudanças no comportamento visual e no rendimento escolar de seus filhos. Diante de sintomas persistentes, dificuldade para enxergar, dores de cabeça recorrentes ou aproximação exagerada de objetos, é fundamental procurar avaliação com um médico oftalmologista. Para mais informações, a população pode buscar orientação junto às instituições e aos profissionais especializados. 



Dr. Gerson Junqueira Jr. - Presidente da AMRIGS

Dr. Guilherme Diehl - Presidente da SORIGS


El niño pode causar calor extremo, queimadas e enchentes; especialista ensina como proteger a saúde

Confira os cinco hábitos essenciais para evitar exaustão térmica, problemas respiratórios e infecções em cenários de secas ou alagamentos
 

Com a previsão do fenômeno climático El Niño, é esperado que o Brasil enfrente anomalias climáticas em todo o território, com prováveis picos de calor extremo e secas severas em algumas regiões e enchentes e alagamentos em outras. Diante desse cenário de extremos, a prevenção pode ser a principal aliada da saúde pública. Renata Caramez, Coordenadora Acadêmica de Saúde na UniFacens – referência em metodologias inovadoras de educação nas áreas de engenharia, tecnologia, arquitetura e saúde – alerta sobre os riscos dessas mudanças bruscas na saúde da população. 

As ondas de calor exigem atenção redobrada, pois não afetam a todos da mesma forma. "As populações mais vulneráveis são os idosos, crianças pequenas, gestantes, pessoas com doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, doenças cardíacas e respiratórias , além de trabalhadores expostos ao sol e pessoas em situação de rua", explica Renata. 

Os riscos vão desde uma desidratação até quadros graves de exaustão térmica, insuficiência renal e alterações neurológicas. A especialista ressalta a importância de reconhecer os primeiros sinais de que o corpo está sofrendo: sede intensa, boca seca, fadiga excessiva, dor de cabeça, tontura e cãibras musculares. “Quando a exaustão térmica evolui, podem surgir confusão mental, desmaios e respiração acelerada. Se houver perda de consciência, convulsões ou temperatura corporal acima de 40°C, trata-se de uma emergência médica e o SAMU (192) deve ser acionado imediatamente”, adverte a coordenadora. 

O fenômeno climático também tende a agravar os períodos de estiagem, aumentando o risco de queimadas e derrubando a umidade do ar. Renata explica que para mitigar os danos na saúde pulmonar, deve-se evitar atividades ao ar livre nos horários mais quentes, usar umidificadores e manter portas e janelas fechadas quando houver fumaça. “Para quem está em locais com grande concentração de fumaça, é essencial utilizar máscaras do tipo PFF2/N95, pois elas filtram partículas finas”, pontua a especialista, enfatizando que pacientes com doenças respiratórias devem seguir rigorosamente o tratamento e manter a medicação de resgate sempre disponível.
 

Riscos após alagamento 

No extremo oposto das secas, o El Niño também é conhecido por provocar chuvas concentradas e inundações e o período pós-desastre também traz riscos silenciosos. “Durante a limpeza, recomenda-se usar botas impermeáveis, luvas e, se possível, máscara. Após lavar as superfícies com água e detergente, a desinfecção deve ser feita com solução de água sanitária”, orienta Renata. 

Ela também reforça o alerta sobre o consumo e o risco de doenças infecciosas: “Alimentos e medicamentos que tiveram contato com a água da enchente devem ser descartados. E é preciso estar muito atento a sinais de leptospirose, como febre alta e dor muscular intensa, principalmente nas panturrilhas, buscando atendimento médico imediato”, conclui.

Confira as cinco dicas principais da especialista:

  1. Hidratação constante: beber água regularmente, mesmo sem sentir sede.
  2. Proteção contra o calor: Evitar exposição ao sol entre 10h e 16h, priorizando roupas leves, chapéu e protetor solar.
  3. Ambientes mais frescos: Manter espaços ventilados e reduzir as atividades físicas intensas nos horários mais quentes.
  4. Atenção à qualidade do ar: Evitar exposição à fumaça de queimadas e adotar a máscara PFF2/N95 quando necessário.
  5. Higiene pós-eventos extremos: Consumir apenas água devidamente filtrada ou fervida, higienizar adequadamente ambientes e alimentos após enchentes, e monitorar qualquer sintoma persistente.

Descolorir cílios pode perfurar os olhos

Retirar imediatamente todo o descolorante que penetra no olho faz diferença entre a recuperação total e o dano permanente na visão. Oftalmologista ensina a técnica.

  

A moda de descolorir cílios e até sobrancelhas começou nos desfiles de grifes de luxo e rapidamente viralizou entre influencers do TikTok. Usar descolorante para corpo ou cabelo nos olhos é muito perigoso, afirma o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier. Isso porque, explica, mesmo que o produto não penetre no olho, as glândulas que produzem a camada oleosa da lágrima estão localizadas na borda das pálpebras superior e inferior.

“Por isso, a prática pode causar olho seco crônico, blefarite, terçol, calázio, queda e quebra dos cílios, dermatite de contato na pele ao redor dos olhos, alergia, edema e descamação das pálpebras,” salienta.

Quando o descolorante penetra no olho as alterações são ainda mais graves. Entre elas, o especialista destaca: Queimadura química na córnea e conjuntiva, inflamação e risco de opacidade; Erosão e úlcera na córnea; Lesão no limbo, área que forma um anel ao redor da córnea onde ficam células-tronco importantes para o restabelecimento da lente externa do olho.

 

 Primeiros sintomas

O especialista que também é membro do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) afirma que os primeiros sinais de queimadura química n0s olhos pelo descolorante são: dor intensa, vermelhidão, ardência no olho e nas pálpebras, sensação de corpo estranho, visão embaçada, inchaço nas pálpebras, lacrimejamento e dificuldade de manter os olhos abertos.

Queiroz Neto conta que uma paciente resolveu seguir a ‘trend’ e entrou em contato para saber o que podia diminuir a intensa dor em um dos olhos. “Passei a ela o passo a passo dos primeiros socorros quando o olho sofre uma queimadura química e a orientei para ir ao hospital logo após esta primeira higienização’ pontua. Quanto antes a água oxigenada e o descolorante forem completamente eliminados do globo ocular maior é a chance de não ter lesões oculares graves.

 

Passo a passo da higienização

As dicas do oftalmologista para eliminar descolorantes e outras substâncias tóxicas da superfície do olho são:

Incline a cabeça ligeiramente para baixo, tombe a cabeça para o lado oposto ao olho contralateral, puxe a pálpebra superior com o dedo indicador para cima e a inferior para baixo com o polegar para formar uma bolsa e garantir que a água entre embaixo das pálpebras onde os produtos costumam acumular e lave com água corrente continuamente, do canto interno para o externo por 15 a 20 minutos.  Durante a limpeza Queiroz Neto orienta fazer movimentos circulares, verticais e horizontais com os olhos para que a água se espalhe por todos os cantos.

 

Tratamento clínico

O tratamento de queimaduras químicas nos olhos varia conforme a gravidade de cada caso, pontua. Pode incluir: Irrigação abundante no atendimento médico, muitas vezes com anestésico tópico para permitir abrir o olho; Remoção de resíduos presos sob as pálpebras; Colírios antibióticos para prevenir infecção; Lubrificantes sem conservantes e, em alguns casos, soro autólogo para ajudar a regeneração; Colírios cicloplégicos para aliviar a dor e o espasmo interno do olho; Corticoides em colírio apenas com controle médico, pois podem reduzir a inflamação, mas também trazer riscos se usados de forma errada; Vitamina C, citrato, doxiciclina ou outras medidas indicadas pelo especialista para reduzir o afinamento da córnea e favorecer a cicatrização; Controle da pressão intraocular quando houver risco de glaucoma secundário; Lente de contato terapêutica ou lente escleral para proteger a córnea, reduzir atrito e manter a hidratação.

 

 Cirurgias na córnea

Queiroz neto ressalta que queimaduras químicas graves que causam perfuração ou cicatriz profunda podem precisar de transplante de córnea. Alguns pacientes que sofrem acidentes ou lesão menos grave podem recuperar a visão pelo transplante de limbo do outro olho sem risco de rejeição, ou pelo transplante autólogo de limbo cedido por um doador, mas neste caso pode ocorrer rejeição. 

Para quem só fica bem quando segue as tendências são opções mais seguras o rímel, o primer, extensão ou cílios postiços brancos. A moda passa, mas nossa necessidade de enxergar bem permanece e está relacionada à qualidade de vida, conclui.


Estudo identifica 49 práticas antiéticas na saúde brasileira

Levantamento aponta fraudes, corrupção e negativas indevidas de cobertura como alguns dos principais problemas e advogado explica quais leis protegem pacientes e consumidores

 

Um levantamento coordenado pelo Instituto Ética Saúde (IES), em parceria com o Grupo de Pesquisa Contratações Públicas da PUC-SP, acendeu um alerta para os desafios relacionados à integridade no sistema de saúde brasileiro. A pesquisa identificou 49 práticas consideradas antiéticas em diferentes etapas da cadeia do setor, reunindo evidências obtidas em documentos públicos, denúncias, acordos de cooperação e casos registrados na última década. Entre os problemas mais recorrentes estão fraudes em licitações, corrupção, conflitos de interesse, desvio de recursos públicos, negativas indevidas de cobertura por planos de saúde e até a comercialização de produtos sem registro sanitário.

O estudo também aponta que essas irregularidades foram organizadas em 13 categorias e se concentram, principalmente, nas relações envolvendo o Poder Público e a saúde suplementar. Além dos prejuízos financeiros, os pesquisadores destacam que essas condutas afetam diretamente o acesso da população aos serviços, comprometem a qualidade da assistência e elevam os custos de todo o sistema, reforçando a importância de mecanismos mais eficientes de fiscalização, auditoria e programas de compliance.

“O cenário demonstra que muitas das práticas identificadas não representam apenas desvios éticos, mas podem configurar infrações administrativas, civis e até criminais. A administração pública é regida pelos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, previstos no artigo 37 da Constituição Federal. Quando há fraude em licitações, favorecimento indevido ou desvio de recursos destinados à saúde, há violação desses princípios e, em muitos casos, responsabilização com base na Lei de Improbidade Administrativa e na Lei de Licitações", explica o advogado Thayan Fernando Ferreira, especialista em direito público e direito de saúde, membro da Comissão de Direito Médico da OAB-MG e diretor do escritório Ferreira Cruz Advogados. 

O especialista ressalta que o direito do cidadão à saúde também deve ser observado nas relações entre pacientes, operadoras de planos de saúde e prestadores de serviço. "A Lei nº 9.656, que regulamenta os planos de saúde, estabelece regras para a cobertura assistencial, enquanto o Código de Defesa do Consumidor protege o beneficiário contra práticas abusivas. Negativas de cobertura sem fundamento contratual ou legal podem ser questionadas judicialmente e, dependendo da situação, o consumidor pode buscar não apenas a realização do procedimento, mas também a reparação pelos prejuízos sofridos", afirma.

Outro ponto que merece atenção, segundo Thayan, é o avanço do uso de tecnologias e inteligência artificial na área da saúde. "A inovação é importante, mas deve caminhar ao lado da proteção de direitos fundamentais. A Lei Geral de Proteção de Dados determina que informações sobre saúde possuem natureza sensível e exigem cuidados rigorosos no tratamento, armazenamento e compartilhamento. O uso inadequado desses dados pode gerar responsabilidade para empresas e instituições, além de comprometer a confiança entre pacientes e profissionais", destaca.

No fim das contas, o advogado orienta a fortalecer mecanismos internos de integridade é uma medida que beneficia tanto instituições públicas quanto privadas. “Programas de compliance, canais seguros para denúncias, auditorias independentes e maior transparência nas contratações reduzem riscos jurídicos, aumentam a credibilidade das organizações e contribuem para uma gestão mais eficiente dos recursos destinados à saúde. Além da fiscalização, a disseminação de uma cultura de integridade e o respeito às normas que regulam o setor são considerados fatores essenciais para reduzir irregularidades, ampliar a segurança dos pacientes e garantir que os investimentos em saúde sejam convertidos em serviços de qualidade para a população”, finaliza.


 Magnific
Novo relatório da Organização Mundial da Saúde projeta que os casos possam alcançar quase 35 milhões por ano até 2050 e escancara as desigualdades de acesso ao diagnóstico e ao tratamento; para a Oncoclínicas, o Brasil vive um momento decisivo para transformar dados em políticas de prevenção e detecção precoce

 

O câncer avança em ritmo acelerado no mundo, mas a ciência que poderia conter esse avanço ainda não chega a quem mais precisa. É esse o alerta central de um novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), que projeta que uma em cada cinco pessoas desenvolverá algum tipo de câncer ao longo da vida — e que a doença afetará, direta ou indiretamente, 92% da população mundial, seja por um diagnóstico próprio ou de um familiar próximo. 

Segundo o documento, o planeta registra atualmente cerca de 20,6 milhões de novos casos e 10 milhões de mortes por câncer a cada ano. As projeções apontam que o número de novos diagnósticos pode chegar a quase 35 milhões anuais até 2050. “Durante anos, a história do câncer foi contada como uma história de progresso científico. Essa história é verdadeira e merece ser contada, mas não é toda a história”, resumiu Andre Ilbawi, líder da equipe de controle do câncer da OMS. 

O ponto que a entidade faz questão de sublinhar é justamente a outra metade dessa narrativa: as desigualdades no acesso à prevenção, ao diagnóstico, ao tratamento e aos cuidados permanecem profundas e, em alguns casos, estão aumentando.
 

Um mesmo diagnóstico, prognósticos radicalmente diferentes 

O relatório mostra que, em países de alta renda, cerca de 85% das pessoas diagnosticadas com câncer de mama ou com câncer infantil sobrevivem por pelo menos cinco anos. Nos países mais pobres, essa taxa cai para menos de 30%. A diferença se repete no acesso a medicamentos: nas nações de baixa e média-baixa renda, apenas entre 9% e 54% dos 20 fármacos prioritários definidos pela OMS para o tratamento do câncer estão disponíveis, contra 68% a 94% nos países ricos. O documento aponta ainda que 23 países não possuem sequer instalações de radioterapia. 

Para Mariana Laloni, diretora médica técnica da Oncoclínicas&Co., esse contraste é a informação mais importante do relatório. “O dado que mais impressiona não é a projeção de novos casos, que já vínhamos acompanhando, mas a constatação de que um mesmo diagnóstico pode significar destinos completamente diferentes dependendo de onde a pessoa nasceu. Sobreviver ao câncer não deveria ser uma questão de CEP, mas hoje, em grande parte do mundo, ainda é”, afirma. 

A médica ressalta que o câncer é uma doença multifatorial, cujo crescimento combina o envelhecimento populacional com fatores de risco que se expandem globalmente. “O envelhecimento da população é o principal motor por trás desse aumento, porque o câncer é uma doença fortemente associada à idade. Mas a ele se somam fatores evitáveis, como o tabagismo, o consumo de álcool, a obesidade e o sedentarismo. Quando olhamos para essa equação, entendemos por que o número de casos cresce mais rápido justamente nos países que têm menos estrutura para responder”, explica.
 

O peso financeiro que interrompe tratamentos 

Outro alerta do relatório é o impacto econômico da doença sobre pacientes e famílias. De acordo com a OMS, dois terços dos países ainda não incluem o câncer em seus planos universais de saúde e, em alguns locais, os custos elevados levam até 90% dos pacientes a abandonar o tratamento. Uma pesquisa global com pacientes e cuidadores revelou dificuldades financeiras generalizadas, sobrecarga emocional e casos em que famílias precisam escolher entre custear a terapia e garantir necessidades básicas, como manter os filhos na escola. 

“O abandono de tratamento por motivo financeiro é uma das faces mais cruéis dessa doença, porque significa interromper algo que estava funcionando. Quando um paciente para a terapia no meio do caminho, perdemos não apenas os recursos já investidos, mas, sobretudo, a chance de cura que ele tinha. Cuidar do câncer é também cuidar da sustentabilidade financeira do paciente e da sua família”, observa Mariana Laloni.
 

O Brasil diante de um cenário decisivo 

O relatório da OMS chega em um momento em que o Brasil já dimensiona internamente a extensão do desafio. Segundo a Estimativa 2026–2028 do Instituto Nacional de Câncer (INCA), divulgada em fevereiro de 2026, o país deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio — aproximadamente 518 mil quando excluídos os tumores de pele não melanoma. O número representa um crescimento de quase 11% em relação à estimativa anterior, de 704 mil casos anuais no triênio 2023--2025, e projeta um total de mais de 2,3 milhões de novos diagnósticos ao longo dos três anos. 

O documento do INCA confirma que o câncer vem se consolidando como uma das principais causas de adoecimento e morte no país, aproximando-se das doenças cardiovasculares. Entre os homens, os tumores mais incidentes serão os de próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral; entre as mulheres, os de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide. Chamam a atenção o avanço acima da média do câncer colorretal — inclusive entre pacientes mais jovens — e a persistência do câncer de colo do útero, um tumor evitável e diretamente ligado às desigualdades de acesso. 

“Os dados do INCA e da OMS contam a mesma história a partir de dois ângulos. O Brasil é um retrato fiel do que o relatório descreve: envelhecemos, mudamos nossos hábitos de vida e, ao mesmo tempo, convivemos com desigualdades regionais enormes no acesso ao rastreamento e ao tratamento”, avalia a diretora médica técnica da Oncoclínicas. “O crescimento do câncer colorretal em pessoas mais jovens e a manutenção do câncer de colo do útero entre os mais incidentes são sinais claros de onde precisamos atuar: mais rastreamento, mais vacinação contra o HPV e mais informação chegando de forma equitativa a toda a população.”, destaca a diretora médica técnica da Oncoclínicas.
 

Quatro em cada dez casos poderiam ser evitados 

Apesar do panorama desafiador, a OMS também aponta caminhos. O relatório destaca a existência de uma rota viável para a eliminação do câncer do colo do útero, a tendência de queda no consumo de tabaco em diversos países e o fato de a maioria das nações já contar com planos nacionais de combate à doença. E traz um dado que reposiciona a discussão para a prevenção: segundo Isabelle Soerjomataram, vice-chefe da unidade de vigilância da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc), quatro em cada dez novos casos estão associados a fatores de risco já conhecidos e passíveis de enfrentamento, como o uso de tabaco, infecções, o consumo de álcool e o excesso de peso corporal. 

Para Mariana Laloni, é nesse ponto que se concentra a maior oportunidade. “Quando a OMS afirma que quatro em cada dez casos poderiam ser evitados, ela está dizendo que uma parcela imensa dessa carga de doença está sob o nosso controle. Prevenção não é um discurso genérico: é vacinação contra o HPV, é redução do tabagismo, é combate à obesidade e ao sedentarismo, é rastreamento organizado. Cada uma dessas frentes tem impacto mensurável no número de vidas salvas”, defende. 

A oncologista reforça que a detecção precoce segue sendo o fator que mais muda o desfecho da doença. “A mensagem que precisamos repetir é simples: quanto mais cedo o câncer é descoberto, melhor o prognóstico e maiores as chances de cura. O avanço científico dos últimos anos é real e transforma vidas, mas ele só cumpre seu papel quando chega ao paciente no tempo certo. Por isso a OMS acerta ao pedir que se valorizem os cuidados tanto quanto a cura — e ao lembrar que o combate ao câncer é, ao mesmo tempo, um desafio médico e social”, conclui Mariana Laloni. 



Oncoclínicas&Co
www.oncoclinicas.com



Conviver com doenças crônicas não significa envelhecer sem saúde, alerta especialista

SBGG explica por que autonomia e independência são os principais indicadores do envelhecimento saudável


Hipertensão, diabetes e artrose estão entre as doenças crônicas mais frequentes na população idosa. Ainda assim, conviver com esses diagnósticos não significa, necessariamente, envelhecer sem saúde. A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) chama atenção para uma mudança importante na forma de compreender o envelhecimento: hoje, mais importante do que as doenças que uma pessoa possui é sua capacidade de manter autonomia, independência e qualidade de vida. 

"A maioria das pessoas idosas convive com uma ou mais doenças crônicas e isso, por si só, não significa incapacidade ou perda de qualidade de vida. Atualmente, sabemos que é perfeitamente possível envelhecer com saúde mesmo convivendo com doenças, desde que essas condições sejam bem acompanhadas e não comprometam, de forma importante, a autonomia e a independência", explica Isabela Oliveira Azevedo Trindade, fisioterapeuta, especialista em Gerontologia e presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG.
 

O que realmente define um envelhecimento saudável 

A idade cronológica explica apenas uma parte do processo de envelhecimento. Hábitos de vida, vínculos sociais, escolaridade, acesso aos serviços de saúde e condições socioeconômicas influenciam diretamente a forma como cada indivíduo envelhece. 

"Duas pessoas podem ter exatamente os mesmos diagnósticos e apresentar níveis completamente diferentes de saúde. Enquanto uma continua independente, ativa e socialmente participativa, a outra pode apresentar limitações importantes. Isso acontece porque a saúde da pessoa idosa é determinada, principalmente, pela sua capacidade funcional, ou seja, pela habilidade de fazer aquilo que valoriza no cotidiano", afirma. 

Na prática, esse conceito considera não apenas as doenças existentes, mas também aspectos como mobilidade, cognição, saúde mental, força muscular, visão, audição e o ambiente em que a pessoa vive. "Quando preservamos as condições físicas e cognitivas ao longo da vida e oferecemos ambientes favoráveis, aumentamos as chances de manter autonomia e independência, mesmo diante de doenças crônicas", acrescenta. 

Para Isabela, outro equívoco comum é acreditar que perder autonomia faz parte, inevitavelmente, do envelhecimento. "Embora algumas mudanças sejam naturais, muitas limitações podem ser prevenidas, retardadas ou tratadas quando identificadas precocemente. Mais importante do que perguntar quais doenças uma pessoa tem é perguntar se ela consegue viver da maneira como deseja."
 

Muito além das consultas médicas 

Preservar a capacidade funcional depende, além das consultas e tratamentos, da prática regular de atividade física, de uma alimentação equilibrada, sono de qualidade, vacinação, cuidados com a saúde bucal, visão e audição, prevenção de quedas e revisão periódica dos medicamentos. 

"A prática regular de atividade física talvez seja a intervenção isolada com maior impacto para preservar força, equilíbrio, mobilidade, cognição e saúde mental. Mas outros fatores, frequentemente negligenciados, também fazem uma enorme diferença, como relações afetivas, participação comunitária, atividades culturais e propósito de vida, componentes essenciais do envelhecimento saudável", destaca. 

"Mesmo pessoas que já apresentam doenças crônicas ou alguma limitação funcional, podem melhorar sua capacidade, recuperar parte da autonomia e ganhar qualidade de vida quando recebem intervenções adequadas. O grande objetivo da Geriatria e da Gerontologia não é apenas aumentar a expectativa de vida, mas ampliá-la com saúde. Isso significa viver mais anos com autonomia, independência, participação social e dignidade. Envelhecer com saúde não é envelhecer sem doenças. É preservar a capacidade de fazer escolhas, manter vínculos e continuar realizando aquilo que dá sentido à própria vida", finaliza Isabela.
 

 

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG


Campanha "Vidas interrompidas: #NãoIgnoreMeuFígadoRaro" alerta sobre o impacto das doenças hepáticas raras

 

Iniciativa busca dar visibilidade à jornada de pacientes com colestase intra-hepática familiar progressiva (PFIC), síndrome de Alagille (ALGS) e colangite biliar primária (CBP).

 

Apesar das doenças raras e ultrarraras no fígado serem frequentemente invisíveis ao sistema de saúde e à sociedade, o impacto no cotidiano dos pacientes e de suas famílias costuma ser profundo e devastador. Para chamar atenção para essas enfermidades pouco conhecidas bem como a urgência do cuidado adequado, o movimento Vozes Raras do Fígado, que conta com o apoio institucional da Ipsen, biofarmacêutica global e reúne pacientes, familiares, cuidadores e profissionais de saúde para promover mais informação, acesso e apoio para quem convive com doenças raras do fígado, lança a campanha "Vidas interrompidas: #NãoIgnoreMeuFígadoRaro". 

A iniciativa tem por objetivo dar visibilidade à jornada de pacientes com colestase intra-hepática familiar progressiva (PFIC), síndrome de Alagille (ALGS) e colangite biliar primária (CBP). A PFIC1 e ALGS2 são doenças genéticas e graves que afetam o fígado e se manifestam principalmente na infância. Para crianças com essas condições, a jornada começa com um desafio complexo: a busca por um diagnóstico preciso. Por serem condições ultrarraras que se manifestam cedo, as famílias percorrem um longo e incerto caminho, muitas vezes sem encontrar o apoio necessário na rede de atendimento. 

“O impacto dessas doenças vai muito além do físico: as condições causam sintomas debilitantes, como coceira incapacitante, privação de sono, atraso no desenvolvimento e desnutrição. As famílias que convivem com PFIC e ALGS têm a qualidade de vida das crianças comprometidas e sobrecarga significativa, com necessidade de cuidados contínuos, que, muitas vezes, faz com que os pais sejam afastados de seus trabalhos. E não é só isso: em ambas as doenças, a ausência de tratamento adequado pode levar ao transplante hepático, ainda que por caminhos diferentes. Na PFIC, o transplante decorre principalmente da progressão da doença hepática, e parte expressiva das crianças precisa ser transplantada ainda na primeira década de vida. Na Síndrome de Alagille, o prurido intratável é, por si só, indicação de transplante, mesmo quando a função hepática ainda está relativamente preservada”, explica Dra Gilda Porta, presidente do departamento de hepatologia pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e membro do movimento Vozes Raras do Fígado. 

No caso da CBP, a doença é marcada pela progressão silenciosa. A condição atinge, majoritariamente, mulheres em plena fase produtiva — acima dos 40 anos. A fadiga extrema e o desconforto constante, sintomas frequentes da doença, são muitas vezes subestimados, mas têm um impacto devastador na rotina profissional, familiar e social dessas pacientes. Dar visibilidade a esse "fígado raro" é, acima de tudo, validar a dor de milhares de mulheres que vivem com uma doença crônica, reforçando a necessidade de um sistema que identifique os sinais precoces e ofereça o acompanhamento necessário antes que a condição limite suas atividades diárias. 

Cerca de 40% dos pacientes com CPB apresentam resposta inadequada ou são intolerantes ao único tratamento disponível no SUS.(3,4,5) “Estamos vivendo um momento extremamente relevante - uma vez que o Ministério da Saúde está revisando o documento que organiza critérios diagnósticos, tratamento e acompanhamento da CBP no SUS. A revisão deste guia de cuidado precisa considerar a necessidade de ampliar o arsenal terapêutico no sistema público, com terapias específicas, a fim de evitar que a doença evolua silenciosamente e leve à necessidade de intervenções de alta complexidade, como o transplante hepático”, reforça Dra Gilda. 

Já a PFIC pode surgir desde o nascimento até a adolescência, sendo mais frequente na infância. O principal sinal costuma ser a icterícia prolongada, mas a coceira intensa (prurido) é o sintoma que mais compromete a qualidade de vida. Em relação à ALGS, trata-se de uma doença que não afeta só o fígado. Ela é uma enfermidade multissistêmica que afeta coração, rins, olhos, vasos sanguíneos e ossos. A coceira intensa (prurido) também é um dos sinais - além da icterícia persistente. Para essas doenças não há nenhuma terapia disponível no SUS nem Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDTs), guias de cuidado específicos para a doença. Não há definição de centros de referência ou de fluxos de encaminhamento estruturados e muitos pacientes evoluem para transplante hepático em idade precoce. São doenças invisíveis para o sistema de saúde.

 

Um chamado à empatia e à ação social 

O grande objetivo da campanha "Vidas Interrompidas" é elevar a percepção pública sobre essas doenças. A hashtag (#NãoIgnoreMeuFígadoRaro) é um convite para que profissionais de saúde, gestores, familiares e a sociedade em geral compreendam a urgência do tratar e de fortalecer a rede de assistência. A falta de protocolos e guias de cuidado claros e a dificuldade de acesso a centros de referência não são apenas problemas técnicos; são barreiras que impedem que o paciente receba o cuidado que precisa no tempo certo. 

“Acreditamos que o primeiro passo para transformar a realidade desses pacientes é o reconhecimento. Ao levar essa conversa para o ambiente público, a campanha busca sensibilizar para que o diagnóstico e o acompanhamento deixem de ser um labirinto, tornando-se um processo transparente e acolhedor, capaz de preservar a qualidade de vida e o futuro dessas pessoas”, explica Lauda Santos, presidente da Amavi Raras e vice-presidente da Febrararas, que faz parte do movimento Vozes Raras do Fígado. 

Para mais informações sobre a colestase intra-hepática familiar progressiva (PFIC), síndrome de Alagille (ALGS), colangite biliar primária (CBP) e a campanha "Vidas interrompidas: #NãoIgnoreMeuFígadoRaro", acesse o HUB Vozes Raras do Fígado.

 

 

Referências 

1 AMERICAN LIVER FOUNDATION. Progressive familial intrahepatic cholestasis. Nova York: American Liver Foundation, 2019. Disponível em: Link.

2 AMERICAN LIVER FOUNDATION. Alagille syndrome. Nova York: American Liver Foundation, 2026. Disponível em: Link.

3 European Association for the Study of the L. EASL Clinical Practice Guidelines: The diagnosis and management of patients with primary biliary cholangitis. J Hepatol. 2017; 67:145-72.

4 Cancado GGL, Braga MH, Ferraz MLG, Villela-Nogueira CA, Terrabuio DRB, Cancado ELR, et al. Clinical features and treatment outcomes of primary biliary cholangitis in a highly admixed population. Ann Hepatol. 2022; 27: 100546.

5 Cançado GGL, et al. AASLD 2025; Poster 4475.

 

Pesquisa inédita revela que 56% das mulheres acima de 40 anos convivem com perda involuntária de urina no Brasil

 

Levantamento encomendado pela Apsen mostra que vergonha, falta de informação e baixa procura por tratamento ainda são barreiras para o cuidado com a saúde urinária
 

A perda involuntária ou os escapes de urina afetam 56% das mulheres brasileiras com mais de 40 anos, mas a busca por cuidado ainda é limitada: 87% das mulheres com incontinência urinária nunca realizaram nenhum tipo de tratamento para a condição. É o que aponta a pesquisa inédita “Escape do Tabu: retratos da Incontinência Urinária no Brasil”, realizada pela Ipsos a pedido da Apsen. O levantamento revela que, apesar da frequência da condição, muitas mulheres ainda enfrentam dificuldades para falar sobre o tema, buscar orientação e acessar informações sobre diagnóstico e tratamento. 

A incontinência urinária (IU) é caracterizada pela perda involuntária de urina e pode ocorrer em diferentes fases da vida, embora seja mais frequente com o avanço da idade. A condição pode impactar o bem-estar físico, emocional, psicológico e social das pessoas e, apesar de ser comum, ainda é pouco discutida, muitas vezes por vergonha ou desconhecimento sobre as possibilidades de cuidado e tratamento¹.

Realizada entre os dias 30 de junho e 8 de julho de 2026, a pesquisa ouviu 1.500 mulheres com 40 anos ou mais, das classes A, B e C, residentes em todas as regiões do Brasil, por meio de painel online com população conectada.
 

Incontinência urinária impacta rotina, autoestima e qualidade de vida

O estudo mostra que a perda urinária pode influenciar escolhas e hábitos do dia a dia. Entre as mulheres que apresentam incontinência urinária, 52% afirmam ter mudado algum hábito ou enfrentado impactos na rotina por medo de escapes de urina. As principais adaptações relatadas são o uso preventivo de protetores diários, absorventes ou fraldas, a escolha de locais considerando a proximidade de banheiros, mudanças na forma de se vestir e a redução ou interrupção da prática de atividades físicas, esportes ou caminhadas.

Cerca de 33% das mulheres afirmam utilizar protetores diários, absorventes ou fraldas de forma preventiva, enquanto 11% relatam planejar seus deslocamentos considerando a localização de banheiros. Os dados mostram que, para muitas mulheres, a estratégia adotada para lidar com a condição ainda é adaptar a rotina e ocultar os sintomas, em vez de buscar avaliação e tratamento especializado.

O impacto também aparece na esfera emocional. Entre as mulheres com incontinência urinária mista, 29% relatam aumento de ansiedade, estresse, vergonha ou tristeza em decorrência da condição. Além disso, 33% das mulheres que convivem com perda urinária afirmam que já esconderam ou evitaram falar sobre o tema com pessoas próximas. 

Para a Dra. Carmita, psiquiatra e especialista em Sexologia Médica, livre-docente pela Faculdade de Medicina da USP, fundadora e coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, os dados da pesquisa demonstram que a condição ultrapassa os sintomas físicos.

“A incontinência urinária pode interferir na forma como a mulher se conduz com seu próprio corpo, com as atividades cotidianas e com seus relacionamentos. Quando uma condição de saúde limita momentos importantes da vida, como sair, trabalhar ou com conviver com tranquilidade, é fundamental criar espaços de acolhimento e conversa para que ela possa buscar ajuda sem constrangimento”, afirma.
 

Dificuldade de falar sobre o tema ainda é uma barreira para o cuidado

Os dados apontam que a dificuldade de conversar sobre a condição permanece presente, inclusive nos espaços de cuidado. Entre as brasileiras com incontinência urinária acima de 50 anos entrevistadas, 64% relatam que ainda têm dificuldade de falar sobre o problema, inclusive com especialistas. O levantamento também aponta uma lacuna no diálogo durante consultas de rotina: 54% das mulheres afirmam que nenhum ginecologista, clínico geral ou outro profissional de saúde perguntou sobre escapes de urina durante atendimentos médicos. 

Segundo a Dra. Rebeka Cavalcanti, coordenadora do setor de Urologia Feminina do Hospital Servidores do Estado, coordenadora do Departamento de Urologia Feminina da SBU-RJ e membro da Uroginecologia Feminina do HSVP, os dados reforçam a importância de ampliar a abordagem sobre a condição. “Os resultados mostram uma realidade que observamos na prática clínica: muitas mulheres convivem com sintomas de incontinência urinária por longos períodos antes de buscar avaliação especializada. A condição pode apresentar diferentes causas e manifestações, e o diagnóstico adequado é fundamental para definir a melhor abordagem para cada paciente. Ampliar o conhecimento e desmistificar o tema ajuda a fortalecer a confiança para que mais mulheres procurem orientação e cuidado”, afirma.


Informação e diálogo: caminhos para transformar o cuidado

Embora parte das mulheres reconheça que a incontinência urinária tem tratamento especializado, essa informação ainda não se traduz em busca por cuidado. O estudo mostra que 58% sabem que a condição pode ser tratada, mas apenas 13% das mulheres que convivem com a perda urinária efetivamente realizam algum tratamento, evidenciando a distância entre conhecimento e ação.

Apesar da presença dos sintomas, a procura por tratamento ainda é baixa. Além das 87% que nunca realizaram tratamento, o estudo identificou que 19% das mulheres que apresentam perda urinária não sabiam que a condição possui tratamento especializado, que existem diferentes tipos de incontinência urinária ou que o urologista também atende mulheres. 

A maioria das mulheres entrevistadas reconhece a importância: 79% consideram a incontinência urinária é um problema de saúde que precisa de atenção. Apesar desse reconhecimento, ainda persistem barreiras para o diagnóstico e o tratamento, reforçando a necessidade de ampliar o acesso à informação para que mais mulheres reconheçam os sintomas e saibam que existem caminhos de cuidado.
 

Escape do Tabu: ampliando a conversa sobre saúde urinária

A pesquisa faz parte da iniciativa Escape do Tabu, movimento da Apsen voltado à conscientização sobre a incontinência urinária e ao incentivo ao diagnóstico, tratamento e cuidado com a saúde urinária.

Para Renata Spallicci, vice-presidente executiva da Apsen, os dados reforçam a importância de transformar a forma como a sociedade conversa sobre a condição.

“Os resultados mostram que muitas mulheres ainda deixam de buscar cuidado ou adaptam suas rotinas para lidar com a incontinência urinária. Levar informação de qualidade, estimular uma conversa mais aberta e contribuir para que mais pessoas tenham acesso ao diagnóstico e ao tratamento adequado fazem parte do compromisso da Apsen com a saúde e a qualidade de vida dos pacientes”, afirma. 


Sobre a pesquisa

A pesquisa “Escape do Tabu: retratos da Incontinência Urinária no Brasil” foi realizada pela Ipsos a pedido da Apsen entre os dias 30 de junho e 8 de julho de 2026. O estudo foi conduzido com 1.500 mulheres com 40 anos ou mais, das classes A, B e C, residentes em todas as regiões do Brasil, por meio de painel online com população conectada.

 


Sobre a Apsen
Uma empresa familiar, originada do sonho do Dr. Mario Spallicci e sua esposa Dona Irene Spallicci, que começou como um pequeno laboratório no bairro de Santo Amaro, Zona Sul de São Paulo, e hoje, sob gestão de Renato Spallicci e sua filha Renata Spallicci, configura entre as dez maiores indústrias farmacêuticas nacionais do País em prescrição. Assim nasceu a Apsen, companhia que há mais de 50 anos é inspirada pela saúde e trabalha com foco em inovação e produtos que possam proporcionar uma melhor qualidade de vida para as pessoas. Presente em 12 áreas terapêuticas (neurologia, psiquiatria, otorrinolaringologia, urologia, ginecologia, reumatologia, ortopedia, gastroenterologia, geriatria, endocrinologia, angiologia e suplementos alimentares), a Apsen vem ampliando seu portfólio de moléculas inovadoras em vários segmentos. Além disso, a companhia valoriza a responsabilidade social e acredita que seu propósito de cuidar das pessoas abrange também iniciativas que contribuam para uma sociedade mais justa e igualitária.
Mais informações: Link



Referências:

1. Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Incontinência urinária. Disponível em: Link. Acesso em julho de 2026.

2. IPSOS. Escape do Tabu: retratos da Incontinência Urinária no Brasil. São Paulo: Ipsos, 2026. Pesquisa realizada para a Apsen Farmacêutica.


Dia dos Pais: Pesquisa TENA revela que 30% dos homens com incontinência urinária desconhecem a causa da condição

No Dia dos Pais, marca TENA reforça a importância do diálogo
sobre incontinência urinária e saúde masculina
FOTO DIVULGAÇÃO TENA

Levantamento reforça a importância do diagnóstico precoce; especialista orienta quando a perda involuntária de urina pode indicar outros problemas de saúde. 

 

Nem sempre quem convive com a incontinência urinária sabe o que está por trás da condição. É o que revela a pesquisa "TENA: incontinência urinária e hábitos de saúde masculina", segundo a qual 30% dos homens com perda involuntária de urina afirmam não conhecer a causa dos escapes. O dado reforça a importância da investigação médica para identificar a origem da condição e orientar o tratamento. TENA, marca número 1 mundial em produtos para incontinência urinária em adultos e parte da Essity, líder global em higiene e saúde, atua na conscientização sobre o tema e na oferta de soluções para pessoas que convivem com os escapes urinários. 

Realizada pela MindMiners, sob encomenda de TENA, a pesquisa busca ampliar o conhecimento sobre a incontinência urinária e os hábitos relacionados à saúde masculina. O levantamento também pretende conscientizar a população sobre estratégias para lidar com os episódios de escapes de urina e contribuir para a qualidade de vida. 

A condição é caracterizada pela perda espontânea de xixi e pode ocorrer em diferentes fases da vida, embora seja mais frequente com o envelhecimento. No entanto, não deve ser considerada uma consequência natural da idade. Entre as possíveis causas estão alterações da próstata, doenças neurológicas, diabetes, infecções urinárias e enfraquecimento da musculatura do assoalho pélvico, entre outros fatores que precisam ser avaliadas por um profissional de saúde. 

Segundo a enfermeira Maria Alice Lelis, doutora em Ciências da Saúde – Urologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e consultora de TENA, o fato de três em cada dez ainda desconhecerem a origem da incontinência mostra que o tema precisa ser mais discutido. 

"A perda involuntária de urina não deve ser encarada como algo normal ou inevitável. Existem diferentes tipos de incontinência e diversas causas possíveis, por isso é fundamental procurar avaliação médica. Quanto mais cedo a condição é investigada, maiores são as chances de identificar sua origem, iniciar o tratamento adequado e reduzir os impactos na qualidade de vida", afirma. 

Além do diagnóstico, alguns hábitos podem contribuir para a saúde urinária e para o controle dos sintomas, dependendo da causa da incontinência. Manter o peso adequado, controlar doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, praticar atividade física regularmente, evitar o tabagismo e moderar o consumo de bebidas alcoólicas e cafeína são medidas que podem fazer parte da prevenção e do tratamento. 

O impacto da condição também se estende à saúde emocional. Ainda segundo a pesquisa TENA, 49% dos homens com incontinência urinária associam a condição ao sentimento de vergonha, enquanto 42% relatam ansiedade. Esse cenário pode contribuir para que muitos demorem a procurar ajuda ou conversem sobre o problema apenas quando os sintomas já afetam a rotina. 

"Ainda existe muito constrangimento em falar sobre a incontinência urinária, e isso faz com que muitos homens adiem a busca por ajuda. O diálogo sobre o tema precisa se tornar algo natural para contribuir com as chances de a condição ser identificada e tratada precocemente", afirma Maria Alice. 

Enquanto a investigação médica e o tratamento são conduzidos, o uso de soluções adequadas ao nível de incontinência também pode contribuir para mais segurança e confiança, permitindo que a pessoa mantenha sua rotina. 

A marca TENA oferece uma linha desenvolvida especificamente para o público masculino. A linha TENA Men conta com absorventes para perdas leves a moderadas, adaptados à anatomia masculina e com tecnologia de controle de odores, nas versões regular e noturna. Para perdas mais abundantes, a opção é TENA Pants Men, roupa íntima descartável que veste como uma cueca e possui barreiras protetoras, controle de odor e canais de absorção para rápida retenção da urina. 

Essity


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