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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Dia Nacional de Combate ao Abuso Infantil: Brasil registra média de 150 casos de violência sexual contra vulneráveis por dia em 2026

Especialista afirma que a internet acelerou a adultização infantil e defende ação urgente entre escola e família para proteger crianças do abuso e do aliciamento online

 

O Brasil registrou 13.462 casos de violência sexual contra vulneráveis apenas nos três primeiros meses de 2026, segundo levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O número representa uma média alarmante de aproximadamente 150 ocorrências por dia no país.

Os dados ganham ainda mais repercussão neste 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, data que busca conscientizar a população sobre a violência sexual infantil e incentivar denúncias.

Além do crescimento recente, os números revelam uma escalada preocupante nos últimos anos. Em 2015, o Brasil registrou cerca de 19,4 mil casos de violência sexual contra vulneráveis. Em 2025, esse número ultrapassou 59,3 mil ocorrências, mais que triplicando em uma década.

Dados da ONG Maio Laranja também mostram que, a cada hora, três crianças sofrem abuso no Brasil. Mais da metade das vítimas têm entre 1 e 5 anos de idade. A organização estima ainda que cerca de 500 mil crianças e adolescentes sejam vítimas de exploração sexual todos os anos no país, mas apenas 7,5% dos casos chegam oficialmente às autoridades.

Para Mariana Ruske, Pedagoga Especialista em Neurociência Fundadora da Senses Montessori School, os números refletem uma realidade que vai além da violência física e exige atenção também para o ambiente digital.

“A internet se tornou mais um território de risco. Crianças expostas precocemente a conteúdos sexualizados apresentam maiores índices de ansiedade, depressão e distorção da autoimagem. O problema é que muitos adultos ainda enxergam isso como entretenimento inocente, quando na verdade estamos falando de impactos profundos no desenvolvimento emocional e neurológico.”

Segundo Mariana, o processo de adultização infantil tem acontecido cada vez mais cedo, impulsionado pelo livre acesso às redes sociais, conteúdos inadequados e ausência de supervisão digital.

“A infância está sendo acelerada. Hoje vemos crianças preocupadas com aparência, validação externa e comportamento de adultos antes mesmo de terem maturidade emocional para lidar com isso.”

A especialista afirma que a escola pode ajudar, mas reforça que a responsabilidade não pode ser transferida apenas para o ambiente escolar.

“A escola consegue orientar, criar espaços de conversa e trabalhar educação digital. Mas, ela não substitui presença familiar. Proteção exige vínculo, diálogo e acompanhamento constante.”

Mariana também chama atenção para sinais que podem indicar exposição inadequada ou até situações de risco, como mudanças bruscas de comportamento, isolamento, ansiedade excessiva com aparência, vocabulário sexualizado e consumo escondido de conteúdos online.

“A exposição à pornografia e ao aliciamento virtual não é apenas preocupante. É uma violência silenciosa que vem moldando o comportamento de crianças e adolescentes.”

Ela defende que o Brasil avance em políticas mais firmes de proteção digital na infância e alerta que o problema já se tornou uma questão coletiva de saúde emocional e segurança infantil.

“A indústria da pornografia, do aliciamento e da monetização da atenção infantil movimenta bilhões. Quem ainda acredita que isso não impacta diretamente nossas crianças está ignorando uma realidade muito séria.”


Sinais de alerta que merecem atenção

-Mudanças bruscas de comportamento
-Isolamento e medo excessivo
-Ansiedade com aparência física
-Linguagem sexualizada incompatível com a idade
-Queda no rendimento escolar
-Uso escondido ou compulsivo de celulares e redes sociais
-Alterações no sono e irritabilidade


ONDE DENUNCIAR

Casos suspeitos de abuso ou exploração sexual infantil podem ser denunciados anonimamente pelo Disque 100.


Mariana Ruske - Pedagoga da Senses Montessori School, pedagoga há 12 anos, especializada no método Montessori e fundadora da Senses Montessori School, referência em bilinguismo e educação Montessori no Brasil. Mãe de dois meninos, sua trajetória inclui formações em engenharia e astrofísica antes de encontrar sua vocação na pedagogia, impulsionada pela paixão pelo cérebro humano e seu desenvolvimento. Palestrante e ativista, dedica-se a disseminar informações sobre a proteção infantil contra abuso e violência. Defende que a educação infantil é a base do futuro e vê na Pedagogia Científica de Maria Montessori a ferramenta ideal para um desenvolvimento integral.

 

Violência infantil: casos atendidos pelo Pequeno Príncipe revelam abuso sexual recorrente e vítimas cada vez mais joven

 

Esta imagem foi gerada por IA com edição de Wynitow Butenas

No mês do 18 de Maio, instituição de referência em saúde infantojuvenil amplia o debate sobre proteção à infância ao completar 20 anos da Campanha Pra Toda Vida

 

Em um mês marcado nacionalmente pelas mobilizações do 18 de Maio — Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes —, a Campanha Pra Toda Vida — A Violência Não Pode Marcar o Futuro das Crianças e Adolescentes, do Hospital Pequeno Príncipe, completa 20 anos reforçando um alerta urgente: a violência contra crianças é precoce, recorrente e, na maioria dos casos, acontece dentro de casa. Ao longo de duas décadas, já são mais de dez mil casos atendidos das mais diferentes formas de abuso, um volume que não apenas revela a dimensão do problema, mas permite identificar padrões consistentes. 

Somente em 2025, o Hospital — maior e mais completo pediátrico do país — registrou 637 atendimentos de bebês, crianças e adolescentes com suspeita de maus-tratos e abusos. A análise desses atendimentos mostra que a violência sexual segue como principal ocorrência, presente em 64% das situações, e atinge majoritariamente crianças na primeira infância: 67% das vítimas tinham até 6 anos, sendo que uma em cada três tinha até 3 anos. Ao mesmo tempo, 72% das agressões ocorrem no ambiente doméstico, e 24% dos registros apresentam recorrência — indicando que a violência, muitas vezes, não é um episódio isolado, e sim um ciclo que se repete ao longo do tempo. 

Casos extremos ajudam a dimensionar essa realidade: a criança mais nova atendida em 2025 com indícios de abuso sexual tinha apenas 6 meses de vida. Outro atendimento impactante registrado em 2025, desta vez relacionado à violência física, foi o de um recém-nascido de apenas 10 dias, internado com múltiplas lesões. 

Esse conjunto de evidências aponta para um cenário complexo: a violência é, ao mesmo tempo, íntima, silenciosa e difícil de ser identificada, especialmente porque atinge vítimas que ainda não conseguem compreender ou relatar o que vivem. Por isso, o enfrentamento passa necessariamente pelo olhar atento de adultos e pela atuação qualificada da rede de proteção. É a partir dessa necessidade que a campanha estrutura suas ações.

 

O papel do adulto na identificação da violência

Uma das frentes da iniciativa é fortalecer a capacidade de adultos reconhecerem sinais de alerta e compreenderem que a denúncia é o primeiro passo para interromper o ciclo de agressão. Para isso, identificar mudanças de comportamento pode ser decisivo. 

Alguns sinais que podem indicar diferentes formas de violência incluem:

• mudanças bruscas de comportamento;
• recusa ou dificuldade para dormir;
• medo de determinadas pessoas ou lugares;
• isolamento ou agressividade;
• volta da evacuação nas roupas (após fase de desfralde — inclusive na adolescência);
• queda no rendimento escolar;
• conhecimento ou comportamento sexual incompatível com a idade.

 

Dados que orientam 20 anos de mobilização

Ao completar 20 anos, a Campanha Pra Toda Vida se soma às mobilizações nacionais do 18 de Maio, reforçando que o enfrentamento da violência depende de informação, denúncia e atuação coletiva. Para transformar essas informações em ação concreta, o Hospital Pequeno Príncipe desenvolve iniciativas de prevenção e mobilização. 

O que começou como uma ação de conscientização para romper o silêncio e incentivar a denúncia tornou-se um movimento estruturado, que hoje atua em múltiplas frentes: produção de conteúdo técnico, formação de profissionais, mobilização social, uso de dados e evidências e fortalecimento da rede de proteção. Nesse percurso, a iniciativa acompanhou transformações sociais, incorporando temas como prevenção, violência digital e protagonismo infantil. 

A proposta teve origem em uma mobilização voltada à atuação de profissionais da saúde diante de casos suspeitos de violência infantil. Em sua criação, contou com apoio da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, a partir da percepção de ortopedistas de que muitas crianças chegavam aos serviços de saúde com lesões incompatíveis com os relatos apresentados pelos responsáveis — um dos primeiros sinais de alerta para situações de maus-tratos e abusos. 

Em 20 anos, o Hospital Pequeno Príncipe ultrapassou dez mil atendimentos de crianças e adolescentes em situação de risco, com crescimento de 126% na série histórica — um indicativo da persistência do problema. Em 2026, com o mote “Proteger a infância é um compromisso de todos”, a campanha reforça que o enfrentamento da violência exige uma rede ativa — envolvendo famílias, escolas, profissionais, poder público e toda a sociedade. 

“O Pequeno Príncipe chama atenção para a importância de todos os atores sociais estarem atentos ao enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes. Quando a violência atinge crianças tão pequenas, enfrentá-la depende da ação de todos”, afirma a diretora-executiva do Hospital Pequeno Príncipe, Ety Cristina Forte Carneiro.

 

Denunciar é proteger

O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes foi instituído pela Lei Federal nº 9.970/2000, em memória de Araceli Crespo, menina de 8 anos sequestrada, violentada e assassinada em 1973, em um crime que se tornou símbolo da luta pelos direitos das crianças e adolescentes no Brasil. 

A campanha 18M é promovida pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania em parceria com organizações da rede de proteção à infância. As mobilizações do mês de maio também dialogam com a campanha nacional “Faça Bonito: Proteja nossas Crianças e Adolescentes”, realizada em todo o país como forma de conscientizar a sociedade sobre a prevenção e o enfrentamento da violência sexual infantojuvenil. 

A denúncia é o primeiro passo para interromper a violência — e pode ser feita de forma anônima pelos números:
• Disque 100 (nacional)

• 181 (Paraná)

• 156 (Curitiba)

 

👉 Acesse os conteúdos e saiba como agir: Pra Toda Vida.


Pós-parto imediato exige atenção ao corpo para prevenção de disfunções futuras

O pós-parto imediato é um dos períodos de maior transformação n
o corpo da mulher, e não apenas do ponto de vista emocional

Canva
Especialista alerta que dor, inchaço, alterações musculares e insegurança corporal fazem parte do período logo após o nascimento do bebê e exigem acompanhamento adequado para evitar impactos na qualidade de vida da mulher

 

O pós-parto imediato é um dos períodos de maior transformação no corpo da mulher, e não apenas do ponto de vista emocional. Flacidez, sensação de fraqueza e a preocupação com a diástase (separação dos músculos abdominais) estão entre as principais queixas das mulheres logo após o nascimento do bebê. Mas especialistas alertam que as mudanças vão além da estética: envolvem uma reorganização profunda de todo o corpo, especialmente da dinâmica entre abdômen e pelve.

Dor, inchaço, sensação de peso, escapes urinários e insegurança corporal podem surgir nas primeiras semanas e fazem parte desse processo de adaptação. Ainda assim, esses sinais não devem ser ignorados. Estudos indicam que cerca de 50% das mulheres apresentam algum tipo de disfunção no pós-parto, incluindo alterações no assoalho pélvico, no abdômen e na função muscular global.

Segundo a fisioterapeuta e doutora em Ginecologia e Obstetrícia Daniella Leiros, da Clínica Videlis, em Ribeirão Preto (SP), é comum que a atenção inicial fique concentrada apenas no abdômen, mas neste momento o corpo precisa ser compreendido de forma integrada. “No pós-parto, a mulher olha primeiro para seu abdômen, mas o que está acontecendo é uma reorganização do corpo todo. Abdômen e pelve funcionam em conjunto, e quando essa integração não é bem acompanhada, podem surgir dores, disfunções e insegurança corporal”, explica.


Alterações começam na gestação e seguem após o parto

As mudanças no corpo feminino começam ainda durante a gravidez. O crescimento do útero, as alterações hormonais e as adaptações posturais impactam diretamente a musculatura abdominal e pélvica, modificando a forma como essas estruturas funcionam em conjunto.

“A gestação já promove estiramento, perda de força e alteração de coordenação muscular. Isso afeta tanto o abdômen quanto a pelve, interferindo na sustentação dos órgãos, no controle das continências e na estabilidade do corpo”, afirma Daniella.

A diástase abdominal, por exemplo, é uma das queixas mais frequentes nesse período e está diretamente relacionada à dinâmica pélvica. Quando não acompanhada, pode contribuir para dor lombar, sensação de fraqueza, alterações posturais e sobrecarga da pelve.


Comum não é sinônimo de normal

Embora sintomas como desconforto, dor leve ou escapes urinários possam aparecer no início do pós-parto, a persistência desses sinais merece atenção. “Alguns sintomas podem surgir nas primeiras semanas, mas é importante lembrar que comum não é normal. Se há dor, perda urinária, sensação de peso ou limitação na rotina, o corpo está pedindo cuidado”, destaca a especialista.

Entre os principais sinais de alerta estão: perda urinária frequente, dor ao se movimentar ou durante a relação sexual, sensação de peso na pelve, dificuldade para retomar atividades físicas e insegurança com o próprio corpo.


Recuperar vai além de fortalecer

Daniella ressalta que a recuperação no pós-parto não se resume a fortalecer músculos isoladamente, mas a restabelecer a comunicação entre diferentes partes do corpo. “A gente olha para o todo: abdômen, respiração, postura, movimento. Quando essa integração acontece, a mulher recupera não só a função, mas também a confiança no próprio corpo”, explica.

No longo prazo, esse acompanhamento contribui para a retomada segura das atividades, melhora da relação corporal e prevenção de disfunções como incontinência urinária, dor pélvica e desconfortos persistentes.

“No fundo, não é só sobre recuperar o corpo. É sobre devolver autonomia, segurança e bem-estar para essa mulher que acabou de renascer junto com o bebê”, conclui Daniella Leiros.

 

Linfoma: conheça os sinais de alerta, os avanços no tratamento e as chances de cura

Doença que afeta o sistema linfático pode apresentar sintomas silenciosos; terapias modernas ampliaram significativamente o prognóstico dos pacientes

 

O diagnóstico de linfoma do ex-ministro José Dirceu, divulgado na sexta-feira (15), voltou a chamar atenção para um tipo de câncer que afeta células essenciais do sistema imunológico e que, em muitos casos, pode evoluir de forma silenciosa. 

Linfoma é um câncer hematológico que se origina nos linfócitos, células responsáveis pela defesa do organismo. A doença acomete o sistema linfático, estrutura composta por linfonodos, baço, medula óssea e vasos linfáticos. 

De acordo com o hematologista Roberto Luiz Silva, responsável técnico pelo Departamento de Transplante de Medula Óssea do IBCC Oncologia, um dos desafios da doença é justamente a dificuldade inicial de sua identificação. 

“Muitos pacientes chegam ao consultório após semanas ou meses tratando sintomas inespecíficos, como febre persistente, suor noturno ou cansaço excessivo. O aumento dos gânglios linfáticos, principalmente no pescoço, nas axilas e na virilha, costuma ser um dos sinais mais característicos e merece investigação”, explica.

 

Doença possui dezenas de subtipos 

Os linfomas são classificados em grupos, sendo os principais o linfoma de Hodgkin e o linfoma não Hodgkin. O primeiro é considerado menos frequente e apresenta altas taxas de cura, especialmente quando diagnosticado precocemente. Já o linfoma não Hodgkin reúne dezenas de subtipos diferentes, que variam entre formas de crescimento lento e tumores altamente agressivos. 

Segundo o médico, entender o comportamento biológico da doença é essencial para definir a estratégia terapêutica. “Hoje sabemos que o linfoma não é uma doença única. Existem características moleculares e genéticas que influenciam diretamente na resposta ao tratamento e no prognóstico. Por isso, o diagnóstico preciso é uma etapa fundamental”, afirma o especialista. 

Para cada ano do triênio de 2026 a 2028 são esperados cerca de 3 mil casos de linfoma de Hodgkin, e mais de 12 mil casos de Linfoma não Hodgkin, de acordo com estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

 

Avanços mudaram o tratamento da doença 

Embora a quimioterapia ainda seja uma das principais formas de tratamento, os avanços da Hematologia transformaram significativamente o cuidado dos pacientes nas últimas décadas. Terapias-alvo, imunoterapia e transplante de medula óssea fazem parte das abordagens disponíveis para determinados casos. 

“A Hematologia avançou muito nos últimos anos. Já conseguimos utilizar medicamentos mais específicos, capazes de atacar mecanismos do tumor com mais precisão e menos toxicidade em comparação aos tratamentos convencionais”, destaca. 

Segundo o médico, a imunoterapia tem desempenhado papel importante especialmente em casos mais complexos ou resistentes. “Em alguns subtipos, conseguimos estimular o próprio sistema imunológico do paciente a reconhecer e combater as células doentes. Isso mudou completamente a perspectiva terapêutica de muitos pacientes”, afirma.

 

CAR-T Cell surge como alternativa inovadora 

A terapia CAR-T Cell já é considerada uma das abordagens mais inovadoras para alguns tipos de linfoma, principalmente nos casos em que a doença volta após o tratamento convencional ou não responde adequadamente à quimioterapia e à imunoterapia. 

O tratamento utiliza células de defesa do próprio paciente, os chamados linfócitos T, que são coletadas e modificadas em laboratório para reconhecer e atacar as células cancerígenas de forma mais precisa. Depois dessa reprogramação genética, as células são reinfundidas no organismo. 

O tratamento tem indicação principalmente para alguns subtipos de linfoma não Hodgkin, como linfoma difuso de grandes células B, linfoma do manto e linfoma folicular, em situações específicas. 

 “O CAR-T Cell não substitui todas as terapias existentes. Ele faz parte de uma linha terapêutica altamente especializada e indicada para perfis específicos de pacientes”, afirma Roberto Luiz Silva. 

O tratamento ainda possui alto custo e requer centros especializados, já que pode provocar efeitos adversos importantes, como reações inflamatórias intensas e alterações neurológicas temporárias. Mesmo assim, a terapia é considerada uma das maiores revoluções recentes da Hematologia Oncológica.

 

Prognóstico depende do diagnóstico precoce 

O prognóstico do linfoma depende de fatores como tipo da doença, estágio, idade do paciente e resposta ao tratamento. De maneira geral, as taxas de cura podem ser elevadas, sobretudo quando o câncer é identificado precocemente. 

“Mesmo nos linfomas considerados agressivos, existem excelentes possibilidades terapêuticas atualmente. Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maiores são as chances de controle da doença e de resposta positiva ao tratamento”, explica o hematologista. 

O especialista reforça ainda a importância de não ignorar sintomas persistentes. “O corpo costuma dar sinais. Linfonodos aumentados sem dor, perda de peso inexplicada, febre recorrente e suor noturno intenso não devem ser tratados como algo banal, principalmente quando persistem por várias semanas”, alerta. 

Também é importante o acesso rápido a centros especializados em Oncologia e Hematologia, capazes de oferecer diagnóstico preciso e tratamento individualizado para cada perfil de paciente.


Hipertensão: musculação ganha destaque como aliada no controle da pressão arterial

Prática orientada de exercícios de força ajuda a reduzir riscos cardiovasculares e melhora a qualidade de vida de pacientes que vivem com esta condição.

 

No último domingo (17), foi celebrado o Dia Mundial da Hipertensão, data que reforça o alerta sobre uma das condições crônicas mais comuns e perigosas da atualidade. Conhecida como uma “doença silenciosa”, a hipertensão arterial é considerada porta de entrada para problemas cardiovasculares graves, como infarto, AVC, insuficiência cardíaca e doenças renais, podendo levar à morte quando não controlada adequadamente.

 

Embora muitas pessoas ainda associem o controle da pressão alta apenas às caminhadas e atividades aeróbicas leves, estudos recentes têm mostrado que o treinamento resistido, como a musculação, possui papel fundamental no combate à hipertensão, podendo alcançar resultados semelhantes ou até superiores em determinados casos. 

 

Para o profissional de Educação Física Jauan Anselmo, especialista em fisiologia do exercício, a prática orientada de treinos de força vem se consolidando como uma importante ferramenta terapêutica não farmacológica.

 

Existe um mito muito antigo de que hipertenso não pode fazer musculação ou treino mais intenso, mas hoje a ciência já demonstra exatamente o contrário. Quando bem orientado e individualizado, o treinamento resistido melhora a função cardiovascular, reduz a pressão arterial e ainda proporciona mais qualidade de vida, autonomia e proteção muscular”, explica.

 

Um dos estudos que reforçam essa eficácia foi publicado na revista científica Scientific Reports, ligada ao grupo Nature, por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2023. A revisão sistemática analisou 14 ensaios clínicos randomizados com pessoas hipertensas e concluiu que o treinamento de força, realizado com intensidade moderada a vigorosa, ao menos duas vezes por semana e por no mínimo oito semanas, promoveu redução significativa do índice de pressão.

 

Segundo a pesquisa, os melhores resultados ocorreram com cargas superiores a 60% de uma repetição máxima (1RM), demonstrando que exercícios resistidos não apenas são seguros, como podem ser altamente eficazes para controle da hipertensão quando acompanhados adequadamente.

 

Além disso, a atualização da Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) em 2025, passou a recomendar o treinamento resistido no mesmo nível de evidência das atividades aeróbicas para pacientes hipertensos, consolidando o exercício de força como parte essencial do tratamento clínico.

 

Para o especialista, que está à frente da plataforma virtual Jauan Treinos – com metodologia voltada à ação personalizada –, a mudança no entendimento científico também reforça a importância do acompanhamento profissional durante os exercícios, especialmente para pessoas com condições pré-existentes.

O treino precisa respeitar o histórico clínico, a individualidade biológica e o condicionamento de cada pessoa. O profissional qualificado consegue controlar intensidade, volume, recuperação e progressão para que o exercício seja seguro e eficiente”, ressalta. 

Jauan destaca ainda que os benefícios vão além do controle da pressão arterial. O fortalecimento muscular auxilia na melhora da circulação sanguínea, da variabilidade da frequência cardíaca, da sensibilidade à insulina e do metabolismo, fatores diretamente ligados à saúde cardiovascular.

 

Quando a pessoa hipertensa começa a treinar corretamente, ela melhora não apenas os números da pressão, mas a funcionalidade do corpo inteiro. Existe mais disposição, melhora do sono, redução do estresse e mais independência para atividades do dia a dia. É uma mudança completa de qualidade de vida”, completa.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, a hipertensão afeta cerca de 30% da população brasileira adulta, isto é, mais de 50 milhões de pessoas, sendo um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, responsáveis pela maior causa de mortes no país. 

 O diagnóstico precoce, aliado a hábitos saudáveis, alimentação equilibrada, controle do estresse e prática regular de atividade física, segue como principal estratégia para prevenir complicações.


Maio Vermelho reforça alerta sobre as hepatites virais

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De acordo com dados divulgados pela OMS, as hepatites B e C continuam sendo responsáveis pela maioria das mortes relacionadas à doença em todo o mundo 


A campanha Maio Vermelho reforça a importância dos cuidados contra as hepatites virais, doenças que afetam o fígado e podem evoluir de forma silenciosa.

A mobilização busca ampliar o acesso à informação, incentivar a prevenção e alertar sobre a necessidade de realizar exames para identificar a doença precocemente.

As hepatites virais nem sempre apresentam sinais logo no início, o que dificulta o diagnóstico em muitos casos.

Sem acompanhamento médico, a infecção pode causar danos sérios ao organismo ao longo do tempo, comprometendo o funcionamento do fígado e aumentando o risco de problemas como cirrose. 

De acordo com informações do Ministério da Saúde, os tipos mais frequentes no Brasil são as hepatites A, B e C. Também existem os vírus D e E. 

A hepatite D tem maior incidência na região Norte do país, enquanto a hepatite E é menos comum em território brasileiro e aparece com mais frequência em países da África e da Ásia.
 

Hepatites B e C seguem entre os maiores desafios da saúde mundial 

Segundo dados recentes divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), as hepatites B e C continuam sendo responsáveis pela maioria das mortes relacionadas à doença em todo o mundo. 

Em 2024, cerca de 1,34 milhão de pessoas morreram por complicações ligadas às hepatites virais. Além disso, aproximadamente 1,8 milhão de novas infecções são registradas a cada ano. 

Apesar dos números preocupantes, o Relatório Global sobre Hepatite de 2026 revelou avanços importantes no combate à doença. Desde 2015, houve redução nos casos de hepatite B e também nas mortes provocadas pela hepatite C. 

Outro dado positivo apontado pelo relatório é a diminuição dos casos de hepatite B em crianças menores de cinco anos, resultado do aumento da vacinação em diversos países.

 

Veja os principais cuidados para evitar hepatites virais 

A prevenção continua sendo uma das principais formas de combate às hepatites virais. Entre os cuidados estão manter a vacinação em dia, usar preservativo nas relações sexuais, não compartilhar objetos cortantes e realizar exames regularmente

O diagnóstico precoce aumenta as chances de tratamento e ajuda a evitar complicações mais graves.
 

Hepatites virais: conheça os sintomas e formas de tratamento 

As hepatites virais são doenças que atingem o fígado e podem ser causadas por diferentes tipos de vírus.

Em muitos casos, a infecção não apresenta sintomas logo no início, o que dificulta o diagnóstico precoce. 

Quando os sinais aparecem, os mais comuns são cansaço, febre, enjoo, dor abdominal, falta de apetite, urina escura, fezes claras e pele ou olhos amarelados. 

Os sintomas podem variar de acordo com o tipo de hepatite e a gravidade da infecção. Algumas pessoas descobrem a doença apenas após realizar exames de rotina

Por isso, a realização de testes é importante, principalmente para quem faz parte de grupos de risco ou teve contato com situações de possível transmissão. 

O tratamento também depende do tipo de hepatite. Em alguns casos, como na hepatite A, o organismo pode eliminar o vírus naturalmente com repouso, hidratação e acompanhamento médico. 

as hepatites B e C podem exigir uso de medicamentos específicos para controlar ou eliminar o vírus, evitando complicações mais graves no fígado. Além do tratamento, a prevenção continua sendo fundamental.
 

Hepatites virais: saiba quais profissionais procurar 

As hepatites virais são doenças que afetam o fígado e podem exigir acompanhamento de diferentes profissionais da saúde, dependendo do tipo e da gravidade da infecção. 

O diagnóstico costuma começar com clínicos gerais ou médicos da atenção básica, responsáveis por solicitar exames e encaminhar o paciente para especialistas. 

Entre os profissionais mais indicados para tratar hepatites virais estão o hepatologista, especialista em doenças do fígado, e o infectologista, que atua no diagnóstico e tratamento de infecções causadas por vírus, bactérias e outros agentes. 

Em alguns casos, o gastroenterologista também pode acompanhar pacientes com alterações no sistema digestivo e problemas hepáticos. 

Além do tratamento medicamentoso, alguns pacientes precisam de acompanhamento multidisciplinar, com nutricionistas e outros profissionais da saúde, principalmente em situações mais graves ou crônicas. 

Com a crescente demanda por profissionais da área da saúde, cursos como Biomedicina, Enfermagem, Farmácia e Nutrição seguem entre os mais procurados por estudantes. 

Plataformas como o Educa Mais Brasil oferecem bolsas de estudo em diferentes áreas da saúde, com descontos de até 85% em instituições de ensino em todo o país.


Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal: dieta saudável é aliada essencial na prevenção e manejo

Coordenadora de Nutrição do Centro Universitário Módulo oferece orientações para reduzir inflamações e promover saúde intestinal

 

Com a celebração do Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal (DII), o olhar se volta para a importância de estratégias que ajudem no manejo e prevenção dessa condição. A alimentação, em particular, assume um papel de grande relevância, atuando tanto como fator de risco quanto como pilar fundamental na prevenção e tratamento. Adrielle Lopes, coordenadora do curso de Nutrição do Centro Universitário Módulo, destaca como as escolhas alimentares podem impactar diretamente a saúde intestinal. 

"A origem da doença inflamatória intestinal é complexa e multifatorial, mas há uma forte associação entre o padrão alimentar ocidental e um maior risco de desenvolvimento da doença", explica Adrielle. Segundo a docente, o alto consumo de ultraprocessados, gorduras saturadas e açúcares refinados, somado à baixa ingestão de fibras, favorece a disbiose intestinal, aumenta a permeabilidade e ativa vias pró-inflamatórias no organismo. 

Por outro lado, uma alimentação equilibrada, rica em fibras e vegetais, atua como protetora da barreira intestinal. Adrielle ressalta que durante as crises da doença a terapia nutricional pode aliviar sintomas como diarreia, dor abdominal e fadiga. Já nos períodos de remissão, o objetivo é modular a microbiota, prevenir novas inflamações e corrigir deficiências nutricionais comuns, como baixos níveis de ferro, vitamina B12 e vitamina D. 

Apesar da individualidade de cada organismo, com variações na reação a diferentes alimentos, a docente aponta grupos que, quando consumidos em excesso ou de forma habitual, podem comprometer a saúde intestinal e aumentar a inflamação sistêmica. Entre eles estão: 

  • Alimentos ultraprocessados: refrigerantes, salgadinhos, embutidos e refeições prontas.
  • Carnes processadas e embutidos: salsicha, presunto, bacon e linguiça.
  • Açúcares refinados: doces, bebidas açucaradas e sobremesas industrializadas.
  • Gorduras trans e excesso de gordura saturada: presentes em frituras e fast food.
  • Consumo de bebidas alcoólicas.

 

Para uma alimentação com potencial anti-inflamatório, a nutricionista sugere priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, além de nutrientes que promovam uma microbiota saudável e auxiliem na modulação do sistema imunológico. São eles: 

  • Fibras: encontradas em aveia, frutas, legumes, verduras e leguminosas.
  • Ômega-3: presente em peixes como salmão, sardinha, atum, além de chia e linhaça.
  • Compostos antioxidantes: abundantes em frutas vermelhas, vegetais coloridos, azeite de oliva, cúrcuma e cacau.
  • Alimentos probióticos: iogurte natural, kombucha e kefir. 

"Nossa mensagem principal é que a alimentação é um pilar fundamental. Priorizar alimentos in natura, reduzir ultraprocessados, controlar a ingestão de açúcar e gordura, e planejar as refeições são passos práticos e eficazes", afirma Adrielle. Ela ainda complementa que a hidratação adequada e a associação com atividades físicas, sono de qualidade, manejo do estresse e redução de álcool e tabagismo formam um conjunto essencial para a saúde geral e intestinal. 



Centro Universitário Módulo
www.modulo.edu.br


Por que as lesões no futebol têm se tornado mais frequentes?


Lesões em jogadores de futebol têm se tornado cada vez mais frequentes nos últimos anos, impactando diretamente clubes e seleções. O tema volta a ganhar destaque às vésperas da convocação para a Copa do Mundo de 2026, já que importantes nomes da Seleção Brasileira podem ficar fora da competição por problemas ortopédicos. Entre eles estão Estevão, afastado por lesão muscular na coxa direita; Éder Militão, com ruptura no músculo bíceps femoral da perna esquerda e danos no tendão; e Rodrygo, que sofreu ruptura do LCA e lesão no menisco lateral do joelho direito. 

Não é a primeira vez que lesões comprometem o desempenho da Seleção Brasileira em Copas do Mundo. Por isso, compartilhamos um infográfico elaborado pelo nosso médico ortopedista do Hospital Ortopédico AACD, Ricardo Soares, explicando as lesões mais comuns em jogadores de futebol e o tempo médio de recuperação de cada uma delas. Acesse o Link

 Para entrevistas e esclarecimentos, a AACD disponibiliza médico ortopedista especialista para comentar:

  • As lesões que já impactaram a Seleção Brasileira em outras Copas do Mundo;
  • Quais jogadores podem ficar fora da convocação por questões ortopédicas;
  • Os principais fatores que levam a lesões ortopédicas no futebol;
  • As lesões mais comuns entre atletas de alto rendimento durante grandes competições. 

AACD
Saiba mais no site


Maio Laranja: violência sexual online cresce e já atinge uma em cada cinco crianças no Brasil

Freepik
Relatório da UNICEF revela avanço de crimes digitais e especialistas alertam para sinais de abuso, desafios na denúncia e uso de inteligência artificial na exploração sexual infantil 

 

Neste mês de Maio Laranja, campanha nacional de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, oficialmente celebrado em 18 de maio, o tema ganha ainda mais urgência em 2026 diante do avanço da violência sexual facilitada pela tecnologia no Brasil. Dados do relatório lançado pelo UNICEF Innocenti em parceria com a ECPAT International e a INTERPOL, revelam que uma em cada cinco crianças e adolescentes brasileiros entre 12 e 17 anos, o equivalente a cerca de 3 milhões de meninas e meninos, sofreu algum tipo de exploração ou abuso sexual online em apenas um ano. 

O levantamento mostra que 66% dos casos de violência ocorreram em ambientes online, principalmente por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens instantâneas e jogos online. Instagram e WhatsApp aparecem entre os canais mais utilizados pelos agressores, evidenciando como o ambiente digital passou a integrar a rotina dos crimes de exploração sexual infantil. 

A psicóloga e professora da Afya Montes Claros, Dra Aline Guedes, comenta que crianças e adolescentes que sofrem abuso ou exploração sexual online podem apresentar mudanças emocionais, comportamentais e sociais que funcionam como sinais de alerta.  

“Embora esses sinais nem sempre apareçam de forma evidente, alguns comportamentos merecem atenção. Mudanças bruscas de humor, tristeza intensa, irritabilidade ou ansiedade, isolamento social e perda de interesse em atividades de que antes gostavam, medo excessivo de usar ou abandono repentino do celular, computador ou redes sociais, segredos incomuns sobre conversas online ou comportamento defensivo em relação ao uso da internet, além de queda no rendimento escolar e dificuldade de concentração”. 

Apesar da gravidade, o silêncio ainda é uma barreira intransponível para muitos. 34% das vítimas não contam o ocorrido para ninguém. Os motivos para esse isolamento variam entre a falta de informação sobre canais de ajuda (22%), o constrangimento e a vergonha (21%), e o medo de represálias ou de não serem acreditadas. Surpreendentemente, 12% dos jovens não consideraram a violência sofrida "grave o suficiente" para ser reportada, o que aponta para uma perigosa normalização de comportamentos abusivos na internet. Quando conseguem compartilhar com outra pessoa, o primeiro acolhimento costuma vir de amigos (22%). 

A psicóloga ressalta que muitas vítimas sentem medo ou vergonha de denunciar, porque o agressor frequentemente utiliza manipulação emocional, ameaças ou relações de confiança para manter o silêncio. Em diversos casos, o abusador é alguém conhecido, como um familiar, amigo, professor ou pessoa admirada, o que gera confusão emocional e dificulta o reconhecimento da violência. “Diante disso, a criança ou o adolescente pode temer não ser acreditado, sentir culpa pelo ocorrido, ter medo de punições, da exposição ou da desestruturação familiar, acreditar que participou “por vontade própria” em razão da manipulação sofrida, além de enfrentar ameaças diretas, como a divulgação de imagens íntimas, e sentir vergonha diante do possível julgamento social”. 

A pesquisa se alinha com o comentário da especialista, uma vez que um dos dados que mais chamam atenção é para o que em quase metade das ocorrências (49%), o agressor era alguém conhecido da vítima.  

“No ambiente digital, práticas como aliciamento online, chantagem com imagens íntimas e exposição sexual podem causar impactos psicológicos profundos no desenvolvimento de crianças e adolescentes. Entre as consequências mais frequentes estão ansiedade, depressão e ataques de pânico, transtorno de estresse pós-traumático, dificuldade de confiar em outras pessoas, problemas de autoestima e identidade, sentimentos persistentes de medo, humilhação e insegurança, além de dificuldades escolares e sociais”, conclui a psicóloga da Afya.

 

Proteção para menores no ambiente digital  

De acordo o relatório da UNICEF, entre as formas de violência mais frequentes está a exposição a conteúdo sexual não solicitado, que atingiu 14% dos entrevistados. O relatório também identificou situações envolvendo o uso de inteligência artificial generativa para produção de imagens e vídeos de conteúdo sexual utilizando a aparência das vítimas. Em apenas um ano, 3% das crianças e adolescentes ouvidos afirmaram ter sido alvo desse tipo de prática criminosa.  

A advogada e coordenadora de Direito da Afya Sete Lagoas, Dra Tereza Cristina Sader Vilar, informa que o uso de inteligência artificial para produzir imagens falsas com conteúdo sexual envolvendo crianças e adolescentes já pode ser enquadrado como crime no Brasil, embora ainda existam desafios interpretativos em evolução.  

“O art. 241-C do ECA prevê punição para a simulação da participação de menores em cenas de sexo explícito ou pornográficas por meio de montagem, edição ou qualquer forma de manipulação de imagem. Assim, mesmo sem a participação direta de uma vítima real, a representação sexualizada de crianças e adolescentes pode configurar em um ato ilícito penal, em razão da proteção integral garantida pela legislação. Além disso, dependendo do caso, também podem ocorrer responsabilização por danos morais e outros crimes relacionados”. 

Segundo o levantamento, 5% das crianças e adolescentes relataram ter recebido ofertas de dinheiro ou presentes em troca do envio de imagens íntimas, enquanto 3% afirmaram ter sido convidados para encontros presenciais com finalidade sexual mediante promessas de benefícios financeiros ou materiais.  

A advogada ressalta que as autoridades enfrentam diversos desafios na investigação e repressão dos crimes de exploração sexual infantil praticados na internet. Mas que a legislação brasileira apresenta um conjunto robusto de normas voltadas à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, com destaque para o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei nº 8.069/1990), especialmente após as alterações promovidas pela Lei nº 11.829/2008, além de dispositivos do Código Penal e do Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014). 

Entre os principais obstáculos estão o anonimato proporcionado por tecnologias como VPNs, perfis falsos e aplicativos com criptografia, o que dificulta a identificação dos autores. 

“Também há a complexidade da cooperação internacional, já que muitos dados e servidores estão localizados em outros países, além da rápida disseminação do conteúdo ilícito, que pode ser compartilhado em poucos minutos. Outro problema relevante é a subnotificação, muitas vezes causada pelo medo, vergonha ou desconhecimento das vítimas e familiares. Soma-se a isso a necessidade de constante capacitação técnica das autoridades e de investimentos em tecnologia para lidar com grandes volumes de dados digitais. Apesar dessas dificuldades, o Brasil tem avançado com a criação de delegacias especializadas, fortalecimento institucional e parcerias voltadas à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital”, conclui a especialista.

 


Burnout hormonal: estresse pode bagunçar o ciclo menstrual?

Ginecologista explica como a sobrecarga física e emocional pode impactar diretamente a saúde hormonal feminina 

 

Cansaço constante, alterações no ciclo menstrual, dificuldade para dormir, irritabilidade e queda da libido. Em meio à rotina acelerada, muitas mulheres têm percebido mudanças no próprio corpo — e o estresse pode estar diretamente ligado a isso.

O termo “burnout hormonal” tem ganhado espaço nas redes sociais e em discussões sobre saúde feminina para descrever os impactos da sobrecarga física e emocional no funcionamento hormonal do organismo. Apesar de não ser um diagnóstico médico oficial, o tema acende um alerta importante sobre a relação entre estresse crônico e saúde da mulher.

Segundo a ginecologista Camila Bolonhezi, o corpo feminino responde de forma intensa aos níveis elevados e constantes de estresse. “Quando o organismo entra em estado de alerta por muito tempo, ocorre um aumento na produção de cortisol e adrenalina, o que pode interferir diretamente no equilíbrio hormonal e no ciclo menstrual”, explica.

Entre os sinais mais comuns estão menstruação irregular, atraso menstrual, piora da TPM, alterações de sono, acne hormonal, fadiga excessiva, ansiedade e diminuição da libido.

A especialista destaca que a rotina moderna tem contribuído para esse cenário. “Hoje muitas mulheres vivem sob pressão constante, conciliando trabalho, vida pessoal, excesso de estímulos e pouca pausa real. O corpo sente esse desgaste”, afirma.

Outro ponto importante é que muitas pacientes acabam normalizando sintomas persistentes. “Existe uma tendência de achar que estar cansada o tempo todo é normal, mas o corpo dá sinais quando algo não vai bem. Alterações menstruais frequentes merecem atenção e investigação”, alerta a médica.

A ginecologista reforça ainda que saúde hormonal não depende apenas de medicamentos. Sono de qualidade, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e manejo do estresse fazem parte do cuidado integral com o organismo.


5 sinais de que o estresse pode estar afetando seus hormônios

·         ciclos menstruais irregulares;

·         TPM mais intensa;

·         cansaço constante mesmo após descanso;

·         queda de libido;

·         dificuldade para dormir e ansiedade frequente.

Para Camila Bolonhezi, olhar para a saúde feminina de forma ampla é fundamental. “O corpo feminino não separa físico e emocional. Quando a mente vive em sobrecarga, o organismo também dá sinais”, finaliza.


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