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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Oncofertilidade: uma forma de acolhimento e cuidado integral para pacientes com câncer


Um diagnóstico de câncer vem acompanhado de inúmeras dúvidas e emoções, dando início a uma jornada complexa de etapas de tratamento, mudanças na rotina e escolhas importantes a serem feitas. Em meio a esse cenário desafiador, uma dimensão importante do cuidado ainda costuma receber atenção insuficiente: a preservação da fertilidade. 

O tema, entretanto, ainda é pouco conhecido pela população. Uma pesquisa do IPEC1 indica que 86% das mulheres desconhecem os métodos de preservação da fertilidade durante o tratamento oncológico, o que alerta para a necessidade de que profissionais de saúde da oncologia sejam preparados para abordar a oncofertilidade com pacientes. 

Isso porque essa discussão deve acontecer logo nos primeiros dias após o diagnóstico, já que terapias como quimioterapia, radioterapia e algumas cirurgias podem comprometer de forma relevante o potencial reprodutivo de mulheres e homens2-3. Para se ter uma ideia, uma mulher que realiza um ciclo quimioterápico por 12 a 16 semanas pode diminuir o potencial reprodutivo em até 10 anos. Isso significa que essa mesma paciente, aos 30 anos, terá o equivalente a uma idade ovariana de 40 anos ao término do tratamento4. É importante lembrar que as chances de uma mulher engravidar naturalmente aos 30 anos são de 20% por ciclo menstrual; aos 40 anos, elas ficam menores - 5%5. No caso dos homens, a espermatogênese (produção de espermatozoides) é a grande prejudicada3

Com o avanço da conscientização sobre o câncer, do aumento de diagnósticos precoces e da eficácia dos tratamentos, cresce também o número de sobreviventes que passam a olhar para a vida após o câncer com mais perspectiva de longo prazo. No caso do câncer de mama, por exemplo, as taxas de sobrevida em cinco anos, gerando uma população crescente de sobreviventes de diversas faixas etárias4

Esses resultados promissores abrem espaço para que os pacientes olhem para o futuro com otimismo, incluindo o planejamento familiar. Estima-se, por exemplo, que entre 40% e 50% das mulheres que tiveram câncer mamário manifestam o desejo de vivenciar a maternidade após superarem a doença4.

Foi a vontade de Evelin Scarelli, fisioterapeuta e vice-presidente do Instituto Oncoguia. Diagnosticada aos 23 anos com câncer de mama, Evelin deu à luz Bento em 2021, pós-cura do câncer, por meio da técnica de Fertilização In Vitro (FIV)

"Receber o diagnóstico de câncer é um momento de extrema vulnerabilidade. No meu caso, não pude realizar o congelamento de óvulos na época do meu diagnóstico. Mas a ciência permitiu que eu fizesse a FIV anos depois. Com isso, pude adentrar no mundo da maternidade com todos os seus desafios, em particular os desafios de uma mulher mastectomizada e o aleitamento. Mas isso não foi um problema para nossa família. Por isso, se você, paciente oncológico deseja uma família, não encare a doença como uma sentença. É possível continuar sonhando. Converse com o(a) seu(sua) médico(a)", diz Evelin. 

O planejamento reprodutivo de pacientes oncológicos inicia-se com as estratégias de preservação da fertilidade, que variam de acordo com o sexo biológico do paciente. As opções incluem:

  • o congelamento de óvulos (oócitos), de embriões ou de tecido ovariano3;
  • transposição ovariana e cirurgias ginecológicas conservadoras3;
  • congelamento de espermatozoides (coletados via ejaculação) ou a Extração de Espermatozoides Testiculares (TESE), que consiste na coleta cirúrgica para pacientes que não conseguem fornecer a amostra espontaneamente3.

Após a fase de preservação (ou mesmo de forma independente, dependendo do histórico clínico do paciente), utilizam-se os tratamentos de reprodução assistida para viabilizar a gestação, como a FIV e a Inseminação Intrauterina (IIU / IUI). 

“Quando trazemos a orientação sobre oncopreservação logo nos primeiros momentos do diagnóstico, criamos uma janela de oportunidade para que o paciente possa considerar a preservação do potencial reprodutivo antes do início do tratamento, e o tempo é essencial para essa tomada de decisão. Além do benefício clínico, essa conversa oferece um respiro emocional importante: a jornada deixa de ser focada apenas na doença e passa a incluir também perspectivas de futuro, continuidade de planos e realização de sonhos” complementa o oncoginecologista pélvico e mastologista Dr. José Carlos Sadalla (CRM: CRM 97419-SP | RQE Ginecologia e Obstetrícia: 42473 | RQE Mastologia: 63088).
 



Dr. José Carlos Sadalla (Oncoginecologista pélvico e mastologista) - Pode detalhar os impactos dos tratamentos no sistema reprodutivo e explicar como a orientação precoce traz um "respiro emocional" à paciente, transferindo o foco exclusivo da doença para uma perspectiva real de futuro.

Evelin Scarelli (VP do Instituto Oncoguia e paciente) - Diagnosticada com câncer de mama aos 23 anos, ela viveu os desafios de planejamento na pele. Anos após a cura, engravidou via Fertilização In Vitro (FIV) e hoje é mãe do Bento, trazendo o relato vivo de que a doença não precisa ser uma sentença sobre a formação de uma família.


Merck
www.merck.com.br
Instagram (@merckbrasil) e LinkedIn (Merck Healthcare).

Referências

  1. IPEC. Infertilidade e Ferramentas de Preservação da Fertilidade. 2024. Pesquisa realizada entre 26 de agosto e 4 de setembro de 2024. Amostra: 550 entrevistas com mulheres internautas brasileiras de 25 a 45 anos, pertencentes às classes ABC, distribuídas nas 5 regiões do Brasil. A margem de erro máxima estimada é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra.
  2. Di Tucci C, Galati G, Mattei G, Chinè A, Fracassi A, Muzii L. Fertility after Cancer: Risks and Successes. Cancers. 2022; 14(10):2500. https://doi.org/10.3390/cancers14102500 .
  3. Su HI, Lacchetti C, Letourneau J, et al. Fertility Preservation in People With Cancer: ASCO Guideline Update. J Clin Oncol. 2025. DOI: Link
  4. Zylbersztejn DS, Chuery ACS. Preservação da fertilidade em pacientes com câncer de mama. Femina. 2021;49(10):611-3
  5. American Society for Reproductive Medicine. Age and Fertility – A guide for patients [Internet]. Birmingham (AL): ASRM; 2012. Disponível em: https://www.reproductivefacts.org/globalassets/_rf/news-and-publications/bookletsfact-sheets/english-pdf/Age_and_Fertility.pdf

 

Dia dos Avós: tendência do TikTok resgata hábitos da terceira idade e reforça lições sobre longevidade

Especialista em longevidade Natália Dornellas explica por que a geração Z está olhando para os avós em busca de uma vida mais saudável e equilibrada

 

À primeira vista, parece apenas mais um movimento das redes sociais. Batizado de nonna maxxing, o fenômeno que viralizou no TikTok incentiva jovens a adotarem hábitos inspirados nas tradicionais avós italianas: cozinhar em casa, caminhar diariamente, cultivar plantas, reduzir o tempo de tela, reunir a família para as refeições e viver com menos pressa. 

Mas, por trás da estética das redes sociais, existe uma discussão muito maior. Às vésperas do Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, a onda chama atenção justamente por valorizar comportamentos que as pessoas mais velhas cultivam há décadas e que hoje encontram respaldo na ciência quando o assunto é envelhecimento saudável. 

Para a especialista em longevidade Natália Dornellas, o fenômeno revela uma mudança importante na forma como as novas gerações enxergam o envelhecimento. 

"Talvez a maior inovação da geração Z seja redescobrir hábitos que as pessoas mais velhas praticam há décadas. O que hoje ganha um nome em inglês e viraliza nas redes sociais sempre fez parte da rotina de muitas avós e avôs: cozinhar com alimentos frescos, caminhar, cultivar vínculos, viver em comunidade e desacelerar." 

Segundo Natália, o sucesso do movimento não está relacionado apenas ao interesse pela cultura italiana, mas ao desejo de encontrar um estilo de vida mais equilibrado em um cenário marcado pelo excesso de estímulos, hiperconectividade e esgotamento emocional. 

"O nonna maxxing fala muito mais sobre o cansaço de uma geração que cresceu conectada do que sobre receitas italianas. Existe uma busca crescente por relações mais presenciais, por tempo de qualidade e por hábitos que tragam mais significado para o cotidiano."

 

A ciência já conhecia esses hábitos 

Embora tenha surgido nas redes sociais, a especialista destaca que os comportamentos incentivados pelo movimento fazem parte das principais pesquisas sobre longevidade. 

"Dieta baseada em alimentos naturais, movimento incorporado à rotina, convivência familiar, participação na comunidade e redução do estresse aparecem há décadas nos estudos sobre envelhecimento saudável. Não existe fórmula mágica para viver mais, mas sabemos que o estilo de vida exerce um papel determinante na qualidade dessa longevidade." 

Esses fatores também são observados nas chamadas Blue Zones, regiões do mundo com alta concentração de pessoas centenárias, como a Sardenha, na Itália.

 

Valorizar quem envelheceu também combate o idadismo 

Para Natália, a popularização do movimento também convida a uma reflexão sobre o preconceito contra o envelhecimento. 

"É curioso perceber que muitos desses hábitos só passaram a despertar interesse depois que ganharam um nome em inglês e viralizaram nas redes sociais. Isso mostra o quanto ainda desvalorizamos os conhecimentos das pessoas mais velhas." 

No Brasil, onde a população envelhece rapidamente, ela acredita que o debate é ainda mais necessário. 

"O Dia dos Avós é uma oportunidade para lembrar que envelhecer não significa perder relevância. Pelo contrário. As pessoas mais velhas acumulam experiências e modos de viver que podem inspirar todas as gerações. Talvez o maior aprendizado dessa tendência seja justamente perceber que inovação e tradição podem caminhar juntas quando o objetivo é viver melhor."

 

Hepatites virais na gestação exigem diagnóstico precoce para proteger mãe e bebê

28/7 é o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais 

Especialista alerta que hepatites B e C podem ser transmitidas ao bebê durante a gravidez ou no parto, mas medidas preventivas reduzem significativamente esse risco 

 

As hepatites virais são infecções que atingem o fígado e, quando presentes durante a gestação, podem representar riscos importantes para a saúde da mãe e do bebê. Embora muitas vezes não apresentem sintomas, as hepatites B e C podem ser transmitidas da gestante para o filho durante a gravidez ou no momento do parto, tornando o diagnóstico precoce uma das principais estratégias para prevenir complicações. 

Por esse motivo, o rastreamento dessas infecções faz parte da rotina do pré-natal. Segundo o ginecologista Dr. Regis Kreitchmann, presidente da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, identificar precocemente a presença do vírus permite adotar medidas capazes de proteger tanto a gestante quanto o recém-nascido. 

"As hepatites B e C são as principais hepatites virais que podem afetar a gestação e atingir o bebê. Ambas são transmitidas principalmente por contato com sangue contaminado ou por relações sexuais sem proteção. O diagnóstico deve ser realizado em todas as gestantes para que possamos instituir o tratamento ou as medidas preventivas adequadas, preservando a saúde da mãe e da criança", explica. 

O especialista destaca que a transmissão do vírus para o bebê pode ter consequências importantes. Quando a infecção ocorre nos primeiros momentos da vida, há maior probabilidade de evolução para formas crônicas da doença, aumentando, ao longo dos anos, o risco de cirrose e câncer de fígado. "O grande problema da transmissão vertical é que o bebê contaminado tem uma chance muito maior de desenvolver hepatite crônica, o que pode comprometer sua saúde no futuro. Por isso, prevenir essa transmissão é uma prioridade da assistência pré-natal", afirma.

 

Diagnóstico

O diagnóstico das hepatites B e C é realizado por meio de exames de sangue incluídos na rotina do pré-natal. Além dos exames laboratoriais convencionais, também é possível utilizar testes rápidos, que necessitam apenas de uma gota de sangue e apresentam o resultado em aproximadamente 15 minutos. 

"São exames simples, rápidos e acessíveis. Quanto mais cedo a infecção for identificada, maiores são as possibilidades de proteger a mãe e evitar a transmissão para o bebê", ressalta o médico. 

Entre as hepatites que podem acometer a gestação, apenas a hepatite B possui vacina. O Brasil mantém, desde 1998, a vacinação de rotina no calendário infantil, alcançando uma cobertura próxima de 98%, fator que contribuiu para reduzir significativamente os casos da doença no país. 

A primeira dose deve ser aplicada nas primeiras horas de vida do recém-nascido, seguida pelas demais doses durante o primeiro ano. Adultos que não foram imunizados na infância também podem receber três doses da vacina, garantindo proteção duradoura. 

Nos casos em que a gestante apresenta hepatite B crônica, pode ser necessária a utilização do antiviral tenofovir, medicamento considerado seguro tanto durante a gravidez quanto na amamentação. Após o nascimento, o bebê deve receber imediatamente a vacina e a imunoglobulina específica, combinação que reduz de forma expressiva o risco de infecção. 

O Dr. Regis explica que a hepatite C pode ser curada, mas tratamento deve ocorrer fora da gestação. Diferentemente da hepatite B, a hepatite C ainda não possui vacina. Entretanto, atualmente existem medicamentos administrados por via oral que apresentam elevadas taxas de cura. 

O tratamento, porém, não pode ser realizado durante a gravidez, sendo indicado antes da gestação ou após o nascimento do bebê. "Hoje dispomos de tratamentos altamente eficazes para a hepatite C. Por isso, o ideal é que mulheres diagnosticadas sejam tratadas antes de engravidar ou após o parto. Dessa forma, protegemos a saúde da mulher e reduzimos o risco de transmissão em futuras gestações", conclui. 



Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia - FEBRASGO
FEBRASGO lidera a Campanha #EuVejoVocê – Pelo fim da violência contra a mulher
https://www.febrasgo.org.br/pt/
@febrasgooficial
@feitoparaelaoficial



Nariz entupido, garganta inflamada e ronco: o que o intestino pode ter a ver com isso?

Especialista explica como intestino, sistema imune e inflamação sistêmica podem estar por trás de sintomas respiratórios recorrentes, e por que tratar apenas o sintoma nem sempre resolve
 

Nariz entupido constante, crises de rinite, dor de garganta frequente, sinusites repetidas e até ronco costumam ser tratados como problemas isolados, especialmente em épocas de frio, mudanças de clima ou aumento de doenças respiratórias. Mas, para o otorrinolaringologista Bruno Netto, especialista em Medicina Funcional Integrativa, esses sintomas muitas vezes fazem parte de um processo inflamatório mais amplo, que envolve diretamente o funcionamento do sistema imunológico e a saúde intestinal. 

Segundo o médico, um dos principais erros é olhar apenas para o local onde o sintoma aparece, sem investigar o que pode estar sustentando a inflamação no organismo ao longo do tempo. “A medicina convencional foi construída sobre a especialização por órgão. Cada especialista trata a sua parte, e o paciente fica no meio, sem que ninguém olhe para o conjunto. O problema é que o organismo não funciona em compartimentos. Quando existe um terreno inflamatório de base, ele se manifesta em múltiplos sistemas ao mesmo tempo”, afirma. 

Na prática clínica, Bruno observa que muitos pacientes passam anos tratando rinite, congestão nasal ou crises respiratórias sem uma melhora duradoura. Para ele, isso pode indicar que o problema não está apenas na via respiratória. “A rinite crônica é, muitas vezes, o sintoma mais visível de um processo inflamatório que está acontecendo em outro lugar. Quando o paciente apresenta crises recorrentes que não respondem bem aos tratamentos convencionais, associadas a fadiga, névoa mental, intestino instável, dermatite ou enxaqueca, eu começo a pensar em um terreno biológico desregulado, não em um problema isolado no nariz”, explica. 

O especialista destaca que o nariz é revestido por mucosas, estruturas que fazem parte da linha de defesa do organismo e respondem diretamente ao estado do sistema imune. “O nariz é recoberto por mucosa. E mucosas são a primeira linha de defesa do organismo. Quando o sistema imune está cronicamente ativado, essa mucosa entra em estado de alerta permanente. Qualquer estímulo como cheiro, poeira, mudança de temperatura ou até determinados alimentos passa a desencadear uma resposta inflamatória exagerada. Não é fraqueza. É um sistema imune que perdeu a capacidade de calibrar sua resposta”, diz. 

Dentro dessa visão integrada, o intestino ganha protagonismo. Isso porque grande parte das células de defesa do organismo está concentrada justamente na região intestinal. “Cerca de 70% do sistema imune está localizado no intestino. Existe um eixo chamado intestino-pulmão, e ele funciona de forma bidirecional. Quando há desequilíbrio da microbiota intestinal, o sistema imune inteiro sofre impacto”, afirma Bruno Netto. 

Segundo ele, alterações intestinais podem reduzir a produção da IgA secretória, principal anticorpo responsável pela proteção das mucosas do corpo. Com isso, nariz, garganta e seios da face ficam mais vulneráveis. “Quando a IgA está baixa no intestino, ela também tende a estar baixa nas mucosas respiratórias. O nariz, os seios paranasais e a garganta ficam mais desprotegidos. Infecções de repetição, sinusites recorrentes e crises alérgicas mais frequentes podem surgir como consequência desse desequilíbrio”, explica. 

Além disso, o médico afirma que alterações na microbiota favorecem um estado inflamatório persistente de baixo grau, capaz de sensibilizar células do sistema imune chamadas mastócitos, presentes em diferentes tecidos do corpo, inclusive nas mucosas nasais. 

Outro ponto frequentemente observado nesses pacientes, segundo Bruno Netto, é a chamada permeabilidade intestinal aumentada, condição em que a barreira de proteção do intestino perde parte da sua capacidade seletiva. “A parede intestinal funciona como uma barreira inteligente: ela permite a passagem de nutrientes, mas impede a entrada de substâncias que não deveriam alcançar a circulação sanguínea. Quando essa barreira é comprometida, fragmentos bacterianos, toxinas e proteínas alimentares parcialmente digeridas conseguem atravessar essa proteção. O sistema imune entende isso como uma ameaça e ativa uma resposta inflamatória sistêmica”, explica.
 

Quando investigar além do sintoma 

Para Bruno Netto, um dos principais sinais de alerta é justamente a repetição frequente dos sintomas, especialmente quando eles deixam de responder de forma duradoura aos tratamentos convencionais. “Quando o paciente trata rinite, sinusite ou dor de garganta repetidamente e os sintomas sempre voltam, é importante investigar além do quadro local. Muitas vezes existe um estado inflamatório sistêmico mantendo o organismo em alerta constante”, explica. 

Segundo o especialista, alguns sinais merecem atenção especial, como fadiga persistente, dificuldade de concentração, alterações intestinais recorrentes, sensibilidade alimentar, dermatites, dores musculares frequentes e piora dos sintomas em períodos de estresse intenso. “Os sintomas respiratórios podem ser apenas a ponta mais visível do problema. Quando o corpo perde a capacidade de regular adequadamente a resposta inflamatória, diferentes sistemas começam a manifestar sinais ao mesmo tempo”, afirma. 

Para Bruno Netto, tratar apenas o sintoma local pode até gerar alívio temporário, mas dificilmente resolve o quadro de forma duradoura quando existe uma inflamação sistêmica por trás. “Tratar a rinite com corticoide nasal sem investigar o que está mantendo a inflamação é como secar o chão enquanto a torneira continua aberta. O alívio é real, mas temporário”, diz. 

Segundo ele, a investigação clínica deve ir além da pergunta “qual remédio controla esse sintoma?” e passar a buscar o que está mantendo o organismo em estado inflamatório constante. Isso inclui avaliar fatores como microbiota intestinal, qualidade do sono, estresse crônico, alimentação, perfil hormonal e hábitos de vida. 

“O sono de qualidade é fundamental para a regulação do sistema imune. A alimentação anti-inflamatória reduz a carga inflamatória do organismo, o manejo do estresse ajuda a reduzir a ativação exagerada do sistema imune e a atividade física tem efeito imunomodulador importante. Nenhuma dessas medidas substitui a investigação individualizada, mas todas criam um terreno mais favorável para que o tratamento funcione”, finaliza.
  


Dr. Bruno Netto - Otorrinolaringologista (CREMERS 32894 – RQE 24142). Médico pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde também concluiu mestrado em Ciências Cirúrgicas, com ênfase em Otorrinolaringologia. Atua principalmente no diagnóstico e tratamento de rinites alérgicas, sinusites, zumbido, distúrbios respiratórios do sono e imunidade.

 

Quantidade de óvulos congelados pode não refletir as reais chances de gravidez, aponta estudo

Pesquisa da empresa canadense Future Fertility mostra que considerar apenas a idade e a quantidade de óvulos coletados pode não fornecer um panorama completo das chances de uma futura gravidez

 

O congelamento de óvulos vem crescendo nos últimos anos, impulsionado pelo adiamento da maternidade e pelo maior acesso às técnicas de reprodução assistida. Nesse cenário, uma das principais dúvidas das pacientes continua sendo a mesma: quantos óvulos é preciso congelar para aumentar as chances de engravidar no futuro?

Uma pesquisa conduzida pela Future Fertility, empresa canadense especializada no desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial para reprodução assistida, em parceria com o Fertility Medical Group, de São Paulo, indica que essa resposta pode ser mais complexa do que se imaginava. Os resultados mostram que considerar apenas a idade da mulher e a quantidade de óvulos coletados pode não refletir o potencial reprodutivo individual de cada paciente.

Ao combinar a idade da paciente com a qualidade individual de cada óvulo, avaliada por inteligência artificial, os pesquisadores observaram que mulheres da mesma faixa etária e com o mesmo número de óvulos congelados podem apresentar perspectivas reprodutivas bastante diferentes. Isso significa que metas padronizadas para o congelamento de óvulos podem não representar a realidade biológica de todas as mulheres.

O estudo utilizou um modelo que integra idade materna, potencial de desenvolvimento dos óvulos e inteligência artificial para estimar quantos óvulos seriam necessários para aumentar as chances de gravidez futura. A análise mostrou que, na maior parte dos casos avaliados, o número de óvulos preservados estava abaixo do necessário para formar um conjunto de embriões geneticamente normais com maior potencial de implantação e gravidez. 

Um dos principais achados da pesquisa é que recomendações uniformes sobre quantos óvulos congelar podem ser biologicamente enganosas. "Durante muito tempo, o aconselhamento sobre congelamento de óvulos esteve baseado principalmente na idade da mulher e na quantidade de óvulos obtidos. Nosso estudo mostra que duas mulheres da mesma idade, com o mesmo número de óvulos congelados, podem ter perspectivas reprodutivas bastante diferentes. Ao incorporar informações sobre a qualidade individual de cada óvulo, conseguimos oferecer um aconselhamento muito mais personalizado e alinhado à realidade biológica de cada paciente, permitindo decisões mais conscientes sobre o planejamento da fertilidade", explica Dr. Edson Borges, Diretor Científico do Fertility Medical Group.

Segundo os pesquisadores, o objetivo não é estabelecer um número ideal de óvulos para todas as mulheres, mas oferecer uma avaliação individualizada que ajude médicos e pacientes a construir expectativas mais realistas sobre as chances futuras de gravidez.

Os resultados foram apresentados neste mês durante a conferência anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE), em Londres, considerada o principal encontro científico mundial da área de reprodução assistida. A Future Fertility teve todos os 11 estudos submetidos aceitos para apresentação, alcançando uma taxa de aprovação de 100%. Três deles foram selecionados para apresentações orais, modalidade reservada aos trabalhos de maior destaque científico. Dois desses estudos foram desenvolvidos em parceria com o Fertility Medical Group, de São Paulo.

 

Inteligência artificial amplia a precisão das decisões clínicas

Além do estudo sobre preservação da fertilidade, a Future Fertility apresentou pesquisas mostrando como a inteligência artificial pode contribuir para uma medicina reprodutiva cada vez mais personalizada. Uma delas investigou a influência da idade paterna nos resultados da fertilização in vitro. Óvulos classificados com melhor qualidade apresentaram maior capacidade de compensar alterações relacionadas ao envelhecimento masculino, contribuindo para previsões mais precisas das taxas de fertilização, formação de embriões e potencial de gravidez.

"A reprodução humana depende da interação entre fatores femininos e masculinos. A IA está permitindo compreender essas interações com um nível de detalhe que antes não era possível, oferecendo aos médicos novas informações para apoiar o prognóstico e a tomada de decisão. O objetivo não é substituir a experiência clínica, mas acrescentar evidências objetivas para uma medicina cada vez mais personalizada", analisa Borges.

Outro destaque foi um sistema baseado em IA desenvolvido para otimizar programas de doação de óvulos. A pesquisa demonstrou que a tecnologia reduziu significativamente a formação de lotes com baixo potencial de desenvolvimento embrionário, aumentando a padronização e a eficiência desses programas. O trabalho foi apresentado pela pesquisadora brasileira Laís Vanzella, integrante da equipe científica da Future Fertility.

A empresa também apresentou pesquisas que associaram fatores cotidianos, como consumo de álcool, tabagismo, qualidade do sono, atividade física e ansiedade, à qualidade dos óvulos avaliada por inteligência artificial. São informações que poderão contribuir para um aconselhamento mais personalizado antes do início dos tratamentos de fertilidade, orientando mudanças de hábitos capazes de favorecer resultados.

"O que estamos vendo é uma mudança de paradigma. A inteligência artificial permite enxergar diferenças biológicas que antes passavam despercebidas e transforma informações que antes eram generalistas em um aconselhamento verdadeiramente individualizado. Esse é um passo importante para tornar os tratamentos de fertilidade mais precisos, transparentes e centrados nas necessidades de cada paciente", conclui o médico.


Burnout parental ganha atenção e foca na saúde mental de pais e mães

Especialista do Hospital e Maternidade Santa Joana alerta para sinais de esgotamento emocional e destaca a importância do descanso e da reorganização da rotina familiar

 

O esgotamento físico e emocional vivido por mães e pais, conhecido como burnout parental, tem se tornado cada vez mais comum diante das múltiplas demandas da vida moderna. A sobrecarga de responsabilidades, a falta de tempo para descanso e a pressão por desempenho constante na criação dos filhos impactam diretamente a saúde mental das famílias. Nesse contexto, o período de férias pode representar não apenas uma pausa na rotina, mas uma oportunidade importante de cuidado emocional.

O burnout parental se caracteriza por sintomas como exaustão intensa, irritabilidade frequente, sensação de incompetência, distanciamento emocional dos filhos e culpa constante. Diferentemente do cansaço pontual, o esgotamento se instala de forma progressiva e pode comprometer o bem-estar dos pais, a qualidade das relações familiares e até o desenvolvimento emocional das crianças.

“O burnout parental acontece quando o cuidado deixa de ser equilibrado e passa a ser sustentado apenas pelo esforço. Muitos pais vivem em estado de alerta permanente, sem pausas reais, o que leva a um desgaste profundo”, explica Eduardo A. Amaro, psicólogo e coordenador do Núcleo de Saúde Mental do Grupo Santa Joana.

 

Férias não são obrigação de produtividade

Embora o período de férias seja socialmente associado a lazer e felicidade, ele também pode gerar expectativas irreais. Programações excessivas, cobrança por ‘aproveitar ao máximo’ e a dificuldade de se desconectar do trabalho podem transformar o descanso em mais uma fonte de estresse.

Segundo o especialista, o primeiro passo para que as férias sejam benéficas é reduzir a exigência de perfeição. “Férias não precisam ser produtivas. Elas precisam ser reparadoras. Dormir melhor, desacelerar, estar mais presente emocionalmente e reorganizar a rotina já são formas muito potentes de cuidado com a saúde mental”, destaca Eduardo.

Para pais e mães, o descanso não está necessariamente ligado a viagens longas ou grandes investimentos, mas à possibilidade de compartilhar responsabilidades, flexibilizar horários e criar momentos de conexão genuína com os filhos e sem culpa.

O burnout parental, quando não reconhecido, pode evoluir para quadros de ansiedade, depressão e conflitos familiares. Por isso, identificar os sinais precocemente e buscar ajuda profissional é fundamental.

“Se sentir constantemente exausto, irritado ou emocionalmente distante dos filhos não é sinal de fraqueza, é um alerta. Procurar apoio psicológico é um ato de responsabilidade consigo mesmo e com a família”, reforça o especialista.

O cuidado com a saúde mental parental faz parte da atenção integral à família, reconhecendo que o bem-estar emocional dos pais é parte essencial do desenvolvimento saudável das crianças.

Mais do que um intervalo na agenda, as férias podem ser uma oportunidade para escuta, autocuidado e à construção de relações familiares mais equilibradas lembrando que cuidar de si também é uma forma de cuidar dos filhos.

 

Grupo Santa Joana
www.santajoana.com.br
www.promatre.com.br
www.maternidadesantamaria.com.br 

Carro elétrico dá mais enjoo? O Doutor Tontura explica por que algumas pessoas passam mal

Os carros elétricos chegaram para ficar. Mais silenciosos, tecnológicos e sustentáveis, eles conquistam cada vez mais espaço nas ruas. Mas, junto com essa nova forma de dirigir, um relato tem chamado a atenção de motoristas e passageiros: algumas pessoas dizem sentir mais enjoo, tontura ou mal-estar durante os trajetos.


Seria apenas impressão?

Segundo o Dr. Saulo Nader, conhecido nacionalmente como Doutor Tontura @doutortontura, existe uma explicação neurológica que ajuda a entender esse fenômeno.

“Não significa que o carro elétrico provoque uma doença. O que acontece é que algumas características da condução podem aumentar o desconforto em pessoas que já apresentam maior sensibilidade ao movimento”, explica o neurologista.

Ao contrário dos veículos movidos a combustão, os carros elétricos entregam praticamente todo o torque de forma imediata. Na prática, isso significa acelerações muito rápidas e respostas quase instantâneas ao toque no acelerador.

Outro detalhe importante é a chamada frenagem regenerativa. Quando o motorista tira o pé do acelerador, muitos modelos reduzem a velocidade automaticamente para recuperar energia e recarregar parte da bateria. Esse processo faz com que o veículo desacelere de maneira diferente daquela a que a maioria das pessoas está acostumada.

“O cérebro trabalha o tempo todo comparando informações que chegam dos olhos, dos labirintos e dos músculos. Quando esses sinais não são interpretados da forma esperada, algumas pessoas podem apresentar sintomas como enjoo, tontura, suor frio e mal-estar”, ressalta Dr. Saulo.

De acordo com o médico, esse mecanismo é conhecido como cinetose, também chamada de doença do movimento. Ela acontece quando existe um conflito entre aquilo que os olhos enxergam e aquilo que o sistema vestibular (responsável pelo equilíbrio) percebe durante o deslocamento.

Sem o ruído tradicional do motor, o cérebro perde uma referência importante para antecipar acelerações e desacelerações.

“O som também faz parte da forma como interpretamos o movimento. Nos carros convencionais, o aumento do barulho do motor prepara o cérebro para acelerar ou reduzir a velocidade. Nos elétricos, essa pista praticamente desaparece”, diz Nader.

Para o neurologista, quem costuma enjoar em viagens, sofre de enxaqueca vestibular ou já apresenta maior sensibilidade ao movimento pode perceber essas diferenças com mais facilidade.

“O carro elétrico não causa labirintite nem cria um problema neurológico. Se a pessoa sente tontura apenas durante a viagem, geralmente estamos falando de uma maior sensibilidade ao movimento. Já quando a tontura aparece também no dia a dia, é importante investigar outras causas. Vale sempre buscar ajuda médica especializada, pois existem medicamentos e fisioterapia especial para o tratamento definitivo da cinetose”, alerta o Doutor Tontura.

Curiosamente, quem dirige quase sempre passa menos mal do que quem está no banco do passageiro. Isso acontece porque o motorista antecipa cada aceleração, curva e frenagem. O passageiro, por outro lado, recebe essas mudanças de forma inesperada.

“O cérebro gosta de previsibilidade. Quando conseguimos antecipar um movimento, ele responde melhor. Quando somos surpreendidos o tempo todo, a chance de desconforto aumenta”, enfatiza Dr. Saulo.


Dicas do neurologista para reduzir o enjoo durante o trajeto:

  • Prefira sentar no banco da frente;
  • Evite olhar para o celular durante a viagem;
  • Mantenha o olhar voltado para a estrada ou para o horizonte;
  • Sempre que possível, opte por uma condução mais suave.

Segundo o Dr. Saulo, a popularização dos carros elétricos fará esse tema aparecer cada vez mais nos consultórios. Compreender como o cérebro interpreta o movimento é fundamental para diferenciar uma sensibilidade ao deslocamento de doenças que realmente exigem investigação.


Como a Inteligência Artificial Industrial e o Gêmeo Digital ajudam a indústria farmacêutica a vencer a corrida contra o tempo

Os fabricantes dos setores farmacêutico e de ciências da vida estão sob uma pressão cada vez maior para reduzir os prazos de desenvolvimento, desde a descoberta até a comercialização, à medida que tendências demográficas, tecnológicas e geopolíticas aceleram o ritmo da inovação e da transformação. Diante desses desafios, muitos fabricantes farmacêuticos estão percebendo que seus processos tradicionais, frequentemente baseados em dados fragmentados e fluxos de trabalho altamente manuais, já não são suficientes. 

O envelhecimento da população em muitos países desenvolvidos aumenta a demanda por terapias avançadas para tratar câncer, doenças crônicas e outras enfermidades cuja incidência cresce com a idade. Ao mesmo tempo, a demanda dos pacientes por medicamentos e terapias personalizadas está aumentando, tornando o desenvolvimento mais complexo, enquanto as tensões geopolíticas ameaçam as cadeias globais de suprimentos. Esses fatores de mercado, demográficos e geopolíticos intensificam a urgência enfrentada pelas empresas farmacêuticas. 

Trabalhar com fontes de dados desconectadas e depender de processos altamente manuais não será suficiente no futuro. Os fabricantes farmacêuticos devem buscar a modernização de seus processos para acelerar o desenvolvimento e se preparar para um futuro em que Empresas Digitais possam utilizar a Inteligência Artificial Industrial para descobrir, aperfeiçoar e produzir rapidamente novos medicamentos capazes de salvar vidas.
 

O atrito desacelera o desenvolvimento farmacêutico

Atualmente, o caminho de uma nova terapia, desde sua descoberta inicial até sua disponibilidade comercial, leva anos – muitas vezes, até uma década. Milhares de candidatos iniciais são avaliados metodicamente e filtrados ao longo do desenvolvimento, dos ensaios clínicos e da aprovação regulatória até resultar em um medicamento viável. Paralelamente, as empresas farmacêuticas precisam concluir o projeto da produção, realizar testes, escalar as formulações e organizar cadeias de suprimentos confiáveis.

O desenvolvimento de um novo medicamento ou terapia é um processo
complexo que frequentemente leva uma década desde a descoberta
 inicial até sua disponibilidade comercial.

Esse processo altamente complexo é frágil, e mesmo pequenos gargalos se acumulam ao longo de todo o ciclo de vida, resultando em atrasos significativos. O elevado investimento necessário para desenvolver um novo medicamento — estimado em cerca de US$ 6 bilhões — e as janelas limitadas de exclusividade de patente aumentam ainda mais a pressão para que as empresas otimizem cada etapa do desenvolvimento e ampliem rapidamente a produção. 

O desenvolvimento farmacêutico também é marcado por uma intensa colaboração. Laboratórios de pesquisa, equipes de desenvolvimento, fabricantes, órgãos reguladores e fornecedores precisam compartilhar informações continuamente. Muitas dessas colaborações envolvem a transferência de dados científicos complexos e extremamente importantes entre equipes, onde erros podem gerar custos elevados. 

Ainda assim, silos de dados e transferências manuais de informações continuam sendo comuns. Essas chamadas "transferências de tecnologia" ocorrem por meio da troca manual de documentos físicos e digitais, grandes planilhas e outros formatos. As estruturas de dados e os métodos de armazenamento variam entre as equipes, exigindo redigitação manual e um trabalho significativo para importar e interpretar os conjuntos de dados. Essas transferências manuais criam pontos de atrito ao longo de todo o desenvolvimento de um produto farmacêutico, contribuindo significativamente para atrasos e aumento de custos.
 

Construindo uma base sólida de dados 

A digitalização na indústria farmacêutica deve ser conduzida com o objetivo de acelerar processos essenciais e conectar equipes por meio de fluxos de dados eficientes e automatizados. Essa digitalização ajuda a criar uma Empresa Digital integrada, impulsionando a inovação por meio de processos digitais conectados, simulações avançadas e Inteligência Artificial Industrial. 

Em cada etapa do desenvolvimento de medicamentos, a digitalização permite decisões mais rápidas e fundamentadas ao criar representações digitais de moléculas, processos e sistemas de produção que podem ser analisados, simulados e otimizados antes da implementação física. 

O Gêmeo Digital é uma ferramenta particularmente poderosa ao longo de todo o ciclo de vida de desenvolvimento e produção farmacêutica. No laboratório, pesquisadores podem utilizar réplicas digitais de moléculas para realizar experimentos in silico, simulando o comportamento e as interações moleculares para identificar candidatos promissores com muito mais rapidez do que seria possível em experimentos físicos. Além disso, os Gêmeos Digitais de processos e produção apoiam a engenharia e o planejamento da fabricação desde as fases iniciais, garantindo que a transição entre desenvolvimento e produção em escala ocorra de forma rápida e eficiente. Durante a produção em operação, os Gêmeos Digitais dos processos, máquinas e instalações permitem análise de dados em tempo real e otimização contínua.

O Gêmeo Digital acelera a descoberta e o aprimoramento de medicamentos,
 além de reduzir o tempo necessário para projetar e colocar a produção em operação

A digitalização e o Gêmeo Digital também apoiam a criação de uma malha unificada de dados ao longo de todo o ciclo de vida farmacêutico, elemento essencial para a implementação da Inteligência Artificial Industrial. Plataformas digitais oferecem armazenamento estruturado de dados e transferências padronizadas, preparando as empresas para a IA Industrial e melhorando, desde já, as transferências de tecnologia. 

Essas melhorias geram efeitos positivos em cascata dentro da organização. O isolamento e o desenvolvimento mais rápidos de moléculas candidatas, apoiados por transferências digitais de dados, aceleram tanto a aprovação regulatória quanto a expansão da produção. Isso melhora o aproveitamento das janelas de exclusividade das patentes e, por fim, permite que medicamentos potencialmente capazes de salvar vidas cheguem aos pacientes com mais rapidez.
 

Como a Inteligência Artificial Industrial ajuda os fabricantes farmacêuticos a avançarem
 

A inteligência artificial já vem sendo utilizada na pesquisa e no desenvolvimento farmacêutico há vários anos. Até agora, essas aplicações têm se concentrado na aceleração de processos experimentais por meio da geração e previsão das propriedades de novas moléculas, da triagem de compostos candidatos, da otimização de ensaios clínicos, entre outras aplicações. Embora relevantes, essas iniciativas ainda possuem alcance limitado. 

Agora, os fabricantes farmacêuticos devem buscar ampliar o uso da Inteligência Artificial Industrial, passando de processos isolados e projetos-piloto para uma implementação em toda a empresa, baseada em modelos human-in-the-loop (com supervisão humana), que garantam qualidade e segurança. 

A digitalização fornece essa base ao criar uma ampla malha de dados que reúne informações desde a descoberta e experimentação até o desenvolvimento dos sistemas produtivos e dos processos de fabricação em operação. Sobre essa base, a Inteligência Artificial Industrial pode acelerar processos individuais e melhorar significativamente a conexão e a transferência de dados entre equipes e diferentes áreas ao longo de todo o ciclo de vida farmacêutico. 

Na descoberta e avaliação de candidatos, por exemplo, a IA Industrial e o Gêmeo Digital permitem a realização de experimentos in silico, substituindo centenas ou milhares de experimentos físicos – mais lentos e caros – por simulações de alta fidelidade. A IA Industrial possibilita testar rapidamente inúmeras variações para identificar os compostos mais promissores. Dessa forma, cientistas podem concentrar seu tempo e conhecimento nos candidatos com maior probabilidade de resultar em medicamentos comercialmente viáveis, reduzindo custos de desenvolvimento e acelerando cronogramas. 

Na produção, a IA Industrial permite análise e otimização em tempo real dos sistemas produtivos. Dados da produção podem alimentar continuamente os sistemas de IA para detectar rapidamente desvios provenientes de máquinas conectadas, sensores de qualidade – incluindo sistemas de visão computacional baseados em IA – ou dos sistemas responsáveis por manter as condições ambientais adequadas para determinados compostos. 

Com acesso contínuo aos dados, os sistemas de IA conseguem alertar as equipes sobre problemas potenciais antes que eles ocorram, mantendo rigorosos padrões de qualidade, apoiando a otimização contínua e possibilitando a manutenção preditiva. Além disso, a IA Industrial pode analisar cadeias globais de suprimentos altamente complexas para identificar vulnerabilidades, prever interrupções e recomendar estratégias alternativas de fornecimento e logística.

O Gêmeo Digital e a Inteligência Artificial Industrial permitirão analisar dados
de produção em tempo real para orientar otimizações rápidas, reduzir custos,
aumentar a eficiência e garantir elevados padrões de qualidade.

Ao longo de todo o ciclo de vida, a IA Industrial também acelera e torna mais precisas as transferências de tecnologia, especialmente na interação com órgãos reguladores. A tecnologia pode automatizar grande parte do trabalho repetitivo envolvido na compilação da documentação que registra protocolos experimentais, resultados e conclusões em formatos estruturados e portáveis. Isso simplifica significativamente a transferência de conhecimento entre equipes internas e agiliza a coordenação com os reguladores.
 

Como abordar a transformação digital para o futuro 

A indústria farmacêutica encontra-se em um momento decisivo. A crescente complexidade no desenvolvimento de medicamentos, as mudanças no perfil dos pacientes, as interrupções geopolíticas e diversos outros fatores aumentam a pressão para que os fabricantes acelerem seus processos. Hoje, as empresas precisam encontrar maneiras de acelerar o desenvolvimento sem comprometer a segurança ou a qualidade de seus produtos.

Felizmente, a transformação digital pode reduzir os pontos de atrito em todo o ciclo de vida farmacêutico, diminuindo erros e acelerando processos desde o laboratório até a entrega dos medicamentos aos pacientes. Essas tecnologias também estabelecem a base para soluções ainda mais avançadas no futuro. 

Para muitas empresas, a principal dúvida é como iniciar um programa de transformação digital que frequentemente parece complexo ou difícil de implementar. Existem duas estratégias fundamentais para superar esse desafio. 

Primeiro, as empresas devem começar resolvendo problemas básicos, digitalizando as transferências de conhecimento e construindo uma base sólida de dados. Entre as principais prioridades estão eliminar silos de dados, digitalizar processos manuais e adotar padrões consistentes para estruturação e armazenamento das informações.

Empresas que desejam iniciar sua transformação digital devem começar  construindo uma
 base sólida de dados, permitindo a adoção de capacidades mais avançadas no futuro.

Em segundo lugar, as empresas farmacêuticas devem buscar parceiros tecnológicos que ofereçam soluções e experiência no setor para fornecer o suporte necessário. A transformação digital é complexa – especialmente diante das atuais condições de mercado. Estabelecer parcerias com fornecedores de tecnologia, associações do setor e outras iniciativas colaborativas pode ajudar a identificar insights importantes, acelerar a adoção de ferramentas e reduzir riscos. 

Em última análise, o objetivo da transformação digital na indústria farmacêutica é entregar tratamentos eficazes e seguros aos pacientes com mais rapidez do que nunca. Seja um paciente com câncer aguardando uma terapia experimental, pessoas com diabetes se beneficiando de insulinas mais precisamente direcionadas ou países em desenvolvimento recebendo vacinas produzidas localmente, o impacto humano da aceleração promovida pela transformação digital na indústria farmacêutica será profundo.

 

Maria Grahmn - Vice-Presidente Global de Life Sciences da Siemens AG


Cansaço extremo no meio do ano: quando o esgotamento físico esconde uma falha na transição hormonal feminina

Além do estresse cotidiano, a oscilação de hormônios metabólicos e sexuais após os 40 anos mimetiza a fadiga mental. Entenda a importância do alinhamento individualizado entre organismo e mente para recuperar a vitalidade.

 

Chega a metade do ano e muitas mulheres sentem que a energia simplesmente desapareceu. O ritmo intenso de trabalho, a rotina familiar, os estudos, os cuidados com os filhos ou com os pais e a sensação constante de precisar dar conta de tudo fazem com que o cansaço seja encarado como algo normal. No entanto, quando a fadiga se torna persistente, vem acompanhada de desânimo, dificuldade de concentração, perda de massa muscular, ganho de peso e sensação de baixa disposição mesmo após o descanso, o problema pode ir muito além da sobrecarga emocional.

A partir dos 40 anos, o organismo feminino passa por uma série de mudanças hormonais e metabólicas que coincidem justamente com uma das fases mais exigentes da vida. Nesse período, muitas mulheres ainda estão em plena ascensão profissional, conciliam múltiplas responsabilidades e, frequentemente, deixam a alimentação, a atividade física e o próprio sono em segundo plano. O resultado é um cenário em que fatores comportamentais e alterações hormonais se somam, tornando difícil identificar a verdadeira origem do esgotamento.

Segundo o endocrinologista e metabologista Dr. Rafael Fantin, é comum que essas pacientes procurem atendimento acreditando estar apenas estressadas. "Na prática, raramente existe uma única causa para esse cansaço. Geralmente encontramos uma combinação entre excesso de demandas, privação de sono, deficiência de vitaminas e minerais, alterações metabólicas e as mudanças hormonais naturais da transição para a menopausa", explica.

Entre essas transformações está a redução gradual da produção de melatonina, hormônio importante para a qualidade do sono e recuperação celular, além da diminuição da atividade do eixo GH/IGF-1, responsável pela regeneração dos tecidos, manutenção da massa muscular e equilíbrio metabólico. Também podem ocorrer alterações no eixo adrenal, com elevação do cortisol em resposta ao estresse crônico, comprometendo ainda mais os níveis de energia.

Paralelamente, inicia-se a chamada perimenopausa, fase que antecede a menopausa e é marcada por oscilações importantes dos hormônios sexuais. A queda progressiva do estrogênio favorece o aumento da resistência à insulina, facilita o acúmulo de gordura abdominal e reduz a capacidade do organismo de preservar massa muscular. Além disso, com a redução da atividade ovariana, o organismo passa a gastar menos energia do que durante o período reprodutivo. Se os hábitos alimentares permanecem os mesmos, a tendência é que o ganho de peso aconteça de forma gradual.

"Essas alterações aumentam a inflamação do organismo, especialmente pela maior quantidade de gordura visceral. Esse processo inflamatório também pode afetar o cérebro, influenciando neurotransmissores ligados ao humor, à motivação e à disposição", afirma o especialista.

Apesar de frequentes nessa fase da vida, esses sintomas não são exclusivos da transição hormonal. Depressão, burnout, alterações da tireoide, deficiência de ferro, vitamina B12, vitamina D, distúrbios do sono e outras doenças metabólicas podem provocar manifestações muito semelhantes. Por isso, segundo Rafael, o diagnóstico não deve ser baseado apenas nos sintomas ou em um único exame hormonal.

"O primeiro passo é uma investigação clínica bastante detalhada. Precisamos entender quando os sintomas começaram, como evoluíram, se há irregularidade menstrual, fogachos, alterações do sono, queda da libido e outros sinais característicos da perimenopausa. Só depois interpretamos os exames de forma integrada, avaliando como todos os sistemas hormonais estão funcionando em conjunto. Não analisamos apenas um hormônio isoladamente, porque alterações no eixo do estresse, da tireoide, do metabolismo ou dos hormônios sexuais influenciam diretamente umas às outras", destaca.

Essa visão global também orienta o tratamento. Embora a terapia hormonal possa ser indicada em muitas mulheres, ela representa apenas uma parte da estratégia. Corrigir deficiências nutricionais, reduzir processos inflamatórios, melhorar a qualidade do sono, estimular o ganho de massa muscular, tratar a resistência à insulina e incentivar hábitos saudáveis são medidas que caminham lado a lado para restaurar o equilíbrio metabólico.

"O organismo funciona como um sistema integrado. Não adianta olhar apenas para os hormônios sexuais se outros eixos continuam desregulados. Quando conseguimos reorganizar toda essa base hormonal e metabólica, a paciente recupera energia, melhora a composição corporal, ganha disposição e volta a ter qualidade de vida de forma consistente", conclui Dr. Rafael Fantin. 



Fonte: Dr. Rafael Fantin — Endocrinologista e Metabologista, especialista em saúde integrada, performance metabólica e nutrigenômica.
@dr.rafaelfantin


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