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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Às vésperas do Dia do Sexo (6/9), especialista explica por que 37% dos jovens da Geração Z se identificam como “celibatários”

 

Um levantamento da DatingAdvice.com e o Instituto Kinsey sobre a vida afetiva da Geração Z aponta uma geração menos sexualmente ativa e abre debate sobre ansiedade, expectativas e falta de educação sexual. 

 

Fenômeno que emergiu junto à GenZ, a epidemia da “recessão sexual” parece estar fazendo novos e fiéis adeptos. Deixando de lado as noites de prazer, cerca de 37% dos jovens se identificam como celibatários, segundo o estudo “The State of Us: National Study on Modern Love & Dating in 2025", em parceria da DatingAdvice.com junto ao Instituto Kinsey.  

Embora os ‘nativos digitais’ da Geração Z tenham optado por deixar o “sexo” em um segundo plano, cresce também as taxas de jovens adultos celibatários involuntários: 22,1% entre homens e 19,3% no caso das mulheres. Com a “pista cada vez mais salgada”, o desejo sexual tem sido suprimido por uma série de fatores que vão além da falta de interesse, como ansiedade, insegurança e dificuldade em se relacionar.  

Essa redução da frequência sexual parece estar ligada não somente à escolha pelo celibato, mas também às novas dinâmicas de namoro e o impacto das redes sociais sobre expectativas, autoestima e intimidade. Faltando alguns dias para se comemorar o Dia do Sexo (6/9), o especialista em Sexologia e Sexualidade à frente do projeto “Prazer! Te conhecer”, Januário Mourão, revela que os jovens chegam à vida adulta sem conhecer o próprio corpo ou saber conversar sobre consentimento, além de não saber compreender aspectos básicos da saúde sexual. 

“O Brasil não possui uma política ampla, contínua e efetiva sobre educação sexual. Temos gerações inteiras que cresceram sem orientação adequada, aprendendo sobre o corpo e o sexo por meio de colegas, pornografia, experiências individuais, discursos religiosos, conteúdos de redes sociais ou informações incompletas. Isso pode auxiliar a explicar a epidemia silenciosa da recessão sexual. Além da ausência de políticas consistentes, a educação sexual passou a ser tratada como ameaça moral ou ideológica. Isso dificulta a construção de iniciativas públicas e impede que crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos tenham acesso a informações adequadas a cada fase da vida”, comenta.  

Responsável por traduzir temas complexos ligados ao corpo, sexualidade, prazer e masculinidades de maneira acessível, Januário explica que há uma mitificação sobre corpo, sexo e prazer que são cobertos por preconceito e tabus. Para entender como essas ideias se enraízaram no público mais jovem, o sexólogo, professor PhD em Anatomia e psicanalista revela que parte desses “bloqueios” está relacionada ao patriarcado e ao machismo 

“As expectativas impostas aos homens, por exemplo, podem produzir ansiedade de desempenho, medo da vulnerabilidade e uma compreensão limitada do prazer. No caso das mulheres, a repressão ao desejo, o desconhecimento do próprio corpo e a naturalização da dor durante o sexo continuam sendo problemas frequentes. Em um mundo em que a vulnerabilidade é sinal de fraqueza, de vergonha, a dificuldade de se relacionar toma conta e afasta a ‘conexão’ entre os jovens. Embora cada prática, frequência ou comportamento sexual não seja via de ‘regra’ para todas as pessoas, é possível entender determinados comportamentos a partir de fatores como o perfil do público, faixa etária, contexto, ambiente, entre outros”, destaca.  

Antecipando os debates sobre o ‘Dia do Sexo’, Januário é uma das figuras centrais no debate sobre masculinidades, sexualidade e transformação social. À frente das iniciativas ‘Prazer! Te conhecer’ e do ‘Antimachismo Social Club’, o empresário atua em diferentes vertentes, orientando sobre corpo, prazer e comportamento há mais de vinte anos no país 

De origem carioca, batizado na Bahia e pai de duas filhas, o sexólogo afirma que é comum que mesmo após a escola, universidade e diferentes relações de afeto, que os adultos afirmem não encontrar um espaço seguro, científico e não moralista para falar sobre sexo – o que induz ao desconhecimento, sobretudo entre os mais novos.  

“A educação sexual baseada em evidências é fundamental porque oferece ferramentas para que as pessoas compreendam o próprio corpo, reconheçam limites, expressem desejos, estabeleçam relações consensuais e tomem decisões mais conscientes. A sexologia possui pesquisas sobre anatomia, comportamento, desejo, resposta sexual, saúde, relacionamentos e diferentes fases da vida. Quando esse conhecimento não chega à população, o espaço é ocupado por mitos, preconceitos e promessas sem fundamento. A ausência de informação também aumenta a vulnerabilidade. Pessoas que não conhecem o próprio corpo podem ter dificuldade para reconhecer situações de violência, identificar sintomas, procurar ajuda ou entender que dor, medo e constrangimento não deveriam ser tratados como partes inevitáveis de uma relação sexual. Isso ajuda a explicar porque muitos dos jovens, hoje, preferem uma boa noite de sono ao sexo, por exemplo”, destaca.  

Diretor operacional e sócio na Gaveta do Pensamento, empresa de comunicação, cultura e educação, Januário explica que os mitos relacionados à “sexualidade” não são apenas erros de informação. Na visão do especialista, eles contribuem para um público mais ansioso, silencioso, frustrado, que replica moldes da pornografia e consome cada vez mais medicamentos inadequados 

“Uma educação sexual responsável não ensina apenas práticas sexuais. Ela aborda o consentimento, o respeito, a prevenção, autocuidado, diversidade corporal, saúde, afetos, limites, comunicação e responsabilidade. Precisamos de uma educação que não seja limitada à prevenção de gravidez e infecções sexualmente transmissíveis. Ela precisa incluir corpo, consentimento, prazer, afetividade, diversidade, respeito, prevenção da violência, comunicação e pensamento crítico. Dessa forma, podemos evitar uma epidemia da solidão, impulsionada pelos próprios anseios, frustrações, e ausência de orientação profissional”, conclui. 


A guerra dos emagrecedores mudou: agora, a disputa é pelo comprimido


Depois de Ozempic, Wegovy e Mounjaro popularizarem as canetas, a próxima corrida da indústria é por versões orais de GLP-1 capazes de ampliar o acesso, reduzir barreiras de uso e disputar um mercado bilionário

 

Durante anos, o tratamento moderno da obesidade ganhou uma imagem muito clara: a caneta. Ozempic, Wegovy e Mounjaro mudaram o mercado, provocaram períodos de falta nas farmácias e transformaram medicamentos para perda de peso em um fenômeno global.

Agora, a próxima disputa começa a caber na palma da mão.

 

Nos Estados Unidos, versões orais de medicamentos para obesidade já começaram a chegar ao mercado. A expectativa é que os comprimidos ampliem o número de pacientes dispostos a iniciar tratamento e, no futuro, ajudem a reduzir parte das barreiras de custo, produção e logística que acompanham os injetáveis.

 

“A caneta mostrou que era possível alcançar perdas de peso muito mais expressivas. O comprimido pode ajudar a tornar esse tratamento mais simples e acessível para um número maior de pessoas”, explica o médico Dr. Gustavo de Oliveira Lima, especialista em emagrecimento e performance.

 

O Wegovy virou comprimido

Uma das principais novidades é a semaglutida oral em dose voltada ao tratamento da obesidade.

 

No estudo OASIS 4, pessoas com obesidade ou sobrepeso sem diabetes que receberam semaglutida oral perderam, em média, 13,6% do peso corporal após 64 semanas, contra 2,2% no grupo placebo. O resultado coloca o comprimido em uma faixa de eficácia relevante, embora ainda abaixo das perdas observadas com algumas das canetas mais potentes.


A diferença é que não há agulha. Para muitos pacientes, isso não é detalhe. Medo de injeção, dificuldade de armazenamento, viagens e resistência a um tratamento injetável de longo prazo podem interferir na adesão.

“Um medicamento só funciona se o paciente consegue utilizá-lo corretamente e manter o tratamento. Forma de uso também faz parte da eficácia na vida real”, afirma Dr. Gustavo.

 

Outra molécula que ganhou espaço nessa corrida é a orforgliprona.

Diferentemente da semaglutida oral, ela foi desenvolvida desde o início como uma pequena molécula capaz de ativar o receptor de GLP-1 por via oral. Em estudos de fase 3, participantes chegaram a perdas médias superiores a 10% do peso corporal.

 

Talvez o dado mais importante, porém, esteja fora da balança. Por ser um comprimido desenvolvido especificamente para uso oral, a orforgliprona pode ser mais simples de fabricar, armazenar e distribuir do que medicamentos injetáveis que dependem de dispositivos aplicadores e estruturas mais complexas de produção.

Isso ajuda a explicar por que a indústria olha para os comprimidos como uma possível porta de entrada para um mercado muito maior.

 


Dr. Gustavo de Oliveira Lima - Médico CRM/SP 207.928 - Com uma formação sólida em nutrologia e endocrinologia, Dr. Gustavo de Oliveira Lima é reconhecido por sua atuação em emagrecimento saudável e longevidade. Focado em oferecer tratamentos modernos e personalizados, ele utiliza abordagens científicas de ponta para promover saúde integral e bem-estar a longo prazo.



Setembro Amarelo reforça a importância da informação, do acolhimento e do cuidado com a saúde mental

Divulgação
Campanha liderada pelo IGESP Litoral chama a atenção para a prevenção, destaca a importância de reduzir estigmas e reforça o papel das redes de apoio e do cuidado profissional

 

Setembro é marcado mundialmente pela campanha Setembro Amarelo, dedicada à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à valorização da vida. Ao longo do mês, o IGESP Litoral se une a instituições de saúde e à sociedade para ampliar o diálogo sobre saúde mental e reforçar a importância da informação, do acolhimento e do acesso ao cuidado profissional. 

O ponto focal da mobilização acontece em 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, data que reforça a importância do tema como uma prioridade de saúde pública. 

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio anualmente no mundo, sendo esta uma das principais causas de morte entre jovens. No Brasil, o Ministério da Saúde destaca que a prevenção exige uma abordagem ampla e multidisciplinar, considerando fatores biológicos, psicológicos e sociais. 

Para o Dr. Carlos Alberto Gomes, médico especializado em saúde mental e Diretor Técnico do IGESP Litoral, um dos principais desafios ainda é reduzir o estigma que, muitas vezes, impede as pessoas de procurarem ajuda no momento adequado. “O sofrimento psíquico não pode ser tratado como um tabu ou um sinal de fraqueza. Na prática médica, vemos diariamente como o acolhimento sem julgamentos e a escuta qualificada podem fazer diferença. O Setembro Amarelo nos lembra que a saúde mental deve ser cuidada de forma contínua, assim como qualquer outra condição de saúde. Promover informação confiável é um passo importante para que pacientes e familiares reconheçam situações de sofrimento e busquem apoio especializado”, comenta.
 

Escuta, acolhimento e cuidado contínuo 

A promoção da saúde mental passa também pela construção de ambientes mais seguros e acolhedores, seja no contexto familiar, social ou profissional. Falar sobre o tema de forma responsável, empática e sem julgamentos pode contribuir para reduzir o isolamento e fortalecer os vínculos. 

Do ponto de vista clínico, o cuidado deve ser individualizado e multidisciplinar, considerando diferentes aspectos da vida e da saúde de cada pessoa. Alterações comportamentais, isolamento social, sentimentos persistentes de desesperança e mudanças significativas na rotina podem indicar a necessidade de atenção e avaliação profissional. 

Nesse processo, a escuta qualificada e o acolhimento são fundamentais para fortalecer o vínculo e reduzir as barreiras à busca por ajuda, permitindo que cada pessoa receba o acompanhamento mais adequado às suas necessidades. 

Mais do que uma mobilização pontual, o Setembro Amarelo reforça a importância de incorporar o cuidado com a saúde mental à rotina. Fortalecer vínculos, respeitar os próprios limites e buscar acompanhamento profissional quando necessário são atitudes importantes para a promoção do bem-estar e da qualidade de vida. 

Neste Setembro Amarelo, o IGESP Litoral reforça uma mensagem de responsabilidade coletiva e cuidado contínuo: cuidar da vida também é saber ouvir, acolher e estar presente.
 

Rede IGESP


EUA aprovam a primeira pílula para câncer de pâncreas metastático. O que muda de fato?

Medicamento daraxonrasib dobra a sobrevida mediana em pacientes com doença metastática, mas ainda não tem registro no Brasil

 

Na quarta-feira (26 de agosto), o FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou o daraxonrasib, primeiro medicamento capaz de bloquear a proteína RAS, o “interruptor” que fica ligado em mais de 90% dos cânceres de pâncreas. Em junho os resultados foram apresentados no maior congresso da ASCO, o maior de oncologia do mundo, e receberam aplausos de pé. 

A indicação é para adultos com câncer de pâncreas que já se espalhou para outros órgãos, o chamado tumor metastático, e que já fizeram um primeiro tratamento com quimioterapia. 

O estudo que embasou a aprovação acompanhou 500 pacientes. A sobrevida mediana foi de 13,2 meses, contra 6,7 meses com quimioterapia, na prática o dobro do tempo. Um ano após o início do tratamento, 53% dos pacientes estavam vivos, ante 19% no grupo da quimioterapia. O tumor diminuiu em 1 a cada 3 pacientes e a dor demorou mais que o dobro do tempo para piorar. É um comprimido tomado em casa, uma vez ao dia, e poucos pacientes precisaram interromper o tratamento por efeitos colaterais, sendo os mais comuns lesões na pele parecidas com acne, feridas na boca, diarreia e cansaço. 

O medicamento, no entanto, não cura a doença. O ganho é medido em meses e, na maioria dos casos, o tumor volta a crescer. Também não é indicado para tumores iniciais, situação em que a cirurgia segue como o único tratamento com chance de cura. E ainda não está disponível no Brasil: não há registro na ANVISA nem prazo definido. 

Estudos em andamento já testam a pílula como primeiro tratamento e também depois da cirurgia, para reduzir o risco de a doença voltar. 

Para o Dr. Felipe Coimbra, líder do Centro de Referência em Tumores do Aparelho Digestivo Alto (CR-ADA) do A.C.Camargo Cancer Center, o avanço é real e muda a conversa com quem tem a doença avançada. A mensagem principal, porém, continua a mesma: diagnóstico cedo, avaliação por equipe especializada e teste genético do tumor desde o início. 

O A.C.Camargo Cancer Center disponibiliza especialistas para entrevistas e esclarecimentos sobre a aprovação, o perfil de pacientes que podem se beneficiar do medicamento e o cenário de diagnóstico e tratamento do câncer de pâncreas.

 

SOBRE O A.C.CAMARGO CANCER CENTER

Desde sua fundação, há mais de 70 anos, o A.C.Camargo tem como propósito cuidar das pessoas e ampliar o acesso ao tratamento do câncer no Brasil. Referência internacional em oncologia, o Cancer Center atua de forma integrada em prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e cuidados paliativos. Seu propósito — honrar a vida, desafiando as fronteiras da oncologia e promovendo educação e pesquisa para a sociedade — está no centro de todas as suas ações. 

Com um modelo assistencial e resultados iguais ou superiores aos dos principais centros oncológicos do mundo, o A.C.Camargo integra assistência de excelência, geração de conhecimento científico e formação de profissionais especializados. Ao todo, são cinco mil profissionais, entre eles mais de 700 médicos de nosso corpo clínico fechado, dedicados e especializados no cuidado com pacientes oncológicos. 

Pioneiro na implementação de conceitos como Gestão de Alto Desempenho e Saúde Baseada em Valor, o Cancer Center também possui uma robusta frente de Impacto Social de alcance nacional, em que atua em parceria com o CONASEMS para a formação de mais de 500 mil agentes comunitários de saúde em todo o Brasil. Também é responsável por conduzir o projeto Missão A.C.Camargo em parceria com municípios de todo o país, oferecendo suporte para as secretarias de saúde desenvolverem programas de rastreio e prevenção do câncer. Desde maio de 2025, é uma instituição de reconhecida excelência no PROADI-SUS.


Dia Mundial da Saúde Sexual reforça importância do cuidado com o corpo, prazer e bem-estar

Celebrada em 4 de setembro, data amplia debate sobre sexualidade para além das ISTs e da gravidez; especialista destaca papel da informação, do consentimento e do autocuidado na saúde sexual.


Quando se fala em saúde sexual, a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e de uma gravidez não planejada costuma ocupar o centro da conversa. Mas o cuidado com a sexualidade vai além da prevenção: também envolve conhecer o próprio corpo, compreender desejos e limites, estabelecer relações consensuais, lidar com questões emocionais e buscar ajuda diante de dores, dificuldades ou mudanças que afetem o bem-estar.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a saúde sexual parte do bem-estar físico, emocional, mental e social e defende uma abordagem que não se limite à ausência de doenças ou disfunções. A discussão ganha destaque com a proximidade do Dia Mundial da Saúde Sexual, celebrado em 4 de setembro. Em 2026, a campanha internacional tem como tema “Every Body”. A proposta amplia o olhar sobre o assunto e ajuda a colocar em evidência uma questão que ainda é atravessada por tabus: informação sobre sexualidade também pode ser uma forma de cuidado com a saúde e de promoção do bem-estar.

Para o especialista em Sexologia e Sexualidade Januário Mourão, à frente do projeto Prazer! Te conhecer, esse cuidado começa pela relação que cada pessoa estabelece com o próprio corpo. O acesso a informações confiáveis pode ajudar a reconhecer limites, compreender sensações, identificar alterações e tomar decisões com mais autonomia. Segundo ele, quando esse conhecimento não está disponível, dúvidas sobre sexualidade acabam sendo respondidas por fontes nem sempre confiáveis, o que pode aumentar inseguranças e perpetuar conceitos equivocados.

“A educação sexual é fundamental porque oferece ferramentas para que as pessoas compreendam o próprio corpo, reconheçam limites, expressem desejos, estabeleçam relações consensuais e tomem decisões mais conscientes. A ciência não pode ser substituída por ‘achismos’, experiências isoladas ou conteúdos produzidos apenas para gerar engajamento. A sexologia possui pesquisas sérias sobre anatomia, comportamento, desejo, resposta sexual, saúde, relacionamentos e diferentes fases da vida. Quando esse conhecimento não chega à população, o espaço é ocupado por mitos, preconceitos e promessas sem fundamento”, explica.

As dúvidas que chegam ao trabalho do especialista mostram como a falta de informação pode se misturar a questões de autoestima, desempenho e expectativas sobre o que seria uma vida sexual considerada “normal”. Entre os temas mais recorrentes estão o tamanho do pênis, a duração de uma relação sexual, disfunção erétil, anorgasmia, zonas erógenas, desejo sexual, masturbação e dificuldades de comunicação entre parceiros. Para Januário, essas questões não devem ser analisadas apenas pelo comportamento sexual em si, porque muitas vezes revelam cobranças e padrões construídos socialmente.

“Essas dúvidas geralmente não aparecem isoladas. Por trás da preocupação com o tamanho do pênis, por exemplo, muitas vezes existe uma ideia de masculinidade baseada em comparação, desempenho e validação. A disfunção erétil também pode estar relacionada à ansiedade, à cobrança e ao medo de não corresponder às expectativas. Entre as mulheres, são frequentes questões sobre dificuldade de alcançar o orgasmo, desconhecimento do próprio corpo, diferença de desejo nos relacionamentos e naturalização da dor durante o sexo”, afirma o especialista.

A relação com o próprio corpo também aparece de maneiras diferentes entre homens e mulheres. Segundo Januário, enquanto determinadas cobranças sobre os homens estão associadas à ideia de desempenho e virilidade, muitas mulheres ainda chegam à vida sexual com pouco conhecimento sobre o próprio prazer e com a percepção de que determinadas experiências de desconforto ou dor seriam naturais. Nesse sentido, falar sobre sexualidade não significa apenas discutir práticas, mas também questionar comportamentos e expectativas que podem comprometer a saúde e o bem-estar.

“Ainda existe uma educação que ensina muitas mulheres a cuidar do prazer do outro, mas não a reconhecer, comunicar ou priorizar o próprio prazer. No campo do antimachismo, aparecem questões ligadas ao comportamento masculino, à dificuldade de demonstrar afeto, à violência, ao ciúme, à paternidade, à divisão do trabalho doméstico e à resistência em reconhecer privilégios ou rever práticas naturalizadas. Meu trabalho procura mostrar que as dúvidas consideradas individuais frequentemente revelam questões sociais mais amplas”, destaca Januário.

Além do conhecimento sobre o próprio corpo, a saúde sexual também passa pela capacidade de estabelecer relações baseadas em comunicação, respeito e consentimento. Saber expressar desejos, reconhecer limites, conversar sobre desconfortos e compreender quando uma situação ultrapassa aquilo que foi consentido são aspectos que interferem diretamente na forma como as pessoas vivenciam a sexualidade. Por isso, uma abordagem de saúde sexual não pode separar o corpo das relações, dos afetos e das condições emocionais envolvidas.

Essa perspectiva também amplia o papel da educação sexual. Para o especialista, falar sobre o tema de maneira responsável significa oferecer informações que ajudem as pessoas a tomar decisões e reconhecer situações que exigem atenção. Isso inclui prevenção de ISTs e gravidez, mas também conhecimento anatômico, autocuidado, consentimento, diversidade corporal, afetividade, comunicação e identificação de situações de violência ou sofrimento.

“A ausência de informação também aumenta a vulnerabilidade. Pessoas que não conhecem o próprio corpo podem ter dificuldade para reconhecer situações de violência, identificar sintomas, procurar ajuda ou entender que dor, medo e constrangimento não deveriam ser tratados como partes inevitáveis de uma relação sexual. Uma educação sexual responsável não ensina apenas práticas sexuais. Ela aborda consentimento, respeito, prevenção, autocuidado, diversidade corporal, saúde, afetos, limites, comunicação e responsabilidade”, ressalta.

Especialista em Sexologia e Sexualidade, professor PhD em Anatomia e psicanalista, Januário Mourão atua há mais de duas décadas com temas relacionados a corpo, prazer, comportamento e masculinidades. À frente das iniciativas ‘Prazer! Te conhecer’ e ‘Antimachismo Social Club’, ele defende que ampliar o acesso à informação é uma das formas de transformar a relação das pessoas com o próprio corpo e com a sexualidade.

“Cuidar da saúde sexual também é cuidar da saúde como um todo. Isso passa por conhecer o próprio corpo, compreender os próprios limites, saber comunicar desejos, respeitar o outro e entender que prazer, consentimento, prevenção e autocuidado não são assuntos separados. Quando conseguimos falar sobre sexualidade com informação e responsabilidade, também criamos condições para relações mais conscientes, seguras e saudáveis”, conclui Januário.

Câncer de cabeça e pescoço tem maior impacto entre pessoas com mais de 50 anos

80% dos casos no Brasil são diagnosticados em estágio avançado; faixa etária concentra a maior parte dos diagnósticos e mortes pela doença
 

O câncer de cabeça e pescoço, responsável por cerca de 39 mil novos casos por ano no Brasil, apresenta um perfil etário bem definido: a doença se concentra principalmente entre pessoas com mais de 50 anos, enquanto a mortalidade atinge o pico entre 60 e 69 anos. Os dados reforçam a importância de ampliar a atenção a essa faixa etária, especialmente diante da elevada proporção de diagnósticos tardios no país. Segundo levantamento do Instituto Nacional de Câncer (INCA), 80% dos casos são identificados em estágio avançado. O atraso reduz as chances de cura e amplia a necessidade de tratamentos mais agressivos, com maior impacto na qualidade de vida do paciente. 

“É importante lembrar que muitos dos sintomas iniciais podem ser confundidos com alterações comuns da idade e, por isso, acabam sendo negligenciados. Rouquidão persistente, feridas na boca que não cicatrizam e nódulos no pescoço, por exemplo, não devem ser normalizados. Ao perceber qualquer um desses sinais, especialmente se persistirem, é fundamental procurar avaliação médica para investigar a causa e evitar que um possível diagnóstico seja feito apenas em estágios mais avançados”, explica a Dra. Aline Viana, cirurgiã e diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço. 

Além disso, estudos nacionais indicam que entre 65% e 80% dos casos ocorrem em homens, com predominância de pacientes com baixa escolaridade e baixa renda. Essa vulnerabilidade socioeconômica está associada ao acesso mais tardio aos serviços de saúde, o que também contribui para diagnósticos em fases mais avançadas, um fator que se soma ao da idade e agrava ainda mais o cenário entre pacientes acima de 50 anos. 

Os dois principais fatores de risco da doença são conhecidos e modificáveis: tabagismo e etilismo. Pesquisas apontam que 72% dos pacientes diagnosticados são fumantes e 58% consomem álcool com frequência. Quando os dois hábitos são combinados, o risco não se soma, se multiplica: pessoas que fumam e bebem podem ter de 10 a 35 vezes mais chances de desenvolver a doença, já que o álcool facilita a penetração de substâncias cancerígenas do tabaco na mucosa. 

Além do tabagismo e do consumo de bebidas alcoólicas, também são fatores de risco a infecção pelo HPV, especialmente pelo HPV-16, a exposição prolongada ao sol, higiene bucal inadequada e a exposição ocupacional a determinadas substâncias químicas e poeiras, como as de madeira. Diante do fato de que a maioria dos casos ainda é identificada em estágio avançado, Aline Viana reforça a necessidade de ampliar a atenção à população acima dos 50 anos. 

Lembrando que pessoas abaixo dos 50 anos também podem desenvolver esse tipo de câncer, muitas vezes associado à infecção pelo vírus HPV, então o alerta serve para todos: ao perceber qualquer feridinha na boca ou na pele que não cicatriza, manchas escuras ou esbranquiçadas na cavidade oral, rouquidão persistente, dor ao engolir, nódulos no pescoço, procure um especialista, agende uma consulta com um cirurgião de cabeça e pescoço para uma avaliação. O alerta não deve se restringir às pessoas que apresentam fatores de risco. A partir dos 50 anos, é importante estar atento a qualquer sintoma persistente na região da cabeça e do pescoço. Quanto mais cedo a doença for investigada e diagnosticada, maiores podem ser as possibilidades de tratamento e menores os impactos associados a um diagnóstico em estágio avançado”, alerta a médica. 



Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço – SBCCP
sbccp.org.br


Ronco alto pode impactar na qualidade de vida. Entenda as causas e saiba quando procurar ajuda

 Entenda como o ronco alto pode impactar na qualidade de vida.
 Magnific

Ronco frequente pode ser um sinal de apneia do sono, condição associada ao aumento do risco de hipertensão, infarto e AVC; especialista alerta ainda para o uso indiscriminado da melatonina

 

 

"Você ronca?" A pergunta costuma surgir em tom de brincadeira entre casais e familiares, mas pode esconder um problema de saúde que vai muito além do barulho durante a noite. No Brasil, cerca de 40% da população adulta ronca, segundo a Associação Brasileira do Sono. Embora seja comum, especialmente com o avanço da idade, o ronco frequente pode ser um sinal da Apneia Obstrutiva do Sono (AOS), distúrbio que compromete a qualidade do sono e aumenta o risco de doenças cardiovasculares. 

Segundo a pneumologista e especialista em Medicina do Sono Dra. Carla Alvarenga, da MedSênior, muitas pessoas convivem com o problema durante anos sem perceber que a qualidade do sono está comprometida. 

"Quem tem apneia pode acreditar que dormiu a noite inteira, mas o cérebro desperta diversas vezes para restabelecer a respiração. Esses despertares passam despercebidos, mas impedem que o sono seja realmente reparador", explica.

 

Nem todo ronco é sinal de doença 

Roncar ocasionalmente pode acontecer durante gripes, crises alérgicas, congestão nasal, após o consumo de bebidas alcoólicas ou ao dormir de barriga para cima. Nessas situações, o sintoma costuma desaparecer quando a causa é resolvida. 

O alerta surge quando o ronco é frequente, intenso e acompanhado de pausas respiratórias, engasgos durante o sono, dor de cabeça ao acordar, sonolência excessiva ao longo do dia ou dificuldade de concentração. 

"Nem toda pessoa que ronca tem apneia do sono, embora o ronco frequente seja um dos sintomas mais comuns da doença. Na Apneia Obstrutiva do Sono, a respiração pode ser interrompida ou ficar repetidamente reduzida durante o sono, provocando quedas na oxigenação e despertares breves", descreve.

 

Muito além do ronco: impactos para a saúde 

Na Apneia Obstrutiva do Sono (AOS), a respiração é interrompida repetidas vezes durante a noite, reduzindo a oxigenação do organismo e aumentando o esforço do sistema cardiovascular. 

Ao longo do tempo, a apneia está associada a maior risco e pior controle de hipertensão, arritmias, doenças cardiovasculares, AVC e alterações metabólicas, incluindo diabetes tipo 2. Também favorece alterações de memória, irritabilidade, redução da disposição e maior risco de quedas. 

Fatores como obesidade, aumento da circunferência do pescoço, tabagismo, consumo de álcool antes de dormir e alterações anatômicas das vias aéreas aumentam a probabilidade de desenvolver o distúrbio. 

"A obesidade é um dos principais fatores de risco para a apneia do sono, mas não é o único. Pessoas magras também podem apresentar o problema. Por isso, é importante avaliar o conjunto de sintomas e não apenas o peso corporal", destaca.

 

O sono muda com o envelhecimento, mas isso tem limites 

A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) destaca que algumas alterações na qualidade e na duração do sono são esperadas com o avanço da idade. O sono tende a ficar mais leve, com despertares mais frequentes e redução do tempo de sono profundo. 

No entanto, ronco intenso, pausas respiratórias e sonolência excessiva durante o dia não fazem parte do envelhecimento normal e devem ser investigados. 

Dormir bem vai muito além da quantidade de horas passadas na cama. Um sono de qualidade é essencial para a memória, o equilíbrio hormonal, a recuperação muscular e o funcionamento do sistema imunológico. Quando o descanso é interrompido repetidamente, esses processos também são prejudicados. 

"É importante diferenciar o que faz parte do envelhecimento das alterações que indicam uma doença. Muitas pessoas acreditam que dormir mal é normal depois dos 60 anos, quando, na verdade, podem estar convivendo com um distúrbio tratável", alerta.

 

Melatonina não é indicada para todos os casos 

Na tentativa de melhorar o sono, muitas pessoas recorrem à melatonina sem orientação médica. A especialista alerta que o suplemento não trata todos os distúrbios do sono e não deve ser utilizado indiscriminadamente. 

"A melatonina pode ter indicação em situações específicas, principalmente relacionadas ao ritmo do sono, mas não trata o ronco nem a apneia do sono. Por isso, quando há ronco persistente, pausas respiratórias, engasgos ou sonolência durante o dia, o mais importante é investigar a causa em vez de utilizar suplementos por conta própria", diz.

 

Quando procurar ajuda? 

Alguns sinais indicam que é hora de procurar avaliação médica:

  • ronco alto e frequente;
  • pausas na respiração observadas por familiares;
  • engasgos durante o sono;
  • sonolência excessiva durante o dia;
  • dor de cabeça ao acordar;
  • dificuldade de memória e concentração;
  • hipertensão de difícil controle;
  • sensação de acordar cansado mesmo após uma noite inteira de sono. 

Para a especialista, dormir bem é um dos pilares do envelhecimento saudável. Além disso, identificar precocemente a causa do ronco permite indicar o tratamento mais adequado para cada paciente, que pode incluir mudanças no estilo de vida, perda de peso, dispositivos específicos ou outras abordagens, conforme cada caso. 

"Dormir bem não significa apenas passar muitas horas na cama. É durante o sono que o organismo recupera funções físicas e cognitivas fundamentais. Identificar precocemente alterações como o ronco persistente e a apneia do sono é um passo importante para preservar a saúde, a autonomia e a qualidade de vida", conclui.

 

MedSênior
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O que é a fadiga menstrual e o que fazer para aliviar os sintomas

Médico explica as razões pelas quais as mulheres se sentem mais cansadas durante a menstruação

 

Lidar com o fluxo dos hormônios femininos durante todo o mês não é fácil. Somente isso é suficiente para que muitas mulheres sofram com cansaço e outras mudanças no organismo. Porém, existe uma época em que essa ‘luta’ com o próprio corpo aumenta: o período menstrual. Às vezes, nesse momento, o esgotamento é tanto a ponto de a mulher não ter energia para trabalhar ou fazer as atividades cotidianas. Esta sensação é chamada de fadiga menstrual. 

Juntamente com mau humor, inchaço e dores de cabeça, a fadiga menstrual é um dos sintomas que vêm com a menstruação. O ginecologista Patrick Bellelis, colaborador do setor de endometriose do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, explica que o cansaço excessivo é comum e ocorre por uma série de razões ligadas ao organismo. 

Segundo Bellelis, algumas causas para a fadiga menstrual não são controláveis, mas outras podem ser evitadas ou amortecidas. “Nosso corpo costuma reagir à forma como o tratamos. Se não ingerimos as vitaminas necessárias e não damos a ele o devido descanso, ele irá reclamar. Uma alimentação rica em nutrientes é recomendável para qualquer pessoa durante todo o mês, mas para as mulheres é ainda mais importante, especialmente durante a menstruação”, afirma o médico. Ele defende, ainda, o acompanhamento médico. 

A seguir, o especialista traz os principais motivos que levam à fadiga menstrual. Entenda:

 

Baixos níveis de estrogênio -- Nesse período, ocorre a diminuição do estrogênio, o hormônio sexual feminino. Essa alteração provoca parte dos sintomas da síndrome pré-menstrual, ou tensão pré-menstrual, a TPM. Os sintomas podem durar até que os níveis comecem a subir novamente, já no final da menstruação.

Sangramento intenso - O sangramento uterino anormal, ou até mesmo um sangramento mais intenso, também pode provocar fadiga. Suas causas podem ser miomas, pólipos ou desequilíbrio hormonal. Este último pode levar a um desenvolvimento excessivo do endométrio (tecido que reveste o útero e se desprende durante a menstruação), resultando em sangramentos menstruais mais fortes.
 

Anemia - É uma condição na qual o corpo carece de glóbulos vermelhos saudáveis ​​que ajudam a transportar oxigênio para outros tecidos do corpo. A anemia pode ser causada por sangramento excessivo ou ingestão inadequada de ferro. 

Dieta pouco saudável - Comer alimentos pobres em nutrientes também podem levar à fadiga menstrual. É melhor ingerir comidas ricas em ferro, proteína, ômega-3, magnésio e cálcio, com propriedades anti-inflamatórias. 

Dormir mal - Tendemos a subestimar o quanto o sono afeta nossa saúde. Dormir mal pode contribuir para a fadiga menstrual e aumentar o risco de doenças cardíacas, pressão alta, diabetes, derrame, obesidade e depressão. Embora a dor e as mudanças de humor possam atrapalhar o horário de sono, é importante tentar tirar uma soneca sempre que possível.

 

PATRICK BELLELIS -- GINECOLOGISTA. Tem ampla experiência na área de Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva, atuando principalmente nos seguintes temas: endometriose, mioma, patologias intrauterinas e infertilidade. É graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina do ABC. Possui título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, Laparoscopia e Histeroscopia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia -- FEBRASGO. Doutorado em Ciências Médicas pela Universidade de São Paulo, USP, Brasil. Especialização em Endoscopia Ginecológica e Endometriose pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Faz parte da diretoria da SBE (Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva) desde a sua fundação. Médico Assistente do Setor de Endometriose do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo desde 2010. Professor do Curso de Especialização em Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva -- Pós- Graduação Latu Senso, do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês desde 2011. Professor do Instituto de Treinamento em Técnicas Minimamente Invasivas e Cirurgia Robótica -- IRCAD -- do Hospital de Câncer de Barretos, desde 2012.

 

Bruxismo: brasileiros fizeram mais de 1 milhão de buscas online relacionadas à condição no último ano


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Dados são da Dental Speed e sugerem uma rotina de stress, exposição a telas e noites mal dormidas entre os habitantes 



Ranger ou apertar os dentes com frequência, além de acordar com dores na mandíbula, são sinais frequentemente associados ao bruxismo. E o tema vem despertando cada vez mais o interesse dos brasileiros: segundo um estudo da Dental Speed, distribuidora de produtos odontológicos, as buscas online relacionadas ao assunto ultrapassaram a marca de 1 milhão de pesquisas no último ano.

Em meio a uma rotina marcada pelo estresse e contato frequente com telas, o comportamento, sem causa única, pode estar associado a fatores emocionais, alterações na rotina e à qualidade do descanso. Essa compreensão mais ampla acompanha uma mudança recente no consenso científico internacional, que, em 2025, passou a reconhecer o bruxismo como um comportamento motor cuja condução deve considerar o contexto clínico de cada indivíduo. 

Na prática, trata-se de uma mudança que amplia de forma considerável o papel dos dentistas no cuidado aos pacientes. Esse protagonismo, inclusive, já começa a aparecer também no comportamento digital dos brasileiros: de acordo com a pesquisa, as buscas por "dentista bruxismo" cresceram 21% nos últimos 12 meses, indicando que cada vez mais pessoas associam o tema à necessidade de acompanhamento odontológico  profissional.


Bruxismo em vigília e bruxismo do sono: qual a diferença? 


De acordo com uma revisão sistemática publicada no Journal of Clinical Medicine em 2024, embora não exista uma taxa única para o bruxismo no Brasil, estudos indicam que o comportamento na América do Sul é frequente. Estima-se que o bruxismo em vigília atinja cerca de 30% da população, enquanto o bruxismo do sono afeta 23%, reforçando que a avaliação deve sempre considerar o contexto clínico individual de cada paciente. 

Por falar nas duas manifestações desse comportamento, o estudo da Dental Speed identificou que o interesse nacional pelo tema também se reflete no aumento das buscas online pelos diferentes tipos de bruxismo.  No último ano, por exemplo, as pesquisas por "bruxismo em vigília" cresceram 24%, enquanto as buscas por "bruxismo do sono" avançaram 22%.


O bruxismo pode ser classificado de acordo com o momento em que ocorre. O bruxismo em vigília se refere ao hábito de apertar ou encostar os dentes durante o período em que a pessoa está acordada, geralmente de forma inconsciente. Já o bruxismo do sono ocorre enquanto a pessoa está dormindo e costuma envolver tanto o apertamento quanto o ranger dos dentes. Em ambos os casos, a necessidade de intervenção depende do contexto clínico, da presença de sintomas e do impacto desse comportamento na qualidade de vida de cada paciente. 


Buscas no Google: o que os brasileiros querem saber sobre bruxismo?

O volume recente de buscas nacionais também mostra que o interesse pelo tema vai além do diagnóstico. Entre as dúvidas mais pesquisadas pelos brasileiros estão "como saber se tenho bruxismo?", "o que é bom para bruxismo?", "como curar bruxismo?" e "qual a causa do bruxismo?". As pesquisas refletem uma preocupação crescente em compreender os sintomas, as possíveis origens do comportamento e as formas de tratamento disponíveis.

Embora muitas pessoas procurem respostas rápidas na internet, a própria atualização do consenso científico internacional reforça que não existe uma única causa ou solução para o bruxismo. Por isso, a Dental Speed enfatiza que o acompanhamento odontológico permanece fundamental para identificar a melhor abordagem em cada caso. 


Em quais estados mais se pesquisou sobre bruxismo no último ano?

Além de analisar o comportamento de busca dos brasileiros, o estudo da Dental Speed também identificou os estados com maior interesse pelo tema no último ano. O Distrito Federal lidera o ranking nacional, seguido por Rio de Janeiro e São Paulo. Completam a lista, na sequência, Espírito Santo, Ceará, Paraná, Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás e Pernambuco.

O Sudeste concentra o maior número de estados entre os dez primeiros colocados, com Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais, evidenciando o forte interesse da região pelo tema

Ao mesmo tempo, o ranking também reúne representantes do Centro-Oeste, Sul e Nordeste, com a presença do Distrito Federal e do Goiás; Paraná e Santa Catarina; e Ceará e Pernambuco, respectivamente, mostrando que a busca por informações sobre o bruxismo não se limita aos grandes centros urbanos.




Entre a correria do dia a dia, o excesso de estímulos e as noites mal dormidas, o corpo também encontra formas de sinalizar que algo merece atenção. Este estudo mostra que os brasileiros estão mais atentos a esses sinais… e que entender o comportamento pode ser o primeiro passo para olhar para a própria saúde de maneira mais ampla. 


Metodologia

Os dados utilizados na pesquisa foram levantados a partir das buscas no Google para termos relacionados a "bruxismo". As buscas online correspondem ao período de julho de 2025 a julho de 2026, sendo os dados mais recentes disponibilizados pelas plataformas de coleta no momento em que a pesquisa foi realizada.

Já para descobrir os estados brasileiros em que mais se pesquisou por "bruxismo", foram analisadas as pesquisas pelo termo proporcionalizadas pelo número de habitantes, gerando um ranking que garante maior correspondência com a realidade.


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