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segunda-feira, 30 de março de 2026

Negativa de bomba de insulina: o que fazer e quais são seus direitos


Receber a negativa de um plano de saúde para o fornecimento de uma bomba de insulina é, para muitos pacientes com Diabetes Tipo 1 e suas famílias, um momento de profunda angústia. A frustração surge quase de imediato, acompanhada da sensação de impotência diante de um tratamento que, além de essencial, tem custo elevado. O que ainda é pouco compreendido, no entanto, é que essa negativa pode não ser o fim, mas o começo do caminho para garantir o direito ao tratamento.

O primeiro passo é exigir que a recusa seja formalizada por escrito, com justificativa clara da operadora. Esse documento é mais do que uma formalidade: trata-se da principal prova para eventual ação judicial. Sem ele, muitos pedidos sequer avançam no Judiciário. A negativa documentada demonstra que houve descumprimento contratual ou legal, abrindo espaço para a defesa dos direitos do paciente. 

Entre os argumentos mais recorrentes das operadoras está a alegação de que a bomba de insulina seria um item de uso domiciliar, o que permitiria sua exclusão da cobertura. Esse entendimento, porém, vem sendo reiteradamente afastado pelos tribunais. A Justiça brasileira tem reconhecido que a bomba não é um simples insumo, mas um dispositivo essencial ao tratamento, indispensável para o controle adequado da doença. Essa distinção impede o uso abusivo de cláusulas contratuais para restringir o acesso à tecnologia médica. 

Outro ponto frequentemente invocado é a ausência do equipamento no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar. Esse argumento perdeu força após a promulgação da Lei nº 14.454/2022, que consolidou o entendimento de que o rol da ANS representa apenas o mínimo obrigatório de cobertura, e não um limite. Na prática, isso significa que, havendo prescrição médica fundamentada e registro do dispositivo nos órgãos competentes, o plano de saúde pode ser obrigado a custear o tratamento, ainda que não esteja expressamente listado. 

Há também um equívoco comum entre pacientes: o de que recorrer à Justiça levará anos. Nas demandas de saúde, a realidade costuma ser diferente. Com a documentação adequada, é possível ingressar com ação com pedido de liminar, permitindo que o juiz determine o fornecimento da bomba em caráter de urgência. Em muitos casos, decisões são concedidas em poucos dias, sobretudo quando há risco à saúde e se trata de planos privados. 

É preciso cautela, contudo, em situações específicas, como nos planos de autogestão. Esses possuem regras próprias e não seguem integralmente o mesmo regime jurídico dos planos tradicionais, o que exige análise contratual detalhada e estratégia jurídica adequada antes de qualquer medida. 

O tema, aliás, já vem sendo discutido de forma mais ampla nos tribunais superiores, o que tende a trazer maior segurança jurídica nos próximos anos. Ainda assim, a jurisprudência atual já sinaliza uma diretriz clara: a proteção ao direito à saúde deve prevalecer sobre limitações contratuais, especialmente quando está em jogo a dignidade do paciente. 

Diante desse cenário, a negativa do plano de saúde não deve ser encarada como definitiva. Em muitos casos, ela é apenas o ponto de partida para a garantia de um direito. Informação qualificada e orientação especializada são fundamentais para transformar uma recusa em acesso efetivo ao tratamento, com impacto direto na qualidade de vida e no controle da doença.

 

José dos Santos Santana Jr. - advogado especialista em Direito Empresarial e da Saúde e sócio do escritório Mariano Santana Sociedade de Advogados.

 

Jogadores lesionados na Seleção Brasileira acendem alerta sobre desgaste físico no futebol profissional

Afastamento recorrente de jogadores indica falha na prevenção de lesões. Especialista aponta impacto do calendário intenso e defende estratégias preventivas e regenerativas para evitar prejuízos ao time 

 

A sequência de cortes por lesão na Seleção Brasileira nos últimos dias trouxe à tona o desgaste físico ocasionado pelo futebol de alto rendimento. Em meio aos testes finais antes da Copa do Mundo, o técnico Carlo Ancelotti perdeu três peças importantes do time. O zagueiro Gabriel Magalhães foi cortado da seleção nesta segunda devido a dores intensas no joelho. Alex Sandro e Alisson também foram afastados por motivos físicos na semana passada. 

O futebol moderno, marcado por calendários intensos e alta exigência física tem ampliado a incidência de lesões mesmo entre atletas de elite. Segundo Dr. Lúcio Gusmão, médico especialista em dor e fundador da Rede CADE, mais do que episódios isolados, os cortes recentes evidenciam um padrão que impacta o desempenho das equipes e a longevidade dos jogadores nos gramados. 

“Um ponto crítico no futebol e no esporte de alta performance é o impacto das lesões músculo-esqueléticas na performance, principalmente dentro do planejamento esportivo. A Seleção Brasileira está chegando na reta final e já perde muitos atletas, pois a equipe médica parece menos atenta a prevenção de lesões, que tem que ser pensada com avaliação recorrente do estado físico dos jogadores”, comenta Dr. Lúcio. 

O lateral-esquerdo Alex Sandro sofreu problema muscular na região posterior da coxa, um dos tipos de lesão mais recorrentes no futebol e geralmente associado à explosões, e sobrecarga acumulada. Já o meio-campista Alisson apresentou um desconforto muscular, o que indica, de acordo com o especialista, fadiga e risco aumentado de uma lesão mais séria caso não haja o devido tempo de recuperação. 

“Hoje já contamos com recursos como a termografia, um exame amplamente utilizado em clubes de alta performance, que permite identificar alterações antes mesmo da lesão acontecer. Assim, realiza-se a retirada temporária do atleta de competições para não afetar o desempenho do time a longo prazo”, detalha. 

No futebol, as lesões acompanham a própria dinâmica do jogo: arranques, desacelerações bruscas, mudanças de direção e impacto físico constante fazem com que músculos e articulações sejam levados ao limite com frequência. Entre os quadros mais recorrentes estão as lesões musculares na coxa, especialmente na região posterior, além de problemas ligamentares no joelho, como as lesões do ligamento cruzado anterior, e inflamações articulares que surgem a partir de sobrecarga. 

“São comuns entorses de tornozelo e dores relacionadas ao desgaste acumulado ao longo da bateria de jogos. Usa-se, então, uma medicina de precisão, com análise individualizada da biomecânica, da carga de treino e do perfil inflamatório de cada atleta. Isso permite entender suas particularidades física e atentar a prevenção de problemas em seus pontos fracos”, explica Dr. Lúcio Gusmão.
 

Medicina regenerativa avança como aliada na recuperação  

Diante deste cenário, a medicina regenerativa vem ganhando espaço como uma alternativa mais moderna no tratamento de lesões esportivas. A proposta é atuar diretamente na regeneração biológica dos tecidos afetados, ao potencializar de maneira estratégica a recuperação natural do próprio organismo. 

O médico aponta que modelo tradicional, baseado em repouso e fisioterapia é muito importante, mas pode ser potencializado e ter seu tempo reduzido com o uso da medicina regenerativa. Em um contexto de seleção com diversos jogos em sequência ela entra como um auxiliador importante. 

“Quando falamos em medicina regenerativa, podemos utilizar terapias como o PRP, o plasma rico em plaquetas, além de aspirado de medula óssea e células derivadas da gordura, todos com potencial regenerativo. Essas técnicas permitem que lesões cicatrizem com mais facilidade, o que gera consequentemente um retorno mais rápido aos gramados”, afirma Dr. Lúcio. 

Para Dr. Lúcio, o aumento das lesões no futebol de alto rendimento deve continuar nos próximos anos, devido tanto à contínua intensificação do calendário de partidas, quanto ao modelo de tratamento vigente da Seleção Brasileira. 

“É importante ressaltar que, esse modelo de jogos precisa ser revisto. Se diversos jogadores numa mesma equipe sofrem tantas lesões seguidas, é sinal de que o problema não é apenas físico, mas também de um modelo de negócios que exige uma demanda física desproporcional, e também com uma equipe de apoio que não sinaliza os devidos cuidados preventivos”, conclui o CEO da Rede CADE.

 

Centro Avançado da Dor e Especialidade - Rede CADE


Tratamento da obesidade requer olhar sistêmico e acompanhamento multidisciplinar de longo prazo, defende médico

Com mais de 15 anos de trajetória, cirurgião bariátrico César De Fazzio afirma que o sucesso na perda de peso demanda conhecimento amplo sobre a doença e coordenação entre medicina, nutrição e psicologia 

 

O tratamento da obesidade no Brasil vive um momento de transição. Com o avanço de novas drogas e tecnologias, o papel do médico deixou de ser estritamente técnico para tornar-se mais estratégico. Representante desse movimento, o cirurgião digestivo e bariátrico César De Fazzio explica que o emagrecimento não acontece na sala de cirurgia, mas na articulação minuciosa de todas as etapas do cuidado com o paciente de maneira holística e continuada — o que pode, em alguns casos, até mesmo dispensar o recurso do bisturi.

“O procedimento, seja ele clínico ou cirúrgico, é apenas uma ferramenta. O que viabiliza bons resultados é a capacidade de enxergar o paciente de forma global e individualizada, além da adesão dele ao tratamento proposto”, afirma o especialista. Para ele, cabe ao profissional da medicina orientar o paciente desde a indicação do protocolo clínico mais adequado até a execução de intervenções de alta complexidade, quando se fizerem necessárias, sempre sob o rigor da segurança e da ética.

Na visão de De Fazzio, a formação robusta habilita o cirurgião a assumir o papel de coordenador do plano de emagrecimento, integrando frentes essenciais como a nutrição e a psicologia em um acompanhamento de longo prazo. Esse modelo de gestão estratégica permite identificar o momento exato de transição entre protocolos, por exemplo, combatendo problemas como a estagnação da perda de peso e fazendo com que o paciente se sinta amparado em todas as fases do processo.



Abordagens farmacológicas 

“De maneira nenhuma a cirurgia bariátrica será substituída pelas novas medicações, quando falamos em pessoas que possuem indicação. Vejo, na verdade, um aumento do nosso arsenal terapêutico e das ferramentas que conseguimos trazer para melhorar a vida do paciente”, afirma César De Fazzio sobre fármacos “da moda”, como as canetas emagrecedoras. Segundo o médico, o caminho ideal — seja medicamento, cirurgia ou uma combinação de ambos — surge a partir de um diagnóstico criterioso, focado no histórico do paciente, expectativas e suas reais necessidades.

Nesse cenário, o especialista alerta para os riscos de soluções rápidas e protocolos sem base científica, frequentemente propagados por influenciadores sem formação médica. “Promessas de emagrecimento milagroso e visões puramente comerciais do tratamento desconsideram a complexidade da obesidade, que é uma doença crônica multifatorial, e geram ciclos de frustração que podem agravar essa condição de saúde”, finaliza.


César De Fazzio - cirurgião bariátrico, dedica-se à área do aparelho digestivo há mais de 15 anos. Fundador do ICD (Instituto de Cirurgia Digestiva), em Brasília-DF, é referência no tratamento cirúrgico e clínico da obesidade. Com um olhar sistêmico do paciente, o especialista coordena todas as etapas do emagrecimento, integrando medicina, nutrição e psicologia em um acompanhamento multidisciplinar. Sua prática é pautada em evidências científicas, pela ética e pelo uso de tecnologia de ponta com materiais de alta qualidade em intervenções minimamente invasivas, visando resultados de longo prazo. Prioriza a segurança e um atendimento transparente e individualizado.



Gravidez aumenta risco de trombose e exige atenção à circulação, alerta que vai além das estações do ano

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Especialistas destacam que mudanças no corpo da gestante elevam risco vascular; pós-parto é o período mais crítico

 

A gravidez é um período de transformações intensas no corpo da mulher, muitas delas invisíveis, mas com impacto direto na saúde. Entre essas mudanças, as que envolvem a circulação sanguínea merecem atenção especial. Isso porque a gestação, por si só, aumenta significativamente o risco de trombose, condição potencialmente grave e ainda pouco reconhecida fora do meio médico. 

Com a chegada de períodos mais frios, como o outono, é comum associar a queda de temperatura a alterações na circulação. De fato, o organismo responde ao frio com a chamada vasoconstrição periférica, mecanismo que reduz o fluxo sanguíneo na pele e nas extremidades para preservar o calor corporal. No entanto, especialistas alertam: esse fator, isoladamente, não é o principal responsável pelo aumento do risco de trombose. 

“O que realmente determina esse risco é a própria gestação”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), Dr. Edwaldo Joviliano. “O corpo da mulher entra em um estado de maior tendência à coagulação, como forma de proteção contra sangramentos no parto, mas isso também favorece a formação de trombos.” 

Além da hipercoagulabilidade, outros fatores contribuem para esse cenário. O volume de sangue pode aumentar em até 50% durante a gravidez, os hormônios promovem a dilatação das veias e o crescimento do útero passa a comprimir estruturas importantes da circulação venosa. Como resultado, o retorno do sangue das pernas ao coração se torna mais lento, condição que favorece o aparecimento de varizes e, em casos mais graves, a trombose.
 

Risco maior e pouco percebido

Dados de diretrizes da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) indicam que o risco de tromboembolismo venoso é cerca de quatro a cinco vezes maior em gestantes do que em mulheres não grávidas da mesma idade. Embora a incidência seja considerada baixa, entre 5 e 10 casos por 10 mil gestações, o impacto é significativo: a trombose está entre as principais causas indiretas de mortalidade materna. 

O risco aumenta ao longo da gravidez e atinge seu ponto mais elevado no período pós-parto. As primeiras seis semanas após o nascimento concentram a fase de maior vulnerabilidade, exigindo atenção mesmo após a alta hospitalar.
 

Sinais que não devem ser ignorados

Durante a gestação, sintomas como inchaço nas pernas, sensação de peso e aparecimento de varizes são comuns e, na maioria das vezes, benignos. No entanto, alguns sinais devem acender o alerta. 

Dor em uma das pernas, aumento de volume assimétrico, vermelhidão e calor local podem indicar trombose venosa profunda, situação que exige avaliação médica imediata. “É fundamental que a gestante esteja orientada para reconhecer esses sinais e buscar atendimento rapidamente”, reforça Joviliano.
 

Quem tem mais risco

Alguns fatores aumentam ainda mais a probabilidade de complicações vasculares durante a gestação e o puerpério. Entre eles: idade acima de 35 anos; obesidade; histórico de trombose; presença de trombofilias; sedentarismo ou imobilização prolongada e cesariana, especialmente associada a outros fatores. 

Nesses casos, o acompanhamento médico deve ser mais rigoroso e, em situações específicas, pode incluir medidas preventivas adicionais.
 

Prevenção é simples e eficaz

Apesar do alerta, especialistas reforçam que a maioria dos casos pode ser evitada. Medidas simples, quando adotadas de forma regular, têm impacto direto na redução do risco. 

Manter-se ativa, evitar longos períodos sentada ou em pé, elevar as pernas ao descansar, manter boa hidratação e utilizar meias de compressão quando indicadas são recomendações amplamente respaldadas por diretrizes médicas. 

“O cuidado com a circulação deve fazer parte do pré-natal. Com acompanhamento adequado, é possível atravessar a gestação com segurança e tranquilidade”, afirma o presidente da SBACV.
 

Mais informação, menos risco

Embora mudanças de temperatura influenciem o funcionamento do sistema circulatório, o principal fator de risco para trombose continua sendo a própria gestação, especialmente no período pós-parto. 

Por isso, a orientação dos especialistas é clara: informação de qualidade, acompanhamento regular e atenção aos sinais do corpo são as melhores ferramentas para prevenir complicações.
  


Fonte: (PDF) Protocolos FEBRASGO - Prevenção do tromboembolismo na gestante hospitalizada e no puerpério (2025)



Estudo mostra alta de 74% nas cirurgias de câncer colorretal no SUS em uma década

Dados analisados pelo Einstein indicam aumento na incidência, maior acesso ao diagnóstico e ao tratamento cirúrgico; regiões Sul e Sudeste concentram mais de 70% dos procedimentos 

 

Neste Março Azul-Marinho, mês de conscientização e prevenção do câncer colorretal, um estudo conduzido por pesquisadores do Centro de Estudo e Promoção de Políticas de Saúde do Einstein Hospital Israelita com apoio da Fundação Bracell mostrou que o número de cirurgias para retirar tumores na região cresceu 74% em uma década, passando de 23 mil, em 2014, para 40 mil, em 2024. A análise utilizou dados de mais de 310 mil procedimentos registrados no Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH-SUS). 

O aumento das cirurgias foi verificado em todas as faixas etárias da população e está relacionado ao próprio crescimento populacional, ao avanço da incidência da doença e à ampliação da capacidade de diagnóstico e tratamento, ainda que o acesso ocorra de forma desigual entre as regiões do país. A tendência de alta sofreu interrupção somente em 2020, quando houve queda significativa na realização de cirurgias eletivas em razão do impacto da pandemia de Covid-19 sobre o sistema de saúde, com retomada nos anos seguintes. 

Os procedimentos envolveram homens e mulheres em proporções praticamente equivalentes, sendo 50,2% homens e 49,8% mulheres, com ocorrência majoritariamente em faixas etárias mais avançadas. O grupo de 60 a 69 anos concentrou 30,1% das cirurgias, o de pacientes de 50 a 59 anos responderam por 23,0% e os de 70 a 79 anos, por 20,9%. Casos em pessoas com até 30 anos representaram apenas 2,6% do total das cirurgias, reforçando a associação do câncer colorretal com o envelhecimento da população brasileira. 

“Embora as cirurgias para câncer colorretal no SUS se concentrem majoritariamente em faixas etárias mais avançadas, é fundamental ampliar a atenção também para a população mais jovem. O aumento de casos em adultos abaixo dos 50 anos, muitas vezes associado a fatores genéticos e histórico familiar, reforça a importância do diagnóstico precoce, da avaliação individual de risco e da conscientização de profissionais e pacientes para sinais e sintomas que não devem ser negligenciados em nenhuma idade”, destaca Sidney Klajner, cirurgião do aparelho digestivo e coloproctologista, e presidente do Einstein.

 

Desigualdades regionais no acesso aos tratamentos

Do ponto de vista geográfico, o estudo aponta forte concentração regional da capacidade cirúrgica. Mais da metade das cirurgias para câncer colorretal realizadas no SUS ocorreu na região Sudeste (51,5%), seguida pelo Sul (23,5%), Nordeste (16,0%) e Centro-Oeste (6,4%). A região Norte respondeu por apenas 2,7% dos procedimentos realizados no país ao longo da década, indicando limitações estruturais no acesso à oncologia de alta complexidade. 

As desigualdades também se refletem nos resultados clínicos. A mortalidade hospitalar média das cirurgias foi de 5,8%, mas apresentou variações importantes entre as regiões. O Norte registrou a maior taxa de mortalidade hospitalar (6,7%), enquanto Nordeste e Sul apresentaram os menores índices (5,2%). O tempo médio de internação também foi mais elevado nas regiões com menor oferta cirúrgica: pacientes do Norte permaneceram hospitalizados, em média, 9 dias, acima da média nacional de 7,3 dias, enquanto Nordeste e Centro-Oeste apresentaram tempo médio de internação de cerca de 6,5 dias. 

“Os achados indicam que as desigualdades regionais não se limitam ao acesso às cirurgias, mas impactam diretamente a qualidade do cuidado e os resultados clínicos, refletindo diferenças na disponibilidade de centros especializados, equipes treinadas e tecnologias de alta complexidade”, explica Klajner.

 

Prevenção e diagnóstico precoce ganham relevância em cenário de incidência crescente

O crescimento sustentado das cirurgias para câncer colorretal ocorre em um país que envelhece em ritmo acelerado. De acordo com o Censo 2022 do IBGE, a população com 65 anos ou mais já representa 10,9% dos brasileiros, após um aumento de 57% em pouco mais de uma década. Essa dinâmica demográfica amplia a pressão sobre o SUS, especialmente na assistência oncológica de alta complexidade. Não por acaso, dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), na Estimativa 2026–2028: incidência de câncer no Brasil, indicam que o câncer colorretal já é o segundo tipo de câncer mais comum no país, com cerca de 27,5 mil novos casos anuais entre mulheres e 26,2 mil entre homens. 

Esse movimento reforça a importância de ampliar as estratégias de prevenção e diagnóstico precoce, capazes de identificar lesões em estágios iniciais e reduzir a necessidade de procedimentos mais complexos. Na assistência de alta complexidade, evidencia a necessidade de planejamento de longo prazo, fortalecimento da rede oncológica e adoção de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades regionais, com ampliação do acesso ao rastreamento, ao diagnóstico e ao tratamento oportuno em todas as regiões do país.


Uso de cigarro eletrônico entre jovens dispara e expõe falhas proibição

 

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Dados do IBGE mostram avanço do vape entre adolescentes e mostram urgência da regulação no país

 

O uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes brasileiros disparou nos últimos anos, mesmo com a proibição da comercialização desses produtos no país. Dados da mais recente pesquisa do IBGE, divulgados nesta quarta-feira (25), mostram um crescimento expressivo do consumo de vape entre jovens, enquanto houve queda no uso de álcool e do cigarro tradicional. 

Para a Abrasel, os números deixam claro que a política adotada no Brasil não apenas falhou em conter o acesso dos adolescentes, como passou a lesar a sociedade como um todo. 

“A pesquisa do IBGE mostra que a proibição não impediu o avanço do cigarro eletrônico entre os jovens. O consumo acontece à margem da lei, sem controle sanitário ou fiscalização. Quase um terço dos nossos adolescentes já experimentou o cigarro eletrônico, o que é alarmante. E ao insistir nesse modelo, o país também restringe o direito do cidadão adulto de acessar um produto que, em vários países, é considerado menos nocivo do que o cigarro tradicional”, afirma o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci. 

De acordo com a nova edição da PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar), a proporção de estudantes de 13 a 17 anos que afirmam já ter usado cigarro eletrônico no Brasil saltou de 16,8%, em 2019, para 29,6% em 2024, praticamente dobrando em cinco anos. O crescimento ocorreu em todas as regiões do país e foi mais acentuado no Centro-Oeste, onde o índice passou de 23,7% para 42%, seguido pelas regiões Sul (de 21% para 38,3%) e Sudeste (de 19,6% para 31%). O uso é mais frequente entre meninas (31,7%) do que entre meninos (27,4%) e aparece com maior incidência entre alunos da rede pública (30,4%) em comparação aos da rede privada (24,9%). 

Desde 2009, a Anvisa proíbe a fabricação, a importação, a comercialização e a propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar. Apesar disso, os produtos seguem amplamente disponíveis no mercado informal, em pontos físicos e na internet, o que dificulta o controle da venda a menores de idade e expõe consumidores a produtos clandestinos, sem qualquer padrão de qualidade ou segurança. 

O resultado da consulta pública realizada pela Anvisa em 2024 reforça esse diagnóstico. Segundo dados divulgados pela própria agência, 58,8% das cerca de 14 mil contribuições recebidas se posicionaram contra a proibição pura e simples, indicando que a maioria dos participantes vê a regulação como uma alternativa mais eficaz do que o modelo atual. 

Para a Abrasel, a ausência de um marco regulatório impede a definição de padrões mínimos de qualidade, rotulagem e composição dos produtos, além de limitar ações educativas, preventivas e de fiscalização. 

“A sociedade já se posicionou e os dados oficiais confirmam que o modelo atual não entrega resultados. Insistir em nova consulta pública só atrasa o processo e mantém o mercado ilegal funcionando livremente. Isso prejudica os jovens, os consumidores adultos e o interesse público. O debate está maduro e o país precisa avançar para medidas concretas, com regras claras, fiscalização e proteção efetiva da sociedade”, afirma Paulo Solmucci.

 

Apendicite em crianças: sinais de alerta, quando procurar o pronto-socorro e por que não esperar

Apendicite é a urgência cirúrgica mais comum na infância e pode começar com sintomas que parecem “virose” ou dor de barriga inespecífica. Reconhecer sinais de alerta e buscar avaliação no tempo certo reduz risco de perfuração e internações mais longas. 

A dor abdominal é uma das queixas mais frequentes na infância e, na maioria das vezes, está ligada a causas benignas. Mas existe um quadro que exige atenção especial: a apendicite aguda, uma inflamação do apêndice que pode evoluir rapidamente e demandar abordagem cirúrgica. 

Segundo o cirurgião pediátrico Dr. Elber Rafael Deffendi Nordi, o desafio é que, principalmente em crianças menores, os sinais podem ser confusos no início. “Nem sempre a dor já começa ‘no lugar clássico’. O quadro pode iniciar com mal-estar, redução do apetite e dor abdominal que piora ao longo das horas. Quando há progressão e sinais de irritação no abdômen, a avaliação precisa ser imediata”, explica. 

Embora cada criança apresente o quadro de um jeito, alguns achados são comuns e devem acender o alerta:

  • Dor abdominal persistente e progressiva, que não melhora e tende a piorar;
  • Perda de apetite importante (a criança “não quer comer nada”);
  • Náuseas e vômitos, especialmente após início da dor;
  • Febre, principalmente quando associada à piora do estado geral;
  • Dor ao caminhar, pular ou ao toque na barriga;
  • Prostração e desconforto fora do padrão do dia a dia.

“Um ponto importante é observar o comportamento: criança que antes estava ativa e passa a ficar quieta, com dor crescente e recusa alimentar, merece avaliação clínica”, reforça o especialista. 

A apendicite pode evoluir para perfuração e infecção dentro do abdômen, o que costuma aumentar a complexidade do tratamento, o tempo de internação e o desconforto no pós-operatório. “Quanto mais cedo se chega ao diagnóstico e ao tratamento adequado, maiores as chances de uma recuperação mais simples”, afirma o médico. 

A dor abdominal infantil é comum, mas quando ela piora com o tempo e vem acompanhada de recusa alimentar, febre e prostração, a orientação é clara: avaliar rápido. “Na dúvida, é melhor examinar. Em cirurgia pediátrica, reconhecer cedo os sinais pode evitar complicações”, conclui o Dr. Elber Nordi.

 

Dr. Elber Nordi, cirurgião pediátrico
@cirurgiainfantil


Advocacy Day divulga programação oficial e reforça mobilização nacional pela causa do autismo em Brasília


Evento promovido pela Lions Internacional reúne especialistas e autoridades nos dias 14 e 15 de abril

 

Brasília será palco, nos dias 14 e 15 de abril, do Advocacy Day dedicado à causa do autismo, uma iniciativa internacional que integra a agenda global de saúde mental e bem-estar. Organizado pela Lions International, o evento conta com programação que inclui debates técnicos, reuniões institucionais e agendas no Congresso Nacional.

Com o tema “Autismo: estigma a ser superado”, o encontro reunirá especialistas, lideranças institucionais, representantes da sociedade civil e formuladores de políticas públicas para discutir estratégias de inclusão, diagnóstico precoce e fortalecimento das políticas voltadas ao Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A programação tem início no dia 14 de abril, com credenciamento, recepção dos participantes e uma reunião de nivelamento com organizações ligadas à causa autista, além de representantes da Lions International e da LCIF. O objetivo é alinhar diretrizes e fortalecer a articulação entre os diferentes atores envolvidos na pauta.

No dia 15, a mobilização segue para o Congresso Nacional, com uma sessão especial no Senado Federal e uma audiência pública da Frente Parlamentar de proteção às pessoas com TEA, prevista para ocorrer na Câmara dos Deputados. As agendas reforçam o caráter institucional do evento e a busca por avanços concretos em políticas públicas.

Além dos encontros políticos, o Advocacy Day também promove espaços de troca de conhecimento e articulação entre especialistas e entidades, com foco na ampliação do acesso ao diagnóstico, à educação inclusiva e ao tratamento multidisciplinar.

Segundo estimativas internacionais, cerca de 1 em cada 100 crianças está dentro do espectro autista, o que evidencia a importância de iniciativas que promovam informação qualificada, inclusão e ações coordenadas.

As atividades acontecem no hotel Windsor Brasília Asa Norte, com programações externas no Congresso Nacional. A expectativa dos organizadores é ampliar a mobilização social e institucional em defesa dos direitos das pessoas .

 

SERVIÇO

Evento: Advocacy Day – Autismo: estigma a ser superado

Quando: 14 e 15 de abril

Onde: Windsor Brasília Asa Norte

Horário: Programação ao longo dos dois dias (ver agenda oficial)

Ingressos: Evento institucional (participação mediante convite/credenciamento)

Programação completa: www.lionsadvocacydaybrasil.com.br

 

Com mais de 5,8 mil casos, Saúde SP inicia campanha de vacinação contra a gripe neste sábado

Dia D acontece nas UBSs de todo o estado para imunizar grupos prioritários

 

Com 5.801 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) por influenza e 401 óbitos registrados no estado, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) inicia neste sábado (28/3) a campanha de vacinação contra a gripe e reforça o chamado para a imunização dos grupos prioritários. 

O Dia D será realizado nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) dos 645 municípios paulistas. Nesta primeira etapa, a vacina está disponível para idosos a partir de 60 anos, crianças de 6 meses a menores de 6 anos e gestantes. 

A campanha segue até 30 de maio, com a meta de vacinar ao menos 90% do público-alvo, estimado em 18,8 milhões de pessoas. Para isso, o estado já recebeu cerca de 3 milhões de doses, que foram distribuídas para toda a rede. 

A vacinação é a principal forma de prevenção contra a influenza e ajuda a reduzir casos graves, internações e mortes, especialmente no período de maior circulação de vírus respiratórios. O público prioritário deve procurar a unidade de saúde mais próxima para se imunizar. 

“Já temos casos graves e óbitos registrados no estado, e a vacinação é a principal medida para evitar o agravamento da doença. Por isso, é fundamental que o público prioritário compareça às UBSs e se imunize”, destaca Regiane de Paula, coordenadora de Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da SES-SP.

 

Confira a lista completa dos grupos prioritários de vacinação:

* Crianças de 6 meses a menores de 6 anos de idade

* Profissionais de saúde

* Gestantes

* Puérperas

* Professores do ensino básico e superior

* Povos indígenas

* Quilombolas

* Trabalhadores da saúde

* Idosos com 60 anos ou mais de idade

* Pessoas em situação de rua

* Profissionais das forças de segurança e salvamento

* Profissionais das Forças Armadas;

* Pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais

* Pessoas com deficiência permanente

* Caminhoneiros

* Trabalhadores de transporte coletivo rodoviário para passageiros urbanos e de longo curso

* Trabalhadores dos correios

* Trabalhadores portuários

* População privada de liberdade, funcionários do sistema prisional e jovens que cumprem medidas socioeducativas

 

Tem alguma dúvida sobre a vacinação?

O Governo de São Paulo criou o portal “Vacina 100 Dúvidas” com as perguntas mais frequentes sobre vacinação nos buscadores da internet. A plataforma esclarece questões como efeitos colaterais, eficácia das vacinas, doenças imunopreveníveis e quais os perigos ao não se imunizar. O acesso está disponível no link: www.vacina100duvidas.sp.gov.br


Canetas emagrecedoras na gestação: riscos, contraindicações e o que a ciência orienta

Medicamentos como os análogos de GLP-1 revolucionaram o tratamento da obesidade e do diabetes. Mas gravidez e amamentação exigem outra lógica: proteger o desenvolvimento fetal e a saúde materna vem sempre em primeiro lugar. 

 

As chamadas canetas emagrecedoras, que incluem medicamentos da classe dos análogos de GLP-1 e moléculas relacionadas, representam um avanço importante na medicina metabólica. Elas auxiliam no controle do diabetes tipo 2, na resistência à insulina e no tratamento da obesidade, com benefícios cardiovasculares em pacientes selecionados.

No entanto, a gestação não é momento para intervenções voltadas à perda de peso. Durante a gravidez, o foco deve ser o adequado desenvolvimento do bebê e a segurança da mãe. E, nesse contexto, esses medicamentos são contraindicados.


Gravidez não é fase para medicamentos de perda de peso

Os análogos de GLP-1 atuam reduzindo o apetite e retardando o esvaziamento gástrico. Embora esses mecanismos sejam úteis no tratamento metabólico, eles não foram desenvolvidos para uso durante a gestação. Estudos em modelos animais demonstraram possíveis riscos ao desenvolvimento fetal, incluindo alterações no crescimento. Em humanos, os dados ainda são limitados, mas a ausência de evidência robusta de segurança já é suficiente para contraindicar o uso.

Além disso, a própria perda de peso intencional durante a gravidez não é recomendada, salvo situações muito específicas e sempre sob orientação médica rigorosa. O ganho de peso gestacional adequado faz parte do processo fisiológico da gestação.


Planejamento reprodutivo exige antecipação

Mulheres em idade fértil que utilizam esses medicamentos precisam discutir planejamento reprodutivo com seu médico. De modo geral, recomenda-se a suspensão da medicação antes de engravidar, respeitando o tempo necessário para que o fármaco seja completamente eliminado do organismo.

O intervalo exato pode variar conforme a molécula utilizada, já que algumas têm meia-vida prolongada. Por isso, a orientação deve ser individualizada. Engravidar enquanto faz uso da medicação exige avaliação médica imediata para definir a melhor conduta. Esse cuidado é particularmente importante porque muitas gestações não são planejadas. A conversa sobre contracepção e intenção reprodutiva deve fazer parte do acompanhamento de mulheres que utilizam esses fármacos.


Pós-parto e amamentação: cautela redobrada

No período pós-parto, especialmente durante a amamentação, a prioridade continua sendo a segurança do bebê. Não há evidências suficientes que garantam que esses medicamentos sejam seguros durante a lactação, e, por precaução, seu uso não é recomendado nesse período.

Além disso, a fase pós-parto envolve intensas mudanças hormonais, privação de sono e demandas emocionais significativas. O controle de peso deve ser abordado de forma gradual, com foco em alimentação equilibrada, atividade física orientada e suporte multiprofissional. Somente após o término da amamentação e com avaliação clínica adequada pode-se discutir, caso haja indicação, a retomada de tratamento medicamentoso.

As canetas emagrecedoras são ferramentas valiosas quando bem indicadas. Mas gestação e lactação representam fases únicas, nas quais a prudência deve prevalecer. O cuidado individualizado, o planejamento e o acompanhamento médico são essenciais para proteger duas vidas ao mesmo tempo.

  

Dra. MAriana Amora Cocuzza

 

HCN passa a oferecer imunobiológico para proteger bebês contra doenças respiratórias graves

O medicamento proporciona ação imediata, reduzindo o risco de hospitalizações e complicações respiratórias em crianças pertencentes a grupos de maior risco 

 

Referência em obstetrícia e gestação de alto risco, o Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN), unidade do governo de Goiás em Uruaçu, administrada pelo Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (IMED), alcança mais um marco significativo na proteção de bebês e recém-nascidos contra doenças respiratórias graves: a primeira aplicação do anticorpo que garante proteção imediata contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR).   

Incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) no início de 2026, o anticorpo monoclonal atua na prevenção de infecções causadas pelo VSR. O medicamento, aplicado em dose única, é destinado a prematuros (até 36 semanas e 6 dias) e crianças com comorbidades até 24 meses, reduzindo o número internações ocasionadas por pneumonia e bronquiolite.  

Segundo o Ministério da Saúde, o VSR é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e por 40% dos casos de pneumonia em crianças menores de dois anos. Em 2025, o Brasil registrou 120.176 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por vírus respiratórios e, desse total, 36,6% dos casos foram diagnosticados como vírus sincicial respiratório. Entre esses casos, mais de 36.218 hospitalizações ocorreram em crianças menores de dois anos, o que corresponde a 82,5% dos registros no período.    

Diferentemente da vacina tradicional, o Nirsevimabe é um imunobiológico que atua logo após sua administração, sem a necessidade de estimular o organismo a desenvolver resposta imunológica ao longo do tempo. A incorporação do imunizante complementa as estratégias já adotadas pelo SUS para prevenir casos graves de bronquiolite em bebês.   

O medicamento é destinado exclusivamente a dois grupos de crianças atendidas pelo SUS: bebês prematuros com menos de 6 meses, nascidos com até 36 semanas e 6 dias de gestação; e crianças com menos de 2 anos de idade que possuam condições de saúde especiais, como cardiopatia congênita, broncodisplasia, imunocomprometimento grave, síndrome de Down, fibrose cística, doença neuromuscular e anomalias congênitas das vias aéreas


Outono aumenta casos de alergias e olho seco

especialista alerta para cuidados com a saúde ocular 

 

A chegada do outono, marcada pela queda das temperaturas e pela baixa umidade do ar, acende um sinal de alerta para a saúde dos olhos. Nesse período, é comum o aumento de problemas oculares como alergias, irritações e síndrome do olho seco.

De acordo com a oftalmologista Regina Cele, as mudanças climáticas impactam diretamente a lubrificação natural dos olhos.

“No outono, o ar mais seco favorece a evaporação da lágrima, o que pode causar desconforto, irritação e até comprometer a saúde ocular se não houver cuidados adequados”, explica.

Além disso, o aumento da concentração de poeira, ácaros e poluentes contribui para o agravamento de quadros alérgicos. Os sintomas mais comuns incluem coceira, vermelhidão, ardência, lacrimejamento e sensação de areia nos olhos.

A oftalmologista também chama atenção para um hábito muito comum que pode trazer consequências importantes: coçar os olhos com frequência. “Além de piorar quadros alérgicos, o ato de coçar os olhos de forma repetitiva pode estar associado ao desenvolvimento e à progressão do ceratocone, uma doença que afina e deforma a córnea, prejudicando a qualidade da visão”, explica Regina Cele. Segundo a especialista, esse comportamento deve ser evitado, especialmente em pacientes com alergias oculares, que tendem a coçar mais os olhos.

Outro problema recorrente nessa época é a conjuntivite, principalmente de origem alérgica. “Muitas pessoas confundem os sintomas e acabam se automedicando. O uso inadequado de colírios pode mascarar doenças ou até piorar o quadro clínico”, alerta a especialista.

A oftalmologista reforça que hábitos simples no dia a dia fazem toda a diferença na prevenção. “A hidratação do corpo, o uso de óculos de sol e evitar coçar os olhos são medidas essenciais para proteger a visão durante o outono”, orienta.

Segundo Regina Cele, ao perceber sintomas persistentes, o ideal é procurar avaliação médica: “Quanto antes o paciente buscar orientação, maiores são as chances de evitar complicações e garantir o tratamento adequado”, conclui.

 

Ebglyss® (lebriquizumabe), da Lilly, inibidor seletivo de IL-13, apresenta resultados positivos nos estudos de Fase 3 em pacientes de seis meses a 18 anos com dermatite atópica moderada a grave.

 No estudo de Fase 3 do ADorable-1, 63% dos pacientes alcançaram uma melhora significativa da pele (EASI-75) e 44% atingiram pele limpa ou quase limpa (IGA 0,1) na décima sexta semana.  

Nos principais desfechos secundários, 39% dos pacientes alcançaram um alto nível de pele praticamente livre de lesões (EASI-90) e 35% registraram alívio significativo do prurido (melhora ≥4 pontos na escala Pruritus NRS). 

O perfil de segurança e tolerabilidade de Ebglyss® foi consistente com os estudos conduzidos em adultos e adolescentes, sem relatos de dor no local da injeção. 

 

A Eli Lilly and Company anunciou os resultados do estudo ADorable1, de Fase 3, que avaliou a segurança e a eficácia de Ebglyss® (lebriquizumabe) em pacientes pediátricos com dermatite atópica moderada a grave. Ebglyss® atingiu os desfechos primários e secundários principais na Semana 16, reduzindo a gravidade da doença e promovendo melhora da condição da pele e alívio da coceira persistente. A dermatite atópica é uma das principais doenças cutâneas crônicas inflamatórias na infância e pode afetar até 20% das crianças no mundo; no Brasil, estudos apontam prevalências entre 5% e 13%, variando conforme a região.iii A Lilly planeja submeter esses dados às agências regulatórias em breve. 

Ebglyss® é um inibidor de interleucina13 (IL13) que bloqueia seletivamente a sinalização de IL13, apresentando alta afinidade de ligação e uma taxa lenta de dissociação.iii iv vA citocina IL13 é uma das principais citocinas envolvidas na dermatite atópica, impulsionando o ciclo inflamatório tipo 2 na pele e levando à disfunção da barreira cutânea, prurido, espessamento da pele e infecções.vi vii  

No estudo ADorable1, os participantes foram distribuídos aleatoriamente para receber placebo ou uma dose de Ebglyss® ajustada ao peso corporal. O uso de corticoides tópicos era obrigatório a partir de duas semanas antes da randomização e ao longo das 16 semanas de tratamento, podendo ser reduzido ou descontinuado quando os pacientes alcançavam um IGA igual ou inferior a 2. 

Os desfechos coprimários avaliados na Semana 16 foram EASI75 e IGA 0/1. Entre os principais desfechos secundários, destacaramse uma melhora clínica ainda mais expressiva na gravidade da doença (EASI90) e o alívio do prurido (medido por uma redução de ≥4 pontos no Pruritus NRS). 

Principais resultados de eficácia do estudo ADorable1 na Semana 16 

 

 

 

 

 

Ebglyss®* 

 

 

Placebo 

 

 

EASI-75**

 

 

63%

 

 

22%

 

 

IGA 0/1 e uma redução ≥2 pontos em relação ao valor basal†

 

 

44%

 

 

15%

 

 

EASI-90‡

 

 

39%

 

 

11%

 

 

Melhora ≥4 pontos no Pruritus NRS§ em pacientes com 6 anos ou mais que apresentavam pontuação ≥4 no basal

 

 

35%

 

 

6%

 

 

 

* Inclui todos os esquemas de dose de Ebglyss®;
** EASI = Eczema Area and Severity Index (Índice de Área e Gravidade do Eczema); EASI75 = redução de 75% no EASI em relação ao valor basal;
† IGA 0/1 = Investigator’s Global Assessment (Avaliação G;lobal do Investigador) 0 ou 1 (“pele limpa” ou “quase limpa”)
‡ EASI90 = redução de 90% no EASI em relação ao valor basal;
§ Pruritus NRS = Escala Numérica de Prurido, que avalia a coceira de 0 a 10, sendo 10 a pior coceira possível nas últimas 24 horas.
 

“Crianças com dermatite atópica moderada a grave enfrentam crises recorrentes, coceira intensa e desconforto que podem interferir em momentos de brincadeiras, na escola e na rotina diária de pacientes e cuidadores”, afirmou Adrienne Brown, vice-presidente executiva e presidente da Lilly Imunologia. “Ebglyss® demonstrou resultados em adultos e adolescentes, oferecendo benefícios duradouros que ajudam a reduzir as crises, com a conveniência da manutenção mensal. Agora, esses dados mostram que o medicamento também proporcionou controle da doença em pacientes pediátricos, um marco essencial que, se aprovado, poderá trazer um alívio significativo para essas crianças e suas famílias.”  

A segurança do medicamento mostrou-se consistente com o perfil já conhecido em adultos e adolescentes, sem novos sinais de segurança observados. Os eventos adversos mais comuns, registrados em ≥5% dos participantes, foram infecções do trato respiratório superior e nasofaringite, sem diferença numérica relevante entre os grupos de tratamento.

As reações no local da injeção também ocorreram de forma semelhante entre Ebglyss® e placebo, sem relatos de dor no local de aplicação. 

“Apesar da alta prevalência de dermatite atópica moderada a grave em bebês e crianças pequenas, eles têm menos opções de tratamento aprovadas do que adultos e adolescentes”, afirmou Amy Paller, M.D., chefe do Departamento de Dermatologia da Northwestern University e investigadora do estudo ADorable. “Os resultados de topline do ADorable‑1 trazem esperança para esses jovens pacientes, oferecendo melhora significativa da condição da pele e da coceira com um medicamento altamente seletivo, que atua diretamente na inflamação subjacente que impulsiona essa doença crônica.” 

O programa clínico ADorable segue em andamento. Resultados adicionais dos estudos ADorable1 e ADorable2 - sendo este último uma extensão de 52 semanas com pacientes previamente incluídos no ADorable1 - serão divulgados ainda este ano. 

A Lilly continua elevando o padrão de cuidado em dermatologia e investindo fortemente em inovação na área de imunologia imunologia, incluindo apostas estratégicas em modalidades de nova geração, a expansão direcionada de pequenas moléculas e o avanço de ciência inédita que explora o potencial das incretinas.

 

Sobre ADorable1 

ADorable1 (NCT05559359) viii é um estudo de Fase 3, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, que avalia a eficácia e a segurança de Ebglyss® em pacientes pediátricos com dermatite atópica moderada a grave, como bebês e crianças a partir de seis meses de idade. Os participantes (N=363) foram alocados aleatoriamente para receber placebo ou uma dose da medicação ajustada ao peso corporal. O uso de corticoides tópicos era obrigatório a partir de duas semanas antes da randomização e durante as 16 semanas de estudo, podendo ser reduzido ou descontinuado quando os pacientes alcançavam IGA 2 ou menos. Os dados de ADorable1 têm como objetivo apoiar uma potencial ampliação da indicação na bula de Ebglyss® para populações pediátricas mais jovens.

 

Sobre Ebglyss® 

Ebglyss® é um anticorpo monoclonal que direciona e neutraliza seletivamente a IL13, com alta afinidade de ligação e uma taxa lenta de dissociação.459 Ebglyss® se liga à citocina IL13 em uma região que se sobrepõe ao sítio de ligação da subunidade IL4Rα do heterodímero IL13Rα1/IL4Rα, o que impede a formação desse complexo receptor e inibindo a sinalização inflamatória de IL13. A IL13 é considerada uma citocina central envolvida na fisiopatologia do eczema, impulsionando o ciclo inflamatório do tipo 2 na pele - e Ebglyss® atua de forma seletiva justamente sobre a IL13. ix  

Ebglyss® é indicado para o tratamento de pacientes adultos e pediátricos, com idade igual ou maior a 12 anos e com peso de 40 Kg ou mais, com dermatite atópica moderada a grave cuja doença não é adequadamente controlada com tratamentos tópicos (usados na pele) ou quando estes tratamentos não são aconselhados. Ebglyss® pode ser utilizado com ou sem tratamento tópicox

Para todas as informações, consulte a bula do medicamento: link da bula para paciente 

 

Programa Lilly Melhor Para Você  

Para promover o aumento do acesso e auxiliar os pacientes ao longo de suas jornadas de tratamento, a Lilly incluiu Mounjaro® em seu Programa de Suporte ao Paciente, Lilly Melhor Para Você, que oferece suporte de educadores especializados, materiais educativos, condições especiais na compra de medicamentos participantes do programa e dicas de saúde e qualidade de vida.  

O programa é gratuito e está disponível aos pacientes que receberam a prescrição do seu médico para um medicamento Lilly participante do programa. Para se cadastrar, os pacientes podem acessar o site Lilly Melhor Para Você e conhecer os serviços disponíveis e os medicamentos participantes. Os pacientes também podem tirar as dúvidas sobre o programa com o SAC Lilly, pelo telefone 0800 701 0444, WhatsApp (11-5108-0101) ou e-mail: sac_brasil@lilly.com.

 

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