Levantamento revela a preferência nacional pelos vira-latas, mas alerta que dificuldades financeiras e problemas de comportamento ainda ameaçam a posse responsável pós-adoção
O último sábado, 4 de abril, marcou o Dia Mundial
do Animal de Rua, uma data importante para se colocar luz no tema do abandono
animal e quanto a adoção responsável relevante. No Brasil, o ato de adotar um
animal de estimação é movido predominantemente pelo afeto e por redes de
contatos pessoais, deixando as instituições formais em segundo plano. É o que
revela a nova pesquisa GoldeN/Opinion Box. Segundo os dados, 80% dos pets
adotados no país foram resgatados diretamente das ruas (34%) ou repassados por
amigos e conhecidos (46%), enquanto abrigos e ONGs respondem por apenas 9% das
adoções cada.
Mesmo com o tema da adoção em evidência, ainda são
cerca de 30 milhões de animais abandonados no Brasil, segundo a OMS. E a
pesquisa indica que as adoções por meio de ONGs e abrigos estão ainda em um
patamar secundário, desenhando um retrato da "adoção à brasileira":
um ato de solidariedade que acontece, em grande parte, fora das estruturas
formais.
“Nosso objetivo com esta pesquisa foi ir além dos
números para entender a alma do processo de adoção no Brasil”, afirma Felipe
Mascarenhas, Head de Marketing de GoldeN. “Os dados mostram uma nação
apaixonada por animais, que se mobiliza de forma orgânica para dar lares a quem
precisa. Mas também revelam desafios financeiros e comportamentais que levam ao
abandono e à necessidade urgente de dar suporte a esses tutores.”
A pesquisa também confirma o reinado do “vira-lata”
(SRD) nos lares do país, sendo a maioria entre os gatos (75%) e a
"raça" mais comum entre os cães (28%). No entanto, os dados acendem
um alerta: 60% dos brasileiros concordam que ainda existe preconceito
contra animais sem raça definida, enquanto uma esmagadora maioria de 86%
acredita que a adoção de SRDs deveria ser mais incentivada.
Os desafios da posse responsável
Tão importante quanto adotar é a responsabilidade
que essa decisão envolve. Quando a realidade pós-adoção se impõe, os desafios
práticos são os principais motivos que levariam um tutor a devolver um animal.
Segundo o estudo, "problemas financeiros"
(48%) e "problemas de comportamento do pet" (39%) são
as maiores barreiras para a permanência do animal no lar.
A pesquisa também expõe um conflito de gerações:
enquanto os tutores mais jovens (18 a 29 anos) enfrentam a instabilidade
financeira como principal obstáculo, os mais maduros lidam com a falta de tempo
e os desafios de comportamento do pet, mostrando que cada fase da vida exige um
tipo diferente de suporte para garantir a posse responsável.
Como solução, a população aponta um caminho claro:
o apoio. 87% dos entrevistados concordam que suporte e orientação após a
adoção ajudariam a evitar o abandono, com destaque para o desejo
por consultas veterinárias gratuitas ou com desconto
(65%) e campanhas educativas sobre posse responsável (55%).
“A população não está apenas apontando os
problemas, mas também entregando o mapa da solução: mais acesso à saúde
veterinária e mais educação. É nosso dever, como parte deste ecossistema, ouvir
e agir, transformando esses dados em ferramentas que realmente ajudem o tutor a
superar os desafios do dia a dia", conclui Felipe Mascarenhas.
Campanha para conscientização
“troca” cão de Paolla Oliveira
E justamente para chamar a atenção sobre a causa e
incentivar mais adoções, GoldeN “trocou” o cão Chopp da atriz Paolla Oliveira.
Com mais de 40 milhões de seguidores nas redes sociais, Paolla Oliveira é uma
grande ativista da causa da adoção animal e durante três dias, um cão “sósia”,
disponível para adoção, viveu as melhores horas do dia como se fosse o pet da
atriz.
No dia 4 de abril, a atriz revelou a troca e avisou
que o cão, da ONG Adote um Bichinho RJ, está disponível para a adoção. A
campanha, criada pela Euphoria Creative, tem o objetivo de chamar a atenção
para a causa, dando visibilidade para cães e gatos que estão à procura de um
novo lar.
Para ampliar essa exposição, no site de GoldeN (https://premierpet.com.br/adote) também foi disponibilizado um portal com informações de ONGs parceiras
em todo o Brasil, facilitando o contato entre futuros tutores e animais que
aguardam a adoção.
“A causa da adoção é cada dia mais relevante no
cotidiano dos brasileiros, como mostrou a pesquisa. Com a nossa ação, queremos
dar visibilidade ao tema e ajudar a transformar as vidas dos milhares de pets
que esperam por um lar", afirma o executivo.
Exposição Virtual ‘A Vida que
Compartilhamos’ dá rosto aos dados da pesquisa
O dia 4 de abril também marca o início da exposição
“A Vida que Compartilhamos”, uma parceria de GoldeN com o Museu da Pessoa. A
ideia é mostrar esses laços entre pets e tutores, provando o quanto a vida pode
ser transformada com a presença de um cão ou gato em uma casa.
O afeto observado na pesquisa é materializado na
exposição, que além de mostrar histórias reais, incentiva tutores a contarem as
suas próprias histórias de vida com os seus pets. A exposição virtual tem
acesso gratuito.
“Vida que Compartilhamos” é uma exposição sobre
como os pets passaram a ocupar um lugar importante na história social
brasileira. A tese que orienta a comunicação é: os vínculos com cães e gatos
revelam transformações profundas na forma como vivemos, amamos, envelhecemos e
enfrentamos crises. Os pets que deixaram de ser companhias domésticas e
passaram a ser agentes biográficos. Eles atravessam gerações, substituem
silêncios, sustentam lutos e reconfiguram a ideia de família. Uma leitura sobre
o Brasil contemporâneo.
Acesse a exposição em: https://memo.museudapessoa.org/a-vida-que-compartilhamos/.
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