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sexta-feira, 10 de julho de 2026

"Pix pensão": o que muda com o projeto aprovado pelo Congresso?


A aprovação do Projeto de Lei nº 4.978/2023 pelo Congresso Nacional representa um importante avanço na busca por maior efetividade no pagamento da pensão alimentícia. Embora tenha ficado conhecido popularmente como “Pix pensão”, a proposta vai muito além da utilização do sistema de pagamentos instantâneos. Seu verdadeiro objetivo é criar um mecanismo que torne mais eficiente o cumprimento de uma das obrigações mais relevantes do Direito de Família: garantir os recursos necessários para a subsistência de quem depende dos alimentos.

Atualmente, quando a pensão não é paga espontaneamente, o credor precisa recorrer ao Poder Judiciário para promover a execução da dívida. Em muitos casos, o atraso se prolonga por meses, comprometendo despesas essenciais como alimentação, moradia, educação, saúde e vestuário. Trata-se de uma situação que atinge justamente quem mais necessita de proteção: crianças, adolescentes e outras pessoas em situação de vulnerabilidade.

O projeto aprovado busca enfrentar esse problema ao permitir que o juiz determine o desconto automático da pensão diretamente das contas bancárias do devedor, independentemente de ele possuir vínculo empregatício formal. Hoje, o desconto em folha funciona relativamente bem para empregados celetistas e servidores públicos, mas grande parte dos devedores exerce atividade como profissional liberal, empresário, autônomo ou trabalhador informal, dificultando a efetividade da cobrança.

Com a nova sistemática, o cumprimento da obrigação alimentar poderá se tornar mais célere, reduzindo a necessidade de sucessivas execuções judiciais e proporcionando maior segurança para quem depende da verba alimentar para sobreviver. É importante destacar, contudo, que a medida ainda não está em vigor. Apesar de aprovada pelo Congresso Nacional, a proposta ainda depende da sanção do Presidente da República para se transformar em lei. Após a sanção, haverá a publicação oficial e, conforme o texto legal, sua entrada em vigor ocorrerá na forma prevista na própria lei.

Além disso, será necessária a implementação prática do novo sistema pelos órgãos responsáveis e pelas instituições financeiras, de modo que o mecanismo de desconto automático possa funcionar de maneira segura, eficiente e em conformidade com as determinações judiciais.

A iniciativa merece destaque por fortalecer a proteção dos vulneráveis, princípio que orienta todo o sistema jurídico brasileiro. Não se trata apenas de facilitar a cobrança de uma dívida, mas de assegurar o direito fundamental à alimentação, à dignidade e ao desenvolvimento de crianças e adolescentes. Também merece atenção o impacto positivo para milhares de mulheres brasileiras. Embora a obrigação alimentar recaia igualmente sobre pais e mães, a realidade demonstra que são elas, na imensa maioria dos casos, as responsáveis pela guarda cotidiana dos filhos e, consequentemente, quem enfrenta as dificuldades decorrentes do inadimplemento da pensão. Tornar o pagamento mais eficiente significa reduzir inseguranças financeiras e proporcionar maior estabilidade às famílias monoparentais chefiadas por mulheres.

Caso a sanção presidencial ocorra, as pessoas que já possuem pensão alimentícia fixada judicialmente poderão procurar um advogado de sua confiança ou, se não tiverem condições financeiras, a Defensoria Pública, para avaliar a possibilidade de requerer ao juízo competente a adoção do novo mecanismo de desconto automático, nos casos em que ele for cabível.

Mais do que uma inovação tecnológica, o chamado “Pix pensão” representa um passo importante para tornar efetivas decisões judiciais que, muitas vezes, permanecem apenas no papel. Afinal, uma sentença que fixa alimentos somente cumpre sua finalidade quando o valor devido chega, de forma regular e pontual, às mãos de quem dele necessita para viver com dignidade. 

 

Marcelo Santoro Almeida - professor de Direito de Família da  Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio

 

O falso conflito entre ciência e religião

Unsplash
Já dizia Albert Einstein: “A ciência sem a religião é paralítica. A religião sem a ciência é cega”. O que motivava os cientistas de outrora? O que desejavam? Queriam, na verdade, desvendar o universo de Deus!


Cientistas como Isaac Newton, Johannes Kepler e G. W. Leibniz viam na pesquisa uma maneira de entender o divino. O paleontólogo e jesuíta Teilhard de Chardin procurou a vida toda unir ciência e religião.  Em suas palavras: “O Universo, considerado em seu conjunto, tem um fim e não pode errar de direção, nem parar no caminho”.  Para ele, o cosmos está se dirigindo ao encontro com Deus no Final dos Tempos. Não vivemos num universo dominado pelo acaso.

Segundo a mecânica quântica, todas as partículas estão interligadas, formando uma unidade. Aqui temos o acaso científico sendo desafiado! Essa é uma visão mística e religiosa. “Quer queiramos, quer não, estamos todos ligados a tudo o que nos circunda, com todas as fibras de nosso ser”. Palavras do jesuíta que queria unir, e não separar.

Atualmente, físicos como Amit Goswami e Menas Kafatos procuram unir ciência e espiritualidade e até mesmo o físico brasileiro Marcelo Gleiser está caminhando nesse sentido. C. G. Jung, ao contrário de Freud, legitimava o impulso religioso do homem. Para Jung, existe dentro de nós uma imagem de Deus e Santo Agostinho dizia algo parecido.  “O Reino de Deus está dentro de vós”, falava Jesus.

O Papa João Paulo II, uma vez por ano, reunia no Vaticano os maiores astrofísicos e filósofos do mundo com o objetivo de discutir questões como a origem do universo. Jung conversou muito com o Prêmio Nobel de Física Wolfgang Pauli. Eles aproximaram a psicologia e a física quântica que nos mostra a nossa espiritualidade. Segundo a mesma física, a consciência humana tem participação ativa na construção da própria realidade.  Ao olharmos para uma partícula como o elétron, mudamos o seu comportamento.

Joseph Campbell dizia que os mitos universais apontam para aquilo que vai além: apontam para o transcendente. Outrora, os homens elaboravam histórias para poder entender e explicar esse universo maravilhoso e aterrador. 

Então surgiu a ciência empírica. Gradualmente os cientistas foram deixando de lado a religião até banirem completamente Deus. Mas agora muitos deles já estão percebendo que não é possível explicar o universo abandonando completamente a hipótese Deus. Toda disputa entre ciência e religião não terá futuro se dependermos da nova ciência espiritualista que está surgindo. Precisamos urgentemente unir os conhecimentos humanos.

  

Antonio Alleoni Corrêa de Godoy - físico, teólogo e autor do livro “A canção do planeta prometido

 

O falso conflito entre ciência e religião


Já dizia Albert Einstein: “A ciência sem a religião é paralítica. A religião sem a ciência é cega”. O que motivava os cientistas de outrora? O que desejavam? Queriam, na verdade, desvendar o universo de Deus!

Cientistas como Isaac Newton, Johannes Kepler e G. W. Leibniz viam na pesquisa uma maneira de entender o divino. O paleontólogo e jesuíta Teilhard de Chardin procurou a vida toda unir ciência e religião.  Em suas palavras: “O Universo, considerado em seu conjunto, tem um fim e não pode errar de direção, nem parar no caminho”.  Para ele, o cosmos está se dirigindo ao encontro com Deus no Final dos Tempos. Não vivemos num universo dominado pelo acaso.

Segundo a mecânica quântica, todas as partículas estão interligadas, formando uma unidade. Aqui temos o acaso científico sendo desafiado! Essa é uma visão mística e religiosa. “Quer queiramos, quer não, estamos todos ligados a tudo o que nos circunda, com todas as fibras de nosso ser”. Palavras do jesuíta que queria unir, e não separar.

Atualmente, físicos como Amit Goswami e Menas Kafatos procuram unir ciência e espiritualidade e até mesmo o físico brasileiro Marcelo Gleiser está caminhando nesse sentido. C. G. Jung, ao contrário de Freud, legitimava o impulso religioso do homem. Para Jung, existe dentro de nós uma imagem de Deus e Santo Agostinho dizia algo parecido.  “O Reino de Deus está dentro de vós”, falava Jesus.

O Papa João Paulo II, uma vez por ano, reunia no Vaticano os maiores astrofísicos e filósofos do mundo com o objetivo de discutir questões como a origem do universo. Jung conversou muito com o Prêmio Nobel de Física Wolfgang Pauli. Eles aproximaram a psicologia e a física quântica que nos mostra a nossa espiritualidade. Segundo a mesma física, a consciência humana tem participação ativa na construção da própria realidade.  Ao olharmos para uma partícula como o elétron, mudamos o seu comportamento.

Joseph Campbell dizia que os mitos universais apontam para aquilo que vai além: apontam para o transcendente. Outrora, os homens elaboravam histórias para poder entender e explicar esse universo maravilhoso e aterrador. 

Então surgiu a ciência empírica. Gradualmente os cientistas foram deixando de lado a religião até banirem completamente Deus. Mas agora muitos deles já estão percebendo que não é possível explicar o universo abandonando completamente a hipótese Deus. Toda disputa entre ciência e religião não terá futuro se dependermos da nova ciência espiritualista que está surgindo. Precisamos urgentemente unir os conhecimentos humanos.

  

Antonio Alleoni Corrêa de Godoy - físico, teólogo e autor do livro “A canção do planeta prometido

 

Por que gente inteligente complica tanto a própria fala (e como voltar a ser simples)

Para muitos profissionais, o maior desafio é conseguir transformar o conhecimento técnico e complexo em uma explicação simples e acessível


"Ana, eu entendi o que você quis dizer no vídeo mas receio que o seu paciente não entenderá”.

Foi assim que começou a minha conversa com Ana, uma cirurgiã-dentista experiente. A fala dela estava carregada de jargões da profissão sem tradução e focada em aspectos técnicos.

Mas não é difícil apenas para a Ana.

O desafio de transformar um conhecimento complexo em explicação simples tem um nome conhecido: a “maldição do conhecimento”, um viés cognitivo que explica a dificuldade de imaginar a mente de alguém que não possui o mesmo conhecimento que o seu.

Um bom exercício de percepção desse viés é tentar explicar a um idoso não familiarizado com a tecnologia como baixar um aplicativo. Ou contar uma obra de Shakespeare para uma criança de 8 anos. São duas maneiras de entender o que a psicóloga Elizabeth Newton identificou em 1990. Em seu estudo, ela dividiu pessoas em dois grupos: um de “batucadores” e o outro de “ouvintes”.

Tarefa simples: os batucadores tinham de batucar na mesa algumas músicas conhecidas, como ‘Parabéns pra Você’.

Otimistas, os batucadores estimaram que 50% das faixas seriam adivinhadas pelos ouvintes. Mas a taxa de sucesso foi bem menor: de 120 músicas tocadas, apenas três foram identificadas corretamente.

É que quando você já sabe qual é a música, fica fácil ouvi-la na sua cabeça.

Quando pensamos na comunicação, a premissa é a mesma. E o cuidado para evitar não ser compreendido por excesso de “tequiniquês”, necessário.

Por isso, vai falar para grupos grandes e diversos? Tem uma apresentação na semana que vem para colegas da empresa? Considere que o público não sabe “qual é a música”. Esforce-se para ser simples, claro, objetivo e, principalmente acessível. A recomendação também vale se o público for técnico. Até mesmo esses profissionais tendem a sofrer com a sobrecarga cognitiva e se sentirem cansados com uma enxurrada de expressões complexas.

 

Na dúvida, simplifique

Algumas estratégias são eficazes para simplificar:

1 - Comece pelo fim. Responda-se: quando eu terminar de falar, o que eu quero que o meu ouvinte saia sabendo e/ou fazendo? Utilize os primeiros minutos para deixar isso claro, e informe o tempo que irá levar.

2 - Uma criança de oito anos entenderia? Conhecida como Técnica Feynman, essa estratégia foca na extrema simplificação. Fale em voz alta o que irá dizer e elimine completamente os jargões técnicos. Se for preciso mantê-los, responda-se como é possível "traduzi-los" rapidamente após falar.

3 - Abuse das analogias. Usar o que o público já sabe para explicar algo que ele ainda não conhece torna qualquer explicação diferenciada e conectada com a audiência. Vale explorar temas da construção civil, gastronomia ou esporte. Exemplo: Warren Buffet dizia que uma excelente empresa é como um castelo econômico com um fosso largo ao redor. Este fosso representa tudo o que protege a empresa de seus concorrentes.

Além de Buffet, Jeff Bezos, Steve Jobs e outros grandes líderes contemporâneos multiplicaram seu conhecimento e suas fortunas usando premissas assim. Sem medo de parecerem “menos inteligentes”.

A propósito, é ilusão aceitar que somente a maldição do conhecimento pode explicar os discursos complexos e abstratos. A linguagem também é um símbolo de poder e status. Para muitos profissionais inteligentes, aumentar a clareza é perder ambos. 

De uma vez por todas, pare de falar para parecer inteligente e comece a falar para ser útil. 

 

Giovana Pedroso - TEDx Speaker, jornalista e especialista em comunicação


Ludopatia: Justiça começa indenizar apostador hipervulnerável

O vício em jogos de azar tem nome: ludopatia. Popularmente promovidas pelas bets, as apostas que geram graves impactos sociais, econômicos e de saúde mental em apostadores hipervulneráveis já começam a ser reconhecidas pelos tribunais brasileiros. 

A Lei nº 14.790/2023 estabeleceu que pessoas diagnosticadas com transtorno do jogo patológico não podem realizar apostas. O artigo 26 da norma determina que essas apostas são nulas de pleno direito, abrindo espaço para a restituição dos valores perdidos. Paralelamente, a legislação impõe às operadoras o dever de monitorar comportamentos de risco, oferecer mecanismos de jogo responsável, promover a autoexclusão e suspender usuários em situação de alta vulnerabilidade. 

Dois julgados recentes ilustram a evolução da jurisprudência. Em Maceió, a Justiça reconheceu a nulidade das apostas realizadas por um consumidor diagnosticado com ludopatia, determinando a devolução dos valores perdidos, indenização por danos morais e o bloqueio definitivo da conta. Em São Paulo, o Tribunal de Justiça do estado responsabilizou uma operadora por falhas no dever de proteção ao consumidor e obrigou a restituir parte dos valores ao apostador. 

O problema, contudo, extrapola a relação de consumo e já produz reflexos na Previdência Social. Dados obtidos pelo Intercept Brasil junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) revelam que a concessão de auxílio por incapacidade temporária por ludopatia cresceu mais de 2.300% entre junho de 2023 e abril de 2025. A maioria dos beneficiários é composta por homens entre 18 e 39 anos, justamente a faixa economicamente mais ativa da população, evidenciando o impacto do transtorno sobre a capacidade laboral. 

Por falar em trabalho, a justiça trabalhista também reconhece o vício compulsivo por jogos e apostas como doença. O trabalhador diagnosticado pode reverter demissão por justa causa e evitar dispensa discriminatória. 

Como conseguir o laudo de ludopatia? O diagnóstico deve ser realizado preferencialmente por médico psiquiatra, podendo ser complementado por relatórios psicológicos que demonstrem a perda do controle dos impulsos e seus impactos na vida pessoal e profissional. O laudo deve identificar a doença pelos códigos CID-10 F63.0 (jogo patológico) ou CID-11 6C50 (transtorno de jogo). Esse parecer clínico pode ser emitido através do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou por médico particular. 

Segundo o Ministério da Saúde, os jogos de aposta não afetam apenas quem joga: em média, outras seis pessoas do convívio do apostador hipervulnerável também sofrem os impactos da dependência. Se houver indícios de prejuízos decorrentes da ludopatia ou da atuação das plataformas de apostas, procure um advogado para avaliar o caso e buscar a reparação dos danos na Justiça. 



Fabricio Posocco - professor universitário e advogado no Posocco & Advogados Associados
www.posocco.com.br


Leilão exige cautela

 

Crescimento da oferta de imóveis atrai investidores, mas especialistas alertam para riscos jurídicos que podem transformar oportunidade em prejuízo

 

O mercado de leilões imobiliários vive um dos momentos mais aquecidos dos últimos anos no Brasil. Somente no primeiro semestre de 2025, mais de 116 mil imóveis foram ofertados em leilões judiciais e extrajudiciais, um crescimento de 25,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço é impulsionado principalmente pelo aumento da inadimplência e pelos juros elevados, que pressionam o orçamento das famílias e elevam o número de retomadas de imóveis pelos bancos.

O cenário tem despertado o interesse de investidores e compradores em busca de descontos que podem chegar a 50% ou mais em comparação aos valores praticados no mercado tradicional. Porém, especialistas alertam que o aparente bom negócio pode esconder armadilhas jurídicas capazes de gerar prejuízos significativos.

Em Maringá, onde o mercado imobiliário segue aquecido e figura entre os mais valorizados do país, a procura por oportunidades de aquisição tem crescido. Em 2025, a cidade foi apontada como a terceira com maior valorização imobiliária do Brasil, enquanto atualmente soma quase 12 mil apartamentos em construção, reforçando a força do setor na região.

Segundo o advogado imobiliário Carlos Alberto Zonta Junior, o principal erro dos compradores é acreditar que basta oferecer o maior lance para garantir um bom negócio. "Muitas pessoas se encantam pelo preço anunciado e esquecem de realizar uma análise jurídica completa do imóvel. É fundamental verificar a matrícula, a existência de ações judiciais, débitos, ocupação e todas as condições previstas no edital. Um desconto elevado pode acabar saindo muito caro quando esses cuidados são ignorados."

Outro ponto que costuma gerar transtornos é a posse do imóvel. Em muitos casos, o bem permanece ocupado pelo antigo proprietário ou por terceiros, exigindo medidas judiciais para desocupação. O processo pode levar meses e gerar custos que nem sempre são considerados pelo comprador no momento da arrematação.

Além disso, existem diferenças importantes entre os leilões judiciais e extrajudiciais. Enquanto um possui origem em processos judiciais, o outro geralmente decorre de contratos de alienação fiduciária. Cada modalidade possui regras específicas, exigindo atenção redobrada para evitar surpresas futuras.

"Os leilões podem representar excelentes oportunidades patrimoniais, mas devem ser encarados como operações jurídicas e não apenas comerciais. O apoio de um advogado especializado antes da arrematação é uma medida que reduz riscos e aumenta significativamente as chances de sucesso no investimento", afirma Zonta.

Com a tendência de manutenção dos juros em patamares elevados e o aumento das retomadas de imóveis em todo o país, especialistas acreditam que o volume de leilões continuará crescendo nos próximos meses, tornando ainda mais importante a busca por orientação jurídica especializada antes de qualquer decisão.



Carlos Alberto Zonta Junior - Advogado Imobiliário, OAB/PR 77920
@bzonta

contato@zonta.adv.brwww.zonta.adv.br
Avenida Horácio Racanello Filho, 5550, Zona 07, Maringá – PR.


O crédito começou a cobrar a conta das bets

Economista alerta que histórico de apostas esportivas pode reduzir o acesso ao financiamento e agravar o endividamento das famílias

 

A explosão das apostas esportivas durante a Copa do Mundo de 2026 está produzindo um efeito que vai além das perdas financeiras imediatas. O comportamento de quem aposta com frequência já começa a influenciar a análise de crédito feita por instituições financeiras, tornando mais difícil a aprovação de financiamentos, empréstimos e outras operações de crédito. O alerta é do economista Noé Santiago, da correspondente bancária curitibana Anidea, especializada em crédito com garantia de imóvel, o Home Equity.

O Banco Central já reconhece o fenômeno publicamente: em depoimento à CPI das Bets no Senado, o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, afirmou que apostadores costumam ter avaliação de crédito pior e que esse comportamento já entrou no score usado pelos bancos para precificar o risco de cada cliente.

Os números mostram uma mudança significativa no comportamento financeiro dos brasileiros. Uma pesquisa do Procon-SP, com 2.724 consumidores, revelou que quatro em cada dez apostadores (39,7%) já se endividaram em razão das bets. Além disso, 30,1% afirmam gastar mais de R$ 1 mil por mês com apostas esportivas, enquanto 52,4% admitem comprometer parte importante da renda, inclusive recorrendo a empréstimos para continuar jogando.

Outro levantamento, do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar) em parceria com a FIA Business School, aponta que as apostas online já superaram fatores tradicionais, como juros elevados e expansão do crédito, tornando-se um dos principais vetores de crescimento do endividamento das famílias brasileiras. Segundo os pesquisadores, recursos que antes eram destinados ao consumo, investimentos e formação de patrimônio passaram a ser direcionados às plataformas de apostas.

Para Noé Santiago, esse comportamento já aparece na prática das instituições financeiras. "O banco não avalia apenas renda e score. Hoje ele observa cada vez mais o comportamento financeiro do cliente. Quando identifica um padrão frequente de movimentações para plataformas de apostas, entende que existe um risco maior de comprometimento da renda futura. Isso pode dificultar ou até inviabilizar uma aprovação de crédito, principalmente nas operações de maior valor."

Segundo o economista, o problema ganha ainda mais força durante grandes eventos esportivos, quando cresce o volume de apostas impulsionado pela publicidade e pelo clima de competição. Uma pesquisa da CNDL e do SPC Brasil mostra que 41% dos brasileiros pretendem apostar durante a Copa do Mundo de 2026. O mesmo levantamento aponta que, entre os consumidores que planejam gastar durante o torneio de forma geral, 61% já possuem dívidas em atraso — um retrato que evidencia como parte relevante do público que vai movimentar dinheiro na Copa já chega ao evento com a saúde financeira comprometida.

Na Anidea, a orientação é que o consumidor organize sua vida financeira antes de buscar qualquer linha de crédito. O crédito com garantia de imóvel costuma oferecer juros significativamente menores do que modalidades tradicionais, mas depende de uma análise criteriosa do perfil financeiro do cliente. Movimentações incompatíveis com uma gestão financeira saudável podem comprometer essa avaliação.

"Muita gente procura crédito para realizar um projeto, investir na empresa ou reorganizar as finanças. Mas, se o histórico bancário demonstra um comportamento recorrente de apostas, a instituição financeira pode interpretar que existe um risco elevado de inadimplência. A melhor estratégia continua sendo preservar um histórico financeiro saudável, porque ele vale tanto quanto a renda na hora de conseguir boas condições de crédito."




Anidea Soluções Financeiras
Noé Santiago - Economista
@anidea.br
noe.santiago@anidea.com.br
https://anidea.com.br
Mal. Deodoro, 51 - Sala 205B - Centro, Curitiba/PR.


IA e a vingança dos analógicos

Confesso: sempre me deu um misto de desconforto e orgulho perguntar algo de tecnologia para meus filhos, hoje com 20 anos. Orgulho de ver os dois transitarem com naturalidade entre aplicativos e novidades que eu levo semanas para entender. Desconforto por carregar décadas de experiência profissional e de vida e, mesmo assim, não ter a mesma destreza deles na hora de mexer numa tela. 

De uns tempos para cá, com a inteligência artificial, sinto que o jogo virou. Não é sobre disputar com meus filhos quem entende mais de tecnologia, isso, admito, eles ainda ganham fácil. É sobre perceber que todo o repertório que acumulei em anos de estrada virou matéria-prima valiosa: para escrever um prompt que vai direto ao ponto, para questionar uma resposta da IA que soa bonita mas é rasa, para discutir com a máquina como quem discute com um colega experiente. Repertório que meus filhos, pela idade, ainda não tiveram tempo de construir  e sem ele, as respostas que eles tiram da IA acabam ficando na superfície. O sentimento deve ser igualmente compartilhado por pessoas da mesma geração. 

Durante quarenta anos a regra foi sempre a mesma: chegou tecnologia nova, quem manda são os jovens. Foi assim com o computador pessoal, com a internet discada, com o Orkut, com o smartphone, com o TikTok. Toda vez que uma novidade digital batia na porta, os mais velhos ficavam alguns passos atrás, pedindo ajuda para o filho ou o neto configurar o Wi-Fi. Em 2001, o educador americano Marc Prensky batizou esse fosso: de um lado, os “nativos digitais”, que já nasceram falando a língua dos bits; do outro, os “imigrantes digitais”, que aprenderam esse idioma na vida adulta e, por mais fluentes que ficassem, nunca perderiam o sotaque. 

Essa história se repetiu tantas vezes que virou lei natural. Até a inteligência artificial chegar e quebrar o padrão. Um exemplo com o uso do mesmo aplicativo por pessoas de gerações diferentes é bem ilustrativo. 

Pega o sobrinho de 19 anos e o tio de 55. Os dois abrem o ChatGPT no mesmo dia. O sobrinho pergunta “faz um texto sobre liderança” e recebe um conteúdo genérico, do tipo que qualquer pessoa no planeta receberia. O tio, que já liderou equipe, já apanhou de projeto que deu errado e já sabe exatamente o que quer dizer, escreve um comando de cinco linhas contando o contexto, o problema e o tom que precisa  e recebe de volta algo que parece ter sido escrito por ele mesmo, só que melhor.

 

Mesma ferramenta. Resultado completamente diferente. E não é sorte. 

Os números até confirmam o roteiro esperado: cerca de 76% da Geração Z já testou ferramentas como ChatGPT ou Claude, contra apenas 20% dos baby boomers. O jovem chega primeiro, sem dúvida. Só que abrir o aplicativo é a parte fácil  e é justamente aí que a história muda de rumo. 

Um estudo recente sobre colaboração entre humanos e IA testou os dois tipos de tarefa que existem no mundo real. Em tarefas simples, como escrever um e-mail ou resumir um texto, a IA nivela todo mundo: iniciante e especialista saem parecidos. Mas em tarefas que exigem julgamento, como a elaboração de uma estratégia ou a solução de um problema real, ou ainda a tomada de uma decisão difícil, acontece o oposto: quanto mais complexa a tarefa, maior a distância entre quem tem repertório e quem não tem. A mesma ferramenta que empata todo mundo no trivial escancara a diferença no que importa. 

É a partir dessa constatação que temos que o verdadeiro talento não é “saber o prompt certo”. Existe um mito de que usar bem uma IA é decorar a senha mágica: a fórmula secreta de palavras que destrava a resposta perfeita. A Harvard Business Review já derrubou essa ideia. O pesquisador Oguz Acar mostra que quem realmente tira valor da IA não domina técnicas de prompt, mas domina o problema. Sabe exatamente o que precisa resolver antes de digitar a primeira palavra. 

E isso não se aprende assistindo tutorial no YouTube. Vem de anos de reunião chata, projeto que não deu certo, cliente difícil, decisão tomada sem manual de instruções. É o tipo de conhecimento que não está no Google, mas na cabeça de quem já viu aquele filme antes. Por isso, um profissional de 50 anos, mesmo destreinado tecnicamente, costuma fazer perguntas muito melhores à IA do que um estagiário de 22: não porque sabe mais de tecnologia, mas porque compreende mais do assunto. 

Mais do que tecnologia, esse tema também fala sobre inteligência. E não é a cognitiva. Howard Gardner, psicólogo de Harvard, mostrou décadas atrás que não existe uma inteligência só. Existem pelo menos oito: lógico-matemática, linguística, interpessoal, intrapessoal, espacial, e por aí vai. E, reparando bem, as inteligências que fazem alguém tirar mais profundidade de uma IA não são as técnicas. São essas. 

A intrapessoal ajuda a saber exatamente o que você quer antes de digitar a primeira palavra e a entender o contexto humano por trás de cada pergunta. A linguística auxilia a escrever um prompt claro em vez de um amontoado de palavras soltas. A lógico-matemática, a quebrar um problema complicado em etapas que a IA consegue seguir direitinho. Nenhuma delas aparece em curso de “prompt engineering”, e olha que coincidência: são exatamente as habilidades que o Fórum Econômico Mundial aponta como as mais buscadas pelas empresas para os próximos anos, à frente até de boa parte das habilidades técnicas. Softskill, não techskill. 

Existe uma única ferramenta no mundo capaz de medir, com rigor científico, as múltiplas inteligências  e ela carrega o reconhecimento e a revisão do próprio Howard Gardner, o criador da teoria, lá de Harvard. Foi isso que me fez trazê-la para o Brasil e adaptá-la ao português. Batizamos de AMI: Avaliação das Múltiplas Inteligências.

A ideia sempre foi simples: mapear, ainda na infância, onde cada criança já é forte e onde é necessário investir. Só que hoje esse mapeamento ganhou um motivo a mais para existir. 

O repertório que uma criança constrói através das oito inteligências não cabe em boletim escolar, é amplo demais, inclusivo demais. É a mesma bagagem que, lá na frente, vai separar quem sabe conversar de verdade com uma IA de quem só copia e cola resposta rasa. 

Nesse contexto, entra o risco que ninguém está contando para os jovens: usar IA com fluência não é o mesmo que usar IA com critério. Uma pesquisa da Microsoft com a Carnegie Mellon ouviu centenas de profissionais e identificou que quanto mais a pessoa confia cegamente na IA, menos ela questiona a resposta. Em vez de pensar no problema, o cérebro passa a só checar se a máquina acertou. E checar bem exige exatamente a bagagem que só a vida ensina. 

Quem cresceu perguntando tudo ao Google, e hoje pergunta tudo à IA, corre o risco de nunca ter treinado o músculo de desconfiar de uma resposta bonita e errada. Já quem passou décadas resolvendo problema sem atalho carrega um detector de furada embutido, que nenhum algoritmo ainda copiou. O espaço, assim, deixou de ser sobre idade e passou a ser sobre repertório  e repertório, goste-se ou não, é privilégio de quem já viveu mais.

O jogo ficou mais justo, não mais fechado. Isso não tira os jovens da jogada. Eles adotam mais rápido, testam sem medo, erram na frente da máquina sem se importar e isso também vale ouro. A adoção de IA nas empresas saltou de 55% para 72% em só um ano, um salto que só acontece quando todas as gerações empurram junto. 

O que mudou foi o critério de quem ganha. Não é mais sobre quem chega primeiro no aplicativo. É sobre quem sabe o que perguntar, quem reconhece uma resposta rasa de longe, quem consegue transformar uma ferramenta genérica em solução para um problema real e específico.

Pela primeira vez em quarenta anos de revolução tecnológica, a régua não está automaticamente a favor de quem nasceu depois. E isso é uma ótima notícia para quem passou a vida ouvindo que tinha “sotaque digital”. 

A era analógica, aquela que ensinou a pensar antes de agir, virou vantagem competitiva.

 


Roberto Corazza - engenheiro, professor e especialista em Múltiplas Inteligências e idealizador do projeto AMI — Avaliação das Múltiplas Inteligências - no Brasil


quinta-feira, 9 de julho de 2026

Cientistas descobrem possível forma de desativar mecanismo de progressão do câncer

 

Para formar os tecidos do organismo, as células precisam estar ancoradas umas às outras; quando uma célula normal se desprende desse ambiente, ativa um mecanismo de autodestruição. No câncer, porém, esse processo de proteção é subvertido (imagem: NCI/Unsplash)


Experimentos conduzidos na Unifesp mostram que inibir a proteína SDC4 anula a estratégia de resistência que as células tumorais usam para sobreviver e invadir novos órgãos 

Pesquisa conduzida na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) indica que uma proteína encontrada na superfície das células – denominada sindecam-4 (SDC4) – é um potencial alvo a ser explorado no combate ao câncer.

Experimentos em laboratório mostraram que o bloqueio dessa molécula funciona como uma espécie de freio biológico: além de paralisar a divisão celular, ele elimina a proteção que as células tumorais usam para sobreviver soltas no organismo, neutralizando o principal mecanismo que facilita as metástases. Os resultados foram publicados em março na revista Cytotechnology.

“Nosso estudo mostra que a SDC4 pode se tornar um alvo terapêutico promissor e servir como marcador diagnóstico para acompanhar a progressão de tumores. A estratégia de silenciar essa molécula tem potencial para impedir a proliferação de células cancerosas, mas ainda estamos em fases iniciais da pesquisa e seria necessário validar os resultados em cada caso específico da doença”, afirma Carla Cristina Lopes, professora do Departamento de Ciências Biológicas da Unifesp e autora correspondente do artigo.

Como explica a pesquisadora, para formar os tecidos do organismo, as células precisam estar ancoradas umas às outras e à matriz extracelular, que funciona como uma espécie de preenchimento entre elas. Quando uma célula normal se desprende desse ambiente, ela ativa um mecanismo natural de autodestruição chamado anoikis – termo de origem grega que pode ser traduzido como "morte por falta de casa".

No câncer, porém, esse processo de proteção é subvertido. Células tumorais mais agressivas adquirem a capacidade de resistir à anoikis, o que lhes permite sobreviver soltas, migrar pela corrente sanguínea e colonizar outros órgãos, fenômeno conhecido como metástase.

É nesse contexto que a proteína SDC4 ganha destaque. Em condições normais, as células produzem a SDC4 para desempenhar funções essenciais, como a própria adesão aos tecidos. O problema surge quando ocorre uma produção excessiva (superexpressão) dessa molécula, o que está diretamente associado ao desenvolvimento e à progressão da doença.

“A sindecam-4 protege as células tumorais desse tipo específico de morte celular que ocorre quando a célula se desprende do tecido”, destaca Lopes.


Mecanismo desvendado

Para entender esse mecanismo, os pesquisadores realizaram testes em laboratório utilizando células de vasos sanguíneos (endoteliais) de coelhos. Inicialmente, a equipe forçou essas células a ficarem soltas no meio de cultura, impedindo que se fixassem em qualquer superfície. Como era esperado, a grande maioria não resistiu, mas um pequeno grupo – menos de 5% – conseguiu sobreviver a essa "falta de casa". Essas células sobreviventes se tornaram altamente agressivas e passaram a produzir a proteína SDC4 em quantidades exageradas.

Para comprovar se essa molécula era a responsável por garantir a sobrevivência em suspensão, os cientistas usaram técnicas de engenharia genética para "silenciar", ou desligar, a SDC4 nessas células. O resultado confirmou a suspeita: sem a presença da proteína, as células perderam suas características malignas e voltaram ao estado normal, dependendo novamente da adesão física a uma superfície para continuarem vivas.

“Essa reversão aumentou significativamente a morte programada e reduziu a capacidade invasiva das células, indicando a SDC4 como um alvo terapêutico promissor para conter a metástase antes que ela se estabeleça”, comenta Lopes. Os resultados ainda precisam ser replicados em células humanas – incluindo células tumorais – para que a pesquisa possa avançar na direção de uma aplicabilidade clínica.

As análises revelaram também como a SDC4 age no interior das células: a proteína interfere diretamente nas etapas iniciais do ciclo de multiplicação celular. Ao silenciar o gene da SDC4, a equipe observou um aumento na produção de uma molécula chamada p27, que funciona como um inibidor natural da divisão celular, conseguindo paralisar a proliferação desordenada que caracteriza os tumores. Além de acionar esse mecanismo de frenagem, o bloqueio da SDC4 ajudou a reequilibrar a produção de ciclinas e CDKs, que são as principais proteínas responsáveis por ditar o ritmo e autorizar o avanço da multiplicação das células.

A investigação foi realizada com apoio da FAPESP durante o mestrado de Bianca Zaia F. Ferreira. A equipe também contou com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Atualmente, o grupo investiga se o canabidiol (CBD) – composto não psicoativo derivado da Cannabis sativa – pode atuar sobre as moléculas de SDC4. “A descoberta do papel da SDC4 na metástase abre caminho para uma série de novos estudos. Uma das nossas linhas de pesquisa busca verificar se o canabidiol consegue reverter o comportamento maligno de células resistentes ao anoikis, modulando a expressão da SDC4 ou interferindo nas vias de sinalização que sustentam o crescimento desordenado. Seria uma abordagem interessante, mas ainda estamos nas etapas iniciais de investigação”, conta.

O artigo SDC4 silencing promotes cell cycle arrest at the restriction point (R point) in anoikis-resistant endothelial cells pode ser lido em: link.springer.com/article/10.1007/s10616-026-00931-x.

 

Maria Fernanda Ziegler

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/cientistas-descobrem-possivel-forma-de-desativar-mecanismo-de-progressao-do-cancer/58636


Paçoca, pé de moleque e maçã do amor: doces de festas julinas podem aumentar o risco de lesões de cárie

 

Dentista explica por que o excesso de açúcar e alimentos pegajosos exige atenção durante o período de festas

 

As festas julinas são marcadas por comidas típicas que fazem sucesso entre crianças e adultos, principalmente os doces tradicionais, como paçoca, pé de moleque, cocada, maçã do amor e arroz-doce. Apesar de saborosos, o consumo frequente desses alimentos pode aumentar o risco de lesões de cárie nas mais diferentes idades, seja criança, adolescente ou adulto. 

Segundo a dentista Camila Coelho, coordenadora acadêmica da Faculdade Anhanguera, a cárie está diretamente relacionada ao consumo frequente de açúcares e à falta de remoção adequada do biofilme dental por meio da escovação. Essa combinação favorece a produção de ácidos pelas bactérias da boca, aumentando o risco de desenvolvimento da doença. 

“Os doces típicos das festas juninas costumam ter grande quantidade de açúcar e, em alguns casos, textura mais pegajosa, o que facilita o acúmulo de resíduos nos dentes”, explica a dentista. 

Confira alguns cuidados para aproveitar as comemorações sem prejudicar a saúde bucal:

  • Evite consumo frequente ao longo do dia: beliscar doces várias vezes ao dia aumenta o tempo de exposição dos dentes ao açúcar, favorecendo a ação das bactérias na boca.
  • Atenção aos alimentos mais pegajosos: doces como pé de moleque, cocada e maçã do amor podem aderir aos dentes com mais facilidade, dificultando a limpeza natural da boca.
  • Mantenha a escovação em dia: a higiene bucal após o consumo de doces é essencial para remover resíduos e evitar o surgimento de lesões de cárie e inflamações gengivais.
  • Não esqueça do fio dental: o fio dental ajuda a limpar regiões onde restos de alimentos costumam ficar acumulados, principalmente após consumir alimentos mais açucarados.
  • Moderação é importante: a especialista reforça que não é necessário deixar de consumir os doces típicos, mas o excesso merece atenção, principalmente entre crianças.

“O problema não está apenas no doce em si, mas na frequência do consumo e na falta de higiene adequada após as refeições”, finaliza a coordenadora.


Anhanguera
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Nem tudo é o que parece: mitos da infância que ainda influenciam os pais e podem prejudicar o cuidado com os filhos


De travesseiro anti-refluxo a soluções “milagrosas” para sono, alimentação e comportamento, muitos conceitos amplamente difundidos entre pais não têm base científica e podem, na prática, atrapalhar o desenvolvimento infantil. 

Segundo o pediatra Dr. Fausto Carvalho, ainda é comum que famílias recorram a orientações populares ou informações transmitidas de geração em geração, sem avaliar a evidência médica por trás dessas práticas.

“Boa parte dessas crenças surge de uma tentativa legítima de proteger a criança, mas nem sempre o que parece funcionar é realmente seguro ou necessário”, explica o médico. 

Entre os mitos mais frequentes estão o uso de travesseiros para evitar refluxo em bebês, fórmulas “naturais” para induzir o sono, restrições alimentares sem indicação médica e intervenções para comportamento infantil baseadas em punições ou promessas de recompensa. 

O problema, segundo o especialista, é que algumas dessas práticas podem não apenas ser ineficazes, mas também atrasar diagnósticos ou interferir no desenvolvimento adequado da criança. “Quando substituímos orientação médica por soluções caseiras ou promessas milagrosas, perdemos a chance de tratar a causa real do problema”, afirma. 

O médico reforça que cada fase do desenvolvimento infantil exige acompanhamento individualizado e que sinais persistentes, como dificuldade de sono, irritabilidade excessiva, recusa alimentar ou refluxo frequente, devem ser avaliados por um pediatra. 

Para ele, a principal recomendação aos pais é buscar informação em fontes confiáveis e desconfiar de soluções rápidas para problemas complexos. “Na pediatria, quase nunca existe solução única ou imediata. O cuidado é construído com acompanhamento e ciência”, conclui Carvalho.





Fonte:
Dr. Fausto Carvalho – Pediatra. Médico formado pela Faculdade de Medicina de Marília; Residência médica em Pediatria pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo; Mestrado em Educação pela Universidade Estadual Paulista (campus Marília); Doutorado em Psicologia pela Universidad de Buenos Aires; Psicanalista e analista didata pela Sociedade de Psicanálise do Paraná.
Instagram: @faustofcarvalho


Dia da Saúde Ocular: cuidado começa no consultório oftalmológic

Crédito: Imagem de stefamerpik no Magnific
Exames periódicos ajudam a detectar doenças antes dos primeiros sintomas, definem a frequência ideal de acompanhamento e orientam hábitos para proteger a visão  


Celebrado em 10 de julho, o Dia da Saúde Ocular chama a atenção para um cuidado que, muitas vezes, só recebe a devida importância quando algum sintoma aparece. A visão está presente em praticamente todas as atividades do dia a dia, do trabalho aos momentos de lazer, e depende de acompanhamento periódico para detectar alterações ainda nas fases iniciais. Responsável pela avaliação inicial e pelo acompanhamento contínuo da visão, o oftalmologista geral é quem identifica alterações e orienta o encaminhamento para outras áreas quando necessário. 

Segundo a Dra. Sandra Regina, oftalmologista do H.Olhos, manter consultas periódicas é uma das principais estratégias para preservar a qualidade da visão. "O exame oftalmológico vai muito além de verificar se a pessoa precisa ou não de óculos. Durante a consulta, conseguimos avaliar diversas estruturas oculares, identificar sinais precoces de doenças e orientar cada paciente de acordo com sua idade, histórico familiar e condições de saúde", explica. 

A especialista ressalta que a frequência das avaliações varia conforme a faixa etária e o perfil de cada pessoa. Em geral, crianças devem ser acompanhadas desde os primeiros anos de vida para garantir o desenvolvimento adequado da visão. Adultos sem fatores de risco costumam realizar consultas anuais ou conforme orientação médica, enquanto idosos e pacientes com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, podem necessitar de acompanhamento mais próximo. 

"Existem situações que exigem antecipar a consulta, independentemente da data do próximo retorno. Visão embaçada, dor nos olhos, vermelhidão persistente, flashes de luz, perda repentina da visão, aumento da sensibilidade à claridade, secreção ou qualquer alteração percebida pelo paciente merecem avaliação imediata. Quanto mais cedo investigamos esses sinais, maiores são as chances de um tratamento eficaz", afirma. 

Entre as condições mais frequentemente diagnosticadas durante os atendimentos estão os erros refrativos, como miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia, além da doença do olho seco, conjuntivites, catarata, glaucoma e alterações na retina. Muitas dessas enfermidades evoluem de forma silenciosa, sem provocar desconforto nas fases iniciais. 

"O glaucoma é um exemplo clássico. Em boa parte dos casos, ele não apresenta sintomas no começo e pode comprometer o campo visual de maneira irreversível quando descoberto tardiamente. Por isso, insistimos tanto na prevenção. O acompanhamento periódico permite identificar alterações antes que elas causem prejuízos permanentes", destaca. 

A médica também lembra que diversas doenças sistêmicas podem provocar manifestações oculares antes mesmo de outros sintomas se tornarem evidentes. "Os olhos oferecem informações importantes sobre a saúde do organismo. Durante o exame, conseguimos observar alterações que podem estar relacionadas ao diabetes, à hipertensão arterial, a doenças inflamatórias e até a algumas condições neurológicas. Isso demonstra como a consulta oftalmológica contribui para o cuidado integral do paciente." 

Além das avaliações clínicas, hábitos simples ajudam a manter a saúde ocular ao longo dos anos. Higienizar corretamente as mãos antes de tocar os olhos, retirar completamente a maquiagem antes de dormir, respeitar o tempo de uso das lentes de contato, utilizar óculos de sol com proteção contra radiação ultravioleta e fazer pausas durante longos períodos diante das telas estão entre as recomendações. 

"O uso de colírios também exige atenção. Muitas pessoas recorrem aos produtos por conta própria, principalmente aos que prometem aliviar a vermelhidão ocular, mas a automedicação pode mascarar doenças e até agravar determinados quadros. Todo medicamento deve ser utilizado com orientação do oftalmologista", alerta. 

Outro cuidado importante envolve a limpeza das pálpebras, especialmente para pessoas com tendência à blefarite ou excesso de oleosidade. "A higiene adequada da região contribui para o funcionamento das glândulas responsáveis pela qualidade da lágrima e ajuda a reduzir desconfortos como ardor, sensação de areia e irritação."

Para a especialista, o Dia da Saúde Ocular também representa uma oportunidade para conscientizar a população sobre a relevância do oftalmologista geral como porta de entrada para o cuidado com a visão. "É esse profissional que acompanha o paciente de forma ampla, identifica alterações, promove a prevenção e direciona, quando necessário, para tratamentos específicos. Consultar o oftalmologista regularmente é investir na saúde, na autonomia e na qualidade de vida em todas as fases da vida", conclui.

 

Dia Mundial de Conscientização do TDAH: Por que tanta gente só descobre o transtorno depois dos 30?

 Diagnóstico tardio em adultos tem se tornado cada vez mais comum e especialista alerta que sintomas muitas vezes são confundidos com ansiedade, estresse ou traços de personalidade 


No dia 13 de julho, é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade e durante muito tempo, o TDAH foi associado quase exclusivamente à imagem de uma criança hiperativa, inquieta e com dificuldade de permanecer sentada em sala de aula. Mas essa visão limitada fez com que milhares de pessoas chegassem à vida adulta sem entender por que sempre enfrentaram dificuldades com organização, foco, rotina e regulação emocional. Hoje, cada vez mais adultos têm recebido o diagnóstico apenas depois dos 30 anos, muitas vezes após décadas de sofrimento silencioso. 

Segundo o médico psiquiatra Dr. Guido Boabaid May, nome à frente da GnTech, empresa pioneira de farmacogenética no Brasil, isso acontece porque o transtorno nem sempre se manifesta da forma mais estereotipada, especialmente em adultos e mulheres. “Em adultos, especialmente em mulheres, ele pode se manifestar mais como desorganização, dificuldade de iniciar e concluir tarefas, esquecimento, exaustão mental, instabilidade emocional e sensação constante de estar ‘correndo atrás do prejuízo’”, explica. 

Na prática, muitos sinais acabam sendo interpretados como falhas pessoais e não como manifestações de um transtorno neurobiológico. Procrastinação crônica, atrasos frequentes, dificuldade de manter rotina, perder objetos, esquecer compromissos, começar muitas coisas e terminar poucas, além de alternar entre distração e hiperfoco, são alguns exemplos que costumam passar despercebidos. “Muitas vezes a pessoa ouve desde cedo que é ‘desorganizada’, ‘preguiçosa’, ‘avoada’ ou ‘intensa’, quando na verdade pode haver uma dificuldade neurobiológica de autorregulação e funções executivas”, ressalta o especialista. 

Outro fator importante é que, na infância e adolescência, muitas pessoas conseguem compensar os sintomas com apoio familiar, rotina estruturada ou até alto desempenho intelectual. O problema costuma se tornar mais evidente quando as exigências da vida adulta aumentam e a estrutura externa diminui. Trabalho, prazos, contas, relacionamentos, filhos e responsabilidades passam a exigir um nível de organização que nem sempre a pessoa consegue sustentar sozinha. “O problema aparece não porque o TDAH ‘surgiu’ aos 30, mas porque as estratégias compensatórias deixam de dar conta”, afirma Guido. 

Quando o diagnóstico chega de forma tardia, também é comum que ele venha acompanhado de um histórico de frustrações acumuladas. Muitos adultos passam anos acreditando que falta disciplina, maturidade ou força de vontade para lidar com tarefas que parecem simples para outras pessoas. Isso frequentemente gera impactos importantes na saúde mental. “Muitos pacientes chegam ao consultório dizendo, ‘eu sempre achei que era falta de força de vontade’. Essa interpretação costuma gerar culpa, vergonha, autocobrança, baixa autoestima, ansiedade, depressão secundária e sensação de fracasso”, pontua o psiquiatra. 

O diagnóstico, no entanto, precisa ser cuidadoso. Isso porque sintomas como desatenção, dificuldade de concentração e esquecimentos também podem aparecer em quadros de ansiedade, burnout, privação de sono, depressão e outras condições clínicas. Por isso, não existe um exame único para confirmar o TDAH. A avaliação exige análise clínica detalhada, histórico de desenvolvimento e investigação de diagnósticos diferenciais. 

Para o Dr. Guido, receber o diagnóstico na vida adulta não deve ser visto como um rótulo, mas como uma ferramenta de compreensão e cuidado. “O diagnóstico bem feito não serve para criar um rótulo, mas para explicar um padrão de funcionamento e abrir caminho para tratamento, estratégias práticas e reconstrução da autoimagem”, explica. 

Com acompanhamento adequado, o tratamento pode incluir psicoeducação, organização ambiental, psicoterapia focada em habilidades e, quando indicado, medicação. Mais do que buscar produtividade a qualquer custo, o objetivo é reduzir o sofrimento e ampliar a autonomia. “O objetivo não é transformar a pessoa em alguém ‘produtivo a qualquer custo’, mas ajudá-la a funcionar com menos sofrimento e mais autonomia”, finaliza.
 



Guido Boabaid May – Psiquiatra. Pioneiro da farmacogenética no Brasil, o Dr. Guido é fundador e CEO da GnTech, empresa de biotecnologia pioneira e líder em farmacogenética no Brasil. Com mais de 30 mil testes farmacogenéticos realizados sob sua liderança, a empresa é detentora do maior banco de dados de farmacogenética sobre a população brasileira. Boabaid também atua como médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein. É palestrante e autor do livro "Onde Foi Parar Minha Alegria?”, publicado em 2025 pela editora Buzz.

 

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