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domingo, 12 de abril de 2026

Oito em cada 10 pets adotados no Brasil vêm de resgates de rua ou redes informais, aponta pesquisa

Levantamento revela a preferência nacional pelos vira-latas, mas alerta que dificuldades financeiras e problemas de comportamento ainda ameaçam a posse responsável pós-adoção

 

O último sábado, 4 de abril, marcou o Dia Mundial do Animal de Rua, uma data importante para se colocar luz no tema do abandono animal e quanto a adoção responsável relevante. No Brasil, o ato de adotar um animal de estimação é movido predominantemente pelo afeto e por redes de contatos pessoais, deixando as instituições formais em segundo plano. É o que revela a nova pesquisa GoldeN/Opinion Box. Segundo os dados, 80% dos pets adotados no país foram resgatados diretamente das ruas (34%) ou repassados por amigos e conhecidos (46%), enquanto abrigos e ONGs respondem por apenas 9% das adoções cada.

Mesmo com o tema da adoção em evidência, ainda são cerca de 30 milhões de animais abandonados no Brasil, segundo a OMS. E a pesquisa indica que as adoções por meio de ONGs e abrigos estão ainda em um patamar secundário, desenhando um retrato da "adoção à brasileira": um ato de solidariedade que acontece, em grande parte, fora das estruturas formais.

“Nosso objetivo com esta pesquisa foi ir além dos números para entender a alma do processo de adoção no Brasil”, afirma Felipe Mascarenhas, Head de Marketing de GoldeN. “Os dados mostram uma nação apaixonada por animais, que se mobiliza de forma orgânica para dar lares a quem precisa. Mas também revelam desafios financeiros e comportamentais que levam ao abandono e à necessidade urgente de dar suporte a esses tutores.”

A pesquisa também confirma o reinado do “vira-lata” (SRD) nos lares do país, sendo a maioria entre os gatos (75%) e a "raça" mais comum entre os cães (28%). No entanto, os dados acendem um alerta: 60% dos brasileiros concordam que ainda existe preconceito contra animais sem raça definida, enquanto uma esmagadora maioria de 86% acredita que a adoção de SRDs deveria ser mais incentivada.


Os desafios da posse responsável

Tão importante quanto adotar é a responsabilidade que essa decisão envolve. Quando a realidade pós-adoção se impõe, os desafios práticos são os principais motivos que levariam um tutor a devolver um animal. Segundo o estudo, "problemas financeiros" (48%) e "problemas de comportamento do pet" (39%) são as maiores barreiras para a permanência do animal no lar.

A pesquisa também expõe um conflito de gerações: enquanto os tutores mais jovens (18 a 29 anos) enfrentam a instabilidade financeira como principal obstáculo, os mais maduros lidam com a falta de tempo e os desafios de comportamento do pet, mostrando que cada fase da vida exige um tipo diferente de suporte para garantir a posse responsável.

Como solução, a população aponta um caminho claro: o apoio. 87% dos entrevistados concordam que suporte e orientação após a adoção ajudariam a evitar o abandono, com destaque para o desejo por consultas veterinárias gratuitas ou com desconto (65%) e campanhas educativas sobre posse responsável (55%).

“A população não está apenas apontando os problemas, mas também entregando o mapa da solução: mais acesso à saúde veterinária e mais educação. É nosso dever, como parte deste ecossistema, ouvir e agir, transformando esses dados em ferramentas que realmente ajudem o tutor a superar os desafios do dia a dia", conclui Felipe Mascarenhas.


Campanha para conscientização “troca” cão de Paolla Oliveira

E justamente para chamar a atenção sobre a causa e incentivar mais adoções, GoldeN “trocou” o cão Chopp da atriz Paolla Oliveira. Com mais de 40 milhões de seguidores nas redes sociais, Paolla Oliveira é uma grande ativista da causa da adoção animal e durante três dias, um cão “sósia”, disponível para adoção, viveu as melhores horas do dia como se fosse o pet da atriz.

No dia 4 de abril, a atriz revelou a troca e avisou que o cão, da ONG Adote um Bichinho RJ, está disponível para a adoção. A campanha, criada pela Euphoria Creative, tem o objetivo de chamar a atenção para a causa, dando visibilidade para cães e gatos que estão à procura de um novo lar.

Para ampliar essa exposição, no site de GoldeN (https://premierpet.com.br/adote) também foi disponibilizado um portal com informações de ONGs parceiras em todo o Brasil, facilitando o contato entre futuros tutores e animais que aguardam a adoção.

“A causa da adoção é cada dia mais relevante no cotidiano dos brasileiros, como mostrou a pesquisa. Com a nossa ação, queremos dar visibilidade ao tema e ajudar a transformar as vidas dos milhares de pets que esperam por um lar", afirma o executivo.


Exposição Virtual ‘A Vida que Compartilhamos’ dá rosto aos dados da pesquisa

O dia 4 de abril também marca o início da exposição “A Vida que Compartilhamos”, uma parceria de GoldeN com o Museu da Pessoa. A ideia é mostrar esses laços entre pets e tutores, provando o quanto a vida pode ser transformada com a presença de um cão ou gato em uma casa.

O afeto observado na pesquisa é materializado na exposição, que além de mostrar histórias reais, incentiva tutores a contarem as suas próprias histórias de vida com os seus pets. A exposição virtual tem acesso gratuito.

“Vida que Compartilhamos” é uma exposição sobre como os pets passaram a ocupar um lugar importante na história social brasileira. A tese que orienta a comunicação é: os vínculos com cães e gatos revelam transformações profundas na forma como vivemos, amamos, envelhecemos e enfrentamos crises. Os pets que deixaram de ser companhias domésticas e passaram a ser agentes biográficos. Eles atravessam gerações, substituem silêncios, sustentam lutos e reconfiguram a ideia de família. Uma leitura sobre o Brasil contemporâneo.

Acesse a exposição em: https://memo.museudapessoa.org/a-vida-que-compartilhamos/.

 

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ponde: 0800 055 6666 (de segunda a sexta, das 8h30 às 17h30). 



A regra dos 5%: por que ver uma pulga no seu animal significa que existem centenas em casa?

Especialista da MSD Saúde Animal explica o ciclo reprodutivo dos parasitas e alerta que métodos caseiros e tratamentos de curto prazo não resolvem a infestação no ambiente


Encontrar uma única pulga caminhando pelo seu cão ou gato pode parecer um problema isolado, mas, para a ciência veterinária, esse é apenas o "topo do iceberg". De acordo com a MSD Saúde Animal, referência global em saúde e bem-estar animal, vigora no setor a chamada "Regra dos 5%": as pulgas adultas que vemos nos animais representam apenas uma fração mínima da infestação total. Os outros 95% estão invisíveis aos olhos humanos, espalhados pela casa na forma de ovos, larvas e pupas. 

Este fenômeno explica por que muitos responsáveis sentem que estão "enxugando gelo" ao tratar apenas o animal de forma pontual. "Quando o responsável enxerga uma pulga no pet, ela já faz parte de uma geração que se estabeleceu no ambiente. Cada pulga fêmea coloca em média 50 ovos por dia em tapetes, frestas de pisos e sofás", explica Kathia Soares, médica-veterinária e coordenadora técnica da MSD Saúde Animal. "Não basta eliminar a pulga que está no pet hoje; é preciso que o tratamento dure o tempo suficiente para quebrar o ciclo das novas gerações que irão surgir no ambiente nas semanas seguintes", complementa.

Um dos maiores desafios no controle doméstico é o estágio de pupa. Após a fase de larva, a pulga cria um casulo extremamente resistente a inseticidas comuns e variações de temperatura, podendo permanecer "dormente" por meses até sentir a vibração ou o calor de um hospedeiro próximo.

Kathia alerta para o perigo de acreditar em soluções milagrosas. "Muitos responsáveis recorrem a vinagre, álcool ou citronela em casa. Além de não terem eficácia comprovada para matar as pupas e larvas escondidas, esses produtos podem causar intoxicações ou alergias severas nos animais", pontua. A especialista reforça que a limpeza física (aspirador de pó) ajuda, mas a única forma de realmente limpar o ambiente é através do tratamento do próprio animal.


A Solução

A estratégia mais eficaz para acabar com a infestação baseia-se na proteção contínua e de longa duração. Soluções que oferecem proteção estendida, como a linha Bravecto® — com opções de até 12 semanas de duração em uma única dose ou a versão injetável anual Bravecto® 365 —, simplificam o manejo e reduzem o risco de janelas sem proteção.

“Ao utilizar um produto de longa duração, o animal passa a atuar como um ‘aspirador biológico’. As pulgas que emergem do ambiente e sobem no pet entram em contato com o princípio ativo do produto e são eliminadas antes de conseguirem colocar novos ovos. Isso interrompe o ciclo reprodutivo e contribui para a redução da infestação no ambiente”, detalha Kathia Soares.

Embora a tecnologia de proteção de longa duração seja o pilar central para interromper o ciclo de vida dos parasitas, o sucesso do tratamento também depende de hábitos simples que ajudam a reduzir a carga de ovos e larvas dentro de casa. Ao integrar o uso do antiparasitário com a gestão inteligente do ambiente, o responsável acelera o processo de limpeza e garante um lar livre de infestações de forma muito mais rápida e eficiente. 

Pensando nisso, a especialista da MSD Saúde Animal separou cinco dicas práticas para transformar o cuidado com o pet em proteção para toda a família:

  1. Aspirador de pó é um grande aliado: O uso frequente ajuda a remover formas imaturas que estão no ambiente, como ovos e larvas. Foque em frestas de tacos, rodapés e embaixo de almofadas de sofás. O calor e a vibração do aparelho podem, inclusive, estimular as pulgas a saírem do casulo (fase de pupa), expondo-as mais rapidamente ao tratamento que já está ativo no animal.
  2. Lave o enxoval em alta temperatura: Camas, mantas e tapetes onde os pets costumam descansar devem ser lavados semanalmente. Se possível, utilize água quente para auxiliar na eliminação das formas imaturas (ovos e larvas) que ficam aderidas aos tecidos.
  3. Trate todos os animais simultaneamente: Este é um erro comum em lares multiespécies. Se você tem três animais em casa e avistou pulgas em apenas um, todos devem ser tratados ao mesmo tempo. Caso contrário, o animal não tratado servirá como um "reservatório" vivo, mantendo o ciclo da infestação ativo e reabastecendo o ambiente com novos ovos.
  4. Atenção aos “pontos quentes” de carona: pulgas não voam, mas pegam carona. Após passeios em parques, praças ou condomínios, faça uma inspeção rápida no animal. Manter a proteção de longa duração em dia ajuda a evitar que parasitas trazidos durante esses passeios se estabeleçam no pet e no ambiente da casa.
  5. Não esqueça dos carros e locais de transporte: Se você costuma levar seu pet para passear de carro ou utiliza caixas de transporte, lembre-se de higienizá-los também. Esses locais podem acumular ovos e larvas, tornando-os em focos de reinfestação toda vez que o animal entra no veículo.

"O objetivo final é a longevidade do pet e a harmonia no convívio familiar. Tratar o animal com soluções de longa duração é, na verdade, cuidar da saúde, da higiene e do conforto de toda a casa", conclui a médica-veterinária Kathia Soares.

 



MSD Saúde Animal
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Declarações Prospectivas da Merck & Co., Inc., Kenilworth, N.J., EUA

Este comunicado à imprensa da Merck & Co., Inc., Kenilworth, N.J., EUA (“empresa”) inclui “declarações prospectivas” de acordo com o significado das disposições de segurança da U.S. Private Securities Litigation Reform Act (Lei Norte-Americana de Reforma de Litígios de Ações Privadas) de 1995. Essas declarações são baseadas em suposições e expectativas atuais da direção executiva da empresa e estão sujeitas a riscos e incertezas significativos. Se as suposições subjacentes forem incorretas ou houver riscos ou incertezas, os resultados reais podem diferir substancialmente daqueles contidos nas declarações prospectivas. Os riscos e incertezas incluem, mas não estão limitados a, condições gerais da indústria e da concorrência, fatores econômicos gerais, incluindo taxa de juros e flutuações da taxa de câmbio; o impacto da epidemia global do novo coronavírus (COVID-19);impacto da regulamentação da indústria farmacêutica e legislação de saúde nos Estados Unidos e internacionalmente; tendências globais para contenção de custos com a saúde; avanços tecnológicos, novos produtos e patentes obtidas por concorrentes; desafios inerentes ao desenvolvimento de novos produtos, incluindo a obtenção de aprovações regulatórias; capacidade da empresa prever com precisão as condições futuras de mercado; dificuldades ou atrasos de produção; instabilidade financeira das economias internacionais e de risco à soberania; dependência da eficácia das patentes da empresa e outras proteções para produtos inovadores; e exposição a litígio, incluindo litígios de patentes e/ou ações regulatórias. A empresa não assume nenhuma obrigação de atualizar publicamente qualquer declaração prospectiva, seja como resultado de novas informações, eventos futuros ou de qualquer outra forma. Outros fatores que possam fazer com que os resultados difiram substancialmente daqueles descritos nas declarações prospectivas podem ser encontrados no Relatório Anual de 2020 da empresa, no Formulário 10-K e outras submissões da Empresa junto à Securities and Exchange Commission (SEC) (Comissão Norte-Americana de Valores Mobiliários), disponível no site da SEC (www.sec.gov).

Dia do Hamster: Veja 7 cuidados para ter com o roedor

Gerente Técnica da Petz dá dicas para manter a saúde e bem-estar do animal dentro de casa

 

No dia 12 abril é o Dia do Hamster, data que celebra a existência destes roedores e promove a conscientização dos cuidados adequados e bem-estar do animal.  Os hamsters são amigáveis, fofos, higiênicos e podem ser uma ótima opção para quem não quer ter um pet tão tradicional. Para manter a saúde e o bem-estar desse animal, é importante manter uma rotina de cuidados. Confira abaixo algumas dicas da Gerente Técnica da Petz, Mariana Pestelli.  


Reserve um espaço para o pet 

Os hamsters não devem ficar livres pela casa sem supervisão, pois eles podem andar atrás dos eletrodomésticos e roer os fios, móveis e provocar incidentes. “É importante providenciar um local seguro e aconchegante para o pet viver. Também é necessário deixar o roedor longe das janelas para evitar que ele pegue sol forte ou correntes de vento”, afirma Mariana.  

A gerente técnica também lembra que a gaiola precisa ter um tamanho adequado para que o roedor possa comer, brincar, se exercitar e fazer as necessidades. As gaiolas com andares são uma boa alternativa, mas é preciso ter cuidado, pois as grades podem machucar o hamster. O ideal é forrar o andar com papelão ou cartolina.


Limpeza da gaiola  

A gaiola deve ser limpa uma vez por semana para garantir a saúde e o bem-estar do pet. Para fazer a higienização, transfira o pet para um local seguro e com alguns brinquedos. Depois, retire os brinquedos e o granulado de madeira. Em seguida, lave toda a estrutura com água e detergente neutro. Por fim, espere a gaiola secar completamente. Também é importante manter o comedouro e o bebedouro limpos e cheios, pois o pet não irá comer além do necessário.  


Alimentação

O hamster precisa de uma alimentação de qualidade. Além da ração, é possível variar a dieta oferecendo pequenas porções de frutas e legumes. “O mercado também conta com uma variedade de petiscos próprios para hamsters e oferecer como recompensa é uma ótima opção. No entanto, é importante que o tamanho e a quantidade sejam adequados”, explica. 

 

Mastigadores

Os dentes dos hamsters crescem constantemente e os brinquedos ajudam a gastá-los. O objeto também é fundamental para aliviar o tédio e evitar que a gaiola seja roída. Entre as opções disponíveis de brinquedos estão os de madeira natural, de sisal, rolinhos de papelão e petiscos duros, que são materiais atóxicos e seguros. 


Cama

As opções mais adequadas de substratos e materiais para hamsters são aquelas que oferecem segurança e possibilitam comportamentos naturais, como escavar e construir ninhos. Entre as alternativas recomendadas estão a serragem de pinus ou álamo (desde que livre de pó), granulados de papel, papel toalha picado e forrações à base de celulose. No caso das estruturas físicas, como casinhas, é importante priorizar materiais que garantam conforto e não representem riscos, como madeira, cerâmica ou tecidos macios, como a camurça, por exemplo.


Exercícios físicos

Hamsters possuem uma necessidade elevada de atividade física, já que, na natureza, podem percorrer até 10 km por noite em busca de alimento. Por isso, a presença de uma roda de exercício é fundamental para simular esse comportamento, contribuindo diretamente para a saúde física e mental do animal. Esse acessório permite que o hamster gaste energia, evitando o sedentarismo, reduzindo o tédio e o estresse, além de ajudar na prevenção da obesidade, especialmente em ambientes confinados. 

“Apesar do tamanho pequeno, trata-se de um animal bastante ativo, que pode se exercitar por horas, assim, é importante oferecer uma gaiola espaçosa, que possibilite a movimentação, e complementar o ambiente com outros brinquedos que estimulem sua atividade e bem-estar”, explica Mariana. 


Esconderijo

Hamsters necessitam de esconderijos, como tubos, casinhas ou estruturas semelhantes, que funcionem como refúgio dentro do ambiente. Essa necessidade está diretamente relacionada ao seu instinto natural de sobrevivência, já que, na natureza, são presas e buscam locais escuros, fechados e protegidos para se sentirem seguros diante de possíveis ameaças. Assim, a presença de tocas no habitat é fundamental para promover o bem-estar físico e mental do animal, contribuindo para a redução do estresse e proporcionando uma sensação de segurança.


Petz


Monitoramento de tartarugas-verdes em Tetiaroa celebra 20 anos de conservação


Com apoio do The Brando a associação Te mana o te moana, desde 2006, realiza o monitoramento desses animais fascinantes


Há duas décadas a Te mana o te moana (associação de proteção das tartarugas marinhas), com o apoio  do The Brando, da Tetiaroa Society e da Direção do Meio Ambiente da Polinésia (DIREN), realiza o monitoramento das tartarugas-verdes em Tetiaroa, registrando cada ninho, cada rastro e cada filhote.

Tudo começou em fevereiro de 2006 nas praias quase desertas de Tetiaroa, onde uma equipe científica testemunhou pela primeira vez o nascimento de uma tartaruga-verde. Frágeis e fascinantes, os filhotes seguiram em direção ao oceano, deixando rastros que se tornaram dados científicos preciosos. Foi nesse momento que, com o apoio da DIREN, a Te mana o te moana lançou o primeiro programa científico de monitoramento e conservação do atol: o Monitoramento de Nidificação de Tartarugas-Verdes de Tetiaroa.

Na época, Tetiaroa era praticamente desabitada. As equipes percorriam as praias dia e noite, observando e registrando cada sinal de atividade. Um trabalho paciente e rigoroso, ainda em estágio inicial, mas guiado por uma visão clara: compreender para proteger.

A criação da Tetiaroa Society, em 2010, fortaleceu essa ambição. Já em 2014, a presença contínua proporcionada pelo eco-resort The Brando marcou um ponto de virada decisivo. O monitoramento tornou-se mais abrangente, os dados mais precisos e as ações de conservação mais eficazes. O que começou como uma série de observações transformou-se, ao longo dos anos, em um pilar essencial para a conservação das tartarugas-verdes no atol. De apenas 10 a 15 ninhos registrados nos primeiros anos, Tetiaroa já contabilizou mais de 1.400 rastros de tartarugas desde 2007.


Dados da temporada de tartarugas

Todos os anos, entre outubro e abril, as praias de Tetiaroa tornam-se palco de um dos ciclos mais incríveis da natureza, a nidificação das tartarugas-verdes. Nesse período, as fêmeas retornam para depositar seus ovos nas mesmas praias onde nasceram, guiadas pelo instinto e pelos ritmos do oceano.

A Te mana o te moana, com o apoio da Tetiaroa Society e parceiros locais, monitora cuidadosamente esses eventos. Desde a identificação das fêmeas e o registro dos ninhos até a proteção dos ovos e o acompanhamento dos filhotes, cada etapa é documentada com precisão. Cada ninho conta uma história, contribuindo para quase duas décadas de dados científicos essenciais para a proteção dessa espécie ameaçada e dos ecossistemas frágeis do atol.


Alguns dados e principais números da temporada 2024–2025

430 rastros observados;

161 ninhos confirmados;

15.614 filhotes estimados;

113 avistamentos de fêmeas, incluindo 19 indivíduos identificados;

10 novas fêmeas registradas e 9 retornando após 4 a 8 anos;

227 filhotes resgatados e soltos, sendo 17 encaminhados ao centro de reabilitação para cuidados especializados.

Graças ao empenho das equipes da Te mana o te moana, da Tetiaroa Society, dos colaboradores do The Brando e de voluntários treinados, essas criaturas frágeis são monitoradas e protegidas em todas as etapas, garantindo sua sobrevivência e a preservação deste santuário único.


Vídeo sobre essa linda história

Em um vídeo, a Dra. Cécile Gaspar, fundadora da Te mana o te moana, compartilha a história do programa de monitoramento, sua paixão pelas tartarugas e a urgência de sua proteção. “Se a temperatura continuar subindo, não haverá mais filhotes. Estamos avançando rapidamente para uma fase de extinção se não agirmos”, declara a Dra Cécile.

Como boa notícia desta temporada, sensores de temperatura instalados nos ninhos revelaram um resultado promissor: 54% dos filhotes são machos. Esse dado é especialmente relevante, já que o aumento da temperatura da areia tende a gerar predominantemente fêmeas, tornando esse equilíbrio essencial para o futuro da espécie. Link do video aqui: https://app.air.inc/a/ccd014f26


Eutanásia pet: o impacto emocional de narrativas simplificadas sobre o fim da vida dos animais

Nos últimos anos, tenho observado, na prática clínica, como a eutanásia de animais de estimação vem sendo retratada nas redes sociais. Mas transformar o procedimento em prova de amor é, na verdade, uma simplificação perigosa de uma decisão que já é, por si só, extremamente difícil.

Com frequência, vejo responsáveis atravessados por sentimentos de culpa que não nasceram da relação que construíram com seus animais, mas de narrativas externas que impõem uma espécie de régua moral sobre como se deve agir nesse momento.

Um dos pontos mais sensíveis diz respeito à presença ou ausência no momento da eutanásia do animal. Estar ali, até o último instante, passou a ser visto por alguns como um indicador de amor ou compromisso. Mas essa leitura ignora a complexidade emocional envolvida. O vínculo entre um tutor e seu pet não se mede em minutos finais. Ele foi construído ao longo de toda uma vida de cuidado, convivência e afeto.

Cada decisão nesse contexto envolve uma combinação única de fatores: condição emocional, história e contexto familiar. Não existe uma resposta única que possa ser aplicada a todos os casos.

Outro aspecto preocupante é a circulação de conteúdos digitais que criam imagens distorcidas da realidade, como a ideia de que o animal estaria “procurando” pelo responsável durante o procedimento. Além de não corresponder ao que, de fato, acontece, esse tipo de narrativa intensifica a dor e amplia o peso emocional sobre quem já está lidando com a perda.

É importante lembrar que a eutanásia, quando indicada, é um recurso para aliviar o sofrimento do animal. Quando essa decisão passa a ser enquadrada sob um julgamento moral, o responsável perde espaço interno para refletir com clareza e agir de forma mais consciente.

Em muitos casos, o sofrimento não está apenas na perda, mas na ideia de que “poderia ter feito diferente”. E, frequentemente, essa sensação de culpa é alimentada por comparações e expectativas externas, que desconsideram a singularidade de cada relação.

Precisamos, como sociedade, sair de uma lógica de julgamento e entrar em uma lógica de compreensão. Este não é um tema para opiniões categóricas ou regras generalizadas. Trata-se de saúde mental.

No fim das contas, não é sobre o último minuto. É sobre toda a história que veio antes, e sobre a qualidade do cuidado oferecido ao longo de toda a vida daquele animal.

 

Juliana Sato - psicóloga formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, com certificação internacional em luto pet pela Association for Pet Loss and Bereavement. Atua em saúde mental no universo pet, com foco em vínculo humano-animal, além de consultorias, mentorias e iniciativas voltadas ao bem-estar emocional no setor veterinário.



Quais vacinas um cachorro precisa tomar?

Para muitas famílias, o cachorro não é apenas um animal de estimação, é um membro da casa. E, assim como qualquer outro integrante do lar, também precisa de cuidados médicos preventivos para que tenha uma boa qualidade de vida - além, é claro, de evitar a circulação de doenças típicas desses pets, como a raiva e a cinomose. Entender, portanto, quais vacinas um cachorro precisa tomar deixa de ser apenas uma recomendação veterinária e passa a ser uma responsabilidade essencial de todo tutor. 

As vacinas V8 e V10 estão entre as mais importantes do calendário vacinal canino. Chamadas de vacinas múltiplas (ou polivalentes), são responsáveis por imunizar os cães contra um conjunto de vírus e bactérias comuns no ambiente, especialmente perigosos para filhotes. A primeira protege contra oito agentes infecciosos, incluindo cinomose; parvovirose; adenovirose canina e leptospirose. Já a V10, por sua vez, inclui tudo que a V8 oferece, além de uma proteção ampliada contra leptospirose, expandindo sua cobertura para quatro sorovares da doença. 

Ambas se destacam pois, além de protegerem o pet contra doenças altamente fatais, também impedem que contaminem seres humanos, pelo alto grau de contágio de algumas delas, como acontece com a leptospirose. Hoje em dia, a WSAVA (Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais) determina que o filhote precisa até de quatro doses de v8 ou v10, dependendo da região onde esse animal se encontra, considerando que existem locais mais endêmicos que outros. Todo ano, o pet deve passar pelo veterinário a fim de manter esse protocolo em dia. 

Não há como deixar de fora dessa lista a vacina contra a raiva, a mais crítica para esses pets. Isso porque, diferentemente de outras doenças, ela não se trata apenas de uma proteção do pet, mas de um imunizante contra uma doença fatal, zoonótica e sem cura. No Brasil, o protocolo padrão determina a aplicação da primeira dose a partir dos três meses de idade, com reforço anual obrigatório independentemente de raça. 

Segundo dados do Ministério da Saúde, nosso país está há 10 anos sem casos de raiva humana transmitida por cães - não porque doença desapareceu, mas sim pelo fato de estar controlada graças à vacinação canina. Sem essa conscientização e cumprimento, o risco de infecção aumenta drasticamente, assim como sua evolução rápida para sintomas neurológicos graves. Um único animal diagnosticado pode colocar várias pessoas em risco. 

Garantir que um cachorro esteja devidamente vacinado não deve ser encarado como uma tarefa isolada — nem exclusivamente do veterinário, nem apenas do tutor. Trata-se de uma responsabilidade compartilhada, onde a informação precisa circular com clareza e constância. Nesse sentido, enquanto os profissionais de saúde animal precisam orientar, educar e reforçar a importância dos protocolos vacinais, é responsabilidade do pai e mãe do pet assumir uma postura ativa, buscando entender o porquê de cada vacina, os riscos envolvidos e os impactos da negligência. 

Ao manter esse calendário em dia, o tutor não está apenas protegendo seu companheiro, mas contribuindo para um ambiente mais seguro para todos. Criar uma cultura de prevenção no cuidado com os pets não precisa ser complexo – contudo, quando o conhecimento falta, a prevenção falha, sendo que as consequências, quase sempre, poderiam ser evitadas. 

 

Nathali Vieira - médica veterinária na Pet de TODOS.

Pet de TODOS
https://petdetodos.com.br/


Abril Laranja: Saiba como identificar se um pet é vítima de trauma emocional

Campanha de combate à crueldade contra pets destaca que a saúde emocional é indissociável da cura

 

Mais do que combater a violência física óbvia, a campanha Abril Laranja joga luz sobre um pilar fundamental da medicina moderna: a capacidade dos animais de sentirem dor, medo e angústia de forma consciente. Sob este foco, a WeVets, maior grupo de saúde veterinária do Brasil, aproveita o mês de conscientização para alertar que o equilíbrio emocional é o primeiro passo para o sucesso de qualquer tratamento clínico. 

Na rotina de hospitais de alta complexidade, o médico-veterinário atua como um observador atento de sinais que muitas vezes são invisíveis para quem não detém o olhar técnico. O "congelamento" comportamental, o medo excessivo ao toque ou a apatia profunda são cicatrizes psicológicas que podem ser tão graves quanto as marcas físicas. 

O papel do profissional no Abril Laranja vai além do tratamento de feridas. Ele funciona como um perito técnico capaz de interpretar o que o pet não consegue relatar por meio de palavras. 

"O veterinário é a voz do pet que sofreu algum tipo de abuso ou negligência. Na WeVets, entendemos que nossa missão é garantir uma documentação minuciosa e laudos que comprovem tecnicamente qualquer situação de crueldade. Seja um caso de agressão direta ou de abandono silencioso, o acolhimento técnico é o que garante a proteção jurídica e a vida do paciente", afirma Carollina Marques, médica-veterinária e supervisora na WeVets.
 

Sinais de sofrimento emocional e físico (O que observar):

  • Comportamento: Medo paralisante ao toque, agressividade por autodefesa ou falta de reação a estímulos que deveriam gerar alegria.
     
  • Marcas Clínicas: Desnutrição severa, feridas não tratadas, infestação massiva de parasitas e fraturas em diferentes estágios de cicatrização.

A ciência veterinária comprova que a violência e o estresse crônico geram sequelas orgânicas. Um pet traumatizado apresenta níveis elevados de hormônios do estresse, o que compromete o sistema imunológico e retarda diretamente a cicatrização de cirurgias ou o combate a infecções graves. 

Na rede WeVets, o tratamento de casos complexos prioriza o manejo livre de medo. "Um pet psicologicamente estável e sem dor se recupera muito mais rápido. A educação do tutor sobre a guarda responsável, que inclui check-ups, nutrição correta e um ambiente seguro, é a maior ferramenta para que a crueldade perca espaço", completa Carollina.
 

Ética e Dever de Notificar 

Diante de qualquer suspeita fundamentada, a rede segue rigorosamente os protocolos éticos e legais do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV). A notificação aos órgãos competentes e delegacias especializadas é um dever do profissional, garantindo que o ciclo de violência seja interrompido e que o pet receba o suporte vital e a dignidade necessários para sua plena reabilitação.


5 fatos que mostram como os brasileiros viajam com seus pets


Viajar com pets já não é mais exceção, mas uma prática cada vez mais comum entre os brasileiros. De escapadas de fim de semana a férias mais longas, cresce o número de viajantes que buscam opções que permitam incluir seus animais de estimação nos planos de viagem.

De acordo com dados* da Booking.com – empresa de reserva de hotéis, aluguel de temporada, voos e outros serviços de turismo –, cada vez mais brasileiros priorizam destinos, acomodações e experiências pet-friendly para aproveitar suas viagens sem deixar seus companheiros de quatro patas em casa.


1) Pets fazem parte do roteiro da viagem

Para muitos viajantes, os pets não ficam apenas na acomodação. De fato, 52% dos brasileiros que viajaram com animais de estimação no ano passado incluíram passeios por centros urbanos ou atrações pet-friendly no roteiro, refletindo o interesse por destinos que oferecem espaços públicos e atividades em que os pets também são bem-vindos.


2) Hospedagens pet-friendly influenciam a escolha

A possibilidade de se hospedar com pets se tornou um fator importante no momento da reserva. Cerca de 6 em cada 10 (55%) desses viajantes escolheram um hotel especificamente por aceitar animais de estimação, enquanto 58% optaram por aluguéis de temporada ou apartamentos pet-friendly, mostrando como o planejamento da viagem considera cada vez mais as necessidades dos pets.


3) Restaurantes e espaços ao ar livre também entram no roteiro

Viajar com pets também envolve compartilhar momentos do dia a dia. De acordo com o levantamento, 40% dos brasileiros que viajaram com seus animais afirmam que frequentaram restaurantes, cafés, bares ou espaços ao ar livre pet-friendly durante a viagem, evidenciando a crescente adaptação desses locais para receber animais de estimação.


4) Viagens mais longas com pets estão em alta

Para esses viajantes, os pets também fazem parte de viagens mais longas: 42% viajaram de avião com seus animais de estimação, mostrando que essa tendência vai além de trajetos curtos ou viagens de carro.


5) Natureza segue como preferência

Destinos ao ar livre continuam entre os favoritos de quem viaja com pets. Pouco mais da metade (52%) desses brasileiros visitaram praias ou locais para nadar que aceitam animais, enquanto 64% optaram por trilhas ou atividades em meio à natureza, permitindo experiências compartilhadas entre viajantes e seus pets. 


*Metodologia: A pesquisa foi realizada com viajantes com 18 anos ou mais, que fizeram ao menos uma viagem de lazer nos últimos 12 meses, que planejam viajar em 2026 e que participam ou são os principais responsáveis pelas decisões de viagem. Ao todo, 32.800 pessoas foram entrevistadas em 34 mercados ao redor do mundo.


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Estimativa internacional superestima número de jumentos no Brasil

Divulgação.
Cientistas e organizações apontam lacunas na projeção da World Population Review para a contagem de mais de 700 mil jumentos no Brasil e criticam o uso dos dados por frigoríficos interessados em ocultar risco de extinção da espécie nordestina

 

A divulgação de dados pelo portal World Population Review, que afirma haver 730 mil jumentos no Brasil – dez vezes maior que o número de 78 mil animais calculados em 2025 – provocou indignação entre cientistas e especialistas de diversas áreas da agroeconomia e medicina veterinária no Brasil e exterior de instituições como a Universidade de São Paulo (Esalq/USP), Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Universidade de Cambridge, além de organizações de defesa dos direitos dos animais, com destaque para a britânica The Donkey Sanctuary e a Frente Nacional de Defesa dos Jumentos. Todos assinam uma Carta Aberta nesta semana listando as inconsistências na informação veiculada recentemente. 

O World Population Review (WPR) é uma empresa privada, criada em 2013, como um blog para reunir tópicos demográficos em uma só plataforma. Aos poucos, passaram a incluir diversas modalidades de rankings, que vão desde a produção agropecuária de cada país, dados sobre economia e até estatísticas mais aleatórias como as bandeiras com as cores mais roxas, os doces mais preferidos, os melhores times de golfe etc. Mas vem da seção Agricultura e Meio Ambiente o polêmico número de jumentos em cada país, apontando a existência de 730 mil desses animais no Brasil em 2026. A fonte mencionada no site da WPR é FAO (sigla em inglês para “Food and Agriculture Organization”, ou “Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura”). Este é o ponto inicial da inconsistência. 

Para os cientistas e profissionais de medicina veterinária, o fato de o jumento não ter a mesma relevância que outros animais da pecuária (como aves, bovinos, suínos etc.) nos estudos sobre a produção de alimentos e desnutrição do órgão das Nações Unidas faz com que eles usem estimativas baseadas em dados secundários, logo, com maior possibilidade de falhas se comparado à mensuração do tamanho do rebanho brasileiro de gado. 

Roberto Arruda de Souza Lima, doutor em Economia Aplicada pela USP e professor da ESALQ/USP, explica que a FAO não realiza censos próprios, ao contrário do IBGE, e trabalha com estimativas baseadas em dados secundários. “No caso dos jumentos no Brasil, essas estimativas têm origem na Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), que não é um censo, mas um levantamento baseado em informantes locais, sujeito a imprecisões. Além disso, a PPM deixou de divulgar dados sobre jumentos em 2013 e, desde então, a FAO passou a utilizar modelos estatísticos para projetar a população. Esses modelos combinam diferentes métodos e tendem a suavizar variações e seguir tendências ao longo do tempo”, explica. Prova disso é que os dados mais recentes da FAO falavam em 739 mil jumentos em 2024. 

“As estimativas da FAO são úteis para identificar tendências gerais, porém, inadequados para estimativas detalhadas ou formulação de políticas públicas, sobretudo na questão de jumentos, cuja população entrou em forte declínio desde a permissão do abate dos animais para a exportação de peles para China de 2016 até os dias atuais”, acrescenta o especialista da Esalq/USP. 

Um exemplo dessa limitação pode ser observado em 2017, quando o Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou cerca de 376 mil jumentos no Brasil, enquanto o site da FAO contabilizava, no mesmo período, 844 mil animais no mesmo período – mais que o dobro da quantidade oficial do IBGE à época. “Se a estimativa da World Population Review para 2026 (730 mil) fosse comparada com o número oficial do IBGE em 2017 (376 mil), estaria acontecendo uma explosão populacional da espécie em menos de uma década, o que claramente não é o caso”, acrescenta. 

Roberto é autor de “Viabilidade Econômica do Abate de Jumentos na Bahia” (Esalq/USP) que constata a ausência de uma cadeia produtiva na atividade de exportação de peles de jumentos. Faltariam elementos considerados básicos para uma cadeia produtiva estruturada, como manejo reprodutivo planejado, reposição regular de plantel e previsibilidade de oferta. Não existem dados públicos do MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária) sobre quantidade de fazendas produtoras nem emissões de GTA (Guia de Transporte Animal) ou um banco de dados a respeito. As exportações das peles são registradas, mas sob um código que não discrimina o couro de asininos de outros equídeos, apesar de a prática acontecer desde 2016. 

Ao longo deste período, organizações não-governamentais entraram com recursos judiciais para o fim do abate de jumentos, em novembro de 2025, o desembargador Eduardo Martins, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), validou a atividade na Bahia (o único estado do país com autorização do MAPA para exportação dessas peles), argumentando legalidade técnica e riscos econômicos à União em caso de paralisação. Existe apenas um frigorífico (Frinordeste) que opera nesse ramo no País, gerando menos de 150 empregos, em Amargosa (a 240 km de Salvador) e com prazo para acabar, uma vez que é extrativista, ocorrendo o fenômeno conhecido na economia como “tragédia dos comuns” - quando a atividade acaba em função do fim do recurso explorado. 

Segundo a The Donkey Sanctuary, uma das razões pela redução de abatedouros de jumentos no Brasil (já chegaram a existir três empresas dessa natureza) pode estar associada exatamente à escassez do recurso. A organização explica que o colágeno extraído da pele dos jumentos é usado para a fabricação de ejiao, uma substância da medicina alternativa chinesa que promete propriedades revigorantes a quem consome. Apesar de não haver comprovação científica, para atender à atual demanda de ejiao são necessários cerca de 5,9 milhões de peles de jumentos por ano. 

Na África, a matança desenfreada do animal fez com que os 55 chefes de estado do continente proibissem, por unanimidade, a exportação das peles de jumentos por tempo indeterminado. “A divulgação equivocada de dados sobre a situação dos jumentos no Brasil não só distorce a realidade, como também invisibiliza um problema grave, que é o estado de emergência deste animal no Brasil”, pontua Patricia Tatemoto, PhD em Ciências, na área de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal pela Universidade de São Paulo (USP), coordenadora de campanhas da The Donkey Sanctuary. 

Adroaldo Zanella, doutor em Bem-Estar Animal pela Universidade de Cambridge, com passagens pela Universidade Ludwig Maximilian de Munique e Michigan State University, nos EUA, acrescenta que o levantamento mais assertivo é aquele produzido por cientistas, organizações e demais instituições especialistas, que acompanham com muita preocupação a redução do número de jumentos, resultante do abate e que desafia a reputação do agronegócio brasileiro, colocando em risco o desaparecimento dos animais nos próximos anos. Em 2025, o grupo de pesquisadores contabilizou 78.916 jumentos, a partir de informações e projeções cruzadas do IBGE, do Agrostat (do Ministério da Agricultura, com base no abate de asininos) e também da FAO, respeitando as devidas limitações de cada fonte. 

Essa contagem considerou também a raça de jumentos “pêga”, com grande presença no estado de Minas Gerais, e de alto valor agregado com criação semelhante a colecionadores de cavalos no Brasil, logo, sem ser alvo do comércio de peles. Para Pierre Barnabé, PhD em Ciências na área de Biotecnologia e professor da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), isso significa que a quantidade de jumentos nordestinos pode ser ainda menor que os 78 mil indivíduos estimados. 

“O jumento nordestino é a nossa preocupação, por ser um ecótipo único que pode desaparecer nos próximos anos”, alerta. “Os dados considerados confiáveis são aqueles produzidos por pesquisadores e cientistas que querem preservar a espécie de um risco iminente de sua extinção”. 

Vânia Nunes, diretora técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, prefere retratar esse cenário com a comparação de que “para cada 100 jumentos que existiam no Brasil, há três décadas, hoje restam apenas 6, o que equivale a perda de 94% da população entre 1996 e 2024”. 

Ela também questiona o porquê de os textos que, neste momento, vêm divulgando os dados da World Population Review trazem como fonte apenas o zootecnista Alex Bastos, identificando apenas “administrador rural” e ocultando que ele é o proprietário do abatedouro Frinordeste Ltda, o único em atividade no Brasil. “É uma informação que precisa aparecer, a fim de não comprometer a imparcialidade de sua opinião.” 

A diretora ainda critica a ausência de uma atuação mais consistente do poder público no monitoramento da população de jumentos. “A falta de uma série histórica confiável sobre a presença desses animais nas diferentes propriedades, especialmente no Nordeste, faz com que os dados atuais causem grande impacto. Precisamos de políticas públicas mais estruturadas de monitoramento”, completa.

Onde pode haver lacunas nos dados - As projeções estatísticas da FAO sobre o número de jumentos no mundo já foram alvo de críticas, como as do artigo Global donkey and mule populations: Figures and trends, publicado na revista científica Public Library of Science. Segundo o texto, uma das limitações do órgão da ONU para contabilizar essa espécie vem da origem dessas informações, os países signatários cujas estatísticas para asininos estão desatualizadas ou subnotificadas, especialmente em contextos de informalidade e pouca relevância socioeconômica local. Além disso, a maioria dos países não reportam dados sobre os jumentos separadamente de muares, levando a FAO a trabalhar com bases imperfeitas nas modelagens de seus censos.

Para o documento, a falta desta precisão impede análises fiéis em situações relevantes para identificar riscos de extinção ou tendências ao longo do tempo. A conclusão do artigo é que “os dados da FAO são úteis para observar padrões gerais, mas inadequados para diagnósticos detalhados de realidades específicas, pois se baseiam em estimativas indiretas e não em levantamentos de campo”.

Portais que utilizam fontes diversas sem os devidos cuidados, como o World Population Review, costumam levar a conclusões equivocadas sobre outras espécies, como é o caso de que o Brasil teria hoje 86 mil onças. Infelizmente, esse é outro exemplo de projeção que pode ser usada por negacionistas sobre o risco de extinção das onças. Segundo o estudo “Ameaças antropogênicas iminentes e priorização de áreas protegidas para onças-pintadas na Amazônia brasileira”, realizado pelo WWF, em parceria com o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros do ICMBIO, em 2023 havia um pouco mais que 23 mil onças na Amazônia brasileira, onde se concentra a grande maioria dessa espécie no Brasil - número três vezes menor que o site de estatísticas.


SeaWorld retorna peixe-boi à natureza após ser resgatado de um bueiro em Melbourne Beach, na Flórida

Peixe-boi foi resgatado após grande esforço comunitário e agora está de volta ao lar após passar por período de reabilitação no SeaWorld Orlando

 

Orlando, FL – O SeaWorld Orlando, em parceria com autoridades locais e estaduais, devolveu com sucesso o peixe-boi conhecido como “Melby” após ele ter sido resgatado de um bueiro de drenagem em Melbourne Beach, na Flórida, no início de fevereiro.

 

O retorno atraiu autoridades locais, membros da comunidade e apoiadores, incluindo aqueles envolvidos no resgate de Melby, que se reuniram para assistir ao seu retorno à natureza. O nome “Melby”, foi dado pela comunidade e posteriormente adotado pelo SeaWorld.

 

A Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida (Florida Fish and Wildlife Conservation Commission, em inglês) e os veterinários de resgate do SeaWorld consideraram Melby apto para liberação com base em sua saúde e peso e a soltura foi feita em conjunto entre as duas organizações. Desde que foi levado às instalações de resgate do SeaWorld, o animal foi acomodado em um dos recintos de reabilitação, onde recebeu cuidados médicos. No total, Melby ganhou cerca de 45 kg durante o período com uma dieta de alface romana e alcançou um peso saudável de 234 kg.

 

“O objetivo de todo resgate é reabilitar os animais e ajudá-los a recuperar a saúde para que possam prosperar e retornar ao seu ambiente natural, e é exatamente isso que está acontecendo com Melby”, disse Brant Gabriel, Vice-Presidente de Operações Zoológicas do SeaWorld Orlando. “Foi inspirador ver a comunidade se unir para apoiar seu resgate, reabilitação e retorno. Estamos muito felizes que Melby tenha progredido tanto e que agora está de volta às suas águas natais.”

 

Melby conquistou os corações de muitos e chamou a atenção nacional quando foi encontrado em Melbourne Beach em 9 de fevereiro de 2026. Por acaso, equipes locais de Obras Públicas, ao inspecionarem um bueiro de drenagem, descobriram o animal preso em uma caixa de junção de águas pluviais. Ele estava sofrendo de estresse térmico, desnutrido e incapaz de se mover. Não se sabe quanto tempo ele ficou preso. Seu resgate ocorreu durante um período em que peixes-bois de toda a Flórida foram afetados por temperaturas de água mais frias, o que aumentou os esforços de resgate em todo o estado.

 

A comunidade se uniu rapidamente para salvá-lo, com assistência de membros do Programa de Resgate de Peixes-Bois da Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida, Universidade da Flórida, Corpo de Bombeiros do Condado de Brevard, Bombeiros de Melbourne Beach, equipes de Obras Públicas e da Polícia, além de uma empresa local de reboque. Juntos, eles quebraram a pista, removeram a tampa do bueiro e ergueram Melby com cuidado e segurança, enquanto moradores locais assistiam e aplaudiam.

 

Melby foi transportado pelo Programa de Resgate de Peixes-Bois até o SeaWorld Orlando no final da noite para reabilitação. Nos últimos dois meses, as equipes veterinárias do SeaWorld o estabilizaram, trataram o estresse térmico e ajudaram-no a recuperar o peso.

 

“Desde o momento em que Melby chegou, soubemos que seu caso era especial, não só pelo modo como foi resgatado, mas pelo número de pessoas torcendo por ele”, disse Dra. Lydia Staggs, Veterinária Sênior do SeaWorld Orlando. “Vê-lo recuperar a força dia após dia e agora retornar à natureza é exatamente o motivo pelo qual fazemos esse trabalho.”

 

Para muitos na comunidade de Melbourne Beach que testemunharam seu dramático resgate, o retorno de hoje marca um momento de ciclo completo, com Melby voltando para as águas onde sua história começou. O SeaWorld Orlando opera a maior instalação de cuidados críticos para peixes-bois dos Estados Unidos, desempenhando um papel vital no resgate, reabilitação e retorno da espécie às vias navegáveis da Flórida. Somente neste ano, o SeaWorld Orlando já resgatou 21 peixes-bois, totalizando 1.081 animais da espécie resgatados desde 1976 pela companhia.

 

Cada visita a um parque SeaWorld ajuda a apoiar esforços de resgate, conservação e pesquisa que protegem animais tanto nos parques quanto na natureza, tornando histórias como a de Melby possíveis.

 



Sobre o SeaWorld

O SeaWorld é um parque temático de vida marinha, um zoológico e aquário certificado que proporciona experiências com significado enquanto inspira e ensina os visitantes de todas as idades a proteger a vida marinha. Ao receber milhões de visitantes todos os anos, os parques oferecem experiências enriquecedoras como encontros próximos com animais, atividades educacionais, atrações inspiradas da vida marinha, eventos especiais e muitas outras opções de entretenimento. Por mais de 60 anos o SeaWorld lidera ações de conservação da vida marinha dentro e fora de seus parques por meio de ciência, educação e cuidado humanizado aos animais, o que lhe rendeu certificação da American Humane e credenciamento pela Alliance of Marine Mammal Parks and Aquariums e pela Association of Zoos and Aquariums. O SeaWorld é uma das maiores organizações de resgate de animais marinhos do mundo e já ajudou mais de 41 mil animais até o momento. O SeaWorld Conservation Fund, fundação sem fins lucrativos criada em 2003, já destinou mais de U$20 milhões a quase 1400 organizações para ajudar projetos de pesquisa em todos os continentes. Uma parte do dinheiro arrecadado no parque é enviado ao fundo para apoiar esses projetos de conservação a longo prazo. O SeaWorld tem parques em Orlando, (Flórida), San Antonio (Texas), San Diego, (Califórnia) e Abu Dhabi (Emirados Árabes). O SeaWorld faz parte do portifólio de marcas de parques temáticos do United Parks & Resorts, Inc. (NYSE: PRKS). Para mais informação, visite SeaWorld.com


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