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terça-feira, 21 de abril de 2026

Por que operar não é a única saída? A revolução do tratamento ortopédico que une dieta e tecnologia.

Entenda como o emagrecimento estratégico associado a infiltrações guiadas por ultrassom pode curar patologias graves, provando que o tratamento das articulações começa pelo equilíbrio do corpo inteiro.

 

A busca por soluções definitivas para dores articulares tem passado por uma transformação profunda, distanciando-se do foco exclusivo em medicamentos e intervenções invasivas. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que as doenças osteoarticulares afetam cerca de 1,71 bilhão de pessoas no mundo, sendo a principal causa de incapacidade física. Diante desse cenário, a medicina regenerativa e o tratamento não cirúrgico ganham força ao demonstrar que a recuperação de joelhos, quadris e coluna muitas vezes depende mais da correção de processos inflamatórios e da composição corporal do que de um bisturi. 

Especialista na abordagem conservadora de lesões, o Dr. Rafael Raso explica que o excesso de gordura corporal não causa apenas um dano mecânico pela sobrecarga de peso, mas atua como um tecido inflamatório ativo que agride as cartilagens. Segundo o médico, o sucesso terapêutico está diretamente ligado ao ganho de massa muscular, que exerce um papel protetor e anti-inflamatório sistêmico. "Quando o paciente entra em um protocolo de redução de gordura e fortalecimento, conseguimos equilibrar o organismo e fazer com que a articulação funcione com muito menos estresse, evitando que tratamentos convencionais apresentem resultados apenas temporários", afirma o ortopedista. 

Para evitar que intervenções cirúrgicas sejam a única saída, o uso de tecnologias diagnósticas e terapêuticas de precisão tornou-se um pilar fundamental no consultório. Ferramentas como a termografia, que mapeia variações de temperatura e áreas inflamadas, e a bioimpedância, que detalha a musculatura e o metabolismo, permitem um cronograma individualizado. Ele destaca que o objetivo central não deve ser a tentativa impossível de eliminar completamente uma artrose, por exemplo, mas sim devolver a funcionalidade e a qualidade de vida ao paciente através de dados objetivos e estratégias biológicas. 

No campo das intervenções diretas, a combinação de terapias por ondas de choque com infiltrações guiadas por ultrassom tem apresentado resultados robustos. Enquanto as ondas de choque tratam as estruturas ao redor da articulação, como tendões e músculos, a infiltração atua na melhora do líquido articular e da saúde da cartilagem. "Ao associarmos essas frentes, tratamos diferentes tecidos que participam da dor de forma simultânea. Isso alivia o sofrimento de forma rápida e, em muitos casos, cancela a necessidade de cirurgias que seriam desnecessárias se o ambiente articular fosse tratado corretamente", pontua. 

A visão de que tratar apenas o sintoma isolado é eficaz tem caído em desuso, uma vez que a dor costuma ser um sinal de desequilíbrios mais amplos. O médico ressalta que o maior desafio da ortopedia atual não é apenas cessar o desconforto imediato, mas impedir que ele retorne no longo prazo. Sem um ajuste na composição corporal e na estabilização muscular, a sobrecarga mecânica persistirá, condenando o paciente a um ciclo vicioso de recaídas. Por isso, a estabilização metabólica é considerada o alicerce para que qualquer técnica regenerativa tenha sustentação e durabilidade. 

Em suma, a nova era do cuidado musculoesquelético propõe um olhar sistêmico, onde a tecnologia e o estilo de vida caminham juntos. A mensagem final reforçada por Rafael Raso é de que o movimento e a ausência de dor são conquistados pelo equilíbrio do corpo como um todo. "O tratamento das articulações começa pelo equilíbrio do metabolismo e da musculatura. Quando cuidamos desses pilares, devolvemos a liberdade de movimento sem precisar recorrer ao ambiente hospitalar na maioria das situações", conclui o Dr. Rafael.  



Fonte: Dr. Rafael Raso - Médico Ortopedista especialista em tratamento não cirúrgico das lesões ortopédicas.
@dr.rafaelraso


Digitalização da prescrição avança na democratização do para tratamento da obesidade no Brasil

 Avanço da prescrição de "canetas emagrecedoras" indica mudança estrutural no cuidado da doença, aponta estudo da Memed 

 

O tratamento da obesidade no Brasil passa por uma rápida transformação impulsionada por medicamentos de última geração e pela digitalização da prescrição médica. Dados inéditos da plataforma Memed, líder e pioneira em prescrição digital no país, indicam crescimento acelerado no uso de injetáveis, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras” e maior adesão à prescrição digital para o tratamento deste quadro clínico em todo território nacional. 

Entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026, o número de médicos ativos prescrevendo tratamentos para perda de peso na plataforma cresceu cerca de 222%, enquanto o volume de prescrições digitais associadas à obesidade aumentou 218% no mesmo período. Apenas entre 2025 e 2026, a chegada de novos profissionais à plataforma acelerou o ritmo de indicações destes medicamentos em 83% em relação ao ano anterior. 

O levantamento também aponta uma mudança expressiva no perfil farmacológico das prescrições, com o avanço na indicação de terapias baseadas em análogos do GLP-1 e outras moléculas de nova geração. A semaglutida registrou aumento aproximado de 1.017% no volume de prescrições entre 2022 e 2025. Já a tirzepatida tornou-se o segundo medicamento mais prescrito na plataforma, para pacientes com diagnóstico de obesidade em 2025, superando tratamentos tradicionais. 

Também houve crescimento de cerca de 1.054% na prescrição de inibidores de SGLT2, como a dapagliflozina, indicando uma abordagem terapêutica mais abrangente, voltada não apenas à redução de peso, mas também à proteção cardiovascular e metabólica. Além dos medicamentos principais, a indicação de suplementos como vitamina B12 e vitamina D também aumentou, sugerindo um acompanhamento clínico mais integral. 

Segundo Fábio Tabalipa, Diretor Médico e Head de Dados da Memed, “O que vemos é uma mudança de paradigma no tratamento da obesidade. Medicamentos mais eficazes, aliados à prescrição digital, estão permitindo intervenções mais precoces, acompanhamento contínuo e maior adesão dos pacientes. Isso tende a reduzir complicações associadas e reposicionar a obesidade como uma doença crônica tratável, e não apenas uma condição ligada ao estilo de vida”, explica. 

O perfil dos pacientes mostra predominância de adultos entre 35 e 49 anos, faixa responsável por cerca de 43% das prescrições. O pico de procura ocorre aos 43 anos. As mulheres representam aproximadamente 64% do volume total identificado na plataforma, enquanto pacientes com mais de 65 anos respondem por menos de 9%, resultado que os especialistas atribuem à priorização de outras condições clínicas nessa fase da vida. 

O estudo também aponta expansão relevante no tratamento entre crianças e adolescentes. Entre 2024 e 2025, o volume de prescrições para pacientes menores de 18 anos aumentou cerca de 739%, enquanto a base de pediatras e endocrinologistas pediátricos utilizando a plataforma cresceu 700% no período. Diferentemente do público adulto, o perfil infantojuvenil apresenta distribuição equilibrada entre meninos e meninas. 

“O crescimento da obesidade infantil é particularmente preocupante porque aumenta o risco de doenças cardiovasculares, diabetes e outras complicações já nas primeiras décadas de vida. A identificação e o tratamento precoces são fundamentais para interromper esse ciclo”, afirma Fábio Tabalipa, Diretor Médico e Head de Dados da Memed. 

O manejo da obesidade envolve múltiplas especialidades médicas. Endocrinologistas concentram a maior densidade de prescrições, enquanto cirurgiões bariátricos apresentam alta intensidade de acompanhamento e a medicina de família amplia o acesso ao tratamento. 

A adoção de terapias inovadoras também varia entre os estados e não segue necessariamente o tamanho populacional. O Rio Grande do Sul lidera proporcionalmente a prescrição de novas moléculas, com cerca de 26% das receitas contendo medicamentos como tirzepatida e semaglutida. Amapá e Mato Grosso também registram taxas elevadas, superiores a 11%. São Paulo concentra o maior volume absoluto de prescrições com 4,9%, enquanto o Distrito Federal apresenta a maior densidade de pacientes por médico, 13 pacientes únicos por prescritor, indicando elevada demanda por atendimento especializado. 

“Os dados mostram que o tratamento da obesidade está se expandindo em todo o país, tanto em número de profissionais envolvidos quanto na adoção de terapias mais avançadas, inclusive fora dos grandes centros”, finaliza Fábio Tabalipa, Diretor Médico e Head de Dados da Memed. 

 

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Quando a dor vira doença: os impactos do luto na saúde


Pessoas com depressão e ansiedade apresentam maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares, de acordo com um estudo do sistema de saúde da Mass General Brigham (MGB), afiliado à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Segundo os pesquisadores, esse aumento do risco está associado à atividade cerebral relacionada ao estresse, à desregulação do sistema nervoso e a processos inflamatórios crônicos. O dado reforça o que especialistas já confirmam que a saúde plena é inalcançável sem o equilíbrio mental e emocional, especialmente diante de um dos desafios mais profundos da experiência humana: o luto. 

Segundo a psicóloga Silvana Caetano, que coordena grupos de apoio ao luto no Grupo Zelo, esse processo não deve ser tratado como tabu, mas como uma questão relevante de saúde pública. Ela explica que o luto é uma resposta biológica natural e esperada, com alcance físico e emocional como toda condição de stress e que precisa de canais de expressão, para que corpo e/ou mente não adoeçam. “Quando o luto é silenciado ou reprimido, é comum que ele se converta em sintomas. O alto stress prejudica a imunidade, a ansiedade e depressão ganham espaço. Distúrbios do sono, incapacidade de recuperação da fadiga e mesmo o aumento do risco de desenvolvimento de doenças pré-dispostas geneticamente, são comuns”, afirma a especialista. 

A relevância desse cuidado é corroborada por dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recentemente incluiu o "Luto Prolongado" na Classificação Internacional de Doenças (CID-11), após o efeito social severo e adoecedor do luto coletivo sem precedentes, na Pandemia por Covid-19. 

No contexto brasileiro, onde os índices de ansiedade já são os mais altos do mundo, perdas não elaboradas tornam-se um agravante perigoso. Para Silvana Caetano, a chave para evitar que o luto se torne patológico reside no acolhimento precoce e no respeito ao tempo individual. A especialista pontua que garantir e ajudar aqueles que perdem seus amores a viverem a melhor despedida possível, com a ritualização religiosa ou cultural e aproximação da cerimônia à personalidade, estilo de vida e alcance do sagrado de cada história e família acolhida é o primeiro passo para que aconteça o bom início do luto e o reajustamento da vida no processo do seu enfrentamento seja mais promissor e bem-sucedido. “Na continuidade da atenção e cuidado que essa condição inspira, o ideal seria permitir e tolerar o tempo de recolhimento individual para o retorno às tarefas cotidianas, mas a cobrança geral na sociedade de que o enlutado ´fique bem´ costuma desconsiderar a necessidade individual e generalizar a pressa para que todos se enquadrem rapidamente à rotina, do trabalho e outros aspectos da vida, silenciando ou ignorando a dor emocional, com efeitos devastadores especialmente quando não pode ser reconhecida e manejada assertivamente por quem sofre”, ressalta Silvana.

 

Acolhimento é o caminho

Iniciativas que oferecem apoio, espaço de escuta e compartilhamento da dor entre iguais, com mediação psicológica, instrutiva, de amparo, legitimação e direcionamento diante dos desafios assustadores na jornada do luto, desempenham um papel essencial para a caminhada adiante, entre o ´ser a dor´ e ´ter a dor´, vivenciando uma travessia saudável e que permita uma nova adaptação da vida para que volte a ser funcional, mesmo quando a perda e o vínculo rompido com a morte sejam muito significativos e difíceis de assimilar. Ao coordenar grupos voltados esse suporte emocional, Silvana ajuda os participantes a reaprender a viver, deixando a busca lógica e racional da conexão e presença que existiam para buscar a nova conexão possível com a pessoa que se tornou invisível e com a relação de amor que sempre foi abstrata e não palpável e pode permanecer viva, apesar da falta e saudade crescente do outro. 

“Fica aqui o convite para uma reflexão abrangente e auto empática: cuidar-se para a saúde integral também significa permitir-se sentir, reconhecer e dar lugar para a tristeza inerentes à experiência de perder e, sempre que o peso parecer insuportável, buscar o auxílio de profissionais capacitados e presença da rede de apoio, com as pessoas próximas e íntimas o suficiente para respeitar e acolher a dor, sem negar, fugir ou negligenciar a real possibilidade de ser em cada momento”, completa.
 

Sinais de alerta no luto

Embora o luto seja um processo natural, alguns sinais podem indicar que a pessoa precisa de apoio profissional. Entre os principais alertas estão:

  • Isolamento social intenso, com afastamento de familiares, amigos e atividades cotidianas
  • Alterações persistentes no sono, como insônia frequente ou sono excessivo
  • Abandono do autocuidado, incluindo desinteresse pela alimentação, higiene ou saúde
  • Irritabilidade excessiva
  • Sensação constante de vazio ou desesperança

·         Dificuldade prolongada de retomar a rotina ou encontrar sentido nas atividades diárias

 

Abril reforça alerta para a prevenção da meningite no Brasil


Dia Mundial de Combate à Meningite (24), reforça a
 importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença.
F Divulgação

Pediatra, Dra. Renata, reforça a importância da vacinação e do diagnóstico precoce diante da preocupação com casos da doença

 

O mês de abril, marcado pelo Dia Mundial de Combate à Meningite (24), reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença, que pode evoluir rapidamente e deixar sequelas graves ou até levar à morte. No Brasil, a meningite segue como um desafio de saúde pública, com registros anuais que acendem o alerta de autoridades e profissionais da saúde, especialmente em períodos de maior circulação de vírus e bactérias.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, milhares de casos de meningite são notificados todos os anos no país, com diferentes causas — sendo as mais comuns as de origem viral e bacteriana. A forma bacteriana, embora menos frequente, é a mais grave e exige atenção imediata. Nos últimos anos, especialistas têm demonstrado preocupação com oscilações no número de casos e, principalmente, com a queda nas coberturas vacinais.

“A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, podendo se manifestar com sintomas como febre alta, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, vômitos, sensibilidade à luz e, em alguns casos, manchas pelo corpo", explica a pediatra e docente do curso de Medicina da Afya Centro Universitário de Pato Branco, Dra. Renata de Carvalho Kuntz.

De acordo com a pediatra, em crianças pequenas os sinais podem incluir ainda irritabilidade, choro persistente e dificuldade para se alimentar.

Para a Dra. Renata, docente da Afya de Pato Branco, a rapidez no reconhecimento dos sintomas é fundamental para evitar complicações.

“A meningite pode evoluir de forma muito rápida, especialmente nos casos bacterianos. Por isso, ao identificar sinais suspeitos, é essencial buscar atendimento médico imediato. O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de recuperação”, explica a médica.

A prevenção, no entanto, continua sendo a principal aliada no combate à doença. O calendário nacional de vacinação oferece imunizantes importantes contra alguns dos principais agentes causadores da meningite, como meningococo, pneumococo e Haemophilus influenzae tipo b (Hib).

Segundo a Dra. Renata, manter a vacinação em dia é uma das formas mais eficazes de proteção, principalmente entre crianças.

“Além da imunização, medidas como higiene adequada das mãos, evitar compartilhamento de objetos pessoais e atenção a ambientes fechados e com aglomeração também ajudam a reduzir o risco de transmissão", pontua a Dra. Renata, médica pediatra e docente da Afya de Pato Branco.

De acordo com a Dra. Renata, a conscientização é essencial para proteger a população.

“Falar sobre meningite é reforçar a importância da prevenção. A vacina salva vidas e a informação ajuda as famílias a reconhecerem os sinais e agirem rapidamente”, conclui a médica pediatra e docente da Afya Centro Universitário de Pato Branco.

 

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Nova descoberta sobre microbioma intestinal e avanço com células-tronco reposicionam debate sobre Parkinson

Casos de Parkinson podem dobrar até 2050 no mundo: além dos avanços medicamentosos, estudos clínicos com recrutamento ativo, ultrassom e marca-passos cerebrais ampliam o controle dos sintomas


A Doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa em crescimento no mundo. Estudo publicado na revista científica britânica British Medical Journal (BMJ), em 2025, liderado pelo neurologista Tao Feng, da Peking University Third Hospital, e baseado em dados do Global Burden of Disease, projeta que o número de pessoas vivendo com a doença pode chegar a 25,2 milhões até 2050 — um aumento de 112% em relação a 2021. O envelhecimento da população é apontado como o principal fator para esse avanço, seguido pelo crescimento populacional e por mudanças na prevalência da doença.

Uma nova frente de pesquisa amplia o entendimento sobre a doença. Estudo da Yale School of Medicine, publicado recentemente na revista Nature Microbiology, indica que o microbioma intestinal pode interferir diretamente na eficácia da levodopa, principal tratamento do Parkinson². Ao mesmo tempo, avanços internacionais, como a aprovação pelo Ministério da Saúde do Japão de uma terapia baseada em células-tronco pluripotentes induzidas, apontam para uma nova etapa no tratamento, com foco na reposição de neurônios produtores de dopamina³.

“O Parkinson deixou de ser analisado apenas como uma doença neurológica isolada. Hoje, falamos de um processo que envolve também fatores sistêmicos, como o intestino e a resposta inflamatória do organismo”, afirma o neurologista da Dasa e coordenador do Núcleo da Memória do Alta Diagnósticos, dr. Diogo Haddad.

A doença é marcada pela degeneração progressiva de neurônios produtores de dopamina, comprometendo o controle dos movimentos e outras funções do sistema nervoso central.

“O grande desafio é que ela começa antes dos sintomas clássicos. Quando o tremor aparece, muitas vezes o processo já está em curso há anos. Por isso, reconhecer sinais precoces e ampliar a investigação é fundamental”, diz Haddad.

Além dos sintomas motores — como tremores, rigidez e lentidão —, o especialista chama atenção para manifestações menos conhecidas. “Alterações no olfato, distúrbios do sono e constipação intestinal podem surgir antes e impactam diretamente a qualidade de vida. Esses sinais ainda são subvalorizados.”
 

O diagnóstico pelo DNA

Na prática clínica, o diagnóstico continua sendo predominantemente clínico, apoiado pela resposta à levodopa e por exames complementares para excluir outras condições. Em casos selecionados, a investigação genética pode ser incorporada, especialmente quando há suspeita de início precoce ou histórico familiar.

Entre os exames disponíveis, destacam-se o Painel NGS para Doença de Parkinson de Início Precoce, que avalia múltiplos genes associados à condição, e o Sequenciamento Completo do Gene PARK2 - NGS, mais direcionado a casos de Parkinson juvenil.

“Esses testes ajudam a identificar casos nos quais a carga genética é predominante para a ocorrência da doença, que provocam um início mais precoce, e uma evolução e resposta medicamentosa diferente da habitual.”, explica Gustavo Guida, médico geneticista na Dasa Genômica. “Eles ampliam a capacidade de entender o paciente e orientar a família”, completa.
 

Terapias por estímulos cerebrais

Se o diagnóstico evolui, o tratamento também passa por transformação. A base ainda é medicamentosa, com reposição de dopamina, mas novas abordagens vêm ganhando espaço, especialmente em pacientes que não respondem mais adequadamente às terapias tradicionais.

“A estimulação cerebral profunda, conhecida como marca-passo cerebral, já é uma realidade consolidada. O ultrassom focado surge como alternativa não invasiva, com resposta rápida para controle de tremores”, afirma o neurologista.
 

Pesquisas clínicas avançam nas descobertas sobre a doença

Esse cenário também impulsiona a pesquisa clínica no Brasil. Instituições e empresas como a Dasa mantêm estudos em andamento voltados ao Parkinson, com recrutamento ativo de voluntários. As iniciativas são conduzidas por centros como o CPClin, responsáveis por estruturar protocolos e ampliar o acesso a novas abordagens terapêuticas.

Atualmente, um dos estudos em curso seleciona homens e mulheres entre 50 e 85 anos, diagnosticados nos últimos três anos, em tratamento exclusivamente com levodopa ou Prolopa, sem histórico de quedas frequentes ou diagnóstico de demência. O cadastro para participação está disponível em: https://lps.cpclin.com.br/pesquisa-2026

“A pesquisa clínica conecta o que está sendo desenvolvido no laboratório com a prática. É onde conseguimos validar novas abordagens e oferecer alternativas para pacientes que muitas vezes já esgotaram as opções disponíveis”, completa dr. Haddad.

Para o especialista, o avanço da ciência aponta para uma mudança estrutural no cuidado. “O futuro do Parkinson passa por diagnóstico mais precoce, medicina personalizada e maior acesso à pesquisa. A doença continua desafiadora, mas hoje existem mais caminhos do que havia há poucos anos.”

  

Referências

  1. GLOBAL BURDEN OF DISEASE STUDY. Global, regional, and national burden of Parkinson’s disease, 1990–2021. BMJ, 2024. Disponível em: Link. Acesso em: 13 abr. 2026.
  2. VERDEGAAL, A. et al. Drug–microbiome interactions affect levodopa metabolism. Nature Microbiology, 2026. Disponível em: Link. Acesso em: 13 abr. 2026.

3.    NATURE. Japan approves stem cell therapy for Parkinson’s disease. Nature, 2026. Disponível em: Link. Acesso em: 13 abr. 2026.


Cuidado integrado do autismo infantil impulsiona desenvolvimento e melhora qualidade de vida da família

 

Crédito: Acervo pessoal da família
Diagnóstico de TEA exige rotinas intensas, mas rede de apoio especializada prova que é possível aliar os avanços da criança ao suporte estrutural e emocional para quem cuida.  

O diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA) na infância costuma mudar a dinâmica de uma família. Após a confirmação médica, os pais passam a lidar com novas necessidades e a incorporar terapias à rotina. Porém, o tratamento só se mostra realmente eficaz quando olha para além da criança e considera também o bem-estar de quem cuida. Camylla Bertolini, de 39 anos, vivenciou essa transformação quando notou que a terceira, das quatro filhas, Lorena — hoje com 7 anos —, apresentava um desenvolvimento diferente das duas mais velhas. 

Com 1 ano e 7 meses, alguns sinais de comportamento e atrasos nos marcos esperados para a idade acenderam o alerta da pediatra, que solicitou uma avaliação neurológica. Um mês depois, veio o diagnóstico de TEA e o início imediato do tratamento. O que se viu a partir daí foi a realidade de milhares de famílias: o esgotamento. 

A urgência por modelos de tratamento mais eficientes e sustentáveis para as famílias é respaldado por números. No Brasil, dados de 2022 do IBGE identificaram cerca de 2,4 milhões de pessoas no espectro. Desse total, aproximadamente 1,1 milhão são crianças e adolescentes de até 14 anos. Mais do que indicar aumento de incidência, especialistas alertam que esses números refletem sobretudo a ampliação do acesso e dos critérios diagnósticos - o que, na prática, expõe um gargalo: a dificuldade de sustentar rotinas terapêuticas intensas sem comprometer a saúde física, emocional e financeira das famílias. 

No caso de Camylla, essa pressão rapidamente saiu das estatísticas e ganhou forma no cotidiano. Na tentativa de garantir o melhor desenvolvimento para Lorena, a rotina passou a ser preenchida por até seis horas diárias de terapias, seis dias por semana – uma carga que, somada à descoberta de uma nova gestação, se mostrou inviável. “Fomos migrando de clínica em clínica para tentar reduzir a carga e conciliar a chegada de um novo bebê. Era preciso reorganizar a rotina”, relata.

 

O padrão-ouro amparado pela ciência e pela tecnologia 

O ponto de virada na vida de Lorena e de sua família ocorreu quando o tratamento deixou de ser uma maratona fragmentada e passou a ser uma jornada coordenada. Hoje, a menina é acompanhada pela Mindplace Kids, clínica especializada no cuidado de crianças com TEA do grupo Care Plus, líder no segmento de saúde premium, em parceria com a Genial Care, Rede de Cuidado de Saúde Atípica referência em autismo. A unidade segue um modelo assistencial em que o suporte estrutural para a família é tão importante quanto as terapias de cuidado com as crianças. 

A clínica utiliza a ciência ABA (Análise do Comportamento Aplicada), uma das mais estudadas no campo do autismo. Relatórios do Office of the Surgeon General, nos Estados Unidos (autoridade máxima de saúde pública no país) indicam que intervenções comportamentais podem melhorar comunicação, habilidades sociais e comportamento adaptativo, além de contribuir para o desenvolvimento de estratégias de regulação para a criança. 

Na prática, a efetividade dessas técnicas está diretamente ligada à forma como são aplicadas no dia a dia da criança. “Não existe um protocolo único. Cada criança precisa de um plano individualizado, que considere sua rotina, sua família e seus contextos de aprendizado”, explica Alice Tufolo, conselheira clínica da Genial Care. 

Para garantir que esse modelo funcione sem sobrecarregar a família, a tecnologia entra como aliada. “Utilizamos inteligência artificial e aplicativos para monitorar a jornada do paciente e aprimorar a relação entre terapeuta, família e criança”, explica Ana Paula Lima, coordenadora de Psicologia do Grupo Care Plus. Pelo aplicativo da rede, os pais acessam prontuários eletrônicos, relatórios detalhados e mantêm comunicação direta com a equipe. Para Camylla, isso é sinônimo de alívio: “Receber devolutivas sobre a evolução dela após cada sessão nos traz segurança”.

 

Infraestrutura para pais e vida além do diagnóstico 

O olhar para quem cuida vai além da metodologia e reflete-se na própria estrutura física da clínica. Entendendo que os pais também fazem uso do espaço durante as sessões, a Mindplace Kids foi projetada com áreas de descompressão e produtividade. O local oferece ambientes onde os pais podem trabalhar ou fazer reuniões, ambientes confortáveis para descanso e até uma cozinha comunitária, permitindo que se alimentem e otimizem seu tempo com tranquilidade enquanto os filhos estão seguros em terapia. 

O resultado dessa abordagem 360 graus é sentido na prática. A rotina exaustiva deu lugar ao entusiasmo. “Lorena adora ir à clínica e as terapeutas que a acompanham. Ela fica animada quando sabe que vai para a terapia”, conta Camylla. 

A trajetória da família reforça que o cuidado com o autismo não precisa ser um fardo, mas uma jornada que flui quando há apoio especializado. Essa abordagem integrada se traduz no desenvolvimento de Lorena, que é incentivada a cultivar a própria autonomia. “A gente tenta não colocá-la dentro de um rótulo, porque sabemos que essas crianças têm um potencial muito grande. Às vezes, por receio, a gente acaba impedindo esse desenvolvimento”, pondera a mãe. 

Com a rotina organizada, Camylla consegue equilibrar o cuidado com as quatro filhas, a administração da casa e sua carreira como confeiteira. “É preciso olhar para frente e ter resiliência. Eles precisam da gente, e a gente precisa seguir por eles”, conclui.

 

Grupo Care Plus


Vírus Sincicial Respiratório: vacinação na gestante protege bebê em mais de 60% contra a infecção

Cuidado com mulher na menopausa também deve incluir calendário vacinal

 

O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) está entre os vírus mais prevalentes na sociedade e sua circulação é mais presente durante o outono e o inverno. “A bronquiolite é uma das principais complicações, especialmente nos três primeiros meses de vida. Ela pode levar a internações e até óbito. A doença pode trazer consequências como o desenvolvimento da asma ou alguma outra condição pulmonar. Já na idosa, que tem uma fragilidade da imunidade, podem ocorrer a diminuição de força da caixa torácica e da parte pulmonar”, explica Dra. Giuliane Lajos, ginecologista e membro da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). 

O Position Statement da FEBRASGO destaca que existem algumas estratégias de vacinação, como o de um anticorpo monoclonal, que é uma imunização passiva. A Dra. Giuliane esclarece que as estratégias da primeira infância são a vacinação materna, uma vez que a proteção passa através da placenta e protege o bebê intraútero. “Ao nascer, há uma proteção de mais de 60% da infecção e de mais de 80% na gravidade e hospitalização. Ou seja, já tem um efeito com a imunização materna. Mas é preciso ter atenção com os bebês prematuros, que não conseguem a vacinação materna em tempo”, explica a médica. 

A vacinação materna deve ocorrer entre 24 e 36 semanas e, atualmente, os protocolos nacionais estão entre 32 e 36 semanas. A médica informa que essa recomendação será atualizada para 28 a 36 semanas, mas se uma gestante tiver risco de parto prematuro, é possível antecipar o início da imunização a partir de 24 semanas. 

Já com relação ao anticorpo monoclonal, a imunização é do bebê e não mais da mãe. Se a gestante não conseguir ser vacinada durante a gestação ou a vacina tiver sido aplicada a menos de 14 dias, essa é a estratégia recomendada. “Hoje a estratégia é: Não deu tempo de vacinar. Não chegou aos 15 dias. Nasceu um bebê prematuro inesperadamente. É o momento de usar o anticorpo monoclonal, que está sendo substituído por uma dose só e possui um efeito mais duradouro.” 

Outro ponto destacado é a oferta de vacinação aos adultos acima de 60 anos. Segundo a Dra. Giuliane, é essencial que essa faixa etária seja estimulada a se vacinar contra o VSR. 

“Muitas vezes se valoriza a imunização da influenza e da Covid-19, que são importantes, mas que não são as únicas preocupações relacionadas aos idosos. O Vírus Sincicial Respiratório também pode potencializar algumas doenças no idoso, principalmente se ele tiver alguma comorbidade. É uma dose com bastante efeito nas infecções de vias aéreas inferiores e nas complicações dessas infecções”, explica ela. 

O papel do ginecologista - O ginecologista é o médico da mulher e, muitas vezes, o único médico dessa mulher. Ele está presente em diversas fases da vida e tem o papel de cuidar, ouvir, perguntar, orientar e esclarecer as dúvidas. 

São várias as questões que devem fazer parte de uma consulta ginecológica e as estratégias de vacinação em diversas fases da vida é uma delas, destaca a Dra. Giuliane. “Quando a mulher deseja engravidar, é preciso checar todas as vacinas, que devem ser administradas antes de uma gravidez. Lembrando que existem vacinas indicadas para esse momento.” 

A médica reforça que a preocupação e o estímulo à vacinação devem ser ampliados, principalmente, às mulheres com mais de 50, 60 anos. “Em mulheres idosas não se deve pensar apenas nos aspectos e queixas da menopausa. É preciso olhar a saúde global dessas mulheres e a vacinação faz parte disso. A imunização contra o VSR e a prevenção das complicações relacionadas ao vírus também devem fazer parte dos cuidados com essas mulheres”, finaliza a ginecologista. 


Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia -FEBRASGO


Desinformação sobre autismo cresce mais de 15 mil porcento no Brasil e impulsiona campanha nacional para levar informação qualificada aos lares

 

Crédito Foto: Divulgação Campanha Autistas Brasil
e Piracanjuba
Pesquisa da Autistas Brasil com a FGV revela avanço alarmante de fake news e embasa parceria com a Piracanjuba para ampliar conscientização no país 


O avanço acelerado da desinformação sobre autismo no Brasil — que cresceu mais de 15.000% desde a pandemia — está no centro de uma nova campanha nacional que busca levar informação qualificada diretamente aos lares brasileiros. A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Piracanjuba e a Autistas Brasil, e se apoia em dados de uma pesquisa conduzida pela Autistas em conjunto com a Fundação Getulio Vargas (FGV). 

O estudo analisou mais de 58 milhões de mensagens na plataforma Telegram e revelou a dimensão da circulação de conteúdos falsos sobre o tema no país. Nesse cenário, a campanha aposta em uma estratégia de comunicação de massa ao transformar embalagens de produtos do cotidiano em canal de informação acessível, com o objetivo de combater fake news e ampliar o entendimento sobre o que é, de fato, o autismo. 

A iniciativa ganha ainda mais relevância diante dos dados mais recentes sobre a população autista no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo Demográfico de 2022 e divulgado em 2025, o país possui cerca de 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com autismo — o equivalente a 1,2% da população. O levantamento inédito representa um avanço na visibilidade do tema, mas também evidencia o descompasso entre o crescimento da informação oficial e a expansão da desinformação. 

Além do volume expressivo de mensagens analisadas, a pesquisa da Autistas Brasil com o laboratório DesinfoPop da FGV aponta que o Brasil concentra quase metade da desinformação sobre autismo na América Latina. Foram identificadas cerca de 150 falsas causas e 150 falsas curas relacionadas ao transtorno, muitas vezes disseminadas em ambientes fechados, o que dificulta a checagem e amplia o alcance de conteúdos enganosos. 

“A desinformação sobre o autismo não é apenas um problema de comunicação, ela tem impacto direto na vida das pessoas. Quando informações falsas circulam em larga escala, elas dificultam o acesso ao diagnóstico, comprometem decisões de cuidado e reforçam estigmas que afastam ainda mais pessoas autistas de seus direitos. Combater esse cenário é uma urgência coletiva”, afirma Guilherme de Almeida, presidente da Autistas Brasil. 

Diante desse contexto, a parceria com a Piracanjuba surge como uma resposta concreta ao desafio informacional. A proposta é utilizar um produto presente na rotina de milhões de brasileiros como ferramenta de conscientização, levando conteúdos baseados em evidências diretamente ao público e ampliando o alcance do debate para além dos meios tradicionais. 

A campanha também busca dar visibilidade às pessoas autistas a partir de suas próprias perspectivas, contribuindo para uma compreensão mais ampla e respeitosa sobre o tema. Ao ocupar espaços do cotidiano, a iniciativa amplia o acesso à informação e promove um diálogo mais próximo com a sociedade. 

“Levar informação de qualidade para o cotidiano das pessoas é uma das formas mais eficazes de enfrentar a desinformação. Ao transformar um produto presente na rotina de milhões de brasileiros em um canal de conscientização, essa parceria amplia o alcance do debate e, principalmente, ajuda a mostrar o autismo a partir da perspectiva de quem vive essa realidade todos os dias”, diz Almeida. 

O desafio de ampliar o acesso à informação confiável no país também passa por desigualdades estruturais. Mais de 20,5 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à internet, segundo o IBGE, o que limita o alcance de conteúdos verificados e aumenta a exposição a informações incorretas. 

Ao apostar em uma estratégia de comunicação direta e de grande escala, a campanha reforça a importância de iniciativas que conectem informação qualificada ao cotidiano das pessoas, contribuindo para o enfrentamento da desinformação e para a construção de uma sociedade mais informada, inclusiva e baseada em evidências.



Guilherme de Almeida é autista - presidente da Associação Nacional para Inclusão das Pessoas Autistas (Autistas Brasil), pesquisador na área de educação inclusiva na UNICAMP e é o único pesquisador brasileiro membro da Cúpula de Neurodiversidade da Universidade Stanford dos Estados Unidos.


SOBRE A AUTISTAS BRASIL
Organização nacional fundada e liderada por pessoas autistas, a Autistas Brasil atua na formulação de políticas públicas, na incidência jurídica e no desenvolvimento de programas educacionais em larga escala. Nos últimos três anos, suas ações alcançaram mais de 21 mil educadores em todo o país, consolidando a instituição como referência em inclusão, neurodiversidade e direitos humanos.



O que o caso FHC ensina aos aposentados e pensionistas diagnosticados com Alzheimer


A recente notícia envolvendo a interdição judicial do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em razão do avanço da doença de Alzheimer, trouxe à tona uma reflexão que, em regra, permanece restrita ao ambiente familiar. Ao lado da comoção natural, surge uma pergunta prática: o que muda, de fato, na vida do aposentado ou pensionista que recebe esse diagnóstico? 

Este artigo não pretende discutir o caso pessoal do ex-presidente, mas aproveitar o momento em que o Alzheimer ganhou espaço no noticiário para esclarecer um direito previsto em lei há décadas, e ainda pouco conhecido, que pode fazer diferença concreta no orçamento de milhares de famílias brasileiras. 

A Lei nº 7.713, de 1988, estabelece, em seu artigo 6º, inciso XIV, a isenção do imposto de renda sobre proventos de aposentadoria ou pensão para pessoas acometidas por doenças graves. Entre elas estão câncer (neoplasia maligna), cardiopatia grave, doença de Parkinson, esclerose múltipla, cegueira e nefropatia grave, entre outras. Na prática, isso significa que aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social ou de regimes próprios deixam de sofrer a retenção mensal do imposto sobre seus benefícios, o que pode representar economia de centenas, ou até milhares, de reais por mês. Além disso, é possível pleitear a restituição dos valores descontados indevidamente desde o diagnóstico, por meio da chamada repetição de indébito. 

Um ponto crucial costuma passar despercebido: o termo “Alzheimer” não está expressamente previsto na lei. Isso leva muitos a concluir, de forma equivocada, que não há direito à isenção. Ocorre que a legislação menciona “alienação mental”, conceito no qual o Alzheimer se enquadra em estágios mais avançados. O Superior Tribunal de Justiça já consolidou o entendimento de que a doença garante o benefício, desde que haja comprometimento severo das funções cognitivas, comprovado por laudo médico, seja da rede pública ou privada. Ou seja, não basta o diagnóstico inicial; é necessário que o quadro evolua a ponto de comprometer significativamente a capacidade mental do paciente. A partir daí, o direito existe e deve ser exercido. 

O noticiário recente também reacendeu uma dúvida comum: ex-presidentes da República não recebem aposentadoria vitalícia pelo cargo. Desde a Constituição de 1988, não há benefício previdenciário específico para ex-chefes do Executivo. O que existe, por força da Lei nº 7.474/1986, são estruturas de apoio, como assessores, motoristas e segurança. No caso de Fernando Henrique Cardoso, há uma peculiaridade histórica: ele é aposentado como professor da Universidade de São Paulo, em razão de aposentadoria compulsória decorrente do Ato Institucional nº 5. Trata-se, portanto, de uma aposentadoria como qualquer outra, sujeita às mesmas regras, inclusive quanto à possibilidade de isenção do imposto de renda por doença grave. 

Se o direito existe há tanto tempo, por que ele não é concedido automaticamente? A resposta é simples: a isenção depende de requerimento. Cabe ao aposentado, ou a seu representante legal, nos casos de incapacidade, formalizar o pedido junto à fonte pagadora ou recorrer ao Judiciário. Embora exista via administrativa, ela nem sempre é a mais célere. Em muitos casos, especialmente diante da urgência imposta por doenças graves, o Poder Judiciário tem sido acionado diretamente e com êxito. Os tribunais reconhecem não apenas o direito à isenção, mas também a restituição dos valores descontados desde o diagnóstico. Para famílias que lidam com o avanço da doença, essa informação tem impacto direto, já que cada mês de desconto indevido representa menos recursos para custear medicamentos, cuidadores e tratamentos. 

O Alzheimer impõe não apenas sofrimento emocional, mas também um peso financeiro significativo. Por isso, é fundamental que familiares de aposentados e pensionistas diagnosticados com a doença busquem informação, organizem a documentação médica e procurem orientação especializada. O caso envolvendo o ex-presidente pode sair das manchetes em breve, mas o Alzheimer continuará afetando silenciosamente milhares de brasileiros e a lei está ao lado dessas famílias. Garantir esse direito não é apenas uma questão tributária, mas, sobretudo, uma questão de dignidade.



Juan Carlos Serafim Parrilha Nascimento - advogado tributarista e sócio do escritório Aith, Badari e Luchin Advogados



Depois das canetas: o novo desafio de quem emagrece é evitar flacidez, queda de cabelo e efeito rebot

Alta no uso de medicamentos para perda de peso acende alerta sobre a fase mais negligenciada do processo: a manutenção do resultado 

 

O avanço das chamadas “canetas emagrecedoras” transformou o mercado de saúde e estética no Brasil. A promessa de perda de peso rápida ganhou escala, impulsionada pela popularização dos medicamentos à base de agonistas de GLP-1 e pela crescente busca por soluções eficazes contra a obesidade.

Mas, passado o entusiasmo inicial, um novo movimento começa a ganhar força entre consultórios, clínicas e farmácias de manipulação: os efeitos do pós-emagrecimento.

Flacidez, perda de massa magra, queda de cabelo, enfraquecimento da pele e dificuldade de manter o peso já aparecem entre as principais queixas de pacientes que passaram por processos acelerados de emagrecimento.

Segundo dados da consultoria IQVIA, o mercado global de medicamentos voltados à perda de peso segue em expansão e deve continuar crescendo nos próximos anos, impulsionado não apenas pela demanda clínica, mas também pelo interesse estético e comportamental.

Para a farmacêutica Fabíola Faleiros, especialista em farmácia de manipulação e à frente da La Pharma, da Unna Pharma e de um braço em desenvolvimento no segmento veterinário, o foco exclusivo na perda de peso tem gerado uma nova onda de insatisfação.

“Hoje a gente começa a ver pacientes que emagreceram, mas não estão satisfeitos com o resultado como um todo. A balança muda, mas o corpo nem sempre acompanha da forma que a pessoa esperava”, afirma.

Segundo ela, o problema não está apenas no emagrecimento, mas na forma como o processo é conduzido.

“Quando a perda de peso acontece de forma rápida, sem estratégia de manutenção, começam a aparecer efeitos como flacidez, perda de tônus, alteração na qualidade da pele e até impacto na autoestima.”


O que vem depois do emagrecimento

Com o aumento do uso dessas medicações, cresce também a procura por estratégias que ajudem na manutenção do resultado.

Entre elas, os peptídeos manipulados vêm ganhando espaço como parte de protocolos complementares, voltados à modulação metabólica e ao suporte do organismo após o emagrecimento.

Fabíola reforça que é importante ajustar expectativas.

“Os peptídeos não têm o mesmo mecanismo das canetas e não devem ser tratados como substitutos. Eles não atuam via corrente sanguínea da mesma forma. O papel deles é complementar, dentro de uma estratégia bem indicada.”

Na prática, o interesse por essas soluções acompanha uma mudança no comportamento do paciente.

“Antes, a preocupação era emagrecer. Agora, a pergunta mudou: como manter esse resultado sem comprometer a saúde e a qualidade do corpo?”


Colágeno entra como aliado da manutenção

Outro ativo que volta ao centro da discussão é o colágeno.

Antes associado apenas à estética, ele passa a ser incorporado como suporte durante o processo de emagrecimento, especialmente em casos de perda de peso mais significativa.

“Quando o emagrecimento é mais intenso, a pele sente esse processo. O colágeno pode ajudar na firmeza e na qualidade da pele durante essa fase”, explica.

Segundo a especialista, isso também impacta diretamente na percepção de resultado.

“Muitas pessoas emagrecem, mas não se sentem bem com o reflexo no espelho. E isso está muito ligado à forma como esse processo foi conduzido.”


Um mercado mais maduro e menos imediatista

Para profissionais da área, o crescimento do setor deve trazer uma mudança importante: o fim da lógica do atalho.

A tendência é que o emagrecimento passe a ser tratado como um processo contínuo, com mais acompanhamento e estratégias combinadas.

“O emagrecimento não pode ser visto como um ponto final. Ele é só uma etapa. O desafio agora é manter esse resultado com qualidade”, finaliza Fabíola.


Como proteger a saúde respiratória e imunológica diante da amplitude térmica e tempo seco?


A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) alerta que os períodos com amplitude térmica acentuada, comuns durante o Outono, quando podemos ter madrugadas em torno de 12–13 °C e tardes chegando a 26–30 °C. Associados a tempo seco, o risco de exacerbações de asma e rinite aumentam, além de favorecerem infecções de vias aéreas superiores. A alternância rápida entre frio e calor estressa a mucosa respiratória, reduz a eficiência das suas defesas naturais e potencializa a ação de vírus, alérgenos e poluentes. 

“Do ponto de vista biológico, inspirar ar mais frio e seco resseca o muco e diminui o batimento ciliar, mecanismo responsável por “varrer” partículas e microrganismos. Essa combinação enfraquece a barreira das vias aéreas, podendo desencadear broncoespasmo em pessoas com asma e piorar sintomas nasais em quem tem rinite. Além disso, alguns vírus respiratórios, como o rinovírus, replicam-se com mais facilidade em temperaturas nasais mais baixas — situação comum em amanheceres frios”, explica Dra. Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da ASBAI. 

A especialista conta ainda que os efeitos tendem a ser mais pronunciados em crianças, adolescentes, idosos e pessoas com doenças respiratórias (asma, rinite, sinusites de repetição). “A baixa umidade relativa do ar piora sintomas de nariz, garganta, olhos e pele, e está ligada a mais atendimentos por agravamento de quadros respiratórios. Em épocas com umidade muito baixa, a orientação é seguir os avisos das autoridades locais (INMET/Defesas Civis) e reforçar cuidados ambientais e de saúde”, orienta Dra. Fátima Fernandes. 

A ASBAI recomenda medidas simples e eficazes para reduzir riscos: proteção do trato respiratório nas horas mais frias, hidratação e higiene nasal com soro fisiológico, manejo adequado do ambiente interno (umidade moderada, ventilação e limpeza) e adesão às medicações de controle nos pacientes com asma e rinite, conforme prescrição médica. Em caso de sinais de alarme — falta de ar em repouso, chiado persistente, febre alta, dor torácica ou queda importante do pico de fluxo — a pessoa deve procurar atendimento médico imediato. 

Abaixo, a presidente da ASBAI orienta sobre alguns cuidados em dias de amplitude térmica e tempo seco: 

·         Vista-se em camadas. Nas manhãs frias, use máscara ou cachecol cobrindo nariz e boca; respire pelo nariz para aquecer/umidificar o ar.

·         Em casa, lavagem nasal com soro fisiológico de 1 a 2 vezes por dia

·         Evite exercícios intensos ao ar livre nas horas mais frias/secas. Prefira períodos de umidade e temperatura mais amenas ou ambientes internos bem ventilados.

·         Ventile, limpe superfícies e reduza poeira do ambiente; evite mofo. Mantenha distância de fumaça, incenso e sprays irritantes.

·         Quem tem asma ou rinite deve manter medicamentos de controle e plano de ação ajustados; revisar técnica de inaladores. Tenha o resgate por perto conforme orientação médica.

·         Acompanhe boletins de umidade e qualidade do ar (INMET/Defesa Civil/órgãos estaduais):

- 21–30%: atenção

- 12–20%: alerta

- < 12%: emergência

·         Sintomas de falta de ar, chiado persistente, cansaço desproporcional, febre alta ou piora rápida dos sintomas, procure atendimento médico.

 

ASBAI - Associação Brasileira de Alergia e Imunologia
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