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quinta-feira, 26 de março de 2026

Caminhos para a Saúde: Estações Campo Limpo e Itapevi recebem vacinação contra gripe e testes rápidos de ISTs

 Vacinação na estação da ViaMobilidade
Clientes e moradores do entorno das linhas 5-Lilás e 8-Diamante terão acesso à vacina da gripe, testes de ISTs e retirada de PrEP e PEP  

 

Como parte do compromisso de levar serviços essenciais à rotina dos clientes, a ViaMobilidade, concessionária da plataforma de Trilhos da Motiva, promove duas ações de saúde nos dias 27 e 28 de março. Na sexta-feira (27), a estação Campo Limpo, da Linha 5-Lilás, recebe uma ação de testagem e aconselhamento sobre infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), com oferta gratuita de PrEP e PEP. Já no sábado (28), a estação Itapevi, da Linha 8-Diamante, será ponto de imunização contra a influenza. 

As duas ações contam com o apoio do Instituto Motiva, por meio do Programa Caminhos para a Saúde, e são realizadas em parceria com as secretarias municipais de saúde. 

Na sexta-feira (27), em Campo Limpo, a ação será das 8h às 12h e oferecerá testes rápidos de HIV, sífilis e hepatites B e C, com atendimento sigiloso e em conformidade com os protocolos do Ministério da Saúde. Também serão distribuídos preservativos, além de gel lubrificante, e o público poderá retirar PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) e PEP (Profilaxia Pós-Exposição), conforme avaliação da equipe de saúde. Na primeira edição, realizada em fevereiro na estação Capão Redondo, foram contabilizadas mais de 280 testagens e a distribuição de 11.560 preservativos. 

No sábado (28), a estação Itapevi será ponto de vacinação contra a influenza, popularmente conhecida como gripe. Profissionais da Secretaria Municipal de Saúde estarão no local, das 8h às 15h, para aplicar as doses e orientar o público. A imunização é fundamental para reduzir o risco de agravamento da doença e prevenir complicações, especialmente entre os grupos mais vulneráveis. Na edição anterior, realizada em janeiro, mais de 450 pessoas foram vacinadas. 

Os resultados que têm sido alcançados com as ações reforçam o sucesso do compromisso da ViaMobilidade em Oferecer serviços de saúde nas estações. O objetivo da concessionária é ampliar o acesso ao diagnóstico e à informação no dia a dia dos passageiros, transformando a mobilidade urbana em um espaço de cuidado, prevenção e promoção da cidadania.
 

Serviço

Testagem e aconselhamento sobre ISTs

Onde: Estação Campo Limpo (Linha 5-Lilás)
Data: sexta-feira, 27 de março
Horário: das 8h às 12h
 

Vacinação contra influenza – Estação Itapevi (Linha 8-Diamante)

Local: Estação Itapevi – Linha 8-Diamante
Data: sábado, 28 de março
Horário: das 8h às 15h

 

Câncer de colo do útero: 4 sinais de atenção que não devem ser ignorado

No Dia Mundial da Prevenção do Câncer de Colo do Útero, um alerta: mulheres que desejam engravidar devem procurar um especialista em medicina reprodutiva antes de iniciar o tratamento oncológico para avaliar a possibilidade de congelamento de óvulos



O dia 26 de março marca o Dia Mundial da Prevenção do Câncer de Colo do Útero, data que integra a campanha Março Lilás e chama atenção para um tumor que ainda está entre os mais frequentes no Brasil, apesar de ser altamente prevenível por meio da vacinação contra HPV. 

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), esta é a terceira neoplasia mais incidente entre as mulheres, atrás dos tumores de mama (30,0%) e de cólon e reto (10,5%), com número estimado, para o triênio de 2026 a 2028, de 19.310 casos novos por ano, acometendo 17,8 a cada 100 mil mulheres. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o câncer do colo do útero é o quarto câncer mais comum em mulheres no mundo, com cerca de 660 mil diagnósticos anuais. 

Mulheres que desejam engravidar devem procurar um especialista em medicina reprodutiva antes de iniciar o tratamento oncológico, que pode afetar a reserva ovariana e o endométrio, especialmente se houver indicação de radioterapia, e comprometer a fertilidade. “Quando o diagnóstico é feito em fase inicial e há condições para planejamento reprodutivo, estimulamos os ovários da paciente para coletar seus óvulos e congelá-los. Após a cura do câncer, esses óvulos podem ser fertilizados in vitro, permitindo a gravidez mesmo que a reserva ovariana tenha sido comprometida.

Durante o planejamento, é essencial a conversa com o oncologista que acompanha esta mulher, com o objetivo de fornecer as melhores opções em busca de chances de uma gestação no futuro”, explica Dra. Larissa Matsumoto, ginecologista especializada em Reprodução Humana da Clínica VidaBemVinda (SP), que integra o Fertgroup – maior grupo de reprodução assistida do país. 

A especialista destaca que o câncer de colo de útero apresenta alto potencial de cura quando detectado precocemente. “É muito importante fazer acompanhamento ginecológico regular, vacinação contra o HPV e prestar atenção aos sinais e sintomas da doença”, alerta Dra. Larissa. Conheça os principais:
 

1. Sangramento fora do período menstrual


Sangrar após relação sexual, entre ciclos ou depois da menopausa pode ser um dos primeiros sinais da doença. Nos estágios mais avançados, aparecem dores pélvicas contínuas

 

2. Secreção vaginal diferente do habitual

Corrimento com odor forte, coloração amarelada, escurecida ou com presença de sangue fora da menstruação

 

3. Dor durante a relação sexual

Desconforto ou dor profunda podem estar relacionados ao tumor, que causa inflamação e sensibilidade no colo do útero


4. Cólicas persistentes

Dor na parte inferior do abdômen, sensação de pressão ou desconforto contínuo na pelve, que não estejam relacionados apenas ao período menstrual

A definição do melhor tratamento para o câncer de colo de útero depende de fatores como o estágio do tumor, idade e o estado geral de saúde da paciente. As principais opções são cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapia-alvo e imunoterapia, que podem ser realizadas de forma isolada ou combinadas.


Erro de diagnóstico pode atrasar em até uma década o tratamento do transtorno bipolar

Com sintomas que se confundem com depressão, transtorno ainda desafia a prática clínica e mantém pacientes por anos sem tratamento adequado

 

Levar até uma década para receber o diagnóstico correto não é exceção, mas uma realidade frequente para pessoas com transtorno bipolar, condição caracterizada por alterações cíclicas de humor que alternam episódios de depressão e de elevação do humor, como mania ou hipomania. O dado, recorrente em estudos internacionais, expõe uma fragilidade relevante no cuidado em saúde mental: a dificuldade de identificar precocemente uma condição que exige manejo específico e acompanhamento contínuo.

O tema ganha ainda mais visibilidade neste Dia Mundial do Transtorno Bipolar, celebrado em 30 de março, em meio a relatos recentes como o da Selena Gomez, que tornou público o histórico de diagnósticos incorretos antes de compreender sua condição. Para especialistas, casos como esse ajudam a ilustrar um problema estrutural, que vai além da experiência individual e aponta para lacunas na avaliação clínica.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 37 milhões de pessoas vivem com transtorno bipolar no mundo, o equivalente a aproximadamente 0,5% da população. Ainda assim, o número pode ser subestimado, especialmente em função de subdiagnóstico e da sobreposição com outros transtornos mentais ao longo da trajetória assistencial.


Diagnóstico tardio ainda é regra, não exceção

Um dos principais entraves está no fato de que o transtorno bipolar frequentemente se manifesta, inicialmente, por episódios depressivos. Sem uma investigação mais aprofundada, esses quadros tendem a ser classificados como depressão unipolar, o que direciona o paciente para abordagens terapêuticas que não contemplam a dinâmica cíclica da doença.

De acordo com Dr. Edson Kruger Batista, psiquiatra da ViV Saúde Mental e Emocional, esse desencontro diagnóstico tem impacto direto na evolução clínica. “Quando a bipolaridade não é identificada precocemente, o paciente pode permanecer por anos em tratamentos pouco efetivos. Isso prolonga o sofrimento e pode contribuir para a piora do curso da doença ao longo do tempo”, explica.

Durante esse intervalo, há prejuízos significativos no funcionamento social, ocupacional e nas relações interpessoais, além de maior risco de agravamento dos episódios.


Heterogeneidade clínica exige olhar especializado

Outro fator que contribui para o subdiagnóstico é a própria complexidade do transtorno. Nem todos os pacientes apresentam episódios claros de mania, o que dificulta a identificação fora de contextos especializados. Quadros de hipomania, por exemplo, podem ser interpretados como períodos de maior energia, produtividade ou bem-estar.

Além disso, a bipolaridade abrange diferentes apresentações clínicas, como os tipos I e II, além de manifestações dentro do espectro bipolar. Essa variabilidade exige avaliação longitudinal e escuta clínica qualificada.

“O diagnóstico não se baseia em um episódio isolado, mas na análise da trajetória do paciente ao longo do tempo. Sem essa reconstrução, aumenta o risco de confusão com outros transtornos, como depressão ou ansiedade”, destaca Batista.


Impacto ampliado e barreiras no acesso ao cuidado

Mesmo com impacto expressivo em saúde pública, o transtorno bipolar ainda enfrenta barreiras relacionadas ao estigma, à desinformação e ao acesso a serviços especializados. Esses fatores contribuem para que uma parcela significativa dos pacientes não receba tratamento adequado ou sequer tenha um diagnóstico estabelecido.

A consequência é um ciclo de instabilidade clínica, com impactos diretos na qualidade de vida, na produtividade e na manutenção de vínculos sociais.


Qualificação do diagnóstico como ponto central do cuidado

Diante desse cenário, especialistas reforçam que a qualificação do diagnóstico é uma das estratégias mais relevantes para melhorar os desfechos clínicos. Isso passa por ampliar o acesso a profissionais especializados, aprimorar a escuta clínica e fortalecer a disseminação de informação confiável sobre saúde mental.

O tratamento do transtorno bipolar envolve abordagem contínua, com associação entre medicação, psicoterapia e monitoramento ao longo do tempo. Quando corretamente conduzido, é possível alcançar estabilidade e preservar a funcionalidade do paciente.

“O principal ganho está em reduzir o tempo até o diagnóstico correto. Esse é o ponto de inflexão que muda a trajetória do paciente”, conclui o especialista.

Neste Dia Mundial do Transtorno Bipolar, o debate avança para além da conscientização: trata-se de enfrentar um desafio estrutural da prática clínica e ampliar a capacidade de identificar precocemente uma condição ainda frequentemente subdiagnosticada.

 

ViV Saúde Mental e Emocional


Sangramento nasal na infância pode ter origem além do ressecamento

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Especialista explica causas mais comuns, relação com alterações no nariz e quando a situação merece investigação 


A cena é comum em muitas casas: a criança começa a respirar pela boca, reclama de “nariz entupido” com frequência ou apresenta pequenos episódios de sangramento nasal ao longo da semana. Embora esses sinais muitas vezes sejam encarados como passageiros, eles podem indicar alterações que merecem atenção dos pais, como o desvio de septo ou condições associadas que favorecem o ressecamento da mucosa e aumentam o risco de sangramentos. 

“O septo nasal é uma estrutura formada em parte por osso e outra por cartilagem e que divide a cavidade nasal em dois lados: esquerdo e direito”, explica a Dra. Letícia Pina, otorrinolaringologista do Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE). Segundo a especialista, alterações nessa região podem interferir diretamente na passagem de ar pelas narinas. 

Entre os sinais mais percebidos na infância, a médica destaca a dificuldade para respirar adequadamente. “A obstrução nasal é o principal sintoma do desvio de septo e, nesse caso, é mais comum que ela tenha um lado específico, coincidindo com o lado do desvio”, afirma. 

A condição não está necessariamente ligada a uma faixa etária específica. “O desvio já pode estar presente desde o nascimento, se acentuando durante o desenvolvimento da face, ou pode ser decorrente de algum trauma. A presença de sintomas, bem como o grau e a localização, são fatores que devem ser avaliados”, esclarece. 

Apesar de ser uma alteração estrutural, a cirurgia nem sempre é a primeira escolha, principalmente entre os pequenos. “A correção cirúrgica deve ser evitada na infância, pois a face ainda está em desenvolvimento. Em situações com maior repercussão clínica, pode ser considerada uma abordagem conservadora, preservando ao máximo a estrutura do septo”, pontua. 

Quando o assunto é sangramento nasal, a especialista ressalta que as causas mais frequentes são variadas. “A maior parte dos episódios está relacionada à rinite alérgica, infecções respiratórias, ressecamento, hábito de manipular o nariz e à presença de pequenos vasos dilatados na região anterior do septo”, diz. Ela acrescenta que alterações estruturais também podem contribuir: “Quando existe desvio, essa área pode ficar mais exposta ao fluxo de ar, favorecendo o sangramento”. 

Na maior parte das vezes, os episódios são leves. “Sangramentos de pequeno volume e esporádicos são comuns, especialmente em crianças com rinite descompensada ou que têm o hábito de cutucar o nariz”, explica. Ainda assim, a avaliação especializada é indispensável. “Todos os casos devem ser investigados para um diagnóstico adequado e afastar outras condições importantes. A presença de hematomas frequentes ou sangramentos em outros locais acende um sinal de alerta”, reforça. 

Durante os episódios em casa, algumas medidas simples costumam ser eficazes. “A compressão da narina afetada por cinco a dez minutos geralmente é suficiente para interromper o sangramento. A aplicação de gelo envolto em tecido também pode ajudar”, orienta. Ela destaca ainda a importância da postura: “A criança deve manter a cabeça ereta. Não é necessário inclinar para frente ou para trás. Evitar assoar, coçar ou manipular o local é fundamental”. 

Alguns sinais, no entanto, exigem atenção imediata. “Sangramentos que não cessam com compressão, que apresentam grande volume ou vêm acompanhados de fraqueza, palidez, tontura, sonolência, dificuldade respiratória ou histórico de trauma na face precisam de avaliação médica urgente”, alerta. 

Na consulta, a investigação é feita de forma detalhada. “O exame físico inclui a inspeção do septo por meio da rinoscopia anterior. Em alguns casos, utilizamos a videoendoscopia nasal para avaliar regiões mais posteriores. Exames laboratoriais também podem ser solicitados com o objetivo de analisar a coagulação”, explica a especialista. 

Para reduzir a ocorrência desses episódios, hábitos simples fazem diferença na rotina. “O controle da rinite alérgica, a lavagem nasal com soro fisiológico e o uso de hidratantes ajudam a manter a mucosa saudável, principalmente em períodos secos ou durante infecções respiratórias”, orienta. A médica finaliza com um alerta prático: “Evitar ambientes com ar muito seco, como ventiladores fortes e ar-condicionado, além de orientar a criança a não remover crostas ou cutucar o nariz, são medidas importantes na prevenção”.


CFM publica resolução inédita sobre uso de Inteligência Artificial na medicina: instituições têm até agosto para adequação

Para especialista da Tripla, medida reforça que a tecnologia deve servir de suporte, e não substituir o médico


No último dia 05 de março, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou a Resolução n° 2.454/2026, que estabelece os critérios para pesquisa, desenvolvimento e uso da Inteligência Artificial na medicina brasileira. Hospitais e demais organizações ligadas à saúde têm 180 dias, contando a partir da data da publicação, para se adequar às novas exigências de governança, transparência e segurança – o prazo se encerra em agosto.

Segundo dados da pesquisa TIC Saúde 2024, 17% dos médicos brasileiros já utilizam IA generativa em sua rotina. Além disso, 79% dos profissionais da área na América Latina a consideram uma aliada, revela um levantamento da Medscape; esse números mostram que se trata de uma realidade consolidada, e não apenas de uma tendência futura.

A medida encerra um “vácuo regulatório” no uso da tecnologia dentro da medicina, e muda o status das IAs de “inovação” para “infraestrutura crítica” dentro da saúde. É o que defende João Saldanha, Advisor de Governança, Riscos e Compliance da Tripla, empresa de cibersegurança, tecnologia e compliance. “O princípio central da resolução, em caráter humanista, é claro: a IA pode apoiar e dar suporte, mas jamais substituir a decisão de um médico, que permanece como responsável final pelas decisões clínicas.”

A norma também introduz um sistema de classificação de risco para as aplicações de IA na saúde, inspirado em frameworks internacionais. As categorias vão de baixo risco, como funções administrativas, até risco inaceitável, como em casos que violem direitos fundamentais do ser humano, ou princípios éticos da medicina. “Esse termômetro é fundamental para que as instituições entendam onde suas soluções podem se encaixar, e qual nível de governança será exigido. Não basta usar a IA, é necessário entender também o impacto real que ela terá sobre os pacientes e profissionais”, afirma Saldanha.

Outro ponto de destaque é a exigência de criação de Comissões de IA e Telemedicina, subordinadas à diretoria técnica das instituições. Essas comissões deverão monitorar desempenho, mitigar vieses, garantir auditabilidade e assegurar que os sistemas respeitem princípios de privacidade desde a concepção. O especialista entende que a medida vai além de uma boa prática, servindo como uma obrigação regulatória; defende também que a governança algorítmica passará a ser tão importante quando a governança clínica.

A resolução também prevê que os médicos não serão responsabilizados por falhas exclusivas dos sistemas de IA, desde que fique comprovado o uso diligente e ético da ferramenta. Além disso, os pacientes passam a ter o direito de recusar o uso da tecnologia durante o seu cuidado, o que exigirá ajustes operacionais em ambientes altamente digitalizados, sem que haja interrupção do fluxo assistencial. “Isso cria uma nova dinâmica documental dentro das instituições: a rastreabilidade torna-se o escudo do profissional e da empresa”, explica Saldanha.

Por fim, o especialista afirma que, apesar da contínua transformação que a IA traz ao cuidado médico, a nova resolução é um passo concreto para responder a uma pergunta: como garantir que a medicina continue sendo, antes de tudo, uma prática humana?


Tireoide: 4 nutrientes que ajudam a regular hormônios e metabolismo

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Cansaço, queda de cabelo e alterações no peso podem estar ligados à glândula; especialista explica quais nutrientes ajudam no funcionamento da tireoide

 

Cansaço persistente, alterações no peso, queda de cabelo e mudanças de humor podem ser sinais de problemas na tireoide, uma glândula pequena, localizada na parte da frente do pescoço, mas responsável por regular o metabolismo e a produção de energia do organismo.

Estimativas da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) indicam que cerca de 15% da população brasileira acima dos 45 anos pode apresentar algum tipo de doença da tireoide

Segundo Ramon Marcelino, endocrinologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP), manter uma alimentação equilibrada pode ajudar no bom funcionamento da glândula.

“Alguns micronutrientes são fundamentais para que a tireoide consiga produzir e utilizar corretamente seus hormônios. Na maioria das vezes, uma alimentação equilibrada já fornece esses nutrientes nas quantidades adequadas”, explica.

A seguir, o especialista destaca quatro nutrientes importantes para a saúde da tireoide.


1. Iodo: participa diretamente da produção dos hormônios tireoidianos T3 e T4. Sem quantidades adequadas desse nutriente, a glândula não consegue produzir os hormônios responsáveis por regular o metabolismo.

Principais fontes:

  • sal iodado
  • peixes e frutos do mar
  • leite e derivados

A recomendação média para adultos é de 150 microgramas por dia. “Uma pequena quantidade de sal iodado na alimentação diária costuma ser suficiente para fornecer o nutriente”, orienta o endocrinologista.


2. Selênio: ajuda a ativar os hormônios da tireoide ao participar da conversão do T4 na forma ativa T3. O mineral também contribui para proteger a glândula contra danos oxidativos.

A recomendação diária é de cerca de 55 microgramas. A principal fonte alimentar é a castanha-do-pará. Em muitos casos, uma ou duas unidades por dia já fornecem a quantidade necessária.


3. Ferro: participa do funcionamento de uma enzima chamada tireoperoxidase, essencial para a produção dos hormônios tireoidianos. A deficiência desse nutriente pode prejudicar esse processo.

Fontes alimentares incluem:

  • carnes vermelhas
  • fígado
  • feijão e lentilha
  • vegetais verde-escuros

A ingestão recomendada é de 8 mg por dia para homens adultos e 18 mg para mulheres em idade fértil.


4. Zinco: participa da regulação hormonal e do funcionamento dos receptores dos hormônios da tireoide, além de contribuir para o equilíbrio do sistema imunológico.

Boas fontes incluem:

  • carnes
  • frutos do mar
  • castanhas e sementes
  • grãos integrais

A ingestão recomendada é de 8 mg para mulheres e 11 mg para homens.


Alterações na tireoide 

As alterações da tireoide podem ocorrer principalmente de duas formas: quando a glândula produz hormônios em quantidade insuficiente (hipotireoidismo) ou em excesso (hipertireoidismo).

“Também podem surgir nódulos na tireoide, que em alguns casos provocam aumento do volume do pescoço. No entanto, muitos deles não causam sintomas e acabam sendo descobertos apenas em exames de rotina”, alerta Ramon Marcelino.

Alguns sinais podem indicar alterações no funcionamento da glândula:

  • cansaço excessivo sem causa aparente
  • ganho ou perda de peso sem explicação
  • queda de cabelo ou pele muito seca
  • sensação frequente de frio ou calor excessivo
  • coração acelerado ou ansiedade persistente
  • dificuldade de concentração ou sonolência constante
  • aumento ou caroço na região do pescoço

Se esses sintomas persistirem, é importante procurar avaliação médica. Exames de sangue simples, como TSH, T4 livre e T3, geralmente são suficientes para iniciar a investigação.

“Quando identificadas precocemente, a grande maioria das alterações da tireoide tem tratamento eficaz e bom controle”, destaca o especialista.

 

Dr. Ramon Marcelino - referência em endocrinologia e medicina do estilo de vida. Atua no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) e integra o corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês. Em seu perfil no Instagram @dr.ramonmarcelino, compartilha conteúdos confiáveis sobre saúde, metabolismo e os avanços no tratamento da obesidade.


 

Apneia do sono, subdiagnosticada no Brasil, pode afetar também a visão

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Pesquisa revela que as sucessivas falhas na oxigenação provocadas pelo distúrbio podem levar à falência da córnea.


A Apneia Obstrutiva do Sono, frequentemente associada a doenças cardiovasculares e metabólica também tem efeitos sobre a saúde ocular. De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto,  diretor executivo do instituto Penido Burnier há evidências de que o distúrbio  predispõe ao afinamento da retina ao glaucoma. 

Pesquisa recém-publicada pela AAO (Academia Americana de Oftalmologia) conecta a saúde sistêmica à integridade da superfície ocula Freepik r. Realizada com 284 pacientes diagnosticados com apneia obstrutiva do sono (AOS) aponta o impacto do distúrbio sobre o limbo ocular, área em que se concentram células tronco responsáveis pela permanente regeneração da superfície da córnea. No final da pesquisa os participantes com apneia do sono grave apresentaram espessura significativamente menor no limbo do que os que tinha apneia moderada ou leve. 

O oftalmologista ressalta que a disfunção desse sistema pode comprometer a capacidade de recuperação da córnea e agravar sintomas como olho seco persistente, vermelhidão e oscilação visual.

Com prevalência estimada de até 30% da população adulta em diferentes graus, a apneia segue amplamente subdiagnosticada no País. O quadro é caracterizado por interrupções repetidas da respiração durante o sono, levando a episódios de hipóxia (falta de oxigênio) intermitente — condição associada a inflamação crônica e estresse oxidativo. 

Esse ambiente inflamatório pode afetar a superfície ocular e a estabilidade da córnea. Queiroz Neto esclarece que a córnea desestabilizada cria condições perfeitas para o desenvolvimento do ceratocone.  A doença é progressiva, afina Freepik e altera o formato da córnea, torna a visão distorcida e é a maior causa de transplante de córnea. 

Entre os primeiros sinais de alerta de que algo não vai bem com a córnea elenca:  visão embaçada, ardor, vermelhidão e sensibilidade à luz. Como esses sintomas são comuns, muitos pacientes não procuram por avaliação, mas desconforto nos olhos não é normal, pontua.

O oftalmologista também destaca que outro fator importante é não coçar os olhos, frequentemente associado ao desconforto ocular. Isso porque   fragiliza as fibras de colágeno da córnea, agravar o quadro, e pode levar ao transplante. Além disso, ressalta, o uso de CPAP — principal tratamento para apneia — pode causar ressecamento ocular se não estiver bem ajustado. 

A recomendação é procurar avaliação médica ao perceber sintomas persistentes e investigar tanto a qualidade do sono quanto a saúde dos olhos.

 

Páscoa: 5 fake news sobre chocolate e pele

Dermatologista explica por que o chocolate ganhou fama de causar espinhas e quais fatores realmente influenciam a acne 

 

Com a chegada da Páscoa, o consumo de chocolate aumenta significativamente e, junto com ele, voltam a circular diversas dúvidas (e também fake news) sobre os efeitos do alimento na pele. Uma das mais conhecidas é a ideia de que comer chocolate causa espinhas. 

De acordo com a dermatologista Dra. Paula Sian, essa relação direta entre chocolate e acne não é comprovada cientificamente. “O chocolate, isoladamente, não é o responsável pelo surgimento da acne. Muitas vezes o problema está na composição dos chocolates industrializados, que podem conter grandes quantidades de açúcar, gordura e leite em pó”.

Segundo a especialista, a acne é uma condição multifatorial, ou seja, envolve diversos fatores como predisposição genética, alterações hormonais, estresse, uso de determinados cosméticos e hábitos alimentares. Ainda assim, alguns mitos continuam sendo repetidos ano após ano, principalmente em períodos de maior consumo de chocolate. 

A seguir, a dermatologista esclarece 5 fake news comuns sobre chocolate e saúde da pele:

 

1.      Chocolate causa acne

Essa é uma das fake news mais populares. Não há evidência científica de que o chocolate, por si só, cause espinhas. O que pode influenciar a pele é o excesso de açúcar, gordura e laticínios presentes em muitos chocolates industrializados.

 

2.      Qualquer tipo de chocolate faz mal para a pele

Nem todo chocolate é igual. Chocolates com maior teor de cacau costumam ter menos açúcar e menos derivados do leite. Já os chocolates ao leite ou o chocolate branco geralmente contêm mais açúcar e leite em pó, o que pode favorecer processos inflamatórios em algumas pessoas.

 

3.      Comer chocolate dá espinha no dia seguinte

O surgimento de uma espinha não acontece de forma imediata após ingerir um alimento. A acne envolve processos hormonais e inflamatórios que levam tempo para se desenvolver. Muitas vezes, a percepção de relação direta com o chocolate ocorre por coincidência ou por consumo excessivo de alimentos ultraprocessados.

 

4.      Quem tem acne precisa cortar chocolate completamente

Para a maioria das pessoas, o consumo moderado de chocolate não é um problema. O que costuma fazer diferença é o equilíbrio da alimentação como um todo. Dietas ricas em açúcar e alimentos ultraprocessados podem contribuir para processos inflamatórios, o que pode agravar quadros de acne em pessoas predispostas.

 

5.      Existe dieta milagrosa para acabar com a acne

Outra fake news comum nas redes sociais é a promessa de dietas ou alimentos específicos capazes de eliminar a acne. Segundo a dermatologista, não existe solução única. “A saúde da pele depende de um conjunto de fatores que inclui genética, hormônios, alimentação equilibrada, controle do estresse e cuidados dermatológicos adequados”, afirma a especialista.

 Durante períodos como a Páscoa, o principal cuidado costuma ser evitar exageros. Grandes quantidades de açúcar e alimentos ultraprocessados consumidas em pouco tempo podem favorecer processos inflamatórios no organismo. “Mais importante do que demonizar um alimento específico é manter equilíbrio. Uma alimentação variada, bons hábitos de vida e acompanhamento dermatológico regular são fundamentais para a saúde da pele”, conclui a Dra. Paula Sian. 




Dra. Paula Sian - CRM: 111963-SP RQE Nº: 38348 – Dermatologista formada pela Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP), onde também fez residência em Clínica Médica e Dermatologia. Especializou-se em Farmacodermia e Dermatoses Imuno Ambientais na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e em Medicina Chinesa e Acupuntura na Associação Médica Brasileira de Acupuntura (AMBA). Desde 2011, Paula atende em seu consultório próprio com o viés em Dermatologia clínica, estética e cirúrgica, tanto para adultos como para crianças. Além disso, a especialista realizou serviços voluntários no ambulatório de alergias da UNIFESP, de 2013 a 2017. A médica também é escritora e acaba de lançar o “Um burnout para chamar de seu”, um livro que relata, pelo ponto de vista do paciente, como é conviver com o burnout.
https://www.instagram.com/pelecomalma/

 

Dia Mundial de Conscientização do Autismo destaca a importância da Nutrição no cuidado integra

No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, o Conselho Federal de Nutrição (CFN) destaca o papel essencial da Nutrição na promoção da saúde, qualidade de vida e bem-estar no cuidado às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).


Pessoas com TEA podem apresentar seletividade alimentar, dificuldades sensoriais e alterações gastrointestinais que impactam diretamente seu estado nutricional. Nesse contexto, o acompanhamento por nutricionistas é fundamental para garantir uma alimentação equilibrada, adequada às necessidades individuais e que respeite as particularidades de cada pessoa.

“A atuação do nutricionista é indispensável no cuidado às pessoas com autismo, especialmente diante dos desafios alimentares que muitas delas enfrentam. O profissional deve avaliar, planejar e orientar estratégias nutricionais que contribuam para o desenvolvimento, a saúde e a autonomia alimentar”, afirma Juliana Pizzol, conselheira do CFN.

Além disso, o CFN destaca que práticas alimentares baseadas em evidências científicas são essenciais, evitando restrições desnecessárias ou intervenções sem comprovação que possam comprometer o estado nutricional desses indivíduos.

“O acompanhamento nutricional deve ser individualizado e pautado na ciência, respeitando o contexto familiar, social e cultural da pessoa com TEA. A alimentação é parte fundamental do cuidado integral”, explica Pizzol.

Neste 2 de abril, o CFN reforça a importância da conscientização sobre o autismo e da valorização de profissionais que contribuem para uma vida mais saudável, inclusiva e com qualidade para todas as pessoas.

 

Mês das Mulheres

 

Sem política pública, cresce a pressão por acesso ao tratamento do lipedema no SUS e nos planos de saúde

 

Pacientes, especialistas e entidades ampliam mobilização por diagnóstico e tratamento, enquanto cartilha técnica tenta destravar o debate no sistema público e nos planos de saúde

 

Na ausência de políticas públicas no Brasil, o lipedema, doença crônica que afeta majoritariamente mulheres e provoca dor, inflamação e acúmulo desproporcional de gordura, começa a ganhar tração no debate sobre acesso à saúde. Estudos indicam que cerca de 10% das mulheres em todo o mundo podem ter a doença, muitas ainda sem diagnóstico. No Brasil, a ausência de protocolos clínicos estruturados no sistema público e a classificação controversa do tratamento cirúrgico pelos planos de saúde ampliam a lacuna assistencial. 

Esse cenário tem impulsionado uma mobilização crescente de pacientes, especialistas e organizações civis para mudar o enquadramento da doença no país. No campo legislativo, o PL 5582/2023 propõe a inclusão do lipedema no Sistema Único de Saúde, com garantia de diagnóstico, acesso a tratamentos, capacitação de profissionais e criação de protocolos clínicos: medidas consideradas estruturantes para organizar a linha de cuidado no país. Ainda em tramitação, o projeto reforça a pressão por reconhecimento da doença. 

À frente dessa articulação, o diretor do Instituto Lipedema Brasil, o Dr. Fábio Kamamoto, defende a criação de uma linha de cuidado no Sistema Único de Saúde e critérios objetivos para indicação cirúrgica. “Hoje há um volume expressivo de mulheres sem diagnóstico e sem acesso ao tratamento adequado. Sem política pública, o custo recai integralmente sobre a paciente, física e financeiramente”, afirma. 

No sistema privado, a pressão também cresce. No Brasil, ainda há alta taxa de negativas de cobertura, sob o argumento de caráter estético. Isso tem levado à judicialização e ao aumento de custos indiretos para o sistema.

 

Cartilha e mobilização - Como resposta, a sociedade civil tem se organizado. A ONG Movimento Lipedema lançou recentemente uma cartilha técnica voltada a gestores públicos e profissionais de saúde, com orientações que buscam padronizar condutas e apoiar a inclusão do tema em políticas públicas. A entidade também atua no acolhimento de pacientes e já ajudou – com auxílio da iniciativa privada - no tratamento cirúrgico gratuito de pacientes nos últimos anos. O texto está disponível de forma gratuita através do movimentolipedema.org ou das redes da @ongmovimentolipedema.

 

Brasil x Mundo - No exterior, países europeus vêm avançando na formalização de protocolos e, em alguns casos, na cobertura parcial do tratamento, especialmente quando há comprometimento funcional. A comparação reforça o descompasso brasileiro e amplia a pressão interna por mudanças regulatórias e assistenciais. 

Com o tema ganhando visibilidade, especialmente no contexto da saúde feminina e em pleno mês das mulheres, o país está diante de um momento de virada. A combinação de evidência científica, mobilização social e avanço de propostas como o PL 5582/2023 deve acelerar a inclusão do lipedema na agenda do SUS e da saúde suplementar nos próximos anos. “Temos uma oportunidade concreta de avançar, incluir o lipedema de forma estruturada e de reduzir custos futuros para todo o sistema de saúde”, finaliza o Dr. Kamamoto. 

 



Instituto Lipedema Brasil - primeiro centro de referência em lipedema no país, criado para compartilhar informações, fomentar pesquisa e mobilizar pacientes e profissionais de saúde. Fundado em 2021 pelo Dr. Fábio Kamamoto, atualmente possui três unidades — duas em São Paulo e uma em Salvador.


Vírus Oropouche já infectou mais de 5 milhões de pessoas no Brasil, sugere estud

O mosquito-pólvora, porvinha ou maruim (Culicoides paraensis),
 transmissor do Oropouche,  é três vezes menor que um
pernilongo comum, tamanho ideal para atravessar mosquiteiros
 (
imagem: Erik Jesus de Faria Santana/Wikimedia Commons)

Estimativa é que o número chegue a 9,4 milhões de casos em toda a região da América Latina e do Caribe desde os anos 1960, apontam artigos divulgados nesta terça-feira (24/03). Autores alertam que estratégias de combate ao vetor, o mosquito-pólvora, devem ser diferentes das usadas contra o Aedes

 

 O recente surto do vírus Oropouche, ocorrido em 2023, chamou atenção no Brasil e em outros países da América Latina não só pela magnitude (mais de 30 mil casos registrados no território nacional), mas também pela primeira morte confirmada no país causada pela doença e pela rápida disseminação para todos os Estados, deixando de se restringir à região amazônica. Diante desse cenário, no início do ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) também demonstrou preocupação e fez um apelo para acelerar o desenvolvimento de ferramentas de prevenção e controle contra esse patógeno, até então quase desconhecido.

Dois estudos publicados hoje (24/03) nas revistas Nature Medicine e Nature Health comprovaram que o impacto do vírus Oropouche é muito maior do que o retratado nos dados oficiais. Por meio de cálculos matemáticos, dados históricos e análise de sangue de hemocentros, os pesquisadores estimam que, desde 1960, o vírus já tenha infectado cerca de 9,4 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe. Só no Brasil, seriam aproximadamente 5,5 milhões de casos.

A doença, que provoca febre e sintomas semelhantes aos da dengue, pode evoluir para complicações graves, incluindo problemas neurológicos (meningite e meningoencefalite) e até microcefalia em casos de transmissão materno-fetal.

“Estamos diante de uma doença com magnitude muito maior do que se imaginava, o que requer mais atenção. Estimamos que um em cada mil diagnósticos da doença evolua para complicações graves, como doenças neurológicas, microcefalia, abortos e complicações hepáticas, o que eleva o nível de prioridade para saúde pública”, conta José Luiz Proença Módena, coordenador do Laboratório de Estudos de Vírus Emergentes (Leve) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coautor dos estudos, que contam com apoio da FAPESP.

O trabalho também teve financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos, da instituição filantrópica britânica Wellcome Trust e do Instituto Todos pela Saúde.


Manaus, epicentro da crise

Em Manaus (AM), a maior metrópole da região amazônica, estima-se que 300 mil pessoas tenham sido infectadas entre 2023 e 2024, quase 260 vezes mais que os casos confirmados. De acordo com os pesquisadores, a prevalência de anticorpos contra o vírus saltou de 11,4% em novembro de 2023 para 25,7% em novembro de 2024, indicando ampla disseminação da doença.

“A capital do Amazonas é uma cidade com mais de 2 milhões de habitantes e considerada a porta de entrada para a região amazônica. A subnotificação impressionante ocorreu por vários fatores, principalmente pelo fato de o vírus ter circulado silenciosamente antes de atingir as bordas do centro urbano, com muitos casos sendo assintomáticos ou leves, e sem diagnóstico”, conta William de Souza, professor da Universidade do Kentucky, nos Estados Unidos, que também assina o estudo.

Essa dinâmica ajuda a explicar a disseminação do vírus por todos os Estados brasileiros e países vizinhos, além de reforçar o cenário que motivou a OMS a emitir alerta internacional.

Já no caso de pacientes em regiões remotas da Amazônia, os pesquisadores destacam a dinâmica e a logística da região. “Pacientes em regiões remotas da Amazônia muitas vezes enfrentam tempos de viagem de mais de 24 horas para chegar a uma unidade de saúde. Isso significa que muitos casos provavelmente não foram diagnosticados, permitindo que o vírus circulasse silenciosamente até atingir a borda de um grande centro urbano”, afirma Souza.

Os pesquisadores detectaram que o vírus Oropouche está em circulação contínua, embora muitas vezes em níveis tão baixos que se tornam quase indetectáveis pelos sistemas de vigilância comuns. “No trabalho, identificamos duas grandes ondas de Oropouche na capital amazonense, uma na década de 1980 e a de 2023, que infectaram, cada uma, mais de 12% de sua população”, diz Módena.

A partir desse rastreamento, os pesquisadores também identificaram que indivíduos infectados na década de 1980 ainda eram capazes de neutralizar a linhagem viral recente. “Isso sugere uma proteção cruzada duradoura, capaz de orientar futuras estratégias de vacinação”, explica Souza.


Um vírus do mato

A reemergência do vírus Oropouche em 2023 confirmou sua expansão pelo país. O Estado do Espírito Santo apresentou a maior taxa acumulada, com 318 casos por 100 mil habitantes. Já a região Sudeste concentrou 57,9% das notificações, tornando-se o novo epicentro da doença.

Diferentemente de outras arboviroses mais conhecidas, ele é transmitido pelo mosquito-pólvora, porvinha ou maruim (Culicoides paraensis), o que faz com que a incidência da doença em áreas rurais seja 11 vezes maior do que nas cidades.

“Ao contrário do Aedes aegypti [mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya], que se reproduz em água parada, o maruim deposita seus ovos em solo úmido e rico em matéria orgânica. É um mosquito do mato, de áreas úmidas. Por isso, a predominância de casos em áreas rurais e não urbanas”, explica Souza.

“Historicamente, essa doença estava muito ligada a áreas com plantação de banana e cacau, mas ao estudar a ecologia do vírus identificamos que a questão não é a fruta em si, mas a condição ideal de solos úmidos e com bastante matéria orgânica. Altas temperaturas e chuvas também são condições propícias para a disseminação do maruim”, conta o pesquisador.

Os autores ressaltam que o caráter rural da doença impacta estratégias de políticas públicas. “O combate à doença se torna muito diferente das outras arboviroses transmitidas por mosquitos, que são mais urbanos. Estratégias como a fumigação [o fumacê] em praças e ruas asfaltadas são provavelmente pouco úteis contra o Oropouche. O maruim não vive nos ralos das casas, mas na umidade das áreas florestais e na vegetação periférica das cidades”, explica Souza.

Outra característica importante do maruim é que ele é três vezes menor que um pernilongo comum, tamanho ideal para atravessar mosquiteiros. Porém a razão por trás dessa reemergência agressiva não está apenas no clima, mas em uma nova recombinação viral (reassortment).

No trabalho, os pesquisadores também identificaram a emergência de uma nova linhagem viral, resultado de um processo de rearranjo ou reassortimento genético que ocorre quando dois vírus diferentes infectam uma mesma célula. Isso aumentou a capacidade de replicação e dificultou a neutralização por anticorpos de infecções anteriores, tornando o patógeno mais apto para novas expansões territoriais (leia mais em: agencia.fapesp.br/52394).

“A reemergência do Oropouche nos mostra que não podemos combater todas as arboviroses com a mesma receita, pois o maruim não segue as mesmas regras do Aedes. Isso torna a vigilância atual contra o vírus Oropouche insuficiente e subestima drasticamente a real dimensão da doença”, diz Módena.

Para ele, a vigilância precisa ir além das grandes cidades. “Embora a imunidade de longo prazo pareça existir para quem já foi infectado, a velocidade com que o vírus se expandiu por todos os Estados brasileiros mostra que o sistema de saúde precisa de novos sistemas de detecção, focados, inclusive, na vigilância distante dos grandes centros”, afirma.

Os pesquisadores ressaltam a necessidade de mudanças estruturais, como a adoção de estudos sorológicos contínuos, o uso de bancos de sangue como alerta precoce e a integração de ferramentas digitais e genômicas para acompanhar surtos e mutações. Também destacam a importância da descentralização dos testes laboratoriais e da criação de uma vigilância ativa e permanente, capaz de combinar dados ambientais, sorológicos e genômicos para antecipar riscos e orientar estratégias de vacinação.

O artigo Ecological and demographic drivers of Oropouche virus transmission pode ser lido em: nature.com/articles/s44360-026-00065-6.

O artigo Transmission dynamics of Oropouche virus in Latin America and the Caribbean pode ser lido em: nature.com/articles/s41591-026-04221-z.

 

Maria Fernanda Ziegler

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/virus-oropouche-ja-infectou-mais-de-5-milhoes-de-pessoas-no-brasil-sugere-estudo/57567

 

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