Pesquisar no Blog

terça-feira, 3 de novembro de 2026

Justiça sob comando oculto: quem está decidindo sobre a nossa liberdade?

Uma instrução escondida em uma petição pode tentar interferir na maneira como a inteligência artificial apresenta um processo ao juiz. Reportagem do Fantástico exibida em 1º de novembro expôs essa prática, com comandos dissimulados em documentos para favorecer argumentos e direcionar respostas de ferramentas utilizadas pelo Judiciário. O problema ultrapassa a conduta de quem apresenta uma peça adulterada: se uma informação invisível ao leitor pode influenciar a análise automatizada, quais garantias protegem a pessoa cujo patrimônio, reputação ou liberdade dependem dessa análise? 

De início, cumpre esclarecer que a identificação de uma tentativa de manipulação não comprova que uma decisão tenha sido efetivamente alterada. Essa distinção é indispensável para um debate responsável. Ainda assim, o risco merece atenção antes que produza uma injustiça irreparável, sobretudo quando a tecnologia passa a intermediar o contato do magistrado com os fatos, as provas e as razões apresentadas pelas partes. 

A técnica conhecida como prompt injection, ou injeção de comandos, procura fazer com que o sistema trate um conteúdo recebido para análise como uma instrução a ser obedecida. No ambiente judicial, a distorção é especialmente grave: um documento que deveria ser examinado criticamente tenta ditar os critérios de seu próprio exame. O argumento submetido ao contraditório cede espaço a uma orientação clandestina, cuja existência a parte contrária pode sequer perceber. 

No processo penal, essa possibilidade exige cautela redobrada. Imagine-se um resumo automatizado que destaque os elementos incriminadores, reduza as contradições dos depoimentos e omita uma circunstância favorável ao acusado. Ainda que o juiz conserve formalmente a palavra final, poderá iniciar a leitura sob uma perspectiva já deformada. A interferência não precisa escrever a condenação: pode começar pela escolha do que merece ser visto e do que será tratado como irrelevante. 

Insta asseverar que a aparência organizada de uma resposta não assegura a correção de seu conteúdo. O Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos, o NIST, reconhece que sistemas generativos podem apresentar informações falsas com segurança aparente e produzir justificativas ou referências igualmente incorretas. Transportado para o processo penal, esse risco permite compreender como uma narrativa convincente pode atribuir consistência a uma acusação que as provas não sustentam. 

E o que garante que essas ferramentas não reforcem vieses de confirmação? A pergunta é pertinente, desde que formulada com precisão: a máquina não precisa ter convicções pessoais para produzir respostas que confirmem as premissas de quem a utiliza. Um guia oficial do governo canadense (canada.ca ) alerta que os resultados da IA generativa podem reforçar as ideias prévias do usuário, especialmente quando as perguntas refletem suas crenças, e que a confiança excessiva na automação pode levar à preferência pela resposta do sistema mesmo diante de informações contrárias. 

Nesse contexto, pedir à ferramenta que identifique fundamentos para condenar já estabelece um ponto de partida distinto de solicitar o confronto entre a hipótese acusatória, as objeções defensivas e as lacunas probatórias. Se a conclusão estiver embutida na pergunta, existe o risco de a análise servir apenas para justificá-la. Por isso, não basta discutir qual programa foi utilizado; é necessário examinar também as instruções dadas, os documentos selecionados e as informações deixadas de fora. 

Quem assegura, então, que as teses da acusação não receberão atenção privilegiada? A resposta institucional precisa ir além da promessa de neutralidade. Deve permitir verificar se o sistema preserva divergências, identifica elementos favoráveis à defesa e distingue suspeitas de provas. A condição oficial de um documento não transforma seu conteúdo em verdade, assim como a extensão de uma denúncia não supre a insuficiência dos elementos que a sustentam. 

Não obstante, o debate seria incompleto se concentrasse toda a desconfiança nos escritórios de advocacia. Em notícia de 3 de setembro de 2026, o STJ informou ter identificado comando oculto em recurso assinado por procurador municipal, aplicando multa por litigância de má-fé de 10% sobre o valor da causa. O profissional alegou inserção acidental, explicação que o colegiado não acolheu. Trata-se de episódio concreto envolvendo a representação judicial de um município, suficiente para demonstrar que os controles não podem se limitar à advocacia privada. 

Esse registro não autoriza atribuir a mesma prática ao Ministério Público, nem sustenta uma acusação generalizada contra agentes públicos. Autoriza, contudo, uma pergunta incontornável: por que os documentos apresentados pelo Estado estariam dispensados das verificações exigidas dos demais participantes do processo? A invocação do interesse público não legitima manipulações, e a fiscalização deve alcançar qualquer origem documental, inclusive manifestações ministeriais, relatórios policiais e peças de órgãos administrativos. 

Sob o prisma constitucional, a questão envolve o direito de conhecer e contestar os fundamentos que podem restringir direitos. O artigo 93, inciso IX, da Constituição exige decisões fundamentadas, enquanto o artigo 155 do Código de Processo Penal vincula a formação do convencimento à prova produzida em contraditório judicial, vedando sua fundamentação exclusiva em elementos da investigação, ressalvadas as exceções legais. A análise automatizada não afasta essas exigências nem transforma seu resultado em prova. 

Todavia, como exercer uma defesa efetiva diante de uma seleção de informações que permanece desconhecida? Se um resumo contaminado omitir um depoimento relevante, a defesa poderá combater a conclusão sem conseguir identificar a origem da distorção. A meu ver, a preservação do contraditório exige que a participação material da ferramenta na análise seja verificável, com registros suficientes para reconstruir as entradas utilizadas, as instruções relevantes e os resultados aproveitados, observados os sigilos legalmente protegidos. 

Seria incorreto afirmar que o Judiciário utiliza essas tecnologias sem regulamentação. A Resolução CNJ nº 615/2025 prevê supervisão humana efetiva, prevenção de vieses e mecanismos de controle, além de classificar como de alto risco atividades como a valoração de provas e a interpretação de fatos como crimes. Em junho de 2026, o Conselho também aprovou orientações específicas para reduzir os riscos de comandos ocultos em arquivos processuais. Há, portanto, reconhecimento institucional do problema, cuja resposta precisa ser demonstrada na prática. 

A existência de regras, entretanto, não comprova que cada utilização concreta seja segura. Supervisão humana precisa significar leitura, confronto e capacidade real de rejeitar o resultado produzido. Quando o magistrado apenas ajusta a redação de uma minuta, sem verificar sua correspondência com os autos, a assinatura não corrige as omissões que permaneceram despercebidas. A responsabilidade de decidir exige condições materiais para exercer essa fiscalização, inclusive tempo e formação adequada. 

Cabe, assim, retomar a provocação: não está na hora de os humanos voltarem a exercer suas funções? No núcleo da atividade jurisdicional, a resposta deve ser afirmativa. Julgar exige assumir pessoalmente o exame das provas, enfrentar as objeções relevantes e justificar por que uma hipótese merece prevalecer. Ferramentas podem auxiliar tarefas documentais, mas a conveniência administrativa não pode determinar o grau de atenção dispensado à liberdade de alguém. 

Olvidar que os próprios seres humanos estão sujeitos a vieses também seria um erro. Por isso, a resposta exige combinar responsabilidade pessoal com garantias processuais, controle técnico e possibilidade de contestação. Onde não houver condições de verificar a integridade da análise automatizada, seu uso na valoração de provas e na formação de conclusões penais deve ser suspenso até que essas condições sejam demonstradas. 

A reportagem expõe uma vulnerabilidade que precisa ser enfrentada por todos os integrantes do sistema de Justiça. Quem insere comandos clandestinos deve ter sua responsabilidade apurada com as garantias devidas, e o Estado precisa responder pela segurança das ferramentas que incorpora ao julgamento. A liberdade não pode depender de uma instrução invisível, de um resumo incompleto ou da confiança apressada em uma resposta bem escrita. O cidadão tem direito a um juiz que conheça seu processo e assuma, de maneira efetiva, a responsabilidade de julgá-lo.

 

Marcelo Aith - advogado criminalista. Doutorando Estado de Derecho y Gobernanza Global pela Universidad de Salamanca - ESP. Mestre em Direito Penal pela PUC-SP. Latin Legum Magister (LL.M) em Direito Penal Econômico pelo Instituto Brasileiro de Ensino e Pesquisa – IDP. Especialista em Blanqueo de Capitales pela Universidad de Salamanca.


Internacionalização de franquias: vantagens, desafios e conselhos de quem levou o negócio para outro paí

Magnific
Expansão internacional amplia mercados e diversifica receitas, mas exige planejamento financeiro, adaptação cultural e parceiros locais preparados 

 

Expandir uma franquia para outro país pode ser uma oportunidade de diversificar receitas e ampliar a presença da marca. O movimento, no entanto, exige planejamento e conhecimento das particularidades de cada mercado, desde a legislação até os hábitos de consumo.

O franchising brasileiro tem avançado nessa direção. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Franchising (ABF), as redes nacionais somaram 4.194 operações no exterior em 2025, alta de 37% em relação ao ano anterior. Ao todo, 202 marcas brasileiras estavam presentes em 104 países.

Para Marco Lisboa, CEO e fundador da 3,2,1 GO!, rede de franquias especializada em experiências completas e planejamento de viagens, a internacionalização precisa ser tratada como uma decisão estratégica, e não apenas como uma oportunidade de crescimento.

“A primeira etapa é entender se o modelo de negócio faz sentido para o mercado que a empresa pretende alcançar. É preciso estudar a demanda, conhecer os concorrentes, avaliar a legislação e identificar parceiros que tenham capacidade de operar de acordo com os padrões da rede. Expandir sem essa preparação pode comprometer os resultados”, afirma.

A 3,2,1 GO! possui 130 franqueados, dos quais 19 estão no exterior, em países como Estados Unidos, Canadá e na Europa. No setor de turismo, a atuação internacional permite conectar diferentes públicos a destinos e experiências, mas também exige atenção às preferências culturais, aos fornecedores locais e às expectativas de atendimento.

“Comecei a internacionalizar a 3,2,1 GO! em 2024, porque enxerguei uma grande oportunidade de crescimento além do Brasil. Acredito no potencial do turismo internacional e quero levar nosso modelo de negócio para novos mercados, atendendo tanto brasileiros que viajam para o exterior quanto clientes locais. Meu objetivo é fortalecer a marca e mostrar que uma empresa brasileira pode conquistar o mundo”, explica Lisboa.

Entre as principais vantagens da expansão estão a diversificação geográfica, o acesso a novos consumidores e o fortalecimento da marca. Já os desafios envolvem custos tributários, variações cambiais, diferenças regulatórias e dificuldades de gestão à distância precisam entrar no planejamento.

“Um erro comum é acreditar que o que funciona no Brasil será reproduzido da mesma forma em outro país. A empresa precisa preservar a qualidade do serviço, mas adaptar sua atuação à realidade local. Escolher bem o franqueado e garantir treinamento e suporte são fatores fundamentais para construir uma operação sustentável”, diz Lisboa.

Antes de entrar em um novo mercado, a recomendação é avaliar a maturidade do modelo de negócio, projetar custos e receitas, buscar orientação jurídica e tributária local e começar de forma gradual, quando possível. A internacionalização pode ampliar o potencial de crescimento de uma rede, desde que seja acompanhada de processos bem definidos e metas realistas.

“Mais importante do que estar presente em vários países é conseguir construir operações saudáveis, com parceiros alinhados e clientes satisfeitos. Crescimento internacional precisa significar sustentabilidade no longo prazo”, conclui o executivo.

 

3, 2, 1 GO!

 

Débitos com os CRMVs poderão ser quitados com desconto de 100% em juros e multas

Refis 2026 do Sistema CFMV/CRMVs contempla débitos vencidos entre 2012 e 2024. Adesão será de 3 a 30 de novembro

 

Médicos-veterinários, zootecnistas e empresas com débitos nos Conselhos Regionais de Medicina Veterinária (CRMVs) poderão regularizar sua situação com condições especiais em novembro. O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) instituiu por meio da Resolução CFMV nº 1721/2026. o Programa de Recuperação Fiscal (Refis 2026), que prevê redução de 100% dos juros de mora e da multa de mora para débitos abrangidos pelo programa. 

A adesão poderá ser realizada de 3 a 30 de novembro de 2026, em meio eletrônico disponibilizado pelo Sistema CFMV/CRMVs. Os Conselhos Regionais também poderão oferecer atendimento presencial, a seu critério, com utilização dos sistemas eletrônicos oficiais. 

O benefício contempla débitos com vencimento original entre 2012 e 2024. O valor principal da dívida permanece devido, com atualização monetária pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
 

Quais débitos podem entrar no Refis? 

O programa contempla créditos tributários e não tributários, inclusive aqueles inscritos ou não em dívida ativa, protestados, registrados no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin), judicializados ou provenientes de parcelamentos anteriores rescindidos.

Débitos que estejam em parcelamentos vigentes não poderão ser renegociados pelo programa.

Outra condição é que a adesão deverá contemplar a totalidade dos débitos existentes perante o respectivo CRMV, não sendo possível selecionar apenas parte deles para regularização.
 

Pagamento à vista ou parcelado

Outra facilidade prevista é a ampliação das formas de pagamento. A quitação à vista poderá ser realizada por boleto bancário, Pix ou cartão de crédito. 

Também será possível parcelar o valor, nesse caso exclusivamente por cartão de crédito. Eventuais taxas, encargos ou custos cobrados pela administradora do cartão serão de responsabilidade do devedor.
 

Adesão e atualização cadastral

Durante o período do Refis, profissionais e empresas em situação cadastral inativa também poderão acessar o sistema para atualizar seus dados, consultar débitos e aderir ao programa. Nos casos de débitos inscritos em dívida ativa ou judicializados, haverá incidência de honorários advocatícios de 10% sobre o valor apurado após a aplicação dos benefícios do Refis. 

Quando houver protesto, os emolumentos necessários ao cancelamento deverão ser pagos diretamente ao cartório e não estarão sujeitos aos descontos do programa. Também poderão incidir custas judiciais, quando aplicáveis. 

A adesão deverá ser realizada entre 3 e 30 de novembro de 2026, pelos canais eletrônicos oficiais disponibilizados pelo Sistema CFMV/CRMVs. Os Conselhos Regionais também poderão oferecer atendimento presencial, a seu critério.
 

Serviço

Refis 2026 — Sistema CFMV/CRMVs

Período de adesão: 3 a 30 de novembro de 2026

Débitos abrangidos: vencimentos originais entre 2012 e 2024

Benefício: redução de 100% dos juros de mora e da multa de mora

Pagamento: boleto, Pix ou cartão de crédito à vista; parcelamento por cartão de crédito

Adesão: Siscad Web ou App cédula digital

 

 

 

 

 

Currículo internacional: como o modelo IB avalia o aprendizado e o desenvolvimento dos alunos


Modelo educacional suíço combina projetos práticos, avaliações contínuas e feedback para acompanhar competências que vão além das provas tradicionais

Para muitas famílias, o desempenho escolar é acompanhado principalmente por provas, notas e médias bimestrais. No International Baccalaureate (IB), porém, a avaliação vai além dos resultados acadêmicos: considera também como os estudantes constroem o conhecimento, aplicam o que aprenderam e desenvolvem habilidades ao longo do processo. O IB é um programa internacional criado na Suíça e adotado por escolas de diferentes países, inclusive no Brasil.  

Diferentemente do ensino médio tradicional, o IB combina a formação acadêmica regular com disciplinas ministradas em língua estrangeira, projetos de pesquisa e atividades voltadas ao engajamento social, valorizando competências como pensamento crítico, comunicação, investigação e colaboração. Ao final do percurso, os estudantes são submetidos a avaliações internacionais desenvolvidas pelo próprio IB, cujo diploma é reconhecido por universidades de diversos países e pode contribuir para processos seletivos no exterior, além de ser aceito por renomadas instituições de ensino superior brasileiras. No Brasil, cerca de 100 escolas adotam o programa.

 

Na Beacon School, escola internacional localizada na zona oeste de São Paulo, o programa é aplicado da Educação Infantil ao Ensino Médio. O processo de aprendizagem é orientado por objetivos e critérios previamente definidos. Eles norteiam o trabalho dos professores e ajudam os estudantes a compreenderem o que se espera de cada atividade. Comandos como “descrever”, “analisar” e “avaliar”, por exemplo, demandam diferentes níveis de elaboração e aplicação do conhecimento, indo além da memorização. “Os critérios deixam claro o que se espera do estudante e ajudam a mensurar não apenas o que ele sabe, mas como aplica e conecta o conhecimento”, explica Felipe Pregnolatto, coordenador do Middle Years Programme (MYP) da Beacon School.

 

Da teoria à prática


Projetos e atividades investigativas permitem observar habilidades que nem sempre ficam evidentes em provas tradicionais. Estudos do meio, feiras científicas, simulações da Organização das Nações Unidas (ONU) e produções audiovisuais colocam os estudantes diante de desafios que exigem pesquisa, criatividade e tomada de decisão.

 

Em uma proposta interdisciplinar sobre questões ambientais, por exemplo, os alunos podem coletar amostras de água em campo, analisar indicadores físicos e químicos em laboratório e elaborar soluções sustentáveis para uma comunidade. A atividade mobiliza conhecimentos de diferentes disciplinas e estimula competências como interpretação de dados, resolução de problemas e colaboração.

 

“Em atividades como essas, o aluno precisa investigar, interpretar informações, trabalhar com diferentes perspectivas e tomar decisões. São habilidades que dificilmente seriam avaliadas por uma única prova”, destaca Pregnolatto.

 

Avaliações e feedbacks ao longo do processo


O modelo combina avaliações formativas, realizadas durante o percurso de aprendizagem, e somativas, voltadas à verificação dos resultados alcançados ao final de uma etapa. Enquanto as primeiras ajudam a identificar avanços e dificuldades e orientam os próximos passos, as segundas permitem verificar o domínio dos critérios de aprendizagem estabelecidos. 

 

O feedback dos professores também ocupa um papel central nesse processo. Mais do que apontar acertos e erros, as devolutivas ajudam os estudantes a reconhecerem o que já desenvolveram e quais aspectos precisam aprimorar. Autoavaliações e definição de metas complementam esse acompanhamento, incentivando os alunos a identificarem desafios e assumir um papel ativo na própria aprendizagem. “A avaliação não termina com a entrega de um trabalho ou com uma nota. O feedback orienta os próximos passos e ajuda o estudante a entender como pode avançar”, afirma o coordenador.

 

O que muda para as famílias?


Para as famílias acostumadas a acompanharem o desempenho escolar principalmente por notas e médias, relatórios descritivos e critérios específicos oferecem uma visão mais ampla do desenvolvimento dos filhos. Em vez de observar apenas o resultado em determinada disciplina, é possível identificar, por exemplo, se o estudante demonstra facilidade em atividades investigativas, mas ainda precisa aprimorar a organização ou a comunicação de suas ideias.

 

Essa abordagem amplia o olhar sobre o aprendizado e permite acompanhar habilidades como trabalhar em equipe, argumentar com base em evidências, considerar diferentes perspectivas e propor soluções criativas. O objetivo é compreender o desenvolvimento integral do estudante, valorizando tanto os resultados alcançados quanto o processo de aprendizagem. “Avaliar no IB é mais do que avaliar resultados: é cultivar a curiosidade, a autonomia e a paixão por aprender ao longo de toda a vida”, resume Felipe Pregnolatto.


 Beacon School

www.beaconschool.com.br


Planejamento para o pós-vida: por que organizar a sucessão patrimonial é essencial para proteger a família

Especialista em longevidade e seguros, Marcos Eduardo Ferreira destaca a importância de antecipar decisões financeiras para reduzir burocracias e preservar o patrimônio familiar


 

O Dia de Finados (02/11) nos convidou à reflexão sobre a finitude da vida e a importância de cuidar de quem fica. Além do aspecto emocional, a perda de um familiar pode trazer desafios financeiros e burocráticos, especialmente quando não há um planejamento sucessório estruturado. Organizar o patrimônio, conhecer as possibilidades de proteção financeira e definir como os bens serão transmitidos são medidas que podem ajudar a reduzir conflitos e dificuldades para os familiares. 

O planejamento para o pós-vida envolve decisões que vão além da elaboração de um testamento. A organização de documentos, a identificação de bens, a análise das regras de herança e a avaliação de instrumentos de proteção financeira fazem parte desse processo. Entre as alternativas que podem ser consideradas, de acordo com a realidade de cada família, estão o planejamento sucessório, a previdência privada e os seguros de vida, observadas as características e condições de cada modalidade. 

“Planejar a sucessão é uma forma de cuidado não somente com você, mas com a família. Muitas pessoas adiam esse assunto por ser desconfortável falar sobre a própria ausência, mas antecipar decisões pode trazer mais clareza sobre o patrimônio, facilitar os procedimentos necessários e evitar que os familiares precisem resolver tudo em um momento de fragilidade emocional”, destaca Marcos Eduardo Ferreira, especialista em longevidade e seguros. 

Um ponto importante é compreender que sucessão patrimonial e proteção financeira são questões relacionadas, mas distintas. Enquanto o planejamento sucessório trata da organização e da transmissão dos bens, o seguro de vida pode oferecer proteção financeira aos beneficiários, conforme as condições da apólice. Conhecer as coberturas, manter os dados atualizados e verificar quem são os beneficiários indicados são etapas importantes para que a proteção contratada às necessidades previstas. 

Para Ferreira, a discussão também precisa considerar as mudanças demográficas e o aumento da longevidade. Com vidas mais longas, famílias que atravessam diferentes gerações e patrimônios construídos ao longo de décadas, o planejamento financeiro precisa considerar as necessidades de diferentes etapas da vida. A preparação antecipada permite avaliar possibilidades com mais tranquilidade e buscar orientação especializada para tomar decisões alinhadas com o objetivo de cada família. 

“Precisamos tratar o planejamento para o pós-vida de maneira mais natural, como fazemos com outras decisões importantes ao longo da vida. Não se trata apenas de pensar na transmissão de bens, mas de deixar informações organizadas, garantir que as pessoas próximas saibam onde encontrar os documentos necessários e avaliar como protegê-las financeiramente. Quanto antes essa conversa começar, maior é a possibilidade de tomar decisões conscientes e alinhadas aos objetivos da família”, afirma o especialista. 

Em um cenário no qual o planejamento sucessório ainda costuma ser adiado, ampliar o acesso à informação e buscar orientação especializada são passos importantes para lidar com o tema de forma mais consciente. A preparação não elimina todas as dificuldades, mas pode ajudar a tornar os procedimentos mais claros e reduzir a sobrecarga dos familiares em um momento delicado.


Marcos Eduardo Ferreira - Especialista em longevidade e seguros, é empreendedor e investidor anjo com mais de 30 anos de experiência no setor de seguros, tendo atuado como CEO da MAPFRE no Brasil e na América do Sul. Atualmente, é conselheiro da Stations Cloud e advisor da 180 Seguros, além de atuar como investidor, mentor e conselheiro consultivo de startups . É cofundador da Silver Hub, aceleradora de startups voltada ao mercado da longevidade. Possui formação executiva em Gestão Avançada de Empresas pela IESE Business School e em Silver Economy pela Fundação Getulio Vargas (FGV).


Vai viajar no feriadão de novembro? Conheça 5 destinos que revelam paisagens surpreendentes pelo mar

Divulgação
Ultraboats


De Angra dos Reis a Ilhabela, fabricante brasileira de embarcações de lazer cria roteiro que reúne praias, ilhas e paisagens paradisíacas para quem deseja aproveitar os feriados de novembro navegando pelo litoral da região Sudeste.
 

 

Que tal trocar as estradas pelo mar nos feriados de novembro? O mês terá duas oportunidades para prolongar o descanso: o Dia de Finados, em 2 de novembro, cairá em uma segunda-feira, enquanto o Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, será celebrado em uma sexta-feira. Para quem pretende emendar os dias de folga, o litoral da região Sudeste reúne ilhas paradisíacas, praias de águas cristalinas e paisagens cercadas pela Mata Atlântica. Do Rio de Janeiro a Angra dos Reis, passando por Paraty, Ilhabela e Guarujá, não faltam cenários para explorar de barco. Os destinos combinam natureza, gastronomia e atrações turísticas que ganham uma nova perspectiva quando descobertos pelo mar.

Para Allan Cechelero, diretor da Triton Yachts, fabricante brasileira de lanchas de lazer com revenda no Sudeste, a navegação é uma alternativa para quem deseja fugir dos roteiros turísticos tradicionais e até mesmo escapar do trânsito intenso nas estradas durante os feriados.

“O litoral do Sudeste oferece uma diversidade muito grande de experiências para quem gosta de navegar. É possível sair de uma região urbana, como o Rio de Janeiro, e encontrar ilhas, praias mais reservadas e paisagens naturais a poucas horas de distância. O barco permite conhecer esses destinos por outro ângulo e aproveitar o trajeto como parte da própria viagem. Para quem está planejando o feriado, o mais importante é escolher um roteiro compatível com a embarcação, acompanhar as condições do tempo e organizar os pontos de parada com antecedência”, afirma Cechelero.


Confira 5 dicas de destinos com paisagens surpreendentes:


Rio de Janeiro (RJ): a Cidade Maravilhosa vista do mar

Navegar pela Baía de Guanabara permite conhecer o Rio de Janeiro por outro ângulo, com vistas para o Pão de Açúcar, Niterói e a orla carioca. A Marina da Glória é um dos principais pontos de apoio para passeios que combinam paisagens famosas, gastronomia e atrações culturais da capital fluminense.


Angra dos Reis (RJ): um paraíso de ilhas e praias

Com centenas de ilhas e praias cercadas pela Mata Atlântica, Angra dos Reis é um dos principais destinos náuticos do país. Entre os atrativos estão a Ilha Grande, a Lagoa Azul e praias de águas transparentes, ideais para passeios e mergulhos. A Marina Verolme é uma das estruturas de apoio para quem deseja explorar a região de barco.


Paraty (RJ): história, ilhas e praias no mesmo roteiro

Paraty combina o charme do centro histórico com praias e ilhas que podem ser exploradas de barco. Entre os destaques estão a Praia da Lula, a Ilha Comprida e o Saco do Mamanguá, cercado por montanhas e Mata Atlântica. A Marina Porto Imperial é um dos pontos de apoio para quem pretende conciliar navegação, gastronomia e passeios culturais.


Ilhabela (SP): natureza e aventura no litoral paulista

Conhecida pelas praias, cachoeiras e áreas preservadas de Mata Atlântica, Ilhabela é um destino para quem busca contato com a natureza. Praias como Jabaquara, Fome e Castelhanos estão entre os atrativos para explorar durante o feriado. O Yacht Club de Ilhabela é uma das referências náuticas da região, que também oferece trilhas, restaurantes e passeios culturais.


Guarujá (SP): praias e passeios perto da capital

A curta distância da capital paulista, o Guarujá reúne praias conhecidas e cenários que podem ser explorados pelo mar. Entre os atrativos estão as praias do Éden e do Iporanga, além da região da Ilha dos Arvoredos. A Marina Guararu é uma das estruturas de apoio para embarcações, enquanto a cidade oferece opções de gastronomia e lazer para o feriadão.  


Triton Yachts
https://www.tritonboats.com.br/


IVA e o preço oculto da reforma tributária para as empresas

A reforma tributária brasileira promete simplificar o sistema de impostos sobre o consumo e reduzir distorções históricas. Mas o sucesso dessa transformação não dependerá apenas das novas regras de tributação. A alíquota do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), a disponibilidade dos créditos tributários e a eficiência na devolução desses valores serão determinantes para o impacto sobre a economia. Um sistema que arrecada com rapidez, mas demora a devolver o que é devido, pode transformar as empresas em financiadoras involuntárias do Estado. 

A projeção de uma alíquota conjunta próxima de 30% para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) acende um sinal de alerta. O percentual coloca o Brasil em um patamar elevado na comparação internacional e exige atenção aos efeitos sobre os preços, os investimentos e a competitividade. Mais do que discutir o tamanho da alíquota, porém, é necessário compreender como o novo modelo distribuirá seus custos entre os diferentes setores da economia. 

Empresas de um mesmo mercado poderão enfrentar realidades bastante distintas. Aquelas com acesso a crédito bancário mais barato terão melhores condições de suportar a espera pela restituição dos tributos. Já as que dependem do próprio fluxo de caixa para pagar salários, fornecedores e despesas operacionais terão menos margem para absorver atrasos. Essa diferença é particularmente relevante nos serviços intensivos em mão de obra, nos quais a folha de pagamento representa parcela expressiva dos custos e não gera créditos de IBS e CBS. 

A alíquota elevada também precisa ser analisada à luz das exceções previstas na legislação. Quando determinados setores recebem reduções ou tratamentos diferenciados, a manutenção da arrecadação pretendida tende a concentrar uma parcela maior da cobrança sobre as demais atividades. Benefícios fiscais podem ter justificativa econômica ou social, mas seus custos precisam ser transparentes. O Congresso deve avaliar o impacto acumulado de cada concessão e informar quem financiará a diferença. 

Isso não significa que uma alíquota próxima de 30% represente automaticamente um aumento equivalente nos preços. O novo sistema substituirá tributos existentes e permitirá o aproveitamento de créditos ao longo da cadeia produtiva. O resultado efetivo dependerá da tributação anterior, dos insumos utilizados, do enquadramento de cada atividade e da capacidade de repassar eventuais aumentos ao consumidor. Uma análise responsável precisa considerar essas variáveis, em vez de comparar apenas percentuais nominais. 

Os serviços vendidos diretamente ao consumidor final merecem atenção especial. Empresas que utilizam poucos insumos tributados e concentram seus custos na contratação de profissionais terão menor possibilidade de compensar o imposto pago nas operações. Caso a carga líquida aumente, poderão reduzir margens, reajustar preços ou adiar contratações. Se o consumidor não tiver condições de absorver os reajustes, o efeito poderá chegar à demanda, ao emprego e aos investimentos. 

A situação é diferente em setores como indústria, varejo e exportação, que podem se beneficiar de uma apropriação mais ampla de créditos e da redução da tributação acumulada ao longo da cadeia. Entretanto, essa vantagem depende de uma condição essencial: conseguir utilizar os créditos ou receber sua restituição em prazo adequado. Enquanto o dinheiro permanece retido, a empresa precisa recorrer a recursos próprios ou contratar empréstimos para manter suas atividades. 

É nesse ponto que o funcionamento do split payment ganha importância. O mecanismo prevê a separação do valor correspondente aos tributos no momento da liquidação financeira da operação, com o objetivo de reduzir a inadimplência e proteger a arrecadação. A medida pode trazer ganhos de eficiência ao sistema, mas também exige uma estrutura tecnológica confiável, conciliação precisa dos pagamentos e restituição rápida de eventuais valores recolhidos em excesso. 

Se a arrecadação ocorre imediatamente, mas a devolução dos créditos demora, o Estado passa a transferir às empresas o custo financeiro de sua própria operação. O problema não é apenas contábil. Uma empresa que aguarda meses para recuperar valores que lhe pertencem precisa financiar esse intervalo. O custo aparece nos juros, na redução da capacidade de investimento e, em última instância, nos preços cobrados dos consumidores. 

A Lei Complementar 214/2025 estabelece regras e prazos para os procedimentos de ressarcimento. O cumprimento dessas disposições precisa ser acompanhado com transparência. A divulgação periódica do tempo médio de devolução, dos valores pendentes e das principais causas de atraso permitiria identificar falhas e cobrar soluções. O direito ao crédito perde parte de seu valor econômico quando não pode ser exercido no momento em que a empresa necessita dele. 

A questão também envolve segurança jurídica e neutralidade tributária. A Constituição estabelece princípios de simplicidade, transparência e justiça tributária, além de orientar a redução da regressividade. Uma alíquota elevada, isoladamente, não caracteriza confisco ou inconstitucionalidade. Entretanto, restrições indevidas ao aproveitamento de créditos, descumprimento de prazos legais e tratamentos desiguais entre contribuintes exigem avaliação jurídica específica. A neutralidade não pode existir apenas no texto da legislação. Precisa ser percebida na realidade das operações econômicas. 

Os contratos de longo prazo representam outro desafio. Obras, locações e serviços continuados frequentemente são negociados com preços definidos antes de conhecidas todas as alíquotas aplicáveis nos anos seguintes. A transição tributária exige cláusulas de revisão capazes de considerar a carga efetiva, os créditos aproveitáveis e a distribuição dos custos entre contratantes. A simples aplicação da nova alíquota nominal sobre o preço contratado pode gerar distorções e conflitos. 

O poder público precisa oferecer informações claras para que empresas e investidores possam planejar suas decisões. Simulações de carga efetiva por setor e porte empresarial, dados sobre os prazos de ressarcimento e estimativas dos custos de cumprimento das obrigações tributárias são medidas fundamentais. Também é necessário avaliar se as exceções concedidas produzem os resultados econômicos e sociais que justificaram sua aprovação. 

A devolução de tributos às famílias de baixa renda, por meio do cashback, deve integrar essa avaliação. É importante comparar sua efetividade com a das desonerações gerais, que também podem beneficiar consumidores de maior renda. Da mesma forma, os ganhos de arrecadação esperados com o split payment precisam ser demonstrados por metodologias públicas e confrontados com os resultados efetivamente alcançados. 

A reforma tributária tem a oportunidade de corrigir distorções antigas e construir um ambiente de negócios mais simples e previsível. Mas não basta modernizar a forma de cobrar impostos. É indispensável garantir que os direitos dos contribuintes sejam respeitados e que os créditos tributários sejam devolvidos com eficiência. 

O Estado não pode exigir pontualidade absoluta no recolhimento e tratar a restituição como uma obrigação secundária. Quando uma empresa precisa contrair empréstimos para recuperar recursos que já são seus, o custo da arrecadação deixa de ser apenas público e passa a comprometer a atividade econômica. O verdadeiro sucesso da reforma dependerá também da capacidade de arrecadar sem transformar o setor produtivo em financiador involuntário da máquina estatal.

 

João Alberto Graça - advogado, doutor em Direito Tributário Europeu pela Universidad de Castilla-La Mancha, na Espanha, pós-graduado em Direito Tributário pelo IBET/SP e master em Políticas Públicas pelo IBMEC/DF. É sócio-fundador do Graça Advogados Associados.


Finanças começam em cas

Economista Noé Santiago, da ANIDEA, explica como hábitos do orçamento doméstico podem influenciar a gestão e o endividamento das empresas

 

Antes de aparecer no caixa da empresa, o descontrole financeiro pode dar sinais dentro de casa: compras sem planejamento, gastos pequenos ignorados, uso recorrente do cartão e empréstimos contratados sem comparação. A organização do orçamento familiar não se resume a cortar despesas. Ela ensina a definir prioridades, comparar preços, formar reservas e avaliar o custo de uma dívida, conhecimentos que também sustentam a administração de um negócio.

Para o economista Noé Santiago, da curitibana ANIDEA, o empreendedor dificilmente deixa seus hábitos financeiros pessoais do lado de fora quando abre a porta da empresa. “Quem não sabe quanto custa manter a própria casa provavelmente também terá dificuldade para identificar o custo real da empresa. A escala muda, os valores ficam maiores, mas o comportamento costuma ser o mesmo”, afirma.

Estar endividado não significa obrigatoriamente estar inadimplente. Financiamentos, compras parceladas e empréstimos representam compromissos que podem fazer parte do planejamento financeiro. O risco aparece quando as parcelas não cabem no orçamento ou quando o crédito é utilizado repetidamente para cobrir gastos recorrentes. “Os pequenos gastos têm um efeito silencioso. Isoladamente, parecem inofensivos, mas, quando se repetem, comprometem a capacidade de poupar e obrigam a família a recorrer ao crédito. Dentro de uma empresa, esse efeito pode ser ainda maior, porque entram folha de pagamento, fornecedores, impostos, estoque e capital de giro”, explica Santiago.

No ambiente empresarial, é comum que a atenção fique concentrada nas vendas. No entanto, faturar mais não resolve automaticamente problemas de margem, custos ou endividamento. Santiago compara a gestão financeira ao cotidiano de um comerciante: não basta saber vender, é preciso saber comprar. A mesma lógica se aplica ao crédito. “Crédito não deveria ser contratado apenas porque foi aprovado ou porque o dinheiro pode ser liberado rapidamente. É preciso saber para que ele será usado, quanto a empresa consegue pagar e se o retorno esperado justifica a dívida. Pedir dinheiro emprestado também exige planejamento”, observa.

O risco aumenta quando o empresário procura uma instituição financeira somente depois que o caixa já entrou em situação crítica. Com pouco tempo para negociar, ele pode aceitar a primeira proposta disponível, sem comparar taxas, prazos, garantias e o Custo Efetivo Total. “Assim como uma família precisa pesquisar antes de fazer uma compra importante, a empresa deve comparar antes de contratar crédito. A solução mais fácil nem sempre é a mais adequada, e uma taxa aparentemente menor pode esconder prazo curto, parcela alta ou condições incompatíveis com o fluxo de caixa”, afirma Santiago.

Entre os cuidados que podem começar em casa e seguir para o negócio estão separar despesas essenciais das adiáveis, registrar entradas e saídas, evitar comprometer toda a renda futura, criar uma reserva e comparar alternativas antes de comprar ou tomar crédito. Na empresa, também é fundamental manter as contas pessoais separadas das empresariais. “Economizar não é simplesmente escolher sempre o produto mais barato. É saber comprar, compreender o impacto daquela decisão no orçamento e preservar capacidade financeira para o futuro. Essa disciplina começa no mercado, na conta de energia e no cartão, mas depois aparece na forma como o empresário negocia com fornecedores, forma preços e contrata empréstimos”, diz.

A ANIDEA atua como correspondente bancário e realiza a intermediação de propostas junto a instituições financeiras autorizadas. Entre as modalidades trabalhadas está o crédito com garantia de imóvel, também conhecido como home equity. Nesse tipo de operação, o imóvel é oferecido como garantia, o que pode permitir prazos mais longos e condições diferentes das modalidades sem garantia. Em contrapartida, o patrimônio fica vinculado ao contrato e pode ser perdido em caso de inadimplência. “Não existe crédito bom ou ruim fora do contexto. Existe crédito adequado ou inadequado para determinada situação. Usar um imóvel para garantir uma operação é uma decisão relevante e precisa estar sustentada por planejamento, comparação e capacidade real de pagamento”, ressalta.

Para o economista, cuidar do dinheiro significa escolher melhor, inclusive quando é necessário pedir emprestado. A transparência das informações e a compreensão dos compromissos assumidos são fundamentais tanto no orçamento doméstico quanto na gestão empresarial. “Quando o assunto é crédito, transparência não é detalhe. O cliente precisa compreender o que está contratando, quanto vai pagar, quais são os riscos e quais alternativas possui. A decisão só é consciente quando a informação está clara”, conclui.

 


ANIDEA

Noé Santiago - Economista
@anidea.br
noe.santiago@anidea.com.br
www.anidea.com.br
Mal. Deodoro, 51, Sala 205B, Centro, Curitiba/PR.



Marcas agora disputam minutos e não apenas cliques

Live commerce ganha relevância no varejo digital ao transformar interação proximidade e permanência em fatores que influenciam a decisão de compra 

 

Mais da metade dos consumidores digitais brasileiros, 54%, comprou pelas redes sociais nos últimos 12 meses, enquanto 49% realizou alguma aquisição diretamente dentro dessas plataformas nos seis meses anteriores à pesquisa da CNDL e do SPC Brasil, divulgada em julho de 2026 em parceria com a Offerwise. Entre os motivos para utilizar esses canais, 29% citam a possibilidade de conversar e tirar dúvidas com o vendedor. Os números ajudam a mostrar por que, no live commerce, a disputa das marcas começa a ir além de alcançar o público e passa também pela capacidade de fazer o consumidor escolher permanecer.

Para Débora De Landa, empresária com mais de 26 anos de atuação no setor joalheiro e fundadora da Joias Kether, joalheria especializada em ouro 18 quilates com vendas por loja física, comércio eletrônico e transmissões ao vivo, o tempo dedicado espontaneamente a uma marca passou a ser um sinal relevante de interesse. A empresária conduz pessoalmente as apresentações da companhia e acompanha, na prática, uma jornada em que demonstração, conversa e venda acontecem simultaneamente.

“No live commerce, alguns minutos podem dizer muito mais do que milhares de visualizações rápidas. Quando o cliente permanece, pergunta, compara e quer entender melhor o produto, existe uma relação sendo construída. A atenção deixa de ser apenas audiência e começa a ganhar valor comercial”, afirma Débora.


Live commerce amplia a disputa pela atenção

A mudança ocorre enquanto as redes sociais deixam de atuar apenas na descoberta de produtos e avançam sobre a transação. Segundo a CNDL e o SPC Brasil, 64% dos consumidores pesquisam preços nas plataformas sociais antes de decidir uma compra. Comentários de outros clientes e fotografias dos produtos são consultados por 39% dos entrevistados em cada categoria.

Essa necessidade de pesquisar, comparar e esclarecer dúvidas abre espaço para formatos que mantenham a conversa por mais tempo. Na transmissão ao vivo, o consumidor pode acompanhar detalhes de um produto, solicitar informações e receber respostas enquanto avalia se deve comprar.

Para segmentos que trabalham com ticket mais elevado ou produtos cuja escolha exige conhecimento, essa permanência pode assumir um papel ainda mais importante.

“Uma joia não depende apenas de uma imagem bonita. O consumidor quer observar proporção, acabamento, entender a procedência e saber o que está comprando. Quanto maior o valor envolvido, maior costuma ser a necessidade de informação. A transmissão permite fazer esse processo diante do cliente”, explica Débora.

Na Kether, Débora transformou as transmissões ao vivo em uma extensão do atendimento ao cliente. Durante as apresentações, ela mostra as peças em diferentes ângulos, esclarece dúvidas sobre características e procedência e responde às perguntas que surgem em tempo real. Para a empresária, a possibilidade de acompanhar essa conversa antes de decidir reduz parte da insegurança comum à compra de uma joia pela internet e aproxima a experiência digital do atendimento presencial. “A cliente consegue perguntar na hora, observar melhor a peça e entender o que está comprando antes de tomar uma decisão. A live cria esse espaço de proximidade e deixa a compra mais consciente”, afirma.


Grandes plataformas começam a incorporar o formato

O movimento também chegou às estratégias das maiores empresas do comércio eletrônico. Na segunda-feira, 31 de agosto, o Mercado Livre começou a liberar no Brasil o Mercado Livre Live, ferramenta que reúne transmissão, interação e compra dentro do aplicativo.

O lançamento funciona como um retrato de uma transformação mais ampla no varejo digital. A empresa já vinha aproximando conteúdo e comércio por meio de vídeos curtos e de seu programa de afiliados e criadores, que reúne mais de 9 milhões de participantes na América Latina. No segundo trimestre de 2026, iniciativas relacionadas a esse ecossistema ajudaram a companhia a registrar cerca de 208 pedidos por minuto no Brasil.

A entrada de uma plataforma desse porte no live commerce reforça uma mudança que não está restrita a uma empresa ou categoria. Conteúdo, relacionamento e venda começam a ocupar a mesma jornada, reduzindo a distância entre descobrir um produto e tomar uma decisão.


Permanecer passou a importar tanto quanto aparecer

A valorização da atenção também aparece nas pesquisas sobre publicidade e construção de marca. O estudo The Brand Reset, divulgado pela Dentsu em abril de 2026 e desenvolvido com Kantar e Lumen Research, analisou 40 mil consumidores dos Estados Unidos e do Reino Unido e estabeleceu uma relação entre atenção, construção de marca e resultados comerciais de curto e longo prazo. O levantamento aponta ainda que a atenção voluntária pode superar a exposição forçada.

A conclusão ajuda a separar dois indicadores que muitas vezes são tratados como equivalentes. Conseguir aparecer na tela não significa necessariamente obter interesse. Fazer alguém optar por continuar assistindo exige que o conteúdo entregue alguma utilidade durante esse período.

“Não adianta alongar uma transmissão apenas para aumentar o tempo. O público precisa ter motivo para ficar. É preciso responder, explicar, mostrar o produto de verdade e ouvir o que as pessoas querem saber. O live commerce funciona quando esse tempo tem valor para o consumidor também”, afirma Débora.

Nesse movimento, alcance, visualizações e cliques não deixam de importar. O que muda é a pergunta seguinte. Depois de conquistar alguns segundos do público, o desafio das marcas passa a ser entender quantos desses consumidores estão dispostos a continuar a conversa e o que pode ser construído durante esse tempo.

  



Débora De Landa - fundadora da joalheria Kether e atua no mercado joalheiro há mais de 26 anos. Com origem em uma família tradicional do setor, iniciou sua trajetória desenvolvendo conhecimento sobre qualidade, procedência e relacionamento com o cliente. Ao longo da carreira, passou por diferentes etapas, desde a atuação com semijoias até a importação de prata, consolidando-se posteriormente no segmento de joias em ouro 18k. Atualmente, lidera a joalheria Kether, atendendo clientes em todo o Brasil por meio de loja física, e-commerce e vendas ao vivo. Sua atuação é marcada pela curadoria das peças, experiência prática e compromisso com a transparência, fatores que sustentam sua credibilidade em um mercado diretamente ligado à confiança e ao valor percebido.
Para mais informações, acesse linkedin e instagram.


Joias Kether - especializada em joias em ouro 18k e atua no mercado com foco em peças que aliam valor duradouro, design atemporal e procedência confiável. Fundada por Débora De Landa, profissional com mais de 26 anos de experiência no setor joalheiro, a marca nasce a partir de uma trajetória consolidada, construída sobre conhecimento técnico, curadoria criteriosa e relacionamento próximo com o cliente. Com atendimento em todo o Brasil, a Kether opera por meio de loja física, e-commerce e vendas ao vivo, modelo que amplia o acesso às peças e reforça a transparência no processo de compra. A atuação da marca é guiada pela seriedade na seleção das joias, pela clareza na comunicação e pelo compromisso em oferecer produtos que mantenham valor ao longo do tempo, posicionando-se em um segmento onde credibilidade e confiança são determinantes para a decisão de compra.
Para mais informações, acesse o site ou pelo instagram.

 

Fontes de pesquisa

Posts mais acessados