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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Doação de órgãos tem 45% de recusa familiar no Brasil; entenda como funciona a fila de transplantes

Setembro Verde reforça importância da informação sobre a doação e os critérios que determinam quem recebe um órgão
 

Quase metade das entrevistas familiares para doação de órgãos no Brasil terminou em negativa em 2025. Segundo o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), a taxa de recusa foi de 45%. O dado marca a chegada do Setembro Verde, mês de conscientização sobre a doação, e reforça a necessidade de esclarecer dúvidas sobre o processo, desde a autorização da família até a escolha de quem receberá o órgão.

Para a Dra. Patrícia Almeida, hepatologista pela Sociedade Brasileira de Hepatologia e doutora pela Universidade de São Paulo (USP), conversar sobre o desejo de ser doador e explicar como os transplantes são organizados são passos importantes para ampliar o conhecimento da população.
 

Como funciona a fila do transplante

A chamada fila não funciona como uma sequência fixa em que quem chegou primeiro será necessariamente o primeiro a receber um órgão. A distribuição de órgãos de doadores falecidos segue regras do Sistema Nacional de Transplantes, com atuação das centrais de transplantes e critérios específicos para cada órgão.

O paciente é inscrito por uma equipe médica autorizada. Quando surge um doador, a seleção considera fatores como compatibilidade, gravidade, urgência e tempo de espera, conforme as regras aplicáveis. Isso significa que a prioridade pode mudar de acordo com a condição clínica do paciente e as características do órgão disponível. Os pacientes também podem acompanhar sua situação pelos canais oficiais.

No transplante de fígado, por exemplo, a gravidade tem papel central. “O grau de gravidade de cada paciente determina sua ordem na lista de transplante hepático”, explica Patrícia. Essa avaliação considera exames e regras para situações especiais, dentro de um processo regulado por critérios técnicos.
 

Recorde ainda está abaixo da necessidade

Os transplantes de fígado ajudam a dimensionar o desafio. Em 2025, o Brasil realizou um recorde de 2.573 procedimentos, mas a necessidade anual estimada pela ABTO era de 5.336. Portanto, mesmo com o avanço, o total realizado ficou abaixo da metade da demanda estimada.

Além de ampliar a doação, é necessário diagnosticar as doenças precocemente e encaminhar os pacientes no momento adequado. Na hepatologia, isso inclui identificar e tratar doenças do fígado antes que evoluam para cirrose e outras complicações.

O cuidado também não termina na cirurgia. Segundo Patrícia, quem recebe um órgão precisa manter acompanhamento médico, realizar exames e usar corretamente os medicamentos prescritos. A conscientização no Setembro Verde passa, assim, pela doação, pela compreensão das regras de acesso e pelo cuidado contínuo com quem foi transplantado.



Dra. Patricia Almeida - CRM SP 159821 - Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (2010). Residência Médica em Clínica Médica no Hospital Geral Dr César Cals em Fortaleza-CE- (2011-12). Residência em Gastroenterologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo-(USP RP) (2013/15). Aprimoramento em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP)- (2016). Aprimoramento em Transplante de fígado no Hospital das clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP) (2017). Observership no Jackson Memorial Hospital em Miami/EUA 2017. Doutorado em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Título de Especialista em Gastroenterologia pela FBG Título em Hepatologia pela SBH. Hepatologista do Hospital Israelita Albert Einstein.


AME: reconhecer os primeiros sinais pode mudar a trajetória da doença

Diagnóstico precoce e acesso rápido ao tratamento são fundamentais para preservar a função motora e ampliar as possibilidades de cuidado


Nos primeiros meses de vida, pequenas mudanças no desenvolvimento motor podem passar despercebidas. Um bebê que demora mais para sustentar a cabeça, rolar ou sentar pode estar apenas seguindo seu próprio ritmo — mas esses sinais também podem indicar uma condição que exige investigação. Na Atrofia Muscular Espinhal (AME), reconhecer essas manifestações e acelerar a confirmação do diagnóstico pode fazer diferença na trajetória do paciente. 

A AME é uma condição genética rara que afeta cerca de 1 em cada 10 mil nascidos vivos. Segundo dados de 2021 do Instituto Nacional de Atrofia Muscular Espinhal (INAME), estima-se que aproximadamente 1.800 pessoas vivam com a doença no Brasil.

A condição é causada por alterações no gene SMN1, responsável pela produção da proteína SMN, essencial para a Sobrevivência dos Neurônios Motores (SMN). Com a redução ou ausência dessa proteína, os neurônios motores, responsáveis pelos movimentos voluntários e por funções vitais, como respirar e engolir, são progressivamente comprometidos. 

A AME pode se apresentar de diferentes formas. A doença é classificada em cinco tipos (0, I, II, III e IV), de acordo com a idade em que os primeiros sintomas aparecem e o marco motor máximo alcançado pelo paciente. 

Nos tipos 0 e I, os sinais podem surgir ainda durante a gestação ou nos primeiros meses de vida. Dificuldades para sustentar a cabeça, rolar ou sentar, pouca movimentação de braços e pernas e hipotonia — caracterizada pela redução do tônus muscular e pela aparência de um bebê mais “molinho” — estão entre os sinais que demandam investigação. 

“Se ocorrer atraso para sustentar a cabeça, sentar ou rolar, principalmente quando acompanhado de pouca movimentação de pernas e braços, é importante investigar a possibilidade de AME”, alerta o neurologista Dr. Edmar Zanotelli, professor do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). 

Já o tipo II geralmente se manifesta entre 6 e 18 meses. A criança consegue sentar sem apoio, mas apresenta dificuldade para ficar em pé e caminhar. No tipo III, que costuma surgir após os 18 meses, os pacientes adquirem a capacidade de andar, mas podem apresentar perda progressiva de força e de habilidades motoras ao longo da vida. O tipo IV tem início na idade adulta e, em geral, apresenta evolução mais lenta, com fraqueza e fadiga muscular que podem comprometer atividades do dia a dia. 

A perda de força, porém, não é a única manifestação que pode afetar a rotina. A fadiga também pode estar presente, especialmente entre pacientes com os tipos II e III, que preservam maior capacidade de movimentação e, por isso, conseguem perceber mais claramente o cansaço durante as atividades cotidianas. 

“É como se o paciente estivesse ficando mais ‘preguiçoso’, mas, na realidade, essa mudança pode ser uma manifestação da fraqueza muscular e da fadiga provocadas pela doença. Ele pode ficar mais lento para subir escadas, mais cansado em longas caminhadas e apresentar dificuldades até mesmo para mastigar, engolir ou respirar”, detalha o neurologista.

 

Na AME, o tempo importa 

A confirmação da AME é feita por meio de teste genético molecular. Quanto mais cedo a doença é identificada, mais rapidamente o paciente pode ter acesso às estratégias de cuidado e tratamento disponíveis. 

Nesse contexto, a triagem neonatal, conhecida como teste do pezinho, é uma aliada decisiva para os recém-nascidos, pois permite identificar a doença antes mesmo do aparecimento dos primeiros sintomas. A identificação precoce, associada ao acesso rápido ao tratamento, é fundamental para preservar a função motora, a qualidade de vida e o futuro do paciente. 

Embora ainda não exista cura para a AME, atualmente estão disponíveis terapias capazes de modificar o curso da doença. “As terapias disponíveis atualmente podem proteger os neurônios motores e reduzir a progressão da doença. Com a estabilização do quadro, o paciente pode avançar nas estratégias de reabilitação, que contribuem para a manutenção da força, da mobilidade e da autonomia”, explica o Dr. Edmar Zanotelli.


Vacina contra a gripe não é só para evitar alguns dias de cama: como a prevenção protege a saúde respiratória

A vacinação reduz o risco de complicações provocadas pela influenza e ajuda a proteger pessoas mais vulneráveis; especialista reforça a importância de manter a imunização em dia antes dos períodos de maior circulação do vírus.

 

Com a chegada das temperaturas baixas e a consequente alteração na rotina das pessoas, os postos de vacinação começam a registrar maior movimento. A busca pela vacina contra a gripe, no entanto, ainda costuma ser motivada apenas pelo desejo imediato de evitar a febre, a indisposição corporal e a interrupção dos compromissos diários. O que grande parte da população desconhece é que o impacto real da imunização vai muito além de evitar alguns dias de repouso na cama: trata-se de uma intervenção decisiva para preservar a integridade do sistema respiratório e conter desdobramentos graves.

 

Diferente do resfriado comum, a infecção pelo vírus influenza provoca uma reação inflamatória agressiva que agride os tecidos das vias aéreas superiores e inferiores. Essa agressão fragiliza os tecidos locais e destrói mecanismos naturais de defesa do organismo, abrindo caminho para a instalação de infecções bacterianas secundárias. Quadros que começam como um mal-estar trivial podem evoluir rapidamente para otites agudas, sinusites bacterianas severas, bronquites e pneumonias graves.

Para grupos vulneráveis, a vacinação funciona como um escudo indispensável. Em bebês e crianças, que ainda possuem a anatomia das vias aéreas bastante reduzida e o sistema imune em desenvolvimento, o inchaço decorrente da gripe gera grande desconforto e risco de complicações. Já nos idosos ou em pessoas que convivem com doenças respiratórias prévias, o vírus costuma ser o gatilho para descompensações severas.

"Muitas pessoas enxergam a gripe como um transtorno passageiro, mas o vírus fragiliza toda a mucosa respiratória de forma profunda. Em crianças, por exemplo, uma infecção por influenza pode desencadear otites de repetição e hipertrofia das amígdalas e da adenoide, o que compromete gravemente a respiração nasal. Já em pacientes adultos que já apresentam tendência ao ronco ou à apneia do sono, o edema provocado pela inflamação piora significativamente a qualidade do sono e a oxigenação sanguínea durante a noite", explica a Dra. Loyane Bronzon, médica otorrinolaringologista com foco em ronco, apneia e atendimento infantil.

Além do benefício direto ao indivíduo, a vacinação desempenha um papel coletivo fundamental por meio da imunidade de rebanho. Ao diminuir a taxa de transmissão da doença na comunidade, a imunização protege pessoas que não podem receber a vacina por motivos médicos ou lactentes muito jovens que ainda não atingiram a idade mínima recomendada para a aplicação.

O momento do disparo da campanha também exige atenção estratégica. Como o organismo necessita de um tempo hábil para processar o imunizante e sintetizar a quantidade adequada de anticorpos, a antecipação é o fator determinante para o sucesso da prevenção.

"O sistema imunológico precisa de duas a três semanas para produzir os anticorpos necessários após a aplicação da dose. Esperar os casos começarem a disparar na cidade para buscar o posto deixa o organismo vulnerável justamente no momento de maior exposição. Manter a carteira atualizada antes da alta circulação é uma atitude simples que previne internações desnecessárias e evita que uma infecção temporária se transforme em uma complicação crônica", reforça a especialista.

A vacina atualizada contra a gripe é disponibilizada anualmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para os grupos prioritários, como crianças pequenas, idosos, gestantes e profissionais de saúde, e permanece acessível na rede privada para a população em geral.

 

Fonte: Dra. Loyane Bronzon — Médica Otorrinolaringologista | Especialista em ronco, apneia do sono e otorrinolaringologia infantil
https://acesse.one/wkibdmw | @draloyane.otorrino


Anvisa aprova novo tratamento biológico para linfoma folicular

Medicamento de duração fixa e aplicação subcutânea dispensa quimioterapia para pacientes em fases avançadas da doença 


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do medicamento Lunsumio® (mosunetuzumabe), desenvolvido pela Roche Farma Brasil.

 

O tratamento é indicado para pacientes adultos com linfoma folicular que já passaram por pelo menos duas terapias anteriores sem sucesso1. 

O linfoma folicular é o segundo subtipo mais comum de linfoma não-Hodgkin, um tipo de câncer que afeta o sistema linfático2. "Esta é uma patologia que, embora tenha uma evolução lenta, é caracterizada por recidivas. A cada nova linha de tratamento administrada, o tempo em que o linfoma permanece controlado tende a diminuir. Sendo assim, ter uma opção que não utiliza quimioterapia e que consegue manter a doença sob controle por mais tempo, muda significativamente o cenário para os pacientes, e representa um avanço importante, afirma o Dr. Otávio Baiocchi, Professor associado da UNIFESP e Diretor de Hematologia e Onco-hematologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. 

O medicamento é administrado por via subcutânea, por meio de injeção sob a pele. O formato permite que o paciente receba a dose e seja liberado no mesmo dia, o que proporciona maior conforto, e pode contribuir para a otimização do uso de leitos de alta complexidade no sistema de saúde. Dados clínicos apontam que, por ser um tratamento finito (8 ciclos para pacientes que atingem resposta completa, e máximo de 17 ciclos para os demais pacientes), o mosunetuzumabe permite ao organismo restabelecer as células de defesa e os níveis de anticorpos mais rapidamente do que as terapias contínuas2. 

A aprovação baseou-se nos resultados do estudo clínico pivotal GO297812, que demonstrou uma taxa de resposta global, que mede a redução da doença, de 76,6%., com 61,7% dos participantes atingindo a chamada resposta completa, que significa o desaparecimento temporário ou definitivo de todos os sinais de atividade do tumor nos exames de imagem.2 A remissão completa do linfoma manteve-se por uma mediana de 34,6 com benefício sustentado inclusive nos subgrupos considerados de alto risco.2

“Quando a doença volta repetidas vezes e o paciente precisa passar por vários tratamentos seguidos, o uso frequente de quimioterapia acaba desgastando o organismo. Isso pode enfraquecer a medula óssea, acumular efeitos colaterais no corpo e fazer com que o próprio tumor pare de responder às terapias tradicionais. Além disso, quando há uma recidiva em menos de dois anos após o primeiro tratamento, o quadro se torna ainda mais delicado, representando um dos maiores desafios para a hematologia hoje”, diz o Dr. Baiocchi.

Em relação à segurança, os efeitos colaterais causados pela ativação do sistema de defesa do corpo foram majoritariamente leves e restritos ao primeiro ciclo de aplicação.2 Essas reações costumam ser controladas pela equipe médica com relativa simplicidade, o que pode evitar a necessidade de internação ou do uso de altas doses de corticoides ao longo do tratamento para tratar os efeitos colaterais.2

“A aprovação do mosunetuzumabe traz inovação para pacientes com linfoma folicular em linhas avançadas que, mesmo após múltiplas recaídas, agora contam com uma opção de alta eficácia sem necessidade de quimioterapia. Por ser uma terapia de duração fixa e aplicação subcutânea, em ambiente ambulatorial, o tratamento oferece conveniência, além de permitir restabelecer o sistema de defesa do organismo. Este avanço reafirma a nossa missão de transformar o padrão de tratamento na hematologia”, finaliza Michelle Fabiani, Diretora Médica da Roche Farma Brasil. 

 

Referências

1. Bartlett NL, Sehn LH, Assouline S, et al. Fixed-Duration Subcutaneous Mosunetuzumab in Relapsed/Refractory Follicular Lymphoma: Pivotal Phase 2 Primary Analysis. American Journal of Hematology, 2026; 101(5): 986-997.

2. Freedman A. Follicular lymphoma: 2015 update on diagnosis and management. Am J Hematol. 2015 Dec;90(12):1171-8



A saúde das mamas antes dos 40

Enquanto campanhas focam nos exames de mamografia, cresce o número de casos de câncer de mama em mulheres mais jovens



As campanhas de conscientização sobre o câncer de mama, colocaram a mamografia no vocabulário de milhões de brasileiras. Mas uma pergunta essencial costuma ficar sem resposta: e antes dos 40 anos, o que fazer? Para uma parcela crescente de mulheres jovens, que descobrem alterações mamárias, desde nódulos palpáveis, até dor persistente, a resposta correta ainda é pouco divulgada.

 

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 78,6 mil novos casos de câncer de mama em 2026. Ainda que a maior prevalência aconteça em mulheres acima dos 50 anos, os números em faixas etárias mais jovens vêm chamando atenção. Dados do Painel Oncologia Brasil mostram que, entre 2018 e 2023, mais de 108 mil brasileiras com idades entre 35 e 49 anos receberam diagnóstico de câncer de mama. Isso significa que uma em cada três pacientes está nessa faixa.

 

O aumento de casos em mulheres mais jovens foi um dos motivos que levaram o Ministério da Saúde a atualizar, em 2025, a idade recomendada para o início do rastreamento com mamografia, que agora começa aos 40 anos, e não mais aos 50. Essa mudança, ainda deixa em aberto uma faixa etária significativa da vida da mulher.

 

"Muitas pacientes chegam ao consultório aos 32, 35, 38 anos com uma queixa ou uma alteração e me perguntam: 'mas eu não posso fazer mamografia ainda?'. A resposta correta é que, nessa fase, o ultrassom mamário é o principal aliado da investigação e do rastreamento, quando indicado", explica a médica radiologista Dra. Leynalze Ruiz, mestre em Radiologia Clínica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

 

O ultrassom e as mamas mais jovens 

Nas mulheres mais jovens, as mamas costumam ser densas, ou seja, com maior proporção de tecido glandular e fibroso e menor proporção de tecido gorduroso. Essa característica é totalmente normal, mas tem uma implicação prática importante: em mamas densas, a mamografia perde parte de sua sensibilidade, porque tanto o tecido denso quanto eventuais alterações aparecem em tons semelhantes na imagem, dificultando a detecção de nódulos.

 

O ultrassom, ao contrário, "enxerga" com clareza dentro de mamas densas. Por utilizar ondas sonoras em vez de raios X, sua imagem em tempo real permite diferenciar cistos de nódulos sólidos, identificar alterações mesmo em meio ao tecido glandular denso e avaliar linfonodos da região axilar. Além disso, é indolor, sem radiação e não exige preparo especial.

 

"O ultrassom mamário é seguro e pode ser realizado em qualquer idade. Em mulheres jovens, ele frequentemente é o exame principal e não um complemento à mamografia, como acontece em faixas etárias mais avançadas. O exame pode ser feito durante a gestação e a amamentação, momentos em que a mamografia nem sempre é indicada", detalha a especialista.

 

Quando o ultrassom mamário é indicado 

O exame não é feito indiscriminadamente em mulheres jovens sem queixas. Sua indicação segue orientação médica, geralmente do ginecologista, mastologista ou clínico. Entre as situações mais frequentes:

 

●       Presença de nódulo palpável durante o exame clínico ou o autoexame


●       Dor persistente em uma região específica da mama


●       Descarga mamilar (saída de secreção pelo mamilo fora da amamentação)


●       Alterações visuais (retração, mudança de forma ou textura da pele)


●       Histórico familiar de câncer de mama


●       Acompanhamento de cistos ou nódulos benignos já conhecidos


●       Investigação de sintomas durante a gestação ou amamentação

 

Um alerta sobre o autoexame 

Muitas mulheres jovens acreditam que o autoexame das mamas substitui os exames de imagem. Não substitui, mas continua sendo uma ferramenta valiosa de autoconhecimento corporal. É pelo toque do próprio corpo que muitas mulheres identificam alterações que motivam a procura pelo médico e é justamente esse hábito que pode encurtar o caminho até um diagnóstico precoce.

 

"O autoexame não é um exame de rastreamento, é um exercício de conexão com o próprio corpo. Se você percebe que algo está diferente, essa é a informação que leva ao médico e é o médico que vai decidir se o ultrassom é indicado, se precisa de outros exames complementares, ou se aquilo que você percebeu não representa risco", pontua a Dra. Leynalze.

 

O papel do olhar experiente 

A qualidade do ultrassom mamário depende diretamente da experiência do radiologista que o realiza. Cada nódulo tem características sutis, contornos, ecogenicidade, presença ou não de vascularização ao Doppler, que precisam ser observadas com atenção e tempo.

 

"Um exame apressado, em mamas jovens e densas, pode não identificar achados importantes. Cada detalhe conta e o cuidado na avaliação faz toda a diferença. Por isso, cada ultrassom mamário que faço é conduzido com o tempo que ele merece, sem cronômetro, sem pressa, com o olhar treinado ao longo dos 30 anos da minha experiência em radiologia", finaliza a especialista.

 

O recado para as mulheres jovens 

O câncer de mama continua sendo uma doença mais comum a partir dos 50 anos. Mas a atenção à saúde mamária deve começar muito antes disso. Consultas ginecológicas regulares, atenção às alterações do próprio corpo e conhecimento sobre quando o ultrassom é indicado formam o tripé do cuidado preventivo em mulheres abaixo dos 40 anos.

 

"Não é sobre pânico. É sobre informação. Cuidar das mamas o ano inteiro, e não apenas em outubro, é um gesto de cuidado com o próprio futuro. Para as mulheres jovens, essa informação precisa chegar com clareza: o ultrassom é o seu aliado", conclui a Dra. Leynalze.

 

 

Dra. Leynalze Urbano Ruiz - médica radiologista graduada pela Faculdade de Medicina do ABC, com residência médica no Hospital Heliópolis, título de especialista pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) e mestrado em Radiologia Clínica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Com mais de 30 anos de atuação, dedica-se ao ultrassom geral, com ênfase em saúde da mulher, oncologia, biópsias e punções guiadas por imagem.


Sudeste pode registrar mais de 15 mil novos casos anuais de cânceres ginecológicos até 2028

A campanha Setembro em Flor amplia a conscientização
sobre os cânceres ginecológicos
Magnific
Projeções para neoplasias de colo do útero, endométrio e ovário cresceram 11,5% em relação ao triênio anterior; prevenção e atenção aos sintomas estão entre os principais alertas

 

Os casos de câncer de colo do útero, endométrio e ovário podem chegar a 15.430 novos diagnósticos por ano no Sudeste entre 2026 e 2028, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). No triênio anterior, de 2023 a 2025, eram projetados 13.830 casos anuais, o que representa um crescimento de 11,5%. No país, a estimativa para o período vigente é de 36.980 novos casos a cada ano. 

Os números ganham atenção durante o Setembro em Flor, campanha promovida pelo Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA) para ampliar a conscientização sobre esse conjunto de doenças. Embora afetem órgãos do sistema reprodutor feminino, os diferentes tipos de câncer ginecológico apresentam fatores de risco, possibilidades de prevenção e formas de identificação distintas. 

No câncer do colo do útero, prevenção e rastreamento têm papel importante. A vacinação contra o HPV atua sobre o principal fator relacionado ao desenvolvimento da doença, enquanto o exame preventivo permite identificar alterações no colo uterino antes da evolução para o câncer. 

Já para os cânceres de ovário e endométrio, a atenção aos sinais apresentados pelo organismo ganha importância. Sangramentos vaginais anormais, aumento persistente do volume abdominal, desconforto ou dor pélvica e outras alterações que permanecem ao longo do tempo devem ser investigados. 

“Quando falamos em tumores ginecológicos, precisamos olhar para a saúde da mulher como um todo. Há situações em que conseguimos atuar diretamente na prevenção e outras em que reconhecer uma alteração e procurar avaliação médica pode contribuir para uma investigação mais rápida. O importante é que a mulher conheça seu corpo, esteja atenta aos sintomas e coloque em prática aquilo que efetivamente pode ser prevenido”, afirma o oncologista Diocésio Andrade, membro fundador do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA). 

Os fatores de risco também variam de acordo com o tumor. A obesidade está associada ao aumento do risco para o câncer de endométrio, enquanto alterações genéticas hereditárias têm papel relevante em parte dos casos de câncer de ovário. No câncer do colo do útero, a infecção persistente por tipos de alto risco do HPV está diretamente relacionada ao desenvolvimento da doença. 

Além das estratégias de prevenção e diagnóstico, os últimos anos trouxeram mudanças importantes no tratamento dos tumores ginecológicos. Entre os avanços estão medicamentos que passaram a atuar de maneira mais direcionada sobre características específicas da doença. 

No câncer de ovário, uma dessas possibilidades são os inibidores da enzima PARP, entre eles olaparibe e niraparibe. “São medicamentos utilizados em determinados grupos de pacientes e que interferem na capacidade das células tumorais de reparar danos no próprio DNA. Essa estratégia trouxe novas possibilidades para o tratamento e manutenção da doença em situações específicas”, explica Diocésio. 

A imunoterapia também passou a ocupar espaço no tratamento de alguns casos de câncer de endométrio e colo do útero. A estratégia estimula o sistema imunológico a reconhecer e combater as células tumorais e pode ser indicada de acordo com as características da doença e da paciente. 

Para o oncologista, os avanços terapêuticos não diminuem a importância das medidas que podem ser adotadas antes do diagnóstico. Vacinação contra o HPV, acompanhamento ginecológico, atenção a alterações persistentes no organismo, manutenção de hábitos de vida saudáveis e conhecimento do histórico familiar fazem parte de diferentes frentes de cuidado. 

“Não existe uma única estratégia que sirva para todos os cânceres ginecológicos. Temos tumores para os quais dispomos de ferramentas importantes de prevenção, outros em que os sintomas precisam receber atenção e, ao mesmo tempo, tratamentos que avançaram muito nos últimos anos. Quanto mais informação a mulher tiver sobre essas diferenças, melhores são as condições para cuidar da própria saúde”, completa Andrade.
  

Esquecimento faz parte do envelhecimento? Especialistas explicam quando é preciso investigar

Setembro Lilás chama atenção para mudanças cognitivas que não devem ser automaticamente atribuídas à idade
 

Esquecer algo de vez em quando ou precisar de um pouco mais de tempo para se lembrar de uma informação pode fazer parte do envelhecimento. O sinal de alerta surge quando essas mudanças se tornam frequentes ou intensas e começam a interferir na rotina e na autonomia. Durante o Setembro Lilás, mês de conscientização sobre a doença de Alzheimer e outras demências, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) reforça a importância de investigar alterações cognitivas persistentes. 

“A maioria das funções cognitivas decai com a idade. No entanto, apesar disso, é possível manter a autonomia e a independência. É importante investigar quando a piora cognitiva é exuberante, exagerada ou quando essa perda cursa com dependência para realizar atividades às quais a pessoa estava acostumada”, explica Ivan Aprahamian, geriatra e psiquiatra, professor livre-docente e diretor científico da SBGG. 

Nem toda alteração cognitiva, porém, está relacionada ao Alzheimer. Depressão, transtornos do sono, descompensação de doenças, efeitos de medicamentos, deficiências vitamínicas e até o uso abusivo de álcool podem afetar a cognição. Por isso, identificar o que mudou e investigar a causa é fundamental. 

Na apresentação mais comum do Alzheimer, os primeiros sinais costumam estar relacionados à memória recente. “Frente a uma apresentação típica da doença, que perfaz 90% dos casos, vemos perda de memória verbal recente, ou seja, esquecimento de fatos ou eventos atuais. Em fases iniciais observamos confusões mentais com eventos, ocorrências recentes na vida daquela pessoa e desorientações espaciais e temporais”, esclarece Ivan. 

Com a evolução da doença, outras funções cognitivas também podem ser afetadas, incluindo linguagem, orientação, comportamento, planejamento e capacidade de tomar decisões. “Quando os esquecimentos se tornam mais frequentes e intensos em um intervalo curto de tempo, é importante olhar com cautela para a possibilidade de uma alteração patológica”, afirma Laiss Bertola, psicóloga, neuropsicóloga e 2ª vice-presidente de Gerontologia da SBGG-MG.
 

Diagnóstico precoce ajuda a planejar o cuidado 

Identificar o Alzheimer nas fases iniciais permite organizar o cuidado e envolver a família nas decisões. “O diagnóstico precoce ainda é importante. Não pelo fato de termos alguns tratamentos sofisticados, caros e de longo prazo, mas por podermos nos planejar como família. A doença tem um impacto brutal em nossas vidas e exige muita resiliência de todos os envolvidos”, contextualiza Ivan. 

O diagnóstico, porém, não significa interromper as atividades que fazem parte da vida da pessoa. Dentro das possibilidades de cada indivíduo, manter uma rotina ativa, com estímulos cognitivos e vínculos sociais, pode favorecer o bem-estar e a participação no cotidiano. “Já temos muitas evidências de que as intervenções não farmacológicas são importantes para manutenção de qualidade de vida, de autonomia e independência, sempre pelo maior tempo possível dentro da capacidade daquela pessoa”, destaca Laiss.
 

Cuidado vai além do diagnóstico 

O acompanhamento da pessoa com Alzheimer deve considerar não apenas os aspectos clínicos da doença, mas também sua funcionalidade, rotina, relações e ambiente. A atuação conjunta de diferentes profissionais contribui para um cuidado mais amplo e individualizado. O geriatra atua no manejo amplo do quadro clínico e das condições de saúde, enquanto profissionais da Gerontologia contribuem para aspectos relacionados à funcionalidade, rotina, adaptação e qualidade de vida. 

“O cuidado da pessoa com demência é multifatorial, exige múltiplos profissionais de diferentes áreas. Devemos ter um olhar que seja realmente mais biopsicossocial da pessoa com demência, no seu ambiente, no seu ecossistema e no seu sistema familiar”, pontua Laiss. 

Além do acompanhamento adequado, o controle de fatores de risco ao longo da vida também é importante para a saúde cerebral. Hipertensão, diabetes, obesidade, depressão, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, perda auditiva e baixa atividade intelectual e social estão entre os fatores que merecem atenção. “Tratar esses fatores é fundamental. Sempre colocarmos nosso cérebro para trabalhar, ser desafiado com nossos aprendizados é um bom remédio”, reforça Ivan.
 

SBGG apoia campanha “Alzheimer: O diagnóstico importa” 

A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) se une à campanha da FEBRAZ para o Setembro Lilás, que neste ano traz o mote “Alzheimer: O diagnóstico importa”. A iniciativa reforça a importância de reconhecer os sinais da doença e buscar avaliação e acompanhamento adequados. 

Para Leonardo Oliva, geriatra e presidente da SBGG: “Apoiar a campanha da FEBRAZ no Setembro Lilás é reafirmar o compromisso da SBGG com um envelhecimento mais saudável, digno e baseado em ciência. O diagnóstico da doença de Alzheimer não deve ser visto como um ponto final, mas como um ponto de partida para ampliar as possibilidades de tratamento, planejamento do cuidado, preservação da autonomia e apoio às famílias. Também é nosso papel combater a ideia de que alterações cognitivas importantes são parte natural do envelhecimento e reforçar a importância de investigá-las”. 

Já de acordo com Isabela Oliveira Azevedo Trindade, fisioterapeuta, especialista em Gerontologia e presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG: “A campanha traz uma mensagem fundamental: diante de uma doença que ainda não tem cura, diagnosticar não significa apenas dar um nome ao que está acontecendo, mas abrir possibilidades de cuidado, tratamento e planejamento. O diagnóstico em tempo oportuno também permite que a própria pessoa participe das decisões sobre seu cuidado, expresse seus desejos e preserve, pelo maior tempo possível, sua autonomia e funcionalidade. Precisamos, portanto, perder o medo do diagnóstico: ele não representa o fim da vida, mas o início de uma nova forma de cuidar, olhando não apenas para a doença, mas para a pessoa, sua história, seus vínculos e suas escolhas”.
 

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – SBGG

Chá de urtiga: veja benefícios para inflamações e saúde dos rins

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Rica em compostos antioxidantes, planta pode auxiliar o organismo, mas exige cuidados no consumo


A urtiga (Urtica dioica) é uma planta medicinal conhecida principalmente pelos urticantes, que podem causar irritação na pele ao toque. No entanto, quando processada corretamente, ela perde esse efeito e pode ser utilizada em chás, cápsulas e até preparações culinárias. 

Rica em compostos bioativos, a planta tem chamado atenção especialmente por suas propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. Segundo a Dra. Natália Ipaves, coordenadora do curso de Nutrição da Faculdade Anhanguera Taboão da Serra, sua composição reúne diferentes nutrientes importantes para o organismo. 

“Contém vitaminas A, C, K e B1, minerais como ferro, cálcio, magnésio e potássio, além de flavonoides e ácidos fenólicos com ação antioxidante. Esses compostos ajudam a reduzir inflamações e proteger as células do organismo”, explica.
 

1. Pode ajudar a aliviar dores articulares

Um dos benefícios associados ao chá de urtiga é sua ação no controle de processos inflamatórios, o que pode contribuir para aliviar dores relacionadas a condições como artrite, artrose e reumatismo. “A planta tem efeito anti-inflamatório e antioxidante, reduzindo a produção de citocinas inflamatórias. Estudos clínicos mostram que seu uso regular pode aliviar desconfortos e rigidez nas articulações”, destaca a professora.
 

2. Contribui para a saúde dos rins

A urtiga também apresenta efeito diurético, estimulando a eliminação de líquidos por meio da urina.

“Esse processo auxilia na prevenção de infecções urinárias e contribui para a saúde dos rins. Além disso, os antioxidantes presentes na planta ajudam a proteger o tecido renal contra danos oxidativos”.
 

3. Oferece outros benefícios ao organismo

Além das ações anti-inflamatória e diurética, a urtiga pode oferecer outros efeitos positivos para o corpo. Entre eles estão o auxílio no controle da pressão arterial; a regulação da glicemia, com estímulo à produção de insulina e redução da absorção de glicose; a melhora da saúde da próstata e do equilíbrio hormonal; o fortalecimento do sistema imunológico; e o alívio de cólicas menstruais e sintomas alérgicos.
 

4. Como preparar o chá de urtiga

O preparo é simples: adicione 1 colher de sopa de folhas secas de urtiga em 250 ml de água fervente. Deixe em infusão por cerca de 10 minutos, coe e consuma. Segundo a professora, a recomendação é beber de uma a duas xícaras por dia, sempre com orientação profissional, especialmente em caso de consumo contínuo ou associado a outros tratamentos.
 

5. Outras formas de consumir a urtiga

O chá não é a única maneira de incluir a planta na rotina. “As folhas podem ser cozidas em sopas ou refogadas, como se fosse espinafre. Também é possível encontrá-la em cápsulas, extratos, cremes tópicos e tinturas naturais”, explica.
 

6. Quem deve evitar o consumo?

Apesar de ser considerada segura para a maioria das pessoas, a urtiga exige alguns cuidados. “Gestantes, lactantes, pessoas com pressão baixa ou doenças renais graves devem evitar o uso. Também é importante ter cuidado ao combiná-la com medicamentos diuréticos, anticoagulantes ou para diabetes e hipertensão, já que pode potencializar seus efeitos”, orienta. 

A planta também mostra como conhecimentos tradicionais podem ser associados à ciência. “É fascinante perceber como uma planta que causa irritação ao toque pode oferecer tantos benefícios quando utilizada corretamente. O uso de fitoterápicos como a urtiga deve sempre ser acompanhado por um profissional da área da saúde, garantindo segurança e eficácia”, finaliza.


Apertar os dentes no frio do inverno agrava a dor de bruxismo e altera o contorno da mandíbula

 Dentista orienta como a contração muscular involuntária causada pelas baixas temperaturas aumenta a hipertrofia do músculo masseter, e explica como a toxina botulínica relaxa a região e devolve a leveza ao rosto. 

 

Nos dias frios, é comum contrair os ombros, enrijecer o pescoço e manter a mandíbula tensionada sem perceber. Para quem já apresenta apertamento dos dentes ou bruxismo, esse comportamento pode aumentar a sensação de rigidez e dor na face. Embora o frio não seja considerado uma causa isolada do problema, a tensão muscular, o estresse e as mudanças no sono e na rotina podem intensificar o desconforto.

O bruxismo envolve uma atividade repetitiva dos músculos da mastigação e pode ocorrer durante o sono ou enquanto a pessoa está acordada. Ranger ou apertar os dentes, manter a mandíbula rígida e contrair a musculatura mesmo sem contato entre os dentes estão entre as manifestações possíveis. Dor ao acordar, cansaço facial, dor de cabeça, desgaste dentário e sensibilidade também podem aparecer.

Segundo a cirurgiã-dentista e especialista em harmonização facial Dra. Layse Schuster, o masseter está entre os músculos mais exigidos nesses casos. “O masseter participa diretamente da mastigação e do fechamento da mandíbula. Quando permanece excessivamente contraído, pode causar dor, rigidez e sensação de peso na parte inferior do rosto”, explica.

Com o tempo, a atividade muscular intensa também pode contribuir para a hipertrofia do masseter, aumentando o volume da região e deixando o contorno da mandíbula mais largo ou marcado. A alteração, entretanto, não acontece da mesma forma em todas as pessoas e precisa ser diferenciada de características ósseas, acúmulo de gordura, flacidez e outros fatores que influenciam o formato do rosto.

“Nem toda mandíbula marcada significa hipertrofia muscular, assim como nem toda dor facial é provocada por bruxismo. A avaliação deve observar a musculatura, os dentes, a articulação temporomandibular, os hábitos do paciente e o momento em que os sintomas aparecem”, orienta Dra. Layse.

Em casos selecionados, a aplicação de toxina botulínica no masseter pode ser considerada para reduzir temporariamente a força de contração muscular. Estudos indicam possível redução da intensidade das contrações e da dor, mas o procedimento não elimina todas as causas relacionadas ao bruxismo e não substitui uma investigação completa.

A diminuição da atividade do masseter também pode produzir uma mudança gradual no contorno do terço inferior da face quando existe hipertrofia. “A finalidade principal deve ser funcional: reduzir a sobrecarga e o desconforto. O afinamento do rosto pode ocorrer como consequência da redução do volume muscular, mas a indicação não deve ser baseada apenas em uma expectativa estética”, ressalta a especialista.

O tratamento pode envolver diferentes abordagens, como mudanças de hábitos, estratégias para redução da tensão, acompanhamento do sono, placas oclusais quando indicadas e avaliação integrada com outros profissionais. “A toxina botulínica pode ser uma ferramenta útil, mas precisa fazer parte de um plano individualizado. O objetivo é controlar a sobrecarga muscular, proteger as estruturas envolvidas e preservar a harmonia do rosto sem comprometer funções como mastigação e expressão”, conclui Dra. Layse. 

 

Fonte: Dra. Layse Schuster — Cirurgiã-dentista e especialista em Harmonização Facial | Mestre pela USP e UFMG.
Instagram: @dralaysebh


Surto de salmonela na Europa reacende alerta sobre cuidados na cozinha

Um surto de salmonela na Europa voltou a colocar em evidência
os riscos das infecções transmitidas por alimentos
Envato
Mais de 300 pessoas foram infectadas, ao menos 34 precisaram de hospitalização e uma morte foi associada ao surto

 

Um surto de salmonela, que já atingiu mais de 300 pessoas na Europa e causou uma morte no Reino Unido, voltou a colocar em evidência os riscos das infecções transmitidas por alimentos — e os cuidados que podem aumentar ou reduzir as chances de contaminação.

O episódio está associado ao consumo de ovos contaminados da produtora Laerco BV, na Bélgica, o que levou a Agência Federal para a Segurança da Cadeia Alimentar da Bélgica (FASFC) a ampliar o recall dos produtos na região. No Brasil, contudo, não há registro de risco relacionado ao surto, já que o país não importa ovos in natura da União Europeia e mantém rígidos controles do sistema de inspeção sanitária.

Dados provisórios do Sistema de Saúde Pública do Reino Unido mostram que a Inglaterra registrou 2.020 notificações laboratoriais de Salmonella não tifoide no primeiro trimestre de 2026, ante 1.588 no mesmo período de 2025 — crescimento de 27,2%.


O que é salmonela?

Salmonela é o nome dado a um grupo de bactérias capazes de causar infecções gastrointestinais. A transmissão ocorre principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados, embora também possa acontecer pelo contato com animais, ambientes contaminados e, com menor frequência, de uma pessoa para outra.

Ovos e aves estão entre os alimentos mais frequentemente associados à bactéria, mas não são os únicos. Carnes, leite não pasteurizado, frutas, verduras e outros produtos também podem servir como veículos de transmissão.

Os sintomas mais comuns incluem diarreia, cólicas abdominais, febre, náuseas e, em alguns casos, vômitos. Na maioria das pessoas, a infecção é autolimitada e desaparece sem tratamento específico. Crianças pequenas, idosos, pessoas imunossuprimidas e pacientes com determinadas condições de saúde, porém, têm maior risco de desenvolver complicações.

Em situações mais graves, a bactéria consegue ultrapassar a barreira intestinal e atingir a corrente sanguínea. A partir daí, a infecção pode se disseminar pelo organismo e evoluir para quadros potencialmente fatais, como sepse.

No surto britânico, duas pessoas apresentaram infecção na corrente sanguínea e uma morte foi associada ao episódio. As autoridades não divulgaram detalhes sobre a vítima enquanto a investigação permanece em andamento.

“A Salmonella é um microrganismo altamente adaptado. Ela contamina água e alimentos, impactando a saúde pública de forma massiva”, explica Alberto Gonçalves Evangelista, pesquisador do Biopark.

Ele atua no Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Alimentos Saudáveis, que trabalha no desenvolvimento de estratégias de controle para mitigar a circulação de bactérias e de genes de resistência antimicrobiana entre o campo e a mesa do consumidor.


O perigo também pode estar na própria cozinha

Embora o surto britânico esteja sendo investigado a partir de uma possível relação com ovos importados, o episódio chama atenção para um problema mais amplo: a forma como os alimentos são manipulados depois que chegam à cozinha.

Durante a investigação, as autoridades identificaram possíveis episódios de contaminação cruzada em dois dos estabelecimentos analisados.

Essa contaminação acontece quando microrganismos presentes em um alimento cru chegam a outro alimento — especialmente àquele que já está pronto para ser consumido — por meio das mãos, facas, tábuas, pratos, bancadas ou outros utensílios.

Um exemplo está em um hábito ainda comum: lavar o frango cru antes do preparo. Embora pareça uma medida de higiene, a prática pode produzir o efeito contrário. Os respingos da lavagem podem transportar microrganismos presentes na carne para a pia, torneira, bancada, utensílios e alimentos próximos. Além disso, se a água não apresentar a qualidade adequada, pode inserir microrganismos que até aquele momento não existiam no alimento.

O que torna o frango seguro é o cozimento adequado, combinado a medidas que evitem a contaminação cruzada.

Também não é possível confiar apenas nos sentidos para saber se um alimento está contaminado. A presença de Salmonella não necessariamente altera cheiro, cor, textura ou sabor. Um ovo, uma carne ou outro alimento podem parecer perfeitamente normais e ainda assim carregar a bactéria.

Por isso, procedência, higiene das mãos, separação entre alimentos crus e prontos para consumo, refrigeração adequada e cozimento correto são barreiras mais eficazes do que simplesmente observar o aspecto do alimento.

Mas alguns hábitos domésticos transmitidos de geração em geração ainda confundem higiene com segurança microbiológica. Veja o que é mito e o que é verdade sobre a salmonela.


Mitos e verdades

1. É possível identificar um alimento contaminado pelo cheiro ou pela aparência.
MITO — Um alimento pode conter Salmonella sem apresentar alterações perceptíveis de cheiro, sabor, cor ou aparência.

2. Ovos podem transmitir salmonela mesmo quando parecem normais.
VERDADE — A contaminação não necessariamente provoca mudanças visíveis no ovo ou na casca.

3. Ovo caipira ou orgânico não tem salmonela.
MITO — O método de produção, por si só, não garante que o alimento esteja livre da bactéria.

4. Lavar o ovo antes de guardá-lo elimina o risco.
MITO — A lavagem doméstica pode tornar o ovo menos seguro, já que compromete barreiras naturais da casca. O cuidado com armazenamento, manipulação e cozimento continua necessário.

5. Lavar o frango cru torna a carne mais segura.
MITO — A água não elimina de maneira segura as bactérias presentes na carne e os respingos podem espalhar microrganismos pela pia, bancada e utensílios.

6. Cozinhar adequadamente é uma das principais formas de proteção.
VERDADE — Temperaturas suficientemente altas destroem a Salmonella. O importante é que o alimento atinja cozimento adequado também em seu interior.

7. Congelar mata a salmonela.
MITO — A bactéria pode sobreviver ao congelamento. Baixas temperaturas dificultam sua multiplicação, mas não constituem um método confiável para eliminá-la.

8. A geladeira mata a bactéria.
MITO — A refrigeração ajuda a controlar a multiplicação bacteriana, mas não necessariamente destrói a Salmonella já presente no alimento.

9. Uma salada pode ser contaminada pelo frango cru mesmo sem encostar nele.
VERDADE — Uma faca, tábua, mão ou superfície que teve contato com a carne crua pode transportar microrganismos para alimentos que serão consumidos sem cozimento.

10. Só frango e ovos transmitem salmonela.
MITO — Água, carnes, leite não pasteurizado, frutas e verduras também podem estar envolvidos. Surtos já foram associados até mesmo a alimentos como chocolate e pasta de amendoim.

11. Limão ou vinagre eliminam a salmonela.
MITO — A acidez desses ingredientes não substitui o cozimento adequado nem transforma automaticamente um alimento contaminado em seguro para consumo.

12. Preparações com ovo cru exigem atenção especial.
VERDADE — Maionese caseira, mousses, tiramisù e outras receitas que utilizam ovos sem cozimento podem ser preparadas com ovos pasteurizados para reduzir o risco.

13. Se o frango está branco por dentro, necessariamente está seguro.
MITO — Cor e aparência não são as formas mais confiáveis de determinar se todas as partes do alimento atingiram temperatura suficiente para destruir microrganismos.

14. A salmonelose pode provocar a morte.
VERDADE — Embora a maioria das pessoas se recupere, em alguns casos a bactéria chega à corrente sanguínea e pode provocar infecções sistêmicas, sepse e outras complicações graves. Isso é especialmente impactante para pessoas mais sensíveis, como gestantes, idosos e crianças.

15. Toda salmonelose precisa ser tratada com antibióticos.
MITO — A maioria dos casos é autolimitada. Antibióticos ficam reservados principalmente para situações específicas, pacientes de maior risco ou infecções mais graves, conforme avaliação médica. Nunca use antibióticos por conta própria, pois isso pode induzir a resistência antimicrobiana e agravar problemas que você ainda nem sabe que existem.

16. Crianças pequenas, idosos e imunossuprimidos merecem atenção especial.
VERDADE — Esses grupos apresentam maior probabilidade de desenvolver formas graves da doença e complicações.

17. Depois que o alimento foi cozido, não existe mais risco.
MITO — Uma carne perfeitamente cozida pode voltar a ser contaminada se for colocada no mesmo prato que recebeu o alimento cru ou entrar em contato com mãos e utensílios contaminados.

18. Esponjas de louça velhas podem acumular e espalhar bactérias.
VERDADE — Por permanecerem úmidas e reterem resíduos de alimentos, as esponjas podem favorecer a sobrevivência e o crescimento de microrganismos. Não existe um intervalo científico universal que determine sua troca a cada determinado número de dias. Elas devem ser bem enxaguadas, mantidas o mais secas possível entre os usos e substituídas quando estiverem desgastadas, com mau cheiro ou não puderem mais ser adequadamente higienizadas. Esponjas que tiveram contato com líquidos de carnes ou aves cruas exigem atenção especial.

19. Medidas simples reduzem boa parte do risco.
VERDADE —Lavar adequadamente as mãos, separar alimentos crus daqueles prontos para consumo, cozinhar os alimentos de maneira correta, manter os perecíveis refrigerados e evitar preparar comida para outras pessoas quando se está com sintomas gastrointestinais estão entre as principais medidas preventivas.

O surto britânico não significa que ovos ou frango devam ser eliminados do cardápio. O episódio reforça algo mais útil para a vida cotidiana: segurança alimentar depende de uma sequência de cuidados, desde a origem do produto até o momento em que ele chega ao prato.

E alguns deles começam justamente com a revisão de hábitos que parecem higiênicos, mas que podem não oferecer a proteção imaginada — ou até facilitar a disseminação de microrganismos pela cozinha.


Especialista esclarece as principais dúvidas sobre a Febre do Nilo Ocidental

Com quatro casos no país, prevenção depende principalmente do combate aos mosquitos

 

O Brasil já registra quatro casos confirmados de Febre do Nilo Ocidental em humanos em 2026, sendo dois em São Paulo e dois em Santa Catarina. Uma morte foi registrada no estado catarinense e há ainda um caso em investigação no Piauí. Diante da identificação de novos episódios, a Dra. Alice Del Colletto, professora e coordenadora do curso de Biomedicina da Estácio, reforça a importância das medidas de prevenção contra a doença, que é transmitida principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex. 

“A Febre do Nilo Ocidental é uma doença causada pelo vírus West Nile, pertencente à família dos flavivírus, a mesma da dengue, zika, chikungunya e febre amarela. A transmissão ocorre principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongos. As aves silvestres são os principais reservatórios naturais do vírus. O mosquito pica uma ave infectada e, posteriormente, ao picar uma pessoa ou um cavalo, pode transmitir o vírus. Lembrando que a doença não é transmitida pelo contato direto entre pessoas, como abraço, beijo ou compartilhamento de objetos”, explica a especialista. 

A maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas. Quando aparecem, os sinais podem incluir febre, dor de cabeça, dores no corpo, fadiga, náuseas, vômitos e manchas avermelhadas na pele, geralmente surgindo entre dois e 14 dias após a infecção. “Cerca de 80% dos infectados não apresentam sintomas. Na maior parte dos casos sintomáticos, a doença evolui de forma leve e os sintomas desaparecem espontaneamente. No entanto, em menos de 1% dos pacientes, o vírus pode atingir o sistema nervoso central e provocar manifestações graves, como meningite, encefalite, tremores, confusão mental, convulsões e até paralisias. Idosos, pessoas imunossuprimidas e indivíduos com doenças crônicas estão entre os grupos com maior risco de complicações”, informa a professora. 

Ainda não existe vacina para uso humano nem medicamento específico capaz de eliminar o vírus. O tratamento é de suporte, com medidas para aliviar os sintomas e controlar eventuais complicações. “Como não existe vacina para humanos, a principal forma de prevenção é evitar a picada dos mosquitos. O uso de repelente, roupas compridas, telas em portas e janelas e mosquiteiros em locais de maior risco são algumas das medidas recomendadas. Também é importante eliminar recipientes que acumulem água parada, manter caixas d’água fechadas e os quintais limpos”, orienta Alice. 

Segundo a biomédica, apesar do principal vetor da doença ser diferente do Aedes aegypti, a eliminação de criadouros contribui para o controle de diferentes doenças transmitidas por mosquitos. 

“Embora os novos registros demandem atenção, a presença de casos não significa, neste momento, que o Brasil esteja diante de uma epidemia. Como o ser humano é considerado um hospedeiro acidental, o ciclo de transmissão depende principalmente da interação entre aves e mosquitos. Ainda assim, diante de febre acompanhada de sintomas neurológicos, especialmente após exposição a áreas com circulação do vírus, a recomendação é procurar atendimento médico”, conclui.


Estácio
estacio.br


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