A violência contra pessoas idosas pode se manifestar de diferentes
formas. Embora a agressão física seja mais facilmente reconhecida pela
população, especialistas alertam que a violência ocorre também por meio da
negligência, do abandono, da violência psicológica, do controle financeiro, da
exclusão social, da infantilização e do desrespeito à autonomia. Muitas dessas
situações permanecem invisíveis no cotidiano, o que dificulta sua identificação
e enfrentamento.
Para ampliar a compreensão da sociedade sobre as diferentes formas
de violência e fortalecer uma cultura baseada no cuidado, no respeito e na
proteção, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) lançou a Campanha
de Enfrentamento à Violência Contra a Pessoa Idosa. Desenvolvida por um
grupo de trabalho multidisciplinar da entidade, a iniciativa reunirá, ao longo
de um ano, ações educativas promovidas pelas seccionais da SBGG em diferentes regiões
do país.
Violência vai muito além da agressão física e muitas vezes é
invisível
Embora a agressão física seja a forma mais facilmente reconhecida
pela população, especialistas alertam que a violência contra pessoas idosas se
manifesta de diferentes maneiras e muitas vezes permanece invisível. Entre as
formas mais frequentes estão negligência, abandono, violência psicológica,
controle financeiro, exclusão social, infantilização e desrespeito à autonomia.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), violência contra a pessoa
idosa é definida como “qualquer ação ou omissão, única ou repetida, ocorrida em
uma relação de confiança e que provoque dano, sofrimento ou angústia”. Na
prática, significa que a violência pode ocorrer não apenas de forma física, mas
também psicológica, patrimonial, institucional ou por negligência, o que
contribui para sua subnotificação e naturalização.
“Falar sobre violência contra a pessoa idosa também é falar sobre
cuidado. Muitas vezes, a violência aparece justamente quando deixamos de reconhecer
a autonomia, a história e o direito dessa pessoa de participar das próprias
decisões”, afirma Maria Angélica Sanchez, assistente social, especialista em
Gerontologia, membro do Conselho Consultivo Pleno da SBGG e uma das coordenadoras
da campanha.
Segundo a especialista, muitos comportamentos violentos ainda são
naturalizados nas relações familiares e de cuidado, o que dificulta sua
identificação. “Quando falamos em violência contra a pessoa idosa, muitas
pessoas pensam apenas em agressões físicas. Mas ela também está presente na
negligência, no abandono, no isolamento social, no controle financeiro e em
situações em que a autonomia e a dignidade são desrespeitadas. Precisamos
ampliar esse entendimento na sociedade”, destaca.
Violência estrutural, etarismo e o desafio de garantir
direitos
Outro aspecto que preocupa especialistas é a violência estrutural,
caracterizada por mecanismos sociais, econômicos, políticos e institucionais
que dificultam o acesso da população idosa a direitos, serviços e oportunidades.
A discriminação por idade, a burocratização de direitos e a exclusão social
também são formas de violência que comprometem a qualidade de vida e a
cidadania dessa população.
Para Vania Beatriz Herédia, professora, pesquisadora, socióloga,
doutora em História, membro da Comissão de Normas da SBGG e também coordenadora
da campanha, um dos principais desafios é o reconhecimento dessas violências.
“Ainda é difícil identificar e discutir a violência contra pessoas
idosas porque muitos preconceitos relacionados ao envelhecimento continuam
profundamente presentes na nossa cultura. Precisamos superar a ideia de que
determinadas situações são naturais do envelhecimento. Combater a violência
também significa enfrentar o etarismo e valorizar a autonomia, a dignidade e os
direitos da população idosa”, afirma.
A campanha também chama atenção para o envelhecimento acelerado da
população brasileira e para a necessidade de fortalecer redes de apoio,
proteção e convivência intergeracional.
“O enfrentamento da violência exige uma mudança cultural.
Precisamos fortalecer redes de proteção social, qualificar profissionais,
apoiar famílias e construir uma sociedade que enxergue o envelhecimento com
mais respeito e responsabilidade coletiva. O cuidado com a pessoa idosa é uma
responsabilidade de todos”, conclui Vania.
Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – SBGG
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