Segundo o Ministério da Saúde, doença afeta cerca de 10% da população adulta brasileira — entre 16 e 20 milhões de pessoas
O tratamento do
diabetes vive uma revolução silenciosa, marcada pela incorporação de novas
tecnologias e medicamentos que permitem um cuidado cada vez mais personalizado.
De bombas de insulina com inteligência artificial a canetas que auxiliam no
controle da glicose e na perda de peso, o cenário atual mostra que não existe
mais uma única linha de tratamento, mas sim múltiplos caminhos adaptados às
necessidades de cada paciente.
Segundo o
coordenador técnico da Amparo Saúde, Leonardo Demambre Abreu, médico de família
e comunidade, o monitoramento contínuo da glicose é especialmente indicado para
pessoas com diabetes tipo 1 e para pacientes com diabetes tipo 2 que utilizam
insulina. “O grande benefício é mostrar o comportamento da glicose ao longo do
dia e da noite, permitindo ajustes mais precisos no tratamento e maior
segurança para o paciente”, explica.
Para aqueles que
estão no início da doença, tratados apenas com mudanças no estilo de vida e
medicamentos orais, o acompanhamento pode ser feito com exames periódicos e
medições capilares. A decisão, reforça Abreu, deve ser individualizada, levando
em conta o risco de hipoglicemia, a rotina e a capacidade de autocuidado de
cada pessoa.
Os números
reforçam a urgência de novas abordagens. O Ministério da Saúde aponta que o
diabetes já afeta cerca de 10% da população adulta brasileira — entre 16 e 20
milhões de pessoas — e que a incidência da condição aumentou 135% em apenas 18
anos. O impacto é sentido em todas as faixas etárias, exigindo estratégias
específicas para crianças, adultos e idosos.
Linhas de
cuidado
“As linhas de
cuidado se baseiam em uma abordagem integral e individualizada. Não basta olhar
apenas para a glicose. É preciso considerar idade, tipo de diabetes, rotina,
alimentação, atividade física, saúde mental, risco cardiovascular, função
renal, visão, saúde dos pés e capacidade de autocuidado”, afirma Abreu. Em
crianças e adolescentes, o foco é proteger o crescimento e o bem-estar
emocional; nos adultos, prevenir complicações e manter produtividade; e nos
idosos, evitar hipoglicemias, quedas e perda de independência.
A tecnologia tem
papel central nesse processo. As bombas de insulina mais avançadas já integram
sensores contínuos de glicose e algoritmos capazes de ajustar automaticamente a
infusão do hormônio. Embora ainda não sejam totalmente autônomas, esses
sistemas reduzem episódios de hipoglicemia e aumentam o tempo em que a glicose
permanece dentro da faixa adequada. O chamado pâncreas artificial em circuito
fechado total, que dispensa a necessidade de informar refeições, desponta como
promessa para o futuro.
Paralelamente,
novos medicamentos mudaram a forma de tratar o diabetes tipo 2. A tirzepatida,
conhecida comercialmente como Mounjaro, ganhou destaque por atuar tanto no
controle da glicose quanto na perda de peso. “É importante dizer que eles não
são apenas ‘canetas emagrecedoras’. São medicamentos metabólicos, com indicação
médica, critérios de uso, benefícios e possíveis efeitos adversos”, ressalta Abreu.
Outros fármacos, como os agonistas de GLP-1 e os inibidores de SGLT2, também se
consolidaram por proteger coração e rins, além de reduzir a glicemia.
O acompanhamento
clínico continua essencial. Exames como hemoglobina glicada, avaliação da
função renal, perfil lipídico, rastreamento oftalmológico e exame dos pés devem
ser realizados periodicamente. “Esses exames ajudam a identificar precocemente
complicações nos rins, olhos, coração, circulação e nervos periféricos”,
reforça o médico.
O futuro do cuidado em diabetes aponta para uma medicina cada vez mais personalizada, que combina medicamentos modernos, tecnologia de ponta, monitoramento contínuo, educação em saúde e acompanhamento multiprofissional. Como resume Abreu: “O maior ganho é transformar o cuidado em algo mais proativo, com decisões mais rápidas e personalizadas”.
Grupo Sabin
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