Organização
Mundial da Saúde anunciará erradicação do Poliovírus 3, mas tipo 1 ainda é uma
ameaça se cobertura vacinal estiver abaixo do recomendado
Prevenível por meio da
vacinação, a poliomielite é uma doença causada pela infecção de diferentes
poliovírus, que podem atingir o sistema nervoso central e a medula espinhal,
provocando a paralisia, sendo mais comum a dos membros inferiores. Conhecida
popularmente como “paralisia infantil”, é considerada eliminada no Brasil desde
1989, quando o último caso foi registrado na cidade de Souza, na Paraíba. De lá
para cá, pouco se ouviu a respeito da enfermidade, que fez 26 mil casos no País
entre 1968 e 1989.
No entanto, esse quadro pode
mudar se a cobertura vacinal continuar diminuindo. Por isso, é necessário
educar e conscientizar as pessoas a respeito da importância da prevenção e,
principalmente, pais, mães e avós, para levarem seus filhos e netos tomar a
vacina, que é distribuída gratuitamente na rede pública. 24 de outubro, Dia
Mundial de Combate à Poliomielite, é a data escolhida pela ONU (Organização das
Nações Unidas) para chamar a atenção sobre a gravidade da doença e os riscos
que ela oferece. Nesse sentido, uma boa notícia é a total erradicação do
poliovírus 3, que será anunciada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) no
próximo dia 24. Esse tipo de poliovírus não é detectado em nenhum lugar do
mundo desde 2012, assim como o poliovírus 2, que foi considerado totalmente
erradicado em 1999. Mas a luta para erradicar o tipo 1 continua.
Por isso, a Sanofi Pasteur,
divisão de vacinas da Sanofi, trabalha a favor da saúde pública brasileira,
desenvolvendo novas soluções para eliminar doenças infecciosas, como a pólio. A
Sanofi Pasteur atua na Iniciativa Global de Erradicação da Pólio da Organização
Mundial da Saúde, sendo a maior fornecedora de vacinas contra a doença no
mundo.
“Infelizmente, a
poliomielite não é considerada erradicada em todo o mundo porque ainda há
registro da doença selvagem em três países: Nigéria, Paquistão e Afeganistão.
Enquanto houver casos, existe o risco de contaminação e, por esse motivo, é
muito importante que as pessoas não se acomodem e continuem vacinando seus
filhos”, explica Sheila Homsani, diretora médica da Sanofi Pasteur.
Segundo a especialista, a sensação de que não existe perigo favorece a queda da
cobertura vacinal e pode contribuir para a volta de casos em nosso país, como
ocorreu com o Sarampo recentemente.
Transmissão
De acordo com a
médica, o vírus da poliomielite entra no organismo através de contato direto pessoa a pessoa (falar, espirrar,
tossir), por objetos, alimentos e/ ou água contaminados com o vírus da pólio,
podendo acessar a corrente sanguínea e, assim, alcançar o sistema nervoso
central. A infecção se instala no sistema nervoso destruindo os neurônios
motores o que, consequentemente, causa a paralisa. “Há ainda o risco das
células que controlam os músculos respiratórios e de deglutição serem atacadas
e o quadro evoluir gravemente”, ressalta.
Um dado que
muitas pessoas desconhecem é que a doença também pode acometer adultos,
podendo, inclusive, levar ao óbito. “A poliomielite está sempre associada à
infância, mas ela é capaz de infectar qualquer pessoa que não tenha sido
imunizada, independentemente da idade”, afirma Sheila. A especialista explica
ainda que, quem contraiu o vírus no passado não está livre de apresentar
sequelas futuras. “A Síndrome Pós-Poliomielite é uma disfunção neurológica que
pode se manifestar 15 anos após o indivíduo ter adquirido a doença”. Por
isso a médica alerta sobre a importância de estar atento a sintomas como
fraqueza, fadiga e dores musculares e articulares. “Essa síndrome chega de
maneira muito silenciosa, e, como consequência da pólio, a melhor forma de
evitá-la é a vacinação”.
A vacina
inativada contra a poliomielite é totalmente segura, produzida com vírus
inativado, e está disponível na rede pública de saúde. Ela é indicada para
crianças com mais de seis semanas de vida ou pessoas que vivam em áreas
endêmicas. Na rede privada, também é possível encontrar um imunizante
hexavalente, que protege crianças contra a pólio e outras cinco doenças:
difteria, tétano, coqueluche, hepatite b e Haemophilus influenzae tipo
b.
“A maioria das
pessoas infectadas não manifesta sintomas e, assim, a poliomielite pode passar
desapercebida. No entanto, mesmo nesses casos, elas ainda podem transmitir a
doença ou desenvolver a Síndrome Pós-Poliomielite. É nosso dever alertar a
população sobre esses riscos”, conclui Sheila Homsani.
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