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quinta-feira, 27 de março de 2025

O evento acontecerá neste domingo (30), às 10h, na Avenida Paulista, e reunirá pacientes, familiares, profissionais da saúde e apoiadores da causa. A participação é gratuita e aberta ao público

 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 50 milhões de pessoas no mundo são diagnosticadas com epilepsia e, no Brasil, estima-se que entre 2 a 3 milhões de pessoas possuam a doença. Trata-se de um distúrbio neurológico caracterizado por crises epilépticas recorrentes que ocorrem devido a descargas elétricas anormais no cérebro. Embora muitas pessoas consigam controlar a doença com medicação, há casos em que os tratamentos convencionais não são eficazes. Nessas condições, existem algumas opções, como a cirurgia ressectiva, dieta cetogênica e a terapia VNS (Terapia de Estimulação Elétrica do Nervo Vago).

Por todo o mundo, março é escolhido como o Mês Roxo, período em apoio à conscientização sobre a epilepsia. A escolha da data se dá pelo fato de que, no dia 26 de março, celebra-se o Dia Internacional de Conscientização sobre a Epilepsia – o Purple Day. Para reforçar a importância do tema e incentivar a disseminação de informações sobre a condição, no dia 30 de março, às 10h, na Avenida Paulista, acontecerá a Caminhada pela Epilepsia, um evento realizado pela ABE (Associação Brasileira de Pacientes com epilepsia) e apoiado pela LivaNova, empresa global de tecnologia médica, que reunirá pacientes, familiares, profissionais da saúde e apoiadores da causa. A participação é gratuita e aberta ao público.

“Estaremos reunidos em frente ao Parque Mário Covas para a concentração, e de lá, iremos caminhar com o objetivo sensibilizar a população sobre os desafios enfrentados por quem vive com epilepsia. “Nosso compromisso é fomentar o diálogo sobre os tratamentos inovadores disponíveis, promovendo uma ampla conscientização nacional e demonstrando que é possível proporcionar aos pacientes uma vida com mais qualidade”, afirma Marcio Yoshikawa, General Manager Latam da LivaNova. O Purple Day trata-se de um movimento global que busca expandir o entendimento sobre a doença, ao mesmo tempo em que combate estigmas e preconceitos, promovendo a inclusão e o acesso ao melhor cuidado possível.”


Segunda chance 

Sandra observou que seu filho, com apenas dois meses de vida, estava com as mãos e os pés rígidos. Após investigar as causas, por meio de exames, foi descoberto que João Fernando tinha epilepsia. A partir daí, uma série de tratamentos medicamentosos e idas e vindas a hospitais passaram a ser rotina na vida dessa família. Como consequência, Sandra, que dava aula para outras crianças, observou que seu filho tinha alguns atrasos de aprendizagem, mas nunca desistiu do tratamento. Mesmo após 20 anos, os procedimentos não tinham resultados efetivos, até descobrirem uma alternativa aos medicamentos. Era a terapia VNS, um tipo de marca-passo cerebral para pacientes com epilepsia resistente a medicamentos e sem indicação para cirurgia ressectiva.

“Tivemos algumas preocupações normais com a cirurgia, mas resolvemos ir em frente e foi tudo muito tranquilo. Primeiro o aparelho ficou desligado, então estávamos bastante ansiosos. Quando o aparelho foi ligado, logo no começo, já percebemos uma melhora, principalmente na parte cognitiva, onde anteriormente tínhamos observado um atraso. As crises melhoraram também, de forma gradual. E então ele ficou mais independente”, afirma Sandra. “Hoje ele até faz a comida dele, anda pelo bairro e vai ao mercado, coisas que ele não fazia antes. E numa dessas, ele até conseguiu o primeiro trabalho. A qualidade de vida dele agora é outra”, completa a mãe. 

A Terapia VNS consiste em um pequeno dispositivo, similar a um marca-passo, que emite impulsos elétricos para o nervo vago esquerdo localizado no pescoço. Esse nervo conduz os sinais ao cérebro, auxiliando no controle das crises epilépticas ao estabilizar a atividade elétrica cerebral. “A VNS Therapy representa um avanço significativo no tratamento da epilepsia resistente a medicamentos. Com mais de 30 anos de experiência nessa terapia, a LivaNova é líder global no desenvolvimento de soluções inovadoras para pacientes que enfrentam crises epilépticas de difícil controle. Nossos produtos são fabricados em Houston, Texas, VNS Therapy da LivaNova está presente nos principais mercados do mundo, sendo o único dispositivo do segmento comercializado tanto nos Estados Unidos quanto na Europa”, conta Flávio Pacheco, Gerente Clínico de Neuromodulação da LivaNova.

O procedimento é minimamente invasivo, realizado por meio de pequenas incisões para implantar o gerador sob a pele e conectar os eletrodos ao nervo vago. Além da estimulação programada, os pacientes contam com um ímã que pode ser utilizado no início de uma crise, ajudando a reduzir sua intensidade ou até interrompê-la. O dispositivo também possui a tecnologia AutoStim, que detecta automaticamente sinais fisiológicos associados a uma crise iminente e ativa a estimulação de forma preventiva.

“Nosso compromisso é oferecer mais qualidade de vida e autonomia para pacientes e suas famílias, permitindo que possam retomar suas atividades com mais segurança e independência, sempre com o respaldo de uma tecnologia confiável e continuamente aprimorada”, completa. Flávio.  


Disponibilidade pelo SUS

Embora o Ministério da Saúde tenha aprovado a incorporação da terapia VNS ao SUS em 2018, o tratamento ainda não está disponível na rede pública. Segundo a presidente da Associação Brasileira de Epilepsia (ABE), Maria Alice Mello Susemihl, ainda há dificuldade pelos pacientes em acessar o tratamento, que precisam recorrer à Justiça para obter a terapia. A entidade tem dialogado com o Ministério da Saúde há anos e chegou a enviar uma carta à Secretaria de Atenção Especializada à Saúde (SAES), ressaltando que a falta de implementação desrespeita tanto os profissionais envolvidos no processo quanto o direito à saúde da população, mas ainda não houve novidades no caso.

Serviço

Evento: Caminhada pela Epilepsia
Data: 30 de março de 2025
Horário: 10h
Local: Avenida Paulista, 1853 – em frente ao Parque Mário Covas
Realização: LivaNova


Sintomas confusos? Médico ensina a diferenciar ansiedade de outras doenças

Médico ensina a identificar corretamente uma crise de ansiedade e adotar hábitos que podem melhorar o quadro


Em tempos de incertezas e sobrecarga de informações, a ansiedade se tornou uma companhia constante e seus sintomas, muitas vezes, se confundem com os de outros males. Mas, afinal, como diferenciar uma crise de ansiedade de outras patologias? Segundo o médico pós-graduado em Psiquiatria, membro da Associação Brasileira de Médicos com Expertise em Pós-Graduação (Abramepo), Fernando Negri, o cenário atual traz dúvidas aos pacientes, e por isso é importante saber identificar corretamente quando uma crise está a caminho ou está acontecendo. ‘’É preciso conhecer os sinais, principalmente para fornecer ao médico um histórico mais completo sobre a situação, e assim o atendimento será mais eficaz e assertivo’’, comenta. 

De acordo com Negri, que também é psicanalista, os sintomas físicos de uma crise de ansiedade podem incluir "sudorese, tontura, aumento da tensão muscular, da pressão sanguínea ou até da frequência cardíaca. Ele ressalta que existem sintomas mais subjetivos, como "falta de ar, aperto no peito e dificuldade para respirar", que podem ser interpretados como físicos, mas estão ligados a uma sensação de desespero. 

Sintomas da ansiedade sintomas se confundem com os de outros males
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O especialista adverte sobre a dificuldade de distinguir a ansiedade de outras condições médicas com sintomas semelhantes. "É sempre importante buscar atendimento médico, principalmente em casos de falta de ar ou dor no peito", orienta. Segundo ele, a diferenciação de patologias é feita por exclusão, ou seja, após descartar outras possíveis causas fisiológicas ou cardíacas, é que serão analisadas possíveis causas psicológicas.

 

Como ter certeza?

Não existem exames laboratoriais ou de imagem que confirmem uma crise de ansiedade. Nas palavras do médico da Abramepo, esse diagnóstico se dá unicamente pela avaliação clínica do médico ao estado do paciente, os sintomas físicos e os sintomas subjetivos relatados. "Não é possível definir nada sem uma anamnese completa e sem conhecer os sintomas que estão acontecendo na frente do médico", afirma.  

Aprender a reconhecer uma crise de ansiedade é o principal fator de apoio ao paciente. “Uma pessoa com bom autoconhecimento pode relatar com mais exatidão as crises, dando ao médico responsável uma direção mais plausível para a situação. Afinal, nem tudo é ansiedade, e isso precisa estar claro para o paciente”, conta Negri.


O estilo de vida pode ajudar

Fique atento aos sinais que seu corpo dá
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A depender do tipo de ansiedade presente, é possível atuar com tratamentos específicos, e em alguns casos, a cura é uma possibilidade. "Em casos de transtorno de adaptação, por exemplo, a ansiedade pode desaparecer após a resolução da situação. No entanto, transtornos como a ansiedade generalizada e a síndrome do pânico não têm cura, mas podem ser gerenciados’’, revela.  

Para reduzir os sintomas de ansiedade, o especialista recomenda mudanças no estilo de vida. “A privação do sono é um fator extremamente convidativo para transtornos psiquiátricos, em geral. Se houver problemas de insônia atrelados às crises, isso também precisa ser tratado. Resumidamente, a receita não muda: atividade física, boa alimentação e uma boa noite de sono podem melhorar drasticamente a vida de um paciente.” 

Para o especialista, gatilhos comuns que podem piorar a ansiedade devem ser evitados, dentro do possível, como o excesso de preocupações, o excesso de tarefas a serem realizadas e a falta de limite entre o horário de trabalho e o horário de convivência familiar. ‘’Separe a sua vida profissional da pessoal e evite consumir muita informação ao mesmo tempo, como o uso de telas desenfreado, que pode sobrecarregar o sistema de preocupação e gerar sintomas ansiosos’’, finaliza.

 

Com “Quartas da Saúde", Pague Menos oferece serviços gratuitos em seus consultórios farmacêutico

 

Os clientes poderão realizar serviços farmacêuticos como exame de glicemia e avaliação corporal (bioimpedância) nas mais de 1.100 unidades que contam com o consultório farmacêutico Clinic Farma 


A Pague Menos, segunda maior rede de farmácias no Brasil e a primeira a estar presente em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, anuncia as "Quartas da Saúde", uma iniciativa que visa ampliar o acesso a serviços de saúde de qualidade para a população. O projeto, disponível nas unidades da rede que possuem o Clinic Farma, oferece gratuidade em diversos serviços de saúde, como exame de glicemia e outros procedimentos. 

O Clinic Farma, presente em mais de 1.100 lojas da Pague Menos e Extrafarma, é um espaço dedicado à prestação de serviços farmacêuticos e de saúde, com profissionais capacitados para oferecer atenção primária à saúde e auxiliar na promoção da saúde e bem-estar dos clientes. A iniciativa reforça o compromisso da rede de farmácias em democratizar o acesso à saúde, oferecendo e destacando a importância do acesso ao cuidado preventivo. 

"Acreditamos que a saúde deve ser acessível a todos", afirma Socorro Simões, diretora do Hub de Saúde da Pague Menos. "Com as 'Quartas da Saúde', queremos incentivar a população a cuidar da saúde de forma preventiva, oferecendo serviços de qualidade. E o Clinic Farma é um importante aliado nesse processo educacional, proporcionando um atendimento individualizado e humanizado aos nossos clientes". 

A Pague Menos e Extrafarma facilitam o acesso a exames de rotina por meio dos consultórios farmacêuticos do Clinic Farma. Lançados em 2016, contêm o objetivo de melhorar a saúde e qualidade de vida da população, esse espaço oferece mais de 50 procedimentos, como exames de análises clínicas, acompanhamento farmacêutico, aplicação de injetáveis, vacinação e diversas opções de serviços graças a soluções modernas oferecidas por health techs. 

Outro diferencial da companhia é a sua capilaridade e estrutura omnichannel, que permite a compra de itens pelo app, site Clique & Retire, Prateleira Infinita, lockers, televendas além de um canal de compras via Whatsapp, criado em parceria com a Suri by Chatbot Maker, oferecendo ainda mais conveniência e praticidade aos clientes. “Nosso objetivo é transformar a farmácia em mais um ponto de cuidado e bem-estar para a população, se tornando uma aliada à saúde pública”, finaliza.


Mulheres têm catarata antes dos homens

Levantamento mostra que o diagnóstico entre 50 e 55 anos é 35% maior entre elas. Entenda.

 

Os hormônios sexuais femininos estão relacionados a muitas funções no organismo da mulher, inclusive à visão. Pior: Em média, a mulher brasileira entra na menopausa aos 48 anos. A queda na produção dos estrogênios faz com que o diagnóstico da catarata, opacificação do cristalino, ocorra antes entre elas. De acordo com o oftalmologista. Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier, recente levantamento realizado nos prontuários de 520 pacientes do hospital, mostra que entre 50 e 55 anos o diagnóstico de catarata é 35% maior entre mulheres por conta da menopausa

 

Causas e fatores de risco

O oftalmologista afirma que isso acontece porque a porque o epitélio, camada externa do cristalino, tem receptores de estrogênios que inibem o desenvolvimento da catarata. Por isso quando a produção desses hormônios é interrompida pela menopausa, acelera a opacificação do cristalino. No Brasil, comenta, a terapia de reposição hormonal é adotada por uma minoria de mulheres. “Isso acontece por falta de acesso ao acompanhamento médico por grande parte da população, recomendação de especialistas quando a mulher tem predisposição à formação de coágulos ou quando há casos de câncer ginecológico na família. 

Queiroz Neto destaca que em toda a população a maior causa da catarata é o envelhecimento. Isso porque, o envelhecimento aumenta a produção de radicais livres e a aglomeração das proteínas do cristalino que impedem a transmissão da luz à retina. Para se ter ideia, a estimativa da OMS (Organização Mundial da Saúde) é de que a catarata atinge globalmente 17% dos que têm de 55 a 65 anos, 47% dos que têm 75 anos e 73% das pessoas com mais de 75 anos.

Outras causas da catarata apontadas pelo oftalmologista são: traumas, incluindo lesões no olho, doenças e cirurgias cerebrais, diabetes, alta miopia, ingestão abusiva de sal, disfunções da tireoide, uso contínuo de corticoide para tratar doenças autoimunes e exposição dos olhos ao sol sem lentes com filtro ultravioleta.

 

Sintomas

Os sintomas da catarata elencados pelo oftalmologista são: Diminuição da visão de contraste; Dificuldade de adaptação de um ambiente claro para outro escuro; Visão dupla; Redução da visão noturna; Cegueira momentânea ao conduzir um veículo com faróis contra; Troca frequente dos óculos de grau.

 

Tratamento

Queiroz Neto afirma que a única cura para catarata é a cirurgia. O procedimento é rápido, seguro, não dói e é feito com aplicação de anestesia local. Consiste na substituição do cristalino opaco pelo implante de uma lente intraocular. Por isso, a escolha da lente, esférica ou asférica, tem importância significativa no resultado da cirurgia, um momento único que determina a qualidade de visão para o resto da vida. O oftalmologista explica que a lente esférica oferecida pelo SUS e planos de saúde corrige hipermetropia ou de miopia, mas não elimina as aberrações ópticas que influem na visão noturna e de contraste. Por isso a qualidade de visão é inferior. Já a lente asférica ou premium pode ser monofocal, ou seja, corrigir a miopia ou hipermetropia, tórica que corrige simultaneamente o astigmatismo, multifocal que inclui a correção da presbiopia além dos vícios de refração ou de foco estendido cuja proposta é corrigir a visão de longe e meia distância. “ Todas as lentes premium corrigem também as aberrações visuais”, salienta. Por isso, a qualidade de visão é superior e a dependência dos óculos é menor, esclarece.

Para quem pensa em optar por uma lente barata para depois trocar, o oftalmologista ressalta que o explante é um procedimento de alto risco que pode causar descolamento de retina, infecção e sangramento interno no olho, aumento da pressão intraocular e queda das pálpebras. Por isso não é recomendado

 

Prevenção

A catarata é inevitável, mas pode ser adiada. As orientações do oftalmologista são: Manter os níveis de glicemia sob controle através de hemogramas completos periodicamente, alimentação equilibrada e rica em fibras; Quando um dos pais ou ambos têm alta miopia buscar informações para conter a miopia do filho visando reduzir os riscos de descolamento de retina, degeneração miópica e catarata precoce quando chegar à idade adulta: Controlar o consumo de sal, doces e bebidas alcoólicas; Sempre proteger os olhos nas atividades esportivas de impacto; Usar óculos com lentes que filtrem a radiação UV durante a exposição ao sol, finaliza.

 

A permissão da prescrição de medicamentos por farmacêuticos no Brasil vira batalha jurídica

A prescrição farmacêutica no Brasil, tema de grande relevância para a saúde pública, voltou a ser discutida com a publicação da Resolução do Conselho Federal de Farmácia (CFF) nº 2, de 2025. Essa nova resolução, que entrará em vigor em abril de 2025, representa um marco importante na ampliação das atribuições dos farmacêuticos, permitindo-lhes prescrever medicamentos, incluindo aqueles aprovados pela Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa) com venda somente sob prescrição médica. No entanto, o impacto dessa mudança ainda está sendo debatido, principalmente devido à intervenção do Conselho Federal de Medicina (CFM), que já entrou com uma ação judicial para contestar a validade da resolução. Esse impasse jurídico, que poderá levar à suspensão ou revisão das normas, deixa no ar o futuro da prescrição farmacêutica no país. 

A Resolução CFF nº 2/2025 surge em um contexto de profundas transformações na atuação dos farmacêuticos no Brasil. Desde a Resolução CFF nº 586, de 2013, - suspensa em 2024 por decisão judicial - houve um avanço na autonomia dos farmacêuticos para prescrever, ressaltando o papel do farmacêutico como orientador. Era possível prescrever qualquer produto sem exigência de prescrição médica, ou seja, medicamentos de venda livre, como analgésicos, antialérgicos, relaxantes musculares, além de cosméticos, suplementos. A prescrição de produtos tarjados “sob receita médica” já ocorria de forma mais limitada, mediante existência de diagnóstico prévio e sob protocolos e diretrizes aprovados em serviços de saúde. 

A nova resolução, por sua vez, vai além, permitindo que o farmacêutico prescreva medicamentos sujeitos a receita médica, como antibióticos e antidepressivos, entre outros, desde que haja a qualificação adequada do profissional e a indicação correta para o paciente. Para garantir que essa prática seja realizada de forma responsável, a resolução exige a obtenção do Registro de Qualificação de Especialista (RQE), um certificado que atesta a especialização do farmacêutico nas áreas relacionadas à prescrição. 

A exigência do RQE é uma das grandes inovações da nova resolução, pois coloca uma ênfase adicional na qualificação dos farmacêuticos, considerando que a prescrição de medicamentos exige um conhecimento técnico profundo e específico. O farmacêutico, ao adquirir uma especialização e ser registrado como especialista, passa a ter a responsabilidade não só de realizar a prescrição, mas também de monitorar e ajustar os tratamentos de acordo com as necessidades dos pacientes. Com essa medida, o CFF busca garantir maior segurança e qualidade na prática farmacêutica, além de destacar a importância do profissional como agente de saúde integral. 

No entanto, a mudança não vem sem controvérsias. A atuação do CFM, que já entrou com medida judicial contra a nova resolução, evidencia a resistência de parte da classe médica a essa ampliação das competências do farmacêutico. Para o CFM, a prescrição de medicamentos, especialmente os sujeitos a controle médico, deve ser uma atribuição exclusiva dos médicos, que são vistos como os profissionais mais preparados para realizar diagnósticos e determinar tratamentos. 

O CFM também argumenta que a sobreposição de competências pode causar confusão entre os profissionais de saúde e prejudicar a relação médico-paciente. Por sua vez, os farmacêuticos defendem que possuem conhecimento clínico e farmacológico para receitar e acompanhar pacientes com segurança, o que já acontece na prática em locais onde o acesso a serviços médicos é limitado, quando muitos pacientes recorrem aos farmacêuticos para orientações em atenção primária à saúde. 

A decisão judicial que suspendeu parcialmente a Resolução CFF nº 586, por exemplo, já evidenciava o conflito entre as duas categorias, gerando uma atmosfera de incertezas quanto à efetividade da resolução anterior. Agora, com a publicação da nova norma, esse impasse jurídico se agrava, pois a resolução ainda precisa ser validada diante das pressões do CFM e das questões legais que surgem no processo. 

Apesar da controvérsia, a nova resolução representa uma medida ainda mais ousada do Conselho Federal de Farmácia para expandir as fronteiras do cuidado farmacêutico. Ao permitir a prescrição de medicamentos, inclusive tarjados, o CFF não apenas reafirma a relevância do farmacêutico no processo de cuidado com o paciente, mas também se posiciona como um protagonista nas políticas de saúde pública. O farmacêutico, agora, tem um papel mais ativo no tratamento e monitoramento de doenças, especialmente aquelas crônicas e que exigem acompanhamento contínuo de terapias complexas. 

Essa ampliação de competência, entretanto, exige uma reflexão sobre os desafios que os farmacêuticos enfrentarão na prática. A qualificação necessária para exercer a prescrição de medicamentos deve ser acompanhada de um compromisso com a educação continuada, para garantir que os profissionais estejam atualizados quanto às novas terapias e aos melhores protocolos clínicos. Além disso, a regulamentação precisa ser clara sobre os limites e as responsabilidades dos farmacêuticos, para que a prescrição não seja confundida com ato médico, mantendo sempre o foco na segurança e no bem-estar do paciente. 

Em minha opinião, o Conselho Federal de Farmácia fez uma aposta significativa ao ampliar as atribuições do farmacêutico, destacando sua capacidade de atuar de maneira mais proativa no cuidado dos pacientes. Ao permitir a prescrição de medicamentos, o CFF também coloca os farmacêuticos em uma posição de maior responsabilidade, o que, em última instância, contribui para uma abordagem mais integrada da saúde. No entanto, a medida exige um processo de adaptação tanto por parte dos farmacêuticos, que precisarão se qualificar ainda mais, quanto por parte dos órgãos reguladores e do próprio sistema de saúde. 

A prescrição farmacêutica é, sem dúvida, um passo importante na direção de um cuidado mais abrangente e multifacetado, mas sua implementação bem-sucedida dependerá de como os conflitos legais, como o envolvendo o CFM, serão resolvidos pelo Judiciário. Com a entrada em vigor da resolução em abril de 2025, espera-se que as discussões em torno do papel do farmacêutico continuem a ser um ponto de debate relevante no campo jurídico e na prática da saúde no Brasil.

 

Claudia de Lucca Mano - advogada e consultora empresarial atuando desde 1999 na área de vigilância sanitária e assuntos


Reposição hormonal feminina oferece benefícios, mas exige cuidados

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Especialista da SBD-RS orienta sobre indicações, vantagens e precauções no tratamento durante o climatério e a menopausa

 

A terapia de reposição hormonal feminina (TRH) tem sido uma importante aliada no alívio de sintomas como ondas de calor, suores noturnos e dificuldades que impactam a qualidade de vida de mulheres no climatério e na menopausa. O professor de Endocrinologia da UFRGS, e membro da diretoria da Associação Brasileira de Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, Prof. Dr. Fernando Gerchmann, ressalta que o tratamento pode reduzir a frequência dos sintomas em 70% e a severidade em até 90%, proporcionando melhorias significativas no bem-estar das pacientes. 

“A reposição hormonal é indicada para mulheres com sintomas intensos e que estejam prejudicando sua qualidade de vida, especialmente nos primeiros anos após a menopausa e no climatério (fase que a mulher está entrando na menopausa). O ideal é que o tratamento seja iniciado nos primeiros 10 anos após o início dessa fase e antes dos 60 anos, garantindo maior eficácia e segurança”, destaca o Endocrinologista. 

Apesar dos benefícios, o uso da TRH exige atenção. Segundo Dr. Gerchmann, o tempo recomendado para a terapia é de 4 a 5 anos, a fim de evitar riscos adicionais, como aumento da probabilidade de câncer de mama, doenças cardiovasculares e eventos tromboembólicos. 

“A mulher deve ser acompanhada por um médico, realizar exames como mamografia e Papanicolau e avaliar o histórico familiar de doenças antes de iniciar o tratamento”, complementa o especialista. Há evidências que sugerem que esse efeito pode ter um benefício sobre a pele das pacientes, possivelmente ajudando a preservar sua jovialidade.  

A SBD-RS reforça que toda decisão sobre reposição hormonal deve ser tomada com acompanhamento especializado, considerando os benefícios e riscos para a paciente. Em casos de dúvidas ou suspeitas relacionadas à saúde dermatológica, procure um médico dermatologista. A lista de profissionais qualificados está disponível no site www.sbdrs.org.br

 

Marcelo Matusiak

 

Além do tremor: o que ninguém fala sobre o Parkinson

Dr. Marcelo Valadares, neurocirurgião funcional e pesquisador da Unicamp, destaca a necessidade de um olhar empático para os sintomas não motores da condição


O Parkinson é amplamente associado ao tremor, mas há outros sintomas que ultrapassam os distúrbios motores e impactam significativamente a qualidade de vida dos pacientes: fadiga intensa, dores crônicas, alterações cognitivas, dificuldades emocionais e alterações autonômicas podem estar associadas à doença, mas são frequentemente subestimadas pelos profissionais da saúde e pela sociedade, embora representem um comprometimento na autoestima e autonomia dos pacientes.

O Dr. Marcelo Valadares, neurocirurgião funcional e pesquisador da Disciplina de Neurocirurgia na Unicamp, alerta que sintomas como constipação intestinal, quedas de pressão, dificuldades de fala e problemas posturais muitas vezes passam despercebidos ou são confundidos com outras condições, retardando um diagnóstico preciso.

"A avaliação clínica não deve se limitar aos sintomas motores, uma vez que os sinais não motores podem ser igualmente debilitantes", afirma. A identificação precoce e o tratamento adequado das manifestações não motoras são indispensáveis para o acompanhamento desses pacientes.

A doença afeta 1% da população mundial com mais de 65 anos, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS)1. No Brasil, a estimativa é de que aproximadamente 200 mil pessoas vivam com a condição.2

 

A importância do acompanhamento e a evolução da doença

A progressão do Parkinson varia de paciente para paciente. Enquanto alguns permanecem estáveis por décadas, outros podem experimentar uma evolução acelerada.  "Pacientes mais jovens, na faixa dos 50 anos, costumam sofrer mais impacto na rotina, pois ainda estão no mercado de trabalho e enfrentam desafios como tremores em situações profissionais", explica o Dr. Valadares. 

A perda da independência, a dificuldade em planejar viagens e a impossibilidade de realizar tarefas cotidianas podem gerar um forte impacto emocional. Não por acaso, depressão e ansiedade são frequentes entre os pacientes. "Estima-se que cerca de 50% dos pacientes apresentem quadros de depressão3 e até 20%4 desenvolvam depressão severa", aponta o médico.

Para garantir um atendimento eficaz, profissionais de múltiplas áreas da saúde devem adotar uma escuta ativa e promover um espaço onde os pacientes se sintam confortáveis para relatar as dificuldades. Segundo o neurocirurgião, a empatia aliada a uma anamnese detalhada, permite compreender melhor os impactos subjetivos da doença. “Muitas vezes, o que mais aflige o paciente não é o tremor ou a rigidez, mas sim as limitações que afetam sua independência e bem-estar emocional. Compreender essa dimensão exige tempo e um acompanhamento mais próximo”, destaca. Ele ressalta, ainda, que um tratamento eficiente deve ser multidisciplinar incluindo apoio psicológico, fisioterapia e fonoaudiologia (quando necessário).

 

O desafio estrutural e a necessidade de políticas públicas eficazes

A falta de infraestrutura disponível para o tratamento é um dos grandes desafios no Brasil. “Nos grandes centros urbanos, há hospitais de referência do SUS que oferecem com excelência o suporte necessário, mas, nas cidades menores, o acesso a profissionais capacitados e a terapias complementares, ou até mesmo cirurgias que poderiam beneficiar o indivíduo ainda é extremamente limitado”, alerta o Dr. Valadares.

Além desta carência, a distribuição irregular de medicamentos prejudica consideravelmente o tratamento. “O desabastecimento de medicamentos é um problema recorrente. Uma fiscalização mais rigorosa e um planejamento mais eficiente ajudariam a garantir a continuidade do tratamento”, esclarece.

A acessibilidade também representa um grande obstáculo. “As leis sobre o tema ainda são falhas e, muitas vezes, não aplicadas. O simples ato de caminhar pelas ruas pode ser uma experiência desagradável para quem tem limitações motoras, devido às barreiras urbanísticas”, observa o médico.

Por outro lado, há avanços, como a isenção do imposto de renda para aposentados e pensionistas diagnosticados com Parkinson5 - embora essa medida não contempla aqueles que ainda estão em atividade profissional. 

 

Necessidade de inclusão e suporte

Os impactos menos evidentes do Parkinson nem sempre são reconhecidos, tornando o diagnóstico e o tratamento mais complexos. Muitos pacientes enfrentam dificuldades para manter suas atividades laborais, seja por preconceito ou pela necessidade de adaptação às novas condições impostas pela doença. As famílias também sentem os reflexos da doença, e muitas vezes assumem o papel de cuidadoras sem o suporte adequado, o que gera sobrecarga emocional e financeira.

"Se quisermos melhorar o suporte aos pacientes com Parkinson, precisamos ampliar nossa compreensão sobre a doença e reconhecer suas múltiplas dimensões. O manejo deve ir além do controle dos sintomas motores, promovendo o bem-estar geral do paciente e permitindo que ele continue participando ativamente da sociedade", reflete o neurocirurgião. Para ele, uma abordagem integrada e humanizada, políticas públicas abrangentes, ambientes de trabalho acessíveis e fomento às iniciativas que permitam a inclusão dos pacientes na vida social e profissional são fundamentais para essa doença.




Dr. Marcelo Valadares - médico neurocirurgião e pesquisador da Disciplina de Neurocirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A Neurocirurgia Funcional é a sua principal área de atuação. Seu enfoque de trabalho é voltado às cirurgias de neuromodulação cerebral em distúrbios do movimento, cirurgias menos invasivas de coluna (cirurgia endoscópica da coluna), além de procedimentos que envolvem dor na coluna, dor neurológica cerebral e outros tipos de dor. O especialista também é fundador e diretor do Grupo de Tratamento de Dor de Campinas, que possui uma equipe multidisciplinar formada por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e educadores físicos. No setor público, recriou a divisão de Neurocirurgia Funcional da Unicamp, dando início à esperada cirurgia DBS (Deep Brain Stimulation – Estimulação Cerebral Profunda) naquela instituição. Estabeleceu linhas de pesquisa e abriu o Ambulatório de Atenção à Dor afiliado à Neurologia.



Fontes:

1 e 2: Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson – Biblioteca Virtual em Saúde: Acesso em: https://bvsms.saude.gov.br/dia-mundial-de-conscientizacao-da-doenca-de-parkinson/#:~:text=Dados%20da%20Organiza%C3%A7%C3%A3o%20Mundial%20de,pessoas%20sofram%20com%20o%20problema.

3: Depressão na doença de Parkinson: uma revisão narrativa. Acesso em: https://pmc-ncbi-nlm-nih-gov.translate.goog/articles/PMC9447473/?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=sge#:~:text=Ter%20depress%C3%A3o%20aumenta%20o%20risco,ao%20conte%C3%BAdo%20publicado%20no%20Cureus.

4: Depressão em pacientes com doença de Parkinson: compreensão atual de sua neurobiologia e implicações para o tratamento. Acesso em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9200562/

5: Como funciona a isenção do Imposto de Renda para aposentados e pensionistas diagnosticados com doença grave. Acesso em: https://www.gov.br/secom/pt-br/fatos/brasil-contra-fake/noticias/2024/como-funciona-a-isencao-do-imposto-de-renda-para-aposentados-e-pensionistas-diagnosticados-com-doenca-grave



Câncer: feijão é aliado na prevenção da doença

No Dia Mundial do Combate à doença, especialistas reforçam a importância da alimentação

 

No Dia Mundial do Combate ao Câncer, celebrado em 8 de abril, especialistas reforçam a importância da alimentação na prevenção da doença. Um dos alimentos mais tradicionais da mesa dos brasileiros, o feijão, merece destaque não apenas por seu valor nutricional, mas também pelo seu papel na redução dos riscos de neoplasias. 

De acordo com a engenheira de alimentos da Combrasil, Ana Rachel Bernardes, o feijão é um alimento completo e rico em componentes essenciais para a saúde. "Além de diminuir o risco de obesidade, ele auxilia no tratamento do diabetes, doenças cardiovasculares, regula o intestino e favorece o ganho de massa muscular. Mas o que muitos não sabem é que ele também está associado ao combate ao câncer", destaca. 

O grande diferencial do feijão está no seu baixo índice glicêmico, que controla a liberação de glicose no sangue, reduzindo os níveis de insulina. "Estudos apontam que altos índices de insulina estão diretamente ligados ao desenvolvimento de câncer e tumores. O feijão, por liberar a glicose de forma mais lenta, contribui para o equilíbrio do organismo e pode ajudar a reduzir esse risco", explica Ana Rachel. 

Além disso, o feijão é rico em fitoquímicos, compostos antioxidantes que atuam na proteção celular e no fortalecimento do sistema imunológico. Ele também fornece ferro, zinco, cálcio, fibras solúveis, vitaminas do complexo B, minerais, proteínas e até ômega 3 – um conjunto de nutrientes que fortalece o corpo e ajuda na prevenção de diversas doenças. 

Diante de tantos benefícios, a especialista reforça a importância do consumo diário. “Uma concha de feijão por dia já é suficiente para garantir o aporte necessário de nutrientes e os efeitos positivos na saúde. É um alimento acessível, versátil e essencial para todas as idades”, finaliza. 

Neste Dia Mundial do Combate ao Câncer, o alerta fica para a importância da alimentação equilibrada como aliada na prevenção da doença. O feijão, presente no dia a dia dos brasileiros, pode ser um grande aliado nessa batalha.

 

PESADELOS FREQUENTES? NEUROCIENTISTA EXPLICA O QUE OS SONHOS REVELAM SOBRE A SAÚDE DO CÉREBRO

Sonhos podem indicar sinais e que ajudam a entender como está a saúde mental  


Durante o sono, principalmente na fase REM (movimento rápido dos olhos), o nosso cérebro está em plena atividade, processando emoções e consolidando memórias, e é nessa hora que os sonhos acontecem. Áreas que são ligadas a emoção, como a amígdala e a memória como o hipocampo, são ativadas, enquanto o córtex pré-frontal, que influencia na lógica e no raciocínio crítico, permanece mais inativo. Sendo assim, já que nesse período o cérebro está reorganizando as memórias e emoções, sem a interferência do pensamento racional, os sonhos podem ser menos intensos e muitas vezes até mesmo sem sentido.
 

Segundo especialistas, os pesadelos podem ser sinais de que o emocional não está bem e associados a condições como transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), ansiedade e até depressão. A repetição de episódios assim pode ocasionar em um desequilíbrio na maneira como o cérebro está lidando com o estresse ou trauma. Entretanto, os sonhos vívidos podem ser uma manifestação de que o REM está funcionando corretamente, mas também pode ter sido influenciado por distúrbios do sono ou pelo uso constante de medicamentos. 

Já os sonhos agradáveis indicam uma boa regulação emocional e são um sinal de que o cérebro está processando as experiências diárias de uma maneira saudável, o que ajuda a reduzir sintomas de ansiedade e melhora a saúde mental. 

A neurocientista Drª Emily Pires explica: “Os sonhos, especialmente os pesadelos, podem ser uma janela importante para entender o que está acontecendo com a saúde mental, ficar atento a esses sinais e garantir um sono reparador é essencial para manter o cérebro funcionando de maneira saudável.”

Uma abordagem que tem se mostrado muito eficaz na observação da complexidade e dos diferentes estímulos do cérebro humano é o neurofeedback, uma técnica que permite ao cérebro reorganizar seus próprios padrões e, com isso, trazer melhorias significativas para diversos transtornos e condições de saúde mental. Sendo assim, o neurofeedback, pode ser um grande aliado, proporcionando benefícios duradouros para o bem-estar psicológico e neurológico.



BrainEstar
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Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia: como a cannabis pode ajudar?

A associação Santa Cannabis explica que a cannabis medicinal auxilia na redução da frequência e a gravidade das convulsões

 

Hoje, 26 de março é comemorado o Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia, cujo objetivo é conseguir aumentar a conscientização sobre a doença. Milhares de pessoas ao redor do mundo usam roxo - movimento conhecido como ‘Purple Day’ (Dia do Roxo) - para promover ações que tragam esclarecimento e mais informações sobre a epilepsia.

De acordo com dados Organização Mundial de Saúde (OMS), a epilepsia acomete 2% da população brasileira e 50 milhões de pessoas ao redor do mundo. Caracterizada como uma condição neurológica crônica, a epilepsia se manifesta por meio da ocorrência transitória de sinais e/ou sintomas provocados por uma atividade neuronal anormalmente sincrônica e excessiva no cérebro. A hiperatividade elétrica desorganiza o funcionamento normal das redes neurais, resultando em manifestações clínicas como convulsões, alterações motoras, sensoriais, comportamentais e, em alguns casos, perda de consciência.

O tratamento da epilepsia é, em geral, realizado com medicamentos anticonvulsivantes que têm como objetivo prevenir a ocorrência das crises. No entanto, em casos de epilepsia refratária - quando o paciente não responde de forma adequada aos tratamentos convencionais - outras abordagens terapêuticas vêm sendo adotadas, como o uso de medicamentos à base de cannabis medicinal. Pedro Sabaciauskis, fundador e presidente da Santa Cannabis - associação sem fins lucrativos dedicada ao estudo e à distribuição legal de CBD e THC para pacientes com indicação médica -, destaca que a epilepsia foi uma das primeiras doenças a despertar interesse para o uso terapêutico da cannabis.

Segundo Pedro, os primeiros registros do uso medicinal da cannabis remontam a civilizações antigas, com menções ao tratamento de distúrbios neurológicos, e hoje em dia, alguns componentes são muito eficazes para tratar a doença. “O canabidiol (CBD) atua como um potente anticonvulsivante, prevenindo crises epilépticas e oferecendo efeito imediato. Já o tetrahidrocanabinol (THC) auxilia no alívio das dores musculares causadas pelos movimentos involuntários das convulsões, além de ser eficaz no tratamento de enxaquecas, cefaléia e enjoos associados”, explica.

Essas propriedades tornam a cannabis uma alternativa terapêutica relevante no manejo da epilepsia, especialmente em casos de sintomas associados. Por essa razão, diante dos resultados positivos que foram apresentados com o tratamento, desde 2014 o Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamenta o uso compassivo do canabidiol (CBD) para crianças e adolescentes com epilepsia refratária.

No entanto, independentemente do tipo de epilepsia, é fundamental que o uso de medicamentos à base de cannabis medicinal seja feito somente com prescrição médica. Gabriela Kreffta, técnica farmacêutica da Santa Cannabis, ressalta que, por se tratar de uma doença que pode afetar pessoas de todas as idades e em diferentes fases da vida, é necessário cautela. O diagnóstico preciso, aliado à prescrição e à definição correta da dosagem, é essencial para garantir segurança e promover qualidade de vida aos pacientes.

Para Gabriela, o tratamento com canabidiol (CBD), além de ter um histórico de uso milenar, mostra-se promissor devido à sua eficácia e ao perfil de segurança mais favorável em comparação a muitos fármacos tradicionais, que costumam causar efeitos colaterais significativos. “Com o avanço das pesquisas, a aceitação médica tem crescido, permitindo uma abordagem mais integrada e baseada em evidências. No entanto, é fundamental considerar possíveis interações medicamentosas ao introduzir o CBD na rotina terapêutica, garantindo um tratamento seguro e eficaz”, pontua.

Neste sentido, os especialistas da Santa Cannabis destacam ser fundamental ampliar a conscientização sobre como agir diante de uma convulsão. Um dos mitos mais comuns, como segurar a língua da pessoa durante uma crise, pode ser perigoso. Da mesma forma, a ideia de que a cannabis causa danos aos neurônios é equivocada, pois estudos indicam que seus compostos, especialmente o CBD, possuem efeitos neuroprotetores, ajudando a preservar a saúde cerebral e reduzir danos causados por distúrbios neurológicos.

 

Santa Cannabis


Mounjaro segue sem previsão oficial para lançamento no Brasil; preço estimado gera apreensão no mercad

Apesar de rumores sobre lançamento próximo, Eli Lilly não confirma data; altas projeções de custo e tributação preocupam especialistas do setor

 

O medicamento Mounjaro (tirzepatida), produzido pela farmacêutica Eli Lilly, ainda permanece sem uma data definida para sua chegada oficial ao mercado brasileiro, apesar das frequentes especulações que circularam nos últimos meses, algumas das quais chegaram a apontar o mês de junho como provável período de lançamento. No entanto, até o momento, a Lilly não divulgou qualquer informação oficial sobre o início das operações comerciais no país, mantendo o mercado em um clima constante de expectativa e incerteza. 

Essa ausência de definição tem causado um impacto relevante no segmento: profissionais de saúde e pacientes têm adotado uma postura mais cautelosa, preferindo aguardar uma confirmação oficial sobre a disponibilidade do medicamento antes de tomarem decisões clínicas ou optarem por tratamentos alternativos já existentes. Essa espera tem gerado uma leve desaceleração das movimentações comerciais ligadas às terapias para obesidade e diabetes, com muitos consumidores e especialistas optando por aguardar a confirmação definitiva da chegada do Mounjaro. 

Outro fator significativo que contribui para o ambiente de insegurança são as projeções de preço para o medicamento. Segundo fontes do setor, ao avaliar os possíveis valores finais do Mounjaro, considerando-se a alta carga tributária brasileira e os elevados custos de importação, a Eli Lilly teria se surpreendido com estimativas superiores às expectativas iniciais. Internamente, a empresa já trabalha com uma estimativa acima de R$6.810,12 por unidade, um valor que poderia comprometer significativamente a competitividade do produto no mercado brasileiro em comparação com outras terapias já estabelecidas. 

Embora o interesse pela tirzepatida continue alto entre profissionais e pacientes, o silêncio da farmacêutica Eli Lilly reforça o clima de incerteza. Especialistas recomendam cautela nas expectativas e decisões clínicas até que a empresa apresente um posicionamento oficial sobre o lançamento do produto. Por enquanto, tudo permanece no campo das especulações, e o futuro do Mounjaro no Brasil segue indefinido, tanto em relação à data quanto à viabilidade econômica e comercial de sua chegada ao mercado nacional.


Terapia com células do próprio paciente acelera recuperação de lesões musculoesqueléticas

Técnicas como PRP e BMA reduzem inflamações e estimulam regeneração tecidual, sendo opção para quem quer evitar cirurgias

 

Pacientes com lesões musculoesqueléticas e doenças articulares têm recorrido a técnicas regenerativas como o Plasma Rico em Plaquetas (PRP) e o Aspirado de Medula Óssea (BMA) para acelerar a recuperação e reduzir dores sem necessidade de procedimentos invasivos. Essas abordagens utilizam componentes biológicos do próprio corpo para estimular a regeneração dos tecidos lesionados e já são aplicadas na ortopedia para tratar problemas como tendinites, artrose e lesões ligamentares.

“O PRP e o BMA representam um avanço significativo na medicina regenerativa porque atuam na reparação tecidual e não apenas no alívio da dor”, explica o ortopedista Dr. Brasil Sales, especialista em medicina intervencionista da dor. Segundo ele, os tratamentos vêm ganhando popularidade entre pacientes que buscam alternativas eficazes para evitar cirurgias ou o uso prolongado de anti-inflamatórios.


Como funcionam as terapias regenerativas?

O PRP é obtido a partir do sangue do próprio paciente, que passa por um processo de centrifugação para concentrar as plaquetas — células responsáveis pela reparação de tecidos. Quando injetado na região lesionada, o plasma libera fatores de crescimento que reduzem inflamações e estimulam a regeneração celular.

Já o BMA envolve a extração de células progenitoras da medula óssea, geralmente retiradas do osso da bacia, que são então aplicadas na área afetada. Essas células possuem potencial regenerativo maior e são indicadas para casos mais graves, como degeneração avançada da cartilagem.

“O BMA é um tratamento mais potente porque, além dos fatores de crescimento, contém células-tronco que podem se transformar em diferentes tipos de tecido, promovendo uma recuperação mais robusta”, explica o especialista.


Indicações e resultados clínicos

As terapias regenerativas são indicadas principalmente para lesões tendíneas, como tendinite patelar e do manguito rotador, artrose em estágios iniciais e médios, lesões musculares e recuperação pós-cirúrgica em alguns casos. Atletas e pessoas com rotina ativa estão entre os principais beneficiados, já que o tratamento permite um retorno mais rápido às atividades físicas.

Estudos publicados no American Journal of Sports Medicine mostram que o PRP pode reduzir significativamente a dor e melhorar a função em pacientes com lesões crônicas nos tendões. Além disso, pesquisas indicam que a combinação de BMA com técnicas convencionais de ortopedia tem levado a melhores resultados na regeneração da cartilagem e no controle da dor em pacientes com osteoartrite.

“O grande diferencial dessas terapias é que elas não apenas aliviam os sintomas, mas agem no processo de regeneração dos tecidos, o que pode atrasar ou até evitar a necessidade de intervenções mais agressivas, como a cirurgia”, destaca o ortopedista.


Limitações e perspectivas futuras

Embora os resultados sejam promissores, as terapias com PRP e BMA ainda enfrentam desafios, como a variabilidade nos protocolos de aplicação e a resposta individual dos pacientes. Além disso, o tratamento não é indicado para todos os casos. Pacientes com doenças hematológicas, infecções ou artrose muito avançada podem não obter os benefícios esperados.

“O PRP funciona melhor em lesões moderadas e precoces, enquanto o BMA pode ter mais impacto em lesões mais graves. A escolha da técnica depende da condição clínica de cada paciente”, ressalta o Dr. Brasil Sales.

Com a crescente demanda por tratamentos menos invasivos e mais eficazes, novas pesquisas vêm sendo conduzidas para otimizar o uso dessas terapias. O avanço das tecnologias de bioengenharia também pode expandir o potencial regenerativo das células aplicadas, tornando o PRP e o BMA ainda mais eficazes no futuro.

“O que vemos hoje é apenas o começo. A medicina regenerativa tem um enorme potencial para mudar a abordagem no tratamento de lesões musculoesqueléticas, reduzindo a dependência de cirurgias e medicamentos a longo prazo”, conclui o especialista.

 



Dr. Brasil Sales -ortopedista, acupunturista e especialista em medicina intervencionista da dor, com formação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Realizou residência em Ortopedia e Traumatologia no Núcleo Hospitalar Universitário (UFMS) e especialização em Cirurgia de Joelho na Clínica Ortopédica Cidade Jardim, em São Paulo. É membro de diversas sociedades médicas, incluindo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e o Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA). Atua em Tangará da Serra/MT, oferecendo tratamentos como viscosuplementação, infiltração de pontos-gatilho, mesoterapia, acupuntura, eletroestimulação e terapia por ondas de choque. Seu compromisso é proporcionar cuidados de saúde especializados e acessíveis, visando o alívio da dor e a melhoria da qualidade de vida de seus pacientes.
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Com o aumento de casos de dengue em 2025 grávidas precisam redobrar os cuidados

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Entre as complicações, estão o parto prematuro; ONG Prematuridade.com reforça campanha de conscientização e prevenção


Só no início de 2025, de acordo com o painel de monitoramento das arboviroses, o Brasil já registrou mais de 727 mil casos possíveis de dengue, com 384 óbitos confirmados e outros 721 em investigação. Qualquer pessoa pode ser atingida pela doença, porém, existem grupos mais suscetíveis a desenvolver a forma grave, entre eles, as gestantes.
 
Dados do Ministério da Saúde apontam que em 2023 foram registrados 1.157 diagnósticos de dengue em grávidas nas seis primeiras semanas do ano e em 2024, na mesma época, o número aumentou 345,2%, 5.151 casos.

“Uma vez infectadas, as gestantes apresentam maior risco de desfechos desfavoráveis quando comparadas às mulheres não gestantes. Por isso, esse grupo demanda atenção especial em termos de prevenção, diagnóstico e tratamento, sendo fundamental para garantir a segurança e o bem-estar das gestantes e puérperas durante esse período crítico”, destaca o presidente da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), Dr. Regis Kreitchmann.

Diante do problema, a ONG Prematuridade.com reforça o alerta para conscientizar as grávidas e profissionais de saúde sobre os sinais da dengue durante a gravidez. “Por meio de campanhas de conscientização, materiais educativos e parcerias com Governo e instituições profissionais, precisamos divulgar amplamente informações sobre como prevenir a dengue, como reconhecer os sintomas e onde procurar assistência adequada”, diz a diretora executiva da ONG Prematuridade.com, Denise Suguitani.

De acordo com estudo mais recente, publicado por pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), em parceria com a London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM) e Universidade de São Paulo (USP), a dengue hemorrágica aumenta em 2,4 vezes a chance de o bebê nascer prematuro.

As alterações ocorrem principalmente durante a doença aguda. Não existem vacinas contra a dengue liberadas para o uso durante a gravidez. “As gestantes devem estar atentas e procurar atendimento assim que notarem os primeiros sintomas, já que eles podem ser confundidos com os de outras condições comuns na gestação”, salienta Denise. Entre os sintomas mais comuns da dengue, estão dor no corpo e nas articulações, febre, manchas avermelhadas, enjoo e dores abdominais.

O sistema imunológico das grávidas é compartilhado com seu bebê, por isso, são mais suscetíveis a infecções, que podem evoluir para quadros mais graves da doença, uma vez que a dengue afeta diretamente a cadeia plaquetária, favorecendo quadros hemorrágicos. A mãe, se infectada nos primeiros meses, corre o risco de sofrer um aborto espontâneo. Já se a infecção ocorrer no segundo e terceiro trimestres de gravidez, o risco é de um parto prematuro, com todas as possíveis complicações relacionadas, como baixo peso e problemas de desenvolvimento do bebê.

Pensando em ações de prevenção à doença no ano passado, a FEBRASGO, em parceria com o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), lançou o "Manual de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Dengue na Gestação e no Puerpério". O manual foi concebido com o propósito de oferecer orientações específicas e detalhadas sobre a gestão da dengue em grávidas e puérperas, abordando desde o diagnóstico precoce até o tratamento clínico e a prevenção de complicações graves.

“Com esse documento, a FEBRASGO reafirma sua preocupação com a saúde das gestantes e puérperas, que representam um grupo particularmente vulnerável em meio ao avanço de epidemias como a dengue. Nossa prioridade é garantir a saúde da gestante e do bebê”, destaca o Dr. Regis.

Cuidados e Prevenção - A ONG Prematuridade.com reforça as ações de combate à proliferação dos mosquitos, evitando focos de água parada e colocando telas em janelas e portas. Além disso, é recomendado o uso de roupas de cor clara, que cubram o máximo possível da pele. O uso de mosquiteiros sobre a cama também ajuda a evitar as picadas. Em relação aos repelentes, os indicados para o uso em gestantes são aqueles à base de “Icaridina”, o “DEET” e o “IR3535”. Em regiões com temperaturas mais elevadas, esses repelentes devem ser utilizados em períodos mais curtos de tempo. É recomendado o uso em toda a área exposta da pele; no caso de roupas de tecidos finos, sugere-se utilizar o repelente sobre a roupa.
Link:
https://www.febrasgo.org.br/pt/manual-de-prevencao-dengue-na-gestacao
 


ONG Prematuridade.com

 

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