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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Câncer de pele: setor de Beleza e Cuidados Pessoais realiza ação preventiva com a população

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Evento acontece na Av. Paulista e visa conscientizar as pessoas sobre a doença, incentivar o uso diário dos protetores solares, além de desmistificar questões comuns

 

O câncer de pele é o tipo mais comum no Brasil, correspondendo a 30% de todos os tumores malignos registrados no país, segundo o Ministério da Saúde. Caso seja detectado precocemente, a taxa de cura ultrapassa 90%. Para alertar a população sobre esses riscos e promover a saúde, a ABIHPEC - Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, o Instituto ABIHPEC, e o DECOMSAUDE da Fiesp e do Ciesp - promoverão uma ação com foco na proteção solar e na prevenção da doença. O evento ocorrerá no dia 14 de dezembro de 2025, das 10h às 14h, em frente ao prédio da Fiesp (Av. Paulista, 1313). Além da distribuição de protetores solares, o evento vai contar com uma série de atrativos, como game interativo de perguntas e respostas e ação educativa para crianças. 

O objetivo principal é orientar e incentivar a população, quanto ao uso diário dos protetores, e não apenas em momentos de lazer, como na praia, na piscina, ou em outros locais. A utilização diária de protetor solar bloqueia os raios UVA/UVB, prevenindo queimaduras solares e reduzindo significativamente a incidência da doença. A aplicação adequada do protetor solar também é considerada a medida mais eficaz contra o envelhecimento precoce. 

A campanha adota o tema central “Cuidado que inspira! Cuidar da pele é um gesto de amor”, integrando-o ao conceito da campanha do setor de Beleza e Cuidados Pessoais, que traz de forma inédita o conceito de cuidado integral, que abrange as dimensões física, mental e social. A premissa é clara: o ato de usar protetor solar vai além da estética, sendo um gesto de prevenção e saúde que capacita o indivíduo a cuidar de si. 

“Esta ação conjunta demonstra o nosso compromisso inabalável e queremos ir além da conscientização pontual; buscamos criar um hábito. Ao desmistificarmos as dúvidas e tornarmos a informação acessível e interativa, promovemos o bem-estar e garantimos que o consumidor faça escolhas conscientes para a sua saúde e da sua família. É nosso papel, como setor, inspirar esse cuidado que faz acontecer”, comentou Luiz Carlos Dutra, presidente executivo da ABIHPEC. 

Para Luiz Filliettaz, gerente executivo do DECOMSAUDE da Fiesp e do Ciesp, participar de movimentos como este reforça o compromisso com a promoção de saúde, prevenção de doenças e melhor qualidade de vida. “É fundamental que a comunidade compreenda que proteger a pele diariamente é um ato simples, acessível e que salva vidas”, comentou. 

A iniciativa ganha ainda mais força com a participação de empresas líderes e parceiros estratégicos do setor. O time de apoiadores da ação inclui as empresas: Brainfarma, Grupo Boticário, Kenvue, L’Oréal e Pierre-Fabre, além do parceiro de tecnologia IOXTream e a Fiesp como co-organizadora e anfitriã do evento na capital paulista. 



Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos – ABIHPEC
www.abihpec.org.br

 

HIV cresce entre a população 60+ e exige atenção urgente à saúde mental, alerta SBGG

Especialista destaca o impacto psicológico profundo e reforça que apoio familiar e social é essencial para adesão ao tratamento e qualidade de vida.

 

No mês dedicado a abordar a importância da prevenção ao HIV/AIDS e a outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), por meio da Campanha Dezembro Vermelho, a população idosa, involuntariamente, acaba sendo “deixada de lado” por não ser considerada o público-alvo. No entanto, esta atitude se mostra equivocada. Dados do Boletim Epidemiológico sobre HIV/AIDS do Ministério da Saúde mostram que entre 2011 e 2021 foram registrados 12.686 diagnósticos de HIV em pessoas com 60 anos ou mais, além de 24.809 casos de AIDS e 14.773 mortes nessa faixa-etária. Outro dado que chama a atenção é o crescimento acelerado da doença na população idosa. Para se ter ideia, entre 2012 e 2022, houve um aumento de 441% no número de diagnósticos, sendo a única faixa-etária que apresentou aumento percentual no número de óbitos ao longo dessa década. 

O fato é que receber um diagnóstico de HIV após os 60 anos é algo que provoca um forte abalo emocional, que exige uma rede de apoio sensível, acolhedora e, acima de tudo, preparada para lidar com essa nova situação. 

De acordo com a psicóloga, Cecília Galetti, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (Seccional Paraná), diferentes reações refletem o peso emocional do diagnóstico em pessoas idosas, pois muitos ainda carregam as lembranças da época em que o HIV era associado diretamente à morte e isso intensifica o sofrimento psíquico, podendo levar ao retraimento social. “Quando um idoso recebe esse diagnóstico, preconceitos e julgamentos morais costumam surgir, tanto no entorno social quanto dentro da própria família, e para quem vivencia essa situação, o medo da discriminação se torna central, favorecendo o isolamento, a ocultação do diagnóstico e a diminuição da busca por cuidados com a saúde.” 

Ela explica que o impacto emocional costuma ser profundo, sendo que depressão, ansiedade, desesperança, dificuldade de adaptação e até mesmo o aumento de tentativas de suicídio são frequentes. “A depressão é um dos transtornos mais prevalentes entre a população 60+ que vive com o HIV. Além disso, a apatia, a tristeza, a perda de interesse pelas atividades e alterações do sono podem prejudicar a adesão ao tratamento antirretroviral. E há também os casos que o uso de álcool e outras substâncias surge como tentativa inadequada para enfrentar a doença, agravando o caso”, aponta.

 

Apoiar, sempre!

Cecília reforça que o apoio do círculo social é essencial. Família, amigos e comunidades que acolhem, ouvem e validam os sentimentos da pessoa idosa ajudam de maneira significativa no processo de aceitação e cuidado. “Já os que vivem sozinhos ou que enfrentam rejeição, têm índices maiores de abalo na saúde mental e pior adesão ao tratamento.” 

Segundo a psicóloga, para que os familiares possam ajudar, é preciso descontruir antigos paradigmas, abandonando crenças de que pessoas idosas não têm vida sexual ativa. “Sexualidade é parte da condição humana em todas as fases da vida e reconhecer isso possibilita conversas honestas, sem qualquer tipo de moralismo e sem medo”, ressalta Cecília, ao comentar que familiares e cuidadores devem ter atitudes que favoreçam o bem-estar emocional e a autonomia da pessoa idosa. “Ouvir sem julgar e reconhecer o sofrimento da pessoa; rever valores pessoais; incentivar o tratamento clínico e psicológico e fortalecer a autonomia das pessoas são as principais atitudes. Tudo isso melhora a autoestima, reduz o sofrimento emocional e promove a qualidade de vida.”

 

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG

 

 

7 cuidados essenciais para treinar ao ar livre em dias quentes

Profissional de educação física do CEJAM explica como ajustar horário, hidratação, alimentação e intensidade para evitar desidratação e superaquecimento

 

 Treinar ao ar livre é um hábito de muitos brasileiros, mas a exposição direta ao sol pode transformar uma rotina saudável em um risco quando o corpo perde a capacidade de lidar com o calor.  

Segundo Washington Alves, profissional de educação física da UBS Jardim Comercial, unidade gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP), o organismo entra numa disputa interna por energia quando a temperatura está muito elevada. Ele explica que o corpo precisa, ao mesmo tempo, sustentar o esforço físico e acionar mecanismos para resfriar a temperatura interna.  

“Quando o calor é intenso, o corpo liga um modo de emergência. É como tentar acelerar um carro com o motor superaquecendo”, afirma. 

Nesse contexto, aumentam as chances de desidratação, perda de eletrólitos, tontura, queda de pressão, câimbras e até insolação. O profissional reforça que muitos desses riscos podem ser evitados com ajustes simples de rotina, atenção aos sinais do corpo e escolhas mais estratégicas no treino. Abaixo, separamos 7 dicas essenciais para a prática de atividades físicas ao ar livre:       

 

Escolha o horário certo 

Antes das 9 horas e depois das 17 horas, o sol está menos perpendicular e a radiação é mais tolerável. Washington recomenda evitar     o período entre 10 e 16 horas e alerta que a sensação térmica elevada e a umidade acima do comum tornam o esforço ainda mais perigoso. Quem já acorda indisposto, com tonturas      ou mal hidratado também deve adiar o treino.     


Hidrate-se antes, durante e depois do treino 

Multiplicar o peso corporal por 35 mililitros ajuda a calcular o consumo diário de água. Durante o exercício, a orientação é ingerir 200 mililitros a cada 15 ou 20 minutos. Em treinos longos ou sob calor forte, vale incluir reposição de eletrólitos. A perda de sódio, potássio e magnésio está entre as principais causas de câimbras e queda de pressão. 


Reconheça os sinais do corpo 

Tontura, visão escurecida, náusea, dor de cabeça pulsante, arrepios no calor, confusão mental, batimentos mais acelerados sem motivo e ausência de suor são sinais de que é preciso parar imediatamente. “O corpo sempre fala. O problema é quando os sinais são ignorados”, lembra Alves. 


Use roupas adequadas e proteja a pele 

Optar por tecidos leves, respiráveis e de cores claras reduz a absorção de calor. Boné, óculos escuros e protetor solar devem fazer parte da rotina. Sempre que possível, treine em áreas sombreadas para diminuir a sobrecarga térmica. 


Faça um pré-treino leve 

Refeições pesadas antes do exercício desviam sangue para o sistema digestivo e reduzem a capacidade do corpo de se resfriar. Frutas, iogurte e lanches naturais com proteína magra ajudam a manter o nível de energia sem atrapalhar a regulação térmica. “Comida pesada e calor forte não combinam”, diz o educador. 


Reduza a intensidade em dias quentes 

Diminuir de 10 a 30 por cento do ritmo habitual, aumentar os intervalos e priorizar atividades contínuas ajudam a preservar o corpo. “O mesmo esforço exige mais energia sob calor intenso, e o que seria leve num dia fresco vira moderado ou até pesado”, pontua. 


Redobre os cuidados em praias 

A areia e a água refletem radiação e aumentam a exposição. Além disso, o vento pode mascarar a sensação de calor enquanto o corpo continua perdendo líquidos. “O vento engana; a pessoa acha que está mais fresca, mas continua desidratando rápido”, destaca. Nessas condições, hidratação reforçada e pausas frequentes na sombra são indispensáveis. 

Além dessas recomendações, o educador acrescenta que a prática de exercícios ao ar livre continua sendo benéfica, desde que respeitados os limites individuais e as condições ambientais. Para ele, o ponto central é entender que o desempenho não deve ser prioridade em dias quentes. “Treinar faz bem, mas treinar com segurança é fundamental. A combinação de planejamento, atenção aos sinais do corpo e adaptações simples na rotina é o que garante que o exercício cumpra seu papel sem colocar a saúde em risco.”  



CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial


O câncer além do oncologista: especialidades médicas pouco conhecidas que ajudam no tratamento

Radioterapia, medicina nuclear e manejo da dor revelam a complexa rede de especialistas que atuam além do oncologista no combate ao câncer
 

Com o câncer avançando como um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil (e já figurando como principal causa de morte por doença não transmissível em mais de 600 municípios, segundo dados recentes do SUS), entender quem são os profissionais envolvidos no cuidado dos pacientes tornou-se fundamental. Embora o oncologista seja o médico mais lembrado, outras especialidades pouco conhecidas têm papel decisivo no tratamento e na recuperação das pessoas com diagnóstico de câncer. 

Para esclarecer essas áreas, a Faculdade São Leopoldo Mandic, uma das principais instituições de ensino superior na área de saúde do Brasil, conversou com o oncologista clínico Dr. Paulo Pizão, professor da instituição, que destacou especialidades como radioterapia, medicina nuclear e manejo da dor, determinantes para o desfecho clínico, mas ainda pouco reconhecidas pelo público e até por muitos estudantes de Medicina. 

Segundo o especialista, a oncologia moderna depende de uma abordagem multidisciplinar, e não apenas da atuação do cirurgião ou do oncologista clínico. “Estudos mostram que um plano de tratamento integrado, construído por vários especialistas, praticamente dobra a sobrevida em cinco anos quando comparado a decisões tomadas por um único médico”, explica Dr. Pizão.
 

Radioterapia: essencial para até 70% dos pacientes oncológicos

Pouco conhecida entre alunos e até entre profissionais de outras áreas, a radioterapia é uma das especialidades mais determinantes no tratamento do câncer. O Dr. Pizão lembra que entre 40% e 70% dos pacientes tratados com intenção de cura recebem radioterapia em algum momento. 

Apesar disso, muitos estudantes de Medicina nunca têm contato direto com o radioterapeuta durante a graduação. “É o radioterapeuta quem define, planeja, executa e acompanha o tratamento, não o cirurgião, nem o oncologista clínico”, afirma.

O professor destaca ainda o apelo tecnológico da área, que utiliza aceleradores lineares, planejamento computadorizado e conceitos de física nuclear. “É uma especialidade muito sedutora para quem gosta de tecnologia e ciências exatas”, complementa.
 

Medicina Nuclear: tecnologia de ponta, acesso direto e expansão acelerada

Outra especialidade essencial e ainda pouco difundida é a medicina nuclear, que possui residência médica de acesso direto e formação de três anos. Tradicionalmente associada a exames diagnósticos como cintilografias, a área vem ganhando protagonismo também no tratamento oncológico, graças ao avanço dos radiofármacos. 

Dr. Pizão destaca o crescimento dos chamados teranósticos: drogas que combinam radioisótopos a anticorpos monoclonais, permitindo localizar e destruir células tumorais com precisão. “É como um medicamento com CEP: ele encontra exatamente a célula do câncer”, explica. 

O avanço tecnológico ampliou a demanda por especialistas, que já é maior que a oferta no país.
 

Médico da Dor e Medicina Paliativa: formações complementares e indispensáveis

Embora não sejam especialidades regulamentadas como residência médica pelo MEC, tanto o médico da dor quanto o paliativista exercem papéis cruciais no cuidado ao paciente oncológico. A formação é feita por meio de cursos de especialização — muitas vezes buscados por profissionais que ainda não ingressaram em uma residência. 

Na oncologia, o conhecimento em controle da dor é considerado indispensável. “Cerca de 70% dos pacientes com câncer terão dor significativa em algum momento da trajetória, mesmo aqueles que alcançarão a cura”, reforça o oncologista. 

Além disso, na maior parte das vezes, o paciente em crise de dor será atendido por plantonistas — e não por oncologistas. Por isso, capacitar médicos generalistas para manejo adequado da dor torna-se fundamental.
 

A importância de apresentar essas áreas aos futuros médicos

Como docente da Mandic desde a primeira turma, o professor reforça a responsabilidade das escolas médicas em expor os estudantes a especialidades menos visíveis, mas fundamentais. Ele já chegou a dividir a disciplina de Oncologia com uma radioterapeuta, proporcionando aos alunos uma formação mais completa. 

“Os alunos frequentemente diziam que não sabiam que a radioterapia existia como especialidade. Dar visibilidade a essas áreas é uma forma de ampliar horizontes e contribuir para suprir lacunas importantes no mercado. É por isso que o curso de Medicina da Mandic faz parte de uma minoria das escolas em que a disciplina de Oncologia integra a grade curricular na graduação”, finaliza. 



Faculdade São Leopoldo Mandic
slmandic.edu.br
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Uso da semaglutida no tratamento do Alzheimer falhou em “frear” a progressão da doença

Dados apresentados em estudo global mostram falha no desfecho clínico primário, apesar de atenuar os biomarcadores da doença 

 

Pela primeira vez foram apresentados os dados completos dos Estudos Evoke e Evoke+, que avaliaram o potencial da semaglutida – princípio ativo do Ozempic – na progressão do Alzheimer em 3.840 participantes de várias partes do mundo. Os resultados foram mostrados na última quarta-feira (03), durante o Clinical Trials in Alzheimer’s Disease (CTAD), em San Diego/EUA, na presença de pesquisadores de todas as partes do planeta, incluíndo o brasileiro Eduardo Zimmer, pesquisador do Hospital Moinhos de Vento e professor da UFRGS. 

O estudo avaliou o potencial da semaglutida – princípio ativo do Ozempic – em 3.840 participantes do mundo. Embora os resultados da análise primária não tenham alcançado a significância estatística para o desfecho clínico principal (CDR-SB*), o estudo abre caminho para uma reavaliação dos dados e foca a atenção da comunidade científica nos resultados dos biomarcadores que, segundo comunicado oficial da Novo Nordisk – responsável pelo medicamento Ozempic –, apresentaram alterações positivas. 

“O desfecho primário do estudo nos convida a um olhar crítico sobre as métricas utilizadas. Para uma doença de progressão lenta como o Alzheimer, talvez estejamos utilizando ferramentas clínicas pouco sensíveis para capturar os efeitos em um período de tempo limitado de 104 semanas. No entanto, o sinal positivo nos biomarcadores da doença de Alzheimer é um indicativo que não pode ser ignorado e precisa ser investigado”, destaca Zimmer, convidado da Novo Nordisk para participar do evento em San Diego no último dia 03/12. 

A alteração em biomarcadores de Alzheimer e de neuroinflamação no grupo de indivíduos que recebeu a semaglutida sugere a necessidade de uma investigação minuciosa desses dados. A pesquisa indicou que, apesar da não confirmação da superioridade no desfecho clínico, a droga se mostrou segura e bem tolerada, mantendo um perfil consistente a ensaios anteriores. Entretanto, a semaglutida não se mostrou eficaz na redução da progressão da Doença de Alzheimer.
Dentre os novos resultados apresentados, vale destacar a redução dos níveis liquóricos de p-tau, um marcador clássico da doença de Alzheimer, e de YKL-40, um marcador de neuroinflamação. Traduzindo: a redução desses dois marcadores sugere que a semaglutida está, em nível biológico, interferindo positivamente no mecanismo da doença de duas formas principais:
 

1. Reduzindo um marcador da patologia da doença de Alzheimer: a redução do p-tau indica que o tratamento pode estar reduzindo a patologia Tau - componente clássico da doença.
 

2. Reduzindo a inflamação: a redução do YKL-40 sugere que o medicamento pode estar diminuindo a inflamação no cérebro, um fator-chave que acelera a progressão da doença.
 

Em resumo, de maneira preliminar os resultados sugerem a queda nos dois biomarcadores. Isso pode ser interpretado como uma atenuação dos processos patofisiológicos do Alzheimer, mesmo que os efeitos diretos nos sintomas – o desfecho clínico principal – não tenham sido notados no período do estudo. 

O resultado da análise detalhada dos biomarcadores será apresentado em março de 2026 na Dinamarca. “Essas novas análises nos permitirão entender a discrepância entre a resposta biológica e o desfecho clínico. É um bom caminho para futuras investigações, estudos de maior duração ou intervenções em fases ainda mais precoces da doença”, conclui Eduardo Zimmer.

 

*CDR-SB: acrônimo em inglês de “Clinical Dementia Rating - Sum of Boxes”, em tradução livre “Escala Clínica de Demência - Soma de Caixas".


Hospital Moinhos de Vento
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Menopausa rouba o sono de milhões de mulheres. Veja como recuperar noites tranquilas

 

Mudanças hormonais, ansiedade e suor noturno estão entre os vilões do descanso; especialista explica soluções eficazes 


Dormir bem é um dos pilares da saúde, mas para muitas mulheres, a chegada da menopausa transforma a noite em um desafio. Segundo a Sociedade Brasileira de Climatério, SOBRAC, até 60% das mulheres relatam insônia ou alterações significativas no sono durante essa fase da vida. 

A ginecologista Dra. Ana Maria Passos, especialista em saúde da mulher 40+, explica que o problema começa já na perimenopausa: “O declínio hormonal, especialmente da progesterona, afeta diretamente o sono. As mulheres passam a ter um sono leve, não reparador, muitas vezes despertando no meio da madrugada.” 

Além das alterações hormonais, fatores emocionais como ansiedade e sintomas físicos como o suor noturno agravam o quadro. “A saúde começa por um sono de qualidade. A mulher que não dorme bem fica mais cansada, irritada e menos tolerante, além de ter maior risco de ganho de peso e problemas cardiovasculares”, alerta a médica.


Insônia na menopausa afeta mulheres em diferentes países e segue subdiagnosticada

Um estudo de meta-análise publicado em 2023 na revista Sleep and Breathing analisou dados de diferentes países e concluiu que a prevalência global de distúrbios do sono durante a menopausa chega a 54,7% das mulheres. Isso significa que mais da metade das mulheres nessa fase da vida enfrenta algum tipo de dificuldade para dormir, seja insônia, despertares noturnos ou sono não reparador. 

Outro levantamento, conduzido por pesquisadores da Harvard Medical School e publicado em Frontiers in Sleep em 2024, destacou que os distúrbios do sono em mulheres são frequentemente sub diagnosticados e tratados tardiamente, o que agrava os impactos na saúde física e mental.

Esses dados reforçam a fala da Dra. Ana Maria Passos sobre a importância de reconhecer os sinais e buscar ajuda médica: “O momento certo de procurar ajuda é quando o sono deixa de ser reparador e impacta a rotina diária. Se você desperta várias vezes à noite, demora a pegar no sono ou sente que cochila sem descansar, é hora de buscar acompanhamento médico.”


Passos para noites tranquilas na menopausa

Transformar em uma lista de “faça você mesma”, com caixas de seleção:

Converse com seu médico sobre reposição hormonal

Teste suplementos como melatonina ou magnésio

Pratique atividade física regularmente

Crie um ritual de higiene do sono

Experimente meditação ou respiração profunda


Mini-desafios práticos

  • Hoje à noite: desligue telas 30 minutos antes de dormir.
  • Nesta semana: inclua 2 sessões de caminhada ou yoga.
  • Agora: experimente 5 minutos de respiração profunda.

 

Dra. Ana Maria Passosb- Com mais de 19 anos de experiência como ginecologista e obstetra, Dra. Ana Maria Passos oferece um atendimento especializado em saúde da mulher, com foco na prevenção e promoção de um envelhecimento saudável. Atuando na AME Clínica, em Porto Alegre (RS), ela é especialista em perimenopausa, menopausa, endometriose, síndrome dos ovários policísticos e gestação. A Dra. Ana Maria é reconhecida por sua abordagem humanizada e atualizada, utilizando reposição hormonal e suplementação para promover o bem-estar feminino, especialmente em mulheres acima dos 40 anos.



Queda de veto ao exame toxicológico para CNH A e B marca avanço na segurança viária e fortalece necessidade de qualidade nos testes

Para a SBPC/ML, a decisão do Congresso amplia a conscientização sobre riscos no trânsito e reforça a importância da recém-lançada Norma PALC-Toxicologia, que estabelece novos padrões de qualidade para exames toxicológicos no país
 

A derrubada, pelo Congresso Nacional, do veto presidencial que impedia o uso obrigatório do exame toxicológico para emissão da primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias A e B representa um marco para a segurança viária brasileira. A partir de agora, todo candidato à habilitação para conduzir motos e carros deverá realizar o exame toxicológico de larga janela de detecção - exigência que pode contribuir diretamente para a redução de acidentes e para a formação de condutores mais conscientes. 

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), Alvaro Pulchinelli Jr., a decisão fortalece políticas públicas voltadas à prevenção. “A obrigatoriedade do exame toxicológico para as categorias A e B é um avanço importante. Esse exame amplia a conscientização sobre os riscos do uso de substâncias psicoativas e certamente terá impacto positivo na formação dos novos motoristas e na prevenção de acidentes futuros”, afirma. 

O especialista destaca que o impacto do exame vai muito além da detecção de substâncias proibidas: trata-se de uma ferramenta estratégica para promover comportamentos mais seguros entre motoristas iniciantes. “Quando o usuário compreende que substâncias psicoativas comprometem a percepção, o tempo de resposta e a capacidade de julgamento, ele passa a entender o risco real que representa para si e para os outros. O exame toxicológico, nesse contexto, ajuda a consolidar uma cultura de responsabilidade”, explica Pulchinelli. 

O avanço legislativo também reforça a relevância de outro marco recente da área: o lançamento, em setembro, da primeira Norma de Toxicologia do Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos (PALC), desenvolvida pela SBPC/ML. A diretriz estabelece parâmetros técnicos e científicos mais precisos para a realidade nacional, oferecendo aos laboratórios um padrão de qualidade robusto e alinhado às melhores práticas internacionais. 

“Com a Norma de Toxicologia do PALC, conseguimos oferecer uma alternativa sólida, científica e ao mesmo tempo mais adequada à realidade brasileira. Os laboratórios que atuam com toxicologia já precisam ser acreditados, mas até agora as opções eram caras ou pouco ajustadas ao contexto do país”, explica Pulchinelli, patologista clínico e toxicologista. 

O Brasil conta hoje com duas referências principais de acreditação toxicológica: o Colégio Americano de Patologistas, reconhecido globalmente, mas de alto custo, e a ISO 17025, orientada sobretudo a análises técnicas. A norma da SBPC/ML amplia esse escopo ao incorporar exigências da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito), da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e diretrizes internacionais de toxicologia laboratorial. 

A proposta também abrange áreas além da detecção de drogas de abuso, incluindo toxicologia ocupacional e monitoramento de exposição a agentes químicos, em consonância com a Norma Regulamentadora nº 7. “A toxicologia laboratorial tem impacto direto na saúde pública e na segurança da sociedade. Um exame bem realizado pode alertar o paciente sobre riscos e prevenir acidentes graves - no trânsito ou no ambiente de trabalho. Por isso, nossa norma não se limita ao que a lei exige, mas amplia a proteção à população”, ressalta o presidente da SBPC/ML. 

Para Pulchinelli, a combinação entre a obrigatoriedade do exame toxicológico para novos condutores e a entrada em vigor da Norma PALC-Toxicologia reforça a importância de garantir qualidade em todas as etapas do processo. “Somente ter acesso ao exame não basta. É fundamental assegurar que o teste seja confiável, que siga padrões rígidos e que entregue o diagnóstico correto, no momento certo, ao paciente certo”, afirma. 

Desenvolvida por um grupo multidisciplinar de especialistas da SBPC/ML, com participação da Comissão de Acreditação de Laboratórios Clínicos (CALC) e acompanhamento da Senatran, a nova norma permitirá que laboratórios solicitem auditorias e obtenham o selo PALC-Toxicologia, que se soma à acreditação tradicional do programa. 

“Trata-se de um passo histórico. Os laboratórios brasileiros passam a contar com uma diretriz moderna, alinhada às melhores práticas internacionais, mas construída sob medida para a nossa realidade. Queremos fortalecer a rede de toxicologia no país, oferecendo exames de maior qualidade, mais segurança para a população e apoio fundamental aos profissionais de saúde”, conclui Pulchinelli.

 


SBPC/ML - Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial



Tirzepatida e dentistas: até onde vai a atuação profissional?

A recente aprovação da tirzepatida (Mounjaro®️) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento da apneia obstrutiva do sono (AOS) em adultos com IMC igual ou superior a 27 kg/m² reacendeu um debate que há anos ronda consultórios, farmácias e conselhos profissionais: afinal, até onde vai a competência do cirurgião-dentista quando o tratamento da apneia envolve terapias sistêmicas, especialmente agonistas de GLP-1? 

A discussão ganhou força porque a AOS é um território histórico da Odontologia, regulamentado pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) e consolidado pela literatura científica. Portanto, não surpreende que a nova indicação da tirzepatida toque diretamente a fronteira regulatória entre abordagens odontológicas e medicamentos sistêmicos.

É preciso começar pelo básico: a Anvisa regula o produto, não o profissional. 

A Agência não tem competência legal para definir quem pode ou não prescrever medicamentos; seu papel se limita ao registro, às indicações, à rotulagem e às regras de dispensação. A delimitação da atuação profissional é atribuição exclusiva dos conselhos de classe. 

Prova disso é que a própria Anvisa, após provocação do SOERGS (Sindicato de Odontologistas do Rio Grande do Sul), revisou a Instrução Normativa 360/2025 e retirou a expressão “prescrição médica”, substituindo-a por “sob prescrição”, reconhecendo expressamente que não lhe cabe restringir a prescrição odontológica de medicamentos sujeitos à retenção de receita. Ou seja, a aprovação da tirzepatida para AOS não altera, por si só, o escopo de atuação de nenhuma categoria profissional.

Do ponto de vista técnico e ético, o CFO já deu a resposta: o dentista pode prescrever tirzepatida quando essa prescrição estiver inserida no tratamento da apneia obstrutiva do sono. 

Isso exige responsabilidade clínica, domínio farmacológico e, preferencialmente, atuação interdisciplinar, que, na Odontologia do Sono, não é recomendação, mas dever ético. Trata-se de uma área com resoluções próprias, articulada com a Odontologia Hospitalar e amplamente respaldada pela literatura. 

A nova indicação da Anvisa não inaugura nada de revolucionário; apenas acrescenta uma alternativa farmacológica a um campo terapêutico que já integra múltiplas abordagens.

Um ponto frequentemente distorcido nesse debate diz respeito à perda de peso. No contexto da AOS em pacientes com sobrepeso ou obesidade, emagrecer não é consequência estética, mas parte direta do manejo clínico. Redução de gordura cervical, diminuição da circunferência do pescoço e melhora dos índices respiratórios são efeitos desejados e cientificamente documentados. Por isso, o fato de a tirzepatida promover perda de peso não deslegitima sua prescrição pelo dentista — desde que o objetivo seja tratar a apneia, e não o emagrecimento isolado.

A fronteira é clara, técnica e ética: o dentista não prescreve tirzepatida para perder peso, mas para tratar uma doença respiratória do sono em que a redução ponderal é componente fisiopatológico do tratamento.

No âmbito das farmácias de manipulação, o cenário também permanece objetivo. A preparação magistral estéril de tirzepatida continua permitida, desde que o insumo farmacêutico ativo esteja regularizado e que a farmácia cumpra rigorosamente normas como a RDC 67/2007, RDC 471/2021, IN 360/2025 e a Nota Técnica 200/2025. Como substância sujeita à escrituração e retenção de receita, sua dispensação exige rastreabilidade total no SNGPC e avaliação técnica cuidadosa do farmacêutico, independentemente da categoria profissional responsável pela prescrição.

Temos observado, aliás, grande preocupação do varejo farmaceutico (farmácias e drogarias), sobre a possibilidade de aceitar receitas de odontólogos para GLP1. Isso porque a vigilância sanitária fiscaliza os atos de comércio, seja atraves da obrigatória escrituração no SNGPC (Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados), seja nas inspeções in locu. São muitas as autuações sanitárias por aceitar prescrições de profissionais não habilitados. Ocorre que não cabe as farmácias fiscalizar o exercício ético de profissionais de saúde, o que representa ônus excessivo aos farmacêuticos do varejo. 

Em síntese, o arcabouço regulatório atual permite tanto a prescrição quanto a manipulação da tirzepatida no tratamento da apneia obstrutiva do sono em pacientes com sobrepeso ou obesidade. A atuação do dentista é legítima quando há nexo clínico com o manejo da AOS e responsabilidade profissional compatível com a complexidade terapêutica. E é isso que distingue o exercício ético da extrapolação indevida. Não há expansão arbitrária do escopo odontológico, mas o reconhecimento de uma interseção real e bem fundamentada entre terapias farmacológicas e abordagens odontológicas em distúrbios respiratórios do sono.

No fim, a pergunta relevante não é se o dentista “pode” prescrever tirzepatida, mas se a prescrição está clinicamente vinculada ao tratamento da apneia. Quando a resposta é sim, e apenas nesse caso, a atuação não apenas é permitida, mas coerente com a evolução natural da Odontologia do Sono e com a própria lógica terapêutica da AOS.



Claudia de Lucca Mano - advogada e consultora empresarial atuando desde 1999 na área de vigilância sanitária e assuntos


O papel dos médicos na evolução da medicina digital

Na era da medicina digital, o papel dos profissionais nas mais diversas funções e hierarquias vem sendo redefinido para atender às novas demandas da área. Os médicos, por exemplo, não atuam mais somente no cuidado direto ao paciente, mas tem participação essencial em todos os processos da cadeia de saúde, inclusive na integração de novas tecnologias aos processos clínicos, liderando a exploração do potencial de recursos como a Inteligência Artificial (IA) e soluções de suporte à decisão clínica (SDC). 

Isto porque essas ferramentas não promovem mudanças apenas ao aprimoramento dos processos, redução de burocracias e otimização de custos e da mão de obra. A promoção da IA na saúde é responsável por transformações significativas na prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças, além da qualidade do cuidado ofertado aos pacientes. 

A base da prática da medicina, desde seus primórdios, é promover o bem-estar humano. Nesse sentido, o uso adequado da IA na área da saúde tem o poder de reforçar essa premissa, desde que os médicos e demais profissionais sigam no controle das tarefas envolvendo essa tecnologia, e não o inverso. 

Atualmente, o uso da Inteligência Artificial já possui aderência considerável por parte das instituições de saúde. Segundo pesquisa desenvolvida pela Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP) em conjunto com a Wolters Kluwer, 82,3% das instituições de saúde já disponibilizam algum tipo de recurso ou solução de Inteligência Artificial para práticas ou processos pré-estabelecidos.

Em contraponto, de acordo com a pesquisa, 74,5% dos respondentes apontam que a organização está pouco preparada para aplicar o uso de tecnologias de IA nas áreas clínicas nos próximos 2 anos, o que revela uma lacuna no processo de integração da tecnologia à rotina das instituições de saúde no país.

 

O papel dos médicos e da BEM 

Além do obstáculo mencionado, a confiabilidade dos insights gerados também é um dos fatores decisivos para a adoção da IA na medicina. A confiança dos profissionais na tecnologia depende diretamente de um processo editorial criterioso, que articula ciência, julgamento humano e integridade metodológica a partir da Medicina Baseada em Evidências (MBE). 

O envolvimento direto dos médicos na inserção da tecnologia na saúde é essencial para garantir que a digitalização seja mantida centrada no paciente e não focada apenas na eficiência do sistema. Se bem integrada, a IA tem o potencial de ampliar a capacidade de resposta clínica, melhorar a relação médico-paciente e ajudar a criar um sistema de saúde mais eficiente e orientado para o ser humano, mas isso depende substancialmente da inclusão do médico neste processo. 

A compreensão da jornada do paciente, combinada com as habilidades e a proficiência em IA, pode definir soluções escaláveis, eficazes, sustentáveis e adaptadas ao mundo real, além de protocolos de uso racional e equilibrado do recurso tecnológico, com base nas evidências médicas mais atualizadas disponíveis. 

Diante disso, a Inteligência Artificial, alinhada à utilização de soluções de SDC e da MBE, apresenta um grande potencial para alavancar a prestação de cuidados de saúde, principalmente estando integrada à prática clínica por médicos que entendem por completo as novas demandas da medicina digital, sem deixar de lado o bem-estar e o cuidado prestado aos pacientes. 

 

Allan Conti - Diretor Comercial da Wolters Kluwer Health

 

Saúde ocular: a importância da visita frequente ao oftalmologista

 

Dentre as diferentes condições de saúde que afetam a população, as enfermidades oftalmológicas são umas das mais negligenciadas, possivelmente pela falta de preocupação com a realização de exames de rotina, já que aqueles que “enxergam bem” deixam de ir ao médico com frequência. Segundo dados de 2019 coletados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), existem cerca de 285 milhões de pessoas visualmente prejudicadas no mundo, sendo que entre 60% e 80% dos casos poderiam ter sido evitados com medidas preventivas e acompanhamento médico. 

Ainda de acordo com a OMS, a cegueira (perda completa ou quase total da visão), que é uma das disfunções visuais mais graves, atinge aproximadamente 39 milhões de pessoas no mundo, sendo que 80% desses casos poderiam ter sido evitados com diagnósticos precoces e tratamentos adequados. Além da cegueira, outras doenças oculares bastante comuns também podem ser prevenidas, como catarata, ceratocone, glaucoma, olhos secos, retinopatia diabética, degeneração macular, problemas de refração, alergias, infecções e lesões oculares. Boa parte dessas condições já são tão prevalentes que as incluímos em nosso vocabulário sem entender exatamente do que se tratam.

A catarata, por exemplo, é uma condição que pode levar à perda total da visão, pois torna a lente do olho do paciente mais opaca. A doença costuma atingir maiores de 60 anos, mas a boa notícia é que ela tem um tratamento bastante eficaz, que consiste na retirada do cristalino do olho e na sua substituição por uma lente intraocular. O glaucoma, que é considerado uma disfunção grave, é mais comum em idosos e também afeta a visão. Para esta doença, ainda não existe um tratamento definitivo, mas a sua progressão pode ser atrasada com o uso de colírios específicos. 

Outros quadros oculares, como a conjuntivite, podem não ser tão graves, mas se não tratados adequadamente podem causar diversos danos à saúde do paciente. O tratamento para a conjuntivite, que é uma infecção na parte anterior do olho, normalmente envolve a administração de colírios e antibióticos. A degeneração macular relacionada à idade é outra disfunção causada pelo envelhecimento do corpo e que deve ser tratada com cautela. Neste quadro ocorre um edema anormal da retina, e por isso o tratamento recomendado pode passar pela aplicação de injeções de medicamentos ou mesmo chegar a uma cirurgia, dependendo da avaliação do oftalmologista. 

Dentre os quadros oculares mais comuns também encontram-se as ametropias (ou erros refrativos), como a miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia,  que ocorrem quando - após atravessar as diferentes estruturas do globo ocular - a luz acaba não convergindo corretamente na retina, resultando em imagens desfocadas. Desta forma, as imagens são formadas antes, depois ou de forma irregular na retina, causando dificuldade para que a pessoa possa enxergar com nitidez. Felizmente, essas ametropias podem ser facilmente corrigidas com o uso de óculos de grau ou até mesmo com cirurgias corretoras, a depender de cada caso. 

Além dos cuidados específicos para tratar as disfunções visuais, é importante que as pessoas estejam atentas aos seus cuidados gerais de saúde, fazendo visitas frequentes ao consultório médico e check-ups anuais. A realização de exames oftalmológicos regulares pode facilitar diagnósticos precoces, tratamentos mais assertivos e evitar problemas visuais futuros. Para aqueles que já utilizam óculos de grau, possuem algum tipo de disfunção ocular ou têm mais de 40 anos de idade, a visita anual ao médico oftalmologista se faz ainda mais necessária. Em relação às crianças, o recomendado é iniciar os atendimentos oftalmológicos a partir dos 6 meses de idade, porém casos especiais envolvendo prematuridade ou outras doenças devem ser avaliados anteriormente. 

Alguns hábitos simples também podem ser adotados no dia a dia para evitar infecções e manter o bem-estar da visão, como: não coçar os olhos, manter o grau do óculos atualizado e realizar bem a higiene das lentes de contato, evitar colocar as mãos sujas nos olhos, não se automedicar ou utilizar colírios inadequados nos olhos, limitar o tempo de acesso às telas, cuidar da alimentação e manter hábitos saudáveis, para mencionar alguns. 

  

Makoto Ikegame - CEO e Fundador da Lenscope, healthtech que vem revolucionando o mercado óptico brasileiro ao oferecer uma jornada 100% digital na aquisição de lentes para óculos em um processo simples, eficiente e muito funcional. A marca, que também é reconhecida por disponibilizar ao mercado brasileiro as lentes mais finas do mundo, utiliza Inteligência Artificial na oferta de produtos de qualidade superior, de forma acessível e cômoda, sem que o consumidor precise sair de casa. *Cristina Cagliari é médica oftalmologista especialista em córnea, catarata e cirurgia refrativa. Contribui como médica colaboradora do Departamento de Ciências Visuais da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), onde realizou residência médica e está concluindo doutorado. É especializada em Administração Estratégica pela FIA, coordena a gestão de projetos sociais em oftalmologia em regiões de alta vulnerabilidade pela startup social SAS Brasil. Atua também como preceptora da residência médica e desenvolve pesquisas científicas relacionadas à inovação e empreendedorismo na área da saúde.


Dezembro Laranja: confira 9 mitos e verdades sobre câncer de pele

Com o início do verão, campanha do A.C.Camargo Cancer Center desmistifica fake news sobre prevenção, diagnóstico e tratamento de tumores cutâneos 

 

Em meio a era mais conectada da história, o Google e as redes sociais são as principais fontes de informação dos brasileiros sobre formas de prevenção e de tratamento de câncer, segundo revela pesquisa feita pelo A.C. Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados. Metade da população (51%) afirma buscar esses dados no Google (33%), nas redes sociais (18%) e quanto mais jovens, maior o hábito de se informar principalmente pelas plataformas digitais. 

“Embora a prática amplie o acesso à informação, a filtragem dos conteúdos acessados é o que nos preocupa, se levarmos em consideração a recente onda de disseminação de conteúdos na internet com informações falsas sobre câncer. Vemos influenciadores, personalidades e até outros médicos, fazendo alegações sem comprovação científica sobre as causas do câncer de pele, eficácia da proteção solar e surgimento de pintas, por exemplo. É preciso tomar muito cuidado com as fontes desses conteúdos. Replicar a desinformação impacta diretamente na efetividade do trabalho das campanhas de prevenção sérias”, explica o Dr. João Duprat, líder do centro de referência em tumores cutâneos do A.C.Camargo Câncer Center. 

Segundo dados do Observatório do Câncer, os tumores cutâneos representam mais de 30% dos casos tratados no A.C.Camargo nos últimos 20 anos, incluindo os melanomas e o câncer de pele não-melanoma (carcinomas basocelulares e escamocelulares), o tipo de câncer com maior incidência no país. Estimativas do INCA - Instituto Nacional de Câncer apontam mais de 700 mil novos casos da doença registrados no Brasil por ano até 2025. 

“Curioso, é que mesmo mais de 40% dos tumores sendo facilmente evitáveis, dados da pesquisa que desenvolvemos com a Nexus mostram ainda que 65% dos brasileiros não sabem bem como se prevenir e infelizmente isso também se refere ao câncer de pele, mesmo vivendo em um país com grande exposição solar como o nosso. Por essa razão, é tão importante usarmos os canais de comunicação, incluindo a internet, para desmistificar as principais dúvidas da população”, reforça o especialista. 

Para esclarecer as principais afirmações que circulam na internet sobre câncer de pele, como parte da Campanha de Conscientização do A.C.Camargo, o Dr. João Duprat elencou alguns mitos e verdades importantes. Confira:
 

Fato ou Fake?
 

O câncer de pele é raro, não devo me preocupar

Essa afirmação é falsa, muito pelo contrário, o câncer de pele é o tumor de maior incidência. Vale reforçar que existem vários subtipos, o carcinoma basocelular é o mais comum de todos, mas ele é um pouco mais lento no crescimento, o que possibilita mais tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento. Diferente do melanoma, que é menos frequente, mas é extremamente agressivo.
 

O protetor solar pode causar câncer de pele, seu uso não previne a doença.

Essas informações são muito perigosas e completamente falsas. O protetor solar, como o próprio nome já sugere, protege a nossa pele contra os raios UVA e UVB, sendo comprovadamente um aliado na prevenção do câncer de pele. Os protetores solares são devidamente testados e aprovados antes de chegarem às prateleiras, eles não são químicos que oferecem risco à saúde da pele.
 

Devo utilizar protetor solar apenas quando vou me expor ao sol em momentos de lazer?

A resposta é não. O ideal é usar todos os dias de manhã e após o almoço, a cada quatro ou seis horas. Nos dias de exposição solar maior, como dias de praia, piscina, clube e ficar em lugar aberto ou tomar muito sol, o protetor deve ser reaplicado a cada duas ou quatro horas, principalmente depois de suar, nadar, brincar ou fazer exercícios ao ar livre.
 

O uso de protetor solar não é necessário nos dias frios ou nublados

Pelo contrário, não importa a temperatura, o protetor solar deve ser sempre utilizado. A quantidade de raios ultravioleta não tem relação com a temperatura do dia ou da época do ano. No que se refere aos dias nublados, os raios ultravioleta atravessam as nuvens, então é comum que ao fim de um dia nublado se perceba que a pele exposta ficou vermelha. Por isso, a recomendação é usar protetor solar todos os dias do ano.
 

O câncer de pele não dá sinais

Isso é mito, o câncer de pele dá sinais, sim. Quais são os sinais mais comuns? Geralmente é uma feridinha que aparece no corpo e não cicatriza, podendo sangrar ou não, que abre e nunca fecha ou às vezes dá uma impressão que está cicatrizando, mas continua lá. Então se tem uma lesão com mais de um mês que não cicatriza, é importante procurar um médico.
 

Outro sinal de alerta, no caso do melanoma, são pintas assimétricas, com formas, bordas irregulares e tons desiguais,pintinhas têm cor marrom clara e o marrom escurinho, quando uma pinta vai para o tom enegrecido, distribuído irregularmente na pinta, ou tons avermelhados, desverdeados, azulados, também deve suspeitar. O diâmetro de pintas com mais de 6 milímetros, devem ser avaliadas. E por último aquela pinta que com o tempo vai mudando de aspecto, requerem avaliação.
 

Qualquer pinta pode se tornar um tumor de pele?

Sim, qualquer célula do corpo pode virar câncer. E qualquer pinta pode virar um tumor de pele. Mas, nem sempre a origem desse tumor cutâneo será uma pinta. Muitas vezes o câncer de pele pode se originar de uma pele saudável sem nenhuma pinta ou mancha prévia local.

 

Todos os tipos de pele podem desenvolver câncer

Essa afirmação está correta. Qualquer indivíduo de qualquer raça ou tipo de pele pode vir a desenvolver um tumor cutâneo. Por isso, é tão importante saber se prevenir e buscar ajuda médica, quando notar qualquer anormalidade.

 

O câncer de pele pode aparecer em qualquer parte do corpo

Isso é um fato! Embora o câncer de pele seja mais comum em áreas expostas ao sol, como face, orelhas, pescoço, ombros, costas, lábios, pernas e tronco, também pode surgir em áreas do corpo, como palmas das mãos, planta dos pés, unhas, couro cabeludo e partes íntimas.
 

Bronzeamento artificial pode causar câncer de pele

Essa afirmação está correta. Essas sessões feitas em câmaras de bronzeamento artificial aumentam muito o risco de câncer de pele, principalmente o melanoma. Diferente do bronzeamento feito com autobronzeadores. O jet bronze é feito apenas com pigmentos, que não representam riscos à pele. 



A.C.CAMARGO CANCER CENTER
www.accamargo.org.br


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