As tradicionais “Águas de Março”
chegaram com força total em grande parte da região Sudeste e já provocam danos
à população. As enchentes são responsáveis por desencadear doenças como
leptospirose e diarreia infecciosa. O contato com a água contaminada ainda
favorece a esquistossomose, a cólera e a hepatite A. São problemas graves, de
acordo com a clínica geral e infectologista do Complexo Hospitalar Edmundo
Vasconcelos (CHEV), Ligia Brito.
“Há casos em que os primeiros sintomas costumam demorar
até 2 meses para aparecer em quem está infectado. O diagnóstico nem sempre é
fácil e o tratamento inspira cuidados”, ressalta a médica.
Responsável por 315 óbitos no País em todo ano
2015, a leptospirose é transmitida pelo contato com a água contaminada. Nesse
caso, pela urina de animais, principalmente ratos. As bactérias (leptospiras)
penetram pela mucosa do ouvido, nariz, olhos e genitálias, além de ferimentos
na pele.
Com menores índices de mortalidade, a
diarreia infecciosa também deve ser levada a sério. “Em uma enchente, o
indivíduo fica exposto a uma série de bactérias e vermes. Ao chegar em casa, é
importante que seja feita a higienização das mãos e do corpo no banho”, orienta
a clínica. As crianças, por não terem uma menor imunidade, e os idosos, em
função do sistema defensivo menos funcional, estão mais suscetíveis ao
contágio.
No caso da hepatite A, os primeiros
sintomas podem demorar um pouco mais para aparecer. “O
vírus fica incubado por até dois meses. Mas apenas 5% dos casos podem evoluir
para formas graves e letais”, explica. O contágio é feito de forma fecal e
oral. No caso das enchentes, o lixo pode ser um
transmissor pela quantidade de resíduos fecais contaminados e esgoto não
tratado. Outra recomendação é sempre higienizar as mãos depois de usar o
banheiro. Os casos mais comuns da doença são registrados após a manipulação de alimentos ou qualquer objeto de uso
compartilhado sem higienização. Vale lembrar que a hepatite A também
pode ser prevenida através de vacina.
Entram para a lista de doenças, a cólera e a
esquistossomose. No primeiro caso, não são registradas incidências no País no
momento. Já a esquistossomose, o contágio é mais comum em rios e enchentes em
locais próximos a este principalmente nos estados de Minas Gerais e Bahia.
Complexo
Hospitalar Edmundo Vasconcelos
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