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domingo, 22 de junho de 2025

Quando a autocrítica se transforma em crueldade: o que está por trás do chamado “ódio próprio”?

A psicanalista Tássia Borges analisa os mecanismos psíquicos da autoagressividade cotidiana – e alerta para os perigos de uma cultura baseada na cobrança excessiva e na busca constante pelo extraordinário

 

“Você não se esforçou o suficiente.” “Deveria ter feito melhor.” “Está tudo errado em mim!” Frases como essas, repetidas silenciosamente no pensamento, podem parecer triviais. Mas, para a psicanalista Tássia Borges, elas revelam um movimento interno muito mais profundo e danoso: a autocrítica desproporcional e a autorrejeição constante – o que, em alguns casos, pode ser compreendido como uma forma de auto-ódio.

 

“Vivemos uma cultura baseada no desempenho extraordinário”, analisa Tássia. “Não basta se exercitar duas ou três vezes por semana: tem que acordar às cinco da manhã e fazer isso todos os dias. Não basta ler um pouco todos os dias: é preciso terminar um livro por semana. E quando não conseguimos cumprir esses ideais inalcançáveis, nos sentimos fracassados – e nos punimos por isso.”

 

Segundo a teoria psicanalítica kleiniana, esse tipo de comportamento pode ser alimentado por um superego arcaico e cruel - uma espécie de “voz interior” muito crítica e severa que se forma nos primeiros anos de vida - que impõe padrões inatingíveis e cobra o sujeito com uma dureza desmedida. “É uma autocrítica gratuita, desproporcional e constante. Muitas vezes, nem se trata de um erro real, mas de um julgamento interior que parte de um ideal de perfeição impossível de alcançar”, diz a psicanalista. 

 

Essa lógica do “nunca é o bastante” está presente nos mais variados aspectos da vida: corpo, carreira, relações, hábitos e até emoções. “Mesmo quando alguém está satisfeito com uma escolha ou uma conquista, basta um comentário externo para que se instale a dúvida, a culpa, a sensação de que deveria ter feito diferente. É um vício de pensamento que machuca profundamente”, ressalta Tássia, que faz uma importante observação: “Muitas vezes, esse auto-ódio é inconsciente, ou seja, a pessoa se pune, se critica, se machuca sem perceber o que está fazendo”. 

 

Para ela, é preciso promover uma verdadeira cultura da autogentileza, que leve em consideração as limitações, os contextos e a realidade psíquica de cada sujeito. “A psicanálise nos ajuda a reconhecer que não existe um padrão universal de existência. Cada um tem um tempo, uma história e um modo de ser. Comparações são, muitas vezes, uma forma sutil – e cruel – de autoagressão.”

 

Ao nomear e refletir sobre esse “ódio de si”, Tássia Borges propõe uma mudança de olhar. “Quando o cuidado consigo vira mais uma exigência a ser cumprida com rigidez, já não é mais cuidado – é punição. O desafio está em transformar o perfeccionismo em possibilidade e o julgamento em escuta. Só assim é possível construir um caminho de bem-estar genuíno.”

 

 

Tássia Borges - especialista em assuntos relacionados à saúde mental e o psiquismo – entre eles ansiedade, narcisismo, questões geracionais, de relacionamento, luto, solidão e entraves psíquicos que podem impedir atletas de atingir altas performances. Mestre em Psicologia Clínica pelo Núcleo de Método Psicanalítico e Formações da Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e Bacharel em Letras pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), ela trabalha com educação e linguagem há mais de 20 anos. Fundou e dirige o Instituto Kleiniano de Psicanálise, cuja missão é compartilhar de modo responsável e especializado os conhecimentos técnico-teóricos da psicanalista austríaca Melanie Klein (1882-1960) bem como de autores que dialogam com seu pensamento.



Bebês Reborn: bonecas hiper-realistas ganham espaço no Brasil e acendem debate sobre maternidade simbólica

Freepik  
Em um país com a menor taxa de nascimentos desde 1977, surgem novas formas de maternar com bonecas de até R$ 30 mil e certidão de nascimento personalizada 

 

Em um Brasil que registra queda histórica no número de nascimentos — com 2022 marcando o menor índice desde 1977, segundo o IBGE —, um fenômeno chama atenção nas redes sociais, e-commerces e até na TV aberta: o crescimento do movimento das “mães de bebês Reborn”, bonecas hiper-realistas tratadas com afeto e rotina semelhante à de um bebê real.

Mais do que simples brinquedos ou itens de colecionismo, os Reborns são usados por mulheres e homens que os vestem, embalam, alimentam simbolicamente e levam para passeios. Embora não existam dados oficiais sobre o tamanho do mercado, a presença de milhares de anúncios em plataformas como Shopee e Mercado Livre — com preços que variam de R$ 100 a R$ 10 mil — revela uma demanda crescente.

Além da venda de bonecas, há um mercado paralelo aquecido: enxovais personalizados, carrinhos de bebê, certificados de nascimento fictícios, cursos de produção artesanal e até "consultas médicas simbólicas".

“É um fenômeno que vai além do colecionismo. Em muitos casos, o bebê Reborn funciona como um objeto transicional, que auxilia no enfrentamento de perdas ou carências afetivas. Mas é essencial manter o senso crítico para que práticas simbólicas não substituam a realidade ou interfiram em questões sociais mais amplas”, afirma a psicanalista e presidente do Instituto de Pesquisa de Estudos do Feminino (Ipefem), Ana Tomazelli.


Entre o afeto e a polêmica

Embora muitos adeptos relatem alívio emocional e benefícios terapêuticos, o fenômeno também desperta controvérsias. Casos divulgados nas redes sociais — como pedidos de atendimento preferencial por parte de pessoas acompanhadas de bonecas ou alegações de "filho doente" para justificar ausências no trabalho — acendem o debate sobre o limite entre realidade e simbolismo.

Personalidades como o Padre Fábio de Melo já comentaram publicamente sobre o tema, ampliando a discussão nas redes. Em algumas cidades, a proposta de criar o “Dia da Cegonha Reborn” gerou protestos e embates em câmaras municipais.

“Não se trata de julgar quem encontra conforto em uma boneca, mas de refletir sobre o que isso representa socialmente. A maternidade é uma experiência profundamente relacional, corporal e social. Quando objetos artificiais ocupam esse lugar, precisamos perguntar: o que está sendo encenado? O que está sendo evitado? E quem está ganhando com isso?, ressalta Ana”.


Maternidade real ainda invisibilizada

Enquanto o afeto simbólico ganha espaço, especialistas alertam para o risco de romantizar a maternidade e esvaziar suas complexidades. Dados do ecossistema de benefícios VR revelam que 7 em cada 10 mulheres ainda são as principais responsáveis por acompanhar filhos reais em consultas médicas, evidenciando o desequilíbrio na divisão de cuidados no Brasil.

Burnout materno, depressão pós-parto e sobrecarga doméstica continuam sendo realidades enfrentadas por muitas mulheres, sem o mesmo espaço de visibilidade que o fenômeno Reborn vem conquistando.

"Quando passamos a diluir o papel da maternidade em práticas simbólicas, como ser mãe de planta, de pet ou de boneca, corremos o risco de esvaziar seu significado e suas responsabilidades sociais. O maior risco está na perda do senso crítico sobre o que representa verdadeiramente a maternidade em nossa sociedade," pontua Tomazelli.

  

Redes sociais e novas formas de “maternar”

O TikTok e o Instagram têm papel central na expansão do movimento. Perfis especializados acumulam milhares de seguidores que acompanham “rotinas” com as bonecas, vídeos de “primeiro banho”, “noite mal dormida” e “consultas” com médicos fictícios. Em grupos fechados, participantes trocam experiências, fotos de “ultrassons imaginários” e dicas para personalização de enxovais.

Esse cenário tem criado um novo nicho de consumo, onde emocional e mercado se misturam. “Promover empatia para quem embala uma boneca não significa equiparar experiências ou criar obstáculos aos direitos de quem vive a maternidade real. É fundamental distinguir entre suporte emocional legítimo e a criação de uma realidade paralela que pode isolar ainda mais essas pessoas”, alerta a psicanalista.

Enquanto o fenômeno segue crescendo, especialistas recomendam atenção às motivações individuais, ao suporte emocional disponível e à forma como a sociedade lida com temas como perda, infertilidade e solidão. Afinal, entre o afeto simbólico e a realidade, existe um campo delicado e profundamente humano que merece ser escutado.   



Ana Tomazelli - psicanalista e Presidente do Ipefem (Instituto de Pesquisas & Estudos do Feminino), uma ONG de educação em saúde mental para mulheres no mercado de trabalho. Também é co-fundadora do Ipecre - Instituto de pesquisa e estudos em Ciência da Religião, uma ONG que promove conhecimento para a garantia das liberdades religiosas e promoção da paz mundial. Mentora de Carreiras, Executiva em Recursos Humanos, por mais de 20 anos, liderou reestruturações de RH dentro e fora do país. Com passagens pelas startups Scooto e B2Mamy, além de empresas tradicionais e consolidadas como UHG-Amil, Solera Holdings, KPMG e DASA (Diagnósticos da América S/A). Mestranda em Ciências da Religião pela PUC-SP e membro do grupo de pesquisa RELAPSO (Religião, Laço Social e Psicanálise) da Universidade de São Paulo, também é pós-graduada em Recursos Humanos pela FIA-USP e em Negócios pelo IBMEC-RJ. Formada em Jornalismo pela Laureate - Anhembi Morumbi. Linkedin || Instagram || TikTok.


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Especialista aponta caminhos para uma educação mais inclusiva para alunos neurodivergentes

A fonoaudióloga e pedagoga Regiane Fagotto recomenda a adoção de medidas simples para tornar o ambiente escolar mais acolhedor e acessível para estudantes com necessidades específicas de aprendizagem 

 

O ensino para alunos neurodivergentes ainda representa um grande desafio para instituições e docentes brasileiros. Segundo o Censo da Educação de 2024, cerca de 7 milhões de atípicos estão matriculados nas escolas da rede pública e privada, o que representa 20% da população de estudantes. Ainda assim, 80% dos professores não possuem formação em educação inclusiva, e 60% deles não se sentem preparados para adaptar provas, atividades ou elaborar um Plano de Educação Individualizada (PEI).

Para Regiane Fagotto, fonoaudióloga e pedagoga com 25 anos de experiência na área, a inclusão escolar é um processo contínuo de aperfeiçoamento, que pode começar com atitudes simples, mas capazes de impactar positivamente no aprendizado desses alunos. “Acolher a singularidade com respeito e disposição de aprender é o primeiro passo para transformar a vida dos jovens atípicos”, afirma.

Segundo a pedagoga, que também é consultora da Plataforma Prova Adaptada, desenvolvida para capacitar professores na personalização de avaliações, atividades e PEIs conforme os diferentes perfis de aprendizagem, o segredo está no “olhar do educador”.

Assim, entre as ações recomendadas pela especialista para tornar a prática pedagógica mais empática e acessível estão:

- Ouça o aluno com empatia e sem pressa;

- Use linguagem visual e gestual de apoio, como pictogramas, quadros de rotina e gestos amplos;

- Programe rotinas claras e estruturadas, importantes para alunos neurotípicos preverem o seu dia na sala de aula e se sentirem mais seguros;

- Valorize pequenos avanços, reforçando positivamente as conquistas individuais;

- Mantenha o contato com a família, construindo uma rede de apoio mútuo.

Regiane também destaca a importância de criar um ambiente favorável para inclusão. “Mesmo com poucos recursos, é possível montar um espaço afetivo e acolhedor para o ensino de neurodivergentes”, diz a educadora, que selecionou algumas soluções bastante viáveis para escolas:

- Adapte o espaço com divisórias simples, para reduzir estímulos visuais e auditivos. Os alunos neurotípicos são mais sensíveis a luzes fortes e sons altos;

- Use recursos caseiros e alternativos para atividades didáticas, como pictogramas feitos à mão, brinquedos sensoriais reciclados e vídeos educativos gratuitos;

- Envolva a comunidade, pais e voluntários para ajudar a desenvolver projetos inclusivos e na produção de materiais didáticos;

- Implemente uma cultura de empatia na escola, com ações que incentivem o respeito às diferenças.

A pedagoga ainda reforça a importância da formação continuada e atualização de docentes e colaboradores da escola, além do aperfeiçoamento de estratégias, como a elaboração de PEIs com metas alcançáveis, adaptação curricular e avaliações individualizadas e mais flexíveis, com foco na aprendizagem e não apenas nos resultados. “Quando a escola adota práticas mais empáticas, estruturadas e personalizadas todos saem ganhando. E todos os alunos, atípicos ou não, aprendem melhor”, conclui.
 



Prova Adaptada Tecnologia

provadaptada.com.br


Como a simbologia das histórias e personagens influenciam na personalidade das crianças

Por meio da literatura infantil é possível que os pequenos vivenciem situações que podem ser desafiadoras na vida real 

 

Muitos são os processos de construção que influenciam na individualidade de uma criança. Para a psicopedagoga e escritora infantil Paula Furtado, a literatura infantil, com o seu poder educativo e terapêutico, faz parte dessa formação ao apresentar valores, normas sociais e emoções, pois permite que a criança projete seus sentimentos e entenda melhor a realidade ao seu redor. “Os contos funcionam como espelhos e janelas para as crianças. São espelhos porque refletem suas emoções e experiências, ajudando-as a nomear e compreender o que sentem. E são janelas porque as transportam para outras realidades e ampliam sua visão de mundo e sua capacidade de empatia”, explica Paula.

Fábulas, mitos, parábolas, lendas ou histórias populares dialogam diferentes aspectos do desenvolvimento humano, e a grande força terapêutica dos contos está em sua simbologia. “Crianças pequenas, muitas vezes, ainda não conseguem nomear suas emoções, mas conseguem se identificar com os personagens e as situações narradas. Um monstro pode representar um medo interno, uma floresta escura pode simbolizar uma fase de insegurança, um herói solitário pode refletir um sentimento de abandono ou busca por pertencimento. Ao ouvir e recontar essas histórias, a criança encontra uma maneira de expressar aquilo que sente sem precisar verbalizar diretamente”, enfatiza Paula.


Leitura

O diálogo com os filhos é uma oportunidade de fortalecer os laços afetivos e, na leitura, é possível incluir diversos temas que tocam aspectos profundos da psique infantil. E isso promove um crescimento emocional que pode ser levado para a vida adulta.

Como exemplo, a obra Contos da Carochinha com a Turma da Mônica, escrito pela própria Paula Furtado, adapta contos tradicionais para uma linguagem mais acessível utilizando os personagens de Mauricio de Sousa; e o Era Uma Vez – Aprendendo Português, também da escritora, que apresenta os contos de fadas de forma mais próxima a dos originais, voltado a crianças a partir de 10 anos, que já têm um maior entendimento das narrativas clássicas e podem explorar suas simbologias com mais profundidade.


Ambiente escolar

Em sala de aula, educadores podem explorar com os alunos alguns contos clássicos que apresentam, em sua estrutura, momentos de dificuldade e transformação, o que a ajuda a criança a entender que os desafios fazem parte do crescimento. Paula cita alguns clássicos:

  • O Patinho Feio - Hans Christian Andersen. Ensina que cada indivíduo tem seu próprio tempo de desenvolvimento e que a aparência inicial não define o valor de ninguém.
  • Cinderela - Charles Perrault. Trabalha a resiliência, trata da inveja representada pelas irmãs más que tentam impedir o crescimento da princesa.
  • A Bela e a Fera - Gabrielle-Suzanne Barbot. Reforça a capacidade de superar as adversidades e a importância de enxergar além das aparências.
  • João e Maria - Irmãos Explora questões como abandono, rejeição e compulsão alimentar.
  • Branca de Neve - Irmãos Aborda a vaidade exacerbada e as consequências do narcisismo. A madrasta, obcecada pela própria beleza, ensina às crianças como a inveja e a busca por uma perfeição ilusória podem ser destrutivas.

“Por meio dos contos, as crianças também entendem que o herói nunca começa forte e preparado, ele precisa enfrentar obstáculos, errar, tentar de novo e viver situações que podem ser desafiadoras na vida real e ajudam a formar sua personalidade”, finaliza Paula. 

  

Paula Furtado - pedagoga, formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com especialização em Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia, Educação Especial, Arte de Contar Histórias e Arteterapia pelo Instituto Sedes Sapientiae e Leitura e Escrita, também pela PUC-SP. A profissional já trabalhou como professora de Educação Infantil e Ensino Fundamental na rede particular de ensino, e já atuou como assessora pedagógica em escolas públicas e particulares. Paula Furtado atende crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizado. Nesta área da educação, a pedagoga ministra cursos para formação de educadores nas instituições de ensino pública e particular e realiza palestras para pais sobre a importância de contar histórias. Como autora, Paula completa seu trabalho escrevendo diversos livros infantojuvenis (100 obras até o momento) e, dentro de suas atuações de jornada literária, também foi coordenadora e supervisora psicopedagógica em diversas publicações infantis (Contos de fadas, Lendas e Folclore) com a Girassol Brasil e Mauricio de Sousa. A autora complementa suas atividades escrevendo para diferentes revistas de educação sobre temas pedagógicos, além de trabalhar na criação e patente de Jogos Pedagógicos como: Desafio, Detetive de Palavras, De Olho na Ortografia, dentre outros.


Como o luto interfere na saúde das pessoas que passam por esse processo

No Dia Nacional do Luto, 19 de junho, a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade orienta sobre uma forma mais leve de lidar com a perda de um ente querido
 

As pessoas reagem de diversas formas às perdas. O luto manifesta-se por meio de diferentes reações, algumas mais perceptíveis e outras mais sutis. Quando esse processo começa a afetar a saúde física e mental de quem o vivencia, é importante monitorar sentimentos e comportamentos que ultrapassem o esperado, a fim de evitar danos maiores. 

Neste Dia Nacional do Luto, datado de 19 de junho, a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) traz orientações para quem está passando por esse processo, com o objetivo de promover mais qualidade de vida e reduzir o sofrimento decorrente da perda, e também para os profissionais que cuidam dessas pessoas. 

“O luto é um processo de reação e adaptação a uma perda. É a forma pela qual reconhecemos e enfrentamos a nova realidade que se impõe após a ausência de alguém. É o nosso modo de encarar que a dor é imensa, e que ela nos convida a refletir e repensar nossa vida", explica o médico de família e comunidade e também paliativista Arthur Fernandes, diretor do Departamento de Comunicação da SBMFC. 

Considerado normal, o luto envolve uma série de sentimentos e comportamentos esperados. Entre as manifestações emocionais estão: apatia, raiva, tristeza, culpa, ansiedade, choque e cansaço. Também há manifestações sociais, como isolamento, alterações no sono ou apetite, evitação de lembranças ou de locais e objetos relacionados à pessoa falecida, falar repetidamente sobre a perda, desânimo, dificuldade para amar e redução das atividades diárias. 

O processo de luto também pode provocar manifestações físicas, como: sensação de vazio no estômago, nó na garganta, boca seca, maior sensibilidade a ruídos, sensação de irrealidade, pouca energia, fraqueza muscular, dificuldade para respirar, dores no peito e palpitações. 

“Todos esses sintomas são considerados normais, independentemente do tempo de convivência com a pessoa falecida ou da intensidade do vínculo. Familiares próximos ou distantes podem apresentá-los, assim como cuidadores que acompanharam a pessoa durante uma doença. E não importa como ocorreu a morte, seja ela esperada, devido a um grave problema de saúde, ou repentina, como em acidentes", detalha Fernandes. 

Quanto à duração do luto, não há um tempo definido para que a dor cesse. O luto dura o tempo que precisa durar. Algumas pessoas vivenciam lutos mais intensos, que as “tiram do eixo” e dificultam a retomada da própria vida. Reações mais intensas, frequentes e duradouras devem chamar a atenção das pessoas próximas, para que se busque apoio profissional junto a uma equipe de saúde. 

Diversas estratégias podem ajudar uma pessoa enlutada a enfrentar os dias seguintes à perda e, aos poucos, reencontrar sua conexão com a vida. Essas orientações não são “receitas prontas” e devem ser individualizadas ou adaptadas à realidade de cada um. Entre elas, destacam-se: rituais de despedida, prática de atividades físicas, vivências espirituais e apoio familiar e social. 

“É recomendado que familiares e pessoas próximas monitorem o comportamento e os sintomas da pessoa enlutada, buscando apoio médico e psicológico quando necessário. Viver o luto é normal e importante, desde que não haja uma dificuldade excessiva para seguir vivendo após a perda", conclui o especialista.

 

Sobre a Medicina de Família e Comunidade

A Medicina de Família e Comunidade é uma especialidade médica, assim como a cardiologia, neurologia e ginecologia, entre outras. O médico/a de família e comunidade (MFC) é o especialista em cuidar das pessoas, da família e da comunidade no contexto da atenção primária à saúde. Ele acompanha as pessoas ao longo da vida, independentemente do gênero, idade ou possível doença, integrando ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde. O médico/a de família e comunidade é um clínico e comunicador habilidoso, pois utiliza abordagem centrada na pessoa e é capaz de resolver pelo menos 90% dos problemas de saúde, manejar sintomas inespecíficos e realizar ações preventivas. É um coordenador do cuidado, trabalha em equipe e em rede, advoga em prol da saúde dos seus pacientes e da comunidade.


Dia Mundial do Fusca: encontro de carros reúne apaixonados por automóveis no São Bernardo Plaza Shopping

VERO Produtora

O evento recebe também doações de alimentos não perecíveis que beneficiarão instituições atendidas pelo Fundo Social de Solidariedade
 

 

Após grande sucesso da primeira edição que aconteceu em 2024, o São Bernardo Plaza Shopping promove a segunda edição de encontro de carros em homenagem ao Dia Mundial do Fusca. Em parceria com o Fusca Clube Brasil, o evento acontece no dia 22 de junho, das 9h às 14h, no estacionamento externo, próximo aos acessos B e C. No dia, colecionadores e apaixonados por carros poderão se reunir para admirar diferentes modelos de automóveis e trocar experiências.

A entrada no evento é gratuita e os participantes que levarem 2kg de alimentos não perecíveis para doação também terão isenção no estacionamento durante o período do evento. O encontro acontece em local aberto, no estacionamento do São Bernardo Plaza.

Os alimentos arrecadados durante o evento serão destinados a instituições atendidas pelo Fundo Social de Solidariedade do município. Para Bruna Habinoski, gerente de marketing do empreendimento, unir o evento a uma ação social é o que torna tudo ainda mais especial. “Queremos estimular o espírito de solidariedade em nossos frequentadores e esperamos arrecadar uma quantidade significativa de alimentos. A primeira edição do evento foi um sucesso e temos certeza de que a segunda seguirá pelo mesmo caminho. Temos um histórico muito feliz de encontros de carros em nosso espaço”, finaliza.

  

Serviço

Dia: 22 de junho
Horário: das 09h às 14h
Entrada: gratuita
Estacionamento: gratuito durante o período do evento – para quem doar 2kg de alimentos não perecíveis
Local: São Bernardo Plaza Shopping - Av. Rotary, 624 - Centro, São Bernardo do Campo 


Mais uma chance para transformar vidas: Adote um Amigo no Pátio Paulista volta nos dias 21 e 22 de junho


Primeira edição de 2025 do tradicional evento de adoção pet será realizado em parceria com a AMPARA Animal e espera bater novo recorde de lares transformados

 

 

 

No dia 22 de junho ( domingo), das 12h às 18h, o Shopping Pátio Paulista promove a primeira edição de 2025 do evento Adote um Amigo no Pátio Paulista, em parceria com o Instituto Ampara Animal. A ação solidária será realizada no Piso Jardins e convida os visitantes a oferecerem um novo lar a cães e gatos que aguardam por uma família.

Desde que o evento foi criado, em 2022, mais de 200 animais foram adotados, sendo 136 cachorros e 80 gatos. Só em 2024, 32 pets encontraram novos tutores na primeira edição do ano, reforçando o sucesso e a importância dessa iniciativa. Para esta edição, a expectativa é ainda maior: a organização espera atingir 35 adoções, mostrando o quanto o shopping e seus parceiros seguem comprometidos com a causa animal.

“É muito gratificante ver o impacto real que esse projeto causa na vida das pessoas e dos animais. O evento já se tornou parte do nosso calendário fixo porque acreditamos na força da adoção e na construção de vínculos duradouros”, afirma Gabriel Lima, gerente de marketing do Shopping Pátio Paulista.

Para adotar, é necessário ter mais de 18 anos e apresentar documentos originais (RG, CPF e comprovante de residência). Há também uma taxa de R$ 150, destinada à manutenção dos cuidados básicos dos pets, como alimentação, medicamentos e castração. Após o preenchimento da ficha cadastral, os candidatos passarão por uma entrevista com a equipe da ONG, garantindo que os novos tutores tenham responsabilidade e afeto para cuidar do pet adotado.

 

 Adotar é um gesto de amor que transforma duas vidas: a do animal e a do tutor. Participe, adote um amigo e faça parte dessa corrente de cuidado e esperança. Para mais informações, acesse o site do shopping ou acompanhe a programação pelas redes sociais.

 

Serviço – Adote um Amigo no Pátio Paulista

📅 Data:  22 de junho (domingo)

🕛 Horário: Das 12h às 18h

📍 Local: Piso Jardins – Shopping Pátio Paulista

📌 Endereço: Rua Treze de Maio, 1947 – 1º Piso Paulista – Bela Vista – SP

 

  

Sobre a AMPARA

A AMPARA Animal nasceu em 2010, com a missão de transformar a sociedade através de ações preventivas, gerando impacto positivo com suas ações focadas em educação, controle populacional e adoção de cães e gatos. Combater as mais variadas formas de violência contra a fauna, atuando com advocacy e elaboração de políticas públicas mais eficientes. Defender uma sociedade mais justa e ética, onde os animais sejam tratados com respeito, e possam coexistir com a espécie humana de forma equilibrada. Em 2015 se tornou a instituição que mais ajuda animais no país, ao se tornar uma "ONG mãe" que oferece suporte para mais de 530 abrigos em âmbito nacional. Em 2016, uma nova frente foi criada, a AMPARA Silvestre, com foco em conservação ao reabilitar espécies silvestres para que possam ser devolvidas à natureza e também oferecer bem-estar aos animais condenados ao cativeiro. Há treze anos a AMPARA empreende para que a causa animal ganhe notoriedade e relevância, se tornando a organização referência na defesa dos direitos e proteção dos animais. 


Shopping Pátio Paulista
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sexta-feira, 20 de junho de 2025

Dor de dente fora de hora? Dentista ensina o que fazer até chegar ao consultório

Compressa, enxágue, escova macia... Cirurgiã-dentista explica como aliviar o incômodo em casa e aponta as principais causas de dor de dente, de cárie a problemas na gengiva


Ela pode aparecer de leve ou doer tanto que tira o sono e muitas vezes surge fora do horário comercial. A dor de dente é um dos desconfortos mais comuns na população, e, até conseguir uma consulta com o dentista, é importante saber o que fazer para aliviar os sintomas de forma segura. A cirurgiã-dentista Dra. Diana Fernandes explica quais medidas ajudam a reduzir a dor e quando é fundamental buscar atendimento o quanto antes.
 

5 medidas para aliviar a dor de dente imediatamente:

  1. Higiene bucal com delicadeza: escove os dentes suavemente e use fio dental para remover restos de alimentos, sem pressionar as áreas doloridas.
  2. Enxágue com água morna e sal: ajuda a reduzir a inflamação e controlar bactérias.
  3. Compressa fria: aplique na parte externa da bochecha para aliviar a dor e o inchaço.
  4. Analgésicos comuns: podem ser usados seguindo as orientações da bula nunca aplique direto no dente.
  5. Procure o dentista: o alívio caseiro é temporário. Só o profissional pode tratar a causa do problema.

"Se a dor persistir, não ignore. Pode ser sinal de algo mais sério", alerta a Dra. Diana.

Segundo a especialista, as principais causas são:

  • Cárie dentária: é a campeã das causas e acontece pela destruição do esmalte devido à ação de bactérias. O tratamento envolve a remoção da cárie e a restauração do dente com resina.
  • Sensibilidade dentária: ocorre quando a dentina (camada interna do dente) fica exposta, causando dor ao ingerir alimentos frios, quentes ou ácidos. Pode ser tratada com pastas específicas, escovas macias ou restaurações em casos mais avançados.
  • Infecção no canal (endodontite): quando a cárie atinge o nervo, a dor é intensa e contínua. O tratamento de canal remove o nervo afetado, limpa a área e sela os canais.
  • Doenças gengivais: gengivite e periodontite causam inflamação e dor ao redor dos dentes. A solução envolve boa higiene, limpeza profissional e o uso de enxaguantes indicados.

“Dor de dente nunca é normal. Ela é sempre um sinal de que algo está errado e precisa ser investigado o quanto antes”, reforça a dentista.
  



Dra. Diana Fernandes - Cirurgiã Dentista; UNIP 2013; • Especialista em Gestão de Mercados Odontológicos UNIP 2014; Ortodontista; ESO 2015; Invisalign Doctor; Desde 2015.


5 sinais de endometriose que impactam a saúde e a fertilidade

Segundo a OMS, a doença afeta mais de sete milhões de mulheres no Brasil 



A endometriose é uma doença crônica que afeta milhões de mulheres no Brasil e no mundo, muitas vezes de forma silenciosa e sem diagnóstico precoce. O problema ocorre quando o tecido que reveste o útero internamente, o endométrio, cresce fora do útero, podendo atingir ovários, trompas, intestino, bexiga e, em casos mais raros, o diafragma e até a região pulmonar. Embora as causas da endometriose ainda não sejam totalmente compreendidas, a doença provoca uma série de sintomas que impactam diretamente a qualidade de vida da mulher.

A seguir, veja cinco sinais de alerta que podem indicar a presença da endometriose:


1- Cólica menstrual intensa

Cólicas incapacitantes são um dos sinais mais comuns de endometriose. Segundo o ginecologista e especialista em reprodução humana da clínica Nilo Frantz, Dr. Paulo Tudech, a dor geralmente se manifesta de forma intensa, especialmente durante a menstruação, e pode atrapalhar atividades do dia a dia, como trabalhar, estudar ou até mesmo sair de casa. "Se a dor é tão forte que a mulher classifica como sete ou mais em uma escala de zero a dez, é fundamental procurar um médico para investigação. Muitas vezes, a paciente acha que a dor é 'normal', mas cólicas muito fortes, que limitam a rotina, são um sinal de alerta importante para endometriose", orienta o especialista.


2- Dor durante as relações sexuais

A dor durante ou após o sexo, chamada de dispareunia, também é um sintoma frequente da endometriose. Isso acontece porque o tecido endometrial pode crescer em regiões próximas ao fundo da vagina, nos ligamentos uterinos ou no reto, tornando a penetração dolorosa.


3- Dor ao urinar e evacuar

Quando a endometriose atinge o intestino ou a bexiga, é comum a mulher sentir dor ao urinar ou evacuar, principalmente durante o período menstrual. Em alguns casos, também pode haver sangramento ao urinar ou nas fezes durante o ciclo. "Esses sintomas indicam que o tecido endometrial pode ter infiltrado essas regiões, causando inflamação e até aderências. É fundamental investigar esses sinais para evitar complicações mais graves", alerta o especialista.


4- Inchaço abdominal e cansaço

O inchaço abdominal frequente, acompanhado de sensação de desconforto, pode estar relacionado ao processo inflamatório crônico provocado pela endometriose. A mulher também pode sentir o intestino mais lento, além de cansaço excessivo, que é resultado não apenas do impacto físico da doença, mas também do desgaste emocional e mental que ela provoca.


5- Dificuldade para engravidar

A endometriose é uma das principais causas de infertilidade feminina. Embora não impeça necessariamente a ovulação, ela pode prejudicar a qualidade dos óvulos, alterar a função das trompas e, em casos mais graves, infiltrar o útero (quadro conhecido como adenomiose), aumentando o risco de abortos espontâneos. "Estima-se que cerca de 50% das mulheres com endometriose tenham dificuldade para engravidar, mas isso não significa que a gravidez seja impossível. Muitas mulheres conseguem engravidar naturalmente, enquanto outras podem precisar de técnicas como fertilização in vitro ou congelamento de óvulos. Cada caso é único e deve ser avaliado por um especialista", orienta o ginecologista.


Diagnóstico e tratamento


O diagnóstico da endometriose exige exames de imagem de alta precisão, como o ultrassom transvaginal com preparo intestinal — considerado o padrão ouro — ou a ressonância magnética com preparo específico. O tratamento depende do estágio da doença e do desejo de gestação. Em muitos casos, o uso de medicações hormonais para suspender a menstruação é suficiente para aliviar os sintomas. No entanto, em quadros mais graves ou quando há desejo de engravidar, podem ser indicados o congelamento de óvulos ou embriões e a fertilização in vitro. "É importante lembrar que a endometriose é uma condição complexa, que exige atenção, acolhimento e tratamento individualizado. Informação e cuidado especializado fazem toda a diferença para a mulher viver com mais saúde e qualidade de vida", ressalta o ginecologista e especialista em reprodução humana Dr. Paulo Tudech.


Sociedades médicas de patologia e urologia se unem para conscientizar população sobre câncer de rim

O tumor é um tipo relativamente comum, representando cerca de 3% dos tumores malignos, com a incidência aumentando cerca de 2% ao ano no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA)

 

No episódio deste mês de O Patologista em Podcast, a Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) convidou a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) para falar sobre o câncer de rim para o público em geral, trazendo orientações sobre prevenção, qualidade de vida e diagnóstico precoce, e esclarecendo dúvidas frequentes. A edição do podcast da SBP foi divulgada hoje, 18 de Junho, em alusão ao Dia Mundial de Conscientização do Câncer de Rim. 

O câncer de rim é um tipo relativamente comum de tumor no Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 12 mil novos casos são diagnosticados a cada ano no País. O tumor representa cerca de 3% dos tumores malignos que acometem a população brasileira, com a incidência aumentando cerca de 2% ao ano. 

Para abordar o tema de forma acessível e atualizada, O Patologista em Podcast contou com a participação de dois grandes especialistas: o Dr. Rodolfo Borges dos Reis, médico urologista, vice-presidente da SBU e professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP). E a Drª Mariana Andozia Morini Matushita, médica patologista, especialista em Uropatologia na Rede D’Or e presidente do Comitê de Extensão Internacional da Sociedade de Patologia Geniturinária, que faz as honras da casa representando a SBP. 

No bate-papo, os especialistas falam sobre a epidemiologia do câncer de rim no Brasil, fatores de risco, sinais e sintomas, diagnóstico e tratamento. 

Ouça agora e compartilhe informação de qualidade sobre câncer de rim. Acesse o episódio completo, no link:

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ESTEATOSE HEPÁTICA: O QUE NINGUÉM TE CONTA SOBRE A EVOLUÇÃO DA GORDURA NO FÍGADO

Especialista explica que a presença de uma pequena quantidade de gordura no fígado é normal, mas quando excede 30% do volume do órgão, surgem complicações mais sérias. Entenda.

 

A esteatose hepática, conhecida popularmente como "gordura no fígado" ou "fígado gordo," ocorre quando o órgão acumula gordura em suas células e espaços, levando a um aumento de volume. Em casos mais graves, esse acúmulo pode desencadear inflamação, resultando em condições como hepatite gordurosa, cirrose hepática e, nos casos mais críticos, câncer. Segundo o Ministério da Saúde, a doença afeta cerca de 30% da população brasileira. 

Segundo o Dr. Lucas Nacif, médico cirurgião gastrointestinal e membro titular do Colégio Brasileiro De Cirurgia Digestiva (CBCD) parte dessa população é jovem. “Infelizmente, estou recebendo um número crescente de jovens com diagnóstico de esteatose hepática, isso se dá ao estilo de vida inadequado e da má alimentação, e é bastante preocupante, pois a doença, antes vista principalmente em uma população mais adulta, agora afeta a mais jovem”, alerta Nacif. 

É o que também mostra uma pesquisa da American Association for the Study of Liver Diseases (Associação Americana para o Estudo de Doenças do Fígado, em português). O estudo, publicado em 2023, mostrou que a América do Sul foi o continente que registrou o maior aumento de adolescentes com esteatose hepática metabólica, ou seja, acúmulo de gordura no fígado.
 

Entenda quando essa gordura se torna preocupante 

Segundo o médico, a presença de uma pequena quantidade de gordura no fígado é normal, mas quando essa infiltração excede 5% do volume do órgão, surgem complicações mais sérias. “Até este ponto, a quantidade de gordura no fígado é considerada amena (ou esteatose leve) e geralmente não causa danos. Porém, quando a infiltração de gordura ultrapassa esse limiar, atingindo valores acima de 30% ou associados a outras comorbidades, o risco de desenvolver inflamação e outras complicações hepáticas aumenta consideravelmente ", explica. 

“O nosso fígado conta com funções essenciais, como o armazenamento de vitaminas (A, D, K, E), ferro e cobre, a regulação da glicose e dos níveis de colesterol, a produção de fatores de coagulação e bile, e a conversão de amônia em uréia, eliminada pela urina. Ele é como um laboratório do corpo, responsável por diversas funções vitais que mantêm nosso organismo em equilíbrio, e por isso precisa estar completamente saudável", ressalta Nacif.
 

Conheça os sinais de um fígado gorduroso e como prevenir a condição 

O médico explica que, para entender os sinais de um fígado gorduroso, é necessário compreender os três graus de esteatose hepática. O grau 1 corresponde a uma deposição leve de gordura. O grau 2 apresenta uma deposição moderada, enquanto no grau 3 a deposição de gordura é acentuada. Embora a esteatose não esteja associada a sintomas, quando combinada à síndrome metabólica, a inflamação pode evoluir para casos graves. Esses incluem pele e olhos amarelados, acúmulo de líquido abdominal (ascite) e hematomas. O diagnóstico é realizado por meio de exames médicos regulares, como ultrassom abdominal e testes de função hepática (TGO, TGP, Gama GT). 

Felizmente, é possível prevenir a condição. Nacif enfatiza que a prevenção e o tratamento da esteatose hepática envolvem mudanças significativas no estilo de vida. “O paciente deve evitar o consumo de álcool, que danifica as células do fígado. Além disso, é fundamental adotar uma alimentação saudável, como a dieta mediterrânea, rica em fibras, vegetais, proteínas magras, azeite de oliva e grãos integrais, e buscar manter um peso saudável por meio de uma dieta equilibrada e exercícios físicos regulares”, conclui.


Dr. Lucas Nacif - Médico gastroenterologista com especialidade em cirurgia geral e do aparelho digestivo. Lucas Nacif é reconhecido por sua expertise em cirurgias hepato bilio pancreáticas e transplante de fígado, utilizando técnicas avançadas minimamente invasivas por laparoscopia e robótica. O especialista é membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) e está disponível para abordar temas relacionados ao aparelho digestivo, desde doenças, como gordura no fígado; câncer colorretal; doenças inflamatórias intestinais; pancreatite até cirurgias e transplantes em geral. Site e @dr.lucasnacif_gastrocirurgia


TUMMY TIME: O QUE É E COMO PODE AJUDAR SEU FILHO?

Especialista em desenvolvimento infantil explica como praticar o Tummy Time pode ser benéfico para o seu bebê.


Há tempos o termo “Tummy Time” vem se popularizando entre os papais e tutores. Essa é uma prática muito recomendada pelos especialistas da área e se refere ao momento em que o bebê fica de barriga para baixo a fim de fortalecer os músculos do pescoço, costas, braços e tronco. Tudo isso para que o bebe se desenvolva da melhor forma e começe a se preparar para os marcos do desenvolvimento infantil como sentar, engatinhar e andar. 

Essa prática pode ser aplicada nos recém nascidos desde os primeiros dias em casa, sob supervisão dos papais, por poucos minutos, segundo recomenda o neurocirurgião e especialista em desenvolvimento infantil André Ceballos “É importante que esse tempo aconteça em um ambiente seguro, sobre um tapete ou toalha firme, com brinquedos coloridos ou com som, para atrair a atenção da criança. Além de ser essencial para o desenvolvimento motor do bebê o Tummy Time ajuda na prevenção de assimetrias cranianas, como a plagiocefalia.” 

Conforme o bebê for crescendo, o Dr. Ceballos recomenda aumentar tanto a frequência quanto a duração da prática. “Um bebê de 2 meses geralmente consegue ficar de barriga para baixo (tummy time) por curtos períodos de 1 a 3 minutos por vez, várias vezes ao dia, totalizando cerca de 15 a 30 minutos diários ao longo do dia. À medida que o desenvolvimento vai ocorrendo, o tempo de Tummy Time pode ser ampliado. Mas é importante sempre observar se o bebê está aproveitando o momento e se está bem disposto para ‘brincar’”, orienta o médico. 

Confira quatro benefícios do Tummy Time para o desenvolvimento do bebê segundo o doutor Ceballos.
 

1. Fortalece os músculos e estimula o desenvolvimento motor
Ao passar um tempo de bruços, o bebê trabalha os músculos do pescoço, ombros, costas e braços, o que prepara seu corpo para movimentos importantes como rolar, engatinhar, sentar e andar. Essa prática também melhora a coordenação e a consciência corporal.
 

2. Previne deformações na cabeça
O Tummy Time ajuda a evitar o achatamento da parte de trás da cabeça (plagiocefalia posicional), condição comum em bebês que passam muito tempo deitados de costas.
 

3. Estimula os sentidos e o vínculo com os pais
Durante o Tummy Time, o bebê é exposto a diferentes estímulos visuais, sonoros e táteis. Além disso, o momento é ideal para interação com os pais, fortalecendo o vínculo afetivo por meio do olhar, da fala e do toque.
 

4. Contribui para o bem-estar geral do bebê
Por fim, a prática pode aliviar desconfortos como gases e cólicas, além de ajudar na qualidade do sono. Bebês que se movimentam e interagem durante o dia costumam dormir melhor e se desenvolver com mais equilíbrio.




Dr. André Ceballos - Médico neurocirurgião, Cebaldialos atua como Diretor técnico do Hospital São Francisco, referência no diagnóstico e tratamento de crianças com transtornos do desenvolvimento. O médico tem como missão identificar precocemente condições que possam comprometer o pleno desenvolvimento das crianças, oferecendo intervenções terapêuticas baseadas nas melhores evidências científicas. A atuação do Dr. Ceballos vai além do atendimento clínico e da gestão hospitalar e reconhecendo a importância da informação e da educação para a saúde pública, se dedica a projetos de divulgação e conscientização sobre os marcos do desenvolvimento infantil, com o objetivo de influenciar políticas públicas que beneficiem especialmente as populações mais vulneráveis. Saiba mais em:Link

 

Pesquisa SindHosp aponta que 85% dos hospitais paulistas relatam aumento de internações por síndrome respiratória

 Em comparação com a pesquisa do ano passado, no mesmo período, apenas 47% dos hospitais relatavam aumento de internações por SRAG, indicando maior gravidade das síndromes respiratórias este ano  



O SindHosp- Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo realizou a pesquisa intitulada “Evolução do cenário- panorama dos pacientes diagnosticados com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e outras doenças prevalentes”, no período de 6 a 16 de junho.




Foram 88 hospitais privados paulistas que responderam à pesquisa, sendo 68% da capital e Grande São Paulo e 32% do interior enquanto na pesquisa do ano passado (4 a 14 de junho de 2024) 81 hospitais participaram, sendo 75% da capital e Grande São Paulo e 25% do interior.

Para o médico Francisco Balestrin, presidente do SindHosp, o aumento das internações e dos atendimentos nos serviços de pronto socorro deve-se em grande medida ao baixo índice de vacinação contra a gripe, que atinge apenas 35% de adesão no país. “Recomendamos cuidado à população para que se proteja em ambientes de aglomeração usando máscaras e que diante de qualquer sintoma gripal, evitem contato direto com outras pessoas para reduzir a contaminação. E o mais importante é que se vacinem contra a Influenza”, alerta.

Balestrin observa que o surto de SRAG começou mais cedo este ano, antes do inverno, portanto pode-se acreditar que a situação tende a se agravar, exigindo a vacinação dos grupos mais vulneráveis especialmente crianças e idosos.



Internações em UTI e leitos clínicos

A pesquisa mostra aumento de internações em UTIs em 64% dos hospitais da amostra enquanto na pesquisa do ano passado eram 49% dos hospitais que apontavam esse aumento, que foi de 6% a 10% tanto no levantamento atual como no anterior.

As internações em leitos clínicos não mostram um cenário diferente: 54% dos hospitais observam aumento de internações em leitos clínicos pediátricos enquanto no ano passado eram 24% que indicavam aumento desse tipo de internação, sendo o crescimento na faixa de 11% a 20%. Nos leitos clínicos adulto, 56% dos hospitais relatam crescimento das internações enquanto no ano passado eram 38% dos hospitais que apontavam aumento de 11% a 20% nesse tipo de internação. Também nos leitos clínicos adulto e pediátrico, o tempo médio de internação mantém-se em 5 a 10 dias.



SRAG no pronto atendimento

74% dos hospitais relatam aumento no número de atendimentos no pronto atendimento, urgência ou emergência, de SRAG, sendo que no ano passado eram 58% dos hospitais que observavam esse aumento.

A faixa etária predominante nos atendimentos refere-se a pacientes de 30 a 50 anos em ambas as pesquisas.



Outras doenças prevalentes

A pesquisa perguntou ainda: “Quais outras doenças estão prevalecendo e levando pacientes a internações em seu hospital? Assinale as 3 principais opções”. 39% dos hospitais listaram pneumonia bacteriana ou viral, 32% informam que são as viroses respiratórias em geral (Influenza ou Covid) e 7% relatam crises de asma e exacerbação de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).



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