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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Menos itens no carrinho mudam a lógica operacional dos supermercados

  Empresários do setor intensificam controle de custos e revisão de estoques para enfrentar o consumo mais cauteloso 

 

A alta dos preços dos alimentos voltou a pressionar a operação dos supermercados brasileiros. Em março, o grupo alimentação e bebidas subiu 1,56% e teve um dos maiores impactos sobre a inflação oficial do país, segundo o IBGE. Ao mesmo tempo, embora o consumo dentro dos lares siga em crescimento, o comportamento de compra mudou, com consumidores mais sensíveis a preço, mais seletivos nas escolhas e com menor disposição para compras volumosas. 

Para Márcio Goulart, especialista em gestão de supermercados e porta-voz da Meta Contabilidade, a reação do setor tem exigido ajustes operacionais rápidos e decisões mais estratégicas. “O supermercadista precisou abandonar qualquer lógica automática de operação. Não basta vender mais fluxo. Hoje, a sobrevivência está ligada à capacidade de entender o novo comportamento do consumidor e adaptar a loja com rapidez, sem perder margem”, afirma.


Operação mais enxuta e decisões mais estratégicas

O consumidor continua comprando, mas leva menos itens, comparam mais preços, substituem marcas e distribuem melhor os gastos ao longo do mês. Para os supermercadistas, isso reduz previsibilidade, pressiona margens e exige respostas mais rápidas na operação. Estratégias baseadas apenas em volume perderam força, abrindo espaço para uma gestão mais criteriosa sobre estoque, precificação e eficiência operacional.

Na prática, a principal mudança para o empresário está na forma de interpretar o desempenho da operação, loja cheia já não significa necessariamente bom resultado financeiro. Com tickets mais pressionados e comportamento de compra mais fragmentado, a rentabilidade passou a depender menos do fluxo e mais da capacidade de ajustar rapidamente decisões comerciais e operacionais conforme a movimentação real do consumidor.

Diante desse movimento, Márcio reúne algumas dicas de ajustes práticos para aliviar a pressão e facilitar a vida do empresário no cenário atual.

  1. Revisar mix e estoques
    Com compras mais seletivas, manter produtos de baixo giro ou com rentabilidade comprometida passou a representar custo maior, a revisão do sortimento busca reduzir desperdícios e melhorar o aproveitamento do capital de giro.
  2. Ajustar precificação com mais frequência
    A volatilidade nos preços dos alimentos exige revisões comerciais mais constantes para evitar perda de margem e manter competitividade diante de um consumidor altamente sensível a preço.
  3. Reforçar controle sobre custos e desperdícios
    Perdas operacionais que antes tinham impacto diluído passaram a pesar mais no resultado. Energia, logística, vencimentos, rupturas e despesas internas entraram com mais força no radar da gestão.
  4. Investir em fidelização e promoções mais estratégicas
    Com menor espaço para descontos generalizados, redes têm buscado ações mais direcionadas para aumentar a recorrência e estimular compras sem comprometer a rentabilidade.


Margem virou indicador de sobrevivência 

Segundo Goulart, o erro de parte do setor foi acreditar que o aumento no fluxo de consumidores significaria melhora automática no caixa. “Muitas lojas seguem cheias, mas com tickets pressionados e compras mais fragmentadas. Se o empresário olha apenas movimentação e não acompanha margem, ruptura, giro e custo operacional, pode ter uma falsa percepção de crescimento.”

A mudança também exige decisões menos intuitivas e mais baseadas em indicadores de operação. Para o especialista, o comportamento do consumidor impôs uma nova lógica ao setor. “Quem continuar operando como se estivesse em outro momento econômico tende a perder competitividade de forma silenciosa”, conclui. 

  


Márcio Goulart - diretor da Meta Assessoria Empresarial e atua na liderança das frentes de tecnologia e processos da empresa. Ao longo dos últimos anos, foi um dos responsáveis pela modernização da operação, com a implementação de automações e soluções que ampliaram a eficiência e a capacidade de atendimento. Sua atuação está voltada à conexão entre tecnologia e gestão, apoiando empresários na organização de dados, na melhoria de processos e na tomada de decisão. Com foco em resultado, trabalha no desenvolvimento de estruturas que permitam maior previsibilidade, controle e crescimento sustentável nos negócios.
Para mais informações, acesse instagram


Meta Assessoria Empresarial
Para mais informações, acesse o site metassessoria.



Fontes de pesquisa

IBGE
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/46378-transportes-e-alimentacao-elevam-o-ipca-de-marco-para-0-88


Kantar


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