Com a liberação das imagens de “antes e depois” na publicidade médica, pacientes ganharam mais acesso à informação, mas especialistas alertam: nem toda foto conta a história completa de um procedimento.
As redes sociais transformaram a forma como as
pessoas pesquisam médicos, clínicas e procedimentos estéticos. Hoje, basta
alguns minutos navegando pelo Instagram ou TikTok para encontrar centenas de
fotos e vídeos mostrando transformações impressionantes. O problema é que, para
quem está buscando informações antes de uma cirurgia plástica ou tratamento
dermatológico, nem sempre é simples distinguir o que representa um resultado
real do que pode ser apenas uma apresentação parcial da realidade.
A influência dessas imagens tem crescido nos últimos anos. O
chamado “antes e depois” se tornou uma das principais ferramentas de
comunicação utilizadas por profissionais da área estética. Em 2024, uma nova
resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) passou a permitir a divulgação
dessas imagens, desde que sejam respeitadas regras específicas relacionadas ao
caráter educativo do conteúdo, consentimento do paciente e ausência de
manipulações ou promessas de resultado.
A mudança trouxe mais transparência para a relação entre médicos e
pacientes, mas também aumentou a responsabilidade de quem consome esse
conteúdo. Afinal, uma fotografia isolada dificilmente é capaz de demonstrar
fatores como tempo de recuperação, características individuais, possíveis complicações
ou até mesmo a durabilidade do resultado apresentado.
“Muitas pessoas acreditam que uma foto é suficiente para avaliar a
qualidade de um procedimento, quando na verdade ela representa apenas um
recorte daquela experiência. A medicina não trabalha com garantias ou
resultados padronizados. Cada organismo responde de uma forma diferente”,
explica Dr. Ricardo Votto (cirurgião plástico tesoureiro da Regional de Santa
Catarina da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e também Chefe do
Serviço de Cirurgia Plástica e Queimados do Hospital Universitário da UFSC).
Outro ponto de atenção envolve a forma como essas imagens são
produzidas. A própria Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) já
alertou que recursos como iluminação, maquiagem, enquadramento, postura
corporal e ângulo da câmera podem alterar significativamente a percepção do
resultado final, mesmo sem a utilização de programas de edição.
Por isso, especialistas recomendam que o paciente observe alguns
detalhes antes de tomar qualquer decisão baseada em redes sociais. Fotos feitas
em condições semelhantes de iluminação, imagens que mostram diferentes momentos
da recuperação e conteúdos que explicam o procedimento de forma educativa
costumam transmitir mais credibilidade do que publicações focadas
exclusivamente na transformação estética.
O profissional e suas habilitações
Também é importante verificar se o profissional possui registro
ativo no Conselho Regional de Medicina (CRM), Registro de Qualificação de
Especialista (RQE) compatível com a área anunciada e histórico de atuação
consistente. Essas informações ajudam o paciente a entender se aquele
profissional possui formação adequada para realizar o procedimento desejado.
Nesse cenário, plataformas especializadas têm ganhado espaço
justamente por oferecer uma camada adicional de segurança para quem está
pesquisando procedimentos estéticos. A PinkMed, por exemplo, conecta pacientes
a médicos com atuação comprovada e trabalha com critérios de validação das
informações disponibilizadas na plataforma, incluindo conteúdos relacionados a
procedimentos e resultados clínicos.
Segundo Dr. Ricardo Votto, a principal pergunta que o paciente
deve fazer não é se o resultado ficou bonito, mas se aquele caso é semelhante
ao seu. “O erro mais comum é acreditar que duas pessoas terão exatamente o
mesmo resultado. Idade, genética, qualidade da pele, hábitos de vida e até o
processo de cicatrização influenciam diretamente na evolução de cada
tratamento.”
Além disso, a resolução do CFM estabelece que conteúdos de antes e
depois não podem induzir promessas de sucesso, apresentar resultados milagrosos
ou estimular expectativas irreais. O objetivo da regra é justamente reforçar o
caráter educativo da comunicação médica e proteger os pacientes de decisões
baseadas apenas em apelos visuais.
Com o mundo cada vez mais influenciado pelas redes sociais, a
recomendação dos especialistas continua sendo a mesma: utilizar as imagens como
ponto de partida para uma pesquisa mais ampla, jamais como único critério de
escolha. Afinal, por trás de cada foto existe uma série de fatores clínicos que
não cabem em uma publicação de poucos segundos.
PinkMed

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