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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Antes e depois nas redes sociais: como saber se o resultado mostrado por um médico é realmente confiável?

Com a liberação das imagens de “antes e depois” na publicidade médica, pacientes ganharam mais acesso à informação, mas especialistas alertam: nem toda foto conta a história completa de um procedimento.


 As redes sociais transformaram a forma como as pessoas pesquisam médicos, clínicas e procedimentos estéticos. Hoje, basta alguns minutos navegando pelo Instagram ou TikTok para encontrar centenas de fotos e vídeos mostrando transformações impressionantes. O problema é que, para quem está buscando informações antes de uma cirurgia plástica ou tratamento dermatológico, nem sempre é simples distinguir o que representa um resultado real do que pode ser apenas uma apresentação parcial da realidade. 

A influência dessas imagens tem crescido nos últimos anos. O chamado “antes e depois” se tornou uma das principais ferramentas de comunicação utilizadas por profissionais da área estética. Em 2024, uma nova resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) passou a permitir a divulgação dessas imagens, desde que sejam respeitadas regras específicas relacionadas ao caráter educativo do conteúdo, consentimento do paciente e ausência de manipulações ou promessas de resultado. 

A mudança trouxe mais transparência para a relação entre médicos e pacientes, mas também aumentou a responsabilidade de quem consome esse conteúdo. Afinal, uma fotografia isolada dificilmente é capaz de demonstrar fatores como tempo de recuperação, características individuais, possíveis complicações ou até mesmo a durabilidade do resultado apresentado. 

“Muitas pessoas acreditam que uma foto é suficiente para avaliar a qualidade de um procedimento, quando na verdade ela representa apenas um recorte daquela experiência. A medicina não trabalha com garantias ou resultados padronizados. Cada organismo responde de uma forma diferente”, explica Dr. Ricardo Votto (cirurgião plástico tesoureiro da Regional de Santa Catarina da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e também Chefe do Serviço de Cirurgia Plástica e Queimados do Hospital Universitário da UFSC). 

Outro ponto de atenção envolve a forma como essas imagens são produzidas. A própria Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) já alertou que recursos como iluminação, maquiagem, enquadramento, postura corporal e ângulo da câmera podem alterar significativamente a percepção do resultado final, mesmo sem a utilização de programas de edição. 

Por isso, especialistas recomendam que o paciente observe alguns detalhes antes de tomar qualquer decisão baseada em redes sociais. Fotos feitas em condições semelhantes de iluminação, imagens que mostram diferentes momentos da recuperação e conteúdos que explicam o procedimento de forma educativa costumam transmitir mais credibilidade do que publicações focadas exclusivamente na transformação estética.
 

O profissional e suas habilitações

Também é importante verificar se o profissional possui registro ativo no Conselho Regional de Medicina (CRM), Registro de Qualificação de Especialista (RQE) compatível com a área anunciada e histórico de atuação consistente. Essas informações ajudam o paciente a entender se aquele profissional possui formação adequada para realizar o procedimento desejado. 

Nesse cenário, plataformas especializadas têm ganhado espaço justamente por oferecer uma camada adicional de segurança para quem está pesquisando procedimentos estéticos. A PinkMed, por exemplo, conecta pacientes a médicos com atuação comprovada e trabalha com critérios de validação das informações disponibilizadas na plataforma, incluindo conteúdos relacionados a procedimentos e resultados clínicos. 

Segundo Dr. Ricardo Votto, a principal pergunta que o paciente deve fazer não é se o resultado ficou bonito, mas se aquele caso é semelhante ao seu. “O erro mais comum é acreditar que duas pessoas terão exatamente o mesmo resultado. Idade, genética, qualidade da pele, hábitos de vida e até o processo de cicatrização influenciam diretamente na evolução de cada tratamento.” 

Além disso, a resolução do CFM estabelece que conteúdos de antes e depois não podem induzir promessas de sucesso, apresentar resultados milagrosos ou estimular expectativas irreais. O objetivo da regra é justamente reforçar o caráter educativo da comunicação médica e proteger os pacientes de decisões baseadas apenas em apelos visuais. 

Com o mundo cada vez mais influenciado pelas redes sociais, a recomendação dos especialistas continua sendo a mesma: utilizar as imagens como ponto de partida para uma pesquisa mais ampla, jamais como único critério de escolha. Afinal, por trás de cada foto existe uma série de fatores clínicos que não cabem em uma publicação de poucos segundos.
 

PinkMed


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