Pasta de dente, manteiga e gelo estão entre as práticas mais comuns e mais prejudiciais após o acidente
Queimaduras estão entre os acidentes domésticos mais frequentes e podem acontecer em situações simples do dia a dia, como o contato com água fervente, óleo quente, vapor, ferro de passar roupa ou até mesmo o chuveiro. Embora muitas lesões sejam consideradas leves, os cuidados adotados logo após o acidente podem fazer toda a diferença na recuperação.
Segundo Orido Pinheiro, médico cirurgião plástico e diretor da Afya Unigranrio Barra da Tijuca, a queimadura continua evoluindo mesmo após o contato com a fonte de calor. Por isso, algumas medidas populares, passadas de geração em geração, podem acabar agravando a lesão.
Confira
cinco erros que devem ser evitados nos primeiros minutos após uma queimadura:
1. Passar pasta de dente na região
A pasta de dente é uma das receitas caseiras mais populares para tratar queimaduras, mas não traz nenhum benefício comprovado. Além de não ajudar na cicatrização, ela pode irritar a pele lesionada e dificultar a avaliação médica.
"Essas
substâncias não têm qualquer benefício comprovado. Em alguns casos, podem até
aumentar o risco de infecção e dificultar o tratamento adequado", explica
Orido Pinheiro.
2. Aplicar manteiga, óleo ou outras substâncias caseiras
Manteiga, óleo de cozinha, pó de café, clara de ovo e outros produtos frequentemente utilizados em casa também devem ser evitados.
Essas
substâncias criam uma barreira sobre a pele que dificulta a dissipação do
calor, podendo contribuir para o agravamento da queimadura. Além disso,
aumentam o risco de contaminação da área lesionada.
3. Colocar gelo diretamente sobre a queimadura
Muitas pessoas acreditam que o gelo ajuda a aliviar a dor imediatamente, mas essa prática pode causar ainda mais danos ao tecido já comprometido.
O
contato direto com o gelo ou com água muito gelada pode provocar uma nova
agressão à pele, aprofundando a lesão e dificultando a recuperação.
4. Estourar as bolhas
As bolhas são um mecanismo natural de proteção do organismo. Rompê-las por conta própria aumenta significativamente o risco de infecções e pode retardar o processo de cicatrização.
Caso
elas apareçam, o ideal é manter a região protegida e procurar orientação
médica, especialmente se forem extensas ou estiverem localizadas em áreas
sensíveis do corpo.
5. Ignorar sinais de gravidade
Nem toda queimadura exige atendimento hospitalar, mas algumas situações merecem avaliação médica imediata.
Queimaduras
com bolhas extensas, lesões no rosto, mãos, pés, genitais ou articulações,
áreas esbranquiçadas ou escurecidas, perda de sensibilidade e queimaduras
causadas por produtos químicos ou eletricidade devem ser examinadas por um
profissional de saúde.
O que fazer após uma queimadura?
Segundo o especialista, a primeira medida correta é resfriar a região com água corrente em temperatura ambiente por cerca de 10 a 20 minutos.
"A queimadura continua evoluindo mesmo após o contato com a fonte de calor. O resfriamento adequado ajuda a interromper esse processo e pode limitar a profundidade da lesão", afirma Orido Pinheiro.
Além disso, é importante retirar anéis, pulseiras, relógios e outros acessórios que possam comprimir a área em caso de inchaço. Depois, a região deve ser protegida com um pano limpo ou gaze até a avaliação médica, quando necessária.
Em casos graves, o recomendado é acionar imediatamente o Samu (192) ou o Corpo de Bombeiros (193).
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