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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Estudo avalia primeira polipílula desenvolvida no Brasil para prevenção de AVC e investigação de impactos na saúde cognitiva

esquisa conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento está recrutando participantes em diferentes regiões do país para analisar os efeitos de uma polipílula voltada ao controle de fatores de risco associados ao acidente vascular cerebral em pessoas com risco cardiovascular baixo a moderado
 

O Hospital Moinhos de Vento, em parceria com o Ministério da Saúde por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), está conduzindo o estudo PROMOTE (que significa “Promoção”), uma pesquisa nacional que avalia a eficácia da primeira polipílula desenvolvida no Brasil com foco na prevenção do AVC e de outros eventos cardiovasculares por meio do manejo de fatores de risco como hipertensão arterial e colesterol elevado. 

Após a conclusão da fase inicial, que demonstrou resultados promissores na redução de fatores de risco cardiovasculares, o estudo avançou para sua segunda etapa e está recrutando participantes em diversos estados brasileiros, incluindo São Paulo. A expectativa é acompanhar mais de 8 mil pessoas por um período mínimo de três anos. 

Coordenado pela neurologista Dra. Sheila Martins, a pesquisa avalia uma formulação composta por dois medicamentos para controle da pressão arterial e uma estatina, utilizada para redução do colesterol. O estudo busca investigar se a simplificação do tratamento, por meio da combinação de medicamentos em um único comprimido, pode contribuir para a adesão terapêutica e para o controle simultâneo de fatores de risco cardiovasculares. Paralelamente, também são analisadas estratégias voltadas à promoção de hábitos de vida saudáveis, incluindo alimentação adequada, prática de atividade física e cessação do tabagismo. 

Segundo os pesquisadores, a proposta é avaliar a utilização da polipílula em indivíduos que ainda não apresentam risco cardiovascular elevado, mas que já possuem níveis pressóricos associados ao aumento gradual do risco de eventos cardiovasculares, acima de 120/80 mmHg, nível em que o risco de AVC e infarto começa a crescer de forma progressiva. Nesse contexto, a estratégia estudada difere das abordagens tradicionalmente adotadas para pacientes com níveis mais elevados de pressão arterial.
 

Resultados iniciais impulsionaram expansão nacional 

Na primeira fase do estudo, os participantes acompanhados por nove meses apresentaram redução da pressão arterial sistólica e melhora de indicadores relacionados à saúde cardiovascular. Também foram observadas mudanças positivas no estilo de vida, como aumento da prática de atividade física. 

Com base nesses resultados, a pesquisa foi ampliada para uma etapa de maior escala, que avaliará não apenas desfechos cardiovasculares, mas também possíveis impactos sobre a função cognitiva dos participantes, investigando se o controle precoce dos fatores de risco pode contribuir para a prevenção do declínio cognitivo e da demência. 

Além da pesquisa, o projeto está contribuindo para a reorganização do cuidado cardiovascular nas unidades de saúde, por meio da implementação de um programa de identificação e manejo dos fatores de risco em pacientes com indicação clínica. Mais de 3.000 profissionais de saúde já foram capacitados nas cinco regiões brasileiras. 

“A expectativa é que, no longo prazo, a medicação também possa reduzir o risco de demência e de outras complicações, como infarto do miocárdio e morte cardiovascular”, destaca a Dra. Sheila Martins.
 

Como participar

O estudo está recrutando voluntários em diferentes estados brasileiros. Pessoas interessadas em obter mais informações sobre os critérios de participação podem entrar em contato pelo telefone/WhatsApp (51) 99935-6911.
 

Sobre o AVC

O acidente vascular cerebral (AVC) está entre as principais causas de morte e incapacidade no Brasil e no mundo. A condição ocorre quando há interrupção ou redução do fluxo sanguíneo para o cérebro, podendo provocar déficits neurológicos temporários ou permanentes. 

Segundo a Organização Mundial do AVC, o número de mortes pela doença pode aumentar em até 50% nas próximas décadas, alcançando 10 milhões de casos anuais até 2050. A estimativa aponta que o total de vítimas deve passar de 6,6 milhões, em 2020, para 9,7 milhões em 2050. 

O cenário é considerado preocupante, especialmente diante do aumento da expectativa de vida da população e da maior exposição a fatores de risco. Entre os principais desafios estão o envelhecimento, o sedentarismo, a má alimentação, o consumo excessivo de álcool e tabaco, além do elevado número de casos de hipertensão arterial não diagnosticada ou não controlada, um dos principais fatores de risco para o AVC. 

Embora o atendimento rápido nos hospitais seja essencial para tratamento, Sheila destaca que 80% dos casos de AVC podem ser prevenidos com o controle dos fatores de risco, como pressão alta, colesterol elevado, diabetes e hábitos de vida inadequados.  



Hospital Moinhos de Vento
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