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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Quem tem glaucoma pode fazer cirurgia de catarata?

Sim, pode. Pesquisa mostra que a cirurgia pode substituir ou minimizar o uso de colírio. Entenda.

  

Esta é uma dúvida frequente no consultório, diz o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier.  “Por falta de informação muitos adiam a cirurgia e quanto mais deixam para depois, maior é o risco de perda da visão por glaucoma. Isso porque, a catarata progride, torna o cristalino mais espesso, dificulta a drenagem do fluido que preenche o olho e provoca a morte das células do nervo óptico. 

Uma evidência do benefício da substituição do cristalino rígido por uma lente final e flexível é  o resultado de uma pesquisa publicada no American Journal of Ophthalmology. Os 623 participantes com glaucoma de ângulo aberto tiveram queda da pressão intraocular após a intervenção cirúrgica e passaram a usar menos colírio. Não quer dizer que a cirurgia cura o glaucoma, afirma Queiroz Neto, mas facilita o gerenciam Chatgpt/IA ento da doença. Na prática, o oftalmologista ressalta que pacientes com glaucoma de ângulo fechado podem ter maior taxa de sucesso em zerar ou reduzir os colírios. Isso porque, neste caso  a retirada do cristalino resolve diretamente a causa do fechamento do canal de drenagem do humor aquoso.

 

Estágio do glaucoma também influi

A estimativa o CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) d0 qual Queiroz Neto é membro mostra que o Brasil tem hoje 2,5 milhões de casos de glaucoma, doença silenciosa que avança sem sintomas. A condição tem três estágios:

Glaucoma Leve - Estágio Inicial

• Campo Visual: Sem nenhuma perda de visão perceptível nos testes padrãos;

• Nervo Óptico: Alterações iniciais no nervo óptico (como um leve aumento da escavação) e afinamento sutil na camada de fibras nervosas da retina, mas que ainda não afetaram o campo de visão do paciente;

• Sintomas: Totalmente assintomático. O paciente não percebe nenhuma alteração visual.


Glaucoma Moderado

• Campo Visual: Manchas escuras começam a aparecer, em apenas uma das metades do campo visual, (geralmente na metade superior ou na inferior), sem afetar o centro da visão;

• Nervo Óptico: A lesão no nervo é evidente e o afinamento das fibras nervosas já é bem visível nos exames estruturais.

• Sintomas: A grande maioria dos pacientes ainda não nota as falhas, pois o cérebro e o outro olho compensam os pontos cegos periféricos.


Glaucoma Severo – Avançado

• Campo Visual: As alterações e pontos cegos estão presentes nas duas metades do campo visual (superior e inferior) ou já invadiram a área central da visão.

• Nervo Óptico: Há um dano extenso e profundo no nervo.

• Sintomas: O paciente começa a notar perda da visão periférica lateral, frequentemente descrita como "visão em túnel", dificuldade para caminhar sem esbarrar em objetos, ou prejuízos na leitura caso o centro já tenha sido afetado.

 

Impacto da cirurgia de catarata no uso de colírio


Glaucoma de ângulo aberto leve a moderado O oftalmologista ressalta que de 30% a 50% dos pacientes conseguem parar completamente de usar colírios após realizarem apenas a cirurgia de catarata. 

Quando o procedimento é combinado com o implante de um micro Stent entre 70% a 80% dos pacientes podem parar de usar colírio.

Em casos de glaucoma avançado, o oftalmologista afirma que a cirurgia isolada de catarata raramente substitui os colírios, servindo mais para evitar novos picos de pressão. Em alguns pacientes, a redução da pressão dura cerca de 1 a 2 anos, exigindo o retorno gradual de algumas medicações conforme o olho envelhece, salienta.

 

Pico de Pressão

Queiroz Neto afirma que para glaucomatosos o principal risco da cirurgia de catarata é o pico de pressão intraocular causado pelo procedimento. Em pessoas quem não têm glaucoma o aumento súbito da pressão intraocular não faz diferença, mas para que já tem alterações no nervo óptico pode fragilizar ainda mais a área. O especialista explica que a alteração pode ser decorrente de: fragmento de substância viscoelástica utilizada na cirurgia que entope o canal de drenagem; inflamação cirúrgica natural em todo tipo de cirurgia; uso de corticoide. A boa notícia é que cirurgiões já estão preparados para combater imediatamente este risco. Hoje o maior perigo para quem tem glaconma continua sendo a falta de adesão ao tratamento, conclui.

 

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