Sim, pode. Pesquisa mostra que a cirurgia pode substituir ou minimizar o uso de colírio. Entenda.
Esta é uma dúvida frequente no consultório, diz o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier. “Por falta de informação muitos adiam a cirurgia e quanto mais deixam para depois, maior é o risco de perda da visão por glaucoma. Isso porque, a catarata progride, torna o cristalino mais espesso, dificulta a drenagem do fluido que preenche o olho e provoca a morte das células do nervo óptico.
Uma evidência do
benefício da substituição do cristalino rígido por uma lente final e flexível
é o resultado de uma pesquisa publicada no
American Journal of Ophthalmology. Os 623 participantes com glaucoma de ângulo
aberto tiveram queda da pressão intraocular após a intervenção cirúrgica e
passaram a usar menos colírio. Não quer dizer que a cirurgia cura o glaucoma,
afirma Queiroz Neto, mas facilita o gerenciam Chatgpt/IA ento da doença. Na prática, o oftalmologista ressalta que pacientes
com glaucoma de ângulo fechado podem ter maior taxa de sucesso em zerar ou
reduzir os colírios. Isso porque, neste caso
a retirada do cristalino resolve diretamente a causa do fechamento do
canal de drenagem do humor aquoso.
Estágio do
glaucoma também influi
A estimativa o
CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) d0 qual Queiroz Neto é membro mostra
que o Brasil tem hoje 2,5 milhões de casos de glaucoma, doença silenciosa que
avança sem sintomas. A condição tem três estágios:
Glaucoma Leve -
Estágio Inicial
• Campo Visual:
Sem nenhuma perda de visão perceptível nos testes padrãos;
• Nervo Óptico:
Alterações iniciais no nervo óptico (como um leve aumento da escavação) e
afinamento sutil na camada de fibras nervosas da retina, mas que ainda não
afetaram o campo de visão do paciente;
• Sintomas:
Totalmente assintomático. O paciente não percebe nenhuma alteração visual.
Glaucoma Moderado
• Campo Visual:
Manchas escuras começam a aparecer, em apenas uma das metades do campo visual,
(geralmente na metade superior ou na inferior), sem afetar o centro da visão;
• Nervo Óptico: A
lesão no nervo é evidente e o afinamento das fibras nervosas já é bem visível
nos exames estruturais.
• Sintomas: A
grande maioria dos pacientes ainda não nota as falhas, pois o cérebro e o outro
olho compensam os pontos cegos periféricos.
Glaucoma Severo –
Avançado
• Campo Visual:
As alterações e pontos cegos estão presentes nas duas metades do campo visual
(superior e inferior) ou já invadiram a área central da visão.
• Nervo Óptico:
Há um dano extenso e profundo no nervo.
• Sintomas: O
paciente começa a notar perda da visão periférica lateral, frequentemente
descrita como "visão em túnel", dificuldade para caminhar sem
esbarrar em objetos, ou prejuízos na leitura caso o centro já tenha sido
afetado.
Impacto da
cirurgia de catarata no uso de colírio
Glaucoma de
ângulo aberto leve a moderado
O oftalmologista ressalta que de 30% a 50% dos pacientes conseguem parar
completamente de usar colírios após realizarem apenas a cirurgia de
catarata.
Quando o
procedimento é combinado com o implante de um micro Stent entre 70% a 80% dos
pacientes podem parar de usar colírio.
Em casos de
glaucoma avançado, o oftalmologista afirma que a cirurgia isolada de catarata
raramente substitui os colírios, servindo mais para evitar novos picos de
pressão. Em alguns pacientes, a redução da pressão dura
cerca de 1 a 2 anos, exigindo o retorno gradual de algumas medicações conforme
o olho envelhece, salienta.
Pico de Pressão
Queiroz Neto
afirma que para glaucomatosos o principal risco da cirurgia de catarata é o
pico de pressão intraocular causado pelo procedimento. Em pessoas quem não têm glaucoma
o aumento súbito da pressão intraocular não faz diferença, mas para que já tem
alterações no nervo óptico pode fragilizar ainda mais a área. O especialista
explica que a alteração pode ser decorrente de: fragmento de substância
viscoelástica utilizada na cirurgia que entope o canal de drenagem; inflamação
cirúrgica natural em todo tipo de cirurgia; uso de corticoide. A boa notícia é
que cirurgiões já estão preparados para combater imediatamente este risco. Hoje
o maior perigo para quem tem glaconma continua sendo a falta de adesão ao
tratamento, conclui.

Nenhum comentário:
Postar um comentário