Especialistas destacam fatores de risco, sintomas e cuidados
essenciais para a saúde renal diante do aumento projetado da doença. 
Freepik
O Dia Mundial de Conscientização do Câncer de Rim, ressalta a
importância no debate sobre a prevenção, o diagnóstico precoce e o acesso à
informação sobre o câncer renal. O alerta ganha ainda mais relevância diante
das projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo estimativas da
Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC/OMS), a incidência
global da doença pode crescer cerca de 63% até 2050, evidenciando a necessidade
de ampliar as ações de conscientização e acompanhamento da saúde renal.
O cenário é ainda mais crítico para a América Latina e,
especificamente, para o Brasil, onde se estima um crescimento de quase 80% no
número de diagnósticos nas próximas décadas. O médico urologista e professor da
Afya Montes Claros, Dr. Sérgio Rametta, explica os principais fatores de risco
associados ao desenvolvimento do câncer de rim.
“O tabagismo se destaca como o mais importante fator para
desenvolvimento do câncer renal. A doença também pode estar relacionada a
fatores genéticos, além de condições como obesidade, sedentarismo e dieta rica
em gordura. Pacientes com doença renal crônica que necessitam de hemodiálise
também apresentam maior propensão a desenvolver esse tipo de tumor. Outro ponto
observado é que o câncer de rim ocorre com mais frequência em homens do que em
mulheres”.
A gravidade da doença foi evidenciada este ano pela perda do
músico americano Brad Arnold, líder da banda 3 Doors Down, que faleceu aos 47
anos em decorrência de um câncer renal em estágio avançado. O caso de Arnold
ilustrou a face mais agressiva da doença que representa cerca de 3% de todos os
tumores malignos do sistema urinário e, embora não esteja entre os mais
incidentes, chama atenção pelo aumento consistente de casos e pelo potencial de
gravidade quando diagnosticado tardiamente.
Dr. Sérgio Rametta comenta que o rim é considerado um órgão
“escondido” por estar localizado na parte posterior do abdômen e protegido
pelas costelas e pela musculatura das costas. Essa característica faz com que o
câncer nessa região possa demorar a apresentar sintomas. Em muitos casos, o
tumor se desenvolve de forma silenciosa e pode levar meses até que os primeiros
sinais apareçam.
“Quando os sintomas surgem, frequentemente a doença já se encontra
em estágios mais avançados, com tumores maiores e maior impacto no organismo.
Entre os principais sinais do câncer de rim estão a presença de sangue na
urina, dor abdominal e, em fases mais severas, a identificação de uma massa ou
tumor palpável no abdômen”, complementa o urologista da Afya.
No Brasil, entre 2021 e 2024, a doença foi responsável por 12.414
mortes, sendo 7.900 homens e 4.514 mulheres, segundo dados do Painel de
Monitoramento da Mortalidade do Ministério da Saúde.
Prevenção e cuidados com os
rins
Para ampliar a conscientização da população sobre o tema, também
foi criado o Dia Mundial do Rim, celebrado em 12 de março. A data é promovida
pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e destaca a importância da prevenção e
do diagnóstico precoce para um melhor manejo e controle da doença renal crônica.
Neste ano, a campanha traz como lema: “Exame de urina e creatinina para todos”.
A médica nefrologista e professora da Afya São João Del Rei, Dra
Ana Flávia Vieira Ferreira, informa que as doenças renais crônicas costumam
evoluir de forma silenciosa em suas fases iniciais, o que reforça a importância
de consultas médicas regulares e da realização de exames de rotina.
“A dosagem de creatinina no sangue e o exame de análise de
urina, que ajudam a avaliar o funcionamento dos rins e podem indicar alterações
precoces. A creatinina é uma substância filtrada pelos rins e eliminada pela
urina; quando seus níveis estão elevados no sangue, isso pode indicar que os
rins não estão funcionando adequadamente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário