No Dia Nacional do Luto, 19 de junho, a
Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade orienta sobre uma
forma mais leve de lidar com a perda de um ente querido
As pessoas reagem de diversas formas às perdas. O luto
manifesta-se por meio de diferentes reações, algumas mais perceptíveis e outras
mais sutis. Quando esse processo começa a afetar a saúde física e mental de
quem o vivencia, é importante monitorar sentimentos e comportamentos que
ultrapassem o esperado, a fim de evitar danos maiores.
Neste Dia Nacional do Luto, datado de 19 de junho, a Sociedade
Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) traz orientações para
quem está passando por esse processo, com o objetivo de promover mais qualidade
de vida e reduzir o sofrimento decorrente da perda, e também para os
profissionais que cuidam dessas pessoas.
“O luto é um processo de reação e adaptação a uma perda. É a forma
pela qual reconhecemos e enfrentamos a nova realidade que se impõe após a
ausência de alguém. É o nosso modo de encarar que a dor é imensa, e que ela nos
convida a refletir e repensar nossa vida", explica o médico de família e
comunidade e também paliativista Arthur Fernandes, diretor do Departamento de
Comunicação da SBMFC.
Considerado normal, o luto envolve uma série de sentimentos e
comportamentos esperados. Entre as manifestações emocionais estão: apatia,
raiva, tristeza, culpa, ansiedade, choque e cansaço. Também há manifestações
sociais, como isolamento, alterações no sono ou apetite, evitação de lembranças
ou de locais e objetos relacionados à pessoa falecida, falar repetidamente
sobre a perda, desânimo, dificuldade para amar e redução das atividades
diárias.
O processo de luto também pode provocar manifestações físicas, como: sensação de vazio no estômago, nó na garganta, boca seca, maior sensibilidade a ruídos, sensação de irrealidade, pouca energia, fraqueza muscular, dificuldade para respirar, dores no peito e palpitações.
“Todos esses sintomas são considerados normais, independentemente
do tempo de convivência com a pessoa falecida ou da intensidade do vínculo.
Familiares próximos ou distantes podem apresentá-los, assim como cuidadores que
acompanharam a pessoa durante uma doença. E não importa como ocorreu a morte,
seja ela esperada, devido a um grave problema de saúde, ou repentina, como em
acidentes", detalha Fernandes.
Quanto à duração do luto, não há um tempo definido para que a dor
cesse. O luto dura o tempo que precisa durar. Algumas pessoas vivenciam lutos
mais intensos, que as “tiram do eixo” e dificultam a retomada da própria vida.
Reações mais intensas, frequentes e duradouras devem chamar a atenção das
pessoas próximas, para que se busque apoio profissional junto a uma equipe de
saúde.
Diversas estratégias podem ajudar uma pessoa enlutada a enfrentar
os dias seguintes à perda e, aos poucos, reencontrar sua conexão com a vida.
Essas orientações não são “receitas prontas” e devem ser individualizadas ou
adaptadas à realidade de cada um. Entre elas, destacam-se: rituais de
despedida, prática de atividades físicas, vivências espirituais e apoio
familiar e social.
“É recomendado que familiares e pessoas próximas monitorem o
comportamento e os sintomas da pessoa enlutada, buscando apoio médico e
psicológico quando necessário. Viver o luto é normal e importante, desde que
não haja uma dificuldade excessiva para seguir vivendo após a perda",
conclui o especialista.
Sobre a Medicina de Família e Comunidade
A Medicina de Família e Comunidade é uma
especialidade médica, assim como a cardiologia, neurologia e ginecologia, entre
outras. O médico/a de família e comunidade (MFC) é o especialista em cuidar das
pessoas, da família e da comunidade no contexto da atenção primária à saúde.
Ele acompanha as pessoas ao longo da vida, independentemente do gênero, idade
ou possível doença, integrando ações de promoção, prevenção e recuperação da
saúde. O médico/a de família e comunidade é um clínico e comunicador
habilidoso, pois utiliza abordagem centrada na pessoa e é capaz de resolver
pelo menos 90% dos problemas de saúde, manejar sintomas inespecíficos e
realizar ações preventivas. É um coordenador do cuidado, trabalha em equipe e
em rede, advoga em prol da saúde dos seus pacientes e da comunidade.
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