Coordenadoras
da Inspirali Pós Medicina esclarecem dúvidas sobre o tema
Menopausa, reposição hormonal, anticoncepção, fertilidade, alterações menstruais, hipotireoidismo. Muitas são as situações em que os hormônios são indicados para melhorar a qualidade de vida das mulheres. Mas também muitas são as incertezas quanto aos efeitos colaterais e sobre a real necessidade destas substâncias no organismo.
Pensando em esclarecer as principais dúvidas das mulheres
sobre o tema, a Inspirali Pós Medicina, maior ecossistema de educação médica
continuada do Brasil, reuniu informações de duas de suas coordenadoras em
Endocrinologia e Metabologia, Dra. Rosane Resende Brasil e Dra. Marise Tinoco.
Confira:
• Quais os principais tipos de
hormônios receitados para as mulheres? Para que eles são indicados?
R: Os principais hormônios são estrogênio, progesterona e
hormônios da tireoide. Eles podem ser indicados para menopausa, reposição
hormonal, anticoncepção, fertilidade, alterações menstruais e hipotireoidismo
(o qual tem sua maior prevalência em mulheres na faixa etária da menopausa).
• Quais os principais benefícios da terapia com hormônios para a saúde
da mulher?
R: A terapia hormonal na menopausa está indicada quando a
mulher possui sintomas como fogachos, ressecamento vaginal, oscilação do humor
e insônia, mas a indicação vai além disso, pois ajuda na saúde óssea e na
Síndrome geniturinária, melhorando, assim, sua qualidade de vida. Hoje estamos
vivendo mais e a reposição traz impactos positivos na saúde futura da mulher.
• E quais os principais riscos?
R: Os riscos variam conforme idade, histórico clínico e
tipo de hormônio, além da via de administração utilizada. Podem incluir
trombose, alterações cardiovasculares e aumento do risco de alguns tipos de
câncer em situações específicas.
• Por que a reposição de hormônios é necessária?
R: A reposição hormonal pode ser necessária quando ocorre
uma deficiência hormonal associada a sintomas que comprometem a saúde, o
bem-estar ou a qualidade de vida da mulher. O objetivo é restaurar níveis
hormonais adequados, aliviar sintomas e prevenir algumas consequências da
deficiência hormonal a longo prazo.
• Quando saber se realmente são necessários?
R: A indicação deve ser individualizada, baseada em
sintomas, exames, idade e avaliação médica completa. Existe uma janela de
oportunidade que compreende até 10 anos da menopausa ou até 60 anos de idade.
Fora desse período, os estudos mostram que pode não haver benefícios, com
aumento os riscos.
• Há riscos em consumir diferentes tipos de hormônios?
R: Sim. O uso sem acompanhamento médico ou em doses
inadequadas pode trazer riscos significativos à saúde como aumento do risco de
trombose, sangramentos anormais e sinais de hiperandrogenismo como calvície,
acne, hirsutismo (excesso de pelos), engrossamento da voz e aumento do risco
cardiovascular.
• Quais os principais efeitos colaterais na utilização de hormônios?
R: Os mais comuns incluem retenção de líquido,
sensibilidade mamária, dor de cabeça, alterações de humor e sangramentos
irregulares.
• Há avanços da medicina em relação à composição de hormônios? Quais?
R: Sim. Hoje existem hormônios mais modernos, com doses
menores, vias transdérmicas e formulações mais individualizadas, que podem
reduzir efeitos adversos.
• Podemos dizer que atualmente os hormônios são mais seguros para a
saúde da mulher?
R: Quando bem indicados e acompanhados, os tratamentos
atuais são mais seguros e personalizados do que no passado. Hoje a tendência é
utilizarmos mais os hormônios bioidênticos ou isomoleculares uma vez que são
similares aos hormônios ovarianos.
• Vocês consideram a utilização de hormônios benéfica?
R: Sim, principalmente em casos de menopausa sintomática, insuficiência hormonal e algumas condições ginecológicas e endócrinas específicas. Mas o importante não é só fazer a reposição hormonal e sim também estimular mudança no estilo de vida, com alimentação saudável, práticas de atividades física, controle de obesidade e do estresse.
• Há riscos no uso ininterrupto de
hormônios por muitos anos?
R: A reposição hormonal sempre deve ser acompanhada pelo médico
com exames clínicos e radiológicos periódicos a fim de detectar qualquer
problema que necessite interromper o tratamento. Pelas atuais diretrizes, não é
necessário suspender o tratamento se a paciente estiver bem e seus exames não
mostrarem nenhuma anormalidade.
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