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sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres: um problema de todos

Especialistas analisam as formas de combate à violência contra a mulher no Brasil e explicam a legislação em torno do tema 

 

Dia 25 de novembro é marcado como o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as mulheres, porém não há muitos motivos para celebração. A violência contra a mulher ainda é um dos problemas mais graves e urgentes da sociedade brasileira. Segundo a 10ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, feita pelo Instituto DataSenado, em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), divulgada em novembro de 2023, três a cada dez brasileiras disseram já ter sido vítima de violência doméstica.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que os casos de feminicídio e de estupro cresceram, respectivamente, 2,6% e 14,9% no primeiro semestre de 2023. De acordo com os dados da organização, o número de mortes de mulheres por razões de gênero cresce ininterruptamente no Brasil desde 2019. A fonte dessa pesquisa são os boletins de ocorrência registrados pelas Polícias Civis dos estados e do Distrito Federal. Assim, se os dados apresentados nos boletins de ocorrência já indicam uma situação alarmante, a verdadeira magnitude do problema é ainda mais grave.

Os sub-registros, segundo Rafael Paiva, advogado criminalista, pós-graduado e mestre em Direito e especialista em violência doméstica, decorrem, principalmente, do medo de denunciar. “Muitas mulheres, com razão, desconfiam do sistema judiciário brasileiro, que ainda é extremamente machista. As delegacias de polícia, mesmo as das mulheres, normalmente não contam com profissionais aptos para atendimento das vítimas”, explica.

Além disso, muitas mulheres estão presas ao ciclo da violência, constituído por três etapas. Em um primeiro momento, o agressor mostra-se tenso e irritado por coisas insignificantes. Ele também humilha a vítima, faz ameaças e destrói objetos. Na segunda fase, a falta de controle chega ao limite e leva ao ato violento. Por fim, aparece o arrependimento do agressor, que se torna amável para conseguir a reconciliação. Nesse momento as mulheres, por uma dependência emocional, familiar ou financeira, como pontua Paiva, voltam a se relacionar com o agressor e o ciclo recomeça.

Formas de violência doméstica e a legislação

Rafael Valentini, advogado criminalista e sócio do FVF Advogados, explica que a Lei Maria da Penha (Lei n.º 11.340/2006) estabelece que são formas de "violência doméstica e familiar contra a mulher" a violência física, sexual, psicológica, patrimonial e moral. Para além dessa definição prevista em lei, é possível afirmar que os crimes de estupro (incluindo o de vulnerável, que é um delito autônomo), a importunação sexual e o feminicídio, todos previstos no Código Penal, também são espécies claras de violência contra a mulher.

Para combater todos esses tipos de violência, a Lei Maria da Penha se apresenta como principal instrumento normativo, por se tratar de lei específica sobre o tema e prever ferramentas para execução desse combate como as medidas protetivas (afastamento temporário do agressor do lar, impossibilidade de comunicação ou contato com a vítima etc.).

“Além disso, se um crime contra a mulher é praticado dentro do contexto que a Lei Maria da Penha define como ‘violência doméstica e familiar contra a mulher’, o agressor perde diversos benefícios previstos em lei, como a possibilidade de firmar acordos penais com o Ministério Público para evitar um processo criminal. O Código de Processo Penal também prevê ferramentas que podem ser muito úteis na proteção à mulher vítima de violência (as medidas cautelares e, em casos extremos, a prisão preventiva)”, destaca Valentini.

Há motivos para esperança. Nos últimos anos, foram criados crimes, como o delito de descumprimento de medida protetiva (Lei 13.641/2018) e o feminicídio (Lei 13.104/15), além de ter sido facilitado o acesso às medidas protetivas de urgência previstas (Lei 14.550/2023), na Lei Maria da Penha, tudo como forma de tornar mais célere e efetiva a prevenção e repressão a estes crimes.

Como combater a violência estrutural contra mulheres

Para Raquel Gallinati, Delegada e Diretora da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil, o combate à violência estrutural contra as mulheres deve integrar educação, conscientização e medidas governamentais. A educação para prevenir a violência contra as mulheres deve focar em promover valores de respeito, igualdade e empatia desde cedo. Isso inclui:

- Abordar e questionar estereótipos que perpetuam atitudes prejudiciais, incentivando uma visão igualitária dos gêneros;

- Educar sobre o respeito ao consentimento e a importância de relações baseadas no consentimento mútuo;

- Proporcionar modelos de comportamento positivo em relação ao tratamento das mulheres, seja em casa, escola ou sociedade;

- Incluir educação sexual que promova relações saudáveis, consciência sobre a diversidade e respeito pelas escolhas individuais;

- Abordar a natureza prejudicial da violência de gênero e suas consequências, promovendo uma cultura de rejeição a qualquer forma de agressão.

“Essas abordagens, quando integradas ao currículo educacional e à conscientização social, contribuem para criar uma base sólida na formação de homens respeitosos e comprometidos com a igualdade de gênero”, destaca Gallinati.

Para fortalecer a proteção das mulheres vítimas de violência doméstica, políticas públicas abrangentes podem ser implementadas, incluindo:

- Estabelecimento e manutenção de casas de abrigo seguras para mulheres que precisam deixar ambientes violentos, oferecendo suporte emocional e recursos essenciais;

- Facilitar o acesso das vítimas à justiça, incluindo assistência jurídica gratuita e simplificação dos procedimentos legais;

- Desenvolver campanhas educativas para conscientização sobre a violência doméstica, seus impactos e como buscar ajuda, visando a mudança de atitudes culturais;

-Avaliar e aprimorar as leis relacionadas a crimes de violência doméstica, estupro e feminicídio, garantindo penas proporcionais e eficazes;

- Estruturar a porta de entrada do sistema de justiça criminal, por meio do reconhecimento e valorização dos profissionais, além de capacitar policiais, médicos e assistentes sociais, para identificar sinais de violência doméstica e oferecer suporte adequado;

- Garantir que medidas protetivas, como ordens de restrição, sejam eficazes e aplicadas de maneira rigorosa;

- Estabelecer mecanismos de cooperação entre diferentes órgãos, como a polícia, o sistema judiciário, e serviços sociais, para garantir uma resposta coordenada e eficiente;

- Desenvolver políticas que promovam o empoderamento econômico das mulheres, aumentando a independência financeira e reduzindo sua vulnerabilidade.

 

 

Fontes:

Rafael Valentini - advogado criminalista, pós-graduado em Direito e Processo Penal pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e sócio do FVF Advogados.

Raquel Gallinati, delegada de polícia. Diretora da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil. Mestre em Filosofia. Pós-graduada em Ciências Penais, Direito de Polícia Judiciária e Processo Penal.

Rafael Paiva, advogado criminalista, pós-graduado e mestre em Direito, especialista em violência doméstica e professor de Direito Penal, Processo Penal e Lei Maria da Penha.

 

O 13º caiu na conta: especialista dá dicas de como utilizar o dinheiro

Professor da UniFAJ lembra que quitar dívidas é prioridade; mudança de comportamento também se faz necessária

 

O pagamento do 13º salário vai injetar este ano, na economia brasileira, cerca de R 291 bilhões. O benefício previsto por lei pode ser pago em uma única parcela ou até em duas vezes, sendo que a primeira deve ser depositada ao trabalhador até 30 de novembro e a segunda não pode ultrapassar 20 de dezembro. 

Mas, o que fazer com o dinheiro quando a quantia cair na conta? Para o economista Edison de Oliveira, docente do curso de Ciências Contábeis do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ), do Grupo UniEduK, pagar as dívidas deve ser prioridade. 

“Ao quitar as contas, você inicia o ano com as finanças mais equilibradas e há grandes chances de não voltar a perder o controle financeiro em 2024. Se não pagar agora, dificilmente sairá desse círculo vicioso”, salienta o economista. “É importante ainda fazer uma análise dos pontos cruciais que o levaram a adquirir essa dívida, para não cometer os mesmos equívocos nos próximos anos.” 

Segundo o economista, se estiver com mais de uma dívida, é preciso dar preferência aquelas que apresentam inadimplência, ou seja, que o consumidor já esteja negativado e perdeu a capacidade de pagá-la. Nesses casos, na maioria das vezes, as empresas costumam dar descontos que fazem com que os valores fiquem abaixo do seu valor original. 

Mas, antes de iniciar uma negociação com qualquer empresa, o professor da UniFAJ alerta: é importante separar o dinheiro do 13º com o valor recebido mensalmente. 

“Se deixar lá, tudo numa única conta bancária, há grandes chances de que esse valor do 13º seja incorporado às despesas normais do mês, correndo risco de gastar e o pior: sem a pessoa saber para onde foi”, alerta o economista. 

Para que isso não ocorra, Oliveira orienta separar o dinheiro referente ao 13º salário e deixar aplicado em algum investimento que traga rentabilidade e que tenha 100% de liquidez, ou seja, que a quantia possa ser utilizada a qualquer momento. 

“Pode até ser Poupança ou então CDBs, CDIs e Tesouro Direto. Feito isso, é o momento de começar a negociar as dívidas com as empresas credoras. A partir do momento que negociou e chegou a um valor considerável, você retira o dinheiro aplicado e quita as dívidas”, explica o economista. 

Já no caso de a dívida ser maior do que o recebido no 13³ salário, uma possibilidade é fazer uma descapitalização, se desfazendo de algum bem, até dar o valor para a quitação da dívida. A segunda possibilidade é mais radical: a dívida seguirá para o próximo ano e terá que ter muita disciplina para seguir à risca um planejamento financeiro. 

“Se chegar a esse ponto, é sinal de que a luz vermelha para suas finanças está acesa e você precisa resolver isso urgentemente. É criar um planejamento familiar minucioso e equilibrado para 2024, com metas reais e possíveis de serem atingidas a curto, médio e longo prazo. No dia a dia, a regra básica e essencial é: não se gasta mais do que se ganha! Feito isso, é preciso ainda priorizar gastos apenas com o essencial; evitar comprar coisas desnecessárias e supérfluas; ter um consumo mais consciente com água, energia, combustível; e, se possível, buscar novas fontes de renda”, salienta Oliveira. “O problema aqui é muito mais comportamental do que financeiro. Por isso, será preciso mudar hábitos diários de consumo.”

 

Não tenho dívidas, o que fazer?

Para quem não possui, o professor de Ciências Contábeis da UniFAJ orienta separar parte do 13º para gastos adicionais com impostos que surgem todo início de ano, tais como IPTU, IPVA, matrícula e material escolar etc.

“É sabido que em dezembro há um gasto além do comum, com presentes, festas e viagens. E, já prevendo outros gastos com impostos em janeiro, é recomendado alocar parte do valor recebido no 13º para cobrir ou amenizar esse impacto causado as finanças nesse período”, recomenda Oliveira.

 

Grupo UniEduK

 

Os 4 pilares para uma liderança de sucesso

Especialista em RH destaca a autoliderança, gestão de pessoas, interdependência e a construção de um legado como aspectos essenciais para a liderança do futuro

 

À medida que o mercado de trabalho evolui e se adapta a um cenário de mudanças constantes, as pessoas em cargos de liderança precisam se adequar às novas tendências que moldarão o futuro do trabalho. Para enfrentar desafios relacionados à saúde mental, ao engajamento dos colaboradores e à transformação organizacional, é fundamental que líderes adotem novas abordagens mais humanas e conscientes. 

No que tange ao engajamento das pessoas, estima-se que o custo à economia com dias de trabalho perdidos devido a problemas de saúde mental e desengajamento dos colaboradores seja na ordem de US8,8 trilhões - cerca de 9% do PIB global. “É indiscutível que a falta de engajamento dos colaboradores custa caro à saúde mundial e às organizações, e só tem um jeito de resolver isso: através de uma abordagem de liderança consciente e humana, além de uma mudança nas práticas de gestão, que impactam diretamente nas culturas organizacionais. Este modelo de negócio precisa ser revisto urgentemente”, explica o especialista em RH e autor do livro “A Potência da Liderança Consciente”, Daniel Spinelli. 

Negligenciar as consequências de uma cultura organizacional exclusivamente focada em resultados, sem se atentar com o componente fundamental humano pode comprometer drasticamente a longevidade e os próprios resultados dos projetos no médio e no longo prazo. 

Daniel Spinelli explica que os líderes que não se atualizarem com práticas mais modernas para trazer um tom mais humano à sua liderança contribuirão não só para que haja pessoas e ambientes de trabalho de menor qualidade, mas também estarão ajudando a cavar, paulatinamente, a cova da própria empresa. “Quando olhamos para o ser humano que está exercendo a liderança, é possível notar também que não é raro encontrar tais profissionais enfrentando problemas psicoemocionais graves”, afirma. 

O autor destaca quatro pilares fundamentais para essa mudança de mentalidade:

 

Autoliderança: antes de liderar outras pessoas, é essencial liderar a si mesmo. Isso requer investir em autoconhecimento e habilidades de gerenciamento emocional. A capacidade de transmitir qualidades humanas, como empatia, compaixão e paz mental é necessária para construir uma nova cultura organizacional. Líderes conscientes não apenas se conhecem melhor, mas também se esforçam para cultivar bons relacionamentos e integridade em suas ações;

 

Liderar pessoas: a liderança consciente envolve a aplicação da escuta ativa e o foco na construção de uma cultura de aprendizagem, baseada na segurança psicológica. Isso implica criar espaços onde as pessoas possam transcender seus limites e explorar seu potencial máximo. Um ambiente de despertar humano é essencial para o desenvolvimento individual e coletivo, estimulando o crescimento contínuo dos colaboradores;

 

Interdependência: líderes conscientes promovem relacionamentos de qualidade e empatia dentro das equipes. Pessoas em cargos de gestão precisam reconhecer a importância da interdependência para o bom funcionamento da organização e buscar criar laços de confiança e cooperação. Por meio de uma visão mais sistêmica, as equipes se tornam mais eficazes na resolução de problemas e na busca de objetivos comuns;

 

Construir um legado: a liderança pautada na constante evolução é formada por pessoas que entendem que suas ações no ambiente de trabalho têm um impacto significativo na organização, nas outras pessoas que integram o time e na sociedade em geral. Elas assumem a responsabilidade de construir um legado positivo, inspirando aqueles sob sua liderança e contribuindo para um mundo melhor. Essa consciência do impacto de suas ações os orienta na tomada de decisões éticas e na promoção de valores que transcendem o sucesso individual.

 

Para Spinelli, uma liderança consciente não apenas engaja as pessoas e fortalece os ambientes corporativos, como também é uma resposta direta à necessidade de aprimorar e humanizar a cultura organizacional e o impacto das práticas de liderança em um mundo em constante evolução. 

 

Daniel Spinelli - tem se dedicado ao desenvolvimento humano nas organizações. Empreendedor, palestrante e mentor, já coordenou programas para mais de 50 mil participantes e em mais de 200 organizações. Tem se dedicado ao estudo da mente humana realizando muitos retiros de aprofundamento. Certificou-se como professor de Inteligência Emocional na região do Vale do Silício e, recentemente, passou 6 meses na Ásia, na região dos Himalaias da Índia, estudando com grandes mestres das tradições contemplativas. Desde seu retorno, tem como missão trazer o movimento de ampliação da consciência no ambiente organizacional por meio do trabalho com líderes.



Filantropia: ferramenta poderosa na construção de um mundo mais inclusivo


A filantropia transcende a mera prática de assistencialismo financeiro, revelando-se como um comprometimento emocional e racional com causas que fundamentam a construção de estruturas sociais justas. Nesse contexto, a filantropia não apenas fortalece as causas sociais, mas também propicia melhorias significativas para toda a sociedade, abrangendo e solucionando diversas mazelas sociais. 

A pluralidade de causas com as quais os indivíduos se engajam cria uma rede abrangente de apoio, cobrindo uma ampla gama de desafios. Quando a sociedade se envolve em causas diversas, ocorre um fortalecimento coletivo. A prosperidade da sociedade se reflete, por sua vez, em oportunidades mais acessíveis para as individualidades, o que demonstra que a filantropia é um catalisador para o progresso e a felicidade. Sua prática não apenas impacta positivamente a sociedade como um todo, mas também tem efeitos benéficos na saúde mental e emocional daqueles que doam. 

O ato de doar e de buscar um envolvimento emocional com as causas gera gratidão e promove uma terapia valiosa para a saúde mental. A conexão emocional e racional com as causas filantrópicas não apenas transforma a realidade externa, mas também proporciona um sentido mais profundo de satisfação pessoal. 

Como Defensor Público Federal e Comendador Cultural, estou pessoalmente envolvido em instituições que exemplificam o comprometimento filantrópico. O Chaverim, que presta assistência e inclusão para pessoas com deficiência intelectual, mental e psicossocial; o Instituto FEFIG, que fortalece políticas públicas eficientes para incentivar a educação; o projeto Vibrar com Parkinson, focado no acolhimento e inclusão de pessoas com a Doença de Parkinson; e o Projeto Renascer, que oferece assistência e capacitação a gestantes. 

A construção de estruturas sociais inclusivas é muito mais que um dever moral. Convido todos, portanto, a se envolverem com causas sociais e a considerarem a filantropia como uma ferramenta poderosa na construção de estruturas sociais justas. Por meio do comprometimento emocional e racional, podemos contribuir para um mundo mais justo e inclusivo, onde a prosperidade individual e a coletiva se entrelaçam para o bem de todos. 

 

André Naves - Defensor Público Federal, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social, e mestre em Economia Política. É também Comendador Cultural, Escritor, Professor e Palestrante.


Nudes falsos: como proteger jovens dos perigos do mal uso da inteligência artificial

Episódios recentes de uso indevido de ferramentas de inteligência artificial entre alunos de escolas de elite brasileira suscitaram bastante discussões acerca do papel dos pais e das escolas nesse tipo de situação. Qual seria a responsabilidade de cada um? Até que ponto os pais conseguem ter controle sobre ações dos filhos, em especial, em se tratando de adolescentes? Qual o dever da escola em ensinar sobre essas novas tecnologias e suas consequências? Resumidamente, a grande pergunta é sobre o que podemos fazer para prevenir acontecimentos como esses.

Não há dúvidas de que precisamos conversar com crianças e adolescentes sobre os perigos dessas novas tecnologias. Tanto pais quanto escola. Mas, ainda que as ferramentas tenham mudado, me pergunto se as questões mais fundamentais mudaram. Um dos contos mais famosos ensinava que não devemos falar com estranhos, já dizia a mãe da Chapeuzinho Vermelho. Naquele tempo, os estranhos eram somente pessoas que tinham contato físico com as crianças. Agora, a abordagem pode ser feita virtualmente. Então a tecnologia mudou, mas o princípio se mantém o mesmo.

No caso particular das fotos que foram adulteradas de modo a produzir nudes falsos a partir de fotos de Instagram, é verdade que o recurso é novo, mas os princípios são mais velhos que a avó da Chapeuzinho Vermelho. Despir uma pessoa sem seu consentimento sempre foi errado. Expor seu corpo, pior ainda. Acredito que se falássemos mais sobre as questões humanas, precisaríamos nos preocupar menos com as questões tecnológicas. Se houvesse um entendimento real de respeito ao outro, em especial, respeito às mulheres, nada disso teria acontecido. Não adianta culpabilizar a ferramenta de edição de fotos nem a ferramenta de compartilhamento e justificar dizendo que “é tudo é muito novo”. Pois para mim é tudo muito velho.

Precisamos recuperar o diálogo dentro de casa. Esse sim deve ser encarado como o grande e o maior perigo dessas novas tecnologias e das redes sociais. O distanciamento entre pais e filhos. No momento que a conexão falha, nada mais funciona. Totalmente análogo à conexão da internet. Quando a internet cai, não conseguimos mandar nem receber e-mails nem acessar nossos arquivos pessoais. Engana-se quem acha que a solução está tão somente na instalação de aplicativos de controle parental. Eles são muito válidos sim. Mas não são suficientes. Precisamos restaurar as conexões humanas dentro de casa.

A escola pode colaborar reforçando em sala de aula o desenvolvimento de competências socioemocionais. Precisamos falar sobre empatia e buscar atividades que ajudem a flexibilizar o olhar para perceber o mundo a partir do outro. Precisamos desenvolver melhor nossa escuta ativa, nossa comunicação assertiva, nosso pensamento crítico e nossa capacidade de tomar boas decisões, para citar algumas habilidades importantes para ajudar a construir essas conexões no ambiente escolar e a partir delas, moldar comportamentos que reflitam uma maior responsabilidade sobre si mesmo e sobre o impacto de suas ações sobre o outro.

No entanto, não adianta cair na solução fácil de transferir a responsabilidade para a escola. Nem de culpar as novas tecnologias, pois o problema não está na tecnologia, mas sim no uso que se faz dela. Os recursos mudaram, mas os princípios que norteiam os comportamentos, não. Não podemos datar a falta de empatia com os avanços da inteligência artificial. Finalmente, não podemos esquecer o poder dos pais em nutrir indivíduos emocionalmente saudáveis. Aplicativos de controle dos usos do celular podem ficar cada vez mais sofisticados. Mas nunca vão resolver o problema de pessoas se divertirem em submeter outros a situações constrangedoras. 

 

Flavia Moraes - Professora especialista em Ciência de Dados e de Programação Estatística, tem se destacado na aplicação de técnicas de Data Mining para produzir avaliações socioemocionais baseadas em dados através do uso da tecnologia, em contraposição às técnicas tradicionais baseadas no preenchimento de questionários de autoavaliação. Foi pesquisadora visitante do Departamento de Estatística de Berkeley, consultora do Banco Mundial, economista da Área de Gestão de Risco do BNDES e atualmente é professora dos cursos de graduação e de pós-graduação do IBMEC. É coautora do livro “Soft Skills Teens” (Literare Books International).


Digitalização: por que essa prática segue crescendo nas organizações?

 

Os avanços da transformação digital têm levado cada vez mais empresas a aderirem ao uso da digitalização. Como prova disso, de acordo com um estudo da IDC, o Brasil registrou, só em 2022, um crescimento de 12,9% nos gastos com TI. Os dados apontam o amplo entendimento da atual realidade vivida pelas organizações e evidenciam aquilo que sempre é destacado: este é um caminho sem volta.

De forma geral, o mercado compreendeu a importância do investimento em tecnologia. Neste aspecto, setores como telecomunicações, seguradoras e varejo são exemplos práticos da utilização da tecnologia no dia a dia, digitalizando suas operações para garantir maior eficiência na prestação de serviços, expansão, desempenho e competitividade. Tendo em vista esse cenário, o relatório ainda estima que os investimentos em TI atinjam 27,4 bilhões de dólares até 2026.

Mesmo diante de uma realidade que aponta para uma só direção, esse entendimento não é algo aplicado por todas as companhias. Um exemplo disso acontece no segmento de construção civil e nas PMEs. Isso é, mesmo sendo setores que possuem alta representatividade na economia do país, diversas empresas que atuam nessas vertentes, continuam executando seus processos de forma manual, elevando a complexidade na realização de tarefas.

A principal causa para isso é, justamente, o fato que mesmo sendo clara a importância e espaço que a tecnologia vem ocupando, temos enraizada uma cultura no nosso país de olhar para esses recursos como commodities – priorizando o custo e não o investimento. Além disso, a resistência à mudança é outro fator que contribui para esse impasse, uma vez que foi criada a ideia de que a digitalização pode ser algo traumático.

Certamente, o processo de digitalizar as operações de uma organização não acontece do dia para a noite. E, à medida que surgem novas tecnologias e tendências, como IA generativa, IOT (Internet das coisas), Big Data, computação ubíqua, entre outras, é crucial que a execução do projeto acompanhe tais aspectos. Por sua vez, para que a empresa possa, de fato, entrar na era da digitalização, é fundamental que seja estabelecida uma ampla comunicação, envolvendo desde os colaboradores até a alta gestão, a fim de assegurar maior assertividade e integração entre as áreas nas tomadas de decisão.

Além disso, é importante destacar que de nada adianta investir no uso de alta tecnologia e ferramentas sem que haja conhecimento para utilizá-las de forma correta. Deste modo, é crucial que as organizações invistam na capacitação técnica do time, visando contribuir para o desempenho profissional e operacional, garantir maior usabilidade dos recursos investidos, e favorecer as relações e clima organizacional.

No entanto, para que a digitalização agregue de forma integral para o sucesso e ganho da empresa, é essencial que a sua cultura organizacional atue em prol dessa abordagem. Afinal, é a partir desse direcionamento que a organização poderá traçar um plano para a captação e investimento de recursos financeiros, que irão auxiliar durante toda essa jornada.

Quando falamos dos resultados que a digitalização pode agregar à companhia, como maior eficiência, controle operacional, competitividade e, sobretudo, segurança, os olhos de todo gestor brilham. Não à toa, outro estudo feito pela IDC Brasil, juntamente com o Google Cloud, apontou que para 48% dos participantes, os CEOS são os principais apoiadores dessas iniciativas nas empresas.

Deste modo, é certo afirmar que o investimento em digitalização permanecerá como uma forte tendência nos próximos anos, o que eleva a necessidade daqueles que ainda não se adaptaram, buscarem o quanto antes reverter esse cenário. Por isso, é fundamental que as organizações desde já comecem a reavaliar seus processos, identificando pontos que precisam de melhoria, para assim, obterem o direcionamento correto na hora de escolher a opção que venha ao encontro de suas necessidades e demandas.

Ainda segundo a pesquisa, até 2027, entre 26% e 49% da receita das organizações será proveniente de produtos e serviços digitais.  E, considerando que estamos nos aproximando de 2024, esse é o momento de as empresas reavaliarem suas estratégias, estando abertas para a era da digitalização. Afinal, diferente do que se imagina, o segredo da tecnologia não está em saber resolver fórmulas mágicas, mas em estar preparado.

João Pires é executivo de Vendas da SPS Group. Formado em Marketing e Gestão Comercial pela UMESP, possui mais de 15 anos de experiência em vendas complexas, apresentando soluções das mais avançadas tecnológicas para organizações de todos os setores da economia.

 

 João Pires


SPS Group - Localizada em São José dos Campos (SP)



Interferências regulatórias propostas pela reforma podem desequilibrar sistema de saúde suplementar e prejudicar usuários no longo prazo


Nos últimos dias, o texto do Projeto de Lei 7419/2006 que visa reformar os planos de saúde vem sendo amplamente debatido na Câmara dos Deputados e está trazendo diversas discussões à tona. Podemos considerar que a relação entre os consumidores e operadoras de saúde nunca foi das mais amistosas e, é importante levar em consideração que toda e qualquer mudança, seja buscando melhorias para uma ponta ou outra, geraria consequências em toda a cadeia envolvida, que carece de equilíbrio e incentivos corretos para operar de maneira sustentável. Isso, por si só, já é motivo de preocupação para todos os lados. 

Para entender o cerne da questão, precisamos identificar onde os problemas começam. Essa relação conturbada tem origem em uma série de elementos conjunturais de mercado, no arcabouço regulatório confuso e interferências do poder judiciário sem consonância no órgão regulador, o que levou a inúmeras judicializações. Explico: de um lado temos o contrato da operadora, que prevê cláusulas específicas, de outro existe o arcabouço regulatório com pontos que, algumas vezes, contradizem esses contratos e geraram empecilhos em certas ocasiões. 

Além disso, também temos o Poder Judiciário que cria mais um impasse nessa relação e a torna obscura. Quando digo uma relação obscura é pela falta de regras claras que, se apoiadas no contrato, muitas vezes ferem até questões regulatórias. Já, se apoiadas no arcabouço regulatório, acabam ferindo o entendimento do Poder Judiciário. Tornando-se, assim, uma relação historicamente complicada. 

Não à toa, o índice de reclamação nessa relação é enorme. É importante lembrar que a saúde suplementar é um sistema com uma série de agentes com interesses distintos. O consumidor quer o melhor cuidado em saúde enquanto o órgão regulador tenta estabelecer normativas para isso, mas muitas vezes acaba criando implicações. As operadoras querem reduzir seu custo, que pode ser feito de duas maneiras: gerindo a saúde da população (vidas dentro dos planos) para que tenham uma condição melhor de saúde e isso tenha correlação direta com o uso dos recursos ou, uma segunda opção, cerceando o acesso de alguma maneira. 

Com isso, temos o consumidor que quer atendimento, a operadora buscando reduzir custos a favor de margens operacionais e a rede de saúde (clínicas, hospitais, médicos independentes) que deseja otimizar seus honorários e as suas despesas. Por fim, considerando que o mercado de planos coletivos empresariais correspondem a mais de 75% da saúde suplementar, temos corretoras e as empresas, estas últimas fontes pagadoras do recurso. 

Tendo em vista que, nesse sistema, são diversos agentes com interesses distintos e ainda um agente regulador tentando moderar essa situação - muitas vezes criando problemas ainda maiores -, é inevitável que qualquer mudança acabe afetando alguma das pontas. 

Dentre as alterações previstas no texto, posso destacar, por exemplo, a possibilidade de regular os reajustes dos planos coletivos. A ANS já havia regulamentado os planos individuais, no entanto, os coletivos - seja por adesão ou empresarial - não são regulamentados. Hoje, teoricamente, existe uma liberalidade entre as partes para, de alguma maneira, criar as mecânicas de reajuste. Havia também uma expectativa de que o PL definiria que os reajustes dos coletivos fossem baseados num índice arbitrário da ANS e isso pode ser um perigo para as operadoras, a exemplo do que já foi feito para os individuais e familiares, que teve como consequência a interrupção da oferta desses produtos por parte das operadoras. 

Outro exemplo é em relação à limitação das operadoras rescindir unilateralmente o contrato. Isso não tende a gerar um equilíbrio bom para o mercado, economicamente pensando. Como nos planos individuais isso já é realidade, nos coletivos empresariais uma alternativa seria educar alguns comportamentos da operadora a partir de uma normativa que delibere sobre esse assunto, mas seria preciso analisar melhor tanto essa medida quanto todas as outras. Todo o projeto é um texto ainda muito prematuro, existe muita discussão para chegar a uma redação final que seja a melhor para todos os lados. É um cenário bem complexo, mas dada a conjuntura, deveria ser considerado em algum momento, até para mostrar uma moderação a favor do equilíbrio do mercado, não apenas voltada ao consumidor. 

As medidas propostas no PL podem até fazer bem ao consumidor no curto prazo, mas creio que criarão um desequilíbrio no mercado com potencial para gerar um prejuízo para o próprio beneficiário. Muito se ouve dizer que as operadoras são as grandes vilãs desse sistema, mas a realidade é muito complexa, todos tem uma parcela dessa culpa. Para se ter uma ideia, segundo dados da ANS, no primeiro trimestre de 2023, as operadoras deram um prejuízo operacional de R1.7 bilhão. No acumulado dos últimos três anos, foram reportados R 7,4 bilhões em fraudes envolvendo planos de saúde, de acordo com a Associação das Empresas de Planos de Saúde. Resolver esses problemas do setor vai muito além de imputar medidas exclusivamente de proteção ao consumidor. É preciso olhar para a totalidade do sistema, para o bem de todos. 

Por fim, reitero que o grande ponto a ser considerado neste projeto de lei deveria ser o equilíbrio. É extremamente relevante e louvável o intuito de proteger os usuários, mas também é preciso levar em consideração toda uma cadeia de pessoas e empresas que geram empregos, como clínicas, hospitais, corretoras e todos envolvidos no setor, que podem se prejudicar quando olhamos apenas para uma ponta. Além do próprio consumidor final que, a médio prazo, pode ser prejudicado com essas mudanças. 

 

Felipe Baeta - CEO da Piwi


Empreendedorismo Feminino: quais características fazem a diferença quando elas estão à frente dos negócios?

 Empresária do ramo de tecnologia destaca empatia, resiliência e capacidade multitarefas como ferramentas importantes para lidar com a equipe e solucionar conflitos 

 

O número de mulheres empreendedoras é crescente no Brasil, segundo dados da pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor). Em 2022, os empreendedores nascentes, em sua maioria, eram homens, mas a diferença para as mulheres era muito pequena, eles eram 54,6% do total. Empreendedores nascentes são aqueles envolvidos nos últimos 12 meses em negócios em fase de criação ou já em operação e remunerando por, no máximo, 3 meses.

Mas quais são as principais características femininas que diferenciam as mulheres dos homens e favorecem na gestão das empresas? Gabryella Corrêa, CEO do app de transporte Lady Driver, destaca que a empatia, a resiliência e a capacidade de realizar multitarefas conferem às mulheres uma vantagem na gestão dos negócios. “Além disso, a habilidade de criar redes de apoio e colaboração têm sido fundamental na superação de obstáculos e no sucesso empresarial”, diz. 

Gabryella reforça ainda que os negócios geridos por mulheres têm mais a característica de cuidado com os processos e com o ser humano do que os geridos por homens. Dar as mãos e caminhar junto faz com que as empresas formem equipes mais integradas e leais, alinhadas com o propósito da marca.

Quando o assunto é franquia - ou licenças, como é o caso da Lady Driver - isso se torna ainda mais importante: “Minha experiência em trabalhar praticamente só com mulheres há anos, mostra que as licenciadas mais engajadas com o negócio mantêm isso, o cuidado com o ser humano. Essa aproximação, empatia e capacidade de se colocar no lugar do outro, formam equipes muito mais fortes, o que não diz respeito só aos números, mas à sensação de pertencimento, de sentir-se parte de um time e de um negócio. E uma equipe conectada alcança muito mais fácil os objetivos da empresa, financeiros, inclusive”, conta.

A crescente relevância do empreendedorismo feminino é inquestionável no cenário contemporâneo, as estatísticas corroboram com essa ascensão. No universo dos Microempreendedores Individuais (MEIs), as mulheres ostentam uma expressiva representatividade, correspondendo a 48% do total de empreendedores. Sua presença é particularmente notável nos setores da beleza, moda e alimentação, áreas que são pertinentes ao toque feminino nos detalhes e inovação. 

Atributos como criatividade, organização, agilidade e determinação são outros distintivos que frequentemente impulsionam as mulheres a se sobressair em um ambiente empreendedor competitivo e repleto de desafios. Confrontadas com a necessidade de provar constantemente seu valor, muitas empreendedoras se destacam ao harmonizar habilidades consideradas tradicionalmente femininas com a firmeza e a racionalidade demandadas pelo mundo dos negócios.

A CEO da Lady Driver sintetiza essa realidade ao afirmar: “É plenamente viável equilibrar lógica e sensibilidade nas práticas empresariais; são qualidades que se complementam. Sensibilidade, cortesia, educação e diplomacia não devem ser interpretadas como sinais de fragilidade, pelo contrário, vejo esse equilíbrio como um sinal de inteligência e perspicácia estratégica”. Essa perspectiva não só eleva a discussão sobre o papel das mulheres no empreendedorismo, mas também destaca o potencial inovador que elas trazem para o mundo dos negócios.

  

Lady Driver - App de transporte particular urbano que conecta mulheres, motoristas e passageiras 

 

13º salário: saiba como e onde investir a quantia para multiplicar seu dinheiro

Analista de investimentos da casa de análises MW Research, Cleide Rodrigues, pontua quais são as melhores possibilidades para a gratificação 

 

No mês de novembro, os brasileiros com carteira assinada começam a receber a 1ª parcela do seu 13° salário. Também é nessa época de fim de ano que outras gratificações, como participação de lucros e bônus, são distribuídas para a maioria dos colaboradores. Com a quantia em saldo na conta, investir pode ser uma estratégia para multiplicar o seu dinheiro, seja para uma reserva de emergência, obter liberdade financeira ou se organizar para ter uma aposentadoria com mais conforto e segurança. Para facilitar os brasileiros sobre como e quais são os melhores investimentos para curto, médio e longo prazo, a analista em investimentos da casa de análises MW Research, Cleide Rodrigues, sugere as melhores alternativas de aplicação com os valores recebidos.

"Para os investimentos de curto prazo, recomendo aplicar o valor do 13° e outras bonificações em duas alternativas de investimento, como: CDB DI com liquidez que remunere no mínimo 100% do CDI de grandes bancos ou Tesouro Selic. Essa é uma alternativa prática, rápida e inteligente para quem gostaria destinar esse valor para viagens, compra de material escolar dos filhos no início do ano ou até para quem quiser guardar o salário extra. A ideia do curto prazo é rentabilizar o seu dinheiro sem comprometer totalmente seus ganhos, mas oferecendo a possibilidade de resgate a qualquer momento”, explica a analista certificada.

As carteiras de renda fixa também entram as indicações para médio prazo, segundo Rodrigues. "Para quem optar por investir a médio prazo, as carteiras de renda fixa também são as mais indicadas, contudo, nesse caso, o investidor poderá abrir mão de um pouco de liquidez em busca de retornos melhores, desde que os vencimentos dos investimentos estejam alinhados com os objetivos", explica a analista da casa de análises MW Research.

Por outro lado, caso o 13º salário não seja primordial para a renda do investidor, Cleide Rodrigues sugere as aplicações de longo prazo, planejando colher os frutos desse investimento após cinco anos ou até mesmo já visando a aposentadoria. "Uma ótima alternativa para quem está pensando a longo prazo são as ações e os investimentos de fundos imobiliários (FIIs), porque é uma oportunidade de conquistar a liberdade financeira", ressalta.

De acordo com a analista da MW Research, no Brasil, somente 3% da população investe na bolsa por medo e por falta de conhecimento, enquanto nos Estados Unidos mais de 50% da população já investe. "Muita gente tem medo de investir na bolsa, porque acredita ser um jogo de sorte, mas na verdade a bolsa de valores é apenas um estudo. Quando você investe em ações, você está se tornando um pequeno dono de grandes empresas. Quando você investe em fundos imobiliários, você está se tornando um pequeno dono de empreendimentos imobiliários. Desta maneira, o investidor tem direito a participação dos lucros de boas empresas e de bons fundos imobiliários", explica Rodrigues.

Ainda segundo a especialista certificada, os investimentos feitos em boas ações ou em fundos imobiliários (FIIs) são para gerar rendimentos. “No começo, eles podem gerar quantias menores, suficientes para pagar uma conta de água, talvez uma pizza ou até uma conta de luz. Com consistência e continuidade dos aportes em algum momento, poderá ser possível pagar outras contas maiores. Mas o segredo desses empreendimentos a longo prazo não está no pagamento de contas mensais e sim, no reinvestimento dos lucros”, orienta a analista chefe da MW Research.

"Quem tem uma ação, recebe o proporcional a isso. Portanto, pela lógica, quem tem cem ações, também recebe proporcional a isso, ou seja, quanto mais ações eu tenho, mais dividendos eu recebo e me aproximo mais da liberdade financeira. É claro que isso não acontece do dia para a noite, mas o dinheiro deve trabalhar para nós, e não ao contrário", reitera Cleide Rodrigues.

  

Cleide Rodrigues - Cleide Rodrigues é analista CNPI e consultora de investimentos pela CVM. Com uma sólida bagagem de 23 anos de experiência, trilhou sua carreira em instituições renomadas, como: Bradesco, Itaú Personnalité e Santander, além de contribuir significativamente em respeitadas casas de análises nacionais. Atualmente, exerce o papel de Analista Chefe na MW Research, liderando as séries MW Ações Renda e MW Ações Valorização


Garantia de Lei e Ordem nos Portos Brasileiros: O Impacto nas Operações Comerciais

A implementação da Garantia de Lei e Ordem (GLO) nos portos brasileiros é um tema de grande relevância e interesse para o país. Uma vez que essa ação governamental visa conter o avanço do crime organizado, principalmente o tráfico internacional de drogas, que tem encontrado nos portos do Brasil um ponto de acesso fundamental para suas atividades ilegais. 

 

A Necessidade da GLO nos Portos 

A decisão de empregar a GLO nos portos foi impulsionada por eventos alarmantes que ocorreram recentemente. Em primeiro lugar, mais de trinta e cinco ônibus foram incendiados no Rio de Janeiro por facções criminosas, o que evidenciou a necessidade de ação para conter a crescente criminalidade. Além disso, houve um aumento significativo no contrabando internacional de drogas através dos portos e aeroportos do país. 

O foco do Governo Federal é combater as facções criminosas, particularmente no que diz respeito ao tráfico internacional de drogas. Os portos brasileiros desempenham um papel crucial na rota do tráfico de drogas ilícitas da América Latina para a Europa, sendo os portos de Santos e Rio de Janeiro os principais pontos de entrada utilizados pelas facções.

 

Colaboração entre Órgãos de Segurança: 

A implementação da GLO nos portos é um desafio que requer uma coordenação eficaz entre os órgãos de segurança, como a Receita Federal, a Polícia Federal e as Forças Armadas. Essa colaboração visa fornecer apoio adicional no combate às drogas, aumentando a força disponível para enfrentar essa ameaça. 

No entanto, uma das preocupações mais relevantes é a possível interferência da GLO nas operações de logistica & comércio exterior e . O decreto que autorizou o emprego das Forças Armadas nos portos estratégicos do Brasil estabelece que a execução da GLO será planejada e monitorada pelo Ministério da Defesa e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. No entanto, o papel da Receita Federal durante esse período transitório não está claro, nem se os auditores estarão submetidos à autoridade do Ministério da Defesa. Sendo necessário, ainda, o plano a ser apresentado pelo Ministério da Defesa. 

 

Fiscalização e Comércio Exterior: 

A implementação certamente resultará em uma fiscalização mais profunda e detalhada das mercadorias e navios que entram e saem do país. Essa abordagem representa uma mudança temporária na política adotada pelo Brasil em relação às convenções internacionais que buscam equilibrar a fiscalização e a fluidez do comércio exterior. 

A Receita Federal já utiliza sistemas de inteligência artificial para o controle aduaneiro e a gestão de riscos de fraude, priorizando a análise de situações com maior probabilidade de fraude. Segundo o "Time Release Study" da Receita Federal do Brasil, cerca de 97% das mercadorias são encaminhadas para o "canal verde" o que dispensa exames documentais e verificações físicas de mercadorias devido à baixa probabilidade de fraude em determinadas operações. 

No entanto, com a GLO em vigor, espera-se uma intensificação das fiscalizações, o que pode resultar em maior tempo de espera para a liberação de mercadorias. O estudo "Time as a Trade Barrier," utilizado pela GATT/OMC como referência, estima que cada dia de atraso ou retenção de mercadorias custa aproximadamente 0,8% do valor da mercadoria. 

O impacto da GLO nos portos brasileiros é um tópico que suscita preocupações legítimas, especialmente em relação às operações comerciais. A implementação da GLO é uma medida de segurança necessária, mas sua execução requer uma abordagem equilibrada que leve em consideração tanto a necessidade de combater o crime organizado quanto a manutenção das operações eficientes nos portos do Brasil. Somente com o lançamento do planejamento do Ministério da Defesa e a definição de novos procedimentos poderemos compreender de forma mais precisa os reais impactos da GLO nos terminais portuários brasileiros. 

 

Larry Carvalho - advogado, mestre em Direito Marítimo e especialista em logística, comércio internacional e agronegócio.

 

FecomercioSP: eliminar parcelamento sem juros não reduzirá inadimplência, é preciso racionalizar as taxas do rotativo


 

Federação, que se mobiliza ao lado de outras entidades empresariais contrárias à proposta, passou a integrar o grupo de trabalho do Bacen sobre o tema 

 

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) defende que a eventual regulamentação das taxas do rotativo e o parcelamento sem juros são coisas completamente distintas, e, por isso, as discussões não devem se misturar. Segundo a Entidade, que lidera os setores de Comércio, Serviços e Turismo no Estado de São Paulo, o debate sobre a eventual redução das tarifas associadas ao rotativo concerne ao Banco Central (Bacen) e a bancos e financiadoras. Na avaliação da FecomercioSP, é um erro relacionar a elevada inadimplência e o endividamento com o parcelamento sem juros quando o problema está nas altas taxas do crédito rotativo.   

Para se ter uma ideia da diferença entre as modalidades e de suas peculiaridades, de acordo com dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e do Bacen [tabela 1], a taxa de inadimplência do rotativo é de 49%, enquanto a do parcelado sem juros, de 9,9%. Além disso, os juros cobrados na primeira modalidade se aproximam dos 440% ao ano (a.a.), alcançando o maior patamar entre as modalidades de crédito. Isso deixa claro, portanto, a influência das taxas associadas ao rotativo e como a sua racionalização poderia significar uma economia significativa para os consumidores.  

Inadimplência entre as modalidades 

[tabela 1]

 

Ainda segundo a Entidade, o estabelecimento de um limite, à exemplo do que aconteceu com o modelo do cheque especial, é uma das alternativas para enfrentar a inadimplência e o endividamento — mas isso deve ser tratado entre Bacen e os interessados. Além disso, deve-se estimular a competição no mercado de crédito, avançar na agenda do Open Finance e investir em medidas de educação financeira para a população.  

Nos setores do Comércio, dos Serviços e do Turismo, o parcelamento sem juros é uma estratégia fundamental para atrair consumidores, impulsionar vendas e manter um posicionamento competitivo, trazendo impactos positivos para a economia, além de promover inclusões financeira e social. Dados da Confederação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indicam que 47% dos estabelecimentos de varejo dependem significativamente das vendas parceladas, representando, aproximadamente, R$ 1,493 bilhão em termos de faturamento médio anual [tabela 2].  

Vendas e parcelamento no varejo

[tabela 2]

 

Já os números da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) apontam que as transações via cartões de crédito atingiram R$ 2,15 trilhões em 2022 (alta de 32,8% em comparação ao período anterior), quase metade do valor atribuível ao parcelamento sem juros. Essas estatísticas revelam a relevância da modalidade de pagamento dentro do arcabouço econômico brasileiro. 

O parcelamento sem juros, lembra a FecomercioSP, não significa uma transação gratuita para o consumidor, pois os custos geralmente são absorvidos pelo lojista, que paga a diferença referente ao risco. O empresário pode embutir os juros e cobrar do cliente ou assumir o pagamento como forma de retê-lo, numa estratégia de marketing para tornar a compra mais atraente. Apesar dos custos associados, como taxas de intercâmbio absorvidos pelo lojista, essa modalidade beneficia tanto consumidores quanto comerciantes.  

Dessa forma, a FecomercioSP defende que, para enfrentar os desafios dos juros no rotativo, seja adotada a livre-iniciativa entre as partes no mercado, sem qualquer intervenção — sugerindo as seguintes alternativas:  

  • racionalização dos juros no rotativo (se efetivamente houver necessidade prudencial), como ocorreu com o cheque especial no início de 2020. O crédito rotativo se mostra sensível ao perfil de risco dos clientes que o utilizam, o que significa dizer que emissores com maior número de clientes de menor risco de inadimplência tenderão a cobrar taxas mais reduzidas e vice-versa. No entanto, essa medida precisa garantir a viabilidade da oferta de crédito aos cidadãos no cartão;  
  • promoção de competição no mercado de crédito, encorajando novos agentes a entrar no mercado e desafiando o domínio dos grandes bancos. Apesar da entrada das fintechs no mercado nos últimos anos, a concentração de mercado entre as grandes instituições ainda é elevada. Por isso, é necessário promover a competitividade, por meio da diminuição das barreiras de entrada para novos agentes, para reduzir juros dos produtos; 
  • avanço na agenda do Open Finance, ao permitir que os consumidores busquem melhores condições no pagamento das dívidas, de forma clara e transparente, além de adotar medidas de estímulo da população brasileira na adoção do Open Finance. Outro ponto a ser considerado é estimular aqueles que aderiram ao sistema a renovar o consentimento quando passar o prazo estipulado. O Open Finance reduz a assimetria informacional entre instituições, melhorando as condições dos produtos e serviços que são ofertados aos usuários. Por isso, é importante a implementação da agenda para englobar outros produtos e serviços; 
  • medidas de educação financeira, por meio de campanhas didáticas do Bacen à população. É preciso que o consumidor tenha conhecimento das taxas cobradas em caso de pagamento em atraso da fatura do cartão de crédito, e não levar em conta apenas a parcela que cabe no bolso, mas o contexto geral, contemplando as despesas fixas e variáveis que fazem parte do dia a dia.

 

FecomercioSP

 

Inteligência artificial ganha espaço na saúde, mas ainda não é uma realidade para todos

 

À medida que a tecnologia continua avançando, a revolução na saúde também. Depois que a inteligência artificial (IA) passou a ganhar espaço em quase todos os dispositivos eletrônicos e plataformas online às quais estamos conectados, especialistas vêm ampliando o potencial de aplicação dessas ferramentas para a transformação do processo diagnóstico, um campo tão importante, do ponto de vista global, e mais preciso a cada inovação da ciência. 

Essa tecnologia, que já é aplicada em hospitais e clínicas por todo o mundo, auxilia os médicos e demais profissionais de saúde a compreenderem melhor as condições de seus pacientes, fornecendo conclusões, cuidados e tratamentos mais eficientes. Isso porque, ao analisar grandes volumes de dados de saúde, os algoritmos de inteligência artificial são capazes de identificar padrões e correlações que talvez não sejam óbvios para profissionais de saúde. 

Outra maneira pela qual a inteligência artificial pode melhorar os cuidados com a saúde é por meio da análise preditiva para cuidados preventivos. Ao analisar dados dos pacientes ao longo do tempo, é possível identificar tendências e padrões, permitindo aos profissionais de saúde prever potenciais problemas e intervir precocemente, com cuidados preventivos mais eficazes e com a redução da necessidade futura de tratamentos mais caros e invasivos. 

A robótica também tem grande representatividade em inovação na saúde. A primeira cirurgia do tipo foi realizada há 15 anos no país. Nos primeiros dez anos, 17 mil procedimentos foram feitos, porém, esse número saltou para 88 mil só nos últimos cinco, o que representa 417% a mais do que quando a tecnologia chegou. E essa é uma técnica que só tende a ser cada vez mais usual, devido à precisão e à possibilidade de realização de cirurgias com menor risco, mesmo em procedimentos mais delicados, o que proporciona uma recuperação mais eficaz e rápida do paciente. 

A discussão em torno das possibilidades de oferecer cuidados de saúde personalizados, interdisciplinares e precisos continua em alta e é inegável que a tecnologia tem papel fundamental nessa evolução. No entanto, é importante destacar que nem todas as inovações estão disponíveis para todos. Para que a inteligência artificial, a análise preditiva e as cirurgias feitas por robôs sejam cada vez mais incorporadas na prática médica, é necessário que haja investimento em pesquisa por parte dos setores público e privado. 

Afinal, os benefícios de tecnologias inovadoras na área da saúde são muitos. Como já citado, a inteligência artificial pode ajudar a identificar doenças em estágios iniciais, permitindo intervenções mais eficazes. A análise preditiva pode ser utilizada para prever riscos de doenças em determinados grupos de pacientes e ou comunidade, permitindo uma abordagem mais eficaz e a redução com gastos em tratamentos específicos depois de a doença já apresentar sintomas. Quanto às cirurgias por meio de robôs, é possível reduzir o tempo de recuperação e minimizar riscos de complicações, além de permitir a participação de profissionais renomados de diferentes instituições e países no momento cirúrgico e pós cirúrgico. 

O Brasil tem um longo caminho a percorrer para criar e desenvolver suas próprias tecnologias inovadoras, por isso é importante que o país invista em pesquisa e desenvolvimento para tornar essas novas ferramentas cada vez mais acessíveis para toda a população. Para isso, as universidades e os centros de referência precisam trabalhar juntos e de forma interdisciplinar para identificar demandas e necessidades que, sem dúvida, afetam a assistência à saúde. É necessário intervir e popularizar meios mais modernos de diagnóstico, tratamento, cuidados e reabilitação para que todos tenham acesso ao direito universal da saúde, garantido, inclusive, pela Constituição. Isso pode ser um desafio, mas é uma meta que vale a pena ser perseguida.

 

Ariadne - coordenadora do cursos de Enfermagem no Centro Universitário Facens


Lula, Janja e o Casamentalismo

 

O mundo conhece três sistemas de governo: o presidencialismo, o semipresidencialismo e o parlamentarismo. Parece que o Brasil lançou o quarto, o “Casamentalismo” — onde o poder executivo é exercido pela esposa do presidente eleito. O presidente aparenta ter um papel cerimonial e representa a nação no exterior sempre que possível.

Segundo o jornal francês Le Monde, a primeira-dama, Rosângela da Silva, se tornou uma das figuras políticas mais influentes do país. “Passaram-se meses, quase um ano, e Rosângela da Silva não saiu dos palcos, muito pelo contrário. Aos 57 anos, ela se tornou até uma das figuras políticas mais relevantes”. O Le Monde relata também a influência na escolha de algumas cadeiras nos ministérios e cita o caso da ministra da Cultura, Margareth Menezes.

Janja ganhou quase 800 mil seguidores desde o início do governo Lula, o que é muito. A título de comparação, na esplanada dos ministérios, só perde para Flávio Dino, que ganhou 900 mil seguidores. Janja ganhou o triplo de seguidores em relação à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o quádruplo do vice-presidente Geraldo Alckmin. Atualmente, Janja tem 2,3 milhões de seguidores no Instagram e 1,2 milhão no X (Twitter).

A última solicitação foi pedir um gabinete no palácio do planalto. Por que não oficializar o home office da primeira-dama? Se Janja quer ampliar seu horizonte, mãos à obra. Para começar, não apenas defendendo os sem-terra, mas também os sem educação, sem saúde e sem segurança.

Não apenas levantando bandeiras sectárias, mas uma grande bandeira branca para unificar uma população tão dividida. União e reconstrução, certo?

Colocar a casa em ordem para garantir o progresso é um desafio do tamanho do Brasil — será necessário muita D.R. entre Lula, Janja e o povo brasileiro.

A Janja vai ver que, por enquanto, tudo que podemos comemorar são as bodas de aflição.

Desejamos muita boa sorte e que possamos viver em paz ou seremos infelizes até que as eleições nos separem. 

 

Marcus Aragão - nascido em Natal, Rio Grande do Norte, é empresário, publicitário, formado pela ESPM em Redação e Criação Publicitária e fundador da Aragão Publicidade e Aragão Empreendimentos. Gosta das artes marciais sendo faixa-preta em Jiu Jitsu. Devido a um cisto, perdeu o baço e metade do pâncreas, o que não o impediu de conquistar o 3º lugar no campeonato Sul-americano pela IBJJF (International Brazilian Jiu-Jitsu Federation). @aragao01.

 

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