Especialista em RH destaca a autoliderança, gestão de pessoas, interdependência e a construção de um legado como aspectos essenciais para a liderança do futuro
À medida que o mercado de trabalho evolui e se adapta a um cenário de mudanças constantes, as pessoas em cargos de liderança precisam se adequar às novas tendências que moldarão o futuro do trabalho. Para enfrentar desafios relacionados à saúde mental, ao engajamento dos colaboradores e à transformação organizacional, é fundamental que líderes adotem novas abordagens mais humanas e conscientes.
No que tange ao engajamento das pessoas, estima-se que o custo à economia com dias de trabalho perdidos devido a problemas de saúde mental e desengajamento dos colaboradores seja na ordem de US$8,8 trilhões - cerca de 9% do PIB global. “É indiscutível que a falta de engajamento dos colaboradores custa caro à saúde mundial e às organizações, e só tem um jeito de resolver isso: através de uma abordagem de liderança consciente e humana, além de uma mudança nas práticas de gestão, que impactam diretamente nas culturas organizacionais. Este modelo de negócio precisa ser revisto urgentemente”, explica o especialista em RH e autor do livro “A Potência da Liderança Consciente”, Daniel Spinelli.
Negligenciar as consequências de uma cultura organizacional exclusivamente focada em resultados, sem se atentar com o componente fundamental humano pode comprometer drasticamente a longevidade e os próprios resultados dos projetos no médio e no longo prazo.
Daniel Spinelli explica que os líderes que não se atualizarem com práticas mais modernas para trazer um tom mais humano à sua liderança contribuirão não só para que haja pessoas e ambientes de trabalho de menor qualidade, mas também estarão ajudando a cavar, paulatinamente, a cova da própria empresa. “Quando olhamos para o ser humano que está exercendo a liderança, é possível notar também que não é raro encontrar tais profissionais enfrentando problemas psicoemocionais graves”, afirma.
O
autor destaca quatro pilares fundamentais para essa mudança de mentalidade:
Autoliderança: antes de
liderar outras pessoas, é essencial liderar a si mesmo. Isso requer investir em
autoconhecimento e habilidades de gerenciamento emocional. A capacidade de
transmitir qualidades humanas, como empatia, compaixão e paz mental é
necessária para construir uma nova cultura organizacional. Líderes conscientes
não apenas se conhecem melhor, mas também se esforçam para cultivar bons
relacionamentos e integridade em suas ações;
Liderar pessoas: a liderança
consciente envolve a aplicação da escuta ativa e o foco na construção de uma
cultura de aprendizagem, baseada na segurança psicológica. Isso implica criar
espaços onde as pessoas possam transcender seus limites e explorar seu
potencial máximo. Um ambiente de despertar humano é essencial para o desenvolvimento
individual e coletivo, estimulando o crescimento contínuo dos colaboradores;
Interdependência:
líderes conscientes promovem relacionamentos de qualidade e empatia dentro das
equipes. Pessoas em cargos de gestão precisam reconhecer a importância da
interdependência para o bom funcionamento da organização e buscar criar laços
de confiança e cooperação. Por meio de uma visão mais sistêmica, as equipes se
tornam mais eficazes na resolução de problemas e na busca de objetivos comuns;
Construir um legado:
a liderança pautada na constante evolução é formada por pessoas que entendem
que suas ações no ambiente de trabalho têm um impacto significativo na
organização, nas outras pessoas que integram o time e na sociedade em geral.
Elas assumem a responsabilidade de construir um legado positivo, inspirando
aqueles sob sua liderança e contribuindo para um mundo melhor. Essa consciência
do impacto de suas ações os orienta na tomada de decisões éticas e na promoção
de valores que transcendem o sucesso individual.
Para Spinelli, uma liderança consciente não apenas engaja as pessoas e fortalece os ambientes corporativos, como também é uma resposta direta à necessidade de aprimorar e humanizar a cultura organizacional e o impacto das práticas de liderança em um mundo em constante evolução.
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