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terça-feira, 17 de junho de 2025

Novo pacote do governo para o setor financeiro: estratégia ousada pode sair caro para o país

Especialista alerta que aumento de tributos corrige distorções, mas afugenta investimentos e não resolve o rombo fiscal


O governo federal apresentou um novo pacote de medidas para o setor financeiro, substituindo a proposta anterior de taxação do IOF sobre transações internacionais, que havia gerado forte reação negativa no mercado e na sociedade. A nova estratégia, segundo o economista e analista de mercado João Victor da Silva, é politicamente inteligente, mas fiscalmente arriscada.

Foi uma jogada de mestre do ponto de vista político. Ao recuar de uma proposta impopular, o governo criou espaço para aprovar um pacote com impacto tributário ainda maior, sem causar o mesmo barulho”, afirma João Victor. “Mas é preciso olhar além da manobra: a proposta aumenta impostos e pode sufocar ainda mais o setor produtivo.”

Entre os pontos que o analista considera positivos está a padronização da alíquota do Imposto de Renda sobre investimentos como CDBs e títulos públicos. Hoje, quanto mais longo o prazo do título, menor o imposto. Isso, segundo ele, distorce o mercado e desincentiva decisões racionais.

Essa padronização corrige um mau incentivo. O investidor, muitas vezes, opta por papéis longos não pela estratégia, mas pela vantagem fiscal. Isso gera uma alocação ineficiente do capital”, explica.

A proposta também passa a taxar produtos hoje isentos, como LCI, LCA e debêntures incentivadas. Para João Victor, essa mudança é coerente com a lógica de isonomia tributária, mas deveria vir acompanhada de uma revisão mais ampla da carga tributária. “O problema não é unificar. O problema é que, em vez de baixar os impostos de uns, o governo sobe o dos outros. Isso mostra claramente que o objetivo é arrecadar, e não tornar o sistema mais eficiente.”

O economista ressalta que o Brasil já tem uma das maiores cargas tributárias do mundo emergente. “Aumentar tributos nesse contexto é ineficaz. O problema do Brasil é de gastos. A despesa pública cresce em ritmo insustentável, com obrigações indexadas e um serviço da dívida cada vez maior. Enquanto isso não for enfrentado, qualquer aumento de receita será só um paliativo.”

Um dos trechos mais controversos do pacote, segundo João Victor, é o aumento da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para as fintechs — empresas que têm revolucionado o setor financeiro com soluções digitais acessíveis e escaláveis.

As fintechs democratizaram o acesso a serviços financeiros no Brasil. Com carga menor, elas inovaram, criaram produtos, aumentaram a concorrência. Tributar mais esse setor é repetir o erro que o país cometeu com a indústria na década de 70”, alerta.

Ele relembra o impacto do IPI sobre a indústria nacional e contrasta com o crescimento do agronegócio, que se beneficiou de uma carga tributária mais leve. “Hoje, o agronegócio é a locomotiva do PIB porque teve condições tributárias mais favoráveis. O mesmo pode acontecer com as fintechs, se o ambiente for hostilizado: elas vão estagnar e os investimentos no setor devem migrar para outros mercados”.

João Victor encerra com um aviso direto: “O Brasil não é uma ilha. Capital é móvel. Se o governo continuar penalizando quem gera riqueza e inovação, os investidores vão buscar países que os tratem melhor. E o país vai perder ainda mais fôlego econômico.”

  

João Victor da Silva - bacharel em Economia e Relações Internacionais pela Boston University (Summa Cum Laude), mestre em Relações Internacionais pela University of Chicago e também mestre em Finanças pela University of Miami, ambos com distinção. Atualmente, atua como Analista de Mercado na Orsitec, com foco em estudos macroeconômicos e análise da Reforma Tributária.



Férias chegando: o que observar ao contratar um seguro viagem

O que considerar na hora de contratar um seguro viagem e como a tecnologia tem facilitado essa escolha 

 Com a alta temporada de férias se aproximando, Vice-Presidente da Ciclic reforça a importância de comparar coberturas, entender as exigências dos destinos e buscar soluções digitais que simplificam a contratação de seguros
 


Com a chegada das férias de julho, cresce o número de brasileiros se preparando para viajar dentro ou fora do país. No entanto, em meio a passagens, hospedagens e roteiros, um item essencial ainda é negligenciado por muitos viajantes: o seguro viagem. Mais do que uma formalidade, essa proteção pode fazer diferença em situações emergenciais — especialmente quando há imprevistos médicos/odontológicos. 

Parte dessa expansão se deve à digitalização do setor e à facilidade em adquirir apólices de forma rápida e personalizada, seja via apps, plataformas online ou parceiros estratégicos. 

“Hoje, o consumidor busca autonomia, simplicidade e agilidade. E a tecnologia tem permitido exatamente isso: escolher, comparar e contratar um seguro viagem de forma 100% digital, em poucos minutos e com a cobertura ideal para cada perfil de viagem”, explica Fernando Bertasson, diretor de negócios e vice-presidente da Ciclic, empresa BB Seguros. 

Na hora de escolher o plano ideal, alguns critérios fazem toda a diferença: a duração e o destino da viagem e o tipo de cobertura oferecida. “Para viagens internacionais, por exemplo, é importante observar se o país exige seguro obrigatório e qual o valor mínimo da cobertura médica”, reforça Bertasson. Além disso, é fundamental analisar se o plano cobre atendimento hospitalar por doença ou acidente, despesas farmacêuticas, cancelamento ou interrupção de viagem, atraso ou perda de bagagem, entre outros imprevistos. “É comum as pessoas pensarem que não vão precisar, mas basta uma dor de dente no exterior para perceber como o seguro pode evitar um custo inesperado em dólar ou euro”, alerta o executivo. 

A Ciclic, empresa da BB Seguros especializada em soluções digitais, tem apostado na simplicidade e acessibilidade para facilitar o acesso ao seguro viagem. Com contratação 100% online, planos personalizáveis e atendimento 24 horas, a empresa busca oferecer praticidade e tranquilidade para quem está com as malas prontas. “Sabemos que, em meio aos preparativos de uma viagem, nem sempre o seguro é prioridade. Por isso, tornamos o processo o mais rápido e descomplicado possível, para que o viajante tenha a proteção necessária sem dor de cabeça”, afirma Bertasson. 

Outro diferencial é o cuidado com as reais necessidades de cada perfil de viajante. “Seja um mochilão, uma viagem em família ou um intercâmbio, é possível contratar uma cobertura sob medida, com assistência médica, odontológica, extravio de bagagem e até cancelamento de voo. Nosso objetivo é que a pessoa embarque com a segurança de que, se algo acontecer, terá apoio imediato”, finaliza o Vice-Presidente.


Vai viajar de avião com o seu pet? Saiba quais são as regras

AirHelp explica regras e recomendações para levar o seu animal de estimação

 

O Senado Federal aprovou em abril deste ano o Projeto de Lei 13/2022 com novas regras para o transporte de animais de estimação em voos. A proposta prevê que os pets possam ser levados na cabine junto de seus tutores ou no compartimento de cargas, com monitoramento e condições de acomodação adequadas. 

Atualmente as principais companhias aéreas brasileiras permitem a viagem com pets, mas cada empresa é responsável pelas suas regras sobre o transporte de animais. Fatores como peso, raça do animal e se a viagem é nacional ou internacional, são determinantes para garantir o embarque e transporte seguro do pet. 

“Para que esse deslocamento seja possível, é essencial que os viajantes estejam atentos as principais regras, como valores, documentação e transporte, a fim de garantir uma viagem segura e tranquila para o animal”, ressalta Luciano Barreto, diretor-geral da AirHelp. 

Para ajudar os passageiros, a AirHelp, empresa de tecnologia de viagens que auxilia passageiros em interrupções de voos e que já ajudou 2,7 milhões de passageiros a receberem indenizações em casos de atraso ou cancelamento de voo, explica como levar seu pet em voos nas principais companhias nacionais. E detalha quais são as regras e recomendações mais importantes:
 

1 – Principais regras de transporte 

Independentemente de onde o seu pet for transportado, ele obrigatoriamente deve estar dentro de uma caixa específica para transporte de animais, as chamadas kennel. E devem permanecer nelas durante toda a viagem. 

As regras podem variar, mas as companhias aéreas costumam exigir que animais maiores voem no porão, em sua caixa, com medidas que variam de acordo com cada companhia. Para viajar na cabine, junto ao tutor, o peso do pet somado a caixa de transporte não deve ultrapassar 10kg. A caixa deve caber embaixo do assento do passageiro à frente e seguir as dimensões previamente determinadas por cada empresa. 

Algumas raças específicas de gato e de cachorro não são transportadas pelas empresas no porão da aeronave, como por exemplo cachorros de raças perigosas, braquicefálicas e gatos persas e himalaios. Em caso de dúvida, consulte a companhia aérea responsável pelo voo. 

Em relação ao valor pago para que seja possível o transporte do animal, a taxa varia de acordo com a companhia aérea. E pode depender de alguns fatores, como tipo de voo (doméstico ou internacional), tipo de transporte (cabine ou porão) e o peso do animal.

 

2- Documentos necessários para viajar com o seu Pet 

Cada companhia aérea determina quais são os documentos necessários para que possa ser permitido o transporte de animais em viagens aéreas. O que se pede na maioria das agências é a carteira de vacinação (incluindo a antirrábica) e o atestado de saúde animal, assinado por um veterinário, e emitido em até 10 dias antes da viagem. 

Já em voos internacionais, a documentação pode variar de acordo com as regras sanitárias de cada país de destino. Podendo ser necessário apresentar um Certificado Veterinário Internacional ou um passaporte para trânsito de cães e gatos. 

É recomendado levar o pet para um check-up antes da viagem, as companhias pedem que os animais estejam saudáveis para viajar e que o container de transporte esteja higienizado e em boas condições.

 

3- Responsabilidade das companhias aéreas 

As companhias aéreas têm a responsabilidade de garantir que o animal viaje em boas condições e chegue ao destino de forma segura. A resolução n° 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) exige que as empresas informem os usuários sobre os procedimentos da companhia para despachos especiais, o que inclui animais de estimação. Já artigo 14 do Código De Defesa Do Consumidor prevê que as companhias aéreas são fornecedoras de serviço e possuem a obrigação de resultado. Elas podem responder por falhas ocorridas durante o transporte do animal, sob pena de responsabilização por danos morais. 

Incidentes como morte, ferimento, extravio, recusa de embarque ou condições inadequadas de viagem, podem ser enquadrados como passíveis de indenização por dano moral. Os valores variam conforme a gravidade do caso e o sofrimento causado ao animal e ao tutor, podendo chegar a R$30mil ou mais.

 

4- Como deixar a viagem mais tranquila e segura para o seu pet
 

A principal preocupação ao viajar de avião com animais de estimação deve ser o conforto e bem-estar do animal. Esse tipo de deslocamento pode ser bastante estressante, especialmente se ele precisar ser transportado no porão da aeronave. 

É importante realizar um processo de adaptação para que o kennel se torne um ambiente acolhedor para o animal. Para isso, é essencial associar a caixa a momentos positivos. Colocar brinquedos e petiscos dentro do espaço contribui para esse objetivo, assim como fazer passeios de carro utilizando o kennel. Essas ações ajudam o pet a se acostumar com o ambiente e tornam a viagem de avião menos estressante.

 

Compensação de passageiro  

Para reivindicar uma indenização, os passageiros devem estar cientes de certas condições. A primeira é verificar se o atraso ou cancelamento realmente causou sofrimento, estresse ou lesão ao usuário. Acontecimentos como faltar a uma consulta médica importante, cancelamento de contrato, demissão, afastamento de um acontecimento de grande relevância emocional, são situações que podem dar lugar a um pedido de indenização perante a companhia aérea. Se o passageiro já sofreu os chamados "danos morais" e pode prová-los, os passageiros têm boas chances de obter uma indenização financeira média de R$ 10.000 por pessoa. 

O passageiro tem mais chance de obter uma compensação financeira se a companhia aérea for a responsável direta pela interrupção do voo, por problemas técnicos ou falta de tripulação, por exemplo. A reparação deve ser integral, inclusive para compensação de sofrimentos psicológicos. Mesmo quando a interrupção do serviço é devida a condições climáticas extremas ou situações de força maior que estão fora do controle da companhia aérea, os passageiros continuam a ter direito ao serviço e à informação adequada e tempestiva. 

“O conjunto de direitos dos passageiros aéreos que temos no Brasil é orientado para o cliente e oferece aos passageiros aéreos uma grande consideração, especificando exatamente quais os cuidados que as companhias aéreas devem oferecer e quando em caso de problemas de voo. No entanto, a lei é muito vaga quando se trata de critérios de compensação e pode ser um desafio para um único indivíduo sem conhecimento especializado interpretar a lei corretamente. Entre os principais motivos pelos quais os passageiros brasileiros não reivindicam seus direitos em caso de problemas de voo, podemos encontrar: falta de conhecimento sobre como fazer uma reclamação, mas também falta de consciência dos direitos dos passageiros”, diz Luciano Barreto, diretor-geral da AirHelp no Brasil.

 

Leis que protegem os passageiros no Brasil  

Quem voa no Brasil está amparado pelo Código de Defesa do Consumidor e pela legislação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), que são os instrumentos jurídicos mais relevantes para o passageiro. Essas leis definem claramente as responsabilidades das companhias aéreas para com seus passageiros sempre que houver problemas de voo. 

A legislação brasileira abrange voos domésticos dentro do Brasil, voos internacionais com partida ou chegada em aeroportos brasileiros, bem como voos com conexão em um aeroporto brasileiro. 

A legislação brasileira protege os passageiros, desde que seus voos atendam aos 4 critérios a seguir: 

● O voo pousou ou decolou em um aeroporto brasileiro 

● O voo foi cancelado com aviso tardio, o voo estava com mais de 3 horas de atraso ou estava com overbook 

● Os passageiros não foram atendidos adequadamente pela companhia aérea 

● O problema ocorreu nos últimos 5 anos 

 


Para mais informações, visite www.airhelp.com/pt-br/


Se não houver outra Reforma da Previdência, déficit do sistema chegará a R$ 810 bilhões até 2040, calcula FecomercioSP

Entidade apresenta propostas para ajustar modelo nacional antes que economia colapse; desigualdades regionais e regras ajudam a elevar gastos


 
Aumentar progressivamente a idade mínima para se aposentar, combater a informalidade com governança e transparência e reduzir assimetrias regionais — assim como as disparidades entre regimes diferentes de aposentadoria —, além de avaliar a viabilidade da adoção de um sistema de capitalização aos moldes de países da Europa ou, até, de exemplos sul-americanos. Essas são, para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), as mudanças mais relevantes que precisam ser adotadas no sistema previdenciário brasileiro.
 
As medidas [veja todas abaixo] são resultado de discussões que a Federação mantém com empresas, entidades representativas e especialistas há algum tempo, assim como estudos que a própria Entidade produz considerando diferentes perspectivas e conjunturas.
 
Todos esses levantamentos deságuam em uma mesma conclusão alarmante: a economia do País corre o risco de paralisar no longo prazo se o sistema previdenciário não for reformado agora. Para se ter uma ideia, em 2023, o déficit total foi de cerca de R$ 428 bilhões — uma elevação substancial de 9,1% em comparação com o ano anterior. O gasto foi de mais de R$ 1 trilhão. Em 2040, mantendo-se o ritmo atual, o déficit chegará à casa dos R$ 810 bilhões anuais, segundo cálculo da FecomercioSP, o que significa aumento de 89% em relação ao resultado de 2023 [tabela 1].

 

[TABELA 1]
Déficit previdenciário do Brasil (2040 sobre projeção de 2023)
Fonte: INSS/FecomercioSP
 


 

E, ao esmiuçarmos esses dados, é possível notar que todos os regimes produzem déficits muito altos. O Regime Geral da Previdência Social (RGPS), voltado para trabalhadores dos setores privados urbano e rural, por exemplo, deparou-se com um buraco de R$ 315,7 bilhões em 2023, enquanto o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), para servidores públicos, registrou uma diferença negativa em R$ 54,8 bilhões. Sem contar, por fim, o Sistema de Proteção Social dos Militares das Forças Armadas (SPSMFA), com déficit de R$ 49,7 bilhões.
 
Não é só isso. Enquanto despesas aumentam, sobe o número de beneficiários. Apenas o RGPS, por exemplo, terminou 2023 com o maior volume de emissões desde 2017: 39 milhões.
 

[TABELA 2]
Déficit previdenciário do Brasil por regime (2023-2022)

Fonte: INSS/FecomercioSP

 


Na visão da FecomercioSP, sem uma reforma estrutural que se volte para a sustentabilidade do sistema no longo prazo, os déficits consecutivos da Previdência vão pressionar cada vez mais as contas públicas, impedindo que se encontre um equilíbrio fiscal e, portanto, travando a economia — já que uma política fiscal desequilibrada gera juros altos, inflação elevada e baixo crescimento. Mas... por onde começar?


 
SISTEMAS INTERNACIONAIS

Na análise da Federação o Brasil pode tomar lições de países que fizeram mudanças nos sistemas previdenciários, considerando as particularidades sociais brasileiras e, ao mesmo tempo, buscando consolidar ajustes importantes.
 
Na Europa, países como Alemanha, França e, sobretudo, a Suécia mostram como modelos mais uniformes, com mecanismos de ajustes automáticos, tendem a oferecer mais estabilidade, adotando sistemas que combinam distintas possibilidades de arrecadação — como a capitalização e os planos de contribuição definida. O sueco é especialmente interessante por usar os recursos arrecadados da população ativa para arcar com os custos atuais da Previdência, e não para investi-los visando benefícios futuros, ainda que o dinheiro seja alocado em contas individuais.
 
Na contramão dessas experiências, o Brasil insiste em um modelo de repartição simples, administrado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e complementado por um regime para servidores públicos, o RPPS. Há, inclusive, uma contradição nessa comparação. Enquanto o País tem uma população acima dos 60 anos menor do que a Europa (20,8% lá, contra 11,2% aqui), as despesas previdenciárias são maiores em terras nacionais. O sistema brasileiro despende 13% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o europeu apresenta uma média de 11%.
 
Aumentar a idade mínima, como a Alemanha está fazendo (subirá para 67 anos tanto para homens quanto para mulheres) também é uma medida na qual o Brasil pode se inspirar, estipulando 65 anos como base para ambos os gêneros.
 
Na América Latina, o modelo chileno (adotado em 1981) chama a atenção — e não à toa foi a base de reformas no Peru (1993), na Colômbia (1994) e no México (1997). Em 2008, o Chile fez uma reforma que tornou o sistema mais solidário. No geral, funciona com base em capitalização, e não em repartições, como o caso do Brasil. Isso significa que as contribuições (ou parte delas) são acumuladas e investidas em nome de cada indivíduo, de forma que as aposentadorias futuras sejam resultado de uma reserva feita no presente.
 


DESIGUALDADES REGIONAIS

Além de entraves comuns, como a informalidade (40% da mão de obra) ou os déficits elevados, o Brasil ainda conta com um terceiro elemento considerável no sistema previdenciário: a profunda assimetria entre as regiões do País. Assim, enquanto alguns Estados sustentam o regime, outros vivem das transferências da União.
 
O INSS é, nesse sentido, instituição de mediação inter-regional dos recursos. Se o Sudeste e o Sul tinham mais contribuintes do que beneficiários em 2023, o Nordeste amargava um déficit de 4,3 milhões de benefícios, com 12,6 milhões de pessoas contribuindo e 16,9 milhões vivendo dos recursos da Previdência. O mesmo fenômeno acontecia no Norte: 4,1 milhões de contribuintes e 5,8 milhões de benefícios.
 
Essa situação — que se explica pela maior formalização do trabalho e rendimentos mais altos no Sudeste e no Sul do País, sobretudo — tende a piorar no futuro, segundo cálculos da FecomercioSP. Em 2040, o déficit do Sudeste deverá ser de R$ 350 bilhões, enquanto no Nordeste, de R$ 160 bilhões. Tudo em um contexto de envelhecimento populacional mais acelerado (o Sudeste deve ter 28% da população acima dos 60 anos até 2040).
 
Sem contar as situações fiscais alarmantes. O Rio Grande do Sul, por exemplo, teve um déficit de R$ 12,3 bilhões em 2022, considerando apenas os benefícios do RPPS. Isso representou 3,5% do PIB gaúcho. Naquele ano, era o Estado com a pior situação, à frente de Minas Gerais (R$ 11,8 bilhões) e Rio de Janeiro (R$ 10,5 bilhões). São Paulo, por sua vez, mesmo com um déficit alto em termos absolutos (R$ 3,9 bilhões), tem um controle maior na relação desse gasto com o PIB (0,3%). Esses números refletem problemas estruturais que vão de regras excessivamente generosas para aposentadorias de servidores até arrecadações em baixa e má gestão dos recursos.
 
Por tudo isso, a FecomercioSP elaborou, e tem apresentado às autoridades, um conjunto de sete propostas para reformar o sistema previdenciário. Entendendo que não há solução perfeita, o desafio é encontrar equilíbrio fiscal e proteção social na mesma medida, sustentando-o para as gerações futuras — o que está em risco atualmente. São eles:
 

PROPOSTAS DA FECOMERCIOSP PARA REFORMA DA PREVIDÊNCIA
 
1) Estabelecer uma idade mínima única para aposentadoria (65 anos).
 
2) Reestruturar a regra de pontos herdada da reforma realizada em 2019.
 
3) Acabar com as aposentadorias especiais, de forma a tornar o sistema mais igualitário.
 
4) Avaliar e estudar a viabilidade da implementação de um sistema de capitalização, em que parte das contribuições seja direcionada a contas individuais.
 
5) Unificar as regras do RPPS e do RGPS, enfrentando as resistências das categorias organizadas.
 
6) Desvincular os benefícios previdenciários dos ajustes automáticos do salário mínimo.
 
7) Incluir as pensões militares na reforma, o que não foi feito em 2019.
 
8) Estimular a formalização de trabalhadores rurais e equiparar a idade mínima de aposentadoria aos trabalhadores urbanos.

 

FecomercioSP
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Empreender no Brasil x EUA: diferenças, oportunidades e caminhos possívei


Com mais de 15 anos de experiência na área de vendas e trade marketing de grandes empresas como Coca-cola e Heineken e atualmente como head de operações da Polar Shake, franquia de milk-shakes gourmets com sede na Flórida — tive a oportunidade de vivenciar de perto as diferenças entre empreender no Brasil e nos Estados Unidos. Esse percurso, que culminou na fundação da nossa consultoria de franchising, um projeto construído em parceria com meu marido e sócio, Fernando Loureiro, nos permite ajudar marcas a se estabelecerem de forma sólida e estratégica em ambos os países.

A comparação entre os dois mercados é inevitável e, longe de ser um exercício de crítica, é uma forma de ampliar o olhar sobre as oportunidades e os cuidados necessários para quem deseja empreender além das fronteiras. Quando comparamos dois mercados tão relevantes quanto o brasileiro e o americano, percebemos diferenças significativas que vão muito além da economia. Questões culturais, burocráticas e até jurídicas moldam maneiras distintas de começar e gerir um negócio em cada país.

Embora o Brasil seja um terreno fértil para a criatividade e para o espírito empreendedor – vide o crescimento das microempresas e das startups nos últimos anos – os Estados Unidos oferecem um ambiente que pode ser mais ágil e estruturado para quem deseja empreender, especialmente para brasileiros que buscam internacionalização.


Burocracia, tributos e contratação: onde os caminhos se diferenciam

Um dos pontos de maior contraste está no processo de abertura e manutenção de empresas. Nos Estados Unidos, empreender costuma ser mais rápido e menos burocrático. Os trâmites legais e tributários seguem uma lógica simplificada, com regras mais previsíveis e menos camadas de impostos. Isso permite que o empreendedor foque mais na operação e crescimento do negócio do que na gestão de complexidades fiscais.

Outro fator relevante está no modelo de contratação. Enquanto no Brasil os encargos trabalhistas – como FGTS, INSS e tributos atrelados à CLT – acabam elevando o custo de manter uma equipe, nos EUA é comum que as contratações sejam feitas por hora, sem vínculo empregatício, o que torna o processo mais flexível e menos oneroso.

Mas é importante lembrar: essa diferença não é sinônimo de facilidade, e sim de estrutura diferente. O sistema americano exige rigor com prazos, organização documental e respeito absoluto às leis locais.

Há também aspectos culturais que impactam diretamente na forma de empreender. Os Estados Unidos possuem uma cultura de maior tolerância ao risco, valorizando inovação, escalabilidade e agilidade. Ideias novas são, muitas vezes, incentivadas mesmo que não deem certo de imediato – o famoso “fail fast, learn faster” (falhe rápido, aprenda mais rápido).

Além disso, o ambiente corporativo americano preza por objetividade, pontualidade e comunicação direta, o que exige do empreendedor brasileiro uma adaptação comportamental. A informalidade e a flexibilidade que muitos negócios cultivam no Brasil podem não encontrar o mesmo espaço por lá.


Dicas para quem deseja empreender nos EUA

Se você pensa em expandir seus negócios para o território americano ou começar um novo projeto por lá, algumas orientações são essenciais:

·         Pesquise o estado ideal para o seu negócio. Cada estado americano tem regras próprias, com impostos, licenças e incentivos diferentes.

·         Conte com suporte contábil e jurídico local. Ter profissionais especializados e familiarizados com a legislação americana evita surpresas e garante que seu negócio esteja em conformidade.

·         Esteja atento ao visto adequado. É fundamental entrar nos EUA com o visto correto para empreender legalmente.

·         Adapte-se à cultura local. Além do inglês, é importante compreender os códigos de conduta nos negócios. Pequenos detalhes fazem grande diferença.

·         Considere modelos consolidados. Franquias podem ser um caminho seguro e estruturado para quem quer empreender com menos riscos, já que oferecem suporte completo e um modelo testado.

Empreender nos Estados Unidos exige preparo, disciplina e adaptação. O mercado é competitivo e exige que o produto ou serviço tenha qualidade real e valor diferenciado. O domínio do inglês é um fator decisivo para comunicação e negociação, e isso pode ser uma barreira inicial para alguns.

Mas com planejamento estratégico e orientação correta, a experiência pode ser extremamente enriquecedora e promissora. Muitos brasileiros têm construído trajetórias de sucesso no país, contribuindo com inovação, criatividade e visão empreendedora.

No fim das contas, empreender fora não é apenas uma decisão econômica — é também uma escolha de vida. E como toda jornada, vale mais quando feita com consciência, coragem e preparação.

 

Brasileiros buscam equilíbrio mental e valorizam pausas apoiadas pelas empresas, aponta estudo

 Pixabay
Pesquisa revela que 79% dos entrevistados enxergam as viagens como forma de bem-estar emocional e empresas que incentivam as férias ganham em engajamento e retenção

  

Em um cenário de excesso de estímulos e rotinas aceleradas, o desejo por equilíbrio mental tem feito das viagens muito mais do que lazer, mas parte essencial do cuidado com a saúde emocional. Uma pesquisa global encomendada pela Booking.com mostra que 79% dos brasileiros têm nas viagens sua principal estratégia de bem-estar em 2025.

O levantamento também indica que 15% dos brasileiros pretendem realizar ao menos uma viagem solo de lazer este ano, com destaque entre os jovens da Geração Z (17%) e o público masculino (18%).

Esses dados abrem espaço para uma discussão relevante sobre como as empresas podem contribuir para o equilíbrio emocional dos colaboradores. Para Bruno Carone, CEO e cofundador do Férias & Co., plataforma de benefícios corporativos de viagens, a resposta está na forma como as organizações incentivam as pausas.

“Viajar é uma forma de desacelerar, reorganizar prioridades e voltar com mais clareza e energia. Empresas que oferecem esse tipo de benefício mostram que se importam genuinamente com o bem-estar de seus times”, afirma Carone. O executivo explica que é muito importante que as empresas estejam atentas para incluir viagens como benefício corporativo, com acesso facilitado a hospedagens com tarifas negociadas e suporte na organização de pausas planejadas. 

De acordo com pesquisa do Férias e Co. em conjunto com a USP, 94% dos funcionários acreditam que tirar férias impacta positivamente na produtividade; 66% dos assinantes afirmam que com o benefício do Férias & Co. eles possuem um maior engajamento no trabalho, enquanto 60% dos assinantes afirmam que com o Férias & Co. eles possuem um menor interesse em procurar outro emprego “O impacto não é apenas emocional, pois investir nesse tipo de experiência melhora o engajamento, contribui para a retenção de talentos e reforça a marca empregadora”, conclui o CEO.

 

O que buscam os viajantes?

A maior parte dos viajantes buscam por relaxamento (62%), seguido de vontade de conhecer novos destinos nacionais (45%) ou internacionais (40%), conectar-se com a natureza (41%) e reencontrar pessoas queridas (36%).

Mesmo em viagens solo, 55% dos brasileiros apontam que buscaram conhecer novas pessoas e 43% participaram de atividades sociais, como passeios guiados, cafés e conversas com moradores locais. Além da experiência em si, os critérios mais valorizados ao escolher o destino são segurança (76%) e custo-benefício (75%).

“Oferecer um benefício de viagem vai muito além de bonificar. É reconhecer que saúde mental e tempo de qualidade são fatores estratégicos de produtividade e satisfação”, conclui Bruno Carone.

 

Férias & Co.

Brasil vive apagão político e educacional no atendimento aos superdotados nas escolas, alerta entidade global

Para a Associação Mensa Brasil, que reúne pessoas com altas capacidades intelectuais, novo Plano Nacional de Educação (PNE) precisa acabar com a lacuna histórica de subnotificação e trazer metas específicas para este público  

 

O Plano Nacional de Educação (PNE) para o decênio 2024-2034, em debate Câmara dos Deputados, deve contemplar metas claras e objetivas para a garantia dos diretos dos superdotados na chamada educação especial, conforme determinam a Constituição Federal, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e outras normas complementares. Atualmente, 98,4% dos estudantes com altas capacidades intelectuais estão invisíveis para as políticas públicas, num ciclo histórico de subnotificação e ausência de programas estruturados para este público.
 
O alerta é da Associação Mensa Brasil, entidade que reúne pessoas com altas habilidades intelectuais e representante da Mensa Internacional – principal organização de alto QI do mundo. Segundo a entidade, há grave omissão do Estado brasileiro no atendimento a crianças e jovens superdotados, classificados como público da educação especial pela legislação vigente, caracterizando-se como “um grande apagão político e educacional nesta área.”
 
Para o presidente da Mensa Brasil Cadu Fonseca, que participou na última semana de uma audiência pública na Câmara dos Deputados para tratar do tema, apesar do amparo legal, a subnotificação crônica de superdotados representa uma violação de direitos fundamentais. “Por isso, o Plano Nacional de Educação 2024-2034 tem a grande oportunidade de corrigir essa lacuna histórica com os superdotados e, de fato, incluí-los nas políticas públicas de forma plena, não apenas garantir direitos, mas investir em inovação, liderança e no futuro do Brasil”, enfatiza.
 
Atualmente, apenas 44 mil estudantes com altas habilidades/superdotação (AHSD) foram identificados no Censo Escolar de 2024, o que, na visão da Mensa Brasil, se trata de um número irrisório frente às estimativas internacionais, que indicam a presença de 3% a 5% desse segmento de público na população geral.
 
“Hoje, apenas 1,6% dos estudantes superdotados são contemplados nas políticas públicas. Isso representa uma violação de direitos educacionais fundamentais”, afirmou Cadu Fonseca, presidente da Mensa Brasil, durante audiência pública na Câmara dos Deputados. “O atendimento educacional especializado para esse público não é um privilégio — é uma obrigação legal e moral do Estado brasileiro.”
 
“Além da subnotificação, os dados revelam que mais da metade dos municípios brasileiros sequer identificam um único estudante superdotado, o que demonstra não apenas negligência, mas a ausência de estrutura, capacitação e políticas articuladas em nível nacional”, pontua Fonseca.
 
O executivo lembra ainda que a superdotação não é sinônimo de sucesso garantido. “Pelo contrário, muitos enfrentam dificuldades emocionais, sociais e de aprendizagem por não serem compreendidos ou acolhidos pelo sistema educacional”, acrescenta.
 
A Mensa Brasil defende a inclusão de metas específicas e mensuráveis no novo Plano Nacional de Educação (PNE), como:\
 

  • Formação docente especializada para identificação e atendimento de AHSD; 
  • Universalização das Salas de Recursos Multifuncionais; 
  • Implantação do Rastreio Escolar como política nacional de identificação precoce; 
  • Criação de um sistema nacional de dados integrados, com cruzamento entre o Censo Escolar e o Cadastro Nacional de Altas Habilidades/Superdotação;  

·         Financiamento contínuo e sustentável das políticas voltadas a esse público


Curso Técnico ou Faculdade: qual o caminho ideal para impulsionar sua carreira?

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A dúvida é muito comum entre os jovens que estão terminando o Ensino Médio ou aqueles que querem mudar a área de atuação 

 

Escolher entre faculdade ou curso técnico é uma das principais dúvidas de quem está iniciando sua jornada profissional. Com o objetivo de apoiar estudantes e profissionais na melhor decisão para impulsionar a carreira, a Microlins, referência no mercado de capacitação profissional no Brasil, elaborou um guia completo sobre as principais diferenças, vantagens e perfis ideais para cada modalidade de formação. 

Segundo Rafael Cunha, diretor nacional da Microlins, a escolha entre faculdade e curso técnico deve estar alinhada ao perfil, aos objetivos de carreira e ao momento de vida de cada estudante. “Enquanto a faculdade oferece uma formação mais ampla e acadêmica, geralmente com duração mais extensa, em torno de quatro anos, o curso técnico é mais prático, focado em demandas do mercado de trabalho e tem duração média de um a dois anos”, revela o executivo. 

De acordo com o Censo Escolar 2023 divulgado pelo MEC, as matrículas para cursos de ensino profissionalizante cresceram 12% entre 2022 e 2023. Ainda segundo o órgão a maioria das inscrições ocorreram após o estudante concluir o ensino médio. No quesito ensino superior houve crescimento de 5,6% entre 2022 e 2023, o maior desde 2014, seguindo a tendência de alta dos últimos anos e chegando a mais de 9,9 milhões de matrículas em cursos de graduação, como mostra o Censo Ensino Superior 2023.

 

Quando escolher um curso técnico?

Esta opção é indicada para estudantes que:

  • Buscam uma formação rápida e prática;
  • Querem ingressar rapidamente no mercado de trabalho;
  • Desejam experimentar diferentes áreas antes de investir em uma graduação;
  • Precisam conciliar estudos com trabalho ou outras responsabilidades;
  • Possuem orçamento limitado para investimentos educacionais de longo prazo.

 

Quando investir em uma faculdade?

Já a faculdade é indicada para quem:

  • Tem clareza sobre a carreira que deseja seguir;
  • Busca uma formação completa e abrangente;
  • Precisa de diploma universitário para atuar em determinadas áreas (como medicina, direito e engenharia);
  • Está disposto a dedicar mais tempo aos estudos. 

Existe uma pergunta que sempre ronda a mente do estudante: E como o mercado se comporta em relação a cada tipo de formação? De acordo com Rafael Cunha, os cursos técnicos são mais valorizados em áreas operacionais, técnicas e de apoio, como enfermagem, técnico em TI e logística. Além de serem ideais para quem busca o primeiro emprego ou quer mudar a área de atuação de forma rápida. Já a faculdade é essencial para cargos de liderança e/ou setores que exigem conhecimentos mais estratégicos, sendo mais indicada para quem busca também por oportunidades internacionais. 

“Seja um curso técnico ou uma faculdade, o importante é que a escolha aproxime o profissional de seus sonhos. Começar com uma especialização técnica pode abrir portas e dar base para um crescimento consistente. Isso não é uma regra, mas futuramente, caso o trabalhador queira obter ainda mais conhecimento ou galgar novos desafios profissionais, pode optar por uma graduação semipresencial ou à distância, por exemplo. Já quem começa com a faculdade, pode se candidatar para cargos de maior responsabilidade e, no futuro, buscar por uma especialização via pós-graduação ou MBA. Na Microlins disponibilizamos gratuitamente um teste de perfil profissional para ajudar estudantes e profissionais a identificar seus interesses, habilidades e áreas de maior afinidade, facilitando a escolha entre as duas modalidades, sendo ambas reconhecidas e valorizadas no mercado de trabalho”, finaliza Cunha.

 

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Fim da parceria de Trump e Musk: quais lições temos para a gestão?

Depois de meses de uma relação conturbada no segundo mandato do presidente Donald Trump, Elon Musk anunciou oficialmente sua saída do governo no mês passado. O fim dessa parceria simboliza mais do que o rompimento entre duas figuras muito influentes, é também um caso emblemático de gestão e liderança que oferece vários aprendizados importantes para qualquer organização.

Um dos principais pontos que se destacam nesse episódio é a importância do alinhamento estratégico. Trump e Musk, à primeira vista, pareciam caminhar na mesma direção. No entanto, com o tempo, tornou-se evidente a falta de sintonia em relação aos valores e à visão de longo prazo. Enquanto Musk é movido por inovação, autonomia e uma cultura mais ágil, o governo de Trump seguiu por uma linha mais tradicional e centralizadora. E quando os objetivos não são compartilhados com clareza, a parceria perde força.

Outro fator determinante foi o conflito entre culturas organizacionais. Musk tem o hábito de levar a mentalidade das startups para todos os ambientes onde atua. Porém, essa abordagem entra em choque com a burocracia e o ritmo mais lento do setor público. Sob um governo que mistura conservadorismo político com ações pontuais de ousadia, esse descompasso se tornou insustentável.

Apesar de ter deixado o governo, Musk manteve influência por meio de aliados dentro do DOGE (Departamento de Operações Governamentais Emergenciais), que assumiram cargos estratégicos na Administração de Serviços Gerais (GSA). Isso evidencia outro ponto crítico: a dependência de líderes carismáticos. Estruturas muito centradas em uma única figura ficam vulneráveis quando essa pessoa se afasta, o que pode ser um grande problema.

A ausência de Musk representa uma perda importante para o governo, especialmente em temas ligados à inovação e tecnologia. Além disso, o bilionário fez críticas públicas à nova proposta de reforma fiscal de Trump, o que comprova que a união entre esses gigantes sempre foi uma decisão arriscada e que poderia ter consequências negativas, afinal, ambos têm estilos marcantes e perfis que não combinam facilmente.

O fato é que, em qualquer gestão, alianças estratégicas não devem se basear apenas em ganhos imediatos, mas também em compatibilidade de princípios e visão de futuro. Neste caso, a ruptura acabou sendo prejudicial para os dois lados e isso faz com que a saída quase brusca de Elon Musk marque o fim de uma fase de aproximação entre o setor privado inovador e o governo federal.

Com Trump reforçando sua agenda política e Musk se posicionando publicamente contra algumas decisões, há uma clara mudança nas dinâmicas de poder dentro da administração e poderemos sentir os impactos em um futuro próximo. No fim das contas, essa história nos lembra que, mesmo em ambientes de alto poder e influência, os fundamentos da boa gestão continuam os mesmos: clareza de propósito, alinhamento de valores e colaboração efetiva. Quando esses pilares falham, até as parcerias mais promissoras se desintegram.

 

Pedro Signorelli - um dos maiores especialistas do Brasil em gestão, com ênfase em OKRs. Já movimentou com seus projetos mais de R$ 2 bi e é responsável, dentre outros, pelo case da Nextel, maior e mais rápida implementação da ferramenta nas Américas. Mais informações acesse: http://www.gestaopragmatica.com.br/


ACSP: Produtos típicos das festas juninas têm carga tributária média de 29,67%

IMAGEM: Paulo Pampolin/DC
Alguns itens são tributados bem acima da média, caso da paçoca, que tem 39,21% de impostos embutidos no preço final

 

Levantamento da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), com base em informações organizadas pelo site do Impostômetro, que é atualizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), aponta que produtos de largo consumo no período das festas juninas têm uma carga tributária média de 29,67%.

A cesta de produtos típicos montada pela ACSP traz, por exemplo, que do preço final da paçoca, 39,21% são impostos embutidos. No caso do amendoim, são 34,58%. Do custo final do quentão, 47,24% são impostos. Confira outros produtos da lista na tabela abaixo.  

Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP, explica que, mesmo com um ritmo menor de aumento de preços em comparação com anos anteriores, os valores elevados tendem a persistir. “Os preços devem continuar pressionados em função do aquecimento da economia e da carga tributária incidente sobre os alimentos, que ainda é muito alta”, afirma.

O economista reforça que o modelo tributário brasileiro é centrado na taxação do consumo, o que torna os alimentos — inclusive os típicos das festas juninas — especialmente carregados de tributos.

“Nosso sistema é estruturado sobre a tributação do consumo, e isso deve continuar assim por um bom tempo. Apesar de algumas reduções pontuais, a estrutura geral ainda impõe um peso significativo ao consumidor”, acrescenta.

 



Redação DC
https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/acsp-produtos-tipicos-das-festas-juninas-tem-carga-tributaria-media-de-29-67

 

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