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quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Contato com natureza traz benefícios às crianças




O contato com a natureza desde a infância ajuda em uma conscientização mais profunda em relação à importância da conservação e do uso sustentável dos recursos naturais
Créditos: Pezibear/Pixabay



Interação com áreas verdes pode ser feita em parques, praças e até mesmo em espaços inusitados em grandes metrópoles


A infância de várias gerações foi marcada por brincadeiras no quintal, ruas, parques e praças. Aventuras que permitiam o contato com a natureza e a postura contemplativa e observativa. No entanto, nos últimos anos, estudiosos têm detectado comportamento diferente na infância das novas gerações. Richard Louv, jornalista e fundador do Movimento Criança e Natureza, alerta sobre o transtorno do déficit de natureza e chama atenção para os impactos negativos que essa mudança de cenário e a falta de contato com o meio natural podem acarretar na vida das crianças.

Para o doutor em Educação, pós-doutor no departamento de Psicologia Social da Universidade de São Paulo (USP) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, Marcos Sorrentino, o contato com a natureza na infância ajuda a construir adultos emocionalmente mais saudáveis. “Desenvolver na criança essa capacidade de observar e ser atenciosa à vida é prepará-la para uma adolescência e uma fase adulta mais tranquila, menos estressada e menos neurótica”, analisa.

Mas, segundo o especialista, não basta apenas estar em contato com o meio ambiente, é preciso mudar a perspectiva. “Em geral, o contato com a natureza cria condições para que as crianças tenham momentos mais lentos de contemplação e observação, mas de nada adianta estar no meio natural se passamos pelas árvores, plantas e animais rapidamente. As crianças, assim como os jovens e até os adultos, precisam reaprender a usufruir desse momento com a natureza, deixando de lado esse modo de vida acelerado e hegemônico a que somos expostos na nossa sociedade”, ressalta Sorrentino.

Além disso, o contato com o meio ambiente desde a infância ajuda o fortalecimento do vínculo com o meio natural, garantindo uma conscientização mais profunda em relação à importância da conservação e do uso sustentável dos recursos naturais.


Natureza perto de nós

A interação com o meio ambiente pode ser feita em parques estaduais ou nacionais, praças, parques urbanos e até mesmo em áreas inusitadas em grandes metrópoles. “Quem mora em apartamento pode, por exemplo, fazer uma composteira, criar e ensinar a criança a cuidar das minhocas. Só de colocar a mão na terra e visualizar a transformação da matéria orgânica em húmus dá uma nova perspectiva à criança, um contraponto a um modo de vida alienante que distancia dos cuidados com a vida”, destaca o especialista.

Para Sorrentino, é preciso quebrar algumas resistências estimulando a curiosidade pela descoberta e valorizando a relação com o meio ambiente de forma natural, tanto na família como na escola. “Temos pais e mães extremamente distanciados dessa relação e, por isso, muitas vezes eles preferem ir ao shopping a passear em um parque. Precisamos criar pontes para que essa pessoa volte a se encantar com a natureza, com o contato da terra. Essa interação começa em casa, com o cultivo de vasos de plantas, ou na escola, com as hortas. Essas atividades ajudam a criar uma conexão com o meio ambiente”, finaliza.







Rede de Especialistas de Conservação da Natureza


12 de outubro : Dia do Mar


Mar de alegrias e grandes desafios


A costa brasileira é formada por quase nove quilômetros de beleza. São praias, dunas, falésias, restingas, manguezais e baías que reúnem uma das mais ricas biodiversidades do mundo. Um país verdadeiramente bonito por natureza, como diz Jorge Ben. Essa riqueza natural se mistura com a cultura praiana presente nas canoas de pesca, no artesanato, na culinária. O mesmo cenário em que depositamos nossas esperanças ao entardecer, tornando impossível contar a nossa história sem que os olhos sejam voltados para o oceano Atlântico.

Dizer que a gente fica melhor quando está em frente ao mar, parafraseando Nando Reis, não é apenas uma licença poética da canção! Um número crescente de pesquisas mostra o que o conhecimento popular já sabia: que estar próximo do mar faz bem à saúde, previne doenças e promove o bem-estar. Isso pode explicar o que leva mais de dois terços da população mundial viver no litoral ou áreas próximas à costa.

Nossos mares e oceanos são tão importantes que influenciam a vida de todo nós – de Norte a Sul, de Leste a Oeste –, e não só dos brasileiros que vivem na zona costeira. Os oceanos são a base da sobrevivência de toda humanidade, pois garantem a produção de oxigênio, recursos pesqueiros, regulam o clima até das regiões interioranas. Além de representarem local de esporte, lazer e turismo, abrigam os portos que conectam regiões e continentes, nos quais transita a maior parte do comércio e da economia. Dados recentes indicam que 19% do PIB do Brasil advêm dos nossos mares e oceanos, ficando atrás apenas da agricultura (21%).

São tantos os benefícios e serviços ecossistêmicos, que até a ONU declarou o período de 2021 a 2013 como a Década dos Oceanos!

Nesse mar de alegrias e riquezas, algumas tristezas chamam nossa atenção. Apesar da imensa importância econômica, ecológica, social e cultural, os mares não têm recebido os cuidados e investimentos que deveriam e estão ficando doentes. Novamente, não é apenas uma licença poética. Os peixes e outros recursos pesqueiros estão entrando em colapso. Algumas de nossas praias, antes paradisíacas, estão se tornando um cenário de sujeira e descarga de esgoto. As mudanças climáticas são reais, basta sentir as ondas de calor ou frio extremos, as chuvas intensas e inundações, o aumento do nível do mar e as ressacas cada vez mais frequentes que afetam quase 60% das cidades costeiras no Brasil.

Esse é o cenário do Antropoceno: a nova era geológica em que entramos, na qual atividades humanas começaram a ter um impacto global significativo no clima do planeta e no funcionamento dos seus ecossistemas. Temos um ambiente tão rico e tão lindo, mas temos uma capacidade inigualável de alterar o meio em que vivemos, a ponto de colocar em risco a nossa própria existência e das gerações futuras.

Neste balanço de alegrias, riquezas, tristezas e preocupações, nosso poder transformador pode também ser a solução. Somos criativos e devemos usar nossa criatividade, nossa alegria e nossa força para mudar o cenário atual, com soluções inovadoras, novas tecnologias e, principalmente, mudanças de comportamento.

Das pequenas ações – como consumir só o que precisamos, descartar o lixo corretamente, respeitar o ambiente e desmatar menos – às grandes mudanças – como a cobrança dos poderes Executivo e Legislativo para garantir a segurança do nosso meio ambiente. Assim, não importa se hoje estamos passando a tarde em Itapoã, numa barca para a Ilha do Mel ou surfando as ondas do céu de Brasília, todos nós somos responsáveis pelos mares. Deles dependemos para viver e para eles podemos deixar o nosso melhor.






Janaína Bumbeer - analista de Projetos Ambientais da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.


Ronaldo Christofoletti - professor da UNIFESP e faz parte do grupo de 30 cientistas voluntários brasileiros convocados pela ONU para traçar pareceres sobre o que já foi feito para os oceanos.


Não, a luz azul do seu smartphone não está te cegando


Nos últimos 50 anos, houve um declínio na duração e na qualidade média do sono, com consequências adversas na saúde geral. Uma pesquisa representativa de 1.508 adultos americanos revelou que 90% dos americanos usavam algum tipo de mídia eletrônica algumas noites por semana, uma hora antes de dormir



A luz azul das telas eletrônicas não está deixando você cego! Um estudo, divulgado recentemente, tem criado tanta preocupação, quanto alarme nas agências de notícias em todo o mundo. Mas os especialistas alertam para as conclusões infundadas sobre os efeitos potenciais da luz azul no olho.

“Este estudo  não é um motivo para parar de usar suas telas. O uso de telas eletrônicas não causa cegueira. A pesquisa vem da Universidade de Toledo e foi publicada em Scientific Reports. Os pesquisadores analisaram o que acontece quando uma substância química específica, retinol, é exposta à luz azul. O retinol está presente nos olhos. E a luz azul entra no olho, tanto naturalmente, via luz do sol, como pelas telas eletrônicas. Mas as descobertas do estudo não podem ser transformadas em recomendações”, afirma o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.

É preciso observar com  cautela vários pontos do estudo:

  1. Os experimentos não imitam o que acontece nos olhos das pessoas;
  2. As células que foram testadas não são derivadas das células da retina;
  3. As células do estudo não foram expostas à luz, da mesma maneira que as células do olho são naturalmente expostas à luz;
  4. A parte das células que foi afetada pelo retinol nos experimentos (a membrana celular) não toca a retina nos olhos das pessoas vivas;
  5. O retinol é tóxico para algumas células, estejam elas expostas ou não à luz azul. As células da retina viva têm proteínas que podem protegê-las desses efeitos possivelmente tóxicos;
  6. Outras células que também foram expostas à luz retiniana e azul pelos pesquisadores não seriam expostas à luz azul no corpo. A luz azul só atinge a pele e os olhos;
  7. Em outras palavras, os pesquisadores pegaram células que não são do olho, as uniram com a retina de uma forma que não acontece no corpo e expuseram às células para brilhar de uma forma que não acontece na natureza.

Preocupações reais sobre o uso da tela e a segurança dos olhos

Se você tiver dúvidas ou preocupações sobre sua saúde ocular, converse com seu oftalmologista. Seu médico pode fazer recomendações certas para você e seu estilo de vida.

“Há evidências de que a luz azul pode interferir nos ritmos circadianos dos seres humanos, tornando mais difícil adormecer. Para algumas pessoas, pode ser uma boa ideia limitar o tempo de tela antes de dormir. Ou filtrar a luz azul das telas antes de dormir”, afirma a oftalmologista Sandra Alice Falvo, que integra o corpo clínico do IMO.


Passar muito tempo olhando para uma tela pode impedir que as pessoas pisquem com a frequência que deveriam e foquem em coisas em locais diferentes. “Isso pode fazer com que os olhos pareçam secos, cansados ​​ou tensos. A solução é fazer pausas por 20 segundos, a cada 20 minutos, afirma Sandra Falvo.





IMO, Instituto de Moléstias Oculares


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